O Estado de S.Paulo - SP 12/05/2026
Vendas de elétricos no Brasil praticamente triplicam no primeiro quadrimestre e colocam 2026 no caminho de um novo recorde histórico
O Brasil emplacou 48.514 carros puramente elétricos nos quatro primeiros meses de 2026. O número, obtido por meio da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), é expressivo não apenas pelo volume absoluto, mas principalmente pela velocidade com que esse mercado cresceu em tão pouco tempo.
A título de comparação, entre janeiro e abril de 2025, foram vendidos 17.695 carros elétricos em todo o País. Ou seja, o segmento praticamente triplicou em apenas um ano. A evolução fica ainda mais evidente quando se olha para trás. Em 2022, o Brasil havia registrado apenas 1.747 BEVs no mesmo período. Em 2023, foram 2.545 unidades. Agora, em 2026, o mercado alcança quase 50 mil unidades antes mesmo de completar o primeiro semestre.
O avanço é puxado por uma combinação de fatores. Há mais produtos disponíveis, mais marcas disputando espaço, preços mais agressivos em determinados segmentos e, sobretudo, uma aceitação mais ampla do consumidor.
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Mas nenhum modelo simboliza essa virada com tanta força quanto o BYD Dolphin Mini. Sozinho, o compacto acumula 21.643 licenciamentos entre janeiro e abril, o que representa quase metade de todos os carros elétricos vendidos no Brasil no período.
O estado de São Paulo concentra a maior parte dos emplacamentos de elétricos no acumulado de 2026. Foram 10.233 unidades nos quatro primeiros meses do ano. O resultado não surpreende. São Paulo reúne a maior frota do País, tem infraestrutura de recarga adequada e presença mais forte de concessionárias, importadores e empresas que apostam em frota eletrificada.
O Distrito Federal aparece em seguida, com 4.490 unidades, à frente do Rio Grande do Sul, que registrou 4.221 emplacamentos. Os volumes chamam atenção pelo tamanho dos mercado locais.
Carros eletrificados como protagonistas?
O desempenho dos carros elétricos, contudo, faz parte de um movimento maior. Considerando todos os veículos leves eletrificados, incluindo híbridos convencionais, híbridos plug-in e elétricos puros, abril foi o melhor mês da série histórica da ABVE. Foram 38.516 unidades emplacadas, com 16% de participação de mercado. Segundo a associação, esse índice é o dobro do registrado sete meses antes.
O avanço mensal também foi forte. As vendas de eletrificados cresceram 9% em relação a março, com 35.356 emplacamentos, e 161% sobre abril de 2025, quando o mercado havia registrado 14.759 licenciamentos. No acumulado de janeiro a abril, a média mensal dos eletrificados chegou a 30.615 unidades, crescimento de 124% sobre o primeiro quadrimestre do ano passado.
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Dentro desse universo, os modelos plug-in ganharam protagonismo. Em abril, 80% dos eletrificados vendidos no Brasil tinham tomada, somando BEVs e PHEVs. Os elétricos puros responderam por 17.488 unidades, ou 45,4% do total de eletrificados do mês. Já os híbridos plug-in representaram 13.214 unidades, o equivalente a 34,3%.
Só em abril, os BEVs cresceram 24,3% sobre março e impressionantes 272% sobre abril de 2025, quando haviam sido emplacadas 4.702 unidades. É uma expansão que não se explica apenas por uma base baixa. Ela também reflete a chegada de produtos mais competitivos, com autonomia mais adequada ao uso urbano e preços menos distantes dos carros a combustão de faixa intermediária.
Ritmo atual levaria mercado a 145 mil elétricos no ano
Se mantiver a média registrada entre janeiro e abril, de 12.128 carros elétricos por mês, o Brasil pode encerrar 2026 com aproximadamente 145.542 BEVs vendidos. Seria um salto expressivo em relação a 2025, quando foram comercializados 80.178 carros elétricos no País durante todo o ano.
Naturalmente, a projeção depende de variáveis importantes. Preço, câmbio, política de importação, disponibilidade de produto, rede de recarga, financiamento e até a reação das marcas tradicionais podem alterar o ritmo nos próximos meses. Ainda assim, é evidente que o mercado brasileiro de elétricos vem numa boa toada.
A leitura da ABVE vai na mesma direção. Para Ricardo Bastos, presidente da entidade, o desempenho aponta para uma tendência consistente de aceleração da eletrificação no Brasil. Segundo o executivo, os números mostram que o movimento não é sazonal nem acidental, mas coerente ao longo do tempo, com o consumidor levando cada vez mais em conta as vantagens do veículo eletrificado na decisão de compra.
A fotografia de 2026 mostra exatamente isso. O carro elétrico ainda enfrenta obstáculos notórios, como preço de entrada elevado, infraestrutura desigual e concentração regional. No entanto, também começa a vencer resistências antigas. O consumidor brasileiro, historicamente cauteloso, passou a comparar custos de uso e a aceitar uma mudança que, até poucos anos, parecia distante demais.
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