Valor - SP 02/03/2026
Segmento continua a ser taxado em 50% nos Estados Unidos, com base na Seção 232 da legislação tarifária americana
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o tarifaço do governo de Donald Trump abriu espaço para que o Brasil e o setor siderúrgico nacional voltem a debater com os EUA a possibilidade de reduzir as tarifas ao aço brasileiro. A afirmação é do presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, que lembrou que os Estados Unidos sempre foram o mercado preferencial para as exportações siderúrgicas brasileiras.
Lopes destacou que o setor siderúrgico brasileiro continua sendo taxado em 50% nos Estados Unidos, com base na Seção 232 da legislação tarifária americana. Essa sobretaxa não foi tocada pela decisão da Suprema Corte, que derrubou apenas as sobretaxas aplicadas a todos os países e que variavam de 10% a 50%.
Com o fim dessa sobretaxa de 10% a 50% e o levantamento das sanções da Lei Magnitsky sobre autoridades brasileiras, o setor siderúrgico nacional pode voltar, juntamente com o governo, a sentar à mesa para discutir as taxas de 50% aplicadas pelos EUA ao aço.
"O mundo todo está com 50% [de taxa ao aço], então nós estamos no campo de batalha. Todo mundo igual. Mas estamos querendo abrir o canal", disse Lopes, que participou de evento que homenageou o presidente do conselho superior do Movimento Brasil Competitivo (MBC), Jorge Gerdau, na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).
Para Lopes, o momento agora é de "pragmatismo" para tentar reduzir as taxas ao aço brasileiro nos EUA. "Agora é partir para o ‘front’", disse.
Importações da China
O executivo também destacou que o setor siderúrgico nacional espera que as medidas tomadas pelo governo brasileiro para frear as importações de aço — majoritariamente de produtos chineses — tenham impacto positivo em 2026. Mas não há estimativa de quanto pode ser este impacto este ano.
Lopes afirmou que historicamente o Brasil importou, entre 2000 e 2019, a média de 2,2 milhões de toneladas por ano de aço. Em 2025, foram 5,7 milhões de toneladas, dois terços disso oriundos da China.
"O mecanismo tem que reduzir o nível de importação para um patamar que seja razoável", disse Mello Lopes. "Havia uma penetração de importados de 10% do consumo, o que é razoável dentro de uma economia de mercado. Hoje, a penetração [de importados] é de 22%, 23%", acrescentou.
A expectativa é que essas importações arrefeçam ao longo do ano. Mello Lopes lembrou que o governo brasileiro aprovou a elevação tarifária de 25 NCMs (Nomenclaturas Comuns do Mercosul) e aprovou também processos de dumping.
"O arcabouço de defesa comercial hoje é mais consistente do que a gente tinha no ano passado. Tem que esperar um pouco para saber a efetividade desse novo sistema", afirmou.
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