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06 de Outubro de 2025

SIDERURGIA

Valor - SP   06/10/2025

O Japão vai expandir o escopo das tarifas antidumping para incluir exportações indiretas via terceiros países, à medida que a superprodução da China continua prejudicando indústrias domésticas.

O problema central é a superprodução chinesa de aço e outros materiais. A China mantém uma capacidade de produção que excede a demanda interna, que vem diminuindo devido à crise imobiliária, e exporta o excedente a preços baixos.

Em março, o Japão aplicou tarifas antidumping provisórias sobre a China para eletrodos de grafite, usados principalmente para fundir sucata de ferro em fornos elétricos de arco. Embora as importações da China tenham caído, aumentaram as importações de terceiros países que não possuem capacidade de produção desses eletrodos.

É possível que a China esteja exportando eletrodos de grafite inacabados para terceiros países, onde são transformados em produtos acabados e depois exportados para o Japão.

Produtos chineses estão cada vez mais sendo exportados para o Japão via terceiros países, como Índia ou países do Sudeste Asiático. As indústrias japonesa de aço e química exigem medidas para impedir exportações indiretas.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) reconhece as tarifas antidumping como uma forma de evitar a importação de produtos com preços baixos que causem prejuízo às indústrias locais. Se for comprovado que os produtos são exportados a preços injustamente mais baixos que os preços domésticos, a diferença pode ser adicionada como tarifa.

No entanto, Japão e Indonésia são os únicos dois membros do G20 que não possuem sistemas para se proteger contra exportações indiretas.

Em setembro, o Ministério das Finanças do Japão criou um grupo de trabalho para elaborar um sistema. Na primeira reunião, em 10 de setembro, foi apresentada uma proposta que permite impor tarifas a terceiros países caso seja confirmada a circunvenção e empresas japonesas sofram danos.

A circunvenção será determinada avaliando fatores como processamento adicional ou investimento em um terceiro país. As propostas incluem a imposição de tarifas maiores se cerca de 60% ou mais do valor de um produto importado de um terceiro país vier de uma nação sujeita às tarifas antidumping japonesas. Além disso, se 25% ou menos do valor agregado for processado no terceiro país, o produto também poderá ser tarifado.

A União Europeia opera um sistema semelhante com os mesmos parâmetros.

“Precisamos criar um sistema que possa responder de forma flexível, permitindo certa margem de interpretação nos números”, disse Yoshinori Abe, professor da Universidade Gakushuin e presidente do grupo de trabalho. “Mesmo que criemos novas regras, há a possibilidade de que se torne um jogo sem fim de encontrar novas brechas.”

O governo buscará opiniões públicas e pretende implementar revisões legais já no ano fiscal de 2026.

Folha On-Line - SP   06/10/2025

Mineral pode ser crítico, mas Anglo American e Vale vendem produto apenas para siderúrgicas

Chineses que adquiriram ativos da primeira não veem viabilidade em mudança de rota

São Paulo Ao se pesquisar o nome dos minerais considerados críticos, dificilmente se encontrará uma lista onde o níquel não aparece. Esse metal está presente em alguns modelos de baterias de veículos elétricos e, por isso, a demanda por ele tende a crescer de forma exponencial nos próximos anos.

Mas no Brasil, o nono maior produtor de níquel e dono da terceira maior reserva do mundo, esse mineral não atende aos requisitos da cadeia de bateria e é quase todo direcionado para a indústria do aço.

A Anglo American –que está transferindo seus ativos em Goiás para a chinesa MMG– e a Vale, no Pará, têm como produto final o ferroníquel, uma liga metálica importante para a produção de aço inoxidável. Já a pequena Atlantic Nickel, com uma mina na Bahia, vende um produto ainda muito inicial para empresas que fazem parte da cadeia de baterias.

"Só o elemento químico é o mesmo, mas estamos falando de dois produtos completamente diferentes", afirma José Antônio Rodrigues Júnior, engenheiro metalurgista especialista em níquel.

E, se depender apenas do planejamento dessas empresas, o cenário no Brasil continuará igual nos próximos anos, mesmo com a demanda por níquel para baterias crescendo.

As siderúrgicas são as principais clientes do mercado global de níquel e consomem 66% de toda a produção mundial –contra 16% da indústria de baterias. Mas a substituição do ferroníquel pela sucata na indústria do aço em países ricos e o crescimento da procura por veículos elétricos tendem a reduzir essa diferença.

A consultoria Fastmarkets estima que, em 2035, 31% do mercado de níquel atenderá as baterias, enquanto a participação do aço inoxidável cairá para 55%. Já a Agência Internacional de Energia estima que em 2040 quase metade da produção de níquel atenderá a produção de tecnologias ligadas à descarbonização, enquanto a demanda total, independentemente do destino, deve crescer 70%.

Não à toa, a China vem investindo pesado em plantas de níquel na Indonésia, responsável por mais da metade da oferta, para produzir o mineral como matéria-prima das baterias. E isso, na visão de especialistas, também poderia ser feito no Brasil, ainda que as mineradoras não estejam interessadas ao menos no curto prazo, segundo elas disseram à Folha.

O minério de níquel extraído e processado na Indonésia vem de depósitos semelhantes aos das grandes minas do Brasil, os chamados minérios lateríticos. Até pouco tempo, o produto oriundo dessa rocha era direcionado sobretudo para a indústria do aço, mas os chineses desenvolveram uma tecnologia que mudou esse cenário.

Por meio de um processo à base de ácido sulfúrico e altíssimas pressões, as refinarias chinesas –localizadas na Indonésia– conseguem desenvolver o precipitado de hidróxido misto (MHP, na sigla inglês), um produto intermediário na produção de baterias. De lá, a grande maioria do MHP segue para a China, onde vira sulfato de níquel, um produto ainda mais próximo da produção de baterias.

Analistas apontam que o uso dessa tecnologia tem maior viabilidade econômica em projetos que ainda não saíram do papel, o que dificulta sua adoção nas grandes plantas em operação no Brasil. O processo, no entanto, poderia ser usado nos projetos de níquel recém-adquiridos da Anglo American pela chinesa MMG–no Mato Grosso e no Pará. A empresa não descarta a hipótese, mas qualquer decisão viria no longuíssimo prazo, principalmente considerando os atuais baixos preços do níquel.

De acordo com Olivier Masson, analista principal da Fastmarkets, nas grandes plantas em operação no Brasil tanto a Vale quanto a MMG, que assumirá os negócios da Anglo American em breve, poderiam redirecionar seus processos industriais para produzir um outro produto da cadeia das baterias: o chamado matte de níquel.

"Desenvolvimentos futuros neste mercado podem ser mais voltados para o lado da bateria do que para o ferroníquel, até porque não é muito difícil ou caro converter ferroníquel em matte para, em seguida, fazer sulfato", diz Masson. "Tudo o que você precisa fazer é adicionar um conversor ao final de um processo de ferroníquel."

A própria Vale já produz matte na Indonésia a partir de um processo semelhante. Outros exemplos são a mineradora francesa SLN, na Nova Caledônia, que adotou essa rota por um período, e a chinesa Tsingshan, que deslocou parte de sua produção de ferro-gusa de níquel (produto semelhante ao ferroníquel) na Indonésia para produzir matte –atendendo a produção de baterias.

A mudança teria lógica, inclusive, financeira, segundo os analistas. De acordo com a Fastmarkets, nos próximos dez anos o mercado de níquel para baterias crescerá 12% ao ano, enquanto o ferroníquel apenas 2,5%. "Não há mais ferroníquel sendo produzido na Europa e, assim como a Anglo American saiu de seus ativos de ferroníquel no Brasil, a South32 está vendendo sua fundição de ferroníquel na Colômbia. Essas tendências sugerem indiretamente que os investidores têm favorecido o níquel para baterias", afirma Masson.

O último novo projeto de ferroníquel no Brasil, por exemplo, não foi para frente. A britânica Horizonte Minerals pretendia construir uma planta no Pará, mas precisou parar as obras devido a dívidas acumuladas e à dificuldade de atrair investidores para o projeto.

Ainda assim, à Folha a MMG afirmou que a mudança de rota não faz parte dos planos da companhia, ao menos para a planta adquirida da Anglo American. "Neste estágio do ciclo, a adaptação tecnológica necessária para converter a produção em níquel para baterias exigiria investimentos de capital muito elevados, considerados atualmente inviáveis tanto sob o ponto de vista econômico quanto técnico", disse por nota.

"Temos uma visão positiva para o mercado de níquel no médio e longo prazo, impulsionado tanto pela transição energética quanto pela demanda crescente do aço inoxidável, fundamental para o desenvolvimento industrial e de infraestrutura em escala global", acrescentou.

Já a Vale afirmou que o ferroníquel produzido no Brasil é uma parte importante de seu portfólio de níquel, "permitindo que a empresa forneça níquel para todas as aplicações, incluindo aço inoxidável, aplicações especiais e os mercados de veículos elétricos". A empresa produz níquel para baterias no Canadá e na Indonésia e no final de abril ampliou sua produção de ferroníquel no Pará.

A Atlantic Nickel, por sua vez, não tem planos de avançar, ao menos por ora, na cadeia de baterias. A empresa extrai um minério diferente do que o das grandes mineradoras e geralmente comercializa o produto concentrado para distribuidores da China, Europa e Canadá –que vendem para empresas da cadeia de baterias. "Nós não temos planos, porque requereria um volume maior para se justificar o investimento", diz Tony Lima, diretor de operações da empresa.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   06/10/2025

No Brasil, na lei que institui o regime de metas para a inflação, o Conselho Monetário Nacional (CMN) define a meta de inflação a ser perseguida pelo Banco Central (BC). Entretanto, não há uma regra dura, podendo haver momentos em que o BC opte por desviar um pouco da meta, e é possível verificar econometricamente o valor que está sendo efetivamente perseguido. Numa dissertação orientada por mim e defendida na Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EESP), Matheus Ferreira fez o estudo de qual é a verdadeira meta (implícita) que Brasil, Chile e México estão perseguindo. Este artigo apresenta um resumo do trabalho com ênfase nos resultados para o Brasil e mostra um Banco Central, recentemente, bem pouco leniente com a inflação, no jargão financeiro hawkish, principalmente ao considerarmos a Selic a 15%.

É consenso na literatura que certa flexibilidade na definição de políticas econômicas é superior às situações em que são utilizadas puramente regras automáticas ou mesmo quando o executor da política tem total liberdade, total discricionariedade. Por exemplo, nos momentos posteriores à pandemia de covid-19, houve necessidade de alguma discricionariedade, com o BC mirando valores acima da meta da inflação para estimular a economia.

A dissertação investiga o comportamento dos bancos centrais de três países latino-americanos: Brasil, México e Chile. Para tanto, são estimadas metas implícitas de inflação do primeiro trimestre de 2007 ao último trimestre de 2024, com base em regras de política monetária denominadas regras de Taylor, que permitem o coeficiente da meta da inflação ser variável. O estudo ainda inova por considerar a meta implícita sendo determinada utilizando os juros médios do período estimado diretamente na regra de Taylor ou definindo os juros médios do período utilizando outra equação, que também é variável ao longo do período amostral.

Os juros de equilíbrio fixos calculados na estimação da regra de Taylor encontram um valor de 4,6% para o período estudado no Brasil de 2007 a 2024. Já as estimativas das taxas de juros neutras reais, que podem variar no tempo, indicam um declínio – comum a todas as economias analisadas – desde o período posterior à crise financeira global de 2007-2009 até o final de 2012. Ao fim desse período, estima-se que a taxa neutra média tenha atingido aproximadamente 4,2% no Brasil. As estimativas sugerem que as taxas de juros reais neutras aumentaram durante a crise econômica do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, atingindo cerca de 5%. Posteriormente, o juro real caiu entre 2017 e 2021 e, em seguida, retomou uma trajetória ascendente mais recentemente, atingindo 4,9% no final de 2024.

Com relação à meta implícita para o Brasil, não há variação nas estimações, mesmo adotando duas estimativas diferentes para o cálculo dos juros reais de equilíbrio. As duas projeções, com taxa de juros real neutra constante e com variante no período, sugerem que a política monetária brasileira alternou momentos de maior rigidez e mais leniência em relação à inflação no período analisado. De 2007 até 2011, o BC adotou uma atitude agressiva em relação à inflação, podendo se observar uma taxa ligeiramente abaixo do centro da meta oficial. Entretanto, entre 2011 e 2014 a instituição adotou uma abordagem mais leniente, visto que a meta implícita estimada superou o limite superior da meta oficial de inflação de 6% entre 2012 e meados de 2013.

No período entre 2015 e 2020 pode ser observada uma atitude mais neutra, já a meta implícita de inflação oscilou em torno do centro da banda oficial. Já para o período imediatamente após a pandemia de covid-19, o BC voltou a ser mais tolerante com a inflação. Essa mesma característica de uma atitude mais acomodatícia em relação à política monetária começou a normalizar e, em meados de 2021, se iniciou uma fase de atitude mais agressiva no combate à inflação. Isso levou a uma queda substancial nas metas de inflação implícitas estimadas para o País entre 2022 e 2023, mesmo considerando que nesse período houve, concomitantemente, uma queda da meta oficial de 4,5% para 3% (valor esse agora fixo e permanente). No quarto trimestre de 2024, último dado da amostra, a meta implícita foi estimada em 2,4%, abaixo da meta oficial.

Concluindo, podem ser destacados dois períodos: o primeiro é no governo Dilma 1, até 2013, quando a meta de inflação implícita ultrapassou o limite superior do intervalo, sugerindo um Banco Central mais leniente (dovish); e o segundo período é o mais recente, no qual os juros reais aumentaram e a meta de inflação implícita caiu, indicando um Banco Central bem hawkish. Durante o ano de 2025, já fora da amostra do estudo, acreditamos que essa atitude mais conservadora, com a Selic chegando a 15% e os juros reais acima de 9%, pode ter havido até um recuo ainda mais acentuado da meta implícita em relação à meta oficial.

Globo Online - RJ   06/10/2025

Os melhores termômetros do impacto positivo da infraestrutura costumam ser a saúde e o bolso da população. A expansão da rede de água e esgoto reduz a incidência de doenças e diminui a poluição ambiental. O asfaltamento ou a ampliação de estradas incentiva o contato entre consumidores e produtores ou prestadores de serviços. Também elimina desperdícios e prejuízo na movimentação de mercadorias. Nas cidades, sistemas de transportes mais eficientes diminuem o tempo de deslocamento, aliviam o cansaço dos usuários e aumentam a produtividade no trabalho. Na internet, o aumento do alcance e da velocidade também estimulam a produtividade. Não há indústria ou comércio competitivo sem energia confiável e barata. Embora comumente associada a cimento, asfalto e aço, a infraestrutura está intimamente ligada ao bem-estar da população.

Por isso são frustrantes os dados sobre investimento do Brasil no setor. O país fechou 2024 tendo destinado apenas 2,27% do PIB (ou R$ 266,8 bilhões) à infraestrutura, bem menos que o necessário. Para complicar, nem todo o dinheiro foi para projetos novos. Seis em dez reais foram aplicados para atualizar estradas, linhas de transmissão ou portos envelhecidos. Neste ano, a situação deverá piorar. Pelas projeções da consultoria Inter.B, os investimentos em infraestrutura cairão a 2,19% do PIB. Mantido o nível atual, nenhum segmento conseguirá suprir as necessidades nem em dez nem em 20 anos. Tal perspectiva é alarmante. Para se modernizar, o Brasil precisaria mais que dobrar esse percentual por um período de duas décadas.

Alcançar esse objetivo exige maior segurança jurídica para os contratos de empresas privadas, agências reguladoras mais fortes, melhor governança dos investimentos públicos e mais eficiência no planejamento de médio e longo prazo. Com tanto por fazer, ajudaria também não estragar o que vinha dando certo. Por muito tempo, o setor elétrico foi conhecido por planejamento rigoroso, regulação acima da média e operação técnica. Nas últimas duas décadas, houve deterioração acelerada. Grupos de interesse influentes obtiveram sucesso na aprovação de medidas nocivas à sociedade. O populismo tarifário e políticas equivocadas de preço foram corroendo o sistema. Sucateada, a agência reguladora pouco fez.

Também há, é verdade, exemplos positivos a seguir. O setor de telecomunicações continua com desafios, mas tem sido exemplar na adoção de novas tecnologias, planejamento e regulação. Outro destaque é o saneamento. Com o novo marco regulatório para o setor, a expectativa da Inter.B é que os investimentos privados alcancem R$ 31,2 bilhões entre janeiro e dezembro deste ano, quase o quádruplo de 2022. Será a primeira vez que o setor privado terá investido mais que o público. A mudança representa a chance de o país sair da armadilha do baixo investimento, em que empresas públicas mal geridas e sem capital condenavam milhões a serviços básicos precários. Outros setores deveriam se inspirar nesses modelos positivos.

O Estado de S.Paulo - SP   06/10/2025

A despeito da política monetária contracionista e da entrada em vigor do tarifaço norte-americano contra exportadores brasileiros, a produção industrial nacional cresceu 0,8% em agosto ante julho, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal, divulgados nesta sexta-feira, 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O bom desempenho, que interrompeu uma sequência de quatro meses sem expansão significativa, superou as expectativas dos analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que esperavam uma alta mediana de 0,3%.

“Apesar do resultado positivo em agosto, a desaceleração da atividade, as altas taxas de juros e o ambiente externo mais incerto devem continuar impactando o setor ao longo dos próximos meses de 2025. No entanto, vetores altistas, como as medidas do governo voltadas ao estímulo da demanda, podem atenuar uma perda de ritmo mais acentuada para a atividade ao longo do ano”, avaliou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que prevê um avanço de 0,9% na produção industrial brasileira em 2025.

A alta na indústria em agosto foi a mais intensa para esse período do ano desde 2020, quando tinha crescido 2,9%.

“O setor industrial volta a ter um crescimento mais importante. Ele não elimina a perda dos meses anteriores, elimina apenas uma parte da perda acumulada (de 1,2%), mas volta para o campo positivo, também com disseminação de resultados positivos entre as atividades. É uma melhor situação do que a gente vinha observando até então”, afirmou André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE. “Há uma interrupção de um comportamento que era predominantemente negativo, que estava presente desde abril.”

Na passagem de julho para agosto de 2025, 16 dos 25 ramos industriais pesquisados apontaram avanço na produção, com destaque para a expansão de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (13,4%), coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,8%) e produtos alimentícios (1,3%).

“Você tem um maior espalhamento de resultados positivos em agosto”, lembrou Macedo, ponderando que o crescimento se dá sobre uma base de comparação bastante depreciada, uma vez que o setor vinha de perdas importantes desde abril. “A leitura de 2025 ainda é de perda de dinamismo no setor industrial.”

O tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a exportadores brasileiros afetou em agosto alguns segmentos da pesquisa do IBGE. Os questionários referentes a julho já tinham mostrado alguns informantes sinalizando influência do tarifaço nas expectativas e na produção futura, mas em agosto as menções foram mais relevantes em atividades mais exportadoras, como madeira, móveis e extrativas. Os questionários mostraram informantes apontando o tarifaço como justificativa para uma redução do nível de produção.

“Isso apareceu no mês de agosto, pontualmente já tinha aparecido no mês de julho. Agora no mês de agosto aparece com mais clareza. Isso ainda é pontual, não é predominante dentro das informações coletadas pela pesquisa, aparece especialmente nos informantes mais voltados para exportação”, explicou Macedo.

Na passagem de julho para agosto, enquanto a produção industrial cresceu 0,8% na média global, a fabricação de produtos de madeira encolheu 8,6%; extrativas caíram 0,3%; e móveis tiveram apenas ligeira alta de 0,1%.

“Apesar dos dados mais positivos de agosto, a leitura geral do cenário para a atividade industrial em 2025 se mantém. Há sinais de desaceleração em setores chave - o que deve se intensificar ao longo do segundo semestre de 2025”, previu Camila Saito, analista da consultoria Tendências, em relatório.

Saito prevê algum suporte à demanda doméstica proveniente do mercado de trabalho ainda dinâmico, da menor pressão cambial, da retomada da atividade extrativa, da criação da faixa 4 do programa Minha Casa Minha Vida e da liberação de precatórios, medidas que podem beneficiar, sobretudo, a produção dos segmentos de automóveis leves, eletrodomésticos de linha branca e materiais para construção ligados ao segmento de moradias populares.

“No entanto, as incertezas domésticas e externas, as sobretaxas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e os juros elevados devem limitar maiores avanços da produção”, declarou Saito.

O Estado de S.Paulo - SP   06/10/2025

O avanço de propostas inviáveis no Congresso quase sempre se deve a uma certa ingenuidade, puro desconhecimento ou mera hipocrisia por parte dos parlamentares. Alguns senadores, portanto, deveriam explicar qual dessas alternativas está por trás do Projeto de Resolução do Senado 8/2025, por meio do qual pretendem estabelecer um teto para a dívida bruta da União. Trata-se de ideia tão simples quanto equivocada, não só no conteúdo como na forma, e que certamente não resolverá os problemas fiscais que se acumulam há anos.

Em princípio, quem defende a responsabilidade fiscal enquanto princípio não teria motivos para se colocar contra a proposta, haja vista que o arcabouço fiscal proposto pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não foi capaz de estabilizar a trajetória da dívida pública, situação que retroalimenta juros elevados.

Juros elevados, por sua vez, encarecem o crédito para o setor privado, diminuem a atratividade de investimentos em infraestrutura e reduzem a expectativa para o crescimento da economia. É provável que tenha sido nesse contexto que surgiu a ideia do teto para a dívida.

De qualquer forma, na justificativa da proposta, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) argumenta que foi a Constituição que deu ao Senado a competência de fixar limites globais para a dívida consolidada da União, Estados e municípios, mas que eles têm sido aplicados somente para os entes subnacionais.

Originalmente, Renan sugeriu que a dívida pública se limitasse a quatro vezes a Receita Corrente Líquida (RCL) da União, mas o relator, Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), propôs que ela não ultrapasse 6,5 vezes a RCL e que não supere o nível de 80% do Produto Interno Bruto (PIB).

Que bom seria se todos os desafios nacionais fossem resolvidos com base no que está escrito em lei. Mas, como lembrou ex-presidente do Banco Central (BC) e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles em sua coluna no Estadão, o País já conta com um arsenal de leis suficiente para orientar a política fiscal. O diabo está nas exceções que se criam ao longo do tempo para fugir do cumprimento delas. “O que pode ser aprimorado é a execução da política fiscal, sem novas exceções ao sabor do momento”, disse Meirelles.

Também em sua coluna neste jornal, o economista e ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman lembrou que o projeto em discussão no Senado padece dos mesmos erros do antigo teto de gastos e do atual arcabouço fiscal: não atacar os gastos obrigatórios, que se expandem em um ritmo acima do crescimento sustentável do PIB. “Fracassam porque tentam conter o sintoma, não sua causa”, definiu.

Exatamente por não resolver a dinâmica do gasto público, o projeto estabeleceria mais um teto para ser furado em tempo recorde. Isso porque a dívida bruta do governo geral já estava em 77,5% do PIB em agosto e deve ultrapassar o nível de 80% do PIB em breve.

O governo fez chegar aos senadores que a proposta poderia paralisar a máquina pública, gerar um choque recessivo e até mesmo levar a um calote, enquanto o BC sinalizou que o projeto imporia dificuldades adicionais à condução da política monetária e à estabilidade financeira.

O mais grave é que, por ser um projeto de resolução do Senado, o texto, uma vez aprovado, entraria em vigor de maneira imediata, sem jamais ter passado pela Câmara e sem estar sujeito a vetos presidenciais. Ora, seria um disparate se um tema de tamanha importância e impacto para as contas públicas fosse decidido apenas pelo Senado.

Após apresentar seu parecer, Oriovisto disse que está disposto a discutir o projeto com o governo e o BC antes que ele seja deliberado e, felizmente, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) decidiu adiar sua votação para debater seus impactos em uma audiência pública com integrantes do Ministério da Fazenda e da Casa Civil.

O melhor mesmo é que o Senado desista de uma vez desse projeto. Afinal, criar uma regra que só serviria para bagunçar ainda mais um conjunto de normas fiscais já bastante confuso e que já nasceria com um prazo de validade curto é tudo de que o País não precisa neste momento.

Exame - SP   06/10/2025

O Brasil reforça sua aposta em colocar em marcha uma "nova indústria" mais verde, produtiva, inovadora e digital, como estratégia para aumentar sua competitividade no mercado internacional.

Para isso, o governo está realizando investimentos de cerca de US$ 56,27 bilhões até 2026 para o desenvolvimento de um novo plano industrial.

A informação foi destacada durante um ato oficial pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que enfatizou a necessidade de fortalecer a indústria nacional, sobretudo diante da concorrência asiática.

A estratégia está focada em expandir as cadeias agroindustriais sustentáveis e o setor de saúde, impulsionar a bioeconomia, a descarbonização e a transição e segurança energéticas, além de melhorar infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis.

O plano também busca promover a transformação digital da indústria e implementar tecnologias de interesse para a soberania e a defesa nacionais.

"Isso é essencial para disputar mercado com a concorrência internacional", disse Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Exportar para crescer

Alckmin lembrou que, para muitos setores, como aviação ou defesa, exportar é uma condição inegociável para a subsistência e escalada dos negócios.

Ao mesmo tempo, o comércio exterior permite aumentar a resiliência e as possibilidades de crescimento de pequenas e médias empresas, que são a base da economia brasileira.

"O comércio exterior é emprego e renda. Muitas empresas não sobrevivem somente com o mercado interno. Por isso, o enfoque no comércio exterior é fundamental", afirmou Alckmin.

CNN Brasil - SP   06/10/2025

O mercado de PPPs (parcerias público-privadas) no Brasil deve terminar o ano de 2025 com mais de 150 leilões realizados, resultando em mais de R$ 150 bilhões de investimentos em infraestrutura, segundo estimativa da consultoria Radar PPP obtida com exclusividade pela CNN.

“O total de R$ 150 bilhões em investimentos por PPPs e concessões seria um recorde histórico”, disse à CNN o sócio da Radar PPP Guilherme Naves.

Até setembro, foram realizados 112 leilões de PPPs e concessões com mais de R$ 90 bilhões em investimentos contratados. E para os três meses restantes do ano estão agendados 46 leilões com previsão de R$ 65 bilhões — números que devem ainda aumentar.

Entre os projetos de destaque já contratados neste ano estão a concessão dos serviços de água e esgoto em 126 municípios do Pará; das linhas 11–Coral, 12–Safira e 13–Jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos); do túnel Santos-Guarujá; além de rodovias estaduais no Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo.

Segundo o último relatório iRadarPPP, elaborado pela Radar PPP e antecipado todo mês pela CNN, o ano também fica marcado pelo acirramento da competição para PPPs de infraestrutura social — como aquelas voltadas à construção, manutenção e até prestação de serviços em escolas e hospitais.

“A gente tem falado há algum tempo sobre o mercado de infra-social. Acho que o que estamos registrando agora é a materialização desta previsão, o mercado está acontecendo. Estamos tendo licitação de PPP de escola e estão aparecendo três, quatro concorrentes”, destacou Naves.

Como mostrou a CNN, a oferta de PPPs escolares acelerou mais de cinco vezes.

Neste ano, as iniciativas estaduais seguem avançando: Minas Gerais têm consulta pública aberta; São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul, encerrada; enquanto Amazonas e Pará desenvolvem projetos. A nível municipal, outras 19 concessões caminham.

“É um segmento que está sendo explorado por municípios também. A gente consegue elencar algumas experiências: Caxias do Sul, mais emblemático e mais à frente, mas mesmo nesta edição do iRadar estamos falando do início do trabalho em Minas Gerais”, disse o sócio da Radar PPP Frederico Ribeiro.

CNN Brasil - SP   06/10/2025

O índice de miséria é um indicador simples, mas poderoso, que combina a taxa de desemprego com a inflação acumulada em 12 meses. A ideia é capturar, em um único número, duas dimensões centrais do bem-estar econômico: a estabilidade de preços e a disponibilidade de empregos. Quando o índice está baixo, significa que a economia está oferecendo boas condições de trabalho ao mesmo tempo em que mantém o custo de vida sob controle.

No Brasil, o índice está hoje no menor patamar em mais de 20 anos, o que representa um feito importante para a política econômica e, em particular, para a condução da política monetária pelo Banco Central.

Esse resultado está intimamente ligado ao chamado duplo mandato de um Banco Central — conceito usado especialmente nos EUA e que vem sendo cada vez mais observado no Brasil. O duplo mandato significa que a autoridade monetária deve perseguir simultaneamente dois objetivos: estabilidade de preços e pleno emprego. Em outras palavras, o Banco Central não pode mirar apenas a inflação, ignorando o mercado de trabalho, nem apenas o desemprego, deixando a inflação descontrolada.

A meta é minimizar o somatório dos dois problemas: inflação alta e desemprego elevado. Quando o índice de miséria cai, é sinal de que essa missão está sendo cumprida.

Nos últimos meses, o Brasil avançou de forma notável nessa frente. Em meados de 2024 a inflação acumulada em 12 meses chegou a 5,6% quase se igualando à taxa de desemprego de 5,8%, algo que indicava uma pressão inflacionária significativa. Desde então, a política monetária do Banco Central conseguiu reduzir a inflação para baixo de 5%, sem provocar uma deterioração relevante no mercado de trabalho. O resultado é um índice de miséria em queda contínua que deve se aproximar de 10% refletindo o equilíbrio entre preços estáveis e empregos preservados — exatamente o que se espera de uma política econômica bem calibrada.

Esse desempenho é um sinal de competência do Banco Central brasileiro, que conseguiu transitar de um ambiente de inflação elevada para um quadro de maior estabilidade, sem sacrificar o emprego. Isso reforça a importância de instituições sólidas e autônomas, capazes de tomar decisões técnicas mesmo em cenários de pressão política. Um índice de miséria em níveis historicamente baixos não é apenas um número bonito no gráfico: ele se traduz em bem-estar para as famílias, previsibilidade para os empresários e um ambiente econômico mais saudável para o investimento e o crescimento de longo prazo.

MINERAÇÃO

Money Times - SP   06/10/2025

A Vale (VALE3) deve apresentar desempenho sólido no 3T25, sustentado por preços realizados de minério de ferro mais altos, volumes mais fortes e menores custos operacionais, disse o Itaú BBA.

O banco projeta que a mineradora aumentará suas receitas líquidas para US$ 10,27 bilhões, alta anual de 7,5%, e que o Ebtida proforma subirá para US$ 4,25 bilhões, avanço de 12,6%. Já o lucro líquido cairá para US$ 1,99 bilhão, recuo de 17,5%.

Os analistas da instituição esperam que no 4T25 os resultados da Vale possam melhorar com volumes de vendas sazonalmente mais elevados e possivelmente preços do minério de ferro ainda maiores.

O Itaú BBA também destaca que a CSN Mineração (CMIN3) deve se beneficiar de preços de referência do minério de ferro mais altos e, agora, de impactos positivos do mecanismo de precificação, que havia prejudicado os resultados no 2T25.

O banco ressalta que, dado o elevado interesse vendido na ação, um trimestre sólido pode gerar um short squeeze. O banco espera lucro de R$ 813 milhões, alta de 82,2%.

No setor de metais preciosos, o Itaú BBA diz que a Aura Minerals (AURA33) será favorecida por preços mais altos do ouro e aumento nos volumes, com expectativa de melhoria contínua no Ebitda acompanhando a valorização do metal. A projeção é de lucro de US$ 24 milhões.

Entre os produtores de papel e embalagens, o Itaú BBA aponta que a Irani (RANI3) deve se destacar, apoiada por melhor sazonalidade, estratégia de valor sobre volume e menores custos.

O banco acredita que a Irani continuará como referência no setor, com novas melhorias no Ebitda, a R$ 140 milhões. Para o lucro a projeção é de R$ 65 milhões, alta de 72,8%.
Pontos fracos

O Itaú BBA disse que espera que os resultados da Suzano (SUZB3) sejam impactados por preços mais baixos da celulose e pelo fortalecimento do real, o que mais do que compensaria os menores custos. A projeção é de lucro de R$ 2,7 bilhões.

Para o banco, os resultados podem continuar a se deteriorar no 4T25, já que volumes menores de celulose (impactados por paradas de manutenção) e o real mais forte podem mais do que compensar novas reduções de custos.

Para a CBA (CBAV3), o Itaú BBA espera melhora no desempenho das divisões de energia e alumínio, embora a partir de uma base fraca. No futuro, a atenção permanece voltada para a conclusão das manutenções nos tanques de alumina e novas melhorias de custo. A projeção, no entanto, é de prejuízo de R$ 9 milhões.

O Itaú BBA espera que a Gerdau (GGBR4) apresente melhorias na América do Norte compensando a queda no Brasil. No futuro, o foco permanece em equilibrar o efeito positivo dos preços do aço nos EUA com a sazonalidade mais fraca na região no 4T25, disse. O banco projeta lucro de R$ 999 milhões, queda de 26,4%.

Diário do Comércio - MG   06/10/2025

A Minerita Minérios Itaúna está desenvolvendo uma nova planta de minério de ferro no município de Itatiaiuçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A informação consta em uma publicação no site da Metso, empresa contratada para fornecer todos os principais equipamentos de cominuição para o projeto greenfield.

Segundo o material divulgado, a unidade visa produzir, anualmente, 4,5 milhões de toneladas de pellet feed, produto considerado de alta qualidade. Procurada, a mineradora disse que tem a política de não comentar sobre projetos em desenvolvimento.

Fundada em 1971, a Minerita tem capital fechado e opera a Mina Lagoa das Flores, em Itatiaiuçu. A empresa também possui um escritório em Itaúna, no Centro-Oeste mineiro.

Proprietária de reservas minerais superiores a 1 bilhão de toneladas de minério de ferro, a mineradora lavra, concentra e vende os produtos tanto para o mercado nacional quanto internacional, conforme a própria informa em seu endereço eletrônico e redes sociais. A companhia afirma ser uma das poucas do setor mineral a atuar de forma integrada, com conexão aos principais portos marítimos do Sudeste do Brasil.

Circuito de cominuição com eficiência energética

A primeira fase do projeto greenfield da Minerita na RMBH receberá um circuito de cominuição com eficiência energética produzido pela Metso, de acordo com a fabricante global de máquinas e equipamentos de uso industrial específico. O sistema processará minério de ferro itabirito compacto e será composto por um britador de mandíbulas, um britador cônico, um rolo de moagem de alta pressão e um moinho de bolas para moagem primária – a remoagem será realizada com dois moinhos agitadores.

No texto publicado pela empresa de origem finlandesa, o gerente geral de Projetos e Manutenção, Diego Reis, e o gerente geral de Processos, Lúcio Cerceau, ambos da mineradora, destacam uma cooperação de longo prazo entre as companhias. Conforme eles, a estreita colaboração foi fundamental para que os novos pedidos fossem efetuados.

Os gerentes destacam que, recentemente, a Minerita também adquiriu outros equipamentos da Metso. Foram comprados dois filtros de pressão para o sistema de desaguamento de rejeitos da operação atual, a fim de aprimorar o processo de empilhamento a seco existente e permitir um gerenciamento de rejeitos mais sustentável e moderno.

“Esses investimentos estão alinhados com nossos objetivos estratégicos e nossos valores, notadamente os de sempre fazer as coisas de forma simples e bem-feita, e valorizar a segurança e a sustentabilidade”, afirmam.

O vice-presidente sênior de Moagem da Metso, Christoph Hoetzel, diz que os moinhos agitadores e os rolos de moagem de alta pressão oferecem uma maneira mais sustentável e energeticamente eficiente de moer minério. Ao mesmo tempo, os equipamentos ajudam a reduzir os custos operacionais e melhorar o desempenho do processo por meio de controle aprimorado do tamanho das partículas e redução do consumo de água.

Máquinas e Equipamentos

Minuto Rural - SP   06/10/2025

O desempenho da indústria brasileira de máquinas e equipamentos (M&E) em agosto de 2025 evidencia um cenário econômico desafiador, marcado por uma combinação de retração pontual e crescimento acumulado que, embora positivo, desacelera. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), o consumo aparente caiu 10,7% em relação a agosto de 2024 e 4,7% ante o mês anterior — uma retração de 14,8% quando ajustada sazonalmente.

Essa desaceleração não é isolada: a receita líquida total recuou 5,6% no comparativo anual, e a receita interna teve queda ainda mais expressiva, de 13,2%, refletindo os efeitos de uma política monetária contracionista.
Apesar do crescimento acumulado de 10,6% nas receitas do ano até agosto, os sinais de enfraquecimento são claros. A indústria vem perdendo ritmo mês a mês, evidenciando que o impulso inicial pode não ser suficiente para sustentar a trajetória ao longo do segundo semestre.
No comércio exterior, as exportações apresentaram alta de 33,6% em relação a agosto de 2024, com destaque para mercados da América do Sul — especialmente Argentina, Chile e Peru. Por outro lado, os Estados Unidos, que respondem por cerca de 26% das exportações do setor, reduziram suas compras em 7,5%, acentuando a vulnerabilidade do setor frente a oscilações externas.

“Quando os investimentos em máquinas e equipamentos recuam, não é apenas a indústria que desacelera — é o próprio motor do crescimento econômico nacional que começa a falhar.”

Além disso, o aumento das importações — que já representam 45,4% do consumo nacional — expõe uma fragilidade estrutural: a crescente dependência de máquinas fabricadas no exterior, em especial da China, que em 10 anos quase dobrou sua participação no mercado brasileiro.
Em meio a esse cenário, o mercado de trabalho ainda dá sinais de vitalidade: o número de empregados subiu 8,4% em relação a agosto de 2024, com 427 mil pessoas ocupadas no setor. Contudo, a redução da carteira de pedidos e a estabilidade da capacidade instalada (78,8%) colocam em dúvida a sustentabilidade dessa tendência positiva no emprego.
Setores específicos, como o de máquinas agrícolas, ilustram bem o paradoxo atual. Embora as vendas internas de tratores tenham crescido 23,1% no acumulado do ano, a receita líquida caiu 7,9% em agosto, acompanhada por uma retração de 8,2% nas exportações do segmento.
Em síntese, os dados de agosto de 2025, compilados pela ABIMAQ, revelam que a indústria de máquinas e equipamentos precisa de respostas urgentes.
Sem políticas públicas que incentivem a inovação, ampliem o crédito e reduzam a carga tributária, o setor corre o risco de ver seus ganhos evaporarem no curto prazo.

AUTOMOTIVO

Automotive Business - SP   06/10/2025

As vendas globais da BYD registraram alta no acumulado do ano até setembro, informou balanço preliminar divulgado pela companhia. Nos nove meses, a empresa vendeu 3,2 milhões de automóveis elétricos, 17,6% a mais do que em igual período no ano passado.

O volume reúne 1,578 milhão de unidades de modelos 100% elétricos (BEV) e 1,593 milhão de unidades de modelos híbridos plug-in (PHEV). Na comparação com o desempenho visto nos noves meses do ano passado, as vendas de BEVs cresceram 37,3%, e a dos PHEVs aumentaram 3%.

Apenas em setembro, as vendas de carros elétricos da fabricante somaram 393 mil unidades, um resultado que representou queda de 6% ante as vendas realizadas em setembro do ano passado.

Acontece que a montadora vendeu menos modelos híbridos no período. Em setembro, os consumidores compraram 188 unidades da categoria, uma queda de 25,5%. Já os veículos 100% elétricos alcançaram 205 mil unidades vendidas, 24% a mais na mesma base de comparação.
Produção de carros elétricos caiu em setembro

Já no caso da produção realizada pela montadora no acumulado do ano até setembro, o balanço indica que saíram das linhas 3,1 milhões de unidades de automóveis eletrificados, alta de 15,3% ante o janeiro-setembro o ano passado.

Deste total, 1,578 milhão de unidades corresponderam aos modelos de BEVs (+34,5%), e 1,593 milhão de unidades foram de PHEVs (+1%).

Os resultados de setembro mostram retração de 8,5% na produção de automóveis eletrificados, com 402 mil unidades produzidas no mês.

O volume mensal inclui 205 mil unidades de modelos BEV produzidos (+20,5%) e 197 mil unidades de modelos PHEV (-26,7%).

Globo Online - RJ   06/10/2025

Maior mercado automotivo da América Latina — e sexto do mundo —, o Brasil pode se tornar um hub de produção e exportação de veículos eletrificados na região, movimentando R$ 200 bilhões em negócios ao ano a partir de 2030. A transição para os veículos de baixo carbono pode criar 400 mil “empregos verdes” até 2050, em atividades como produção de baterias, infraestrutura de recarga e criação de softwares para carros cada vez mais tecnológicos.

Os desafios também são relevantes: alcançar produção local em escala para reduzir preços de veículos elétricos, oferecer uma rede robusta de pontos de recarga, fabricar baterias mais potentes. E tudo isso requer alto investimento.

As previsões otimistas e suas barreiras constam de dois novos estudos, do Instituto Acende Brasil, centro de estudos do setor elétrico, e do movimento Gigantes Elétricos, coalizão que reúne organizações internacionais na tentativa de comprometer a indústria automotiva com a chamada transição energética justa.

Se, em outras nações, a geração de energia elétrica é uma vilã ambiental, no Brasil responde por pouco mais de 1% das emissões de CO2. O país tem mais de 80% de sua matriz elétrica limpa e excedente de geração de fontes como eólica e solar.

Num país que transporta 71% das cargas por rodovias, abre-se uma oportunidade imensa de descarbonização dos transportes —responsável por 14% das emissões no Brasil — com a troca de motores a diesel e gasolina por baterias elétricas nas estradas, dizem os estudos.

Unidade no norte da Itália, de € 200 milhões, entrou em operação em junho

— O Brasil tem vantagens competitivas significativas, como matriz elétrica limpa e capacidade de produzir biocombustíveis (etanol e biodiesel), que podem complementar a eletrificação, especialmente onde a transição é desafiadora, como no transporte rodoviário de cargas para longas distâncias — diz Alexandre Uhlig, diretor de Sustentabilidade do Acende Brasil.

Só a infraestrutura de recarga pode girar R$ 14 bilhões anuais no Brasil até 2030, diz o instituto. Já o aumento no consumo de eletricidade para carregar veículos, estimado em 3% da demanda nacional em 2040 pela consultoria McKinsey, vai beneficiar companhias de distribuição de eletricidade com um adicional de receitas de R$ 10 bilhões por ano. O levantamento do Acende Brasil conclui que esse novo ecossistema de negócios da eletrificação pode movimentar R$ 200 bilhões por ano, num cálculo da consultoria Mirow & Co.

Parte dos investimentos está em curso. Montadoras instaladas no Brasil, incluindo chinesas que estão começando sua produção local de elétricos, aportam R$ 140 bilhões até 2030 aqui. Só para caminhões são R$ 8,5 bilhões, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O ramo de ônibus também é promissor.

Autonomia desafia

A Scania, por exemplo, investe R$ 2 bilhões entre 2025 e 2028 para modernizar seu parque fabril no Brasil para a eletrificação. Em agosto, iniciou a produção de ônibus elétricos em sua unidade paulista. A Scania já tem caminhões a gás e buscou parceiros para criar corredores verdes no país, onde os motoristas podem abastecê-los em longas distâncias, favorecendo que alcancem regiões onde o agronegócio é forte, como o Centro-Oeste.

— Nossa próxima jornada é ter corredores de abastecimento para elétricos. A produção de ônibus elétricos já começou e, em dois ou três anos, deve ficar mais claro quando vamos produzir caminhões eletrificados aqui — diz Alex Nucci, diretor de Vendas de Soluções da Scania Brasil, que aponta a autonomia dos veículos como um dos principais desafios a serem superados.

No trabalho sobre vantagens do Brasil para liderar a eletrificação de caminhões, o Gigantes Elétricos observa que essa transição criaria um ambiente de requalificação profissional, com atração de talentos e fortalecimento de cadeias produtivas locais.

Com base em dados do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT, na sigla em inglês), o movimento estima que os empregos no setor automotivo podem chegar a 800 mil até 2050, o dobro dos atuais 400 mil (100 mil em montadoras e 300 mil em autopeças).

— Os empregos no setor dos veículos de combustão não serão perdidos. Vão atender os biocombustíveis, biodiesel e etanol, que também são muito neutros (em emissões) na sua operação. Mas abre uma frente nova de oportunidades de trabalho nos elétricos — diz Clemente Gauer, diretor da Associação Brasileira dos Proprietários de Veículos Inovadores (Abravei), parceiro da campanha Gigantes Elétricos.

O levantamento do Acende Brasil avalia que o uso de caminhões eletrificados ainda ajudará empresas a atingir suas metas de descarbonização, além de gerar novos negócios.

A JBS, maior processadora de carne do mundo, criou a No Carbon, empresa do grupo especializada na locação de caminhões 100% elétricos. Nos últimos três anos, a empresa multiplicou por nove sua frota de caminhões elétricos, saltando de 31 para 281veículos.

— São do tipo Veículo Urbano de Carga (VUC), ideais para a entrega de última milha. Equipados com baús frigoríficos, têm autonomia de até 150 km e atendem às operações de distribuição urbana das marcas Friboi e Seara (da JBS) em todas as regiões do Brasil — diz Armando Volpe, diretor comercial da No Carbon.

O Mercado Livre tem 3.689 veículos elétricos na América Latina, dos quais 2.200 estão no Brasil. E ainda 220 caminhões movidos a gás natural e biometano, conta Rodrigo Brito, gerente de Sustentabilidade da varejista on-line. Com essa frota, a empresa evitou a emissão de mais de 11 mil toneladas de CO2 em 2024. A Coca-Cola Femsa Brasil usa 110 caminhões, 17 carrinhos de entregas e 78 empilhadeiras elétricos, fruto do aporte de R$ 103 milhões em 14 anos.

Marcha lenta

Apesar do potencial, a eletrificação ainda é lenta. Desde 2021, foram vendidos 1,6 mil caminhões elétricos no Brasil. No período, foram 548 mil a combustão. Na China, por exemplo, foram emplacados 77 mil caminhões elétricos só em 2024. Para o presidente da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), Ricardo Bastos, os caminhões elétricos só deslancham aqui com investimento decisivo em infraestrutura de carregamento.

— Acredito muito na eletricidade substituindo o diesel, mas precisamos de escala. Para o transporte de longa distância, é necessário ter baterias mais eficientes que as de hoje. Para distâncias acima de 500 quilômetros, ainda é muito difícil um caminhão trocar o diesel pela bateria — afirma Bastos, que prevê uma aceleração mais robusta no segmento de veículos leves a partir de 2026, o que dará ao país maior escala nesse segmento.

Segundo o Acende Brasil, a eletrificação de automóveis avança estimulada por incentivos estaduais e municipais, como a isenção do rodízio para carros elétricos em São Paulo e a redução de tributos. O relatório do instituto estima que a frota leve de híbridos e elétricos puros ultrapassará 1 milhão em 2030, com maior participação de híbridos.

No caso dos caminhões, só escala e maior competição poderão baratear as versões elétricas, hoje em torno de R$ 600 mil, cerca de 20% mais caro que o similar a combustão, estima Bastos, para quem só o fator ambiental não é suficiente.

Valor - SP   06/10/2025

Montadoras, construtoras e bombeiros discutem o assunto há dois anos, mas falta consenso

Há dois anos, um eletricista procurou o Corpo de Bombeiros porque tinha dúvidas sobre como instalar uma tomada para carro elétrico. Mas os bombeiros perceberam que eles também desconheciam o assunto. Partiram, então, para uma mobilização que reuniu produtores de veículos, indústria de construção e o setor imobiliário. Foram feitos simulados de incêndios, viagens ao exterior e até audiência pública. O alerta do carro elétrico serviu para mostrar que a prevenção nas garagens dos condomínios residenciais precisa melhorar e abranger todos os veículos, elétricos, híbridos e a combustão.

Há pouco tempo, no entanto, começaram a aparecer divergências de opinião em torno do tema. No fim de agosto, a Ligabom (Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares) emitiu uma diretriz, aprovada por unanimidade pelos comandantes, com parâmetros de segurança para locais com sistemas de alimentação de veículos elétricos em qualquer edifício residencial, incluindo os já construídos.

A diretriz tem caráter orientador. Caberá ao Corpo de Bombeiros de cada Estado elaborar as próprias normas e submetê-las ao Poder Legislativo e Executivo para a regulamentação.

O Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e o Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Administração de Imóveis de São Paulo (Secovi-SP) concordam em incluir novos equipamentos de prevenção nos futuros empreendimentos residenciais, como hoje é obrigatório no caso de edifícios comerciais.

Mas argumentam a dificuldade técnica e alto custo nos prédios já construídos, principalmente os mais antigos. A situação deixou o mercado imobiliário em compasso de espera e acirrou ainda mais as discussões entre condôminos.

Do lado dos fabricantes e importadores de veículos elétricos e de equipamentos de recarga, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) divulgou nota que enfatiza a necessidade de qualquer norma exigir que os carregadores sejam instalados seguindo os parâmetros da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Mas considera “discriminação contra a mobilidade” exigir "sprinklers" (chuveiros automáticos) e detectores de fumaça nas garagens com pontos de recarga.

A história começou em 2022. Diante das dúvidas do eletricista que se preparava para fazer a instalação de um ponto de recarga numa garagem, o Corpo de Bombeiros de São Paulo percebeu que seu conhecimento se limitava às normas mínimas para qualquer instalação elétrica.

Como não há estatísticas sobre incêndios em carros elétricos e híbridos no Brasil, resolveram criar uma comissão de estudos. Foram feitas pesquisas, e muita coisa chegou pelas redes sociais, dando sempre conta de catástrofes em algum lugar do mundo.

“Quando ninguém conhece nada cada um diz uma coisa”, afirma o capitão Denis Lucas Melchiori, chefe da seção de comissões e consultas técnicas do Corpo de Bombeiros de São Paulo.

Segundo ele, os bombeiros de São Paulo procuraram o setor automotivo, seguradoras, construtoras e fizeram pesquisas até com as equipes da Fórmula E, campeonato mundial de corridas de carros elétricos.

E, para ampliar ainda mais o debate, lançaram, em 2023, uma consulta pública, que precisou ser prorrogada. “Recebemos mais de 5 mil sugestões, dúvidas e críticas”, destaca Melchiori.

No ano passado, a ABVE iniciou simulados de incêndios de carros elétricos, envolvendo bombeiros de vários Estados, fabricantes de carregadores e de equipamentos de combate a incêndios, além do setor imobiliário e construtoras. Os simulados de incêndio não envolveram, contudo, testes durante o carregamento das baterias.

A entidade também promoveu viagens para China, Alemanha e Estados Unidos, onde os bombeiros conheceram métodos de prevenção e laboratórios. Na volta, perceberam que faltava, no Brasil, um laboratório semelhante aos que haviam conhecido no exterior.

Numa parceria com o Corpo de Bombeiros de São Paulo, há quatro meses o Sinduscon-SP construiu um laboratório ao lado da Escola Superior de Bombeiros, em Franco da Rocha (SP). A estrutura é inédita na América do Sul e a quarta no mundo.

Nada do que tem sido falado até agora é norma obrigatória; só orientação”

— Carlos Borges

O espaço simula uma garagem real e está equipado com sistemas como chuveiros automáticos, detectores de fumaça e dispositivos de extração de gases. A obra absorveu investimento de R$ 530 mil, segundo Yorki Estefan, presidente do Sinduscon-SP.

No início de junho, foram incinerados, no laboratório de Franco da Rocha, seis veículos - elétricos, híbridos e à combustão, com diferentes características.

Pouco depois, foi realizado um grande simulado em São Paulo, com bombeiros de vários Estados. Segundo Ricardo Bastos, presidente da ABVE, os testes mostraram a necessidade de melhorar os sistemas de prevenção nas garagens dos condomínios residenciais independentemente do tipo de energia que move cada veículo.

Mas ainda há muitas indagações e suposições em torno do tema. Alguns questionam sobre o risco de incêndio durante o carregamento das baterias, que pode ser feito com carregador de emergência, ligado a uma tomada, ou por meio de um equipamento chamado “wallbox”, para recargas rápidas. Outros dizem que o fogo em baterias de íon de lítio pode tornar o combate mais complicado. E há quem garanta que carros a combustão são mais suscetíveis a incêndios.

Nos estudos de casos, aparecem alguns elétricos que pegaram fogo depois de uma colisão. Já em relação a incêndio durante o carregamento, chegou aos bombeiros de São Paulo apenas um caso, em Presidente Prudente (SP). O carregador estava na garagem de uma casa, era do tipo “wallbox” e foi bem instalado, segundo Melchiori. O capitão diz que os bombeiros dão preferência ao “wallbox” porque nesse equipamento é mais fácil verificar se a instalação foi bem feita do que numa tomada comum.

A diretriz da Ligabom provocou polêmica, principalmente em relação à necessidade de instalar chuveiros automáticos, os chamados “sprinklers”, em todos os edifícios, incluindo os mais antigos. “O mercado entendeu e aceitou a instalação desses equipamentos nas obras futuras; mas, nos prédios mais antigos, surgem impossibilidades técnicas, como a altura do pé direito da garagem”, destaca Estefan, do Sinduscon-SP.

A adequação também esbarra, diz Estefan, na capacidade econômica de cada condomínio. Cada sprinkler custa R$ 1 mil. Nesse caso, o Sinduscon sugere que as adaptações sejam colocadas como orientação e não como norma.

E, no caso das novas construções, o Sinduscon defende um prazo de adaptação. A entidade sugere, diz Estefan, que os novos equipamentos contra incêndio em edifícios residenciais sejam obrigatórios nos projetos protocolados a partir de seis meses da data de validade da norma.

Segundo Estefan, construtoras que usavam a disponibilidade de vaga para carro elétrico como um atrativo em determinados empreendimentos tiraram a informação das propagandas enquanto as normas não são definidas.

O Secovi também defende regras mais flexíveis para condomínios já existentes. Carlos Borges, vice-presidente de tecnologia e sustentabilidade do Secovi-SP, diz que enquanto novas normas estaduais não são definidas, a entidade tem orientado os síndicos a seguir o que determina a ABNT.

“São duas orientações básicas. Primeiro, esclarecemos que nada do que tem sido falado até agora é norma obrigatória; somente orientação. Também pedimos cuidado na contratação de profissionais, que precisam ser habilitados para instalar esses equipamentos”, destaca Borges.

Quanto às discussões entre condôminos, Borges trata o assunto como qualquer outro “conflito”. “São questões inerentes à vida em condomínio; é uma tecnologia nova e, por isso, gera desinformação”, afirma.

Para Bastos, presidente da ABVE, exigir “sprinklers” e detectores de fumaça nas garagens com pontos de recarga “penaliza quem instala sistemas confiáveis e ignora os riscos dos veículos a combustão”.

A nota da entidade destaca que “não existe norma semelhante no mundo que vincule a obrigatoriedade de “sprinklers” à presença de equipamentos de recarga”. Por isso, sugere uma revisão da diretriz “com base em neutralidade tecnológica, evidência científica e análise de risco, sem punir quem adota tecnologias mais limpas”.

Existe a expectativa de que São Paulo seja o primeiro a definir as normas. O Estado representa 40% do mercado imobiliário do país, segundo Borges.

A Ligabom mantém a posição de que todos os edifícios têm de ser adaptados para todas as orientações de prevenção. “Não vamos abrir mão da exigência de chuveiros automáticos”, afirma o major Daniel Marra, à frente da assessoria de comunicação da Ligabom. “Preservar vidas e o patrimônio é inegociável”, completa.

Segundo Marra, é necessário que haja um sistema de resfriamento do local até a chegada da equipe que efetivamente combaterá o fogo. O combate de incêndio de um carro elétrico leva mais tempo e exige o uso de mais água, segundo o major, embora não tenham sido divulgados dados de medições comparativas com carros a combustão.

A diretriz da Ligabom, um documento com 21 páginas, sugere uma série de outras medidas, como a instalação, próxima às rotas de fuga, de chaves manuais e individuais para desligar os equipamentos de recarga ao primeiro sinal de fumaça.

Entre os casos que chamaram atenção da Ligabom, Marra cita o de um navio que transportava mais de 3 mil veículos, dos quais 70 elétricos e 681 híbridos, que pegou fogo, em junho, enquanto navegava próximo à costa do Alasca, no caminho da China para México.

O incêndio começou no compartimento onde estavam os carros elétricos, embora não tenha sido confirmado que o fogo foi provocado por um veículo. Os tripulantes não conseguiram conter as chamas e tiveram que abandonar o navio. Foram todos resgatados com vida.

Melchiori diz que bombeiros combatem fogo em veículos sem fazer distinção da matriz energética. Aliás, lembra o capitão, “bombeiros não pensam em carros, mas em vidas”.

CONSTRUÇÃO CIVIL

O Estado de S.Paulo - SP   06/10/2025

Nos últimos anos, a Rua Augusta, no centro de São Paulo, tem passado por uma transformação profunda. Durante a pandemia, o fechamento de bares, lojas e pequenos comércios abriu espaço para que incorporadoras comprassem imóveis e terrenos, acelerando a verticalização da região. O movimento marca uma nova fase para a via, tradicionalmente associada à vida noturna e cultural, que agora recebe empreendimentos residenciais de alto padrão.

Segundo levantamento da Binswanger feito a pedido do Estadão, de 2020 a 2025, os empreendimentos imobiliários da rua totalizam R$ 912 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV). Os projetos são de empresas como One Innovation, SDI, Vitacon e Planik e adicionaram à rua 1.395 apartamentos. Outros empreendimentos têm sido lançados na região por nomes como Zabo Engenharia e Yuny.

De acordo com Leonel Paim, o vice-presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel SP), os comerciantes da Rua Augusta passaram por dificuldades financeiras na pandemia, quando precisaram fechar as portas por medidas de saúde pública e, depois da reabertura, o fluxo de consumidores ficou reduzido. Somado a isso, o período trouxe ainda uma mudança de hábitos de consumo, com o aumento de pedidos de comida via aplicativo. Com isso, o endividamento dos comerciantes aumentou.

“Muitos donos de imóveis não recebiam seus aluguéis nesse período de pandemia por conta da crise do comércio. Os inquilinos já estavam devendo há muitos meses. As construtoras chegaram oferecendo, às vezes, duas ou três vezes o valor de mercado dos imóveis, elas não ofereciam o valor de mercado”, diz Paim.

Ele afirma ainda que o movimento não atingiu apenas a Rua Augusta, mas diversos bares e restaurantes dos Jardins, e as incorporadoras foram comprando esses imóveis um a um para compor o terreno necessário para grandes projetos imobiliários de alto padrão.

A incorporadora Zabo é uma das empresas que mais têm acreditado no potencial da Rua Augusta para projetos imobiliários. Na altura do número 2.200, nos Jardins, a companhia tem um lançamento de alto padrão com plantas de 51 a 71 metros quadrados, com preços de R$ 32 mil por metro quadrado. Chamado Simmetry, o edifício terá mais 172 apartamentos e será entregue em 2026.

“(A chegada de novos empreendimentos) vai ser um movimento que vai transformar a rua Augusta. Vemos algo parecido acontecendo na Av. Rebouças e na Av. Nove de Julho, com incorporadores comprando antigos postos de gasolina”, diz Rodrigo Zaborowsky, diretor de operações (COO) na Zabo Engenharia.

Segundo o executivo, 90% dos compradores do Simmetry são investidores, sendo a maioria deles de fora da cidade de São Paulo. “Quem tem o dinheiro para pagar o preço desse apartamento de 71 m², mais ou menos R$ 2 milhões, não quer morar em 71 m². Quem quer morar em 71 m² não tem o dinheiro. Então, acaba sendo o investidor que compra para alugar, e há um retorno muito bom. O preço é competitivo comparado com o resto dos Jardins”, afirma.

Zaborowsky conta que a dificuldade de compor o terreno necessário para criar um projeto de alto padrão comercialmente viável levou a empresa a adquirir um edifício pequeno, que foi demolido. As áreas comuns do condomínio terão lazer completo, incluindo itens como piscina aquecida, salão de jogos, salão de festas e academia.

A empresa prepara outro projeto na rua que chegará ao mercado ainda em 2025 e terá plantas maiores, com tamanhos entre 130 m² e 155 m². Assim como no caso do Simmetry, um prédio de pequeno porte também será demolido para abrir espaço para o empreendimento. O lançamento chegará ao mercado com um preço médio de R$ 28 mil por metro quadrado, resultando em um custo por unidade entre R$ 3,7 milhões e R$ 4,5 milhões. Fora o tamanho das unidades e as opções de lazer convencionais, o empreendimento vai ter quadras de tênis como diferencial.

“Há uma corrida por quadras de tênis e academias em São Paulo, muito em função do mercado imobiliário, porque muitos venderam seus terrenos para incorporações. A nossa fachada ativa será a recepção dessa academia, com quadra de tênis no térreo com pé direito triplo, uma outra quadra de tênis, e os apartamentos começam no sétimo andar”, afirma Zaborowsky.

A incorporadora de alto padrão SDI Desenvolvimento Imobiliário também têm acreditado na Rua Augusta e lançou neste ano o projeto chamado Galeria Lorena, que tem apartamentos de 38 a 123 m². Com preço médio de R$ 35 mil por metro quadrado, o desempenho das vendas têm sido acima da média. Em sete meses, 60% dos apartamentos foram vendidos.

“É um produto que estava escasso na região pelas metragens das plantas. Então, vimos uma procura muito grande. Os apartamentos de 48 m² com uma vaga de garagem praticamente se esgotaram em um mês”, afirma Larissa Souza, gerente comercial e marketing na SDI. O preço dessas unidades é de quase R$ 2 milhões.

A localização do empreendimento se diferencia por ser em frente à Casa Santa Luzia, mercado de luxo especializado em produtos nacionais e importados de alta qualidade, como queijos, vinhos, azeites, massas, embutidos, cafés, chás e chocolates.

O projeto terá duas torres, sendo uma delas apenas de estúdios. As fachadas ativas, como são chamadas as lojas que ficam no térreo de prédios residenciais, serão viradas para a Rua Augusta para aproveitar o potencial comercial da via.

A SDI continua à procura de terrenos na Rua Augusta para um novo projeto. “O trecho nobre da Av. Rebouças não tem mais área disponível. A rua já passou dos 70% de ocupação, mas ainda existe oportunidade lá”, afirma Dario Abreu Pereira Neto, sócio-diretor da SDI.

Do outro lado da Av. Paulista, o mercado imobiliário também têm adquirido terrenos na Rua Augusta para a criação de novos edifícios. Esse é o caso da One Innovation, que tem projeto New One Parque Augusta na altura do nº 800 da via. A empresa é conhecida por seus apartamentos compactos, que chegam à região com tamanhos de 26m² a 39 m².

Nas áreas de lazer, o condomínio terá academia, espaço para pets, piscina com spa integrado, estúdio para podcasts, escritório compartilhado e uma área para fritar hambúrgueres.

Como o nome diz, a localização do empreendimento se destaca pela proximidade à área verde do Parque Augusta, que fica a poucos metros de distância. A região também é bem servida de bares, restaurantes, eventos culturais e transporte público, apesar de ser menos nobre do que no lado dos Jardins.

O prédio da One Innovation não tem vagas de garagem. Essa abordagem visa tornar o empreendimento mais acessível e econômico, aproveitando a infraestrutura de transporte da região. Paulo Petrin, vice-presidente na One Innovation, diz que a incorporadora é entusiasta desse modelo, entendendo que o público comprador está optando por morar perto do trabalho e abrir mão do carro para ter mais qualidade de vida. Outro público importante da empresa são os investidores.

“(O projeto) teve uma altíssima demanda. A gente lançou o empreendimento em janeiro e 90% das unidades já foram vendidas”, diz. Os preços dos apartamentos variam de R$ 450 mil a R$ 650 mil.

Lançado em 2021, a Planik também entregou recentemente um projeto de unidades compactas na Augusta, chamado NIK Paulista, que foi comercializado com preço médio de metro quadrado de R$ 15,3 mil, segundo a Binswanger. O prédio tem mais de 360 unidades e VGV estimado em R$ 134 milhões.

Para Paim, da Abrasel-SP, a chegada de novos prédios à rua Augusta, de ambos os lados da Av. Paulista, deve ser positivo para o setor, mas somente quando as obras começarem a ser entregues — mesmo que muitos desses apartamentos sejam destinados à locação de curta temporada.

Petro Notícias - SP   06/10/2025

A Odebrecht Engenharia e Construção conquistou o primeiro lugar no Ranking da Engenharia Brasileira 2025, divulgado pela revista O Empreiteiro, consolidando-se como líder entre as 500 maiores companhias de engenharia do país. O levantamento, referência no setor, destacou o desempenho da empresa, que em 2024 registrou receita bruta de R$ 5,2 bilhões – um crescimento de 48% em relação ao ano anterior, assegurando sua liderança entre construtoras nacionais e internacionais que atuam no Brasil.

O ranking é elaborado com base em dados financeiros auditados e informações reportadas diretamente pelas empresas. Além de medir o desempenho recente, a pesquisa acompanha a evolução das empresas, destacando aquelas que se destacaram por expansão consistente, inovação e atuação em áreas estratégicas como infraestrutura, energia e serviços especializados de engenharia.

Presente em alguns dos principais projetos em andamento no país, a Odebrecht atua de forma diversificada em empreendimentos de mobilidade urbana, infraestrutura, energia e saneamento. Esse portfólio reflete a tendência apontada pelo levantamento: empresas que inovam, diversificam sua atuação e investem em tecnologia crescem de forma mais consistente e acelerada. A companhia utiliza processos de digitalização, a exemplo da metodologia BIM, ampliando sua capacidade de inovar, aumentar a eficiência e entregar obras com maior qualidade e segurança.

a Odebrecht realizou entregas de grande impacto, destacando-se no setor de defesa com instalações de apoio do Programa Brasileiro de Desenvolvimento de Submarino, o Prosub. No segmento de mobilidade urbana, a empresa concluiu o BRT Transbrasil e quatro terminais de BRT no Rio de Janeiro, o Mergulhão da Avenida Cesário de Melo na mesma cidade, e a duplicação de um trecho da Rodovia dos Minérios, no Paraná. A companhia também entregou cinco novos Centros de Saúde em Belo Horizonte e, através da subsidiária Tenenge, finalizou a construção do Terminal Gás Sul em Santa Catarina, um projeto crucial para a ampliação da oferta de gás natural no estado.

O resultado do ranking também simboliza a retomada e o dinamismo do setor de engenharia no Brasil. A edição de 2025 mostra um mercado cada vez mais competitivo, com novos players ganhando espaço, empresas tradicionais se reinventando e áreas como serviços de consultoria e engenharia digital em forte expansão. O levantamento aponta ainda tendências que devem impulsionar o setor nos próximos anos, como obras do Novo PAC, projetos ligados à transição energética, investimentos em ESG e sustentabilidade, além da ampliação do uso de tecnologias digitais, cenários que reforçam o dinamismo e abrem novas oportunidades de crescimento.

O Estado de S.Paulo - SP   06/10/2025

A mais recente rodada de tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltadas para madeira, móveis e outros artigos de decoração, pode elevar o custo de construção e aquisição de imóveis, pressionando ainda mais um setor imobiliário já enfraquecido.

Em uma declaração esta semana, Trump disse que iria impor tarifas sobre madeira, móveis, armários de cozinha e pias de banheiro importados a partir de 14 de outubro. O presidente disse em uma publicação nas redes sociais que elas eram necessárias para proteger a indústria americana devido à “grande ‘INUNDAÇÃO’ desses produtos” nos Estados Unidos.

Analistas afirmaram que as altas taxas podem agravar a escassez de moradias em todo o país, ao desacelerar o ritmo de construção de novas casas. Os custos mais altos, bem como as pesadas tarifas sobre o aço e o alumínio que entraram em vigor em junho, também podem atenuar qualquer impulso que o mercado imobiliário possa ter obtido com o início da redução das taxas de juros pelo Federal Reserve (o Fed, equivalente ao Banco Central americano). Trump passou meses exigindo taxas mais baixas para ajudar a reduzir as taxas de hipotecas.

“Essas tarifas são realmente difíceis de entender, considerando que o presidente disse aos seus apoiadores: ‘Quero reduzir a inflação, quero reduzir as taxas de juros, quero ajudar a criar uma sociedade de proprietários para vocês, seus amigos e familiares’”, afirmou Anirban Basu, economista-chefe da Associated Builders and Contractors, uma associação nacional do setor de construção civil.

Em duas semanas, os Estados Unidos começarão a cobrar uma tarifa de 10% sobre madeira e tábuas importadas, bem como uma tarifa de 25% sobre armários de cozinha, pias de banheiro e móveis estofados. Em 1º de janeiro, as tarifas sobre armários e pias aumentarão para 50%, e as tarifas sobre móveis estofados subirão para 30%.

Muito sobre as implicações da política permanece incerto, incluindo se as empresas arcarão com os custos extras. O governo Trump argumentou que os fornecedores estrangeiros pagam as tarifas. No entanto, muitas empresas americanas começaram a repassar o custo das outras tarifas de Trump aos consumidores.

Embora Trump tenha falado em revitalizar o mercado imobiliário dos EUA, as novas tarifas provocaram rápidas condenações por parte das construtoras que dependem de materiais do exterior.

“A ação do Departamento de Comércio dos EUA de impor novas tarifas sobre todas as importações de madeira, tábuas, armários de cozinha e móveis criará obstáculos adicionais para um mercado imobiliário já desafiado, aumentando ainda mais os custos de construção e reforma”, disse Buddy Hughes, presidente da Associação Nacional de Construtoras, em comunicado na terça-feira, 30.

A associação estimou que US$ 14 bilhões, ou 7% de todos os produtos utilizados em novas construções residenciais, vieram de países estrangeiros.

William Cote, diretor executivo da Hudson Meridian Construction Group, uma empreiteira geral em Nova York, disse que alguns clientes que haviam suspendido projetos enquanto aguardavam a queda das taxas de juros começaram a sinalizar que estavam se preparando para seguir em frente. Agora, ele está preocupado que as tarifas levem a mais atrasos.

A maior parte dos armários de cozinha que ele usa em seus projetos, que incluem condomínios, moradias populares e abrigos para sem-teto, são importados do Vietnã, da Indonésia e da Itália.

“As tarifas estão obviamente atrapalhando tudo isso e criando outra incerteza”, disse ele.

Os novos direitos alfandegários chegam em um momento particularmente desafiador para o mercado imobiliário. As taxas de juros persistentemente altas têm deprimido as vendas de imóveis. A construção de novas casas unifamiliares, que aumentou durante a pandemia, caiu em agosto para o nível mais baixo desde julho de 2024.

“O mercado imobiliário não está em uma boa situação, para dizer o mínimo”, disse Daryl Fairweather, economista-chefe da Redfin, uma corretora imobiliária online.

As tarifas de Trump podem aumentar o custo de construção de casas, o que pode resultar em menos casas sendo construídas, disse ela. E pode haver efeitos em cadeia, incluindo preços mais altos para seguros residenciais, pois as casas e seus componentes custariam mais para serem substituídos.

A reforma de casas também pode se tornar mais cara sob o plano tarifário de Trump, elevando os preços para inquilinos e compradores.

“O impacto direto é que será pior para a economia”, disse Wayne Winegarden, economista do Pacific Research Institute, um think tank.

Ainda assim, as altas tarifas receberam elogios da American Kitchen Cabinet Alliance, o braço de política comercial da Kitchen Cabinet Manufacturers Association. Em uma carta enviada a Trump no mês passado, o grupo o instou a impor uma “tarifa forte” sobre armários, argumentando que os países estrangeiros “continuam a travar uma guerra econômica contra a indústria nacional de armários dos Estados Unidos”.

Em um comunicado, a aliança agradeceu a Trump por impor as tarifas e elogiou seu “compromisso com a reconstrução da indústria nacional”.

A American Home Furnishings Alliance, que representa mais de 250 fabricantes e distribuidores de móveis, disse em comunicado que as tarifas beneficiariam empresas que produzem em massa itens estofados, como sofás e cadeiras, porque têm custos de produção mais baixos.

“Essas fábricas são as que mais provavelmente verão um aumento na demanda por seus produtos fabricados no país”, afirmou.

Mas o grupo também sugeriu que as consequências da política comercial de Trump não eram claras.

“Uma cadeia de abastecimento global complexa”, afirmou, “alimenta tanto a fabricação nacional quanto as operações de importação na indústria moveleira dos EUA”.

FERROVIÁRIO

Globo Online - RJ   06/10/2025

Em tratativas para devolver a concessão do sistema ferroviário, a SuperVia entrou com uma ação em maio para cobrar do governo do estado uma indenização de R$ 21,3 milhões por ter recebido 40 trens de fabricação chinesa e francesa com defeito entre 2015 e 2019. No processo, a empresa alega que os recursos são para ressarcir os gastos que teve com o conserto dos problemas técnicos. Segundo o alegado pela concessionária em documentos, as composições da série 3000 apresentaram falhas nas caixas de tração (responsáveis por movimentar o trem), no projeto de portas, nos monitores internos, no sistema de ar-condicionado e nos pisos.

Pé-Sujo & Pé-Limpo: Arroznaldo, o fenômeno: o tira-gosto que nasceu para brilhar na Tijuca Operação na Maré mira traficantes do CV que agem na Região Serrana do Rio Entre goles e receio: medo da intoxicação por metanol muda hábitos e preocupa quem vende destilados na praia

Rodoviário

Valor - SP   06/10/2025

Projeto de R$ 1,5 bilhão contempla 24 novos viadutos para suavizar curvas, um deles já entregue; trecho terá nova pista de descida, com 8 km e quatro faixas, além de acostamento

As obras para a construção das novas pistas de subida e de descida na Serra das Araras, trecho de oito quilômetros na Via Dutra e importante gargalo no transporte de cargas no país, deverão ser entregues um ano antes do prazo previsto.

Atualmente, as duas vias dividem o tráfego por oito quilômetros na serra -- do km 233 ao km 225 -- entre a subida, no sentido São Paulo, e a descida, para o Rio de Janeiro. A obra de R$ 1,5 bilhão contempla 24 novos viadutos para suavizar curvas -um deles já entregue.

Quando concluído, o trecho terá uma nova pista de descida, com oito quilômetros e quatro faixas, além de acostamento, e uma pista de subida reconfigurada, também com o mesmo formato, quatro faixas mais acostamento, além de duas áreas de escape, passarelas e pontos de ônibus.

A estimativa é que o tempo na descida (sentido Rio) seja reduzido em 50%, com esperada queda de 25% no sentido oposto (São Paulo).

O prazo contratual para a entrega da pista de subida é março de 2028, enquanto a pista de descida tem previsão de entrega em março do ano seguinte.

Agora, com cerca de 50% da obra pronta, ambas devem ser entregues em março de 2027, com antecipação de um e dois anos, respectivamente, segundo Eduardo de Camargo, CEO da plataforma de rodovias da Motiva (ex-CCR).

Para ele, é quase como se a concessionária estivesse "construindo uma rodovia dos Bandeirantes na Serra das Araras". A via deverá permitir ter limite de velocidade de 80 quilômetros por hora, ante o atual, de 40 quilômetros por hora e, com traçado mais adequado, a expectativa é que registre menos acidentes e que caiam as emissões de CO2.

"É uma das obras mais emblemáticas que a gente tem aqui no nosso portfólio. Estava para ser executada em 52 meses, e a gente sabe que é um gargalo superimportante nessa conexão Rio-São Paulo, um traçado muito antigo, em que a gente tem uma quantidade de acidentes, tombamentos de caminhão muito importante."

A Motiva tem investimentos para os próximos anos de R$ 53 bilhões em obras estruturantes em rodovias.

De acordo com Camargo, a antecipação do cronograma foi possível porque a situação da serra já era estudada ainda antes de a CCR ganhar a concessão.

"A gente já tinha um projeto quando éramos Nova Dutra, portanto a gente conhece bastante a região. Esse é um projeto que a gente conseguiu desenvolver de uma forma bem avançada antes mesmo da licitação. A gente conseguiu [a aprovação do] licenciamento ambiental de forma célere junto ao órgão ambiental [do Rio de Janeiro]. Foi um planejamento muito bem feito pela concessionária e uma performance muito boa da construtora."

O executivo disse ainda que o clima foi propício, com muita movimentação de terra no período seco, e parte da obra que está muito avançada. Agora será a vez dos viadutos.

A rodovia Presidente Dutra, inaugurada em 1951, teve edital de concessão aprovado em 2021, válido por 30 anos. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), era à época ministro da Infraestrutura do governo do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e mencionou a concessão e o plano de obras como um feito durante a campanha de 2022.

Passam por ela, segundo a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), 390 mil veículos/mês – 36% deles caminhões – e cerca de 50% do PIB (Produto Interno Bruto) do país circula pela Dutra.

Benefício Tarifário

A antecipação da entrega da obra, se confirmada, poderá resultar em benefício tarifário para a Motiva, junto à ANTT, que está em discussão, segundo Camargo.

Ele disse que é prematuro calcular o que isso significaria nas tarifas de pedágio caso ele seja obtido pela empresa. "Acho que, de verdade, para o usuário da rodovia, o cliente da concessionária, é bem pouco representativo. A gente deve estar falando de segunda casa decimal [centavos], mas para a concessionária faz bastante diferença", disse.

Ele afirmou que o debate com a ANTT ocorre também porque no contrato para a Serra das Araras não existia o chamado fator A, que permitiria o benefício.

"Há dois instrumentos. O fator A nada mais é do que ele tentar simular o custo do dinheiro no tempo. Se eu estou colocando o dinheiro de forma antecipada para executar a obra, o contrato me permite ser remunerado por isso. Da mesma forma, eu tenho um outro fator que, se eu atraso a obra, significa que eu não desembolsei aquele dinheiro. Então também tem ali uma penalidade."

CNN Brasil - SP   06/10/2025

Às vésperas da COP30, que ocorre em Belém, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) ajusta os últimos detalhes de um plano de "rodovias sustentáveis" para destravar investimentos de aproximadamente R$ 10 bilhões em novas ações socioambientais das atuais concessionárias.

Caso adotem voluntariamente essas iniciativas, as empresas responsáveis pela operação de estradas federais poderão ganhar um "bônus" de 1% ou 2% em suas tarifas de pedágio, dependendo da época em que seus contratos foram firmados. Conforme o grau de adesão às ações propostas pela agência reguladora, o "bônus" pode acabar sendo até maior.

"A transição energética não será feita por filantropia. A agenda de sustentabilidade precisa ter bons incentivos ao setor privado", disse Felipe Queiroz, diretor da ANTT que cuida diretamente do plano, à CNN.

Instituído pela resolução 6057/24 da agência, o Programa de Sustentabilidade para Infraestrutura de Rodovias e Ferrovias avançou mais inicialmente para as concessões de estradas federais, que somam 31 ativos e quase 16 mil quilômetros de extensão.

Em 6 de novembro, semana anterior ao início da COP30, a agência deverá aprovar o primeiro edital do programa.

O plano de "rodovias sustentáveis" vai elencar um cardápio de 470 ações socioambientais, divididas em nove parâmetros -- como mitigação, prevenção de poluição, infraestrutura resiliente, dignidade do trabalhador, iniciativas em comunidades indígenas e quilombolas.

Entre as ações elencadas pela ANTT estão preservação de mata nativa, passagens de fauna, sistemas de alerta de incêndio, iluminação inteligente, sensores térmicos para fiscalização dos sistemas de frenagem de caminhões, câmeras de monitoramento em 100% das rodovias, cobertura de telefonia 4G, pontos de paradas de descanso para caminhoneiros.

As concessionárias terão uma janela temporal, provavelmente de 60 dias, para manifestar se querem ou não aderir ao plano e transformar essas ações em exigências contratuais.

Elas poderão escolher, dentro da oferta apresentada pela ANTT, quais ações pretendem "comprar".

De acordo com Queiroz, o cardápio não é no estilo "self-service", em que cada concessionária escolhe livremente o que gostaria de levar entre todos os 470 itens.

Há menus, pratos feitos, em que ações de diversas prateleiras são combinadas entre si para escolha da empresa. "O que não dá é para escolher um prato do menu e pedir para trocar o acompanhamento ou a sobremesa", compara o diretor.
Pedágio

Há três níveis de adesão para as concessionárias, dependendo do grau de ambição nos itens socioambientais incorporados aos seus contratos.

No nível 1, elas demonstram atendimento aos pré-requisitos necessários para a emissão de debêntures incentivadas de infraestrutura, que incorporaram critérios ESG.

No nível 2, garantem um bônus tarifário. As concessões feitas a partir da 4ª etapa (de 2018 em diante) já incluíram, nos contratos, parte das ações listadas agora pela ANTT. Quem aderir, terá direito a um aumento de 1% nas tarifas de pedágio. Nas concessões anteriores, feitas antes de 2018, o aumento imediato seria de 2% para quem se comprometer com a implementação dos itens.

No nível 3, existe a previsão de novo reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos, com a possibilidade de ganhos tarifários ainda maiores no futuro -- para além dos 1% ou 2%.

Queiroz afirma que os grandes grupos do setor -- Motiva, Ecorodovias e Arteris -- já sinalizaram a intenção de aderir.

Segundo ele, nos contratos existentes, há cerca de R$ 7 bilhões de investimentos previstos especificamente em ações socioambientais.

Se todas as concessionárias de rodovias federais assumirem esses novos compromissos, o diretor prevê destravar mais R$ 10 bilhões a R$ 11 bilhões.

Esses recursos, avalia Queiroz, têm a vantagem de virem da iniciativa privada e não dependerem do orçamento público.

"Isso não passa por risco de contingenciamento e pelo risco de mudança de orientação de qualquer governo", observa.
Projeto-piloto

Na sexta-feira (10), durante o Infra ESG Talks na sede da B3, será assinado um acordo de cooperação quadripartite para viabilizar um projeto-piloto com essas ações socioambientais.

O "corredor logístico sustentável" tem como o foco a BR-277, que liga Curitiba a Paranaguá, na concessão Litoral Pioneiro (controlada pela EPR).

O acordo engloba a ANTT, a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), a EPR e a administração do Porto de Paranaguá.

A ideia é transformar a BR-277 em um primeiro "case" de investimentos e resultados em todo o ecossistema de sustentabilidade em rodovias federais.

NAVAL

Portal Fator Brasil - RJ   06/10/2025

Investimentos do Fundo de Marinha Mercante contemplam três estaleiros fluminenses e o Terminal Portuário ITG02, em implantação no Porto de Itaguaí, e a modernização do Offshore Terminal Support Vessel (OTSV) “Ilha do Mosqueiro”, da OceanPact.

O setor naval e portuário do Rio de Janeiro recebeu investimentos de R$ 8,6 milhões do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para retomada projetos modernização de estaleiros e construção de embarcações. Os valores custearão obras de apoio marítimo e infraestrutura aquaviária, com potencial para gerar mais de 12 mil empregos diretos no estado, fortalecendo a economia local.

Obras — Os investimentos contemplam três estaleiros fluminenses: Aliança S.A., em Niterói (RJ), com 61 obras; Mauá S.A., também em Niterói, com 38 obras; e São Miguel, em São Gonçalo (RJ), com 32 obras.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, essa retomada dos investimentos representam desenvolvimento econômico e fortalecem a competitividade do Brasil no setor marítimo internacional. —O Fundo da Marinha Mercante garante condições para que o Brasil avance na modernização de sua indústria naval. No Rio de Janeiro, isso se traduz em mais empregos, mais oportunidades e em um setor marítimo mais competitivo no cenário internacional — disse.

Além dos estaleiros, o pacote inclui projetos como o Terminal Portuário ITG02, em implantação no Porto de Itaguaí, com orçamento de R$ 3,6 bilhões para movimentação de minério de ferro, e a modernização do Offshore Terminal Support Vessel (OTSV) “Ilha do Mosqueiro”, da OceanPact, em projeto de R$ 21,3 milhões, que vai reforçar a eficiência operacional do setor.

Fundo da Marinha Mercante — Criado para apoiar a indústria naval e a marinha mercante, o Fundo da Marinha Mercante (FMM) é administrado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, por meio do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM), e opera com agentes financeiros como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); o Banco do Brasil (BB); Banco da Amazônia (Basa); Banco do Nordeste do Brasil (BNB); e a Caixa Econômica Federal (Caixa).

O fundo oferece condições diferenciadas de crédito para viabilizar projetos estratégicos, sendo considerado essencial para a geração de empregos, a modernização da frota e o fortalecimento da competitividade brasileira no setor marítimo internacional.

CNN Brasil - SP   06/10/2025

A área técnica do TCU (Tribunal de Contas da União) concluiu sua análise sobre o modelo do leilão do novo superterminal de contêineres em Santos (SP).

O relatório final dos auditores sugere ao ministro Antonio Anastasia, relator do processo no tribunal, determinar um leilão em fase única e sem vedação aos atuais operadores de terminais no maior porto da América Latina.

O parecer conclusivo da AudPortoFerrovia (Unidade de Auditoria Especializada em Infraestrutura Portuária e Ferroviária) contraria a proposta da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e do MPor (Ministério de Portos e Aeroportos), que adotava restrições aos incumbentes e estabelecia um leilão em duas etapas.

Esse modelo excluiria, na primeira fase, gigantes do setor como a suíça MSC e a dinamarquesa Maersk. Ambas são sócias no BTP, um dos três terminais de contêineres já em operação em Santos.

Na avaliação da área técnica do TCU, restringir a participação das empresas que já operam em Santos "contraria os princípios constitucionais da isonomia, eficiência e proporcionalidade". Os auditores afirmam que a decisão da Antaq se ancorou em riscos e premissas hipotéticas.

“A decisão tomada pelo leilão em duas etapas não se sustenta à luz do princípio da proporcionalidade. Sob o aspecto não concorrencial, as manifestações não lograram estabelecer nenhum nexo lógico entre a decisão tomada e os fins pretendidos pela política pública. Essa total incongruência entre meios (restrição à licitação) e fins (objetivo da política), torna ilegal a decisão tomada”, diz o documento do TCU.

De acordo com o relatório do TCU, assinado por três auditores nesta quinta-feira (2), todos poderiam participar livremente do leilão.

Em caso de vitória de algum grupo que detenha terminal e seja um armador (companhia de navegação) - casos da MSC, da Maersk e da francesa CMA CGM (controladora da Santos Brasil) -, o ativo atual deve ser vendido.

A regra não valeria para a DPW, dos Emirados Árabes, que é considerada uma operadora "bandeira branca" de terminal em Santos - sem participação acionária de armadores.

Para evitar a concentração de mercado caso alguma armadora vença o leilão, o parecer do TCU cita duas alternativas:
O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) poderá ser acionado para mitigar os riscos concorrenciais; ou, alternativamente: A obrigatoriedade de desinvestimento apenas para os incumbentes armadores caso um deles vença o certame. Nesse caso, o desinvestimento no ativo deve ser realizado em um prazo razoável.
“Com relação à restrição à competição, considera-se ilegal a proibição à participação dos atuais incumbentes no certame, sem prejuízo da definição de remédios adequados para mitigar os riscos da concentração, a exemplo de desinvestimentos ou de outras medidas a serem definidas em conjunto com o Cade”, diz a conclusão do parecer.

O relatório também propõe uma recomendação (sem cumprimento obrigatório pelo governo e pela agência reguladora) sobre o volume anual de 100 mil TEUs (contêineres-padrão de 20 pés) exigido como experiência mínima dos concorrentes no leilão.

Os auditores sugerem ao relator que "estabeleça requisito de qualificação técnica operacional fundamentado e objetivamente compatível com a complexidade de operação" do novo terminal.

O relatório também destaca que a não realização de uma nova audiência pública pela Antaq afronta os princípios da publicidade e da participação cidadã e a jurisprudência do TCU. A realização de nova audiência pública para debater o assunto é uma das reivindicações da Maersk.

Embora constatada a irregularidade em relação à consulta pública, os auditores avaliaram que seria prejudicial retornar o tema para audiência pública e afetar o prazo do leilão. Por isso, propôs-se para o caso a expedição de ciência à Antaq para que em desestatizações futuras a irregularidade não se repita.

O Tecon Santos 10, que o governo pretende leiloar na segunda quinzena de dezembro, prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos e será o maior arrendamento da história do setor portuário brasileiro.

Ele ampliará em cerca de 50% a capacidade de movimentação de contêineres no Porto de Santos, que está à beira de saturação para esse tipo de carga. O terminal acrescentará uma capacidade de 3,5 milhões de TEUs.

Apesar do Ministério de Portos e Aeroportos defender um leilão restritivo, a pasta já sinalizou que deve cumprir a decisão do TCU.

Money Times - SP   06/10/2025

A Petrobras (PETR4) iniciou nesta sexta-feira (3) uma concorrência para a contratação do navio plataforma do tipo FPSO P-91, que será a 12ª unidade a ser instalada no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, informou a companhia em comunicado.

Búzios 12 funcionará como um hub para exportação do gás produzido em Búzios, que foi o maior campo produtor de petróleo do Brasil em agosto, com 821,88 mil barris por dia, segundo dados publicados pela agência reguladora ANP nesta semana.

A P-91 atenderá anseios do governo Lula, que busca ampliar a oferta de gás natural ao mercado.

A licitação deverá envolver bilhões de dólares, em um mercado com poucas empresas capazes de assumir tal projeto, segundo uma fonte da Petrobras, que pediu para não ser identificada.

A unidade — que terá capacidade diária de produção de 180 mil barris de óleo e 12 milhões de metros cúbicos de gás — será interligada a 16 poços, sendo oito produtores e oito injetores alternados de água e gás.

As empresas interessadas em participar do processo de contratação terão o prazo de 180 dias, a partir da publicação da Solicitação de Envio de Propostas (SEP), para submeterem suas ofertas. A SEP estabelece um percentual mínimo de 25% de conteúdo local.

“Dar a largada na contratação do Búzios 12 justamente no dia do aniversário da Petrobras é simbólico: mostra a força da nossa capacidade de inovação e do trabalho de gerações de profissionais comprometidos com o país”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em nota.

A Petrobras faz 72 anos nesta sexta-feira.

A contratação se dará pelo modelo BOT (Build-Operate-Transfer, na sigla em inglês), no qual a contratada é responsável pelo projeto, construção, montagem e operação do ativo por um período inicial definido em contrato. Posteriormente, a operação é transferida para a Petrobras.

Além de contar com sistemas para processar e separar a produção própria, a unidade também será capaz de exportar o gás produzido em outras plataformas do campo que não foram originalmente desenhadas para exportação de gás.

Com isso, a Petrobras garante o aproveitamento do gás de Búzios e a expansão da oferta de gás natural ao mercado brasileiro.

O gás escoado será direcionado ao Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí (RJ), por meio do gasoduto Rota 3 até a chegada à costa.

O campo, o mais produtivo do país com seis unidades produtoras já instaladas, deve contar com uma sétima plataforma, a P-78, em breve –ela chegou ao campo na terça-feira. A nova instalação tem capacidade de produção de 180 mil barris/dia de óleo.

A Petrobras é operadora de Búzios, com 88,99% de participação, e tem como parceiras as chinesas CNPC (3,67%) e CNOOC (7,34%).

PETROLÍFERO

Globo Online - RJ   06/10/2025

Petrobras lançou nesta sexta-feira o processo de contratação da P-91, 12a e última plataforma flutuante (FPSO, na sigla em inglês) a ser instalada no Campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. A diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da estatal, Renata Baruzzi, evitou estimar o valor do investimento na nova unidade, mas citou "flexibilizações" e simplificações para reduzir o aporte em um cenário de custos elevados e de alta concorrência até mesmo da indústria de data centers.

— Uma dificuldade que estamos começando a perceber, na semana passada conversei com algumas empresas, é a questão dos turbos-geradores (equipamentos que geram eletricidade). Eles (os fornecedores) falaram assim: "olha, veio um data center e me encomendou 15 turbinas, aí você vem, da Petrobras, e encomenda uma. Para quem que eu vou dar prioridade?" — contou Renata, ao apresentar a licitação da P-91 a jornalistas.

Plataformas flutuantes, construídas no casco de grandes navios, podem custar alguns bilhões de dólares, dependendo do tamanho e da complexidade tecnológica. O FPSO Almirante Tamandaré, maior plataforma do país, também instalado em Búzios, custou R$ 45 bilhões, ou pouco mais de US$ 8 bilhões pelo câmbio de hoje, segundo uma nota do fim do ano passado do governo federal.

Quero ver quem vai fazer a US$ 1 bilhão, brinca diretora

Questionada sobre o valor do investimento, Renata respondeu, em tom de brincadeira:

— Isso não vou dizer, se não os licitantes vão ancorar os preços deles no valor que eu falar. É US$ 1 bilhão, pronto. Quero ver quem vai fazer a US$ 1 bilhão.

Com a P-91, a Petrobras segue o trabalho para levar o Campo de Búzios ao posto de maior produtor do país. Renata estimou que o pico de produção, de 1,8 milhões de barris por dia, será atingido em 2033.

Hub de distribuição de gás

A P-91 terá capacidade para produzir 180 mil barris de petróleo por dia (bpd), com a particularidade de que será um hub de distribuição de gás. A capacidade de produção de gás natural da FPSO, também chamada de Búzios 12 pela Petrobras, será de 12 milhões de m³/dia, dos quais 5,5 milhões de m³/dia poderão ser enviados ao continente pelo gasoduto Rota 3, em operação desde o ano passado.

Além de menor em capacidade de produção do que o gigante Almirante Tamandaré, a P-91 será menor em termos de funcionários embarcados — 180, ante os 240 das unidades mais recentes encomendadas pela Petrobras — e trará tecnologias para reduzir as emissões de gases do efeito estufa. Segundo Renata, o projeto foi simplificado após ter o escopo técnico apresentado a fornecedores, a partir de maio.

Segundo a Petrobras, a P-91 será contrata no "modelo BOT", sigla em inglês para "constrói-opera-transfere", ou seja, a licitação escolherá um fornecedor "responsável pelo projeto, construção, montagem e operação do ativo por um período inicial definido em contrato", e, posteriormente, a "operação será transferida para a Petrobras", segundo comunicado divulgado pela estatal.

Conteúdo local por conta do operador

A plataforma poderá ser construída no Brasil ou no exterior. O contrato preverá que a unidade tenha 25% de conteúdo local, mas Renata explicou que o operador escolhido terá a flexibilidade para alocar essa fatia como achar melhor, seja na compra de equipamentos — como os turbo-geradores, fabricados, por exemplo, pela brasileira WEG — seja na preparação do casco do navio, que pode ser feita em estaleiros no Brasil ou no exterior.

— Quando as empresas forem apresentar as suas propostas, também apresentarão o plano de execução. Fica por conta das empresas escolherem o que vão fazer no Brasil, se vai fazer integração, se vai fazer só módulo, se vai comprar equipamentos. É muito comum comprar muito equipamento da WEG, por exemplo. Todas as plataformas do mundo têm equipamentos da WEG. É um orgulho para o Brasil.

A P-78, que chegou na terça-feira ao Campo de Búzios, foi construída em estaleiros nas cidades Yantai e Hayang, na China, e em Ulsan, na Coreia do Sul. Depois, foi finalizada em estaleiro em Singapura, onde foram instalados componentes construídos no Brasil — no Estaleiro Seatrium Angra dos Reis, antigo Brasfels, segundo comunicado da Petrobras —, na China e em Singapura.

Após o lançamento nesta sexta-feira, as empresas interessadas em participar do processo de contratação da P-91 terão um prazo de 180 dias para entregarem suas propostas. A P-78, que está para começar a operar, será a sétima plataforma do Campo de Búzios. Antes da P-91, outros quatro FPSOs, já encomendados, serão entregues.

Segundo Renata, a nova plataforma não estará nem no Plano de Negócios 2026-2030, que será lançado até o fim do ano pela estatal. Isso significa, segundo a executiva, que a P-91 será entregue após 2030, mas ela evitou precisar uma data.

A Petrobras opera a produção do Campo de Búzios em consórcio com participação minoritária das petroleiras chinesas CNPC e CNOOC.

Valor - SP   06/10/2025

Produção de petróleo da companhia ficou em 72,7 mil barris por dia no mês passado, enquanto a produção de gás natural foi de 19 mil barris equivalentes por dia

A Brava Energia teve produção de 91,8 mil barris de óleo equivalente por dia em setembro, queda de quase 1% na comparação com agosto e crescimento de 74,4% na comparação anual.

A produção de petróleo da companhia, surgida da fusão entre 3R Petroleum e Enauta, ficou em 72,7 mil barris por dia no mês passado, enquanto a produção de gás natural foi de 19 mil barris equivalentes por dia.

A companhia destaca que iniciou em agosto uma etapa de ajustes operacionais e de comissionamento de equipamentos no Campo de Atlanta, sem parada na produção, com conclusão prevista para ocorrer ao longo do mês de outubro.

No Campo de Papa-Terra, a companhia informa que a produção será paralisada por até 12 dias para realização de manutenção programada em novembro. No Campo Parque das Conchas, a produção será interrompida por 21 dias em novembro para manutenção.

No terceiro trimestre, a produção média da companhia foi recorde de 91,8 mil barris por dia, uma alta de 67,8% na comparação anual e de 6,9% contra a média de produção do segundo trimestre.

Em termos de volume de óleo vendido, a Brava destaca que negociou 2,31 mil barris por dia em setembro, alta de 13,4% sobre agosto. No terceiro trimestre, a média ficou em 6,31 mil barris por dia, em linha com o desempenho do segundo trimestre.

A Brava é operadora dos ativos Potiguar, Recôncavo, Papa-Terra, Atlanta e Peroá, bem como detém participação não-operada de 35% em Pescada, 45% no Campo de Manati, ambos operados pela Petrobras, e 23% em Parque das Conchas, este operado pela Shell.

Money Times - SP   06/10/2025

A Petrobras (PETR4) deverá abrir as propostas em concorrência para a contratação de duas plataformas para o projeto Sergipe Águas Profundas (Seap) em 15 de outubro, afirmou nesta sexta-feira a diretora executiva de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Renata Baruzzi.

“Os licitantes pediram mais um tempinho. A gente deu mais 15 dias para eles”, afirmou a diretora a jornalistas.

Baruzzi também explicou que a abertura dos envelopes para a contratação de navio plataforma para o campo de Albacora, na Bacia de Campos, acontece até o fim do ano, sem dar mais detalhes.

Já os processos de concorrência para a contratação das plataformas para Barracuda e Caratinga, Marlin Sul e Marlin Leste “voltaram para a prancheta para simplificar os projetos” e a companhia só deverá voltar a licitar no fim de 2026 ou início de 2027, disse ela.

Mais cedo, a Petrobras informou que iniciou uma concorrência para a contratação do navio plataforma do tipo FPSO P-91, que será a 12ª unidade a ser instalada no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos.

Búzios 12 funcionará como um hub para exportação do gás produzido em Búzios, que foi o maior campo produtor de petróleo do Brasil em agosto, com 821,88 mil barris por dia, segundo dados publicados pela agência reguladora ANP nesta semana.

Por Reuters

A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.

CNN Brasil - SP   06/10/2025

A Opep+ (Organização de Países Exportadores de Petróleo e aliados) decidiu neste domingo (5) aumentar sua produção de petróleo em 137 mil barris por dia a partir de novembro, o incremento é o mesmo decidido em outubro.

Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã já previam manter o mesmo acréscimo do mês anterior. Em comunicado, a OPEP+ pondera que o nível de 1,65 milhão de barris por dia pode ser retomado a depender das condições de mercado.

"Os países continuarão a monitorar e avaliar de perto as condições do mercado e, em seus esforços contínuos para apoiar a estabilidade do mercado, reafirmaram a importância de adotar uma abordagem cautelosa e manter total flexibilidade para pausar ou reverter os ajustes voluntários adicionais de produção", afirma o comunicado.

Os membros da OPEP+ avaliaram que a decisão proporcionará uma oportunidade para que os países acelerem sua compensação, além de reiterarem seu compromisso coletivo com a Declaração de Cooperação, incluindo os ajustes voluntários adicionais de produção que serão monitorados pelo Comitê Ministerial Conjunto de Monitoramento (JMMC).

O aumento ficou dentro do esperado pela maioria dos analistas do setor. Alguns relatórios chegaram a apontar a possibilidade de um incremento de 500 mil barris por dia; na ocasião, o cartel emitiu um comunicado expressando repúdio sobre tal estimativa.

"Essas afirmações são totalmente imprecisas e enganosas", afirmou.

O acréscimo de 500 mil barris poderia ser prejudicial para a Rússia por levar a uma queda nos preços da commodity, atrapalhando o financiamento da máquina de guerra russa, conforme especialistas.

A avaliação é de que a Rússia não tem muitas opções para elevar suas vendas diante das sanções ocidentais, o que poderia levar a um aumento de estoques em caso de maior incremento.
Aumento de cada membro

Segundo o comunicado publicado pela OPEP+, a Arábia Saudita e a Rússia liderarão os aumentos, com crescimento de 41 mil barris equivalente por um dia (kboed).

Em seguida, o Iraque aumentará 18 kboed, os Emirados Árabes Unidos, 12 kboed; o Kuwait, 10; o Cazaquistão, 7 kboed; por fim, a Argélia e Omã aumentarão 4 kboed cada.

Globo Online - RJ   06/10/2025

Um artigo de cientistas do Brasil e da Espanha elenca uma série de incertezas sobre a prospecção de petróleo na região da Margem Equatorial do Brasil e afirma que, caso um vazamento ocorra ali no futuro, as consequências podem ser piores do que as do acidente da Deepwater Horizon em 2010, quando mais de 3 milhões de barris de petróleo foram despejados de um poço submarino no golfo do México.

O trabalho, articulado pelas universidades federal e estadual do Amapá, teve colaboração do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e da Aniversidade Autônoma de Madri (Espanha). Em formato de comentário, o artigo reuniu ecólogos, geofísicos e outros especialistas, e foi publicado na revista Nature Sustainability, do grupo britânico Nature.

Para analisar a situação no local, os cientistas reuniram outros estudos feitos na região da Foz do Amazonas e em sua área de influência, incluindo uma avaliação sobre vulnerabilidade de recursos biológicos, feito pela própria Universidade Federal do Amapá (Unifap). Os trabalhos avaliaram mais a região de hidrovia do Rio do que a porção marinha na transição do estuário, fazendo simulações de vazamentos de óleo usando modelos matemáticos.

"Os modelos calibrados mostraram que plumas de vazamentos de óleo tendem a permanecer próximas à costa e se estender por até 132 km em 72 horas, com impactos potencialmente catastróficos na biodiversidade, em áreas protegidas, na pesca artesanal e no abastecimento de água para áreas urbanas", escrevem os cientistas. "Até onde sabemos, nenhum estudo considerou o potencial aumento no tráfego de grandes embarcações, incluindo aquelas que transportarão petróleo bruto, o que poderia levar ao aumento da perturbação da vida marinha por meio de sua presença física e ruído."

O trabalho também avaliou literatura acadêmica que considerou potenciais vazamentos de poços a grande profundidade. Esse é um outro ponto de preocupação na Margem Equatorial, junto com as correntes marinhas cruzadas que existem ali.

"Enquanto a Corrente Norte do Brasil, na superfície, flui para o norte, outra corrente, que começa a 201 m de profundidade, flui para o sul. Entre as consequências das correntes fortes e complexas na área está a dificuldade que isso representa para controlar potenciais vazamentos", afirma o estudo. "A profundidade de 2,88 km no local é essencialmente o dobro da profundidade de 1,5 km no local do vazamento de petróleo da Deepwater Horizon, que exigiu muitas tentativas ao longo de um período de cinco meses para ser contido."

Apesar de os blocos de exploração que a Petrobrás pretende abrir serem relativamente longe do delta do Rio Amazonas, eles ainda dentro da zona de influência da foz, afirmam os cientistas. Isso significa que, dependendo da variação na vazão do rio, as correntes podem ora rumar para o Atlântico Norte, ora correr de volta para dentro do rio em sua região de estuário.

Além de avaliar a geofísica na região, os pesquisadores reuniram estudos sobre impacto de um eventual despejo de petróleo na fauna. O autor principal do trabalho, o ecólogo Herbert Duarte, estuda onças nas ilhas de Maracá e Jipioca, na costa amapaense, e explica que mesmo animais terrestres seriam afetados por um eventual derrame de óleo no mar.

— Na nossa pesquisa, a gente verificou que as principais bases da alimentação das onças-pintadas são advindas do mar: peixes, botos e aves limícolas (grupo das gaivotas) — conta. — Ali elas fogem um pouco da regra de caçador terrestre.

A simulação do resgate de animais oleados é um dos pontos que o Ibama tem exigido da Petrobrás para a concessão de licença para a prospecção, mas o impacto mais profundo de um derrame de óleo sobre a cadeia alimentar não é plenamente considerado nessa avaliação.

Modelo de desenvolvimento

No artigo, os cientistas também elencam uma série de estudos para depois contestar a promessa de que a renda de royalties do petróleo possa representar um modelo de desenvolvimento duradouro e sustentável para o Amapá.

Com cerca de de 700 mil habitantes, boa parte deles indígenas, quilombolas e ribeirinhos dependentes de pesca e extrativismo, o Amapá depende de atividades de bioeconomia. Só a cadeia do açaí na área da Foz do Amazonas movimentou mais de R$ 6 bilhões em 2023.

Um derrame de óleo, por si só, dificilmente afetaria o extrativismo e a produção de açaí, mas cientistas afirmam que, nesse aspecto, a prospecção de petróleo afeta a região num contexto global, com a elevação do nível do mar e todas as outras consequências que vêm junto com a mudança climática.

— O açaí é uma planta de várzea, e aumentando o nível do mar, mudando a acidez do mar também, vai ter uma grande influência no solo da região da foz, o que pode influenciar a produção de açaí — diz Duarte, ampliando a questão. — Será que o dinheiro gerado com o petróleo pagaria também essa queda na produção do açaí e eventuais desastres ambientais?

Segundo Philip Fearnside, do Inpa, outro coautor do estudo, é preciso colocar o debate sobre a Margem Equatorial no plano global.

— A necessidade global de interromper o uso de combustíveis fósseis nos próximos anos significa que os supostos benefícios econômicos e de emprego do projeto seriam muito temporários — diz o cientista.

Consenso difícil

O teor do artigo publicado agora na Nature Sustainability destoa um pouco de outro documento recente de cientistas sobre o assunto. O relatório que a Academia Brasileira de Ciências (ABC) produziu sobre o tema é bem mais flexível em reconhecer que os impactos da exploração de petróleo almejada para a região podem ser minimizados.

A falta de consenso que a comunidade científica tem sobre o tema vem, em parte, da escassez de estudos sistemáticos sobre a região. Os dois artigos citados nesta reportagem, por exemplo, não são estudos com coleta de dados independentes nem revisão por pares, o "padrão ouro" para validar informação técnica.

Duarte argumenta que, em face de dúvidas, deveria prevalecer o princípio da precaução, mas ele se mostra incrédulo de que esta seja a abordagem adotada.

— Infelizmente, eu não acredito que a gente tenha poder nem influência para mudar uma decisão que venha a ser tomada, e acho que mais cedo ou mais tarde vão acabar explorando esse petróleo — afirma. — Este artigo vai servir no futuro para dizer: eu avisei.

AGRÍCOLA

Itatiaia - MG   06/10/2025

O Governo de Minas realizou nesta semana a entrega de tratores e máquinas agrícolas para 20 prefeituras do estado. A iniciativa visa o fortalecimento da infraestrutura rural e o estímulo à produção agrícola. O investimento total foi de R$ 7.635.402,37 e contempla equipamentos como retroescavadeiras, pás-carregadeiras, motoniveladoras e tratores.

Os equipamentos serão utilizados para a readequação e manutenção de estradas vicinais, garantindo apoio direto à produção rural e melhoria no transporte de insumos, no escoamento de produtos agrícolas e até mesmo no transporte escolar. Os municípios contemplados já receberam o maquinário.

Em São Pedro dos Ferros, na Zona da Mata Mineira, a chegada da primeira pá-carregadeira auxilia a população. Com mais de 402 mil metros quadrados de território e vias majoritariamente rurais, a cidade enfrenta desafios constantes na manutenção das estradas. “Nosso município tem grande produção na avicultura, o que emprega mais de mil pessoas. Com isso, e devido ao frango ser um item de ciclo curto, é fundamental que as estradas estejam em condições de tráfego, principalmente no período chuvoso”, contou o prefeito Danilo Dias.

Na mesma região, em Astolfo Dutra, município polo de fruticultura, com destaque para a produção de mexerica, a máquina recebida será essencial tanto para o preparo das terras quanto para a conservação das estradas por onde passa a produção. “Nossos produtores já exportam as frutas para outros estados, como São Paulo e Rio de Janeiro, e, com isso, é muito importante que as estradas estejam sempre em boas condições”, reforçou o vice-prefeito, Reginaldo Costa.

Com a entrega, os municípios beneficiados passam a ter condições mais adequadas para atender demandas antigas das comunidades rurais. De acordo com o secretário de Agricultura, Thales Fernandes, a estratégia é ouvir as necessidades do produtor. “Tudo acontece no município, e ouvindo os produtores, com ajuda dos conselhos rurais, a Secretaria de Agricultura consegue direcionar os equipamentos de forma assertiva a cada tipo de demanda, o que movimenta e amplia a produção, a geração de renda e a criação de novos empregos no meio rural”, destacou.
Programa contínuo

A entrega faz parte de um programa contínuo, iniciado em 2008, que já construiu 50.782 bacias de captação (barraginhas), implementou 3.118 quilômetros de terraços e adequou ambientalmente 368,46 quilômetros de estradas vicinais. Além disso, 726 nascentes foram protegidas, assim como 638 quilômetros de matas ciliares e topos de morro, beneficiando diretamente 178 sub-bacias hidrográficas.

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