Globo Online - RJ 22/10/2025
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira que o Banco Central do Brasil é o “mais duro do mundo” na condução da política monetária, em referência a um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI). Em entrevista à GloboNews, Haddad voltou a defender que a taxa de juros está em um nível excessivamente restritivo diante do atual cenário econômico, com inflação que o ministro considera controlada e cortes de preços administrados, como o da gasolina pela Petrobras.
— A inflação está se comportando cada vez melhor, e as projeções do mercado já apontam para um índice abaixo de 4% em 2027. O FMI disse que o Banco Central do Brasil é o mais hawkish, o mais duro do mundo. E o FMI sabe o que está falando. Historicamente, o nosso BC sempre foi duro, mas o atual é o mais duro do mundo, muito duro, é uma inflação que já está beirando a banda superior da meta, e você tem mais de 10% de juro real, então é duro mesmo, não é pouco o que está sendo feito — afirmou o ministro.
O termo “hawkish”, usado por Haddad, se refere à postura mais agressiva de bancos centrais no combate à inflação, geralmente com manutenção de juros altos por longos períodos.
Questionado se a recente queda no preço da gasolina anunciada pela Petrobras deveria abrir espaço para uma redução na taxa Selic, Haddad respondeu que, se fosse membro do Comitê de Política Monetária (Copom), votaria a favor do corte.
— Existem nove diretores que decidem isso. Se eu estivesse lá, eu teria essa opinião, de que está restritivo demais para as condições atuais. Tem economista com outra opinião, e ninguém sai xingando — disse.
O ministro também evitou críticas diretas à diretoria do BC, sob comando de Gabriel Galípolo —indicado pelo governo Lula —, e disse que é cedo para avaliar o desempenho da atual gestão.
— É muito difícil julgar uma gestão que acabou de começar. Isso vale para a atual diretoria, que acabou de chegar com problemas graves para administrar. Mas, ao longo da história, o BC tem sido duro. Teve um período, quando o Ilan (Goldfajn) foi presidente, em que o BC foi muito sensível às teses que me são caras. Ali foi, e eu espero que essa gestão também seja — afirmou Haddad.
Apesar das divergências, o ministro ressaltou que mantém respeito à autonomia da instituição e que emitir opinião não significa desrespeitar a autoridade monetária.
— Eu tenho o maior respeito pelo BC, mas emitir uma opinião não é pecado. Eu tenho dito que penso que a taxa de juros está restritiva demais. Aliás, o presidente (Lula) disse isso ontem. É uma opinião, não deveria ser confundido com desrespeitar a institucionalidade, porque o mercado emite opiniões todos os dias — declarou.
Selic em 15%: maior nível em 19 anos
Na última reunião o Copom decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior nível desde 2006, com apoio unânime da diretoria. O comunicado do BC reforçou que os juros devem permanecer altos por um “período bastante prolongado”, mesmo com a melhora das projeções de inflação.
Segundo o comunicado do Copom, o cenário segue “marcado por incertezas” e exige “cautela na condução da política monetária”. Economistas avaliam que o BC não deu abertura para iniciar cortes de juros neste ano, embora parte do mercado espere a primeira redução em janeiro de 2026.
O Estado de S.Paulo - SP 22/10/2025
O Brasil chegou ao limite de gastos e não tem espaço para promover nova expansão fiscal no ano que vem, quando ocorre a corrida ao Planalto, alerta a chefe de Pesquisa Econômica para a América Latina e economista-chefe para Brasil no JP Morgan, Cassiana Fernandez. O grande risco é o brasileiro perder a confiança de que o governo será capaz de honrar sua dívida; se isso ocorrer, abre-se a porta para a fuga de investimentos do País.
“Sabemos que caminhamos para o muro. Vamos esperar bater nele ou mudar a rota antes?”, questiona Fernandez, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, às margens das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI), realizadas em Washington, nos Estados Unidos, na semana passada.
De acordo com a economista, os ativos de maior potencial de valorização nos próximos meses, na visão dos investidores, são o ouro e as ações de companhias americanas. Há menos preocupação com uma eventual bolha causada pela euforia com a inteligência artificial (IA), mas, diante da demanda crescente por ouro e do potencial de valorização à frente, é difícil imaginar que os investidores estejam “tão otimistas”. A seguir, os principais trechos da entrevista:
Como está o sentimento do investidor na atual conjuntura global?
No evento de abril, logo após o Liberation Day (2 de abril, data do anúncio das tarifas recíprocas para produtos importados pelos EUA anunciadas por Trump), havia maior preocupação com os impactos das tarifas. Desde então, houve uma mudança, e os investidores estão menos receosos por causa dos acordos fechados e do risco de recessão global. A apreensão voltou um pouco, principalmente agora, em razão de Estados Unidos e China, e um grande tema é como a Suprema Corte vai se posicionar, além da reação dos EUA. Na margem, os investidores estão mais preocupados porque a inflação continua alta, principalmente nos Estados Unidos e em outros países. De modo geral, os bancos centrais têm sido mais cautelosos na América Latina.
E quanto à inteligência artificial (IA)?
A percepção é de que a IA provocará uma mudança estrutural muito relevante, mas a verdade é que ninguém consegue quantificar o tamanho do impacto nem quando começará a ser sentido. Há grande demanda de investimento por parte do setor privado, e sabemos que isso também gerará forte demanda por energia. Assim, começamos a discutir quem serão os ganhadores e os perdedores nessa nova dinâmica.
Há temor de uma bolha na IA? Têm crescido alertas quanto aos elevados valuations dos ativos nos EUA...
Investidores estão muito menos preocupados com a bolha, e o viés geral ainda é muito construtivo em relação aos impactos da inteligência artificial. A dúvida é como a tecnologia afetará produtividade, variáveis macroeconômicas, inflação e consumo de energia. Questionados sobre quais ativos têm maior chance de valorização nos próximos meses, os investidores apontam ouro e ações americanas.
Mas a própria demanda pelo ouro aciona o botão de alerta...
Se a principal aposta do mercado é ouro, é difícil imaginar que também os investidores estão tão otimistas assim, porque é um ativo conservador. A oferta limitada reforça a percepção de risco, mais do que um medo exagerado da inflação. Jamie Dimon avalia que o metal pode chegar a US$ 5 mil ou até US$ 10 mil, o que indica que ainda há espaço para valorização.
Qual é a visão dos investidores com os EUA e as políticas de Donald Trump?
Temos feito revisões consistentes para cima na projeção de crescimento dos EUA. Há a percepção de que o ritmo está mais forte e resiliente, e o balanço do setor privado, em média, ainda não preocupa. Os investidores estão mais preocupados com o risco de uma reaceleração da atividade econômica gerar pressão inflacionária do que com uma desaceleração mais rápida. Outra mudança ocorreu na percepção dos investidores em relação à Europa. Nas reuniões de abril, o otimismo era bem maior após o anúncio de expansão fiscal. Agora, eles se mostram um pouco mais céticos diante de questões como o potencial de gasto e as implicações para o crescimento, além de problemas estruturais, como a regulação. Hoje, a visão é muito construtiva para os EUA e menos construtiva para a Europa.
Mas e a preocupação em relação ao efeito das tarifas na inflação?
A preocupação agora é descobrir qual será o novo equilíbrio. Onde essa questão das tarifas vai parar? Qual será a média? Esperamos que a tarifa média de importação dos EUA termine o mandato (de Trump) perto de 20% ante 1,4% em 2017, e 2,3% em 2024, impacto que ainda deve aparecer nos preços. Falta, porém, convicção sobre como isso se dará, sobretudo pelas restrições internas dos EUA e pela decisão da Suprema Corte sobre a adoção de tarifa homogênea. O governo Trump já afirmou que não abrirá mão da receita gerada; por isso, pode ter de encontrar outras formas de taxar. Discute-se muito a tarifa setorial, que tende a provocar distorções maiores e aumenta a incerteza quanto ao impacto geral na economia. Hoje, a preocupação é mais com a incerteza do que com a direção.
Qual a visão sobre o dólar?
Ainda há consenso de que o dólar continuará enfraquecendo e que, em cerca de dois meses, deverá estar mais barato em relação a outras moedas. A percepção, porém, é de que a tendência será agora mais lenta. A força da desvalorização da moeda americana tende a diminuir. Ninguém espera uma apreciação, mas o grosso da queda já aconteceu. Isso traz implicações importantes.
Por quê?
Porque para países emergentes que se beneficiaram com moedas mais apreciadas e, portanto, uma desinflação mais rápida, isso também já tem um limite maior. Os investidores ainda têm muito apetite para investir em países emergentes, mas quando perguntamos aos investidores os ativos de maior potencial de valorização nos próximos meses, nem mercado local, nem dívida externa de países emergentes figurou entre os dois primeiros. Foi ouro e ação americana.
Mesmo que haja a vontade para gastar mais em um ano eleitoral, não existe espaço
O FMI publicou um estudo que diz que os países emergentes são beneficiados por boas políticas, mas uma dose de sorte. Qual sua visão sobre o Brasil?
É uma combinação de sorte e boas políticas. Não podemos diminuir a importância da postura conservadora do Banco Central (BC) para a performance da moeda brasileira. Se o BC não tivesse acelerado o ciclo de alta de juros desde o fim do ano passado, e mantido agora um discurso coerente e conservador, provavelmente não teríamos visto um movimento tão forte do real. Cerca de 65% desse resultado foi reflexo do movimento global, e 35%, idiossincrático ao Brasil.
E quanto ao fiscal? O FMI suavizou suas projeções para o Brasil. Por que o estrangeiro tem uma visão menos crítica em relação às contas públicas no País?
O investidor doméstico olha o Brasil de dentro, pensando no filme. O estrangeiro olha mais a fotografia e a comparação com outros países, sendo que vários tiveram uma deterioração da política fiscal. Mesmo dentro da América Latina, em países como México e Colômbia, exceto a Argentina, houve uma tendência de piora na política fiscal e na dinâmica da dívida. O próprio Estados Unidos, com a preocupação das implicações do ‘Big Beautiful Bill’ à trajetória da dívida americana.
No Brasil, economistas alertam para o risco de uma crise fiscal, o debate da dominância fiscal vira e mexe aparece. O que esperar de um ano eleitoral à frente?
A minha visão é até o contrário. O Brasil já chegou ao limite do que conseguiria fazer em relação à expansão fiscal. Por isso, mesmo que haja a vontade para gastar mais em um ano eleitoral, não existe espaço. Os financiadores da dívida pública, que 90% estão dentro do Brasil, têm uma preocupação muito grande e não estão dispostos a aceitar deterioração adicional e, principalmente, mudanças de regras. O que aconteceu no fim do ano passado (no lançamento do pacote fiscal) foi uma lição importante. O grande risco do Brasil hoje é o brasileiro perder a confiança de que o governo vai ser capaz de honrar sua dívida. Porque se isso acontece, naturalmente, corremos o risco de uma saída de recursos do País.
Esse risco aumenta a depender do resultado das eleições?
Vai depender das políticas econômicas propostas na eleição, e o mercado reagirá a elas. Faltam 12 meses para o pleito; ainda não sabemos quem serão os candidatos. Os detentores de títulos da dívida pública devem examinar com cuidado o programa de cada um. É inevitável que o próximo governo promova um ajuste fiscal significativo para estabilizar a dívida. O Brasil não pode continuar financiando um déficit nominal de 9% do Produto Interno Bruto (PIB), estimado para este ano, com uma dívida já perto de 80% do PIB. Quem vencer a eleição terá de realizar o ajuste. Se o governo tiver credibilidade, o custo será menor. Sabemos que caminhamos para o muro. Vamos esperar bater nele ou mudar a rota antes?
A polarização dificulta o ajuste fiscal?
Mesmo com a disposição do governo e da equipe econômica, há dificuldades: todo ajuste fiscal necessário ao Brasil precisa passar pelo Congresso e depende de reformas estruturais. Algumas propostas, portanto, podem ser diluídas. O melhor ajuste seria aquele que desse condições para o Brasil crescer de forma acelerada e sustentável.
Há preocupação quando olhamos o balanço das empresas no Brasil, que já estão em uma situação bem pior do que no início do ano
Nas suas viagens de Nova York a Londres, passando por Washington, qual é a principal preocupação do investidor estrangeiro com o Brasil?
A preocupação é com a dinâmica da dívida pública, um medo recorrente. Apesar do desempenho positivo dos últimos três anos, percebe-se que nosso potencial segue baixo ante outras economias emergentes, o que gera inquietação. A piora do déficit em contas correntes tem aparecido com mais força no radar dos investidores, assim como a questão geopolítica, sobretudo sobre como o Brasil reagirá a tarifas maiores. A dinâmica da inflação no País também causa preocupação, num momento em que chama atenção o conservadorismo do Banco Central, dado o nível da taxa de juros, embora ainda haja desvio grande em relação ao centro da meta de inflação.
O que chamou atenção na comunicação dos diretores do BC durante as reuniões do FMI?
Eles foram muito consistentes com as comunicações oficiais, com a mensagem de que ainda não encontram condições para suavizar o aperto monetário, reforçando a ideia de estabilidade na taxa de juros para mais tempo. Existe um reconhecimento de que a atividade econômica começa a desacelerar, mas, na visão do Banco Central, isso ainda não é suficiente para aliviar as pressões inflacionárias.
O alerta para o risco de crédito privado com recentes casos nos EUA, no Brasil e no mundo também foi destaque nesses encontros. O próprio presidente do JP Morgan, Jamie Dimon, disse que onde há uma barata, há mais. Esse tema preocupa o investidor?
O investidor se preocupa muito mais com o que não conhece e sobre o qual não dispõe de dados e estatísticas. No caso do Brasil — porque, no dos Estados Unidos, não consigo agregar mais valor do que Jamie Dimon —, o nível da taxa de juros segue muito alto. O objetivo de mantê-la em patamar tão restritivo é justamente desaquecer a economia e reduzir as pressões inflacionárias, mas é preciso acompanhar a dosagem do remédio.
O que os balanços corporativos nos dizem?
Há preocupação quando olhamos o balanço das empresas no Brasil, que já estão em uma situação bem pior do que no início do ano. As margens já começam a sofrer mais, e empresas mais alavancadas já enfrentam dificuldades como vimos vários exemplos. Esse é um risco para a economia brasileira, sobretudo em 2026. Se houver um processo eleitoral e um cenário externo que gerem grande volatilidade no mercado, algumas empresas terão mais dificuldade para financiar seus balanços em 2026.
Brasil e EUA têm aprofundado as relações nas últimas semanas. Negociações comerciais são mais promissoras?
O impacto das tarifas sobre a atividade brasileira é pequeno. Minha maior preocupação, quando elas foram anunciadas, era o risco de retaliação do Brasil, que poderia ser muito mais prejudicial ao País. O governo foi pragmático ao não retaliar. Desde o encontro de Lula com Trump durante os eventos da Organização das Nações Unidas (ONU), percebe-se uma desescalada das tensões e alguma iniciativa para retomar o diálogo. Mas ainda estamos em estágio inicial, sem fatos concretos. É algo, sem dúvida, que exige atenção e preocupa.
No último FMI, os argentinos estavam em festa. Qual a percepção hoje, com as eleições de meio mandato batendo à porta?
Existe um grande otimismo em relação à política econômica. Historicamente, é difícil identificar um país que tenha feito um ajuste fiscal e tenha feito um ajuste fiscal tão rápido e mantido esse comprometimento. Mas é fundamental para o governo argentino e para a sobrevivência perseverar tanto em relação à política fiscal, mas também conseguir se mover na direção de reformas estruturais que atraiam o investimento privado. Essa é a grande preocupação de hoje, considerando as eleições desta semana. Se o governo de Javier Milei conseguir assegurar pelo menos controle de um terço do Congresso que evite que os decretos, os vetos presidenciais sejam derrubados, isso daria mais fôlego para continuar perseverando na política de ajuste fiscal.
E em caso negativo?
Vai ser muito mais custoso porque o Congresso pode dificultar o trabalho do governo. O apoio dos Estados Unidos foi fundamental porque a Argentina estava em uma espiral negativa principalmente depois da eleição da província de Buenos Aires em que os investidores começaram a temer a capacidade do governo continuar implementando as políticas que foram anunciadas e entregar os acordos que tinha feito com FMI e outras instituições e atrair investimento privado. É a primeira vez que ocorre uma intervenção direta do Tesouro americano comprando moeda de um país na América Latina, pelo menos nos últimos 30 anos. Mas, agora, está nas mãos dos argentinos.
O que a Argentina precisa fazer para solucionar de vez seus dilemas?
A solução da Argentina passa pela necessidade de atrair o investimento direto de fora. O país precisa atrair dólares para honrar seu endividamento externo. A médio e longo prazo, vai depender da capacidade da Argentina de atrair investidores para aumentar o PIB, o investimento de longo prazo
E a ameaça do Trump de condicionar a ajuda ao resultado das eleições?
A definição de um bom resultado nessas eleições primárias é relativa. É muito difícil o governo ter mais do que 50% do Congresso ou menos de um terço. Isso sim seria visto como uma derrota. Qualquer resultado no meio desses dois pontos vai depender muito da capacidade do Milei de conseguir construir alianças para frente.
Os países da América Latina vão enfrentar eleições nos próximos meses. O estrangeiro tem algum candidato preferido na região?
Por conta da dinâmica eleitoral, investidores estão mais cautelosos com a América Latina do que no ano passado. Eles estão em compasso de espera para saber qual o resultado das eleições. No geral, os investidores têm uma visão mais construtiva para México, talvez, menos de antes de mudar as regras do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês), mas ainda tem muita oportunidade. Um ponto de atenção é que a renegociação do USMCA começa oficialmente em julho do ano que vem. Na Argentina, o otimismo é mais cauteloso. Já o Brasil se destaca pelo nível da taxa de juros, mas o discurso de polarização e a percepção de uma eleição binária afugentam um pouco o investidor.
CNN Brasil - SP 22/10/2025
O governo corre contra o tempo para garantir a arrecadação necessária ao cumprimento da meta de zerar o déficit das contas públicas em 2025 e alcançar superávit de 0,25% do PIB em 2026, ano eleitoral.
Para isso, a equipe econômica prepara um novo envio ao Congresso Nacional de propostas que focam na contenção de despesas e no aumento de receitas. A estratégia é retomar parte das medidas da Medida Provisória 1303, que perdeu validade, mas agora em dois textos separados para facilitar a tramitação.
As propostas buscam sensibilizar o Congresso, que já concorda com a necessidade de cortes de gastos, mas ainda resiste a ampliar tributos, mesmo sobre setores de alta rentabilidade.
O Ministério da Fazenda tenta manter o potencial arrecadatório de medidas que não afetam diretamente a população, como a taxação de apostas online (bets), fintechs e instituições financeiras.
Esse segundo eixo — o das receitas — é o que enfrenta maior resistência política. Na discussão da MP 1303, que tratava da elevação das alíquotas do Imposto de Renda sobre apostas e lucros, o Congresso rejeitou o texto sob o argumento de que a proposta era excessiva.
Ainda assim, o governo pretende reapresentar as medidas em formato de projeto de lei, preservando parte da estrutura anterior.
Por outro lado, o projeto de contenção de gastos deve reunir ajustes em programas e cadastros sociais e uma revisão das regras de compensação de créditos tributários — um tema que o Ministério da Fazenda vem tentando aprovar ano após ano para reduzir brechas fiscais e reforçar o controle das despesas obrigatórias.
A expectativa no Planalto é que os textos sejam enviados ao Congresso ainda nesta semana, após os ajustes técnicos que estão sendo feitos pela Casa Civil.
Além disso, o texto precisa ser negociado com os presidentes das Casas Legislativas: Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB). A expectativa é que haja reuniões entre o ministro Haddad e os dois nesta semana.
A ideia é recuperar o tempo perdido após a MP 1303 ter perdido a validade e mostrar compromisso fiscal, especialmente após os apontamentos sobre a meta feitos pelo TCU (Tribunal de Contas da União) nas últimas semanas.
Nos bastidores, interlocutores do governo afirmam que a prioridade é restabelecer a credibilidade da política fiscal e provar que o arcabouço funciona.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem repetido que “a meta será perseguida até o fim” e que o equilíbrio das contas é condição para reduzir juros e manter o crescimento.
Mesmo assim, a base parlamentar segue fragmentada. Deputados aliados admitem que o clima é de cautela: há resistência em votar projetos que possam ser lidos como aumento de impostos em ano pré-eleitoral.
O governo, por sua vez, aposta em diálogo com o centro e no argumento de justiça tributária — concentrando a cobrança sobre setores de alta renda e rentabilidade, e não sobre o consumo.
O projeto de corte de gastos tende a avançar primeiro.
A proposta inserida na MP 1303, sobre a revisão cadastral do Seguro Defeso e compensação de créditos tributários de PIS/COFINS, mostrou que há consenso em torno da revisão de cadastros e da modernização de protocolos de atendimento, apontados pela Fazenda como áreas que estão desorganizadas desde o fim do último governo.
Na nova proposta, está prevista a criação de um mecanismo de controle sobre compensações tributárias, para evitar o uso indevido de créditos entre empresas de diferentes setores — medida que, segundo Haddad, pode gerar economia superior a R$ 20 bilhões.
No segundo texto, a tributação das apostas online (bets) e das fintechs voltará ao debate. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que o Congresso “dê uma palavra definitiva” sobre o tema e indicou que o governo não abrirá mão da arrecadação obtida com o segmento.
A aposta é que o novo formato — separado e mais enxuto — reduza o desgaste político e permita uma votação rápida ainda neste ano.
O Estado de S.Paulo - SP 22/10/2025
Lula em seu terceiro mandato fez uma aposta política em ampliar gastos desde o início. A troca do teto de gastos pelo arcabouço fiscal foi uma maneira de dar um ordenamento mínimo ao impulso gastador. Agora, à medida que se aproxima o ano eleitoral, planos de mais medidas fiscais e parafiscais têm como pano de fundo um cenário internacional favorável, de ampla liquidez, mas sobre o qual pesam grandes nuvens de incerteza.
A maior delas é a possível bolha da inteligência artificial, com uma dezena de startups cuja soma de valor de mercado supera US$ 1 trilhão, sendo que todas ainda estão muito longe de entrar no território azul da contabilidade de lucros.
E, como escreve Aline Bronzati, enviada especial do Broadcast à reunião do FMI e Banco Mundial, há ainda as "baratas" de Jamie Dimon, presidente do JP Morgan - uma referência a problemas de crédito que, quando um surge, pode-se esperar que outros também apareçam (como as baratas).
A própria disparada do ouro é outro sintoma clássico de defesa contra riscos dormentes na economia global. O metal, que em 2023 rompeu a faixa entre US$ 1500-2000 a onça em que era negociado por alguns anos, hoje é negociado acima de US$ 4.100, tendo chegado a quase US$ 4.400 no início deste mês.
A reação do governo e da equipe econômica a esse quadro de incertezas internacionais é se apegar cada vez mais ao cumprimento das metas fiscais. O problema é que essa abordagem formalista das contas públicas não leva em conta os problemas na formulação e determinação dessas metas.
O primeiro deles é que respeitar o arcabouço e a atual trajetória prevista de resultados primários (considerando a banda de 0,25 ponto percentual em torno da meta) não impedirá que dívida pública bruta provavelmente cresça mais do que 10 pontos porcentuais (pp) do PIB ao longo do terceiro mandato de Lula.
Uma das causas desse problema é a opção do governo pela estratégia de pisar no acelerador fiscal (e parafiscal) e no freio monetário ao mesmo tempo, elevando os juros reais e nominais que incidem sobre a dívida pública. Os juros nominais acumulados em 12 meses pagos pelo governo federal estavam em 7,4% do PIB em agosto.
É razoável supor que a opção pelo gasto desde o primeiro dia de governo é parcialmente responsável por manter os juros reais em níveis tão elevados, e por tanto tempo, como ocorre neste mandato de Lula. O cumprimento de metas fiscais que não impedem essa trajetória de alto risco da dívida pública não resolve o problema de fundo.
A segunda questão - algo, na verdade, iniciado nos anos finais de Bolsonaro, mas que vem se tornando mais intenso - é a tendência a simplesmente retocar as regras para que elas possam ser cumpridas em momentos em que, sem a mudança, medidas drásticas (especialmente corte de gastos) iriam efetivamente ser inevitáveis.
Um bom exemplo é a já sancionada emenda constitucional 136, que retirou todos os precatórios (mais de R$ 100 bilhões anuais) da regra de despesa do arcabouço fiscal. Além disso, apenas 10% dos precatórios a serem pagos no ano serão contabilizados na meta de primário de 2027 (e 20% em 2028, e assim por diante, até chegar a 100% ao longo de dez anos).
A evolução da dívida pública, infelizmente, ignora essas manobras contábeis. Enquanto a liquidez internacional permanecer abundante, o cumprimento das metas fiscais dará a aparência de que o governo está entregando aquilo que é necessário para que o País usufrua de estabilidade macroeconômica. Mas se as pesadas nuvens no cenário internacional virarem tempestade, a história pode mudar.
Monitor Digital - RJ 22/10/2025
As empresas nos EUA terão ao menos US$ 1,2 trilhão a mais em despesas em 2025 do que o previsto em 1º de janeiro. Boa parte deste fardo trilionário decorre das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump aos demais países. Cerca de 2/3 desses custos, equivalente a mais de US$ 900 bilhões, serão repassados aos consumidores.
As informações constam do estudo “Matemática de margem – Uma despesa de US$ 1,2 trilhão se propaga pelas cadeias de suprimentos em 2025”, de Drew Bowers e Daniel J. Sandberg, da S&P. A análise agrega previsões de mais de 15 mil analistas de aproximadamente 9 mil empresas de capital aberto, representando US$ 111 trilhões dos US$ 130 trilhões do mercado global de ações.
“Desde 1º de janeiro de 2025, as previsões de receita consensuais para o ano fiscal de 2025 aumentaram em US$ 600 bilhões, enquanto as expectativas de lucro caíram em US$ 300 bilhões, criando uma ‘cunha’ de US$ 907 bilhões. A divergência implica que as empresas estão abrindo mão da margem de lucro para compensar o aumento dos custos, com parte do ônus repassado aos clientes”, analisam Bowers e Sandberg.
Ao estender a análise para além das empresas cobertas pelos analistas, o valor chega a US$ 1,2 trilhão em 2025. “Como as empresas sem cobertura de analistas tendem a ser menores e menos diversificadas, o valor de US$ 1,2 trilhão deve ser visto como um piso, não um teto”, adverte o estudo.
Aproximadamente dois terços do ônus dos custos incrementais estão sendo repassados aos consumidores por meio de preços mais altos, enquanto um terço é absorvido internamente por meio de lucros menores. “Com a produção real em declínio, os consumidores estão pagando mais por menos, sugerindo que essa parcela de dois terços representa um limite inferior para seu verdadeiro ônus.”
“As fontes dessa redução de trilhões de dólares são amplas. Tarifas e barreiras comerciais atuam como impostos sobre as cadeias de suprimentos e desviam dinheiro para os governos”, explicam os analistas da S&P. Eles citam também atrasos logísticos e custos de frete; inflação salarial; preços da energia; e aumento dos gastos de capital, particularmente em infraestrutura de IA.
Os aumentos de preços estão afetando o orçamento dos consumidores estadunidenses. Sete em cada dez (74%) afirma que seus custos mensais aumentaram em ao menos, US$ 100, de acordo com uma pesquisa exclusiva realizada pela Harris para o jornal britânico The Guardian, publicada quinta-feira (16).
“Os aumentos foram relatados em todo o espectro político, com democratas e republicanos, além de independentes, confirmando aumentos de preços”, diz a publicação britânica.
A inflação foi classificada como o maior risco para a economia dos EUA quando os entrevistados foram convidados a escolher uma questão de uma lista de ameaças, incluindo imigração, democracia e tarifas – preocupação que veio em segundo lugar para o estadunidense, mas é o maior problema para democratas (31%); entre republicanos, apenas 13% veem nas tarifas o maior risco para a economia dos Estados Unidos.
Infomoney - SP 22/10/2025
Os dados da balança comercial da Argentina em setembro mostraram que a China passou o Brasil como principal parceiro comercial, algo que segundo especialistas não acontecia desde novembro de 2022. Especialistas disseram que isso ocorreu pela liberação momentânea das chamadas “retenciones” do agronegócio pelo governo, o que elevou as vendas especialmente de soja para o mercado chinês.
Os números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec) mostraram que o país vizinho exportou para o parceiro asiático o equivalente a US$ 1,293 bilhão (15,9% do total), ante US$ 1,170 bilhão (14,4% do total) para o Brasil. E os argentinos compraram US$ 1,816 bilhão de produtos chineses (25,2% das importações), ante US$ 1,722 bilhão (23,9%) do Brasil.
A corrente de comércio, portanto, foi de US$ 3,10 bilhões com a China e de US$ 2,892 bilhões com o Brasil.
A prova do aproveitamento da janela de vendas agrícolas foi que as exportações argentinas para a China subiram 201,7% em setembro ante o mesmo mês do ano passado. Na mesma comparação, as exportações para o Brasil caíram 11,1%.
Fonte: Indec
As vendas para o Brasil no mês caíram US$ 146 milhões devido principalmente às menores exportações de manufaturados industriais. Lideraram essa conta produtos como veículos de carga, trigo e centeio e carros de passeio.
Enquanto isso, os argentino comprara 12,5% a mais em produtos brasileiros na comparação de setembro de 2025 com o mesmo mês do ano passado. Os produtos que mais se destacaram foram carros de passeio, tratores e semirreboques e veículos de carga.
Valor - SP 22/10/2025
A maior fonte de faturamento foi o minério de ferro, que movimentou R$ 39,8 bilhões no período, alta de 27% em relação ao terceiro trimestre do ano passado
O setor mineral encerrou o terceiro trimestre com faturamento de R$ 76,2 bilhões, o que representou um aumento de 34% em relação ao mesmo intervalo de 2024. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
A maior fonte de faturamento foi o minério de ferro, que movimentou R$ 39,8 bilhões, alta de 27% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. O faturamento com ouro, por sua vez, cresceu 58%, para R$ 9,6 bilhões. E a receita com cobre avançou 85% no período, para R$ 7,3 bilhões.
Em relação aos Estados, Minas Gerais liderou em faturamento, com R$ 30 bilhões registrados, seguido pelo Pará (R$ 26,5 bilhões) e Goiás (R$ 3,4 bilhões).
A arrecadação total de impostos e tributos aumentou 34,4%, para R$ 26,3 bilhões. A arrecadação de Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) ficou estável em R$ 2 bilhões.
Julio Nery, diretor de assuntos minerários do Ibram, disse que o período seco favoreceu o aumento da produção, especialmente das minas de ferro a céu aberto. “O preço do ouro também influenciou bastante no aumento do faturamento”, afirmou Nery.
Simandou
Questionado sobre o início da exportação de minério de ferro do projeto Simandou, na Guiné, pela Rio Tinto, Nery disse que a operação terá impacto pequeno na mineração brasileira neste ano, devendo ter uma influência mais forte no fim de 2026 ou começo de 2027, quando o projeto chegar à capacidade operacional plena.
“Hoje, o porto na Guiné não está concluído e a carga de minério precisa viajar em navios menores, perdendo eficiência”, observou Nery.
Simandou tem reservas estimadas em cerca de 4 bilhões de toneladas de minério com teor médio de 65% de ferro. O primeiro embarque está previsto para novembro, com destino à China. A Rio Tinto informou, recentemente, que já estocou 2 milhões de toneladas de ferro para embarques.
Simandou é dividido em dois grupos. De um lado, operam a Rio Tinto e a estatal chinesa Chalco. Do outro lado, o consórcio Winning Consortium Simandou (WCS), formado por investidores da China e de Cingapura.
A expectativa é que o projeto atinja produção anual de 120 milhões de toneladas até 2028.
Balança comercial
As exportações brasileiras de minerais somaram 121 milhões de toneladas de produtos no terceiro trimestre, aumento de 6,2% na comparação com o terceiro trimestre de 2024. Em valor, houve aumento de 9%, para US$ 12,2 bilhões.
As exportações de minério de ferro aumentaram 6,5% no período, para 117,5 milhões de toneladas. Em valor, houve retração de 0,8%, para US$ 7,7 bilhões.
As importações minerais, por sua vez, aumentaram 3,3%, para US$ 2,5 bilhões. Em volume, houve queda de 4,2%, para 11 milhões de toneladas.
Com isso, o saldo da balança comercial mineral somou US$ 9,64 bilhões, 10,5% acima do valor registrado no terceiro trimestre de 2024.
Segundo o Ibram, a China foi o principal destino das exportações minerais brasileiras, recebendo 69,3% do volume embarcado pelo Brasil. Já as importações minerais foram provenientes, principalmente, dos Estados Unidos (20,8%), Rússia (19,3%), Canadá (14,3%) e Austrália (11,4%).
Nery disse que o resultado do setor foi favorecido por um aumento na produção estimulado pela melhora nos preços de algumas commodities, principalmente do ouro, que valorizou 39,5% no terceiro trimestre, comparado com o mesmo período de 2024. O preço médio do minério de ferro teve incremento de 1,2% no mesmo intervalo. O cobre, teve avanço de 6,4% e o alumínio, de 9,8%.
Investimentos
A estimativa de investimentos para o setor é de US$ 68,4 bilhões de 2025 a 2029, ante US$ 64,5 bilhões no período de 2024 a 2028, aumento de 6,6%.
Projetos de extração de ouro têm aumento de 39,3%, para US$ 2,1 bilhões. Projetos de terras raras somam US$ 2,2 bilhões, com crescimento de 49%. Os projetos na área de extração de minério de ferro somam US$ 19,6 bilhões, com avanço de 13,4%.
O Ibram destacou os investimentos voltados para projetos de minerais críticos, que somam US$ 18,45 bilhões até 2029.
Fernando Azevedo, vice-presidente do Ibram, disse que as terras raras constituem um ativo geopolítico que o Brasil possui. E que a expectativa de aumento da demanda por essas commodities para projetos de transição energética, tecnologia e defesa, tornam os investimentos na área mais atrativos.
De acordo com dados da Agência Internacional de Energia (IEA), até 2040, a demanda por cobre, lítio, níquel, cobalto, grafita e terras raras deve aumentar mais de 80%.
“Minerais críticos são estratégicos para segurança alimentar, produção de semicondutores e chips, são fundamentais para a defesa e a soberania. Estamos falando de radares, aviões, uma multiplicidade de usos. A demanda, em alguns casos, chegará a crescer até seis vezes nas próximas décadas”, observou Raul Jungmann, diretor-presidente do Ibram.
Infomoney - SP 22/10/2025
A Vale (VALE3) divulgou seu relatório de produção e vendas do terceiro trimestre de 2025 na noite desta terça-feira (21). A mineradora apresentou maior produção de minério de ferro desde 2018 e afirmou que teve melhor realização de preços, em razão de estratégia de portfólio de produtos. A companhia disse que está no caminho para atingir a faixa superior da meta para o ano em seus três principais negócio.
A produção de minério de ferro ficou em 94,4 milhões de toneladas (Mt), com alta de 3,4 Mt maior na comparação anual. O dado foi impulsionado por novo recorte trimestral do S11D e pelo avanço de ramp-up dos principais projetos da Vale.
As vendas ficaram 86 Mt, com crescimento de 5% com a melhora de realização de preços, segundo a Vale. A melhor dinâmica de preços foi possível por prêmios mais elevados de finos de minério de ferro (em US$ 1,8/toneladas). A produção de pelotas teve queda de 23% na comparação anual, em 8 Mt.
Já a produção de cobre apresentou crescimento anual em Salobo e teve alta de 6% no período, também ajudada por maiores volumes de concentrado provenientes de Voisey’s Bay e Sudbury.
Entre os destaques, a mineradora também cita o início da operação do 2º forno, que adicionará 15ktpa à capacidade produtiva.
Sistema Norte e Sudeste com maior produção
O Sistema Norte teve queda de produção compensada, com perda em Serra Norte, que era esperada (1,5 Mt menor a/a), compensada pela produção da S11D. A mina chegou a sua maior produção para um terceiro trimestre, em 23,6 Mt, suportado por melhorias contínuas de desempenho e na confiabilidade dos ativos.
“Esse aumento compensou a produção menor, porém esperada, em Serra Norte (1,5 Mt menor a/a), ainda impactada pela disponibilidade de run-of-mine, que foi parcialmente compensada pelos efeitos positivos do ajuste no portfólio de produtos no plano de lavra”, afirma o relatório da mineradora.
No Sistema Sudeste, o aumento de produção, de 1,1 Mt na comparação anual, constatado se deu tanto por avanços tanto na Mina de Brucutu quanto no projeto Capanema. No caso de Brucutu, o crescimento aconteceu a partir da quarta linha de processamento e pelo ramp-up do projeto do Capanema.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 22/10/2025
O Sistema Minas-Rio, empreendimento de minério de ferro premium da Anglo American no Brasil, conta desde o início de setembro com o Centro de Operações Remotas (COR).
Segundo a empresa, o novo espaço foi concebido para centralizar a operação e o monitoramento de equipamentos de mina.
Inicialmente, o COR comandará, de forma remota, a operação de tratores de esteira teleoperados e perfuratrizes autônomas, com planos para incorporar outros equipamentos no futuro.
“Resultado de um investimento de cerca de R$ 7 milhões da companhia, o centro de alta tecnologia representa um passo significativo na jornada de transformação digital da Anglo American, em busca de oferecer mais segurança ao ambiente operacional, impulsionar a inovação por meio da automação, e promover a integração em um único local para garantir sinergia entre as equipes”, comenta.
A mudança também promove uma significativa capacitação profissional, favorecendo novas competências para a operação remota.
Além disso, o COR abre portas para a inclusão, criando oportunidades para que pessoas com mobilidade reduzida possam desempenhar funções que antes exigiam deslocamento a locais de difícil acesso.
“O COR representa um avanço no programa Mina Moderna, iniciativa da Anglo American que busca aumentar performance, produtividade e segurança nas operações, utilizando tecnologias de ponta para tornar a mineração mais eficiente, segura e sustentável”, detalha Aurélio Garcia, gerente executivo de operações de mina.
O Estado de S.Paulo - SP 22/10/2025
A disputa global entre as montadoras de veículos em 2025 anda bastante acirrada. A chinesa BYD superou a Hyundai no 1º semestre do ano, e aparece na 4ª posição entre as maiores fabricantes do mundo, consolidando o seu avanço internacional.
Conforme dados da Jato Dynamics, publicados pelo analista Felipe Munoz, a BYD chegou a 2 milhões de carros vendidos no mundo no período. Ao todo, mais de 45 milhões de automóveis foram comercializados globalmente de janeiro a junho, o que representa um crescimento de 3,8% em relação ao 1º semestre de 2024.
A Toyota permanece líder isolada, com 4,73 milhões de modelos, o que representa cerca de 10% dos carros novos. A gigante japonesa cresceu 6% sobre o mesmo período no ano anterior. Na sequência, Volkswagen e Ford mantêm suas posições conquistadas em 2024, enquanto a BYD desponta como a novidade no ranking, deixando para trás Hyundai, Honda, Nissan, Suzuki, Kia e Chevrolet.
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Brasil se torna estratégico para expansão da BYD
O desempenho da fabricante chinesa é impulsionado pelas vendas na Ásia, América Latina e Europa — e soma o desempenho em mercados como Tailândia, Brasil, México, Reino Unido e Itália. No Brasil, a BYD vendeu mais de 150 mil veículos até agosto. Mas esse crescimento acelerado da marca não é uma novidade, afinal, ainda em 2023, a BYD superou Ford e Hyundai.
Os números da Jato Dynamics não incluem marcas coligadas, mas estabelecem a BYD como a única chinesa entre as dez mais vendidas no planeta. A Geely, também chinesa e dona da Volvo, também aparece em destaque com quase 1 milhão de automóveis vendidos no 1º semestre de 2025. A montadora, aliás, acabou de regressar ao Brasil e vai lançar aqui em novembro o EX2, um dos carros elétricos mais vendidos da China neste ano.
Entre as perdas mais relevantes, a Nissan registrou queda de 7% no volume de vendas, encerrando o semestre com 1,62 milhão de veículos comercializados — reflexo de dificuldades financeiras e perda de competitividade em mercados estratégicos. A japonesa, aliás, está atrás da conterrânea Suzuki.
A Honda também perdeu volume, com retração de 7% puxada sobretudo pela baixa atratividade na oferta de eletrificados no mercado chinês. Marcas tradicionais alemãs, como Audi e Mercedes-Benz, também recuaram diante da menor procura na China, maior mercado do mundo na atualidade.
Em resumo, essa movimentação do mercado automotivo global confirma a rapidez com que as marcas chinesas estão se firmando no topo da indústria. Uma quebra de antigos paradigmas que consolida a China como novo protagonista do setor.
Exame - SP 22/10/2025
As ações da montadora americana General Motors (GM) dispararam nesta terça-feira, 21, após a companhia divulgar resultados do terceiro trimestre acima das expectativas de Wall Street e elevar sua projeção de lucro anual.
Às 9h05 (horário de Brasília), os papéis subiam 10,13% no pré-mercado de Nova York, cotados a US$ 63,9. No ano, as ações acumulavam alta de cerca de 9% até o fechamento de segunda-feira.
A GM agora projeta lucro ajustado antes de juros e impostos (EBIT) entre US$ 12 bilhões e US$ 13 bilhões em 2025, acima da faixa anterior de US$ 10 bilhões a US$ 12,5 bilhões.
O otimismo vem do desempenho acima do esperado nas vendas de picapes e SUVs e do alívio recente com tarifas sobre autopeças.
Na carta aos acionistas, a CEO Mary Barra agradeceu ao presidente Donald Trump pela extensão até 2030 de um desconto tarifário para montadoras que produzem e vendem carros nos Estados Unidos. “A GM está muito bem posicionada enquanto investimos para ampliar nossa já significativa base doméstica de produção”, disse Barra.
Lucro acima do esperado
No terceiro trimestre, a GM registrou lucro ajustado de US$ 2,80 por ação, acima da estimativa média de analistas de US$ 2,31 por ação e da receita de US$ 48,59 bilhões, também superando o consenso de US$ 45,27 bilhões. O resultado reforçou a confiança da montadora para o último trimestre do ano.
“Graças aos esforços coletivos da nossa equipe e ao nosso portfólio de veículos atraente, a GM entregou mais um trimestre muito bom de lucros e fluxo de caixa livre. Com base no nosso desempenho, estamos elevando nossa projeção para o ano, reforçando nossa confiança na trajetória da empresa”, afirmou Mary Barra na carta aos acionistas.
O lucro líquido atribuível aos acionistas foi de US$ 1,3 bilhão, uma queda de 57% em relação aos cerca de US$ 3,1 bilhões registrados no mesmo período de 2024. A margem líquida recuou de 6,3% para 2,7%, refletindo pressões sobre custos e margens, independentemente do encargo extraordinário.
Os números ajustados, no entanto, excluem um encargo especial de US$ 1,6 bilhão, divulgado na semana passada, relacionado à redução dos investimentos em veículos elétricos.
Exame - SP 22/10/2025
O governo do estado de São Paulo prorrogou nesta terça-feira, 21, a consulta pública do projeto de Parceria Público-Privada (PPP) para construção de 6.575 novas moradias no centro da capital paulista. A informação foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta manhã.
A consulta foi aberta em 22 de setembro e seria encerrada no dia 23 de outubro. Agora, as contribuições poderão ser encaminhadas até o dia 7 de novembro.
A gestão paulista afirma que a mudança não altera o cronograma no projeto. A expectativa da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) é que o edital seja publicado em breve e o leilão ocorra ainda neste ano.
As audiências públicas sobre o projeto ocorrem nesta terça-feira (21/10) e quarta-feira (22/10) de forma presencial e online, respectivamente. A sessão do dia 21 será no Auditório do Departamento de Estrada e Rodagem (DER), às 10 horas. No dia 22, a audiência ocorrerá virtualmente, às 15 horas, com transmissão pelo canal oficial do Governo de São Paulo no YouTube.
Serão dois lotes nas regiões da Sé, República e Santa Cecília, com investimento estimado em R$ 2,5 bilhões -- o aporte público será de R$ 900 milhões. A concessão será de 20 anos. O lote 1 será de 3.499 unidades, e o lote 2, de 3.076 unidades.
A proposta prevê a construção de unidades de Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação de Mercado Popular (HMP), combinadas à execução de obras de infraestrutura, instalação de equipamentos públicos e fomento de atividades econômicas e sociais, além da prestação de serviços sociais.
A restauração do histórico Quartel Tabatinguera, considerado patrimônio cultural da cidade, está entre as melhorias da concessão.
Revitalização do centro de SP
A proposta está relacionada à mudança da sede do governo estadual para o centro da cidade. A ideia da gestão é desenvolver a região com uso misto, com comércio, empresas e moradias, além da reduzir o déficit habitacional.
Hoje, o centro é considerado degradado pela população e especialistas, e rotineiramente associado à violência e ao consumo de drogas. O novo prédio ficará na área que engloba a Cracolândia, nos arredores da Praça Princesa Isabel e da Estação Júlio Prestes.
A nova sede vai concentrar secretarias e órgãos estaduais em um único espaço. Hoje, o governo paulista conta com mais de 22 mil funcionários distribuídos em 60 prédios em diferentes áreas da capital.
O projeto também será feito por meio de uma concessão prevista para ir a leilão até o fim deste ano.
Money Times - SP 22/10/2025
As ações das construtoras Trisul (TRIS3) e Lavvi (LAVV3) registravam queda nesta terça-feira (21) na Bolsa. Por volta das 13h (horário de Brasília), os papéis caíam 2,6% e 1,2%, respectivamente.
O movimento ocorre um dia após as empresas divulgarem suas prévias operacionais do terceiro trimestre (3T25).
No caso da Lavvi, as vendas líquidas somaram R$ 495 milhões entre julho e setembro, queda de 31% em relação ao mesmo período do ano passado. A velocidade de vendas (VSO) também caiu para 16%, ante 28% no 3T24.
Apesar do recuo, a equipe do BTG Pactual considerou o resultado como “satisfatório”, com as vendas 30% acima das projeções do banco.
O banco manteve a recomendação de compra para as ações, destacando o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) acima da média e o potencial de crescimento no segmento de baixa renda.
Lançamentos
No trimestre, a companhia lançou dois projetos dentro do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), totalizando R$ 401 milhões em valor geral de vendas (VGV) — 38% inferior ao ano anterior e 17% abaixo da estimativa do BTG. São eles:
Geração de caixa
Apesar dos números menores nos lançamentos, a companhia reportou uma geração de caixa de R$ 6 milhões no 3T25, bem acima da expectativa de consumo de R$ 90 milhões do BTG.
A casa, inclusive, ressalta que a Lavvi desembolsou R$ 70 milhões na aquisição de um terreno de alto padrão, mas manteve caixa positivo e encerrou o trimestre com um banco de terrenos de R$ 5,3 bilhões.
Trisul
Para a Trisul, o BTG classificou a prévia do 3T25 como “mista”, com lançamentos fortes, mas vendas fracas.
A instituição também manteve recomendação de compra para as ações, ressaltando que planeja atualizar em breve as estimativas, considerando um cenário mais desafiador para o segmento de média e alta renda.
A receita líquida da companhia foi de R$ 435 milhões, alta de 33% na comparação anual, mas 23% abaixo das projeções do BTG. A VSO caiu para 13%, contra 17% em 2024.
Entre julho e setembro, a Trisul lançou três projetos, totalizando R$ 1,49 bilhão, 28% acima da projeção do banco.
Entre eles está o Gran Oscar Ibirapuera, empreendimento residencial de alto padrão, que gerou R$ 1,2 bilhão em VGV.
Infomoney - SP 22/10/2025
O Ministério das Cidades solicitou ao Conselho Curador do FGTS a liberação de R$ 160,5 bilhões para o orçamento de 2026, destinados a financiamentos nos setores de habitação, saneamento, mobilidade urbana e infraestrutura.
O valor representa um aumento de cerca de 5% em relação ao montante de R$ 152 bilhões autorizado para 2025, segundo afirmou o ministro Jader Filho ao jornal O Globo.
“Não é só o Minha Casa, Minha Vida. Parte disso é para saneamento, mobilidade e obras de infraestrutura nas cidades”, disse o ministro, destacando a expansão do volume de recursos, que era de R$ 66 bilhões em 2023.
Do total solicitado, R$ 144,5 bilhões deverão ser destinados ao setor habitacional, principalmente ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV) — um crescimento de 1,8% em relação a 2025.
A demanda por crédito imobiliário tem sido tão elevada que, em 2024, o governo precisou remanejar R$ 10 bilhões adicionais para o programa após o esgotamento das verbas previstas.
O fortalecimento da política habitacional é uma das apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para estimular a economia e recuperar apoio da classe média e de baixa renda.
Novas faixas do MCMV
O pedido de ampliação de recursos ocorre no mesmo momento em que o governo lançou o Programa Reforma Casa Brasil, voltado à melhoria de moradias já existentes.
A iniciativa prevê R$ 40 bilhões em crédito habitacional — R$ 30 bilhões do Fundo Social e R$ 10 bilhões do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) — com juros reduzidos e suporte técnico gratuito para execução das obras.
O programa é voltado a famílias com renda de até R$ 9.600 e permitirá empréstimos de até R$ 30 mil. A meta é atingir 1,5 milhão de famílias até 2026, com operações iniciando em novembro.
Além disso, o governo criou a Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, voltada a famílias com renda entre R$ 8.600 e R$ 12 mil, ampliando o alcance da política habitacional.
Crédito imobiliário
O governo também anunciou um novo modelo de crédito com recursos da poupança (SBPE), com potencial de injeção de R$ 50 bilhões adicionais no mercado imobiliário em um ano.
O teto dos imóveis financiados pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) foi atualizado, e 80% dos novos contratos com recursos do SBPE deverão se enquadrar no SFH, que tem juros limitados a 12% ao ano.
Portal Fator Brasil - RJ 22/10/2025
Com o aquecimento da produção de etanol de milho no estado e o surgimento de novos investimentos no setor, a Rumo se consolida como a principal solução logística para o escoamento dessa produção, com eficiência, segurança e competitividade.
A Rumo vem consolidando sua presença em Mato Grosso como principal solução logística integrada e de apoio às atividades do agronegócio, com destaque para o transporte ferroviário de etanol de milho, um produto do setor industrial em acelerada expansão no estado nos últimos anos. A companhia tem ampliado parcerias estratégicas, como, por exemplo, um contrato firmado em janeiro deste ano com a indústria FS Energia, em que foram adquiridas duas composições ferroviárias, com 80 vagões e três locomotivas cada uma. O material rodante será destinado, exclusivamente, para o escoamento do biocombustível produzido pelas unidades da indústria em Mato Grosso.
Além de garantir um modal mais seguro e eficiente, a iniciativa fortalece a competitividade da produção local, ao mesmo tempo em que promove menor emissão de carbono. Atualmente, o etanol transportado a partir dos terminais de Rondonópolis segue até Paulínia (SP), abastecendo polos consumidores de São Paulo, Rio de Janeiro e outras regiões do Sudeste.
Nos últimos anos, o transporte de combustíveis registrou uma expansão significativa de escoamento a partir de Mato Grosso. Pela ferrovia, biocombustíveis como etanol e biodiesel saem de Mato Grosso em direção a São Paulo, enquanto diesel e gasolina fazem o trajeto inverso, de São Paulo para abastecer consumidores em Mato Grosso.
Os volumes relacionados à saída de biocombustíveis de Mato Grosso revelam um crescimento expressivo ao longo dos últimos seis anos. No início, em 2019, foram embarcados 188 mil metros cúbicos de etanol ou biodiesel em vagões-tanque. Desde então, o volume aumentou de maneira contínua, atingindo 2,161 milhões metros cúbicos em 2024. Em comparativo, desde o início da série histórica (2019) até o dado mais recente (2024), o aumento é de mais de 1.000% no volume transportado de biocombustíveis.
O salto mais significativo ocorreu a partir de 2020, quando os embarques quase triplicaram. O crescimento anual destaca Mato Grosso como um polo de produção e distribuição de biocombustíveis para o país.
—Esse fluxo é estratégico para a competitividade do estado: garante a chegada de combustíveis necessários à produção agrícola e, ao mesmo tempo, coloca o etanol mato-grossense no mercado consumidor mais relevante do país. Isso faz Mato Grosso ser peça-chave na sustentabilidade e na migração da matriz energética do Brasil— afirma Igor Figueiredo, diretor comercial da Rumo.
Quando se fala no percurso oposto, em que os combustíveis chegam da região Sudeste para Mato Grosso, há um crescimento moderado, embora muito significativo, nos últimos seis anos. Na comparação entre 2019 e 2024, houve um aumento de 42% no volume transportado de gasolina e diesel vindos de refinarias de São Paulo para o Centro-Oeste.
De 2020 a 2024, o volume total de combustíveis transportados pela Rumo, em todo o país, cresceu. Passou de 2,77 milhões para 4,56 milhões de metros cúbicos, um aumento de 65% em quatro anos.
Fertilizantes: crescimento contínuo e diversificação de produtos — Com uma nova safra de soja em andamento, o uso de fertilizantes é fundamental nas propriedades rurais. Neste sentido, a ferrovia contribui de forma essencial com o transporte dos principais insumos importados que chegam ao Porto de Santos, tendo como destino final as lavouras mato-grossenses, como, por exemplo, nitrogenados (ureia e sulfato de amônio), fosfatados (MAP e NP) e potássicos (KCL).
De acordo com a Rumo, o transporte ferroviário de fertilizantes para o Centro-Oeste (Mato Grosso e Goiás) registrou crescimento ano após ano desde o início das operações da empresa. Entre 2019 e 2024, o volume passou de 1,73 milhão de toneladas para 3,43 milhões de toneladas, ou seja, quase o dobro em cinco anos.
Somente para Mato Grosso, estado que é o principal consumidor desses insumos no país, a Rumo contribui com o transporte de 2,9 milhões de toneladas de fertilizantes. Na comparação entre 2019 e 2024, o aumento acumulado é de quase 70%.
Expansão da ferrovia e impacto regional no agro — Com o avanço da malha ferroviária para municípios localizados no médio-norte mato-grossense, região que concentra o maior volume da produção de grãos do país, a Rumo amplia ainda mais sua relevância para a economia mato-grossense. A chegada dos trilhos será indutora do crescimento agrícola, possibilitando tanto o escoamento mais eficiente da produção quanto a interiorização de insumos fundamentais à atividade rural.
A expansão também permitirá organizar e potencializar o transporte de etanol, o que fortalece a industrialização local e amplia a conexão de Mato Grosso com os mercados consumidores.
— A evolução constante no transporte via trilhos dos produtos para o agro, seja combustível ou fertilizante, confirma que a ferrovia é uma grande aliada para uma infraestrutura logística segura, eficiente, e contribui muito para o desenvolvimento sustentável do agro mato-grossense — conclui Igor Figueiredo, diretor comercial da Rumo.
Revista Ferroviaria - RJ 22/10/2025
O governo de São Paulo deu mais um passo para a implantação do Trem Intercidades (TIC), que vai ligar Campinas à capital paulista. Uma resolução publicada no Diário Oficial do Estado nesta segunda-feira (20) declara de utilidade pública 23 áreas localizadas nos municípios de Jundiaí, Louveira, Vinhedo, Valinhos e Campinas.
As desapropriações, que somam 77 mil metros quadrados, serão realizadas pela concessionária TIC Trens S.A., responsável pela execução do projeto e, segundo o documento, podem acontecer de “forma amigável ou judicial”. As áreas serão utilizadas para a construção da Via Permanente do Trecho 3 – Lote 1 do empreendimento ferroviário.
A resolução, assinada pelo secretário de Parcerias em Investimentos, também autoriza a concessionária a recorrer ao caráter de urgência nos processos judiciais de desapropriação, o que acelera o acesso aos terrenos necessários para o início das obras.
Em nota, a TIC Trens não detalhou a previsão da execução das desapropriações. De acordo com a concessionária, essa etapa segue um cronograma que está “em processo de análise e aprovação, apresentado ao Auditor Independente e Poder Concedente no prazo previsto no Contrato de Concessão”.
A emissão da Declaração de Utilidade Pública (DUP) publicada nesta segunda-feira (20) integra o procedimento regular para liberação das áreas necessárias à implantação do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte – São Paulo/Campinas. Essa etapa reforça o compromisso do Governo de São Paulo com o avanço seguro e planejado do projeto, dentro dos prazos previstos e sob total conformidade legal.
Segundo a Secretaria de Parcerias e Investimento, a medida permite o prosseguimento dos estudos executivos e a adoção das providências administrativas pela concessionária responsável, sem implicar remoções imediatas.
Em entrevista ao g1 em maio deste ano, o diretor-presidente da TIC Trens, Pedro Moro, afirmou que o projeto está em fase de “pré-construção” e apontou as desapropriações como um dos principais desafios da implantação.
O início das obras do trilho está previsto para o primeiro semestre de 2026, já o início da operação do TIC está previsto para 2031.
Saiba mais sobre o projeto
O Trem Intercidades São Paulo-Campinas é considerado uma das principais obras de mobilidade do estado e prevê viagens com duração estimada de 64 minutos entre as duas cidades, e velocidade de até 140 km/h.
Além do serviço expresso do Trem Intercidades, que ligará a Estação Água Branca ao Pátio Ferroviário de Campinas, será implantado o Trem Intermetropolitano, com paradas em Louveira (SP), Vinhedo (SP) e Valinhos (SP).
O mesmo contrato de concessão ainda prevê a implantação da linha 7-Rubi, que liga a Barra Funda, em São Paulo, a Jundiaí. O investimento total do projeto é de R$ 14 bilhões.
Veja - SP 22/10/2025
Sob administração da Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), o porto do litoral norte paulista vive uma nova fase de retomada e expansão. A estatal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), conduz uma série de projetos para modernizar o terminal, atrair novos investimentos e recuperar cargas históricas.
Nesta terça-feira, 21, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, visitou o porto para acompanhar os preparativos para o arrendamento do terminal SSB01, processo conduzido pelo governo federal em parceria com o Estado de São Paulo. Previsto para março de 2026, o arrendamento deve ampliar em 187% a capacidade de movimentação do porto.
Segundo dados do governo federal, o projeto prevê 2,5 bilhões de reais em investimentos privados e a geração de cerca de 5 mil empregos durante as obras, além de 1,3 mil postos permanentes. A nova área operacional ocupará 426 mil metros quadrados e incluirá um píer com dois berços de atracação.
Após as obras, o porto poderá movimentar até 4,3 milhões de toneladas por ano, quatro vezes o volume atual, e operar até 1,3 milhão de contêineres anuais. Há, ainda, estudos de uma nova modelagem no projeto de arrendamento com a possibilidade de manter um dos berços públicos. A expectativa é que o processo de licitação seja aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) ainda neste ano.
Valor - SP 22/10/2025
Segundo ministro, meta do governo é realizar novas disputas para os canais de acesso, incluindo os de Santos, Itajaí e Bahia
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou que o modelo do leilão do canal de acesso ao porto de Paranaguá, que será realizado nesta quarta-feira (22), na B3, em São Paulo, será replicado em outros portos do país, incluindo Santos, Itajaí e Bahia. Segundo ele, a meta do governo é realizar os leilões dos três novos canais, que já estão sendo estruturados, entre abril e julho de 2026, com previsão de investimentos superiores a R$ 8 bilhões.
“Isso dialoga com o planejamento estratégico do setor portuário brasileiro. Independentemente do governo, do ministro ou do presidente da autoridade portuária, essas concessões dão previsibilidade ao setor produtivo”, disse o ministro em entrevista ao Valor.
Costa Filho explicou que a contratação de um agente privado para operação do canal, a exemplo dessa concessão, garante a realização e manutenção da dragagem - processo de retirar areia, lama e sedimentos do fundo de rios, canais e portos para manter a profundidade necessária à passagem de navios. Com isso, ressalta, há garantias de que não haverá descontinuidade nas operações portuárias para os agentes.
“Gera mais eficiência, permite melhor planejamento e dá mais conforto às empresas que desejam ampliar as operações nos portos. Além disso, proporciona segurança jurídica e operacional para quem quer empreender a médio e longo prazo no setor portuário brasileiro”, afirmou.
Para o ministro, o grande ganho é a possibilidade de expansão das operações de navegação.
A disputa desta quarta é o primeiro projeto de concessão de um canal de acesso no Brasil, o que, segundo Costa Filho, é um marco para o setor portuário. Ele estima que o leilão deve movimentar mais de R$ 1 bilhão em investimentos e permitir a operação de embarcações maiores no porto, aumentando a produtividade portuária no Estado e no país. "As expectativas são muito positivas.”
Além da concessão do canal de acesso aquaviário aos portos de Paranaguá e Antonina, no Paraná, serão ofertados arrendamentos de um terminal de apoio logístico offshore no porto do Rio de Janeiro e de um terminal marítimo de passageiros no porto de Maceió, em Alagoas.
No radar do governo federal para este ano há ainda outra concessão relevante para o setor: do megaterminal de contêineres do porto de Santos, o Tecon Santos 10, que tem sido alvo de intensa disputa e discussões no segmento portuário.
A diretoria da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) propôs realizar o certame em duas etapas, com restrições para empresas que já operam na região participarem apenas na segunda fase, caso não haja interessados na primeira. No entanto, há divergências sobre o modelo proposto, o que levou, inclusive, a judicialização do tema.
Apesar do impasse, Costa Filho mantém a previsão do governo de realizar a oferta ainda em 2025, entre 15 e 30 de dezembro. O processo depende da decisão final do Tribunal de Contas da União (TCU), atualmente sob relatoria do ministro Antonio Anastasia.
Não é o momento de onerar custos para a população brasileira”
— Silvio Costa Filho
“Será o maior leilão do setor portuário brasileiro, no qual vamos dobrar a capacidade de operações do porto de Santos, que é muito importante para o desenvolvimento da agenda portuária do país. Nos manifestamos nesses últimos 15 dias e agora aguardamos a decisão do TCU. Estaremos alinhados à posição da corte, pois queremos que o processo seja o mais transparente possível e construído de maneira coletiva”, disse o ministro.
O cronograma previsto pelo ministro considera uma decisão final do TCU até meados de novembro, o que permitiria cumprir os prazos para publicação do edital antes da rodada.
Outro tema relacionado à pasta comandada por Silvio Costa Filho também tem gerado repercussões em Brasília: a eventual cobrança de bagagem de mão por companhias aéreas. A Câmara dos Deputados aprovou na noite de ontem (21) um requerimento de urgência de um projeto de lei que assegura aos passageiros o direito de transportar uma mala de mão e um item pessoal, como bolsa e mochila, sem custos adicionais em voos. Com isso, o texto pode ir direto à análise do plenário.
A medida é uma reação após empresas do setor anunciarem novas modalidades de tarifas que não incluem o transporte gratuito de uma mala, sob argumento de que seria uma saída para competição com grupos internacionais.
“Acho que, nesse momento, não cabe às companhias aéreas aumentarem qualquer tipo de custo para o passageiro, para o público final. Eu já me manifestei apoiando essa posição do Congresso Nacional de discutir o tema para que a gente, efetivamente, possa avançar em outra direção”, disse. “Entendemos que não é o momento de onerar custos para a população brasileira.”
Ainda sobre o tema, o ministro afirmou que não vê a questão de cobranças de bagagens como impeditivo para que companhias aéreas low cost operem no Brasil. Segundo ele, a dificuldade para que empresas ampliem ou até mesmo passem a operar no país está atrelada à escassez de aeronaves, o que, segundo ele, se tornou um problema global.
“Hoje a dificuldade da não vinda de low cost para o Brasil e de outras companhias internacionais, mesmo que tenhamos tido um avanço na procura por voos internacionais no Brasil, é por causa da falta de aeronaves”, afirmou, citando que diversas empresas já sinalizaram a intenção de ampliar a operação ou entrar no mercado brasileiro.
Portos e Navios - SP 22/10/2025
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) anunciou, nesta terça-feira (21), que a da área 'SSB01' do Porto de São Sebastião, em São Paulo, será arrendada e que o leilão para a concessão está previsto para março de 2026. O projeto de arrendamento, que terá prazo contratual de 35 anos, destina-se à movimentação e armazenagem de granéis sólidos, cargas gerais e contêineres e prevê investimento de R$ 12 milhões em medidas de compensação ambiental e sociais.
O plano de investimentos contempla a modernização de cerca de 426.000 metros quadrados (m²) de área operacional, a construção de um novo píer de atracação, a ampliação do pátio, um novo sistema para carga e descarga de caminhões e a dragagem de aprofundamento dos canais de acesso. Segundo a pasta, há expectativa de geração de aproximadamente 5.00 empregos durante a construção e mais 1,3 mil postos de trabalho permanentes durante a operação.
O ministro de portos e aeroportos, Silvio Costa Filho, que visitou o porto, disse que o terminal deve crescer após a concessão e que ele tem potencial estratégico para o desenvolvimento do estado de São Paulo, do Brasil e da América do Sul. Já o prefeito de São Sebastião, Reinaldo Alves, classificou o projeto como benéfico para toda a região e lembrou que o porto abastece todo o Vale do Paraíba.
O Estado de S.Paulo - SP 22/10/2025
A licença para perfuração de um poço na Bacia de Foz do Amazonas, dada pelo Ibama à Petrobras às vésperas da COP-30, após 11 longos anos de idas e vindas do processo ambiental, não representa apenas a chance de o País abrir uma nova fronteira exploratória de petróleo. A proximidade da decisão com a Conferência Mundial do Clima, pela primeira vez sediada no Brasil e às portas da Amazônia, no Pará, é a oportunidade de trazer para o mundo real o debate sobre transição energética e como financiá-la.
Longe de significar uma “sabotagem à COP-30” como alegam ambientalistas, que ameaçam judicializar a concessão da licença, a decisão de perfurar em águas profundas na costa do Amapá, na Margem Equatorial, está cercada de cuidados sem precedentes no País – e talvez no mundo. Tanto na segurança preventiva quanto na mitigação de riscos em caso de acidente, as inúmeras exigências ambientais foram acatadas.
A instalação do poço pioneiro será milimetricamente monitorada, como deixou claro o Ibama nas 29 condicionantes anexadas à concessão da licença. E ainda frisou que poderá modificar as medidas de controle, caso considere adequado, ou mesmo suspender ou cancelar a licença se julgar que algum critério foi violado. A inclusão de detalhes inéditos ao já rigoroso processo de licenciamento ambiental não deixa dúvidas sobre a diligência da atividade, distante 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas.
Isso posto, é pertinente deduzir que os protestos contra a exploração da Margem Equatorial não se resumem à preocupação com o ecossistema da Amazônia – este guarnecido por inúmeros cuidados e investimentos em proteção e preservação da fauna e flora –, mas sim à obstrução de toda e qualquer atividade petrolífera. E aí está o cerne da questão: o Brasil pode renunciar às riquezas naturais sem ao menos verificar a sua dimensão? Que país abre mão da chance de impulsionar a economia com a exploração de seus recursos?
A estimativa de que o Estado brasileiro pode arrecadar em torno de R$ 1 trilhão a partir da produção de petróleo na região, caso sejam confirmadas as reservas entre 6 bilhões e 30 bilhões de barris da Margem Equatorial, não pode ser desprezada. Seria um erro brutal desistir de investimentos com potencial de criação de centenas de milhares de empregos e de arrecadação inaudita para as Regiões Norte e Nordeste, historicamente as mais pobres do País.
A transição energética, compromisso assumido mundialmente para conter o avanço do aquecimento global, levará décadas para ser concluída. O mundo, ao contrário do que o radicalismo ambiental faz crer, ainda não pode prescindir do petróleo como fonte de energia e como matéria-prima para produtos tão diversos quanto plásticos, fertilizantes, tintas, cosméticos, medicamentos, detergentes e asfalto. O que a indústria petrolífera mundial busca hoje é diversificar suas fontes de energia e minimizar a emissão de gases na produção e refino de petróleo. Em ambas as frentes, o Brasil se destaca.
No ano passado, as emissões absolutas de gases de efeito estufa das operações da Petrobras foram 40% inferiores ao patamar de 2015, ano em que o Acordo de Paris (COP-21) estabeleceu metas para limitar o aquecimento global. Já ultrapassou, portanto, a meta que era de chegar a 2030 com 30% de emissões a menos. As emissões de metano foram reduzidas em 70% e os campos do pré-sal estão entre os de mais baixa intensidade de emissão de gases do mundo.
No que depender do mercado de petróleo, o Brasil sediará a COP-30 sem motivo para constrangimentos. A decisão de investigar o potencial do bloco de petróleo de Foz do Amazonas é soberana de um país que usa mais fontes de energia renováveis do que o resto do mundo. De acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética, somando lenha e carvão vegetal, hidráulica, derivados de cana, eólica e solar e outras, nossas renováveis totalizam 50%, enquanto na matriz energética mundial o porcentual médio é de 14%. Petróleo e derivados ocupam 34% de nossa matriz, mas fazem enorme diferença no desenvolvimento econômico.
Diário do Comércio - MG 22/10/2025
Sob uma nova onda de otimismo petroleiro provocada pela emissão da licença para perfuração de poço na bacia da Foz do Amazonas, o governo leiloa nesta quarta-feira (22) sete áreas para exploração e produção de petróleo no pré-sal.
É o leilão do pré-sal com o maior número de inscritos desde que o modelo atual de ofertas de áreas petrolíferas foi estabelecido, em 2022. Para o setor, a concessão da licença ambiental para a Petrobras na última segunda-feira (20) pode reforçar o apetite das empresas.
“A licença melhora a atratividade do leilão ao reforçar a ideia de que o Brasil tem o interesse de continuar produzindo petróleo, de que vai incentivar a exploração”, diz o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás (IBP), Roberto Ardenghy.
As sete áreas oferecidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) hoje estão no chamado polígono do pré-sal, que fica em frente ao litoral da região Sudeste e tem as maiores reservas e os maiores campos produtores de petróleo do País.
A ANP apresentou ao mercado 13 áreas, mas só levará a leilão as sete que receberam manifestações de interesse. Se todas forem arrematadas, o governo arrecadará R$ 160 milhões em bônus de assinatura – nos leilões do pré-sal, o bônus é fixo e ganha a empresa que oferece maior volume de petróleo ao governo.
Entre as áreas que vão a leilão, duas estão na porção sul do polígono, em frente ao litoral paulista, mesma porção onde está o bloco Bumerangue, onde a britânica BP diz ter feito sua maior descoberta de petróleo e gás em 25 anos.
São as áreas Esmeralda e Ametista, que têm bônus de assinatura de R$ 33,7 milhões e R$ 1 milhão respectivamente. Ambas são consideradas pela ANP áreas de elevado potencial para descobertas.
Além delas, o leilão terá as áreas de Jaspe, Citrino, Larimar, Ônix e Itaimbezinho. A primeira tem o maior bônus de assinatura do leilão: R$ 52,2 milhões e percentual mínimo de óleo-lucro (a fatia da produção que fica com a União após o desconto dos custos) de 16,72%.
Fica colada a um bloco onde a Shell fez descoberta de gás natural recentemente e foi alvo de pedido de direito de preferência pela Petrobras, o que garante à estatal o direito de participar do projeto mesmo se perder a disputa no leilão.
O geólogo da ZAG Consultoria, Pedro Zalán, aposta em ofertas para ao menos cinco das sete áreas no leilão. Ele prevê competição entre petroleiras ou consórcios para os blocos de Ametista e Larimar, que considera os melhores do leilão.
Além da Petrobras, foram habilitadas para o leilão do pré-sal gigantes globais como a americana Chevron e a inglesa Shell; estatais da China (Cnooc e Sinpec), Colômbia (Ecopetrol) e Qatar (Qatar Energy); e petroleiras independentes brasileiras, como 3R e Prio.
É o segundo leilão de áreas exploratórias do País no ano em que sedia a COP30, a conferência da Organização das Nações Unidas sobre o clima. No primeiro, a ANP concedeu 34 blocos exploratórios, dentre os quais, 19 estão localizados na bacia da Foz do Amazonas.
O incentivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à indústria do petróleo é alvo de protestos de organizações ambientalistas. Nesta segunda (20), a coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, chegou a dizer que o governo “sabota” a agenda climática.
TN Petróleo - RJ 22/10/2025
A PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.) promoverá, no dia 29 de outubro, às 16h, a "Sessão Especial: Leilão de Áreas Não Contratadas", durante a OTC Brasil 2025. O encontro acontecerá na Sala C – Mezanino, na ExpoRio, no Rio de Janeiro.
Durante a sessão, o Consultor Jurídico da PPSA, Lucas Ribeiro, apresentará as regras do edital do certame, que alienará os direitos e obrigações da União decorrentes de Acordos de Individualização da Produção (AIPs) das jazidas compartilhadas de Mero, Tupi e Atapu. O Superintendente de Reservatórios, Mauro Mihaguti, detalhará as principais características técnicas das áreas ofertadas e o potencial de produção associado a cada uma delas.
O Leilão será realizado no 4 de dezembro, na B3, em São Paulo, e disponibilizará ao mercado a totalidade da participação da União nessas áreas — atualmente correspondente a 3,500% em Mero, 0,950% em Atapu e 0,551% em Tupi (revisão para 0,833% em Tupi aguardando aprovação da ANP ainda em 2025).
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo link: https://www.sympla.com.br/evento/sessao-especial-leilao-de-Areas-nao-contratadas/3174765
A entrada estará sujeita à lotação do auditório.
Petro Notícias - SP 22/10/2025
A licença conseguida para explorar a Margem Equatorial, teve uma jogada digna de Mestre do Xadrez da Petrobrás ao deixar uma pressão diferente das anteriores para a empacadora do progresso do país, a Ministra Marina Silva, que sempre foi subserviente às ONGs internacionais. A Petrobrás anunciou que já estava pagando uma diária milionária, em dólar, para que a Sonda estacionada na Margem Equatorial permanecesse no local, com contrato até hoje (21). Se não recebesse a licença, ela teria que sair e não se sabia quando alguma outra estaria disponível no mercado internacional para que o trabalho de exploração do campo pudesse ser feito. Um dia antes, os técnicos, quase ativistas do Ibama, liberaram a autorização. Enrolaram o quanto puderam e até um vídeo falso da Foz do Amazonas foi usado pelo GreenPeace mostrando uma barreira de corais que nunca existiu no local para impedir que a exploração de petróleo fosse feita na região. Magda Chambriard e sua equipe andaram cinco casas pra frente e ainda ganharam a próxima jogada. às vésperas da OTC Brasil, que começa dia 28 no Rio, a Petrobrás e o Brasil voltam a ser a bola da vez dos próximos investimentos internacionais do segmento de óleo e gás. Há muito desenvolvimento para chegar ao norte do país.
O volume recuperável estimado dá a dimensão do impacto do projeto. Com o mapeamento da porção noroeste da Bacia da Foz do Amazonas, estudo aponta previsão de 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Como base de comparação, mais da metade das reservas provadas da companhia que está em cerca de 12 bilhões de boe. Claro, a grita internacional foi geral. Sá faltou a voz da Greta Grinberg, que ainda deve estar
chorando no exterior, criando imagem e querendo solidariedade
apoiando os terroristas do Hamas, na Faixa de Gaza. A menina que tem a sua imagem usada por ambientalistas internacionais profissionais, acredita mesmo que vai salvar o mundo.
Marina Silva começará a ter a sua imagem internacional derretida durante a COP 30 e, muito provavelmente, seus discursos daqui pra frente serão de oposição ao presidente Lula. Vai relembrar os tempos em que chamava Lula de Ladrão na Era Lava Jato, antes de ser convidada para ser ministra dele e aceitar na maior cara dura. O poder faz milagre. A exploração da Margem Equatorial será o grande tema da COP 30. O desgaste brasileiro para as ONGs, já começou ontem mesmo. A autorização enfureceu
A imagem falsa da barreira de corais da Foz do Amazonas. A imagem mentirosa do GreenPeace
os ambientalistas que disseram que a medida prejudicaria a oportunidade do Brasil de sediar as negociações climáticas das Nações Unidas no mês que vem e que as receitas do petróleo ajudarão a aumentar a crise climática do Brasil.
Críticos o acusam de uma postura contraditória ao pedir aos líderes mundiais que intensifiquem a luta contra as mudanças climáticas antes das negociações da Cop30 na cidade de Belém, na Amazônia, de 10 a 21 de novembro. A ONG Observatório do Clima do Brasil disse que organizações da sociedade civil iriam à Justiça para contestar a decisão. Suely Araujo, ex-presidente do Ibama e coordenadora da ONG Observatório do Clima, perguntou: “Como nossos diplomatas podem defender o abandono dos combustíveis fósseis? Como o país está intensificando a exploração e a produção de combustíveis fósseis? O Governo está sabotando a liderança que deveria ter na Cop30.” Para lembrar, quando estava a frente do Ibama, foi ela que liderou, em 2018, a negativa à TotalEnergies de
500 km da Foz do Amazonas. Mais do que a distância entre o Rio e São Paulo
receber a licença de perfuração em blocos próximos em 2018. Depois de muitos investimentos, os franceses desistiram e entregaram o campo para a Petrobrás. E se não fosse a pressão em cima de Marina Silva e os técnicos ativistas, Lula ainda estaria falando até hoje que o Ibama estava de “Lenga-lenga.” Ele não moveu uma palha para ajudar. Se não fosse a pressão e todas as denúncias de manipulação trazidas à tona e a “ jogada de mestre da Petrobrás”, a licença não sairia.
A Foz do Amazonas faz parte de uma nova e promissora fronteira petrolífera offshore, com a vizinha Guiana emergindo como uma grande produtora em menos de uma década após grandes descobertas offshore. A região é a nova grande petrolífera do país em substituição ao pré-sal das bacias de Campos, Santos e Espírito Santo. É o futuro da nossa soberania petrolífera. A Petrobrás já iniciou a perfuração de um poço exploratório no Bloco 59, um local offshore a 500 km da foz do Rio Amazonas e a 175 quilômetros da costa do Amapá. E ainda assim, os ambientalistas críticos não se entregaram e ainda dizem que é um
Ultimo recurso dos técnicos do Ibama: ” Salvem o Peixe-Boi. Ele vai substituir as tartarugas nas próximas campanhas.
perfuração “na costa da maior floresta tropical do mundo, em uma área com fortes correntes oceânicas e propensa a tempestades intensas.” O Fundo Mundial para a Natureza no Brasil disse que a área contém 80% dos manguezais do país.
O Ibama, acredite, ainda não se entregou por completo. O seu relatório técnico final, aponta riscos potenciais para as populações “em declínio de peixes-boi decorrentes da movimentação de embarcações e equipamentos na região e disse que a Petrobrás deve participar da conservação.” Depois das Tartarugas, em breve, podem apostar, teremos campanhas com muito dinheiro para salvar também o peixei-boi da Amazônia. Outro grupo que reúne ambientalistas, o 350.org também se manifestou. O grupo citou o que seria um “erro histórico, reforçando um modelo que já falhou” e que não se podia “autorizar novas licenças de petróleo na Amazônia.”
Monitor Digital - RJ 22/10/2025
Nesta quarta-feira, será realizada a sessão pública do 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da ANP. O edital contemplava inicialmente 13 blocos exploratórios. Contudo, apenas sete desses blocos receberam declarações de interesse por parte das petroleiras habilitadas e, portanto, serão efetivamente ofertados na sessão pública.
A Petrobras exerceu seu direito de preferência, garantido pela Lei 12.351/2010, em apenas um bloco, Jaspe, na Bacia de Campos, assegurando a condição de operadora com participação de 40%. Nos outros seis blocos, a estatal optou por não exercer o direito de preferência, abrindo espaço para que as demais 14 petroleiras habilitadas, em sua maioria multinacionais, possam disputar essas áreas.
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) manifestaram preocupação com a postura “cada vez mais tímida” que a Petrobras vem adotando nos leilões do pré-sal, ao participar de forma limitada e, em geral, por meio de consórcios com outras petroleiras, muitas delas estrangeiras.
“Essa baixa presença da Petrobras representa grave ameaça à soberania e à segurança energética nacional, uma vez que o pré-sal continua sendo uma das regiões mais promissoras e estratégicas do Brasil”, destaca o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar.
Segundo ele, o pré-sal deve ser tratado como patrimônio estratégico do país. Sua exploração precisa seguir uma visão de Estado, de longo prazo, orientada pelo interesse público e voltada ao fortalecimento da Petrobrás e ao desenvolvimento nacional, e não subordinada aos interesses imediatos do mercado ou de grandes corporações estrangeiras.
Em documento conjunto, FUP e Ineep destacam que a Petrobras vem perdendo participação no segmento desde 2016, com a flexibilização do regime de partilha e o fim da obrigatoriedade da companhia atuar como operadora única no pré-sal. Entre 2017 e 2023, oito blocos do pré-sal foram arrematados sem a participação da Petrobras.
Um exemplo classificado de emblemático pelas entidades é o bloco Bumerangue, localizado na Bacia de Santos e adquirido pela petroleira britânica BP em 2022, onde foi anunciada recentemente a descoberta de um importante reservatório de petróleo. Trata-se de uma área com grande potencial energético, mas que foi arrematada pelo menor percentual de excedente em óleo destinado à União na história dos leilões, apenas 5,9%.
Leilão de concessão de petróleo: só 1 bloco fica 100% com Brasil | Monitor Mercantil
Entre 2013 e 2023, foram leiloados 24 ativos sob o regime de partilha de produção no pré-sal. Desse total, a Petrobras adquiriu sozinha apenas três: os blocos Sudoeste de Tartaruga Verde (5ª Rodada de Partilha, 2018), Norte de Brava (1º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha, 2022) e o excedente da Cessão Onerosa do campo Itapu (2019). Nos demais 13 ativos em que atua como operadora, a estatal possui parcerias com multinacionais privadas e estatais.
Para a FUP e o Ineep, é urgente que a Petrobras adote uma nova postura. “Somente com uma Petrobras forte e atuante, alinhada ao interesse público, conduzindo diretamente a exploração do pré-sal, será possível transformar o potencial energético e financeiro do pré-sal em ganhos concretos para o Brasil, assegurando autossuficiência, soberania energética e desenvolvimento econômico e social do país”, afirma o comunicado das duas entidades.
Elas defendem uma revisão do modelo de Oferta Permanente de Partilha no pré-sal. “Os leilões do pré-sal não devem se orientar por interesses de curto prazo e reduzidos a uma fonte de arrecadação pelo governo por meio de bônus de assinatura. O pré-sal deve ser tratado como um ativo estratégico da nação, cujo aproveitamento precisa estar a serviço do povo brasileiro e do fortalecimento da soberania energética do país”, diz Bacelar.
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Globo Online - RJ 22/10/2025
A Bacia da Foz do Amazonas pode ajudar o Brasil a ficar entre os quatro maiores produtores globais de petróleo na próxima década. De acordo com analistas, se o potencial da região for confirmado, o país pode ultrapassar a marca de 5 milhões de barris diários de produção a partir de 2030, ultrapassando Canadá e China e ficando atrás apenas de Estados Unidos, Arábia Saudita e Rússia.
O Ibama autorizou nesta segunda-feira a Petrobras a perfurar o primeiro poço exploratório de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial.
Segundo Rivaldo Moreira Neto, diretor da A&M Infra, a licença dada pelo Ibama indica ainda uma tendência de desenvolvimento de novas áreas na Bacia da Foz do Amazonas. Segundo dados da Trading Economics, o Brasil está hoje na sexta posição no ranking dos maiores produtores de petróleo do mundo, com 3,9 milhões de barris por dia.
Veja o ranking atual:
Canadá : 4,8 milhõesChina: 4,4 milhõesBrasil: 3,9 milhõesIraque: 3,8 milhões
Para ele, com base em países vizinhos, como Guiana e Suriname, que já produzem entre um e dois milhões de barris por dia, o Brasil pode alcançar um novo patamar de produção já na próxima década.
— Se a Bacia da Foz do Amazonas apresentar o potencial que é previsto, vai ajudar o Brasil a manter o seu nível de produção, que começa a declinar já no início dessa década, com a queda na produção do pré-sal. Isso vai permitir que o país consiga preservar sua relevância e até alcançar o grupo dos maiores produtores globais de petróleo na próxima década se aproximando de Canadá e ultrapassando a China.
Para Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras e presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), a perspectiva positiva na Bacia da Foz do Amazonas tem potencial para colocar o Brasil entre os cinco maiores produtores globais de petróleo.
— Para o país, é uma fronteira importante. O Brasil tem condição de ficar entre os cinco maiores produtores de petróleo do mundo, com uma reserva nova e relevante. Mas, é claro, isso também vai depender do comportamento e da produção dos outros países.
Variedade de investimentos, diz Prates
Segundo ele, a licença concedida pelo Ibama pode servir ainda como um importante estímulo para novos investimentos na região. Para Prates, o fato de diversas companhias terem arrematado blocos no último certame da Agência Nacional do Petróleo (como Chevron, CNPC e ExxonMobill) demonstra que há um claro interesse pelas oportunidades oferecidas nessa área.
— As empresas cercaram a área por precaução. Mesmo que não encontrem nada, já garantiram a titularidade dos blocos. Existe uma geologia positiva do ponto de vista petrolífero, o que confirma as teses da Petrobras. Mas isso, por si só, ainda não garante nada. A partir do momento em que as empresas começarem a operar na região, realizando estudos sísmicos, perfurando poços de avaliação e desenvolvendo projetos para exploração dos campos, esse movimento certamente vai estimular uma ampla variedade de novos investimentos.
Prates ressalta ainda que o início da perfuração na Bacia da Foz do Amazonas vai provocar uma discussão relevante durante a COP.
— O Brasil precisará assumir uma posição clara e mostrar que é possível produzir petróleo e, ao mesmo tempo, ser líder na transição energética. Isso não é um problema e nem faz o país perder autoridade. Como pioneiro em biocombustíveis, com uma matriz energética limpa e em processo de redução do desmatamento, o Brasil tem plena capacidade de liderar o movimento ambiental, mesmo produzindo petróleo na Bacia da Foz do Amazonass.
Segundo especialistas, a aprovação dada pelo Ibama para que a Petrobras perfure seu primeiro poço exploratório traz um efeito importante para o setor, pois pode aumentar a expectativa das empresas privadas que já arremataram áreas na região no último leilão promovido pela Agência Nacional do Petróleo .
A licença concedida pelo órgão ambiental abre ainda caminho para que o país aprofunde os estudos sobre essa nova fronteira, o que pode elevar a produção nacional na próxima década.
-- O movimento cria um cenário mais favorável para o setor, com empresas privadas podendo obter sucesso em suas próximas campanhas exploratórias e impulsionar o interesse em futuros leilões -- diz ele.
Em junho deste ano, a ANP realizou um leilão em que foram arrematados 19 blocos na Margem Equatorial, todos localizados na Bacia da Foz do Amazonas. A Petrobras liderou o processo, conquistando 10 blocos, todos em parceria com a americana ExxonMobil. Além disso, a americana Chevron levou nove blocos em parceria com a chinesa CNPC. Os contratos ainda não foram assinados, segundo a ANP.
Nove concessões em vigor
Há hoje nove concessões em vigor na Bacia da Foz do Amazonas, segundo a ANP. A Petrobras tem seis. Além do FZA-M-59, que obteve a licença na segunda-feira para perfurar, há ainda blocos vizinhos, como FZA-M-57, FZA-M-86, FZA-M-88, FZA-M-125 e FZA-M-127.
Além disso, segundo a ANP, a Petro Rio Coral (hoje Prio) tem dois blocos em uma área próxima a da Petrobras, com o FZA-M-254 e FZA-M-539. A Enauta tem o bloco FZA-M-90, perto dos da Petrobras.
47 blocos em oferta e 59 em estudo
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, há 47 blocos na Bacia da Foz do Amazonas em águas profundas ou ultraprofundas na oferta permanente. As áreas contam com uma fase de exploração de até sete anos. Além disso, há 59 blocos na Bacia da Foz do Amazonas em águas profundas e ultraprofundas em estudo pela agência.
No modelo de oferta permanente da ANP, a agência disponibiliza uma base de dados com as áreas disponíveis. A petroleira compra um pacote de dados (com informações de sísmica, geologia etc) sobre a região e sinaliza o interesse. Com isso, a ANP coloca a área na lista de blocos que podem ir a leilão.
Segundo Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), a licença obtida pela Petrobras para perfurar o primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas é muito positiva para o setor. Para ele, essa autorização pode estimular outras empresas do segmento a acelerarem seus investimentos na região. Ardenghy cita o caso das companhias que venceram áreas no último leilão como um exemplo de movimento que tende a se intensificar nos próximos anos.
- O fato de já ter saído a primeira licença dá mais robustez aos projetos e estimula, sim, as companhias a investirem mais, podendo fazer mais investimentos em sísmica para conhecer ainda melhor as áreas que elas arremataram no último leilão. Mas estamos hoje numa fase de otimismo cauteloso, porque não adianta ter apenas petróleo. É preciso ter um volume suficiente para declarar a comercialidade da áreA - afirmou.
Segundo o presidente do IBP, a importância de explorar a Bacia da Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial, está em ajudar o Brasil a repor suas reservas de petróleo. Ele cita, por exemplo, o caso da Bacia de Campos, que atualmente produz apenas 50% do que já produziu. Além disso, lembra que o pré-sal, descoberto em 2006, hoje responde por mais de 75% da produção de petróleo no país.
CNN Brasil - SP 22/10/2025
A Petrobras informou à CNN Brasil que deu início na segunda-feira (20) a perfuração do poço na bacia da Foz do Amazonas, horas após a emissão da licença pelo Ibama.
A perfuração começou no litoral do estado do Amapá a uma distância de 170 quilômetros da costa.
Como mostrou a CNN Brasil, um documento do Ministério de Minas e Energia encaminhado à Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados estimou a possibilidade de extração de 10 bilhões de barris de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.
O número é próximo às reservas exploráveis do pré-sal que são da ordem de 12 bilhões de barris.
A CNN Brasil também mostrou que sem novas frentes exploratórias, a produção de petróleo no Brasil começará a entrar em declínio a partir de 2031, com o esgotamento gradual das reservas na camada do pré-sal.
Money Times - SP 22/10/2025
Com 238 metros de comprimento, torre de 64 metros de altura e capacidade para perfurar até 12,1 mil metros de profundidade, a sonda de perfuração NS-42 é o centro da nova operação da Petrobras na Margem Equatorial, no Amapá.
O custo diário da embarcação chega a R$ 4 milhões, segundo a FUP (Federação Única dos Petroleiros) e uma fonte da própria estatal. Desde agosto, a sonda está posicionada na costa amazônica brasileira em fase de avaliação pré-operacional. Agora, com o aval ambiental concedido, a Petrobras informou que a perfuração começa imediatamente e deve se estender por cinco meses.
O poço fica no bloco FZA-M-059, a cerca de 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas e 175 quilômetros da costa do Amapá, em uma área de 2.880 metros de profundidade. O objetivo é verificar se há petróleo e gás com potencial econômico na região, sem produção nesta fase inicial.
“Até agora já se perdeu R$ 180 milhões com a sonda parada lá”, disse uma fonte da Petrobras, sob condição de anonimato, à CNN. “Isso é o custo só do aluguel da sonda, sem falar as pessoas todas envolvidas”, completou.
Mais de 400 profissionais participaram dos testes, que envolveram helicópteros e outras embarcações. Essa etapa foi decisiva para a aprovação do projeto nesta semana pelo Ibama.
Apostando alto
A sonda NS-42, também chamada de ODN II, pertence à empresa Foresea e tem capacidade para acomodar até 180 pessoas a bordo. Já foi utilizada pela Petrobras em outras operações e agora volta a ser peça-chave da nova frente de exploração da estatal na foz do Amazonas.
A companhia destinou R$ 3 bilhões ao projeto, valor que representa cerca de 40% dos investimentos previstos até 2030 — montante semelhante ao destinado às regiões Sul e Sudeste, onde se concentram as operações do pré-sal.
Toda a operação ainda está na fase exploratória e não há confirmação sobre a existência de petróleo com alto grau de certeza na Margem Equatorial do Amapá. O plano da Petrobras se apoia em descobertas expressivas em regiões geologicamente parecidas na costa da Guiana e do Suriname, onde empresas como ExxonMobil e TotalEnergies encontraram reservas de petróleo de alta qualidade.
Money Times - SP 22/10/2025
Os trabalhos da Petrobras (PETR4) junto ao Ibama para conseguir a licença ambiental com o objetivo de perfurar na Bacia da Foz do Amazonas deverão colaborar para que os processos de licenciamento de outros poços possam ser mais ágeis, disse a CEO da Petrobras, Magda Chambriard.
Em entrevista à Reuters nesta terça-feira, ela disse acreditar que a Petrobras poderá produzir petróleo e gás na região ambientalmente sensível em cerca de sete anos, caso sejam confirmadas as expectativas de grandes reservas. Mas, para isso, novas licenças terão de ser concedidas nos próximos anos.
“Os novos poços a serem perfurados não vão mais precisar de APO”, disse Chambriard, em referência à Avaliação Pré-Operacional que mobilizou mais de 400 profissionais da Petrobras e do Ibama, em agosto.
“E todo esse exercício que foi feito servirá para os outros (poços). Acho pode ser sim (mais rápido o licenciamento), mas dá pra dizer que parte das exigências já estão cumpridas da nossa parte”, completou a executiva.
Antes de conceder a licença exploratória na segunda-feira, o Ibama negou aval para atividades de perfuração na região por duas vezes, em 2023 e em 2018, antes mesmo de a Petrobras assumir o bloco, em 2020.
Desde a última negativa, a companhia trabalhou para atender as principais exigências do Ibama, realizando investimentos milionários e aprimorando planos considerados indispensáveis ao projeto pelo órgão ambiental, sobretudo nas medidas de resposta a emergências.
Entre os aperfeiçoamentos implementados, a Petrobras construiu um novo Centro de Reabilitação e Despetrolização (CRD) de grande porte em Oiapoque (AP), além de ter incluído três embarcações offshore dedicadas ao atendimento de fauna oleada, entre outros pedidos do Ibama para resposta rápida a incidentes.
A Petrobras já realizou no passado muitas perfurações de poços na região, que integra a chamada Margem Equatorial, mas não em uma profundidade tão grande quanto a desenvolvida no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas.
A petroleira estatal pretende perfurar até seis poços adicionais na bacia nessa campanha para tentar descobrir se há acumulações de petróleo e gás na região.
“O primeiro passo foi dado, que é conseguir a licença para perfurar um poço pioneiro. A confirmação desse modelo é essencial para essa campanha, que tem como premissa a sísmica, e o poço pioneiro é fundamental para confirmar nosso modelo”, disse a CEO.
“Estamos furando num lugar muito bom, que deve dar uma descoberta”, destacou a executiva, demonstrando confiança em um achado.
“Mas só a broca vai dizer se tem descoberta. Temos mais cinco ou seis poços pioneiros em licenciamento. Se der tudo certo, após os cinco meses para perfurar esse primeiro, vamos ter que delimitar a jazida”, explicou.
“Se esse negócio for muito bom, podemos delimitar a jazida em uns dois anos e, se for bom o suficiente, vamos estar produzindo em sete ou oito anos”, disse.
Esse prazo significa que a Petrobras poderá, se tudo der certo, “encaixar” a entrada da produção da Margem Equatorial “no declínio do pré-sal”, garantindo que a extração petrolífera brasileira seguirá com volumes importantes.
As previsões de órgãos do governo apontam que a produção de petróleo no Brasil ainda seguirá em trajetória de crescimento até o início da próxima década, podendo entrar em declínio após esse período caso não haja novas descobertas relevantes no país.
A Margem Equatorial brasileira é a principal aposta para a ampliação das reservas no país nos próximos anos.
A Petrobras já está aditando o contrato de locação da sonda que será usada na perfuração para manter o equipamento à disposição por cerca de oito meses.
“Temos que ter uma folga. Em teoria, a gente perfura o poço, avalia o poço e, se tiver uma descoberta relevante, a gente avalia. Portanto, mais ou menos oito meses com essa sonda conosco”, explicou a executiva.
A sonda, que ficou parada no mar do Amapá aguardando a concessão de licença, e que participou do simulado de emergência do Ibama, tem um custo diário R$4,2 milhões. Os valores deverão ser atualizados no aditamento, mas não devem mudar muito, segundo a executiva.
Agrolink - RS 22/10/2025
A Agritechnica 2025, que acontece de 9 a 15 de novembro em Hannover, na Alemanha, promete ser a edição mais internacional da história. Segundo a organizadora DLG (Sociedade Agrícola Alemã), o evento reunirá 37 pavilhões nacionais e regionais, um recorde absoluto, representando 23 países. A novidade fica por conta de cinco estreantes: Austrália, República Tcheca, Hungria, Polônia e Turquia, que se juntam aos mais de 2.700 expositores esperados para esta edição.
O aumento no número de pavilhões confirma o papel da Agritechnica como o principal palco global de negócios do agronegócio. São esperados cerca de 430 mil visitantes de quase 150 países, reforçando o potencial da feira para conectar empresas a novos mercados e parceiros estratégicos. Entre os estreantes, a Austrália ganha destaque com o projeto “Team Australia Mission”, liderado pela Australian Agritech Association, em parceria com o governo de Queensland e a AgriFutures growAG. O pavilhão australiano apresentará tecnologias voltadas à produtividade, sustentabilidade e adaptação climática — áreas em que o país vem se destacando globalmente.
O Brasil mantém presença consolidada com dois pavilhões (nos pavilhões 9 e 15), reforçando o peso da agricultura tropical e das soluções desenvolvidas para grandes culturas. Já os pavilhões do Canadá, França e República Tcheca terão papel de destaque durante o Dia Internacional do Agricultor, em 12 de novembro, com entrada gratuita para produtores desses países e programação especial sobre inovação e desafios produtivos.
Além das inovações tecnológicas, a feira também aposta em experiências culturais. No dia 11 de novembro, acontecem simultaneamente a “Australia Night” e a recepção canadense, encontros voltados ao networking e à integração entre profissionais do agro. Segundo Timo Zipf, gerente de projeto da Agritechnica, os pavilhões nacionais “trazem não apenas tecnologia, mas também o espírito e a identidade de cada país”, transformando Hannover no epicentro global da agricultura moderna.
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