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27 de Agosto de 2025

SIDERURGIA

Infomoney - SP   27/08/2025

A XP Investimentos atualizou, em relatório, suas estimativas para a Usiminas (USIM5), cujas ações acumulam queda de 21% no ano, contra alta de 15% do Ibovespa, e reiterou a recomendação neutra, ao mesmo tempo em que estabeleceu um preço-alvo para o final de 2026 de R$ 5,00, representando um potencial de valorização de 20% em relação aos preços atuais.

Segundo a corretora, o desempenho fraco reflete custos abaixo das expectativas, um ambiente de mercado pressionado para o aço plano no Brasil e juros mais altos, que sugerem enfraquecimento da demanda pelo produto nos próximos meses.

Hapvida, Oncoclínicas, Americanas, Banco do Brasil e mais ações para acompanhar hoje

Confira os principais destaques do noticiário corporativo desta terça-feira

Embora o múltiplo Valor da Firma (EV)/ Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) de 3,0 vezes para 2026 não pareça elevado, a XP entende que múltiplos de avaliação mais baixos são justos diante dos elevados investimentos planejados, com rendimento de fluxo de caixa (FCF yield) projetado de 3,4% em 2026 e negativo em 2027 e 2028E.

Adicionalmente, considerando a combinação de baixo retorno sobre patrimônio líquido (ROE) e elevado custo de capital próprio, o Preço/Valor Patrimonial de 0,2 vez em 2026 não é considerado barato.

Apedar de não ser o cenário-base, a XP pontua que a possível implementação de medidas antidumping no Brasil e a aceleração das políticas de “anti-involução” na China configuram riscos de alta para a Usiminas.

Além disso, considerando o perfil de alto beta da companhia e o histórico de desempenho acima da média durante ciclos de corte de juros, a corretora acredita que uma melhora macroeconômica no Brasil poderia apoiar a valorização das ações.

Usiminas: XP prevê fluxo caixa pressionado, apesar de redução de custos

A XP projeta que o desempenho de preços do aço plano continuará pressionado, refletindo a competição acirrada com produtos importados diante da expectativa de demanda mais fraca por causa da elevação das taxas de juros.

Além disso, os elevados investimentos programados, especialmente na planta de coque #2, devem resultar em níveis subótimos de fluxo de caixa livre nos próximos anos.

A XP também destaca que a Usiminas entregou redução de custos abaixo das expectativas elevadas do mercado, que esperava melhorias de lucratividade após a reforma do BF#3 em Ipatinga.

Com o alívio proporcionado pelas matérias-primas e a captura de novas eficiências, a XP projeta melhora nos custos no segundo semestre deste ano, mitigando parcialmente o ambiente operacional desafiador.

Valor - SP   27/08/2025

Cenário pode desestimular a inovação tecnológica, colocando em risco a competitividade do setor de materiais, um dos pontos fortes industriais do Japão há muito tempo

Os esforços para reduzir as emissões de gases de efeito estufa estão estagnados nas indústrias de aço e produtos químicos intensivos em carbono do Japão. A postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de negar a emergência climática, tira pressão dos investidores pela descarbonização.

A crise pode desestimular a inovação tecnológica, colocando em risco a competitividade do setor de materiais — um dos pontos fortes industriais do Japão há muito tempo.

A Kobe Steel agora pretende finalizar cerca de 150 bilhões de ienes (US$ 1 bilhão) em planos de investimento durante os três anos até o ano fiscal de 2026, abaixo dos cerca de 300 bilhões de ienes iniciais. A empresa adiará a instalação de fornos elétricos a arco, que emitem menos dióxido de carbono do que os altos-fornos, para ter mais tempo para tomar uma decisão.

A Kobe Steel planejava decidir sobre o investimento já no ano fiscal de 2025. Mas, com a superprodução na China pesando sobre os preços do aço, a siderúrgica está avaliando se conseguirá recuperar os gastos com os equipamentos caros.

"O mercado siderúrgico japonês está se contraindo mais rapidamente do que o esperado", disse o presidente Yoshihiko Katsukawa. "Vamos avaliar o investimento enquanto pensamos em novas medidas de corte de custos."

A Mitsubishi Gas Chemical suspendeu os planos de produzir metanol "verde" no nordeste da Austrália em parceria com uma fabricante de cimento. O processo utiliza hidrogênio verde produzido com energia renovável, que tende a ser relativamente caro.

Os preços dos potenciais fornecedores de hidrogênio verde cotados estavam "muito longe da faixa de preço que solicitamos", disse Shoji Matsukawa, gerente de grupo responsável pelo metanol verde.

A Eneos Holdings, uma das maiores atacadistas de hidrogênio do Japão, abandonou as metas de produção e fornecimento de hidrogênio e combustíveis sintéticos para 2030 em diante, concentrando-se em projetos-piloto menores e no desenvolvimento de sua tecnologia.

"Desde 2024, a Europa deixou de estar totalmente comprometida com a neutralidade de carbono", disse o executivo-chefe (CEO), Tomohide Miyata. "A comercialização de energia descarbonizada será adiada para muito mais tarde do que esperávamos."

As indústrias siderúrgica e química, responsáveis por cerca de um quinto das emissões de gases de efeito estufa do Japão, são cruciais para atingir a meta do governo de zero emissões líquidas até 2050.

A indústria siderúrgica está trabalhando na transição de altos-fornos para fornos elétricos e no desenvolvimento de tecnologia de produção de aço a hidrogênio. Estimativas sugerem que a Nippon Steel e a JFE Steel precisarão de 10 milhões de toneladas métricas de hidrogênio até 2050, metade da meta de consumo do governo.

Mas, embora esses avanços reduzam as emissões, eles não melhorariam a qualidade dos produtos, o que poderia dificultar o repasse do custo da transição para os clientes pelas siderúrgicas.

O investimento em descarbonização tem enfrentado obstáculos no mercado de ações global desde o início do segundo governo Trump, com empresas como ArcelorMittal e Fortescue descartando ou reduzindo planos à medida que a pressão dos investidores diminui.

O investimento em medidas de redução de carbono permaneceu estável ou em declínio nos Estados Unidos, União Europeia e Reino Unido em 2024, em comparação com 2023, mesmo com o aumento de 20% na China.

A tendência se estende às gestoras de ativos, com a BlackRock, a maior do mundo, se retirando de um grupo internacional de descarbonização.

Os acionistas das empresas também estão recuando. O primeiro semestre deste ano também registrou uma queda nas propostas de acionistas submetidas e votadas nos Estados Unidos, segundo dados do escritório de advocacia Sullivan & Cromwell. Em fevereiro, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) facilitou a rejeição de propostas de empresas com pouca relevância para seus lucros ou finanças, aparentemente levando a que mais propostas relacionadas a questões como mudanças climáticas e diversidade não fossem levadas à votação.

"Essas tendências não parecem propensas a mudar, pelo menos sob o governo Trump", disse Tamami Ota, do Instituto de Pesquisa Daiwa. A preocupação com a segurança energética após a invasão da Ucrânia pela Rússia também está influenciando.

Globo Online - RJ   27/08/2025

A combinação de tensões comerciais e a enxurrada de importações coloca o setor siderúrgico brasileiro em meio a uma crise justamente quando líderes da indústria se reúnem para uma das maiores conferências do ano em São Paulo.

— Este talvez seja o ano mais conturbado (que os participantes da conferência já viram) — disse André Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho de Administração da siderúrgica Gerdau. — Temos conflitos geopolíticos, guerra comercial e muita incerteza no ar.

As tensões entre os EUA e o Brasil aumentaram com a imposição de tarifas de 50% pelo presidente Donald Trump sobre alguns produtos do país sul-americano.

O setor siderúrgico está enfrentando tarifas americanas distintas, de acordo com a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA, que permite ao presidente dos EUA regular importações consideradas uma ameaça à segurança nacional.

Maior capacidade ociosa

Enquanto isso, as siderúrgicas brasileiras tiveram que reduzir os preços para competir com as importações, com a associação dos distribuidores de aços planos alertando que as margens “praticamente desapareceram.”

A enxurrada de importações tem forçado os produtores nacionais a aumentar sua capacidade ociosa. Isso está levando o setor “ao limite”, disse Johannpeter, que também integra o conselho do grupo de lobby Aço Brasil.

As siderúrgicas brasileiras operam hoje com 35% de capacidade ociosa, acima do ideal de 15% a 20%, afirmou. Qualquer aumento adicional nesse nível de ociosidade tornaria o negócio “inviável”, concluiu.

Johannpeter afirmou que o setor está operando com uma taxa recorde de importação anual de 6,3 milhões de toneladas de aço — um volume que supera o tamanho da Gerdau, destacou.

Valor - SP   27/08/2025

Entrada de aço chinês e tarifas nos EUA agravam momento da siderurgia; já setores consumidores temem custos mais altos

As siderúrgicas brasileiras vivem um dos momentos mais delicados das últimas décadas. A entrada maciça de aço importado, sobretudo da China, somada às tarifas nos Estados Unidos, a incertezas geopolíticas e à demanda interna fraca, ameaça novos investimentos e coloca em xeque a sustentabilidade da indústria no Brasil. Empresas como Gerdau e Usiminas já anunciaram cortes em desembolsos, e a ArcelorMittal admite que projetos em estudo podem sofrer atrasos diante do cenário desfavorável.

Ao mesmo tempo, seus grandes clientes temem ter de pagar mais caro pelo aço dentro do país. Setores que dependem do insumo, como construção civil, automotivo e de máquinas e equipamentos, por exemplo, ajudam a puxar a demanda, mas demonstram preocupação com os custos que medidas protecionistas podem gerar.

O governo já reconheceu que há um desafio setorial e, além da cota-tarifa, iniciou uma investigação antidumping, a maior já aberta, sobre 25 produtos de aço importados da China. A ArcelorMittal, que conduz um ciclo de investimentos de R$ 25 bilhões até 2026, avalia que as medidas ainda não surtiram o efeito desejado e diz que novos investimentos em estudo dependerão de medidas de defesa comercial.

“Temos apetite de continuar investindo no Brasil, mas o risco deste futuro é a condição de importação”, afirmou Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil, durante evento do setor nesta terça-feira (26).

Oliveira destacou que a trajetória atual das importações repete o movimento já observado na Europa. “Se pegarmos 20 anos pré-covid, a penetração de importação era de 10%, com volume de 2,2 milhões de toneladas. O ritmo deste ano está em 6,3 milhões. Em termos de volume, dá 200%. Da China, 330%”, afirmou.

“As investigações sobre laminados a frio e galvanizados já têm um dano declarado pelo governo. Agora, precisamos de celeridade”, afirmou Oliveira. Para ele, o debate central com as autoridades deve girar em torno da defesa comercial, considerada condição essencial para garantir a manutenção e expansão dos investimentos.

Na Gerdau, o tom é de alerta. André Gerdau Johannpeter, presidente do conselho de administração, afirmou que a siderurgia nacional vive “o ano mais conturbado” de sua história recente. Segundo ele, a penetração do aço importado, que era de 10% há alguns anos, hoje está em 22% a 25% do mercado interno. O executivo destacou ainda que a indústria opera com 35% de ociosidade, quase o dobro do considerado saudável, e alertou para risco de “quase insustentabilidade” do setor.

Johannpeter reforçou que a cadeia produtiva do aço no Brasil está em risco de desmobilização. “Estamos chegando ao limite. Reduzir mais a atividade tornará o negócio inviável. O sistema de cotas-tarifa ajudou, mas não resolveu o problema”, completou.

Eduardo Fischer, CEO da incorporadora MRV, reconhece que a elevação de barreiras encarece insumos essenciais à construção civil, mas destaca a importância de uma indústria nacional que também seja forte o suficiente para dar suporte para outros segmentos industriais do Brasil, sem estar totalmente nas mãos das cadeias produtivas asiáticas.

“No fim, a hora que o produto encarece no mercado de forma geral, é pior para a indústria da construção. Mas nosso setor é de longo prazo, e precisamos também de uma siderurgia nacional robusta”, afirmou.

A entrada de produtos chineses já se espalhou para outros segmentos, como o automobilístico, que agora também vê seu mercado ser atingido pela ascensão das montadoras asiáticas. Também preocupa à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) a imposição, pelos Estados Unidos, de tarifas de importação de aço e alumínio, que poderiam causar uma reconfiguração da produção das montadoras.

O vice-presidente da Anfavea e executivo da Stellantis, Antônio Sérgio Martins Mello, evita o embate direto e destaca a necessidade de estabilidade na cadeia de fornecimento.

O cenário se agrava com as tarifas impostas pelo presidente americano Donald Trump, de 50% sobre produtos brasileiros, o que pode gerar desvio de rota e a entrada ainda maior no mercado doméstico de produtos siderúrgicos subsidiados.

Na análise de Christopher Garman, diretor da Eurasia Group, o protecionismo americano tem raízes profundas e está ancorado em fatores políticos, econômicos e geopolíticos. Ele prevê, no entanto, que os EUA podem flexibilizar algumas barreiras nos próximos meses, embora não haja sinais imediatos de mudanças em relação ao Brasil.

O executivo lembrou que o nível tarifário médio nos EUA, historicamente de 2%, saltou para cerca de 18%. Embora a Casa Branca celebre essa postura de força, “essa conta vai chegar” para o consumidor, alertou. Outro fator de pressão é a depreciação de 10% do dólar, que aumenta o custo de importados e eleva os preços ao consumidor.

Brasil Mineral - SP   27/08/2025

A reciclagem de sucata é vista como uma das principais estratégias para reduzir as emissões de gases de efeito estufa da siderurgia. De maneira geral, esse aproveitamento é feito por meio da produção via forno elétrico a arco (EAF), cujas emissões, em média, são de 60 a 80% inferiores às observadas na rota tradicional de alto-forno e conversor a oxigênio (BF-BOF). No entanto, como mostra o estudo The role of scrap in steel decarbonisation, essa alternativa tem limites físicos, técnicos e comerciais, o que exige que outras opções sejam contempladas na descarbonização do setor.

À primeira vista, os números relativos à sucata impressionam: globalmente, entre 80% e 85% de sucata gerada já é reaproveitada em diversos processos industriais. No entanto, somente cerca de 30% do aço produzido utiliza sucata por meio da rota EAF. Outro desafio é que a maior parte da sucata disponível apresenta contaminação por metais como cobre e fósforo, o que inviabiliza seu uso em aplicações de alto desempenho e maior valor agregado, como aços planos, inoxidáveis ou de alta resistência, exigidos por setores como automotivos e eletrodomésticos. Isso limita diretamente a expansão dessa rota de baixo carbono para além de nichos como a construção civil, onde as especificações técnicas são menos rigorosas.

Outro desafio é a disponibilidade limitada de sucata obsoleta, já que grande parte do aço permanece em uso por décadas em edifícios e obras de infraestrutura. Além disso, parte da sucata não é tecnicamente acessível ou apresenta viabilidade econômica reduzida para reciclagem, seja pela dispersão geográfica, pela contaminação com elementos residuais ou pelos altos custos logísticos.

No contexto brasileiro, os desafios se aprofundam. Grande parte da cadeia de sucata ainda enfrenta informalidade, baixa digitalização e ausência de rastreabilidade. Além disso, a tributação da sucata em muitos estados eleva seu custo, tornando-a, em alguns casos, mais cara que o minério de ferro ou ferro-gusa, uma distorção que desestimula o uso da rota EAF. Sem processos avançados de separação e controle de qualidade, a sucata brasileira não atende às especificações técnicas de um setor que precisa descarbonizar sem perder competitividade ou fica limitada a operações de baixo valor agregado. Em termos globais, o risco é superestimar o papel da sucata como solução única. Como indica o gráfico, mesmo que a produção de aço via sucata seja praticamente triplicada até 2050, no máximo vai dividir o protagonismo do setor com a produção a partir de minério de ferro.

Não existe “bala de prata” para a redução das emissões da siderurgia: além de expandir a rota EAF e ampliar o montante reciclado, é preciso acelerar a viabilização de rotas primárias de baixo carbono — como a redução direta com hidrogênio (H-DRI), o uso de carvão vegetal certificado, a eletrólise e tecnologias de captura e uso de carbono (CCUS).

Ou seja, precisamos ir além da melhoria da coleta e da triagem, investindo em rotas tecnológicas capazes de produzir aços planos e especiais com baixa intensidade de carbono mantendo competitividade e padrões internacionais de qualidade.

Sem esses esforços combinados, a produção com menores emissões continuará restrita a segmentos de menor valor agregado, comprometendo a competitividade industrial e a capacidade exportadora dos países.

Modernizar os sistemas de coleta e separação, apoiar pequenas e médias empresas recicladoras, revisar a tributação sobre a sucata, e promover certificações e mecanismos de rastreabilidade com credibilidade técnica são pré-requisitos para que a sucata desempenhe o papel relevante que pode ter. Esses esforços devem ser articulados com estratégias mais amplas, que incluam o financiamento de tecnologias industriais de baixo carbono e a definição de critérios técnicos e regulatórios claros para o chamado “aço verde”, produzido com rotas alternativas de baixo carbono.

Valor - SP   27/08/2025

Para o presidente do conselho de administração da companhia, este é "o ano mais conturbado" para o segmento, marcado por conflitos geopolíticos, tarifas internacionais e importações predatórias

O presidente do conselho de administração da Gerdau, André B. Gerdau Johannpeter, soou um alerta durante o Congresso Aço Brasil 2025 sobre a situação crítica enfrentada pelo setor siderúrgico nacional. Segundo ele, este é “o ano mais conturbado para a indústria do aço”, marcado por conflitos geopolíticos, tarifas internacionais e o avanço de importações que ele considera predatórias.

De acordo com o executivo, a participação do aço importado no consumo interno brasileiro mais que dobrou nos últimos anos. “Estamos há muito tempo sofrendo com a importação predatória do aço. A taxa de penetração, que antes era de 10%, hoje está entre 22% e 25%. Nas vendas internas, isso já representa um terço do mercado. Esse volume é maior do que a própria produção da Gerdau em entregas”, afirmou diurante o evenmto em São Paulo.

O executivo destacou que a indústria opera atualmente com uma ociosidade de 35%, quando o ideal seria no máximo 20%. “Estamos em um ponto de quase insustentabilidade. Não dá para conviver com aço subsidiado, com desconto para exportação e toda sorte de participação do governo chinês nas empresas”, disse.

Johannpeter reforçou que a cadeia produtiva do aço no Brasil está em risco de desmobilização. “Estamos chegando ao limite. Reduzir mais a atividade tornará o negócio inviável. O sistema de cotas-tarifa ajudou, mas não resolveu o problema”, completou.

O governo, contudo, já reconheceu que há um desafio e, além da cota-tarifa, iniciou uma investigação antidumping, a maior já aberta, sobre 25 produtos de aço importados da China. Além da pressão interna, a siderurgia brasileira também sofre reflexos da guerra comercial global. Os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre o aço, afetando diretamente as exportações brasileiras. “Com isso, há um desvio de comércio e esse aço do mundo vai procurar novos mercados, entre eles o Brasil”, explicou.

Para o dirigente, o grande debate é sobre os empregos que estão em jogo. “Onde vão ficar os empregos: na Ásia ou no Brasil?”, questionou, ressaltando que a sobrevivência da indústria depende de medidas mais firmes de defesa comercial.

CNN Brasil - SP   27/08/2025

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos emitiu, nesta terça-feira (26), conclusões favoráveis à aplicação de tarifas antidumping e compensatórias contra 10 países -- incluindo o Brasil -- após investigações sobre produtos de aço resistente à corrosão.

As decisões abrangem US$ 2,9 bilhões em importações da Austrália, Brasil, Canadá, México, Holanda, África do Sul, Taiwan, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Vietnã, informou o Departamento de Comércio em um comunicado.

"O comércio concluiu que as importações de (aço) Core para os Estados Unidos de dez parceiros comerciais estavam sendo objeto de dumping e/ou subsídios", disse o departamento.

O aço resistente à corrosão é usado para construir automóveis, eletrodomésticos e edifícios, disse o departamento.

"As empresas e os trabalhadores siderúrgicos americanos merecem competir em igualdade de condições", disse o subsecretário de Comércio Internacional, William Kimmitt, em um comunicado.

A ITC (Comissão de Comércio Internacional) fará agora sua própria avaliação do prejuízo ao setor siderúrgico nacional, informou o departamento.

"Se a ITC concluir que houve dano específico ao parceiro comercial, o Departamento de Comércio emitirá ordens de tarifas AD (antidumping) e CVD (compensatórias)", disse o Departamento de Comércio.

Valor - SP   27/08/2025

Empresa, que está concluindo até 2026 um ciclo de R$ 25 bilhões em aportes no país, vê na crescente presença do aço estrangeiro uma ameaça direta à sustentabilidade do setor

A entrada de aço importado no mercado brasileiro, principalmente vindo da China, agora ameaça novos investimentos da ArcelorMittal no Brasil, segundo o presidente da companhia e CEO da ArcelorMittal Aços Planos América Latina, Jorge Oliveira, em entrevista ao Valor.

Segundo o executivo, as decisões de investimentos já tomadas serão concluídas, mas os investimentos ainda em estudo podem sofrer atrasos se o cenário se agravar e o governo não tomar medidas de defesa comercial.

“Temos apetite de continuar investindo no Brasil, mas o risco deste futuro é a condição de importação”, disse o executivo. A empresa, que está concluindo até 2026 um ciclo de R$ 25 bilhões em aportes no país, vê na crescente presença do aço estrangeiro uma ameaça direta à sustentabilidade do setor.

Oliveira destacou que a trajetória atual de importações repete o movimento já observado na Europa. “Se pegarmos 20 anos pré-Covid, a penetração de importação era de 10%, com volume de 2,2 milhões de toneladas. O ritmo deste ano está em 6,3 milhões. Em termos de volume, dá 200%. Da China, 330%”, afirmou.

No Brasil, a participação do aço importado já pressiona a capacidade produtiva instalada. O setor opera hoje com 35% de ociosidade, quase o dobro do patamar considerado saudável, de 20%.

Apostas no país dependem de maior proteção comercial

A ArcelorMittal anunciou, em fevereiro, investimentos de R$ 3,8 bilhões a R$ 4 bilhões no Espírito Santo, para ampliar a produção de galvanizados. O projeto, segundo Oliveira, segue dentro do prazo, mas pode ser impactado pela conjuntura. “O risco é ele atrasar, adiar a decisão. Este é um caso real”, disse.

Apesar de reforçar que a companhia mantém o compromisso com o Brasil, que responde por 20% a 25% do resultado global e emprega cerca de 20 mil colaboradores diretos, o executivo ressalta que a continuidade desse ciclo dependerá de maior proteção comercial.

Investigação do governo sobre produtos da China

O governo federal já reconheceu o desafio e, além de renovar até maio de 2026 o sistema de cotas de importação, abriu a maior investigação antidumping já realizada, envolvendo 25 produtos de aço importados da China. Oliveira vê a medida como um passo importante, mas insuficiente.

“As investigações sobre laminados a frio e galvanizados já têm um dano declarado pelo governo. Agora precisamos de celeridade”, afirmou. Para ele, o debate central com as autoridades deve girar em torno da defesa comercial, considerada condição essencial para garantir a manutenção e expansão dos investimentos.

Valor - SP   27/08/2025

A Nippon Steel reformará o maior alto-forno da U.S. Steel no próximo ano, investindo US$ 3,1 bilhões na unidade de Indiana. Será uma parte de seu compromisso de fazer um aporte de US$ 11 bilhões na empresa recém-adquirida até 2028.

O executivo-chefe (CEO) da U.S. Steel, David Burritt, divulgou alguns detalhes dos planos pela primeira vez em um evento na segunda-feira na Geórgia, incluindo o cronograma e o detalhamento dos gastos pretendidos.

A Nippon Steel e sua subsidiária U.S. Steel estão elaborando planos de investimento específicos após a aquisição em junho, que devem ser divulgados até o fim de agosto. Mais detalhes "virão em um futuro muito próximo", disse Burritt.

A matriz japonesa planeja reformar o alto-forno nº 14 da Gary Works. O dinheiro também será destinado a equipamentos de processamento na planta, bem como a processos para ajustar a composição do ferro fundido produzido no forno.

A Gary Works tem capacidade para produzir 7,5 milhões de toneladas métricas de aço bruto anualmente — a maior capacidade entre as instalações da U.S. Steel — fazendo principalmente chapas de aço automotivas.

"Este investimento é vital para o consumo de aço no Alto Centro-Oeste, mas sabemos que não podemos simplesmente parar na produção de ferro para atender aos muitos clientes da Gary", disse Burritt.

O CEO também afirmou que a Big River Steel, subsidiária da U.S. Steel no Arkansas que opera fornos elétricos a arco, iniciou a produção de novas chapas de aço elétrico feitas com tecnologia da Nippon Steel.

A U.S. Steel está lidando com uma explosão neste mês em uma coqueria em Clairton, Pensilvânia, parte da Mon Valley Works da empresa, que matou duas pessoas e feriu dez.

Com seus equipamentos obsoletos, a siderúrgica pretende implementar tecnologia de segurança utilizando inteligência artificial. A Nippon Steel já esse recurso em suas próprias siderúrgicas.

"Acreditamos firmemente que a siderúrgica que liderar em inteligência artificial será aquela que liderará todo o setor", disse Burritt.

ECONOMIA

Agência Brasil - DF   27/08/2025

Desconto na conta de luz, queda no preço dos alimentos e gasolina mais barata são fatores que fizeram a prévia da inflação de agosto ficar negativa em 0,14%. Na média, o custo de vida das famílias ficou mais em conta.

A constatação está no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial no país, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em julho, o IPCA-15 tinha marcado 0,33%.

O resultado de agosto é o menor desde setembro de 2022 (-0,37%) e a primeira deflação (inflação negativa) desde julho de 2023 (-0,07%). Em agosto de 2024, o índice marcou 0,19%.

Com o resultado conhecido nesta terça-feira, o IPCA-15 acumulado em 12 meses fica em 4,95%. Em julho, era 5,30%.

O governo trabalha com a meta de manter a inflação oficial em 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para mais ou para menos, isto é, o máximo tolerado em 4,5%.

Bônus de Itaipu

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, quatro apresentam deflação na prévia de agosto. Destaque para a habitação, que viu os preços recuarem 1,13%, representando impacto de -0,17%, o maior impacto negativo dentre os nove grupos.

O que mais puxou essa queda na inflação da habitação foi a conta de luz, que baixou 4,93%. De todos os 377 produtos e serviços apurados pelo IBGE, foi o preço da energia elétrica residencial que mais pressionou o IPCA-15 para baixo, com impacto de 0,20 p.p.

A explicação está no chamado Bônus de Itaipu, desconto na conta que beneficiou 80,8 milhões de consumidores. Conforme adiantou a Agência Brasil, a bonificação compensou a bandeira tarifária vermelha 2, que adiciona R$ 7,87 na conta e luz a cada 100 Kwh consumidos.
Alimentos

O segundo grupo que mais ajudou a segurar a inflação foi o de alimentos e bebidas, que recuou 0,53% (impacto de -0,12 p.p.). É o terceiro mês seguido de deflação no preço da comida, depois de nove meses seguidos de alta.

A alimentação no domicílio caiu 1,02% em agosto, com destaque para as quedas nos preços da manga (-20,99%), batata-inglesa (-18,77%), cebola (-13,83%), tomate (-7,71%), arroz (-3,12%) e carnes (-0,94%).
Gasolina

O grupo dos transportes apresentou deflação de 0,47% na prévia de agosto, o que representa impacto de -0,10 p.p. no IPCA-15. O resultado foi impulsionado pelas quedas nas passagens aéreas (-2,59%), automóvel novo (-1,32%) e na gasolina (-1,14%).

A gasolina é o subitem da cesta de consumo do brasileiro com maior peso, e a queda em agosto representou impacto de -0,06 p.p.

O conjunto de combustíveis recuou 1,18% em média, com deflação dos preços do óleo diesel (-0,20%), gás veicular (-0,25%) e etanol (-1,98%).
Demais grupos

O grupo comunicação caiu 0,17% no mês, com impacto de -0,01 p.p. no IPCA-15. Os demais cinco grupos tiveram variações e impactos positivo ou nulo:
Despesas pessoais (1,09% e 0,11 p.p.) Educação (0,78% e 0,05 p.p.) Saúde e cuidados pessoais (0,64% e 0,09 p.p.) Vestuário (0,17% e 0,01 p.p.) Artigos de residência (0,03% e 0,00, p.p.) Prévia e inflação oficial

O IPCA-15 tem basicamente a mesma metodologia do IPCA, a chamada inflação oficial, que serve de base para a política de meta de inflação do governo.

A diferença está no período de coleta de preços e na abrangência geográfica. Na prévia, a pesquisa é feita e divulgada antes mesmo de acabar o mês de referência. Em relação à divulgação atual, o período de coleta foi de 16 de julho a 14 de agosto.

Ambos os índices levam em consideração uma cesta de produtos e serviços para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Atualmente, o valor do mínimo é R$ 1.518.

O IPCA-15 coleta preços em 11 localidades do país (as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.); e o IPCA, 16 localidades (inclui Vitória, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju). O IPCA de agosto será divulgado em 10 de setembro.

O Estado de S.Paulo - SP   27/08/2025

Gastando menos com luz e comida, milhões de famílias têm chance de melhorar seu consumo ou de pôr um dinheirinho de lado, mas, embora tenha recuado 0,14% em agosto, o aumento do custo de vida — 3,26% no ano e 4,95% em 12 meses — continua longe do centro da meta, 3%, e também acima do teto, 4,5%. Essa é a prévia de inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Não há espaço para recuo na política anti-inflacionária, mesmo com a recente mudança no cenário dos preços. Com a boa produção e a melhora das condições de abastecimento, o custo da alimentação caiu por três meses consecutivos, com recuos de 0,02% em junho, 0,06%em julho e 0,53% em agosto.

Mas a demanda interna continua robusta, graças à melhora do emprego, o quadro externo é inseguro, e as projeções de mercado ainda apontam inflação de 4,95% neste ano e de 4.40% no próximo. As duas taxas são bem superiores à meta, a primeira ultrapassa o limite de tolerância e qualquer negligência pode complicar o quadro.

Preços de alguns alimentos caíram recentemente, no mercado interno, quando se interromperam algumas exportações ao mercado americano. Mas o quadro já mudou e, além disso, tanto os produtores quanto o País precisam dos dólares obtidos com a exportação e, num sentido estratégico, da integração no mercado global.

Essa integração será tanto mais fácil e tanto mais produtiva quanto mais saudável a economia interna. A saúde econômica depende apenas em parte da iniciativa empresarial e do esforço dos trabalhadores.

A previsibilidade, a segurança dos negócios, a estabilidade dos preços e as condições de crescimento são determinadas também pela qualidade da ação governamental e pelo estado das finanças públicas.

Um país pode prosperar mesmo quando o setor público permanece discreto e participa dos negócios em funções muito selecionadas, evitando envolver-se em atividades empresariais.

Além disso, pode crescer com maior segurança quando o governo controla mais severamente as suas finanças e concentra sua intervenção em áreas como saneamento, infraestrutura, saúde, ciência, tecnologia e formação de recursos humanos.

Não se trata de favorecer o sonho conservador do Estado mínimo e da selvageria do cada por si, mas de buscar as formas de ação pública mais essenciais, mais eficientes e de maior alcance para a população.

Essas ações podem ser muito diferentes em diferentes fases de desenvolvimento, e a sua escolha depende, é claro, de uma boa combinação de escolhas políticas e de planejamento.

Pode ser desastroso confundir gasto público eficiente e socialmente útil com a mera gastança eleitoreira e inflacionária, bem conhecida no Brasil, muito lucrativa para alguns, muito custosa para a maioria e muito enganadora para muitos. Dar atenção a esses fatores pode ser especialmente útil quando se avizinham eleições para os postos mais importantes da República.

CNN Brasil - SP   27/08/2025

As tarifas impostas por Donald Trump contra o mundo devem custar US$ 450,1 bilhões (cerca de R$ 2,5 trilhões) em perdas comerciais. Isso reduzirá o PIB (Produto Interno Bruto) real do país em 0,8% na próxima década.

Os dados são da ONU (Organização das Nações Unidas) compilados pela TINA (Consultor de Inteligência Comercial e Negociação, na tradução do inglês) e pela Fundação Hinrich, divulgados nesta semana.

Para referência: em 2024, o PIB brasileiro foi de R$ 2,18 trilhões, quase 90% do valor calculado pelo ONU.

Os impactos mais significativos são esperados na China (-US$ 156,6 bilhões), na União Europeia (-US$ 92,6 bilhões) e no Japão (-US$ 27,7 bilhões).

O Brasil, por sua vez, terá US$ 8,7 bilhões (cerca de R$ 47,5 bi) derretidos pelo tarifaço, segundo a estimativa. As exportações totais do Brasil em 2024 atingiram US$ 337 bilhões — o que, teoricamente, demonstraria uma redução de 2,58% no valor.

Para fazer a conta, a organização considerou a demanda de importações de 170 países e 27 membros da União Europeia. Canadá e México ficaram de fora do conjunto de dados, por terem sido alvos de uma série anterior de tarifas.
Maior alta desde 1933

Desde que Trump 2.0 se tornou realidade, a prioridade da administração do republicano foi a interrupção do comércio global — com o argumento de apoiar as indústrias nacionais americanas.

Ele foi eleito com base nesta premissa: consertar as finanças dos americanos por meio de medidas econômicas protetivas. Os dados da ONU, apesar de mostrarem o impacto destas medidas à economia global, são mais difíceis de tangibilizar (e de medir o sucesso — ou não — do tarifaço).

Neste contexto, o Labortório de Orçamento da Universidade de Yale tem estimado, semanalmente, o impacto direto das tarifas no bolso do consumidor dos EUA.
O Brasil teve US$ 8,7 bilhões (cerca de R$ 47,5 bi) derretidos pelo tarifaço
No último relatório do centro de pesquisa, feito no dia 7 de agosto, estimou-se que americanos enfrentariam uma taxa média de 18,6% sobre todos os produtos que consomem. Esta é a maior alta desde 1933.

O aumento é de 16,2 pontos percentuais em relação a janeiro de 2025. Isso significa que a taxa atual é cerca de 8x maior do que os consumidores enfrentavam há oito meses.

Com base nestas informações, o laboratório calcula o impacto nos produtos no curto (2027) e longo prazo (2028).

Os dados mostram aumentos elevados nos preços de vestimentas: o aumento é de 39% para produtos de couro, como sapatos e bolsas; 37% para vestuário e 21% para têxteis. Até 2028, os preços permanecerão, respectivamente, 19%, 18% e 11% mais altos.

Os preços dos alimentos subirão 3,2% no curto prazo e permanecerão 2,9% mais altos no longo. Os preços dos veículos automotores aumentam 12,4% no curto prazo e 9,4% no longo prazo (o equivalente a US$ 6 mil e US$ 4,5 mil adicionais ao preço médio de um carro novo de 2024).

Quem mais sofre são os metais: alta de 41% no curto e 17% no longo. As safras, por sua vez, aumentarão 31,5% até 2027 e 18% até 2028. "É por isso que automóveis e alimentos ficarão mais caros para os consumidores americanos no futuro", diz o relatório de Yale.
Americanos enfrentam maior taxa média sobre produtos desde 1933.
"A busca do consumidor americano por substitutos significará a busca por mais produção local. Infelizmente, muitos produtos também são produzidos com commodities primárias importadas, que também são importadas. Essas também enfrentam tarifas muito mais altas", argumenta.

Os aumentos poderão gerar uma perda média de renda familiar de US$ 2,7 mil em 2025. E isso afeta mais aqueles com menor poderio econômico: o prejuízo das famílias na base da pirâmide familiar é 3x maior do que o topo da pirâmide (-3,8% x -1,1%).

Trade-off

O presidente Donald Trump tem falado semanalmente da receita tarifária recorde que o governo dos EUA arrecadou desde o início do tarifaço. “Temos muito dinheiro entrando, muito mais dinheiro do que o país já viu”, disse Trump no último fim de semana, em coletiva de imprensa.

É verdade. O governo arrecadou quase US$ 30 bilhões em receitas tarifárias no mês passado, segundo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Isso representa um aumento de 242% na receita tarifária em comparação com julho do ano passado.

Contudo, economistas consultados têm rejeitado amplamente a política comercial de Trump, que já está aumentando os custos para empresas e consumidores.

Os dados da ONU e de Yale comprovam justamente a tese. Ainda no relatório da Universidade, ela chama o tarifaço de trade-off — ganhar cá, perder lá. Ao mesmo tempo que a produção industrial dos EUA deve crescer 2,1%, os ganhos serão sobrepujados por outros setores: a produção da construção civil contrairá 3,6% e a agricultura, 0,8%.

O centro de pesquisa também estimou quedas no PIB, na quantidade de empregos e na folha de pagamento dos funcionários em 2025.
Yale estima que aumentos gerados pelas tarifas gerarão uma perda média de renda familiar de US$ 2,7 mil em 2025

Segundo a Fundação Hitch, responsável por compilar os dados de ambas as pesquisas, isso significa que o sonho da inflação mais baixa — esperada pelo mercado financeiro em setembro deste ano — poderá demorar mais tempo para se tornar realidade.

"As tarifas terão um efeito econômico negativo na economia americana", disse Ernie Tedeschi, diretor de economia do laboratório Yale e ex-economista na Casa Branca de Biden, à CNN Internacional.

No entanto, Trump e seu governo veem isso de forma diferente, argumentando que os cortes de impostos e o projeto de lei de gastos recentemente aprovados, combinados com a receita tarifária, irão turbinar a economia dos EUA ao longo do tempo.

O Estado de S.Paulo - SP   27/08/2025

Desde que as declarações da semana passada do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, alimentaram as apostas de um corte dos juros na próxima reunião de política monetária nos Estados Unidos, voltou à tona com toda força um tema que sempre beneficia os mercados emergentes: as operações de “carry trade”, quando os investidores tomam dinheiro emprestado em países com juros baixos para investir nos ativos de países com elevadas taxas de rendimento.

A discussão agora é sobre qual país emergente poderá receber um fluxo maior de capital do investidor estrangeiro, dando um novo impulso de valorização à moeda em relação ao dólar. Entre os mercados emergentes, habitualmente os maiores beneficiados das operações de carry trade são Brasil, México e África do Sul.

Na sexta-feira, quando as apostas de cortes de juros pelo banco central americano aumentaram, o dólar caiu 0,97% ante o real brasileiro, para R$ 5,42; cedeu 0,94% em relação ao peso mexicano, para 18,58; e recuou 1,53% ante o rand sul-africano, para o patamar de 17,44.

O principal fator de atratividade do capital estrangeiro em busca de maior ganho é o diferencial de juros entre a taxa básica americana e as praticadas nos países emergentes. Mas, nessa decisão de onde destinar seu dinheiro, o investidor também leva em conta a volatilidade, que pode corroer a rentabilidade da operação. E essa volatilidade pode ser afetada por riscos domésticos, como fiscais e políticos, e externos, como a guerra tarifária do presidente Donald Trump.

Do ponto de vista do diferencial de juros, o Brasil pode levar vantagem sobre o México e a África do Sul. Conforme a pesquisa Focus, o ciclo de corte de juros pelo Copom deve levar a taxa Selic de 15%, hoje, a 12,50% ao fim de 2026. No México, os analistas preveem que o Banxico irá cortar os juros em 0,25 ponto porcentual em setembro, para 7,50%, com o mercado estimando uma taxa a 6,75% no fim do ano que vem. Na África do Sul, a mediana das projeções aponta juros a 6,5% no fim de 2026.

Ou seja, nesse horizonte de tempo o diferencial de juros tornará provavelmente o real brasileiro a moeda mais atrativa entre os emergentes. Nos EUA, a aposta majoritária é de uma redução de 0,50 ponto até o fim deste ano, levando a taxa básica para a faixa de 3,75%/4,0%. Em 2025, o dólar acumula queda de 12% ante o real. Por ora, o investidor vem relevando os riscos fiscais no Brasil. A dúvida é se o ruído político com a eleição presidencial de 2026 fará a volatilidade disparar, sabotando o carry trade.

Money Times - SP   27/08/2025

A prévia da inflação do Brasil mostrou um recuo de 0,14% em agosto e o país voltou a registrar deflação, o que não ocorria desde 2023. No entanto, segundo Homero Guizzo, economista da Terra Investimentos, os dados vieram piores do que parece.

No Giro do Mercado desta terça-feira (26), apresentado pela jornalista Paula Comassetto, o especialista destacou que era esperada uma deflação mais forte. A resistência de alguns núcleos preocupa o mercado e deve acender um alerta para o Banco Central.

“O que assustou muito o mercado foi o desempenho dos preços de serviços em geral. Tivemos uma série de pressões sobre os núcleos de inflação que não permitem que a gente olhe para os números de maneira tranquila”, disse.

Com a frustração de expectativas, Guizzo alerta que ao contrário do que vem ocorrendo nas últimas semanas, o Boletim Focus pode revisar para cima as projeções para a inflação. Um eventual corte de juros ainda em 2025 fica cada vez mais improvável.

“Quem imaginava que o corte pudesse ser em dezembro, deve projetar para janeiro; quem pensava que viria em janeiro projeta para março; ou eventualmente, em um cenário mais pessimista, fique até para o segundo trimestre do ano que vem”, afirmou o economista.
Demissão levanta dúvidas sobre a independência do Fed

Nos Estados Unidos, parte do mercado acendeu o sinal de alerta com a elevação das tensões entre o presidente Donald Trump e o Federal Reserve após a demissão de Lisa Cook, diretora da autarquia que era mais alinhada ao chairman, Jerome Powell.

Para Guizzo, a independência consolidada do banco central americano trouxe tranquilidade nas últimas quatro décadas, período em que a inflação se manteve majoritariamente em patamares baixos.

Com a demissão, crescem as dúvidas sobre eventuais interferências de Trump. “A questão não é nem a Lisa Cook. É que a decisão cheira a uma ameaça velada aos outros membros do Fed”, disse o especialista.

O programa ainda abordou o desempenho dos mercados globais e outros destaques corporativos do dia. Para acompanhar o Giro do Mercado na íntegra, acesse o canal do Money Times no YouTube.

O Estado de S.Paulo - SP   27/08/2025

O Federal Reserve (Fed), equivalente ao Banco Central dos EUA, defendeu sua independência nesta terça-feira, 26, dia seguinte à decisão de Donald Trump de demitir Lisa Cook, uma das diretoras com voto na definição das taxas de juro da economia americana.

A instituição ressaltou os “longos mandatos e as proteções contra demissão” dos diretores, mas afirmou que acataria qualquer decisão judicial. Enquanto isso, Cook prepara a contestação da demissão, que seu advogado chamou de “ilegal”.

Questionado sobre a declaração dos advogados de Cook de que contestariam a decisão judicialmente, nesta terça-feira, o presidente americano afirmou que “acataria a decisão dos tribunais”. E voltou a cobrar do banco central americano a redução das taxas de juros.

Diário do Comércio - MG   27/08/2025

As contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 7,1 bilhões em julho de 2025. O saldo negativo é maior do que o do mesmo mês do ano passado, quando estava em US$ 5,2 bilhões. Os dados constam do relatório de estatísticas do setor externo do Banco Central (BC), divulgado nesta terça-feira (26).

Na mesma base de comparação, o saldo da balança comercial de bens reduziu US$ 514 milhões e o déficit em renda primária aumentou US$ 1,4 bilhão, informou a autoridade monetária.

No caso da balança comercial de bens, ela foi superavitária em US$ 6,5 bilhões em julho de 2025. Em julho de 2024, o saldo também estava positivo, em US$ 7 bilhões.

“As exportações de bens somaram US$ 32,6 bilhões, aumento de 4,8%, enquanto as importações de bens cresceram 8,3%, totalizando US$ 26,1 bilhões”, informou o BC. Ainda segundo o banco, os resultados das contas de serviços e renda secundária permaneceram estáveis.

O déficit em transações correntes nos 12 meses encerrados em julho de 2025 ficou em US$ 75,3 bilhões (3,50% do PIB – Produto Interno Bruto), ante US$ 73,3 bilhões (3,43% do PIB) registrados em junho e US$ 30,7 bilhões (1,37% do PIB) em julho de 2024.

A conta de serviços apresentou déficit de US$ 5 bilhões em julho de 2025, resultado próximo ao de julho de 2024.

Já as despesas líquidas com viagens internacionais cresceram 34,1%, ficando em US$ 1,6 bilhão, resultado que decorre do aumento de 27,2% (US$ 2,3 bilhões) nas despesas e de 13,3% nas receitas (US$ 696 milhões).

As despesas líquidas de serviços de telecomunicação, computação e informações aumentaram 52,7%, ficando em US$ 791 milhões. No caso das relativas a propriedade intelectual, o aumento foi de 26,2%, chegando a US$ 842 milhões. Já os gastos referentes a aluguel de equipamentos, o incremento ficou em 7%, totalizando US$ 1 bilhão.

Houve retração de 17% nas despesas líquidas de transportes, para US$ 1,1 bilhão.

A renda primária apresentou déficit de US$ 8,9 bilhões em julho de 2025, resultado 18,1% acima do déficit de US$ 7,5 bilhões registrado no mesmo mês de 2024. As despesas líquidas com juros somaram US$ 4,2 bilhões, 4,4% inferiores ao registrado em julho de 2024 (US$ 4,4 bilhões).

Já as despesas líquidas de lucros e dividendos (associadas aos investimentos direto e em carteira) totalizaram US$ 4,7 bilhões, ante US$ 3,2 bilhões em julho de 2024, “destacando-se a redução de US$ 1,1 bilhão das receitas (US$ 1,5 bilhão em julho de 2025 ante US$ 2,6 bilhões em julho de 2024)”, informou o BC.

IDP

Os ingressos líquidos dos investimentos diretos no País (IDP) somaram US$ 8,3 bilhões em julho de 2025, ante US$ 7,2 bilhões registrados em julho de 2024.

No acumulado em 12 meses, o IDP totalizou US$ 68,2 bilhões (3,17% do PIB) no mês, ante US$ 67 bilhões (3,14% do PIB) em junho e US$ 65,2 bilhões (2,90% do PIB) em julho de 2024.
Reservas

As reservas internacionais somaram US$ 345,1 bilhões em julho de 2025, o que corresponde a um aumento de US$ 671 milhões em relação ao mês anterior.

Contribuíram para esse aumento o retorno líquido de US$ 2,1 bilhões em operações de linhas com recompra; as variações por paridades, de US$ 1,8 bilhão; e por preços, de US$ 476 milhões, que contribuíram para sua redução. As receitas de juros somaram US$ 731 milhões.

MINERAÇÃO

CNN Brasil - SP   27/08/2025

Os preços futuros do minério de ferro registraram perda nesta terça-feira (26), com as novas ameaças de tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alimentando preocupações sobre as perspectivas de demanda.

O contrato de janeiro do minério de ferro mais negociado na DCE (Bolsa de Mercadorias de Dalian) da China encerrou as negociações do dia com queda de 0,7%, a 776,5 iuanes (US$ 108,56) a tonelada, após atingir na segunda-feira o valor mais alto desde 14 de agosto.

O minério de ferro de referência de setembro na Bolsa de Cingapura caiu 0,93%, a US$ 102,3 a tonelada.

Trump disse na segunda-feira (25) que a China precisa dar aos Estados Unidos ímãs ou "teremos que cobrar deles uma tarifa de 200% ou algo assim" em meio a uma disputa comercial entre as duas nações.

Trump também ameaçou os países que têm impostos digitais com "tarifas adicionais subsequentes" sobre seus produtos se essas nações não removerem a legislação.

As ameaças foram feitas depois que os EUA fecharam acordos comerciais com vários países e regiões após uma série de rodadas de negociações, aliviando os temores de uma recessão global que prejudicará a demanda por commodities.

Os preços do minério de ferro caíram no ano passado em meio à retração da demanda da China, principal mercado consumidor de minério, que está lutando contra a deflação e a fraca confiança do consumidor.

Os preços mais baixos do minério de ferro reduziram os lucros de várias mineradoras importantes. A australiana Fortescue divulgou seu menor lucro anual em seis anos, enquanto o lucro anual da BHP caiu para o nível mais baixo em cinco anos.

Valor - SP   27/08/2025

Quarta maior produtora de minério de ferro do mundo registrou um lucro líquido de US$ 3,37 bilhões para o ano fiscal encerrado em junho, queda em relação aos US$ 5,68 bilhões do ano anterior

A Fortescue divulgou nesta terça-feira (26) uma queda de 41% no lucro líquido anual e reduziu seu dividendo, refletindo os preços mais baixos do minério de ferro, enquanto a crise imobiliária da China pressiona a demanda por aço.

A quarta maior produtora de minério de ferro do mundo registrou um lucro líquido de US$ 3,37 bilhões para o ano fiscal encerrado em junho, uma queda em relação aos US$ 5,68 bilhões do ano anterior. Analistas esperavam cerca de US$ 3,49 bilhões, segundo um consenso da Visible Alpha.

O conselho declarou um dividendo final de 60 centavos de dólares australianos, o equivalente a cerca de US$ 0,39, contra 89 centavos de dólares australianos por ação há um ano.

O lucro foi corroído por preços mais fracos para o minério extraído no noroeste da Austrália e vendido principalmente para siderúrgicas chinesas. O preço médio que a Fortescue recebeu caiu quase um quinto na comparação anual. Foi o menor lucro anual da empresa em seis anos.

Apesar do cenário de preços fracos, o desempenho operacional da Fortescue foi sólido, disseram analistas.

A Fortescue atingiu embarques anuais recordes, com alta de 4% no ano, e reduziu os custos de produção reportados em 1%.

“Nossas operações nunca estiveram tão fortes”, disse o presidente de metais e operações, Dino Otranto, em uma teleconferência com analistas e repórteres.

Os preços do minério de ferro têm sido pressionados pela crise imobiliária da China, com menos residências sendo construídas. A China é o maior importador global de minério de ferro, o que torna a Fortescue altamente dependente da demanda contínua da indústria siderúrgica chinesa.

A Fortescue disse que os preços realizados também foram afetados pela incerteza geopolítica, pelas políticas comerciais dos Estados Unidos e pelo aumento da oferta global, embora a demanda por seus produtos tenha permanecido forte.

Otranto vê perspectivas positivas da demanda chinesa. “Toda vez que estou na China, fico incrivelmente impressionado com o crescimento contínuo daquela economia”, afirmou.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) subjacente caiu 26%, para US$ 7,94 bilhões, sobre uma queda de 15% na receita. Sua margem Ebitda subjacente diminuiu de 59% para 51%.

Seu dividendo para o ano fiscal de 2025 totalizará 1,10 dólar australiano por ação, representando uma taxa de pagamento de 65%, disse Otranto. A Fortescue tem uma política de pagar aos acionistas entre 50% e 80% do lucro subjacente anual.

A Fortescue teve investimento totais de US$ 3,93 bilhões, incluindo US$ 312 milhões para seu braço de energia.

Nos últimos anos, a mineradora buscou construir um negócio de energia limpa focado em hidrogênio verde, com projetos nos EUA e na Austrália, mas desacelerou os planos à medida que o governo Trump corta o apoio às indústrias de energia limpa.

No mês passado, a Fortescue disse que não prosseguiria com um projeto de hidrogênio verde no Arizona, previsto para meados de 2026, e também abandonou um projeto em Gladstone, na Austrália.

A mineradora continua a ver o hidrogênio verde, hidrogênio feito com energia renovável, como uma fonte de energia futura crítica.

“Nenhuma nova indústria ou mudança transformacional jamais foi linear ou fácil”, disse o fundador e presidente do conselho da Fortescue, Andrew Forrest, no relatório anual da empresa. “Nem sempre acertamos, mas aprendemos todos os dias com os avanços e reveses.”

As ações da Fortescue caíram 1,44% na Bolsa de Sydney.

Valor - SP   27/08/2025

Mineradora anglo-australiana anunciou nesta quarta-feira que passará a operar sob três unidades: minério de ferro, alumínio e lítio, e cobre

O novo diretor executivo da Rio Tinto, Simon Trott, está simplificando a estrutura da empresa e reduzindo o número de líderes da gigante da mineração, ao mesmo tempo em que promove o chefe das minas de Pilbara para comandar globalmente as operações lucrativas de minério de ferro da companhia.

A mineradora anglo-australiana anunciou nesta quarta-feira que passará a operar sob três unidades: minério de ferro, alumínio e lítio, e cobre. Matthew Holcz será o novo CEO de minério de ferro, assumindo o cargo de Trott com uma função ampliada que incluirá as operações da Rio Tinto na Austrália, Canadá e Guiné.

Jerome Pecresse, responsável pelas operações de alumínio da Rio Tinto, também passará a supervisionar o negócio de lítio, enquanto Katie Jackson continuará liderando a crescente divisão de cobre. Sinead Kaufman, chefe de minerais, e Kellie Parker, chefe da operação na Austrália, deixarão a empresa, segundo a mineradora.

A Rio Tinto está reavaliando se manterá suas operações de bórax na Califórnia e de ferro e titânio no norte de Quebec. Esses negócios serão supervisionados pelo diretor comercial Bold Baatar enquanto passam por revisão.

“Ao simplificar nosso trabalho, vamos agir mais rápido, minimizar distrações, criar responsabilidades mais claras, eliminar frustrações e liberar as pessoas para focarem em entregar excelência aos nossos clientes e trabalhar com segurança para gerar valor real e duradouro para a Rio e seus acionistas”, disse Trott em um memorando aos funcionários, visto pelo “The Wall Street Journal”.

Trott afirmou no memorando que a Rio Tinto compartilhará os resultados das revisões estratégicas “assim que possível”.

Na segunda-feira, Trott assumiu o comando da segunda maior mineradora do mundo, substituindo o ex-CEO Jakob Stausholm, com o compromisso de gerar mais valor para os acionistas e comunidades a partir dos negócios em expansão da empresa.

Ele disse que a unificação das operações de minério de ferro sob Holcz ajudará as equipes a compartilhar boas práticas de segurança, tecnologias e experiências operacionais. Holcz, que atualmente supervisiona 18 minas, “é exatamente o tipo de líder que precisamos para impulsionar desempenho e padrões de segurança em nosso maior negócio global”, afirmou Trott no comunicado.

Trott está atualmente na Guiné, onde a Rio Tinto interrompeu as atividades em seu enorme projeto de minério de ferro Simandou após a morte de um trabalhador na sexta-feira. Ele disse que uma investigação está em andamento, sem fornecer mais detalhes sobre o incidente fatal.

No memorando, Trott também mencionou planos para simplificar ainda mais os processos da Rio Tinto. “Nossos processos atuais são muito complexos e nos atrasam”, disse.

A nova equipe executiva se reunirá em setembro para sessões estratégicas anuais, nas quais definirão as prioridades para o próximo ano. Trott disse que compartilhará mais detalhes sobre os planos nos próximos meses.

A nomeação de Trott foi bem recebida pelos investidores, após ele liderar por quatro anos as operações de minério de ferro da Rio Tinto no remoto noroeste da Austrália, que representam mais da metade dos lucros da empresa.

Ainda assim, ele assume o cargo em um momento em que a Rio Tinto diversifica seus negócios para além do minério de ferro, com investimentos em cobre e lítio.

Como muitos de seus concorrentes, a Rio Tinto busca se consolidar como uma grande fornecedora de cobre — um metal industrial considerado essencial para a transição energética por seu papel como condutor de eletricidade.

O ex-CEO Stausholm havia estabelecido uma meta de produção anual de cobre de 1 milhão de toneladas métricas até o final da década, cerca de 40% a mais do que a empresa produziu no ano passado.

No início deste ano, a mineradora também adquiriu a Arcadium Lithium por US$ 6,7 bilhões, posicionando-se entre os maiores produtores de lítio do mundo.

Esses negócios superam em tamanho as operações de bórax e titânio que estão sendo revisadas.

O bórax é utilizado em fertilizantes, fabricação de vidro e proteção de madeira, entre outros usos. A mina da Rio Tinto na Califórnia, que abriga um dos depósitos mais ricos de bórax do mundo, responde por cerca de 30% da demanda global, segundo o site da empresa.

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   27/08/2025

Em uma fábrica em Hekinan, uma cidade litorânea a sudoeste de Tóquio, máquinas lançam barras de metal quente em cestas. Em uma recente segunda-feira, a luz da tarde entrava pelas janelas amareladas e o ar dentro da fábrica estava quente e cheirava a aparas de metal.

A fábrica, operada pela Asahi Tekko, uma fabricante japonesa de peças automotivas com 84 anos, produz componentes que são instalados nos modelos Lexus e Land Cruiser nas fábricas da Toyota nas proximidades. Muitos desses veículos são então enviados para os Estados Unidos.

Durante décadas, essa rota foi uma das muitas linhas de abastecimento que sustentam a indústria automotiva. Agora, porém, ela é motivo de preocupação para a Asahi Tekko, que enfrenta as recentes flutuações nas políticas comerciais dos EUA.

Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabeleceu uma tarifa de 25% sobre automóveis e peças japonesas este ano, Tetsuya Kimura, diretor executivo da Asahi Tekko, pensou: “Ele realmente vai fazer algo assim?”, lembrou Kimura. Ele acrescentou: “O raciocínio parecia muito simplista”.

A Asahi Tekko ainda não sentiu o efeito total das tarifas, que serão fixadas em 15% como parte do recente acordo comercial do Japão com o governo Trump. Ainda assim, a incerteza é inquietante. Kimura teme que elas possam prejudicar a demanda americana por carros e reduzir a necessidade de suas peças.

“Quando se trata do impacto que essas tarifas terão, não temos como calcular”, disse ele.

Sob o governo Trump, praticamente todos os maiores países fabricantes de automóveis do mundo estão sujeitos a tarifas de dois dígitos sobre automóveis e peças automotivas. Embora grandes fabricantes estrangeiros de automóveis, como a Toyota, tenham lucros para absorver os custos adicionais, especialistas do setor esperam um efeito mais devastador sobre as densas redes de fornecedores de peças automotivas que fabricam tudo, desde pistões até fiação.

Nos maiores países produtores de automóveis do mundo, como Japão, Alemanha e Coreia do Sul, milhares de pequenos e médios fornecedores de peças formam a espinha dorsal do setor manufatureiro. Os Estados Unidos são o maior comprador de veículos acabados montados nesses países e o maior importador direto de componentes do Japão e da Coreia do Sul.

Ao contrário de alguns fabricantes de automóveis, os fornecedores operam frequentemente com margens de lucro muito reduzidas e não têm dinheiro para investir na transferência da produção para outros países. Mas as tarifas são apenas o mais recente problema para as empresas. Elas também enfrentam a transição para veículos elétricos, que poderá tornar obsoletas muitas das peças que produzem para veículos com motor de combustão.

“Os pequenos players da indústria automotiva não têm alavancas que possam acionar para se ajustar às tarifas”, disse Michael Robinet, vice-presidente da S&P Global Mobility, uma provedora de inteligência automotiva. A mudança para veículos elétricos e o aumento da concorrência com chineses já estão levando os fornecedores a se consolidarem. “As tarifas são apenas um acelerador”, disse ele.

O setor de peças automotivas do Japão emprega mais de 600 mil pessoas em cerca de 20 mil empresas, muitas das quais são vitais para a indústria em áreas rurais do país. A indústria de peças da Coreia do Sul emprega cerca de 330 mil pessoas, enquanto na Alemanha os fornecedores representam cerca de um terço das mais de 700 mil pessoas no setor automotivo.

As interrupções nos fluxos comerciais já estão se tornando evidentes. No Japão, o valor e o volume das peças automotivas enviadas para os Estados Unidos caíram a cada mês desde maio, quando as tarifas sobre elas entraram em vigor. Em julho, o valor das peças automotivas enviadas para os Estados Unidos caiu 17,4% em relação ao ano anterior.

Em uma pesquisa recente realizada pela Câmara de Comércio e Indústria da Coreia, a maior organização empresarial da Coreia do Sul, 81% das empresas automotivas e de componentes automotivos afirmaram que as tarifas prejudicariam seus lucros.

As tarifas já custaram bilhões de dólares à indústria automotiva alemã, disse Hildegard Müller, presidente da Associação Alemã da Indústria Automotiva. No mês passado, a União Europeia chegou a um acordo com os Estados Unidos que reduziria as tarifas automotivas para 15%, mas Müller disse que o acordo não trouxe “clareza ou melhoria” para as empresas.

Nos detalhes do acordo entre os EUA e a UE publicados na semana passada, os dois lados afirmaram que os Estados Unidos reduziriam as tarifas sobre veículos somente depois que a Europa tomasse medidas para reduzir suas próprias tarifas sobre produtos americanos. O Japão e a Coreia do Sul também aguardam a entrada em vigor da redução das tarifas sobre automóveis prometida em seus próprios acordos comerciais com os Estados Unidos.

No mês passado, o Fundo Monetário Internacional projetou que as tarifas dos EUA pesariam significativamente sobre o crescimento na Alemanha, bem como na Coreia do Sul e no Japão. Ele previu que as três economias cresceriam este ano e no próximo apenas cerca de dois terços do ritmo que havia previsto em janeiro.

Isso fez com que os governos se apressassem em oferecer ajuda. A Coreia do Sul reservou cerca de US$ 11 bilhões para apoiar os fabricantes. Citando as tarifas como uma “crise nacional”, o governo japonês do primeiro-ministro Shigeru Ishiba alocou US$ 6,3 bilhões para apoiar as empresas afetadas e planeja abrir mil centros de consultoria em todo o país.

Ao mesmo tempo, novos desafios estão surgindo. Na semana passada, o governo Trump anunciou que tarifas de 50% estão agora em vigor para mais de 400 tipos adicionais de produtos, incluindo muitas peças automotivas, que contêm alumínio ou aço. Esses produtos foram adicionados a uma lista existente de produtos metálicos tarifados que já incluía muitos outros componentes automotivos.

Para alguns funcionários e trabalhadores da indústria no Japão, Coreia do Sul e Alemanha, o medo iminente é que o aumento dos custos tarifários obrigue alguns fornecedores a transferir a produção de seus países de origem para os Estados Unidos. Isso efetivamente esvaziaria suas indústrias nacionais e pesaria sobre o crescimento econômico.

Em abril, o governo Trump concordou em conceder uma suspensão parcial de dois anos das tarifas sobre peças automotivas para empresas que finalizam a montagem de carros nos Estados Unidos. Trump, que defendeu as tarifas como uma forma de trazer de volta os empregos perdidos na indústria, disse que estava dando à indústria “uma pequena ajuda” na transição para componentes fabricados nos Estados Unidos.

Essa isenção temporária veio após pedidos de montadoras americanas, como a General Motors, que compra muitas peças do México e da Coreia do Sul. As empresas avisaram que as taxas anunciadas antes aumentariam os custos de produção e cortariam bastante os lucros.

O governo Trump disse que os fabricantes nos Estados Unidos teriam de comprar seus componentes no país para evitar tarifas mais altas depois do adiamento de dois anos.

Na Coreia do Sul, assim como no Japão e na Alemanha, muitos fornecedores já haviam transferido parte da produção para os Estados Unidos nas últimas décadas. Mas alguns fornecedores resistiram à mudança para evitar custos de produção mais altos nos Estados Unidos, de acordo com Seongdae Cho, diretor do departamento de estudos comerciais e cooperação da Associação de Comércio Internacional da Coreia, uma das maiores organizações empresariais do país.

Quando o adiamento terminar, as empresas que ainda fornecem o mercado americano a partir do exterior estarão em significativa desvantagem. “Elas podem chegar a uma encruzilhada entre serem substituídas e terem de produzir nos EUA”, disse ele.

No Japão, Kimura, diretor executivo da Asahi Tekko, disse que a empresa, por enquanto, não planeja mudar significativamente suas operações. Ela continuará monitorando a demanda no mercado americano enquanto tenta aumentar a eficiência, principalmente usando mais inteligência artificial.

Durante uma entrevista recente, Kimura perguntou a um bot personalizado que ele mesmo criou no ChatGPT, chamado “Kimutetsu”, como reduzir o efeito das tarifas sobre seus negócios. O bot respondeu que ele deveria usar a pressão externa como um “trampolim” para mudar a estrutura da empresa e torná-la mais lucrativa.

Valor - SP   27/08/2025

Aporte adicional de US$ 5 bilhões será dedicado ao avanço de suas iniciativas estratégicas em automóveis, aço e robótica

O Hyundai Motor Group, da Coreia do Sul, anunciou nesta terça-feira (26) que aumentará o investimento nos EUA para US$ 26 bilhões até 2028 para expandir sua presença no mercado.

O investimento adicional de US$ 5 bilhões, além dos US$ 21 bilhões prometidos em março, será dedicado ao avanço de suas iniciativas estratégicas em automóveis, aço e robótica, afirmou o grupo em um comunicado.

O grupo planeja construir uma unidade de robótica de última geração nos EUA, com capacidade anual de 30 mil unidades, com o objetivo de se posicionar na vanguarda do ecossistema global de robótica, afirmou.

A controladora da Hyundai Motor e da Kia, cujas fábricas estão localizadas no Alabama e na Geórgia, respectivamente, também reafirmou os planos de construir uma nova siderúrgica na Louisiana e de expandir a capacidade de produção para atender à crescente demanda dos consumidores.

O aumento do investimento dos EUA deverá criar cerca de 25 mil empregos nos próximos quatro anos, afirmou o grupo.

O anúncio ocorre no momento em que o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, visita Washington para uma reunião com o presidente Donald Trump, que afirmou que os dois países estão se aproximando de um acordo comercial.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   27/08/2025

Em 12 meses, o INCC-M acumula elevação de 7,49%

O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) registrou alta de 0,70% em agosto, de acordo com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Em julho, o indicador havia subido 0,91%; em agosto de 2024, houve aumento de 0,64%.

Em 12 meses, o INCC-M acumula elevação de 7,49% - bem acima do acumulado registrado nos12 meses até agosto de 2024, de 4,84%. No ano até agosto, acumula alta de 5,13%.

O grupo Materiais, Equipamentos e Serviços subiu 0,59% em agosto, após marcar 0,86% em julho. A taxa de variação da categoria de Materiais e Equipamentos passou de 0,84% em julho para 0,56% um mês depois. Dos quatro subgrupos que compõem essa categoria, o destaque foi o subgrupo "materiais para instalação", que viu sua taxa sair de 3,81% para 2,47%.

No grupo de Serviços, a taxa passou de 1,06% em julho para 0,82% de incremento em agosto. Esse movimento foi reflexo do item "aluguel de máquinas e equipamentos", que viu sua taxa passar de 0,79% para 0,04%.

O índice de Mão de Obra subiu 0,85% em agosto, ante 0,99% em julho.

Todas as cidades, com exceção de Porto Alegre, experimentaram desaceleração em suas taxas de variação.

IstoÉ Dinheiro - SP   27/08/2025

O Índice de Confiança da Construção (ICST) caiu 1,1 ponto em agosto ante o mês anterior, para 91,6 pontos, após ter recuado 1,3 ponto em julho, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira, 26. Com o resultado, a média móvel trimestral do índice recuou 0,6 ponto.

A queda da confiança foi influenciada tanto pelo Índice de Situação Atual (ISA-CST), que caiu 0,4 ponto, para 92,1 pontos, quanto pelo Índice de Expectativas (IE-CST), que recuou 1,6 ponto, a 91,4 pontos – o menor nível desde maio de 2021 (89,1 pontos).

Entre os componentes do ISA-CST, o indicador de situação atual dos negócios recuou 1,1 ponto, a 90,9 pontos, e o de volume de carteira de contratos avançou 0,3 ponto, para 93,3 pontos. Do lado das expectativas, ambos os componentes recuaram: o de demanda prevista nos próximos três meses caiu 1,5 ponto, para 92,8 pontos, e o indicador de tendência dos negócios nos próximos seis meses retraiu 1,8 ponto, a 89,9 pontos.

“O ciclo de negócios recente, seja no mercado imobiliário ou na infraestrutura, em princípio, garantiria um ano de crescimento robusto para o setor. No entanto, houve piora no indicador de evolução recente da atividade – as assinalações de queda superaram as de crescimento”, disse Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, em relatório.

Segundo ela, o pessimismo com a demanda também aumentou e está repercutindo na intenção de contratar nos próximos meses.

“A escassez de mão de obra qualificada permanece como a principal limitação atual dos negócios, o que indica que a atividade se mantém aquecida, no entanto, assinalações de problemas de acesso ao crédito ganharam relevância nos últimos meses. Assim, o resultado da sondagem de agosto sugere que esse cenário de crescimento robusto pode mudar a partir da decisão das empresas de adiar início de obras ou alongar o ciclo produtivo”, acrescentou.

O Nível de Utilização da Capacidade (Nuci) da Construção ficou estável em agosto e se manteve em 78,2%. O NUCI de Mão de Obra variou -0,3 ponto porcentual, para 79,6%, enquanto de Máquinas e Equipamentos aumentou 1,1 ponto porcentual, para 73,3%.

IstoÉ Dinheiro - SP   27/08/2025

A indústria da construção registrou em agosto o pior nível de intenção de investimento em mais de dois anos. O índice caiu para 30 pontos, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). É o menor patamar desde abril de 2023, quando o setor ainda buscava se recuperar da pandemia.

A queda de 0,4 ponto em relação a julho é explicada, principalmente, pelo peso dos juros altos. “O ambiente de crédito segue pressionado e isso tem impacto direto no setor”, disse Isabella Bianchi, analista da CNI.

Apesar da previsão de queda da Selic nos próximos anos — o Boletim Focus, do Banco Central, projeta inflação de 4,86% em 2025 e taxa básica de 10% até 2028 —, o pessimismo persiste.

O índice de expectativa de nível de atividade recuou 1,7 ponto e ficou em 51,4 pontos. O de expectativa de empregos caiu 2,1 pontos, para 50,8. Ambos estão próximos da linha de 50 pontos, que separa otimismo de retração. Já a previsão de novos empreendimentos praticamente estagnou, em 50,1 pontos.

Rodoviário

Valor - SP   27/08/2025

Segundo a companhia, a partir de agora, a concessionária adotará o nome Ecovias Capixaba

A Ecorodovias informou, nesta terça-feira (26), que foi celebrado o termo aditivo para a otimização do contrato de concessão da controlada Ecovias 101, com vigência por 24 anos, preservando a continuidade da prestação do serviço público na BR-101, entre Espírito Santo e Bahia (BR-101/ES/BA), conforme condições estabelecidas pelo plenário do Tribunal de Contas da União (TCU).

No dia 26 de junho, a Ecorodovias confirmou a repactuação da concessionária Ecovias 101, que seguirá sob controle da empresa. O governo federal realizou o processo competitivo do contrato — o último passo do processo de renegociação —, mas não houve outros interessados no ativo.

De acordo com a Ecorodovias, a assinatura do aditivo ao contrato de concessão representa um novo marco da Ecovias 101 na gestão da BR-101/ES/BA.

Adicionalmente, a Ecorodovias informou que, a partir de agora, a concessionária adotará o nome Ecovias Capixaba.

NAVAL

A Tribuna - SP   27/08/2025

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou à Autoridade Portuária de Santos (APS) uma série de ajustes no edital de leilão do terminal STS08, no Porto de Santos. As medidas são necessárias para dar prosseguimento à licitação.

O STS08 é uma área de 152,3 mil metros quadrados (m²), na Alemoa, destinada à movimentação, armazenagem e distribuição de granéis líquidos, especialmente combustíveis.

O Tribunal determinou que o modelo econômico-financeiro do projeto e a minuta de contrato sejam compatíveis com o cronograma de conclusão do novo píer da Alemoa, que é uma obrigação da Petrobras estabelecida no contrato de arrendamento 06/2022. O intuito é evitar conflitos no processo de transição das operações de granéis líquidos.

A Corte requer também a garantia de que os serviços sejam prestados a múltiplos usuários e ao varejo sem discriminação e recomendou a inclusão de cláusulas no edital que restrinjam ou penalizem a transferência da titularidade do arrendamento antes da conclusão dos principais investimentos. O objetivo é coibir a participação de empresas interessadas apenas em intermediar contratos, sem assumir efetivamente a execução das obras previstas.

Obrigações
O acórdão aprovado em sessão plenária sob relatoria do ministro do TCU, Antonio Anastasia, manda a APS, após a revisão dos documentos, dar ampla publicidade ao tramite, incluindo análises internas e justificativas para deferimento ou rejeição de contribuições recebidas em audiência e consulta pública. A exigência deve ser cumprida em até 15 dias ou antes da publicação do edital.

Cópias da decisão foram encaminhadas à APS, à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e ao Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). A Unidade de Auditoria Especializada em Infraestrutura Portuária e Ferroviária (AudPortoFerrovia) do TCU ficará responsável por monitorar o cumprimento das determinações.

A decisão acontece após o Tribunal instaurar processo para apurar as causas e responsabilidades pelo atraso na implantação do novo píer de granéis líquidos na Alemoa.

APS
Procurada, a Autoridade Portuária de Santos informou, em nota, que atenderá as determinações do TCU e realizará as adequações necessárias. “Assim que foram feitas as atualizações, a documentação será enviada ao TCU”, diz a nota.

Leilão deserto
O STS08 foi a leilão em novembro de 2021, mas não houve interessados. Em 27 de dezembro 2023, a APS publicou chamamento público para fechar contrato se houvesse apenas um ofertante ou licitar a área em caso de dois ou mais. O processo, porém, não caminhou.

Com o STS08, a APS espera equacionar o déficit de granéis líquidos no Porto projetado em 1,5 milhão de toneladas para os próximos anos.

Infomoney - SP   27/08/2025

A Coamo, maior cooperativa agrícola do Brasil, investirá R$ 3 bilhões na construção de um porto em Itapoá, ao norte de Santa Catarina, de acordo com informação divulgada pelo governo do Estado na segunda-feira e confirmada pelo grupo nesta terça-feira (26).

A operação do novo porto está prevista para 2030, segundo o comunicado do governo, que cita que serão construídos três berços de atracação com previsão de movimentar 11 milhões de toneladas por ano.

A Coamo, que faturou R$ 28,8 bilhões em 2024, já opera no porto de Paranaguá (PR), por onde escoa a produção de grãos como soja, milho e trigo de seus 32 mil cooperados.

O novo porto vai contar com terminais de granéis agrícolas, combustíveis líquidos, fertilizantes e GLP (gás liquefeito de petróleo), segundo a nota do governo catarinense, publicada por ocasião do encontro de dirigentes da cooperativa com o governador do Estado, Jorginho Mello.

“Esse é um sonho dos nossos produtores. Nós já temos dois terminais em Paranaguá, onde escoamos quase 5 milhões de toneladas por ano”, disse presidente da Coamo, Airton Galinari.

“E sentimos a necessidade dessa expansão porque tem negócios que realmente a gente não consegue fazer”, afirmou ele, segundo a nota.

CNN Brasil - SP   27/08/2025

O leilão do novo superterminal de contêineres no Porto de Santos (SP) -- um projeto de quase R$ 7 bilhões e que tem movimentado gigantes do setor -- deve passar por mais uma mudança.

A área técnica do TCU (Tribunal de Contas da União) discordou da proposta do governo e quer um leilão aberto no Tecon Santos 10, sem veto à entrada dos atuais operadores de terminais, mas com uma cláusula de "desinvestimento" em caso de vitória no certame.

Isso significa que, se uma das empresas incumbentes (que já têm operações de contêineres no porto) arrematar a concessão, ela ficaria obrigada a vender seus ativos atuais antes da assinatura do contrato.

Esse modelo foi apresentado a representantes do MPor (Ministério de Portos e Aeroportos), da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), da APS (Autoridade Portuária de Santos) e da estatal de planejamento Infra S.A. como uma prévia do relatório final da AudPortoFerrovia (Unidade de Auditoria Especializada em Infraestrutura Portuária e Ferroviária).

Os auditores abriram um prazo para manifestação das autoridades antes de encaminhar o relatório final, com a proposta do leilão aberto com cláusula de desinvestimento, para o gabinete do ministro Antonio Anastasia, relator do processo no TCU.

Depois de elaborar seu voto, o processo será analisado pelo plenário do órgão de controle.

Três fontes diferentes confirmaram à CNN o teor do relatório, que marca uma guinada sobre o futuro do leilão. A Antaq e o MPor encaminharam a proposta de um leilão com restrições e dividido em duas fases.

Na primeira fase, todos os operadores atuais ficariam impedidos de participar. Se não houver interessados, segundo o modelo defendido pelo governo e pela agência reguladora, a disputa seria aberta aos incumbentes em uma segunda etapa -- com a exigência de se desfazer do ativo existente caso arremate a concessão do Tecon Santos 10.

O modelo do TCU se alinha a um parecer, divulgado na semana passada, da Seae (Subsecretaria de Acompanhamento Econômico e Regulação) do Ministério da Fazenda.

A equipe econômica avaliou que a realização do leilão em fases, como propuseram Antaq e MPor, vai além do necessário para mitigar os riscos de concentração do mercado de contêineres. E sugeriu que já seria suficiente uma obrigação de desinvestimento dos ativos pelas empresas que já operam em Santos.

"O MF [Ministério da Fazenda] avalia que a Antaq acerta ao prever regras para impedir que isso aconteça, mas considera excessivamente gravosa a proibição de participação, avaliando que o desinvestimento já seria suficiente para prevenir o aumento da concentração", disse a pasta.

Em entrevista à CNN, o secretário nacional de Portos, Alex Ávila, disse em junho que não há nenhuma intenção, por parte do governo, de contestar eventuais exigências do TCU sobre mudanças nas restrições adotadas pelo MPor e pela Antaq.

"Qualquer que seja a decisão do TCU, nós vamos cumprir. O nosso interesse é fazer o leilão", afirmou Ávila na ocasião, deixando clara a tendência de não apresentar nenhum recurso ao tribunal de contas, caso haja mudanças.

A discussão tem movimentado as empresas do setor. A suíça MSC e a dinamarquesa Maersk, duas gigantes do transporte marítimo que são sócias de um terminal de contêineres em Santos, manifestam forte interesse no leilão e vêm pedindo uma flexibilização das restrições.

Autoridades do setor portuário apontam uma série de outros potenciais concorrentes no Tecon Santos 10: as chinesas Cosco e China Merchants, a filipina ICTSI, a alemã Hapag-Lloyd, a japonesa ONE e a asiática PSA (de Cingapura), entre outras.

A JBS Terminais, que assumiu no ano passado a operação do terminal de contêineres de Itajaí (SC), também é vista no mercado como fortemente interessada na concessão.

O planejamento do governo indica que o leilão será realizado na segunda quinzena de dezembro.

PETROLÍFERO

TN Petróleo - RJ   27/08/2025

A Pré-Sal Petróleo (PPSA), estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), realizará o Leilão de Áreas Não Contratadas das Jazidas Compartilhadas de Mero, Tupi e Atapu no dia 4 de dezembro de 2025, na B3, em São Paulo. O certame oferecerá ao mercado a totalidade da participação da União nessas áreas, que hoje corresponde a 3,500% em Mero, 0,551% em Tupi e 0,950% em Atapu. O pré-edital foi publicado nesta segunda-feira (25) no site da empresa.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou que o leilão representa mais um passo estratégico para a valorização dos recursos do pré-sal em benefício do Brasil. “O pré-sal consolidou o Brasil como um dos maiores produtores mundiais de petróleo. Agora, com o Leilão de Áreas Não Contratadas, estamos garantindo que esses recursos sejam convertidos em novas oportunidades de investimento, geração de emprego e renda para os brasileiros. É um movimento que reforça a soberania energética do país e fortalece a nossa economia. Esse é mais um exemplo de como o Brasil sabe transformar riqueza natural em desenvolvimento sustentável”, afirmou.

O leilão é amparado pela Lei nº 15.164/2025, que autoriza a União a alienar seus direitos e obrigações decorrentes de acordos de individualização da produção em áreas não concedidas ou não partilhadas na área do pré-sal e em áreas estratégicas. Todos os parâmetros técnicos e econômicos do Leilão estão sujeitos à aprovação do Conselho Nacional de Política Energética.

“Estamos oferecendo ao mercado ativos de classe mundial, localizados no coração do pré-sal brasileiro, uma das províncias petrolíferas mais produtivas do mundo. Trata-se de uma oportunidade rara: todos os campos estão em operação, com poços de altíssima produtividade e reservas expressivas. Certamente atrairemos investidores que buscam ativos em operação de alta performance, com fundamentos comprovados e potencial de crescimento”, ressaltou o Diretor-Presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli.

Para dar mais detalhes sobre a oportunidade, a PPSA realizará um Seminário de Lançamento do Leilão de Áreas Não Contratadas no dia 1º de setembro. Conforme Carta de Apresentação, de 9 de setembro a 5 de novembro, a PPSA disponibilizará um Pacote de Dados Híbrido sobre as jazidas e convida potenciais interessados a contribuir, até 8 de setembro, para as regras do edital e para a redação dos contratos. As empresas que manifestarem interesse na oportunidade terão acesso a dados em formato virtual e poderão agendar uma reunião técnica presencial.

Maiores produtores do país

Os campos de Tupi, Mero e Atapu estão entre os seis maiores produtores do Brasil na atualidade, de acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo Paroli, é importante considerar ainda que a produção estimada para estas áreas, em sua maioria, será crescente até o final da década, e que o percentual de participação estabelecido para a União nestes campos também poderá aumentar nos próximos anos.

“Neste tipo de processo, está prevista a realização de eventos de redeterminação, capazes de incrementar as participações dos sócios nas jazidas. Nossos estudos apontam que a parcela da União nos três campos tende a crescer nos próximos anos, criando um potencial significativo de valorização e geração de caixa adicional", explicou.

Os três campos são operados pela Petrobras e possuem como parceiros empresas de porte mundial – Shell, Total, CNODC, CNOOC e Galp. A PPSA atua como representante da União nas áreas não contratadas nas Jazidas Compartilhadas de Mero, Tupi e Atapu e é responsável pela comercialização da produção das parcelas de petróleo e gás natural da União nestas áreas.

Para mais informações e acesso à documentação acesse o site: https://www.presalpetroleo.gov.br/leilao-de-areas-nao-contratadas/

Valor - SP   27/08/2025

Embarcações serão posicionados no berço petrolífero da Venezuela, em um porto estratégico tanto para os embarques da Chevron Corp. aos EUA quanto para as exportações da PDVSA à China

A Venezuela vai enviar embarcações para um importante centro de exportação de petróleo próximo à Colômbia, em resposta à decisão dos EUA de despachar navios de guerra para o sul do Caribe.

As embarcações venezuelanas, que serão maiores do que as de “patrulha”, seguirão para o norte do Lago de Maracaibo e do Golfo da Venezuela, afirmou o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, nas redes sociais.

Os navios serão posicionados no berço petrolífero da Venezuela, em um porto estratégico tanto para os embarques da Chevron Corp. aos EUA quanto para as exportações da PDVSA à China.

A medida ocorre depois que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ordenou o envio de 15 mil soldados, além de drones de vigilância, para a fronteira com a Colômbia a fim de conter as atividades militares dos EUA na região.

Na semana passada, os EUA anunciaram que enviariam navios de guerra para águas próximas à Venezuela para lidar com o que Washington vê como a ameaça dos cartéis de drogas.

A joint venture Petroboscán da Chevron, no Lago de Maracaibo, produz cerca de 100.000 barris por dia de petróleo pesado asfáltico que a empresa exporta a partir do Golfo da Venezuela.

Em maio, cerca de metade de toda a produção da companhia foi embarcada da região para fabricantes de combustível na Costa do Golfo, incluindo Valero Energy Corp., Phillips 66, PBF Energy Inc. e a refinaria da Chevron em Pascagoula, no Mississippi. Em abril, dois dos sete navios com destino aos EUA partiram do Lago de Maracaibo, segundo dados da Bloomberg.

Infomoney - SP   27/08/2025

Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda nesta terça-feira, 26, após quatro sessões consecutivas de alta, com o mercado na expectativa pela implementação de tarifas dos EUA à Índia, de olho em tensões geopolíticas envolvendo a Rússia e a Ucrânia, e o impacto das decisões comerciais e políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mantém incertezas sobre a oferta global e pressiona o sentimento de investidores.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para outubro fechou em queda de 2,39% (US$ 1,55), a US$ 63,25 o barril. Já o Brent para novembro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), recuou 2,23% (US$ 1,52), a US$ 66,70 o barril.

O mercado acompanha de perto as ações de Trump, como a tarifa adicional de 25% sobre a Índia devido às compras de petróleo russo, que pode gerar interrupções temporárias nos fluxos da commodity, e ameaças de sanções a outros países, elevando o temor sobre a disponibilidade futura de petróleo.

“Olhando à frente, a combinação de tensões comerciais, riscos geopolíticos e sinais de uma economia americana mais fraca provavelmente manterá o petróleo negociando em uma faixa estreita, com volatilidade de curto prazo ligada a decisões sobre tarifas e negociações de cessar-fogo”, afirma a analista da MUFG Soojin Kim.

Para a Tickmill, mesmo com o recuo desta terça, “o mercado continua sensível a desdobramentos geopolíticos e mudanças de política”. A instituição pontua que a ameaça de Trump de tarifas sobre produtos indianos, “devido à continuação das compras de petróleo russo, mantém os traders cautelosos”.

Dados de estoque, que serão divulgados na quarta-feira pelo Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) podem pressionar os preços para cima caso haja nova redução nas reservas de petróleo dos EUA, “enquanto um aumento inesperado poderia pesar sobre o mercado”, completa.

Os preços do petróleo seguem pressionados, refletindo preocupações com a oferta global, segundo analistas do Saxo Bank. Eles afirmam que o “foco permanece no confronto de Trump com o Federal Reserve (Fed) e em potenciais mudanças na oferta, à medida que os EUA ameaçam dobrar tarifas sobre importações indianas em resposta às compras de petróleo russo”.

Durante reunião de gabinete realizada nesta terça-feira, Trump estimou ainda que os preços de petróleo devem cair abaixo da barreira de US$ 60 o barril “em breve”.

Infomoney - SP   27/08/2025

A Petrobras (PETR3;PETR4), que deixou a Nigéria há cinco anos, deve poder retornar rapidamente, disse o presidente nigeriano Bola Tinubu em uma coletiva de imprensa conjunta com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, como parte de uma visita de dois dias para aprofundar os laços.

A Petrobras iniciou suas operações na Nigéria em 1998, em águas profundas do Delta do Níger, antes de decidir deixar o país posteriormente para levantar dinheiro para projetos domésticos.

A Nigéria vem combatendo alguns dos problemas que limitaram a produção de petróleo e gás.

“Temos o maior repositório de gás. Não vejo por que a Petrobras não deveria retornar como parceira na Nigéria o mais rápido possível”, disse Tinubu durante a coletiva em Brasília nesta terça-feira.

“Agradeço a promessa do presidente Lula de que isso será feito rapidamente”, disse Tinubu.

Além das melhorias no setor de petróleo e gás, Tinubu disse que as reformas econômicas na Nigéria estavam começando a dar resultados, citando o melhor acesso a divisas.

Durante a visita ao Brasil, os dois líderes assinaram acordos sobre comércio, energia, aviação, ciência e finanças como parte dos esforços para fortalecer os laços entre a maior economia da África e o maior mercado da América Latina.

Esses acordos incluíram um acordo com a fabricante brasileira de aeronaves Embraer para estabelecer um centro de serviços na Nigéria, e os líderes anunciaram o lançamento de uma rota de voo direto entre Lagos e São Paulo, a ser operada pela companhia aérea nigeriana Air Peace.

A Nigéria é o 49º maior destino de exportação do Brasil, com o comércio bilateral atingindo quase US$2,1 bilhões em 2024. O Brasil exportou US$1 bilhão em mercadorias para a Nigéria, principalmente açúcar e geleias, enquanto importou US$1,1 bilhão, principalmente fertilizantes.

Não ficou imediatamente claro o quanto de impulso a Petrobras poderá proporcionar.

Em maio, o ministro das Relações Exteriores da Nigéria disse que o país estava discutindo com a empresa a exploração de sua área de petróleo em águas profundas.

A Petrobras também disse que estava em conversas com empresas, incluindo os parceiros existentes ExxonMobil, Shell, e TotalEnergies, para comprar uma parte de seus ativos na África.

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