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04 de Agosto de 2025

SIDERURGIA

Valor - SP   04/08/2025

Para a diretoria da companhia, há obras no segmento residencial e também no de infraestrutura, especialmente no Sudeste, que devem seguir alavancando o volume de vendas da unidade

Diante da alta entrada de aço importado no país, a siderúrgica da CSN tem priorizado “resultado em detrimento de volume”, segundo afirmou o diretor financeiro e de relações com investidores Marco Rabello em teleconferência de resultados nesta sexta-feira (1º). Isso fez com que a empresa inclusive abrisse mão de participação de mercado, acrescentou.

Luis Fernando Martinez, diretor-executivo da CSN, afirmou que há uma “completa descoordenação” do setor produtivo brasileiro em aços longos, usados na construção, o que estaria levando a uma queda no preço do produto no mercado interno. Por isso, disse, a CSN preferiu “ficar de fora” desse mercado e suas vendas caíram 12% em relação ao trimestre anterior. A empresa também anunciou um aumento do preço do vergalhão e do fio-máquina, em 8% a 10%, o que ainda seria “insuficiente” para recuperar suas margens.

Com essa estratégia, a área de siderurgia terminou o segundo trimestre de 2025 com queda na receita líquida de 11,7% em relação aos três meses anteriores, mas aumento de 19,8% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado, que atingiu R$ 581 milhões. Houve também aumento da margem Ebitda, de 2,9 pontos percentuais, para 10,8%. “Esse aumento de rentabilidade reflete a estratégia de sustentar preços e focar em produtos de maior valor agregado”, disse Rabello.

Na área de cimento, houve aumento de 8,1% no volume de vendas e de 10% na receita líquida, em relação ao primeiro trimestre — na comparação com o segundo trimestre de 2024, houve queda de 4% nas vendas e a receita ficou estável.

Para a diretoria da CSN, há obras no segmento residencial e também no de infraestrutura, especialmente no Sudeste, que devem seguir alavancando o volume de vendas da unidade. A empresa também deve atingir, em breve, sua “sinergia total” com os ativos da LafargeHolcim, que adquiriu em 2022.

Benjamin Steinbruch, diretor-presidente da CSN, destacou que o preço do cimento no país ainda está abaixo do que deveria ser, na comparação com outros países. “Mas é algo que em algum momento vai se ajustar”, disse.

A área de mineração da CSN teve no segundo trimestre seu maior volume de produção e o segundo maior volume comercializado. O Ebitda ajustado, porém, caiu 12% no trimestre, em relação ao primeiro período do ano, por causa de um recuo no preço do minério, e atingiu R$ 1,2 bilhão.

“A produção tem rodado com eficiência extraordinária e perto do limite da sua capacidade atual”, disse Rabelo.

Globo Online - RJ   04/08/2025

Um parecer da Advocacia-Geral da União (AGU) recomendou ao Cade que faça cumprir a decisão que determinou a venda de ações da Usiminas pela CSN. O documento é mais um capítulo da “novela” societária que se arrasta há mais de uma década e integra o maior litígio entre empresas em curso no Brasil hoje.

O parecer é da Procuradoria Federal Especializada (PFE), consultada pela presidência do Cade depois que o Tribunal Regional Federal da 6ª Região colocou o órgão contra a parede: exigiu que cumprisse decisão do próprio Cade, de 2014, que mandava a CSN reduzir sua participação para menos de 5% na rival.

No parecer, a AGU recomendou ao Cade “a complementação, esclarecimento ou modificação” da decisão tomada na última reunião do órgão, na qual, em vez de cumprir imediatamente a ordem judicial, concedeu 60 dias para a CSN apresentar um plano de venda das ações. Segundo a recomendação da AGU, as complementações ou modificações devem ser feitas “de modo a dar integral cumprimento à decisão judicial” do TRF-6.

O parecer veio a poucos dias da reunião da próxima quarta-feira, na qual o Cade terá de tomar uma decisão. O próprio TRF e o Ministério Público Federal (MPF) já alertaram os conselheiros de que, caso não façam cumprir a determinação judicial, poderão ser investigados pelo crime de desobediência.

Como mostrou ontem a coluna, a CSN parece ter se antecipado à decisão ao vender 4,99% da Usiminas à família Batista, da JBS. Mas a siderúrgica de Benjamin Steinbruch ainda detém 7,92% da rival e, a depender da decisão do Cade na próxima quarta-feira, pode ser obrigada a vender mais um pedaço imediatamente.

O Estado de S.Paulo - SP   04/08/2025

O CEO da CSN, Benjamin Steinbruch, afirmou a investidores que, em uma conversa recente com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), foi dito que, agora, a defesa comercial para o setor do aço “tem de ser uma vontade do presidente” da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

“Por mais que haja boa vontade do Mdic, não conseguimos avançar”, disse. Para Steinbruch, na siderurgia, as importações entram de forma desordenada. “Importados hoje são maiores do que a produção da CSN. Estamos oferecendo nossa demanda interna para os importados”, afirma.

Ele cita que, a exemplo dos Estados Unidos, muitos países já tomaram medidas de defesa nesse setor. “50% de tarifa inviabiliza qualquer tentativa de exportação para os EUA”, diz ao criticar a falta de ação do governo brasileiro nesse sentido.

O diretor executivo Comercial da companhia, Luis Matinez, disse que o País tem sido mais amante do processo do que da solução para essa questão. Ele pontuou que hoje, a CSN é a empresa do setor mais afetada pelas importações devido à sua característica de ações de maior valor agregado, categoria que tem sido fortemente adentrada pelas importações.

Infomoney - SP   04/08/2025

A Gerdau (GGBR4) reportou na noite desta quinta-feira (31) seus resultados referentes ao segundo trimestre de 2025, com EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 2,6 bilhões, ficando 1,4% acima da estimativa do JPMorgan e 0,6% acima do consenso. Como esperado, a operação na América do Norte manteve o bom desempenho no 2T25, mais do que compensando os desafios observados nas unidades de negócios do Brasil e da América do Sul. A ação da siderúrgica fechou com queda de 4,69%, a R$ 16,05.

Ainda assim, o EBITDA da América do Norte, de R$ 1,6 bilhão, ficou 5,9% abaixo da projeção do JPMorgan, principalmente porque o custo de caixa por tonelada foi ligeiramente superior ao esperado. No Brasil, ocorreu o efeito contrário. Apesar do enfraquecimento sequencial da operação, a menor participação das exportações permitiu preços realizados mais altos no mercado interno, resultando em desempenho acima do estimado pelo banco.

Já na América do Sul, o EBITDA da unidade, de R$ 149 milhões, ficou abaixo das projeções, impactado principalmente por preços menores do que o esperado, queda de 19,8% na comparação trimestral e 21,0% abaixo da estimativa do JPMorgan.

Segundo cálculos do banco, o fluxo de caixa livre (FCF) foi negativo em R$ 1 bilhão no trimestre. Nesse contexto, o JPMorgan reiterou classificação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 27,50.

Na mesma linha que o JPMorgan, o Goldman, comentou que as operações na América do Norte dominaram o trimestre, respondendo por mais de 60% do EBITDA, enquanto a fraqueza no Brasil persistiu.

CSN Mineração (CMIN3) tem queda de 92,3% no lucro no 2º trimestre

Menor rentabilidade reflete a queda no preço do minério que foi impactado ao longo do trimestre pelas expectativas de uma redução mais rápida de demanda

Considerando o cenário atual, o Goldman Sachs projeta que o 3T25 seja ainda mais forte. No entanto, permanecem elevadas as incertezas sobre a manutenção das tarifas em patamar elevado e sem isenções, e o banco avalia que os investidores tendem a ser cautelosos ao precificar integralmente esse benefício até o fim de 2026.

O Goldman também mantém recomendação de compra e preço-alvo de R$ 26, sustentada pela boa posição competitiva estrutural da companhia e pelo potencial de forte geração de fluxo de caixa livre (acima de 14%) assim que o CAPEX se normalizar (após 2027). Ainda assim, o Goldman Sachs alerta que as incertezas macroeconômicas elevadas e o espaço limitado para geração de caixa no curto prazo podem manter parte dos investidores mais cautelosos.

Segundo avaliação da Monte Bravo, os números foram fracos, mas ainda melhores do que o esperado pela casa. O destaque ficou por conta da operação nos Estados Unidos, que conseguiu recuperar suas margens após trimestres mais desafiadores.

Apesar da ligeira melhora operacional, a Monte Bravo destacou que a geração de caixa ficou muito abaixo do projetado, o que pode se tornar um ponto de atenção caso não haja reversão nos próximos meses.

Junto com os resultados, a companhia anunciou o pagamento de dividendos de R$ 0,12 por ação e informou ter concluído 68% do programa de recompra iniciado em janeiro.

A Monte Bravo disse continuar confortável com o investimento e reiterou recomendação de compra em Gerdau, com preço-alvo de R$ 23,50, mas entende que a história de curto prazo ficou mais complexa. “Isso acontece pois: (i) recuperação da rentabilidade da operação Brasil tem sido impactada pelo aumento das importações; (ii) temos dúvidas de quanto o mercado irá precificar os ganhos de eficiência e resultado que a companhia terá com os investimentos realizados; (iii) até quando a economia americana continuará com a demanda saudável.”

De acordo com a XP Investimentos, os resultados da Gerdau vieram em linha com as expectativas, refletindo um cenário competitivo desafiador no Brasil e uma performance sólida — e em melhora — na América do Norte. Para a corretora, os números reforçam os benefícios da diversificação geográfica da companhia.

Em relatório recente, a XP reiterou sua recomendação de compra para as ações da Gerdau, apoiada por três fatores principais: (i) expectativa de inflexão no fluxo de caixa livre (FCF) em 2025, com yields estimados entre 9% e 12% para 2026 e 2027; (ii) iniciativas de redução de custos voltadas à recuperação da rentabilidade no Brasil; e (iii) continuidade do bom momento na América do Norte, sustentada por um mercado doméstico protegido por tarifas nos EUA, o que impulsiona o potencial de valorização (upside) que a corretora enxerga no FCF e no valuation.

CSN reduz prejuízo em quase 42% no 2º trimestre, para R$ 130 milhões

Resultado veio melhor que o esperado por analistas; Ebitda supera projeções, apesar de queda nas vendas de aço

Na leitura prospectiva, a Genial espera que o terceiro trimestre de 2025 marque a inflexão para geração positiva de fluxo de caixa livre (FCF), sustentada pela normalização dos pagamentos de tributos e despesas financeiras, desaceleração do CAPEX em termos de efeito caixa, além da reversão na dinâmica de capital de giro (working capital), com liberação líquida de recursos até o fim do ano, especialmente com a maturação da carteira de pedidos na unidade da América do Norte.

A casa destaca ainda que o novo perfil de execução de CAPEX, mais linear ao longo do ano, aumenta a importância da disciplina financeira no segundo semestre de 2025, reduzindo a margem para desvios frente ao cronograma orçamentário.

A Genial avalia que os números consolidados devem seguir em crescimento, com a operação norte-americana aproveitando um cenário favorável e a operação brasileira apresentando potencial para resultados positivos, mesmo diante de possível queda parcial na rentabilidade.

Com esse cenário, a Genial mantém recomendação de compra para Gerdau e elevou o preço-alvo em 12 meses de R$ 19,00 para R$ 20,00, o que implica potencial de valorização de 20,5%.

Embora o EBITDA do 2T25 tenha ficado em linha com as expectativas do mercado, o Bradesco BBI acredita que a fraca geração de fluxo de caixa livre (FCF) pode gerar preocupações para os investidores. Como resultado, o banco mantém postura cautelosa em relação ao setor siderúrgico brasileiro e a classificação Neutra para as ações da Gerdau, com preço-alvo de R$ 17.

Segundo o Morgan Stanley, o EBITDA ajustado da Gerdau, de R$ 2,56 bilhões, superou em 3% a estimativa do banco, favorecido por custos e despesas operacionais menores. O lucro por ação ajustado, de R$ 0,43, ficou 5% acima do consenso, mas 16% abaixo da projeção do Morgan, impactado por despesas financeiras líquidas mais altas.

O Morgan manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 22.

No geral, o Itaú BBA avalia que os resultados foram marcados por uma melhora sequencial na América do Norte, que mais do que compensou a deterioração no Brasil e na América do Sul.

Olhando para o futuro, o BBA destaca que todos os olhares estão voltados para potenciais melhorias nos resultados tanto no Brasil quanto na América do Norte, impulsionadas por um potencial aumento na receita por tonelada nos EUA e um melhor desempenho de custos no Brasil após a normalização dos custos de produção em Ouro Branco.

O BBA manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 21.

Valor - SP   04/08/2025

A siderúrgica japonesa alcançou receitas de 2 trilhões de ienes (US$ 13,3 bilhões) entre abril e junho, queda de 8,3% na comparação anual

A Nippon Steel teve prejuízo de 195,8 bilhões de ienes (US$ 1,3 bilhão) no primeiro trimestre fiscal, revertendo lucro de 157,5 milhões de ienes do ano anterior.

A siderúrgica japonesa alcançou receitas de 2 trilhões de ienes (US$ 13,3 bilhões) entre abril e junho, queda de 8,3% na comparação anual.

A companhia afirma que os fundamentos globais do mercado de aço se deterioram rapidamente com o desbalanceamento nas dinâmicas de oferta e demanda.

Segundo a empresa, seu prejuízo se deu pela integração das operações da U.S. Steel em seu balanço.

A Nippon Steel projeta que terminará o ano com prejuízo de 40 bilhões de ienes, mas seu resultado operacional irá subir por conta das operações da siderúrgica americana.

As ações da Nippon Steel fecharam em alta de 0,46% na Bolsa de Tóquio.

Valor - SP   04/08/2025

Concorrência com aço importado e falta de defesa comercial levam empresa a rever planos no país; CSN e Usiminas enfrentam cenário semelhante

A siderúrgica Gerdau vai rever para baixo seu plano de investimentos no Brasil a partir de 2026, em resposta ao aumento da concorrência com o aço importado, principalmente vindo da China, e à “falta de medidas eficazes” de proteção à indústria nacional.

Os detalhes sobre o novo patamar de aportes serão divulgados em outubro, no próximo “Investor Day”. A decisão marca mais um movimento das empresas do setor em reduzir aporte. No caso da Gerdau, o plano de investimentos de R$ 6 bilhões deste ano está mantido e a revisão será para 2026.

Segundo o CEO da companhia, Gustavo Werneck, o sistema atual de cotas-tarifas adotado pelo governo federal tem se mostrado ineficaz diante do que ele classifica como “concorrência desleal” com produtos estrangeiros. Werneck destacou que a penetração do aço importado atinge níveis inéditos, comprometendo não apenas a competitividade da produção nacional, mas também a arrecadação tributária e o emprego.

“Por conta da ineficácia do sistema de cotas e da ineficiência das autoridades brasileiras para evitar um ambiente de concorrência desleal, tomamos a decisão de reduzir os investimentos no Brasil”, declarou Werneck.

A deterioração do ambiente de negócios já teve consequências diretas sobre o quadro de funcionários. Entre janeiro e julho deste ano, a Gerdau demitiu milhares de trabalhadores, principalmente nas unidades de Pindamonhangaba e Mogi das Cruzes, em São Paulo. Werneck não descarta novas dispensas, caso não haja medidas eficazes de defesa comercial.

“Desde o início do ano até agora, final do mês de julho, nós já promovemos o desligamento de cerca de 1.500 pessoas que têm as suas famílias, que têm um impacto muito grande na sociedade”.

Por outro lado, a empresa mantém trajetória oposta nos Estados Unidos. A empresa vem ampliando a capacidade produtiva no mercado americano, onde opera com cerca de 30% de ociosidade, sem necessidade de novas usinas. Um dos principais investimentos está sendo feito no Texas, com foco na modernização da estrutura fabril para atender à demanda crescente por aço em setores como energia renovável, data centers e linhas de transmissão elétrica.

A decisão da Gerdau ocorre em um cenário de crescente pressão sobre o setor siderúrgico. Outras gigantes enfrentam desafios semelhantes. A CSN, por exemplo, tem sido vocal na cobrança por ações mais incisivas do governo. O CEO da companhia, Benjamin Steinbruch, afirmou em teleconferência que a entrada “desordenada e exagerada” de aço estrangeiro está “atropelando” os produtores nacionais e defendeu uma posição firme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conter os impactos sobre a indústria e o emprego.

A Usiminas, por sua vez, também anunciou recentemente a revisão de seu plano de investimentos. Para 2025, a companhia reduziu sua estimativa de aportes para um intervalo entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão, abaixo da projeção anterior, de até R$ 1,6 bilhão.

Valor - SP   04/08/2025

Dispensas se concentram principalmente em unidades no interior de São Paulo, nas cidades de Pindamonhangaba e Mogi das Cruzes, segundo CEO da companhia

A Gerdau, uma das principais siderúrgicas do país, confirmou que já demitiu cerca de 1.500 trabalhadores entre janeiro e julho deste ano e não descarta novas dispensas nos próximos meses. Em conversa com jornalistas, o CEO da companhia, Gustavo Werneck, disse que as dispensas se concentram principalmente em unidades no interior de São Paulo, nas cidades de Pindamonhangaba e Mogi das Cruzes.

De acordo com o executivo, os cortes são consequência direta da falta de medidas do governo federal para proteger a indústria nacional do que ele classifica como concorrência desleal com o aço importado vindo, principalmente, da China.

A entrada de produtos estrangeiros, com preços mais baixos e sem as mesmas exigências regulatórias ou tributárias que as empresas brasileiras enfrentam, estaria comprometendo a sustentabilidade das operações da Gerdau no país.

“Desde o início do ano até agora, fim do mês de julho, nós já promovemos o desligamento de cerca de 1.500 pessoas que têm as suas famílias, que têm um impacto muito grande na sociedade”, lamentou o executivo.

Embora a empresa não tenha divulgado um plano de cortes adicionais, a sinalização é de que sem ação do governo, novas demissões podem ocorrer. “Assim que o governo federal colocar medidas de defesa comercial, imediatamente a gente pode voltar com essas usinas”, disse Werneck ao comentar a situação da indústria brasileira.

Valor - SP   04/08/2025

O principal investimento no momento está sendo realizado na sua unidade no Texas, considerada estratégica dentro do portfólio norte-americano da companhia

Enquanto reduz os investimentos no Brasil diante da concorrência com produtos importados, a siderúrgica Gerdau mantém uma postura oposta nos Estados Unidos. Segundo o CEO da companhia, Gustavo Werneck, o país segue como principal foco de atenção e expansão para a empresa, que tem apostado em investimentos constantes na adaptação e modernização de sua estrutura produtiva.

“Nos Estados Unidos, a gente continua firme. A gente vem crescendo nossa capacidade produtiva de forma marginal, pequena, ano após ano”, afirmou Werneck em conversa com jornalistas.

A Gerdau opera com cerca de 30% de capacidade ociosa no mercado americano, o que permite à companhia ampliar sua produção sem necessidade de novas usinas. Atualmente, a produção da siderúrgica nos EUA gira em torno de 4 milhões de toneladas de aço por ano. Com os ajustes em curso, é possível que a empresa adicione até 1,5 milhão de toneladas à sua capacidade anual.

“Não há necessidade de colocar nenhuma usina nova, mas pelo patamar atual de demanda, aquilo que a gente enxerga para frente, uma continuidade de investimentos, adicionando capacidade, adicionando novos produtos, adequando o nosso mix de produtos à realidade atual de demanda de aço nos Estados Unidos”, disse.

O principal investimento da companhia no momento está sendo realizado na sua unidade no Texas, considerada estratégica dentro do portfólio norte-americano da Gerdau. O local vem passando por melhorias e ajustes técnicos para responder à crescente demanda por aço em diversos setores.

Um dos motores dessa expansão é o ambiente regulatório norte-americano, que, segundo a empresa, garante segurança jurídica e medidas de defesa comercial efetivas — cenário que contrasta fortemente com o observado no Brasil.

De acordo com Werneck, a Gerdau está observando um aumento expressivo na demanda por aço para projetos de infraestrutura ligados à energia renovável e à tecnologia. O fornecimento de aço para as estruturas que sustentam grandes fazendas solares tem ganhado espaço, assim como as encomendas para linhas de transmissão de energia elétrica.

Outro segmento com demanda crescente é o de data centers, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial e pela expansão do armazenamento de dados em larga escala.

Valor - SP   04/08/2025

Empresa tem como projeção terminar o ano com alavancagem de 3 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda ajustado

A diretoria da CSN afirmou, em teleconferência de resultados nesta sexta-feira (1º), que medidas para reduzir a alavancagem da companhia ainda no curto prazo são uma de suas prioridades, ao lado da melhoria operacional.

O principal veículo para isso é a negociação da CSN Infraestrutura, para a qual a empresa está na fase de contratação de bancos para serem seus “advisors”. A expectativa é que ter uma definição até o fim do ano.

Como explicou o diretor-presidente, Benjamin Steinbruch, são sete ativos, sendo que dois ainda estão em construção — um deles é a Transnordestina, ferrovia com mais de mil quilômetros de extensão, prevista para ser entregue em 2027. A empresa divide esses ativos em dois blocos, um de ativos do Sudeste e outro do Nordeste, e avalia que pode ter uma injeção de liquidez de R$ 8 bilhões com cada bloco.

“O que está em discussão agora é se vamos dar tratamento simultâneo ou se vamos priorizar primeiro o Sudeste”, disse.

Ele lembrou, no entanto, que essa venda depende da “janela de mercado”, mas reforçou que há interesse claro pelos ativos. “Estamos fazendo algumas conversas em paralelo.”

A empresa tem como projeção terminar o ano com alavancagem de 3 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda ajustado, e Marco Rabello, diretor de relações com investidores, afirmou que a expectativa é conseguir manter esse patamar em 2026, ao mesmo tempo que investimentos são realizados.

A CSN terminou o segundo trimestre com alavancagem de 3,33%, ante 3,24% no primeiro período deste ano.

Há ainda outras fontes de desalavancagem, afirmaram os diretores, como melhora operacional nas áreas de siderurgia, cimento e mineração.

A CSN também anunciou, nesta quinta-feira, a venda de quase metade de sua participação na Usiminas, para um veículo da família Batista, por R$ 263,3 milhões. Essa venda foi realizada para cumprir uma determinação do Cade. A empresa ainda tem que vender mais ações. “É um passo importante no nosso cumprimento do acordo”, disse Rabelo.

Os diretores da companhia não quiseram dar um prazo para se desfazer do restante das ações. “Nem sempre achamos um investidor”, afirmou o diretor de relações com investidores.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   04/08/2025

As tarifas de 50% que o presidente dos EUA, Donald Trump, impôs ao Brasil nesta semana são as mais altas que ele aplicou a qualquer país neste ano, enquanto remodela um sistema de comércio global que considera injusto para os Estados Unidos. No entanto, o país tem, na verdade, um superávit comercial com o Brasil há mais de uma década.

Na verdade, Trump está mirando o Brasil em grande parte por razões políticas — o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, seu aliado, que é acusado de planejar um golpe após perder a última eleição presidencial. Trump chamou o caso de “caça às bruxas”. Ele também está visando um ministro do Supremo Tribunal Federal (Alexandre de Moraes) que ele acredita estar censurando injustamente vozes conservadoras online.

Ainda assim, as tarifas foram suavizadas por centenas de exceções, incluindo algumas das exportações mais importantes do Brasil para o mercado americano, o que pode tornar o efeito sobre a economia brasileira menos grave.

Mesmo assim, as taxas afetarão bilhões de dólares em mercadorias e, se permanecerem em vigor, causarão impacto em ambas as nações.

Brasil e Estados Unidos negociam principalmente produtos de energia, ferro e aço, aeronaves e maquinário. O Brasil também vende commodities como café, carne bovina, suco de laranja e especiarias no mercado americano.

Muitos produtos brasileiros chegam como materiais semielaborados de que as empresas americanas precisam para fabricar seus próprios produtos.

Algumas dessas exportações brasileiras, como o aço, já estavam sujeitas a tarifas impostas por Trump no início deste ano. Uma longa lista de outras, incluindo suco de laranja e aeronaves comerciais, será isenta das novas tarifas de 50%.

“Na verdade, não foi tão ruim quanto temíamos”, disse Paulo Feldmann, professor de economia da Universidade de São Paulo (USP). “Isso nos deu um certo alívio.”

O Brasil deve agora decidir se aplica suas próprias tarifas de retaliação aos Estados Unidos, seu segundo maior parceiro comercial depois da China. Por enquanto, o país parece estar adotando uma postura menos confrontadora.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que Trump não pode interferir nos assuntos internos de seu país, mas disse que o Brasil permanece aberto a negociar sobre comércio.
As tarifas farão estragos, mas dificilmente prejudicarão a economia brasileira

Os Estados Unidos são um parceiro comercial importante para o Brasil — mas a maior economia da América Latina não está atrelada ao mercado americano.

Os Estados Unidos vendem bilhões de dólares a mais para o Brasil do que importam do país. No ano passado, registraram um superávit comercial de US$ 7,4 bilhões com o Brasil em um comércio de cerca de US$ 92 bilhões.

O Brasil está em melhor posição para lidar com as tarifas do que outras nações que Trump visou, como México e Canadá, que construíram suas economias em grande parte em torno da exportação de bens e serviços para os Estados Unidos.

A economia do Brasil é impulsionada por uma mistura de consumo interno e exportações agrícolas de produtos como petróleo, soja e carne bovina.

As exportações representam cerca de um quinto de seu Produto Interno Bruto (PIB), com apenas 12% enviados para os Estados Unidos em comparação com 28% para a China, mostram dados do governo brasileiro.

Mesmo antes de Trump anunciar as tarifas mais altas, o Brasil já vinha reduzindo sua dependência dos Estados Unidos e estreitando laços com outros países por meio de sua aliança com os demais membros do grupo Brics, de nações em desenvolvimento.

“Não vou chorar pelo leite derramado”, disse Lula em entrevista ao The New York Times na terça-feira, 29. “Se os Estados Unidos não querem comprar algo nosso, vamos procurar quem queira.”

O café brasileiro será difícil de substituir

Quase 700 produtos estarão isentos das tarifas, incluindo itens como suco de laranja fresco, que os Estados Unidos importam principalmente do Brasil.

Essas exceções significam que cerca de 45% dos produtos brasileiros estarão isentos da nova taxa, de acordo com Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio no Brasil. “Isso é positivo”, disse ele.

Em vez disso, a maior parte do impacto econômico estará em alguns setores-chave.

O café é um exemplo importante. O Brasil é o maior exportador mundial de grãos de café e um grande fornecedor para o mercado americano. Trinta por cento das importações de café dos EUA vêm do Brasil, de acordo com dados comerciais dos EUA.

Encontrar outras fontes de café será difícil porque a seca e as mudanças climáticas reduziram as colheitas e comprimiram a produção global. O Brasil, por outro lado, pode facilmente encontrar novos mercados, disse Feldmann.

“O Brasil é extremamente competitivo”, disse ele. “Não haverá dificuldade.”

Na carne bovina, há perdas para ambos os lados

Pecuaristas e processadores de carne bovina brasileiros enfrentam um cenário difícil. Os Estados Unidos são o segundo destino mais importante para a carne bovina brasileira, e um que tem se expandido rapidamente nos últimos anos.

“O mercado dos Estados Unidos é altamente lucrativo”, disse Roberto Peroso, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, a repórteres. “E tivemos forte demanda.”

Agora, se as tarifas tornarem a carne bovina brasileira menos atraente, ela teria que ser vendida no mercado interno ou para outros países. “Não há mercado que possa absorver tudo isso”, disse Peroso.

Antes de Trump atingir o Brasil com altas tarifas, o país havia sido um ganhador na guerra comercial global.

As exportações de carne bovina e café para os Estados Unidos saltaram acentuadamente nos primeiros cinco meses do ano, pois as ameaças de taxas de Trump sobre outros grandes exportadores como China e Vietnã tornaram os produtos brasileiros mais atraentes, mostram dados do governo.

Embora os Estados Unidos possam substituir parte da carne bovina brasileira por importações de outros países, como Argentina e Austrália, o preço de alguns produtos, como a carne moída, pode subir drasticamente como resultado das novas tarifas.

O Estado de S.Paulo - SP   04/08/2025

Nesta sexta-feira começaram a aparecer na economia dos Estados Unidos os primeiros sinais da infecção produzida pelo tarifaço global decretado pelo presidente Donald Trump.

O indicador Payroll, que sonda o mercado de trabalho dos Estados Unidos, mostrou que, em julho, foram abertos por lá apenas 73 mil empregos. É um resultado decepcionante, na medida em que a expectativa apontava para 101 mil. Trump não gostou do que viu e demitiu a encarregada das estatísticas. Ou seja, matou o mensageiro.

A partir daí – e na esteira de outros dados –, os analistas foram quase unânimes em prever a continuação da queda do emprego, como em diagnosticar o início de um período de desaceleração da atividade econômica, com aumento da inflação. Não é ainda o que os economistas chamam de estagflação (estagnação mais inflação), mas pode ser o início disso.

As principais bolsas dos Estados Unidos despencaram (Dow Jones 1,23% e Nasdaq 2,24%), o dólar mergulhou em relação às outras moedas fortes, inclusive em relação ao real (0,9%). Por farejar a desaceleração e, portanto, o menor consumo de energia, os preços do barril de 159 litros tipo Brent caíram 2,8%.

Por trás desses sinais de deterioração está a ação do tarifaço. A tarifa alfandegária média dos Estados Unidos saltou de 2,3%, em 2024, para 15,2%. A decisão foi anunciada em abril, mas a nova síndrome começou a aparecer apenas agora, porque, já esperando pelo que veio, os importadores dos Estados Unidos haviam reforçado seus estoques. E também porque ainda faltava avaliar melhor o impacto do tsunami.

Se for confirmado aumento relevante da inflação nos Estados Unidos, ficará inevitável o início de um período de redução dos juros básicos (Fed funds) pelo Fed (banco central dos EUA).

Por toda parte, tende a se espalhar pelo mundo um sentimento de “malaise” que, no caso, é mistura de desânimo, de impotência e de perda de confiança. O Índice Vix (Volatility Index),considerado termômetro do medo nos Estados Unidos, chegou a quase 30% na sexta-feira.

Além de ter de tratar sua anemia crônica produzida pelo rombo fiscal, a economia brasileira passou a enfrentar mais duas adversidades: essa mistura de desaceleração da atividade econômica e inflação, que começa a tomar a economia mundial; e o impacto do tarifaço sobre setores importantes da economia. É incerteza sobre incerteza, mesmo com o avanço do PIB do Brasil perto dos 2%, neste ano.

Não dá para separar economia da política. A tentativa declarada de interferência de Trump nas instituições brasileiras e no jogo político interno pode semear mais confusão no processo eleitoral interno.

Monitor Digital - RJ   04/08/2025

“O anúncio de tarifas de até 50% sobre produtos de vários países, incluindo o Brasil, feito por Trump acendeu um alerta no mercado e no governo. Ainda que algumas exceções tenham sido negociadas, o movimento joga um novo ingrediente de incerteza sobre a economia brasileira. Isso porque os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, e qualquer barreira nesse canal afeta diretamente nossas exportações, nossa indústria e, por consequência, o emprego e os preços.”

A opinião é de André Matos, CEO da MA7 Negócios.

Para ele, do ponto de vista dos setores da economia, alguns têm mais chance de se adaptar.

“O agronegócio, por exemplo, costuma ser ágil na reorientação de destinos de exportação, como China, Europa e Oriente Médio seguem abertos e são grandes compradores. Já a indústria de transformação, eletroeletrônicos, aviação e metalurgia tendem a sentir com mais força e por mais tempo, porque têm cadeias produtivas mais complexas, contratos de longo prazo e forte exposição ao mercado americano. A Embraer, por exemplo, pode sofrer atrasos ou perdas contratuais, mesmo com a exclusão parcial de tarifas sobre aviões. Para o investidor, o momento solicita mais cautela.”

Já para Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX, “o aumento das tarifas impostas pelos EUA gera instabilidade macroeconômica, com impactos diretos sobre cadeias exportadoras brasileiras. A tendência é de maior volatilidade cambial e pressão inflacionária pontual, especialmente em setores que dependem de insumos importados ou perdem competitividade internacional.”

Ao comentar hoje sobre a atualização de tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o governo busca cooperação com os EUA e que há muito espaço para parcerias entre os países.

“É sobre isso que temos que jogar luz. Mostrar pra eles que não tem essa do Brasil cair no colo de A, B ou C. O Brasil é grande demais. Podemos realmente estreitar os laços de cooperação, desde que seja bom para os dois lados. E há muito espaço para isso. O Brasil, obviamente, concorre com os EUA em alguns aspectos, sobretudo na produção de grãos, carne e uma série de coisas que eles produzem tanto quanto nós. Mas há muitas complementaridades também.”

“Vamos fazer um esforço junto aos EUA pra mostrar que tem muito espaço para cooperação. Eles têm participado pouco de licitações no Brasil. Nossa infraestrutura está crescendo como há muito tempo não se vê. Se você pegar os indicadores de investimento em infraestrutura, eles são robustos. É isso que está segurando emprego, segurando renda. Então por que eles não podem participar mais da nossa economia? Estamos abertos. Não tem problema”, completou Haddad.

De acordo com o ministro, o governo brasileiro ainda trabalha nos detalhes de um plano de contingência voltado para setores afetados pelo tarifaço norte-americano. O pacote, segundo ele, pode ser anunciado pelo presidente Lula já na próxima semana.

“Do nosso lado aqui, junto com o vice-presidente Geraldo Alckmin, estamos encaminhando para o Palácio do Planalto as primeiras medidas já formatadas para que o presidente julgue a oportunidade e a conveniência de soltá-las. Mas, a partir da semana que vem, já vamos poder, a julgar pela decisão do presidente, tomar as medidas de proteção da indústria e da agricultura nacionais.”

O Estado de S.Paulo - SP   04/08/2025

Embora o tarifaço tenha monopolizado a atenção da mídia e analistas, é bom não perder de vista que faz parte de um processo mais amplo, em que a principal economia do planeta busca obter vantagens de sua posição dominante para extrair concessões das demais, como regra propondo uma oferta que não pode ser recusada.

Engana-se, porém, quem acredite que tal fenômeno irá fortalecer a economia norte-americana, muito pelo contrário.

Para começar, os dados mais recentes de inflação mostram o início do repasse das tarifas aos preços domésticos. O forte crescimento das importações no primeiro trimestre, materializado em elevação sem precedentes de estoques, ajudou a manter a inflação relativamente controlada até meados do segundo trimestre, fenômeno que se reverte agora que os estoques previamente acumulados vão se esgotando.

Não por outro motivo, o Federal Reserve, que vinha cortando juros até o ano passado, manteve a taxa básica inalterada até julho e sinaliza reduções bastante modestas até o final do ano.

Assim, não apenas o consumidor americano paga mais caro, como a economia tem que conviver com taxas de juros mais altas do que as que prevaleceriam na ausência de tarifas, o que deve prejudicar o crescimento de curto prazo.

O problema, contudo, não se encerra nos efeitos macroeconômicos nocivos, mas afeta também o motor da expansão econômica de longo prazo, o aumento persistente da produtividade.

O “segredo” da prosperidade americana, em particular neste primeiro quarto de século, é o desempenho da produtividade, seja o produto por hora trabalhada, seja a versão mais completa, que incorpora a produtividade de todos os insumos (a Produtividade Total dos Fatores).

Isso resulta, em boa parte, da especialização da economia naquilo que melhor produz, isto é, de destinar seus melhores recursos para as atividades que oferecem o retorno mais alto, a chamada vantagem comparativa.

Ao distorcer, contudo, os retornos privados, as tarifas (como também as demais barreiras ao comércio) acabam afastando os recursos de seus usos mais bem-sucedidos. O resultado, previsível, será perda de produtividade e, portanto, crescimento mais lento também – e principalmente – em prazo mais longo.

O Brasil teria muito a ensinar sobre tal processo: nosso fechamento ao comércio internacional é um dos principais motivos do crescimento baixo nas últimas décadas. O mau exemplo americano poderia ser nosso ponto de partida para uma abordagem distinta, mas devemos desperdiçar também esta oportunidade.

O Estado de S.Paulo - SP   04/08/2025

A produção industrial cresceu 0,1% em junho ante maio, na série com ajuste sazonal, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta sexta-feira, 1º, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a junho de 2024, a produção recuou 1,3%.

O resultado veio após dois meses seguidos de queda. Houve alta na produção em 17 das 25 atividades industriais, o melhor desempenho desde junho de 2024, quando foram 22 atividades com taxas positivas.

Porém, o resultado do mês na margem ficou abaixo da mediana das estimativas do Projeções Broadcast, que apontava alta de 0,3%. O intervalo das projeções ia de queda de 0,6% a alta de 1,1%. Além disso, os números indicam “perda de fôlego”, conforme o IBGE e a avaliação de analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast (leia mais abaixo).

Quais foram os destaques positivos e os negativos

No acumulado do ano, a indústria subiu 1,2%. No acumulado em 12 meses, houve alta de 2,4%.

Ainda assim, a variação positiva de 0,1% no segundo trimestre de 2025, comparado com o trimestre imediatamente anterior (no dado com ajuste sazonal), reforça a leitura de estabilidade da atividade e os efeitos da alta de juros no cenário doméstico, explica André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.

“Tanto a leitura do trimestre contra o trimestre imediatamente anterior, como também os resultados da margem da série e o índice de Média Móvel Trimestral (que registrou queda mensal de 0,4%) mostram um setor industrial que, claramente, perde fôlego a partir do segundo semestre do ano passado. E isso guarda uma relação importante com essa política monetária mais restritiva”.

No primeiro trimestre de 2025, o setor havia assinalado uma variação positiva de 0,2%, enquanto no quatro trimestre de 2024, houve variação negativa de 0,1%.

A categoria de Veículos automotores, reboques e carrocerias teve o maior impacto com alta de 2,4%, após recuar 4,0% em maio de 2025.

Outros destaques positivos vieram das atividades de metalurgia (1,4%), de celulose, papel e produtos de papel (1,6%), de produtos de borracha e de material plástico (1,4%).

Conforme o IBGE, entre as oito atividades com queda na produção, os principais impactos negativos vieram de indústrias extrativas e produtos alimentícios, ambos com perda de 1,9%, e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com queda mensal de 2,3% e de 9,1% em três meses consecutivos.

Essas três atividades representam aproximadamente 45% do total da indústria.
O que dizem analistas do mercado

Em relação ao nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020, a produção industrial opera 2% acima. Contudo, em junho a indústria brasileira operava 15,1% aquém do pico alcançado em maio de 2011.

Na avaliação do economista do ASA, Leonardo Costa, o setor entrou em um compasso de maior instabilidade em 2025. “O dado confirma a perda de fôlego observada desde o início do segundo trimestre”, diz ele, que também ressalta o recuo de 0,4% na média móvel trimestral, interrompendo a trajetória de alta iniciada em fevereiro.

Segundo o economista, o setor está cada vez mais vulnerável à fraqueza da demanda doméstica, aos efeitos do aperto monetário e à guerra comercial do presidente americano, Donald Trump.

Na passagem de maio para junho, bens de capital (1,2%) e bens de consumo duráveis (0,2%) tiveram taxas positivas em junho, após recuarem, respectivamente, 1,6% e 3,3% no mês anterior.

Já os setores de bens de consumo semi e não duráveis (-1,2%) e de bens intermediários (-0,1%) tiveram resultados negativos em junho.

A XP Investimentos avalia que, entre as “frustrações” dos dados divulgados nesta sexta-feira, a queda de 8,8% na produção de consumo de bens semi e não duráveis, pela base interanual, foi bem mais intensa do que a aguardada.

A casa moderou sua estimativa em tempo real (tracker) para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, de 0,4% para 0,3%.
Revisão

O IBGE revisou o resultado da produção industrial na margem de todos os meses no ano até aqui.

O desempenho de maio passou de queda de 0,5% para recuo de 0,6%, e o de abril saiu de queda de 0,2% para contração de 0,6%.

Houve, por outro lado, revisão para cima no desempenho de março (1,2% para 1,6%).

Já os desempenhos do setor em fevereiro (0,1% para 0%) e janeiro (0,2% para 0,1%) também foram revistos para baixo.

O Estado de S.Paulo - SP   04/08/2025

O relatório surpreendente de empregos divulgado na sexta-feira, 1, não foi o único sinal de alerta. Indicadores econômicos divulgados ao longo da semana passada traçam um cenário mais amplo de uma economia americana que caminha para uma recessão, segundo Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics.

Após meses de aparente resiliência diante das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump, o panorama econômico ficou subitamente mais sombrio.

“A economia está à beira da recessão. Essa é a conclusão clara diante da grande quantidade de dados econômicos divulgados na semana passada”, escreveu Zandi em uma série de postagens no X (antigo Twitter) neste domingo. “O consumo estagnou, os setores da construção civil e da indústria estão em retração, e o emprego deve começar a cair. E, com a inflação em alta, o Fed tem pouca margem para intervir.”

A criação de empregos somou apenas 73 mil em julho, bem abaixo da expectativa de 100 mil. Além disso, os números dos meses anteriores foram drasticamente revisados para baixo: maio caiu de 144 mil para apenas 19 mil, e junho de 147 mil para 14 mil. Isso reduziu a média trimestral para apenas 35 mil novos empregos por mês, sinal de forte desaceleração.

Enquanto Trump alegou, sem apresentar provas, que os dados teriam sido “manipulados” — e demitiu o chefe da agência responsável pelo relatório —, Zandi ressaltou que grandes revisões nos dados são comuns quando a economia está perto de um ponto de inflexão, como uma recessão.
Outros sinais de desaceleração

Relatórios paralelos também mostraram sinais preocupantes. Embora o Produto Interno Bruto (PIB) tenha surpreendido positivamente no segundo trimestre, um indicador mais preciso — que exclui os efeitos do comércio exterior e foca na demanda interna final — apontou para uma desaceleração.

O relatório de gastos com consumo pessoal revelou que a inflação subjacente acelerou para 2,8%, ainda acima da meta de 2% do Fed. Os gastos dos consumidores em junho também ficaram abaixo do esperado. Diante disso, o Fed optou por adiar cortes nas taxas de juros, aguardando para avaliar os impactos das tarifas sobre a inflação.

Ao mesmo tempo, os gastos com construção voltaram a cair em junho, com destaque para a queda acentuada na construção de casas unifamiliares. Já o índice de atividade industrial do Institute for Supply Management (ISM) recuou em julho, indicando contração mais intensa no setor manufatureiro.

No momento, o rastreador do PIB do Fed de Atlanta ainda aponta para crescimento, embora projetando uma desaceleração de 3% para 2,1% no terceiro trimestre.

Por outro lado, não há sinais claros de demissões em massa, e a taxa de desemprego se mantém estável, oscilando entre 4% e 4,2% nos últimos 12 meses.
Fatores estruturais

Segundo Zandi, a taxa de desemprego só continua baixa porque o tamanho da força de trabalho estagnou. A oferta de trabalhadores estrangeiros caiu 1,2 milhão nos últimos seis meses, consequência direta da política de repressão à imigração adotada por Trump. Ao mesmo tempo, a taxa de participação no mercado de trabalho também recuou.

Com menos trabalhadores disponíveis, a demanda por contratações também diminuiu. Zandi destacou que há um congelamento generalizado nas contratações, especialmente para recém-formados. Como consequência, o chamado nível neutro de geração de empregos — necessário para absorver novos entrantes no mercado e manter a taxa de desemprego estável — agora é muito mais baixo.

“Não é nenhum mistério por que a economia está enfraquecendo. A culpa é das tarifas mais altas e da política de imigração excessivamente restritiva dos EUA”, escreveu Zandi.

“As tarifas vêm pressionando os lucros das empresas americanas e corroendo o poder de compra das famílias. Menos trabalhadores imigrantes significam uma economia menor.”
Alerta de recessão também no JPMorgan

Na sexta-feira, economistas do JPMorgan também alertaram para uma possível recessão. Eles observaram que as contratações no setor privado caíram para uma média de apenas 52 mil empregos mensais nos últimos três meses, com estagnação em praticamente todos os setores fora saúde e educação.

Eles explicam que, somado à ausência de demissões em massa causadas pela política imigratória, isso indica que a demanda empresarial por mão de obra está encolhendo.

“Temos insistido que uma queda nessa magnitude da demanda por trabalho é um forte indicativo de recessão”, afirmou o banco.

“As empresas tendem a manter os planos de contratação mesmo durante desacelerações temporárias. Quando cortam essas contratações junto com a queda da atividade, geralmente é um sinal claro de que uma retração está a caminho.”

IstoÉ Dinheiro - SP   04/08/2025

O Departamento de Economia (Depecon) da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) refez os cálculos do impacto da elevação da tarifa sobre importações brasileiras pelos Estados Unidos após a divulgação da lista de exceções do governo Trump e chegou a uma previsão de perda do Produto Interno Bruto (PIB) nacional de 0,20 ponto porcentual este ano e de 0,38 ponto porcentual em 2026.

“A imposição da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos, com início previsto para 6 de agosto, representa um risco baixista para a economia brasileira. Contudo, o potencial impacto econômico negativo do tarifaço foi mitigado após a divulgação da lista de exceções à tarifa adicional de 40% pelo governo americano nesta semana. Cerca de 700 itens estão incluídos nesta lista”, avaliam os economistas da Fiesp.

Antes do anúncio das exceções, o Depecon estimava potencial impacto baixista no PIB de 0,35 ponto porcentual para este ano e de 0,60 ponto para o ano que vem.

A projeção mediana do Boletim Focus para o crescimento do PIB para 2025 é de 2,23% e para o próximo ano é de 1,89%, divulgou na última segunda-feira, 28, o Banco Central.

Considerando e aplicando as previsões da Fiesp sobre as medianas da Focus, o PIB deste ano fecharia em 2,03% e o do ano que vem, em 1,29%.

MINERAÇÃO

Money Times - SP   04/08/2025

A CSN Mineração (CMIN3) viu seu lucro líquido encolher no segundo trimestre de 2025 (2T25), quando registrou um montante de R$ 115,8 milhões, conforme o balanço divulgado ao mercado na noite de quinta-feira (31). No mesmo período do ano anterior a companhia lucrou R$ 1,5 bilhão. Houve uma contração de 92,3% no resultado em base anual.

Já na comparação trimestral, a companhia reverteu o desempenho negativo do primeiro trimestre de 2025, quando registrou prejuízo de R$ 357 milhões.

Segundo a companhia, os principais fatores que reverteram o desempenho de um trimestre para outro são o menor impacto da variação cambial no caixa em moeda estrangeira e os maiores volumes de vendas.

Na linha do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, que mede o desempenho operacional, a CSN Mineração teve queda de 21,7% no resultado, atingindo R$ 1,2 bilhão no segundo trimestre.

A margem Ebitda ficou em 37,2%, um recuo de 11,5 pontos percentuais ante o mesmo período do ano anterior.

“Essa menor rentabilidade reflete, exclusivamente, a queda no preço do minério que foi impactado ao longo do trimestre pelas expectativas de uma redução mais rápida de demanda por parte da China, também associado às disputas tarifárias dos EUA com o mundo”, diz a CSN Mineração.

De acordo com o relatório de resultados, a situação foi parcialmente compensada pelo resultado operacional conquistado, com recordes de produção, eficiência no sistema logístico e sólido controle de custos. No acumulado do ano, o Ebitda ajustado foi de R$ 2,7 bilhões, com uma margem Ebitda ajustada de 39,5%.

A receita líquida ajustada da companhia no trimestre totalizou R$ 3,4 bilhões, mantendo um desempenho estável em comparação com o trimestre anterior, com o aumento de volume compensado por preços mais baixos verificados no período.

Valor - SP   04/08/2025

Marcelo Bacci disse que a Vale segue buscando soluções para a Bamin e afirmou que uma saída logística seria envolver o transporte de outros produtos para viabilizar o investimento na infraestrutura

O vice-presidente executivo da Vale, Marcelo Bacci, afirmou nesta sexta-feira, em entrevista coletiva, que a Vale segue analisando o projeto da Bamin. Segundo ele, a Vale, como principal mineradora do país, tem interesse, em tese, em qualquer depósito de minério de ferro de alta qualidade o Brasil. Mas o executivo ressaltou que há um “desafio logístico” no projeto, uma vez que os volumes de minério não justificam o investimento logístico.

“Existe um grande desafio logístico no projeto da Bamin, que é a construção de uma infraestrutura muito grande que, quando olha a quantidade de minério disponível, não remunera a construção da infraestrutura que é necessária, em termos de ferrovia e porto”, explicou Bacci.

A Bamin é um projeto que consiste em uma mina para produção de minério de ferro com capacidade de 26 milhões de toneladas, em Caetité (BA), a conclusão de um trecho da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol) e a construção de um terminal portuário em Ilhéus, também na Bahia. Estimativas indicam que o investimento total no empreendimento poderia superar os R$ 30 bilhões. A Bamin é controlada pela Eurasian Resources Group, do Cazaquistão, que vem tentando encontrar um comprador para o projeto.

“Por isso até hoje não encontramos uma forma econômica de desenvolvê-lo. Então não houve nenhuma decisão por conta disso. A gente segue buscando potenciais soluções, mas nesse momento não dá pra dizer ou não se é possível seguir com esse projeto”, afirmou Bacci.

O executivo disse que a Vale segue buscando soluções para a Bamin e afirmou que uma saída logística seria envolver o transporte de outros produtos para viabilizar o investimento na infraestrutura. “A Vale é uma empresa de mineração, não somos uma empresa de logística, então não cabe a nós fazer um investimento na logística buscando outros produtos”, disse. “A gente tem logística para o nosso produto, que é o minério de ferro. Então, o que se precisa é tentar desenhar é uma solução onde consiga trazer outras cargas que justifiquem o investimento logístico na região. Se isso for viabilizado, a gente tem em tese interesse em fazer a parte do minério. Mas ainda não conseguimos desenhar uma equação que faça essa conta fechar.”

Bacci acrescentou que, caso a questão logística seja equacionada, provavelmente o interesse da Vale seria desenvolver o projeto com parceiros, uma vez que haveria outras cargas além do minério associadas.

Valor - SP   04/08/2025

Marcelo Bacci afirmou que a disciplina de capital da companhia continuará garantindo retorno aos acionistas

O vice-presidente executivo de finanças e relações com investidores da Vale, Marcelo Bacci, ressaltou que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da empresa no segundo trimestre de 2025 foi afetado pela queda de 13% dos preços de referência do minério de ferro.

Na quinta-feira, nos resultados do segundo trimestre, a Vale reportou que o Ebitda ajustado foi de US$ 3,3 bilhões, 15% abaixo do segundo trimestre de 2024.

Em teleconferência com analistas sobre os resultados do segundo trimestre que ocorre nesta sexta-feira, Bacci destacou que a empresa aprovou na quinta pagamento de juros sobre capital próprio em linha com as regras de remuneração a acionistas e afirmou que a disciplina de capital da companhia continuará garantindo retorno aos acionistas.

O executivo reiterou que a empresa espera que a dívida líquida expandida - conceito que engloba compromissos como a reparação de Brumadinho - volte gradualmente ao ponto médio do intervalo perseguido. A meta de dívida líquida expandida da Vale é de um intervalo entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. No segundo trimestre, a dívida líquida expandida ficou em US$ 17,45 bilhões.

Máquinas e Equipamentos

Valor - SP   04/08/2025

Companhias como Hisense e Midea veem baixa penetração em categorias baratas

As indústrias chinesas de eletrodomésticos e eletroportáteis que atuam no Brasil, como Midea e Hisense, planejam ampliar participação de mercado em produtos de linha branca e acirrar a competição com marcas já consolidadas no país.

A avaliação das asiáticas é de que produtos como ar-condicionado e máquina de lavar e secar ainda têm baixa penetração no Brasil, ao contrário de mercados desenvolvidos. Já a troca de itens como geladeira abre espaço para essa disputa de custo-benefício em categorias maduras.

A sueca Electrolux já afirmou que espera desempenho ruim no Brasil no segundo semestre, após trimestres de desempenho positivo. Parte do efeito vem do avanço das chinesas, especialmente nos últimos três anos, mas também pesam fatores macroeconômicos.

“O mercado como um todo cresceu. As marcas estabelecidas não estão perdendo espaço, mas considerando cenário de desaceleração a briga vai ser maior. Cerca de 60% das compras são porque um produto quebrou e outros 20% são troca de produto antigo ou reforma da casa. Nesse mercado de reposição, há uma busca por inovação, e esses fabricantes trazem inovação a um preço acessível”, diz o diretor comercial da NielsenIQ para América Latina, Henrique Mascarenhas.

O conglomerado Midea Carrier já atuava no Brasil na categoria de ar-condicionado desde 2011, quando adquiriu participação em uma joint venture para a marca Springer. Em 2024, a companhia investiu R$ 630 milhões em nova fábrica em Pouso Alegre (MG). A fatia da linha branca no faturamento passou de 20% para 35%, segundo o vice-presidente de vendas e marketing da Midea Brasil, Mario Sousa. A companhia não divulga a receita.

Para Sousa, os produtos de cozinha devem somar metade das receitas nos próximos anos, com a categoria de ar-condicionado respondendo por outros 50%. “O mercado brasileiro tem tamanho relevante, embora tenha poder aquisitivo menor que outras regiões.”

Para o analista do BTG Pactual Luiz Guanais, ter estrutura de produção local é uma vantagem competitiva em relação às importações. “Uma estrutura de custos mais competitiva pode ser repassada em menores preços e ganhar competitividade no mercado.” Ter o final da cadeia produtiva no Brasil também pode trazer benefícios tributários, como no caso da Zona Franca de Manaus e de incentivos estaduais.

Em 2019, a participação de mercado de empresas chinesas na divisão de eletroeletrônicos era de 16%, segundo o analista da consultoria NielsenIQ. Essa fatia subiu para 21% atualmente. Embora uma parte relevante seja em telefonia e tecnologia da informação, também há um crescimento em eletrodomésticos.

Levantamento da NielsenIQ na América Latina aponta que, no segmento de televisão e áudio, as chinesas superaram concorrentes europeias e americanas em produtos de alta qualidade em seu mix de produtos. Além disso, os preços foram mais competitivos do que os praticados pelas rivais coreanas. Já o posicionamento no mercado de linha branca foca em preços mais competitivos, enquanto as marcas coreanas mais uma vez apostaram na categoria premium.

A linha branca também é a aposta da Hisense, que se popularizou no Brasil em TVs e planeja ampliar sua participação de mercado nos produtos para cozinha durante o biênio 2025-2027. A companhia estreou no país em 2023 e já produz no Brasil aparelhos de ar-condicionado e lava e seca, a partir de duas indústrias parceiras, como a Multilaser.

As marcas estabelecidas não estão perdendo espaço, mas briga será maior com a desaceleração”

— Henrique Mascarenhas

Mascarenhas, da NielsenIQ, destaca que a entrada em novos mercados a partir de parcerias locais e aquisição de marcas, como feito pela Hisense e pela Midea, é uma estratégia comum de expansão da indústria chinesa.

De acordo com o vice-presidente de marketing e vendas da Hisense Brasil, Érico Traldi, a companhia não descarta investir em uma fábrica própria no país. “Esse passo a passo é sempre importante para ir entendendo o mercado, mapeando as oportunidades’, afirma.

A companhia não abre números de faturamento, mas aponta que em 2024 as lavadoras representaram 19% da receita, com destaque para lava e seca. Para este ano, o objetivo é crescer 2,5 vezes na categoria. Traldi afirma que a expansão de duplo dígito considera uma base de comparação baixa, já que a companhia tem pouco tempo de atuação no país.

Na contramão das gigantes que têm apostado em custo-benefício, as importações de produtos asiáticos de baixa qualidade têm prejudicado as fabricantes locais de eletroportáteis, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).

A entidade aponta que a categoria de eletroportáteis, que responde por 66% do total das vendas aos varejistas, caiu 6% entre janeiro e junho e puxou para baixo o desempenho consolidado da indústria. Já as linhas branca e marrom cresceram. Com isso, a estimativa é de queda de 1% do consolidado do setor.

Uma das companhias afetadas por essa concorrência de marcas baratas chinesas é a brasileira Mondial, com atuação em categorias de eletroportáteis como escovas rotativas, liquidificadores e air fryer. O presidente da empresa, Giovanni Cardoso, minimiza os impactos diretos no portfólio e diz que a indústria nacional sempre lidou com a concorrência de itens de baixo valor agregado, como no caso da rua 25 de Março, na capital paulista.

“Sentimos mais no segmento de televisores, mas nos demais produtos, com alto volume e baixo valor agregado, o efeito é limitado. O brasileiro preza pela qualidade, por ter uma assistência técnica posterior. Nosso tíquete médio é de R$ 220”, diz Cardoso. A Mondial prevê crescer entre 25% e 28% neste ano. A receita ficou em R$ 6,4 bilhões em 2024. Para fortalecer sua presença no mercado, empresa investiu no último ano R$ 249 milhões na ampliação da fábrica em Manaus e prevê uma terceira unidade em Cruz das Almas (BA), a cerca de 65 quilômetros da fábrica de Conceição do Jacuípe (BA).

Valor - SP   04/08/2025

Empresas sentem desvalorização do real e maior competição local; no mundo, tarifaço desequilibra forças nos EUA

A indústria de bens de consumo no mundo deu uma boa embaralhada neste ano, com as ameaças do tarifaço de Donald Trump, aumentos de preços consecutivos e piora no humor do consumidor global. O Brasil sentiu parte desses efeitos negativos, e está no centro de uma disputa por mercado entre marcas mundiais, ao lado de México.

Com base nos resultados das duas maiores empresas do setor no mundo divulgados poucos dias atrás, nesse ambiente mais complexo, Whirlpool (Brastemp e Consul) e Electrolux sentiram uma piora dos números no país.

Além disso, mesmo com o aumento na concorrência das empresas asiáticas no Brasil, que já afeta a venda das marcas mais maduras, não há vida fácil para esses grupos também.

Fabricantes chineses correm para exportar produtos aos EUA antes do fim do prazo de negociação de 90 dias dado por Trump à China, lotando os estoques de centros de distribuição e lojas em cidades americanas. Isso acaba mexendo com toda a cadeia de distribuição e com custos logísticos pelo mundo, dizem especialistas. Grupos chineses como Midea, Haier, Gree e Hisense vendem aos EUA há anos.

Elas ainda seguem pressionadas na busca por dar ritmo maior às rotas alternativas aos EUA - incluindo América Latina.

Maior fabricante de eletrodomésticos no país, a Whirlpool disse, na terça-feira (29), que sentiu desaquecimento na demanda no país, e também no México. Por isso, já projeta de estabilidade à queda de 5% nas vendas do setor na região neste ano. Pesa no desempenho o efeito da alta acumulada da taxa de juros, em aceleração após 2024.

“Vimos uma desaceleração mais ampla na economia, tanto no Brasil quanto, em certa medida, no México. Não há ambiente ruim [ao contrário da América do Norte], é desaceleração mesmo”, disse a analistas Marc Robert Bitzer, presidente global da americana Whirlpool.

Trata-se mais de uma ressaca frente ao ano de crescimento acelerado do setor em 2024 - e algo que já vem no radar do comando há alguns meses. Em entrevista ao Valor em março, o gerente geral no país, Gustavo Ambar, projetava encolhimento no segundo semestre.

Se de janeiro a março, a receita líquida da companhia subiu 2,4% na região (onde Brasil é mais de metade das vendas), de abril a junho, período historicamente mais aquecido, a venda caiu quase 1% frente ao ano anterior. A variação exclui o efeito do câmbio.

Na prática, foi o ganho com aumento de preços e lançamentos, o chamado “efeito preço/mix” que elevou o lucro operacional da empresa, em dólar. Essa estratégia, bem comum no mercado, já foi usada no primeiro trimestre, com reajustes na faixa de um dígito.

Com isso, a margem de lucro subiu ligeiramente na região, passando de 5,8% de abril a junho de 2024 para 6% neste ano.

Nesse sentido, a rentabilidade deu uma folga para a empresa na América Latina, já que, no começo do ano, o índice havia encolhido de 7,8% para 6,6% frente a 2024.

Em maio, a Eletros, associação dos fabricantes de eletrônicos, já havia dado o tom do ano, ao anunciar recuo de 3% na venda, em volume, de linha branca (fogões, geladeiras, lava roupas) de janeiro a março frente a 2024.

Poucos meses depois, a sueca Electrolux admitiu, em balanço publicado há duas semanas, que houve menor volume vendido no Brasil de abril a junho, sem abrir números ou base de comparação.

O analista Jeremy Caspar, do banco J.P. Morgan, perguntou, especificamente, de desempenho no Brasil em teleconferência com a direção da marca sueca.

Yannick Fierling, CEO global da Electrolux, citou impactos da alta da inflação, que restringe gastos, e os juros mais altos após 2024. E disse que a desvalorização do real trouxe impacto negativo na receita, algo compensado por aumentos de preços no país. Quando o real perde força, a empresa contabiliza menos receita em dólar.

Também houve efeito de um movimento de redução dos estoques das varejistas brasileiras nos últimos meses. Redes fazem isso para “empatar” menos caixa em produtos que podem ficar parados nas lojas, pelo alto custo de capital com juros a 15% ao ano. O problema é que, se erram na mão, perdem venda por falta de mercadoria.

A Electrolux sinalizou que isso pode ter ocorrido. “Altos juros no Brasil contribuíram para um inventário menor e isso teve efeito negativo na demanda”, informou.

Outro ponto pode ter pesado nos números dos grandes grupos. Para conseguir ganhar mercado, marcas asiáticas recém-chegadas têm liberado linhas de crédito mesmo para cadeias nacionais em situação financeira difícil, apurou o Valor com duas fontes. Nesse caso, ocorre com celulares, TV e eletrodomésticos.

Marcas como Samsung, LG e Electrolux vendem apenas com aval de seguradoras internacionais de crédito, e reduziram linhas após a crise na Americanas e a onda de recuperações extrajudiciais no país, mas as chinesas seguem outro caminho.

As asiáticas mantiveram políticas mais agressivas de concessão de linhas ao varejo no ano. Isso ocorreu, por exemplo, com a Casas Bahia, rede que fortaleceu laços comerciais com grupos chineses como Oppo e Jovi, de celulares.

Procuradas pelo Valor para comentar, a Whirlpool disse que não tinha nada mais a adicionar. A Electrolux Group informou que enfrentou um segundo trimestre “desafiador” na América Latina, marcado por desaceleração da demanda, efeitos cambiais adversos e ajustes econômicos, especialmente no Brasil.

Ainda assim, diz que manteve desempenho positivo e acima do mercado, sustentado por um portfólio com maior valor agregado e ajustes de preços realizados anteriormente. A empresa ainda citou a sua nova operação em São José dos Pinhais (PR), parte de um ciclo de investimentos de R$ 700 milhões, e o lançamento mais de 100 produtos no país em 2025.

Globalmente, o cenário da indústria de duráveis no mundo parece ter ficado mais complexo, especialmente após maio.

As ameaças do presidente Donald Trump de taxar a China em mais de 100% - os países ainda estão em fase de negociação - embaralhou o jogo de forças.

Como Trump manteve uma janela de negociação de 90 dias, as companhias instaladas nos EUA viram uma avalanche de envios de itens nessa brecha de tempo. Esses 90 dias acabam na segunda semana de agosto, mas na sexta-feira (1), a imprensa chinesa informou que devem ser anunciados mais 90 dias de prazo, abrindo uma nova janela de exportações aos EUA.

Bitzer, da Whirlpool, disse a analistas que, no final de maio, ele calculava de 60 a 90 dias de estoque em excesso de exportações asiáticas aos EUA - um recorde histórico. E que o aumento da janela de negociação era um “convite para enviarem mais [produtos] nas próximas semanas”. E isso num momento em que os fabricantes de itens de eletro e tecnologia têm citado, na divulgação de seus balanços, uma piora no humor do consumidor no mundo.

Ipesi - SP   04/08/2025

O faturamento da indústria de máquinas e equipamentos apresentou queda na passagem de maio para junho. A receita setorial no mês de junho foi de R$ 26.383,93 milhões, refletindo recuo de 4% em relação a maio. Porém, na comparação com junho de 2024, o faturamento foi 9,9% superior. O faturamento acumulado no primeiro semestre de 2025 no valor de R$ 146.253,41 milhões é 14,8% superior ao do mesmo período de 2024, segundo dados divulgados pela Abimaq no dia 30 de julho em coletiva de imprensa.

O resultado do mês de junho decorre da queda nos investimentos em máquinas e equipamentos no mercado doméstico. A receita interna de R$ 20.550,98 milhões é 6,1% menor que no mês de maio e 8,8% maior que do mesmo mês de 2024. Em junho, as importações também recuaram  2,5% em relação a maio, somando US$ 2.609,39 milhões. Já as exportações no valor de US$ 1.051,54 milhões em maio foram 6,3% superiores ao do mês anterior e 14,5% acima do mesmo mês de 2024.

Embora Cristina Zanella, diretora de Competitividade, Economia e Estatística da Abimaq, veja sinais de desaceleração, pois a taxa de crescimento da receita era de 16% até maio, a executiva diz que os resultados do primeiro semestre se mostraram melhor do que o esperado. Com resultados do primeiro semestre, a expectativa é de crescimento de 7,9% no faturamento setorial em 2025, sem considerar o “tarifaço” de Trump. Anteriormente, a Abimaq projetava expansão de 3,7%.

EXPORTAÇÕES – No mês de junho, as exportações do setor foram de US$ 1.051,54 milhões, com crescimento de 6,3% em comparação a maio e de 14,5% em relação a junho de 2024. No acumulado do primeiro semestre, as exportações somaram US$ 5.781,68 milhões, uma queda de 4,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.

A Abimaq destaca que a taxa de queda nas exportações, que até o mês de maio era de 7,7%, passou para 4,3% no mês de junho ante o mesmo período de 2024. “Parte importante da queda observada nas exportações de 2025 foi explicada pelo recuo de 3,3% nos preços de máquinas no mercado internacional. Em quantum as exportações registram queda de -0,5%”, diz o relatório da Abimaq, distribuído aos jornalistas.

No primeiro semestre de 2025, houve mudanças nos principais destinos das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos.

As vendas para a América do Norte caíram 13,5%, enquanto a Europa e a América do Sul cresceram 9,4% e 14,7%, respectivamente.

Na América do Sul, o destaque foi a Argentina, com alta de 55,3%, puxada por máquinas para agricultura e construção civil.

Também se destacaram os aumentos das exportações para o Chile (+12,1%) e para o Peru (+18,5%).

Para os Estados Unidos, que representam 26,6% das exportações do setor, houve queda de 12,1% nas vendas, principalmente devido à retração na demanda por máquinas agrícolas e para construção civil.

IMPORTAÇÕES – No mês de junho, as importações de US$ 2.609,39 milhões foram 2,5% menores que do mês anterior e 13,1% superiores que em junho de 2024. No acumulado do primeiro semestre, as compras do exterior no valor de US$ 15.701,46 milhões, 10,8% a mais que no mesmo período do ano anterior.

De acordo com o relatório da Abimaq, a queda nos preços médios das máquinas importadas ao longo do ano (-5,6%) anulou parte da desvalorização do real (13,2%) e viabilizou a maior entrada de máquinas, em quantum, no país (+17,2%). Atualmente as importações são quase três vezes o volume de exportação de máquinas, fator que impacta em acréscimo mensal de cerca de US$ 1,6 bilhões ao déficit da balança comercial brasileira.

As importações do mês de junho tiveram como principal origem a China (32,1% do total), mas a maior taxa de crescimento foi em máquina para celulose vinda da Finlândia (+249%).

No primeiro semestre, a China seguiu como a principal origem das importações, tanto em participação (32,1% do total) como em taxa de crescimento (+25,2%) em relação a 2024, aplicando a sua distância dos tradicionais fabricantes de máquinas e equipamentos.

Os dados históricos do setor mostram clara ampliação da presença de máquinas importadas no mercado brasileiro, e de forma mais intensa vindas do mercado chinês. Em 10 anos, a China quase dobrou a sua participação no total de máquinas importadas pelo Brasil (de 16,6% em 2015 para 32,1% em 2025).

OUTROS INDICADORES – O consumo aparente de máquinas e equipamentos registrou queda no mês de junho. Em relação ao mês de maio DE 2025 encolheu 4,4% – feitos os ajustes sazonais. Na comparação interanual, por outro lado, houve incremento de 9,9% e na anual de 19,8%. Parte do crescimento de 2025 foi relacionada ao aumento das importações que representam 46% do mercado nacional em 2025 ante 45,2% no mesmo período de 2024.

O nível de utilização da capacidade instalada do setor registrou queda de 1,4% em relação ao mês de maio ao atingir 77,7%, valor 2,1% superior ao do mesmo mês de 2024. Em média o setor atuou em 2025 com 77,4% da sua capacidade, 4 p.p. acima ao nível de 2024 (73,8%).

A carteira de pedidos, após ter recuado 1,8% em maio de 2025, recuou outros 1,8% no mês de junho. Esta queda é explicada pela piora nos setores de fabricantes de máquinas agrícolas e para infraestrutura. Em média o setor está com carteira de pedidos inferior em 0,4% à observada no final do ano de 2024 e 4% inferior à do primeiro semestre de 2025.

Em junho de 2025, o setor de máquinas e equipamentos registrou 420 mil colaboradores, crescimento de 0,3% no número de pessoas empregadas em relação a maio. Na comparação com junho de 2024, houve aumento de pouco mais de 32 mil postos de trabalho no setor, marcando o décimo primeiro aumento consecutivo nesse tipo de comparação.

TARIFAÇO – De acordo com José Velloso, presidente executivo da Abimaq, o segmento representado pela entidade é o mais afetado em termos de faturamento pelas tarifas impostas pelos EUA, sobre os bens de fabricação brasileira, já que produtos do setor não fazem parte da lista de isenções. A informação foi dada em entrevista à CNN na noite do dia 30 de julho. O setor ocupava o segundo lugar entre os setores que mais afetados, depois de petróleo e derivados, cujas exportações em 2024 foram da ordem de US$ 7 bilhões, enquanto máquinas e equipamentos foram de US$ 3,54 bilhões. Os produtos do setor de petróleo fazem parte da lista de exceções.

Os EUA são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos, que em 2024, compraram o equivalente a 26,9% do total exportado pelo segmento. Também, o setor apresenta déficit no comércio bilateral. Em 2024, o Brasil importou dos EUA US$ 4,7 bilhões em máquinas e equipamentos e exportou US$ 3,54 bilhões, o significa em um saldo negativo de US$ 1,16 bilhão na balança comercial.

Velloso crê que exclusão do setor na lista de isenções pode estar relacionada à concorrência direta com produtos dos Estados Unidos, que é um dos maiores produtores mundiais de máquinas, ao lado da China e Alemanha. Caso a sobretaxa seja mantida, o impacto sobre as exportações brasileiras para o mercado dos EUA será imediato. A Abimaq estima que  se o “tarifaço” for mantido, a receita setorial crescerá cerca de 5% em 2025, de acordo com Cristina  Zanella.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   04/08/2025

As vendas de veículos modelos 1.0, que fazem parte do Programa Carro Sustentável, cresceram 11,35% no mês passado, em relação a julho de 2024.

De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), quando comparado ao mês anterior, junho, a alta chegou a 13%.

“Isso é emprego na indústria e emprego no comércio”, comemorou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

Os dados foram apresentados a Alckmin pela Fenabrave, neste sábado (2), durante visita a concessionárias, em Brasília.

O programa, lançado há menos de um mês pelo governo federal, visa a descarbonização da frota automotiva do país, por meio de incentivos fiscais, especialmente em relação às alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

“O presidente Lula zerou o IPI. E as montadoras também ajudam com um bom desconto. É um sucesso”, comentou o vice-presidente.

Para ter direito ao IPI zero, o carro deve atender a quatro requisitos: emitir menos de 83 gramas de gás carbônico (CO₂) por quilômetro; conter mais de 80% de materiais recicláveis; ser fabricado no Brasil (etapas como soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem); e se enquadrar em uma das categorias de carro compacto (veículo de entrada das marcas).

Pelo menos cinco modelos de veículos, em diferentes versões, foram credenciados pelo programa que garante IPI zero:

Onix, da Chevrolet;

Kwid, da Renault;

Polo, da Volkswagen;

HB20, da Hyundai; e

Fiat Mobi e Fiat Argo, da Stellantis.

Com a medida, a redução dos preços desses modelos chegou, em alguns casos, a R$ 13 mil.

Para os demais veículos que não se enquadrem no IPI zero, o programa estabelece um novo sistema de cálculo do imposto, que ainda vai entrar em vigor, 90 dias após a publicação do decreto do Programa Carro Sustentável.

A nova tabela parte de uma alíquota base de 6,3% para veículos de passageiros e de 3,9% para comerciais leves, que será ajustada por um sistema de acréscimos e decréscimos.

O cálculo levará em conta critérios como eficiência energética, tecnologia de propulsão, potência, nível de segurança e índice de reciclabilidade.

Valor - SP   04/08/2025

A Nissan Motor concluiu a venda de sua participação de 51% em uma joint venture e fábrica de automóveis na Índia para sua parceira de aliança, o Grupo Renault, por 35,3 bilhões de rúpias (US$ 404 milhões), como parte do processo de reestruturação da montadora japonesa, informou a empresa na sexta-feira (1).

O acordo para vender sua participação na Renault Nissan Automotive India Private Ltd. (RNAIPL), parceria com a montadora francesa Renault, foi anunciado pela Nissan em março e estava previsto para ser concluído no primeiro semestre do atual ano fiscal. Foram vendidas ações ordinárias e preferenciais.

Com a venda, a RNAIPL se torna uma subsidiária integral da Renault, e a Nissan deixa de ter produção própria de veículos na Índia. A fabricação dos veículos da marca Nissan para o mercado indiano será terceirizada para a Renault.

A reestruturação planejada pela Nissan, em resposta à queda nos lucros, envolve o fechamento de sete fábricas ao redor do mundo até o ano fiscal de 2027. Isso inclui a unidade da Índia, além de outras no México e na Argentina. No Japão, a empresa encerrará uma planta e interromperá a produção contratada com uma subsidiária da Nissan em outra.

Valor - SP   04/08/2025

A linha de veículos envelhecida da Tesla está enfrentando uma onda de concorrentes de baixo custo, especialmente da China

Os registros de novos carros da Tesla em vários mercados importantes da Europa caíram em julho, apesar da reformulação do seu principal modelo, o Model Y, à medida que a montadora de veículos elétricos enfrenta uma reação negativa às opiniões políticas do diretor-presidente Elon Musk, desafios regulatórios e aumento da concorrência.

A linha de veículos envelhecida da Tesla está enfrentando uma onda de concorrentes de baixo custo, especialmente da China.

A empresa está lançando uma versão reformulada do Model Y e iniciando a produção de um novo modelo mais barato, mas a produção deste modelo só aumentará no próximo trimestre, mais tarde do que o inicialmente previsto.

Os registros [emplacamentos] da marca — um indicador das vendas — caíram 86% em julho na comparação anual na Suécia, para 163 carros; 52% na Dinamarca, para 336 carros; 27% na França, para 1.307; 62% na Holanda, para 443; e 58% na Bélgica, para 460 veículos, segundo dados oficiais do setor, marcando a sétima queda mensal seguida em todos esses países.

Elas também caíram 5% na Itália, para 457 carros, e 49% em Portugal, para 284 veículos.

As vendas da Tesla na Europa caíram mais de um terço nos primeiros seis meses do ano.

Noruega e Espanha foram exceções à tendência, com os registros da Tesla em julho subindo 83% e 27%, para 838 e 702 carros, respectivamente.

Sem novos veículos de entrada mais acessíveis previstos até os últimos três meses do ano e com o fim iminente de um subsídio fiscal de US$ 7.500 nos Estados Unidos para compradores de veículos elétricos, Musk reconheceu em julho que a Tesla pode ter “alguns trimestres difíceis”.

Ele afirmou que as rígidas regulamentações sobre direção automatizada na Europa dificultaram a venda do Model Y em alguns países, já que o sistema opcional de direção autônoma supervisionada do veículo é “um grande argumento de venda”.

“Nossas vendas na Europa, acreditamos que vão melhorar significativamente assim que conseguirmos oferecer aos clientes a mesma experiência que eles têm nos Estados Unidos”, disse Muska analistas.

Os registros do Model Y na Suécia e na Dinamarca caíram 88% e 49%, respectivamente, em julho, enquanto na Noruega eles mais que quadruplicaram, chegando a 715 carros.

As vendas de carros em geral subiram 20% na Dinamarca, 6% na Suécia, 48% na Noruega, 17% na Espanha, 9% na Holanda e 21% em Portugal, enquanto caíram 8% na França, 5% na Itália e 2% na Bélgica em julho, segundo dados do setor.

Alemanha e Reino Unido devem divulgar os dados de vendas de automóveis de julho na próxima semana. As montadoras europeias Volkswagen, Mercedes-Benz, Stellantis, Renault e BMW publicaram resultados fracos no segundo trimestre, alertando para a pressão causada pelas tarifas de importação dos EUA e pela queda na demanda.

Valor - SP   04/08/2025

As montadoras e fornecedoras de autopeças perderam cerca de US$ 200 bilhões em valor de mercado globalmente neste ano, devido à intensificação das tarifas comerciais dos Estados Unidos e outros obstáculos enfrentados pela indústria automotiva.

A capitalização de mercado combinada das fabricantes e fornecedoras listadas em bolsa somava US$ 3,35 trilhões no fim de julho — uma queda de 6% em relação ao fim do ano passado.

Enquanto isso, o índice de referência MSCI All Country World Index segue perto de máximas históricas, com alta de mais de 20% desde o piso registrado em 8 de abril, logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar tarifas "recíprocas" contra parceiros comerciais. A alta foi impulsionada principalmente por ações de tecnologia e chips, como Nvidia e Microsoft.

Já o índice setorial de automóveis e autopeças caiu 15% desde o final de 2024 — a maior queda entre os 23 setores acompanhados.

O setor automotivo, sensível às tarifas, enfrenta a perspectiva de queda nas vendas por conta do repasse de preços ao consumidor, além dos custos adicionais para realocar partes da cadeia de suprimentos para os Estados Unidos, a fim de evitar as tarifas.

A General Motors perdeu 15% de seu valor de mercado. No segundo trimestre, o lucro líquido caiu 35% na comparação anual, para US$ 1,89 bilhão, afetado por US$ 1,1 bilhão em custos de importação relacionados a tarifas.

A Toyota Motor viu seu valor de mercado recuar US$ 33,1 bilhões (ou 10%). A montadora estima um impacto de 180 bilhões de ienes (US$ 1,21 bilhão) sobre o lucro operacional nos meses de abril e maio devido às tarifas.

“Espera-se que os custos com tarifas aumentem ainda mais, e não está claro se as empresas conseguirão absorvê-los”, disse Takaki Nakanishi, analista-chefe do Nakanishi Research Institute.

A Stellantis — fabricante das marcas Jeep e Fiat — teve sua capitalização de mercado reduzida em 33%. A empresa registrou prejuízo líquido de € 2,3 bilhões (US$ 2,66 bilhões) no primeiro semestre, revertendo o lucro de € 5,6 bilhões no mesmo período do ano anterior. A montadora colocou trabalhadores em licença não remunerada nos Estados Unidos e suspendeu a produção em fábricas no México e no Canadá.

Ainda não está claro como as fabricantes irão adaptar suas cadeias de suprimento ao novo cenário tarifário. As incertezas quanto ao crescimento também pressionam as ações do setor.

Enquanto isso, o índice MSCI ACWI de semicondutores e equipamentos para chips já acumula alta de 20% no ano. Os investimentos em data centers estão crescendo, impulsionados pela demanda por inteligência artificial generativa. A Nvidia, que tem o maior peso no índice mundial MSCI, se tornou a primeira empresa a superar os US$ 4 trilhões em valor de mercado.

Globo Online - RJ   04/08/2025

O Brasil está acelerando na mudança da frota de ônibus a diesel para elétricos. De acordo com Clarisse Cunha Linke, diretora-executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), o país já superou a marca de mil veículos do tipo. O número ainda é abaixo do que existe no Chile (2,6 mil) e na Colômbia (1,7 mil), além de ser proporcionalmente pequeno em relação ao total dos que rodam no país, mas cada vez mais municípios investem na transformação.

— Temos visto um avanço em várias cidades de formas diferentes. Algumas já criaram um marco legal que define metas de descarbonização, enquanto outras estão aplicando para o PAC para a compra de ônibus elétricos. Há uma mudança em curso — destaca Linke.

A especialista participou na última quinta-feira do evento “Caminhos do Brasil”, uma iniciativa dos jornais O GLOBO e Valor Econômico e da rádio CBN, com patrocínio do Sistema Comércio, através da CNC, do Sesc, do Senac e de suas federações. Os debates sobre mobilidade urbana também incluíram o ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, e Felipe Borim, superintendente da Área de Infraestrutura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A Associação Brasileira do Veículo Elétricos (ABVE) divulgou na última sexta-feira que o setor registrou um crescimento expressivo na frota no primeiro semestre de 2025. Foram emplacadas 306 unidades em todo o país, um aumento de 141% em relação ao mesmo período de 2024, quando passaram a circular 127 novos ônibus elétricos.

O aumento é puxado especialmente pela cidade de São Paulo, a mais avançada nesse processo. O município já tem 841 ônibus elétricos, ou 6,3% da frota total, mas a meta é chegar a 20% dos 13,3 mil coletivos até o fim de 2028.

Já em Curitiba, os primeiros ônibus elétricos começaram a circular em agosto do ano passado. Foram 54 veículos na primeira aquisição, como parte do projeto de eletromobilidade do transporte público da cidade, que conta com R$ 380 milhões em investimentos.

De acordo com o Ministério das Cidades, já estão em processo de compra 2,2 mil ônibus elétricos para 92 cidades, como Florianópolis (SC), Palmas (TO) e Niterói (RJ). Só Campinas (SP) levará 250 veículos.

Outros 13 municípios da região metropolitana baiana vão receber 150 coletivos cada. Na lista estão Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Camaçari e Itaparica. Esses projetos foram escolhidos em 2023 e, juntos, custaram R$ 7 bilhões. Para 2025, os valores disponíveis são de R$ 4 bilhões, e a seleção ainda está ocorrendo.

Os ônibus elétricos zeram emissões de gases causadores do aquecimento global e também evitam polução do ar por partículas que causam doenças, especialmente pulmonares. Eles também são mais silenciosos e confortáveis.

De acordo com Clarisse Linke, a mudança é maior do que a simples substituição de veículos. Isso porque a tecnologia tem algumas particularidades que muda a rotina das empresas de ônibus, além de criar um desafio adicional a concessionárias de energia que precisam reformar a estrutura de abastecimento para suportar o aumento da demanda. Um novo problema, por exemplo, é a localização das garagens:

— É preciso de espaços bem localizados com uma estratégia de recarga bem desenhada para colocar esses ônibus para rodar de forma efetiva. Mas encontrar terrenos em áreas melhores para garagens nas grandes cidades é complicado — aponta a especialista.

Rio realiza teste

No Rio, o Departamento estadual de Transportes Rodoviários começou a testar, em junho, um modelo de ônibus 100% elétrico na linha intermunicipal 417T, que liga Xerém à Barra da Tijuca. O objetivo desse período é observar aspectos, como abastecimento do veículo, a disponibilidade de energia pela concessionária e o conforto de passageiros e motoristas.

Serão avaliados também a autonomia, a eficiência operacional em trajetos longos e o custo-benefício do uso desta tecnologia em linhas intermunicipais. A expectativa é que o modelo possa ser adotado em outros itinerários.

A diretora-executiva do ITDP explica que, além de mudanças no funcionamento das empresas, um ônibus elétrico é três vezes mais caro do que um normal, o que é uma barreira de entrada. Além disso, ele não tem um valor de revenda compensatório — uma transação que também abastece o fluxo de caixa das operadoras. No entanto, sustenta Linke, a operação é tão mais barata que compensa esse custo inicial.

— Por isso tudo, não é só mudar um veículo por outro. As cidades precisam construir seus planos de transformações, com novos marcos legais — cobra a pesquisadora. — Isso tudo gera uma oportunidade de mudar o sistema de transporte. É uma brecha que temos para mudar para melhor.

“Caminhos do Brasil” é uma iniciativa dos jornais O GLOBO e Valor e da Rádio CBN, com patrocínio da Multiplan e do Sistema Comércio, através da CNC, do Sesc, do Senac e de suas federações.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   04/08/2025

Ferramenta de inventário do SindusCon-SP teve aumento de 84% nos acessos em relação a 2023 e crescimento de 52% no número de usuários

Diferentemente de temas como reúso de água, gestão de resíduos, eficiência energética e uso de madeira de reflorestamento, o carbono ainda é pouco abordado pela indústria da construção civil. Responsável por 32% do consumo de energia global e por 34% das emissões mundiais de dióxido de carbono (CO₂), o setor ainda enfrenta obstáculos para avançar na descarbonização. Um dos principais entraves é justamente a medição da pegada de carbono.

Ao lado da indústria automotiva, a construção civil é uma das atividades que mais depende de uma cadeia ampla e diversificada de fornecedores. Sem informações precisas, identificar os gargalos é um desafio. “Com acesso a dados, fica mais fácil pensar em soluções”, comenta Francisco Antunes de Vasconcellos Neto, vice-presidente de Meio Ambiente do Sindicato da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).

No Brasil, segundo dados de 2023 do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, as edificações respondem por cerca de 7% das emissões totais do país.

Para trazer o setor para a mesma página e incentivar a adoção da métrica, o SindusCon-SP, por meio de seu Comitê de Meio Ambiente (Comasp), lançou em dezembro de 2020 a calculadora de carbono CECarbon. Desenvolvida com apoio da Agência de Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ) e da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, a ferramenta mede dois dos principais indicadores de impacto ambiental de uma obra: as emissões de gases de efeito estufa e o consumo de energia (energia embutida). “Grandes empresas associadas nos pediram ajuda para calcular porque começam a ser cobradas de stakeholders”, conta Vasconcellos Neto.

Só em 2024, a CECarbon registrou um aumento de 84% nos acessos e 52% no número de usuários, em relação a 2023, sendo responsável por mais de 100 inventários de emissões no setor da construção.

A fase de obra é considerada o “berço” do ciclo de vida de um edifício. A calculadora contempla desde a extração de materiais até o uso no canteiro de obras (fases de produto e construção). No entanto, não chega a contabilizar emissões relacionadas ao uso, manutenção, reformas, gestão de água e energia ao longo da vida útil, nem o fim de vida do edifício, que envolve demolição, processamento de resíduos, recuperação e reciclagem.

Embora as emissões operacionais de uma obra se concentrem principalmente em resíduos e energia, isso não exime o setor da responsabilidade de engajar a cadeia de suprimentos na busca por insumos menos poluentes. De acordo com o Inventário Setorial - Projeto Aliança GEE, 97% das emissões associadas a uma obra vêm dos materiais utilizados — principalmente aço, cimento, alumínio e vidro — considerados difíceis de descarbonizar (“hard to abate”). Cimento e aço, por exemplo, são responsáveis, juntos, por 18% das emissões globais de GEE. “Eu consigo atuar em 3% do problema. Para o restante, eu preciso dos meus fornecedores”, comenta Vasconcellos Neto.

Para enfrentar esse desafio, o engajamento com fornecedores é essencial. Em uma das frentes, o SindusCon-SP mantém parceria com a ONG Prolata para promover a logística reversa do aço e alumínio descartados nos canteiros de obras, contribuindo para a coleta e destinação adequada de embalagens de aço pós-consumo. A iniciativa aumenta a oferta de materiais reciclados disponíveis no mercado.

Desde seu lançamento, a CECarbon passou por duas atualizações, e uma quarta versão está em desenvolvimento com apoio da KPMG. A nova edição trará avanços como integração com softwares de orçamento e compatibilidade com a metodologia BIM (Building Information Modeling).

Outra novidade no ferramental disponível às construtoras é a CEHídrica - Calculadora de Eficiência Hídrica na Construção Civil de Edificações. Apresentada no final de maio, durante o evento de 25 anos do Comasp, a ferramenta amplia a avaliação do impacto ambiental das obras, com foco no uso da água. A previsão de lançamento é novembro deste ano, com a disponibilização de uma versão preliminar da ferramenta.

“Essa iniciativa busca promover a padronização e definição de métricas contribuindo para a gestão climática no setor”, comenta Lilian Sarrouf, coordenadora técnica do Comasp e superintendente do Comitê Brasileiro da Construção Civil da Associação Brasileira de Normas Técnicas (CB-002/ABNT).

Os resultados da CEHídrica avaliarão as edificações do berço ao uso, ou seja, desde a extração e fabricação dos materiais até a operação dos empreendimentos, considerando diferentes tipos de impactos hídricos, como escassez, poluição e disponibilidade regional. Poderão ser avaliadas soluções que diminuam os impactos negativos e promovam impactos positivos.

Além de orientar decisões de projeto e escolha de materiais com foco na redução do impacto hídrico, a CEHídrica pode ser usada na elaboração de inventários considerando uma vida útil de 50 anos da edificação. A pegada hídrica será calculada com base na disponibilidade de água na região, conforme metodologia da norma NBR ISO 14046. A ferramenta contará com um banco de dados de 54 materiais.

Durante o evento em maio, Virginia Sodré, CEO da Infinitytech e presidente do Conselho de Água do Green Building Brasil, comentou que grandes empresas já estão usufruindo de mecanismos de créditos de água, comercializando cotas para compensar e restaurar recursos hídricos — prática que já chegou ao Brasil. Segundo Virginia, estão previstas parcerias para aprimorar a CEHídrica, incluindo a Sabesp, a Universidade de São Paulo e empresas da cadeia produtiva.

A conformidade dos inventários com a legislação vigente e com as normas de divulgação de sustentabilidade é uma das principais demandas das empresas usuárias da CECarbon. “Dessa forma, as empresas podem utilizar os relatórios gerados pela CECarbon em seus materiais próprios de divulgação dos planos de descarbonização”, aponta Sarrouf.

Para garantir mais qualidade e confiabilidade, a KPMG foi contratada como auditoria externa dos dados da ferramenta e a plataforma está hospedada em nuvem com segurança criptografada. Para facilitar o uso, o Comasp criou um curso on-line gratuito de capacitação.

Entre os próximos passos está a atualização da base de dados de emissões da CECarbon, visando maior precisão e aderência ao contexto brasileiro. A Saint-Gobain, multinacional francesa dona de marcas como Quartzolit, Brasilit, Placo, Isover e Ecophon, é parceira da iniciativa não apenas como patrocinadora da CECarbon, mas também contribuindo diretamente para o aprimoramento da base de cálculo. As Declarações Ambientais de Produto (EPDs) da Saint-Gobain já foram incorporadas à ferramenta.

“Ao padronizar premissas e consolidar informações entre diferentes agentes do setor, a CECarbon abre caminho para a criação de indicadores nacionais de referência”, aponta Dimitri Nogueira, Diretor de P&D e Inovação da Saint-Gobain para a América Latina.

Comparando a realidade brasileira com a europeia, há uma diferença significativa da pegada de carbono de uma obra: enquanto, no Brasil, as emissões de uma obra giram em torno de 220 quilos de dióxido de carbono (CO₂) por metro quadrado de construção, na Europa este número sobe para 250 kgCO₂/m². A diferença se deve, principalmente, à matriz energética mais limpa do Brasil, o que reduz a pegada de carbono da indústria.

“Quanto mais fabricantes divulgarem suas DAPs, mais precisa e estratégica se torna a plataforma, oferecendo mais precisão nos cálculos e reforçando a importância da transparência e da colaboração para acelerar a descarbonização do setor”, comenta Nogueira.

Com isso, o país ganha vantagem no cumprimento das metas globais de emissões. “A discussão global de redução de 30% das emissões até 2030 precisa ser revista aqui, porque hoje já emitimos bem menos”, completa Vasconcellos Neto.

Base para políticas públicas

Lilian Sarrouf, do Comasp e da ABNT, também representa o setor pela Câmara Brasileira da Industria da Construção (CBIC) na elaboração da Taxonomia Sustentável Brasileira. “Será importante para colocar todos na mesma página e prover diretrizes para análises de crédito, regulamentações e decisões de investimento”, diz. Ela conta que os primeiros cadernos técnicos devem ser lançados em agosto, e trarão a classificação de atividades econômicas setoriais, servindo de base para identificar atividades sustentáveis.

O papel das associações setoriais também é o de preparar seus associados para essas transformações. O VP do SindusCon-SP acredita que, em breve, as empresas de construção civil serão cobradas por mais transparência quanto à sua pegada de carbono e suas ações de mitigação. “Inclusive pode ser um requisito para conseguirem financiar as obras”, diz.

Atualmente, o mercado financeiro carece de linhas de crédito específicas para as empresas do setor que adotam práticas ESG. No entanto, Vasconcellos Neto acredita que, em um futuro próximo, instituições financeiras poderão oferecer taxas mais atrativas às empresas com sólida atuação em sustentabilidade — e restringir o acesso daquelas que não se adaptarem. Para os representantes do Comasp, o envolvimento do setor financeiro e do mercado de capitais poderia acelerar a implantação da agenda.

Mesmo as emissões de títulos de dívida sustentável, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) ou debêntures verdes, direcionados ao setor, não vingaram, ainda. Em janeiro deste ano, a Tegra Incorporadora levantou R$ 322 milhões com a emissão de um CRI Verde, com a coordenação do banco BV. Foi o primeiro de sua categoria no Brasil. A incorporadora se comprometeu a aplicar os recursos, preferencialmente, no desenvolvimento de empreendimentos com características de “prédios verdes”, que tenham certificações do mercado imobiliário sustentável.

Um divisor de águas será também quando ferramentas como esta influenciarem políticas públicas. Um dos exemplos citados pelos representantes do Comasp é o Selo Casa Azul+ Caixa, destinado a propostas de empreendimentos habitacionais que adotem solução eficientes nas edificações. Ele poderia ser utilizado em construções sustentáveis, conforme já é recomendado pelo Ministério das Cidades (Portaria nº 725/2023). Outros exemplos são o IPTU Verde de Salvador (BA) e o Manual de Estratégias Sustentáveis de São José dos Campos (SP), que buscam integrar os requisitos sustentáveis no planejamento urbano.

“Não queremos que seja uma ferramenta apenas para associados do SindusCon-SP. Mas sim para dar assistência a qualquer construtora e contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas”, reforça o executivo do sindicato.

Hoje, a CECarbon começa a ser adotada por gestores públicos. Campinas, no interior paulista, foi a primeira cidade a incorporá-la em seu Plano Local de Ação Climática. Na assinatura da parceria, em maio, a secretária de Urbanismo do município, Carolina Baracat, explicou que a ideia é, a partir do monitoramento das obras, identificar possibilidades de uso de materiais sustentáveis, reduzir a poluição, padronizar métricas e até estruturar regras e incentivos para construtoras que atuam na região. O uso da ferramenta, no entanto, ainda não é obrigatório.

FERROVIÁRIO

A Tribuna - SP   04/08/2025

O Trem Intercidades (TIC) – Eixo Sul, que vai conectar São Paulo à Baixada Santista e outras áreas do litoral paulista por meio de uma linha ferroviária, já está em fase de estudos. Ao mesmo tempo, o TIC – Eixo Leste, que ligará a Capital ao Vale do Paraíba, também segue em desenvolvimento. Já o TIC – Eixo Norte, que fará a ligação entre São Paulo e Campinas, concluiu a fase contratual em maio de 2024 e aguarda os próximos passos.

O TIC – Eixo Norte terá um percurso de 101 quilômetros e oferecerá um serviço expresso entre as estações da Barra Funda, Jundiaí e Campinas, com tempo estimado de viagem de 64 minutos. O projeto prevê três estações e tem como objetivo ampliar a oferta de transporte ferroviário entre os municípios, além de facilitar o deslocamento diário da população. A proposta também inclui a implementação do Trem Intermetropolitano (TIM), entre Jundiaí e Campinas, com trajeto de 44 quilômetros e duração de cerca de 33 minutos.

Segundo a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), o plano contempla ainda a concessão da Linha 7-Rubi, atualmente operada pela CPTM. Estão previstos investimentos que devem gerar mais de 10 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, impactando positivamente 11 municípios e beneficiando cerca de 15 milhões de pessoas nas regiões atendidas.

Etapas e processos de cada TIC
Os projetos do TIC – Eixo Sul e TIC – Eixo Leste estão em andamento e seguem um cronograma composto por seis etapas iniciais. A primeira fase, que corresponde à qualificação no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), já foi concluída. Atualmente, os dois eixos estão na fase de estudos, com previsão de encerramento até o primeiro semestre de 2027.

As próximas etapas incluem a realização de audiência pública, elaboração do edital, leilão e, por fim, a assinatura do contrato. Em paralelo, o TIC – Eixo Norte já concluiu todas as seis fases iniciais do processo. Os três projetos têm previsão de conclusão em um prazo de até 30 anos.

Investimentos:

- TIC – Eixo Norte: R$ 14,2 bilhões - TIC – Eixo Sul: R$ 15 bilhões (valor estimado) - TIC – Eixo Leste: R$ 10 bilhões (valor estimado)

Trem Intercidades (TIC) Eixo Sul
Com extensão estimada entre 80 e 130 quilômetros, o percurso do Trem Intercidades (TIC) – Eixo Sul deverá ser realizado em cerca de 90 minutos. O projeto tem como objetivo contribuir para a redução do tráfego no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI) e prevê a geração de aproximadamente 13 mil empregos.

Três alternativas de trajeto entre a Baixada Santista e a Capital estão em análise. A primeira propõe a Estação Brás como destino final, passando pela Via ABC e pelo trecho de Paranapiacaba, que corresponde à faixa da cremalheira. No entanto, essa rota enfrenta atualmente concorrência com o transporte ferroviário de cargas, o que representa um desafio para sua viabilização.

A segunda possibilidade sugere que os trens cheguem à Estação Pinheiros, utilizando a Linha 9 e o trecho de Parelheiros, retomando um traçado usado até os anos 1970. Já a terceira opção considera a Estação Santos-Imigrantes como ponto de chegada, aproveitando a faixa de domínio da Rodovia dos Imigrantes e conectando-se à Ferrovia Santos-Cajati, o que permitiria o acesso direto à cidade de Santos.

Trem Intercidades (TIC) – Eixo Leste
O TIC – Eixo Leste ligará a cidade de São Paulo e sua Região Metropolitana ao Vale do Paraíba, com destino final em São José dos Campos, no interior paulista. O trajeto será feito por uma linha férrea e terá tempo estimado de 75 minutos, cruzando quatro municípios e beneficiando cerca de 2,7 milhões de pessoas.

A extensão exata da ferrovia será definida após a finalização dos estudos de viabilidade, mas a projeção atual aponta um trajeto entre 80 e 130 quilômetros.

Valor - SP   04/08/2025

Com 6,7 km de extensão, linha terá oito estações, sendo uma delas junto ao aeroporto de Congonhas

Um aceno de boas-vindas à linha 17-ouro. O recado no luminoso branco e amarelo acima da porta no interior do vagão sinaliza a proximidade do fim de mais de uma década de espera. Os dois primeiros trens do monotrilho, em testes na zona sul de São Paulo, devem circular com passageiros, em operação assistida, a partir de março de 2026.

Prometida para ser construída em apenas três anos e inaugurada para a Copa do Mundo de 2014, a linha suspensa de metrô, orçada atualmente em R$ 5,8 bilhões, colecionou uma série de atrasos e contratos rompidos até os trens começarem a rodar recentemente nas primeiras avaliações.

Na operação assistida anunciada para março próximo, o monotrilho vai circular com passageiros aos fins de semana, ou com horário reduzido. Depois, o processo deve ganhar escalas progressivas até o funcionamento comercial pleno, previsto para o terceiro trimestre de 2026.

A operação assistida será conduzida pela concessionária ViaMobilidade, empresa do grupo Movida (ex-CCR), que fará a gestão da linha.

Com 6,7 km de extensão, serão oito estações, sendo uma delas junto ao aeroporto de Congonhas, na zona sul paulistana.

A reportagem da Folha de S.Paulo acompanhou na noite de quinta-feira (31) parte dos testes com 1 dos 2 trens já montados no pátio Água Espraiada, no Campo Belo, zona sul.

Ao todo, serão 14 composições produzidas sob medida na China pela BYD --duas delas desembarcaram recentemente no porto de Santos e devem chegar nos próximos dias à capital paulista.

As avaliações são feitas sempre entre 22h e 3h30 da madrugada seguinte para não atrapalhar os trabalhos na obra da linha.

Além de profissionais do Metrô, engenheiros da fabricante chinesa viajam nos testes, divididos em duas etapas.

Na primeira, o trem se movimenta apenas por meio de carga de baterias internas até a estação Vereador José Diniz, passando pelas paradas Washington Luís e Brooklin. O trecho de 1,6 km, com velocidade máxima de 12 km/h (na maior parte do tempo não superou os 6 km/h), levou pouco mais de 30 minutos para ser percorrido na quinta-feira.

O trem da linha 17-ouro é o único no mundo com baterias recarregáveis, diz o Metrô, e que tem autonomia para até 8 km, ou seja, o suficiente para percorrer toda a linha 17, caso necessário.

Na segunda, já em fase energizada da linha (ou seja, sem o uso das baterias), a composição, de 60 metros de comprimento e cinco vagões, circula entre as estações Campo Belo, Vila Cordeiro e Chucri Zaidan --apenas os engenheiros acompanharam essa etapa no dia da reportagem.

"São testes dinâmicos, onde se acelera o trem a até 80 km/h (sus velocidade máxima) e depois há uma frenagem para checar seu desempenho", afirma o engenheiro Marcelo Tobias, chefe do Departamento de Implantação de Sistemas e Material Rodante do Metrô, sobre a segunda etapa das atuais viagens.

Trens

Os trens são totalmente automatizados, ou seja, sem operador, assim como ocorre na linha 15-prata, também monotrilho que opera sobre pneus (são 80 em cada composição, no caso da linha 17).

Na viagem acompanhada pela reportagem, entretanto, duas pessoas operaram o trem. A primeira fez as manobras iniciais, a partir do painel de controle em uma das pontas, e a segunda, do outro lado, conduziu até a via elevada, em uma subida de 6°C, semelhante a uma montanha-russa em baixa velocidade.

O monotrilho é equipado com tecnologia de controle de trens baseado em telecomunicação (CBTC), mas mudanças de vias, por enquanto, são feitas manualmente.

Os primeiros ensaios a partir do pátio Água Espraiada foram em trens vazios. A partir daí serão quatro estágios com sacos de areia, que vão aumentando o peso, para simular o comportamento com passageiros.

A viagem feita pela Folha foi no primeiro deles, chamado de AW1 (25% do peso total suportado), em que os sacos de areia são colocados, principalmente, à frente dos assentos onde ficarão sentados os usuários no futuro. Os vagões estavam parcialmente revestidos com plástico preto para não sujar. Foram acionados avisos sonoros de proximidade de estações.

Com bancos de plástico sem revestimento, o trem tem largos corredores para permitir a circulação de passageiros -- a capacidade é para pouco mais de 600 pessoas. Existem painéis informativos no interior.

Só há guarda-corpo do lado de dentro do trilho, por onde saem passageiros em caso de emergência. Assim, quem tem medo de altura deve evitar viajar perto das janelas esquerdas, pois as vias ficam de 12 a 15 metros do chão e não há mureta de proteção -- o Metrô garante que o sistema é totalmente seguro.

Com luzes que podem mudar de cor no assoalho, não foi difícil achar lá embaixo pessoas com celulares mirados para cima gravando a novidade.

Quando projetada, a linha 17-ouro, questionada por especialistas em relação à eficácia no uso de monotrilho para transporte público em massa, a ideia era facilitar o deslocamento a Congonhas. Pois o aeroporto da zona sul paulistana finalmente está conectado a uma parada de metrô.

Construída do outro lado da avenida Washington Luís, a estação Aeroporto de Congonhas será ligada ao local homônimo por meio de um túnel de 65 metros de comprimento. A passagem está em fase final de acabamento e com parte das escadas rolantes em funcionamento, conforme constatou a reportagem na sexta-feira (1º).

O acesso é no térreo de Congonhas, próximo às escadas de embarque e desembarque. As portas automáticas estão instaladas, mas, por enquanto, abrem e fecham manualmente.

Mesmo com metrô e aeroporto fechados durante a madrugada, o túnel ficará aberto ao público 24 horas por dia para que as pessoas possam atravessar de um lado a outro da avenida. A passarela metálica sobre a Washington Luís será retirada.

No canteiro da avenida, o Metrô está fazendo uma intervenção viária onde será construída um ponto de ônibus.

Segundo o engenheiro Fábio Soares, responsável por obras civis do Metrô, em breve deve ser construído um bicicletário na estação e uma ciclovia. "Vai ligar com a via para bicicletas na avenida Jornalista Roberto Marinho", afirma.

Atualmente, a estação está na fase de complemento na instalação elétrica, de vidros, elevadores e acabamento. Como nas novas paradas de metrô e trens em São Paulo, não terá bilheterias --as passagens serão compradas em máquinas de autoatendimento.

A meta é terminar toda a parte civil e de sistemas (elétricos e comunicação) da linha 17-ouro até dezembro, o que inclui a estação Aeroporto de Congonhas.

Ao todo, os trabalhos estão cerca de 85% concluídos, diz o Metrô. As portas de plataforma, por exemplo, estão instaladas nas estações à espera de ligação.

Mas a impressão é que há muita obra pela frente ainda, pois existem de partes de pilastras a itens de acabamento espalhados pelos canteiros. "Mas esse cenário muda todo dia", diz o engenheiro Marcelo Tobias.

Globo Online - RJ   04/08/2025

Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mapeou 194 projetos de transporte público coletivo de média ou alta capacidade e apontou que o Brasil precisa dobrar o tamanho do sistema de metrô e quadruplicar o de BRT e VLT nas próximas décadas. O plano está sendo construído com o Ministério das Cidades e prevê investimentos de até R$ 500 bilhões até 2054 — trinta anos após o levantamento ter sido iniciado.

— A necessidade de mobilização de recursos é enorme. Enfrentaremos lá na frente a escassez de recursos e a dificuldade de implementar esses projetos. Por isso, a gente procura soluções mais baratas quando elas são adequadas. O BRT, por exemplo, tem se mostrado importante para o país. Ele tem uma eficiência mais baixa que um transporte sobre trilhos, mas o custo de implementação está na casa de R$ 50 milhões por quilômetro, enquanto o metrô pode chegar a R$ 1 bilhão por quilômetro — explica Felipe Borim, superintendente da Área de Infraestrutura do BNDES.

Borim participou na última quinta-feira do encontro “Caminhos do Brasil”, uma iniciativa dos jornais O GLOBO e Valor Econômico e da rádio CBN, com patrocínio do Sistema Comércio, através da CNC, do Sesc, do Senac e de suas federações. Os debates sobre mobilidade urbana também contaram com a diretora-executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), Clarisse Cunha Linke, e com o ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho.

— Depois do mapeamento, o governo federal construirá, com os entes, uma lista de prioridades de quais projetos terão recursos alocados num primeiro momento. Mas é preciso perenidade nessas ações ao longo dos anos. Nós vamos investir R$ 42 bilhões na área em quatro anos. Antes disso, não houve financiamento nenhum. Isso não pode acontecer — defende Jader.

De acordo com o levantamento do BNDES, chamado de Estudo Nacional de Mobilidade Urbana, a rede base de metrô do Brasil (aquela já construída somada ao que está em fase de implementação) chega a 376 quilômetros. O acréscimo previsto pelo plano é de mais 323 quilômetros. Já a de BRT, VLT ou monotrilho — categorias que são aglutinadas no estudo — cresceria de 631 para 2,5 mil quilômetros.

— Todas as grandes cidades vão ter que ter BRT e metrô se complementando, bem integrados. Cada modelo tem suas vantagens — pontua Clarisse Cunha Linke, do ITDP.

O mapeamento também analisa projetos de trens e de corredores de ônibus. No primeiro caso, apenas São Paulo está prevendo uma ampliação de sua malha — acrescendo 96 quilômetros aos 308 que existem atualmente. Já o segundo passaria de 326 quilômetros para 483 em três décadas.

— Neste momento, o VLT é uma tecnologia mais eficiente do que o trem para dentro das cidades. Para grandes distâncias, a tendência é seguir com o trem. A região metropolitana de São Paulo é maior e mais populosa do que outras do Brasil. Portanto, sistemas metroferroviários, que têm maior capacidade de carregamento, tendem a ser modais mais presentes — afirma Borim.

O número de passageiros de transporte público, segundo o representante do BNDES, caiu 43% de 2014 a 2023. A migração se dá em grande medida para formas de transporte individual, como carros e especialmente motos de aplicativo — um jeito mais barato e rápido de se locomover.

— Isso é uma consequência de um serviço que não é de bom nível por falta de planejamento e de bons projetos. Ao mesmo tempo, a perda de passageiros aprofunda a crise, porque você reduz a demanda em um sistema que já tem problemas de financiamento com o pagamento de tarifa — diz Felipe Borim.

Efeito da pandemia

A Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos cita que os coletivos tiveram uma queda de 44,1% no número de passageiros transportados nos últimos dez anos. Isso equivale a cerca de 19,1 milhões de viagens a menos por dia entre 2014 e 2023.

— Na pandemia, a demanda chegou a cair até 80% no pico, em março de 2020. Até meados de 2023, o total de usuários seguia cerca de 15% abaixo do patamar pré-pandemia, indicando uma demanda perdida que migrou para outros modais, como carro próprio, moto ou aplicativos — detalha Aline Leite, coordenadora de Transporte Público do ITDP.

Já Clarisse Linke lembra que mesmo antes da pandemia já era registrada uma queda constante de 15% no número de passageiros por ano:

— Hoje, a maior parte das cidades ainda não retomou à demanda diária. O caso do BRT no Rio é uma exceção, dado os grandes investimentos feitos na requalificação do sistema.

Denis Eduardo Andia, secretário nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, acrescenta que essa é uma preocupação de todo o setor há muitos anos. A tendência de queda no transporte público vem sendo detectada em diferentes partes do mundo por conta do surgimento de outras formas de locomoção, como os aplicativos.

— A pandemia agravou sobremaneira essa tendência. É um processo com o qual temos lidado para buscar soluções. E elas passam por investimentos de médio e longo prazo e bons projetos — frisa Andia.

População atendida

O mapeamento do BNDES buscou projetos de transporte público coletivo de média ou alta capacidade planejados por estados e municípios das 21 regiões metropolitanas analisadas. Elas foram selecionadas por terem pelo menos um milhão de habitantes cada. Em um segundo momento, o banco passou a fazer uma análise crítica dos projetos e retirou aqueles que não faziam sentido — considerando o número de pessoas atendidas pelo investimento, por exemplo. Com isso, chegou ao número de 192 iniciativas.

O BNDES ainda não divulgou quais são esses projetos. No entanto, é possível detectar que, no Rio, foram analisadas obras como a expansão da Linha 4 do Metrô, ligando o Jardim Oceânico ao Alvorada, e a criação da Linha 3 conectando o Centro de Niterói a São Gonçalo. Já em São Paulo estavam na primeira filtragem obras como o crescimento da Linha Verde de Cerro Corá até Vila Madalena e a construção da Linha Ônix, entre São Bernardo do Campo e Bonsucesso. A expectativa, segundo Borim, é que a lista final seja divulgada “em alguns meses”.

— Os projetos têm diversos graus de maturidade. Pode ser que encontremos alguns mais maduros e eventualmente já comecem as obras no ano que vem. Só depois dessa análise terminar a gente consegue dizer isso com certeza — esclarece o representante do BNDES

Ainda conforme o estudo, a quantidade de pessoas atendidas pelos modais de alta e média capacidade pode crescer até 501% — como no caso de Fortaleza — caso a rede futura seja efetivamente implementada, com um cenário otimizado sendo construído. Hoje a capital cearense atende 213 mil pessoas nesses modais, mas saltaria para 1,2 milhão.

Este cenário mais otimista depende de quatro fatores: implementação de fatura que comprometa no máximo 6% da renda média dos trabalhadores; a integração de diferentes modais numa tarifa única ou reduzida; políticas de desincentivo a carros, como restrição de circulação em algumas áreas e redução de vagas de estacionamento; e a prioridade desses transportes coletivos no trânsito com prioridade semafórica e redução dos pontos de retenção, por exemplo.

Com isso, o transporte público coletivo de média ou alta capacidade no Rio, por exemplo, poderia passar de 1,6 milhão de usuários para 5,9 milhões — um acréscimo de 270%. Em São Paulo, o aumento seria de 68%, de 8,9 milhões para 15 milhões de pessoas atendidas.

Rodoviário

Valor - SP   04/08/2025

Antiga CCR assinou acordo para modernização do contrato da concessão da rodovia Motiva Pantanal, no Mato Grosso do Sul

A Motiva assinou um aditivo de modernização do contrato da concessão da BR-163, no Mato Grosso do Sul, assegurando a continuidade da prestação de serviços pelo prazo de 29 anos.

Segundo a antiga CCR, o acordo foi assinado entre sua controlada Motiva Pantanal e a União Federal, por meio da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), conforme decisão do Tribunal de Contas da União (TCU).

“A assinatura do aditivo representa a consolidação de mais uma etapa estratégica no plano de crescimento qualificado da Motiva”, afirma a companhia, em comunicado. Essa estratégia é pautada pela disciplina de capital e geração de valor aos acionistas.

PETROLÍFERO

Valor - SP   04/08/2025

Arábia Saudita e seus parceiros planejam ratificar a adição de 548 mil barris por dia no domingo

Membros da OPEP+ chegaram a um acordo em princípio para outro aumento substancial na produção de petróleo para setembro, segundo um representante, enquanto o grupo se movimenta para recuperar sua fatia nos mercados globais de petróleo.

A Arábia Saudita e seus parceiros planejam ratificar a adição de 548 mil barris por dia para o próximo mês quando realizarem uma videoconferência no domingo, disse o representante. O aumento completaria a reversão de um corte de 2,2 milhões de barris feito por oito membros do grupo em 2023, e também considera uma cota extra que está sendo gradualmente implementada para os Emirados Árabes Unidos.

A mais recente alta marca uma mudança drástica da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus parceiros, que passaram de uma postura de defesa de preços para a de "abrir as torneiras". Isso ajudou a conter os futuros do petróleo e da gasolina em face das tensões geopolíticas e da forte demanda sazonal, oferecendo algum alívio para os motoristas e uma vitória para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os aumentos acelerados ajudaram a alimentar as expectativas de um superávit de oferta global no final do ano.

O foco do mercado pode agora se voltar para a próxima camada de produção interrompida, que totaliza 1,66 milhão de barris e está formalmente programada para permanecer off-line até o final de 2026.

A OPEP+ fez os preços do petróleo despencarem para o menor nível em quatro anos no início de abril, quando anunciou uma aceleração súbita em seu plano de reverter a atual parcela de cortes, com os mercados ainda se recuperando após os dramáticos anúncios de tarifas do "Dia da Libertação" de Trump. A aliança seguiu com uma série de aumentos mensais robustos e acelerou ainda mais em julho.

Os preços do petróleo recuperaram as perdas à medida que a demanda se fortaleceu durante o verão, com os futuros do Brent em Londres sendo negociados pouco abaixo de US$ 70 por barril na sexta-feira, uma queda de 6,7% este ano. No entanto, analistas alertaram que o mercado enfrenta um superávit crescente no final deste ano, à medida que a oferta aumenta e a desaceleração do crescimento global pesa sobre a demanda. Os preços de referência da gasolina no varejo nos EUA até chegaram a cair no mês passado.

A decisão ocorre em um cenário de ameaças de Trump de mirar as exportações de petróleo russo, impondo tarifas secundárias aos compradores de seus suprimentos, a menos que haja um cessar-fogo rápido na guerra na Ucrânia.

Uma interrupção nos fluxos russos ameaçaria elevar os preços do petróleo e iria contra o repetido apelo de Trump por petróleo mais barato, enquanto ele pressiona o Federal Reserve a baixar as taxas de juros.

O vice-primeiro-ministro da Rússia, Alexander Novak, fez uma rara visita a Riad na quinta-feira para discutir a "cooperação entre os países" com o ministro de Energia da Arábia Saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman. Os dois países lideram conjuntamente a OPEP+ desde sua criação, há quase uma década.

Valor - SP   04/08/2025

A oferta permanente de partilha vai negociar 13 áreas de petróleo que estão localizadas no pré-sal, nas Bacias de Campos e Santos

A Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP) informou que será encerrado na próxima quarta-feira (6) o prazo para as empresas de óleo e gás inscritas na oferta permanente de partilha apresentarem à agência declarações de interesse, acompanhadas de garantias de oferta, para os blocos que estão disponíveis no edital.

Os blocos que serão negociados integram o 3º ciclo da oferta permanente de partilha, iniciado em 17 de junho. Na prática, será o segundo leilão de áreas de petróleo realizado este ano. O primeiro foi realizado em junho, no âmbito da oferta permanente de concessão.

A oferta permanente de partilha vai negociar 13 áreas de petróleo que estão localizadas no pré-sal, nas Bacias de Campos e Santos.

Os campos são os seguintes: Ágata, Amazonita, Ametista, Citrino, Esmeralda, Itaimbezinho, Jade, Jaspe, Larimar, Ônix, Safira Leste, Safira Oeste e Turmalina.

No dia 20 de agosto, a agência divulgará as áreas que receberam declarações de interesse e, consequentemente, serão ofertadas na sessão pública da oferta permanente de partilha. A sessão pública está prevista para o dia 22 de outubro.

Oferta permanente

A oferta permanente é uma modalidade mais ágil em relação ao modelo tradicional de leilões. Na oferta permanente, as empresas não precisam esperar um novo edital. Quando as petroleiras conseguem se habilitar para a oferta permanente, elas sempre estão aptas para arrematar blocos de petróleo.

No modelo tradicional, as empresas são habilitadas para cada leilão e os blocos incluídos em editais unicamente produzidos para cada certame.

Já na oferta permanente, o edital é único e só é alterado para inclusão de novas áreas e exclusão de blocos que foram arrematados por empresas ou que venham a ser excluídos por outros motivos.

Os leilões públicos, nos quais as empresas apresentam ofertas pelas áreas pretendidas, continuam ocorrendo como habitualmente – são as sessões públicas de cada ciclo da oferta permanente.

Entre a declaração de interesse e os leilões, decorre um prazo de 120 dias.

Os vencedores das sessões públicas passam a cumprir prazos de entrega de documentos exigidos no edital e a assinatura dos contratos, que podem ser de concessão ou de partilha, entre outras etapas previstas no cronograma da oferta permanente.

A diferença na oferta permanente é que, se for de concessão, as áreas arrematadas são concedidas às empresas. O critério para vencer o leilão de uma área de petróleo sob o regime de concessão é o valor ofertado do bônus de assinatura e o Programa Exploratório Mínimo (PEM).

Na oferta permanente de concessão, vence quem tiver a maior nota, calculada mediante atribuição de pontos e pesos aos critérios de bônus de assinatura e do PEM.

Na oferta permanente de partilha, o critério para definir o vencedor da sessão pública é o maior percentual de excedente em óleo para a União em relação ao valor mínimo estabelecido no edital.

IstoÉ Dinheiro - SP   04/08/2025

A produção de petróleo e gás natural no Brasil bateu recorde em junho, segundo o Boletim Mensal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), antecipado pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. A produção de petróleo atingiu 3,757 milhões de barris por dia (bpd), aumento de 2,1% na comparação com o mês anterior e de 10,1% em relação ao mesmo mês de 2024.

Já a produção de gás natural em junho foi de 181,636 milhões de metros cúbicos por dia (m3/d), crescimento de 5,4% frente a maio e de 20,9% na comparação com junho de 2024.

Com isso, a produção total chegou a 4,900 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), ou mais 2,8% do que no mês anterior.

Pré-sal

Também houve novo recorde na produção de petróleo e gás natural na região do pré-sal, de 3,860 milhões de boed, um aumento de 1,5% em relação ao mês anterior e de 12,7% se comparado a junho de 2024.

A produção do pré-sal, que ocorreu por meio de 162 poços, correspondeu, no mês, a 78,8% do total nacional. Separadamente, a produção de petróleo foi de 2,981 milhões de bpd e a de gás natural, de 139,79 milhões de m3/d.

Em junho, o aproveitamento de gás natural foi de 96,7%. Foram disponibilizados ao mercado 61,76 milhões de m3/d, e a queima foi de 6,02 milhões de m3/d. A queima variou 40,3% se comparada ao mês anterior e 97,1% na comparação com junho de 2024. O crescimento foi devido ao comissionamento da FPSO Alexandre de Gusmão, no Campo de Mero.

No mês, os campos marítimos produziram 97,6% do petróleo e 85,3% do gás natural. Os campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcio com outras empresas, foram responsáveis por 89,35% do total produzido. A produção teve origem em 6.555 poços, sendo 536 marítimos e 6.019 terrestres.

No mês de junho, o campo de Tupi, no pré-sal da bacia de Santos, foi o maior produtor, registrando 794,60 bbl/d de petróleo e 40,19 milhões de m3/d de gás natural. Já a instalação com a maior produção foi o FPSO Guanabara, na jazida compartilhada de Mero, com 183.787 bpd de petróleo e 12,08 milhões de m3/d de gás natural.

AGRÍCOLA

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   04/08/2025

As vendas de máquinas agrícolas no Brasil se mantêm em alta, mas o otimismo começa a dar lugar à cautela, após o anúncio da tarifa de 50% sobre importações brasileiras pelo governo dos Estados Unidos, comandado por Donald Trump.

Em junho, o faturamento do setor somou R$ 6,3 bilhões, um crescimento de 12,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). No acumulado do ano, o avanço chega a 20,7%, com R$ 33,2 bilhões em vendas.

“Estávamos caminhando para um ano muito positivo, mesmo com os juros ainda altos. O Plano Safra 2025/26 trouxe os volumes que esperávamos, cerca de R$ 30 bilhões já disponíveis nas principais linhas como o Moderfrota e o Pronamp. Nenhum outro setor tem esse nível de recurso subsidiado com taxas tão competitivas”, disse Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq.

No início do ano, a Abimaq projetava crescimento de 8% nas vendas em relação a 2024, e a expectativa era de revisar essa estimativa para cima após os resultados positivos de maio e junho. No entanto, o tarifaço adiou a decisão.

Segundo Estevão, a situação “acrescentou uma camada de incerteza” que pode afetar decisões de compra nos próximos meses. A medida atinge, principalmente, culturas como café e laranja, e a pecuária, que, juntas, representam 17% das vendas de máquinas agrícolas.

“A medida tem repercussões tanto econômicas quanto comportamentais: enquanto os setores diretamente impactados já revisam planos, produtores de outras cadeias também adotam postura mais conservadora”, afirmou o executivo.

Diretamente, as exportações brasileiras de máquinas agrícolas aos EUA representam 10% das vendas totais do Brasil que, em junho, somaram R$ 137,06 milhões, 27,08% superior ao do mesmo mês de 2024.

“Se não conseguirmos vender tudo para lá, o volume cai um pouco, mas precisamos aguardar o desenrolar das medidas”, ponderou o executivo da Abimaq. No acumulado de janeiro a junho, as vendas externas somaram US$ 746,26 milhões, 27,8% acima do mesmo período de 2024. Já as importações recuaram 10,8% em junho e acumulam queda de 2,3% no ano.

Do total de vendas do mês, R$ 5,5 bilhões foram para o mercado interno, crescimento de 10,4% em relação a junho de 2024. E, dentro desse valor, R$ 5 bilhões são apenas de tratores.

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