Valor - SP 13/08/2025
A siderúrgica Aço Verde do Brasil registrou prejuízo líquido de R$ 900 mil no segundo trimestre de 2025, ante lucro líquido de R$ 23,7 milhões apurado no mesmo trimestre de 2024.
O resultado negativo é explicado principalmente pelo menor preço do aço no período e pelo aumento das despesas financeiras, segundo demonstrações financeiras divulgadas ao mercado pela empresa.
De acordo com as demonstrações de resultados publicadas nesta terça-feira (12), a receita líquida no segundo trimestre de 2025 foi de R$ 359,1 milhões, um recuo de 8,6% em comparação com os R$ 392,9 milhões do mesmo trimestre de 2024.
O Ebitda (Resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da empresa no segundo trimestre de 2025 ficou em R$ 83,4 milhões, em queda de 8,9% ante Ebitda de R$ 91,6 milhões no mesmo período do ano anterior.
As vendas de laminados no segundo trimestre ficaram em 89,9 mil toneladas, em baixa de 4,5% na comparação com as 94,5 mil toneladas um ano antes.
IstoÉ Dinheiro - SP 13/08/2025
Entre janeiro e julho de 2025, as exportações do Brasil para os Estados Unidos somaram US$ 23,7 bilhões, valor 4,2% maior que no mesmo intervalo de 2024, de acordo com dados do Monitor do Comércio Brasil-EUA, da Amcham Brasil.
No mesmo período, as importações brasileiras de produtos americanos chegaram a US$ 26 bilhões, representando crescimento de 12,6%.
+Inflação fica em 0,26% em julho e atinge 5,23% em 12 meses, pressionada por energia elétrica
Com isso, o saldo comercial passou a ser favorável para os Estados Unidos em US$ 2,3 bilhões, aumento de mais de seis vezes em relação ao resultado do ano anterior.
“As exportações brasileiras para os EUA seguem resilientes e em trajetória de crescimento até julho. Nosso compromisso é seguir trabalhando de forma coordenada com os dois governos para preservar esse comércio, que impulsiona empregos e oportunidades em ambos os países, sobretudo diante dos desafios adicionais que o aumento das tarifas trará daqui para frente”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
No mês de julho, já sob a sobretaxa americana de 10% e com o anúncio de elevação para 50% a partir de agosto, as exportações do Brasil para os EUA alcançaram US$ 3,7 bilhões, 3,8% acima de julho de 2024.
O volume embarcado subiu 7,3%, o que pode indicar antecipação de vendas para evitar as novas tarifas. As importações brasileiras de produtos americanos avançaram 18,2% no mês, para US$ 4,3 bilhões, segundo maior valor registrado desde 2015.
Entre os dez principais itens exportados pelo Brasil em julho, seis apresentaram aumento nas vendas:
Aeronaves: +159,0% Ferro-gusa: +62,5% Cal e cimento: +46,3% Petróleo: +39,9% Suco de frutas: +32,2%
No acumulado do ano, os maiores avanços vieram de carne bovina (+118,1%), sucos de frutas (+61,7%), café (+34,6%) e aeronaves (+31,7%).
Exportações de celulose e óleos de petróleo recuam
Alguns produtos perderam espaço no mercado americano. Celulose recuou 14,8%, afetada pela concorrência canadense. Óleos de petróleo caíram 18%, equipamentos de engenharia 20,8% e semi-acabados de ferro ou aço 8% – com queda de 64% apenas em julho.
O açúcar sofreu retração de 49,6% no valor e 51,7% no volume, já sob a tarifa de 50% que entrou em vigor no início de agosto.
No cenário global, o déficit dos EUA na balança de bens cresceu 27,8% no primeiro semestre de 2025.
O Brasil, entretanto, figura entre os poucos países com os quais os americanos mantêm superávit, ocupando a quinta posição nesse ranking, com crescimento de 57,9% na comparação anual. Em junho, no entanto, houve redução de 8,3% no déficit global americano, possivelmente ligada à aplicação das tarifas de retaliação.
IstoÉ Dinheiro - SP 13/08/2025
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, reafirmou nesta terça-feira, 12, esperar que seja “mínimo” o impacto nas contas públicas do plano de socorro às empresas afetadas pelas tarifas dos Estados Unidos. “Estamos absolutamente conscientes que o impacto dele vai ser mínimo. Vai ser única e exclusivamente no limite do necessário para não deixar nenhuma empresa para trás”, disse a ministra, ao chegar para audiência pública no Senado.
Tebet reafirmou que caberá ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, decidir a data de anúncio do pacote e que as medidas ainda não foram divulgadas porque o Ministério do Desenvolvimento analisa individualmente as empresas afetadas.
“O setor de pescado é um dos mais atingidos, mas não todo o setor vai ser beneficiado, não todas as empresas. Tem empresa que não exporta, tem empresa que exporta, mas não exporta para os Estados Unidos, e tem empresa que exporta para os Estados Unidos, mas já está redirecionando a sua produção”, declarou a ministra.
Inflação ainda preocupa
A ministra também comentou que a inflação ainda preocupa o governo, mas que há otimismo e um esforço para que a taxa fique dentro da meta até o fim de 2025. Nesta terça, o IBGE divulgou que a inflação foi de 0,26% em julho.
“Tivemos um pequeno problema com a tarifa de energia, que subiu, e a habitação. A inflação nos surpreendeu negativamente, mas faz parte das oscilações. Então, a gente está vendo, lamentavelmente, em função dos juros muito altos no Brasil, que isso está fazendo efeito e a inflação está começando a cair no Brasil. Estamos otimistas em relação a esse dado”, falou.
A ministra disse que há um alívio nos números recentes, principalmente, no preço dos alimentos. “Tem um alívio nesses números. Aquilo que efetivamente importa para as pessoas, que é a alimentação, até vestuário, a inflação dos alimentos, houve uma deflação pelo segundo mês consecutivo. O preço dos alimentos, que é aquilo que mais preocupa, caiu”, declarou.
O Estado de S.Paulo - SP 13/08/2025
O risco de os Estados Unidos adotarem tarifas secundárias contra países do Brics, em resposta a alinhamentos com Rússia e China, é real, mas incerto, avalia Marcello Estevão, diretor gerente e economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF).
Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Estevão observa que ameaças tarifárias amplas e o uso de instrumentos econômicos para punir “alinhamentos” podem incentivar países a buscar alternativas ao dólar e à intermediação financeira dos EUA — exatamente o oposto do pretendido por Donald Trump.
Estevão pondera que o Brics segue heterogêneo: “A pressão externa aproxima no discurso, mas não resolve conflitos de interesses internos”. Ele entende que, para o Brasil, manter ponte com Washington e reforçar previsibilidade doméstica (fiscal/regulatória) é a melhor defesa para segurar investimento e reduzir a probabilidade de medidas “punitivas”.
A seguir, os principais trechos da entrevista:
Qual o risco de os EUA adotarem tarifas secundárias contra países do Brics como forma de punir alinhamentos com Rússia e China?
O risco existe, mas é incerto e variável por país. O presidente Trump já sinalizou publicamente ‘tarifa adicional de 10%” a países que “se alinhem às políticas antiamericanas do Brics’, sem detalhar critérios, linguagem ampla que dá margem a aplicação seletiva e política, mas também a recuos táticos. Ao mesmo tempo, o próprio governo envia sinais contraditórios sobre Rússia, como o encontro Trump-Putin no Alasca, sem a Ucrânia na mesa, enquanto aumenta pressão tarifária sobre a Índia por compras de petróleo russo. Isso reforça a leitura de linha não consolidada e risco “event-driven” de medidas secundárias.
Elevar tarifas à Índia por seu comércio de petróleo com a Rússia pode ser classificado como uso de sanções extraterritoriais disfarçado? Isso indica que nenhuma alíquota tarifária anunciada até agora, em especial as do Brics, é a alíquota final?
Tecnicamente são tarifas, não sanções. Mas o propósito extraterritorial (alterar comportamento de terceiros em relação à Rússia) aproxima a medida do espírito de sanções secundárias. O anúncio de mais 25% de tarifa para bens indianos, ligado explicitamente à compra de petróleo russo, ilustra isso. Também sugere que as alíquotas não são finais: a comunicação oficial e as notas de imprensa indicam espaço para escalada e negociação.
O Brasil hoje enfrenta tarifas de até 50%, a mais alta entre os países afetados. Essa seletividade indica um padrão de retaliação política? O que isso pode sinalizar para outros membros do Brics?
O salto para 50% tem forte sinal político e custo macro limitado para os EUA, mas alto poder de barganha. Para outros Brics, o recado é claro: ações ‘exemplares’ podem recair sobre países vistos como mais expostos ou como peças de pressão. Isso aumenta a volatilidade de regras do jogo e a incerteza regulatória para fluxos comerciais e de investimento.
Há risco aos países que não integram o Brics, mas que mantêm laços comerciais com China, Rússia ou Irã, também se tornarem alvos de tarifas secundárias ou restrições financeiras?
Sim. A lógica comportamental (punir condutas ‘indesejadas’) pode alcançar parceiros de parceiros — sobretudo em energia, metais e tecnologia. O governo já testou instrumentos amplos por produto e por país. Nada impede que estenda a terceiros que facilitem rotas comerciais com Rússia, Irã, China. O grau de risco varia conforme importância estratégica para Washington e capacidade de retaliação recíproca.
A China reagiu à tarifa contra o Brasil com apelo ao multilateralismo. O Brics pode coordenar uma resposta coletiva às tarifas dos EUA ou o bloco segue fragmentado? Os interesses nacionais dos membros do Brics são compatíveis o suficiente para sustentar uma frente conjunta contra os EUA?
Há capacidade de coordenação retórica e ações pontuais, como por exemplo o apoio a mecanismos de liquidação fora do dólar. Mas a prática permanece fragmentada: Índia e China têm atritos comerciais e geopolíticos; Brasil busca preservar acesso a mercados e investimentos ocidentais; Rússia e Irã têm prioridade em aliviar sanções. Resultado: frente coesa e operacional é difícil, sobretudo em tarifação e medidas espelho.
As tarifas elevadas aplicadas pelos EUA a países do Brics podem afetar o apetite de empresas multinacionais nesses mercados? Há risco de realocação de cadeias produtivas em resposta a esse ambiente mais hostil?
Sim nos dois casos. Tarifas elevadas e imprevisíveis aumentam risco de ‘policy whiplash’, comprimem margens e alongam payback (o tempo para um investimento gerar retorno), o que pode deslocar investimento para jurisdições com acesso preferencial aos EUA. Alguns setores (metais não ferrosos, bens intensivos em cobre, têxteis, partes e peças) são particularmente sensíveis. A Índia é exemplo: medidas já levantam dúvidas sobre o cronograma de acordos e sobre a viabilidade de ampliar compras de energia dos EUA, fator que pesa em decisões de cadeia.
Trump tem reiterado que o Brics é uma ameaça ao dólar e à posição dos EUA na economia global. Esse tipo de retórica pode resultar em uma doutrina econômica mais hostil ao Sul Global?
Pode. Ameaças tarifárias amplas e o uso de instrumentos econômicos para punir ‘alinhamentos’ podem corroer alianças e incentivar países a buscar alternativas ao dólar e à intermediação financeira dos EUA — exatamente o oposto do pretendido. Mesmo que a substituição do dólar seja difícil, a retórica e as medidas punitivas aumentam o incentivo marginal à diversificação.
Diante dessa pressão americana, os países do Brics tendem a acelerar mecanismos de comércio alternativo ao dólar, como acordos bilaterais de liquidação ou uso de moedas locais?
Tendem a acelerar ‘arranjos de contingência’, sim — mais clearing (compensação entre os créditos e débitos de dois países cujas moedas não são convertíveis entre si) bilateral, mais uso de moedas locais e, no limite, sistemas de pagamentos alternativos. Mas é avanço gradual: infraestrutura, confiança e convertibilidade limitam. A pressão dos EUA aumenta o incentivo, porém a viabilidade plena é desigual entre membros e setores.
A atual postura dos EUA frente ao Brics pode estar sinalizando um redesenho das regras do comércio internacional?
No mínimo, sinaliza normalização de um comércio mais politizado: tetos tarifários por bloco, punitivas setoriais, ameaças condicionais. Isso erode previsibilidade do sistema baseado na OMC (Organização Mundial do Comércio) e reforça ‘minilateralismos’ e barganhas ad hoc (para fins específicos). Esse caminho prejudica a liderança de regras dos EUA e pode acelerar, na margem, a busca por alternativas ao dólar — ainda que não haja substituto claro no curto prazo. Em resumo, há risco real, mas errático: a probabilidade de ‘tarifas secundárias’ é não nula e reativa a eventos, mais do que programática. Há custo estratégico para os EUA: a abordagem punitiva encoraja diversificação fora do dólar e fragiliza alianças, especialmente quando o alvo é um país democrático e parceiro como o Brasil. O Brics segue heterogêneo: a pressão externa aproxima no discurso, mas não resolve conflitos de interesses internos. A coordenação plena continuará limitada. Para o Brasil: manter ponte com Washington e reforçar previsibilidade doméstica (fiscal/regulatória) é a melhor defesa para segurar investimento e reduzir a probabilidade de medidas ‘exemplares’.
Infomoney - SP 13/08/2025
O índice CPI – a inflação do consumidor – dos EUA em julho veio dentro das expectativas dos agentes de mercado e ainda sem mostrar impactos significativos nos preços domésticos da agressiva política comercial de Donald Trump. Assim, ganhou mais força no mercado a tese de que o Federal Reserve (Fed, o BC americano) teria justificativas para cortar a taxa de juros em sua reunião de setembro. A dúvida entre os economistas é se o quadro atual conseguirá se manter.
O índice de preços subiu 0,2% no mês passado, depois de ter registrado aumento de 0,3% em junho. Nos 12 meses até julho, o índice avançou 2,7%, portanto estável ante junho e pouco abaixo das projeções.
Para identificar alguma tendência nos meses à frente, é preciso acompanhar algumas linhas específicas de grupos de produtos e serviços. Claudia Rodrigues, economista do C6 Bank, por exemplo, enxergou um ponto de atenção: ao analisar o núcleo do CPI, que exclui energia e alimentos, a alta nos preços dos serviços acelerou de 0,2% em junho para 0,4% em julho, o que mostra uma persistência da inflação nesse segmento.
Enquanto isso, os bens industriais repetiram a alta registrada no mês anterior (0,2%), impulsionados pelos preços de móveis (0,9%) e veículos usados (0,5%). Para Claudia, os dados mostram que as novas tarifas de importação imposta por Trump ainda não tiveram um impacto significativo sobre a inflação americana.
Mas ela pondera que isso deve acontecer nos próximos meses. “Ainda que alguns países – como a China – tenham conseguido negociar uma redução temporária nas tarifas recíprocas nas últimas semanas, a alíquota média está elevada e bem acima do patamar de janeiro, antes do início do governo de Donald Trump”, compara.
O que isso pode significar para a política monetária? A economista do C6 Bank acredita a perspectiva de uma inflação mais alta à frente deve manter o Fed cauteloso. “Por ora, mantemos nossa expectativa de que os juros permanecerão no patamar atual, de 4,25% a 4,5%, até o fim de 2025, mas reconhecemos que os dados do mercado de trabalho divulgados no início do mês aumentam as chances de uma flexibilização já na próxima reunião”, diz.
A economista cita que novos números da inflação e do mercado de trabalho (payroll) a serem publicados em setembro darão sinais mais claros sobre os próximos passos do Fed na definição da política monetária.
Olho nos indicadores
Andressa Durão, economista do ASA, também destaca que houve surpresas em direções opostas entre os setores no CPI. “Os serviços surpreenderam para cima, com as passagens aéreas finalmente voltando a subir após quedas desde fevereiro. Já os bens decepcionaram, com menor ‘efeito tarifa’ no mês.”
Ele prevê que as projeções do mercado para o PCE de julho, a ser divulgado no final do mês, devem ser revisadas para baixo após o CPI, mas ainda dependerão fortemente do resultado dos itens do PPI, que será divulgado na quinta-feira. E também cita o índice de preços de importação será publicado na sexta-feira.
“Embora o repasse das tarifas ainda represente um risco altista relevante para a inflação nos próximos meses, o conjunto de dados divulgado até agora reforça a expectativa de que o Fed possa iniciar cortes já em setembro. A decisão final dependerá da confirmação de uma deterioração nos indicadores de emprego até a reunião, lembrando que ainda será divulgado mais um dado de inflação antes do encontro”, alerta.
Na opinião de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, os números de julho indicam efeitos modestos das tarifas comerciais, atualmente o maior ponto de atenção de agentes econômicos.
“O mercado interpretou o dado de forma benigna, com os índices futuros dos EUA operando em alta e indicando que o Fed pode manter sua postura cautelosa, mas corroborando a expectativa de cortes de juros a partir de setembro, o que alimenta o otimismo com ativos de risco pela atratividade relativa e a expectativa de um ambiente de negócios mais dinâmico”, comenta.
Para Paula Zogbi, a leitura sugere que a inflação está desacelerando de maneira gradual, sem justificar uma mudança radical na política monetária, mas afastando parte dos temores de um cenário de estagflação.
Já Seema Shah, estrategista-chefe da Principal Asset Management, argumenta que, embora o dado anual de inflação básica tenha voltado ao seu nível mais alto desde fevereiro, os dados do CPI divulgados hoje não são suficientemente altos para impedir o Fed de reduzir as taxas de juros em setembro.
“Há alguns sinais de que as taxas estão sendo repassadas para os preços ao consumidor, mas, nesta fase, não são significativos para soar um alarme e impedir um afrouxamento na política monetária”, descreve.
Mas Seema frisa que a preocupação do Fed é que, com a redução dos estoques, o aumento da inflação induzido pelas tarifas provavelmente crescerá nos próximos meses, o que significa que as pressões inflacionárias provavelmente aumentarão justamente quando o Fed começar a retomar os cortes nas taxas.
“O mercado gostou do dado de inflação divulgado hoje, pois isso significa que o Fed poderá reduzir os juros sem obstáculos no próximo mês – já as decisões de corte em outubro, dezembro e adiante podem ser bem mais complexas”, alerta.
O Estado de S.Paulo - SP 13/08/2025
A inflação de julho no Brasil ficou em 0,26%, uma leve aceleração em relação ao indicador de junho (0,24%), segundo dados anunciados nesta terça-feira, 12, pelo IBGE. Com isso, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 3,26% no ano. Nos últimos 12 meses, o índice ficou em 5,23%, abaixo dos 5,35% dos 12 meses imediatamente anteriores.
O resultado do mês passado veio abaixo das expectativas do mercado, de 0,35%, segundo levantamento do Projeções Broadcast.
De acordo com o IBGE, em julho, o grupo Habitação registrou alta de 0,91%, impulsionado pela variação de 3,04% na energia elétrica residencial, item com o maior impacto individual no índice do mês (0,12 ponto porcentual). “A alta reflete o reajuste de 13,97% em uma das concessionárias em São Paulo (10,56%) vigente desde 04 de julho; 1,97% em Curitiba (2,47%) desde 24 de junho; 14,19% em uma das concessionárias de Porto Alegre (1,48%) a partir de 19 de junho e redução de 2,16% nas tarifas de uma das concessionárias do Rio de Janeiro (0,71%) a partir de 17 de junho”, diz a nota do instituto. “Cabe destacar que, em julho, permanecia vigente a bandeira tarifaria vermelha patamar 1, adicionando R$4,46 na conta de luz a cada 100 KWh consumidos.”
Com a segunda maior variação e impacto no mês de julho, a alta do grupo Despesas Pessoais (0,76 % e 0,08 ponto porcentual de impacto) foi impulsionada pelo reajuste, a partir de 9 de julho, nos jogos de azar (11,17% e 0,05 ponto), diz o instituto.
No grupo Saúde e cuidados pessoais (alta de 0,45%), segundo o IBGE, destacaram-se as altas nos itens de higiene pessoal (0,98%) e no plano de saúde (0,35%), que reflete a incorporação dos reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “Para os planos contratados após a Lei nº 9.656/98, o porcentual é de até 6,06%, com vigência a partir de maio de 2025 e cujo ciclo se encerra em abril de 2026. Para os planos contratados antes da Lei nº 9.656/98, os porcentuais autorizados foram de 6,47% e 7,16%, a depender do plano.”
O grupo Transportes, por sua vez, acelerou de junho (0,27%) para julho (0,35%), impulsionado pela alta nas passagens aéreas (19,92% e 0,10 ponto porcentual de impacto). “Os combustíveis, por sua vez, recuaram 0,64% em julho com quedas nos preços do etanol (-1,68%), do óleo diesel (-0,59%), da gasolina (-0,51%) e do gás veicular (-0,14%).”
O grupo Alimentação e Bebidas, que tem o maior peso no índice, por sua vez, apresentou queda (-0,27%) na média de preços pelo segundo mês consecutivo (em junho a variação foi de -0,18%). “A queda em julho foi impulsionada pela alimentação no domicílio que caiu 0,69% na passagem de junho para julho, com destaque para as quedas da batata-inglesa (-20,27%), da cebola (-13,26%) e do arroz (-2,89%)”, diz o IBGE.
O instituto aponta ainda que alimentação fora do domicílio registrou variação de 0,87% em julho, frente ao 0,46% de junho.
CNN Brasil - SP 13/08/2025
Empresários se reuniram na capital mineira, nesta terça-feira (12), para debater as perspectivas para infraestrutura no Brasil.
Durante painel da InfraBusiness Expo 2025, Rubens Menin, presidente do Conselho de Administração da MRV, do Inter e da Log e controlador da CNN Brasil, trouxe uma visão otimista do setor no país.
“Quando a gente pensa em Brasil, um país continental, a gente tem que pensar em infraestrutura. Eu acho que nós estamos no início do caminho, nós temos e devemos crescer muito nesses setores todos”, disse o empresário mineiro, elencando áreas como portos, aeroportos, estradas e construção civil.
“Acho que esse será um dos pilares de desenvolvimento do Brasil, e eventos iguais a este são fundamentais pra gente trocar ideias, discutir e fomentar o setor”, afirmou.
Além do sócio controlador da MRV, o primeiro painel do evento trouxe Eugênio Mattar, executivo chairman da Localiza, e Henrique Salvador, presidente do conselho de administração da Rede Mater Dei de Saúde.
O evento, realizado em Belo Horizonte, é um dos maiores do setor de infraestrutura da América Latina. Com mais de 30 mil visitantes, a feira pretende movimentar até R$ 1 bilhão em negócios e reposicionar Minas Gerais como polo estratégico do setor.
Tarifaço de Trump
Além do debate sobre infraestrutura, os empresários também comentaram sobre o cenário atual, frente o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil.
Henrique Salvador defendeu que o momento é de cautela, “de baixar a guarda entre as partes” para que o diálogo e os interesses de ambos os lados possam ser ouvidos.
“Para mim faz todo o sentido procurar ‘azeitar’ um canal para discutir essas questões. O tarifaço é uma realidade, ele está aí, outros países têm sofrido a mesma pressão e têm procurado soluções e alternativas para lidar com ele”, afirmou o presidente do Conselho de Administração da Rede Mater Dei de Saúde.
Rubens Menin também apontou preocupação com as tarifas e ressaltou a defesa pelo diálogo.
“Acho que o Brasil tem que sentar na mesa, tem que discutir, negociar como um todo. Nesse mundo que a gente vive tem que negociar com todos, de A a Z”, afirmou Menin.
Já Flávio Roscoe, presidente da Fiemg (Federação das Indústrias do estado de Minas Gerais), destacou que os impactos já estão sendo percebidos, indicando que algumas empresas já estão paralisando produções e dando férias coletivas aos funcionários.
“Os empresários estão aguardando as negociações para entender o que irão fazer no próximo momento”, indicou.
O empresário ressaltou que alguns segmentos estão sendo “duramente impactados” pelo tarifaço. Mesmo que sejam setores não tão expressivos para a balança comercial, eles dedicam grande parte de suas produções ao mercado norte-americano, explicou Roscoe.
“Aqui em Minas Gerais os industriais são ferro-ligas; máquinas e equipamentos; e obviamente toda a cadeia do café, mas essa vive um momento mais tranquilo já que está faltando café no mundo hoje”, concluiu.
O InfraBusiness segue até quinta-feira (14) no Expominas, em Belo Horizonte.
O Estado de S.Paulo - SP 13/08/2025
As medidas recentemente apresentadas pelo governo aumentam as chances de que seja cumprida a meta de superávit primário de 2026 (+0,25% do PIB), e afastam o cenário de "shutdown" do governo - especialmente em 2027, quando a probabilidade de isso ocorrer seria maior, se nada fosse feito.
Esses são alguns dos resultados de um modelo de projeções fiscais de longo prazo apresentado durante o 2º Encontro do Centro de Política Fiscal e Orçamento Público (CPFO) do FGV IBRE, na sede da FGV, no Rio, na terça-feira, 5/8. A pesquisa relativa ao modelo foi coordenada por Manoel Pires, coordenador do CPFO, com a colaboração de mais cinco pesquisadores do centro. O trabalho contou com o apoio do Projeto de Pesquisa Aplicada (PPA) da FGV, um programa da instituição que financia pesquisas.
Em relação a afastar o risco de shutdown, Pires frisa que é essencial a aprovação da PEC 66, que retira de forma permanente os precatórios do limite de despesa. Essa mudança proposta em relação aos precatórios evita o descumprimento do limite de despesas do arcabouço fiscal em 2027, quando todos os precatórios teriam de ser contabilizados. Pires observa que a retirada definitiva dos precatórios do limite de despesas afasta do cenário o potencial estresse no mercado que adviria de um debate sobre mudança do arcabouço diante do risco de shutdown.
Já para o cumprimento da meta de primário contam a MP 1303, que muda a tributação de fundos de investimento, e o PL do Imposto de Renda. Quando a este último, tem um lado de perda de receita (isenção até R$ 5 mil) e de ganho de receita, o imposto mínimo para os muitos ricos. Cálculos já realizados indicam que este segundo será maior que o primeiro, de forma a compor um impacto positivo para o resultado primário em 2026. Adicionalmente, o modelo estima um impacto positivo na arrecadação, oriundo do aumento do consumo pela ampliação da isenção do IR. E também há um efeito sobre o primário das mudanças propostas em relação aos precatórios, à medida que a incorporação destes ao resultado primário se torna mais lenta.
Mas o modelo de projeção fiscal do CPFO não mira apenas o curto prazo, mas também - e principalmente - o médio e o longo prazos e a sustentabilidade das contas públicas. Nesse horizonte mais amplo, assinala Pires, algumas variáveis chave são o aumento da arrecadação nos próximos anos por causa das medidas mencionadas acima e também por causa do aumento da receita de petróleo (a produção brasileira tem projeção de crescer ainda cerca de 40%até o pico em torno da virada desta década), por um lado; e o aumento da despesa da Previdência, por outro.
Num horizonte de dez anos, nota Pires, a receita de petróleo vai ultrapassar seu pico, momento a partir do qual a projeção é de queda (a menos de novas descobertas que mais que compensem essa redução; neste sentido, o anúncio recente da maior descoberta de petróleo pela BP na costa do Brasil em 25 anos é um fato relevante).
Mas com as informações atuais, o que o modelo de projeção fiscal aponta como tendência de longo prazo é um déficit primário moderado, em torno de 0,5% do PIB. Um resultado, ressalta Pires, insuficiente para dar sustentabilidade às contas públicas brasileiras, o que põe no foco a necessidade de medidas fiscais adicionais.
Dois outros temas importantes da atual agenda fiscal no Brasil foram discutidos no o 2º Encontro do CPFO. O primeiro foram os gastos tributários (incentivos fiscais), que atingiram 7,1% do PIB em 2026. Nos Estados, o nível de gasto tributário varia muito, sendo que os recordistas, Santa Catarina e Amazonas, perdem mais da metade da arrecadação.
O segundo tema é o federalismo fiscal. Pires apresentou um panorama histórico dos gastos estaduais e municipais, mostrando como a dinâmica de crescimento muitas vezes é reflexo de crises políticas que dificultam - ou no limite impedem - uma coordenação construtiva entre os três níveis da Federação. O pesquisador mostrou também que, historicamente, a solução para os desequilíbrios trazidos pelos saltos dos gastos de Estados e municípios quase sempre envolveu aumento da carga tributária.
Mais recentemente, os gastos subnacionais ganharam embalo no período pós pandemia, e são um dos grandes problemas atuais das contas públicas no Brasil. Nos debates durante o encontro, vários participantes chamaram a atenção para o fato de que algum grau de descentralização do gasto é necessária, já que a política pública ocorre in loco nos municípios. Mas a grande preocupação é que essa descentralização tem que se dar sob a égide da coordenação e cooperação entre os níveis da Federação (e também entre Executivo e Legislativo), algo que se perdeu nos turbulentos anos recentes.
Infomoney - SP 13/08/2025
Os preços futuros de minério de ferro subiram nesta terça-feira, depois que as usinas siderúrgicas do centro de produção chinesa de Tangshan forneceram ordens de interrupção nas operações para melhorar a qualidade do ar antes de um grande desfile militar.
O menor nível de embarques de minério também deu suporte aos preços.
O contrato de janeiro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China subiu 2,36%, a 801 iuanes (US$ 111,42) a tonelada.
A mineração de ferro de referência de setembro na Bolsa de Cingapura subiu 1,06%, a US$ 104,6 a tonelada.
As usinas siderúrgicas de Tangshan receberam ordens de operações de interrupção a partir de 25 de agosto para garantir a limpeza do ar no norte da China antes da manifestação militar de 3 de setembro, em comemoração ao fim da Segunda Guerra Mundial.
Isso poderia ajudar a retirar o excesso de aço do mercado e a contribuição dos preços, disseram analistas do ANZ, acrescentando que, na última análise, a medida daria suporte às margens das usinas siderúrgicas e à demanda por minérios de ferro.
O volume total de embarques de minério de ferro dos principais países produtores, Austrália e Brasil, caiu 1,5% em relação à semana anterior, de acordo com dados da consultoria chinesa Mysteel.
De modo geral, o índice de preços ao produtor (PPI) da China caiu 3,6% em relação ao ano anterior em julho, mais do que o esperado, devido ao clima extremo e às incertezas do comércio global.
Apesar das medidas adotadas pela China para conter a concorrência desordenada, alguns analistas seguem cautelosos, avaliando que essas ações podem ter impacto limitado na ausência de estímulos à demanda ou reformas estruturais.
Isso ocorre em meio a uma prolongada retração no setor imobiliário da China, que pesa sobre os gastos dos consumidores e a atividade industrial.
Valor - SP 13/08/2025
Contratos futuros para janeiro de 2026, os mais negociados, fecharam cotados a US$ 111,42 por tonelada
A notícia de uma possível paralisação de produção de aço na China pode estar impulsionando os preços do minério de ferro, ao retirar o excesso do mercado, dizem analistas do ANZ, citados pelo Dow Jones Newswires.
Os contratos futuros do minério para janeiro de 2026, os mais negociados, fecharam com alta de 1,52% na Bolsa de Dalian, cotados a 801 yuan (US$ 111,42) a tonelada.
Valor - SP 13/08/2025
Decisão foi tomada após a companhia comprovar que cumpriu todas as obrigações previstas no plano de recuperação judicial
O juiz Murilo Silvio de Abreu, da 2ª Vara Empresarial da Comarca de Belo Horizonte, deferiu o pedido da Samarco de encerramento do seu processo de recuperação judicial. A empresa pediu a proteção judicial em abril de 2021 e teve o plano de recuperação homologado em agosto de 2023. A decisão foi tomada após a companhia comprovar que cumpriu todas as obrigações previstas no plano de recuperação judicial.
A mineradora informou que cumpriu todas as obrigações de curto prazo previstas no plano, pagando credores e renegociando parte da dívida com os credores financeiros.
“Conseguimos o desfecho esperado. Casamos a reestruturação com o planejamento estratégico de retomada da companhia, garantindo que ela seja capaz de cumprir o plano de recuperação”, afirmou o diretor financeiro, de estratégia e suprimentos da Samarco, Gustavo Selayzim.
A companhia entrou em recuperação judicial para reestruturar dívidas de R$ 50,5 bilhões, com cerca de 10 mil credores. Da dívida total, R$ 24 bilhões eram passivo com as sócias da Samarco, Vale e BHP. E mais de R$ 26 bilhões eram débitos com fundos estrangeiros.
Na negociação com os credores, a Samarco obteve desconto de 25% na dívida com os credores financeiros. Além disso, a dívida com os acionistas foi convertida em dívida subordinada, com pagamento, sem juros, a partir de 2036. Com isso, a dívida baixou de US$ 9,7 bilhões (R$ 50,5 bilhões) para US$ 3,7 bilhões.
O plano incluiu o refinanciamento da dívida com os credores financeiros com a emissão de notas seniores, no valor de US$ 250 milhões, que vencem em 2031. Também ficou definido que a Samarco pagaria, no máximo, US$ 1 bilhão em ações de reparação, e somente se tiver caixa excedente. Acima desse valor, a reparação é paga pelas sócias Vale e BHP.
Em outubro de 2024, Vale, BHP e Samarco selaram com órgãos de governo e da justiça um acordo de reparação de R$ 170 bilhões, sendo R$ 100 bilhões em novos recursos, a serem pagos em 20 anos, R$ 32 bilhões em indenizações aos atingidos, e R$ 38 bilhões já pagos pelas empresas.
“Estamos muito tranquilos com a capacidade de pagamento da dívida daqui para a frente, sem a necessidade de aporte de ninguém”, afirmou Selayzim. Segundo o executivo, a Samarco começa a pagar a partir de 2026 os juros das notas seniores. O principal da dívida vence em 2031. Os juros devem ser pagos com recurso em caixa e o principal pode ser pago ou refinanciado em 2031, segundo o diretor.
“Neste processo, conseguimos preservar nossa capacidade operacional e também nossa função social, cumprindo com nossas obrigações de reparação, mantendo e criando empregos, gerando impostos e tributos e compartilhando valor com a sociedade. O encerramento antecipado da Recuperação Judicial demonstra nossa capacidade de reestruturação e reforma nosso compromisso com nossas obrigações e responsabilidades, sobretudo o Acordo de Reparação da Bacia do Rio Doce”, afirmou em comunicado o presidente da Samarco, Rodrigo Vilela.
A empresa paralisou as atividades após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em novembro de 2015, que matou 19 pessoas e causou um desastre ambiental sem precedentes. A empresa voltou a operar com 26% da sua capacidade em dezembro de 2020.
Hoje, a empresa opera com 60% da sua capacidade. A meta é atingir 100% da capacidade em 2028, com produção anual de 27 milhões de toneladas de pelotas e finos de ferro.
Selayzim disse que a próxima fase incluirá a reativação de duas pelotizadoras e de uma planta de beneficiamento, e a instalação de uma nova planta de filtragem. O investimento necessário é da ordem de R$ 13 bilhões e deve ser executado entre 2026 e 2028, segundo o diretor. Os investimentos para 2025 estão estimados entre US$ 260 milhões e US$ 290 milhões.
No segundo trimestre, a companhia registrou prejuízo líquido de US$ 1,69 bilhão, ante lucro de US$ 1,38 bilhão no mesmo intervalo de 2024. O resultado foi impactado por um resultado financeiro negativo de US$ 1,35 bilhão, principalmente devido à variação cambial sobre passivos e à provisão para despesas financeiras relacionadas a obrigações de reparação.
A receita líquida no trimestre aumentou 47%, para US$ 469,9 milhões. As vendas em volume aumentaram 93%, para 3,9 milhões de toneladas. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado cresceu 66%, para US$ 286,1 milhões.
“Foi o melhor resultado desde o início da retomada da operação. A alavancagem caiu de 4,8 vezes para 4,4 vezes. A geração de caixa livre cresceu 102%, para US$ 174 milhões. Nosso plano tem sido cumprido à risca e superado em entrega”, afirmou Selayzim.
Valor - SP 13/08/2025
A Ford Motor recorrerá à tecnologia da fabricante chinesa de baterias CATL para desenvolver um veículo elétrico com preço abaixo de US$ 30 mil. A indústria de veículos elétricos dos Estados Unidos enfrenta obstáculos causados pelas políticas fiscais e ambientais do governo do presidente Donald Trump.
O executivo-chefe (CEO) da Ford, Jim Farley, expressou preocupação na segunda-feira com a posição da indústria automobilística americana no mercado de veículos elétricos, onde rivais chineses estão ganhando terreno.
A indústria automobilística americana está "em uma encruzilhada", disse Farley ao apresentar a estratégia da empresa em uma fábrica no estado americano do Kentucky.
"Sabíamos que os chineses seriam o principal desafio para nós globalmente, empresas como a BYD e novas startups do mundo todo”, disse Farley.
A divisão de veículos elétricos da Ford, focada principalmente em veículos de grande porte, vem registrando prejuízos há três anos consecutivos. Para se recuperar, a montadora usará uma plataforma redesenhada para o veículo elétrico de baixo custo e reformulará a produção e o fornecimento.
A Ford também planeja investir um total de US$ 5 bilhões no desenvolvimento de novos veículos e na construção de uma fábrica de baterias.
As baterias representam a maior parte do preço de um carro elétrico. A Ford está investindo US$ 3 bilhões em uma fábrica de baterias no estado de Michigan, com assistência técnica da CATL.
A instalação produzirá células de bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP). As baterias LFP são cerca de 30% mais baratas do que as baterias convencionais de níquel-manganês-cobalto (NMC).
Enquanto a China assumiu a liderança no desenvolvimento de baterias LFP, a Ford vem desenvolvendo baterias NMC com um parceiro sul-coreano. Mas a qualidade tem sido inconsistente e a Ford tem lutado para reduzir custos.
A Ford anunciou planos para a fábrica de baterias com apoio da CATL em 2023. Mas a construção foi temporariamente interrompida em setembro, após a resistência dos republicanos do Congresso, que adotaram uma postura linha-dura em relação à China.
A Ford afirma que as baterias serão fabricadas nos Estados Unidos, já que a fábrica será administrada por uma subsidiária integral. O documento também afirma que a operação será elegível para apoio governamental à produção de baterias, que o governo Trump decidiu manter.
Ao mesmo tempo, a montadora reduzirá o desenvolvimento e a produção de veículos elétricos de grande porte, que têm sido uma grande fonte de prejuízo.
"Se reduzíssemos parte da nossa produção de veículos elétricos nos Estados Unidos, provavelmente a transferiríamos para outras áreas", disse Sherry House, diretora financeira da Ford, em uma teleconferência de resultados no final de julho. House citou a Europa como uma possível alternativa.
O governo do democrata Joe Biden promoveu políticas para desenvolver uma indústria de veículos elétricos nos Estados Unidos diante do avanço dos chineses. O objetivo era que elétricos e outros veículos com emissão zero representassem metade das vendas nos Estados Unidos até 2030.
O governo ofereceu créditos fiscais apenas para veículos elétricos fabricados na América do Norte, uma política que incentivou as principais montadoras a investir localmente.
Mas construir uma cadeia de suprimentos de veículos elétricos nos Estados Unidos — incluindo baterias — não é uma tarefa simples. A Tesla, fabricante líder de veículos elétricos, não conseguiu lançar modelos de baixo custo.
Os veículos elétricos representaram apenas 8% das vendas de veículos novos nos Estados Unidos em 2024. Startups que buscavam se tornar a próxima Tesla, como a Fisker, fracassaram.
Em julho, o governo Trump decidiu abolir o crédito tributário para veículos elétricos no final de setembro. Fabricantes de fora dos Estados Unidos já estão tomando medidas, prevendo que o mercado americano continuará em retração.
O Grupo Mercedes-Benz deixará de vender veículos elétricos nos Estados Unidos a partir de 1º de setembro. A Honda Motor interrompeu o desenvolvimento de um grande utilitário esportivo totalmente elétrico que estava considerando lançar na América do Norte.
O governo Trump, que expressou ceticismo em relação às mudanças climáticas, também planeja revogar as regulamentações de emissões. A disseminação dos veículos elétricos teria ajudado a reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
O governo federal também tomou medidas para reverter os padrões de emissões da Califórnia, considerados os mais rigorosos do país.
A menos que surja uma nova demanda do consumidor, é improvável que as montadoras promovam agressivamente as vendas de veículos elétricos nos Estados Unidos, de acordo com Anindya Das, da Nomura Securities.
Por outro lado, os veículos híbridos são um mercado em crescimento nos Estados Unidos. Os híbridos representaram cerca de 14% das vendas de veículos novos no país no trimestre de janeiro a março, superando a participação de quase 8% dos veículos elétricos.
Alguns acreditam que essa tendência será um impulso para as montadoras japonesas, que são fortes em híbridos, mas têm demorado a entrar no mercado de veículos elétricos. As montadoras japonesas exportam para os Estados Unidos grande parte dos motores e baterias usados nos híbridos vendidos no mercado americano.
Essas peças estão expostas a tarifas americanas, forçando as montadoras japonesas a considerar a reestruturação das cadeias de suprimentos para se alinharem às políticas comerciais do governo Trump.
"Consideramos a localização da produção de componentes essenciais para veículos híbridos", disse Eiji Fujimura, diretor da Honda.
Valor - SP 13/08/2025
Foi o segundo menor resultado mensal do índice em 2025
A inflação medida pelo Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) ficou em 0,31% em julho, após alta de 0,88% em junho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o segundo menor resultado mensal do índice em 2025.
Com o resultado, o indicador alcançou 5,25% no resultado acumulado em 12 meses, ante 5,34% até julho. O índice de julho de 2024 foi de 0,40%.
O custo nacional da construção por metro quadrado em julho foi de R$ 1.848,39, sendo R$ 1.058,77 referentes aos materiais e R$ R$ 789,62 à mão de obra. Em junho, esse custo totalizava R$ 1.842,65, sendo R$ 1.056,33 relativos aos materiais e R$ 786,32 à mão de obra.
Portal Fator Brasil - RJ 13/08/2025
No dia 30 de julho de 2025 (quarta-feira), a MRS Logística celebrou um marco histórico: 100 quilômetros de linha renovada desde o início das atividades do Projeto GIV (Grandes Intervenções de Via). Essa conquista representa muito mais do que extensão: é símbolo do nosso compromisso com a excelência operacional, a segurança e a sustentabilidade da ferrovia.
—Renovar a ferrovia enquanto mantemos a operação rodando com segurança e eficiência é um desafio diário, e é exatamente esse o propósito que nos move. Atuamos nos corredores mais densos da ferrovia, em trechos que não passavam por uma renovação completa desde sua construção, no final do século XIX. Não é apenas uma obra: é um resgate da infraestrutura, com olhar no futuro e nos próximos ciclos de crescimento da companhia —comenta o gerente de Projetos Especiais Paulo Gonzaga.
Desde o início das atividades de campo, em 2022, e com o avanço da frente de renovação mecanizada em 2023, o projeto ganhou velocidade. Até o momento, foram aplicados mais de 165 mil dormentes, sendo mais de 120 mil de concreto, cerca de 30 mil de aço e 15 mil de madeira, reforçando a estrutura dos trilhos com durabilidade e foco em performance.
Mais de 120 colaboradores estão diretamente engajados na execução e coordenação das atividades. É uma verdadeira força-tarefa que une engenharia, planejamento e operação, com sinergia e senso de propósito.
A comemoração do marco contou com um momento simbólico e emocionante: pela manhã, o presidente da MRS, Guilherme Segalla de Mello, realizou uma comunicação via rádio com o operador Iago Santos, que estava posicionado na Renovadora de lastros, no trecho ferroviário de Volta Redonda 6 Barbara 1 Linha 2. Na ocasião, Guilherme anunciou:
—Comunico que no dia de hoje, 30 de julho de 2025 (quarta-feira), acabamos de atingir o marco de 100 quilômetros renovados na MRS, um esforço coletivo de várias áreas para garantir a excelência operacional. Seguimos firmes na missão de fazer da MRS uma empresa cada vez mais sustentável. Parabéns a todos!—
Mais do que o que entregamos até aqui, o aspecto mais transformador do projeto está no legado que a MRS está construindo: uma nova forma de fazer manutenção de via, mais estruturada, integrada e preparada para os desafios do futuro.
Seguimos com determinação e orgulho, sabendo que cada quilômetro renovado é um passo a mais na direção de uma MRS mais segura, moderna e eficiente.
MRS Logística — A MRS é uma operadora logística que administra uma malha ferroviária de 1.643 km nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, região que concentra cerca da metade do PIB brasileiro. A companhia está entre as melhores ferrovias de carga do mundo, com produção quase quatro vezes superior àquela registrada na década de 90. A malha ferroviária conecta regiões produtoras de commodities minerais e agrícolas a alguns dos principais parques industriais do país aos maiores portos da região Sudeste, o que gera uma operação de transporte diversificada, como contêineres, siderúrgicos, cimento, bauxita, agrícolas, coque, carvão e minério de ferro. Aproximadamente 20% de tudo o que o Brasil exporta e um terço de toda a carga transportada por trens no país passam pelos trilhos da MRS.
Consultor Jurídico - SP 13/08/2025
Ser contra a construção da Ferrogrão, a linha férrea que pretende ligar os estados do Mato Grosso e Pará para facilitar o transporte de grãos, não significa defender o meio ambiente.
Essa é a percepção do governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil). Para ele, esse posicionamento desconsidera a redução de emissões de carbono na comparação com o transporte rodoviário e impede que a competitividade do agronegócio brasileiro aumente.
Para o governador de Mato Grosso, país tem de pensar em soluções para estimular competitividade do agro
“Essas pessoas que se dizem contra a Ferrogrão estão defendendo tudo, menos o meio ambiente. É impossível colocar em uma planilha uma comparação de emissão de carbono que poderíamos ter em uma ferrovia com 2 mil carretas queimando óleo diesel”, disse ele durante o painel “Agronegócio e segurança alimentar global: desafios para a cooperação” do XIII Fórum de Lisboa, promovido no mês passado.
Mendes afirmou que o Brasil, no posto de maior exportador de alimentos do mundo, precisa superar suas dificuldades internas se quiser que sua produção acompanhe o ritmo de crescimento da demanda por alimentos nas próximas décadas.
A principal fragilidade seria a dependência por fertilizantes importados, mas aspectos de infraestrutura e logística precisam ser debatidos com a mesma urgência, diz o governador.
“O Brasil teima em não buscar soluções adequadas para viabilizar uma metodologia mais eficiente para que tenhamos mais competitividade no agronegócio”, afirmou.
Economia e sustentabilidade
O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, também participou do painel e destacou a importância da ferrovia para a economia mato-grossense.
“Se ela fosse implantada, mais de R$ 8 bilhões ficariam dentro do estado do Mato Grosso, (que) seriam economizados de frete, o que traria mais riqueza e prestação de serviços públicos à população do estado. E, acima de tudo, na emissão de carbono. 3,4 milhões de toneladas por ano a menos seriam emitidas. Ou seja, uma grande aliada da sustentabilidade”, afirmou.
Já a deputada estadual mato-grossense Janaína Riva (MDB) falou sobre conciliação entre preservação ambiental e o avanço da produção agropecuária. Segundo ela, o estado, que é o maior produtor de grãos do país, tem 60% de sua área “intacta”. Essa harmonia, sustenta, passa pela elaboração de políticas adequadas.
“A defesa da produção sustentável vai muito além do campo e passa necessariamente pelo Parlamento. Dentro da Assembleia, nossa missão tem sido garantir que o produtor que cumpre a lei não seja punido”, disse.
Por fim, o professor da Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Marcos Marrafon sugeriu olhar o tema da segurança alimentar sob o ponto de vista do direito fundamental.
“A interpretação do Direito e da Constituição tem que ser pensada enquanto unidade e equilíbrio entre o desenvolvimento sustentável, o desenvolvimento econômico e, especialmente, a garantia de segurança alimentar enquanto fundamento da dignidade da pessoa humana.”
IstoÉ Dinheiro - SP 13/08/2025
Uma fusão de US$ 16 bilhões entre duas construtoras navais estatais na China está prevista para ser concluída esta semana, criando a maior construtora naval do mundo, enquanto os EUA buscam um caminho de volta ao negócio.
As construtoras navais americanas estão tentando recuperar o atraso após décadas de declínio da indústria marítima, embora os planos ambiciosos do presidente Donald Trump para reavivar a construção naval americana tenham enfrentado dificuldades recentemente. No curto prazo, a ameaça de Trump de impor taxas mais altas a navios fabricados na China está dando às rivais sul-coreanas e japonesas uma oportunidade para reconquistar participação de mercado.
A campeã chinesa se chama China State Shipbuilding, ou CSSC. Esta semana, ela deve absorver sua parceira na fusão, a China Shipbuilding Industry, e assumir a listagem exclusiva na Bolsa de Valores de Xangai, após a recente aprovação do acordo pelos órgãos reguladores.
A empresa resultante da fusão espera usar seu volume para cortar custos e superar a turbulência do setor causada pelas medidas de Trump.
As duas empresas eram originalmente uma só e se separaram em 1999, quando o governo quis promover a concorrência. Atualmente, Pequim busca consolidar empresas estatais em setores sensíveis, particularmente aqueles ligados ao setor militar.
O principal negócio da CSSC é o comercial, mas ela também é uma importante contratada da Marinha chinesa. A empresa que está sendo incorporada projetou e construiu o primeiro porta-aviões chinês, o Shandong.
Monitor Digital - RJ 13/08/2025
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a destinação de R$ 239,3 milhões em dois novos financiamentos para o Grupo Edison Chouest Offshore, que opera estaleiros e terminais portuários, bem como oferece serviços de armação e afretamento de embarcações, de manutenção de infraestruturas submarinas, apoio logístico, entre outros. Os recursos são provenientes do Fundo da Marinha Mercante (FMM), operado pelo banco de fomento.
Uma das operações, no valor de R$ 186,1 milhões, foi aprovada em favor da Bram Offshore Transportes Marítimos Ltda, principal empresa do grupo no Brasil. O financiamento é voltado a reparos, modernizações e conversões em 15 embarcações com o custo de R$ 206,8 milhões, de forma que o BNDES apoia 90% do total.
O FMM é administrado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), por intermédio do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM). O BNDES atua como agente financeiro.
Entre as intervenções, destaca-se a modernização de uma embarcação tipo ATHTS Mr Chafic empregada em um contrato de afretamento com a Petrobras.
A implementação de propulsão híbrida, com a instalação de baterias a bordo, permitirá a redução de consumo de combustível e de emissões de gases de efeito estufa na operação em contrato de afretamento com a Petrobras.
As intervenções são conduzidas no estaleiro localizado em Navegantes (SC) e operado pelo Estaleiro Navship Ltda, outra empresa do conglomerado. Além da contribuição para a manutenção de empregos qualificados, o projeto demanda 413 postos de trabalho durante as intervenções.
“O BNDES atende à determinação do governo do presidente Lula de retomar o apoio à indústria naval no Brasil, um país em que mais de 95% do comércio exterior se dá por via marítima”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Novo estaleiro
A outra aprovação envolve uma suplementação no valor de R$ 53,2 milhões para financiamento aprovado pelo Banco em 2017 para a construção de um novo estaleiro da Navship, dedicado a reparos e manutenção de embarcações. Localizado no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ), suas obras, estavam previstas para serem concluídas em novembro de 2019. No entanto, paralisações durante a pandemia de covid-19 geraram atrasos.
O BNDES já havia repassado ao projeto R$ 183,3 milhões. Com a suplementação aprovada de R$ 53,2 milhões, foi alcançada a soma de R$ 236,5 milhões. Considerando também os recursos próprios investidos pela empresa, a construção do estaleiro demandou um total de R$ 322,3 milhões. As operações no novo estaleiro, que possui uma área 106 mil metros quadrados, demandam 322 novos empregos.
Empresa
O Grupo Edison Chouest Offshore foi fundado nos Estados Unidos e suas empresas carregam um histórico de atuação no mercado de apoio marítimo offshore desde a década de 1960. No Brasil, as atividades do grupo tiveram início em 1991. Atualmente existem oito subsidiárias atuando no país. A principal delas, a Bram, surgiu em 2006 e presta suporte à operação de serviços auxiliares a plataformas de petróleo e gás natural. Atualmente, é a maior companhia de apoio offshore do país, operando uma frota de 77 embarcações. Sua carteira de clientes é formada pelas principais empresas de óleo e gás presentes no Brasil, especialmente a Petrobras, responsável pelo afretamento de cerca de 87% da frota.
Já o Estaleiro Navship Ltda, com sede em Navegantes (SC), foi fundado em 2005 para atuar na construção, reparos, conversões e modernizações de embarcações de médio porte. Embora atenda terceiros, seu principal cliente é a Bram.
Agência Camara - DF 13/08/2025
A Comissão Especial sobre o Sistema Portuário Brasileiro da Câmara dos Deputados promove, nesta quarta-feira (13), sua primeira audiência pública. O colegiado analisa o Projeto de Lei 733/25, que atualiza a Lei dos Portos.
A proposta, apresentada pelo deputado Leur Lomanto Júnior (União-BA), replica o anteprojeto elaborado por uma comissão de juristas criada pela Câmara e aprovado por esse grupo no ano passado.
O debate foi proposto pelo deputado Paulo Alexandre Barbosa (PSDB-SP) e será realizado a partir das 14h30, no plenário 6.
Barbosa quer discutir o tema com representantes da comissão de juristas que propôs o novo marco regulatório para o setor. O projeto trata da exploração dos portos, das atividades dos operadores portuários e da regulação do trabalho no setor.
Veja quem foi convidado
"Os operadores portuários são agentes chave na dinâmica portuária nacional, contribuindo para a integração do Brasil ao mercado global e desempenhando papel crucial na eficiência e modernização de portos. No mesmo sentido, o trabalhador portuário desempenha um papel essencial no funcionamento e na eficiência dos portos", ressalta o deputado.
Comissão especial
A comissão especial foi instalada no dia 9 de julho e tem como presidente o deputado Murilo Galdino (Republicanos-PB), que espera votar a proposta até o fim do ano. O relator é o deputado Arthur Oliveira Maia (União-BA).
Valor - SP 13/08/2025
Segundo Sylvia Anjos, a estatal está “confortável” com nível de reposição de reservas, mas não pode “acomodar-se com o conforto”, por isso a necessidade de exploração na Margem Equatorial
A Petrobras tem portfólio resistente a baixos preços do petróleo do tipo Brent e está realizando otimização de custos para enfrentar um período de cotações menores, disse a diretora de exploração e produção da estatal, Sylvia Anjos.
Segundo ela, em painel no S&P Global Commodity Insights, nesta terça-feira (12), projetos de exploração e produção são resilientes a um barril cotado a US$ 28. Para qualquer projeto, o preço mínimo de viabilidade é de US$ 45.
A executiva reiterou também que a revisão de custos pela companhia visa trazer maior valor presente líquido (VPL) positivo para resistir a preços de petróleo mais baixos. “Não se passa por cenários mais turbulentos sem resiliência de capital”, disse Anjos.
Exploração na Margem Equatorial
A diretora disse ainda que, em 2025, a Petrobras registrou recordes de produção de petróleo e gás e quatro descobertas de hidrocarbonetos em novas áreas. Uma dessas áreas, segundo ela, foi na Colômbia, onde a estatal encontrou grande reserva de gás natural.
Ao participar do evento S&P Global Commodity Insights, Anjos disse que a companhia está “confortável” com o nível de reposição de reservas, mas que não se pode “acomodar-se com o conforto”. Por isso, a necessidade da exploração da Margem Equatorial, acrescentou.
A executiva reiterou que é possível não haver descoberta no primeiro poço a ser perfurado na Bacia da Foz do Amazonas e que isso significa explorar mais. Ela lembrou que o plano estratégico da companhia prevê perfuração de 14 poços na região nos próximos cinco anos. Anjos disse ainda que é preciso aumentar o volume de áreas de petróleo para oferta ao mercado.
Monitor Digital - RJ 13/08/2025
A Venezuela aumentou produção de petróleo em julho, segundo relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) divulgado nesta terça-feira. A petroleira BP anunciou uma enorme descoberta de petróleo no pré-sal, a cerca de 400 km da costa do Rio de Janeiro – a maior descoberta da companhia britânica em 25 anos. Esses dados se somam à expansão da exploração Guiana e ao sucesso da produção da Petrobras no pré-sal e levaram a revista The Economist a publicar matéria com o título “A América do Sul está se tornando rapidamente a área petrolífera mais quente do mundo” (tradução livre).
Trata-se da região de crescimento mais rápido no mundo em petróleo e gás, afirmou à publicação britânica Mark Oberstoetter, da consultoria energética Wood Mackenzie. “Até 2030, projeta-se que a produção aumente cerca de um terço, comparado a um crescimento de um quarto no Oriente Médio e de um décimo na América do Norte.”
Nos Estados Unidos, o boom provocado pela extração de petróleo do xisto, que levou o país a ser o maior produtor mundial, está arrefecendo, com os campos de xisto envelhecendo.
Além do Brasil e da Guiana, a Economist cita o campo de Vaca Muerta, uma formação de xisto no oeste da Argentina. “A produção de petróleo na região cresceu 26% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior. As perspectivas são ainda mais promissoras com a construção de um grande oleoduto, prevista para começar em 2027, que deverá transportar cerca de 700 mil b/d até a costa atlântica para exportação.”
Descoberta da BP gera apenas 5,9% de óleo para União | Monitor Mercantil
A Venezuela reportou uma produção de petróleo de 1.084.000 barris por dia em julho, representando um aumento de 15 mil barris em relação a junho. Os números diferem das estimativas compiladas por fontes secundárias, que colocam a produção venezuelana em 914 mil barris por dia para o mesmo mês.
Em ambas as medições, o volume alcançado em julho passado supera os níveis registrados em 2023 e 2024, refletindo uma tendência de recuperação da indústria petrolífera venezuelana.
Em relação aos preços, o petróleo bruto de referência venezuelano, Merey, registrou alta, sendo negociado a US$ 58,14 por barril em julho, em comparação com US$ 56,86 em junho.
A produção de petróleo continua sendo fundamental para a economia venezuelana, pois historicamente representa a maior fonte de receita em moeda estrangeira do país. Desde 2017, o setor vinha registrando um forte declínio, que o governo venezuelano atribui às sanções impostas pelos Estados Unidos ao setor.
Opep eleva previsão de demanda global em 2026
A Opep elevou, nesta terça-feira, a previsão de crescimento da demanda global por petróleo em 2026, impulsionada por atividades econômicas favoráveis.
Em seu relatório mensal do mercado de petróleo, a Organização estimou um aumento de 1,4 milhão de barris por dia (bpd) em 2026 em relação a 2025, acima da previsão de 1,3 milhão de bpd do mês passado.
A previsão de crescimento da demanda global por petróleo em 2026 foi revisada para cima impulsionada pela expectativa de melhor desempenho econômico na América, Europa e Oriente Médio.
Para a OCDE, em especial, o crescimento da demanda por petróleo aumentará em cerca de 200 mil bpd em relação a 2025, acima do aumento estimado anteriormente de cerca de 100 mil bpd.
Para 2025, o crescimento da demanda global por petróleo não se alterou, em 1,3 milhão de bpd em relação ao ano anterior, de acordo com o relatório.
Em relação à sua previsão para o crescimento econômico mundial, a Opep aumentou a previsão para 2025 de 2,9% para 3%, citando o “impulso forte e consistente observado no primeiro semestre de 2025”. Para 2026, o crescimento permaneceu inalterado em relação ao relatório do mês passado, em 3,1%.
Globo Online - RJ 13/08/2025
A Petrobras e o Ibama chegaram a uma data para a realização da Avaliação Pré-Operacional (APO) para a licença de perfuração do poço exploratório da Margem Equatorial no litoral no Amapá, na bacia da Foz do Amazonas.
Inicialmente, a estatal e o órgão ambiental realizarão um exercício de simulação de vazamento de petróleo na bacia, que deve durar de três a quatro dias. A data para a avaliação pré-operacional deve ser no próximo dia 24, caso as simulações ocorram sem intercorrências, segundo a diretora de Exploração e Produção da estatal, Sylvia dos Anjos.
Um dos principais entusiastas das pesquisas da Margem Equatorial, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), celebrou o calendário. O tema é prioritário para Alcolumbre, já que a faixa de terra que pode ter até 30 bilhões de barris de petróleo contempla o seu estado, o Amapá.
"Recebi com grande alegria a notícia sobre o avanço nas etapas para a pesquisa exploratória de petróleo na Margem Equatorial. Essa é uma vitória do Amapá e do Brasil. Um marco, resultado do empenho e do trabalho conjunto de vários atores que defendem um futuro energético sustentável para o nosso país", disse em comunicado.
A defesa da aprovação das pesquisas para a exploração de petróleo na Margem Equatorial é um compromisso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu com Alcolumbre.
Em 2023, o Ibama recusou a licença da Petrobras e desde então a estatal atuava para atender a uma série de requisitos ambientais do instituto. O governo calcula ainda que possa arrecadar R$ 1 trilhão com a produção de petróleo na região.
Jota - DF 13/08/2025
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) foi alvo de duras críticas nesta terça-feira (12/8) durante audiência pública sobre as novas regras propostas para a classificação de gasodutos de transporte na Comissão de Minas e Energia (CME) da Câmara dos Deputados. Parlamentares, representantes dos estados e executivos do setor de distribuição de gás natural acusaram a agência reguladora de desrespeitar o pacto federativo e gerar insegurança jurídica para agentes do mercado e consumidores.
A audiência pública da CME foi convocada pelo deputado federal Max Lemos (PDT-RJ) após anúncio de proposta de regulamentação da ANP relativa à classificação dos gasodutos de transporte e distribuição.
Em maio, a ANP aprovou a realização de consulta e audiência públicas sobre a minuta de resolução que estabelecerá os critérios técnicos de diâmetro e pressão para caracterização de gasodutos de transporte. De acordo com a agência, a medida busca contribuir para a harmonização regulatória das atividades de transporte de gás natural.
De acordo com a Constituição Federal e a Lei 14.134/2021 (Lei do Gás), o transporte de gás natural é de competência da União, enquanto a distribuição cabe aos estados. Por um lado, a rede de transporte tem gasodutos maiores e é praticamente monopolizada pela Petrobras, enquanto o setor de distribuição geralmente usa canos menores e tem maior concorrência.
Para os críticos da iniciativa da ANP, as novas regras podem acabar levando à reclassificação de gasodutos maiores que atualmente integram a rede de distribuição, invadindo competência dos estados. Também foi apontado que as novas regras seriam aplicadas retroativamente a partir da data de publicação da Lei do Gás, colocando em risco contratos firmados ao longo dos últimos quatro anos.
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Durante a audiência pública da CME, o presidente executivo da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), Marcelo Mendonça, afirmou que a proposta de minuta da ANP inviabilizaria o mercado de distribuição. Ele citou estimativas de que 25% dos gasodutos de distribuição da Bahia e do Rio de Janeiro seriam enquadrados como gasodutos de transporte pelas novas regras; no caso de Minas Gerais, 60% da rede poderia ser afetada.
Deputados acusaram a ANP de formular uma proposta sem ouvir o Congresso. Por que não se discutiu antes? Por que não se ouviu representantes do setor no Congresso Nacional?, questionou o deputado General Pazuello (PL-RJ). Nós representamos o povo brasileiro. Nós ouvimos o setor que traz para nós as suas demandas.
A diretora interina da ANP, Patrícia Baran, defendeu a proposta de minuta, e afirmou que ela atende aos requisitos da Lei do Gás e do decreto regulatório. Ela argumentou que gasodutos de distribuição que se enquadrem nos critérios de transporte não serão reclassificados caso fique demonstrado que o interesse local prevalece sobre considerações nacionais.
A representante da agência reguladora ressaltou que agentes interessados podem apresentar contribuições na consulta e audiência públicas. Vamos ver como foram feitas as contribuições. Ninguém vai morrer agarrado a esses parâmetros, disse.
Está programada para esta quarta-feira (13/8) audiência pública da ANP para discutir o tema. A expectativa é de que o texto final da minuta seja publicado em 30 de outubro.
Valor - SP 13/08/2025
Ibama e Petrobras definem data para avaliação pré-operacional na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), celebrou o avanço nas etapas de pesquisa para a perfuração de um poço na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá. A reunião entre a Petrobras e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) feita nesta terça-feira (12) terminou com uma data para a avaliação pré-operacional (APO) na Margem Equatorial, segundo a empresa.
"Essa é uma vitória do Amapá e do Brasil. Um marco, resultado do empenho e do trabalho conjunto de vários atores que defendem um futuro energético sustentável para o nosso país", afirmou Alcolumbre em nota divulgada pela sua assessoria.
Como mostrou o Valor, uma data já foi agendada para a realização da APO no Amapá, Estado do presidente do Senado. Esta é a última etapa antes da concessão de uma licença para a perfuração do poço.
A data para o início desta etapa, no entanto, será anunciada pelo Ibama, segundo a diretora de exploração e produção da Petrobras, Sylvia Anjos.
A perfuração de poços no local é vista com cautela pelo Ibama, que teme danos ambientais na área. Já políticos da região, a exemplo de Alcolumbre, pressionam pela liberação da atividade por entender que a exploração dos recursos será benéfica para a economia local.
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