G1- Mg 11/07/2025
Donald Trump anunciou aumento de taxas de 50% sobre produtos brasileiros. Decisão impacta especialmente a siderurgia mineira, analisa economista.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) manifestou preocupação com o "tarifaço" de Donald Trump ao Brasil. Segundo o presidente da entidade, Flávio Roscoe, uma eventual retaliação do governo brasileiro seria "outro golpe" na siderurgia mineira.
Nesta quarta-feira (9), o presidente dos Estados Unidos impôs uma tarifa comercial de 50% a todos os produtos brasileiros enviados ao país norte-americano. A nova taxa está prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.
"Uma retaliação do Brasil seria outro golpe na indústria de ferro-gusa [produto siderúrgico], porque as indústrias são complementares. Na hora que você retaliar, você vai subir o custo das importações que o Brasil faz dos EUA. Com isso, várias empresas brasileiras vão ter algum custo de matérias-primas ou componentes aumentados", disse Roscoe em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (10).
Ainda conforme o dirigente da Fiemg, o setor siderúrgico terá dificuldades para realocar as exportações norte-americanas para outros mercados. Além disso, em menor grau, o "tarifaço" pode afetar o comércio exterior do café produzido em MG. Por isso, a instituição defende o diálogo e a cooperação entre os países.
"O melhor cenário possível é um diálogo amplo, aberto e imediato, e encontrar saídas e alternativas para uma solução de consenso. O Brasil sempre foi um país neutro nas relações internacionais, e nós entendemos que esse posicionamento é sempre muito positivo para o comércio", completou.
Carta de Trump
Em carta enviada ao presidente Lula na qual justifica o aumento da tarifa sobre produtos brasileiros para 50%, Trump citou Bolsonaro, disse ser "uma vergonha internacional" o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que a relação comercial dos EUA com o Brasil é "injusta".
Após o anúncio, Lula afirmou que o Brasil "não aceitará ser tutelado por ninguém" e que o aumento unilateral de tarifas sobre exportações brasileiras será respondido com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
Economista analisa impactos
O economista Bruno Carazza, doutor em direito econômico pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirmou, em entrevista à TV Globo nesta quarta-feira (9), que a decisão de Donald Trump de taxar produtos brasileiros nos Estados Unidos com tarifa de 50% representa uma "porta se fechando" para os produtos mineiros.
De acordo com ele, a decisão do presidente dos EUA impacta especialmente a siderurgia brasileira, que já enfrenta tarifas de 50%. Ainda não está claro se, no caso da nova determinação de Trump, incidirão mais 50% sobre as atuais taxas ou se ficará padronizado 50% de taxa para todos os produtos.
No caso do aço bruto, afeta diretamente a indústria mineira. MG é o maior fabricante brasileiro de aço bruto e semiacabado, de acordo com o Instituto Aço Brasil. Em 2024, o estado liderou a produção nacional, com uma fatia equivalente a 30,1% (10,2 milhões de toneladas) do setor no país.
"Quando Trump põe sobre taxa de 50%, praticamente fecha mercado americano para produtores em Minas. O produtor mineiro muito provavelmente vai ter que procurar outros mercado porque cada vez fica mais difícil vender para o mercado americano [...] É uma porta que está se fechando", avaliou Carazza.
Exame - SP 11/07/2025
Conforme o esperado, a bolsa brasileira opera em baixa nos negócios desta quinta-feira, 10, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma tarifa adicional de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil. Os rumos do que aparenta ser uma guerra comercial ainda parecem bastante incertos, mas os agentes dos mercados já fizeram as contas sobre setores mais e menos impactados. Muito do que é visto nos relatórios que estão circulando hoje reflete o que acontece no Ibovespa.
A ação de maior peso do índice de referência do mercado acionário brasileiro opera com alta expressiva, como se nem tivesse ouvido falar de "tarifaço". Vale (VALE3) passou boa parte do dia entre as maiores altas do Ibovespa, reduziu ganhos, mas fechou com variação positiva de 2,29%, a R$ 55,28. Pelo seu tamanho na composição da carteira, a ação impediu que o Ibovespa cedesse ainda mais ainda e também dá impulso aos papéis de seu acionista, Bradespar (BRAP4), que fechou em alta de 2,41%.
As siderúrgicas também passaram boa parte da sessão no Top 5 de altas. Destaque para a CSN (CSNA3), que sustentou o fôlego e fechou com alta de 4,92%, segunda maior alta do Ibovespa.
Setores pouco expostos ao tarifaço
É praticamente um consenso entre analistas do sell side que o tarifaço de Trump tem impacto limitado nos setores de mineração e siderurgia.
O Bradesco BBI/ Ágora nota uma exposição relativamente baixa à exportações para os Estados Unidos entre as empresas desses setores, acompanhadas pela casa. "Destacamos a Gerdau, que tem operações locais por lá", destacam os analistas Rafael Barcellos e Renato Chanes. Segundo eles, as tarifas tendem a beneficiar as operações da empresa em território americano, já que a indústria siderúrgica dos EUA é fortemente dependente das exportações brasileiras de aço semiacabado.
"[Com] a limitada exposição direta da Gerdau a esse material, vemos as tarifas mais altas como inflacionárias –potencialmente levando a um aumento nos preços do aço laminado no país", explicam.
A dupla também vê impacto imaterial para a Vale, dado que vendas para os Estados Unidos respondem por apenas 3% das receitas da mineradora. O Citi, por sua vez, avalia que a Vale poderia redirecionar os volumes exportados para outros territórios.
Para os analistas da XP, os principais riscos das tarifas estão nos seus efeitos sobre o real e a percepção de risco dos investidores no geral.
Tarifa extra?
Atualmente, os Estados Unidos já trabalham com tarifas de 50% sobre aço e alumínio importado, utilizando o mecanismo da Seção 232, da Lei de Expansão Comercial americana, que estabelece restrições a importações de artigos que possam representar algum tipo de ameaça à segurança nacional. Os analistas têm interpretações diferentes sobre efeitos cumulativos da tarifa extra de 50% anunciada por Trump sobre todos os produtos.
"Produtos sob investigação da Seção 232, como semicondutores, minerais críticos, produtos farmacêuticos e cobre, continuarão isentos. A isenção também inclui petróleo e derivados", diz análise do BTG Pactual. O Citi também tem o mesmo entendimento e afirma que, para o aço, "as tarifas seriam substituídas pela Seção 232, que já são de 50%".
"Pelo lado do aço, compreendemos que as tarifas anunciadas hoje [dia 9 de julho] incidem sobre as anunciadas anteriormente de 50% pela Seção 232, totalizando, então tarifas de 100%", escreveu o Goldman Sachs.
Essa também é a interpretação da XP. "[As] tarifas seriam aplicadas sobre todas as tarifas setoriais existentes, o que significa que commodities já cobertas pela Seção 232 [como aço e alumínio] podem enfrentar tarifas combinadas de até 100%", diz o relatório.
Diário do Comércio - MG 11/07/2025
A Justiça Federal negou recursos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no processo que envolve as ações da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas). Com as sentenças, o conglomerado fluminense, de Benjamin Steinbruch, segue obrigado a negociar sua participação na empresa mineira.
As decisões foram proferidas nessa quarta-feira (9) pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), o desembargador federal Vallisney de Souza Oliveira. O Cade entrou com um recurso especial para levar a discussão para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Por sua vez, a CSN interpôs dois recursos: um especial, para remeter o caso para o STJ, e outro extraordinário, para encaminhá-lo até o Supremo Tribunal Federal (STF).
O Diário do Comércio teve acesso aos documentos. A CSN e o Cade buscavam reverter um parecer favorável a Usiminas, que mantinha uma sentença anterior, na qual o TRF-6 disse que foi ilegal o ato do órgão antitruste que retirou o prazo para o grupo de Steinbruch vender as ações que tem na empresa de Ipatinga. À época, a Justiça mandou restabelecer a data-limite, obrigando o conglomerado a vender os papéis em um ano, até 10/07/2024.
“Os recursos não têm efeitos suspensivos, então, a CSN está obrigada a vender [as ações], e com prazo vencido. Ou seja, ela está descumprindo a lei e a decisão judicial, na medida em que o prazo venceu no ano passado e continua sem negociar”, explicou uma fonte que preferiu não ser identificada. Segundo a fonte, o Cade e a CSN ainda podem entrar com agravo de instrumento no STJ pedindo que a sentença do TRF-6 seja reconsiderada.
Vale lembrar que o Cade, no último dia 25, determinou um prazo de 60 dias para que a CSN apresente um plano de venda de seus papéis na Usiminas, após parecer da Justiça.
Por que os recursos foram negados?
O recurso do Cade foi negado por mérito. O presidente do TRF-6 disse, por exemplo, que a decisão recorrida tinha fundamentos de ordem constitucional e de natureza legal que não foram rebatidos pela autarquia, o que é motivo suficiente para a inadmissão do recurso.
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Adicionalmente, o desembargador afirmou que não houve contradição na decisão em favor da Usiminas, como o Cade alegava. Ele entendeu que não há inconsistência, porque a obrigação de vender as ações era “imutável”, e não o prazo em si, que foi objeto de várias prorrogações. Logo, o ilegal foi o órgão antitruste retirar completamente a data-limite.
Oliveira também destacou que a decisão da Justiça só avaliou a legalidade do ato administrativo, algo que é permitido, visto que o Cade argumentava que o TRF-6 invadiu sua competência. E ainda apontou que a autarquia se contradisse ao dizer que o conglomerado fluminense deveria reduzir sua participação na Usiminas, por gerar desequilíbrio à ordem econômica, e, ao mesmo tempo, ter retirado o prazo para isso acontecer.
Já os recursos da CSN foram negados por serem protocolados fora da data-limite. O desembargador disse que o grupo de Steinbruch teve ciência das sentenças recorridas antes que fossem publicadas, porém, contou o prazo de 15 dias a partir da publicação. Conforme ele, a companhia interpôs em 14/03/2025 agravo de instrumento oriundo da sentença anterior, mostrando conhecimento da decisão, mas entrou com recurso só em 22/04/2025.
Procurados, a CSN e o Cade não se manifestaram até a publicação da matéria.
Veja - SP 11/07/2025
O presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, disse que não acredita que as tarifas anunciadas nesta quarta-feira pelo presidente Donald Trump- e que vão começar em 1 de agosto- vão se acumular às tarifas atuais impostas ao aço brasileiro. Atualmente, o setor já enfrenta 50% de taxação adicional imposta a produtos de aço e alumínio.
O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os Estados Unidos. Na cadeia do aço, Estados Unidos e Brasil detêm parceria comercial de longa data, que vem sendo, historicamente, favorável ao primeiro. O comércio dos principais itens da cadeia do aço – carvão, aço e máquinas e equipamentos – Estados Unidos e Brasil detêm uma corrente de comércio de US$ 7,6 bilhões, sendo os Estados Unidos superavitários em US$ 3 bilhões, segundo dados do Instituto Aço Brasil.
Na época em que a tarifa para o aço entrou em vigor, o instituto divulgou nota em que citava esses dados, e afirmava que a demanda por aço não será suprida pelos Estados Unidos de forma imediata, tornando a imposição de tarifas adicionais prejudicial, tanto para exportadores brasileiros quanto para setores industriais norte-americanos.
Lopes afirmou em entrevista ao Valor nesta quinta-feira que essa nova imposição de tarifas aos produtos brasileiros foi uma decisão política de Trump e que o anúncio prejudica o que estava sendo encaminhado na discussão da renovação do acordo iniciado em 2018, quando Trump aplicou uma taxa de 25% sobre o aço.
Agência Brasil - DF 11/07/2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na noite desta quinta-feira (10), que o Brics, fórum que reúne grandes países do chamado Sul Global, seguirá discutindo mecanismos mais autônomos para impulsionar as relações comerciais. As declarações de Lula, concedidas em duas entrevistas a canais de televisão, ocorre em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos, desde que o presidente Donald Trump anunciou tarifa comercial de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados.
"O Brics é um fórum que ocupa metade da população mundial e quase 30% do PIB mundial. E 10 países do Brics participam do G20 [incluindo o Brasil], onde o senhor Trump participa [pelos EUA]", destacou o presidente em entrevista exibida pelo Jornal Nacional, da TV Globo.
"Nós cansamos de ser subordinados ao Norte. Queremos ter independência nas nossas políticas, queremos fazer comércio mais livre e as coisas estão acontecendo de forma maravilhosa. Nós estamos discutindo, inclusive, a possibilidade de ter uma moeda própria, ou quem sabe com as moedas de cada país a gente fazer comércio sem precisar usar o dólar", acrescentou Lula.
Discussão civilizada
Em outra entrevista, exibida pelo Jornal da Record, da Record TV, Lula também reforçou que a ação de Trump contra o Brasil mostra a insatisfação dele com o protagonismo mundial do Brics.
"Eu não sou obrigado a comprar dólar para fazer relação comercial com a Venezuela, com a Bolívia, com o Chile, com a Suécia, com a União Europeia, com a China. A gente pode fazer nas nossas moedas. Por que eu sou obrigado a ficar lastreado pelo dólar, que eu não controlo? Quem tem uma máquina de produzir dólar são os EUA, não nós", criticou.
O presidente enfatizou que qualquer discordância deveria ser discutida em uma mesa de negociação, e não com ataques comerciais e à soberania dos países.
"Se ele [Trump] tivesse divergência, o correto seria numa reunião do G20 ele levantar o problema, vamos fazer uma discussão civilizada, nos convença, vamos discutir. O que ele não pode é agir como se fosse dono dos outros".
Ao Jornal Nacional, Lula explicou que, no momento, não pretende ligar para Trump, mas que vai sair em defesa do setor produtivo brasileiro com a abertura de novos mercados. O presidente observou que o tom de abordagem do norte-americano é desrespeitoso e que não aceitará esse tipo de comportamento.
"Ele, por exemplo, poderia ter ligado para o Brasil para dizer a medida que ele vai tomar. Ele não mandou nenhuma carta, nós não recebemos carta. Ele publicou no site dele, numa total falta de respeito, que é um comportamento dele com todo mundo. E eu não sou obrigado a aceitar esse comportamento desrespeitoso entre relações de chefe de Estado, de relações humanas".
Manutenção do IOF
Ainda na entrevista para a TV Record, Lula anunciou que vai insistir no aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Segundo o presidente, se o governo tiver de cortar R$ 10 bilhões em despesas, como está sendo projetado, o corte também vai afetar as emendas parlamentares.
"O deputado sabe que, se eu tiver que cortar R$ 10 bilhões, eu vou cortar das emendas dele também. Como eles sabem e eu sei, é importante a gente chegar num ponto de acordo. Eu posso antecipar para você: eu vou manter o IOF. Se tiver um item no IOF que esteja errado, a gente tira aquele item, mas o IOF vai continuar", declarou o presidente.
"Fazer decreto é responsabilidade do presidente da República. E os parlamentares podem fazer um decreto-lei para eles, se tiver cometido algum erro constitucional, coisa que não cometi", completou.
Na semana passada, após uma derrota histórica do governo no Legislativo, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, suspendeu tanto os decretos do Executivo que elevam o IOF quanto o decreto que foi aprovado pelo Congresso Nacional e que derruba essa medida. Para resolver o impasse, Moraes determinou a realização de uma audiência de conciliação entre o governo federal e o Congresso Nacional sobre o tema para o próximo dia 15 de julho, em Brasília.
O Estado de S.Paulo - SP 11/07/2025
A inflação de junho, relativamente mais baixa, de 0,24%, veio dentro do esperado, mas não reflete uma melhora significativa da economia interna. Agora, é preciso observar que tipo de impacto o tarifaço do presidente Donald Trump sobre o Brasil pode produzir nos preços internos.
O despejo de moeda pelo governo continua intenso, como indica o avanço do rombo fiscal neste exercício e a expectativa de aumento nos dois anos seguintes, diante da omissão do governo e da baixa vontade política de atacar a gastança.
Essa inflação mais baixa decorre de dois fatores de origem externa: a valorização do real frente ao dólar, em função da política econômica dos Estados Unidos; e a queda dos preços do petróleo e de outras matérias-primas, provocada pela desaceleração da economia global, também consequência da política tarifária de Trump.
A queda acumulada das cotações do dólar no câmbio interno neste ano supera os 10%. Por um lado, é provável que esse movimento ainda não tenha se esgotado, já que o presidente Trump parece desejar um dólar mais fraco frente a outras moedas, a fim de baratear os produtos norte-americanos — inclusive em dólares — e, assim, favorecer as exportações. Mas cobra alto preço da economia dos Estados Unidos, pois esse enfraquecimento do dólar reduz seu atrativo como moeda global de reserva. Outra grande consequência é o avanço dos juros de longo prazo.
Por outro lado, temos a pancada da bomba tarifária sobre o Brasil, que pode afugentar dólares que normalmente viriam para cá. Até agora, a baixa do câmbio atuou como fator de barateamento das importações do Brasil e de redução das cotações em moeda estrangeira dos produtos dolarizados, como petróleo, minérios e as commodities agrícolas. Essa é a principal razão para a desaceleração dos preços dos alimentos no Brasil.
A partir do enfraquecimento da inflação por aqui, parece inevitável também a desaceleração dos preços dos serviços à medida que a percepção de uma inflação mais baixa levar os formadores de preços a remarcar mais devagar o preço dos seus serviços, sob ameaça de perder mercado.
Ainda assim, a inflação acumulada em 12 meses, de 5,35%, segue acima do teto da meta estabelecida — de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual. Esse é um dos motivos pelo qual o Banco Central não deve flexibilizar sua política monetária tão cedo, especialmente em meio a falta de colaboração do governo federal no enfrentamento do déficit fiscal. Diante desse cenário, é provável que os juros básicos (Selic) permaneçam ao longo de todo este 2025 à altura dos 15% ao ano.
O Estado de S.Paulo - SP 11/07/2025
O principal efeito da tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre importações vindas do Brasil deve recair sobre a balança comercial e repercutir de forma negativa no Produto Interno Bruto (PIB) do País. Nos cálculos do economista Roberto Dumas, o tarifaço pode tirar, no mínimo, 0,3 ponto porcentual de crescimento da economia brasileira em 12 meses a partir da sua vigência. “Mas esse valor pode ser maior”, afirma o professor de Economia Internacional do Insper.
Como base de comparação, a variação do PIB esperada para 2025 é de 2,23% de alta, conforme o mais recente Boletim Focus, do Banco Central, que apura as expectativas do mercado — divulgado na segunda-feira, 7, quando ainda não estava no radar a sobretaxa americana. Para 2026, a estimativa é de crescimento de 1,86%.
Além de reduzir essas projeções, o atual cenário adverso para comércio internacional oferece riscos de maiores dificuldades para que o Brasil redirecione suas exportações a outros mercados, piorando ainda mais o resultado da balança comercial. Isso, em razão de possíveis retaliações por parte do governo americano a parceiros comerciais que decidissem comprar produtos brasileiros.
No cálculo do efeito negativo sobre o PIB, Dumas não considerou os impactos indiretos de uma possível depreciação cambial. Com a entrada menor de dólares em razão da redução das exportações, o real poderia se desvalorizar em relação ao dólar e pressionar os preços no mercado interno, elevando a inflação. O desdobramento desse movimento seria, segundo o economista, a manutenção da taxa de juros em um nível elevado por mais tempo.
“Aquela perspectiva de que a taxa de juros cairia no segundo trimestre do ano que vem pode começar a diminuir e a inflação acabar ficando mais pegajosa, mais resiliente”, observa Dumas. Ele frisa que tem mais receio dos efeitos indiretos do tarifaço de Trump na economia brasileira do que os impactos diretos.
Paulo Vicente dos Santos, professor de Estratégia da Fundação Dom Cabral, diz que a piora nas exportações brasileiras é o principal efeito da tarifação de 50% sinalizada por Trump. “Supondo que em 1º de agosto essa tarifa vá entrar em vigor como está hoje, isso pode ter impacto em uma parcela significativa das exportações, o dólar deve subir por causa da menor entrada de divisas, a Bolsa deve cair e isso pode atrapalhar ainda mais a inflação”, avalia o professor.
Embora a participação dos EUA nas exportações brasileiras tenha recuado de quase 25% no início dos anos 2000 para 12% em 2024 (US$ 41 bilhões), os economistas do BTG Pactual destacam, em relatório, que o mercado norte-americano segue como o segundo principal destino das vendas externas do Brasil, sendo “o mais relevante para bens manufaturados de maior valor agregado, como aeronaves, autopeças e máquinas”.
Para o professor do da Fundação Dom Cabral, o risco de estrago provocado pela tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras existe, mas não é motivo de desespero no curto prazo. “O estrago no curto prazo existe, mas não é desesperador; no médio e no longo prazos ele até pode ser, se não houver negociação.”
O BTG Pactual, por exemplo, estima, em relatório, que a elevação da tarifa dos EUA reduz as exportações em US$ 7 bilhões em 2025 e em US$ 13 bilhões em 2026. Os economistas do banco assumem nesse cálculo que ocorra um redirecionamento gradual e heterogêneo entre os diferentes produtos da pauta de exportação.
Imagem do Brasil ficaria arranhada
José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), acredita que o Brasil deixará de exportar para os Estados Unidos entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões por ano, se a nova taxação de 50% entrar em vigor.
Além da redução nas exportações para os EUA, Castro adverte para outra dificuldade que o tarifaço pode provocar. Ele acredita que o Brasil enfrentaria obstáculos para redirecionar as exportações.
“Ter a maior taxação por parte do Trump passa a imagem que o Brasil cometeu uma infração gravíssima”, diz Castro. Essa imagem negativa pode levar a empresas que queriam fazer negócios com o Brasil pensar duas vezes antes de fechar contratos, temendo que haja algo de errado com o País.
Outro temor dessas companhias diz respeito a alguma represália por parte do governo americano a essas empresas ou países por comprarem produtos brasileiros. “Trump pode impor a quem comprar do Brasil alguma penalidade. Na dúvida, ninguém faz negócio e fica difícil redirecionar as exportações.”
Insegurança jurídica
Outro desdobramento do aumento das tarifas recai sobre contratos já firmados entre empresas. Silvia Rodrigues Pachikoski, sócia da área de Solução de Disputas no escritório L.O. Baptista, alerta para repercussões jurídicas. “A guerra tarifária e a fixação das novas alíquotas repercutirão diretamente nos contratos, pois significarão aumento no preço de insumos e prejudicarão o livre comércio como negociado pelas partes, trazendo um desequilíbrio contratual inesperado.”
Esse desequilíbrio, observa a advogada, poderá acarretar o não cumprimento de obrigações assumidas pelas partes, por conta de aumentos de custos, levando à renegociação de preços. “A consequência natural é o aumento do número de arbitragens e processos judiciais para tratar dessas questões”, afirma.
A insegurança jurídica por causa da elevação das tarifas preocupa o setor produtivo, diz Silvia. O impacto é aumento de disputas judiciais entre empresas e também na Organização Mundial de Comércio (OMC) por violação às regras multilaterais de comércio.
O Estado de S.Paulo - SP 11/07/2025
O Banco Central não informou, na carta aberta sobre o descumprimento da meta de inflação, quando espera que o IPCA acumulado em 12 meses retorne ao centro da meta, de 3%. A autoridade monetária reforçou, no entanto, o seu compromisso em promover a convergência no horizonte relevante da política monetária.
“O compromisso do Banco Central é com a meta de inflação de 3%, e suas decisões são pautadas para que este objetivo seja atingido no horizonte relevante de política monetária”, diz a carta, assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e endereçada ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
“O Banco Central se manterá atento à evolução das pressões inflacionárias e não hesitará em tomar medidas adicionais, caso julgue apropriado.”
Nesta quinta-feira, 10, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação acumulada em 12 meses pelo IPCA atingiu 5,35% em junho - 0,85 ponto porcentual acima do teto da meta.
Na carta, divulgada nesta quinta-feira, o BC informa apenas que prevê que a inflação caia abaixo do teto do alvo, de 4,5%, no fim do primeiro trimestre de 2026
Esta é a primeira carta escrita no regime de meta de inflação contínua, que passou a valer este ano. Pela nova regra, o cumprimento do alvo é apurado com base na inflação acumulada em 12 meses.
Se a taxa ficar acima ou abaixo do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu a meta.
Também é a segunda carta escrita por Galípolo, que assumiu a chefia do BC em janeiro e se torna o primeiro presidente da autoridade monetária a assinar dois documentos do tipo no prazo de seis meses.
Ele já havia assinado uma carta para justificar a perda do alvo em 2024, ainda durante a gestão de Roberto Campos Neto.
A estimativa de prazo de convergência mencionada pelo BC nesta quinta-feira está em linha com as projeções do seu cenário de referência, divulgadas no Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre.
As estimativas apontam para um IPCA de 4,9% no acumulado de 12 meses até dezembro deste ano, e de 4,2% no fim do primeiro trimestre do ano que vem.
A curva de projeções apresentada no RPM considera uma queda gradual da inflação em 12 meses, a 3,2% no fim de 2027. Ou seja, sem convergência do IPCA para o centro da meta em todo o horizonte.
O cenário de referência leva em conta a trajetória da taxa Selic do relatório Focus e a evolução do câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC).
“O Comitê de Política Monetária avalia diversos cenários prospectivos para a inflação, que consideram trajetórias diferentes da taxa Selic e para as expectativas de juros de mercado”, reforça a carta.
Membros do Copom vêm dizendo a mesma coisa, e já disseram que há trajetórias da Selic que promovem a convergência da inflação à meta.
O Estado de S.Paulo - SP 11/07/2025
O BTG Pactual estima, em relatório, que a elevação da tarifa dos Estados Unidos sobre bens importados do Brasil, de 10% para 50%, reduz as exportações em US$ 7 bilhões (0,3% do Produto Interno Bruto) em 2025 e em US$ 13 bilhões (0,6% do PIB) em 2026, assumindo um cenário de redirecionamento gradual e heterogêneo entre os diferentes produtos da pauta.
O banco considera que, embora a participação dos EUA nas exportações brasileiras tenha recuado de quase 25% no início dos anos 2000 para 12% em 2024 (US$ 41 bilhões), o mercado norte-americano segue como o segundo principal destino das vendas externas do Brasil, sendo “o mais relevante para bens manufaturados de maior valor agregado, como aeronaves, autopeças e máquinas”.
Na avaliação do BTG, a medida, comunicada por meio de uma carta ao presidente Lula, não tem como justificativa principal o comércio, mas sim divergências políticas, incluindo o tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e debates sobre regulação de redes sociais.
Caso os EUA estendam a tarifa para toda a pauta comercial, eliminando as exceções que incluem o petróleo bruto, a perda adicional seria “relativamente modesta”, segundo o BTG, podendo alcançar uma diminuição de US$ 8 bilhões em 2025 e US$ 14 bilhões em 2026 nas exportações. “Isso porque o setor de petróleo conta com maior flexibilidade comercial e capacidade logística para redirecionar embarques a outros mercados”, explica.
O banco ressalta ainda que a elasticidade-preço das importações brasileiras quanto ao câmbio é inferior a 1 no curto prazo, com a depreciação inicial do real tendendo a aliviar pouco o impacto externo. Como consequência, o saldo comercial e o déficit em transações correntes devem se deteriorar quase na mesma proporção da perda de exportações.
Quanto a retaliações por parte do Brasil aos EUA, o BTG sinaliza que a estratégia tende a ter efeitos colaterais negativos, mesmo que, por um lado, contribuiria para reduzir o impacto líquido sobre o saldo comercial. “Por outro, aumentaria incertezas, geraria distorções adicionais e encareceria as importações de bens de capital e intermediários — afetando produtividade e investimentos domésticos”, destaca.
Além disso, as retaliações poderiam ainda desencadear uma escalada das tensões comerciais e pressionar a inflação, observa o BTG.
O Estado de S.Paulo - SP 11/07/2025
As tarifas de 50% sobre produtos brasileiros impostas pelo presidente americano Donald Trump podem acabar ajudando no controle da inflação do Brasil. Por outro lado, caso Lula opte por retaliar os americanos com uma medida na mesma magnitude, o impacto sobre os preços do País seria imediato, com risco de o Banco Central ser obrigado a subir novamente a taxa básica de juros.
Esse é o grande dilema do governo brasileiro, que ficará entre dar uma resposta dura do ponto de vista diplomático, com a retaliação, e ter uma visão mais pragmática sobre a economia, com medidas mais pontuais, evitando escalar a guerra comercial.
De acordo com a economista Andrea Angelo, da Warren Investimentos, o impacto inicial das tarifas de Trump é “desinflacionário”, caso o dólar continue operando sem uma disparada mais forte e se mantenha abaixo da casa dos R$ 6.
Isso porque três dos principais produtos que o Brasil exporta para os EUA estão com preços elevados internamente: café, suco de laranja e carne bovina. Se esses itens passarem a ser vendidos no Brasil (e não mais nos EUA) haverá uma superoferta – o que puxará a inflação para baixo.
“Neste momento, entendo que o viés das tarifas seja desinflacionário para o IPCA, desde que o dólar não ultrapasse muito R$ 6. Isso pela possibilidade de aumento na disponibilidade interna de produtos que teriam como destino outros mercados”, afirmou Angelo.
“Itens como café, suco de laranja e carne bovina, que têm peso importante na nossa pauta de exportações para os EUA, podem acabar ficando mais disponíveis aqui. São produtos que já vinham apresentando alguma tendência altista nos preços, e esse movimento pode ser revertido”, completou.
Em entrevista à Rede Record, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que também vai taxar os EUA em 50%, caso Trump cumpra a ameaça, a partir de 1º de agosto. Nesse caso, o impacto sobre a inflação brasileira seria imediato, porque os produtos que o Brasil importa dos EUA chegariam ao mercado brasileiro mais caros, especialmente os industrializados.
Na visão do economista Sérgio Vale, da MB Associados, uma retaliação ampla do governo brasileiro ainda pode, em última instância, obrigar o Banco Central a subir novamente a taxa Selic.
“Se o governo brasileiro retaliar integralmente pode ser um problema: pode rebater na inflação e estender a alta de juros para mais tempo. Vai ser essencial saber como vão retaliar”, afirmou.
Em carta divulgada nesta quinta-feira, 10, para justificar o estouro da inflação por seis meses consecutivos, o Banco Central não abordou o tema das tarifas em sua análise, mas reiterou que “não hesitará em prosseguir no ciclo de ajuste caso julgue necessário”.
Para Sérgio Vale, a saída mais inteligente para o governo brasileiro seria uma retaliação “seletiva” na escolha dos produtos ou que envolva, por exemplo, quebras de patentes.
Infomoney - SP 11/07/2025
O presidente Donald Trump anunciou no fim da tarde desta quarta-feira (9) uma tarifa de 50% para produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. “O caldo azedou”, e é possível que o principal motivo tenha sido a declaração de líderes do Brics no último final de semana. Agora, o impacto pode ser uma queda de 75% nas exportações brasileiras à principal economia do mundo.
A avaliação é de Lucas Ferraz, coordenador do Centro de Negócios Globais da FGV e ex-secretário do Comércio Exterior do Brasil, em entrevista ao InfoMoney.
Nos primeiros parágrafos de uma carta que eleva o teor político dos embates comerciais entre Brasil e Estados Unidos, Trump diz que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro “não deveria acontecer”. O tom é similar ao de uma publicação feita na última segunda-feira, onde o mandatário americano critica o julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e que corre no STF.
Apesar da abertura, no entanto, Ferraz acredita que o real motivo para Trump ter imposto a maior tarifa entre todas as anunciadas nesta semana ao Brasil não é diretamente mencionado na carta. “A última declaração conjunta do Brics, no domingo (7), contaminou uma possível negociação em um sentido muito negativo”, diz.
Ele avalia que, apesar das menções a eleições, liberdade de expressão e barreiras tarifárias e não tarifárias que Trump faz na carta, o Brasil estava fora do radar até esta semana. “Nesse lugar estavam grandes negociações, como com União Europeia, Índia e, claro, a China”, diz.
Na declaração conjunta dos líderes publicada durante a cúpula, os integrantes do Brics enfatizaram ações do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês, conhecido como Banco do Brics) de expandir o financiamento em moeda local entre os países membros, em contraposição ao dólar. A carta também condena ataques militares ao Irã, alvo de Estados Unidos e Israel no último mês.
Durante o fim de semana, Trump já havia afirmado que países alinhados “às políticas antiamericanas do Brics” pagariam uma tarifa adicional de 10%. “Não haverá exceções a essa política”, afirmou.
No caso do Brasil, a tarifa de 50% se soma aos 2,5%, em média, praticados antes das decisões do presidente dos EUA. Ferraz estima que um aumento horizontal tarifário dessa proporção poderia reduzir as exportações brasileiras aos Estados Unidos em 75%.
“Em nível agregado não é uma catástrofe, haja vista que o Brasil é um país relativamente fechado, então a participação das exportações no PIB nacional tende a ser pequena”, conta o ex-secretário. “Mas quando você leva em consideração que os Estados Unidos são o principal destino das exportações industriais brasileiras, é evidente que o impacto setorial na indústria de transformação do Brasil é não trivial.”
Para Ferraz, que esteve à frente da secretaria de comércio exterior de 2019 a 2022, parte do período no qual Jair Bolsonaro e Donald Trump ocuparam a presidências paralelamente, ambos os países sempre foram negociadores “duros”, mesmo em períodos de alinhamento. Agora, no entanto, a relação diplomática “saiu do padrão da normalidade”.
Leia a entrevista editada:
InfoMoney: Donald Trump menciona a reciprocidade tarifária apenas na metade da carta enviada ao presidente Lula. O começo é mais carregado politicamente. Era de se esperar?
Lucas Ferraz: A carta toca no tema das eleições, liberdade de expressão na internet, as altas barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil. Mas até então não era algo que Trump parecia querer levar para a mesa de negociação. Na verdade, o Brasil estava fora das prioridades americanas. Nesse lugar estavam grandes negociações, como com União Europeia, Índia e, claro, a China.
Tudo indicava que para o Brasil ficaria aquela tarifa adicional de 10%, o valor base estabelecido em 2 de abril. Seria um resultado, digamos, menos pior, na comparação aos percentuais aplicados em outros países. Vale lembrar, nesta semana ele aplicou tarifas de 25% contra o Japão e a Coreia do Sul. A África do Sul também recebeu uma carta, 30%. Malásia e Cazaquistão, 25%.
Agora, não está mencionado na carta, mas a mim parece muito razoável que a última declaração conjunta do Brics, no domingo, contaminou uma possível negociação em um sentido muito negativo. O Brasil assumiu protagonismo na reunião e a declaração, inclusive, toca em temas polêmicos de defesa, como o bombardeio ao Irã. Não fala sobre o Irã bombardeando outros países, como Israel, ou mesmo financiando o terrorismo do Hamas, Hezbollah, a questão dos Houtis que continuam bombardeando navios no Mar Vermelho.
Foi fora de linha com as declarações recentes do Brics, ou ao menos daquelas antes da ampliação do bloco para incluir autocracias como Egito, Irã, Etiópia e Emirados Árabes. Era natural que o Brasil ficaria em uma saia justa com essa ampliação. O Brasil não se preocupou com essa questão na declaração, e nem com críticas às tarifas do Trump, discussões sobre transações entre membros dos Brics em moeda local.
Tudo isso para dizer que até então o Brasil passava fora do radar, mas acredito que esses elementos tiveram grande influência justamente na semana em que Trump decidia quanto cobraria de cada país em suas cartas. Sabemos que ele tem um temperamento forte.
IM: Na carta, Trump diz que “talvez” considere ajustar a carta, desde que o Brasil reduza a carga de impostos dos produtos americanos que vêm para o País. Para o que esse tom sinaliza?
LF: Essa foi a mesma frase na carta que ele mandou para o Japão e para a Coréia do Sul. É exatamente essa linguagem para outros países. Para o Brasil, especificamente, é o começo da carta. Quando ele fala de eleições livres, falta de democracia, liberdade de expressão nas redes sociais. Ou seja, se vocês abrirem a economia de vocês, a gente vai considerar eventualmente mitigar aqui algumas tarifas.
IM: E o caminho para o Brasil será mesmo abaixar a carga de impostos de importação de alguma maneira?
LF: Certamente. Qualquer tipo de negociação envolveria produtos de interesse do governo americano. Aí é que a questão do etanol ganha novamente um protagonismo. O Brasil, inclusive, já havia sinalizado que estaria disposto a negociar sobre esse tema, então também não é claro se movimentos pontuais, setoriais, fariam os Estados Unidos mudar de ideia.
Mas é uma tentativa, claro. Evidentemente tem que começar ofertando aqueles que são pedidos históricos americanos que, além do maior acesso ao mercado de etanol são as barreiras não tarifárias: como Trump mesmo já questionou, a propriedade intelectual, a questão das Big Techs, a regulamentação das redes.
Só que é uma negociação muito difícil. Já era pela falta de alinhamento ideológico dos governos, fica mais difícil ainda com essa elevação do tom que vimos na carta.
IM: Trump faz uma menção direta às investigações contra o Bolsonaro em uma carta enviada ao Poder Executivo, enquanto os processos correm no Judiciário. Fica mais difícil caminhar a partir daí?
Certamente o Brasil não tem como negociar isso. O Brasil não tem como negociar algo que não está fora da alçada do Poder Executivo. O que o Brasil poderia tentar fazer é a negociação final de bens, que é o recado que ele deixa: se você abrir a sua economia, a gente pode considerar rever as tarifas. A moeda de troca aí, eu acho que ele utiliza essa questão política para mostrar insatisfação, mas ele deixa claro que no final a moeda de troca é a barganha de bens, de serviços. É o comércio.
IM: Pela sua experiência como secretário de Comércio Exterior, mesmo que em um momento diferente no alinhamento entre os governos dos EUA e do Brasil, que tipo de esforço é necessário para reverter uma situação como essa?
LF: As negociações com os Estados Unidos sempre foram duras. Com o Brasil, idem. Mas é evidente que naquela época, como havia um canal diplomático mais forte, as coisas se resolviam no diálogo, no entendimento.
Essa tensão de hoje na relação, demonstrações de insatisfação feitas pelo próprio presidente Trump sobre a política comercial brasileira, e agora envolvendo até a política em si, gera um clima que não havia. Era mais amistoso, mas de países defendendo seus interesses, como sempre aconteceu.
Chama a atenção que a relação diplomática saiu do padrão de normalidade – e preocupa muito ser com a maior economia do mundo. E aí não cabe certo ou errado. Se eu concordo ou não com o caminho seguido pelos EUA. O Brasil precisa se perguntar qual é o interesse nacional nesse momento, e me parece não ser algo bem respondido.
Não está claro pelos movimentos do Brasil qual é o interesse nacional. Declarações feitas pelo próprio Lula, muitas vezes insistindo na diminuição do papel do dólar, quando sabemos que há pouco a ganhar com isso. Não é a prioridade nesse momento, mas é algo que o Brasil insiste, esse governo sobretudo.
Para mim, o que aconteceu é um resultado direto da declaração de domingo nos Brics. Foi ali onde o caldo realmente azedou.
IM: Considerando a condução da gestão Trump na questão do comércio internacional pelos últimos meses, dá para imaginar que o Brasil consiga reduzir essa tarifa de 50%?
LF: Para todas as tarifas que ele está criando, é necessário somar às tarifas que já existiam antes de sua gestão – para o Brasil, era uma média de 2,5%. Para mexer nelas, ele precisa de autorização do Congresso, seja para aumentar ou diminuir. Ele nem mesmo poderia aumentá-las com decreto, então o que vem fazendo é alegar segurança nacional. Aí entra uma questão jurídica que já foi inclusive questionada na Justiça americana.
Mas no fim, todas as tarifas que ele está criando precisam ser somadas àquelas preexistentes. Ele não fala isso, mas está subentendido. São 52,5%, mas ele não pode alterar a parte dos 2,5%.
Eu tenho chamado esses acordos de “acordos Black Friday”. Trump aumenta o preço somente para reduzir na sequência e dizer que fez uma boa negociação. Veja: ele anunciou 50% para o Brasil. Em um cenário hipotético, pode negociar a redução da tarifa de importação do etanol americano de 18% para 0. Então ele abaixa os 50% de tarifas sobre produtos brasileiros para 20%. Alguém pode pensar: “O Brasil devia ficar feliz com isso”. Não. A tarifa não era de 25%, era de 2,5%.
IM: Mas agora, a partir dessa base de 52,2%, dá para pensar em algum patamar razoável para os quais o Brasil consiga caminhar diante de um esforço diplomático?
LF: O resultado dessas negociações é muito imprevisível. Tem que haver canal diplomático, boa relação e pragmatismo na relação. Isso se e é que os Estados Unidos perderão tempo com o Brasil. Não vamos esquecer, eles têm países muito mais importantes para negociar até o prazo estabelecido de 1º de agosto – Japão, Coreia do Sul, por exemplo.
Se o Brasil abrir o canal diplomático, é difícil prever o que os Estados Unidos podem oferecer. Uma coisa é fato: é quase impossível eles adotarem uma tarifa abaixo de 10%. Haja vista o acordo com o Reino Unido. Trump deu algumas concessões, mas manteve as tarifas em 10%. O Brasil já estava nesse patamar.
Monitor Digital - RJ 11/07/2025
A produção e as vendas de automóveis na China registraram aumentos de dois dígitos no primeiro semestre do ano (S1), um sinal de consumo doméstico vibrante na segunda maior economia do mundo, mostraram dados da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis nesta quinta-feira.
A produção de automóveis do país totalizou 15,62 milhões de unidades durante o período, um aumento de 12,5% em relação ao ano anterior, enquanto as vendas de automóveis aumentaram 11,4%, para 15,65 milhões de unidades.
Em particular, a produção de veículos de nova energia aumentou 41,4% em relação ao ano anterior, para quase 6,97 milhões de unidades nos primeiros seis meses, com vendas aumentando 40,3% em relação ao ano anterior, para cerca de 6,94 milhões de unidades.
IstoÉ Dinheiro - SP 11/07/2025
Veículos compactos produzidos no Brasil e com alta eficiência ambiental terão impostos de fabricação zerados. É o que prevê um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (10). A medida integra o Programa Nacional de Mobilidade Verde e Inovação (Mover), lançado no ano passado, que visa à descarbonização da frota automotiva do país, por meio de incentivos fiscais, especialmente em relação às alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Para ter direito ao IPI zero, o carro sustentável deve atender a quatro requisitos: emitir menos de 83 gramas de gás carbônico (CO2) por quilômetro, conter mais de 80% de materiais recicláveis, ser fabricado no Brasil (etapas como soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem), se enquadrar em uma das categorias de carro compacto (veículo de entrada das marcas).
O lançamento da inciativa ocorreu durante uma cerimônia, no Palácio do Planalto, com a participação do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, além de ministros, parlamentares e representantes do setor automotivo do país. O decreto assinado por Lula redefine a tabela do IPI, construída como um mecanismo de soma zero, em relação ao total de carros vendidos no Brasil. Com validade até dezembro de 2026, o decreto antecede os efeitos da reforma tributária, informou o Planalto.
“Carro sustentável sem aumentar impostos, zero aumento de imposto, sem onerar o fiscal, equilíbrio total, mas estimulando a descarbonização, a sustentabilidade e o social”, destacou Alckmin.
O decreto será publicado no Diário Oficial da União (DOU). Para os demais veículos que não se enquadrem no IPI zero, o texto estabelece um novo sistema de cálculo do imposto, que entra em vigor em 90 dias.
A nova tabela parte de uma alíquota base de 6,3% para veículos de passageiros e de 3,9% para comerciais leves, que será ajustada por um sistema de acréscimos e decréscimos. O cálculo levará em conta critérios como eficiência energética, tecnologia de propulsão, potência, nível de segurança e índice de reciclabilidade.
Segundo o governo, o veículos com melhores indicadores receberão bônus (descontos no imposto), enquanto os com piores avaliações sofrerão um acréscimo. Dessa forma, não haverá déficit fiscal na cobrança do imposto. Um carro de passeio híbrido-flex pode ter a alíquota reduzida em 1,5 ponto percentual, segundo a nova tabela. Se também atender ao critério de eficiência do programa Mover, perde mais 1 ponto, e se cumprir o nível 1 de reciclabilidade, perde outro. Com isso, o IPI desse veículo cai de 6,3% para 2,8%.
A estimativa do governo é de redução do IPI para 60% dos veículos comercializados no Brasil, com base no número de carros vendidos em 2024, sem impacto fiscal. O Mover prevê R$ 19,3 bilhões de créditos financeiros entre 2024 e 2028. A previsão da cadeia produtiva do setor, entre fabricantes, setor de autopeças e concessionárias, é que os investimentos associados ao programa atinjam até R$ 190 bilhões nos próximos anos.
“Um carro produzido hoje no Brasil polui 20 vezes menos do que um carro produzido no início dos anos 2000. De quando as políticas começaram a ser feitas, nós reduzimos no Brasil o consumo em 35% de combustível e, consequentemente, as emissões, não só de dióxido de carbono, mas também de nitrato e outros poluentes, diminuíram bastante. Essa previsibilidade, de política de Estado, é o que o Mover nos traz”, destacou o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet.
Valor - SP 11/07/2025
Uma equipe da montadora francesa busca pistas para desvendar a competitividade asiática.
Ivan Segal, diretor global de vendas da Renault, é um dos raros executivos de montadora ocidental que considera saudável a entrada dos chineses no mercado de veículos. A Renault, diz, tem até um grupo de pessoas na China para aprender com eles. Segundo o executivo francês, por meio de uma parceria com os chineses, a empresa conseguiu reduzir o tempo de desenvolvimento de um veículo de quatro anos para 23 meses.
O carro que, graças aos chineses, foi desenvolvido de forma mais acelerada pela Renault é o compacto Twingo elétrico, que está prestes a ser lançado na Europa. “Aprendemos muito, muito; desenvolvemos esse veículo com uma empresa chinesa”, afirma.
Segundo Segal, a Renault tem hoje na China uma equipe de 150 pessoas. “Eles não estão lá para vender carros; estão ali para entender, junto aos fornecedores, como os chineses fazem para conseguir um alto nível de competitividade”, destaca. “E estamos aprendendo”, completa.
O executivo lembra que há 30 anos, foram os chineses que aprenderam com os fabricantes ocidentais. Naquela época, montadoras europeias e americanas decidiram produzir na China. Mas o governo local impôs a obrigatoriedade de essas companhias fazerem joint ventures com empresas locais.
E foi assim que os chineses aprenderam a arte de produzir veículos em linhas de montagem. O movimento, agora, destaca Segal, segue caminho contrário. “Hoje aprendemos com eles como eles aprenderam conosco”, diz.
Para o executivo, a evolução da manufatura de veículos, pela China, não apenas interessa às marcas ocidentais, como, ainda, beneficia, mais ainda, os países que não adotaram medidas protecionistas contra os chineses, como é o caso do Brasil. “Aqui no Brasil muitas marcas chinesas vão poder produzir”, afirma. “As parcerias [com os chineses] trazem oportunidades de desenvolvimento de novas plataformas”, completa.
Renault e a chinesa Geely acabam de formalizar uma joint venture que será controlada pela montadora francesa. Um dos objetivos da parceria é a cooperação entre ambas para vender e, futuramente, produzir veículos no Brasil. Os modelos elétricos, uma especialidade chinesa, está no foco da Renault nesse acordo.
Os detalhes dos planos para futura produção de veículos da marca chinesa no Brasil ainda passam pela análise e autorização de ambas as partes e também dos órgãos regulatórios, segundo Ariel Montenegro, que a partir da próxima semana assumirá o cargo de presidente da Renault do Brasil.
Segal, que já foi presidente da Citroën no Brasil, veio ao país esta semana para participar do lançamento mundial do Boreal, um SUV médio que será produzido apenas em São José dos Pinhais (PR) e Turquia e vendido em 71 países.
O Brasil tem papel relevante no grupo Renault, que hoje registra 40% das vendas fora da Europa. O Brasil representa, para a montadora, o maior mercado depois da França. A Turquia aparece em terceiro, a Argentina em oitavo e a Coreia em nono.
No Brasil, a Renault tem renovado a linha de produtos de forma radical, a partir de uma nova plataforma. As mudanças no perfil dos modelos da marca absorveram grande parte do programa de investimentos de R$ 5,1 bilhões para o período de 2021 a 2027.
Um dos principais lançamentos dessa nova fase foi o Kardian, um SUV compacto produzido apenas no Brasil e Marrocos. Com o modelo, a marca, que ocupa o sexto lugar no mercado brasileiro, conseguiu, no primeiro semestre, aumentar as vendas em 9%, acima dos 5,05% do mercado.
O aumento das tarifas de importação dos Estados Unidos não preocupa Segal. “Não temos atividade nos Estados Unidos e nem na China; então somos um pouco protegidos”, destaca.
Para fugir das oscilações de tarifas, o executivo defende a descentralização da produção. Segundo ele, ao lado de Índia, Coreia, Colômbia, Argentina, Turquia e Marrocos, o Brasil tem se tornado um importante centro de produção e exportação da marca.
A aproximação dos chineses é um novo capítulo na história de parcerias da Renault, depois do enfraquecimento da aliança que tem com a Nissan desde 1999.
Em março, Renault e a Nissan concordaram em ajustar a parceria, abrindo caminho para venda de ações. O acordo reduziu a participação mínima com direito a voto que cada empresa deveria manter de 15% para 10%. Segal não entra em detalhes sobre a aliança. Ele diz que todos os acordos com a empresa japonesa foram cumpridos.
Exame - SP 11/07/2025
Ao percorrer as ruas das grandes cidades brasileiras, é fácil perceber o aumento da presença de carros chineses, especialmente no segmento de SUVs. A concorrência com marcas que já estão há décadas no Brasil levou as montadoras a desenvolver novas estratégias para não perder mercado e conquistar novos consumidores. A Ford, por exemplo, aposta no Territory para enfrentar a crescente presença dos carros asiáticos neste segmento de SUVs médios.
E a estratégia tem dado resultados. Com um parque circulante de 13.000 unidades do Territory no Brasil, mais de 40% das vendas ocorreram no último ano. Além disso, mais de 80% dos compradores são novos na marca. O crescimento do SUV, que já é vendido em mais de 70 mercados, reflete uma tendência crescente, também observada em outros países da América do Sul e no resto do mundo. Só no primeiro semestre deste ano, foram vendidos 2.317 modelos do carro.
O segredo desse sucesso está, em grande parte, na tecnologia embarcada no veículo e na sua produção chinesa. O Territory é montado na China, país dos principais concorrentes da Ford no Brasil. Para sustentar o crescimento, o modelo passou por mudanças pontuais no design, que conferem uma aparência mais sofisticada na versão 2026. A estratégia da marca foi manter o preço de R$ 215.000, de forma a competir de maneira mais agressiva no mercado.
“O Territory foi o produto da Ford que mais cresceu em 2024, e neste ano já avançou 9%. Ele é o segundo modelo mais vendido da marca no Brasil, atrás apenas da Ranger, e a expectativa com a chegada da nova linha é de um crescimento ainda maior”, afirma Dennis Rossini, gerente de marketing da Ford.
Aspectos físicos e adaptação ao mercado
O Novo Territory 2026 é 55 mm mais comprido, totalizando 4.685 mm, e apresenta elementos que refletem o DNA dos SUVs da Ford. Isso se deve principalmente à nova frente, que conta com faróis full-LED em formato de L, uma grade preta com detalhes cromados, além de um para-choque e logo Ford redesenhados.
O modelo também conta com rodas esportivas de 19”, acabamento escuro e cromado, pneus 235/50, maçanetas cromadas e para-choque traseiro de linhas retas – itens novos que conferem mais modernidade ao design. Embora produzido na China, o modelo passou por adaptações que atendem às necessidades dos consumidores brasileiros.
“Diferentemente de outros veículos fabricados na China, o Novo Territory foi desenvolvido com a participação da engenharia da América do Sul, sendo atualmente o modelo com o maior índice de qualidade da região”, explica Ariane Campos, supervisora de engenharia da Ford América do Sul.
O Novo Territory é equipado com motor 1.5 EcoBoost a gasolina, que combina turbo, injeção direta e comando variável, entregando 169 cv e torque de 250 Nm. Ele conta ainda com transmissão automática de sete marchas e dupla embreagem banhada a óleo. O modelo oferece quatro modos de condução: Normal, Eco, Trilha e Esportivo, além de freio eletrônico auto-hold.
Tecnologia
A cabine do Novo Territory também ganhou uma atualização tecnológica significativa. Tanto o painel digital quanto a central multimídia, ambos de 12,3 polegadas, receberam novos grafismos e softwares, especialmente ajustados às preferências do consumidor brasileiro. O modelo conta com conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, além de um sistema de áudio com efeito 3D. Também oferece carregador por indução, três portas USB-C, uma porta USB-A e uma tomada de 12V.
O novo SUV é 100% conectado, oferecendo todas as funcionalidades do aplicativo FordPass. O usuário pode realizar partida remota e agendada, travar e abrir portas, receber alertas e acompanhar o status do veículo (como odômetro, nível de combustível, pressão dos pneus, carga da bateria e localização), além de monitorar o alarme perimétrico.
Por fim, os bancos foram projetados para proporcionar maior conforto, com boa retenção lateral, acabamento microperfurado e novos encostos de cabeça, grandes e ergonômicos. O modelo também conta com ajustes elétricos em dez posições para o motorista e quatro para o passageiro, além de aquecimento e resfriamento.
Veja - SP 11/07/2025
O país foi pego de surpresa com o anúncio de Donald Trump de estipular tarifas de 50% contra produtos brasileiros. Os principais afetados são o agro e a indústria do aço. O Brasil já não é muito dependente dos Estados Unidos mas, para essas indústrias em particular, os Estados Unidos são importador importante. Porém, ainda que sejam dois mercados principais mais afetados a curto prazo e de forma direta, o impacto será para toda economia brasileira, inclusive para o mercado imobiliário.
O primeiro reflexo é a insegurança econômica. O anúncio das taxações ocorre em um momento em que o Brasil já enfrenta um ambiente interno delicado: inflação em alta, juros pressionados e um mercado cambial que reage mal a ruídos políticos e institucionais. A expectativa de uma escalada no dólar nos próximos dias é real e pode agravar ainda mais o custo de vida, pressionando preços de alimentos, combustíveis e insumos da construção civil.
Com o dólar em alta, inflação pressionada e risco fiscal em evidência, o Brasil entra numa fase de incerteza ainda maior. O mercado imobiliário, que vinha se apoiando no crescimento da renda e na expectativa de queda nos juros, agora precisa lidar com um novo cenário: menos previsibilidade, menos apetite por risco e mais dificuldade de acesso ao crédito.
Nesse contexto, surge uma dúvida que paira sobre o mercado: o Banco Central vai conseguir segurar a inflação e a instabilidade cambial? Se o dólar disparar, algo que realmente pode acontecer, haverá pressão adicional sobre os preços e risco de perda de controle inflacionário. Isso pode forçar uma manutenção, ou até elevação, da taxa Selic, que vinha com expectativa para queda. E juros altos impactam diretamente o crédito imobiliário, tornando o financiamento mais caro e afastando potenciais compradores.
No lado internacional, essa alta cambial e insegurança, praticamente fecha a porta para brasileiros que planejavam comprar imóveis nos Estados Unidos. Esse era um movimento cada vez mais comum entre investidores de alta renda, que buscavam proteger patrimônio em dólar e ter uma alternativa segura fora do Brasil. Agora, esse capital tende a ficar represado ou buscar outros destinos, como Portugal, Emirados Árabes e até países da América do Sul.
A dúvida que resta é se o Banco Central conseguirá manter o controle sem frear ainda mais a economia. Enquanto isso, investidores e profissionais do setor devem redobrar a atenção. O cenário mudou e quem não se adaptar rápido pode perder oportunidades ou, pior, assumir riscos desnecessários.
Valor - SP 11/07/2025
A alta é a maior taxa mensal desde julho de 2022.
A inflação medida pelo Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) subiu 0,88% em junho, ante 0,43% em maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta é a maior taxa mensal desde julho de 2022 (1,48%).
Com o resultado, o indicador alcançou 5,34% no resultado acumulado em 12 meses, ante 5,01% até maio.
O custo nacional da construção por metro quadrado em junho foi de R$ 1.842,65 em junho, sendo R$ 1.056,33 referentes aos materiais e R$ 786,32 à mão de obra. Em maio, esse custo totalizava R$ 1.826,53, sendo R$ 1.051,98 relativos aos materiais e R$ 774,55 à mão de obra.
Valor - SP 11/07/2025
Licitação de três lotes, marcada para este mês, tem gerado questionamentos de interessados.
O Metrô de São Paulo planeja realizar neste mês uma licitação bilionária para a construção da Linha 19-Celeste, entre o centro da capital e Guarulhos. A obra foi dividida em três lotes, com previsão de licitação em 22, 23 e 24 de julho - cada bloco em um dia.
Fontes do setor afirmam que este deverá ser o maior projeto de construção do país e, por isso, tem movimentado fortemente o mercado. Pelo mesmo motivo, grupos também já apontam possíveis questionamentos à concorrência.
Construtoras nacionais e estrangeiras estão analisando a licitação, segundo fontes. Entre elas, a Acciona com a Construcap, a Mendes Júnior com a Power China, a Sacyr com a Engibras, a Andrade Gutierrez, a Álya (Queiroz Galvão) e a OHLA. Ao menos quinze grupos já participaram de visitas técnicas para o projeto.
O valor previsto da obra não é divulgado pelo Metrô para não influenciar a licitação, que tem o menor preço como critério, mas o projeto total é estimado em ao menos R$ 20 bilhões - considerando não só obras, mas também sinalização e compra de trens, que serão contratados futuramente.
O cronograma da estatal prevê a assinatura dos contratos ainda neste ano. A ideia é que as desapropriações e projetos executivos avancem até o início de 2026, para que as obras comecem no primeiro semestre, afirmou Roberto Torres, diretor de engenharia e planejamento do Metrô. A expectativa é que o empreendimento fique pronto em 2031. Os lotes já têm licença ambiental prévia e processo de desapropriação iniciado, disse.
Porém, há perspectiva de que questionamentos possam comprometer as datas. A pedido do setor privado, o Metrô já adiou a entrega de propostas em 45 dias, porém alguns grupos ainda veem o prazo como exíguo demais.
Entre as preocupações apontadas por fontes, que pediram anonimato, estão a incerteza em relação ao financiamento das construtoras e também sobre qual será a real disponibilidade de recursos públicos para a obra até 2031.
Segundo fontes, a questão financeira é central pelo porte dos contratos e porque as empresas terão de desembolsar um valor elevado no início, para mobilizar o “tatuzão” (equipamento que faz a escavação dos túneis), mas só receberão depois de um período longo. Para um ator do setor privado, o modelo favorece construtoras estrangeiras, que têm acesso a financiamento fora do país, mais barato.
Segundo Torres, os recursos para a construção deverão vir do orçamento do Estado, que não tem problemas de caixa. “Neste ano, já tem R$ 400 milhões reservados a desapropriações. Para 2026 também deverá haver uma reserva no orçamento”, disse. “Temos um planejamento forte do Metrô e não tem faltado dinheiro para cumprir o cronograma das obras.”
Sobre o financiamento, ele afirmou que não há uma linha previamente negociada, mas que instituições como o Banco Mundial e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) têm apoiado as obras do Metrô. “Temos tido bancos como parceiros, principalmente o BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento], o BIRD [Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento] e o BNDES.”
Outras críticas apontadas pelo setor privado se referem a atestações técnicas exigidas pelo edital, que seriam muito restritas, e erros na planilha de quantidades, usada para o cálculo do orçamento.
Sobre a necessidade de ajustes nas planilhas, Torres afirmou que o Metrô avalia o projeto como aderente, mas que há espaço para revisões. “O contrato tem mecanismos para ajustes, caso haja justificativa. Não vejo como uma dificuldade para a contratada não participar.” Em relação às atestações, ele diz que houve um cuidado para que os requisitos não deixassem de fora nenhum grupo que já atua em obras do Metrô, e que foram seguidas súmulas do tribunal de contas.
Procuradas, OHLA, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão preferiram não comentar. A Acciona disse que “está constantemente analisando oportunidades que estejam alinhadas à sua estratégia de negócios”. Sacyr, Engibras, Construcap e Mendes Júnior não responderam. A reportagem não obteve contato com a Power China.
Ao ser perguntado sobre o risco de a construção repetir o histórico de atrasos, Torres disse que o projeto tem planejamento estruturado e recursos disponíveis. “Os atrasos do passado não foram necessariamente causados por falta de planejamento. À época da Operação Lava-Jato, fomos fortemente impactados por contratadas que não conseguiram performar.” Além disso, ele afirmou que a divisão da obra em três blocos dará celeridade, porque serão três “tatuzões” trabalhando simultaneamente.
A licitação para as obras da Linha 19 ocorre em paralelo a estudos do governo para uma futura concessão do trajeto, que poderá se dar em bloco com uma linha já existente. A previsão da Secretaria de Parcerias de Investimentos é concluir os estudos da concessão e lançar a consulta pública no segundo semestre de 2025.
Devido à perspectiva de concessão da linha, ainda está em aberto como será a contratação das demais etapas do projeto. A possibilidade, afirmou Torres, é que a linha 19 siga o mesmo modelo feito na Linha 4-Amarela, em que as obras foram feitas pelo Estado e depois a concessão da operação foi feita juntamente com o serviço de sinalização e a compra dos trens.
Diário do Comércio - MG 11/07/2025
Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), vai receber um dos investimentos mais esperados das últimas décadas para melhorar a mobilidade urbana e impulsionar o desenvolvimento logístico e industrial. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) anunciou, nesta semana, a liberação de mais de R$ 300 milhões para obras na rodovia Fernão Dias: a construção de duas trincheiras na BR-381 e para a ampliação de dois viadutos em pontos estratégicos da cidade.
As obras, que devem começar no primeiro trimestre de 2026, são resultado de um trabalho articulado entre a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), a ANTT, e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
“Isso foi fruto do trabalho coletivo existente entre os técnicos da agência e a política, muito bem feita pelo presidente Rodrigo e a prefeita Marília”, reforça o diretor da ANTT, Guilherme Sampaio.
As intervenções vão beneficiar diretamente a região do Jardim Riacho das Pedras, área que concentra grande número de moradias e é também um importante polo logístico e industrial, com a presença de empresas e galpões próximos ao Distrito Industrial de Contagem.
Economia Obras de duplicação da BR-381 serão iniciadas ainda este ano, diz ministro
“Valeu muito a pena nossa luta. Estas obras são fundamentais para a integração da cidade, para melhorar a mobilidade entre bairros importantes e acabar com os congestionamentos crônicos e garantir maior segurança aos motoristas. As melhorias vão beneficiar não apenas nossa cidade, mas toda a Região Metropolitana de Belo Horizonte”, destaca Marília Campos.
Obras serão apresentadas no aniversário de Contagem
O senador Rodrigo Pacheco destacou a relevância regional do projeto. “Essa demanda é muito importante para a Região Metropolitana de Belo Horizonte, pois são obras relevantes que há anos vêm sendo reivindicadas pela prefeita Marília e, hoje, nós temos a constatação de que elas são possíveis”.
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A apresentação oficial do projeto e do cronograma das obras será feita no dia 7 de agosto, durante as comemorações do aniversário de Contagem. “Essa será a primeira grande atividade das festividades, com entrega de algo concreto que vai transformar a mobilidade urbana e logística da cidade”, completou Marília.
Intervenções vão destravar gargalo logístico em Contagem
Segundo a prefeita, a primeira trincheira será construída nas proximidades da avenida Fúlvio de Matos e a segunda, na região da Toshiba. “É um sonho antigo de Contagem e de toda a Região Metropolitana que agora começa a se concretizar”.
As intervenções devem resolver gargalos históricos em pontos congestionados da BR-381, especialmente nos cruzamentos próximos ao Carrefour e ao bairro Jardim Riacho das Pedras.
Além das trincheiras, está prevista a ampliação de dois viadutos, o que deve facilitar o escoamento da produção industrial da cidade, melhorar o transporte de cargas e atrair novos investimentos para o setor logístico da região. Com essa estrutura, empresas instaladas do outro lado da rodovia terão acesso mais ágil ao centro urbano e aos principais corredores de transporte.
“Minas vai passar por grandes transformações estruturais graças à política do governo federal, junto com a ANTT, para poder ter a infraestrutura necessária nas nossas rodovias”, ressalta Pacheco.
InfraRoi - SP 11/07/2025
O governo de Paraná planeja investir R$ 400 milhões na duplicação o Contorno Sul Metropolitano de Maringá (Avenida Sincler Sambatti) com concreto. A obra será bancada pelo governo estadual por meio de um convênio com a Prefeitura de Maringá, como aponta a Secretaria de Infraestrutura e Logística do Paraná.
A duplicação do Contorno Sul é uma obra aguardada há décadas pela população e pelo setor produtivo da região. O trecho é usado para escoar o trânsito metropolitano, especialmente das cidades de Paiçandu, Sarandi e Marialva, e por motoristas que saem da cidade em direção a Paranavaí ou Campo Mourão. Atualmente, o local registra fluxo intenso de carros e caminhões, o que faz do Contorno Sul um trecho perigoso para os motoristas e ineficiente para caminhoneiros, devido aos buracos e ao desgaste do pavimento.
O projeto, doado pelo setor produtivo local, prevê duplicação de aproximadamente 12 quilômetros de extensão em concreto, com viadutos e passarelas ao longo do trajeto. O contorno inicia na PR-317 e segue até a BR-376. Ao longo do trajeto, o projeto criará novos acessos à Avenida Pioneiro Maurício Mariani, à Avenida Carlos Correa Borges, à Avenida Joaquim Duarte Moleirinho, à Avenida Guedner, à Avenida Carmen Miranda e à Rua Mário José de F. Ferraz.
O trecho será duplicado em concreto, que é um pavimento mais adequado para vias com trânsito pesado, dentro de um programa do Estado que já contempla 500 quilômetros de rodovias. O pavimento rígido tem maior resistência ao desgaste causado pela circulação constante de veículos de carga, com o dobro da durabilidade do asfalto.
O concreto também apresenta custo de manutenção significativamente mais baixo em comparação às pistas de asfalto, fazendo com que a obra seja mais viável economicamente no longo prazo.
Projeto de duplicação com concreto da PRC-466 já chegou a 40%
A duplicação da PRC-466 entre Guarapuava e o distrito de Palmeirinha, na região Centro-Sul do Estado, chegou a 40% de execução – um avanço de 9% em apenas um mês. As obras estão dentro do cronograma previsto, a ser concluído até o fim de fevereiro de 2026, com avanço sobretudo nos trabalhos de terraplenagem, que está em fase final, e na concretagem da nova pista.
O projeto contempla 11,52 quilômetros de extensão e recebe um investimento de R$ 139,8 milhões do Governo do Estado, por meio do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), órgão vinculado à Secretaria de Infraestrutura e Logística. Até o momento, cerca de R$ 54 milhões já foram repassados à empresa responsável pela obra a partir de medições do avanço dos trabalhos.
A intervenção inclui a construção de uma pista adicional feita totalmente em pavimento rígido de concreto. Paralelamente, a pista atual está recebendo reparos preliminares para, na sequência, receber uma camada de concreto sobre o asfalto, por meio da técnica whitetopping, oferecendo maior durabilidade e menor necessidade de manutenção.
Na PRC-466, a terraplenagem – etapa que envolve a movimentação de solos e preparação da plataforma – é uma das frentes mais adiantadas e já alcança 80% de execução. O serviço inclui o desmonte de rochas com uso de explosivos, em operações controladas e previamente comunicadas à população, exigindo interdições temporárias do tráfego.
Também estão em andamento a implantação do novo sistema de drenagem e a construção de uma galeria celular. Nas etapas seguintes, serão executados a sinalização vertical e horizontal, dispositivos de segurança viária, iluminação pública e demais serviços complementares. A obra inclui, ainda, a construção de uma nova ponte sobre o Rio Coutinho, que já foi concluída.
A Tribuna - SP 11/07/2025
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) autorizou nesta quarta (9) a instalação de um novo terminal de passageiros na Ponta da Praia, em Santos, orçado em R$ 1,247 bilhão. Por meio do contrato de adesão 4/2025, o MPor dá o aval administrativo para o investimento, que ainda precisará de uma série de licenças para que seja construído. O empreendimento já havia conseguido autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
O projeto, denominado Santos Vivo, é da empresa Transbrasa, que possui terminal retroportuário em Santos. O novo equipamento para cruzeiros se estenderia em paralelo ao canal de navegação do Porto, às margens da Baía de Santos, em uma área de 294 mil metros quadrados (m²).
Em nota enviada para A Tribuna, a Transbrasa ressaltou que o anúncio cumpre uma etapa fundamental para a continuidade dos estudos técnicos com vistas à futura implantação.
“É um projeto que elevará o patamar de Santos mundialmente, em termos turísticos e portuários. Vai contribuir para o desenvolvimento da Cidade, atendendo as demandas projetadas para os aspectos portuário, turístico e de sustentabilidade”, destacou a empresa.
O empreendimento precisará de autorização da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), por ser área federal, da Marinha (por conta do canal de navegação), da Prefeitura (para estar em conformidade com a atividade permitida no bairro) e licenciamento ambiental.
Em julho do ano passado, A Tribuna publicou reportagem sobre a intenção de implantar esse projeto em Santos. Na ocasião, especialistas classificaram a proposta como inviável, por conta dos impactos aos moradores da Ponta da Praia, e por não ter demanda para dois terminais de passageiros em Santos.
Vale lembrar que o atual terminal Giusfredo Santini, administrado pelo Concais, em Outeirinhos, deve ser transferido para o Valongo. A ideia é construir um espaço moderno e com capacidade ampliada para navios, revitalizando a área. O custo da laje para a implantação nesse local na água, em frente ao Parque Valongo, seria de responsabilidade da empresa vencedora do leilão do Tecon Santos 10, que ficará ao lado, no cais do Saboó.
Autorizações
O novo terminal da Ponta da Praia foi apenas uma das autorizações assinadas ontem pelo MPor. A pasta ainda deu aval para a implantação de outros quatro novos terminais portuários e a expansão de mais quatro já existentes, em cinco estados brasileiros. Os investimentos privados chegam a R$ 4,7 bilhões.
Com as autorizações assinadas, as empresas responsáveis poderão iniciar as obras. A previsão é que os primeiros serviços comecem ainda no segundo semestre de 2025, com operações sendo iniciadas progressivamente a partir de 2026. A expectativa é que os empreendimentos gerem mais de 10 mil empregos diretos e indiretos nas fases de construção e operação.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirma que o Brasil tem um potencial logístico crescente, principalmente para a exportação de alimentos para Ásia, Europa e países da própria América do Sul. “A nossa expectativa é de um crescimento médio entre 3% e 6% nos próximos anos”, projetou.
De acordo com o secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, cerca de 65% da movimentação de cargas no Brasil é por meio de terminais de uso privado (TUPs). “São fundamentais para garantir eficiência e competitividade logística no País”.
Petro Notícias - SP 11/07/2025
A companhia norueguesa Solstad Offshore (SOFF) recebeu a aprovação do conselho de administração para o envio de uma embarcação do tipo AHTS (Anchor Handling Tug Supply) para cumprir um contrato de longo prazo com a Petrobrás.
O acordo, que havia sido anunciado em maio, foi agora formalizado. Trata-se de um contrato de quatro anos para a embarcação Normand Turquesa, com início previsto para fevereiro de 2026. O valor total do contrato é de aproximadamente US$ 84 milhões.
Construído em 2007, o Normand Turquesa tem projeto UT 722 L e capacidade para acomodar até 30 pessoas. Com esse novo compromisso, a embarcação permanecerá totalmente contratada até fevereiro de 2030, segundo a Solstad.
Outras duas embarcações da frota da empresa, Normand Sigma e Normand Sirius, também tiveram suas designações aprovadas pelo conselho no início de junho, dois meses após os anúncios iniciais. As operações com os dois navios estão previstas para começar no primeiro trimestre de 2026, com contratos que terão duração de quatro anos e valor bruto combinado de aproximadamente US$ 210 milhões.
TN Petróleo - RJ 11/07/2025
No mês de junho, a cidade de Presidente Prudente iniciou obras para o abastecimento urbano de gás biometano, e se tornou o primeiro município do Brasil a utilizar a fonte renovável para fornecimento urbano. A iniciativa visa o impulsionamento da transição energética e a redução da emissão de gases de efeito estufa.
Na cidade, um investimento de R$12 milhões, conduzido pela empresa Nécta Gás Natural, está viabilizando a instalação do primeiro gasoduto destinado ao transporte de biometano. Com 40 km de rede na cidade, a expectativa é de atender 5 mil pessoas, além de 58 estabelecimentos. O gás será distribuído pela Usina Cocal, no município de Narandiba, cidade próxima a Presidente Prudente.
“Com este projeto pioneiro em Presidente Prudente, São Paulo reforça ainda mais o seu compromisso com a sustentabilidade, a transição energética. É o começo de uma virada de chave nesta questão, e esperamos que a iniciativa possa impulsionar a utilização de fontes renováveis no estado de São Paulo, e em todo o país”, ressaltou o Secretário de Agricultura e Abastecimento, Guilherme Piai.
A Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do Instituto Agronômico (IAC-Apta), desenvolve o Programa Cana IAC, que completou 30 anos em 2024, e formulou e aprimorou importantes avanços para a cultura da cana-de-açúcar no Brasil. Suas principais contribuições incluem o desenvolvimento de variedades de cana com alta produtividade e adaptabilidade a diferentes ambientes, a criação de pacotes tecnológicos para o manejo da cultura, e a colaboração na formação de programas de melhoramento genético, o que impulsionou o setor sucroenergético no território paulista.
Outra medida que impulsionou a transição energética no estado de São Paulo foi a parceria da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) e a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (SEMIL), por meio da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), que em 2024, apresentou o procedimento de licenciamento ambiental das plantas de produção de biocombustíveis do setor sucroenergético.
Pré-sal caipira
O estado de São Paulo possui aproximadamente 5.5 milhões de hectares destinados à cultura da cana-de-açúcar e se destaca como o maior produtor do Brasil, sendo responsável por grande parte da produção nacional. Resíduos da cana-de-açúcar, como bagaço, palha, vinhaça e torta de filtro, são utilizados na produção de biogás. O biogás gerado a partir desses resíduos pode ser purificado para produzir biometano, que irá passar a ser distribuído no município de Presidente Prudente.
O setor é historicamente reconhecido por sua importância estratégica, principalmente durante a Crise do Petróleo, nos anos de 1970, em que o etanol, produzido a partir da cana, reduziu a dependência brasileira do petróleo importado, incentivando a produção e o uso do etanol como alternativa.
Gás Biometano
O gás biometano é um biocombustível obtido a partir da purificação do biogás, produzido pela decomposição de matéria orgânica. Após sua purificação, o biometano fica com uma composição e características parecidas com a do gás natural.
Estudo da Fiesp e do Governo de SP de 2024 apontou que a expansão da produção de biometano pode gerar até 20 mil empregos e reduzir em até 16% as emissões previstas nas metas climáticas do Estado. A produção pode crescer de 0,4 milhão para 6,4 milhões de m³/dia, suprindo 40% da demanda de gás natural.
Petro Notícias - SP 11/07/2025
A Petrobrás faz um novo movimento exploratório importantíssimo na Bacia de Campos. A empresa iniciou nesta semana a perfuração do poço pioneiro (1-BRSA-1401D-RJS) do bloco de Água Marinha, em lâmina d’água de 2,6 mil metros. A atividade está sendo realizada com o navio-sonda Deepwater Aquila, que é de propriedade da Transocean.
O bloco de Água Marinha, no pré-sal da Bacia de Campos, foi arrematado em 2022, durante o primeiro ciclo da Oferta Permanente da Partilha. A Petrobrás é a operadora da área, com 30% de participação, em parceria com TotalEnergies (30%), Petronas (20%) e QatarEnergy (20%).
Como já noticiamos, a Petrobrás pretende dobrar sua produção de petróleo e gás natural na Bacia de Campos nos próximos dez anos — passando dos atuais 500 mil barris de óleo equivalente por dia (boed) para 1 milhão de boed até 2035.
IstoÉ Dinheiro - SP 11/07/2025
O Brasil está em trajetória de crescimento significativo no mercado de petróleo, com aumento na demanda, consumo e produção nas próximas décadas, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (10) pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O país, que já é o oitavo maior exportador global da commodity, deve ver sua demanda saltar de 3,4 milhões de barris por dia (bpd) em 2024 para 4,8 milhões de bpd em 2050, um aumento de 40%, impulsionado principalmente pelo transporte rodoviário e pela aviação.
Já a produção nacional de líquidos deve atingir 5,8 milhões de bpd no final dos anos 2030, sustentada pelos campos do pré-sal e pela exploração na Margem Equatorial, nova fronteira offshore que pode adicionar 1,1 milhão de bpd a partir de 2029. “O Brasil está entre os principais impulsionadores do crescimento futuro do fornecimento global de petróleo fora da Opep”, destaca o relatório.
A produção de petróleo bruto no país já subiu de 2,1 milhões de bpd em 2010 para 3,4 milhões de bpd em 2024, com expectativa de ultrapassar 4 milhões de bpd em 2028 e se estabilizar em 4,7 milhões de bpd na década de 2030. O pré-sal, responsável pela maior parte desse crescimento, consolida o Brasil como um dos principais players mundiais, com petróleo de baixa intensidade de carbono.
O consumo interno também segue em alta, com diesel e gasolina liderando, representando juntos cerca de 70% da demanda por derivados. O transporte rodoviário, essencial para o agronegócio, deve puxar o consumo de diesel (+42% até 2050), enquanto a aviação impulsionará o querosene de aviação (+58%) no período.
Em 2024, o petróleo se consolidou como o principal produto de exportação brasileira, gerando US$ 44,8 bilhões e respondendo por 13,3% das vendas externas do país. A China se mantém como principal destino, absorvendo 44% do total exportado, seguida pelos EUA com 12%.
TN Petróleo - RJ 11/07/2025
As ações do setor de "Petróleo, Gás e Combustíveis" tiveram a maior distribuição de dividendos médio ao longo do ano de 2024, com 11,45%, seguidas pelos papéis de "Utilidade Pública" (média de 8,98%), e pelos do setor de "Consumo Cíclico" (média de 7,99%). As informações são de um levantamento inédito realizado com dados da B3, a bolsa do Brasil, e da Neoway, marca da B3.
"O fato de estes setores terem sido os que mais distribuíram proventos no ano passado evidencia um equilíbrio entre empresas cíclicas e não cíclicas, e que investidores buscam tanto estabilidade quanto oportunidades de crescimento", diz Diego Araujo, head de Mercado de Capitais na Neoway.
O estudo calculou a rentabilidade dos proventos distribuídos por todos os tickers da B3 no ano passado em relação aos preços de suas cotas, indicador conhecido como dividend yield. Ao relacionar a distribuição de proventos com os preços das cotas, o dividend yield permite uma avaliação mais precisa do retorno proporcionado pelos papéis em relação ao seu valor de mercado. Ainda assim, é importante ressaltar que yields muito altos podem decorrer de ações deprimidas ou políticas de dividendos insustentáveis por longos períodos.
Considerando os setores com maior dividend yield registrados em 2024, o estudo aponta que as alavancas em "Óleo e Gás" foram os subsetores de exploração, refino e distribuição. Entre os destaques nesse segmento, estão Petrobras (PETR4), 21,95% e PetroRecôncavo (RECV3), 16,97%.
Em "Utilidade Pública", empresas de energia elétrica, gás e saneamento chamaram a atenção. No subsetor energia, contribuíram para elevar a média papéis como Elektro (EKTR3), 25,25% e Rio Paranapanema Energia (GEPA3), 20,81%. Historicamente, os tickers de energia são visados por investidores em busca de dividendos devido à sua natureza estável e previsível, com receitas recorrentes e contratos de longo prazo.
No subsetor de gás, o destaque do dividend yield distribuído foi para a Comgás (CGAS5): 18,53%; no de água e saneamento, a Copasa (CSMG3) registrou yield de 12,70%.
O desempenho do setor de "Consumo Cíclico" foi impulsionado por subsetores como eletrodomésticos, calçados e incorporações, refletindo o potencial de diversificação desta categoria de ativos. Entre os papéis que melhor desempenharam, estão Even Construtora (EVEN3), 21,54% e Vulcabras (VULC3), 19,48%.
Ações que mais se destacaram
O papel com o maior retorno de dividendos em relação ao preço de suas ações foi o Embpar Participações (EPAR3), com dividend yield de 72,6%. O segundo lugar ficou com SYN Prop & Tech (SYNE3), com dividend yield de 52%.
Na sequência, praticamente empatados, aparecem os papéis nima Educação (ANIM3) e Allied Tecnologia (ALLD3), com dividend yield de 29,8% e 29,7%, respectivamente. O quinto lugar ficou com Panatlantica (PATI3), com dividend yield de 25,2%.
Quando analisadas as ações que apresentaram as maiores valorizações reais em 2024 - cálculo que considera tanto o yield quanto a valorização da cota - , os principais papéis foram: SYN Prop & Tech (SYNE3), 230,4%; Elektro (EKTR4), 87,5% e Panatlantica (PATI4), 75,5%.
Metodologia
O estudo considerou dividendos, juros sobre capital próprio e rendimento como proventos distribuídos ao longo de todo o ano de 2024 de acordo com as respectivas datas de pagamentos. A depender da metodologia de cálculo utilizada, pode haver alterações mínimas nos percentuais da distribuição de proventos.
Para o cálculo do dividend yield anual e valorização das cotas, foram considerados o primeiro e o último preço de fechamento ajustados a eventos corporativos de cada ticker do ano de 2024.
A setorização de Ações e Units segue com a segmentação disponível no site da B3.
Sobre a Neoway - Fundada em Florianópolis, a Neoway lançou a sua plataforma SaaS em 2012, e, em 2021, passou a integrar a B3, a bolsa do Brasil. A marca de Dados e Analytics oferece soluções inteligentes que transformam informação em conhecimento para negócios e geram produtividade e precisão para as estratégias de marketing e vendas, compliance, prevenção contra perdas e mercado de capitais. A Neoway atende aproximadamente 20 grandes setores, como financeiro, automotivo, bens de consumo, cobrança e recuperação, construção civil, óleo e gás, saúde. Para mais informações, acesse ao site: Link
Sobre a B3 - A B3 S.A. (B3SA3) é uma das principais empresas de infraestrutura de mercado financeiro do mundo e uma das maiores em valor de mercado, entre as líderes globais do setor de bolsas. Conecta, desenvolve e viabiliza o mercado financeiro e de capitais e, junto com os clientes e a sociedade, potencializa o crescimento do Brasil. Com sede em São Paulo e escritórios em Chicago, Londres, Singapura e Xangai, desempenha funções importantes no mercado pela promoção de melhores práticas em governança corporativa, gestão de riscos e sustentabilidade.
TN Petróleo - RJ 11/07/2025
A Comgás, maior distribuidora de gás encanado da América Latina, recebeu 41 propostas em sua mais recente chamada pública para contratar suprimento de gás natural, visando atender seus consumidores do mercado cativo, com foco em obter mais flexibilidade e competitividade.
As 41 propostas recebidas correspondem aos seguintes modelos de contratação descritos no edital da referida chamada pública:
Firme inflexível, com compromisso de entrega de 100%: 8 propostas
Firme flexível, com compromisso de entrega inferior a 100%: 7 propostas
Opção compra compradora (call): 3 propostas
Longo prazo, para ofertas com vigência superior a 3 anos: 6 propostas
Flexibilidade, relativa ao direito de a compradora revisar seu volume contratado: 2 propostas
Termos e Condições Gerais/Master/Guarda-Chuva, que trazem mais opcionalidade na gestão de portfólio no curtíssimo prazo: 15 propostas
Gás natural
O gás natural tem inúmeros benefícios. Além de ter um fornecimento constante e eficiente, o que elimina a necessidade de armazenamento e transporte de gás em botijões ou cilindros, ele é seguro por ser mais leve que o ar e se dissipar com facilidade. Isso reduz o risco de acidentes e aumenta a segurança geral, especialmente em residências e edifícios comerciais. Em sua área de concessão, a Comgás disponibiliza suporte com atendimento emergencial 24h por dia e 7 dias por semana, por meio de seus canais de atendimento, além de pagamento apenas após o consumo.
Sobre a Comgás - A Comgás possui mais de 23 mil quilômetros de rede de distribuição de gás encanado em 96 municípios, abastecendo os segmentos industrial, comercial, residencial e automotivo, além de viabilizar projetos de cogeração e disponibilizar gás para usinas de termogeração. A companhia atende mais de 2,6 milhões de clientes em sua área de concessão no estado de São Paulo: a Região Metropolitana de São Paulo, a Região Administrativa de Campinas, a Baixada Santista e o Vale do Paraíba.
Infomoney - SP 11/07/2025
As novas tarifas de importação dos EUA contra o Brasil, estipuladas em 50% pelo governo do presidente Donald Trump, trouxeram incertezas e preocupação para o setor de petróleo e gás, que representa 17% do PIB industrial do país e gerou US$ 44,8 bilhões em exportação em 2024.
Em nota, o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), principal porta-voz da área, afirmou que defende o diálogo entre as lideranças para reverter o percentual da alíquota.
Solução diplomática
Para o IBP, é preciso preservar a estabilidade institucional e o fluxo comercial entre os dois países. “O IBP defende o diálogo aberto entre as lideranças brasileiras e norte-americanas a fim de encontrar uma solução diplomática para esta questão e preservar a estabilidade institucional e o fluxo comercial entre as duas maiores economias do continente”, diz a instituição.
O petróleo bruto é hoje o principal item na pauta de exportações para os EUA. O setor gera 1,6 milhão de empregos diretos e indiretos no país, segundo o IBP.
Entre 2021 e 2023, as exportações líquidas de petróleo atingiram US$ 92,7 bilhões em receitas para o país, também de acordo com a entidade.
“Avaliamos com cautela os reais impactos sobre investimentos e competitividade da nossa indústria, que conta com mais de 40 mil empresas atuando diretamente no Brasil”, diz a nota.
A Casa Branca afirma que o objetivo da tarifa é “corrigir desequilíbrios”, embora os EUA tenham fechado 2024 com superávit de US$ 7,4 bilhões na balança de bens com o Brasil.
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