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30 de Julho de 2026

SIDERURGIA

O Estado de S.Paulo - SP   30/07/2026

A Companhia Siderúrgica Nacional deve anunciar nos próximos dias uma emissão de títulos de dívida no exterior (bonds) para buscar cerca de US$ 1 bilhão, apurou a Broadcast. Com os recursos, a CSN pretende rolar parte dos bonds que vencem em 2028 e somam US$ 1,3 bilhão. A rolagem, que está em negociação com os credores, teria prazo de apenas dois anos, o que significa que os novos títulos serão emitidos com vencimento em 2030. Segundo fontes, a companhia se comprometeu a pagar US$ 300 milhões desses bonds em dinheiro, ao valor de face, utilizando o próprio caixa.

Esse é o maior vencimento em títulos no exterior da companhia, que tem trabalhado em uma série de iniciativas para melhorar o perfil de sua dívida. Ao todo, os vencimentos da CSN somam R$ 11,74 bilhões em 2028, sendo R$ 7,9 bilhões no mercado de capitais e outros R$ 3,7 bilhões com bancos.

Segundo fontes, a empresa deve buscar uma taxa de juro (cupom) para os bonds 2030 entre 9% e 10%, mas os detentores dos papéis com vencimento em 2028 pedem taxas entre 10% e 11%. A leitura é a de que a CSN, se não conseguir emplacar a taxa desejada, acabará se aproximando da pretendida pelos credores.
Empresa irá testar apetite do mercado

A emissão será anunciada com montante benchmark, ou seja, a partir de US$ 500 milhões e a empresa vai testar o apetite do mercado para um volume maior, dentro de um custo que considere adequado. O ponto de partida costuma ser o preço de negociação no mercado secundário somado a um prêmio. Dado que a empresa tem sido vista como de maior risco e já está engajada na reestruturação de seu passivo, o mais provável é que os investidores peçam um prêmio maior para comprar o papel, disse uma das fontes ouvidas.

Em maio, a Moody’s rebaixou a nota de crédito da companhia de B2 para Caa1 na escala global, mantendo perspectiva negativa para a companhia e suas emissões de dívida. A decisão refletiu, segundo a agência, a deterioração do perfil financeiro da empresa, marcada por elevada alavancagem, pressão de liquidez e riscos crescentes de refinanciamento. Antes disso, em março, a agência de risco S&P Global rebaixou o rating em escala global de B+ para B, com perspectiva negativa. Segundo a classificadora, a decisão ocorreu pela empresa apresentar alavancagem persistente nos últimos tempos.

A CSN tinha intenção de captar recursos para resolver esse vencimento de 2028 desde o início do ano, mas acabou tendo de adiar a transação em meio à aversão ao risco dos estrangeiros a papéis brasileiros, na esteira da recuperação judicial da Ambipar e das renegociações de dívida de outros grandes conglomerados brasileiros como Raízen e Braskem.

Siderúrgica já tomou empréstimo em abril

Em meados de abril, a CSN fechou um empréstimo com um sindicato de bancos no valor de US$ 1,2 bilhão a US$ 1,4 bilhão. Esse empréstimo tem duração de cinco anos e visa antecipar parte dos recursos que serão levantados com a venda de ativos da companhia, e coloca a própria operação de cimentos como o principal colateral da operação. A taxa de juros a ser paga pela companhia no empréstimo, no entanto, pode aumentar de forma progressiva, condição que existiria essencialmente para pressionar a CSN a vender a divisão de cimentos o mais rápido possível.

Procurada, a empresa não respondeu até a publicação desta reportagem.

CNN Brasil - SP   30/07/2026

O ministro do Comércio da China, Wang Wentao, expressou "profunda preocupação" com a nacionalização da British Steel no Reino Unido e apelou para que os britânicos sigam as normas internacionais, em conversa com o recém-empossado secretário de Negócios e Comércio do Reino Unido, Jonathan Reynolds.

O ministro chinês pediu ainda para que os britânicos "honrem efetivamente" as obrigações decorrentes do Acordo de Proteção ao Investimento China-Reino Unido, resolvam a questão "de forma prudente e estável" e criem um ambiente de negócios favorável para as empresas de capital chinês no Reino Unido.

"O Reino Unido compreende e valoriza as preocupações da China em relação à questão do aço britânico e, em conformidade com as leis pertinentes, contratará uma agência de avaliação de terceiros para realizar uma análise independente", disse o Ministério do Comércio chinês, em comunicado publicado nesta quarta-feira. A British Steel era propriedade da chinesa Jingye.

Valor - SP   30/07/2026

Ebitda avançou para US$ 2,06 bilhões, ante US$ 1,86 bilhão no mesmo período do ano anterior, aumento de 10,8%

A ArcelorMittal registrou um lucro líquido menor do que o apurado em igual período do ano anterior, mas afirmou observar perspectivas melhores para os seus negócios na Europa.

A siderúrgica sediada em Luxemburgo informou que seu lucro líquido no segundo trimestre caiu para US$ 683 milhões, vindo de US$ 1,79 bilhão no mesmo período do ano passado - recuo de 62%. O resultado ficou abaixo dos US$ 802 milhões previstos pelos analistas, segundo consenso de estimativas fornecido pela própria companhia.

A ArcelorMittal destacou que medidas protecionistas favoráveis ao comércio aprimoraram as perspectivas para suas operações europeias. De forma geral, a empresa projeta que as vendas do segundo semestre superem as do primeiro semestre do ano.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) — uma das principais métricas de rentabilidade do grupo — avançou para US$ 2,06 bilhões, ante US$ 1,86 bilhão no mesmo período do ano anterior, aumento de 10,8%.

A companhia produziu 14,3 milhões de toneladas métricas de aço bruto ao longo do trimestre, uma ligeira queda em relação ao mesmo período do ano passado.

A ArcelorMittal manteve suas projeções financeiras inalteradas.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   30/07/2026

O presidente Trump está produzindo uma reviravolta na ordem econômica mundial. Jogou o livre comércio no lixo e decretou o intervencionismo do Estado.

Segue-se a pergunta da hora: até que ponto esse rodopio é coisa exclusiva do presidente Trump e do Partido Republicano, que poderia ser revertida com mudança de governo, a partir do dia em que o Partido Democrata recuperasse a presidência dos Estados Unidos?

Os analistas políticos já levam em conta a possibilidade de que o presidente Trump perca a maioria nas duas casas do Congresso nas eleições de novembro. A forte queda da popularidade de Trump parece fortalecer esse resultado.

Mas, atenção, a resposta à pergunta acima é complexa. Já foi lembrado em outra edição desta Coluna que, embora seja forte adversário eleitoral de Trump e dos políticos do Partido Republicano e combata a atual política contra a imigração, o Partido Democrata não apresentou até agora projeto ou o equivalente, que pudesse se contrapor ao MAGA, ao Make America Great Again.

Não está claro se, de volta ao poder, o Partido Democrata seja capaz de reverter a política de Trump. A administração Joe Biden, que sucedeu em 2021 ao primeiro mandato de Trump, manteve muitas das políticas e determinações de Trump, como se vê a seguir.

As tarifas de importação, de 25%, impostas por Trump à China, em 2018, correspondentes a US$ 50 bilhões anuais, não só foram mantidas por Biden; mais do que isso, foram aumentadas para setores estratégicos, como veículos elétricos, semicondutores, painéis para energia solar, aço e alumínio.

Biden reforçou as restrições às importações pela China de chips de última geração e de máquinas para produção de semicondutores. Com isso, pretendeu bloquear o acesso da China à tecnologia de ponta.

Biden tampouco tentou voltar ao Nafta, o acordo comercial entre Estados Unidos, Canadá e México, que Trump substituiu pelo USMCA, que aumentou as exigências de conteúdo local na produção de veículos.

Biden também manteve as negociações dos Acordos de Abraão destinados a restabelecer os canais diplomáticos entre Israel e países árabes.

Por aí se vê que a política protecionista não é prerrogativa dos redutos trumpistas. É pleito mais amplo e mais arraigado nos Estados Unidos.

Trump operou uma reviravolta tributária. Transformou o Imposto de Importação (tarifa alfandegária), cuja natureza é regulatória, em taxa arrecadatória.

A receita extra obtida com os tarifaços pode ficar muito aquém do pretendido por Trump, mas será agora mais difícil que, nesta secura do Tesouro dos Estados Unidos, um governo que o suceda seja capaz de abrir mão desses recursos.

Isso sugere que a atual política, tão nefasta para os interesses do resto do mundo, só será corrigida se produzir grandes estragos para a própria economia dos Estados Unidos.

Money Times - SP   30/07/2026

O mercado praticamente já precificou um novo corte de juros na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom), mas o Citi segue na contramão. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (28), o banco reafirmou sua visão de que o Banco Central manterá a taxa Selic em 14,25% ao ano, interrompendo o ciclo de afrouxamento monetário já na próxima decisão.

Para os economistas do Citi, a combinação entre a deterioração das expectativas de inflação, a expansão fiscal às vésperas das eleições e a resiliência da atividade econômica justifica uma postura mais cautelosa da autoridade monetária.

“Mantemos uma visão mais hawkish de que o Copom deixará a Selic inalterada em agosto, divergindo da expectativa de mercado de mais um corte de juros”, afirmam os analistas do Citi.

Segundo o banco, um dos principais fatores por trás dessa avaliação é a continuidade da desancoragem das expectativas de inflação de médio e longo prazo. Além disso, as revisões para cima do hiato do produto feitas pelo Banco Central para 2026 indicam que a economia segue operando com pouca folga, limitando o alívio das pressões inflacionárias.

O Citi também destaca que o Copom evitou oferecer qualquer sinalização para a próxima reunião em sua comunicação mais recente, o que reforça a possibilidade de uma pausa no ciclo de cortes.

Apesar da expectativa de manutenção da Selic em agosto, o Citi avalia que o ciclo de flexibilização monetária não terminou de forma definitiva. O banco projeta que a redução dos juros poderá ser retomada apenas no segundo semestre de 2027, quando um ambiente global menos inflacionário e um eventual fortalecimento das âncoras fiscais pelo governo eleito criariam espaço para novos cortes. Nesse cenário, a Selic encerraria 2027 em 12,50% ao ano.

Em relação à inflação, o Citi manteve sua projeção de IPCA em 4,8% no fim de 2026, abaixo do consenso do mercado, refletindo principalmente uma perspectiva mais favorável para os preços dos alimentos.

Ainda assim, a instituição avalia que esse cenário não é suficiente para justificar um novo corte imediato dos juros, diante da persistência das expectativas inflacionárias acima da meta e do ambiente fiscal mais expansionista.

O Estado de S.Paulo - SP   30/07/2026

O Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve) manteve sua taxa básica de juros inalterada nesta quarta-feira, 29, apesar da inflação persistentemente alta e do aumento repentino nos preços da energia causado pela guerra no Irã.

O comitê de definição de taxas do Fed chegou à decisão por 9 votos a 3 após dois dias de deliberações, marcando a quinta reunião consecutiva em que a taxa de referência foi mantida na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano — após três reduções seguidas no ano passado, em setembro, outubro e dezembro. A inflação permanece acima da meta de 2% do Banco Central há mais de cinco anos.

A guerra no Irã gerou incerteza quanto às perspectivas econômicas e impulsionou os preços da energia, intensificando a pressão inflacionária e criando um dilema para os formuladores de políticas do Fed.

O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, que presidiu sua segunda reunião do comitê de definição de taxas do BC, declarou que não tem “nenhuma tolerância” para a inflação elevada. Ele foi nomeado pelo presidente Donald Trump, que tem exercido intensa pressão sobre o Fed para que reduza as taxas em vez de aumentá-las.

Warsh afirmou que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) continua determinado a garantir estabilidade de preços e evitou fazer previsões durante entrevista à imprensa após decisão de política monetária nesta tarde. Para ele, a inflação continua elevada.

“O comitê continua resoluto em entregar a estabilidade de preços. E não há uma meta suave ou flexível. Há apenas uma meta, que é inflação em 2%, e não hesitaremos em agir”, disse. Ele reforçou que o Fed não irá vacilar com a inflação, mas alertou que o cumprimento da meta não virá em pouco tempo. “Não pode ser resolvida em nove semanas”, pontuou, acrescentando que o Banco Central não entende que um mês de inflação sob controle caracterize que o cumprimento da meta esteja começando a ser entregue.

O presidente do Fed repetiu o que o comunicado desta quarta-feira trouxe e pontuou que a economia tem apresentado “resiliência impressionante”. Ele também afirmou que o mercado de trabalho não apresentou grandes alterações desde a última decisão de juros do Fomc e que o desemprego mudou pouco.

Warsh afirmou que a decisão sobre juros sem unanimidade ficou dentro do que ele esperava. “Pedi uma ‘boa briga de família’ e foi o que aconteceu”, afirmou. Ele disse que a discussão foi “ativa e robusta” e que, mesmo que a decisão não tenha sido tomada por unanimidade, houve grande consenso de que o Fed tem o poder de garantir preços estáveis. “Mas vou deixar que os dissidentes se expressem por conta própria”, afirmou.

Sobre as condições macroeconômicas, Warsh afirmou que o Banco Central não quer dar a impressão de que está “ansiosamente esperando por dados”. Também disse que o que importa é a tendência. “O núcleo do CPI de junho, por exemplo, não influenciou muito a decisão de hoje (quarta-feira, 29). Recebemos alguns dados animadores sobre a inflação, e vamos acompanhar”, afirmou.

Warsh disse que o objetivo de não oferecer forward guidance não é deixar o mercado sem referência ou gerar surpresas.

Embora os operadores de Wall Street estimassem uma probabilidade de 33% de que o Fed aumentasse as taxas nesta quarta-feira para conter a inflação, a maioria esperava que os formuladores de política monetária adiassem a decisão, relutantes em arriscar perturbar os mercados financeiros.

No entanto, 76% preveem um aumento das taxas em setembro. Há um mês, apenas 59% dos operadores esperavam um aumento no período. Autoridades do Fed provavelmente querem analisar mais dados econômicos antes de alterar a taxa.

Na quinta-feira, o Departamento de Comércio divulgará as primeiras estimativas sobre o crescimento econômico do período de abril a junho e também publicará o indicador de inflação preferido pelo Fed — o índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE) — referente a junho.

A crescente violência no Irã acrescenta incerteza ao processo de tomada de decisão do Fed. O preço do petróleo ultrapassou brevemente os US$ 100 por barril na semana passada, devido à intensificação dos combates. Desde então, ele se estabilizou com a esperança de que os Estados Unidos e o Irã possam encontrar alguma maneira de reduzir as tensões.

No entanto, na madrugada desta quarta-feira, a Jordânia interceptou mísseis lançados do Irã, poucas horas depois de as Forças Armadas dos EUA terem informado que derrubaram outra salva iraniana lançada contra as forças americanas no Oriente Médio, encerrando uma breve pausa nos combates. Após os ataques dos EUA e de Israel em 28 de fevereiro, o Irã fechou o Estreito de Ormuz – por onde passa um quinto do petróleo e do gás natural do mundo.

Isso causou a maior interrupção no abastecimento de petróleo da história e fez com que os preços da energia disparassem. Desde então, eles têm oscilado de acordo com a evolução constante do conflito e das negociações para amenizá-lo, mas o custo médio do barril está atualmente entre US$ 10 e US$ 15 a mais do que estava nesta mesma época no ano passado. A inflação ultrapassou a meta de 2% do Fed desde o início de 2021, quando a economia dos EUA entrou em superaquecimento ao se recuperar rapidamente dos lockdowns da covid-19.

A inflação atingiu um pico de pouco mais de 9% em meados de 2022 e começou a cair diante dos 11 aumentos nas taxas de juros pelo Fed em 2022 e 2023. Mas o progresso praticamente estagnou.

Além da guerra no Irã, outros fatores que aumentam a pressão inflacionária são as tarifas impostas pelo presidente Donald Trump sobre produtos estrangeiros e um aumento repentino dos investimentos em centros de dados para alimentar a inteligência artificial, o que está elevando o custo de chips e equipamentos de informática, além da eletricidade.

A chamada inflação básica — que exclui os preços voláteis de alimentos e energia — esfriou em junho, em parte porque os aluguéis de apartamentos não estão subindo tão rapidamente quanto antes. Além disso, uma queda temporária nos preços da gasolina no mês passado também ajudou a conter a inflação geral. No entanto, vários formuladores de políticas do Fed têm argumentado que o Banco Central terá que aumentar as taxas para trazer a inflação de volta à meta de 2%. “Ficar olhando severamente para a inflação até que ela derreta diante do nosso olhar fulminante não é uma opção”, afirmou Christopher Waller, membro influente do conselho de administração do Fed, em um discurso neste mês./AP e Broadcast

Infomoney - SP   30/07/2026

A dissidência na decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros em pausa nos Estados Unidos, entre 3,5 e 3,75%, colocou mais apreensão no mercado sobre uma possível alta de juros, caso a inflação norte-americana siga pressionada e os dados de mercado de trabalho não apontem queda da atividade.

Desta vez, três dos 12 membros votaram pela alta de juros, um avanço frente à decisão anterior de manutenção, que foi tomada por unanimidade. Os votos dissidentes vieram dos presidentes dos Fed regionais de Cleveland (Beth Hammack), Minneapolis (Neel Kashkari) e Dallas (Lorie Logan), que já vinham defendendo de forma explícita a necessidade de uma política monetária mais restritiva diante da persistência da inflação acima da meta, destaca Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset Brasil.

Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, destaca que, agora, há maior possibilidade de alta de juros na reunião de setembro. Pesam no cenário a questão do aumento de energia devido ao conflito com o Irã, das tarifas comerciais, e da alta das empresas de Big Tech e de inteligência artificial, que pressionam a demanda, aponta a economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, Bruna Centeno.
“[É] a primeira vez desde 2016 em que três membros do comitê divergem na mesma direção, mostrando a discordância crescente dentro do comitê, com alguns membros se mostrando cada vez mais preocupados com a dinâmica inflacionária”, analisa André Valério, economista sênior do Inter.

Para Vinicius Flores, gestor de investimentos e fundador da Stratton Capital, o comunicado trouxe sinais em direções opostas. O texto teve um tom brando, reconhecendo que a inflação reflete, em parte, os choques de oferta na energia, que não se combate com juros altos. Mas, na avaliação dele, a dissidência aponta que o apetite por aperto monetário está crescendo no comitê. “O resultado é um comunicado equilibrado. Dovish no diagnóstico, hawkish na composição do voto”, diz.

Já a coletiva teve um tom mais hawkish (duro, mostrando preocupação com a inflação), avalia Flores. “[Ela] revelou um presidente do Fed disposto a enfrentar questões que foram ignoradas nos últimos cinco anos”, avalia. Para Flores, o recado mais relevante de Warsh foi considerar que os cinco anos de inflação acima da meta de 2% foram um erro grave, e que um problema dessa magnitude não se resolve em nove semanas de mandato. Ele também destacou as reformas em curso no Fed, que mostram que elas estão avançando mais rápido do que o mercado previa.

“O Fed de Warsh não está apenas decidindo sobre juros. Está revisando como mede a inflação, como avalia choques de oferta e como comunica suas decisões, o que confirma minha visão de que o Fed está passando por mudanças estruturais de extrema importância que o mercado continua ignorando e, na margem, serão positivas para a inflação”, diz.
O que esperar para os juros americanos

Flores aponta que uma alta de juros não pode ser descartada, especialmente se o petróleo voltar a subir devido ao conflito no Oriente Médio ou se os dados de inflação nos EUA mostrarem alta.

O principal vetor de risco está novamente no petróleo, com o barril tipo Brent operando novamente em torno de US$ 90. Com a incerteza do conflito no Oriente Médio e o preço do petróleo podendo rondar para cerca de US$ 100, a inflação pode não ceder o suficiente, alerta André Valério, do Inter. Esse cenário de pressão energética já provoca revisões no mercado: Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, alterou sua projeção e agora prevê uma elevação de juros no segundo semestre. “

A divergência é relevante: sinaliza que uma ala do Comitê já vê espaço para retomar o aperto monetário e reforça a nossa leitura de que o balanço de riscos se deslocou para cima”, afirma Sung. O cenário de aperto ganha força mesmo com a Casa Branca mantendo pressão política por cortes de juros, movimento ao qual o Fed tem resistido com uma postura técnica e cautelosa.

“A reunião de setembro será a mais importante do segundo semestre”, afirma Flores. Para ele, o cenário-base ainda é de manutenção. “Os breakevens ancorados e a desaceleração gradual dos dados de atividade não justificam um aperto monetário adicional, desde que não haja um choque exógeno relevante nos preços de energia. Além disso, estamos diante de um Fed que está passando por mudanças estruturais que serão, em nossa visão, positivas para a inflação”, afirma.

Costa, da Mirae Asset, aponta que tanto o comunicado quanto a coletiva de Kevin Warsh não trouxeram qualquer sinalização sobre os próximos passos da política monetária. Ela destaca que Warsh voltou a afirmar que a inflação é “uma escolha” e que ele reiterou que a prioridade da autoridade monetária é restabelecer a estabilidade de preços.

No entanto, concorda que a composição dos votos reforça a percepção de que o Comitê mantém um viés de aperto monetário, com uma curva de juros precificando duas elevações de 25 pontos-base até o final do primeiro trimestre de 2027, segundo Costa.
Reação do mercado

Apesar da dissidência hawkish no comitê, a ausência de uma elevação imediata das taxas favoreceu os ativos de risco em um primeiro momento. As bolsas americanas reagiram positivamente ao comunicado, com os índices S&P 500 e Nasdaq ganhando tração.

O rendimento dos títulos do Tesouro norte-americano de dois anos recuou após a decisão, refletindo o ajuste das expectativas diante da retirada do risco imediato de alta. No mercado de câmbio, o dólar recuou contra uma cesta de moedas e perdeu força também contra o real.

No entanto, o fôlego foi curto e os ativos de risco, como os índices de bolsa americanos, passaram a ter queda. Cassio Viana de Jesus, CIO da Pilar Capital, pondera que o placar da votação limita uma reação mais otimista prolongada. Na visão dele e de Valdir Piran Jr., CEO da Intra Asset, os juros dos Treasuries devem permanecer pressionados, sobretudo nos vencimentos mais curtos, enquanto o dólar tende a continuar forte e sustentado, reduzindo o espaço para valorização das moedas locais de países emergentes.
O que esperar para os juros no Brasil

Para Gabriel Foglieni, gerente de Investimentos da Eleva Invest, o debate dentro do Fed não é mais sobre quando começar a cortar, é sobre se será preciso subir. “Isso importa diretamente para o Brasil, porque um Fed mais duro fortalece o dólar e pressiona o câmbio justamente na semana em que o Copom se reúne para decidir a Selic”, diz. Para ele, o contraponto fica no petróleo. Isso porque, se a queda recente se sustentar, parte dessa pressão de energia se dissipa.

Exame - SP   30/07/2026

A Dívida Pública Federal (DPF) atingiu o patamar de R$ 9,268 trilhões em junho deste ano, representando um acréscimo de 2,61% em relação a maio, quando o estoque estava em R$ 9,033 trilhões. A informação foi divulgada pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira, 29, que apontou um aumento de R$ 235,74 bilhões no estoque da dívida em apenas um mês.

O Relatório Mensal da Dívida Pública Federal (RMD) mostra que a expansão foi impulsionada principalmente pela apropriação de juros, que somou R$ 521,03 bilhões no acumulado de 2026 até junho, além da emissão líquida de títulos públicos. Apenas em junho, a emissão líquida da dívida alcançou R$ 142,25 bilhões, resultado de emissões de R$ 149,59 bilhões e resgates de R$ 7,33 bilhões.

O resultado vem após o ministro da Fazenda, Dario Durigan declarar na última quinta-feira, 23, que o governo mantém o compromisso com o ajuste fiscal e classificar a estabilização da relação entre a dívida pública e o PIB (Produto Interno Bruto) como a "última milha" desse processo.

"Tem uma última milha a ser buscada, que vai exigir que a gente siga consolidando o fiscal, cortando gasto desnecessário, fazendo com que o gasto público seja eficiente, e recompondo a base tributária", disse Durigan na ocasião.

Na análise do ministro, uma parcela do avanço recente da dívida pública está associada ao patamar da Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira. "A dívida sobe por conta dos juros, porque o resultado primário, que é o que o governo arrecada e gasta em termos de fiscal, isso nós zeramos desde 2024", afirmou.

A dívida pública é o conjunto das obrigações financeiras assumidas pelo governo para financiar suas atividades quando as receitas, como impostos e outras arrecadações, não são suficientes para cobrir todas as despesas.

Nesses casos, a União emite títulos públicos, comprados por investidores, bancos, fundos e outros agentes, obtendo recursos para manter investimentos, serviços públicos e outras políticas do Estado.

Avanço da dívida pública

Segundo o Tesouro Nacional, o principal responsável pela alta do estoque da dívida em junho foi o crescimento dos títulos remunerados pela taxa flutuante, cujo estoque aumentou 3,31% no mês, alcançando R$ 4,57 trilhões. Essa categoria passou a representar 49,3% de toda a dívida pública, acima dos 49% registrados em maio.

Os títulos prefixados encerraram junho com estoque de R$ 1,95 trilhão, equivalentes a 21% da dívida. Já os papéis indexados à inflação atingiram R$ 2,40 trilhões, mas reduziram sua participação para 25,9% do total. Os títulos atrelados ao câmbio representam os 3,7% restantes.

O relatório também mostra que o custo da dívida continua elevado. O custo médio do estoque da DPF acumulado em 12 meses passou de 12,31% ao ano, em maio, para 12,68% ao ano em junho. Já o custo médio da Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) subiu para 13,19% ao ano, enquanto o custo médio das novas emissões alcançou 14,20% ao ano.

Perspectivas para a dívida

Apesar da alta, o Tesouro Nacional informou que o estoque da dívida permanece dentro da faixa prevista pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) 2026, que projeta uma DPF entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões ao final deste ano.

O prazo médio da dívida recuou levemente, passando de 4,07 anos para 4,01 anos. Ao mesmo tempo, a parcela dos títulos com vencimento em até 12 meses caiu de 20,26% para 20,07%, permanecendo dentro dos limites considerados adequados pelo Tesouro.

Outro indicador acompanhado pelo governo é a reserva de liquidez, utilizada para garantir o pagamento dos vencimentos da dívida. Em junho, ela aumentou de R$ 1,21 trilhão para R$ 1,35 trilhão, volume suficiente para cobrir aproximadamente 8,33 meses de vencimentos.

Entre os detentores da dívida mobiliária federal interna, as instituições financeiras seguem como principais credoras, com 31,8% de participação. Em seguida aparecem os fundos de previdência, com 22,5%, e os fundos de investimento, com 22%.

O que é e como é calculada a dívida pública?

A Dívida Pública Federal (DPF) corresponde ao total de títulos emitidos pelo governo federal para captar recursos no mercado e cumprir suas obrigações financeiras.

Seu estoque é atualizado continuamente e leva em conta fatores como novas emissões de títulos, resgates, pagamento e apropriação de juros, além de correções por índices de preços, câmbio e taxas de juros, conforme o tipo de papel emitido.

Quando o governo arrecada menos do que gasta, recorre ao mercado para financiar essa diferença por meio da emissão de títulos públicos.

Segundo o Tesouro Nacional, esse mecanismo permite manter investimentos e serviços essenciais, além de distribuir ao longo do tempo o custo de projetos de longo prazo, como obras de infraestrutura e hospitais, beneficiando também gerações futuras.

O órgão ressalta, porém, que a sustentabilidade desse modelo depende de uma gestão responsável da dívida e da credibilidade fiscal do país.

MINERAÇÃO

Valor - SP   30/07/2026

Com base na média das estimativas de quatro bancos, a receita deve aumentar 18,4%, para US$ 10,4 bilhões, e o Ebitda deve subir 16,6%, para US$ 3,8 bilhões

A Vale deve ver os resultados do segundo trimestre crescerem este ano, conforme levantamento feito pelo Valor. A receita e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da mineradora devem aumentar em relação a igual período do ano passado, após a companhia apresentar bons dados operacionais.

Com base em estimativas de quatro bancos, a projeção média indica que a receita da Vale deve aumentar 18,4% no segundo trimestre do ano, para US$ 10,4 bilhões. Os cálculos utilizam dados das seguintes casas: Itaú BBA, Citi, XP e Ativa Investimentos.

A menor estimativa de receita é do Itaú BBA, de US$ 10,3 bilhões, e as maiores são da XP e Ativa, com US$ 10,5 bilhões.

O resultado financeiro da Vale será divulgado na quinta-feira (30), após o fechamento dos mercados.

Segundo a XP, os embarques da Vale no segundo trimestre superaram as expectativas do mercado, com vendas de minério, pelotas e níquel acima do esperado. Esses volumes, combinados ao aumento de preços realizados para cobre e níquel, sustentam um aumento do Ebitda da companhia.

O Ebitda da Vale deve ter um aumento médio de 16,6%, de acordo com os cálculos da reportagem, para US$ 3,8 bilhões. Os bancos se dividem entre duas expectativas de US$ 3,8 bilhões em Ebitda e outras duas de US$ 3,9 bilhões.

O lucro líquido da Vale deve recuar 13,1% também em média, conforme os cálculos, para US$ 1,8 bilhão. A menor estimativa é da XP, de US$ 1,7 bilhão, e a maior, de US$ 1,9 bilhão, da Ativa e do Itaú BBA.

“Operacionalmente, a Vale apresentou mais um trimestre sólido, com a produção de minério de ferro atingindo o nível mais alto para um segundo trimestre desde 2018, enquanto a divisão de metais básicos continuou a registrar um crescimento saudável em relação ao ano anterior”, disse a XP em relatório.

“A produção reforça nossa visão de execução operacional consistente em todas as operações, embora mantenhamos nossa posição ‘neutra’ devido às pressões contínuas sobre os custos e aos atuais níveis de valorização. Apesar do desempenho relativamente mais fraco das ações nos últimos meses, acreditamos que os fundamentos mais sólidos do cobre e a melhora nos preços dos metais devem continuar a oferecer suporte nos níveis atuais”, conclui o banco.

No relatório de produção e vendas do segundo trimestre, a Vale registrou um aumento de 0,8% na produção de minério de ferro em relação a igual período de 2025, para 84,2 milhões de toneladas. A melhora do desempenho do S11D, em Carajás, que alcançou recorde, e volumes adicionais em Capanema e Vargem Grande, em Minas Gerais, contribuíram para o aumento, disse a Vale.

A produção de cobre no segundo trimestre foi de 98,4 mil toneladas, aumento anual de 6,3%, impulsionado principalmente pelo forte desempenho dos ativos brasileiros, segundo a Vale. O volume de produção foi o maior para um segundo trimestre desde 2017, com produção recorde em Salobo, no Pará, e maiores volumes em Sossego, também no Estado, e em Voisey’s Bay, no Canadá.

A Vale teve aumento também na produção de níquel no segundo trimestre, de 4,2%, para 42 mil toneladas, maior volume para um segundo trimestre desde 2020, segundo a mineradora.

O preço médio realizado na venda de cobre pela companhia no período foi o maior aumento entre os produtos da Vale no segundo trimestre, de 56,5%, para US$ 14.062 por tonelada.

Para a Ativa Investimentos, a alta do cobre deve garantir um trimestre forte para a divisão, mas a corretora reforça que os dados excluem um ajuste provisório negativo de US$ 88 milhões sobre cobre e níquel, puxado pela queda do ouro. Apesar de não entrar no preço por tonelada, o valor pesa na receita reportada no período, segundo o analista Ilan Arbetman.

Em relatório, Arbetman destaca ainda que a expectativa sobre a divulgação de resultados da Vale é sobre o custo de caixa C1 (da mina ao porto) e o frete, que determinam a margem da companhia. “É aí que mora a dúvida, se os volumes maiores e os preços melhores vão de fato virar margem, em um cenário de custos que ainda não deu trégua”, disse.

Para o BTG Pactual, o desempenho operacional da Vale está alinhado com as projeções da companhia para o ano e com a agenda de execução. “Dado o impacto da guerra no Irã nos resultados do segundo trimestre, acreditamos que os investidores continuarão focados no desempenho da empresa em termos de custos e em possíveis atualizações das projeções. Mantemos visão positiva sobre a Vale, apoiada por uma execução consistente, um ambiente resiliente de preços do minério de ferro e cobre, um portfólio atraente de projetos de crescimento no setor de cobre e retornos aos acionistas que permanecem acima dos concorrentes”, afirmou o banco em relatório.

CNN Brasil - SP   30/07/2026

A mineração brasileira faturou R$ 298,8 bilhões em 2025, alta de 10,3% em relação ao ano anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). As exportações alcançaram US$ 46 bilhões, enquanto o saldo de US$ 37,6 bilhões da balança comercial mineral respondeu por 55% de todo o superávit comercial do país. O minério de ferro representou mais da metade da receita do setor e 63,3% das vendas externas.

O desempenho reforça o papel do Brasil como um dos principais fornecedores de minério de ferro e de outros recursos minerais para cadeias produtivas estratégicas em diferentes mercados.

A relevância da mineração vai além da extração de matérias-primas. O setor fornece insumos para a indústria, a infraestrutura e tecnologias que sustentam a transição energética e a transformação digital, além de movimentar uma ampla cadeia econômica.

Boa parte dessa atividade está concentrada em Minas Gerais, responsável por 39,9% do faturamento da mineração brasileira em 2025. É ali que atua a Itaminas, produtora de minério de ferro com mais de seis décadas de operação em Sarzedo, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A empresa prevê investir R$ 1,5 bilhão entre 2024 e 2033 para ampliar sua capacidade produtiva e modernizar a operação. Entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões devem ser aplicados somente em 2026, com foco na melhoria da qualidade do minério e da eficiência operacional. A companhia já destinou cerca de R$ 300 milhões à expansão do projeto.

Da mineração ao cotidiano

A presença da mineração no cotidiano nem sempre é percebida porque os minerais estão incorporados a construções, equipamentos e produtos usados diariamente. A ligação aparece nas estruturas de casas, edifícios, escolas, hospitais, pontes e ferrovias. O minério de ferro dá origem ao aço utilizado nessas construções e também em automóveis, ônibus, máquinas agrícolas, eletrodomésticos e equipamentos médicos.

À medida que novas tecnologias se expandem, cresce também a demanda por minerais utilizados em sua fabricação e funcionamento.

A transformação digital também depende desses materiais. Data centers utilizam aço nas edificações, nos servidores, nos sistemas de refrigeração e na infraestrutura elétrica. A expansão da inteligência artificial exige instalações maiores, com elevada capacidade de processamento e consumo de energia.

Nas fontes renováveis, o aço está presente nas torres dos parques eólicos e nos suportes que sustentam os painéis solares. Minerais críticos como cobre, lítio, níquel e grafite são usados em cabos, baterias, motores e sistemas de armazenamento.

Na mobilidade elétrica, a demanda vai além das baterias. Carros, ônibus e trens utilizam aço, componentes eletrônicos, redes de recarga e novas estruturas de distribuição de energia. Na saúde, esses insumos estão em aparelhos de diagnóstico, instrumentos cirúrgicos, próteses, ambulâncias e na própria construção das unidades hospitalares.

"Muitas vezes as pessoas enxergam apenas a o resultado final, mas não percebem que pontes, hospitais, moradias e ferrovias dependem do aço, que é produzido a partir do minério de ferro. A mineração está no início dessa cadeia e, por isso, tem um papel importante no desenvolvimento da infraestrutura e na qualidade de vida das pessoas", afirma Thiago Toscano, CEO da Itaminas.

Uma cadeia que movimenta a economia

A mineração sustenta uma extensa cadeia produtiva que envolve empresas de engenharia, fabricantes de máquinas e equipamentos, transportadoras, laboratórios, prestadores de serviços, fornecedores de tecnologia e profissionais de diferentes áreas.

Os efeitos econômicos também se estendem aos municípios produtores. A demanda por transporte impulsiona a logística, a compra de equipamentos movimenta a indústria e a contratação de trabalhadores fortalece o comércio e os serviços locais.

A arrecadação de impostos e tributos da mineração chegou a R$ 103 bilhões em 2025, crescimento de cerca de 10%. Desse total, R$ 7,9 bilhões vieram da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), distribuída principalmente entre estados e municípios ligados à atividade.

Em Sarzedo, a Itaminas gera mais de 700 empregos diretos e cerca de 2 mil indiretos. Aproximadamente 85% dos colaboradores moram no município, fortalecendo a circulação de renda e a economia local.

Investimentos voltados ao futuro

O aumento da demanda por aço e por infraestrutura tem levado a mineração a investir em automação, monitoramento em tempo real, análise de dados e renovação de equipamentos para tornar as operações mais eficientes e seguras.

Na Itaminas, os recursos estão direcionados à modernização dos processos produtivos, à melhoria da qualidade do minério, ao fortalecimento da infraestrutura logística e ao aprimoramento da segurança operacional.

A expectativa é fortalecer a atuação da empresa em Minas Gerais e ampliar o atendimento à indústria siderúrgica. Os investimentos também devem impulsionar a contratação de fornecedores, prestadores de serviços e profissionais da região, ampliando os efeitos da atividade na economia local.

O avanço da inteligência artificial, da transição energética, da infraestrutura e de outras tecnologias reforça a importância de investimentos em inovação, logística e eficiência operacional para garantir o fornecimento de minerais essenciais às cadeias produtivas e acompanhar a evolução da indústria.

Infomoney - SP   30/07/2026

Os contratos futuros de minério de ferro registraram ligeira queda nesta quarta-feira, já que as margens menores das siderúrgicas na China enfraqueceram a demanda pelo insumo, mas as perdas foram limitadas pelas preocupações com uma possível interrupção na oferta das operações da BHP em Port Hedland.

O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou o pregão diurno com alta de 0,27%, a 739 iuanes (US$109,17) por tonelada.

A referência de minério de ferro para agosto na Bolsa de Cingapura subiu 0,06%, para US$97,9 por tonelada.
As margens de lucro das siderúrgicas se deterioraram ainda mais, com os preços dos tarugos em Tangshan caindo 20 iuanes, para 2.940 iuanes por tonelada na terça-feira, de acordo com dados da consultoria Mysteel.

Isso reduz a disposição das siderúrgicas a comprar minério ativamente, afirmaram analistas da corretora chinesa Zhengxin Futures em nota, acrescentando que uma nova rodada de cortes nos preços do carvão de coque também apontava para mais pressão sobre o complexo siderúrgico, à medida que a produção de aço mostra queda sazonal.

Enquanto isso, as negociações salariais entre a BHP e os sindicatos que representam os trabalhadores de Port Hedland, na Austrália, nas operações de minério de ferro da mineradora, foram encerradas na terça-feira sem acordo, com mais negociações agendadas para a próxima semana, disse um porta-voz do sindicato.

O impasse nas negociações mantém em aberto o risco de greves e possíveis interrupções no abastecimento, afirmaram analistas da ANZ Research em nota.

Os agentes de mercado também estão atentos à reunião do Politburo da China nesta semana, com foco nos sinais de políticas de apoio adicionais para ajudar a estabilizar o crescimento econômico.

Diário do Comércio - MG   30/07/2026

Executivos do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) apontam que, em algum momento, o Pará deve ultrapassar Minas Gerais e se tornar o principal produtor mineral do País.

Conforme o diretor-presidente da entidade, Pablo Cesário, o Pará, atualmente a segunda maior província mineral do Brasil, cresce em ritmo mais acelerado que Minas Gerais e, possivelmente, assumirá a liderança do setor em breve.

Segundo o diretor de assuntos minerários do Ibram, Julio Nery, a tendência de o Pará superar Minas Gerais em termos de produção mineral decorre do tamanho e da qualidade das reservas paraenses de minério de ferro, cobre e níquel.

Ele explica que tanto Minas Gerais quanto o Pará possuem territórios ricos em minério de ferro. No entanto, a exploração no Quadrilátero Ferrífero começou na década de 1940, enquanto em Carajás teve início tempos depois, na década de 1980.“Ainda há muita coisa para se desenvolver no Pará”, afirma.

Nery acrescenta que o minério produzido hoje no Pará tem entre 62% e 65% de teor de ferro, o que lhe confere maior valor comercial. Em Minas Gerais, esse percentual está na faixa de 58% a 62%, como resultado do esgotamento progressivo de jazidas mais ricas.

O diretor de assuntos minerários ressalta que Minas Gerais continuará líder na diversidade de minerais produzidos. O território mineiro abriga, por exemplo, grandes reservas de lítio e terras-raras, elementos que estão no centro das discussões globais sobre a transição energética. Porém, em produção, o topo tende a ser ocupado pelo Pará, que já é um forte produtor de cobre e níquel, minerais também fundamentais para a economia do futuro.

Para o diretor-presidente, o Pará ainda tem desafios para se tornar o maior produtor mineral, como avançar em pesquisa geológica, seguindo caminho já percorrido por Minas Gerais.

“O Pará tem uma riqueza enorme, mas o conhecimento sobre esse potencial é pequeno. Minas Gerais tem todo o seu território mapeado, talvez no que há de melhor da cartografia brasileira hoje”, observa Cesário, pontuando que a potencialidade do Pará está sendo restringida pela falta de conhecimento de quais são e onde estão suas riquezas.

Cabe dizer que Minas Gerais é o único estado do País a ter o território mapeado na escala 1:100.000, considerada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) a mais adequada para se investir no setor mineral. De acordo com Nery, o Pará tem menos da metade.
Mudança de perfil no Estado

Mesmo que perca a liderança da mineração para o Pará, Minas Gerais seguirá relevante no setor, de acordo com o diretor-presidente do Ibram.

Cesário afirma que o Estado terá uma infraestrutura de conhecimento importante por abrigar laboratórios e centros de pesquisa. “Haverá um novo modo de trabalhar. Minas Gerais continuará sendo uma economia mineira, só que ela vai migrar para outros tipos de atividade, como construção de conhecimento, exploração em outros locais e pesquisa”, diz.

Nery cita o estado norte-americano do Colorado como exemplo de região que tem pouca influência na produção mineral, mas em termos de conhecimento tem forte relevância. Segundo o diretor de assuntos minerários, a principal universidade de Engenharia de Minas está lá e boa parte das empresas globais de consultoria.

Máquinas e Equipamentos

Valor - SP   30/07/2026

Projeção para o mercado doméstico tende a piorar, com influência da política monetária restritiva, com taxa básica de juros ainda em patamar elevado, informou a entidade

A nova ofensiva tarifária dos Estados Unidos contra determinados produtos importados do Brasil deve provocar queda de pelo menos 11% e até 12% nas exportações da indústria brasileira de máquinas e equipamentos para aquele país no acumulado do ano. A estimativa é da Abimaq, entidade que representa os fabricantes no país.

O Brasil está no grupo dos países alvos de alíquota de 12,5% da administração americana, resultado de investigação sobre suposto trabalho forçado, percentual que foi acrescido aos produtos já taxados em 25% pelos EUA com base na investigação da Seção 301 da Lei de Comércio americana.

“O nosso maior fator é a perda de competitividade frente ao fabricante local americano. Nossa expectativa para o acumulado do ano é de uma queda próxima do que vimos no pior momento da crise, registrado no trimestre de agosto até novembro do ano passado, que teve recuo próximo de 11% a 12%”, disse em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (30) Cristina Zanella, diretora de competitividade, economia e estatística da Abimaq.

Países como México, Cingapura e outros da América Latina, disse ela, estão ajudando a compensar a perda de espaço no mercado americano. “Sabemos que não são produtos que estão sendo redirecionados, até porque esse é um processo que leva tempo e exige maiores investimentos para novos mercados. Mas, de qualquer forma, as exportações para essas outras regiões estão crescendo de forma a anular essa perda que a gente está tendo no mercado norte-americano ”, disse.

Ainda na coletiva, Zanella disse que as projeções do setor para o restante do ano não foram revisadas e continuam de estimativa de queda de 3,6% em receita no mercado doméstico, de recuo de 3,2% na receita líquida total do setor e de avanço de 6,4% nas exportações.

Contudo, disse Zanella, há pressão de revisão para queda ainda maior no faturamento do mercado doméstico, influenciado pela política monetária restritiva, com taxa básica de juros ainda em patamar elevado.

“Se a taxa de juros está elevada, o fabricante prioriza investimentos que tragam um retorno mais fácil. Um investimento de maior risco, como o aporte numa indústria, de ampliar um parque industrial ou de modernizar, é deixado de lado para um momento em que a economia está em expansão. Provavelmente, a queda [no mercado doméstico] será mais próxima de 5% ou 6% do que os 3,6% que estamos projetando hoje”, disse Zanella.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   30/07/2026

Campanha arrisca passar ao largo de temas como a transformação do país no maior mercado de carros chineses do mundo

Na tarde deste domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na posse da nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC onde disse que a abertura do mercado brasileiro ao carro chinês levou a indústria automobilística a investir em modelos híbridos e vender mais. Dali, Lula embarcou para Brasília onde falaria às 22h com o dirigente chinês, Xi Jiping.

No relato da agência Xinhua, Xi apoiou o Brasil na ‘defesa de sua soberania e independência em oposição a interferências externas’, o que vai de encontro à tradição do país de não se escudar em proteção alheia. Dois dias depois, a manchete do Valor desenhou a curva da estrada: “Brasil já é o maior importador de carro chinês do mundo”.

Lula não faltou com a verdade lá onde foi parido para a política, mas só contou uma parte da história. E a metade que ficou faltando coloca a pressão do PT da Bahia antes das ameaças de Donald Trump como origem de um país escancarado à indústria automobilística chinesa. Não trará impacto sobre o emprego em São Paulo, Estado que ainda concentra 40% da indústria automobilística do país, durante a campanha. A bomba tem efeito retardado.

A novela começou em 2015 quando o governo Dilma Rousseff zerou o imposto de importação sobre carros elétricos para pressionar a indústria automobilística a modernizar sua produção. Atravessou os governos Michel Temer e Jair Bolsonaro. Em 2024, o metalúrgico do ABC, de volta ao poder, resolveu tomar uma atitude. E, em novembro de 2023, decidiu-se que o imposto seria paulatinamente retomado até chegar à alíquota cheia de 35% em 2026. Ao longo desse período, porém, a transição conviveria com cotas de importação livre de impostos.

Foi apenas nos últimos anos, porém, que a redução no custo de produção na China permitiu a invasão de seus modelos num preço competitivo. Em 2025, o Brasil era o sexto mercado dos carros chineses. Em 12 meses, disparou para a liderança. No início deste ano, 13 sindicatos de trabalhadores, oito sindicatos patronais e a Anfavea entupiram a mesa de Lula de cartas pedindo para que as cotas de importação não fossem renovadas.

Não adiantou. Em 1º de julho, a alíquota chegou a 35%, como planejado, mas as cotas foram renovadas até janeiro de 2027 para os kits de montagem rápida com um quinto da mão de obra. Como há estoques elevados, o mercado estará entupido de carro chinês até meados do próximo ano.

A empresa que mais se beneficiou dessas cotas foi a BYD, que, a despeito de ter inaugurado sua fábrica em Camaçari (BA) em outubro do ano passado, se limita a montar kits importados que chegam em navios-cegonha à Bahia. A chinesa ultrapassou indústrias que já investiram bilhões no Brasil, como a Toyota e a Stellantis e está hoje entre as cinco marcas mais vendidas no país. E desperta dissabores até em outras compatriotas, como a GWM, que investe numa linha de produção no país.

As concessões à BYD dividiram o governo com os ex-ministros Fernando Haddad, de um lado, e Rui Costa, de outro. A construção da alegada ponte entre Salvador e Itaparica, que serviria de contrapartida ao acúmulo de benesses, nunca saiu. E tampouco tem garantido uma reeleição fácil para o governador Jerônimo Rodrigues (PT) dar seguimento aos 20 anos do poder de seu partido no Estado.

O que tradicionalmente se viu como choradeira da Anfavea hoje é um pranto mundial. Os 100% de tarifa dos EUA sobre carros elétricos chineses podem ser debitados ao desatino de Trump, mas na Índia, terceiro maior mercado mundial, o imposto de importação chega a 110%. Nesta segunda, o CEO da Volkswagen, maior automobilística europeia, disse que é preciso elevar tarifas que já chegam a quase 50%.

Com o mercado se fechando no resto do mundo, a China vale-se do Brasil para desovar estoques. Até o imposto cheio de 35% para o carro que chega pronto ao Brasil não inibe o mercado. A GAC, sexta automobilística chinesa, anunciou investimento bilionário no Brasil na presença de Lula no ano passado. Deveria começar a produzir em 2027, mas, até agora, só montou show-room para os veículos que traz da China, onde as unidades saem da linha de produção em 72 segundos.

Nesta quarta, Lula recebeu Igor Calvet, presidente da Anfavea. Celebrou-se o aumento de vendas no Brasil, que chegaram aos patamares de 2014, mas registrou-se o descolamento inédito entre emplacamentos superiores à produção, reflexo da maior fatia de importados. Para evitar que a redução de margens - sempre alardeadas nunca conhecidas - da indústria automobilística venha a comprometer os empregos do setor com uma profusão de fusões, o presidente apelou a que as indústrias instaladas no Brasil exportem mais.

Com a China tomando conta de um mercado cada vez mais fechado, não vai ser fácil. Será igualmente difícil tirar o Brasil do topo dos importadores. Empresas como a BYD fizeram acordos com a Uber e 99 para facilitar a aquisição de carros que encantam passageiros. O motorista de aplicativo que já não quer contribuir com a Previdência também não vai querer abrir mão de comprar, com desconto, um carro mais moderno e mais econômico. Como a campanha se iniciou com um avatar de Jair Bolsonaro, uma apologia de estupro de jornalistas por bolsonaristas e um vídeo do presidente metalúrgico num ABC que não existe mais, no fim dessa corrida, o passageiro vai custar a se deparar com o Brasil real.

Auto Industria - SP   30/07/2026

Não mais a onda, mas o tsunami de fabricantes chineses que tem forçado a revisão de planos, atuação e infraestrutura industrial de montadoras ocidentais, ganha mais um ilustrativo capítulo: na busca por custos menores, a BMW pretende reduzir em pelo menos 5% seu quadro mundial de funcionários.

A tradiciondal fabricante de veículos de luxo anunciou nesta quarta-feira, 29, programa para a eliminação de cerca de 8 mil postos de trabalho até o fim de 2027.

As demissões, afirmou a empresa, ocorrerão, principalmente, por meio de programas de desligamento voluntário, aposentadorias e rotatividade natural, sem atingir diretamente os trabalhadores das linhas de produção.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Grandes Construções - SP   30/07/2026

A construção civil vai perder em 2027 uma importante fonte de caixa que hoje ajuda a sustentar as obras no dia a dia, justamente em um momento em que o crédito tradicional para o setor perde força.

O financiamento à produção para construtoras e incorporadoras pelo SBPE caiu de R$ 46,2 bilhões em 2024 para R$ 30,8 bilhões em 2025, enquanto o crédito privado passou a ocupar mais espaço na estrutura de funding das empresas.

Segundo dados citados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o mercado de crédito privado movimentou R$ 192,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 22,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Nesse contexto de crédito mais restrito, a reforma tributária adiciona uma pressão relevante sobre o fluxo de caixa.
Com o novo modelo de IBS e CBS entra em vigor o split payment, mecanismo pelo qual bancos e plataformas de pagamento separarão automaticamente a parcela dos tributos no momento em que o cliente efetuar o pagamento.

A construtora receberá apenas o valor líquido da operação.

Na prática, o imposto deixará de transitar temporariamente pelo caixa da empresa, eliminando uma fonte de liquidez que hoje ajuda a financiar fornecedores, folha de pagamento, compra de materiais e etapas da obra.

Com menos crédito bancário disponível e o fim desse fôlego financeiro, antecipar a estratégia de funding, recorrendo cada vez mais ao mercado de crédito privado, deixa de ser uma alternativa para se tornar uma necessidade.

O efeito é especialmente duro para a construção porque o setor vive de prazo. A empresa compra terreno, contrata mão de obra, paga aço, concreto, projetos, equipamentos e fornecedores muito antes de receber integralmente do comprador.

A venda do imóvel costuma ser parcelada, a obra avança por etapas e o caixa raramente entra no mesmo ritmo em que sai. Por isso, a mudança tributária não é apenas contábil. Ela mexe no pulmão financeiro da obra.

“A construtora sempre conviveu com um descasamento entre o que gasta e o que recebe, e o dinheiro dos tributos ajudava a preencher parte desse intervalo sem que a empresa percebesse. Quando esse valor deixar de passar pelo caixa, o setor vai enxergar uma necessidade de capital de giro que já existia, mas estava escondida”, afirma Priscila de Freitas, Diretora de Crédito da Multiplike.

A antecipação de recebíveis, uma das saídas mais usadas pelo setor para gerar liquidez, também não resolve sozinha esse novo problema.

O Decreto nº 12.955 deixa claro que antecipar uma parcela não muda o momento de separação do imposto.

A empresa pode adiantar o dinheiro da venda, mas o tributo continuará preso ao calendário do pagamento original do cliente.
Ou seja, a antecipação melhora o caixa, mas não recria a folga tributária que vai desaparecer.

“Antecipar recebível continua sendo uma ferramenta importante para gerar liquidez, mas deixou de ser resposta suficiente para o efeito do split payment, porque o imposto segue preso ao calendário do cliente. A construtora precisa planejar o funding antes da obra avançar, e não tentar corrigir esse descasamento quando o caixa já estiver pressionado”, explica Priscila.

A reforma não cria sozinha a pressão sobre o caixa, mas antecipa uma mudança de comportamento em um setor que já busca alternativas ao financiamento tradicional.

Com ciclos longos, vendas parceladas e desembolsos concentrados antes do recebimento integral, as construtoras terão de medir quanto dos tributos ainda passa hoje pelo caixa, projetar a operação sem essa folga e estruturar fontes de recursos compatíveis com cada etapa do empreendimento.

“A reforma tributária apenas acelera um movimento que o setor já vinha fazendo. Antecipar recebível sozinho não resolve o efeito do imposto, como o próprio decreto deixou claro. O que resolve é planejar o funding da obra com antecedência, com estruturas de crédito que acompanhem o ritmo de cada empreendimento. Quem chegar em 2027 sem essa conta feita vai descobrir a necessidade de capital no pior momento, com a obra em andamento”, conclui Priscila.

FERROVIÁRIO

Veja - SP   30/07/2026

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um inquérito civil nesta terça-feira (28) para apurar as falhas registradas nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade dos trens paulistanos, ocorridas no dia 23 de julho, três dias após a empresa Trivia Trens assumir a operação.

A Promotoria de Justiça do Consumidor também apurará o período de operação anterior, pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), além da atuação da Agência Reguladora de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp) e da Secretaria de Transportes Metropolitanos na fiscalização da concessão.

A concessionária informou que a interrupção entre as estações Brás e Sebastião Gualberto, afetando também o Serviço Expresso Aeroporto ocorreu devido a uma falha de energia. Além disso, um incêndio atingiu um dos trens nas proximidades da Rua Bresser, no centro da cidade.

Com os problemas nas três linhas, muitos passageiros tiveram de sair dos comboios e andarem sobre os trilhos. Devido a todo esse problema, as estações ficaram lotadas, o que afetou também o trânsito no entorno. O sistema de ônibus Paese (Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência) foi acionado.

Diante de todos os transtornos, a Artesp determinou que a CPTM retomasse a operação das linhas por um período inicial de até 90 dias. A medida foi tomada pela própria Artesp e pelo governo de São Paulo para “garantir a qualidade do serviço e prevenir falhas como as registradas nos primeiros dias de operação assistida sob responsabilidade da operadora”.

“O que nós vimos nos últimos dois dias, especialmente hoje, é inaceitável. Como fiscalizadores e reguladores do contrato, estamos agindo de modo imediato. A ideia é a volta da CPTM para operação, porque o que nós vimos realmente é muito ruim, muito penoso para o cidadão”, disse o diretor-presidente da Artesp, André Isper.

Na ação a promotoria pede à Artesp informações sobre todas as ocorrências registradas nas três linhas desde a operação assistida, eventuais procedimentos fiscalizatórios, sanções aplicadas, o ato que determinou o retorno temporário da operação à CPTM e o histórico de desempenho das linhas desde 2021.

Da CPTM, foram solicitados esclarecimentos sobre as falhas, relatórios técnicos, informações sobre as medidas emergenciais adotadas após o apagão de 23 de julho e o plano de ação para o período de retomada da operação.

A Trivia Trens deverá apresentar relatório detalhado de todas as falhas operacionais desde o início da concessão, informações sobre o princípio de incêndio, o número de reclamações de usuários, medidas de ressarcimento adotadas e comprovação da contratação de seguro de responsabilidade civil.

Também foram oficiados o Corpo de Bombeiros, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e a Prefeitura de São Paulo para prestarem informações relacionadas aos impactos dos episódios.

“A portaria também ressalta que, ainda durante a operação assistida, houve aumento de 275% nas ocorrências registradas na Linha 11-Coral em relação ao mesmo período do ano anterior, lembrando que as três linhas já eram alvo de procedimentos relacionados a problemas operacionais quando administradas pela CPTM”, diz o MP-SP.

A Tribuna - SP   30/07/2026

A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) planeja a construção de novas estações ferroviárias em todas as cidades da Baixada Santista que farão parte do traçado do futuro trem que ligará Santos, no litoral de São Paulo, a Cajati, no Vale do Ribeira. Segundo a empresa, as novas instalações serão necessárias devido ao novo traçado da região ser construído em elevado.

De acordo com o plano apresentado pela CPTM para A Tribuna, Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe terão estruturas novas. Conforme noticiado anteriormente, a estação de Santos deve ficar no Valongo. Já no trecho do Vale do Ribeira, a companhia pretende aproveitar, sempre que possível, instalações ferroviárias já existentes.

Ao todo, o projeto prevê 13 estações ao longo da ligação ferroviária. A diferença entre as duas regiões está principalmente na configuração prevista para a linha. Na Baixada Santista, o trem será implantado em estrutura elevada, o que exige a construção de novas plataformas e estações.

“Na Baixada Santista, vão ser todas novas. A gente vai tentar manter todos na mesma região do que é existente, do que tem hoje, mas vai ser tudo em elevado”, afirmou o engenheiro da CPTM Cesar Massao Tamaru.

Estruturas em elevado para evitar uma “cicatriz urbana”

Pelos estudos preliminares, dos 223,6 quilômetros previstos entre as cidades, cerca de 49% serão construídos em elevado. Embora o percentual represente praticamente metade de toda a ferrovia, ele se concentra principalmente entre Santos e Peruíbe. A partir do Vale do Ribeira, a linha volta a seguir predominantemente em superfície.

O assessor executivo da CPTM, Rafael Bruno Falavinha, explicou que a diferença foi definida após estudos sobre as características de cada região. "Como aqui na Baixada Santista nós já temos rodovias que cortam as cidades, se colocássemos a ferrovia em nível, ela seria mais uma cicatriz urbana”.

De acordo com Falavinha, além de evitar que moradores precisem percorrer longas distâncias para atravessar a ferrovia, a estrutura elevada abre novas possibilidades de uso para o espaço localizado abaixo dos trilhos. Segundo ele, a intenção é que essas áreas deixem de ser corredores exclusivamente ferroviários e passem a receber equipamentos urbanos.

"Se você coloca uma faixa ferroviária em nível, você está colocando ali oito, dez metros de largura, então, ela é exclusivamente ferroviária. Quando você projeta ela de forma elevada, você consegue conciliar o traçado ferroviário e requalificar embaixo para a criação de ciclovias, parques, estacionamentos, bicicletários”, disse.

Soluções diferentes

No Vale do Ribeira, onde o traçado será em superfície, a estratégia será diferente. Segundo a CPTM, a região possui menor adensamento urbano e ainda preserva grande parte da antiga faixa ferroviária, o que reduz a necessidade de novas intervenções.

Os estudos avaliam que, ao longo de todo o trajeto, aproximadamente 68,7% da nova ferrovia utilizará a faixa ferroviária já existente. Conforme a CPTM, os cerca de 31,3% restantes correspondem a alterações de traçado necessárias para aumentar a velocidade operacional, evitar áreas ambientalmente sensíveis ou permitir futuras integrações com outros sistemas ferroviários.

Além disso, a possibilidade de reaproveitamento está relacionada também ao espaço físico necessário para a implantação das estações. De acordo com Tamaru, uma faixa ferroviária costuma ter entre 8 e 10 metros de largura. Para receber uma estação, entretanto, é necessário ampliar esse espaço para algo em torno de 20 metros. “Por isso que a gente vai tentar manter, porque já é uma faixa exclusiva”, explica.

Preservação ambiental e integração com outros modais

Durante os estudos, a CPTM afirma ter buscado afastar a ferrovia de manguezais, áreas de preservação permanente e outros ambientes sensíveis. Além disso, a empresa optou por um sistema de tração híbrido, combinando motor movido a biocombustível e baterias, após comparar diferentes tecnologias, como diesel convencional, trens totalmente elétricos, hidrogênio, etanol e baterias.

Segundo os estudos preliminares, a operação da ferrovia poderá reduzir entre 35 mil e 40 mil toneladas de emissão de dióxido de carbono (CO2) por ano, principalmente pela transferência de parte do transporte de cargas e passageiros das rodovias para os trilhos.

Conforme noticiado por A Tribuna, parte dos ajustes também foram feitos para garantir integração física com outros modais previstos para a região, como a expansão do VLT da Baixada Santista, o Trem Intercidades (TIC), terminais de ônibus e o Porto de Santos.

Reaproveitamento de estações históricas como estratégia turística

Para Falavinha, a preservação de estruturas originais também pode ajudar a transformar o próprio patrimônio ferroviário em parte da experiência dos passageiros. “Até pela questão turística. Já tem um projeto do próprio Governo, então o Santos-Cajati também tem que colocar essa necessidade dentro do projeto”, afirmou.

Fase de estudos

O projeto integra o Plano Estratégico Ferroviário (PEF), que faz parte do Plano Logístico de Investimentos (PLI), coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil). O objetivo é planejar a infraestrutura de transportes do Estado até 2050, integrando ferrovias, rodovias, aeroportos, hidrovias e dutovias. A CPTM atua como responsável técnica pelos estudos ferroviários por meio de convênio com a Semil.

Atualmente considerado o estudo ferroviário mais avançado conduzido pela CPTM, o empreendimento está na fase de anteprojeto de engenharia, que deverá ser concluída até 2028, e tem investimento estimado em cerca de R$ 16 bilhões.

Segundo Tamaru, a estimativa anterior, entre R$ 19 bilhões e R$ 21 bilhões, foi calculada por benchmarking, utilizando referências de outros empreendimentos ferroviários. Com o avanço dos estudos funcionais, a equipe refez os cálculos e chegou ao novo valor.

O engenheiro ressalta, porém, que o orçamento continuará sendo atualizado, e pode sofrer novas alterações ao longo dos estudos. Ele aponta que parte significativa dos equipamentos ferroviários e dos materiais utilizados é cotada internacionalmente, tornando o investimento sensível à variação cambial.

Apesar do avanço dos estudos, a CPTM destaca que o empreendimento ainda não tem definição sobre modelo de concessão, parceria público-privada (PPP) ou cronograma para o início das obras. Após a conclusão do anteprojeto, ainda serão necessárias etapas como projeto básico, projeto executivo, licenciamento ambiental, definição do modelo de financiamento e eventual licitação antes que a construção possa começar.

NAVAL

CNN Brasil - SP   30/07/2026

O grupo Houthi do Iêmen está considerando impor taxas a navios comerciais que navegam pelo sul do Mar Vermelho, uma semana após declarar um bloqueio naval à Arábia Saudita, disseram fontes regionais, com conhecimento do assunto, à agência de notícias Reuters.

Os Houthis, alinhados ao Irã, declararam em 20 de julho um embargo marítimo contra a Arábia Saudita, abrindo uma nova frente contra os Estados Unidos e seus aliados na guerra contra o Irã e ampliando os ataques a petroleiros que transportam energia e outros suprimentos globais para águas além do Golfo.

O grupo está estudando a possibilidade de impor taxas à maior parte do tráfego marítimo pelo Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o sul do Mar Vermelho ao Golfo de Aden, disseram as fontes. Nenhum prazo foi estipulado para a implementação, acrescentaram.

O gabinete de imprensa dos Houthis não respondeu a um pedido de comentário.

Autoridades houthis viajaram ao Irã em julho para o funeral do falecido líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, onde discutiram com seus homólogos iranianos a questão da imposição de taxas sobre o trânsito pelo Estreito de Bab el-Mandeb, disseram à Reuters duas autoridades regionais informadas por Teerã.

Os objetivos de tal medida seriam normalizar a prática de cobrança de taxas em vias navegáveis internacionais e aumentar a pressão sobre os Estados Unidos, disseram as fontes.

Navios chineses seriam isentos dessas taxas e os Houthis apoiaram o acordo, acrescentaram.

A China manteve conversas diretas com o grupo para permitir que seus petroleiros naveguem pelo sul do Mar Vermelho sem serem atacados, disseram as fontes. A China é a maior compradora mundial de petróleo saudita.
Irã orienta plano

Autoridades houthis que retornaram de avião de Teerã estavam acompanhadas por conselheiros iranianos que os orientaram na criação de uma possível autoridade para regular as taxas de passagem pelo Estreito de Bab el-Mandeb, afirmou um funcionário árabe na região.

"Os Houthis tentarão obter acesso ao Mar Vermelho e cobrarão taxas dos navios se conseguirem", declarou Afrah al-Zouba, ministra das Relações Exteriores designada pelo governo iemenita reconhecido internacionalmente, à Reuters.

Tal medida enfrentaria forte oposição dos países do Golfo e da Europa, embora as forças navais internacionais, já sobrecarregadas, não consigam atualmente fornecer proteção suficiente à navegação mercante e haja pouco interesse político em mudar essa situação, disseram dois diplomatas ocidentais.

Teerã rejeitou a proposta de Omã para uma gestão regional conjunta do Estreito de Ormuz, que incluiria taxas voluntárias dos navios, frustrando as esperanças de uma resolução para o impasse que paralisa o comércio do Golfo nesse ponto estratégico há meses.

Ameaça de abastecimento

O fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb privaria a Arábia Saudita de uma alternativa crucial ao Estreito de Ormuz e aumentaria os temores de escassez de petróleo.

O tráfego no Mar Vermelho não se recuperou totalmente desde que os ataques dos Houthis na costa do Iêmen começaram em novembro de 2023, em um ato que o grupo alegou ser de solidariedade aos palestinos na guerra da Faixa de Gaza.

Os ataques do grupo a navios mercantes só terminaram com o cessar-fogo em Gaza em outubro de 2025.

Pelo menos um petroleiro saudita foi atacado na última semana perto do porto de Jizan, no sul da Arábia Saudita, próximo ao Iêmen, e os Houthis reivindicaram a autoria do ataque.

Anteriormente, foi alegado que o grupo cobrava taxas de algumas agências de navegação que transitavam pelo Mar Vermelho e pelo Golfo de Aden durante o auge de sua campanha marítima em 2024, em troca de salvo-conduto, segundo relatório de 2024 do Painel de Especialistas da ONU, que afirmou não ter conseguido verificar a informação de forma independente.

Estima-se que essas taxas tenham chegado a US$ 180 milhões por mês, embora esses detalhes não tenham sido confirmados.

Navegar pelo Estreito de Bab el-Mandeb até a Ásia leva, em média, 16 dias, contra 50 dias se as cargas forem redirecionadas pelo norte do Mar Vermelho, pelo Canal de Suez e, em seguida, pela África Austral.

PETROLÍFERO

Valor - SP   30/07/2026

Para analistas, os números apresentados na véspera indicam que a companhia pode mostrar desempenho financeiro positivo no segundo trimestre

As ações da Petrobras (PETR3, PETR4) passam por um dia de ganhos nesta quarta-feira (29) após a estatal apresentar dados operacionais considerados fortes. Para analistas, os números apresentados na noite de terça-feira (28) indicam que a companhia pode mostrar resultados financeiros positivos no segundo trimestre deste ano.

Por volta das 11h, as PN da Petrobras subiam 2,23%, enquanto as ON ganhavam 2,54%. O movimento mais forte nos papéis ajudava a reduzir as perdas do Ibovespa, que cedia 0,64%, aos 175.430 pontos, no mesmo horário.

Ontem, a estatal informou que a produção total no segundo trimestre bateu recorde de 3,336 milhões de barris de óleo equivalente (boe) por dia, alta de 14,1% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Para analistas do Bradesco BBI, a petroleira mostrou um conjunto robusto de dados operacionais e comerciais no segundo trimestre, o que abre caminho para um balanço financeiro "sólido" no período. Na visão da equipe, liderada por Rafael Barcellos, a estatal combinou avanço na produção de petróleo, forte incremento nas exportações e taxas de utilização recorde em suas refinarias.

Da mesma forma, os analistas do Itaú BBA avaliam que a melhoria em termos de escala de novas plataformas, aliada à entrada em operação de novos poços, ajudou a estatal a registrar crescimento em sua produção de petróleo e gás.

A equipe do Itaú BBA calcula que a Petrobras vai registrar um Ebitda de US$ 18,4 bilhões no segundo trimestre, o que representa um salto expressivo de 54% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. A casa tem recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 64 para as ações preferenciais, o que representa um potencial de alta de mais de 55% sobre o fechamento de ontem.

Money Times - SP   30/07/2026

Após três dias consecutivos de queda, os preços do petróleo disparam nesta quarta-feira (29) com a retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. O movimento renovou o temor de escalada nas tensões na região e aumentou as incertezas sobre as negociações de paz.

O contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para outubro terminou o dia com salto de 7,32%, a US$ 88,09 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres, próximo da máxima intradia, a US$ 88,41.

Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, o contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para setembro avançou 6,56%, a US$ 84,46 o barril, após subir até US$ 85,57 na máxima intradia.
O que impulsionou o petróleo hoje?

A trégua nos ataques entre Estados Unidos e Irã, que havia sido estabelecida pelo presidente norte-americano Donald Trump no último sábado (25), chegou ao fim.

Hoje, os EUA e a Arábia Saudita realizaram ataques conjuntos contra grupos armados apoiados pelo Irã no Iraque. Trump também prometeu retaliar duramente Teerã em entrevista por telefone à Fox News nesta manhã.

O Departamento do Tesouro norte-americano ainda anunciou mais uma rodada de sanções contra o país persa, direcionadas a 10 entidades – sendo seis delas sediadas na China – e mais oito petroleiros.

“Com a economia em queda livre e a inflação na casa dos três dígitos, o regime está desesperado por dinheiro”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent, no comunicado.

“Os Estados Unidos não permitirão que o Irã mantenha o comércio global como refém ou use o transporte marítimo internacional para financiar o terrorismo, a agressão e a repressão da Guarda Revolucionária Islâmica”, disse Bessent, referindo-se à Guarda Revolucionária Islâmica.

O Irã, por sua vez, rejeitou uma proposta de Omã para administrar conjuntamente o Estreito de Ormuz e afirmou ter disparado contra navios no estreito e contra bases norte-americanas na Jordânia.

O grupo militante houthis, do Iêmen, também disparou mísseis balísticos contra um petroleiro saudita no Estreito de Bab el-Madeb, no Mar Vermelho, intensificando a aplicação de um bloqueio marítimo recém-declarado contra a Arábia Saudita.

Os bloqueios em Ormuz e El-Madeb aumentam as incertezas sobre o escoamento da commodity e os possíveis impactos da oferta mais restrita sobre os preços e os efeitos na inflação global.

Além disso, os estoques da commodity nos EUA caíram 7,167 milhões de barris, a 404,508 milhões de barris na semana até 24 de julho, segundo o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês). Os analistas consultados pelo Wall Street Journal projetavam queda de 600 mil barris no período.

AGRÍCOLA

CNN Brasil - SP   30/07/2026

As vendas de máquinas agrícolas geraram R$ 4,97 bilhões em junho deste ano, uma retração de 22,3% em relação ao mesmo período de 2025. No primeiro semestre de 2026, o segmento foi o que mais pressionou o desempenho da indústria brasileira de máquinas e equipamentos.

O balanço foi divulgado nesta quarta-feira (29) pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).

Em relação a maio, as vendas subiram 8,3%, porém no acumulado dos primeiros seis meses do ano, o resultado é de queda de 21,3%, com um total R$ 26,64 bilhões.

A atividade voltada ao campo registrou a maior retração entre todos os grupos setoriais, refletindo o enfraquecimento da demanda doméstica e os efeitos do crédito mais caro sobre os investimentos dos produtores, informou a entidade.

No caso das máquinas produzidas no Brasil, a retração foi ainda mais intensa: as vendas internas recuaram 17% no semestre em relação ao mesmo período do ano passado.

A entidade atribui esse cenário principalmente à política monetária restritiva, que elevou o custo do capital e adiou decisões de compra e renovação de equipamentos.
Exportações

Apesar do cenário doméstico desfavorável, as exportações de máquinas ligadas ao agronegócio ajudaram a amenizar parte das perdas.

A Abimaq destaca que as vendas externas seguem concentradas, entre outros segmentos, em equipamentos destinados à agricultura, contribuindo para que as exportações da indústria crescessem 12,7% no acumulado do primeiro semestre.

Ainda assim, o efeito positivo foi limitado pela valorização do real em comparação ao dólar, que reduziu o impacto das receitas em moeda nacional.

Outro ponto de atenção para os fabricantes nacionais é o avanço das importações, especialmente das provenientes da China. Mesmo com a retração dos investimentos no mercado interno, as máquinas importadas passaram a responder por 47,7% do consumo nacional no primeiro semestre, 2,1 pontos percentuais acima do registrado um ano antes.

Segundo a Abimaq, o crescimento das compras chinesas concentrou-se em segmentos como logística, construção civil e máquinas agrícolas, ampliando a concorrência sobre a indústria brasileira.

Na avaliação da entidade, a retomada das vendas de máquinas agrícolas dependerá, segundo a associação, da melhora do ambiente macroeconômico, da redução dos juros e do fortalecimento da confiança para novos investimentos no campo e na indústria.

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