Diário do Comércio - MG 23/10/2026
As importações de produtos que utilizam aço na fabricação, como automóveis, máquinas e equipamentos, estão entre os principais fatores de pressão sobre o mercado brasileiro de aços planos. O avanço desses produtos, especialmente os de origem chinesa, tem reduzido a demanda pelo aço nacional e dificultado a recuperação das vendas das distribuidoras. O cenário foi traçado pelo presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, em coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira (22).
Segundo Loureiro, mesmo com medidas de defesa comercial, como as tarifas antidumping adotadas contra determinados produtos siderúrgicos, a importação de bens fabricados com aço continua afetando a demanda pelo aço nacional. Ele cita a entrada de automóveis chineses e o avanço das importações de máquinas e equipamentos, inclusive no segmento agrícola.
“Você pode segurar um pouco a importação do aço com as medidas antidumping, mas produtos contendo aço é o que está realmente causando mais problemas para o mercado interno, em termos de consumo”, afirmou.
Na avaliação de Loureiro, esse cenário, somado ao elevado nível dos estoques e à retração sazonal esperada para o fim do ano, afasta a possibilidade de aumento nos preços do aço nos próximos meses. “Não vejo, em função da situação atual de estoques e da situação normal de fim de ano, qualquer possibilidade de aumento de preço”, afirmou ao comentar o desempenho do setor em setembro.
Os números do Inda mostram as dificuldades enfrentadas pelas distribuidoras. As compras de aços planos recuaram 1,9% em setembro, na comparação com agosto, para 333,7 mil toneladas. Em relação ao mesmo mês de 2025, a queda foi de 7,3%. As vendas, por sua vez, tiveram leve alta mensal de 0,5%, para 335,8 mil toneladas, mas ficaram 7,2% abaixo do volume registrado um ano antes.
Embora tenham recuado 0,2% em relação a agosto, os estoques permanecem elevados, em 1,18 milhão de toneladas. O giro de estoque fechou setembro em 3,5 meses, mantendo a pressão sobre o mercado e limitando a capacidade de repasse de aumentos de preços.
Importações
As importações diretas de aço também reforçam a pressão sobre o mercado. Em setembro, o volume importado cresceu 34,3% em relação a agosto, para 266 mil toneladas, e avançou 10,2% na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, entretanto, houve queda de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O presidente do Inda também observa uma mudança na origem das importações diretas de aço, com maior participação de países como Vietnã e Coreia do Sul. Segundo ele, o material vietnamita chega ao mercado com preço cerca de US$ 50 por tonelada superior ao do produto chinês. Questionado sobre a eventual adoção de medidas antidumping contra o Vietnã, Loureiro avaliou que os resultados poderiam levar de um ano a um ano e meio para aparecer.
Perspectivas
Para outubro, a expectativa das distribuidoras associadas ao Inda é de estabilidade nas compras e nas vendas em relação a setembro. Uma recuperação mais consistente segue condicionada à melhora da atividade econômica e do consumo interno.
Loureiro também apontou o custo do crédito como um obstáculo aos investimentos. Na avaliação dele, os juros elevados desestimulam projetos empresariais e limitam a retomada do mercado. Com a demanda enfraquecida e os estoques ainda altos, as siderúrgicas não têm encontrado condições favoráveis para elevar os preços.
Infomoney - SP 23/10/2026
A Vale (VALE3) fechou a sessão desta quinta-feira (22) com recuo de 3,97% (R$ 61,49), acompanhando o viés negativo de mineradoras no exterior. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) caiu 1,62%, para 669 iuanes (US$ 100,23) por tonelada.
No setor de mineração e siderurgia no Brasil, CSN ON (CSNA3) perdeu 5,43%, USIMINAS PNA (USIM5) fechou em queda de 4,81% e GERDAU PN (GGBR4) cedeu 3,92%.
Números divulgados pela Inda também mostraram que, em setembro, os distribuidores de aços planos, que costumam ser responsáveis por cerca de um terço das vendas das usinas siderúrgicas nacionais, tiveram queda de 7,2% na comercialização sobre um ano antes.
Os contratos futuros de minério de ferro caíram nesta quinta-feira, depois que a compradora estatal chinesa de minério de ferro fechou um novo acordo com a mineradora Rio Tinto, enquanto as margens das siderúrgicas mostraram poucos sinais de melhora.
A China Mineral Resources Group (CMRG), compradora estatal chinesa de minério de ferro, notificou verbalmente algumas siderúrgicas sobre o acordo com a Rio Tinto na quarta-feira, sem fornecer mais detalhes, segundo fontes a par do assunto.
A Reuters informou no início de agosto que a CMRG orientou algumas siderúrgicas a interromperem as negociações com a Rio Tinto para remessas a partir de setembro.
As perdas das usinas entre os principais produtores de aço de Tangshan permaneceram praticamente inalteradas nesta semana, com o custo médio do ferro-gusa fundido continuando a cair em relação ao preço de fábrica do tarugo quadrado comum de 2.940 iuanes por tonelada, segundo dados da consultoria Mysteel.
A produção chinesa de minério de ferro bruto caiu 23,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, para 63,11 milhões de toneladas em setembro, segundo dados do Escritório Nacional de Estatísticas.
No entanto, analistas da Everbright Futures afirmaram que a produção estável das minas no exterior, os embarques e chegadas portuárias robustos e os estoques portuários elevados indicavam oferta abundante, apesar da menor produção doméstica.
Notícias Agricolas - SP 23/10/2026
O Vietnã superou a China em setembro como principal origem de importações de aços planos pelo Brasil, após medidas antidumping tomadas nos últimos meses contra Pequim restringirem o fluxo de material chinês que chegava aos portos brasileiros, segundo dados apresentados nesta quinta-feira por distribuidores do produto.
Das 266 mil toneladas de aços planos importadas pelo Brasil em setembro, 176 mil vieram do Vietnã, segundo dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda).
Enquanto isso, o Brasil importou da China cerca de 25 mil toneladas no mês passado, ante 135,5 mil trazidas do país em setembro de 2025, quando o Vietnã nem aparecia na lista das 15 principais origens de importações brasileiras de aço plano compilada pela entidade.
"Está havendo uma série de negócios com o Vietnã em que os importadores se juntam para trazer material para o Brasil", disse o presidente do Inda, Carlos Loureiro, a jornalistas. "Isso já está começando a azeitar. Os números mostram que o Vietnã está muito firme no Brasil", acrescentou.
No acumulado do ano, a China ainda é a principal origem das importações de aços planos pelo Brasil, com participação de 40,5% e um volume de 933,46 mil toneladas, quase o volume anual de um alto-forno de uma usina siderúrgica nacional. Mas o Vietnã aparece em seguida, com fatia de 20,4% que corresponde a 470,2 mil toneladas, segundo os dados do Inda.
"Se entrar com ação antidumping contra o Vietnã, a medida é para um ano, um ano e meio para vir algum resultado", disse Loureiro, citando que o crescimento do Vietnã nas importações brasileiras ocorre mesmo com o produto vendido pelo país ser em média US$50 mais caro que o chinês.
Em setembro, os distribuidores de aços planos, que costumam ser responsáveis por cerca de um terço das vendas das usinas siderúrgicas nacionais, tiveram queda de 7,2% na comercialização sobre um ano antes, para 336 mil toneladas. No acumulado do ano, o setor amarga recuo de 2,1% nas vendas ante os primeiros nove meses de 2025, para 2,92 milhões de toneladas, segundo os dados do Inda.
"A gente sente bastante retração de mercado (interno) em função da importação de produtos com aço, que é o grande desafio do Brasil", disse Loureiro, referindo-se a importações de produtos como carros, máquinas, eletrodomésticos.
Os distribuidores terminaram o mês passado com estoques de 1,18 milhão de toneladas, 8,8% acima do verificado um ano antes. O maior volume é de laminados a quente, 741 mil toneladas, segundo os dados do Inda.
Para outubro, a expectativa da entidade é de estabilidade nas vendas ante setembro.
O cenário, segundo Loureiro, mantém dificuldades para as usinas siderúrgicas nacionais elevarem seus preços até o final do ano, um período que ainda traz sazonalidade mais fraca.
O executivo afirmou que o principal desafio de quem sair vitorioso da votação presidencial neste final de semana será adotar medidas que permitam "trabalhar mais rápido a queda da taxa de juros".
"O que segura investimento são os juros. Essa taxa de 13,75% (da Selic) é impeditiva para qualquer investimento", afirmou o presidente do Inda, defendendo mudança de governo para permitir uma queda mais rápida da taxa de juros.
Diário do Comércio - MG 23/10/2026
A produção de aço bruto em Minas Gerais aumentou 1,3% em setembro deste ano, em relação ao mesmo período de 2025, para 880 mil toneladas, segundo dados do Instituto Aço Brasil. Em agosto, o volume havia caído 5,3% na comparação interanual.
Embora as usinas do Estado tenham voltado a apresentar avanço na produção de aço bruto, o resultado no acumulado do ano seguiu negativo. Entre janeiro e setembro de 2026, foram 7,5 milhões de toneladas produzidas, queda de 1,9% frente a igual intervalo do ano passado.
No ranking nacional de produção de aço bruto, o parque siderúrgico mineiro liderou em ambos os casos. Em setembro, a participação foi de 31,5%, e no acumulado, de 30,4%, superando o Rio de Janeiro, com 25,8% e 26%, respectivamente.
Em movimento contrário ao do aço bruto, a produção de aços semiacabados para venda e laminados em Minas Gerais em setembro recuou 12,6%, ante o mesmo período do ano passado, para 749 mil toneladas. Em agosto, houve aumento interanual de 4,4%.
A expressiva redução amplificou o resultado negativo das usinas do Estado no acumulado do ano. Entre janeiro e setembro, foram 6,8 milhões de toneladas produzidas, o que representa, em relação a igual intervalo do ano passado, queda de 4,4%.
No que se refere ao ranking nacional, o parque siderúrgico mineiro também foi líder em ambos os recortes. A participação em setembro alcançou 28,4%, e no acumulado, chegou a 28,6%, enquanto o Rio de Janeiro registrou 25,7% nos dois recortes.
Resultados no Brasil
O Brasil, por outro lado, apresentou redução interanual na produção em todos os cenários. O volume de aço bruto produzido no País inteiro caiu 0,8% em setembro, para 2,8 milhões de toneladas, e 1,7% no acumulado desde janeiro, totalizando 24,6 milhões de toneladas. Já o volume de aços semiacabados e laminados recuou 4,1% no mês, para 2,6 milhões de toneladas, e 1,3% no resultado acumulado, totalizando 23,6 milhões de toneladas.
Ainda conforme dados do Aço Brasil, as vendas internas de aço no Brasil reduziram 2,3% em setembro de 2026, frente ao mesmo período de 2025, para 1,8 milhão de toneladas. No acumulado desde janeiro somaram 16 milhões de toneladas, registrando estabilidade.
Já as importações de setembro foram de 600 mil toneladas, com avanço interanual de 34,6%. No sentido oposto, houve queda de 15,4% no acumulado, com 4,3 milhões de toneladas importadas entre janeiro e setembro.
No que diz respeito às exportações, o volume caiu 22,7% em setembro deste ano contra igual intervalo do ano passado, atingindo 598 mil toneladas. No acumulado do ano, o resultado se manteve positivo, com aumento de 1,1%, para 7,9 milhões de toneladas.
Por fim, o consumo aparente de produtos de aço chegou a 2,3 milhões de toneladas em setembro, com alta interanual de 0,9%. No acumulado desde janeiro, somou 19,7 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 3,6%.
No fim de setembro, o instituto apresentou estimativas atualizadas para 2026, projetando uma leve queda de 0,1% na produção de aço bruto. As previsões divulgadas também indicam recuos nas importações de laminados, de 15,1%; nas exportações, de 0,5%; e no consumo aparente, de 2,7%; além de uma leve alta de 0,2% nas vendas internas.
Valor - SP 23/10/2026
A siderúrgica japonesa Nippon Steel investirá cerca de US$ 3 bilhões na unidade de Mon Valley, no estado americano da Pensilvânia — apurou o jornal “Nikkei Asia” —, como parte de um plano de investir US$ 11 bilhões nos Estados Unidos até 2028.
A unidade de Mon Valley é operada pela subsidiária U.S. Steel. Espera-se que esta instalação seja o principal destino dos investimentos da controladora japonesa nos Estados Unidos.
O aporte será concentrado em uma unidade de laminação a quente, que aquece placas de ferro produzidas em altos-fornos e as lamina para transformá-las em aço mais fino. O laminador a quente de Mon Valley está em operação há quase 90 anos; com o passar do tempo, a estrutura deteriorou-se, tornando-se menos eficiente.
A nova instalação tem previsão de entrar em operação no segundo semestre de 2029. Ela permitirá a produção de aço de maior qualidade, destinado ao setor automotivo e a outras aplicações.
Em agosto, a Nippon Steel iniciou a operação comercial de uma unidade de laminação a quente de última geração em sua planta de Nagoya, no Japão, com um custo de aproximadamente 300 bilhões de ienes (US$ 1,91 bilhão). A empresa planeja levar essa tecnologia de ponta também para Mon Valley.
Em um relatório encomendado pela U.S. Steel e divulgado em junho, previa-se um investimento de até US$ 2,5 bilhões em Mon Valley. Estima-se que o valor final tenha subido para US$ 3 bilhões, refletindo o aumento dos custos com mão de obra e construção.
Ao adquirir a U.S. Steel, a Nippon Steel prometeu ao governo americano investir US$ 11 bilhões na companhia até 2028. Em agosto de 2026, a empresa já havia aprovado US$ 3,7 bilhões em investimentos. Com os US$ 3 bilhões planejados para Mon Valley, mais da metade do montante prometido já foi autorizada.
O mercado americano de aço permanece aquecido. As tarifas impostas pela administração do presidente Donald Trump ajudaram a conter as importações e a impulsionar a demanda por aço produzido internamente. Os preços das bobinas laminadas a quente nos Estados Unidos ultrapassaram US$ 1.300 por tonelada em meados de outubro, segundo a SteelBenchmarker. Foi a primeira vez que os valores ficaram acima desse patamar desde junho de 2022, período em que a demanda pós-pandemia impulsionou um salto no consumo de aço.
Impulsionadas pelo cenário de mercado favorável, grandes siderúrgicas americanas, como a Cleveland-Cliffs, registraram uma recuperação acentuada em seus lucros. A Nippon Steel projeta um lucro líquido consolidado de 290 bilhões de ienes para o ano fiscal encerrado em março de 2027 — um montante cerca de 17 vezes superior ao registrado no ano anterior. Estima-se que a U.S. Steel contribua com 180 bilhões de ienes para esse resultado.
Contudo, não é certo se esse aquecimento perdurará a médio e longo prazo. "Em vez de depender das condições de mercado, precisamos gerar sinergias de forma consistente e realizar investimentos", afirmou Takahiko Iwai, diretor financeiro (CFO) da Nippon Steel.
O Estado de S.Paulo - SP 23/10/2026
As empresas brasileiras retomaram os investimentos nos Estados Unidos após a imposição de barreiras comerciais contra produtos do Brasil na maior economia do mundo. Desde que Donald Trump iniciou o segundo mandato, com tarifas que tiveram o Brasil entre os principais alvos, US$ 11,6 bilhões em investimentos brasileiros entraram nos Estados Unidos.
Com Trump, os Estados Unidos viraram o terceiro principal destino dos investimentos do Brasil no exterior, atrás apenas de Suíça e Ilhas Virgens Britânicas, conhecidas pelos regimes fiscais privilegiados.
O montante engloba os investimentos diretos — ou seja, aportes em negócios nos Estados Unidos, incluindo reinvestimento de lucro — do ano passado (US$ 9,5 bilhões), somados aos US$ 2,1 bilhões registrados entre janeiro e junho deste ano pelo Banco Central (BC) em participação no capital de empresas americanas. Ficam de fora, portanto, as alocações de carteira em ações, títulos de renda fixa, derivativos e outros ativos financeiros.
Segundo consultorias que assessoram empresas interessadas em entrar ou ampliar operações nos Estados Unidos, esses investimentos respondem ao recado de Trump de que, para vender ao mercado americano, é preciso estar no país. O movimento também reflete a busca por diversificação e crescimento no maior mercado do mundo, aproveitando as oportunidades ligadas à construção da infraestrutura que sustenta a corrida da inteligência artificial.
O governo brasileiro avalia que a tendência está mais ligada a estratégias de longo prazo de internacionalização das empresas do que a fatores conjunturais, como as tarifas do governo Trump sobre produtos não fabricados nos Estados Unidos. Entre as empresas que anunciaram novos investimentos nos Estados Unidos desde o ano passado estão a JBS, com US$ 835 milhões para construir e modernizar fábricas no país; a WEG, com US$ 77 milhões para ampliar uma fábrica de transformadores especiais em Washington, voltada à demanda de data centers e da rede elétrica americana; e a Embraer, com US$ 70 milhões para instalar um hangar de manutenção de jatos comerciais no Texas.
A Amcham, câmara de comércio que reúne multinacionais com operações nos dois países, mapeou 35 novos projetos de investimento produtivo do Brasil nos EUA nos últimos 12 meses. Eles somam aproximadamente US$ 1,2 bilhão em investimentos. Para Renato Alves de Oliveira, diretor da Bicalho, consultoria que presta assessoria jurídica, tributária e trabalhista a empresas em processo de internacionalização, o tarifaço de Trump ajudou a acelerar a entrada de companhias brasileiras nos Estados Unidos.
“Vejo muitas empresas reconsiderando o canal de exportação e avaliando a possibilidade de operar ou produzir diretamente nos Estados Unidos”, afirma. A avaliação de consultores é de que parte das empresas busca nos Estados Unidos um crescimento que, por motivos como os juros altos, não consegue mais obter no Brasil. “A internacionalização deixou de ser apenas uma oportunidade de crescimento e passou a fazer parte da estratégia de proteção de muitos negócios”, diz Oliveira.
Após cair de US$ 42,8 bilhões para US$ 28,5 bilhões, o estoque de investimentos brasileiros nos Estados Unidos voltou a superar US$ 38 bilhões durante o governo Trump (veja abaixo a reação nos últimos anos). Flávio Inacarato, sócio da Naventia, afirma que o receio de ficar de fora de um dos maiores mercados do mundo é grande. Para ele, as exceções ao tarifaço, que pouparam, por exemplo, componentes da aviação civil das tarifas extras, demonstraram que empresas já instaladas no país, como a Embraer, têm mais chance de escapar das tarifas.
Contornar o tarifaço não é, segundo Inacarato, o único estímulo para investir nos Estados Unidos: o tamanho do mercado consumidor também explica o magnetismo americano. “Só a Flórida tem hoje quase o tamanho do PIB do Brasil: 85% do nosso PIB. Estamos falando de um mercado consumidor gigantesco.” Ele conta que sua consultoria, que presta assessoria jurídica, migratória, fiscal e contábil a empresas interessadas no mercado dos Estados Unidos, foi procurada nos últimos meses por empresários que querem vender ao país desde autopeças até artesanatos e itens de jardinagem.
Indústria brasileira investe em produção local nos Estados Unidos
Os novos investimentos brasileiros nos Estados Unidos são multissetoriais, porém com destaque para alimentos — em especial carnes e café solúvel —, software e tecnologia da informação. Também ganham força investimentos das indústrias de equipamentos para energia, produtos químicos, logística, serviços financeiros e siderurgia, conforme mapeamento da Amcham.
O diretor de políticas públicas e relações governamentais da Amcham, Fabrízio Panzini, afirma que empresas já estabelecidas estão ampliando operações, enquanto novos grupos também passam a buscar o mercado americano. Embora fatores conjunturais possam influenciar algumas decisões, o que mais sustenta a tendência são vetores de longo prazo, como acesso ao mercado, inovação, tecnologia, diversificação e proximidade com clientes.
“Temos observado um movimento mais amplo de empresas brasileiras revendo e aprofundando suas estratégias de internacionalização, nas quais os Estados Unidos aparecem naturalmente como um dos principais destinos”, diz Panzini. Procurado para comentar se o tarifaço impulsionou projetos nos Estados Unidos e se o Brasil estaria perdendo investimentos para o mercado americano, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) respondeu que os investimentos diretos entre países refletem estratégias de longo prazo das empresas e tendem a ser menos sensíveis a fatores conjunturais.
“É do interesse brasileiro manter e aprofundar o fluxo de inversões, nos dois sentidos, numa relação equilibrada e mutuamente proveitosa”, afirmou o ministério, que também listou, na resposta, alguns dos investimentos feitos por empresas brasileiras nos Estados Unidos. O MDIC observa que setores da indústria brasileira têm investido em produção local nos Estados Unidos.
Já em alimentos e agronegócio, a leitura é de que os aportes são impulsionados pela internacionalização das empresas, com foco na aquisição de ativos, no processamento local e na distribuição direta ao consumidor americano. São citados ainda investimentos da indústria aeroespacial, liderados pela Embraer e ligados a uma estratégia de inserção global em que o Brasil atua como fornecedor competitivo.
O ministério também menciona a expansão de empresas de tecnologia e serviços digitais nos Estados Unidos, apontando, como exemplo, a Stefanini, que avança com um programa de investimento global de R$ 2 bilhões, cujo foco é justamente o mercado americano.
China perde metade dos investimentos brasileiros em um ano
Em sentido oposto ao dos Estados Unidos, a China vem perdendo investimentos do Brasil, em meio a uma deterioração do ambiente de negócios associada a fatores que vão das tensões geopolíticas ao aperto regulatório interno e à desaceleração provocada pela crise do setor imobiliário.
No ano passado, segundo dados das contas externas do Banco Central (BC), o estoque de investimentos do Brasil na China foi reduzido em mais da metade: de US$ 3,8 bilhões para US$ 1,6 bilhão. A disputa com os Estados Unidos, marcada por sanções mútuas no comércio e em áreas como semicondutores e inteligência artificial, tem levado multinacionais a reduzir a exposição ao mercado chinês e a direcionar investimentos industriais para países com menor risco político, como Vietnã, Índia, Malásia e México.
O movimento também se relaciona a leis de segurança nacional e antiespionagem, que endureceram a fiscalização sobre o fluxo de dados, auditorias e consultorias estrangeiras que operam na China, aumentando a percepção de risco de conformidade jurídica. Além disso, o ambiente de negócios na China se tornou mais fechado e imprevisível para investidores, em razão do aperto nas regras de transferência de tecnologia e de investimentos internacionais.
Por fim, a persistente crise imobiliária tem abalado a confiança das famílias chinesas, fazendo com que a economia cresça abaixo da média histórica e contribuindo para um excesso de capacidade industrial. Segundo o consultor Theo Paul Santana, que apoia empresas interessadas em aproveitar oportunidades na China, muitas companhias brasileiras que mantinham escritórios comerciais ou tradings no país vêm reduzindo estruturas fixas e passando a comprar diretamente de fábricas.
O fechamento de fábricas próprias, afirma, existe, mas é menos comum. Ele observa que as fábricas chinesas oferecem preço, velocidade de desenvolvimento e nível de personalização que o importador brasileiro dificilmente consegue igualar com uma estrutura própria. Em paralelo, a queda do consumo e a volatilidade cambial no Brasil tornam mais difícil manter investimentos fixos na China.
“Os escritórios comerciais e as pequenas joint ventures são as operações mais afetadas, mais do que as grandes plantas industriais. Os centros de distribuição e logística continuam porque a China segue sendo o principal polo de fornecimento”, afirma Theo. O consultor diz ver mais realocação de investimentos para o Sudeste Asiático e o México do que retorno ao Brasil.
Na tentativa de voltar a atrair capital internacional, Pequim tem anunciado medidas de abertura setorial e de facilitação de negócios, o que contribuiu para o aumento no número de novas empresas estrangeiras no país em 2025. Ainda assim, pontua Theo, empresas brasileiras continuam relatando dificuldades para obter licenças na China.
Apesar da queda na China, o total de investimentos do Brasil no exterior cresce de forma ininterrupta há sete anos. O balanço mais recente, com dados de 2025, mostra que empresas brasileiras têm mais de US$ 562 bilhões investidos em negócios fora do País, mais do que o dobro do volume registrado 14 anos atrás.
Fora de paraísos fiscais ou países com regimes fiscais privilegiados — como Holanda, Suíça, Ilhas Virgens Britânicas, Bahamas, Ilhas Cayman e Luxemburgo, que concentram a maior parte desses recursos —, Reino Unido, Irlanda e Espanha estão entre os que mais recebem investimentos diretos do Brasil.
Mercados vizinhos, como Chile, Uruguai, Argentina e Paraguai, também figuram entre os principais destinos. O Paraguai ganhou destaque no noticiário por atrair empresas brasileiras com vantagens tributárias, mão de obra e energia mais baratas, além de menor burocracia. Após a pandemia, o estoque de investimentos brasileiros no país mais do que dobrou, passando de US$ 1 bilhão, em 2019, para US$ 2,3 bilhões em 2025.
Segundo Suelen Raizer, fundadora da Frontexa, consultoria especializada em estruturar operações no Paraguai, as empresas brasileiras, em geral, não têm trocado o Brasil pelo país vizinho. Em vez disso, usam o país para reorganizar cadeias produtivas e ampliar a base de produção, aproveitando o regime de maquila, que suspende tributos sobre insumos e máquinas de produtos fabricados no Paraguai para o mercado brasileiro.
“Enquanto houver vantagens econômicas relevantes na integração das duas estruturas produtivas, o Paraguai continuará sendo considerado nas estratégias de expansão”, avalia Raizer, acrescentando que as atualizações do regime de maquila no Paraguai, preservando incentivos relevantes às operações de exportação, podem trazer um novo impulso aos investimentos. “Nossa leitura é que o período de 2026 a 2030 pode representar uma das janelas mais relevantes desse processo, antes de uma fase de maior consolidação industrial”, prevê.
Money Times - SP 23/10/2026
O IPCA-15 de outubro, que será divulgado nesta sexta-feira (23), deve mostrar uma desaceleração da inflação em relação a setembro, com alívio na energia elétrica. A pressão de alimentos e combustíveis, porém, deve limitar essa melhora, segundo projeções do ASA e Bradesco.
O ASA estima alta de 0,49% para a prévia da inflação, após avanço de 0,70% em setembro. Apesar da desaceleração mensal, a taxa acumulada em 12 meses deve subir para 4,80% nas contas da casa. Já o Bradesco projeta uma variação de 0,45% no mês.
Na avaliação de Leonardo Costa, economista do ASA, a principal contribuição para a perda de força virá do grupo Habitação, com o arrefecimento da inflação de energia elétrica após os efeitos do bônus de Itaipu. O Bradesco também espera alívio na conta de luz associado à mudança da bandeira tarifária de amarela para verde.
Na direção contrária, os alimentos devem ganhar força. O ASA prevê aceleração considerável em Alimentação e Bebidas, com pressão dos produtos in natura. O Bradesco espera que os alimentos registrem a maior alta desde maio, refletindo os efeitos do El Niño. As duas casas também apontam pressão dos combustíveis.
Serviços ainda exigem atenção
Mesmo com a desaceleração do índice cheio, o ASA não espera uma melhora expressiva na composição da inflação.
“O balanço qualitativo de outubro deve ficar praticamente estável na margem, com o núcleo de serviços ainda em patamar elevado”, afirma Costa.
Para o Bradesco, o resultado ajudará a calibrar as expectativas para a inflação e os próximos passos da política monetária, especialmente diante do comportamento recente dos preços da alimentação no domicílio.
A próxima decisão de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) acontece nos dias 3 e 4 de novembro. A taxa Selic atualmente está em 13,75%.
Já para o IPCA fechado de outubro, o ASA projeta alta de 0,36% e de 5,10% no fechamento de 2026. Segundo Costa, a inflação acumulada em 12 meses deve continuar acelerando nos próximos meses, com os alimentos como principal fonte de pressão no último trimestre sob os efeitos do El Niño.
O Estado de S.Paulo - SP 23/10/2026
É a eleição de meio de mandato, que deverá renovar a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e 35 das 100 cadeiras no Senado. A revista The Economist calcula que os democratas tenham 96% de probabilidade de conquistar o controle da Câmara dos Representantes e 59% de assumir também o Senado.
Essa previsão e outras mais favoráveis aos democratas pipocam pela grande imprensa dos Estados Unidos. Baseiam-se em múltiplos levantamentos a partir do complexo sistema eleitoral dos Estados Unidos, formado por distritos de geometria política variável. Mas se reforçam com a grande desaprovação da atual política comandada pelo presidente Trump.
As pesquisas mostram que a atual administração alcançou o recorde negativo de 31% do eleitorado, que vem sendo castigado pela alta do custo de vida, puxado pelo preço da gasolina no varejo, a US$ 4,50 por galão (3,8 litros), alta de cerca de 35% em 12 meses.
Os analistas debatem sobre o que acontecerá se o pior para Trump se confirmar e se ele for politicamente desidratado. A primeira reação do presidente seria o esperneio, uma de suas características pessoais. Seria descarregar a derrota com uma política ainda mais agressiva, por meio de atos executivos, sob alegação de atender a situações de emergência. Mas não parece provável que atitudes desse tipo tenham fôlego.
Uma vitória relevante dos democratas provavelmente não alteraria as atuais políticas de rechaço à imigração e da imposição de tarifaços no comércio exterior.
Como, no entanto, aumentaria a força da oposição interna e comprometeria uma vitória dos republicanos nas eleições presidenciais dois anos depois, tenderia a criar dificuldades para a atual administração, já altamente deficitária, por meio de restrições orçamentárias.
Mais do que isso, um Congresso majoritariamente democrata poderia recorrer a processos de impeachment, hipótese mencionada pelos analistas.
Não está claro se também estimularia a revisão da atual geopolítica comandada por Trump. Mas um presidente politicamente enfraquecido poderia aumentar a resistência do Irã a firmar um acordo nos termos desejados por Trump.
A propósito, as grandes questões globais já estão sofrendo certa quebra de ritmo, porque as partes estão à espera do resultado das urnas.
Seja quem for o novo presidente eleito aqui no Brasil, uma relativa anemia política do presidente Trump também poderá alterar os termos das negociações recíprocas em curso, tanto para a revisão do tarifaço quanto para os termos do acesso dos Estados Unidos à exploração das jazidas de terras raras. A conferir.
Infomoney - SP 23/10/2026
Um grupo de cerca de 380 pessoas formado por empresários, economistas, executivos e lideranças da sociedade civil, elaborou uma carta de compromissos destinada aos candidatos à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro ( PL). Chamado de Grupo Parlatório, a iniciativa foi coordenada pelo economista Roberto Giannetti da Fonseca e está estruturada em 14 pilares temáticos, entre eles democracia, educação, emprego e produtividade, mas o principal foco é na responsabilidade fiscal com uma espécie de “Plano Real para os juros”.
O documento propõe um compromisso formal dos presidenciáveis com um ajuste fiscal capaz de reduzir a taxa Selic para 7,5% ao ano e a inflação para 3% até dezembro de 2027. A queda de juros, segundo a proposta, seria sustentada por um superávit primário mínimo de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027 e a redução da Dívida Bruta/PIB para menos de 70% até 2030. Atualmente a dívida está em 82,9%.
O grupo alerta que o custo médio da dívida pública de R$ 10,9 trilhões está em 12,68% ao ano, gerando uma despesa anual de cerca de R$ 1,4 trilhão em juros (o equivalente a 10,5% do PIB) e argumenta que juros mais baixos e estabilidade fiscal tornarão o crédito mais acessível a famílias e empresas, estimulando um crescimento médio da economia de no mínimo 3,% ao ano e uma taxa de investimento superior a 20% do PIB entre 2027 e 2030.
O Grupo Parlatório trata a redução da taxa Selic como prioridade absoluta e de extrema urgência, estabelecendo que o alívio monetário deve ser conduzido tecnicamente pelo Comitê de Política Monetária (Copoim), do Banco Central. A carta solicita ainda a atualização da Lei de Responsabilidade Fiscal, revisão da indexação de despesas obrigatórias, aceleração da reforma tributária, postura firme na defesa comercial externa e mudanças no processo de escolha e mandato de ministros do STF.
Plano para ampliar produtividade
No capítulo da produção, emprego e agro, o grupo sugere uma Agenda Nacional de Produtividade, agregação de valor às commodities, fortalecimento do Plano Nacional de Fertilizantes (Profert) para reduzir a dependência externa e a ampliação dos investimentos na Embrapa. Estabelece a meta de neutralizar emissões da agropecuária até 2042 com a restauração de 15 milhões de hectares de florestas, a criação do mercado regulado de carbono e o fortalecimento de órgãos ambientais (Ibama e ICMBio).
Também sugere uma política externa pragmática focada na América do Sul e nos BRICS (grupo dos países em desenvolvimento), resolução de contenciosos comerciais com EUA e China, ingresso na OCDE e investimento de até 2% do PIB em defesa e controle de fronteiras na Amazônia.
Pede ainda previsibilidade orçamentária para projetos estruturantes, ampliação de concessões e PPPs, avanço no saneamento básico e modernização da Lei de Licitações para combater propostas com preços inexequíveis em obras públicas.
Além de Roberto Giannetti da Fonseca, participam da iniciativa nomes como Isaac Sidney (presidente da Febraban), Jean Paul Prates (ex-presidente da Petrobras), o empresário Roberto Klabin, a especialista em segurança Ilona Szabó (Instituto Igarapé) e a educadora Viviane Senna (Instituto Ayrton Senna).
Independência dos Três Poderes
No pilar Democracia, Instituições e Reforma Política, o grupo defende a independência dos três Poderes, neutralidade nas relações federativas, combate à corrupção, reforçando instituiçõpes como Tribunal de Contas da União (TCU), Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e Controladoria-Geral da União (CGU).
Também propõe uma reforma política em 2027 para extinguir a reeleição no Executivo, instituir o voto distrital misto, restringir o Fundo Eleitoral público e limitar emendas parlamentares a 5% da receita discricionária. A carta pede ainda uma Reforma Administrativa focada na avaliação de desempenho, redução do número de ministérios, autarquias e estatais, e expansão dos serviços públicos digitais via plataforma gov.br.
No capítulo da Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, o Parlatório propõe o combate integrado às facções criminosas com sufocamento financeiro, fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), controle rígido sobre armas e munições, e melhoria na gestão do sistema prisional. Também pede compromisso do próximo presidente com a erradicação do analfabetismo, e o fortalecimento do ensino médio técnico e das entidades do Sistema S.
O grupo pede ainda o fortalecimento permanente do Sistema Único de Saúde (SUS), expansão do Farmácia Popular e do programa Mais Médicos, consolidação do Prontuário Único do Cidadão e autonomia técnica do Programa Nacional de Imunizações (PNI) para recuperar a cobertura vacinal.
O Parlatório defende ainda manutenção dos programas sociais, incentivo ao mercado formal de trabalho, combate ao feminicídio, machismo e racismo, além do enfrentamento aos impactos sociais das apostas eletrônicas. Também quer o incentivo do fomento à cultura (via Leis Rouanet, Aldir Blanc e Paulo Gustavo) e o apoio orçamentário à Embratur para atração de turistas.
Money Times - SP 23/10/2026
O crescimento da economia brasileira deve perder força em 2027, independentemente de quem vencer a eleição presidencial, avalia a Fitch Ratings.
Em relatório divulgado na quarta-feira (21), a agência de classificação de risco de crédito projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,9% em 2026 e de 1,4% no próximo ano, diante dos juros elevados e da expectativa de aperto nas contas públicas.
Na avaliação da Fitch, seja Flávio Bolsonaro (PL) ou Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vencedor do segundo turno encontrará pouco espaço para estimular a atividade por meio da política fiscal.
A agência destaca que o déficit das contas públicas supera 8% do PIB e que a relação entre a dívida e o tamanho da economia ultrapassou 80%.
“Independentemente de quem vencer o segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, esperamos um aperto da política fiscal no próximo ano”, afirma o relatório. “Isso pesará sobre a atividade econômica.”
O cenário prevê crescimento menor, e não retração do PIB. Segundo a Fitch, a economia já perdeu velocidade: depois de uma expansão média de 3% ao ano entre 2022 e 2025, o avanço ficou abaixo de 2% na comparação anual nos últimos trimestres.
Selic deve terminar 2026 em 13,50%
Mesmo com a desaceleração, a Fitch vê espaço limitado para o alívio monetário neste ano. A projeção é de que a Selic recue dos atuais 13,75% para 13,50% ao fim de 2026, baixando para 11,75% no encerramento de 2027.
Um ajuste fiscal significativo poderia permitir cortes maiores e favorecer uma queda antecipada dos juros de longo prazo. Ainda assim, a expectativa da agência é de que o Banco Central mantenha a política monetária em patamar restritivo, ou seja, com juros que contenham o consumo e os investimentos.
“As autoridades continuam preocupadas com as expectativas de inflação, que permanecem acima da meta de 3%”, diz a Fitch. A inflação de serviços, que a agência aponta estar estacionada em 6% há um ano, também dificulta uma flexibilização mais intensa.
Crédito caro e emprego com menos fôlego
O relatório identifica nos juros elevados um dos principais freios à economia. Segundo a Fitch, as taxas reais – descontada a inflação – estão muito acima dos padrões históricos há vários anos, encarecendo o financiamento para empresas e famílias.
A combinação de crédito caro e aumento do endividamento levou o comprometimento da renda do setor privado com o pagamento de dívidas ao maior nível em mais de duas décadas.
Ao mesmo tempo, a inadimplência avançou e o crescimento do crédito perdeu força, sobretudo entre as empresas. “A proporção de empréstimos inadimplentes aumentou acentuadamente no último ano”, afirma a agência.
Embora parte do movimento reflita mudanças contábeis, a Fitch também identifica uma deterioração efetiva da capacidade de pagamento dos tomadores.
Outro fator é a perda de velocidade na geração de empregos. Apesar de os salários continuarem aumentando, a expansão mais lenta da ocupação pesa sobre a renda disponível e o consumo das famílias.
Segundo a Fitch, o desemprego próximo da mínima histórica também reduz o espaço para novos ganhos de ocupação. Nesse ambiente, o consumo privado e os investimentos lideram a desaceleração, enquanto as exportações e o consumo do governo mostram maior resistência.
O Estado de S.Paulo - SP 23/10/2026
O “efeito Orloff” é uma expressão usada no Brasil para sugerir que a experiência econômica de um país – especialmente a Argentina – poderia antecipar o que aconteceria depois por aqui. A origem está na antiga propaganda da vodca Orloff, cujo slogan era: “Eu sou você amanhã”.
É frequente, no debate econômico brasileiro, que algum analista critique a política econômica do governo e vaticine: “O Brasil vai se tornar uma Argentina!”. Essa comparação, porém, ignora diferenças estruturais importantes entre as duas economias.
Embora Brasil e Argentina tenham enfrentado profundas crises nos anos 1980, em grande medida associadas à crise da dívida externa, suas trajetórias macroeconômicas foram bastante distintas.
A Argentina experimentou um processo inflacionário muito mais agudo, que culminou na hiperinflação de 1989-1990. Este processo, combinado com uma ampla abertura financeira externa, estimulou a dolarização da economia e contribuiu para a atrofia do sistema financeiro doméstico – cujos efeitos ainda se fazem sentir. Para enfrentar a hiperinflação, implementou em abril de 1991 o Plano de Convertibilidade, que estabeleceu, em lei, a paridade de um peso por um dólar, que viria a colapsar em dezembro de 2001, após sucessivos choques externos.
O Brasil também enfrentou elevadíssimas taxas de inflação dos anos 1980 até 1994, mas não passou pelo mesmo processo de dolarização. A existência de uma moeda indexada permitiu preservar a poupança financeira em ativos denominados em moeda doméstica. Essa característica, somada a uma situação externa relativamente mais favorável, contribuiu para que o País pudesse implementar, com o Plano Real, uma bem-sucedida estratégia de estabilização baseada em uma âncora cambial mais flexível.
As diferenças permanecem evidentes atualmente. Entre 2017 e 2025, o crescimento médio do PIB no Brasil foi de aproximadamente 2,0% ao ano, enquanto na Argentina foi de 0,7%. Em 2025, a inflação fechou em 4,3% no Brasil, ante 31,5% na Argentina. Em junho de 2026, a taxa de desemprego no Brasil era de 5,6%, enquanto na Argentina era de 7,8%. A situação brasileira também era mais favorável em termos de pobreza.
A diferença é ainda mais clara quando se observam alguns indicadores estruturais. As reservas internacionais brasileiras correspondem atualmente a cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB), ante aproximadamente 5% na Argentina. O sistema financeiro brasileiro também é muito mais desenvolvido: o crédito doméstico ao setor privado equivale a cerca de 75% do PIB, ante 17% na Argentina. Além disso, o Brasil dispõe de um amplo mercado de dívida pública em moeda doméstica. A Argentina, ao contrário, apresenta maior vulnerabilidade externa, um mercado de dívida pública federal com predominância de emissões em moeda estrangeira e um sistema financeiro atrofiado.
Foi nesse contexto de profunda instabilidade que Javier Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, quando a inflação acumulada naquele ano havia alcançado 211,4%. Seu governo adotou uma política de choque, baseada em forte ajuste fiscal, corte de subsídios e gastos públicos, interrupção do financiamento monetário do Tesouro pelo Banco Central, uma grande desvalorização inicial do peso, seguida de um regime cambial a la crawling peg, além da correção de preços administrados e da redução de controles cambiais e de preços.
A inflação caiu significativamente desde então, ainda que se mantenha elevada. A política de Milei tem sido de “matar o doente para curar a doença”, com aumento acelerado da taxa de desemprego e da pobreza, ao mesmo tempo em que o custo de vida se mantém elevado. Ademais, o país encontra-se frequentemente em dificuldades para pagar sua dívida externa, em contraste com o Brasil, onde o acúmulo de reservas cambiais é bem superior à dívida externa pública.
Nesse contexto, a afirmação recente de Daniella Marques, coordenadora do programa econômico do candidato Flávio Bolsonaro, de que a Argentina seria um ótimo exemplo a ser seguido suscita a seguinte questão: até que ponto seria desejável transplantar para o Brasil as políticas adotadas por Milei?
A resposta passa necessariamente pelas diferenças estruturais entre as duas economias destacadas acima. Políticas econômicas não produzem os mesmos resultados quando aplicadas em contextos distintos. O Brasil dispõe de uma estrutura financeira, uma posição externa e uma capacidade de financiamento em moeda doméstica muito diferentes das da Argentina. Por isso, falar agora em um “efeito Orloff” é pouco apropriado.
Mais importante: diante do elevado endividamento de empresas e famílias no Brasil, um fortíssimo ajuste fiscal em 2027 provocaria uma recessão aguda e desnecessária, tendo em vista o nível controlado de inflação. O resultado poderia ser uma forte contração econômica, possivelmente mais profunda do que a observada em 2015.
No debate sobre política econômica, portanto, mais importante do que procurar modelos a serem simplesmente copiados é compreender as especificidades de cada economia.
O Estado de S.Paulo - SP 23/10/2026
Em meados dos anos 1980, Brasil e Coreia do Sul tinham níveis próximos de produtividade por hora trabalhada. Em 2023, a Coreia já produzia cerca de 2,7 vezes mais por hora. No Uruguai, a produção por hora era quase o dobro da brasileira. A distância tem uma história: outras economias emergentes, sobretudo no Leste Asiático, avançaram, enquanto o Brasil não conseguiu sustentar sua convergência.
O atraso convive com realizações notáveis. Segundo a FGV, entre 1995 e 2024 a produtividade por hora da agropecuária cresceu, em média, 5,8% ao ano, enquanto a da indústria de transformação recuou 0,9%. O contraste revela uma economia capaz de grandes avanços, mas sem dinamismo disseminado. O que impede que a eficiência se espalhe pelo restante da economia?
Parte da resposta está nas regras que condicionam as decisões empresariais. A proteção comercial costuma ser apresentada como benefício ao produtor nacional. Mas há empresas que precisam importar máquinas e componentes. Ao encarecer insumos importados, uma tarifa pode favorecer um fornecedor e prejudicar muitas empresas que dependem dele para investir e competir. Pesquisas sobre a abertura brasileira dos anos 1990 mostram que a redução das tarifas de insumos contribuiu para elevar a produtividade das firmas. A proteção concedida numa ponta da cadeia impunha custos à outra.
O efeito das regras ultrapassa as alfândegas. Indicadores da OCDE apontam barreiras regulatórias elevadas à entrada de empresas e à concorrência no Brasil. Exigências injustificadas, tratamentos especiais e vantagens prolongadas distorcem as condições da disputa. Mesmo uma empresa capaz de produzir melhor pode encontrar dificuldades para ingressar num mercado ou ampliar suas operações, enquanto concorrentes estabelecidos preservam posições protegidas.
Assim, uma distorção empresarial pode comprometer o resultado nacional. Uma firma eficiente que cresce alcança mais consumidores e pressiona concorrentes a melhorar. Novos negócios introduzem técnicas e maneiras de organizar a produção, enquanto capital e trabalho encontram oportunidades de maior valor. A produtividade do País depende tanto dos ganhos obtidos dentro de cada empresa quanto da possibilidade de as mais eficientes ampliarem sua participação. Barreiras à entrada e à competição estreitam esses caminhos.
Regras melhores, porém, precisam encontrar capacidade de resposta. Máquinas exigem trabalhadores preparados, e novas técnicas dependem de gestão e de pesquisa para adaptá-las. Educação eficaz, infraestrutura e segurança jurídica são responsabilidades de um Estado que favorece a iniciativa privada ao oferecer condições para que ela produza. Esses bens públicos merecem tratamento distinto dos favores seletivos concedidos sem demonstração de resultados. Cada intervenção deve ser julgada pelos benefícios efetivos, custos e alternativas.
A transformação também impõe perdas concentradas. Estudos sobre a abertura dos anos 1990 identificaram regiões onde os efeitos negativos relativos sobre emprego e renda persistiram por décadas. Trabalhadores e famílias podem não encontrar novas ocupações na mesma velocidade com que mudam tarifas e regulações. As reformas precisam prever proteção temporária e caminhos reais de recolocação, com formação vinculada à demanda e avaliação dos resultados. Proteger famílias exige enfrentar os custos da transição, sem perpetuar empresas improdutivas e privilégios como instrumento de assistência.
Para voltar a crescer com produtividade, o Brasil precisa mudar as recompensas que oferece. Barreiras e subsídios devem ser confrontados com seus custos, benefícios e efeitos sobre a concorrência. Vantagens injustificadas precisam ser revistas. O acesso a insumos e tecnologias deve abrir espaço ao investimento, enquanto o Estado entrega os bens públicos necessários para aproveitá-los. Numa economia em que empresas cresçam por servir melhor aos consumidores, os ganhos de eficiência terão mais condições de se transformar em renda e oportunidades. É assim que o Brasil poderá encurtar a distância que o separa das economias mais prósperas.
IstoÉ Dinheiro - SP 23/10/2026
Os contratos futuros de minério de ferro caíram nesta quinta-feira (22), após a compradora estatal chinesa China Mineral Resources Group (CMRG) fechar um novo acordo com a Rio Tinto. As margens das siderúrgicas chinesas continuaram sem sinais relevantes de melhora.
O contrato para janeiro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou em queda, a 669 iuanes por tonelada. Em Cingapura, a referência para novembro recuava para US$ 89,85 por tonelada.
Acordo entre CMRG e Rio Tinto não teve detalhes divulgados
A CMRG comunicou verbalmente algumas siderúrgicas sobre o acordo na quarta-feira, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters. Os termos da negociação não foram informados.
Em agosto, a agência havia noticiado que a estatal chinesa orientou algumas usinas a interromper as negociações com a Rio Tinto para remessas a partir de setembro.
Margens das siderúrgicas seguem pressionadas
As perdas das usinas entre os principais produtores de aço de Tangshan permaneceram praticamente inalteradas na semana, conforme dados da consultoria Mysteel.
O custo médio do ferro-gusa fundido continuou a cair em relação ao preço de fábrica do tarugo quadrado comum. O movimento, porém, não foi acompanhado por uma melhora relevante nas margens das siderúrgicas.
Oferta externa compensa queda da produção chinesa
A produção chinesa de minério de ferro bruto caiu 23,9% em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas.
Na avaliação da Everbright Futures, se mantém um cenário de oferta abundante, apesar da redução da produção doméstica. Os analistas apontaram estabilidade na atividade das minas no exterior e volumes robustos de embarques e chegadas aos portos.
Os estoques portuários elevados reforçam essa leitura sobre a disponibilidade da commodity.
Fortescue alerta para risco nas negociações com a China
A australiana Fortescue afirmou que suas operações podem ser afetadas caso as negociações com a CMRG não sejam concluídas até o fim do ano.
A mineradora registrou queda nos embarques de minério de ferro no primeiro trimestre informado. A companhia citou manutenções, incluindo paradas programadas para descarga nos portos, enquanto as negociações prolongadas de fornecimento continuaram a pesar sobre os negócios.
A conclusão do acordo com a estatal chinesa permanece pendente.
Valor Investe - SP 23/10/2026
Pressionada pela fraqueza da demanda chinesa por minério de ferro, mineradora opera em sequência de quedas, mas relatório da XP aponta avanço no cobre como pilar para destravar valor.
As ações da mineradora Vale (VALE3) tiveram novo pregão de forte queda nesta quinta-feira (22). Os papéis tombaram 4%, cotados a R$ 61,49. No acumulado do ano até agora, a queda é de 12,5%, sendo que o ativo passou por uma deterioração forte recentemente: com 12% de recuo só este mês, segundo dados do Valor PRO, serviço de tempo real do Valor Econômico.
O cenário não é isolado da mineradora. O setor de siderurgia e mineração vive dias de vacas magras na bolsa. No fechamento de hoje:
Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3): tombou 5,4%, cotada a R$ 5,40;
Gerdau (GGBR4): recuou 3,9%, a R$ 25,48;
Usiminas (USIM5): desvalorizou 4,8%, a R$ 6,33;
Metalúrgica Gerdau (GOAU4): retraiu 3,5%, a R$ 11,53;
CSN Mineração (CMIN3): destoou do segmento e registrou queda de 0,4%, a R$ 4,94.
O brilho acabou?
No início do ano, a mineradora Vale viveu dias de glória. Segundo a Nord Investimentos, até janeiro deste ano, foram sete meses seguidos de valorização, com a empresa atingindo máximas históricas.
Nesse meio tempo, os preços do minério de ferro passaram a registrar queda na Ásia em razão da perspectiva de demanda menor em um ambiente de oferta abundante do insumo. Hoje, por exemplo, o contrato de minério de ferro para janeiro mais negociado na bolsa de Dalian recuou quase 2%.
Um relatório recente da Genial Investimentos, que mantém recomendação neutra para o papel, projeta justamente um trimestre mais fraco para a mineradora em razão da queda dos preços da commodity.
Mas o cenário não é de todo pessimista. A XP tem preço-alvo para o papel de R$ 83, bem acima da cotação atual. Em relatório divulgado hoje, analistas da casa dizem que o crescimento da produção de cobre da mineradora continua sendo um dos pilares mais importantes de sua tese de investimento.
"Com base em nossas análises, acreditamos que a ambição da Vale de elevar a produção de cobre — de cerca de 350-380 mil toneladas por ano (ktpa) atualmente para cerca de 700 ktpa até 2035 — é amplamente sustentada por sua base atual de reservas e recursos", diz o relatório da XP.
A mineradora também mantém exposição a outras fontes que impulsionam a boa perspectiva da XP, como expansões de capacidade de processamento, depósitos satélites, conversão adicional de recursos, sucesso exploratório e joint ventures. "Esperamos que essas oportunidades possam estender ainda mais a vida útil dos ativos e aumentar a produção para além de nossas projeções atuais", diz o banco.
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Money Times - SP 23/10/2026
A mineradora Samarco, joint venture da Vale com a BHP, produziu 4,3 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro no terceiro trimestre deste ano, segundo prévia operacional divulgada nesta quinta-feira (22). O resultado representa uma alta de 4% em relação ao mesmo período de 2025 e de 10% ante o segundo trimestre de 2026.
O volume é o maior nível trimestral desde a retomada das operações da companhia, ao final de 2020, cerca de cinco anos após o desastre envolvendo a queda de uma barragem de rejeitos de mineração.
Nos nove primeiros meses de 2026, a produção alcançou 12 milhões de toneladas, avanço de 7% na comparação anual e também o maior volume para o período desde a retomada operacional.
Detalhes da prévia da Samarco
Segundo a Samarco, o desempenho reflete a manutenção de níveis elevados de produção ao longo do ano.
As vendas de pelotas e finos somaram 3,9 milhões de toneladas entre julho e setembro, em linha com o trimestre anterior, mas com queda de 5% na comparação anual. No acumulado de 2026, as vendas atingiram 11,0 milhões de toneladas, crescimento de 1% sobre os nove primeiros meses de 2025.
O preço médio realizado de pelotas foi de US$125,1 por tonelada no período, praticamente estável em relação ao segundo trimestre e 4% superior ao registrado um ano antes.
Segundo a companhia, o resultado refletiu melhores condições comerciais e a recuperação dos prêmios de pelotas ao longo do trimestre.
Valor - SP 23/10/2026
Os emplacamentos de carros novos da Tesla saltaram 72,5% em base anual em setembro, alcançando 68.776 unidades na soma entre União Europeia, Reino Unido, Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça
As vendas da Tesla na Europa dispararam no mês passado, demonstrando que a montadora de veículos elétricos de Elon Musk continua ganhando terreno em uma região onde rivais chinesas também registram forte expansão.
Os emplacamentos de carros novos da Tesla, métrica que reflete as vendas, saltaram 72,5% em base anual em setembro, alcançando 68.776 unidades na soma entre União Europeia, Reino Unido, Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça, de acordo com a Associação de Fabricantes Europeus de Automóveis (ACEA).
O ritmo de crescimento acelerou expressivamente frente à modesta alta de 4% observada em agosto, mês tradicionalmente mais lento para registros de veículos devido às férias de verão europeias, quando muitas concessionárias fecham as portas.
O aumento nos emplacamentos indica que os motoristas na Europa continuam procurando veículos da Tesla, a despeito do acirramento da concorrência de concorrentes chinesas.
As montadoras da China vêm registrando uma ascensão vertiginosa no continente europeu nos últimos anos, impulsionadas por portfólios relativamente acessíveis de modelos 100% elétricos e híbridos, o que tem pressionado as vendas de grupos automotivos tradicionais da região, como Volkswagen e Renault.
A ACEA reportou um salto de quase 99% nos emplacamentos da BYD no mês passado, para 49.953 unidades. Os registros da SAIC Motor avançaram cerca de 24%, para 41.987 veículos, enquanto os da Leapmotor mais que quadruplicaram, totalizando 14.594 unidades.
Em contrapartida, a alemã Volkswagen registrou retração de 2,9% em suas vendas, para 308.474 veículos, e a Renault recuou 0,7%, para 114.726 unidades.
A aceleração nas entregas da Tesla ocorre no momento em que a fabricante busca a homologação de seu sistema de direção autônoma plena, o Full Self-Driving (FSD), na União Europeia.
Em abril, a Holanda tornou-se o primeiro país do bloco a autorizar a tecnologia, que auxilia os motoristas na mudança de faixa e na navegação em torno de outros veículos e obstáculos.
O FSD não transforma o carro em um modelo totalmente autônomo e exige a atenção constante do condutor ao volante, segundo o site institucional da montadora.
Desde a decisão holandesa, outros membros da UE, incluindo Lituânia, Estônia e Dinamarca, passaram a reconhecer a autorização, permitindo que a Tesla lance o FSD nesses mercados locais enquanto as autoridades do bloco europeu analisam o pedido da Autoridade de Veículos da Holanda para liberar a tecnologia em toda a União Europeia.
O mercado global de veículos 100% elétricos a bateria cresceu cerca de 60% na Europa em setembro. Os emplacamentos de carros híbridos convencionais avançaram 5,3%, enquanto os modelos híbridos plug-in registraram expansão de 24%.
No geral, a ACEA informou que os licenciamentos mensais de veículos de passageiros subiram 10% na Europa e 9,3% na União Europeia, com as vendas crescendo 9% na Alemanha, 12% na França e 9,8% na Itália.
Diário do Comércio - MG 23/10/2026
Em busca de uma produção cada vez mais sustentável, a Construtora Sudoeste, com sede em Belo Horizonte, iniciou a utilização de aço de baixa emissão de carbono em um empreendimento residencial e pretende ampliar a iniciativa para todos os projetos. A estratégia, desenvolvida em parceria com a ArcelorMittal, busca incorporar práticas sustentáveis à construção civil sem elevar os custos, em um mercado em que preço e a localização continuam sendo fatores decisivos para a compra de imóveis.
O material utilizado é o XCarb, da ArcelorMittal, produzido a partir de sucata de aço e com energia renovável. O primeiro projeto a incorporar integralmente a tecnologia é o Aldea Pernambuco, em construção na região Centro-Sul de Belo Horizonte e com previsão de entrega em 2029. Conforme a Arcelor, o processo de fabricação do XCarb reduz significativamente as emissões de carbono. No caso do Vergalhão CA50 XCarb, a redução é de até 68% nas emissões de gases de efeito estufa (CO2e) durante a fabricação, quando comparado ao CA50 convencional.
De acordo com o diretor de engenharia da Construtora Sudoeste, Diogo Dias, a adoção do XCarb ganhou relevância quando a empresa identificou a possibilidade de adotar uma medida com impacto ambiental mais expressivo. A construtora já desenvolve iniciativas relacionadas à sustentabilidade e busca avançar em práticas alinhadas aos critérios ambientais, sociais e de governança (ESG), porém o impacto ainda era pequeno.
Para a adoção do aço verde, a viabilidade financeira também foi determinante. Segundo Dias, a parceria com a Arcelor permitiu negociar o fornecimento do XCarb pelo mesmo custo do aço convencional, sem necessidade de repassar uma despesa adicional ao comprador.
“Quando a Arcelor apresentou o aço XCarb, chamou minha atenção porque entendi que realmente poderíamos fazer algo mais relevante. A produção do aço verde reduz em até 70% a pegada de carbono em comparação com a fabricação de um aço normal. Como o mercado está muito competitivo, tivemos que negociar para que o custo fosse mantido. Hoje, o cliente olha, principalmente, o preço e a localização para adquirir um imóvel. Ele acha a sustentabilidade interessante, mas ainda não paga mais por isso. Então, precisamos encontrar uma solução que permita continuar competitivos”, explicou.
A meta da construtora é utilizar o aço sustentável em 100% dos projetos, incluindo os imóveis da Zip, marca voltada ao segmento econômico, e onde o controle dos custos tem peso ainda maior.
A utilização do produto exige planejamento antecipado, já que o fornecimento depende de remessas programadas e de uma organização específica da produção, incluindo as etapas de corte e dobra do aço. A construtora e a siderúrgica precisam alinhar cronogramas para garantir o abastecimento da obra. Segundo Dias, a experiência inicial tem ocorrido dentro das condições previstas de custo e prazo.
A iniciativa também pretende ampliar a discussão sobre o uso de materiais de menor impacto ambiental na construção civil mineira. Para Dias, a adoção do aço XCarb pode mostrar a outras empresas do setor que é possível incorporar esse tipo de solução sem comprometer a viabilidade econômica dos projetos.
“Vejo a Sudoeste como uma empresa que está atenta às questões de sustentabilidade, mas não é só isso. Queremos que outras construtoras enxerguem que é possível fazer, que dá para utilizar esse aço sem aumentar o custo. Esse é também o propósito de dar o primeiro passo”, explicou.
Conforme a Arcelor, a produção do Vergalhão CA50 XCarb é baseada nos princípios da economia circular e no uso de energia renovável. O aço é produzido pela rota de forno elétrico a arco (EAF), tecnologia que utiliza sucata metálica como principal matéria-prima, em vez do minério de ferro utilizado na rota tradicional de alto-forno. A matéria-prima metálica utilizada é reciclada e o processo produtivo utiliza 100% de energia elétrica renovável e certificada, de origem eólica.
“Na ArcelorMittal, inovação, sustentabilidade e circularidade caminham juntas. O aço XCarb representa esse compromisso ao combinar alto desempenho, conteúdo reciclado, energia renovável e dados ambientais certificados, oferecendo uma solução concreta para a descarbonização da construção civil”, explicou o vice-presidente comercial da ArcelorMittal Brasil no segmento de Aços Longos, Gustavo Canaan.
Exame - SP 23/10/2026
Sete em cada dez imóveis vendidos na cidade de São Paulo em agosto estavam enquadrados no Minha Casa, Minha Vida. O programa segue como motor do mercado, mas passou a vender mais devagar. A velocidade de vendas do segmento caiu de 13% em julho para 11,5% em agosto.
Os dados são do Secovi-SP e foram analisados pelo BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME). Para o banco, a explicação está na Caixa Econômica Federal, que passou a aprovar financiamentos com mais rigor para compradores de baixa renda em meio ao alto endividamento das famílias.
A Caixa responde por cerca de dois terços do crédito habitacional do país e concentra praticamente todos os financiamentos do programa. Quando a análise de crédito fica mais lenta ou mais rígida, a venda na planta trava antes de virar dinheiro no caixa das construtoras.
A velocidade de vendas, ou VSO (vendas sobre oferta), mede quanto do estoque disponível foi vendido no período. É um dos principais termômetros do setor.
O aperto ocorreu em etapas ao longo do terceiro trimestre. Em julho, a Caixa reduziu por dez dias o limite de comprometimento de renda permitido aos clientes, de 30% para 27%. Em setembro, uma greve de 19 dias dos funcionários do banco atrasou a assinatura de contratos e a liberação de recursos.
Em São Paulo, os números de agosto mostram um mercado com oferta crescente e vendas que não acompanham o ritmo. Foram cerca de 10 mil unidades vendidas, alta de 37% em um ano, e 17,8 mil lançadas, avanço de 90%.
Com mais lançamentos do que vendas, o estoque chegou a 98 mil unidades, 51% acima de um ano antes. O MCMV respondeu por 77% dos lançamentos e por 71% das vendas do mês.
A VSO da cidade como um todo ficou em 9,9%, abaixo da registrada um ano antes e em julho. O segmento econômico ainda vende mais rápido do que o médio e alto padrão, cuja VSO é de 7,4%, mas foi o principal freio de agosto, segundo o BTG.
Direcional: setembro quase dobrou julho
A Direcional, uma das maiores construtoras do programa, também sentiu o efeito. Em videoconferência com analistas do Santander, o CEO Ricardo Gontijo apontou a Caixa como o principal motivo para as vendas mais fracas do terceiro trimestre.
Segundo o relatório do banco, publicado nesta terça-feira, 20, a aprovação de crédito demorou mais do que o esperado para se normalizar depois da redução temporária do comprometimento de renda, de 30% para 27%.
A companhia começou o trimestre com vendas fracas em julho, mas o ritmo melhorou mês a mês. Em setembro, as vendas quase dobraram em relação a julho, de acordo com o executivo.
Sem saber como a Caixa iria operar, a Direcional adiou lançamentos. Oito dos dez projetos do trimestre chegaram ao mercado depois de 15 de setembro, com pouco tempo para vender, o que pesou sobre a velocidade de vendas dos lançamentos.
Mesmo com vendas mais fracas, a geração de caixa se manteve sólida, segundo Gontijo, porque reflete principalmente vendas feitas em meses anteriores.
Distratos sobem e repasses caem nas concorrentes
O mesmo movimento apareceu nas prévias de outras construtoras voltadas à baixa renda. Na Tenda, os distratos passaram de R$ 136,2 milhões no terceiro trimestre de 2025 para R$ 292,8 milhões, mais que o dobro.
Os cancelamentos chegaram a 19,4% das vendas brutas, ante 11% um ano antes. A VSO da companhia ficou em 22,8%, abaixo da faixa de 25% a 30% que a própria empresa considera ideal.
A Tenda atribui o resultado a três fatores ligados à Caixa: a greve, a redução temporária do comprometimento de renda e um rigor maior nas entrevistas para concessão de crédito. A companhia trata parte dos efeitos como pontuais.
Na Cury, os distratos subiram 59,3% em um ano, para R$ 358,2 milhões, e passaram a representar 15% das vendas brutas, ante 11% no terceiro trimestre de 2025.
Os repasses, etapa em que o financiamento do cliente é assinado com o banco e o dinheiro chega à construtora, caíram 35,8% frente ao segundo trimestre. Ao mesmo tempo, a Cury ampliou a tabela direta, em que ela própria financia parte do pagamento: a modalidade respondeu por 27,8% das vendas brutas, ante 20,2% na média de 12 meses.
Na MRV, a prévia não detalha os distratos, mas os repasses somaram 7.428 unidades, queda de 16,4% em um ano e de 24,2% ante o segundo trimestre. A companhia estima impacto de cerca de R$ 80 milhões na geração de caixa da incorporação por causa da greve.
Nas vendas, porém, a MRV destoou, com VSO de 25,1%, ante 21,6% um ano antes. Em relatório, o Safra ressalvou que o número foi beneficiado por uma mudança no critério de contabilização das vendas durante a greve.
Estrutural ou temporário?
Para Gontijo, o trimestre não indica uma desaceleração estrutural da demanda. Segundo o relatório do Santander, o executivo avalia que as políticas de crédito da Caixa já estão próximas das praticadas antes da Copa do Mundo, com uma exceção: o Rio de Janeiro.
No Rio, a Caixa está mais conservadora por causa da inadimplência mais alta. A praça representa cerca de 12% das vendas da Direcional, e a companhia já desloca a atuação de áreas suburbanas de menor renda para regiões e produtos mais alinhados aos critérios do banco.
A Direcional tem como meta crescer de 10% a 15% em lançamentos em 2026 e empurrou para o quarto trimestre parte do que planejava lançar no terceiro. Outubro já tem sete projetos no cronograma.
O BTG segue na mesma linha. O banco reconhece que as perspectivas do MCMV pioraram na margem com a Caixa mais seletiva, mas avalia que a demanda continua resiliente, que as condições de compra seguem favoráveis e que há espaço para a concessão de crédito se normalizar.
O próximo teste vem com os balanços completos do terceiro trimestre e com os números de outubro, primeiro mês inteiro após o fim da greve.
A Tribuna - SP 23/10/2026
O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu nesta quarta-feira (21) dispensar a análise prévia do modelo da oferta pública proposto pela Infra S.A. para ceder, mediante remuneração, 12 áreas destinadas à implantação de terminais logísticos ao longo da Ferrovia Norte-Sul (FNS).
As cessões onerosas de uso de áreas poderão ser concluídas sem necessidade de manifestação prévia do TCU. O plenário da Corte de Contas determinou, porém, que a implementação do modelo seja acompanhada em processo específico, sem prejuízo de fiscalizações posteriores caso sejam identificados riscos ou indícios de irregularidades.
As 12 áreas da Ferrovia estão distribuídas por municípios de Tocantins, Goiás e São Paulo e somam aproximadamente 765,5 hectares. Todas classificadas como terrenos destinados à implantação de novas estruturas logísticas, sem infraestrutura operacional pronta para uso imediato.
O modelo foi idealizado pela Infra S.A. para flexibilizar a disponibilidade de terrenos, pátios ferroviários e instalações logísticas sob sua administração. O procedimento prevê a manifestação de interesse de empresas, a análise de admissibilidade das propostas e elaboração de Estudo de Viabilidade Simplificado (EVS) e a abertura de uma janela competitiva para que terceiros também possam apresentar projetos.
Caso haja interessados concorrentes cujas propostas não possam ser compatibilizadas, será realizado procedimento competitivo simplificado, com critérios objetivos de seleção.
A remuneração da estatal terá uma parcela fixa, calculada com base no Valor de Referência da Área (VRA), e outra variável, vinculada à movimentação efetiva de cargas, mediante aplicação de fator de modulação sobre a tarifa de referência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Portal Fator Brasil - RJ 23/10/2026
E amplia capacidade logística.Volume transportado registra alta de 10% no período, com o agronegócio entre as principais cargas.
A operação de trens com dois contêineres empilhados, conhecida como “double stack” movimentou 468,8 mil toneladas de produtos pela Brado Logística no primeiro semestre de 2026. O volume representa uma alta de 10% em relação às 423 mil toneladas transportadas no mesmo período do ano passado. A tecnologia é utilizada pela companhia em um corredor ferroviário de mais de 1,4 mil quilômetros entre Sumaré (SP) e Rondonópolis (MT), que atende cargas destinadas ao mercado interno e às atividades de importação e exportação.
Nos primeiros seis meses deste ano, os grãos especiais representaram 45% dos contêineres cheios transportados por meio do “double stack”. Na sequência, aparecem os insumos agrícolas, com 12%, e a pluma de algodão e nutrição animal, com cerca de 9% de participação cada. No consolidado de 2025, os trens double stack movimentaram 48,4 mil contêineres, que somaram 931,4 mil toneladas brutas, atendendo principalmente cadeias ligadas ao agronegócio.
O diferencial dessa sistematização está na configuração dupla dos vagões, que permitem transportar aproximadamente 40% a mais do que contêineres tradicionais. Atualmente, são movimentados cerca de 4,1 mil contêineres double stacks por mês. Para Laion Suprano, gerente do terminal da Brado em Sumaré, o aumento da movimentação pelo corredor evidencia a importância de uma operação capaz de acompanhar a escala das cargas que circulam entre Mato Grosso e São Paulo.
—Estamos falando de um corredor que conecta uma das principais regiões produtoras do país a uma estrutura logística que também dá acesso a outros mercados. Conforme esses fluxos crescem, a capacidade de transportar mais contêineres por composição passa a ter um impacto direto na movimentação. O “double stack” foi desenvolvido justamente para dar essa escala à operação e permitir que a ferrovia acompanhe o aumento dos volumes sem perder eficiência no uso do corredor —afirma.
Companhia é pioneira na tecnologia em solo brasileiro — O projeto começou a ser estruturado em 2017, quando um grupo de engenheiros da companhia e fornecedores dos vagões foi aos Estados Unidos para conhecer operações que já utilizavam a tecnologia e entender como os equipamentos funcionavam. E, para ativar o double stack pela primeira vez em solo brasileiro, dois anos depois, a Brado precisou realizar uma série de adaptações na infraestrutura ferroviária e desenvolver soluções específicas para a circulação das composições.
—Não era apenas uma questão de adquirir os vagões. Para colocar esse sistema em funcionamento foi necessário entender toda a infraestrutura do corredor e desenvolver soluções específicas para garantir que o trem pudesse circular com segurança. Foram muitos testes, adaptações e treinamento até chegarmos ao modelo que temos hoje— explica.
Na época, cerca de 60 pontos da ferrovia precisaram ser modificados. Entre as intervenções estavam o remanejamento de redes elétricas e de telefonia, a elevação de viadutos e o rebaixamento da linha férrea para permitir a passagem das composições, pois, quando carregado nessa configuração, o trem chega a 5,87 metros de altura.
A adoção do sistema também levou a mudanças na composição dos trens. Antes do double stack, a composição era formada por 58 vagões, com capacidade para 116 contêineres. Atualmente, são 65 vagões, que podem transportar até 130 contêineres em cada. Além das alterações na infraestrutura e na formação dos trens, a Brado desenvolveu soluções próprias para garantir a fixação das unidades durante o percurso. Foram criados dois sistemas de travamento, um destinado à segurança do contêiner posicionado no nível superior e outro responsável pela fixação entre as unidades empilhadas.
—Cada solução foi desenvolvida para uma função específica dentro da composição. O sistema do contêiner superior trabalha de uma forma diferente daquele que conecta as duas unidades, e essa combinação é o que permite manter os contêineres devidamente posicionados durante o transporte —ressalta o gerente da Brado Logística.
Brado Logística — A Brado é referência nacional em serviços de logística multimodal. Tem estrutura própria composta por 33 locomotivas, cerca de 4,7 mil contêineres e mais de dois mil vagões, equipamentos, armazéns e terminais, complementadas por meio de parcerias estratégicas nos principais centros de consumo do país. Com atuação cada vez mais adaptada às necessidades do mercado de importação, exportação e mercado interno, a empresa preza pela excelência na movimentação de contêineres no Brasil, focada na integração multimodal.
InfraRoi - SP 23/10/2026
A Transnordestina Logística concluiu, em setembro deste ano, a execução do lote 6 da ferrovia, um trecho com 50 quilômetros entre os municípios de Quixeramobim a Quixadá, no estado do Ceará. Com esta entrega, a fase I da ferrovia, que prevê a extensão total de 1.053 km, alcança 832 km executados. Os outros 221 km estão em obras de superestrutura e infraestrutura.
A fase I da Transnordestina, que liga Paes Landim (PI) ao Porto do Pecém (CE), já conta com 84% de avanço físico e deve ser concluída até o fim de 2027. O avanço marca a aproximação da ferrovia ao Complexo do Pecém, região estratégica para o escoamento e recepção das cargas transportadas por ferrovia. Segundo a Secretaria de Infraestrutura do Ceará, a Transnordestina deve revolucionar a infraestrutura do Nordeste, dobrando a movimentação de cargas no Porto do Pecém.
Ferrovia já conta com testes e recebe mais trens
Desde dezembro de 2025, os trens circulam em fase de operação comissionada, transportando cargas como milho e sorgo entre o Piauí e o Ceará. Outro ponto que mostra a evolução do projeto é o recebimento de mais vagões que vão operara na linha.
Em junho de 2026, foram entregues em Salgueiro (PE) 100 vagões Hopper modelo HTT adquiridos para compor a frota operacional da Transnordestina. Os equipamentos foram desenvolvidos pela indústria GBMX (Greenbrier Maxion) para o transporte de grãos e fertilizantes. Um trem com cem vagões equivale a 357 caminhões graneleiros.
Avanço da Transnordestina em números
6,3 mil toneladas de trilhos, que equivalem a 86% do peso da estrutura metálica da Torre Eiffel, estimada em cerca de 7.300 toneladas. 87,6 mil dormentes de concreto, que equivalem a praticamente um dormente para cada habitante de Quixadá (CE). 129,2 mil m³ de brita, que equivalem a aproximadamente 52 piscinas olímpicas cheias e a cerca de 16 mil caminhões basculantes, considerando capacidade média de 8 m³ por veículo.
CNN Brasil - SP 23/10/2026
O mercado de concessões de rodovias passou por uma mudança significativa na última década, com a desconcentração do setor e a entrada de novos players, incluindo operadoras estrangeiras e fundos de investimentos.
Entre 2016 e 2026, o número de empresas praticamente dobrou, passando de 18 para 35. Na direção contrária, a malha administrada pelo "top five" diminuiu de 64% para 54% do total.
O levantamento foi feito pela A&M Infra, divisão de infraestrutura e projetos de capital, a pedido da CNN. Ele capta um período em que as rodovias federais ou estaduais operadas pela iniciativa privada saltaram de aproximadamente 19 mil para cerca de 36 mil quilômetros.
"Nos últimos dez anos, esse mercado foi marcado por forte dinamismo no Brasil, com reestruturações importantes e um pipeline acelerado de projetos a partir de 2020", afirma Tiago Barros, diretor-sênior da A&M Infra.
Em 2016, a liderança era dividida pela espanhola Arteris e pela CCR (hoje Motiva), com 17% de participação. Depois vinham Invepar (12%), Ecorodovias (9%) e Triunfo (9%).
Alguns players, como a Roadis (dona da Via Bahia) e a Odebrecht Transport, deixaram o mercado. A Triunfo saiu da BR-040, entre o Rio de Janeiro e Juiz de Fora (MG), e deve deixar outras operações.
Hoje, a dianteira do setor é disputada palmo a palmo por Motiva e Ecorodovias, cada uma com 14%. A EPR, fundada em 2022 pelos grupos Equipav e Perfin, detém 10%. Pátria Investimentos (9%) e Arteris (7%) vêm em seguida.
Atores recentes, porém, chamam a atenção. Um deles é a Nova Rodovias, que promoveu um "casamento" do Opportunity com quatro construtoras reunidas na 4UM (JMalucelli, Carioca Engenharia, Aterpa e Senpar).
"Gostamos de capex alto. A capacidade do grupo de se alavancar com equity é alta. E sobra capacidade de execução", disse recentemente o CEO da empresa, Marcelo Stachow, em entrevista à CNN.
A Nova Rodovias arrematou as concessões da BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares (MG), e da BR-364, entre Porto Velho e Vilhena (RO). Agora, estuda os leilões da Rota Agro Central e da Rota do Pequi, além da relicitação da BR-163 entre Sinop (MT) e Miritituba (PA).
O Pátria, que entrou em concessões de rodovias federais e estaduais, vê um marco regulatório com previsibilidade no setor e investidores estrangeiros -- como fundos de pensão e fundos soberanos -- confiantes na segurança dos contratos.
"É um setor do qual gostamos bastante, estamos presentes há dez anos e pretendemos continuar participando", afirmou Thiago Bronzi, sócio-líder de investimentos em rodovias e saneamento da gestora de recursos.
A francesa Vinci, uma das maiores operadoras privadas de rodovias do mundo, arrematou a Rota dos Cristais -- entre Belo Horizonte (MG) e Cristalina (GO) -- e adquiriu a Entrevias (SP).
Carteira de leilões
A continuidade das concessões de rodovias é apontada pela A&M Infra como um fator que ainda reconfigurar o mercado brasileiro nos próximos anos, além de oportunidades de fusões e aquisições.
Na semana passada, o Ministério dos Transportes divulgou sua carteira de leilões para o próximo quadriênio. Está prevista a oferta de 11 ativos somente em 2027, incluindo três lotes em Santa Catarina e a Rota Portuária Itaqui, entre São Luís (MA) e Teresina (PI). Há trechos como a Rota do Café (BR-393/RJ) e a otimização da BR-153 em São Paulo (Transbrasiliana). Esses projetos preveem investimentos de R$ 102,6 bilhões.
"É um número extremamente ousado de leilões", afirmou o ministro George Santoro. De forma geral, o mercado entende pode haver nuances dependendo do resultado das eleições presidenciais, mas que a agenda de concessões rodoviárias hoje é um consenso entre os candidatos.
O diretor-presidente da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), Marco Aurélio Barcelos, avalia que investidores internacionais ainda enxergam oportunidades no mercado brasileiro e pode haver novos entrantes.
De acordo com ele, o setor tornou-se um mobilizador de outras importantes atividades econômicas no país, que vão de construtoras a empresas de atendimento pré-hospitalar (responsáveis pelos primeiros socorros e assistência médica em estradas pedagiadas).
Para não colocar em risco a disposição dos investidores, acrescenta Barcelos, é fundamental que os contratos sejam integralmente respeitados e os governos empossados em 2027 não cedam a pressões populistas contra a cobrança de tarifas, que se revertem em investimentos recordes no setor e melhoria das condições oferecidas aos usuários.
Valor - SP 23/10/2026
Agência de monitoramento marítimo britânica informou que outubro já registra a maior quantidade de embarcações atingidas desde as primeiras semanas de conflito
O Irã afirmou nesta quinta-feira (22) que sete petroleiros pegaram fogo ou sofreram danos durante a madrugada no Estreito de Ormuz, após serem atingidos por ataques iranianos ou colidirem com minas navais. Os episódios ocorrem em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e aos temores de uma retomada da guerra em grande escala entre o Irã, EUA e Israel.
O número de embarcações atingidas é considerado elevado. Segundo o órgão britânico de monitoramento marítimo UKMTO, outubro já registra a maior quantidade de ataques relatados contra navios comerciais desde março, nas primeiras semanas do conflito. O órgão não confirmou os episódios mais recentes, mas observou que algumas empresas de navegação estão cada vez mais relutantes em comunicar incidentes.
A televisão estatal iraniana atribuiu as informações sobre os ataques à Marinha da Guarda Revolucionária (IRGC, na sigla em inglês), que voltou a ameaçar atingir bases militares americanas na região caso Washington continue ajudando navios comerciais a atravessar o estreito. Não foram divulgadas informações sobre possíveis vítimas. A Associated Press (AP) não conseguiu confirmar de forma independente os incidentes.
O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás natural do mundo, continua sendo um instrumento de pressão de Teerã nas negociações com Washington. Embora produtores tenham encontrado alternativas para manter as exportações de petróleo, especialistas afirmam que os custos dessas operações estão aumentando.
A escalada, além disso, ocorre em um momento politicamente delicado para Israel e os EUA. Os israelenses vão às urnas em 27 de outubro, em uma disputa acirrada na qual o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu corre o risco de perder o poder. Já no território americano, as eleições legislativas de 3 de novembro se aproximam em meio à insatisfação dos eleitores com a alta dos preços de combustíveis associada à guerra.
Washington ainda tem reforçado sua presença militar no Oriente Médio, que já é a maior em décadas, com o envio de um terceiro porta-aviões e milhares de soldados.
Apesar da movimentação militar, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou na quarta-feira que Teerã continua aberta à diplomacia. Ele ressaltou, por outro lado, que a República Islâmica está pronta para se defender.
O Irã também advertiu que aprendeu lições militares da guerra iniciada em 28 de fevereiro, com os ataques americanos e israelenses, e indicou nos últimos dias que poderia ampliar seus alvos para incluir infraestruturas como cabos submarinos e centros de dados.
O risco de uma retomada da guerra aumentou com a abertura de outra frente de confrontos na região, uma vez que, nas últimas semanas, os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, intensificaram os ataques contra a Arábia Saudita.
Os rebeldes têm atingido aeroportos e outras instalações sauditas, deixando mortos e pressionando o reino, um dos principais aliados de Washington no Oriente Médio, a buscar maior apoio militar.
Além de ampliar os riscos para a população civil, uma nova guerra em grande escala poderia comprometer o fornecimento mundial de petróleo, gás natural e fertilizantes, provocando outra disparada dos preços. A intensificação dos confrontos entre os houthis e a Arábia Saudita também ameaça o Estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica no extremo sul do Mar Vermelho, ampliando os riscos para o comércio marítimo internacional.
A Tribuna - SP 23/10/2026
A Santos Brasil anunciou R$ 75 milhões em investimentos, até 2028, no Tecon Imbituba, terminal de contêineres e carga geral operado pela empresa em Santa Catarina. A companhia, que também é responsável pelo maior terminal do Porto de Santos, já aportou R$ 36 milhões em Imbituba nos últimos 18 meses. Assim, chegará ao montante de R$ 111 milhões em cerca de três anos.
No início do mês, o terminal catarinense recebeu um guindaste móvel portuário (mobile harbor craine ou MHC, na sigla em inglês), que se somou aos dois portêineres (guindastes de cais do tipo ship-to-shore, STS) já existentes.
Segundo a Santos Brasil, em nota, isso ampliará a produtividade no cais e permitirá “mais flexibilidade para que o terminal atenda tanto os serviços regulares quanto as demandas extraordinárias de armadores”.
Segundo a empresa, os investimentos realizados acompanham os esforços comerciais na região, já refletidos no crescimento dos volumes operados. De janeiro a setembro de 2026, o Tecon Imbituba movimentou 131.263 TEU (unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés), superando, em apenas nove meses, o maior volume já registrado pelo terminal em um ano completo, de 123.681 TEU em 2024.
A companhia destaca que além dos quatro serviços marítimos regulares (três de longo curso e um de cabotagem), o terminal tem ampliado o atendimento de extra calls, como são chamadas as escalas que não estão previstas no planejamento da unidade.
Apenas neste ano foram dez, representando 11% do volume total até setembro, o que confirma a capacidade do Tecon Imbituba de atender com elevado nível de produtividade tanto a demanda regular quanto a extraordinária.
Operação
Com capacidade para movimentar 450 mil TEU por ano, o Tecon Imbituba está localizado em um ponto central da Região Sul do País, entre as capitais Curitiba e Porto Alegre e próximo a Florianópolis. Sua conexão multimodal, com acesso rodoviário (pela BR-101), ferroviário e marítimo, aliada ao fato de operar em um porto de águas profundas e abrigado, permite a recepção dos maiores navios que chegam à costa brasileira sem restrições de calado ou condições climáticas.
A Tribuna - SP 23/10/2026
Autonomia das autoridades portuárias com responsabilidade e maior aproximação com quem formula a política pública, ouvindo as realidades regionais e as dificuldades de cada porto e região. É a combinação recomendada pela diretora-executiva da Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph), Gilmara Temóteo, para diminuir a distância entre o que é pensado pelo Governo Federal e o que de fato pode ser executado na outra ponta pelas gestoras dos portos.
Ela esteve entre as integrantes do painel Infraestrutura & Comércio Exterior - Riscos e Oportunidades, dentro do 2º Encontro do Mulheres a Bordo, realizado na última semana, no auditório da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Brasília. A mediação foi da diretora de Programa da Secretaria Nacional de Portos, Rebecca Ferreira.
A diretora-executiva da Abeph frisa que autonomia das autoridades portuárias não significa falta de controle, até porque “o setor é extremamente regulado”. Gilmara defende que haja metas claras e previsíveis com governança, porém com flexibilidade para que tudo possa ser desenvolvido com mais rapidez.
“Não é possível que os portos, que têm as suas vocações próprias, tenham investidores batendo na porta e a gente tenha que trazer projetos para entrar em uma fila. Muitas vezes não se tem sequer clareza de quando serão analisados e qual é prioridade. E aí acabamos perdendo investimentos na conta. O investidor não espera. A carga, uma vez perdida, não volta para o porto”, afirma Gilmara.
Buscar o melhor
Trabalhar com a própria realidade e buscar o melhor em cada item, independentemente do modelo escolhido, é a ideia da diretora jurídica e regulatória na VPorts Autoridade Portuária, Adriana Pessotti. A VPorts é o único órgão privado do tipo, responsável há quatro anos pela administração do complexo no Espírito Santo que abrange Vitória, Vila Velha (Capuaba) e Barra do Riacho (Aracruz).
“Eu nunca vou ser o Porto de Santos, mas eu posso ser a VPorts mais eficiente possível para o meu usuário. Um contrato de infraestrutura não vai conter tudo o que pode acontecer em 35 anos de concessão. Até por isso ele tem programação de revisão dos parâmetros de concessão”, comenta.
Adriana conta que, por exemplo, estão sendo estudados tipos de geração de energia na própria companhia envolvendo sistemas eólicos e solares para que haja mais eficiência no abastecimento de rebocadores. “O mínimo que a gente tem que fazer é cumprir o contrato. E o que a gente consegue prover de melhoria nesse contrato? Isso também é extremamente relevante e vem sendo discutido para que possamos ter um porto cada vez mais eficiente, dinâmico e que cresça não só em movimentação, mas também em descarbonização”, afirma.
Proatividade
A advogada Samara Gualberto, que lidera e representa a filial do escritório Ruy de Mello Miller (RMM Advocacia) no Arco Norte, valoriza a proatividade das empresas portuárias em todos os aspectos de competitividade.
“As empresas estão além e buscam melhorias por si. Uma empresa que trabalha com seriedade, e eu tenho a sorte de trabalhar com várias delas, não busca apenas cumprir checklist e requisitos. Ela atua de maneira proativa, indo atrás e buscando”, afirma.
CNN Brasil - SP 23/10/2026
Mesmo três anos após de o governo estabelecer oficialmente qual seriam as hidrovias prioritárias para concessões, o país segue utilizando menos da metade da extensão hidroviária prevista para o transporte de cargas.
Segundo novo levantamento da CNT (Confederação Nacional do Transportes), elaborado pela Pezco Economics, atualmente são 20,4 mil quilômetros de vias navegáveis utilizadas economicamente, ante 41,7 mil quilômetros previstos no Plano Nacional de Viação.
No entanto, apesar da infraestrutura subutilizada, a navegação interior movimentou 91,3 milhões de toneladas em 2025, alta de 19,7% em relação ao ano anterior. Considerando também a parcela da cabotagem realizada em vias interiores, o volume chega a aproximadamente 116 milhões de toneladas, de acordo com dados da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) compilados no levantamento.
Entraves
O estudo identifica entraves à expansão do transporte hidroviário, como fragmentação da governança, insegurança regulatória, deficiências de infraestrutura e dificuldades de financiamento.
Segundo o documento, ampliar o uso dos rios brasileiros depende não apenas da existência de vias navegáveis, mas também de condições que garantam continuidade das operações e previsibilidade para os investimentos.
Entre as recomendações estão a criação de uma instância nacional de coordenação da política hidroviária, a elaboração de um Plano Setorial Hidroviário e o fortalecimento das ações de dragagem e manutenção dos rios. O estudo também defende a continuidade do Programa de Operação e Manutenção de Eclusas e o planejamento integrado de intervenções nos corredores logísticos.
A proposta é que os investimentos considerem, em conjunto, a demanda por transporte, as condições de navegação, os acessos terrestres, a disponibilidade de terminais e os custos de implantação e manutenção.
O documento sugere ainda aperfeiçoar os mecanismos de financiamento, inclusive com concessões quando forem viáveis, e estabelece uma agenda de desenvolvimento do setor com horizonte até 2046.
Atrasos
Desde que foi anunciado pelo Governo Federal, em 2023, as concessões hidroviárias sofreram atrasos sucessivos nos leilões. Em maio deste ano, chegou a ser anunciado que os primeiros leilões de hidrovias aconteceriam em 2027.
O único projeto hidroviário que tem avançado, mais recentemente, é o da Lagoa Mirim, que foi integrado à concessão de canal de acesso aos portos do Rio Grande do Sul.
O primeiro conflito aconteceu com a Hidrovia do Rio Madeira, em 2025, quando já era esperado uma disputa em bolsa. Na época, os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Eduardo Braga (MDB-AM) se manifestaram publicamente desfavoráveis à concessão, o que travou o projeto.
Oficialmente, a Antaq sempre falou que o projeto retornou para estudos para abranger mais condições de seca. Em 2023 e em 2024, o Rio Madeira sofreu com a estiagem severa e a navegação da hidrovia ficou prejudicada.
Depois, o governo tentou emplacar a concessão da Hidrovia do Paraguai. Porém, ambientalistas questionam o rigor nos processos ambientais do projeto e a licitação precisou ser paralisada.
Mais recentemente, o projeto do Tapajós também sofreu reveses após mobilizações de lideranças indígenas contra a dragagem, no final de 2025. Com isso, o governo suspendeu o decreto que trata da concessão e atualmente o governo segue com os estudos.
Diante desses impasses e atrasos, o governo decidiu retirar a concessão da hidrovia do Rio Tapajós da carteira de projetos prioritários para os próximos quatro anos e incluir a hidrovia do Rio São Francisco.
Valor - SP 23/10/2026
Os preços do petróleo continuam próximos das máximas de cinco semanas, apesar do recente aumento das exportações de petróleo bruto do Oriente Médio para níveis superiores aos anteriores à guerra e da intensificação dos ataques iranianos contra petroleiros no Estreito de Ormuz. Isso sugere que os mercados já podem estar se preparando para uma nova escalada das tensões na região.
A recuperação dos fluxos de petróleo do Golfo é impressionante. As exportações de petróleo do Oriente Médio alcançaram uma média de 17,3 milhões de barris por dia até agora em outubro, ante 16,4 milhões em setembro e acima da média de 16,9 milhões registrada nos dois meses anteriores ao início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, segundo dados da Kpler.
Isso reflete um forte aumento do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, afetado pelo conflito. O volume transportado chegou a 11,7 milhões de barris por dia em outubro, ante 9,75 milhões em setembro. Embora ainda corresponda a cerca de 82% dos níveis anteriores à guerra, o fluxo pelo estreito está muito acima do ponto mais baixo registrado durante o conflito, em abril, quando ficou abaixo de 1 milhão de barris por dia, excluído o petróleo iraniano, ainda de acordo com a Kpler.
O aumento se deve, em grande parte, ao uso crescente de comboios de navios que atravessam o estreito próximos à costa de Omã, sob proteção da Marinha dos EUA. Dados de navegação sugerem que cerca de um terço das travessias continua utilizando a rota ao norte, controlada pelo Irã, provavelmente em coordenação com Teerã, mas há pouca transparência sobre esses fluxos.
A manutenção desse tráfego é um sinal claro de que os produtores de petróleo do Golfo e os proprietários de petroleiros estão dispostos a aceitar o risco de ataques.
Na semana passada, o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), órgão que emite alertas de segurança para o setor, registrou 12 ataques no Estreito de Ormuz ou em suas proximidades, um recorde. A entidade afirmou que o número real provavelmente foi muito maior, já que muitos proprietários de embarcações não comunicam os ataques, possivelmente por razões comerciais ou de segurança.
A recuperação mais ampla das exportações da região também foi favorecida pela rápida retomada dos embarques sauditas pelo porto de Yanbu, no Mar Vermelho. Um ataque realizado no mês passado por milícias iraquianas apoiadas pelo Irã contra um oleoduto vital, que liga os campos petrolíferos do leste da Arábia Saudita à costa oeste do país, havia comprometido o transporte de petróleo durante semanas.
Nova anormalidade
O aumento dos fluxos de petróleo não deve ser confundido com um retorno à normalidade.
Os fretes de referência para um petroleiro que transporta 2 milhões de barris de petróleo bruto do Oriente Médio para a China continuam próximos do recorde histórico de cerca de US$ 1,4 milhão por dia, mais de 12 vezes os níveis anteriores à guerra. Os custos de seguro dos petroleiros também subiram para cerca de 10% do valor da carga, ante aproximadamente 3% antes do conflito.
Esses custos logísticos extraordinários estão pesando fortemente sobre as refinarias.
Os produtores do Oriente Médio reagiram oferecendo grandes descontos para compensar esses custos. Na tentativa de garantir compradores para seu petróleo, a Saudi Aramco e a Abu Dhabi National Oil Co. (Adnoc) também começaram a vender algumas cargas a clientes na China e na Índia com entrega no destino, uma mudança significativa em relação à prática habitual de vender o petróleo bruto no ponto de embarque.
Os produtores do Golfo estão dispostos a assumir o risco de enviar petroleiros com cargas avaliadas em mais de US$ 220 milhões por águas perigosas porque garantir receitas de exportação e defender sua participação de mercado são prioridades que se sobrepõem aos custos e riscos crescentes do transporte do petróleo até os clientes.
Produtores e consumidores se adaptaram rapidamente a essa "nova anormalidade", criando um sistema capaz de transportar grandes volumes de petróleo bruto, mas apenas por meio de uma rede cara e cada vez mais complexa de operações envolvendo múltiplos navios, proteção militar, seguros mais caros, descontos expressivos e mudanças nas condições de venda.
Adaptação ilusória
À primeira vista, essa adaptação parece estar funcionando. O volume global de petróleo bruto a bordo de petroleiros subiu nesta semana para cerca de 157 milhões de barris, considerando a média móvel de quatro semanas, ligeiramente acima do nível registrado há um ano.
No entanto, apesar da recuperação da oferta física, o petróleo Brent, referência internacional, subiu nos últimos dias para cerca de US$ 110 por barril, o maior preço desde maio e não muito distante do pico de US$ 118 alcançado em março, durante a guerra.
A divergência entre a abundância de petróleo disponível e a alta dos preços sugere que os operadores do mercado não estão preocupados com a quantidade de petróleo disponível hoje, mas com a possibilidade de manter as exportações do Oriente Médio caso — ou, talvez, quando — os combates voltem a se intensificar.
Enquanto isso, o volume diário de negociação de opções sobre o Brent na bolsa ICE saltou na terça-feira para um recorde de mais de 1 milhão de lotes, segundo a HiLo Analytics. É mais um sinal de que produtores e consumidores, incluindo refinarias e companhias aéreas, estão correndo para se proteger de uma nova oscilação brusca dos preços do petróleo.
Essas preocupações aumentam às vésperas das eleições gerais de Israel, na próxima terça-feira (27), e das eleições legislativas de meio de mandato dos EUA, uma semana depois. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que os EUA não atacarão o Irã antes das eleições americanas, mas enviou navios de guerra adicionais à região e ameaçou realizar novos ataques contra instalações nucleares iranianas.
A retomada dos esforços diplomáticos nesta semana, com a participação de mediadores do Paquistão e do Catar, oferece um possível caminho para avançar nas negociações. No entanto, a julgar pelos sinais emitidos por Teerã e Washington, é pouco provável que essas iniciativas produzam um avanço significativo no curto prazo.
O sistema energético global demonstrou ser muito mais resiliente do que parecia possível nos momentos mais críticos da guerra no Irã. Essa capacidade de adaptação, porém, tem um custo, e produtores, consumidores e investidores parecem acreditar que ele poderá continuar aumentando.
CNN Brasil - SP 23/10/2026
Os preços do petróleo Brent subiram nesta quinta-feira (22) ao maior nível desde maio, depois que novos ataques dos houthis na Arábia Saudita aumentaram as preocupações com uma escalada do conflito no Oriente Médio e novas interrupções no fornecimento de petróleo bruto da principal região exportadora mundial.
Os contratos futuros do petróleo Brent avançavam US$ 3,19, ou 2,9%, para US$ 112,01 por barril. Mais cedo, chegaram a US$ 112,68 por barril, o maior valor desde 18 de maio.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), dos Estados Unidos, subia US$ 2,41, ou 2,5%, para US$ 99,56 por barril, após atingir US$ 100,09 mais cedo.
“Relatos de que as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio superaram os níveis anteriores ao conflito são mais do que compensados pelos ataques a navios no Estreito de Ormuz e pelos ataques dos houthis à Arábia Saudita e à sua infraestrutura petrolífera”, afirmou Tamas Varga, analista da PVM Oil.
“Não se espera uma redução das tensões até as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, o que deve manter os preços do petróleo elevados.”
Analistas do Morgan Stanley estimaram, em relatório, que as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio ficaram em cerca de 17 milhões de barris por dia na semana passada.
A gigante petrolífera Saudi Aramco instruiu funcionários a evacuarem sua sede em Dhahran e a trabalharem remotamente, disseram nesta quinta-feira seis pessoas familiarizadas com o assunto.
O Departamento de Estado dos EUA ordenou que alguns diplomatas e familiares deixassem suas missões na Arábia Saudita e planeja retirar familiares de diversas outras representações americanas no Oriente Médio, disseram autoridades dos Estados Unidos à Reuters.
As decisões foram tomadas após os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, atacarem diversos alvos na Arábia Saudita na quarta-feira. Pelo menos uma pessoa morreu e outras oito ficaram feridas em um aeroporto civil em Dammam.
Duas pessoas também morreram em um ataque com drones contra um campo petrolífero saudita.
Explosões também foram ouvidas em Sirik, no sul do Irã, informou a imprensa iraniana na quarta-feira, acrescentando que a natureza e a origem das detonações eram desconhecidas.
As interrupções no fornecimento continuaram afetando os estoques globais.
A Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou nesta quinta-feira que quatro embarcações envolvidas em transferências ilegais de petróleo no norte do Golfo foram atingidas simultaneamente e pegaram fogo após serem rastreadas por suas forças na quarta-feira.
A Guarda Revolucionária acrescentou que outras três embarcações colidiram com minas a oeste do Estreito de Ormuz.
Enquanto isso, uma válvula de um oleoduto que liga os campos petrolíferos de Hamada e Tahara, na Líbia, ao porto de Zawiya foi fechada, reduzindo a produção nos dois campos, disse à Reuters o presidente da Companhia Nacional de Petróleo da Líbia.
Em uma tentativa de conter os preços, que dispararam em meio à escassez de diesel provocada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã e pela guerra entre Rússia e Ucrânia, o governo Trump está oferecendo emprestar quase um terço das reservas emergenciais americanas de óleo para aquecimento, que totalizam 1 milhão de barris.
O Parlamento Europeu também votou a favor de adiar por três anos a aplicação das regras da União Europeia sobre emissões de metano para importações de petróleo e gás, após pressão de governos como os da França e dos Estados Unidos.
Valor - SP 23/10/2026
O primeiro leilão de gás natural da União, no qual um total de 1,1 milhão de metros cúbicos (m³) por dia foram oferecidos diretamente a grandes consumidores, foi encerrado com todos os 110 lotes arrematados. Ao todo, 23 empresas de cinco setores industriais se sagraram vencedoras de um total de 36 proponentes habilitados. O preço médio, que considera fatores como o valor do gás e o prêmio pago pelas vencedoras, e o ágio ainda serão divulgados.
Entre empresas vencedoras estão Vale, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Gerdau, Samarco e Ternium, do setor siderúrgico, metalúrgico e de mineração; Dexco, Incepa e Mohawk, do setor cerâmico; Braskem e Evonik Brasil, do setor químico e petroquímico; e a Yara Brasil, de fertilizantes. Também participaram indústrias do setor vidreiro.
O insumo será fornecido entre março e dezembro de 2027 a partir da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, da Petrobras, localizada no Complexo de Energias Boaventura, antigo Comperj, no Rio de Janeiro. A responsabilidade de contratar o transporte do gás será dos vencedores.
As companhias vencedoras arremataram todos os lotes em cinco etapas, de modo que não foi realizada a etapa extra na qual teriam que competir entre si, ou seja, sem separação por setor industrial.
Na avaliação da PPSA, o resultado do leilão foi um sucesso. A empresa disse que já planeja novo certame neste segmento para o próximo ano. “Ano que vem teremos um novo leilão, e ele será de 1,8 milhão de metros cúbicos por dia de capacidade, ou seja mais de 50% maior do que o que oferecemos hoje”, disse a jornalistas Fernando Paroli, presidente da empresa, responsável pela gestão dos contratos de partilha de produção.
“É um marco para a indústria nacional. Conseguimos provar que a demanda de gás no Brasil é muito maior que o consumo que nós imaginávamos. Todos os setores compram 100% da produção hoje, o que mostra que todos esses setores tinham demanda reprimida.”
Paroli comentou que, se a PPSA fosse privatizada, a lógica de atuação no país seria diferente. “Estou em período de defeso, então não posso comentar. Mas o que digo é que temos uma empresa pública fazendo, em regras de mercado, o incentivo à indústria nacional. Se essa empresa já estivesse vendida, privatizada, a lógica seria completamente diferente. Ela seria a de pegar o gás e vender ao maior preço possível”, disse.
O certame conduzido nesta quinta reduziu em até 57% o preço pago pela indústria pelo milhão de BTU, que equivale a 26,8 metros cúbicos de gás natural, segundo estimativa do Ministério de Minas e Energia (MME).
“É fundamental que o Estado, em setores estratégicos, como energia, óleo e gás, tenha instrumentos para fazer controle de exploração ou incentivar a competitividade do nosso país”, disse Paroli. O órgão deve arrecadar R$ 40 bilhões neste ano. “Se esta empresa não é eficiente, não sei qual no mundo será”, completou.
Veja lista completa de vencedores:
Vidreiro (3): AGC Vidros do Brasil, Cebrace Cristal Plano e Wheaton Brasil Vidros. A etapa da indústria vidreira era a menor do leilão, com 10 lotes ofertados (totalizando 100 mil m³/dia), e todos foram adquiridos.
Ceramista (8): Biancogrês Cerâmica, Cerâmica Formigrês, Cerâmica Villagres, Delta Indústria Cerâmica, Dexco, Incepa Revestimentos Cerâmicos, Mohawk Revestimentos Cocal do Sul, e Ruy R. da Rocha Produtos Cerâmicos. Foram arrematados todos os 20 lotes ofertados (totalizando 200 mil m³/dia).
Siderúrgico, metalúrgico e de mineração (5): Vale, CSN, Gerdau, Samarco e Ternium. Todos os 32 lotes, totalizando 320 mil m³/dia, foram arrematados.
Químico e petroquímico (5): Braskem, Evonik Brasil, Ingredion Brasil, Peróxidos do Brasil, e Rhodia Brasil. Foram 35 lotes ofertados (total de 350 mil m³/dia) e todos arrematados.
Fertilizantes e nitrogenados (2): Multitécnica Industrial e Yara Brasil. Foram comprados todos os 13 lotes ofertados para essa indústria.
O Estado de S.Paulo - SP 23/10/2026
A Venezuela afirma possuir 303,7 bilhões de barris de reservas comprovadas de petróleo, o maior volume do mundo, mas especialistas ouvidos pela Associated Press (AP) questionam a confiabilidade dos dados. Segundo seis analistas, o total efetivamente recuperável nas condições atuais estaria entre 60 bilhões e 120 bilhões de barris, abaixo do necessário para manter o país à frente da Arábia Saudita.
A controvérsia ganhou peso após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar em agosto um acordo que daria aos norte-americanos o controle de 65 bilhões de barris de reservas comprovadas venezuelanas. Trump classificou a operação como a maior da história e afirmou que ela ajudaria a recompor as reservas estratégicas dos EUA e reduzir os preços da gasolina, pressionados pela guerra com o Irã.
Especialistas, no entanto, avaliam que o acordo contempla campos quase esgotados ou ainda não desenvolvidos, alguns na Faixa do Orinoco, onde a exploração é tecnicamente complexa. “Não podemos acreditar nesses 65 bilhões. É impossível”, disse Evanan Romero, ex-funcionário do setor energético venezuelano, à AP. Para ele, o governo Trump não verificou adequadamente as informações fornecidas pela Venezuela.
A Casa Branca não detalhou a metodologia empregada para chegar ao número. Em nota, a porta-voz Taylor Rogers defendeu o acordo como um passo para estabilizar a economia venezuelana, após anos de hiperinflação e escassez de investimentos, e afirmou que ele mais do que dobraria as reservas petrolíferas norte-americanas.
Luisa Palacios, ex-presidente do conselho da Citgo e pesquisadora da Universidade Columbia, suspeita que os 65 bilhões de barris representem petróleo existente no subsolo, e não reservas comprovadas, que levam em conta a viabilidade de extração. Nesse caso, apenas cerca de 5% seriam reservas comprovadas, ou 3,2 bilhões de barris, segundo sua avaliação. Já Francisco Monaldi, da Universidade Rice, estima que entre 10 bilhões e 15 bilhões de barris poderiam ser classificados como reservas comprovadas no curto prazo.
De acordo com autoridades norte-americanas e venezuelanas, o acordo abrange 17 campos administrados por uma joint venture da North American Blue Energy Partners (Nabep). Ao contrário das petrolíferas de capital aberto, obrigadas a divulgar suas reservas segundo critérios da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), a Nabep não tem ações negociadas em bolsa.
As dúvidas sobre as estatísticas venezuelanas remontam ao governo Hugo Chávez. Em meados dos anos 2000, ele iniciou um levantamento das reservas na Faixa do Orinoco, com apoio de estatais estrangeiras e da consultoria norte-americana Ryder Scott. A empresa calculou haver mais de 1 trilhão de barris de petróleo no subsolo da região, mas não estimou quanto poderia ser extraído com elevada probabilidade, condição necessária à classificação como reserva comprovada.
O governo Chávez fez essa conversão por conta própria. A Ryder Scott recusou-se a endossar o resultado e abandonou o trabalho. Em 2011, a estatal PDVSA informou que suas reservas comprovadas haviam aumentado 82 bilhões de barris, para quase 300 bilhões, atribuindo o salto a uma revisão das taxas de recuperação, sem fornecer explicações detalhadas. “Estão infladas por um fator de quase três”, afirmou Monaldi.
Segundo os especialistas, a taxa de recuperação plausível atualmente seria próxima de 10% para o conjunto das reservas venezuelanas e de apenas 5% a 8% no Orinoco. O petróleo mais viscoso da região é difícil de extrair e exige tecnologias avançadas e investimentos elevados, num país marcado por instabilidade e histórico de quebra de contratos. O mandato da presidente interina Delcy Rodríguez expirou em julho, sem eleições marcadas.
Apesar das ressalvas, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) mantém a Venezuela no topo de seu ranking desde 2011. No relatório de 2026, atribui ao país 303,7 bilhões de barris em reservas comprovadas, ante 267 bilhões da Arábia Saudita e 208 bilhões do Irã. O número foi reiterado pelos governos Chávez, Nicolás Maduro e Delcy Rodríguez, além de setores da oposição, e utilizado para respaldar empréstimos bilionários da China e da Rússia.
A falta de transparência aumenta as dúvidas de investidores que avaliam entrar na indústria petrolífera venezuelana. “Qualquer país que divulgue um número de reservas que nunca muda ao longo do tempo desperta uma enorme desconfiança”, concluiu Monaldi. O governo venezuelano e a Opep não responderam aos pedidos de comentário da AP.
Portal Fator Brasil - RJ 23/10/2026
Nas licitações públicas, dois em cada três tratores comprados foram importados.
As importações de tratores agrícolas da China cresceram 117% de janeiro a setembro de 2026, para cerca de 5,2 mil unidades, enquanto as vendas de tratores no mercado interno caíram 14,1% até agosto, segundo levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea ). A Índia despontou como outro relevante competidor, empatando com a China com um volume semelhante de unidades vendidas. Somados, os dois países responderam por 93% dos tratores importados.
As compras públicas funcionaram como um importante fator de mudança no mercado. Segundo levantamento da entidade com base no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), 65% dos 3.318 tratores agrícolas licitados em 2025 foram importados.
Entre as 10,6 mil máquinas agrícolas e rodoviárias licitadas no ano, no valor de R$ 3,7 bilhões, as de origem chinesa ficaram com 33,5% das unidades e 26% do valor, cerca de R$ 960 milhões. Os demais países estrangeiros, somados, não chegaram a 1%.
O estudo classifica as máquinas pelo local de produção: marcas estrangeiras com fábrica no Brasil entram como produção nacional.
O avanço das importações ocorre em um mercado que encolhe desde 2021. As vendas internas de máquinas agrícolas no varejo somaram 27 mil unidades até agosto, queda de 15,8%, e as de colheitadeiras recuaram 39,4%. Já as importações de máquinas agrícolas subiram 42% de janeiro a setembro, para 11,2 mil unidades, mais que o dobro das cinco mil exportadas no período.
Para a Anfavea, além do preço de aquisição, as compras públicas devem considerar o custo total de propriedade ao longo da vida útil do equipamento.
— Uma máquina não termina sua relação com o comprador no momento da entrega. É um ativo que precisa operar por muitos anos, e isso depende de peças, assistência técnica, manutenção e capacidade de atendimento. Nas licitações, é importante considerar o custo total de propriedade, e não apenas o menor preço de aquisição — afirma Igor Calvet, presidente da Anfavea.
Recuo no mercado interno — As importações de tratores cresceram 42% entre janeiro e setembro de 2026, mesmo com a retração das vendas nacionais de máquinas agrícolas. Entre os tratores importados no período, 90% têm potência de até 100 HP.
A faixa entre 50 e 100 HP concentra 6.412 máquinas importadas e registra expansão de 56%. O movimento ocorre em um cenário de dificuldades para o agronegócio, com aumento da inadimplência, menor rentabilidade diante da queda dos preços das commodities e custo ainda elevado do crédito.
Na construção, por outro lado, lançamentos imobiliários e investimentos em infraestrutura têm sustentado a demanda por máquinas rodoviárias, como escavadeiras, motoniveladoras e pás carregadeiras.
O que mais pesa — O endividamento elevado e a baixa rentabilidade do produtor rural desestimulam a compra de máquinas novas. A Selic estava em 13,75% ao ano em setembro, e a inadimplência do crédito rural de pessoas físicas chegou a 9,7% em agosto, segundo dados do Banco Central compilados pela entidade.
Na outra ponta, fabricantes instalados no Brasil enfrentam aumento dos custos de produção. Entre os pontos de pressão estão os componentes plásticos, afetados pela alíquota de 20% sobre resinas e polímeros e por medidas antidumping aplicadas a determinados produtos. Segundo estimativas das associadas, o impacto sobre componentes plásticos utilizados nas máquinas pode variar de 4% a 7%.
Para a Anfavea, o cenário reforça a necessidade de condições equilibradas de concorrência. A entidade não defende restringir a entrada de novas marcas ou tecnologias, mas que fabricantes nacionais e importadores concorram sob requisitos compatíveis de qualidade, segurança, assistência técnica e responsabilidade sobre o produto.
