Diário do Comércio - MG 20/08/2026
A produção de aço em Minas Gerais não acompanhou o ritmo nacional e teve alta na sua produção bruta de aço no mês de julho. O estado tirou dos altos-fornos 887 mil toneladas do produto, ante 858 mil toneladas do mês anterior, o que dá uma variação positiva de 3,38%, de acordo com levantamento do Instituto Aço Brasil.
Em comparação com julho de 2025, o volume produzido em Minas também teve elevação. No mesmo período do ano passado, as siderúrgicas mineiras produziram 850 mil toneladas, diante das 887 mil toneladas do último mês do semestre. Um incremento de 4,35% e 31% de participação na produção nacional.
No acumulado do ano, de janeiro a julho, ainda há um déficit em relação ao ano passado. Este ano, as empresas do estado ofertaram ao mercado 5,768 milhões de toneladas contra 5,878 milhões de toneladas em 2025, uma queda de 1,87%.
Ânimo
O resultado de julho, iniciando bem o semestre, pode dar um ânimo ao setor no Estado, mesmo com a queda produtiva em relação ao ano passado.
A elevação na produção mineira de aço gerou também um incremento na participação do Estado no mercado nacional na comparação de julho de 2025 com julho de 2026. Minas saiu de 30,3% para 31,6% na participação no volume produzido no País, variação positiva de 4,29%.
Produção nacional
O Instituto Aço Brasil divulgou também na terça-feira (18) as estatísticas referentes ao mês de julho de 2026 da produção nacional. A produção de aço bruto recuou 1,3% na comparação com o mês anterior, para 2,8 milhões de toneladas.
As exportações cresceram 9,8% e atingiram 1 milhão de toneladas. No mesmo período, as importações diminuíram 19,9%, para 383 mil toneladas, enquanto as vendas internas cresceram 4,1% e atingiram 1,9 milhão de toneladas. Com isso, o consumo aparente expandiu 2,6% e atingiu 2,2 milhões de toneladas.
Comparativamente aos primeiros sete meses de 2025, a produção de aço bruto recuou 1,2%, as exportações avançaram 2,4% e as importações recuaram 20,3%. As vendas internas ficaram estáveis no mesmo período, enquanto o consumo aparente recuou 5%.
Confiança
O supervisor de economia do Instituto Aço Brasil, Marcelo de Ávila, afirma que o volume da produção nacional gerou desconfiança entre os empresários, segundo o levantamento do Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA) referente ao mês de agosto.
“O indicador recuou 2,6 pontos frente ao mês anterior e atingiu 43 pontos, acumulando a terceira retração seguida da confiança dos CEOs da indústria do aço. Como ocorreu em julho, a queda do ICIA em agosto se deu principalmente pela diminuição das expectativas em relação ao futuro, visto que o indicador de situação atual aumentou em relação ao mês anterior”, disse o economista.
Minas na frente
O resultado de julho da siderurgia em Minas Gerais manteve o Estado na ponta da liderança nacional, sendo o principal centro do Brasil mais uma vez, com vantagem sobre os demais estados da federação. As empresas mineiras, com 31,6% de share, produziram 887 mil toneladas de aço bruto.
O Rio de Janeiro, segundo colocado no ranking, respondeu por 24,4% da produção nacional em julho, com 685 mil toneladas produzidas no mês. São Paulo, terceiro colocado, gerou 213 mil toneladas de aço, ou 7,6% do que foi feito no País.
Volume total nacional
A produção brasileira de aço bruto foi de 19,1 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a julho de 2026, o que representa uma queda de
1,2% frente ao mesmo período do ano anterior. A produção de laminados no
mesmo período foi de 13,4 milhões de toneladas, redução de 3,0% em relação ao registrado no mesmo acumulado de 2025. A produção de semiacabados para vendas totalizou 5,0 milhões de toneladas de janeiro a julho de 2026, um aumento de 5,5% na mesma base de comparação.
Vendas acumuladas
As vendas internas totalizaram 12,3 milhões de toneladas de janeiro a julho de
2026, registrando variação de 0,0% quando comparadas com igual período do
ano anterior.
Consumo
O consumo aparente nacional de produtos de aço foi de 15,2 milhões de toneladas no acumulado até julho de 2026. Este resultado representa uma queda de 5,0% frente ao registrado no mesmo período de 2025.
Importações e exportações
As importações alcançaram 3,3 milhões de toneladas no acumulado até julho de 2026, uma queda de 20,3% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 3,2 bilhões e recuaram 15% no mesmo período de comparação.
Já as exportações de janeiro a julho de 2026 atingiram 6,4 milhões de toneladas, ou US$ 4,2 bilhões (aproximadamente R$ 21,91 bilhões). Esses valores representam, respectivamente, crescimento de 2,4% e queda de 3,6% na comparação com o mesmo período de 2025.
Valor - SP 20/08/2026
Alíquotas sobre carros e caminhões fabricados no território canadense seriam diminuídos de 25% para 15%; impostos sobre metais poderiam ser cortados pela metade
Um acordo comercial entre Estados Unidos e Canadá, que ainda está sendo negociado, deve reduzir de 25% para 15% a alíquota máxima das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump a carros e caminhões fabricados no Canadá e cortar pela metade, para 25%, a tarifa máxima sobre o aço e o alumínio canadenses, segundo uma fonte familiarizada com as negociações.
A redução das tarifas sobre o aço também deve vir acompanhada de um sistema de cotas por volume, mas os detalhes não estavam disponíveis de imediato. A tarifa máxima de 15% sobre veículos seria aplicada antes dos descontos referentes ao valor do conteúdo produzido nos EUA, o que reduziria substancialmente a alíquota efetiva, disse a fonte à Reuters.
As tratativas sobre o acordo em elaboração, que evitaram nesta quarta-feira a entrada em vigor de novas tarifas americanas de 50%, devem continuar até o novo prazo, às 0h01 de sábado, no horário da costa leste dos EUA (1h01 em Brasília). Os termos ainda podem sofrer alterações.
Grandes Construções - SP 20/08/2026
A Gerdau, empresa brasileira produtora de aço, estará presente no Concrete Show 2026, considerado o maior evento de negócios da cadeia produtiva da construção civil da América Latina, que acontece de 25 a 27 de agosto, no São Paulo Expo, em São Paulo.
Em seu estande, a companhia apresentará um amplo portfólio de produtos e serviços que destacam a versatilidade, a tecnologia e a sustentabilidade dos aços Gerdau.
“A construção civil é um dos principais motores do desenvolvimento do Brasil e o Concrete Show 2026 é o ambiente ideal para estreitarmos nossa parceria com o setor. Chegamos a esta 17ª edição com um portfólio robusto, focado em entregar soluções que impulsionam a industrialização, a produtividade e a sustentabilidade nos canteiros de obras. Nosso objetivo é mostrar na prática como a Gerdau continua inovando para gerar cada vez mais valor aos clientes e contribuir para a descarbonização do setor”, afirma Débora Baum, líder de marketing da Gerdau.
O grande destaque da Gerdau para este ano é a apresentação da Gerdau NewEco, uma linha de produtos de aço com baixa emissão de carbono desenvolvida para apoiar os clientes em suas jornadas de descarbonização.
Produzida a partir de sucata metálica reciclada e com o uso de energia elétrica proveniente de fontes renováveis, a iniciativa atende a uma demanda crescente do mercado e da sociedade por obras de menor impacto ambiental, transformando o compromisso com a sustentabilidade em um diferencial essencial para a obtenção de certificações construtivas.
Alinhado a essa visão de eficiência e racionalização, o portfólio de vergalhões ganha força com as linhas GG 50 e GG 70. O GG 70, primeiro vergalhão de alta resistência do mercado, se mostra uma opção com foco na desmaterialização, uma vez que sua aplicação otimiza o uso de materiais e reduz a quantidade de barras necessárias na execução das obras, combinando alta performance e redução de custos nas obras.
Outra grande novidade para a feira será a Emenda Mecânica Gerdau, uma solução eficiente e prática utilizada para unir barras de aço de armaduras de concreto por meio de luvas metálicas especiais, substituindo a necessidade das emendas tradicionais por traspasse.
Os visitantes do estande poderão acompanhar uma demonstração prática de acoplamento da tecnologia, que é pioneira em alto desempenho e cumpre rigorosos requisitos como as normas ISO e ABNT.
O produto é fornecido integrado ao processo de corte e dobra da Gerdau, dispensando o uso de ferramentas específicas, como torquímetros, no canteiro de obras.
Completando a exposição de soluções voltadas à tendência de industrialização do setor, a Gerdau levará ao evento suas soluções em Corte & Dobra, Carretel, Perfis Estruturais e os Produtos Prontos (PPG). Esses sistemas personalizados garantem maior precisão dimensional, reduzem o desperdício e suprem a crescente escassez de mão de obra no mercado nacional.
O Estado de S.Paulo - SP 20/08/2026
A Gerdau (GGBR4) informou há pouco que a BlackRock reduziu sua participação acionária em ações preferenciais da companhia, passando a 110.888.953 PN e 15.104.332 American Depositary Receipts (ADRs, recibos de ações de empresas estrangeiras negociados nas bolsas americanas), totalizando 125.993.285 ações. O montante representa 9,991% do total.
A BlackRock também declarou, em correspondência enviada à companhia, deter 10.674.077 instrumentos financeiros derivativos com liquidação financeira referenciados em ações preferenciais, representando aproximadamente 0,846% do total de ações preferenciais da Gerdau.
O Estado de S.Paulo - SP 20/08/2026
Durante quase meio século, a China realizou uma transformação econômica sem paralelo histórico. Primeiro, tornou-se o chão de fábrica do mundo. Depois, passou a produzir boa parte das máquinas que equipam a indústria mundial. Agora, começa a descobrir um problema menos glorioso: quem vai comprar tudo isso.
Por décadas, o modelo garantiu crescimento ininterrupto. Exportações, investimentos, infraestrutura, crédito subsidiado e mão de obra abundante permitiram que a China construísse uma capacidade industrial sem equivalente histórico.
Nas últimas duas décadas, porém, o modelo sofreu uma mutação. O crescimento passou a depender cada vez mais não apenas da eficiência exportadora, mas da manutenção de capacidade produtiva muito superior à demanda.
A explicação, como quase sempre na China, começa pela política interna. Para o Partido Comunista, uma fábrica produz empregos, arrecadação local, estabilidade social e, sobretudo, legitimidade política. Fechar uma empresa, mesmo inviável, significa, para um secretário provincial do Partido, desemprego, queda da arrecadação e algumas perguntas desagradáveis de Pequim.
Daí emerge um sistema em que governos locais sustentam empresas deficitárias (30% da indústria hoje); bancos estatais refinanciam dívidas de empresas; governos provinciais competem para preservar suas bases industriais.
O resultado aparece nas estatísticas. Em 2025, o superávit comercial chinês de bens atingiu aproximadamente US$ 1,19 trilhão, contra US$ 992 bilhões no ano anterior. As exportações cresceram 5,5%, enquanto as importações permaneceram estagnadas, refletindo também a fraqueza da demanda doméstica. Há ainda o outro lado da equação: consumo doméstico relativamente baixo, elevada poupança das famílias, rede de proteção social limitada, crise imobiliária, endividamento dos governos locais e um modelo que historicamente privilegiou investimento e produção em relação ao consumo.
A China precisa encontrar compradores externos para uma parcela crescente da produção que sua própria economia não consegue absorver. Mas a capacidade de absorção do restante do mundo não é infinita. E quando fabricantes estrangeiros perdem participação, investimentos são cancelados, fábricas fecham e empregos industriais desaparecem, a economia encontra a política.
Esta reação já se viu em Washington ainda no primeiro governo Donald Trump. Joe Biden preservou boa parte das tarifas contra produtos chineses e acrescentou política industrial e subsídios. Trump voltou ao poder ampliando drasticamente a utilização do comércio como instrumento de segurança econômica, conceito admiravelmente elástico.
A Europa enfrenta dilema semelhante. Em 2025, a União Europeia importou € 559,4 bilhões em produtos chineses, crescimento de 6,4% sobre o ano anterior. A China respondeu por mais de 22% das importações extrabloco.
A Alemanha, locomotiva do bloco, oferece um retrato ainda mais dramático. Em 2025, as exportações alemãs para o mercado chinês caíram quase 10%. O déficit bilateral alemão chegou a € 89,3 bilhões. Para um país cuja identidade econômica foi construída sobre automóveis, máquinas e exportações industriais, não se trata de detalhe estatístico.
Por isso, a disputa entre China e Europa sobre capacidade excedente provavelmente será um dos grandes conflitos comerciais dos próximos anos. Veículos elétricos foram apenas a primeira batalha visível. Máquinas, produtos químicos, aço, baterias, equipamentos de energia renovável e outras manufaturas certamente se seguirão.
Quando Estados Unidos e Europa fecham progressivamente suas portas, os contêineres chineses não desaparecem. Direcionam-se a mercados médios, como Brasil, México, Argentina, Turquia e Índia. E suas indústrias dispõem de menos capacidade política, financeira e tecnológica para responder à avalanche de importações do que Estados Unidos ou União Europeia.
Para o Brasil, o problema não termina na concorrência dentro do mercado nacional. Empresas brasileiras também disputam com fabricantes chineses seus mercados da América Latina.
Uma tarifa antidumping aqui, uma elevação tarifária acolá e uma investigação de subsídios podem aliviar determinados setores. Mas medidas pontuais dificilmente conterão um fenômeno dessa dimensão.
Obviamente, confundir toda competitividade com subsídio seria intelectualmente preguiçoso e juridicamente perigoso. O problema é outro: distinguir eficiência, escala, subsídio, planejamento estatal e ambição geopolítica quando frequentemente chegam no mesmo contêiner.
Mas existe uma segunda pergunta, igualmente importante. O que acontecerá com o Brasil se, ou quando, a própria economia chinesa enfrentar uma crise séria?
A China é o principal destino das exportações brasileiras e responsável por parcela decisiva do superávit comercial brasileiro. Uma desaceleração mais profunda atingiria justamente commodities que sustentam boa parte da relação bilateral. Menor atividade industrial significa menor demanda por minério de ferro. Problemas no setor imobiliário afetam aço e minerais. Menor crescimento e menor confiança podem alterar consumo e importações de alimentos.
Nesse cenário, o Brasil descobrirá rapidamente o custo de ter concentrado sua relação com a China na exportação de commodities e na importação de manufaturados.
Daí a necessidade de antecipação. Diversificação de mercados, acordos comerciais, financiamento às exportações, defesa comercial robusta e uma política industrial concentrada em setores nos quais o Brasil tenha vantagens estratégicas.
Em artigo recente, o ex-USTR Michael Froman advertiu que a capacidade mundial de absorver o excesso produtivo chinês se aproxima de um ponto de ruptura.
Curiosamente, pouco disso aparece no debate eleitoral. Discute-se muito quem ofendeu mais ou se indignou menos. Seria útil reservar alguns minutos para questões menos viralizantes: quais mercados substituirão a China numa crise? Que política industrial serve ao Brasil? Como financiar sua transformação? Como responder ao desvio das exportações chinesas para a América Latina?
São perguntas menos divertidas do que as ofensas recíprocas. Também são as perguntas que continuarão existindo depois da eleição e comprometerão a próxima geração de brasileiros.
Globo Online - RJ 20/08/2026
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quarta-feira que as taxas de juros de longo prazo pagas pelo Tesouro Nacional para rolar a dívida pública brasileira são muito altas, algo inaceitável e que precisa ser solucionado.
– O Tesouro Nacional, que é quem mais tem condição de pagar um título no país, tem hoje uma conta muito grande de pagar, com juro alta, isso é inaceitável – afirmou, em evento do setor de saúde.
Como mostrou O GLOBO nesta quarta-feira, a alta da taxa básica de juros, os “prêmios” cobrados pelos investidores em razão das incertezas externas e fiscais e a série de programas de crédito lançados pelo governo têm elevado o custo efetivo da dívida pública para os maiores patamares em uma década e ampliado as pressões sobre as contas públicas do país.
A chamada taxa de juros implícita, que é uma medida calculada pelo Banco Central (BC) para capturar o custo total do endividamento do governo, chegou a 13,2% no acumulado em 12 meses para a dívida bruta, o maior patamar desde novembro de 2016.
Esse indicador leva em conta também a composição da dívida pública, que contém títulos atrelados à Selic, prefixados, ligados à inflação, cambiais, entre outros compromissos do governo.
– Eu sempre digo que nunca podemos abaixar a guarda e achar que o trabalho está resolvido, porque não está – afirmou o ministro.
Segundo ele, há uma "grande milha final" para cumprir no futuro, citando um compromisso de trajetória sustentável das contas públicas e os juros.
– O papel do governo brasileiro é seguir avançando, sem arroubos, achando que tem bala de prata, para que a gente resolva essa milha final. É preciso que continue trabalhando no próximo governo para resolver essa questão.
Exame - SP 20/08/2026
O mundo entrou em uma mudança estrutural que tende a manter juros mais altos, maior volatilidade e um nível elevado de incerteza por mais tempo, na avaliação das economistas-chefes que participaram nesta terça-feira, 18, da 27ª Conferência Anual do Santander, em São Paulo. De acordo com as especialistas, o período marcado por globalização, inflação baixa e juros muito reduzidos ficou para trás.
Fernanda Guardado, economista-chefe do BNP Paribas, identificou duas mudanças estruturais. A primeira é o aumento da incerteza e, principalmente, a mudança na natureza dos choques que atingem a economia global. Segundo a especialista, a incerteza deixou de ser um episódio pontual e passou a ser uma característica recorrente do cenário.
"Hoje nós estamos num mundo que é muito mais propenso a choques e choques de uma natureza diferente", afirmou, lembrando que, nos últimos anos, a fonte da incerteza foi mudando. Primeiro, os problemas de oferta de chips; depois, a guerra na Ucrânia; mais recentemente, os choques relacionados ao petróleo e aos conflitos geopolíticos com a eclosão da guerra entre Estados Unidos e Irã. Na avaliação de Guardado, a sucessão de episódios tornou o cenário econômico menos previsível.
"É um mundo que é mais incerto, um mundo que é mais marcado por questões geopolíticas, que torna um pouco menos previsível o cenário prospectivo, disse.
Os choques de oferta, por sua vez, vêm exigindo maior cautela das autoridades monetárias. É nesse contexto que aparece a segunda mudança estrutural apontada pelas economistas, a volta de um ambiente de juros mais altos.
"Hoje o mundo é um mundo marcado por juros mais altos", afirmou. A economista lembrou que, até 2019, economias desenvolvidas ainda enfrentavam dificuldades para deixar para trás um cenário de inflação muito baixa, com juros negativos em países como Suécia, Japão e Suíça e também na zona do euro.
O cenário mudou com o retorno da inflação, mas Guardada ressaltou que a pressão sobre os juros não decorre apenas da inflação. O aumento do endividamento soberano global também passou a pesar sobre as condições financeiras. "É um mundo mais perigoso e mais sensível a novos choques".
Menos globalização, mais incerteza
Cecília Machado, economista-chefe do BBM, acrescentou ao diagnóstico uma mudança na organização da economia mundial. Segundo a especialista, as cadeias produtivas, que durante décadas avançaram em direção a uma maior integração comercial e mobilidade do trabalho, passam agora por uma espécie de regressão.
"Países de repente tentando se fechar um pouquinho mais ou com uma maior restrição na direcionalidade desse tipo de política internacional", afirmou.
Para a economista, a inteligência artificial representa um contraponto potencialmente positivo nesse processo. O avanço tecnológico pode elevar a produtividade e o crescimento potencial, mas a transição também traz dúvidas sobre o mercado de trabalho e sobre os efeitos inflacionários no curto prazo.
O ponto de convergência entre as economistas, segundo Cecília, é que as mudanças em curso são acompanhadas por uma "enorme incerteza", como classificou, que envolve dimensões geopolíticas, tecnológicas e institucionais.
"É um mundo novo, é um mundo novo de muita incerteza e que temos um juro longo que é muito distinto dos períodos anteriores", afirmou.
Segundo Machado, a combinação de maior incerteza e aumento do endividamento público tem sido incorporada principalmente na parte longa das curvas de juros. Nos Estados Unidos, por exemplo, a economista-chefe do BB avalia que, mesmo que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) altere sua política monetária no curto prazo, esse componente estrutural tende a continuar afetando o custo de financiamento.
IA muda o ciclo de investimentos
A economista-chefe do Morgan Stanley, Ana Madeira, chamou atenção para outro elemento da transformação estrutural: o forte ciclo de investimentos privados associado à inteligência artificial. De acordo com a especialista, o fenômeno pode representar um choque de produtividade comparável, em escala, à revolução provocada pelo computador.
A questão, porém, é que o contexto atual é diferente daquele observado décadas atrás, especialmente por causa da situação fiscal dos governos. "Eu só colocaria um ponto aqui principal, a situação fiscal principalmente é muito diferente", afirmou.
Madeira destaca que na década de 1990 os EUA tinham uma trajetória de queda da dívida e registravam superávits, enquanto hoje o setor público disputa recursos com empresas que também precisam de capital para financiar o novo ciclo de investimentos.
"Tem muita gente querendo dinheiro, o dinheiro tá valendo muito, não é Então isso se reflete do ponto de vista de taxa de juros", disse.
A economista afirmou que essa combinação ajuda a explicar a pressão observada sobre as curvas de juros globais. Ao mesmo tempo, Madeira ponderou que ainda há dúvidas sobre a dimensão e os vencedores da transformação tecnológica. "Estamos no meio de uma revolução com uma série de desafios de curto prazo também", afirmou.
E o Brasil nesse novo mundo?
As economistas também discutiram como o Brasil se posiciona nesse ambiente de juros globais mais elevados e maior incerteza. O diagnóstico foi menos uniforme, mas houve consenso sobre a existência de vantagens estruturais e desafios domésticos.
De acordo com a economista do Morgan Stanley, a deterioração fiscal observada em diversas economias melhorou a posição relativa do Brasil aos olhos de investidores estrangeiros. Isso, porém, não significa que o país esteja protegido do cenário de juros globais mais altos. "A situação fiscal do Brasil em termos relativos, ela melhorou", afirmou.
Ao mesmo tempo, o aumento dos juros globais reduz o espaço para uma queda muito acentuada das taxas brasileiras, segundo a economista. Ela também afirmou que investidores estrangeiros começaram a voltar a olhar com mais atenção para a situação fiscal brasileira.
Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica, também destacou que o país parte de uma posição relativamente favorável diante das transformações da economia global. A economista chamou atenção para a abundância de recursos naturais e para o tamanho do mercado doméstico, fatores que podem ganhar importância em um mundo mais marcado por conflitos geopolíticos e pela busca por segurança no fornecimento de commodities.
"O Brasil continua sendo o eterno aluno nota cinco", afirmou Victal. Segundo a especialista, o país é forte justamente em áreas que tendem a ser demandadas em um cenário global mais complexo. "Do ponto de vista, a gente é muito forte em coisas que o mundo demanda muito", disse.
Victal citou a pecuária, as reservas de petróleo, o minério de ferro e as terras raras como exemplos dos ativos brasileiros. "O Brasil tem ativos e são ativos muito valorizados", afirmou, destacando a posição do país como exportador de petróleo, que favoreceu as contas brasileiras por meio da valorização do produto e o tamanho da economia doméstica.
O principal obstáculo, porém, também está dentro do próprio país. Para a econonista-chefe da SulAmérica, justamente por serem internos, os desafios brasileiros devem ser enfrentados por meio de decisões domésticas. Em sua avaliação, isso passa por uma melhora nos fundamentos, que poderia reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores e abrir espaço para uma reprecificação dos ativos brasileiros.
"Se fizermos o dever de casa, tem espaço para esse prêmio de risco do Brasil diminuir um pouquinho e gerar alguma oportunidade", disse. "Dependendo do prêmio dos ativos de risco global, podemos ficar mais bonito, podemos virar um aluno nota cinco que passa direto, ou um aluno nota cinco que precisa fazer prova final", afirmou.
Já a economista do BNP apresentou uma visão mais cautelosa sobre a percepção dos investidores estrangeiros. Para ela, a melhora relativa do Brasil não deve ser confundida com uma mudança definitiva na percepção de risco. "A complacência existe no mundo com o Brasil exatamente porque todo mundo piorou", afirmou.
Segundo Guardado, a elevação dos juros globais aumenta a disputa por capital e pode tornar os emergentes mais vulneráveis. O Brasil, por não emitir uma moeda de reserva como dólar ou euro, teria menos margem para absorver uma deterioração das condições financeiras internacionais. "O Brasil fica mais suscetível à crise de confiança fiscal no atual cenário", concluiu.
Diário do Comércio - MG 20/08/2026
Apesar dos percalços ditados pela política externa dos Estados Unidos, especialmente no que toca às relações de comércio, o Brasil caminha na direção de resultados positivos no que se refere às exportações no ano corrente. As piores previsões, ao ponto extremo de apontarem na direção de uma recessão, não se confirmarão, mantidos os resultados obtidos no primeiro semestre do ano e as tendências para o segundo. Bem distante de uma crise que em alguns momentos chegou a ser dada como apocalíptica, as projeções mais atuais do mercado indicam que a balança comercial poderá fechar o ano com superávit maior – de até US$ 10 bilhões – que o alcançado em 2025. E cabe lembrar também que em janeiro passado os mais otimistas diziam que repetir os números do ano anterior já seria muito bom.
Em 2025 a balança comercial fechou com superávit de US$ 68,1 bilhões e para o ano corrente as previsões – chanceladas pelo boletim Focus do Banco Central – são de que o saldo positivo poderá ficar em US$ 76,9 bilhões. Ainda mais otimista, a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) afirma que o saldo poderá chegar aos US$ 94 bilhões. A agilidade na identificação e conquista de novos mercados e o acordo entre a União Europeia e o Mercosul foram pontos de destaque diante da política tarifária ditada pelo governo Trump, tudo isso com apoio do bom desempenho nas vendas de soja, além da valorização do petróleo ditada pelo conflito no Oriente Médio.
O petróleo, que para o planeta aparece no centro da crise para o Brasil, por conta da escalada dos preços e do incremento das vendas externas, surge em condição oposta. Cabe lembrar que no primeiro semestre a produção no pré-sal foi a maior de todos os tempos, ajudando a inflar os resultados da Petrobras. Entre os meses de abril e junho seus ganhos somaram R$ 52,4 bilhões e no semestre alcançaram R$ 85,10 bilhões, com incremento de 37,6% na comparação com igual período de 2025. E tudo porque o preço médio do barril, entre os meses de abril e junho, ficou em US$ 104,52, com alta de 54,1% em relação ao segundo trimestre do ano passado.
Enxergar este quadro é enxergar o futuro com mais tranquilidade, o bastante para que também seja cobrado o fim do alinhamento dos preços internos para combustíveis com as cotações internacionais, situação que impõe ao País sacrifícios que não têm como ser explicados, muito menos defendidos. Buscamos e alcançamos autossuficiência precisamente para escapar das injunções do mercado internacional do petróleo e os números agora divulgados antes de tudo reforçam a crença de que o Brasil reúne todas as condições para fazer diferente, melhor atendendo a seus próprios interesses.
Infomoney - SP 20/08/2026
A dívida total dos EUA ultrapassou os US$40 trilhões pela primeira vez, informou o Departamento do Tesouro nesta quarta-feira, gerando novos alertas de que uma crise fiscal está se formando, à medida que os custos crescentes dos programas de proteção social e os pagamentos de juros superam em muito as receitas, prejudicadas pelos cortes de impostos.
O último balanço diário de caixa e dívida do Tesouro mostrou que a dívida pública total em circulação era de US$40,047 trilhões na terça-feira, valor que inclui títulos do Tesouro detidos pelo público, no montante de US$32,266 trilhões, e dívida intragovernamental, no valor de US$7,782 trilhões.
A dívida do governo federal mais que dobrou em menos de uma década, partindo de US$19,95 trilhões quando o presidente Donald Trump tomou posse pela primeira vez, em janeiro de 2017. Aproximadamente um terço desse aumento ocorreu durante dois anos de endividamento frenético do governo para financiar as respostas à pandemia da Covid-19 empreendidas por Trump e pelo ex-presidente Joe Biden, enquanto as escolhas de política fiscal de ambos os presidentes, combinadas com desequilíbrios de longa data entre receitas e gastos, foram responsáveis pelo restante.
Grupos de fiscalização orçamentária vêm prevendo a ultrapassagem desse limite há semanas e emitiram alertas severos de que uma crise de dívida em grande escala poderia eclodir, a menos que os parlamentares enfrentem um panorama fiscal insustentável e aumentem os impostos, cortem gastos ou ambos.
“A dívida de US$40 trilhões não existe apenas nos livros contábeis do governo; ela se faz sentir em toda a economia e, de uma forma ou de outra, chega ao bolso das pessoas”, disse Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, uma organização apartidária.
Tesouro dos EUA dobra recompra de títulos após taxas atingirem máximas
As autoridades fizeram o anúncio depois que os rendimentos dos títulos de 30 anos voltaram nesta semana aos níveis mais altos desde 2007
“Quanto mais contraímos dívidas, mais agravamos a inflação, prejudicamos outras prioridades no orçamento e nos tornamos vulneráveis a emergências internas e turbulências no exterior”, disse MacGuineas em um comunicado logo após a divulgação dos dados do Tesouro.
Ela observou que o valor de US$40 trilhões foi atingido menos de cinco meses depois que a dívida chegou a US$39 trilhões e quadruplicou em menos de 20 anos, considerando que levou até 1981 para atingir US$1 trilhão pela primeira vez. “É impressionante como o declínio fiscal de uma potência global pode se tornar previsível”, acrescentou MacGuineas.
Os credores globais dos EUA podem já estar ficando cautelosos.
Dias após um leilão de US$25 bilhões em títulos do Tesouro de 30 anos ter sido realizado com o maior rendimento desde 2021, os rendimentos dos chamados títulos de longo prazo atingiram na terça-feira seus níveis mais altos em quase duas décadas, à medida que os investidores exigiram maior remuneração diante da forte emissão de títulos do governo dos EUA.
Nesta quarta-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, tomou uma medida ousada para conter os rendimentos dos títulos de longo prazo, anunciando a duplicação do volume de recompra de títulos do Tesouro de 10 a 30 anos para pelo menos US$4 bilhões por operação.
O prêmio de prazo dos títulos do Tesouro de 10 anos — uma medida de quanto do rendimento total do título é atribuído ao risco percebido de mantê-los por uma década — subiu nesta semana para o maior nível em mais de uma dúzia de anos.
Em meio a tudo isso, a demanda por títulos da dívida dos EUA por parte de investidores estrangeiros — que detêm quase um terço de todos os títulos do Tesouro — vem diminuindo ao longo do último ano, deixando mais títulos à disposição de compradores mais sensíveis aos preços, o que pode agravar a volatilidade do mercado, escreveu na terça-feira John Canavan, analista-chefe de mercados financeiros do grupo de Serviços Macroeconômicos e de Investidores da Oxford Economics.
GASTOS COM A PANDEMIA, E MUITO MAIS
O Tesouro divulgou na semana passada o quarto maior déficit mensal da história dos EUA — US$432 bilhões em julho —, à medida que os reembolsos de tarifas tornaram as receitas alfandegárias negativas pelo terceiro mês consecutivo e os gastos com benefícios da Previdência Social e do Medicare para idosos continuaram a crescer. O déficit dos primeiros 10 meses do ano fiscal de 2026 já ultrapassou o déficit total de todo o ano fiscal de 2025, faltando ainda dois meses para o fim do ano fiscal atual.
Trump tem ignorado em grande parte o número cada vez menor de defensores da austeridade fiscal em seu Partido Republicano, defendendo gastos elevados ao longo de seus dois mandatos. A dívida pública aumentou em US$7,8 trilhões durante o primeiro mandato de Trump, com mais da metade desse montante acumulada durante a resposta à pandemia nos últimos nove meses de seu mandato.
Desde que Trump assumiu o cargo pela segunda vez, em janeiro de 2025, o endividamento dos EUA aumentou em US$3,8 trilhões, totalizando um crescimento de US$11,6 trilhões em seus dois mandatos até o momento.
A dívida pública aumentou em US$8,4 trilhões durante o mandato de Biden, também marcado por gastos elevados com a recuperação da Covid-19, mas impulsionado igualmente por despesas de grande porte com investimentos em infraestrutura, subsídios para energia limpa e outras prioridades defendidas pelo Partido Democrata.
O Comitê para um Orçamento Federal Responsável estima que as escolhas políticas de Trump e Biden tenham elevado a trajetória da dívida federal além do que teria sido acumulado de acordo com as leis de gastos vigentes quando cada um deles assumiu o cargo.
Por exemplo, o pacote legislativo histórico do segundo mandato de Trump — a Lei “One Big Beautiful Bill” — acrescentará mais US$4,7 trilhões à dívida, de acordo com o Escritório de Orçamento do Congresso, órgão não partidário responsável pela contabilidade dos parlamentares federais.
Trump caracterizou seu segundo mandato como focado na redução de custos, marcado por cortes iniciais de empregos em órgãos federais ordenados pelo Departamento de Eficiência Governamental. Mas grande parte de suas reduções de gastos teve como alvo os chamados programas “discricionários”, a menor parcela do orçamento federal. Os EUA gastam cerca de US$7 trilhões anualmente, e 60% desse montante é destinado aos chamados programas “obrigatórios”, incluindo pagamentos para a Previdência Social, o Medicare, o Medicaid e os cuidados aos veteranos, que geralmente aumentam para acompanhar o custo de vida.
Outro US$1,1 trilhão é destinado ao pagamento dos juros da dívida dos EUA, cujo custo aumenta à medida que a dívida se acumula e as taxas de juros sobem. O orçamento do ano fiscal de 2025 marcou a primeira vez em que os custos do serviço da dívida ultrapassaram o financiamento do Pentágono. Nos primeiros 10 meses do ano fiscal de 2026, os custos com juros superaram os gastos com assistência médica do Medicare, tornando-se o segundo maior item do orçamento federal, atrás apenas do sistema de aposentadoria da Seguridade Social.
Os EUA estão gastando mais com aposentadorias e assistência médica da geração “baby boom”, pressionando os fundos da Seguridade Social e do Medicare, enquanto as receitas de impostos sobre salários e renda continuam insuficientes para cobrir as despesas federais.
Globo Online - RJ 20/08/2026
As medidas de crédito que o governo tem adotado desde a segunda metade do ano passado não miram o consumo e ajudam a elevar a capacidade de crescimento da economia brasileira, por isso, não são inflacionárias. A visão é do secretário de Desenvolvimento Industria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Uallace Moreira.
Ao GLOBO, Moreira reforça que, ao financiar compra de máquinas, equipamentos, renovação de frotas de veículos para quem usa para trabalhar e inovação, o governo busca elevar a produtividade da economia, algo sistematicamente cobrado do Executivo por diversas correntes de economistas.
— Todas essas linhas são para estimular o investimento, para ampliar a capacidade de produção da indústria, renovação de máquina, investimento em máquina, renovação de frota. Isso amplia a produtividade e a competitividade, o que faz com que o PIB potencial aumente — disse. — Isso não é política de consumo. Não é contraditório com o que o Banco Central está fazendo— afirmou.
Ele reconhece que as medidas com subsídios geram custos para a dívida pública, mas ressalta que isso precisa ser ponderado pelos impactos econômicos positivos, sobretudo no aumento da capacidade de o país crescer. Moreira, porém, não apresenta uma conta sobre custos e retornos das medidas, embora mencione os estudos do ministério do Planejamento sobre os efeitos das políticas adotadas no primeiro semestre e destaque que o país deve crescer neste ano cerca de 2,3% mesmo com a maior taxa de juros real do mundo.
Além disso, ele compara a estimativa de subsídio de R$ 7,1 bilhões embutido no programa de aquisição de veículos, se todos os R$ 30 bilhões fossem utilizados, com um impacto positivo na arrecadação de magnitude similar. Mas reconhece que essa análise não foi feita de forma generalizada para todas as iniciativas do governo na área de crédito.
Especificamente nesse programa, Moreira admite que houve problemas na fase inicial de implementação, mas ressalta que a linha está ganhando tração. Para ele, é preciso olhar para essa medida pensando que o automóvel não é um bem de consumo para essas categorias e sim um instrumento de trabalho que gera mais renda e, sendo novo, maior capacidade de elevar a produtividade do trabalhador.
O secretário também destaca que o setor automotivo local não está no seu limite da capacidade produtiva, operando com ociosidade e estoques, além da pressão competitiva dos carros chineses. Outro ponto que ele salienta é que também não se pode dizer diretamente que o eventual aumento de renda do trabalhador de aplicativo e taxistas vai se tornar rapidamente mais consumo, porque há uma série de fatores operando, inclusive a necessidade de pagar a nova dívida.
A mesma lógica é aplicada por ele às demais linhas de crédito. A renovação de máquinas e equipamentos, por exemplo, aumentaria a eficiência e a produtividade das empresas, permitindo que a oferta de bens e serviços cresça com a demanda.
— Quando você compra uma máquina, um equipamento, o efeito é imediato. Você troca esse maquinário e tem um efeito de produtividade e eficiência energética na hora — afirmou.
Para além das ações mais focalizadas, Moreira destaca a estratégia mais ampla de política industrial do governo, definida na Nova Indústria Brasil (NIB). Ele salienta que os incentivos não são ilimitados e respeitaram as restrições fiscais, mas têm surtido efeito em melhorar a posição da indústria brasileira mesmo em um contexto internacional adverso, que, para ele, foi o principal elemento para a alta dos juros no Brasil.
Globo Online - RJ 20/08/2026
O ministro Dario Durigan disse que as taxas de juros pagas pelo Tesouro para rolar a dívida pública são altas demais e definiu a situação como “inaceitável”. De fato estão altas, mas reduzi-las é um processo que passa pelo controle dos gastos públicos. Há fatos específicos sobre a dívida brasileira. Os investidores querem comprar apenas papel pós-fixado e de período curto, ou seja, LFT atrelada à Selic. Em meio ao calendário eleitoral, os candidatos não fizeram propostas críveis de ajuste nas contas públicas, e a dívida é alta, cara e curta.
O Tesouro precisa rolar de R$ 140 bilhões a R$ 150 bilhões por mês. O problema é que os investidores e os gestores dos investimentos estão pedindo cada vez mais juros para comprar um pré-fixado como uma NTN-B. O Tesouro só consegue vender se aceitar pagar taxas de 8% acima do IPCA.
Isso reforça uma peculiaridade da dívida brasileira, que está 65% em títulos pós-fixados como a Letra Financeira do Tesouro (LFT), que foi criada na época da alta inflação e a partir de então sempre dominou a dívida brasileira. Ela acompanha diariamente a taxa Selic. Em momentos de dúvida é para lá que vão os investimentos, fazendo com que a dívida cresça conforme os juros. Como as taxas têm estado muito altas, ela cresceu, ajudando a consolidar a ideia de que o governo atual é gastador e, por isso, tudo está ficando fora de controle.
O governo fez um ajuste durante um período, em 2024 e 2025. O mercado chegou a aceitar juros mais baixos para rolar a dívida. Este ano, o governo ampliou suas despesas e criou muito gasto financeiro, pouco visível, mas que impacta a dívida pública. A atual administração reduziu o déficit primário, só que manteve o mesmo defeito que derrubou o teto de gastos: pôr despesas fora da estatística oficial, que não contam para efeito do cumprimento da meta. O Legislativo também tem criado despesas com essa distorção de ficar fora da contabilidade. Isso engana a meta, mas não ilude a dívida, que continua crescendo.
Uma fonte que eu ouvi sobre esse dilema do endividamento público explicou assim:
– Com uma taxa de juros cobrada pelo mercado de 8% acima da inflação e um endividamento de 80%, a dívida crescerá a 6,4%. O país cresce a 2%. Seria necessário um superávit primário de 4,5% para estabilizar a dívida, algo que ninguém acha factível. Então se fala: “não vai estabilizar”. É preciso uma taxa de juros menor, maior crescimento e superávits primários.
Como isso é difícil, o mercado conclui que o Tesouro continuará emitindo. Se a oferta de títulos sobe, cai o preço, então é preciso cobrar mais para financiar o Tesouro.
– Ninguém está topando correr o risco pré. Se fosse traduzir de maneira simples, diria que ninguém está topando correr o risco do futuro do Brasil — explica a fonte.
Esse é um dos imbróglios da economia brasileira. Engana-se quem explica ideologicamente, ou seja, com a visão de que a direita é austera e a esquerda gastadora. A extrema direita não fez o ajuste que prometeu e gastou demais em época eleitoral. Para entender o dilema da dívida brasileira é preciso evitar o simplismo.
A ideia que vem de Ronald Reagan de que basta reduzir os impostos para a economia crescer e o mercado sozinho resolver o problema é um equívoco. Porém, é um erro também a aposta da esquerda de que basta impulsionar a demanda que todo o resto acontece.
O Brasil tem R$ 550 bilhões de renúncia fiscal. Todos prometem cortar esse gasto. E governo após governo as isenções de impostos para setores aumentam. O Congresso recepciona os lobbies e cria novos subsídios. Fez isso na semana passada com o etanol. O país terá que desindexar e desvincular despesas. O aposentado não pode ter o mesmo aumento do trabalhador da ativa, como se na inatividade ele tivesse ganhos de produtividade. A rigidez do Orçamento tem tornado o país ingovernável. As emendas sequestraram o papel do Executivo. Quem culpa apenas o atual governo ou imagina haver alguma conspiração no mercado está simplificando o nó fiscal brasileiro. Ele é complexo e nenhum candidato falou ainda como enfrentá-lo de forma convincente. É fundamental que o debate enfrente esse problema porque o país precisa que os investidores voltem a apostar no futuro do Brasil.
Valor - SP 20/08/2026
Se há alguns anos a prioridade era digitalizar processos isolados, hoje, o foco é automação, integração de dados e inteligência artificial (IA) em toda a cadeia produtiva, da mina ao porto
A mineração está mais tecnológica e menos intensiva em trabalho manual. Se há alguns anos a prioridade era digitalizar processos isolados, hoje, o foco é automação, integração de dados e inteligência artificial (IA) em toda a cadeia produtiva, da mina ao porto. Nas grandes empresas, já tecnologicamente avançadas, não são mais novidade nem drones, nem equipamentos autônomos, nem radares interferométricos — sensores que emitem micro-ondas e capturam seu reflexo para medir distâncias e detectar deformações milimétricas.
Um movimento marcante nesse mercado, segundo Leandro Rossi, diretor-executivo do Mining Hub, é a utilização do chamado gêmeo digital — uma representação virtual altamente precisa que simula um processo do mundo real. A tecnologia passou a ser adotada em projetos de licenciamento, virtualização de áreas de risco e monitoramento de barragens. “Essa última frente ganhou peso nos últimos anos, e hoje é praticamente um requisito de licença social para operar”, explica Rossi.
Fundado pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o Mining Hub é um coletivo de inovação aberta que atendeu 25 mineradoras nos últimos sete anos, apoiando projetos de segurança, sustentabilidade, integração de grande volume de dados, adoção de IA e de veículos autônomos.
Na Mineração Taboca, principal produtora de estanho refinado do país e detentora da Mina de Pitinga, em Presidente Figueiredo (AM), e de uma planta metalúrgica em Pirapora do Bom Jesus (SP), a tecnologia é aplicada no planejamento, a partir da simulação do desmonte de rochas, e no acompanhamento do desgaste do mineral por meio de aparelhos de ultrassom e filmagens on-line. “O sistema diminui as perdas por quebras inesperadas e permite aperfeiçoar a programação de paradas”, explica José Flávio Alves, vice-presidente-executivo da Mineração Taboca.
Na planta metalúrgica em Pirapora do Bom Jesus (SP) o concentrado de cassiterita é transformado em estanho de alta pureza. “O beneficiamento e o processo metalúrgico são complexos, por isso contamos com um laboratório de análise, que é quase uma cópia do real, e um laboratório de análises químicas gerando testes durante todo o tempo para otimizar as rotas de extração e os resultados”, afirma Alves.
A mineradora investiu mais de R$ 1,1 bilhão desde 2017 e prevê outros R$ 500 milhões até 2028 para dobrar a capacidade produtiva. Também estão previstos aportes em beneficiamento e metalurgia até 2030, além de investimentos em centros de pesquisa e desenvolvimento próprios e em parcerias com institutos públicos e privados para desenvolver e patentear novas aplicações.
A ArcelorMittal, especializada em minério de ferro, investiu na segurança operacional e na redução dos impactos ambientais nas minas Serra Azul e Andrade, ambas em Minas Gerais. Na Serra Azul a nova planta de beneficiamento de minério de ferro recebeu investimentos de R$ 2,5 bilhões e é equipada com sistema de eficiência energética para recirculação de água, filtragem e disposição de rejeitos a seco, com monitoramento em tempo real.
A Mina do Andrade conta com radares de monitoramento de taludes e Estações Totais Robóticas (ETRs). O sistema faz o monitoramento geotécnico automatizado em cavas e barragens, sem intervenção humana, rastreando pequenos deslocamentos superficiais em prismas instalados nas rochas ou taludes, fornecendo dados tridimensionais para prever deslizamentos. “Com o sistema de instrumentação geotécnica integrada e monitoramento remoto, acompanhamos o deslocamento das estruturas geotécnicas em tempo real, aumentando a capacidade de prevenção e resposta a qualquer alteração nas condições de estabilidade”, explica Samir Mohallem, gerente-geral de serviços técnicos e chief technology officer (CTO) mineração da ArcelorMittal.
Segundo Mohallem, a empresa investe em sistemas de monitoramento das operações com sensores, radares, estações robóticas, instrumentação integrada e uso de drones para inspeção remota das minas. “Além dos equipamentos e infraestrutura, é necessário investir na capacitação das equipes e na integração entre engenharia e operações”, afirma.
O segmento das grandes mineradoras representa uma parcela pequena dos empreendimentos do setor. Em número de títulos minerários, o setor de pequeno e médio portes, incluindo o garimpo, corresponde a algo em torno de 90% ou mais do universo brasileiro, de acordo com o diagnóstico socioeconômico e ambiental da mineração em pequena escala no Brasil, elaborado para o Ministério de Minas e Energia, com apoio do NAP.Mineração/USP. Esses percentuais se referem ao número de títulos minerários ativos, e não à participação na produção física, no faturamento ou nas exportações.
Nesse cenário, o país convive com duas agendas tecnológicas simultâneas. “Na grande mineração, o desafio é aprofundar a integração digital entre automação, IA e controle das operações em tempo real; na de menor porte a inovação mais relevante nem sempre é um caminhão autônomo ou um gêmeo digital sofisticado, mas uma solução acessível de sensoriamento, um modelo geológico mais confiável, um sistema simples de controle de produção ou uma melhoria de processo capaz de reduzir perdas minerais, consumo de água e geração de rejeitos”, afirma Giorgio de Tomi, professor titular do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).
A tendência para os próximos dois anos é a junção de ambientes virtuais e simulações num ecossistema integrado. “Sensores, drones, radares, sistemas de planejamento, equipamentos e usinas ainda produzem muitos dados em ambientes separados e a tendência é conectá-los em plataformas comuns, com IA apoiando previsões de produção, manutenção, qualidade, estabilidade geotécnica e consumo de água e energia”, afirma o professor Tomi, da Poli-USP.
O estudo Global Mine 2026, da PwC, aponta que mineração é um dos setores com menor maturidade digital e um dos que possuem maior potencial de ganho com IA. “A próxima etapa será automatizar decisões com minas simuladas virtualmente antes de alterações físicas com redução de custos e menor risco operacional”, afirma Patrícia Seoane, sócia e líder do setor de mineração na PwC. O estudo também destaca que a automação representa uma resposta estrutural aos desafios de produtividade e escassez de mão de obra do setor.
Technology - The age of integration
Mining has grown more technology-driven and less labor-intensive. A few years ago, the priority was digitizing isolated processes; today the focus is on automation, data integration and artificial intelligence (AI) across the entire production chain, from mine to port.
Large mining companies have already adopted drones, interferometric radars and autonomous equipment. According to Leandro Rossi, of Mining Hub, an innovation collective affiliated with the Brazilian Mining Institute (Ibram) that has served 25 mining companies over the past seven years, one of the most significant advances is the “digital twin,” a highly accurate virtual simulation applied to licensing, risk-area surveying and dam monitoring, now a requirement for maintaining a social license to operate.
Practical examples illustrate the transition. At Mineração Taboca — the country’s largest producer of refined tin, with operations in the states of Amazonas and São Paulo — technology supports rock-blasting planning as well as wear monitoring through ultrasound and online video systems, cutting losses caused by unexpected equipment failures. The company has invested R$1.1 billion since 2017 and plans to invest another R$500 million through 2028 to double its production capacity.
ArcelorMittal has deployed technology at its Serra Azul and Andrade mines, in Minas Gerais state, including a processing plant backed by R$2.5 billion in investments, energy efficiency systems and automated geotechnical monitoring using radars and robotic total stations capable of detecting millimeter-scale slope movements and predicting landslides without human intervention. Investing in workforce training is just as essential as investing in equipment, says Samir Mohallem, the company’s mining CTO.
Despite the progress made by large companies, small ones account for 90% of the industry, which creates two technological conditions: large mining companies pursuing advanced digital integration across automation, AI and real-time control, while smaller ones need affordable solutions, such as sensors or geological models that can cut losses and waste.
PwC’s Global Mine 2026 study shows that mining is one of the sectors with the lowest level of digital maturity, but also one of those with the greatest potential to benefit from AI. The next stage will be the automation of decision-making based on mines simulated virtually before any physical intervention takes place, reducing costs and operational risk, says Patrícia Seoane, of PwC.
Valor - SP 20/08/2026
Após ter registrado o seu melhor desempenho histórico em 2025, para este ano a expectativa é de quebrar novamente o recorde de embarques, depois de o volume exportado da commodity crescer 2,4% no 1º semestre
O volume de exportações brasileiras de minério de ferro caminha para registrar novo recorde em 2026, após ter registrado o seu melhor desempenho histórico em 2025, quando os embarques internacionais somaram 416,4 milhões de toneladas (Mt). No primeiro semestre de 2026, foram embarcados 189,4 Mt, um volume 2,4% superior ao do mesmo período do ano passado.
A receita obtida no semestre com as exportações do minério totalizou US$ 13,43 bilhões, uma alta de 5,2% em relação ao mesmo período de 2025. Além do aumento de volume, a valorização da commodity também contribuiu para a expansão da receita. O preço médio alcançado pelos exportadores brasileiros nos primeiros seis meses do ano foi de US$ 104,75 por tonelada, alta de 3,7% em relação ao primeiro semestre de 2025. Os dados são do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
A Vale, principal mineradora do país, produziu 153,9 Mt e registrou vendas totais de 148,4 Mt de minério de ferro no semestre, uma alta de 3,5% em relação ao ano passado. Em 2025 a companhia produziu 336 Mt e a projeção para 2026 é um total entre 335 Mt e 345 Mt.
Globalmente, o comércio marítimo de minério de ferro movimentou 1,77 bilhão de toneladas em 2025, de acordo com a S&P Global. A China foi destino de 75% dos embarques. A Austrália lidera as vendas internacionais com 977,2 Mt. O Brasil é o segundo no ranking.
“A estimativa do mercado é que a demanda global se mantenha no mesmo patamar até 2030, talvez com uma leve redução, mas sem gerar impacto significativo nos preços internacionais, que devem permanecer na casa dos US$ 100 por tonelada para o minério com 61% de teor de ferro”, diz Daniel Sasson, analista de commodities do Itaú BBA.
A estabilidade da demanda e dos preços da commodity é consenso entre os analistas, apesar de haver alguns sinais de retração no mercado. A produção global de aço registrou queda de 2% em 2025, totalizando 1,85 bilhão de toneladas, segundo a World Steel Association. Na China, a queda foi ainda maior, de 4,4%, para 960,8 Mt.
Mas as projeções da World Steel são de expansão da produção e consumo de aço em vários países. A Índia projeta dobrar sua produção de aço até 2030 e chegar ao patamar anual de 300 Mt. Vietnã, Indonésia, Malásia, Egito, Argélia, Nigéria e Estados Unidos são outros países com tendência de alta na produção nos próximos anos.
Pelo lado da oferta de minério de ferro, 2025 marcou o início do ramp up de um dos maiores projetos de mineração do mundo, o Simandou, na Guiné, que pertence à Rio Tinto e a um consórcio de empresas chinesas. A estimativa é que a produção alcance 120 Mt por ano em 2030. O minério é de alto teor de ferro, 65%.
Para Sasson, Simandou não vai gerar uma sobreoferta de minério de ferro. “Vai apenas substituir minas exauridas ou de baixa produtividade, principalmente na Austrália”, diz o analista. A estimativa é que o esgotamento da vida útil de antigas minas retire do mercado por volta de 3% da produção global, algo entre 50 Mt e 55 Mt por ano. Em quatro anos, são mais de 200 Mt. “Simandou adiciona 120 Mt por ano, ainda precisaremos de novas ofertas para manter o equilíbrio”, diz Sasson.
Os produtores brasileiros estão se posicionando para atender à demanda global. A projeção do Ibram é que os investimentos no Brasil em mineração de ferro somem US$ 19,8 bilhões até 2030. Na Vale, a maior mineradora do país, o guidance de investimentos em minério de ferro é de US$ 3,9 bilhões em 2026. A meta divulgada pela companhia é chegar a uma capacidade produtiva de 360 Mt em 2030.
A Cedro Mineração tem previsão de elevar sua capacidade produtiva para 20 Mt em 2032. Com duas minas, uma em Nova Lima e outra em Mariana, em Minas Gerais, a mineradora produz 7 Mt por ano. O projeto é gradual. A primeira etapa prevê investimentos avaliados em US$ 700 milhões para expandir a capacidade de produção em Mariana de 5 Mt para 7 Mt em 2028. Em uma segunda etapa, ainda sem orçamento definido, a companhia prevê expandir a produção de Mariana para 10 Mt por ano. O restante da expansão da produção virá de novas áreas adquiridas na região centro-sul de Minas.
O foco da Cedro é a produção de pellet feed, produto com teor de ferro acima de 55% e baixas impurezas. “É um produto que permite uma produção de aço com menor emissão de gases de efeito estufa e uma economia de US$ 15 a US$ 20 por tonelada”, diz José Carlos Martins, presidente do conselho da Cedro. No mercado internacional, o pellet é valorizado com um prêmio entre US$ 10 e US$ 15 por tonelada.
Hoje, a produção da Cedro é vendida no mercado interno, para siderúrgicas locais ou para mineradoras produzirem blends para exportação. “Com uma produção anual na casa de 20 Mt, vamos ter escala para participar diretamente do mercado internacional”, diz Martins.
A Samarco anunciou um investimento de R$ 13,8 bilhões, o maior de sua história, para elevar sua capacidade de produção de pelotas de minério de ferro de 15,1 Mt para 26 Mt em 2030. Na prática, a mineradora voltará à capacidade produtiva que tinha até 2015, antes do desastre ambiental do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), que provocou mortes e estragos socioambientais ao longo do rio Doce, até o litoral do Espírito Santo. O orçamento acordado com o poder público para a reparação dos danos e indenização das famílias atingidas é de R$ 170 bilhões, dos quais R$ 80,4 bilhões já foram desembolsados.
Hoje os rejeitos da Samarco são empilhados a seco, dispensando a barragem. Os investimentos contemplam a reforma de ativos de concentração no complexo de Germano, em Mariana, onde o minério é beneficiado, proporcionando uma concentração de 66% de teor de ferro, e a reforma de duas das quatro unidades de pelotização da companhia em Ubu (ES).
“Há um grande interesse por pelotas de ferro na siderurgia global, devido à capacidade do material em descarbonizar o processo produtivo”, diz Rodrigo Vilela, presidente da Samarco. “Enquanto uma tonelada de aço produzida com o sínter do minério de ferro gera uma emissão de 600 kg de CO2, a mesma tonelada emite 80 kg de CO2 com o uso de pelotas”, diz. A estimativa do executivo é que o mercado internacional de pelotas de ferro passará das 120 Mt atuais para 250 Mt em 2030.
Na Bahia, a Brazil Iron desenvolve um projeto integrado de produção de minério de ferro, em Piatã, e uma unidade em Ilhéus de produção de ferro briquetado a quente (HBI, na sigla em inglês), que apresenta pureza superior a 93% e também proporciona uma significativa redução na emissão de gases de efeito estufa no processo siderúrgico.
O investimento é de US$ 5,7 bilhões. A previsão da companhia é iniciar a operação em 2030, com uma capacidade de 5 milhões de toneladas por ano de HBI. A produção será totalmente destinada à exportação. “Já temos dez anos de produção comercializada”, diz Emerson Souza, VP de relações institucionais da Brazil Iron.
A new record looms
Brazilian iron ore exports are on track to set a record in 2026, after reaching another all-time high in 2025, when international shipments totaled 416.4 million tonnes (Mt). In the first half of 2026, exports reached 189.4Mt, up 2.4% from the same period last year.
Export revenue in the first half totaled $13.43 billion, up 5.2% from the same period in 2025. The average price obtained by Brazilian exporters over the first half was $104.75 per tonne, up 3.7% from the first half of 2025. The figures were released by the Brazilian Mining Institute (Ibram)
Global seaborne iron ore trade reached 1.77 billion tonnes in 2025, according to S&P Global. “The market expects global demand to hold roughly steady through 2030, perhaps with a slight decline, but without significantly affecting international prices, which are expected to remain around $100 per tonne,” says Daniel Sasson, a commodities analyst at Itaú BBA.
Brazilian producers are positioning themselves to meet global demand. Ibram projects that investments in Brazil’s iron ore mining industry will total $19.8 billion through 2030. At Vale, the country’s largest mining company, the investment guidance for iron ore currently stands at $3.9 billion in 2026. The company aims to reach production capacity of 360 million tonnes by 2030.
Cedro Mineração plans to raise its production capacity to 20Mt by 2032. With two mines—one in Nova Lima, the other in Mariana, both in Minas Gerais state—the company currently produces 7 million tonnes a year. It focuses on pellet feed, a product with an iron content above 55% and low impurity levels. “It is a product that enables steel to be produced with lower greenhouse gas emissions,” says José Carlos Martins, chairman of Cedro.
Samarco has announced a R$13.8 billion investment to raise its iron ore pellet production capacity from 15.1Mt to 26Mt by 2030. “There is strong interest in iron ore pellets from the global steel industry because of the material’s ability to decarbonize the production process,” says Samarco president Rodrigo Vilela. He estimates that the international iron ore pellet market will grow from the current 120Mt to 250Mt by 2030.
Valor - SP 20/08/2026
Contrato futuro com vencimento em janeiro, o mais negociado, fechou cotado a US$ 105,5
O preço do minério de ferro avançou levemente nesta quarta-feira (19) na China, mantendo a trajetória de valorização observada na sessão anterior.
O contrato futuro do minério com vencimento em janeiro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em alta de 0,78%, cotado a 712 yuans (US$ 105,5).
Segundo analistas da consultoria ANZ Research, apesar da alta vista nos últimos pregões, o preço do minério de ferro continua limitado pela demanda enfraquecida da China, em meio à fraqueza dos indicadores do mercado imobiliário.
InfraRoi - SP 10/08/2026
A eletrificação da linha amarela no Brasil começa a ganhar espaço, mas ainda está longe de se consolidar como tendência dominante no setor de equipamentos pesados. A afirmação pôde ser confirmada no Brazil Equipo Show 2026, evento que ocorreu durante os dias 4 e 7 de agosto em Jaguariúna (SP), que contou com a presença de fabricantes de equipamentos, distribuidores e locadores.
Apesar de alguns fabricantes já testarem e comercializarem modelos elétricos no País, a adoção segue restrita a nichos como mineração, agronegócio e operações confinadas, esbarrando em desafios como infraestrutura de carregamento, custo inicial e incertezas sobre o valor de revenda ao longo do ciclo de vida das máquinas. Há fabricantes que sequer têm planos de trazer seus modelos elétricos para o Brasil, enquanto dealers não possuem estoquem por não haver demanda de clientes.
Desafios para a eletrificação da linha amarela no Brasil
A falta de infraestrutura de carregamento é o principal desafio para a massificação dos equipamento elétricos no Brasil. Mais do que a distribuição de energia, o problema é garantir que o equipamento possa ser recarregado sempre que necessário e que isso ocorra onde ele vai operar. Por isso, os principais setores onde os elétricos se destacam são os de trabalho em local confinado, como mineradoras e indústrias.
Nesse contexto, as pás-carregadeiras são as máquinas elétricas mais demandadas e acabam representando uma fatia pequena do mercado de equipamentos, cerca de 10%, segundo Renato Duarte, diretor comercial da Bauko. Conforme ele diz, não é um volume suficiente para sustentar uma demanda e a Bauko nem sequer chega a ter um estoque de equipamentos elétricos no Brasil.
Mas a preocupação maior é com a revenda futura após primeiros anos de uso. Duarte explica que, como o custo da bateria abrange de 50 a 60% da máquina, a deterioração do preço do equipamento ao longo do tempo fica mais restrito à saúde da bateria. “Clientes têm receio devido ao ciclo de vida dos elétricos, enquanto ele já sabe o quanto vale um equipamento a combustão ao longo dos anos”, defende.
Komatsu prefere apostar em outras tecnologias
A Komatsu é uma das marcas que não tem previsão de trazer seu modelo elétrico de escavadeira para o País, conforme apontou Wellington Mitsuda, diretor de Vendas da companhia. Segundo ele, a Komatsu prefere apostar em tecnologias mais convencionais, como biocombustíveis. “Mudança na matriz energética atrai nosso negócio mais para biocombustíveis e estamos estudando o mercado para ver o interesse em utilizar o etanol principalmente em produtores de cana-de-açúcar.”
Os elétricos não estão totalmente escanteados pela fabricante japonesa. Ela conta com escavadeiras híbridas que se aproveitam da energia cinética gerada pelo giro do equipamento para reutilizá-la na em uma nova aceleração ou auxiliar o motor a combustão. Mitsusa explica que algumas operações específicas conseguem reduzir em até 30% o consumo de energia com o modelo, como é o caso da indústria de papel e celulose, onde o trabalho de giro com escavadeiras é mais intenso e já testam o equipamento em solo brasileiro.
Fabricantes chinesas apostam mais na eletrificação da linha amarela
Por outro, quem incentiva a eletrificação da linha amarela no Brasil são as marcas chinesas. XCMG e LiuGong são duas marcas que já contam com equipamentos elétricos no País e têm estratégias para expandir a atuação desses modelos para além dos mercados de mineração e agro.
O principal argumento de venda das duas é o custo de combustível e a sustentabilidade ambiental. Adriano Caputo, executivo de Vendas da XCMG, diz que “a economia de combustível já fecha o TCO (Custo Total de Propriedade, na sigla em inglês) da compra”. Segundo ele, uma escavadeira convencional consome 35 L/h em média, o que daria cerca de R$ 213, enquanto modelos elétricos consomem 95 kWh, custo de R$ 74.
Caputo conta que a XCMG tem uma “frota de teste” para oferecer pás-carregadeiras elétricas em um contrato de comercialização baseado em regime de comodato. A ideia é facilitar a experimentação desses equipamentos e a ideia tem dado certo, segundo ele, com clientes não querendo devolver o equipamento depois.
A LiuGong também tem estratégias para ampliar o espaço dos elétricos e uma delas é ajudar o setor de locação a encontrar formas de monetizar o investimento em elétricos. Wilson Soler Filho, gerente sênior de Estratégia da LiuGong, diz que a melhor forma é capacitar os locadores para que entendam o negócio ideal para oferecer esse tipo de solução. Como exemplo do sucesso da iniciativa, três locadoras já estão com equipamentos elétricos da LiuGong a disposição.
Espaço para elétricos ainda é restrito
Mesmo as fabricantes que arriscaram e conseguiram espaço no disputado mercado brasileiro de equipamentos sabem que os elétricos ainda são uma solução para operações específicas. A LiuGong mesmo destaca que a eletrificação da linha amarela no Brasil se restringe a pás-carregadeiras nos setores de agronegócio, mineração e indústria, além de aplicações com miniescavadeiras elétricas para operação urbana, aproveitando o baixo ruído do equipamento e a disponibilidade de energia.
Soler Filho entende que os elétricos são parte da solução para a sustentabilidade ambiental e maior eficiência, mas que não se aplicam a todos os casos. “A infraestrutura de carregamento ainda pesa muito e a carga horária de trabalho tem que ser bem gerida para não ter problemas de indisponibilidade por falta carga”, destaca.
Até mesmo a Bomag, fabricante alemã focada em equipamentos de pavimentação, percebe que o mercado para máquinas elétricas é mais restrito. Carlos Forghieri, gerente comercial da empresa, conta que o principal mercado para esses modelos são o norte da Europa, mas mesmo assim há uma intenção de expandir para outros locais, inclusive para o Brasil.
“Por aqui, a demanda maior são em pedreiras, o que mostra um mercado pouco expressivo”, diz. Para Forghieri, é preciso mostrar a aplicabilidade dessas máquinas em outras operações, apresentando os benefícios, a eficiência, o menor custo de manutenção e a menor incidência de poluição do ar e sonora.
Armac traça estratégia para locação de elétricos
A Armac, uma das principais locadoras de equipamentos do País, corrobora essa limitação de mercado. Até mesmo para a locação de máquinas elétricas, os principais interessados são players do setor da mineração e do agro, não à toa a empresa levou pás-carregadeiras elétricas para exposição na Agrishow 2026. Para Vinícius Marino, diretor de Marketing da Armac, o modelo elétrico ainda é uma solução de nicho para operações específicas porque não ter versatilidade o suficiente para atender todos os cenários.
Mesmo assim, isso não impediu que a locadora desenvolvesse uma estratégia específica para os elétricos, oferecendo os equipamentos apenas no formato de prestação de serviço, onde o operador da máquina é empregado da própria Armac. Ele diz que essa oferta, que foi criada no final de 2025, também é construída com um cálculo de economia de acordo com a perspectiva do cliente, com a aposta em diferentes fabricantes e modelos, sendo que as pás-carregadeiras são os principais equipamentos.
Como fabricantes enxergam a questão da revenda de equipamentos elétricos?
Na XCMG, Caputo defende que a compra de modelos elétricos não vise o curto prazo e sim o uso do produto até o fim da vida útil. De acordo com ele, o valor da bateria poderia ser recuperado no final ao reverter o uso da peça para outra função, como para o uso em sistemas de armazenamento de energia (BESS).
Ele também aponta para a queda do preço dos equipamentos em relação aos seus primeiros anos, o que facilitado ainda mais o argumento de venda. Segundo ele, cerca de 200 pás-carregadeiras XC968-EV, de 19 toneladas, foram vendidas nos últimos três anos pela XCMG no Brasil, o que prova o sucesso da marca no Brasil.
Soler Filho, da LiuGong, vai na mesma linha e destaca a longevidade desses equipamentos. Segundo ele, a fabricante já apresentou uma pá-carregadeira que conta com mais de 27 mil horas de uso e a disponibilidade da bateria se manteve em praticamente 90%, o que mostra a vida útil bem longa do equipamento.
Além disso, com a diminuição do preço das baterias, o custo do equipamento também cai, assim como uma possível necessidade de troca do item. Essa necessidade foi o que fez a fabricante optar pela CATL, marca que permite trocar células da bateria de forma que o custo de manutenção seja menor. Ele lembra que, no Brasil, o suporte é feito pela Moura.
Já Forghieri, da Bomag, entende que a questão de revenda de equipamentos elétricos para a linha leve é mais simples e barata. Nesse caso, ele trata de equipamentos como compactadores de percussão, placas vibratórias e placas bidirecionais. “Para as máquinas pesadas, já é mais uma questão de tempo para barateamento de peças e otimização do mercados”, diz.
IG - SP 10/08/2026
A XCMG está fortalecendo a fabricação local, a colaboração na cadeia de suprimentos e a inovação no Brasil, à medida que transita da exportação de equipamentos para uma integração mais profunda ao ecossistema industrial do país.
Localizada em Pouso Alegre, Minas Gerais, a unidade fabril da XCMG Brasil já produziu mais de 30.000 máquinas de construção ao longo de mais de uma década de operação. Seus equipamentos são amplamente utilizados na construção de estradas, na modernização de portos, em projetos hidrelétricos, na infraestrutura urbana e no desenvolvimento agrícola em todo o Brasil.
A fábrica produz cinco categorias de produtos: carregadeiras, motoniveladoras, escavadeiras, rolos compactadores e retroescavadeiras. Uma linha de produção principal estende-se por mais de 170 metros, produzindo carregadeiras e motoniveladoras adaptadas às condições operacionais locais, aos requisitos de emissões e às necessidades dos clientes. Com equipamentos inteligentes e melhorias nos processos, a produção diária de escavadeiras já passa do triplo do volume de três anos atrás.
A localização expandiu-se para além da montagem final. O índice de nacionalização da produção de máquinas de terraplenagem da XCMG Brasil já ultrapassa os 50%, e a empresa criou cerca de 2.000 empregos locais. Os funcionários locais representam mais de 95% da sua força de trabalho. A operação deu suporte a um ecossistema industrial que abrange a fabricação de componentes, logística, manutenção de equipamentos e outros serviços industriais.
"Esse modelo de colaboração industrial, centrado na base de manufatura e abrangendo toda a cadeia de valor, a montante e a jusante, fortaleceu a capacidade produtiva geral da indústria local de máquinas de construção", afirmou Li Hanguang, gerente-geral da XCMG Brasil.
A XCMG Brasil está investindo no desenvolvimento de sua força de trabalho. Em parceria com empresas brasileiras de mineração, a XCMG seleciona jovens para um treinamento de seis meses em Xuzhou, na China, que abrange a operação e a manutenção de equipamentos, antes de retornarem ao trabalho no Brasil. O programa foi realizado para duas turmas consecutivas. A XCMG Brasil também trabalha com universidades locais em pesquisa e desenvolvimento e com uma instituição de treinamento industrial em cursos personalizados.
Para apoiar a transição industrial digital e sustentável do Brasil, a XCMG Brasil estabeleceu recentemente um instituto de pesquisa voltado ao mercado sul-americano e planeja acelerar o desenvolvimento de fábricas inteligentes. A empresa espera iniciar a produção local de equipamentos 100% elétricos e planeja introduzir veículos comerciais movidos a novas energias e máquinas agrícolas de alta tecnologia para fabricação e montagem no Brasil.
O Parque Industrial da XCMG no Brasil integra pesquisa e desenvolvimento, fabricação, logística e serviços financeiros, com capacidade de produção anual superior a 10.000 máquinas.
Por meio de investimentos contínuos em manufatura, inovação, talentos e desenvolvimento da cadeia de suprimentos, a XCMG está construindo capacidades locais de longo prazo e contribuindo para a transformação industrial do Brasil.
Valor - SP 20/08/2026
O grupo sul-coreano Hyundai corre para se reinventar como um protagonista no campo da inteligência artificial (IA) física aplicada à robótica, investindo bilhões de dólares em um centro urbano futurista para concretizar sua visão.
O presidente do conselho da Hyundai, Chung Euisun, apresentou essa nova ambição durante uma cúpula sobre inteligência artificial realizada na Califórnia no fim de julho. O evento foi organizado pelo governo da Coreia do Sul.
"O grupo Hyundai está evoluindo para além das fronteiras tradicionais da fabricação automotiva ao acelerar nossa transformação em uma empresa de soluções de inteligência artificial física", afirmou Chung.
A Hyundai "vislumbra uma inteligência integrada em nível urbano" por meio de colaborações mais estreitas com empresas de tecnologia dos Estados Unidos, acrescentou ele.
A principal parceira da Hyundai nesta iniciativa é a gigante americana de chips Nvidia. As duas empresas estão trabalhando juntas para aplicar "gêmeos digitais" — réplicas virtuais do mundo real — à fabricação de automóveis. Elas também estão construindo, em conjunto, a infraestrutura de computação de inteligência artificial necessária para o desenvolvimento de veículos autônomos.
A inteligência artificial física utiliza unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia e é treinada com vastas quantidades de dados coletados de veículos, fábricas e centros logísticos.
A Hyundai também se comprometeu a desenvolver, em parceria com a DeepMind (subsidiária da Alphabet), tecnologia de robôs humanoides. Em julho, a Hyundai anunciou a aquisição de todas as ações de sua subsidiária americana de robótica, a Boston Dynamics.
A Hyundai vem promovendo o uso da robótica desde cerca de 2020. O grupo desenvolveu robôs quadrúpedes, robôs de logística, robôs humanoides e outros, todos projetados tendo em mente o processo de fabricação.
Para o futuro, a Hyundai pretende criar um "volante de dados" (“data flywheel”). Nesse conceito, os dados são utilizados para melhorar o desempenho de modelos de inteligência artificial, acelerar o desenvolvimento de produtos e aprimorar os processos de fabricação. A Nvidia é uma das empresas que propuseram essa ideia do “volante de dados”.
O grupo Hyundai planeja produzir 30 mil robôs anualmente nos Estados Unidos até 2028. O grupo implementará modelos de última geração de seus robôs humanoides Atlas em suas instalações, incluindo a fábrica de montagem de veículos Metaplant America, na Geórgia. A Hyundai expandirá gradualmente o uso dos robôs após a realização de testes.
O polo para demonstração dessas iniciativas impulsionadas por inteligência artificial será uma zona industrial em Saemangeum, uma área de planície de maré no sudoeste da Coreia do Sul. O projeto é comumente chamado de "Saemangeum AI Valley".
A Hyundai investirá 9 trilhões de wons (US$ 6,48 bilhões), a partir deste ano, para construir instalações voltadas à robótica, eletrólise da água e geração de energia solar, ocupando uma área de 1,12 milhão de metros quadrados. O grupo também estabelecerá um centro de dados de inteligência artificial equipado com cerca de 50 mil GPUs da Nvidia para armazenar os dados necessários ao desenvolvimento de direção autônoma e robótica.
InfraRoi - SP 20/08/2026
A CASE Construction Equipment reúne clientes, parceiros e imprensa nesta semana no seu Centro de Experiência do Cliente (CEC), inaugurado há pouco mais de um ano em Sarzedo (MG). O evento é para a fabricante mostrar portfólio, estrutura de produção e pós-vendas e tendências. Destaque para a pá-carregadeira 721E, projeto-conceito em testes que visa ser o primeiro equipamento do tipo movido a etanol.
Segundo Anderson Nascimento, gerente de produto da CNH (holding do grupo), essa versão é testada primeiro na indústria sucroalcooleira, onde pode ser abastecida a preço de custo para operar na movimentação de bagaços de cana-de-açúcar, colheita e infraestrutura das instalações.
Esse nicho foi escolhido para a prova de conceito porque pode reduzir a logística dos caminhões-tanque para abastecimento de diesel e passar a utilizar do próprio combustível que produz in loco.
“Nos primeiros testes de campo, o equipamento demonstrou performance semelhante ao modelo movido à diesel. A relação de consumo é de 1 litro de diesel para 1,7 litros de etanol”, detalhou.
Pá-carregadeira conceito da CASE Construction movida a etanol | Foto de Divulgação CASE
Considerando as diferenças entre os motores (ciclo Diesel versus ciclo Otto) – e o fato de que o preço médio na bomba dos postos está em R$ 6,9 para o diesel e R$ 3,6 para o etanol, a conclusão é que o custo com combustível será semelhante para o gestor de frota que adotar a 721 movida a qualquer um dos dois combustíveis.
Com 14 toneladas de peso operacional, o equipamento foi configurado para operar com caçamba de maior capacidade e pneus adequados para favorecer tração e estabilidade em superfícies irregulares e com acúmulo de materiais (bagaço) no solo.
Segundo Nascimento, o motor a Etanol entrega 172 hp e o projeto do equipamento passou por alterações no circuito, nas borrachas, no tanque de combustível e em outros componentes.
A 721 Etanol já foi testada em uma usina sucroalcooleira na região de Araçatuba (SP), onde a fabricante avaliou rendimento e produtividade em aplicações relacionadas à cana-de-açúcar, mas o projeto também considera o crescimento da produção de etanol de milho no Brasil.
O protótipo da 721 Etanol está em fase de conceito e desenvolvimento e o lançamento comercial deve levar de 18 a 24 meses.
Para o futuro, a CASE não descarta a aplicação dessa novidade em obras urbanas – onde as pás-carredeiras dessa faixa de 14 toneladas têm utilidade em obras imobiliárias, de galpões logísticos, saneamento básico e outras. Isso porque ela poderia se beneficiar da rede de abastecimento de etanol, altamente pulverizada no país.
Produção e mercado latino-americano
Com 180 anos de história e 107 anos de atuação no Brasil, a CASE mantém a fábrica de Contagem (MG) como base da operação regional. A unidade produz equipamentos para o mercado brasileiro e exporta aproximadamente um terço de sua produção, especialmente para a América Latina.
Os tratores de esteiras são destaque porque, desde 2024, toda a produção global é feita na fábrica brasileira. Seis modelos, de 6 a 22 toneladas, atendem ao mercado local e especialmente aos Estados Unidos.
O tarifaço imposto por Donald Trump em julho inclui os tratores de esteiras da CASE também, mas, segundo Henrique Sá, líder da CASE Construtcion Equipment para a América Latina, isto não influenciou nas vendas até o momento. “O mercado norte-americano é muito grande. Ele consome cerca de dez vezes mais equipamentos do que o brasileiro, e continua sendo demandante dos nossos tratores”, disse.
Além dos tratores, a unidade de construção da CASE produz 50 tipos de equipamentos com peso de até 36 toneladas na fábrica brasileira, cuja capacidade instalada é de 8 mil máquinas por ano.
Questionados pelo InfraROI, os executivos da companhia não revelaram a proporção na qual a fábrica opera hoje e nem quantos tratores são exportados aos EUA.
Centro de Experiência
A Case também utiliza o Centro de Experiência do Cliente (CEC), em Sarzedo (MG), como espaço para demonstração de equipamentos, treinamento e capacitação.
Segundo Relton Cesar, diretor de suporte ao cliente de construção da CNH para a América Latina, recentemente foram investidos R$ 12 milhões na estrutura, que ocupa uma área construída de quase 1 mil m², em um terreno de aproximadamente 70 mil m². O espaço inclui salas de treinamento, auditório, oficina conectada, recursos de realidade aumentada e campo de provas com áreas de asfalto e terra.
Mercado nacional
A Case mantém a estratégia de portfólio amplo e avanço em tecnologias e conectividade para assegurar fatia de participação no mercado brasileiro de máquinas de construção.
Segundo Henrique Sá, as vendas do setor devem crescer cerca de 4% neste ano, como prevê a Sobratema, mantendo o mercado em um patamar elevado, entre 35 mil e 36 mil máquinas.
O início do ano foi marcado por um movimento mais forte de compras do setor público, influenciado pelo calendário eleitoral. Mesmo com a alta dos juros, o mercado continua demandante e os financiamentos seguem acontecendo, embora com maior dificuldade.
No primeiro semestre, o setor público respondeu por 23% das vendas (mercado total, não apenas Case). Construção pesada representou 22%, seguida por locação, com 19%; construção leve, com 14%; agroflorestal, com 12%; e mineração – o que inclui também siderurgia -, com 10%.
Valor - SP 20/08/2026
“Há uma demanda em crescimento por equipamentos pesados com alta tecnologia embarcada e uma tendência à eletrificação ancorada na redução de custo operacional e da pegada ambiental”, destaca diretor da Volvo
Os fabricantes de máquinas e equipamentos para mineração que operam no país vêm ampliando investimentos em tecnologias de modernização e automação da extração mineral. No início do ano, a sueca Volvo anunciou um novo ciclo de investimentos de R$ 2,5 bilhões no Brasil, boa parte destinada ao avanço de pesquisas e desenvolvimento de novos produtos com foco no aumento da produtividade e eficiência operacional, descarbonização e segurança, inclusive no setor mineral.
A mineração é, hoje, um mercado estratégico e muito relevante para unidades de negócios como a Volvo Construction Equipment (Volvo CE), divisão de equipamentos do grupo Volvo, explica Rafael Nieweglowski, diretor comercial da vertical de negócios. “Há, hoje, uma demanda em crescimento por equipamentos pesados com alta tecnologia embarcada e uma tendência à eletrificação ancorada na redução de custo operacional e da pegada ambiental”, ressalta.
Já com larga aplicação na mineração em vários países, um dos mais recentes lançamentos da Volvo no mercado brasileiro é o caminhão articulado A50 (carga útil de 45 toneladas), importado da Suécia. O modelo anterior, A45, já está sendo produzido na fábrica da Volvo em Pederneiras (SP). O veículo foi desenvolvido para garantir maior estabilidade e velocidade de deslocamento. Uma nova função, o Collision Mitigation System, utiliza radares, detecta objetos e gera alertas para o operador, evitando acidentes com outros veículos e a possível colisão com objetos na pista.
A fabricação de máquinas e equipamentos para mineração é uma indústria poderosa em todo o mundo. Segundo projeções de mercado, os negócios globais com equipamentos para mineração atingiram US$ 158,47 bilhões em 2025, devendo crescer para US$ 169,56 bilhões em 2026. Não há estudos específicos sobre o tamanho do mercado brasileiro, mas o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) estima que os investimentos das mineradoras para exploração mineral no país (incluídas todas as soluções para extração de minério de ferro, metais para a transição energética, como cobre e níquel, por exemplo) devem chegar a US$ 68,4 bilhões no período 2025-2029.
Um dos maiores fabricantes globais de máquinas agrícolas e de construção, a CNH, que tem cinco fábricas no país, observa um cenário positivo para negócios no setor da mineração, conta Rafael Barbosa, gerente de marketing de produto da CNH para a América Latina. “O ciclo de investimentos do setor mineral em novos projetos, na expansão de minas em operação e na demanda contínua por agregados (pedreiras e extração de areia), gera procura direta por escavadeiras de produção e máquinas de apoio que acompanham toda a vida útil da operação”, afirma.
Por meio de suas marcas CASE e New Holland Construction, a CNH produz escavadeiras, tratores de esteiras, pás-carregadeiras, retroescavadeiras e motoniveladoras que atendem a infraestrutura e os serviços das operações minerais. Uma das novidades no país são as escavadeiras de 40 toneladas CX370C e E405C EVO, que permitem carregamento rápido, força de escavação, estrutura reforçada para trabalho severo e eficiência de combustível. Fatores que se convertem diretamente em custo por tonelada produzida, avalia Barbosa. “Com isso, as mineradoras conseguem ter menos parada, mais produção, menor custo operacional por hora e por tonelada e mais segurança”, diz ele.
Na WEG, uma das maiores fabricantes globais de motores elétricos, sediada em Jaraguá do Sul (SC), os investimentos na mineração estão concentrados em tecnologias capazes de gerar ganhos concretos de produtividade, eficiência e sustentabilidade para os clientes, diz Anderson Fernandes, vice-presidente da divisão internacional da empresa. “Estamos ampliando nossa oferta com soluções integradas para mineração, combinando motores, transformadores, automação e monitoramento digital”, diz. Entre os destaques para as minas brasileiras, Fernandes cita os sistemas de acionamento para moagem, que integram motores e inversores de frequência de alto desempenho.
No campo da eficiência energética e sustentabilidade, a WEG desenvolveu a linha de motores W23 Sync+, com o mais elevado nível de rendimento disponível no mercado, segundo Fernandes. “Baseada em tecnologia de ímãs permanentes, esse motor permite reduções expressivas no consumo de energia, especialmente em aplicações com velocidade variável”, conta. Os ganhos, acrescenta, podem atingir até 40% de economia.
Para Rodrigo Franceschini, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Equipamentos para Cimento e Mineração (CSCM) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), mesmo que a indústria brasileira esteja preparada pra oferecer novas tecnologias, a velocidade de adoção enfrenta gargalos estruturais. “A atividade ocorre em regiões geográficas isoladas do país, e a falta de infraestrutura limita o potencial pleno de expansão e atualização das minas”, afirma. “Além disso, é urgente contar com linhas de financiamento industrial de longo prazo mais acessíveis focadas em sustentabilidade e transição energética.”
Machinery - SEARCHING FOR EFFICIENCY
Investments in mining modernization and automation technologies are accelerating across Brazil, aimed primarily at supporting the growth and competitiveness of the country’s mining industry. Earlier this year, Swedish company Volvo announced investments totaling R$2.5 billion across its various business areas, with significant allocation into mining machinery and equipment production—a segment regarded as a “strategic market,” according to Rafael Nieweglowski, commercial director at Volvo Construction Equipment (Volvo CE).
Rafael Barbosa, CNH’s marketing and product manager for Latin America, says the company, through its CASE and New Holland Construction brands, is keeping pace with opportunities in Brazil’s mining market. CNH has invested heavily in developing products—such as excavators and crawler dozers—that help boost productivity and efficiency in the sector, he says. Among its latest offerings are the 40-tonne CX370C and E405C EVO excavators, which deliver lower operating costs with greater fuel efficiency.
Investments at WEG, one of the world’s largest electric motor manufacturers, headquartered in Jaraguá do Sul, Santa Catarina state, are focused on solutions involving low- and medium-voltage electric motors, industrial automation, electrification, electrical centers and digital platforms, says Anderson Fernandes, vice president of the company’s international division. “The company’s strategy is based on strengthening solutions capable of increasing mine operational reliability, reducing operating costs and accelerating the decarbonization of mining operations,” Fernandes says.
O Estado de S.Paulo - SP 20/08/2026
A Cyrela Brazil Realty, do empresário Elie Horn, decidiu voltar a apostar em loteamentos de luxo, um negócio do qual havia saído há anos. A incorporadora lançou nesta quarta-feira, 19, o condomínio Heritage Riviera, na cidade de Porto Feliz (SP).
A região se tornou um ponto de encontro das famílias mais ricas do País graças à Fazenda Boa Vista, condomínio da JHSF com golfe, hípica, lojas de grifes e o Fasano.
A cerca de 30 quilômetros dali, será a vez de a Cyrela iniciar sua empreitada em busca do mesmo cliente de alta renda. O Heritage Riviera, dos Horn, receberá investimentos na ordem de R$ 1,5 bilhão nos próximos quatro a cinco anos.
“A escolha por Porto Feliz não tem a ver com concorrência. Estamos realizando um sonho antigo”, afirmou o copresidente da Cyrela, Efraim Horn, em entrevista no estande com vista para o terreno. Ele contou que a busca por grandes áreas que servissem para um loteamento de alto padrão começou em 2012, mas foi adiada pela recessão, em 2014.
Anos mais tarde, os Horn retomaram as conversas com a ruralista Família Guerini, que possuía este terreno de 4 milhões m² (400 hectares, ou cerca de 400 campos de futebol) em Porto Feliz. Em 2021 o negócio foi fechado. Parte da compra foi paga em dinheiro, parte com permuta pelas vendas futuras.
O lugar ‘número 1’ de crescimento do luxo
De lá para cá, a incorporadora trabalhou no desenvolvimento do projeto e licenciamento. “É inegável. Aqui se tornou o lugar ‘número 1’ de crescimento do luxo por causa da Fazenda Boa Vista e do Outlet Catarina”, reconheceu.
Na mesma cidade, a Cyrela lançou um outro loteamento, o Heritage Campo, com 100% dos 45 lotes já vendidos no primeiro semestre.
Já o Heritage Riviera será um megacondomínio, com foco em lazer, servindo como segunda moradia. Este empreendimento tem um valor geral de vendas (VGV) total estimado em R$ 3,5 bilhões a R$ 4,0 bilhões.
O lançamento será dividido em quatro fases. Nesta primeira, o empreendimento terá 213 unidades, sendo 150 apartamentos (plantas de 170 a 280 m²) em dez torres baixas, de cinco andares; e 34 casas (367 m²). O preço das unidades vai girar entre R$ 3,6 milhões e R$ 8,0 milhões. Também haverá 29 lotes de 2,5 a 3,2 mil m², cada, partindo de R$ 4 milhões.
O lazer inclui campo de golfe, hípica, quadras esportivas, spa e um centro com restaurante. O principal atrativo é a lagoa central de 35 mil metros quadrados (equivalente a oito campos de futebol) e faixa de areia de 600 metros. Só a lagoa custará R$ 120 milhões. O projeto foi encomendado para a multinacional Crystal Lagoons, especializada na tecnologia de forração que dá aparência azul turquesa para a água.
Diferentemente dos outros projetos de luxo, a Cyrela deixou de fora piscina de ondas para a prática de surfe. O entendimento é que a lagoa atende um público maior, desde o lazer das crianças até a navegação.
Efraim disse que a incorporadora não fez um lançamento do tipo antes porque não encontrou terrenos que comportassem um projeto com essa capacidade de diferenciação.
A ‘demanda real’ de ‘uma pausa da vida na cidade’
O empresário também refutou a tese de que a Cyrela esteja seguindo a moda dos condomínios fechados, que tiveram um boom após a pandemia. “Buscamos fazer projetos que sejam absorvidos pela demanda real, não por especulação, nem por nichos. Se escolhêssemos fazer projetos com base em modismos, uma hora iríamos nos deparamos com outros 20 iguais feitos pelos concorrentes”.
Essa demanda real, segundo ele, vem do desejo das famílias por áreas com natureza, água e lazer, que sirvam como uma pausa da vida na cidade. Ele também argumentou que há poucos loteamentos de luxo no campo. “Os lançamentos nesse mercado não chegam a 1 mil unidades a cada ciclo de três anos. Aqui serão 200 na primeira fase. E temos uma carteira de clientes que nos reconhecem como uma empresa que entrega”.
Os desafios: mercado em baixa e concorrência
O investimento bilionário da Cyrela no condomínio de luxo Heritage Riviera, em Porto Feliz, terá de enfrentar a concorrência da JHSF, com a Fazenda Boa Vista na mesma vizinhança, além do ciclo de baixa no setor de loteamentos. Por outro lado, pode se destacar em vendas se comprovar sua capacidade de diferenciação, avaliam especialistas no mercado imobiliário.
“A Cyrela tem uma marca já associada ao luxo. Agora, vai explorar mais produtos e serviços que atendem esse mesmo cliente”, analisa Alberto Ajzental, coordenador do curso de negócios imobiliários da Fundação Getulio Vargas (FGV). O maior exemplo dessa estratégia é a JHSF, cujo ecossistema abrange apartamentos, condomínios, shopping, clube, hotéis, aeroporto, entre outros, aponta. “A Cyrela está olhando a JHSF e vendo potencial para ocupar esse espaço também”, diz.
Chama atenção também a escolha da Cyrela por Porto Feliz, bem do lado da concorrência. “Faz sentido porque essa região se tornou um point para pessoas de alta renda. É um lugar onde querem se encontrar para lazer e network”, avalia. Por outro lado, isso representará uma disputa acirrada. “É concorrência na veia. Para vender, elas terão que se diferenciar pelo preço ou pelos atrativos do condomínio.”
O sócio da consultoria Brain Inteligência Imobiliária, Fábio Tadeu Araújo, conta que o mercado de loteamentos de alto padrão está em um ciclo de redução dos lançamentos, por conta do crescimento dos estoques nos últimos anos e pela concorrência dos prédios de luxo dentro das cidades. “Cresceu muito a oferta de apartamentos de luxo. O ano de 2025 teve recorde de lançamentos. E como esse mercado é escasso, ele ‘rouba’ os clientes dos condomínios fechados”, observa.
Além disso, os juros altos da economia brasileira têm desestimulado as vendas dos imóveis de lazer, que funcionam como segunda moradia. “As pessoas pensam mais antes de tirar dinheiro do banco e aplicar em um imóvel que só vai ficar pronto dali a uns anos”, aponta.
Segundo Araújo, esse efeito é ainda mais agudo entre clientes de altíssima renda, como aqueles que frequentam Porto Feliz. “Esse projeto da Cyrela pode ser considerado ‘terceira moradia’ porque esse cliente de luxo já tem casa na cidade e na praia. É assim entre 85% do público no luxo”, diz Araújo.
Esses fatores não significam que a Cyrela está fadada a encalhar com seu projeto, ponderam os especialistas. “Para vender hoje em dia é preciso mostrar uma real capacidade de diferenciação e despertar o senso de oportunidade única para os consumidores”, complementa o sócio da Brain.
Globo Online - RJ 20/08/2026
Um tribunal chinês condenou nesta quinta-feira o fundador da problemática gigante imobiliária Evergrande, Xu Jiayin, à prisão perpétua por uma série de crimes, entre eles "fraude financeira", e aplicou ao grupo uma multa de 15,82 bilhões de yuans (R$ 12,2 bilhões na cotação atual).
Antes a principal empresa do setor imobiliário da China, a Evergrande se tornou um símbolo da crise no mercado imobiliário que continua afetando a economia chinesa, após décadas de rápida urbanização e melhora nas condições de vida.
O acesso da empresa ao crédito foi drasticamente reduzido quando o governo impôs restrições ao endividamento excessivo e à especulação. A Evergrande declarou falência em 2021, depois de anos enfrentando dificuldades para lidar com uma enorme dívida.
Xu Jiayin é condenado à prisão perpétua
Nesta quinta-feira, um tribunal da cidade de Shenzhen, no sul da China, impôs ao Grupo Evergrande e à sua divisão imobiliária sanções que somam 15,82 bilhões de yuans, cerca de US$ 2,4 bilhões.
Além disso, Xu foi condenado à prisão perpétua por vários crimes, entre eles "fraude financeira em larga escala".
"Xu Jiayin foi condenado por múltiplos crimes e multado, recebeu uma sentença de prisão perpétua, teve seus direitos políticos revogados para o resto da vida e todos os seus bens pessoais foram confiscados", informou o Tribunal Popular Intermediário de Shenzhen, na província de Guangdong, na rede social WeChat.
Entre 2016 e 2021, a Evergrande e Xu, na condição de presidente do grupo, "violaram as leis nacionais ao cometer fraude financeira contínua e em larga escala, além de utilizar outros meios para inflar seus ativos e ocultar passivos", afirmou o tribunal.
A corte acrescentou que as partes "obtiveram o controle de instituições financeiras" por meio de subornos, sem identificar nenhuma entidade específica.
Outros executivos também são condenados
A sentença foi proferida depois que Xu se declarou culpado, em abril, de acusações que também incluíam apropriação indébita e corrupção, informou o tribunal na ocasião.
Outros cinco altos executivos do Grupo Evergrande foram condenados nesta quinta-feira a penas que variam de seis a 18 anos de prisão por crimes que incluem fraude, informou o tribunal de Shenzhen.
Valor - SP 20/08/2026
Quatro ferrovias e duas hidrovias do pipeline de concessões federais têm potencial para reduzir em até 50% o custo logístico do setor
O pipeline de concessões federais de infraestrutura inclui quatro ferrovias e duas hidrovias com potencial de proporcionar grande impacto na competitividade do setor mineral. “São projetos que podem reduzir em até 50% o custo logístico de mineradoras que hoje dependem principalmente do modal rodoviário para escoar a produção”, diz Adriano Viana Espeschit, diretor-executivo da J.Mendo Consultoria. “A oferta de logística adequada também pode viabilizar a lavra de minas que hoje são inativas.”
Enquanto as mineradoras que movimentam grandes volumes de minério de ferro e bauxita possuem infraestrutura própria, com ferrovias dedicadas, minerodutos, navios de cabotagem e terminais portuários privativos, as de médio e pequeno porte ou aquelas que movimentam minerais que não geram grandes volumes estão expostas aos mesmos desafios logísticos que afetam a competitividade de toda a economia brasileira. De acordo com o Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), o custo logístico no Brasil equivale a 15,6% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto a média entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é de 8,4%.
“Mineração é extração e logística. É uma atividade que tem muita dificuldade de se viabilizar quando não há meios eficientes de escoamento da produção”, diz Pablo Cesário, diretor-presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). “Podemos ter uma atividade mineral mais diversificada e intensa, se o país disponibilizar uma boa infraestrutura logística”, afirma.
No programa federal de concessões, um dos principais projetos de interesse do setor mineral é a implementação do Corredor Leste-Oeste, formado pela Ferrovia de Interligação do Centro-Oeste (Fico) e pela Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que interligará Lucas do Rio Verde (MT) com o futuro Porto Sul, em Ilhéus (BA). O Ministério dos Transportes prevê realizar o leilão de licitação em dezembro de 2026.
“É um projeto que vai viabilizar a expansão da produção de minério de ferro e outros minerais na Bahia e reduzir os custos do escoamento de lítio de Minas Gerais”, diz Cesário. A Bahia é o terceiro maior produtor mineral brasileiro e conta com investimentos programados no setor de US$ 11,7 bilhões até 2030, segundo o Ibram. No Estado, a Fiol poderá apoiar a logística de produtores de minério de ferro, níquel, manganês, cobre e urânio.
A Bamin desenvolve um projeto de extração de 26 milhões de toneladas anuais de minério de ferro em Caetité que depende da nova ferrovia para ser viável. Em 2021, a mineradora assumiu a concessão da etapa 1 da Fiol, trecho de 537 quilômetros (km) entre Caetité e o Porto Sul, obra que também é de responsabilidade da mineradora.
Atualmente, a construção da Fiol 1 está paralisada, após 75% de execução das obras físicas. O controle da Bamin está em fase final de aquisição pelo grupo português Mota-Engil, que dará continuidade à obra logística.
A britânica Brazil Iron também depende da Fiol para viabilizar um investimento de US$ 5,7 bilhões para a produção de ferro briquetado a quente (HBI, na sigla em inglês), que apresenta pureza superior a 93%. O projeto contempla a extração de minério de ferro em Piatã (BA) e uma unidade de beneficiamento nas proximidades do Porto Sul, em Ilhéus, com capacidade para 5 milhões de toneladas por ano de HBI. Segundo Emerson Souza, vice-presidente de relações institucionais da companhia, será construído um ramal ferroviário privado de 120 km para o transporte do minério de Piatã até a linha férrea. A previsão da Brazil Iron é iniciar a fase operacional em 2030.
Em Mato Grosso do Sul, importante produtor de minério de ferro e manganês extraídos do Maciço de Urucum, nas proximidades de Corumbá, uma das principais mineradoras da região, a LHG Mining, do grupo J&F, desenvolve um plano de expansão que pretende dobrar sua capacidade de produção de minério de ferro para 25 milhões de toneladas por ano até 2030. A produção sul-mato-grossense é escoada principalmente pelo rio Paraguai, em barcaças que percorrem por volta de 2,7 mil km, até o embarque internacional em portos argentinos e uruguaios no rio da Prata. Em 2025 foram transportados 9 milhões de toneladas de minérios pela via fluvial. Em 2024, ano de grande estiagem, o transporte limitou-se a 3 milhões de toneladas.
“É uma via fluvial que sofre muito em períodos de seca, carece de dragagem, boa sinalização e manutenção constante para ser operacional o ano todo”, diz Espeschit. A manutenção da via depende do orçamento federal. O plano do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) é repassar a tarefa para a iniciativa privada, com a concessão da Hidrovia do Paraguai, um trecho fluvial de cerca de 600 km no Mato Grosso do Sul, entre Corumbá/Ladário até a foz do rio Apa, em Porto Murtinho.
A proposta de concessão foi encaminhada ao Tribunal de Contas da União (TCU), com previsão inicial de leilão em 2026. O processo foi interrompido por falta de consulta prévia aos governos do Paraguai e da Bolívia, países que também margeiam o rio Paraguai. A expectativa é que seja retomada em 2027.
A produção mineral sul-mato-grossense também poderá ser beneficiada pela relicitação da Ferrovia Malha Oeste. São 1.973 km de trilhos que ligam Corumbá a Mairinque (SP), onde se conecta à Malha Paulista, da Rumo Logística, que segue até o Porto de Santos (SP). Atualmente a Malha Oeste é subutilizada. O contrato de concessão de 30 anos em vigor se encerra em 2026 e não há interesse de renovação da atual concessionária, a Rumo. O Ministério dos Transportes programa leilão para novembro.
O Pará, que concentra 35% da produção mineral brasileira, soma investimentos programados em expansão mineral de US$ 19,6 bilhões até 2030, segundo o Ibram. Minério de ferro, cobre, bauxita, ouro, caulim, manganês e níquel são as principais substâncias. O Estado também é importante produtor de ferro-gusa e produtos siderúrgicos. A principal via de escoação da produção é a Estrada de Ferro Carajás (EFC), administrada pela Vale, que liga Parauapebas aos portos de São Luiz, no Maranhão.
São duas as concessões previstas para o Pará. Uma é a extensão Norte da Ferrovia Norte-Sul (FNS), entre Açailândia (MA) e o Porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA), com leilão previsto para setembro de 2027, e a concessão da Hidrovia do Tocantins, entre Peixe (TO) e Belém (PA). O MPor chegou anunciar o leilão da hidrovia em 2026, mas o plano foi adiado para 2027 após contestações de povos indígenas e ribeirinhos da região. “A extensão da FNS e a Hidrovia do Tocantins vão gerar concorrência à EFC e reduzir custos”, diz Espeschit. Segundo o consultor, hoje o produtor mineral de médio porte do Pará tem poucas oportunidades de acesso à EFC, que privilegia o escoamento da Vale, e enfrenta custos elevados.
Outra concessão aguardada pelo setor mineral é o Anel Ferroviário Sudeste (EF-118), com leilão previsto para setembro. São 571 km de trilhos que ligarão Nova Iguaçu (RJ) a Santa Leopoldina (ES), conectando a malha Sudeste da MRS Logística, que atende a região do Quadrilátero Ferrífero em Minas, a Estrada de Ferro Vitória a Minas, da Vale, e os portos Açu e Itaguaí, no Rio de Janeiro, e os portos de Vitória e Ubu, no Espírito Santo. Minério de ferro, gusa e aço são os principais produtos que deverão ser transportados pela ferrovia.
As mineradoras também programam projetos logísticos próprios. Em Minas Gerais, a Cedro Mineração planeja expandir sua produção de minério de ferro para 20 milhões de toneladas até 2032. Metade deverá vir de uma mina em Mariana, onde a companhia planeja instalar uma correia transportadora de quase 20 km de extensão que ligará a mina à Estrada de Ferro Vitória a Minas, com capacidade para transportar 10 milhões de toneladas anuais. “É um projeto de baixo impacto ambiental, que utiliza energia elétrica renovável, e com um custo operacional baixo”, diz José Carlos Martins, presidente do conselho da Cedro.
A estratégia logística da Cedro também prevê um investimento de R$ 3,6 bilhões para a construção de um terminal portuário próprio, o Porto do Meio, em Itaguaí (RJ), com capacidade para movimentar 20 milhões de toneladas por ano. Hoje a Cedro comercializa sua produção no mercado interno. “Com o aumento da produção e uma logística adequada, vamos participar do mercado internacional”, diz Martins.
Nos planos da Cedro também está a construção de um ramal ferroviário de 26 km de extensão, o Serra Azul, que ligará Mateus Leme a Mário Campo, Minas Gerais, onde fará conexão com a Malha Sudeste da MRS. O investimento é de aproximadamente R$ 2 bilhões. Serra Azul não transportará minério da Cedro, mas de seis mineradoras da região do quadrilátero ferrífero mineiro, que hoje dependem de caminhões para escoar a produção.
Betting on lower costs
Brazil’s infrastructure concession pipeline includes four railways and two waterways with potential to significantly boost competitiveness in the mining sector. “These projects could cut logistics costs by as much as 50% for mining companies that currently rely mainly on road transport to ship their output,” says Adriano Viana Espeschit, executive director of J.Mendo Consultoria. “Adequate logistics could also make mining viable at deposits that are currently inactive,” he adds.
One of the projects drawing the most interest is the East-West Corridor, made up of the Central-West Integration Railway (FICO) and the West-East Integration Railway (FIOL), connecting Lucas do Rio Verde, in Mato Grosso, to the future Porto Sul, in Ilhéus, Bahia. The Ministry of Transportation expects to hold the auction in December 2026. “This project will allow Bahia to expand its iron ore and other mineral output, while also cutting the cost of shipping lithium from Minas Gerais,” says Pablo Cesário, president of the Brazilian Mining Institute (Ibram). In Bahia, FIOL could support logistics for producers of iron ore, nickel, manganese, copper, and uranium. Mato Grosso do Sul is a major producer of iron ore and manganese. The state’s output travels mainly via the Paraguay River, where navigability is reduced during dry spells. “This waterway needs dredging, proper signaling and constant upkeep to stay operational year-round,” Espeschit says. The Ministry of Ports and Airports (MPor) plans to hand it over to the private sector through the Paraguay Waterway concession, a roughly 600-kilometer stretch in Mato Grosso do Sul running from Corumbá and Ladário to the mouth of the Apa River, at Porto Murtinho.
Mineral production in Mato Grosso do Sul also stands to benefit from the upcoming biddings for the West Network Railway (Malha Oeste), scheduled for November. The railway spans 1,973 kilometers linking Corumbá to Mairinque, in São Paulo state, where it connects to Rumo Logística’s Paulista Network and the Port of Santos.
In Pará, two concessions could create alternatives to the Carajás Railway, currently controlled by Vale and on which the sector depends. One is the northern extension of the North-South Railway, running between Açailândia, Maranhão, and the Port of Vila do Conde in Barcarena, Pará, with an auction slated for September 2027. The other is the concession of the Tocantins River Waterway between Peixe, Tocantins, and Belém, Pará.
Another project being watched closely is the Southeast Railway Ring, set for auction in September. The project comprises 571 kilometers of tracks linking Nova Iguaçu, in Rio de Janeiro state, to Santa Leopoldina, Espírito Santo, tying together MRS Logística’s Southeast rail network—which serves the Iron Quadrangle region of Minas Gerais—Vale’s Vitória-Minas Railway, and the ports of Rio de Janeiro and Espírito Santo. Iron ore, pig iron, and steel are expected to be the main products carried on the line.
Portos e Navios - SP 20/08/2026
O Fundo da Marinha Mercante (FMM) tem uma receita anual em 2026 de R$ 7,8 bilhões e recursos disponíveis de cerca de R$ 20 bilhões para investimentos no setor naval. O fundo tem um patrimônio de R$ 53,2 bilhões e saldo de R$ 19,3 bilhões a financiar. As informações foram apresentadas por Otto Burlier, secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), nesta quarta-feira (19), durante apresentação “FMM e o Financiamento ao Setor Naval Brasileiro”, no estande da Apex Brasil, segundo dia da 20ª Navalshore, que se realiza até amanhã (20) no ExpoRio, no Rio de janeiro.
Hoje, o FMM é operado pelos bancos públicos federais - BNDES, Caixa, Banco do Brasil, Basa, e BNB. O fundo cogita abrir a operacionalização dos financiamentos também por bancos privados e trabalha na criação de um fundo garantidor. O FMM foi criado em 1958 como uma política de Estado, que tem como base legal o decreto 10.893/2004. Em 2022, houve mudanças a partir da Lei 14.301 (BR do Mar), que ampliaram a possibilidade de financiamento para novos setores. O fundo é alimentado pelo Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), tributo federal brasileiro incidente sobre o frete do transporte aquaviário de cargas descarregadas em portos do país e gera ao FMM receitas anuais de cerca de R$ 8 bilhões.
O secretário, que também é conselheiro defendeu a perenidade das ações do FMM. “Estamos vivendo um mundo cada vez mais complexo, inclusive geopoliticamente. É importante o Brasil ter uma indústria forte para atender os mercados interno e externo. Temos de evitar oscilações e gerar previsibilidade para o setor naval”, defendeu Burlier.
Atualmente, os recursos estão divididos pelas regiões Norte com 15,2% em sete estaleiros; Nordeste com 10,9% dos recursos para cinco estaleiros; Sudeste, com 52% dos recursos e 24 estaleiros; e Sul com 21,7% beneficiando 10 estaleiros. Os projetos são avaliados pelo conselho diretor (CDFMM) com representantes do governo e do setor privado.
São elegíveis projetos de construção de embarcações, plataformas, sondas, embarcações de apoio marítimo, jumborização , conversão e modernização de embarcações, reparo, docagem, expansão de estaleiros, infraestrutura portuária e P&D.
Há apoio a projetos com baixa pegada de carbono e que tenham algum tipo governança social e de diversidade, dando oportunidades para mulheres. Uma portaria estabeleceu como prioridades as Empresas Brasileiras de Navegação, Estaleiros, empresas estrangeiras com atuação local e infraestrutura portuária.
O financiamento se dá por até 20 anos com quatro de carência com taxa TLP de 12,87% e Taxa-Pré para micro, pequenas e médias empresas de 13,99%. “Estamos trabalhando para permitir taxas em reais mais baratas. Enquanto isso não acontece, quem consegue o financiamento em dólar arca, basicamente, com a variação cambial e o spread bancário com taxas de até 2,5%”, destacou o secretário.
O FMM já aprovou R$ 56,5 bilhões para 886 obras e vem intensificando sua atuação. Entre 2023 e 2026 já foram aprovados R$ 98,5 bilhões em projetos com R$ 14,5 bilhões já contratados, ante R$ 22,8 bilhões aprovados e apenas R$ 1,6 bilhão contratados no período anterior de 2019 a 2022. “Há uma diferença grande entre a aprovação e a contratação, mas estamos trabalhando com o Sinaval para acelerar isso e constituir um fundo garantidor, para resolver os gargalos de apresentação de garantias”, sinalizou o secretário.
“Entre as iniciativas em andamento estão a implementação da BR do Mar, concessões hidroviárias, diversificação da frota e estruturação financeira com a criação de um fundo garantidor”, elencou Burlier. Quem tem interesse em buscar financiamento ele recomenda já buscar o agente financeiro enquanto o CDFMM avalia o projeto. O pedido tem de ser protocolado até 60 dias antes das reuniões do Conselho se reúne quatro vezes por ano, em março, junho, setembro e dezembro. Depois da deliberação e o próximo passo é a contratação com os bancos.
Valor - SP 20/08/2026
Ativo também tem proposta da gestora I Squared; Vale pode apoiar oferta da GIP com a Gerdau, com contrato de ‘take-or-pay’
A Vale tem buscado uma estrutura para participar da disputa pelo Porto Sudeste, no Estado do Rio de Janeiro, sem desembolso direto de caixa na aquisição, apurou o Valor. A alternativa em estudo é um contrato de longo prazo do tipo “take-or-pay”, pelo qual a mineradora garantiria ao terminal volumes mínimos de minério de ferro, mesmo sem utilizar integralmente a capacidade contratada.
O compromisso daria previsibilidade às receitas do Porto Sudeste e ajudaria o grupo comprador a precificar e financiar a aquisição. O arranjo também seria uma forma de amenizar eventuais problemas com órgãos antitruste com a operação, uma vez que a Vale já tem um terminal em Itaguaí (RJ).
Pela estrutura em discussão, a Vale apoiaria a proposta liderada pela Global Infrastructure Partners (GIP), gestora controlada pela BlackRock, e pela Gerdau, sem necessariamente participar do capital do terminal. A alternativa ainda não foi definida, e os volumes e a duração do potencial contrato continuam em negociação, conforme interlocutores.
Inicialmente, a Vale integrou diretamente o consórcio formado com GIP e Gerdau, que apresentou uma das duas propostas vinculantes pelo Porto Sudeste.
A outra oferta foi entregue pela gestora americana I Squared Capital, que nos últimos anos vem buscando adquirir ativos portuários no Brasil, até agora sem sucesso - as tentativas incluíram a Wilson Sons e a CLI (Corredor Logística e Infraestrutura). O grupo já tem ativos no Brasil em energia e data centers.
A participação societária da Vale na compra do Porto Sudeste tem gerado incômodo entre concorrentes e dúvidas sobre a complexidade concorrencial da operação, segundo fontes próximas às discussões. A mineradora já controla uma infraestrutura portuária relevante para o escoamento de minério de ferro no Rio de Janeiro, composta pelo Terminal da Ilha Guaíba e pelo terminal da Companhia Portuária Baía de Sepetiba.
Nesse contexto, participantes do processo passaram a avaliar se a aquisição de mais um terminal pela Vale poderia provocar questionamentos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O Porto Sudeste atende produtores de minério de ferro de Minas Gerais, inclusive companhias sem estrutura própria de escoamento, e funciona como alternativa aos terminais verticalizados das grandes mineradoras.
A substituição da participação societária por um contrato de “take-or-pay” poderia reduzir o risco concorrencial associado à entrada direta da Vale no capital do Porto Sudeste. Mesmo essa estrutura, no entanto, poderá ser analisada pelo Cade, a depender do prazo do acordo, dos volumes reservados e dos efeitos sobre o acesso de outras mineradoras ao terminal.
Na avaliação de uma fonte, se o volume garantido à Vale for relevante, o cenário seria o mesmo de a empresa ter participação societária no negócio.
A discussão remete à controvérsia em torno do ITG-02, novo terminal de minério de ferro no Porto de Itaguaí, na mesma região no Rio de Janeiro. A área é conhecida como “Área do Meio” por estar localizada entre os terminais da Vale e da CSN e era reivindicada por mineradoras de menor porte que dependiam de estruturas verticalizadas para escoar sua produção.
Entrada da Vale no terminal pode gerar problema concorrencial, dizem fontes, dado que o grupo já tem operação no porto
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) havia proposto restringir a participação das empresas. Em 2024, porém, o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que uma limitação dessa natureza dependeria de manifestação prévia do Cade. A restrição foi retirada, e o órgão antitruste não chegou a se manifestar sobre o caso. Vale e CSN acabaram não disputando o leilão, que foi vencido pela Cedro Participações, única proponente na licitação.
Localizado em Itaguaí, o Porto Sudeste tem capacidade para movimentar cerca de 50 milhões de toneladas por ano e licença para uma futura expansão até 100 milhões. Em 2025, o terminal movimentou o recorde de 27,8 milhões de toneladas, ante 21,9 milhões no ano anterior. A capacidade ociosa poderia ser parcialmente ocupada pelo eventual contrato com a Vale.
As discussões de venda do ativo pela Mubadala Capital e pela trading Trafigura vêm ao menos desde 2024. O processo também engloba a Mineração Morro do Ipê, dona das minas Ipê e Tico-Tico, em Minas Gerais. A intenção dos vendedores é concluir a transação ainda neste ano.
Fontes do setor consideram o porto um ativo muito atraente, com forte potencial de demanda no longo prazo e receita dolarizada. Por outro lado, veem como pontos negativos a atual dependência da movimentação de minério e a importância da Morro do Ipê para a ocupação do terminal, além da frustração dos volumes que eram esperados.
Além disso, recentemente a companhia divulgou resultados abaixo do esperado, o que ainda demanda explicações, na visão de fontes do mercado. No primeiro semestre deste ano, a Porto Sudeste do Brasil registrou receita líquida de R$ 2,7 bilhões, uma queda de 22% na comparação anual. O prejuízo no período foi de R$ 1,4 bilhão, contra resultado também negativo de R$ 285 milhões no ano anterior.
A Stonepeak, que analisava o negócio em conjunto com a australiana M Resources, deixou a disputa e não apresentou proposta vinculante. Sua saída já foi comunicada formalmente aos vendedores. Uma fonte próxima à transação afirmou que a gestora de infraestrutura não figurava entre as principais candidatas à compra do ativo.
Procurada, a Vale reiterou o comunicado divulgado em 30 de abril, no qual afirmou que avalia oportunidades de investimento no curso regular de suas atividades, de acordo com suas prioridades estratégicas. Acrescentou que as decisões de alocação de capital passam por um rigoroso processo de avaliação e seguem as políticas e as regras de governança da companhia. A mineradora afirmou ainda que manterá o mercado informado sobre qualquer fato relevante decorrente dessa prospecção ou relacionado aos seus negócios.
Mubadala, Trafigura e I Squared não comentaram.
Portos e Navios - SP 20/08/2026
Primeira da série de 18 barcaças contratada pela empresa entrará na fase final de construção neste mês e tem previsão de entrar em operação na Baía de Guanabara até o final do ano
A Transpetro pretende iniciar, ainda em 2026, a operação com transporte de bunker por barcaças, no Rio de Janeiro. A primeira embarcação entra na fase flutuante do processo construtivo até o fim de agosto e a previsão é que seja concluída em outubro. Além do Rio, a companhia vai fazer posteriormente o abastecimento de navios com bunker em Santos (SP) e em Belém (PA). O novo modal integra a estratégia da Transpetro para ampliar os serviços logísticos oferecidos aos clientes.
Para ingressar no modal de navegação interior, a companhia contratou 18 barcaças junto ao Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, sendo 10 com capacidade de 3 mil toneladas de porte bruto (TPB) e oito de 2 mil TPB. Além disso, foram contratados e 18 empurradores, que estão sendo construídos pelo estaleiro Indústria Naval Catarinense (INC). O investimento total para as aquisições será de aproximadamente R$ 630 milhões.
De acordo com o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, a barcaça terá como base de operação o Terminal Aquaviário de Ilha d’Água, no Rio de Janeiro, e reforça a atuação multimodal da companhia, que já opera 46 terminais, 8,5 mil quilômetros de dutos e uma frota de 32 navios.
Ele destacou que esse é mais um serviço logístico que passará a ser oferecido pela companhia. "Nossa estratégia é ser cada vez mais multimodal, o que é essencial para atender os clientes num país de dimensões continentais como o Brasil. Estamos presentes em todas as regiões do país e, sem dúvida, estamos preparados para atender qualquer desafio de logística de petróleo, derivados e biocombustíveis”, ressaltou Bacci.
Todas as 18 barcaças devem estar em operação até fevereiro de 2028, para atuar em polos estratégicos como Rio de Janeiro (RJ), Santos (SP), Belém (PA), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS). O mercado de barcaças no Brasil movimenta aproximadamente 10 milhões de toneladas de petróleo e derivados por ano.
As barcaças, sem propulsão própria, serão movimentadas pelos empurradores, com operação sincronizada a até 6 nós. As unidades terão até 70 metros de comprimento, 16 metros de boca e 4,5 metros de calado, com possibilidade de transportar diferentes combustíveis em tanques dedicados ou segregados. Também poderão operar com energia elétrica em terra e utilizar energia solar.
Os empurradores, responsáveis pela manobra do conjunto, terão até 18,7 metros de comprimento, 9,2 metros de boca, 3,7 metros de calado e potência de 450 kW, com tração de até 13 toneladas e autonomia de cinco dias de navegação contínua. As embarcações contam com tecnologias que ampliam a precisão das operações, sobretudo em áreas restritas.
CNN Brasil - SP 20/08/2026
Um debate está se formando no mercado de petróleo: o Estreito de Hormuz está muito mais "aberto" do que pensávamos?
O senso comum sustentava que a crucial via marítima está efetivamente fechada ao tráfego de petroleiros.
O Irã atacou dezenas de navios-tanque que tentavam transitar pelo estreito. Serviços de rastreamento marítimo, utilizando uma combinação de dados de transponder e imagens de satélite, reportaram uma queda significativa no número de embarcações tentando navegar pelas águas.
Os estoques globais de petróleo continuam sendo reduzidos.
Mas o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, contou uma história bem diferente na semana passada: o estreito está aberto e o petróleo flui de forma significativamente mais rápida do que o mercado percebe.
Ele teria como saber: as forças militares dos EUA estão bem ali, patrulhando as águas, escoltando navios para dentro e para fora do estreito, protegendo-os de ataques inimigos.
A Marinha fornece ao Departamento de Energia informações detalhadas sobre quais embarcações estão se movendo e quando.
"Em coordenação com as forças militares dos EUA, o Departamento de Energia dos EUA (DOE) mantém os melhores dados disponíveis relacionados ao petróleo e produtos petrolíferos que saem do Golfo Árabe", disse um porta-voz do DOE.
Não é incomum para o governo Trump pressionar verbalmente os preços do petróleo para baixo.
O presidente Donald Trump afirmou repetidamente que os Estados Unidos controlam o Estreito de Hormuz e frequentemente alega que um acordo com o Irã é iminente. O secretário Wright disse que os Estados Unidos estão garantindo que bastante petróleo chegue aonde precisa ir.
Ignorando o ruído, os analistas de Wall Street têm se baseado amplamente nos dados de rastreamento de terceiros que vêm recebendo, juntamente com medições de estoques reportadas pelo setor e outros dados.
Mas isso pode estar mudando. Ou, pelo menos, pela primeira vez desde o início da guerra, alguns analistas de Wall Street podem estar ao menos dispostos a considerar que o governo pode estar dizendo a verdade sobre o estado do mercado de petróleo.
Isso poderia dar ao governo Trump uma alavancagem significativamente maior com o Irã do que se acreditava anteriormente.
Reina a confusão
Wright afirmou que a média de sete dias do fluxo de petróleo saindo pelo Estreito de Hormuz havia aumentado para 9 milhões de barris por dia.
Hussain observou que isso contrariava diretamente a afirmação do Irã de que o estreito estava fechado — e os dados de rastreamento de navios que mostravam um volume de cerca de metade do número citado por Wright.
"Está se tornando cada vez mais difícil saber quanto petróleo está saindo do Golfo", disse Hamad Hussain, economista sênior de clima e commodities da Capital Economics. "Declarações contraditórias de autoridades americanas e iranianas estão turvando as águas."
Analistas de Wall Street — que utilizam serviços de rastreamento de navios como Kpler e Windward Intelligence, entre muitos outros dados, para fornecer estimativas sobre os fluxos de petróleo — afirmaram que os petroleiros têm conseguido retirar aproximadamente 4 milhões de barris de petróleo por dia do Golfo Pérsico.
Além dos cerca de 7 milhões de barris por dia que os países do Oriente Médio redirecionaram ao redor do estreito por meio de oleodutos e outros métodos, cerca de 11 milhões ou 12 milhões de barris têm fluído para fora, de acordo com os serviços de rastreamento.
Esse número é significativamente inferior aos 20 milhões de barris por dia que a região exportava antes do início da guerra com o Irã.
Wright afirmou que, em 8 de agosto, o total de petróleo saindo do Golfo superou a marca de 20 milhões de barris.
A Kpler defendeu seus dados, que são alimentados por sua rede de 13 mil receptores próprios e operados em 190 países, rastreando 350 mil embarcações e atualizando sua localização a cada 5 minutos. A empresa também possui uma frota de satélites em órbita baixa.
"Não é possível conciliar a disparidade entre o que vemos e o que ele está citando", disse Matt Smith, diretor de pesquisa de commodities da Kpler.
Outros serviços de rastreamento de navios, como a Windward Intelligence, utilizam imagens de satélite e inteligência artificial para rastrear embarcações, mesmo quando elas desligam seus transponders.
Isso permite que os serviços de rastreamento acompanhem ativamente as chamadas frotas-sombra, que tentam mascarar sua localização para evitar a detecção.
A Kpler também estima o tráfego da frota-sombra. Tanto a Kpler quanto a Windward registraram cerca de cinco navios — no total — saindo do Estreito de Ormuz no dia em que Wright afirmou que 20 milhões de barris fluíram para fora da região do Golfo Árabe.
Mais de 100 navios transitavam pelo estreito por dia antes da guerra. Simplesmente não há navios suficientes para comportar esse tipo de fluxo de petróleo.
Mas Hussain reconheceu que o panorama que o mercado de petróleo tem recebido pode estar incompleto. O Irã tornou-se significativamente mais agressivo em seus ataques a navios nas últimas semanas, e seus aliados houthis fizeram o mesmo no Mar Vermelho.
Isso levou um número crescente de embarcações que transitam pelo Estreito de Hormuz e pelo Bab-al-Mandeb, no Mar Vermelho, a fazer tudo ao seu alcance para mascarar suas localizações e cargas a fim de evitar ataques.
Cerca de metade do tráfego rastreado pela Kpler pelo Estreito de Hormuz foi composta por trânsitos clandestinos nas últimas semanas, ante cerca de um oitavo há um mês — e, argumenta o DOE, nem tudo está sendo registrado.
Quando os lentos petroleiros religarem seus transponders após estarem fora de perigo, o mercado provavelmente perceberá que muito mais petróleo fluiu da região do que se estimava anteriormente, argumentou Hussain.
Dan Pickering, fundador e diretor de investimentos da Pickering Energy Partners, disse à CNN que estava aberto aos números do Departamento de Energia.
"Os EUA estão permitindo que uma quantidade razoável de petróleo passe pelo Estreito, e o Irã não está bloqueando tudo", disse ele. "Em um mundo em que o governo acumulou muito ceticismo, provavelmente não se pode fazer melhor do que adotar uma abordagem de confiar, mas verificar."
"Certamente é possível que ele esteja certo", acrescentou.
Por que isso importa
Wall Street já reconheceu antes ter subestimado a quantidade de petróleo que estava saindo pelo estreito.
Natasha Kaneva, chefe de estratégia global de commodities do JPMorgan, afirmou em junho que o preço relativamente baixo do petróleo a levou a reconsiderar quanto petróleo pode estar saindo do Golfo Pérsico, reconhecendo a possibilidade de uma quantidade surpreendente de petróleo "clandestino" não contabilizado sendo transportado em navios com os transponders desligados.
O JPMorgan cita informações de navegação da Kpler como uma das várias fontes de dados que acompanha para chegar às suas estimativas de oferta e demanda de petróleo.
O mercado optou amplamente por ficar ao lado do governo Trump. Ele manteve a esperança de que uma resolução está a caminho e de que os militares conseguirão manter o fluxo de petróleo. Isso manteve os preços muito mais baixos do que o maior choque de oferta de petróleo da história sugeriria que deveriam estar.
Se mais petróleo estiver fluindo do que esperávamos, isso poderia ajudar a recompor os estoques de petróleo mais rapidamente e manter os preços do petróleo mais baixos por mais tempo do que os analistas de Wall Street vinham antecipando, dando a Trump cobertura econômica e política em seu confronto com o Irã.
Mas a estimativa precisa dos fluxos de petróleo pelo Golfo Pérsico não importa tanto para os preços quanto importa para a estabilidade do mercado, disse Hussain.
Os estoques globais estão entre 1,5 bilhão e 1,9 bilhão de barris abaixo do nível registrado no início da guerra, dependendo de quem está fazendo a estimativa. Os enormes estoques de petróleo bruto existentes antes da guerra ajudaram a evitar uma catástrofe quando o fornecimento secou.
Mesmo que o mercado de petróleo continue operando em déficit, quanto mais petróleo sair pelo estreito, mais tempo o mercado conseguirá adiar um iminente ponto de ruptura no qual suas reservas se tornarão insuficientes para abastecer o mundo com petróleo suficiente.
"O mercado não pode continuar reduzindo os estoques para sempre", disse Pickering. "Mais cedo ou mais tarde, a despensa fica vazia."
O Estado de S.Paulo - SP 20/08/2026
A produção de petróleo na Margem Equatorial pode demorar entre seis e sete anos, mas a descoberta de indícios de óleo no primeiro poço perfurado pela Petrobras nas águas ultraprofundas do Amapá trouxe otimismo para o mercado e para a companhia, que chega ao resultado dez meses depois de iniciada a campanha no poço pioneiro de Morpho.
Se comprovado o potencial da bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco bacias da Margem Equatorial, a expectativa é de que os reservatórios na região garantam, pelo menos, mais 40 anos de produção, segundo o gerente executivo de Projetos Estruturantes da Petrobras, Wagner Victer.
“Eu vi o início da bacia de Campos e é emocionante ver que a gente está participando de um momento histórico, abrindo uma nova fronteira exploratória para uma nova geração, um sinal de longevidade para a Petrobras e que vai trazer novos profissionais, novos engenheiros para o setor”, avaliou Victer.
Segundo a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, o óleo encontrado agora será analisado pelo Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), para verificar a qualidade e o potencial do poço. “Vamos aguardar as análises que serão feitas no Cenpes sobre o óleo”, disse Sylvia ao Estadão/Broadcast na segunda-feira, 17.
A Margem Equatorial é estratégica para a Petrobras porque pode ajudar a repor reservas de petróleo a partir da próxima década, quando a produção do pré-sal tende a atingir o pico e começar a declinar. O plano de negócios 2026-2030 prevê US$ 2,5 bilhões em investimentos na Margem Equatorial e 15 novos poços.
Os próximos passo dependem do Ibama. O órgão ambiental analisa o pedido da estatal para perfurar mais três poços. No caso de Morpho, foram mais de 12 anos de espera, sendo os últimos três anos de muita pressão da atual gestão da empresa, que obteve a liberação em outubro de 2025. A inglesa BP, dona de 70% do ativo até 2021, desistiu de esperar e vendeu sua participação para a Petrobras.
“Tem de acelerar o licenciamento dos outros poços para a gente saber o que tem lá, ou seja, não dá para ficar nesse dilema a cada poço. Porque agora, se você for adiante, nós vamos estar falando de escalas muito diferentes de atividade geológica, exploratória, a escala aumenta”, disse o professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar Almeida.
“A gente precisa superar o debate que estava tendo antes do ponto de vista da viabilidade ambiental, porque agora nós não estamos falando de fazer um poço mais, nós estamos falando de fazer três e muito mais. Ou seja, na Guiana, chegou a mais de cem poços. Até você ter a comprovação dos reservatórios e começar a ter um grande volume, (serão feitas) várias declarações de comercialidade”, acrescentou o acadêmico.
Logo após a descoberta ser anunciada, na última sexta-feira, 14, o diretor do Centro Brasileiro de Infratestrutura, Adriano Pires, também destacou a importância do Ibama acelerar as licenças ambientais. “Não temos nenhum número da Petrobras, portanto não dá para falar se é uma descoberta relevante ou não. Mas é uma boa notícia que mostra a importância do Ibama agilizar as licenças ambientais”, afirmou.
Descoberta deve ser tratada sem efeito no preço-alvo
Para o analista de energia da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, a descoberta é positiva, mas ainda sem informações suficientes para “fazer preço” na ação da estatal. “Uma precificação consistente exigiria evidências de escala comercial, boa produtividade e competitividade econômica frente ao portfólio já contratado da Petrobras. Até lá, a descoberta deve ser tratada como opcionalidade exploratória, sem efeito sobre nosso preço-alvo ou recomendação”, explicou o analista.
Segundo ele, a identificação de hidrocarbonetos (petróleo e gás) no bloco FZA-M-59 é positiva porque melhora a perspectiva exploratória da Petrobras na bacia da Foz do Amazonas, área central para a reposição de reservas no longo prazo.
Para o sócio-diretor da A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto, a descoberta cria condições para que o governo acelere os leilões na região e deve gerar um aumento de apetite privado por blocos da Margem Equatorial. A leitura de Moreira Neto é de que a governança não deve se opor aos investimentos necessários para a região.
“É um anúncio que confirma o apetite de quem foi pro leilão e que deve ter uma boa influência na corrida daqui para frente. Ainda há muitos riscos, mas todos os operadores já posicionados são de classe mundial e muito eficientes”, afirmou. “É uma região que demanda movimento exploratório intenso, mas não vejo como uma boa ideia tentar aumentar muitos prêmios num cenário de competição global por investimentos”, avaliou.
Em junho, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a indicação de 86 blocos da Margem Equatorial para futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão (OPC). Para que os blocos sejam efetivamente oferecidos, ainda é preciso cumprir a análise ambiental e a emissão de Manifestação Conjunta dos Ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente e do Clima (MMA). “Há uma dependência muito grande da construção com órgãos ambientais, mas, com a primeira descoberta, talvez possamos ver um ritmo melhor”, acrescentou o advogado.
Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o professor da PUC e ex-diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, destacou que a Margem Equatorial poderá mudar a geopolítica nacional se virar realmente uma nova província petrolífera do País. “Você vai mudar a geopolítica nacional em termos de poder econômico, industrial, porque se ali virar efetivamente uma província petrolífera, pode ser um novo caminho de redenção econômico-social da região”, disse Zylbersztajn.
Petro Notícias - SP 20/08/2026
A Petrobrás, a PetroReconcavo, a Brava Energia e a Origem Energia assinaram aditivos de longo prazo relacionados ao acesso ao processamento de gás natural na Unidade de Tratamento de Gás Natural de Catu, em Pojuca (BA). Os novos termos têm efeito imediato e garantem a continuidade do processamento da produção de gás.
A UTG Catu, operada pela Petrobrás, é uma estrutura fundamental para o escoamento e o tratamento do gás natural produzido em campos terrestres baianos que atualmente são operados pela PetroReconcavo, Brava Energia e Origem Energia. “Na Bahia a iniciativa contribui para a atração de investimentos, a otimização dos recursos existentes e a criação de condições favoráveis para o crescimento do setor no longo prazo”, avalia o gerente executivo de Exploração e Produção da Petrobrás, Stênio Galvão.
Entre os principais resultados do acordo está a ampliação do período de garantia da capacidade de processamento a partir de 2028. O entendimento também contempla a revisão das condições comerciais e operacionais dos contratos, buscando reduzir custos e elevar o aproveitamento da infraestrutura de gás natural disponível na região.
“O entendimento entre as empresas reafirma a importância da infraestrutura compartilhada como instrumento para ampliar a eficiência e a competitividade do mercado de gás natural”, afirma o gerente executivo de Gás e Energia da Petrobras, Álvaro Tupiassu.
Já o CEO da PetroReconcavo, José Firmo, disse que a cooperação entre a Petrobrás e os produtores independentes representa um avanço para o nosso setor. “Ao fortalecer o compartilhamento de infraestrutura existente, o acordo amplia a competitividade do onshore brasileiro aumentando eficiência operacional aumentando a confiabilidade da unidade e promovendo a modernização contínua de processos, sistemas e equipamentos”, afirma.
Jornal de Brasília - DF 20/08/2026
O petróleo fechou em alta nesta quarta-feira, 19, sem que o mercado encontre perspectivas de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para outubro fechou em alta de 0,39% (US$ 0,33), a US$ 84,39 por barril.
O petróleo Brent para o mesmo mês, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em alta de 0,66% (US$ 0,60), a US$ 91,62 o barril.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que pode retomar negociações com o Irã “em algum momento”, mas não agora, afirmando que os EUA controlam Ormuz e que muitos navios cruzaram a rota na terça-feira. Ele citou alta oferta e entrada de petróleo por outras vias (inclusive via Texas) e previu queda dos preços após o fim da guerra. E após falar que pretende transformar Ormuz em território norte-americano, o consulado do Irã ironizou, dizendo que a Califórnia é novo território iraniano.
Segundo a Al Arabiya, o presidente do Parlamento do Iraque, Haibat al-Halbousi, pediu ao Irã “status especial” para exportações de petróleo iraquiano via Estreito de Ormuz, em reunião em Bagdá com Mohammad Bagher Ghalibaf; a proposta não foi detalhada.
O petróleo não teve reação significativa aos dados de estoques nos EUA, divulgados pelo Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) do país, que apontaram forte elevação inesperada das reservas de óleo e aumento na produção média diária, além de avanço nos estoques de gasolina e recuo nos de destilados.
As tensões no Oriente Médio seguem gerando consequências. Na França, dois diplomatas iranianos serão expulsos em retaliação à agressão de franceses no país persa em julho. Já os Emirados Árabes Unidos suspenderam o comércio e transações financeiras com o Irã.
Outro vetor que impulsionava o petróleo era o recuo do dólar, que habitualmente tem correlação negativa com os preços de commodities, em uma sessão marcada por reações a anúncio do Departamento do Tesouro de intervenção para segurar a escalada nas taxas longas dos Treasuries.
CNN Brasil - SP 20/08/2026
Os Estados Unidos criaram discretamente um corredor marítimo para transportar milhões de barris de petróleo por dia pelo Estreito de Ormuz, informou o Axios nesta quarta-feira (19) citando autoridades americanas.
De acordo com o site de notícias, a operação está em vigor há semanas e permite que 10 milhões de barris por dia sejam transportados para fora do estreito e inseridos no mercado global. O volume equivale a metade do que era registrado antes da guerra contra o Irã.
Em algumas noites, no entanto, o volume de petróleo que passou pela rota ficou entre 15 e 20 milhões de barris por dia, de acordo com autoridades americanas.
Como parte desses esforços, militares ajudam petroleiros vazios a entrar no Golfo, abastecer e sair, relatou o Axios. Essa operação é coordenada com aliados dos EUA na região, que fornecem a lista de embarcações.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quarta-feira que o Estreito de Ormuz estava aberto e que “muitos barcos” estavam passando por ele.
O Irã negou repetidamente as afirmações de Trump sobre Ormuz e fez uma série de exigências para a reabertura da via marítima. Isso inclui o fim das sanções, do bloqueio naval aos portos iranianos e das ameaças militares.
Enquanto os dois lados reivindicam vantagem, a CNN mostrou esta semana que o Irã tem perdido o controle que exerce sobre a rota. Apesar dos riscos, embarcações ignoraram exigências iranianas e atravessaram o Estreito de Ormuz com a promessa de proteção das forças americanas.
A maioria das embarcações tem usado a rota de Omã – um canal de navegação autorizado pela ONU ao qual o Irã se opõe veementemente –, de acordo com a empresa de monitoramento Kpler.
Especialistas do setor relataram à CNN que Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos fretaram navios petroleiros de altíssima capacidade para deixar o Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz. Em seguida, esse petróleo é transferido para navios de clientes fora da zona de perigo, no Golfo de Omã.
Para escapar dos ataques iranianos, as embarcações desligaram seus transponders, muitas vezes por semanas seguidas.
Mas os Estados Unidos, com uma presença militar expressiva na água, mantêm vigilância sobre todas as embarcações que passam pelo local e relataram volumes de transporte de petróleo significativamente maiores do que as estimativas tradicionais sugeriam.
Antes do início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, o Estreito de Ormuz era responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos globalmente.
Página Rural - RS 20/08/2026
A Massey Ferguson, referência no mercado agrícola brasileiro, participa da Expointer 2026, com uma grande novidade: o trator MF 2700, nova série voltada aos pequenos e médios produtores que amplia a atuação da marca no segmento de tratores compactos. Durante a feira, que acontece de 29 de agosto a 6 de setembro, em Esteio (RS), a marca apresenta um portfólio que reúne máquinas, agricultura de precisão, conectividade e serviços para aumentar a eficiência das operações agrícolas.
O lançamento do MF 2700 reforça a estratégia de inovação da Massey Ferguson em 2026. Ao longo do ano, a marca apresenta novidades em diferentes categorias, incluindo tratores, plantadeiras, colheitadeiras, pulverizadores e soluções de agricultura de precisão. Os lançamentos ampliam a oferta de soluções para produtores de diferentes perfis e sistemas de produção.
"Nosso objetivo é oferecer soluções que combinam equipamentos, tecnologias digitais e serviços para tornar as operações mais eficientes, econômicas e produtivas, independentemente do tamanho da propriedade", afirma Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson.
Nova série no portfólio de tratores
Resultado da parceria com a SDF, uma das principais fabricantes globais de tratores, a nova série MF 2700 foi desenvolvida para atender às necessidades de pequenos produtores e de atividades especializadas, oferecendo robustez, simplicidade de operação e excelente relação custo-benefício.
Os modelos possuem potência entre 35 cv e 60 cv, motores mecânicos de três cilindros e transmissão de oito velocidades, proporcionando facilidade de operação e baixo custo de manutenção. Plataformados, são indicados para horticultura, fruticultura, grãos, pecuária, serviços gerais, entre outros.
"Com o MF 2700 ampliamos nossa atuação em um segmento estratégico e passamos a atender produtores que buscam um trator compacto, robusto e confiável para diferentes aplicações. É uma solução desenvolvida para a realidade do campo brasileiro, mantendo os atributos de durabilidade e desempenho que caracterizam a Massey Ferguson", destaca Zanetti.
Soluções para todas as etapas da produção
Além do lançamento do MF 2700, a Massey Ferguson leva à Expointer tecnologias desenvolvidas para aumentar a eficiência em todas as etapas da produção agrícola.
Entre os destaques está o MF 9S, maior e mais potente série de tratores da marca no Brasil, equipada com recursos de automação, conectividade e telemetria para operações de grande escala. A linha de tratores MF 5M e MF 6M amplia o acesso à agricultura de precisão ao disponibilizar tecnologias como piloto automático e conectividade embarcada para um número maior de produtores, além de oferecer opções mais simples e com melhor custo-benefício.
Já a série MF 3700 atende produtores que demandam maior potência e versatilidade, com modelos de 75 cv a 85 cv, motores de quatro cilindros, opções de transmissão de 8, 12 ou 15 velocidades, versões com tração 2WD ou 4WD e versões plataformada ou cabinada. A linha é indicada para culturas como grãos, arroz, citrus, pecuária, hortifrúti e serviços gerais.
No plantio, a plantadeira Momentum, nas versões de 18 a 24 linhas ou 30 a 40 linhas para grandes áreas, incorpora tecnologias de distribuição inteligente de peso e controle de insumos, garantindo maior uniformidade na emergência das plantas, redução de desperdícios e melhor aproveitamento das janelas operacionais. Para áreas menores, a Massey Ferguson também oferece a plantadeira rígida MF 500, que proporciona alta qualidade de plantio e reúne diversos benefícios agronômicos.
A plataforma FarmEngage permite ao produtor acompanhar, em tempo real, o desempenho de máquinas de diferentes marcas em um único ambiente digital, reunindo dados agronômicos e operacionais que apoiam decisões para otimizar o uso de combustível, fertilizantes e defensivos, além de aumentar a produtividade.
Na colheita, a série de colheitadeiras axiais MF 9005S incorpora melhorias que proporcionam melhor fragmentação e distribuição uniforme da palha, favorecendo o plantio direto da safra seguinte. Já o pulverizador MF 500R reúne tecnologias de aplicação precisa para reduzir desperdícios de insumos, minimizar sobreposições e ampliar o rendimento operacional. A marca também apresenta soluções em fenação, desenvolvidas para produzir forragem de alta qualidade com maior eficiência operacional.
Sobre a Massey Ferguson
A Massey Ferguson, marca pertencente ao grupo Agco, acumulou mais de 175 anos de experiência global na produção para a indústria agrícola. É a maior exportadora de máquinas agrícolas da América Latina e referência no mercado brasileiro há seis décadas. Os tratores, colheitadeiras, plantadeiras, implementos, pulverizadores, enfardadoras e produtos e serviços de agricultura de precisão Massey Ferguson são comercializados para mais de 80 países, principalmente África do Sul, Arábia Saudita, Argélia, Argentina, Bolívia, Chile e Paraguai. As fábricas na América do Sul ficam localizadas no Brasil – em Canoas/RS (tratores), Santa Rosa/RS (colheitadeiras), Ibirubá/RS (plantadeiras e implementos), Mogi das Cruzes/SP (tratores, motores, pulverizadores e laboratório de controle de emissões) e também na Argentina, General Rodriguez/BUE (tratores, colheitadeiras e motores). Possui uma extensa e estabelecida rede de concessionárias no Brasil, com mais de 200 lojas.
