Money Times - SP 14/10/2026
A CSN (CSNA3) avançou na estratégia de redução do endividamento ao assinar um acordo vinculante para vender sua operação de aços longos na Alemanha por € 550 milhões, cerca de R$ 3,1 bilhões. Para BTG Pactual e XP, a negociação representa um passo no fortalecimento do balanço, mas seu impacto isolado é limitado.
As ações da companhia começaram o pregão com ligeira alta nesta terça-feira (13). Por volta das 11h (horário de Brasília), porém, as ações caíam 0,30% a R$ 6,58.
O acordo prevê a venda de 100% da Stahlwerk Thüringen (SWT) ao grupo espanhol Megasa, com exclusividade de até dez semanas para negociar os contratos definitivos. A conclusão ainda depende do cumprimento das condições usuais de fechamento, e o valor está sujeito a ajustes.
A operação ocorre em meio à pressão do elevado endividamento da CSN. A companhia encerrou o segundo trimestre com aproximadamente R$ 42 bilhões em dívida líquida e alavancagem de 3,49 vezes, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda.
Preço favorável, alívio limitado
A XP considera a transação marginalmente positiva. Pelas estimativas da corretora, o valor anunciado corresponde a aproximadamente nove vezes o Ebitda da subsidiária, acima do múltiplo de cinco vezes pelo qual a própria CSN negocia.
Na prática, isso indica que a SWT está sendo vendida por um valor proporcionalmente maior ao seu resultado operacional do que aquele atribuído pelo mercado à CSN.
Mesmo assim, a corretora estima que a operação poderia reduzir a alavancagem de aproximadamente 3,5 para 3,3 vezes a dívida líquida/Ebitda, em uma simulação que considera os efeitos da venda.
Na avaliação da XP, a transação não transforma o balanço sozinha, mas pode aliviar parte das preocupações dos investidores com o endividamento.
O BTG Pactual também avalia que a venda contribui para a desalavancagem e para a monetização de ativos considerados não estratégicos.
O banco destaca que os € 550 milhões representam o enterprise value, ou valor da operação incluindo a dívida. Como a subsidiária tem baixo endividamento, esse montante deve ficar próximo do valor efetivo de sua participação acionária, segundo a análise.
A atenção, porém, continua voltada para novos desinvestimentos. Para o BTG, a divisão de cimento pode representar o próximo catalisador relevante para fortalecer o balanço da companhia.
O banco pondera que o ambiente operacional permanece desafiador, principalmente em minério de ferro e fretes, apesar do avanço da reestruturação financeira. Com isso, os analistas mantêm recomendação neutra para CSNA3 e preço-alvo de R$ 10.
A SWT tem capacidade instalada para produzir 1,1 milhão de toneladas de aço por ano e foi adquirida pela CSN em 2012, como parte de sua estratégia de diversificação internacional. A potencial compradora, Megasa, possui operações na Espanha, em Portugal e na França.
Valor - SP 14/10/2026
Debates reuniram executivos e especialistas em torno do avanço das importações diretas e indiretas, da sobrecapacidade global e dos desafios de competitividade para a produção brasileira.
O Congresso Aço Brasil 2026 reuniu, nos dias 29 e 30 de setembro, em São Paulo, lideranças da indústria, especialistas e representantes do governo em torno de uma agenda de fortalecimento da produção nacional. Ao longo dos debates, o setor destacou o potencial do Brasil para ampliar investimentos, empregos e consumo de aço, mas apontou que, para isso, será preciso avançar em competitividade, defesa comercial e condições mais favoráveis para a indústria.
A discussão passou pelo cenário internacional, marcado pela sobrecapacidade global e pela expansão chinesa, mas também pelo potencial de crescimento do consumo de aço no Brasil. Com apenas 122,5 kg de produtos de aço consumidos por habitante em 2025, abaixo da média mundial de 209 kg, os participantes destacaram que há espaço para ampliar o consumo no país. O desafio é recuperar e desenvolver o mercado interno, garantindo que esse crescimento seja atendido prioritariamente pela produção nacional.
Ao longo da programação, um dos principais pontos de atenção foi a mudança no perfil da concorrência externa. Enquanto as importações diretas de aço recuaram nos primeiros oito meses do ano, o volume de aço incorporado a produtos manufaturados importados avançou, sinalizando que a pressão sobre a indústria se desloca também para setores consumidores do metal.
Mais do que discutir o desempenho da indústria do aço o congresso serviu como espaço para tratar de questões que afetam toda a indústria de transformação. Defesa comercial, custo de energia e gás, conteúdo local, produtividade, investimentos e retomada do consumo interno apareceram entre os principais pontos de uma agenda voltada ao fortalecimento da produção brasileira.
Ações do governo e perspectivas
Participando virtualmente do congresso, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou o reflexo das medidas de defesa comercial. Alckmin ressaltou ainda que a reforma tributária poderá elevar em 15% os investimentos e em 17% as exportações, além de citar a ampliação de 240% no crédito para o setor metalúrgico e a futura liberação de R$ 22 bilhões a juros de 6% para máquinas e novos aportes.
Nos oito primeiros meses do ano, a produção brasileira de aço bruto caiu 1,8%, para 21,775 milhões de toneladas. As vendas internas avançaram 0,3%, enquanto o consumo aparente recuou 4,2%, para 17,418 milhões. As importações diretas caíram 20,2%, para 3,693 milhões de toneladas.
Os dados apresentados pelo Instituto Aço Brasil mostram, porém, uma mudança no perfil da concorrência. A importação de aço incorporado a bens manufaturados subiu 19,9% de janeiro a agosto, de 4,008 milhões para 4,806 milhões de toneladas. Em automóveis, o avanço foi de 37,3%. Também cresceram as importações indiretas em máquinas e equipamentos, eletrodomésticos, máquinas para construção civil e estruturas, móveis e embalagens.
Na projeção anualizada da entidade, as importações diretas e indiretas devem somar 12,1 milhões de toneladas em 2026, contra uma média de 5,2 milhões entre 2000 e 2019. André Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil, afirmou que “as medidas de defesa ajudam, influenciaram, mas o volume de importação ainda é grande”, acrescentando que há uma diferença importante em relação a momentos anteriores: “Uma coisa é você ter aumento de importações com o país crescendo. Outra coisa é você ter aumento de importações sem crescer o consumo”.
China amplia pressão global
Segundo dados apresentados no encontro, a sobrecapacidade mundial chega a 624 milhões de toneladas e pode alcançar 721 milhões até 2027, segundo projeção da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A China responde sozinha por cerca de 306 milhões de toneladas desse excedente e produz aproximadamente 52% do aço mundial. Para Marcos Troyjo, economista, cientista político e diplomata, o cenário internacional mudou. “Há 20 anos, a gente discutia globalização, mas não estamos mais nesse mundo”, afirmou, ao destacar o peso crescente da geopolítica nas decisões econômicas.
No painel sobre a China, o ex-embaixador do México na China, Jorge Guajardo, trouxe uma análise profunda sobre os impactos da expansão chinesa, impulsionada por décadas de urbanização e construção de capacidade industrial. O diplomata destacou que a previsão para 2026 é de que a China exporte 12 milhões de carros para o mercado global, alertando que, desse total, nenhum é produzido com peças brasileiras, embora a cadeia utilize insumos indiretos, como o petróleo bruto brasileiro exportado para a produção de polímeros. Para Guajardo, a continuidade desse movimento pode levar à desindustrialização acelerada de outros mercados, a exemplo do que ocorreu nos Estados Unidos com o histórico “China Shock”, que resultou na perda de milhões de empregos industriais americanos.
Guajardo também pontuou que a China enfrenta hoje uma forte mudança demográfica e o esgotamento de seu antigo modelo de crescimento baseado na construção de infraestrutura em massa. Com a taxa de fecundidade bem abaixo do nível de reposição e a desaceleração do ritmo de urbanização, ele enfatizou: “A China não tem mais motor de crescimento econômico”. Por fim, o ex-embaixador ressaltou que governos e empresas precisam tratar o tema com máxima prioridade estratégica diante dos riscos de dependência e perda de competitividade global.
Competitividade vai além do aço
O debate levou os participantes a uma agenda que não se limita apenas à defesa comercial. Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, resumiu a necessidade de articulação entre os diferentes segmentos: “Se cada um defender os seus próprios interesses, a gente não vai conseguir sair do lugar”. Para Werneck, a integração da cadeia e o aumento do consumo de aço passam também pela forma como os empresários dialogam com o poder público.
Everton Negresiolo, CEO da ArcelorMittal Aços Longos América Latina, citou logística, energia, gás natural e custo de capital como obstáculos à competitividade. Segundo ele, o gás brasileiro pode custar de US$ 15 a US$ 18 por milhão de BTU, enquanto o valor varia de US$ 2 a US$ 4 na Argentina.
O conteúdo local também entrou no debate. Neste contexto, Marcelo Chara, presidente da Usiminas e conselheiro do Instituto Aço Brasil, defendeu uma política de “proteção estratégica” para evitar que investimentos no país resultem apenas em operações de montagem com componentes importados. “É preciso garantir que os investimentos gerem demanda para fornecedores e empregos ao longo da cadeia nacional”, afirmou.
Rodrigo Villela, da Aperam South America & Renewables, destacou produtividade e eficiência energética. Para ele, o momento atual não deve pautar decisões de longo prazo: “O cenário não é positivo, mas não podemos acreditar que o presente vai representar o futuro”, disse.
Espaço para crescer
Apesar da pressão externa, o setor vê espaço para ampliar a produção brasileira. O Aço Brasil estima que elevar a utilização das usinas de 66% para 79% poderia gerar cerca de 19,6 mil empregos diretos. Para Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do Aço Brasil, a agenda passa por três frentes: manutenção dos mecanismos de defesa comercial, aumento da competitividade das cadeias consumidoras de aço e fortalecimento do conteúdo local. Ele destacou a Coalizão Indústria, criada em 2018 e formada por diferentes elos impactados pelas importações, que atuam de forma conjunta para enfrentar os desafios do setor. “A indústria do aço é moderna, imprescindível e requer tratamento prioritário”, disse.
No segundo dia, o jornalista William Waack levou ao congresso a discussão sobre o ambiente político e econômico pós-eleições. Ao tratar do endividamento público, resumiu: “Dívidas esmagam”, acrescentando que não é possível pensar em prosperidade sem coordenação das dívidas públicas. No encerramento, a mensagem dos executivos foi de aposta no longo prazo. Rodrigo Villela concluiu: “Temos que trabalhar em cadeia e evitar que o produto importado afete nossa indústria. Precisamos retomar a industrialização do país. Temos competência, as pessoas certas e as ferramentas para garantir que vamos crescer fortes”.
Globo Online - RJ 14/10/2026
Apesar de ter reduzido a projeção de crescimento da economia brasileira para este ano e o próximo, a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) ainda é otimista. A instituição reduziu sua expectativa para o PIB de 2,4% para 2,2% este ano e para 1,9% em 2027, enquanto a mediana das estimativas dos analistas de mercado ouvidos pelo Banco Central, no boletim Focus, é de 1,85% e 1,4%, respectivamente. O FMI acerta na direção do vento, mas não no número. Isto acontece porque ao analisar dados de todo o mundo, a instituição acaba usando indicadores atrasados. O fato é que o Brasil vai crescer menos do que o FMI está prevendo, após essa revisão.
Sobre as razões para a redução nas estimativas de crescimento, a lista do FMI é a mesma dos economistas brasileiros. A primeira delas são os juros em patamar elevado. A segunda são as restrições globais provocadas pela incerteza em relação ao preço do petróleo, em decorrência da guerra no Oriente Médio, e ainda pesa o tarifaço americano, que afetou a economia global e também a brasileira. O FMI pondera que, em países como o Brasil, que são produtores de petróleo, o impacto da guerra tem um efeito misto: por um lado, alavanca as exportações, elevando a arrecadação com a venda do óleo a um preço maior; por outro, aumenta o grau de incerteza que a volatilidade de preço da commodity acarreta para a economia. Esse cenário, especialmente a Selic alta, aponta para dois anos de baixo crescimento.
O FMI também está mais otimista que o mercado brasileiro em relação à inflação. O Fundo projeta uma redução do IPCA de 5% em 2025 para 4,1% este ano, enquanto a estimativa do Focus é de novo estouro da meta, com uma taxa de 5,22%, quando o teto é de 4,5%. Os analistas, assim como o FMI, também preveem uma desaceleração da inflação em 2027, mas ainda em patamar mais alto do que o estimado pela organização internacional: 4,30%, contra 4,1%. Apesar das diferenças entre os números, a tendência é de inflação em queda. E é muito bom que as projeções apontem nessa direção, porque isso significa que ninguém acredita que a taxa vá explodir mais a frente.
Para 2027, independentemente do governo eleito, terá que fazer um ajuste nas contas públicas. Esse ajuste sempre restringe o crescimento, mas também permite a continuidade da queda dos juros, o que representa um estímulo para a economia.
Até aqui, no entanto, os dois candidatos que disputam o segundo turno ainda não explicaram que tipo de ajuste farão. No caso de Flávio Bolsonaro, apesar de afirmar que fará um ajuste forte, de R$ 200 bilhões no primeiro ano de governo, todas as medidas que detalha apontam para a continuidade ou a expansão de gastos, de um lado, e para a queda de receitas, de outro, afinal, ele se compromete a cortar impostos. Portanto, a soma do que Flávio Bolsonaro afirma que fará não combina com a promessa de ajuste.
No caso de Lula, ele também teria que ser mais claro sobre seu projeto de ajuste. A equipe fala em um ajuste gradual, mas mais firme a cada ano, com a promessa de superávits crescentes. Porém, nenhuma medida de restrição foi apresentada até agora.
O certo é que o crescimento será novamente baixo em 2027, talvez menor do que o deste ano. Tudo dando certo, porém, podemos ter um país retomando o crescimento em 2028, com juros mais baixos e uma economia com menos incertezas, já que, neste momento, nenhuma das duas campanhas deixa claro como pretende reduzir essas incertezas.
Exame - SP 14/10/2026
Mercado eleva de 5,01% para 5,22% a projeção de inflação em 2026 e reduz a estimativa para a Selic de 13,50% para 13,25%; previsão para o PIB permanece em 1,85%, enquanto o dólar cai de R$ 5,20 para R$ 5,15
O mercado financeiro elevou de 4,90% para 5,22% a projeção para o IPCA de 2026 em um mês, enquanto manteve em 1,85% a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A previsão para a taxa básica de juros, a Selic, caiu de 13,50% para 13,25% ao ano, e a estimativa para o dólar recuou de R$ 5,20 para R$ 5,15.
Os números fazem parte do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira, 13, com expectativas compiladas em 9 de outubro. O levantamento reúne as projeções de instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira.
A revisão desta semana mostra alta da expectativa de inflação e redução das projeções para a Selic e o câmbio, enquanto a estimativa de crescimento econômico permaneceu estável.
Boletim Focus hoje
A projeção para o IPCA, índice oficial de inflação, passou de 5,01% para 5,22% em 2026. Há quatro semanas, a mediana estava em 4,90%, indicando uma elevação de 0,32 ponto percentual no período.
Para o PIB, a expectativa de crescimento permaneceu em 1,85%. Há quatro semanas, o mercado projetava expansão de 1,89%.
Já a previsão para a Selic no fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25% ao ano. Há quatro semanas, a estimativa era de 13,75%.
No câmbio, a projeção para o dólar passou de R$ 5,20 para R$ 5,15. Um mês antes, a expectativa estava em R$ 5,20.
Inflação nos próximos meses
O relatório também reúne estimativas para o comportamento dos preços no curto prazo.
Para outubro de 2026, a projeção para o IPCA passou de 0,32% para 0,33%. Em novembro, a expectativa subiu de 0,34% para 0,35%.
Para dezembro, a estimativa permaneceu em 0,56%. Já a projeção para a inflação acumulada em 12 meses, calculada de forma suavizada, caiu de 4,59% para 4,48%.
O que o mercado espera para os próximos anos?
Para 2027, a projeção para o IPCA permaneceu em 4,30%, enquanto a expectativa de crescimento do PIB ficou em 1,40%. A estimativa para o dólar caiu de R$ 5,28 para R$ 5,26, e a previsão para a Selic permaneceu em 12% ao ano.
Em 2028, a mediana para a inflação recuou de 3,80% para 3,79%. A expectativa para o PIB subiu de 1,81% para 1,83%, enquanto as projeções para o câmbio e a Selic ficaram em R$ 5,30 e 10,50% ao ano, respectivamente.
Para 2029, a previsão para o IPCA permaneceu em 3,50%, e a estimativa de crescimento econômico continuou em 2%. A projeção para o dólar caiu de R$ 5,33 para R$ 5,30, enquanto a expectativa para a Selic permaneceu em 10% ao ano.
IGP-M e preços administrados
Entre os demais indicadores, a projeção para o IGP-M de 2026 permaneceu em 5,27%, acima dos 4,54% estimados quatro semanas antes.
Para 2027, a expectativa ficou em 4,11%. Em 2028, a projeção recuou de 3,94% para 3,93%, enquanto para 2029 permaneceu em 3,80%.
A estimativa para o IPCA de preços administrados em 2026 subiu de 4,61% para 4,89%. Para 2027, a projeção ficou em 3,84%; para 2028, em 3,62%; e para 2029, em 3,50%.
Contas externas e cenário fiscal
A projeção para o déficit em conta corrente de 2026 permaneceu em US$ 60 bilhões. Para 2027, a expectativa continuou em déficit de US$ 59,30 bilhões. Já para 2028, a estimativa passou de US$ 63 bilhões para US$ 63,10 bilhões, e para 2029 subiu de US$ 62,31 bilhões para US$ 62,60 bilhões.
Na balança comercial, a previsão para 2026 aumentou de US$ 78,30 bilhões para US$ 78,88 bilhões. Para 2027, permaneceu em US$ 79 bilhões. Em 2028, a estimativa caiu de US$ 79 bilhões para US$ 78 bilhões, enquanto para 2029 recuou de US$ 80 bilhões para US$ 79 bilhões.
A expectativa para o investimento direto no país ficou em US$ 80 bilhões em 2026. Para 2027, a projeção subiu de US$ 79 bilhões para US$ 79,25 bilhões. Em 2028 e 2029, permaneceu em US$ 80 bilhões.
No cenário fiscal, a mediana para a dívida líquida do setor público em 2026 permaneceu em 70% do PIB. Para 2027, a estimativa subiu de 73,75% para 73,90% do PIB; para 2028, passou de 76,46% para 76,50%; e, para 2029, aumentou de 79,05% para 79,08%.
Veja as principais projeções do Focus
2026: IPCA de 5,22%; PIB de 1,85%; dólar a R$ 5,15; Selic de 13,25%. 2027: IPCA de 4,30%; PIB de 1,40%; dólar a R$ 5,26; Selic de 12%. 2028: IPCA de 3,79%; PIB de 1,83%; dólar a R$ 5,30; Selic de 10,50%. 2029: IPCA de 3,50%; PIB de 2%; dólar a R$ 5,30; Selic de 10%.
Perguntas frequentes sobre o Boletim Focus
O que mudou no Boletim Focus desta terça-feira, 13?
O mercado elevou a projeção para o IPCA de 2026 de 5,01% para 5,22% e reduziu a estimativa para a Selic de 13,50% para 13,25%. A previsão para o PIB permaneceu em 1,85%, enquanto a estimativa para o dólar caiu de R$ 5,20 para R$ 5,15.
Qual é a projeção de inflação para 2026?
A mediana das expectativas para o IPCA de 2026 subiu para 5,22%. Há quatro semanas, a estimativa era de 4,90%.
Qual é a previsão para a Selic em 2026?
O mercado reduziu a projeção para a Selic de 13,50% para 13,25% ao ano. Há quatro semanas, a expectativa estava em 13,75%.
Quanto o mercado espera que o PIB cresça em 2026?
A projeção para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 permaneceu em 1,85%.
Qual é a projeção para o dólar em 2026?
A estimativa para o câmbio caiu de R$ 5,20 para R$ 5,15 por dólar.
Globo Online - RJ 14/10/2026
As principais economias do mundo, tanto as desenvolvidas quanto as maiores emergentes, precisam ajustar suas contas públicas urgentemente, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI), na edição de outubro do relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês).
Segundo as projeções globais que acompanham o documento, as “economias avançadas” registrarão este ano, no agregado, um déficit nominal de -5,2% do Produto Interno Bruto (PIB), ante os 4,4% registrados em 2025.
Se confirmado, o resultado de 2026 será o maior rombo desde 2021, quando o saldo negativo ficou em 7,3% do PIB, e a maioria dos países ainda gastava acima do normal para enfrentar a Covid-19.
Dívidas acima de 100%
Como resultado, as dívidas públicas não deverão parar de crescer. Este ano, deverão ficar em 108% do PIB agregado nas “economias avançadas”, mesmo nível de 2025, mas com a perspectiva de subir para 115% em 2031. No agregado mundial, estão em 95% do PIB e crescerão para 101,5% em 2031.
As projeções mostram que o desequilíbrio das contas de governos mundo afora, consequência da reação à emergência sanitária, veio para ficar. Os saldos entre receitas e despesas governamentais ainda não voltaram aos níveis de antes da pandemia.
“Um foco renovado na reconstrução do espaço fiscal é urgente, diante da dívida elevada, dos custos de captação mais altos, das demandas que se multiplicam sobre os orçamentos públicos e da incerteza intensificada”, diz um trecho do WEO de outubro, divulgado nesta terça-feira, no horário local da Tailândia, onde ocorre a reunião anual do FMI.
Os “custos de captação mais altos” são uma referência à alta nas taxas dos títulos públicos de vários países, com destaques para os treasuries, como são chamados os papéis do Tesouro americano.
“Quaisquer novos aumentos de gastos ou cortes de impostos devem ser devidamente financiados para assegurar as trajetórias necessárias de ajuste fiscal. Uma consolidação confiável de médio prazo deve apoiar-se em planos bem específicos, incluindo medidas duradouras de receita, administração tributária mais forte, bases tributárias mais amplas, melhor conformidade e maior eficiência dos gastos”, continua o relatório.
Ritmo do crescimento econômico em xeque
Intitulado “Resiliência sob pressão, escolhas urgentes”, a edição de outubro do WEO mostra que o crescimento econômico tem conseguido se manter na maioria dos países. O FMI revisou para 3,1%, ante 3,0% anteriormente, a projeção para o avanço do PIB global este ano — no caso do Brasil, a estimativa recuou para 2,2% ante 2,4% anteriormente.
As “escolhas urgentes”, por sua vez, têm a ver com riscos que os economistas do FMI veem adiante, suficientes para acabar com a “resiliência” do crescimento global.
O desequilíbrio das contas dos governos é um dos principais deles, pois “uma reprecificação generalizada de ativos financeiros, impulsionada por uma reversão da recente postura benigna nos mercados e não desencadeada por notícias específicas sobre a guerra ou IA, poderia testar a resiliência das empresas e pesar sobre o consumo das famílias”, diz o relatório.
— A economia tem demonstrado resiliência, mas essa resiliência está chegando aos seus limites. A tarefa adiante é passar da simples resposta aos choques para a reconstrução, restaurando o espaço fiscal e a resiliência pelo lado da oferta e, dessa forma, fortalecendo a capacidade dos países de crescer de maneira sustentável — afirmou a economista-chefe do FMI, Silvana Tenreyro, em entrevista coletiva sobre a edição de outubro do WEO.
O caso dos EUA preocupa particularmente. Segundo o FMI, o déficit nominal do governo da maior economia do mundo atingirá 8,5% do PIB este ano, acima dos 7,1% do ano passado. Na China, o rombo vai a 8% este ano, ante 7,9% em 2025.
Emergentes, como o Brasil, sofrem mais
O quadro poderá ser pior para as economias emergentes, como o Brasil:
“O estresse de mercado poderia levar a uma corrida para a segurança (quando, em momentos de crise, investidores globais buscam ativos mas seguros) e afetar em especial as economias emergentes por meio de spreads soberanos (a diferença entre as taxas de juros nos títulos de dívida) mais amplos, pressões cambiais e condições financeiras domésticas mais restritivas”.
No caso das “economias emergentes e em desenvolvimento”, o rombo será de 6% do PIB agregado, nas contas do FMI para este ano, ante 5,8% em 2025.
Será o maior rombo desde 2020, auge das ações contra a pandemia, quando o saldo negativo ficou em 8,4% do PIB, no agregado.
Rombo de 8,1% do PIB no Brasil
Para o Brasil, o FMI estima um déficit nominal (saldo negativo considerando todas as receitas e despesas do governo, incluindo os gastos com juros da dívida) de 8,1% do PIB este ano, ante 7,4% em 2025. Também será o maior rombo desde o auge da pandemia, em 2020.
O desequilíbrio nas contas públicas tem sido apontado como um dos principais problemas da economia do país — um nó a ser enfrentado pelo próximo governo federal.
Embora não faça referência específicas sobre a economia brasileira, o WEO traz alertas especiais para “países com inflação acima da meta ou com pressões inflacionárias subjacentes elevadas”, como é o caso do Brasil, “a consolidação fiscal pode moderar a demanda e complementar os esforços da política monetária para manter a estabilidade de preços”.
Por outro lado, “economias que se beneficiam de receitas extraordinárias com commodities”, como também é o caso do Brasil, que se tornou exportador de petróleo, “devem resistir às pressões pró-cíclicas de gastos”, diz o relatório do FMI.
Prós e contras da IA
O alerta sobre o desequilíbrio generalizado nas contas dos governos mundo afora vem junto de outras preocupações do FMI em relação à sustentabilidade do ritmo atual do crescimento da economia global, como eventos climáticos extremos e os investimentos bilionários em inteligência artificial (IA).
No caso da IA, o rápido avanço da tecnologia tem contribuído para manter o ritmo do crescimento econômico global aquecido, com investimentos em programação, na indústria de semicondutores e componentes, em data centers e na geração de eletricidade para eles.
Por outro lado, a forma como o desenvolvimento da IA se dá traz uma série de riscos, alerta o WEO. No elo inicial da cadeia da nova tecnologia, a produção de semicondutores está excessivamente concentrada em Taiwan e na Coreia do Sul. No elo final, do consumo dos componentes e instalação de data centers, a forte concentração está nos EUA e na China. E isso pode ampliar as desigualdades econômicas.
Além disso, o aquecimento da demanda pela IA pode alimentar inflação. E os ganhos de produtividade esperados pela nova tecnologia ainda não estão claros, segundo o FMI.
Esse aquecimento da demanda também se dá no mercado de trabalho. Profissionais especializados na tecnologia são disputados, mas, para a IA ter efeitos positivos na economia será preciso que os governos invistam em políticas de mobilidade — que ajudam os trabalhadores a se requalificar e buscar emprego nas empresas que estão contratando por causa da tecnologia.
Diário do Comércio - MG 14/10/2026
Com o acordo Mercosul-União Europeia assinado, o bloco sul-americano já pode voltar as atenções para a próxima parceria comercial mais relevante em termos de volume: a China.
Para executivos com operações ou interesses na região, o desenho de um eventual acordo formal ainda que preliminar sinaliza uma janela de reposicionamento competitivo para exportadores brasileiros, sobretudo do agronegócio, em meio à escalada tarifária dos Estados Unidos.
O tema ganhou tração após uma conversa entre Lula (PT) e Xi Jinping no fim de julho. Segundo o Planalto, os dois líderes trataram da necessidade de acelerar o início das negociações entre o Mercosul e a China e concordaram sobre a importância de avançar com “as flexibilidades necessárias”.
Uma sinalização política nesse sentido precede qualquer cronograma formal de negociação, mas já reposiciona o tema na agenda corporativa de quem opera comércio exterior com a região.
O momento não é casual. O diálogo ocorreu logo após a entrada em vigor de uma nova tarifa dos Estados Unidos sobre o Brasil, com alíquota adicional de 25% sobre cerca de 3.000 produtos decisão amparada em investigação da Seção 301 do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) sobre práticas comerciais consideradas injustas.
Para times de governança corporativa e de cadeias de suprimentos, esse é o tipo de choque tarifário que acelera a busca por rotas comerciais alternativas.
No fim de 2025, Pequim já havia sinalizado a direção: um documento oficial apontou o objetivo de ampliar a cooperação econômica com a América Latina para além do comércio, incluindo investimentos, ciência e tecnologia, além de frazer frente às ações unilaterais dos Estados Unidos um recado direto a quem monitora risco geopolítico em carteiras de investimento na região.
Os números explicam por que o tema é prioridade estratégica, não apenas diplomática. No ano passado, a China respondeu por aproximadamente 28% do comércio exterior do Mercosul, ante cerca de 17% da União Europeia, seguida pelos Estados Unidos.
No mesmo ano, os países do bloco exportaram, em conjunto, US$ 111,5 bilhões e importaram US$ 96,4 bilhões com o Brasil concentrando quase 90% das exportações e 74% das importações do bloco.
Ou seja: qualquer formalização do acordo não cria uma relação comercial ela institucionaliza uma que já é a mais relevante do bloco, com potencial de redesenhar margens, tarifas e barreiras não alfandegárias para quem já opera nesse eixo comercial.
Velocidade: por que este acordo pode ser diferente
Um ponto de atenção para quem planeja horizonte de investimento: analistas apontam que um eventual acordo com a China tenderia a avançar mais rápido do que o modelo europeu.
O acordo com a União Europeia, assinado em janeiro, levou mais de 25 anos para ser fechado resultado de negociar com um bloco de múltiplos países com interesses divergentes. Com a China, o interlocutor é único.
“A China não publiciza, ela tem uma outra forma de negociar e de fazer política externa. Um acordo formal reduziria as tarifas aduaneiras e barreiras não tarifárias, como restrições fitosanitárias, então tornaria os nossos produtos ainda mais competitivos”, explica Regiane Nitsch Bressan, professora associada do curso de relações internacionais da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Para quem avalia expansão de capacidade produtiva ou logística na região, a professora aponta um vetor concreto de oportunidade: a presença crescente de capital chinês, que já não se limita ao agronegócio, alcançando energia, mineração e telecomunicações.
Segundo ela, “o marco regulatório mais robusto pode facilitar a entrada de investimentos a longo prazo e destravar financiamentos em portos, ferrovias e rodovias, reduzindo muitos gargalos logísticos na América do Sul” um ponto direto para investidores em infraestrutura e logística.
Oscar Fernández-Guillén, professor da UNS (Universidad Nacional del Sur) e da UNLP (Universidad Nacional de La Plata), na Argentina, reforça a leitura. “A integração econômica do bloco precisa de maior conectividade física e de maior infraestrutura e para isso pode contar com um parceiro como a China.”
Assimetrias internas: o risco de execução
Para quem estrutura operações multipaís no Mercosul, um fator relevante é a assimetria de maturidade nas relações bilaterais com a China dentro do próprio bloco. Brasil e Argentina já mantêm um nível mais alto de relação bilateral, enquanto o Uruguai possui um nível mais básico de associação.
O Paraguai, por outro lado, não tem nenhum acordo formal com Pequim, em razão do reconhecimento de Taiwan uma variável que pode condicionar cláusulas específicas ou prazos diferenciados por país num eventual acordo em bloco.
Essa questão é considerada crucial, já que o Mercosul negocia por consenso entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, cada um com poder de veto sobre novas negociações externas.
A Venezuela integra formalmente o bloco, mas está suspensa desde 2017, e a Bolívia segue em processo de integração.
Acordo amplo ou pacote setorial?
Para tomadores de decisão que buscam calibrar expectativas de prazo, vale a leitura mais cautelosa de especialistas consultados.
Luiz Augusto de Castro Neves, presidente do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China) e ex-embaixador do Brasil na China, avalia que “a possibilidade de um acordo de livre comércio com a China é algo que vem sendo falado no âmbito do governo brasileiro, conforme o comércio com a China se mostrou tão bem-sucedido, sobretudo para a parte brasileira.”
Neves pondera que a tensão com os EUA favorece o movimento, mas não deve ser o fator decisivo, e reconhece possível resistência da indústria nacional ainda que, segundo ele, “a decisão, que normalmente é política, se baseia no fato de que o acordo traz mais ganhos do que perdas.”
Gustavo Rojas, pesquisador do Cadep (Centro de Análise e Difusão da Economia Paraguaia), recomenda moderar as expectativas de curto prazo.
“Provavelmente, o diálogo de Lula e Xi não sinaliza um acordo de livre comércio, mas algo mais modesto, como um acordo parcial abrangendo um número limitado de linhas tarifárias, ou um pacote de facilitação comercial, como para normas sanitárias e barreiras não tarifárias.”
Ignacio Bartesaghi, diretor do Instituto de Negócios Internacionais da Universidade Católica do Uruguai, acrescenta uma variável de incentivo: o Brasil pode não ter pressa.
Em suas palavras, “o Mercosul tem bilhões de dólares em superávit, atrai investimentos e tem relações geopolíticas e geoeconômicas estratégicas com a China no âmbito do Brics. Além disso, o Brasil já conta com significativos investimentos estratégicos futuros da China em projetos de infraestrutura, particularmente no que diz respeito aos corredores bioceânicos”.
O que fica no radar
Para executivos de comércio exterior, investimento e estratégia regional, três pontos merecem monitoramento próximo:
O veto de qualquer um dos quatro fundadores, somado a posições distintas de Paraguai e Uruguai frente à China, é o principal risco de execução a acompanhar.
Brasil
O país deve manter política externa pragmática diante dos Estados Unidos, buscando autonomia sem agravar a relação bilateral, especialmente no período eleitoral. O acordo com a União Europeia foi acelerado pelo temor europeu de perder influência para a China e para os Brics, mas persistem resistências internas, sobretudo da França.
O momento eleitoral leva o governo a adiar avanços concretos com a China. No Brics, o Brasil defende critérios institucionais para novos membros e busca reduzir a dependência do dólar.
“Essa negociação com a China poderia acontecer no momento após as eleições e aí vai depender muito de quem estiver na Presidência, de tentar também trazer a Argentina para a conversa. Milei foi contra o Mercosul, dizia que não ia participar, e foi convencido, comemorou a ratificação do acordo com a União Europeia”, diz Bressan.
“O Itamaraty tem linhas muito consolidadas. Portanto, mesmo que tenhamos uma troca governamental neste ano, pode existir um distanciamento entre o Itamaraty e o futuro governo, mas isso não deve impedir a China de estar presente.”
Argentina
A relação do governo de Javier Milei com a China é descrita como mais retórica do que efetiva: apesar do discurso de campanha contrário a Pequim, o comércio bilateral foi mantido e ampliado. Milei, que chegou à Casa Rosada criticando os asiáticos, aumentou o comércio com o país, e as importações de produtos chineses em 2025 foram as maiores dos últimos 25 anos.
A não adesão da Argentina ao convite para integrar o Brics é atribuída a razões político-ideológicas, pela prioridade dada às relações com os Estados Unidos e com Israel.
“Há muita retórica envolvida. Durante a campanha eleitoral, Milei criticou duramente as relações com a China e, depois de eleito, ficou claro que as relações seriam mantidas com base no comércio”, diz Fernández-Guillén.
Paraguai
O reconhecimento de Taiwan pelo Paraguai complica as negociações, embora o país esteja disposto a dialogar; Pequim exige o rompimento com Taipé como condição.
Setores como petróleo, soja, milho e carnes se beneficiariam de um acordo, tendo as exportações aumentado 23% no primeiro semestre de 2026, enquanto indústrias como automotiva, eletrônica e têxtil poderiam ser prejudicadas.
“Ninguém vai abrir mão do mercado chinês por afinidade ideológica. A verdadeira luta interna dentro do Mercosul não é a China, mas a tensão entre a unidade nas negociações e a flexibilidade”, diz Rojas.
Ele acrescenta que a soja e a carne bovina paraguaias atualmente não têm acesso ao mercado chinês, mas que a política do país é pragmática. “O Ministério das Relações Exteriores afirma explicitamente que não se recusa a negociar, desde que não haja pré-condições, e que o problema está do outro lado da mesa, já que Pequim impõe condições e exige publicamente que Assunção rompa com Taipé.”
Uruguai
Caso o Brasil não tentasse acelerar um acordo com a China, por estar confortável com sua situação comercial atual, o Uruguai seria o único membro do bloco em posição de avançar efetivamente nessa direção.
“Historicamente, o Uruguai tem buscado maior flexibilidade dentro do Mercosul, entre outros motivos, porque durante décadas o bloco deu as costas ao comércio internacional. Os acordos com a União Europeia, com a Efta [bloco com Suíça e Noruega] e as conversas com o Canadá também estão avançando”, diz Bartesaghi.
Ainda no governo anterior, o país sinalizou o interesse de negociar em separado com os chineses, mas o governo de Yamandú Orsi deve fortalecer a integração via Mercosul.
“Não acredito que a abertura do Mercosul para a região Ásia-Pacífico seja materialmente viável dentro do prazo necessário para o Uruguai. É por isso que o país está interessado na CPTPP (Parceria Transpacífica).”
Infomoney - SP 14/10/2026
O presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, afirmou nesta terça-feira que ainda considera apropriado haver mais uma alta de juros nos Estados Unidos neste ano, mas, no momento, não vê necessidade de que o banco central americano volte a elevar as taxas em 2027.
“Não mudei minha visão de que pode ser adequado realizar mais uma alta de juros”, disse Williams em entrevista à Bloomberg News no Fed de Nova York. “Neste momento, não vejo razão para acreditar que precisaremos fazer mais do que isso.”
Williams afirmou que ainda há sinais de que a inflação desacelerará “consideravelmente” e se aproximará da meta de 2% do Fed no próximo ano, à medida que os efeitos das tarifas comerciais e do choque nos preços de energia diminuam.
Segundo ele, outros indicadores também sugerem uma desaceleração da inflação subjacente, o que deve ajudar a compensar as pressões de preços geradas pela expansão da infraestrutura para inteligência artificial.
Após os comentários de Williams, os rendimentos dos Treasuries dos EUA recuaram ligeiramente. Os títulos de dois anos, mais sensíveis às expectativas para a política monetária, apagaram uma alta de até três pontos-base.
As declarações colocam Williams em linha com a mediana das projeções divulgadas pelos dirigentes do Fed após a decisão de elevar os juros em 0,25 ponto percentual na reunião de setembro. Alguns colegas, no entanto, como as presidentes do Fed de Cleveland, Beth Hammack, e do Fed de Dallas, Lorie Logan, já indicaram que acreditam ser necessário mais de um aumento adicional para trazer a inflação de volta à meta de 2%.
Atualmente, investidores apostam que o Fed elevará os juros em dezembro e promoverá mais duas altas em 2027, de acordo com os preços dos contratos futuros dos Fed Funds.
O presidente do Fed de Nova York ressaltou, porém, o elevado grau de incerteza em torno de suas projeções e afirmou continuar acompanhando de perto os impactos da inteligência artificial sobre a inflação.
“Ainda estamos em meados de outubro”, disse. “Esta economia está sendo afetada por muitos fatores diferentes, e precisamos continuar observando os dados.”
Os formuladores de política monetária receberão nesta quarta-feira um novo relatório de inflação ao consumidor, o último antes da reunião dos dias 27 e 28 de outubro.
Mudança de visão em setembro
Williams não estava entre os dirigentes que defendiam com mais veemência uma alta de juros antes da decisão de setembro. Segundo ele, no entanto, passou a apoiar firmemente o aumento após dois fatores alterarem a perspectiva de curto prazo para a inflação.
Primeiro, a expectativa de que o conflito envolvendo o Irã pudesse ser resolvido e os preços do petróleo recuassem mostrou-se excessivamente otimista. Além disso, a diferença entre os preços do petróleo bruto e dos combustíveis refinados aumentou significativamente nos últimos meses.
“Vimos um choque adicional, ou uma manifestação adicional desses acontecimentos na forma de custos muito mais elevados para os combustíveis”, afirmou.
Apesar disso, ele disse que sua visão de longo prazo para a inflação permanece inalterada.
“Ainda acredito que há forças desinflacionárias em ação”, disse Williams. “Tivemos os efeitos das tarifas, dos preços da energia e agora da IA. Mas alguns desses fatores não estão indicando uma alta da inflação subjacente. Na verdade, essas medidas de inflação subjacente têm recuado.”
Ele acrescentou que não há sinais de desequilíbrio no mercado de trabalho que estejam contribuindo para a inflação.
“Esta não é uma economia superaquecida”, afirmou. “Não é uma economia em que exista uma pressão inflacionária adicional além desses choques específicos que estamos enfrentando.”
Ainda assim, Williams reconheceu que a demanda gerada pelos investimentos em inteligência artificial continua superando a oferta e que esse desequilíbrio pode levar algum tempo para ser resolvido.
“É uma situação incomum ter um subsetor da economia operando a plena capacidade e que provavelmente continuará assim por um tempo”, afirmou. “Mas o importante é observar a economia como um todo.”
Ele também disse estar otimista de que a inteligência artificial acabará gerando ganhos de produtividade capazes de reduzir pressões inflacionárias, embora seja extremamente difícil prever quando isso ocorrerá.
Taxa neutra
Williams afirmou que sua estimativa para a chamada taxa neutra de juros, nível que nem estimula nem freia a economia, aumentou modestamente nos últimos anos.
Atualmente, ele estima a taxa neutra real, descontada a inflação, em cerca de 1% ou um pouco acima disso.
“Se a economia se comportar no próximo ano como espero, não estaremos muito distantes da neutralidade”, afirmou.
Orientação ao mercado
O dirigente também comentou um discurso realizado em 29 de setembro, considerado importante para reduzir as apostas do mercado em uma nova alta de juros já neste mês.
Na ocasião, Williams afirmou que havia pouca urgência para que o Fed voltasse a elevar os juros logo após o aumento aprovado em setembro. Posteriormente, comentários semelhantes foram feitos pelo vice-presidente do Fed, Philip Jefferson.
Parte do mercado interpretou as falas como uma tentativa coordenada de evitar surpresas para os investidores.
Nesta terça-feira, Williams afirmou que os preços dos ativos financeiros são uma fonte útil de informação, mas ressaltou que o discurso refletia apenas sua opinião pessoal.
“Em setembro, tínhamos dois meses adicionais de dados. Foi uma oportunidade para avaliar o que as tendências subjacentes estavam nos dizendo”, afirmou.
O presidente do Fed de Nova York possui voto permanente nas decisões de política monetária e atua como vice-presidente do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), sendo tradicionalmente considerado parte do núcleo de liderança do banco central americano.
“Tenho contato regular com o presidente do Fed”, disse Williams. “Nós nos reunimos com frequência, mas não vou dizer mais do que isso.”
Monitor Digital - RJ 14/10/2026
As exportações brasileiras para os EUA cresceram 31,9% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025, alcançando US$ 3,5 bilhões. A recuperação ainda não foi suficiente para reverter a queda de 6,5% acumulada no ano, equivalente a US$ 1,9 bilhão a menos em vendas, segundo a nova edição do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados do Comexstat.
No mês de setembro, o crescimento das exportações ocorreu tanto em valor quanto em quantidade. O volume vendido aos EUA aumentou 3,1%, enquanto o preço médio avançou 28% em comparação com o mesmo mês de 2025 – período em que estavam em vigor tarifas adicionais de até 50%.
Já no acumulado deste ano, o resultado segue negativo: as exportações de bens com sobretaxas recuaram 8,1%, enquanto as de produtos sem sobretaxas caíram 5,1%. A maior retração ocorre entre os itens sujeitos às alíquotas mais elevadas (de 25% ou 37,5%): queda de 25,4% ou aproximadamente US$ 1,4 bilhão.
Entre os 10 principais produtos sujeitos a essas sobretaxas, nove registram queda nas exportações aos EUA no acumulado do ano. Madeira de coníferas apresenta a maior retração percentual (-50,6%), seguida por granitos trabalhados (-34,1%), sebo bovino (-33,4%), fumo não manufaturado (-32,2%) e outras portas (-29,3%).
Do lado das importações, setembro marcou o terceiro mês consecutivo de crescimento. As compras brasileiras de produtos americanos avançaram 2,1% em setembro, puxadas principalmente por combustíveis (108,5%) e máquinas de processamento de dados (31,4%). No acumulado de janeiro a setembro, as importações provenientes dos EUA registram queda de 7,1%, totalizando US$ 31,8 bilhões.
A retração das exportações brasileiras aos EUA no acumulado de 2026 alcança os três grandes setores da economia.
Entre janeiro e setembro, as vendas da indústria de transformação ao mercado americano recuaram 1,2%, enquanto avançaram 6,3% para o restante do mundo. Ainda assim, os EUA permanecem como o principal destino das exportações industriais brasileiras, respondendo por 15,7% do total.
Na indústria extrativa, houve queda de 32% nas vendas brasileiras para os EUA no ano, ante crescimento de 21,2% para os demais mercados. Na agropecuária, as exportações ao mercado americano caíram 17,8%, enquanto cresceram 8,9% para os demais destinos.
Novos mercados puxam alta de 10,4% nas vendas brasileiras
A diversificação de destinos sustentou o crescimento das exportações brasileiras em 2026. Entre janeiro e setembro, as vendas para a Índia subiram 85,5%, para a Europa, 20,2%, para a Oceania, 20,8%, para a América Central e Caribe, 14,9%, e para a África, 9,7%. No mesmo período, os embarques para os EUA recuaram 6,5% e para a Argentina, 18,5%. O resultado ajudou a levar as exportações a US$ 284,65 bilhões no acumulado do ano, alta de 10,4% sobre 2025, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O resultado reforça a importância da busca por novos parceiros comerciais para reduzir a exposição do país a oscilações em mercados tradicionais.
A balança comercial acumula superávit de US$ 62,4 bilhões no ano. A corrente de comércio, que soma exportações e importações, chegou a US$ 506,9 bilhões, crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.
O maior avanço proporcional entre os principais destinos foi registrado na Índia. As exportações brasileiras para o país asiático passaram de US$ 4,44 bilhões para US$ 8,23 bilhões entre janeiro e setembro, um acréscimo de US$ 3,8 bilhões. Com isso, a Índia já está entre os mercados que mais contribuíram para o crescimento das vendas externas do Brasil no ano.
Ainda na Ásia, a China segue como principal destino das exportações brasileiras. As vendas para o país somaram US$ 84,68 bilhões no acumulado do ano, alta de 12%. Japão (14,2%), Singapura (12,1%) e Bangladesh (25,8%) também ampliaram as compras de produtos brasileiros.
Na Europa, o crescimento foi distribuído entre vários países. Os Países Baixos ampliaram as compras em 16,6%, a Itália em 31,7%, a Turquia em 37,3%, a Polônia em 73,5% e a Alemanha em 15,8%. Minérios de cobre, soja, ouro, petróleo e carne bovina estão entre os produtos que puxaram a alta no continente.
Na África, os destaques foram o Egito, com aumento de 25,2%, e a África do Sul, com 28%. Soja, minério de ferro, milho e animais vivos lideraram o avanço na região. Na América Central e Caribe, o Panamá ampliou as compras em 47,9%, e República Dominicana, Honduras e El Salvador também registraram crescimento expressivo. No Oriente Médio, as vendas subiram para Arábia Saudita (13,8%), Jordânia (54,9%) e Emirados Árabes Unidos (7,4%).
CNN Brasil - SP 14/10/2026
A presidente do Fed (Federal Reserve) de Boston, Susan Collins, disse nesta terça-feira (13) que considera "oportuno" aumentar um pouco mais as taxas de juros antes do final do ano, a fim de garantir um retorno duradouro da inflação à meta de 2% estabelecida pelo banco central.
Na 25ª Conferência Anual de Bancários Regionais e Comunitários, Collins afirmou acreditar que seja apropriado focar no aspecto da inflação do duplo mandato, já que as condições gerais do mercado de trabalho estão estáveis.
A dirigente, entretanto, pontuou que a adoção da IA (Inteligência Artificial) pode limitar a demanda das empresas por trabalhadores.
"Embora os dados recentes sobre a inflação tragam algumas notícias promissoras, outros desenvolvimentos têm sido menos favoráveis", frisou, acrescentando que está observando até que ponto pressões estão presentes nos dados.
"Espero que a inflação fique acima da meta nos próximos meses, considerando o recente aumento nos preços de produtos energéticos refinados, como combustível de aviação e diesel, e óleo para aquecimento doméstico". Segundo ela, uma pressão também pode vir de itens relacionados à construção de centros de dados.
Ainda assim, a dirigente acredita que a inflação retornará eventualmente para a meta, à medida que os ganhos contínuos de eficiência sustentam o equilíbrio entre demanda e oferta e contribuem para a desinflação.
De acordo com ela, a economia dos EUA tem demonstrado uma resiliência notável, apesar dos choques adversos significativos decorrentes das tarifas e do setor energético.
Uma possível preocupação de Collins, todavia, é que a aceleração do PIB (Produto Interno Bruto) possa refletir um aumento na demanda, que pode sobrecarregar a oferta e exercer pressão de alta sobre os preços.
Valor - SP 14/10/2026
Contrato futuro do minério com vencimento em janeiro, o mais negociado, fechou cotado a US$ 101,1.
O preço do minério de ferro recuou nesta terça-feira (13) na China, em meio à oferta abundante do produto, afirmam analistas.
O contrato futuro do minério com vencimento em janeiro, o mais negociado na Bolsa de Dalian, fechou em queda de 1,1%, a 677 yuans (US$ 101,1).
Em relatório, a equipe de análise da consultoria Tongguan Jinyuan Futures observa que os embarques de minério de ferro e as chegadas do produto a portos chineses permanecem em níveis elevados, com aumentos significativos nos volumes provenientes de minas de menor expressão.
O mercado de minério de ferro provavelmente continuará apresentando oferta elevada e demanda fraca no próximo mês, na visão dos profissionais.
Valor - SP 14/10/2026
Pequim também teme que certas práticas do setor possam prejudicar a reputação das marcas chinesas no exterior.
As autoridades chinesas buscam endurecer as normas para o desenvolvimento e testes de veículos elétricos, após um incidente de grande repercussão desencadear um debate nacional sobre se o rápido lançamento de novos modelos pela indústria estaria comprometendo a segurança.
As montadoras serão obrigadas a realizar testes mais rigorosos em recursos "inovadores", abrangendo pelo menos 30 mil quilômetros ao longo de um período mínimo de um ano que inclua dois invernos e um verão, de acordo com uma minuta de regulamentação divulgada no fim de semana pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT).
Recursos como maçanetas totalmente embutidas e telas dobráveis serão proibidos nos veículos.
"Nos últimos anos, algumas montadoras correram para lançar novos produtos em resposta às tendências do mercado sem realizar testes e validações suficientes, o que aumentou os riscos de segurança e ambientais", afirmou o ministério, que também atua como o principal órgão regulador do setor automotivo na China.
As regras propostas surgem dias depois de um vídeo de análise de produto provocar forte reação negativa. No vídeo, um blogueiro automotivo chinês quebrava os pedais de freio de três veículos Maextro V800. Lançado em agosto com preço inicial de 766 mil yuans (US$ 114.462), o modelo foi desenvolvido em parceria pela gigante de tecnologia Huawei e pela montadora estatal JAC Motors.
A Maextro declarou na quinta-feira que seu sistema de freios foi projetado e testado em conformidade com padrões que superam as exigências nacionais atuais e que a empresa oferecerá aos proprietários uma opção de "atualização gratuita".
As regulamentações mais rigorosas entrarão em vigor em 1º de janeiro.
"A medida do MIIT praticamente eliminou o espaço para esses 'carros feitos às pressas'", disse Li Yanwei, membro do comitê de especialistas da Associação de Concessionárias de Automóveis da China, referindo-se ao ritmo frenético de lançamentos das montadoras e à prática de corrigir problemas por meio de atualizações remotas de software (“over-the-air”).
Li acrescentou que a concorrência feroz no saturado setor automotivo chinês forçou as novas marcas de veículos elétricos a disputar participação de mercado com uma sucessão incessante de novos modelos — uma média de quase um por dia desde o início do ano, segundo suas estimativas. "Eles exploraram brechas regulatórias para agilizar processos e reduzir custos", disse Li. "Mas essas brechas serão fechadas no próximo ano."
A divisão de veículos elétricos da Huawei, conhecida como Harmony Intelligent Mobility Alliance (HIMA), construiu uma reputação por ajudar montadoras estatais a desenvolver veículos definidos por software, criar redes de vendas e elaborar estratégias de marketing. Essas empresas estatais demoraram a aderir à transição do setor para veículos elétricos, em parte devido a uma burocracia excessiva.
"Outros levam três anos para fabricar um carro, enquanto nós fabricamos três carros em apenas um ano", disse certa vez Yu Chengdong, diretor executivo da Huawei e líder da HIMA, em entrevista à mídia estatal, destacando o espírito dinâmico e determinado de sua equipe. Fundada em 2021, a HIMA agora engloba oito marcas de veículos elétricos.
Algumas startups chinesas de veículos elétricos reduziram os ciclos de desenvolvimento — que tradicionalmente levavam mais de 40 meses no setor — para pouco mais de 20 meses, diminuindo os custos em 30%, segundo um relatório da consultoria AlixPartners. O relatório atribuiu essas mudanças a estruturas hierárquicas mais horizontais, ao uso de simulações digitais para testar a compatibilidade entre software e hardware e à aceitação de soluções que sejam "boas o suficiente".
Pequim também teme que certas práticas do setor possam prejudicar a reputação das marcas chinesas no exterior.
Na semana passada, a Malásia suspendeu as vendas do SUV Omoda 5, fabricado pela montadora chinesa Chery, enquanto investiga um acidente no qual o eixo traseiro do veículo se soltou.
Em uma diretriz emitida em setembro, órgãos reguladores chineses alertaram as montadoras para que não exportassem a guerra de preços para mercados internacionais. As empresas "não devem perturbar a ordem do mercado para obter uma vantagem competitiva desleal", afirmaram. "Elas devem evitar ajustes de preços frequentes e significativos que possam prejudicar os interesses dos consumidores estrangeiros ou danificar a imagem da marca."
Na segunda-feira, a China anunciou que reduzirá a restituição do imposto sobre valor agregado (IVA) para veículos elétricos exportados de 13% para 9%, com vigência a partir de 1º de abril de 2027 — uma medida destinada a diminuir a dependência dos exportadores em relação a subsídios. Nos últimos anos, as montadoras chinesas têm buscado cada vez mais os mercados internacionais para compensar a desaceleração das vendas no mercado interno. No entanto, o esforço de expansão para o exterior também expôs o setor a atritos comerciais com outros países, incluindo membros da União Europeia.
O Estado de S.Paulo - SP 14/10/2026
A expectativa era de que a Jeep apresentasse no Salão de Paris um conceito capaz de antecipar a próxima geração do Renegade. O projeto não deu as caras, e a marca ficou um tanto escanteada em relação às irmãs de grupo Citroën, Peugeot e Fiat. Mesmo assim, aproveitou o evento para dar pistas sobre seu futuro.
Além de confirmar a continuidade do SUV no mercado europeu, a Jeep abriu espaço para um possível resgate do nome Willys. No Brasil, a nova geração do Renegade deve chegar em 2028, feita sobre a plataforma STLA One. Já a releitura do jipe histórico permanece em estudo, com horizonte posterior a 2030.
A revelação dos planos ficou a cargo de Xavier Peugeot, responsável pela marca Jeep na Europa. O executivo detalhou a estratégia, que combina ampliação da gama, diferentes sistemas de propulsão e aproveitamento de nomes conhecidos. O Renegade, enfim, está entre os produtos confirmados para essa expansão. A Willys, por sua vez, aparece como inspiração para explorar uma categoria de veículos menores e eletrificados.
Embora tenham sido apresentados no mesmo contexto, os dois projetos não devem ser colocados no mesmo estágio de desenvolvimento. Já existe um compromisso de lançar outra geração do Renegade. No caso do Willys, a Jeep ainda avalia o formato de um possível produto e não anunciou sua aprovação para produção.
O Renegade tem uma trajetória comercial que ajuda a explicar a decisão. Desde seu lançamento, em 2014, o SUV acumulou mais de 610 mil unidades vendidas na Europa. No planejamento apresentado em Paris, continuará ocupando espaço entre os compactos, mesmo com a presença do Avenger.
Segundo Xavier Peugeot, a próxima geração será o maior dos dois SUVs de segmento B previstos para a gama europeia. O modelo, inclusive, já se mostrou presente, ainda que não divulgado oficialmente, no Investor Day da Stellantis -- onde a companhia anunciou plano de investimento de R$ 350 bilhões.
A indicação ajuda a entender como a Jeep pretende organizar seus produtos. O Avenger irá atender o segmento de entrada, enquanto o Renegade preserva uma posição acima, sem avançar sobre o espaço destinado ao vindouro Compass. As dimensões definitivas do novo modelo ainda não foram divulgadas.
Para o consumidor brasileiro, a continuidade também afasta a ideia de que a chegada do Avenger representaria, necessariamente, a aposentadoria do Renegade. A marca, bom frisar, já havia assegurado a convivência dos dois por aqui. O lançamento de uma nova geração permitirá aprofundar essa diferenciação, embora motores, versões e preços ainda dependam de anúncios específicos para o país.
Estratégias da Jeep conforme o mercado
No plano divulgado em Paris, a marca confirma o retorno do Renegade à sua oferta europeia até 2030, sem estabelecer uma data mais precisa. A imprensa do velho continente crê no lançamento da nova geração no primeiro semestre de 2028. O SUV chegaria ao Brasil no mesmo ano, mas um pouco depois.
A principal mudança técnica será a adoção da STLA One. Apresentada pela Stellantis em maio, a arquitetura foi desenvolvida para veículos dos segmentos B, C e D e sistemas distintos de propulsão. Sua estreia está prevista para 2027, dentro de uma estratégia que pretende reunir cinco plataformas em uma única base modular.
Essa flexibilidade é relevante para um produto vendido em regiões com demandas distintas. Uma plataforma capaz de receber diferentes soluções mecânicas permite adaptar a oferta ao mercado e à infraestrutura disponível. A adoção da STLA One, contudo, ainda não define quais configurações do futuro Renegade chegarão às concessionárias brasileiras.
A arquitetura também foi concebida para incorporar os sistemas STLA Brain e STLA SmartCockpit, voltados à eletrônica e à experiência digital a bordo. Entre os recursos previstos estão direção por comando eletrônico e, nas aplicações elétricas, compatibilidade com sistemas de 800 volts.
Até a chegada da nova geração, o Renegade atual segue sua trajetória no Brasil. A atualização mais recente trouxe interior reformulado, central multimídia de 10,1 polegadas, novo console e saídas de ar para os passageiros traseiros. A linha também passou a oferecer sistema híbrido leve de 48 volts em parte das versões.
Retorno da Willys?
Em Paris, o chefão da Jeep para a Europa indicou ainda a possibilidade de um veículo inspirado no Willys original, menor até que o Avenger. A ideia seria reinterpretar o jipe em um produto compacto e eletrificado. O projeto ainda está em avaliação, sem desenho definitivo apresentado.
Também não houve confirmação de que a Willys voltará como marca independente. A comunicação oficial trata o nome como referência histórica para futuros veículos da própria Jeep. Assim, o eventual retorno pode assumir a forma de um novo modelo, mas ainda é cedo para estabelecer como ele será identificado comercialmente.
A proposta sugere uma tentativa de aproximar as origens da Jeep das necessidades de uso urbano. Um carro menor poderia explorar a identidade visual e a vocação utilitária do lendário jipe em dimensões mais adequadas às cidades.
Antes disso, a prioridade é executar o plano europeu de até seis modelos até 2030. A expansão inclui o Recon, além de diferentes alternativas de propulsão e uma versão com tração integral para cada modelo.
Valor - SP 14/10/2026
Transição da Europa para os veículos elétricos acelerou nos últimos meses, impulsionada pela alta dos preços dos combustíveis e pela oferta de modelos mais acessíveis.
As duas gigantes da indústria automobilística europeia, Volkswagen e Stellantis, aproveitaram o Salão do Automóvel de Paris deste ano para demonstrar uma confiança crescente em seus veículos elétricos, incorporando lições de concorrentes e parceiros chineses que estão transformando o mercado europeu.
Ambas as empresas passam por reformulações estratégicas para enfrentar a crescente concorrência das montadoras chinesas no mercado europeu, mas os anúncios feitos pela Stellantis na segunda-feira também mostraram um espaço maior para colaboração.
O grupo automobilístico franco-italiano, que reúne marcas como Citroën, Peugeot, Opel e Fiat na Europa, está utilizando suas joint ventures com a Leapmotor e a Dongfeng para estudar as vantagens competitivas das chinesas em tecnologia, disse o diretor-presidente da Stellantis, Antonio Filosa, a jornalistas.
“Não concordo totalmente com a visão de que nos faltam capacidades essenciais, mas certamente existem áreas em que podemos nos complementar”, afirmou Filosa.
“Ao trabalharmos juntos e reunirmos nossas equipes de engenharia para entender como fazer as coisas melhor, podemos identificar de onde vem essa competitividade e aprender com ela.”
Acelerando com parceiros chineses
A Stellantis firmou uma parceria de produção com a Leapmotor no início deste ano e planeja outra com a Dongfeng, como parte de uma mudança estratégica sob a liderança de Filosa. As parcerias deverão agora ser adaptadas para atender às futuras regras do programa “Made in Europe” (Fabricado na Europa).
A transição da Europa para os veículos elétricos acelerou nos últimos meses, impulsionada pela alta dos preços dos combustíveis e pela oferta de modelos mais acessíveis, inclusive de marcas populares da Volkswagen e da Stellantis. Ambas disputam a manutenção de suas participações de mercado diante das montadoras chinesas, que avançam rapidamente no exterior para compensar a desaceleração em seu mercado doméstico.
“Estamos vendo os veículos elétricos a bateria ganharem uma tração que não esperávamos há um ano, inclusive em países como Itália e Espanha, onde a adoção desses veículos é menor”, afirmou Danilo Annese, diretor-presidente da Leapmotor International, joint venture liderada pela Stellantis.
A parceria da Stellantis com a Leapmotor inclui o desenvolvimento de um SUV elétrico de porte médio pela fabricante chinesa de veículos elétricos e pela marca alemã Opel, pertencente ao grupo.
“O que estou vendo é uma velocidade impressionante”, disse o diretor-presidente da Opel, Florian Huettl, sobre o projeto, um exemplo raro de uma montadora ocidental que recorre diretamente a um parceiro chinês para lançar novos veículos no mercado em apenas dois anos.
A Stellantis também apresentou uma série de veículos-conceito em Paris, como parte dos esforços de Filosa para renovar seu portfólio de modelos. No entanto, Felipe Munoz, da Car Industry Analysis, afirma que a montadora continua pressionada a alcançar as concorrentes chinesas em um mercado em rápida transformação.
“Eles não precisam de conceitos. Precisam de produção. Agora, não daqui a dois anos.”
O aluno vira professor
A reestruturação da Volkswagen também foi fortemente influenciada pela China, que o diretor-presidente, Oliver Blume, já descreveu como uma “academia de ginástica” para a indústria.
No entanto, os efeitos dessa influência na Europa têm sido, na melhor das hipóteses, indiretos. A parceria da Volkswagen com a Xpeng está concentrada no mercado chinês, enquanto a cooperação na Europa permanece, em grande parte, no campo das hipóteses. A ideia já havia sido levantada por Blume como forma de aproveitar a capacidade ociosa das fábricas, mas ainda não resultou em negociações concretas.
Uma parceria com empresas chinesas na Europa, por exemplo, permitindo que utilizem fábricas alemãs subutilizadas, também poderia trazer riscos, ao ajudar as concorrentes a estabelecer produção local na Europa e cumprir regulamentações concebidas para proteger as montadoras europeias.
Blume afirmou em uma conferência do setor em Paris, nesta terça-feira, que atualmente não vê necessidade de estabelecer uma joint venture com empresas chinesas na Europa.
“Até agora, consideramos que estamos bem preparados com as capacidades próprias que desenvolvemos nos últimos anos na China”, afirmou.
Tanto a Volkswagen quanto a Stellantis “estão estabelecendo parcerias com empresas chinesas de maneiras diferentes”, explica Stefan Bratzel, analista do Center of Automotive Management, da Alemanha.
Enquanto a Volkswagen se concentrou em parcerias na China, a aliança da Stellantis com a Leapmotor está se tornando um caso de sucesso na Europa, acrescenta.
As montadoras europeias agora precisam aceitar, por algum tempo, o papel da China como “professora”, completa Bratzel. “Durante anos, foram os chineses que aprenderam com os alemães. Agora, esse processo precisa ser invertido.”
Valor - SP 14/10/2026
Fabricantes pedem política de fortalecimento à indústria nacional, que neste ano prevê produzir 2,1 milhões de unidades.
Após 14 anos, a produção de motocicletas no Brasil deve ultrapassar 2,1 milhões de unidades montadas no Polo Industrial de Manaus (PIM). O setor só superou essa marca em dois momentos na sua história: em 2008, com 2,141 milhões, e 2011, com 2,131 milhões. Desta vez, os fabricantes avaliam que a volta ao patamar histórico ocorre em condições de mercado que permitem acreditar que ele se manterá pelos próximos anos. Tanto em 2008 como em 2011, a produção caiu em seguida. O maior temor, no entanto, é que o setor de motos enfrente o mesmo cenário das montadoras de automóveis: a concorrência do importado chinês.
“Nosso principal desafio para manter o atual patamar de produção é regulatório”, disse Marcos Bento, presidente da Abraciclo, associação que reúne onze fabricantes instalados em Manaus e responsáveis por cerca de 97% do mercado, após coletiva na terça-feira (13), quando apresentou as novas perspectivas para o ano. Para a produção, a estimativa de crescimento passou de 4,5% para 6%, enquanto para vendas foi de 4,6% para 6,9%.
A venda motos será recorde pelo segundo ano consecutivo, ficando em torno de 2,35 milhões de motocicletas licenciadas. A diferença entre a produção registrada pela Abraciclo e o volume de licenciamentos é ocupada por fabricantes não associados à entidade e importações.
Bento afirma que a demanda é garantida e não vê, no cenário próximo, mudanças que possam reverter essa tendência de crescimento. A motocicleta, na sua avaliação, ocupa hoje um espaço diferente em relação a dez anos atrás, tanto como opção de transporte, de trabalho e de lazer.
“O cenário hoje é bem diferente dos outros anos (2008 e 2011). Não tínhamos o delivery consolidado. Não tínhamos a diferença que existe hoje de preço entre carros e motos. Nosso produto está mais próximo da renda do brasileiro. Hoje, a motocicleta é a segunda opção de veículo para as famílias. E vemos o crescimento das vendas de alta cilindrada como opção de lazer”, afirmou.
Bento avalia que, mesmo com os juros e o endividamento das famílias em alta, o setor está mais maduro. Ele lembra que a crise de crédito vivida pelo país em 2016 foi um aprendizado. Hoje, tanto os fabricantes como o sistema bancário estão mais atentos à concessão de crédito para evitar a inadimplência. “E temos ainda o consórcio, que para nós representa cerca de 30% dos negócios e é uma alternativa aos momentos de juros altos”, completou.
O presidente da Abraciclo alerta que é preciso ter uma política de fortalecimento e proteção da indústria nacional para não enfrentar a mesma realidade vivida atualmente pelas montadoras de automóveis, principalmente no segmento de veículos elétricos. “Diria que pisamos para ficar no patamar [de produção] de 2,1 milhões”, afirma, para em seguida ponderar que é preciso olhar com atenção um setor que gera 22 mil empregos diretos em Manaus e faturou R$ 28,3 bilhões entre janeiro e julho, alta de 11,4% na comparação com 2025. Esses números incluem os fabricantes de bicicletas.
As motos elétricas ainda não tiram o sono da indústria local. Segundo a Abraciclo, representam apenas 0,7% do mercado total. Mas essa pouca representatividade também já foi a realidade das montadoras de automóveis e, hoje, os eletrificados (híbridos e elétricos) representam cerca de 20% dos carros novos licenciados. E avançam com muita rapidez no mercado brasileiro.
As principais montadoras com produção no país detêm a tecnologia da motocicleta elétrica, mas continuam apostando no motor flex ou a gasolina. No acumulado de nove meses no ano até setembro, 62% dos modelos vendidos foram flex e 38% apenas a gasolina.
Como a produção acumula alta de 9,9% entre janeiro e outubro, o setor não deve ter dificuldades para atingir a estimativa de 6%, podendo até superar o atual recorde de 2008. Os modelos de baixa cilindrada, até 160 cc, representam 78,8% do mercado.
Entre os principais entraves para que a marca de 18 anos atrás seja superada estão os possíveis efeitos do El Niño na logística da região Norte, esperado com mais força para o fim de outubro. “Como todo efeito climático, é impossível saber sua intensidade”, adiantou Bento. Não há expectativa de linhas de produção paradas, mas é certo algum efeito sobre os custos da logística.
No mercado externo, o setor ainda busca seu melhor momento. A nova estimativa de expansão nas exportações é de 9%, contra 4,4% anterior, somando 47 mil unidades exportadas. O principal destino da moto brasileira é a Argentina, responsável por 40,6% das exportações, ou 14,5 mil unidades. Na sequência aparecem Estados Unidos (19,9% e 7,1 mil motocicletas embarcadas) e Colômbia (18,4% e 6,6 mil unidades exportadas).
Grandes Construções - SP 14/10/2026
A Odebrecht Engenharia & Construção foi premiada na noite do dia 6 de outubro, em São Paulo, por dois projetos de infraestrutura no Prêmio Melhores e Maiores Obras 2026, promovido pelo Instituto de Engenharia, em parceria com a ConVisão CNC (Central de Notícias da Construção).
O Anel Viário de Campo Grande, no Rio de Janeiro, e o Emissário Vila Caiçara, na Baixada Santista (SP) foram selecionados para receber o reconhecimento durante a Semana Nacional da Engenharia.
A cerimônia, realizada destacou que a obra carioca faz parte do Plano de Mobilidade de Campo Grande, e reúne intervenções para reorganizar a circulação em uma das regiões de maior concentração de deslocamentos da Zona Oeste do Rio de Janeiro.
A principal entrega neste projeto foi o Túnel Professor Moacyr Sreder Bastos, o primeiro túnel da história do bairro. Com duas galerias de aproximadamente 500 metros, ele liga as estradas da Caroba e da Posse. A nova rota foi projetada para reduzir de cerca de 15 para três minutos o tempo de viagem entre os dois pontos.
Conduzida pela Secretaria Municipal de Infraestrutura do Rio de Janeiro, essa etapa também inclui um mergulhão (passagem inferior) com 420 metros de extensão sob a Avenida Cesário de Melo, que liga a Estrada do Monteiro ao Viaduto Alim Pedro, e adequações viárias na Estrada da Caroba e na Rua Artur Rios.
A construção das duas galerias do túnel envolveu a escavação de 97.000 m³ de rocha em metodologia NATM por Drill and Blast (perfuração e detonação) em ambiente urbano de área residencial.
O túnel foi entregue com sistemas e dispositivos de segurança e automação modernos que atendem as normativas vigentes, como sistemas de ventilação e exaustão, iluminação por LED, prevenção e combate a incêndio, comunicação interna, operados através de um Centro de Controle e Operação, também escopo do contrato.
Já no estado de São Paulo, a Odebrecht enfrentou um desafio de outra natureza: a substituição de um trecho de uma estrutura submarina responsável pelo transporte de esgoto tratado para o mar.
O projeto Emissário Vila Caiçara, contratado pela Sabesp, previa a implantação de um novo trecho de 1.500 metros, além de operações de transporte, posicionamento e afundamento da estrutura em alto-mar.
A execução exigiu planejamento logístico e precisão técnica, especialmente nas etapas de transporte marítimo e de conexão com o sistema atual, em carga.
Um dos diferenciais neste caso foi o desenvolvimento de um modelo específico de Raiser para o trecho do difusor do emissário.
Composto por uma parte rígida, em tubo de PEAD, e outra flexível, o equipamento foi desenvolvido para aumentar a eficiência da diluição e dispersão do esgoto na corrente marítima e reduzir riscos de danos à estrutura provocados por redes de pesca.
“Seja facilitando a mobilidade urbana ou aplicando engenharia de alta complexidade em obras offshore, nosso foco é gerar soluções técnicas inovadoras com impacto positivo direto à sociedade”, comemora Marcelo Piller, Diretor de Engenharia da Odebrecht.
Valor - SP 14/10/2026
De um crescimento de 0,5%, a Abramat passou a prever uma queda de 0,8%.
A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) revisou sua projeção para o desempenho do faturamento do setor no ano. De um crescimento de 0,5%, a entidade passa, agora, a prever uma queda de 0,8% no indicador em 2026.
Seria o segundo ano consecutivo de queda, após a retração de 1,2% em 2025. A Abramat divulga seus dados mensalmente, em parceria com a consultoria Econnit.
De janeiro a setembro, o faturamento do setor apresenta queda de 2,5%, que a entidade projeta que será aliviada ao longo do segundo semestre, mas não mais a ponto de uma reversão para crescimento de faturamento.
Os materiais de acabamento apresentam uma queda maior de faturamento no acumulado do ano, de 2,8%, mas os de base ficam logo atrás, com queda de 2,2%.
O mês de setembro trouxe alta de 3,8% no indicador em relação a agosto, mas uma queda de 1,1% contra o mesmo período de 2025.
“Seguimos com performance positiva das obras de infraestrutura e do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), mas nossas projeções consideravam como premissa adicional uma resposta mais forte do varejo e do consumo das famílias no segundo semestre, o que ainda não aconteceu”, afirmou, em nota, o presidente executivo da Abramat, Mauro Franco.
A entidade destaca que o varejo de materiais de construção recua 1,1% no ano, até julho, sem recuperação consistente.
O programa federal Reforma Casa Brasil, que fornece empréstimos subsidiados para a compra de materiais de construção, vinha em crescimento nos últimos meses, mas reverteu essa trajetória em setembro. No mês, foram fechados 14.024 contratos, de acordo com dados preliminares divulgados pela Abramat, menos da metade dos 30,8 mil contratos de agosto. O valor emprestado foi de R$ 478 milhões, ante R$ 1,08 bilhão do mês anterior.
Expectativa e realidade
A Abramat também apresenta um “termômetro” do setor, que capta a expectativa dos empresários sobre o desempenho do próximo mês. Para outubro, 52% esperam uma performance regular nas vendas, enquanto 38% esperam desempenho bom ou muito bom.
São valores parecidos com setembro. No entanto, dos 90% que tinham expectativas de regulares a muito boas para setembro, 72% afirmam que elas foram concretizadas.
“O Termômetro Abramat vem sinalizando uma expectativa de reação do mercado um pouco acima do que vem sendo efetivado a cada mês”, afirmou Franco. “A aposta de uma recuperação mais forte do varejo de material de construção tem explicado esse efeito e sustentado um cenário ainda de otimismo para os próximos meses”.
A associação destaca que sondagem realizada em setembro não captou o resultado eleitoral do primeiro turno.
Revista Ferroviaria - RJ 14/10/2026
A Infra S.A. instituiu duas Comissões Especiais de Licitação para conduzir e julgar os certames destinados à concessão onerosa de terminais logísticos ferroviários da Ferrovia Norte-Sul. A medida foi oficializada nesta terça-feira, 13 de outubro, por meio da Portaria nº 251, assinada pelo diretor-presidente da estatal, Jorge Luiz Macedo Bastos.
Os grupos serão responsáveis pelo processamento das licitações, desde a análise das propostas e dos documentos apresentados pelos interessados até o julgamento dos recursos e o encaminhamento dos processos para homologação. A estrutura foi dividida conforme a natureza das cargas movimentadas nos terminais: granéis sólidos agrícolas e granéis líquidos.
A primeira comissão ficará encarregada dos certames dos terminais de granéis sólidos agrícolas dos Lotes 02 e 03 de Palmeirante/TO TPT01, Edital nº 012/2026 e do Lote 7 de Porto Nacional TPN04, Edital nº 013/2026.
Já a segunda comissão conduzirá as licitações dos terminais de granéis líquidos localizados no Pátio Ferroviário de Porto Nacional/TO, correspondentes ao Lote 15 TPN01, Edital nº 009/2026 -, ao Lote 14 TPN02, Edital nº 010/2026 e ao Lote 12 TPN03, Edital nº 011/2026.
Comissões terão autonomia para conduzir os certames
Entre as atribuições estabelecidas pela portaria estão o recebimento e a análise das propostas, a verificação da documentação de habilitação jurídica, fiscal e econômico-financeira e a avaliação da qualificação técnica das empresas participantes.
Os colegiados também poderão solicitar pareceres às áreas técnicas, realizar diligências, decidir sobre a classificação das propostas e a habilitação das concorrentes, além de processar pedidos de esclarecimento, impugnações e recursos administrativos.
Outra responsabilidade será verificar a regularidade dos documentos de representação e a comprovação do adiantamento de outorga, com o auxílio da B3. Caberá ainda às comissões convocar as empresas mais bem classificadas para apresentar a documentação exigida, respeitando as condições previstas nos editais.
A definição de parâmetros operacionais da etapa de lances também poderá ficar a cargo dos grupos, nos casos expressamente previstos nos instrumentos convocatórios. Isso inclui, quando aplicável, o estabelecimento da variação mínima entre as ofertas.
Embora contem com o apoio da B3 e de setores internos da Infra S.A., as comissões manterão a competência decisória sobre as matérias atribuídas aos colegiados.
Superintendências darão suporte técnico
A portaria também estabelece as responsabilidades dos presidentes das comissões, que deverão organizar e coordenar os trabalhos, acompanhar os prazos com o apoio da Superintendência de Licitações e Contratos (SULIC) e atuar nas questões relacionadas às impugnações, conforme as atribuições previstas nos editais e nas normas aplicáveis.
A presidência, entretanto, não substituirá a atuação colegiada no julgamento das matérias de competência das comissões.
Já a Superintendência de Projetos Ferroviários (SUFER) ficará responsável por analisar e fornecer subsídios técnicos relacionados à estruturação dos projetos, incluindo aspectos econômico-financeiros, estudos, metodologias, valores mínimos de outorga e investimentos previstos. A área também deverá esclarecer e fundamentar os parâmetros utilizados na modelagem dos certames.
Leilões estão previstos para dezembro
Conforme o cronograma estabelecido nos editais, os leilões estão previstos para 3 de dezembro, a partir das 14h, na sede da B3, na região central de São Paulo. A entrega das propostas de preço, por sua vez, deverá ocorrer em 26 de novembro, uma semana antes da sessão pública, por meio da plataforma eletrônica da Bolsa.
A expectativa é que a disputa atraia novos participantes interessados na exploração dos terminais logísticos da Ferrovia Norte-Sul. A concorrência poderá resultar em mais de R$ 246 milhões em investimentos privados, ampliando a participação de operadores na infraestrutura ferroviária e logística vinculada à malha.
Veja - SP 14/10/2026
O governo federal colocou em discussão uma mudança nas regras dos portos brasileiros que poderá ampliar as possibilidades de compensação econômica para empresas responsáveis pela exploração de terminais. A proposta permite que contratos de arrendamento sejam estendidos, em determinadas circunstâncias, além do prazo máximo originalmente previsto, abrindo uma alternativa para operadores com investimentos a amortizar ou desequilíbrios econômico-financeiros reconhecidos.
A revisão da Portaria 530, de 2019, foi submetida a consulta pública pelo Ministério de Portos e Aeroportos. Entre os pontos centrais está a retirada do limite administrativo de 25% do prazo original para uma modalidade de extensão contratual destinada à recomposição do equilíbrio econômico-financeiro. A medida não altera os limites estabelecidos na legislação nem autoriza prorrogações automáticas.
Processos envolvendo ADM do Brasil, Terminais de Armazenagens de Cabedelo (TECAB) e Braskem ajudam a dimensionar os interesses econômicos envolvidos nas discussões sobre alterações contratuais, embora não exista indicação de que essas empresas tenham solicitado benefícios especificamente com fundamento na proposta.
No Porto de Santos, a ADM do Brasil discute uma extensão de dez anos do arrendamento de seu terminal de granéis vegetais, atualmente previsto para terminar em 2037. O processo envolve investimentos não previstos originalmente, para os quais a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) reconheceu um desequilíbrio econômico-financeiro de aproximadamente 95,1 milhões de reais, em valores de dezembro de 2016.
A prorrogação até 2047 integra uma proposta de repactuação submetida ao Tribunal de Contas da União (TCU). Em julho, o tribunal determinou a realização de análises e manifestações complementares sobre a legalidade, os cálculos e as condições econômicas do acordo. A extensão pretendida já era discutida sob as regras existentes e não depende, necessariamente, da alteração agora proposta.
Outro caso está no Porto de Cabedelo, na Paraíba. Em abril, a Antaq aprovou um estudo econômico relativo a investimentos de aproximadamente 49,1 milhões de reais planejados pela TECAB para ampliar a capacidade de armazenagem e realizar outras intervenções. A agência concluiu que os aportes não seriam amortizados no prazo ordinário do contrato e reconheceu a possibilidade de extensão de oito anos, nove meses e dezoito dias, levando o término estimado para novembro de 2037.
A decisão da Antaq, contudo, não equivale à formalização da prorrogação. A análise foi encaminhada ao Ministério de Portos e Aeroportos, responsável pelas providências no âmbito do poder concedente.
Na Bahia, a Braskem também possui um processo relacionado à compensação de investimentos portuários. A companhia apresentou um plano de investimentos urgentes em infraestrutura comum do Porto de Aratu-Candeias, mas a Antaq informou, em dezembro de 2025, que não poderia concluir a análise do reequilíbrio sem a apresentação do estudo de viabilidade exigido. O processo foi arquivado administrativamente até a apresentação de fatos novos ou de orientações do ministério.
O caso da Braskem envolve uma modalidade de investimento para a qual a proposta mantém restrições específicas à extensão contratual. A possibilidade de compensação dependeria do cumprimento das exigências regulatórias e não decorre automaticamente da flexibilização em discussão.
Pelo texto colocado em consulta pública, extensões que ultrapassem o prazo máximo originalmente contratado dependerão do reconhecimento de desequilíbrio pela Antaq, da demonstração de que a medida é adequada ao interesse público e da observância dos limites legais. Caberá ao poder concedente escolher a modalidade de recomposição, considerando as alternativas apresentadas pela agência.
A proposta também prevê o encaminhamento ao TCU, para controle prévio, das minutas de aditivos que concedam tempo de exploração superior ao prazo máximo originalmente previsto no contrato.
As mudanças ainda dependem da conclusão da consulta pública e da decisão final do governo. Os casos empresariais identificados demonstram a importância econômica das regras de reequilíbrio, mas não permitem afirmar que as companhias mencionadas serão diretamente beneficiadas pela eventual revisão.
Jornal de Brasília - DF 14/10/2026
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) aumentou a estimativa de crescimento da produção brasileira de combustíveis líquidos para 2026 e 2027. A entidade prevê expansão de 500 mil barris por dia (bpd) em 2026, elevando a média para 4,9 milhões de bpd. Para 2027, a expectativa de crescimento aumentou para 100 mil bpd, com a produção média projetada em 5 milhões de bpd.
Segundo o cartel, a produção brasileira de petróleo bruto aumentou em 116 mil bpd em agosto ante julho, para uma média de 4,6 milhões de bpd. A produção de líquidos de gás natural ficou praticamente estável, em 100 mil bpd, enquanto a de biocombustíveis – principalmente etanol – manteve-se em torno de 700 mil bpd.
Com isso, a produção total de combustíveis líquidos aumentou cerca de 115 mil bpd na margem em agosto, para uma média de 5,4 milhões de bpd – 700 mil bpd superior ao registrado um ano antes Segundo a Opep, os principais motores do crescimento da produção de líquidos este ano devem ser Brasil, EUA, Canadá e Argentina.
Apesar do potencial dos planos de start-ups em áreas offshore do Brasil, o aumento dos custos de desenvolvimento e a inflação dos custos unitários podem apertar as contas dos projetos e levar a atrasos nas decisões finais de investimento, alerta a Opep.
PIB
Na esfera macroeconômica, a entidade manteve as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2,0% em 2026 e 2,2% em 2027. A organização avalia que a expansão deve seguir positiva, sustentada pelo afrouxamento monetário e pela continuidade de uma atividade doméstica robusta.
A Opep, porém, ressalta que as condições monetárias permanecem altamente restritivas em termos reais, o que indica que o efeito positivo sobre a demanda interna deve aparecer “apenas de forma gradual”.
Exame - SP 14/10/2026
A produção de petróleo no Brasil atingiu o volume de 4,615 milhões de barris por dia em agosto. De acordo com dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o volume cresceu 2,6% em relação a julho e avançou 18,4% na comparação com agosto de 2025.
O resultado representa o terceiro recorde mensal consecutivo alcançado pelo País. A marca anterior havia sido registrada em julho, quando a produção chegou a 4,498 milhões de barris por dia.
O desempenho brasileiro tem sido favorecido principalmente pela expansão da atividade nos grandes campos do pré-sal. Entre os principais destaques estão Búzios e Mero, localizados na Bacia de Santos, região que concentra parte importante da produção nacional.
Além do petróleo, o Brasil também registrou crescimento na produção de gás natural. Em agosto, foram produzidos 220,55 milhões de metros cúbicos por dia, alta de 2,6% frente a julho e de 16,8% sobre o mesmo mês do ano anterior.
Petrobras e Shell ampliam produção
A expansão da produção nacional também aparece nos resultados das principais empresas que atuam no setor. Considerando a participação de cada companhia nos consórcios de exploração e produção, a Petrobras produziu 2,76 milhões de barris de petróleo por dia em agosto, aumento de 13,4% em relação a agosto de 2025.
A Shell permaneceu na segunda posição entre as maiores produtoras considerando a parcela dos consorciados. A companhia registrou produção de 403,8 mil barris por dia, crescimento de 1,7% na comparação anual.
Outro destaque foi a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), empresa que representa os interesses da União nos contratos de partilha de produção. A estatal registrou 320,59 mil barris por dia em agosto, mais que o dobro do volume produzido no mesmo mês de 2025, quando foram registrados 150,78 mil barris por dia.
Mercado internacional segue sob pressão
O novo recorde da produção brasileira ocorre em meio à instabilidade no mercado internacional de petróleo, influenciada pelas tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio mundial da commodity, permanece como um dos principais pontos de atenção para o abastecimento global. Os temores de interrupções fizeram o petróleo superar US$ 100 por barril, antes de recuar para a faixa de US$ 70 a US$ 80.
No dia 30 de setembro, o Irã informou ter recebido uma resposta dos Estados Unidos a uma proposta para tentar restabelecer um cessar-fogo no Golfo Pérsico. O plano incluía a retomada de um acordo provisório, a suspensão do bloqueio aos portos iranianos e a reabertura do Estreito de Ormuz em até sete dias. Na semana anterior, mediadores do Catar haviam realizado contatos indiretos entre representantes dos dois países durante uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU).
Apesar de haver entendimento sobre parte das medidas necessárias para uma possível trégua, ainda existem divergências sobre a ordem de implementação das ações. A evolução das negociações e a situação do Estreito de Ormuz seguem como fatores importantes para os preços do petróleo, enquanto o Brasil mantém sua trajetória de crescimento na produção, impulsionada principalmente pelo pré-sal.
Money Times - SP 14/10/2026
Os preços do petróleo sobem nesta quarta-feira (14), depois que duas embarcações foram atingidas no Estreito de Ormuz e autoridades iranianas disseram à Reuters que estavam empregando novas táticas para atacar navios, enquanto Teerã busca manter os preços do petróleo elevados e influenciar as eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiam 64 centavos, ou 0,61%, para US$ 106,30 por barril, às 4h51 (horário de Brasília), enquanto os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, avançavam 48 centavos, ou 0,51%, para US$ 94,62 por barril. Ambos os contratos haviam subido mais de US$ 1 no início das negociações.
As autoridades iranianas se recusaram a fornecer detalhes sobre a nova estratégia, mas uma delas afirmou que o Irã havia começado a utilizar diferentes táticas ofensivas contra embarcações que considerava estar violando suas restrições cerca de dez dias antes, acrescentando que isso havia provocado um aumento nos ataques contra esses navios.
Um navio porta-contêineres e um petroleiro foram atingidos por projéteis de origem desconhecida no Estreito de Ormuz, informou nesta terça-feira (13) a UK Maritime Trade Operations, organização britânica responsável pelo monitoramento do tráfego marítimo.
“O fato de autoridades iranianas admitirem abertamente estar prejudicando os esforços dos Estados Unidos para manter os preços do petróleo sob controle diz muito sobre as verdadeiras intenções por trás das chamadas ‘negociações de paz’”, afirmou Priyanka Sachdeva, chefe de análise de mercado da Phillip Nova.
“O Irã está plenamente consciente de sua importância geográfica e dos estragos que preços mais elevados do petróleo podem causar à economia global, e pode não hesitar em usar essa vantagem como instrumento de pressão.”
Em outra frente, os houthis, aliados do Irã, atacaram um edifício administrativo pertencente à Saudi Aramco, empresa petrolífera estatal, na cidade de Dhahran, provocando um incêndio de proporções limitadas, informou hoje o Ministério da Energia da Arábia Saudita.
Na última semana, o grupo lançou mísseis balísticos e drones contra a Arábia Saudita, em retaliação ao apoio do reino às forças do governo iemenita. O aeroporto internacional de Riad foi atingido quatro vezes, com um ataque no sábado matando 13 pessoas.
“A preocupação com o abastecimento, decorrente do conflito entre os houthis e a Arábia Saudita, está impulsionando os preços para cima”, afirmou Hiroyuki Kikukawa, estrategista-chefe da Nissan Securities Investment, uma unidade da Nissan Securities.
“No entanto, a expectativa de que o aumento das exportações russas de diesel alivie o aperto no mercado provavelmente limitará movimentos bruscos dos preços em qualquer direção”, disse Kikukawa, projetando que o WTI será negociado entre US$ 90 e US$ 100 por barril.
No mês passado, a Arábia Saudita elevou sua produção de petróleo, apesar das interrupções nos embarques provocadas pela guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Isso levou a um forte aumento da produção da Opep+, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus parceiros, incluindo a Rússia.
Na Rússia, o governo afirmou ontem que não via nenhuma relação direta entre as negociações de paz com a Ucrânia e seu acordo para exportar diesel para os Estados Unidos.
A declaração foi feita depois que a Reuters noticiou que representantes dos Estados Unidos haviam informado a autoridades ucranianas, na sexta-feira, que o acordo fazia parte de uma tentativa de levar a Rússia de volta às negociações para um acordo de paz.
Petro Notícias - SP 14/10/2026
A Engeman acaba de abrir uma nova frente de negócios ao criar a Engelink, uma empresa focada na entrega de equipamentos e soluções para a indústria de energia. A nova companhia do grupo reúne, em um único portfólio, itens que vão de plataformas elevatórias e geradores a robôs autônomos e sistemas de inspeção e limpeza. Com base inicial em Macaé (RJ), o novo negócio também oferecerá treinamentos especializados e pretende incorporar tecnologias internacionais voltadas ao aumento da produtividade e à segurança dos trabalhadores. Em entrevista ao Petronotícias, o superintendente de Negócios da Engeman, André Rocha, detalha a estratégia de lançamento da empresa, os planos de expansão nacional e as perspectivas de introdução de equipamentos com automação e inteligência artificial no mercado brasileiro.
Como surgiu a ideia de fundar a Engelink e qual é o objetivo desse novo negócio da Engeman?
A Engelink nasceu a partir da nossa experiência de mercado e da observação de que faltavam soluções mais ágeis e alinhadas às demandas dos clientes. A Engeman é uma empresa com quase 45 anos de atuação no mercado industrial. Ao longo desse período, percebemos que, embora existam empresas especializadas em venda e locação de produtos e equipamentos para a indústria, o cliente muitas vezes precisa firmar três, quatro ou cinco contratos com fornecedores diferentes para ter a variedade de equipamentos exigida no dia a dia. A espinha dorsal da Engelink é justamente compactar toda essa gama de soluções em um único portfólio, disponibilizando em nosso inventário, à pronta-entrega, desde máquinas de acesso para trabalho em altura até geradores de energia e equipamentos de limpeza.
Agregado a isso, nos últimos dois anos a Engeman vem olhando atentamente para o mercado internacional e para empresas multinacionais no fornecimento desse tipo de maquinário industrial. Estamos buscando novas tecnologias, tendências e o que chamamos de “estado da arte” para o setor, como equipamentos autônomos, robotizados e com inteligência artificial embarcada.
Quando a empresa pretende trazer esses equipamentos para o mercado brasileiro?
Desenvolvemos parcerias estratégicas nos principais mercados mundiais — Estados Unidos, China e Europa — e já estamos trazendo essas novidades para o Brasil. A expectativa é iniciar esse fornecimento ao mercado no quarto trimestre, seja pelo modelo de locação ou de revenda. O objetivo é oferecer maior tecnologia voltada à produtividade e qualidade do serviço, reduzindo a exposição do trabalhador ao risco, seja em espaços confinados, trabalhos em altura ou ambientes expostos a chamas e calor extremo. Essa é a visão da Engeman e a nossa estratégia de planejamento já visando a 2027.
A partir de agora, com a empresa estabelecida, como será a busca por clientes e qual o foco de atuação neste primeiro momento?
Base da Engeman em Macaé
A empresa já está estabelecida e, inicialmente, nossa base será em Macaé, no Polo de Cabiúnas, próxima à estrutura existente da Engeman. Já realizamos o estudo de mercado inicial e mantemos contato com indústrias dos setores onshore e offshore, incluindo a área de exploração de óleo e gás, além de segmentos como papel e celulose e siderurgia, para entender quais são os seus desafios e necessidades em parcerias estratégicas. Iniciaremos o atendimento pelo polo de Macaé e pela região do Rio de Janeiro, mas a expectativa é expandir esses produtos para outros estados em nível nacional.
Sobre os equipamentos, poderia destacar as principais famílias de produtos que farão parte do portfólio de vocês?
Estamos trazendo diversas famílias de equipamentos. Para acesso e trabalho em altura, teremos plataformas elevatórias articuladas e do tipo tesoura. Na parte de geração de energia e utilidades, traremos compressores pneumáticos, geradores de energia elétrica e modelos de bombas utilizadas na limpeza de plataformas de exploração de petróleo.
Na linha de tecnologia e automação, estamos trazendo robôs autônomos para indústrias onshore com grandes áreas verdes: trata-se de um robô cortador de grama totalmente autônomo, em que você mapeia a área, faz a programação e ele sai da base, executa a manutenção e retorna para recarregar sem qualquer necessidade de intervenção humana após a configuração.
Também estamos trazendo um robô de inspeção e limpeza de dutos, equipado com câmeras embarcadas, escovas de limpeza interna e sistema de aspiração de resíduos e poeira, atendendo às exigências de normas como as da ANVISA e evitando a exposição do operador ao risco. Além disso, contaremos com uma ampla gama de contêineres muito utilizados na indústria de óleo e gás, seja para transporte de materiais entre a terra e as plataformas ou para uso como almoxarifado embarcado, incluindo modelos já equipados com infraestrutura elétrica e mobiliário.
Vocês já estão em negociação para a entrega desses equipamentos ou em qual fase está essa operacionalização?
Nós já efetuamos a primeira compra com base no plano de negócios e no mapeamento inicial de mercado. Já iniciamos a mobilização dos primeiros ativos para compor o inventário inicial e a expectativa é começar a atender o mercado. A expectativa é que antes de novembro ou dezembro começaremos a iniciar as próximas compras, à medida que as demandas forem surgindo e o negócio for criando forma. A nossa estratégia é manter equipamentos sempre à pronta-entrega para suprir a demanda dos clientes quase de imediato, trabalhando com um almoxarifado e um estoque de ativos estruturados de forma a manter uma alta taxa de ocupação, sem ativos ociosos, e atendendo o mercado no menor tempo possível.
Além do fornecimento de equipamentos, existe outro foco de atuação a partir da criação da nova empresa?
Um ponto importante que vale destacar é que, juntamente com o fornecimento de equipamentos, a Engelink conta com um centro de treinamento especializado em sua estrutura, totalmente preparado para atender às normas e exigências contratuais. Antes voltado apenas para a capacitação interna dos quase 6 mil profissionais da Engeman, esse centro de treinamento agora está sendo migrado para a nova base em Cabiúnas e será aberto ao mercado por meio da Engelink.
A estrutura contará, inclusive, com uma plataforma de e-commerce, permitindo que os treinamentos EAD sejam adquiridos e realizados em qualquer local do Brasil ou do mundo, enquanto os treinamentos presenciais ocorrerão inicialmente em Macaé. Nosso foco inicial de atuação são as indústrias onshore e de óleo e gás de Macaé e do Estado do Rio de Janeiro, mas com a expectativa de, em poucos meses, atender a grandes polos como São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e o Nordeste de modo geral.
Agência Brasil - DF 14/10/2026
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia impulsionou em 30,7% as exportações brasileiras para o bloco europeu entre maio e setembro de deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. O dado foi divulgado nesta terça-feira (13) pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante evento em Brasília. Além deste dado, o Brasil abriu 700 mercados internacionais para produtos agropecuários desde 2023.
No acumulado de janeiro a setembro, as exportações brasileiras para a UE somaram US$ 44,17 bilhões, um crescimento de 20% em relação aos nove primeiros meses de 2025.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também destacou os resultados do acordo e confirmou que o comércio bilateral entre os países do Mercosul e da União Europeia aumentou mais de US$ 6 bilhões desde a aprovação e a entrada em vigor do tratado.
“As exportações brasileiras tiveram uma alta de 10,4% em 2026. Só o acordo Mercosul-União Europeia, de maio até agora, significou uma expansão de 30% das nossas exportações”, declarou Vieira.
O acordo entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio, após quase 27 anos de negociações entre os dois blocos.
Expansão
Durante o evento, Elias Rosa afirmou que o crescimento das exportações brasileiras não se restringe ao agronegócio. Segundo o ministro, o comércio exterior do país avançou, em média, 10,5%, em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e pelo aumento de barreiras comerciais.
O ministro também destacou a ampliação das relações comerciais do Brasil com diferentes mercados e atribuiu os resultados à capacidade de expansão das empresas nacionais e à atuação do governo na promoção do comércio exterior.
“É a pungência do setor privado e a capacidade do setor privado de expandir, sobretudo no agro. A missão número um da nova industrialização do Brasil envolve justamente a agroindústria”, afirmou.
Ao comentar as relações com os Estados Unidos, Elias Rosa classificou o momento como “delicado”, mas defendeu a continuidade das negociações diplomáticas.
“Mas não sairemos do diálogo da negociação”, disse.
Novos mercados
O anúncio dos resultados comerciais ocorreu durante cerimônia no Ministério da Agricultura e Pecuária que celebrou a abertura de 700 novos mercados internacionais para produtos agropecuários brasileiros desde o início de 2023.
As aberturas ocorreram em 99 destinos, entre países e blocos econômicos, após autorizações sanitárias para a entrada de produtos brasileiros.
O ministro da Agricultura, André de Paula, comparou o resultado ao registrado na gestão anterior.
“Foram 700 aberturas de mercado contra 241 do governo anterior”, afirmou.
De Paula também destacou o desempenho do agronegócio e as perspectivas para a produção nacional.
“Planejamos chegar a 29% do PIB agropecuário neste ano. A safra 2026/27 deve ter 366 milhões de toneladas”, acrescentou.
Meta
Segundo estimativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o país exportou US$ 5,8 bilhões para os novos mercados abertos desde 2023. A projeção da agência é que as vendas para esses destinos alcancem US$ 80 bilhões nos próximos quatro anos.
André de Paula também afirmou que o Brasil pretende encerrar o ano como o maior exportador mundial de alimentos.
“Exportamos US$ 169 bilhões no acumulado do ano, US$ 2 bilhões abaixo dos Estados Unidos, mas terminaremos o ano como maior exportador de alimentos”, declarou.
O ministro ainda ressaltou os investimentos do governo federal no financiamento da produção rural, incluindo recursos destinados à agricultura empresarial e familiar por meio do Plano Safra.
“Este governo investiu mais de R$ 610 bilhões no Plano Safra atual para agricultura empresarial e familiar. Nos quatro anos de governo Lula, foram investidos mais de R$ 1 trilhão. Isso dá conta da importância que conferimos ao agro brasileiro”, afirmou.
De Paula citou ainda a autorização concedida pela China para a exportação brasileira de miúdos suínos e manifestou expectativa de novas aberturas de mercado para produtos agropecuários nacionais.
O Estado de S.Paulo - SP 14/10/2026
O agronegócio brasileiro é uma história de sucesso. Em 2025, respondeu por quase metade das exportações nacionais, com vendas de US$ 169,2 bilhões ao exterior. Ano após ano, o setor dá uma contribuição decisiva à economia, alcança novos recordes de produção e faz do Brasil uma potência mundial no setor. Mas é possível ir além.
O Brasil produz com eficiência dentro da maioria de suas fazendas, mas perde parte dessa vantagem quando precisa levar a safra aos mercados externos e internos. A precariedade das estradas e portos encarece o transporte, enquanto a falta de armazéns obriga muitos produtores a escoar a safra em condições desfavoráveis. É um velho problema que atravessa governos sem solução à altura. Um exemplo é a Ferrogrão, projetada há mais de uma década para ligar a produção agrícola do Centro-Oeste aos portos do Norte, que ainda não saiu do papel. A ferrovia poderia reduzir os custos de transporte, hoje muito dependente das rodovias, e diminuir as emissões de poluentes.
O Estado tem responsabilidade nisso. Um setor exposto às intempéries, às oscilações das safras e a uma concorrência internacional acirrada precisa de condições adequadas de financiamento e de instrumentos para administrar seus riscos. Boas linhas de crédito e seguro rural são necessárias. E convém lembrar que o Brasil está entre os países que menos subsidiam seus produtores, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Não seria razoável exigir que o agricultor brasileiro competisse em condições desiguais com produtores de países que recebem apoio público muito mais generoso.
Aliás, o sucesso do campo brasileiro é uma demonstração do que o poder público pode fazer quando acerta a mão. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) é talvez o melhor exemplo. Em grande medida, foi graças à ciência desenvolvida pela Embrapa que o Cerrado se transformou numa das principais regiões produtoras do planeta. Hoje, no entanto, a empresa enfrenta restrições de recursos. Para este ano, dispõe de R$ 371,5 milhões para pesquisa e manutenção, ante os R$ 500 milhões considerados necessários pelo próprio órgão. É um contrassenso que uma instituição tão importante para a economia nacional tenha de lutar por verbas para manter suas pesquisas.
O agro que queremos também precisa ser reconhecido internacionalmente por suas boas práticas ambientais. Há quem ainda insista em avançar sobre a vegetação nativa como se a devastação fosse requisito para produzir. Infratores precisam ser punidos com rigor pelo poder público. Além dos danos que causam ao meio ambiente, oferecem um pretexto conveniente para que concorrentes estrangeiros reivindiquem barreiras contra os produtos brasileiros. Não é admissível que a motosserra de alguns comprometa o trabalho de tantos. O mesmo vale para os que ainda submetem trabalhadores a condições análogas à escravidão.
Também não basta produzir mais do mesmo. O Brasil precisa aproveitar melhor o que sai de suas fazendas, aproximando o campo da indústria e agregando valor aos produtos que exporta. Há espaço para avançar na produção de alimentos processados, bioinsumos e biocombustíveis, área em que o País já tem posição importante.
O setor dispõe, aliás, de uma das bancadas mais poderosas e atuantes do Congresso. Não lhe falta capacidade de articulação para defender seus interesses e obter atenção do poder público. Seria bom que parte dessa força fosse empregada na construção de políticas duradouras, no fortalecimento da pesquisa e na solução dos problemas de infraestrutura que há décadas prejudicam a produção. Flexibilizar regras ambientais pode até render dividendos políticos imediatos, mas dificilmente ajudará o agro brasileiro a conquistar novos mercados.
O agro que queremos é mais moderno, mais atento ao meio ambiente e às exigências dos consumidores, sem perder a capacidade de competir com os melhores do mundo.
