Globo Online - RJ 12/08/2026
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) obteve apoio suficiente dos detentores de seus títulos para levar adiante uma troca de dívida, conseguindo um novo alívio financeiro enquanto enfrenta dificuldades para lidar com os elevados custos de financiamento.
Os detentores de títulos ofereceram cerca de US$ 1 bilhão em papéis em uma operação de troca de dívida realizada pela subsidiária CSN Inova Ventures, segundo documento divulgado nesta terça-feira. O montante representa 77,49% de dívida da CSN Inova, com vencimento em 2028, percentual acima do mínimo de 70% exigido para a realização da troca. O juro desses títulos é de 6,75%.
A CSN vem sofrendo pressão devido aos altos custos de financiamento e de capital. Suas ações acumulam queda de quase 50% neste ano, atingindo o menor nível em mais de uma década depois que a Fitch Ratings rebaixou a classificação de crédito da companhia para “CCC+” e a manteve sob observação para possíveis novos cortes.
— A escolha era entre reestruturar agora e contabilizar uma perda enorme, ou empurrar o problema para frente e ver se as operações melhoram e os planos de monetização de ativos avançam — disse Nicolas Giannone, da Balanz. — Entre reconhecer a perda e manter a esperança, os detentores de títulos escolheram a esperança.
Os investidores deverão receber uma combinação de novos títulos com juros de 11% e vencimento em 2030, além de dinheiro. Os novos títulos serão garantidos pela CSN.
A conclusão da troca está prevista para esta quarta-feira, dia 12 de agosto. A CSN Inova planeja emitir cerca de US$ 698,3 milhões em novos títulos e pagar aproximadamente US$ 255,7 milhões em dinheiro.
A CSN também busca vender ativos, incluindo sua divisão de cimento, para reduzir a dívida e fortalecer seu balanço. A chinesa Huaxin, a brasileira Polimix e um consórcio formado pela brasileira Votorantim e pela italiana Cementir apresentaram ofertas vinculantes pela CSN Cimentos, segundo notícias publicadas na imprensa.
A CSN divulgará os resultados do segundo trimestre nesta quarta-feira. No mês passado, a companhia informou que espera registrar prejuízo líquido de até R$ 1,4 bilhão no primeiro semestre, além de uma dívida maior e um “aumento moderado” da alavancagem em 30 de junho.
Money Times - SP 12/08/2026
O Itaú BBA rebaixou a recomendação para as ações da Gerdau (GGBR4) de outperform para market perform, equivalente a uma mudança de “compra” para “neutro”, apesar de elevar o preço-alvo de R$ 27 para R$ 29 ao fim de 2027. Com os papéis encerrando o último pregão a R$ 25,25, o novo alvo implica potencial de valorização próximo de 15%.
Segundo o banco, a mudança de recomendação não reflete uma piora dos fundamentos da siderúrgica, mas sim uma avaliação de que boa parte da melhora operacional já foi incorporada ao preço das ações.
Desde o fim de março, quando o BBA adotou uma visão mais construtiva para a companhia, os papéis acumulam alta de 33% e superam o desempenho do Ibovespa em mais de 40 pontos percentuais.
Os analistas destacam que elevaram as projeções de EBITDA para 2026 e 2027 em cerca de 4% a 5%, ficando aproximadamente 6% acima do consenso do mercado. Ainda assim, avaliam que a relação entre risco e retorno se tornou menos atrativa após a forte recuperação recente das ações.
“A melhora operacional continua evidente, mas não vemos mais assimetria suficiente para manter uma recomendação mais agressiva”, afirmam os analistas.
América do Norte segue como principal motor
O relatório aponta que as operações na América do Norte continuam sendo o principal vetor de resultados da Gerdau. O banco revisou para cima as estimativas de margem EBITDA da região, apoiado por uma combinação de carteira de pedidos robusta, spreads elevados de metais e maior exposição a segmentos de crescimento, como data centers e energia solar.
De acordo com o Itaú BBA, esses dois mercados representam atualmente cerca de 12% dos embarques da companhia na região, ante participação praticamente inexistente há alguns anos.
Outro diferencial destacado é a posição competitiva da Gerdau no mercado de sucata metálica. O banco avalia que a empresa possui uma vantagem estrutural de custos por não depender de matérias-primas como sucata prime, DRI (ferro-esponja) ou gusa, beneficiando-se da ampla disponibilidade de sucata triturada de menor custo.
Com isso, a instituição elevou sua projeção de margem EBITDA da operação norte-americana para 21% em 2027.
Brasil melhora, mas ainda limita recuperação
No Brasil, o cenário é visto como mais desafiador. Embora o Itaú BBA reconheça avanços operacionais, como a expansão da mineração em Miguel Burnier, complexo de mineração da companhia em Ouro Preto (MG), e a nova linha de bobinas a quente em Ouro Branco, o banco avalia que a demanda doméstica segue moderada e deve limitar uma recuperação mais acelerada dos preços do aço.
Além disso, as medidas antidumping (medida comercial usada para proteger a indústria local contra importações vendidas a preços considerados artificialmente baixos) já implementadas para produtos planos começam a reduzir a pressão das importações, mas os analistas entendem que o consumo aparente de aço ainda permanece fraco.
Mesmo assim, o banco considera que a operação brasileira tende a capturar ganhos de eficiência e mantém uma estimativa de margem EBITDA de 14% para 2027.
Possíveis gatilhos positivos
Apesar da cautela em relação ao potencial de valorização, o Itaú BBA vê fatores que podem melhorar o cenário para a companhia nos próximos trimestres.
Entre eles estão uma decisão favorável para as investigações antidumping envolvendo bobinas laminadas a quente no Brasil, novas medidas de proteção para produtos longos, uma recuperação mais forte dos preços domésticos do aço, uma desvalorização adicional do real e possíveis mudanças nas regras comerciais da USMCA que fortaleçam a indústria siderúrgica norte-americana.
O banco também ressalta que alguns investidores podem continuar enxergando a Gerdau como uma opção defensiva em um ambiente de maior volatilidade global e de enfraquecimento da moeda brasileira.
Diário do Comércio - MG 12/08/2026
A Ternium, acionista controladora da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), replicou no Brasil um modelo de investimento social focado na formação técnica aliada ao ensino médio para jovens de regiões em situação de vulnerabilidade.
A produtora de aço construiu no município do Rio de Janeiro, com aporte próprio de R$ 260 milhões, a Escola Técnica Roberto Rocca, que integra uma rede de ensino de padrão internacional criada pelo Grupo Techint e desenvolvida e mantida por empresas da holding.
Além da unidade carioca, há operações em Campana, na Argentina (instalada em 2013 pela Tenaris), e em Pesquería, no México (aberta em 2016 pela Ternium). Uma quarta escola será implementada em Veracruz, também em solo mexicano, pela Tenaris.
O complexo educacional na capital fluminense tem cerca de dez mil metros quadrados de área construída em um terreno de 160 mil metros quadrados (m²). São 13 salas de aula temáticas, 18 laboratórios com tecnologia e equipamentos de ponta, auditório para aproximadamente 400 pessoas, ginásio poliesportivo, refeitório e projeto arquitetônico italiano exclusivo.
Em funcionamento desde 2025 e inaugurada oficialmente em março deste ano, a escola fica em Santa Cruz, na zona Oeste, próximo da usina da companhia. Trata-se de um bairro extenso e populoso, com comunidades carentes e expostas a conflitos territoriais, distante do centro do Rio e frequentemente reduzido a uma mera área de passagem.
A região foi escolhida para receber o investimento após análise do cenário educacional apontar uma alta taxa de jovens que não estudam e não trabalham, os chamados “nem-nem”. O levantamento identificou um déficit de vagas no ensino médio, o que obriga parte dos adolescentes a se deslocar para longe para estudar ou abandonar os estudos.
Com o objetivo de mudar essa realidade e impulsionar o desenvolvimento local, a Escola Técnica Roberto Rocca oferece o ensino médio integrado ao técnico em eletromecânica ou mecatrônica. A unidade combina a abordagem STEM (sigla em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática) com a aprendizagem baseada em projetos (ABP).
Exclusivo para adolescentes de Santa Cruz, dos bairros vizinhos de Sepetiba e Paciência e do município de Itaguaí, o complexo educacional atende atualmente 384 alunos e, em 2027, quando estiver em plena capacidade, terá 576. “Os jovens estão abraçando a oportunidade porque têm certeza de que, pela educação, vão transformar suas vidas e as de seus familiares”, afirma a presidente do Instituto Ternium, Fernanda Candeias.
Alunos recebem bolsas de estudos de até 100%
Os alunos da Escola Técnica Roberto Rocca – Santa Cruz recebem bolsas de estudo da Ternium de até 100%, percentual que varia conforme o nível socioeconômico familiar, além de café da manhã, almoço, uniforme, material escolar, notebook e passagem para transporte.
Conforme o diretor da escola, Júlio Egreja, a menor taxa de desconto neste ano letivo é de 60%. O custo operacional anual da unidade é de cerca de R$ 30 milhões e a receita com mensalidades cobre menos de 3% desse total. Para empatar as despesas, o valor mensal pago por estudante seria de aproximadamente R$ 5.000.
Os jovens que desejam ingressar na Escola Técnica Roberto Rocca precisam fazer a inscrição on-line e participar de um concorrido processo seletivo. Os pré-requisitos são: residir nas localidades mencionadas anteriormente, estar matriculado no 9º ano do ensino fundamental e ocupar a faixa etária prevista para a série.
Os inscritos passam por uma análise do histórico escolar, da condição socioeconômica e do perfil comportamental a partir dos dados fornecidos. São pré-selecionados 512 interessados para a próxima fase, que consiste em um curso obrigatório, gratuito e presencial, durante três meses, aos sábados, com aulas de língua portuguesa, matemática e atividades avaliativas, servindo, inclusive, de reforço escolar para os candidatos.
A lista final contempla 192 aprovados para o ano letivo. A seleção leva em consideração, por exemplo, a evolução acadêmica dos alunos no curso preparatório e aspectos motivacionais. Há ainda uma etapa de entrevistas com os jovens e seus responsáveis.
Escola prepara alunos para o mercado de trabalho ou ensino superior
A formação dos alunos da Escola Técnica Roberto Rocca no Rio de Janeiro combina 2.400 horas de conteúdo básico e 2.100 horas de conteúdo técnico, em jornada de dez aulas por dia, das 7h40 às 17h20. Os estudantes são preparados tanto para ingressar no mercado de trabalho quanto para prosseguir no ensino superior.
A presidente do Instituto Ternium explica que as áreas de eletromecânica e mecatrônica foram escolhidas para serem opções do curso técnico da unidade porque são as mais requisitadas por indústrias da região. “Estamos em um polo industrial. Temos a Ternium e um distrito industrial grande, o maior do Rio”, ressalta Fernanda Candeias.
Egreja acrescenta que os alunos terão que fazer um estágio obrigatório no último semestre. A prática poderá ser feita tanto em empresas industriais quanto em outros estabelecimentos que tenham equipamentos automatizados, inclusive na própria escola, em um centro de formação profissional voltado para atender colaboradores das indústrias, além da comunidade, com a oferta de cursos de capacitação, como robótica e elétrica.
“Vamos oferecer cursos que dependem da demanda, podendo ser, por exemplo, um curso curto, de 20 horas, ou um longo, de 200 horas, de acordo com a necessidade e o interesse”, pontua o diretor. Segundo ele, as capacitações terão início ainda em 2026.
Também neste ano, o auditório do complexo educacional receberá a comunidade para uma sessão de cinema, conforme Fernanda Candeias. A presidente do Instituto Ternium destaca que o espaço já tem sido utilizado para eventos culturais e práticas esportivas.
Money Times - SP 12/08/2026
O Itaú BBA rebaixou a recomendação para as ações da Usiminas (USIM5) de compra para neutra e reduziu o preço-alvo para o fim de 2027 de R$ 11, para R$ 8,00. Considerando a cotação de R$ 7,14 utilizada pelo banco, o novo preço-alvo ainda implica potencial de valorização de cerca de 12%.
Na avaliação dos analistas, a dinâmica de preços da indústria brasileira de aços planos tem se mostrado mais fraca do que o esperado. Além disso, a recente queda dos preços do minério de ferro e os custos elevados de frete e diesel sustentam uma postura mais conservadora em relação à companhia.
Segundo o relatório, esse cenário deve resultar em uma geração de fluxo de caixa livre (FCF) mais limitada, levando o banco a considerar que as ações da Usiminas estão atualmente negociadas em níveis justos.
O BBA destaca que os preços domésticos das bobinas laminadas a quente acumulam alta de 10% em 2026, impulsionados pela melhora do sentimento do mercado após a adoção de medidas antidumping contra importações de aço da China.
No entanto, a expectativa agora é de estabilidade dos preços nos próximos trimestres, diante do elevado volume de estoques de aço importado e da concorrência de produtos estrangeiros intensivos em aço, como máquinas, veículos e equipamentos.
Com isso, o banco revisou suas projeções para a companhia. A estimativa de Ebitda para 2026 foi reduzida de R$ 3 bilhões para R$ 2,7 bilhões. Para 2027, a projeção caiu de R$ 3,6 bilhões para R$ 2,8 bilhões, o que representa uma redução de aproximadamente 22%.
Vale lembrar que no segundo trimestre de 2026, a Usiminas registrou lucro líquido de R$ 428 milhões, um salto de 236% na comparação com o mesmo período do ano passado e uma contração de 52% ante o primeiro trimestre.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da companhia totalizou R$ 761 milhões no período, um avanço de 86% na comparação com o mesmo período em 2025.
A margem Ebitda ajustada avançou 6,2 pontos percentuais, chegando a 12% no segundo trimestre deste ano. Já a receita líquida recuou 7% na comparação anual, para R$ 6,13 bilhões no período de abril a junho.
Apesar da visão mais cautelosa, o Itaú BBA aponta possíveis gatilhos para uma valorização acima do esperado. Entre eles estão um fortalecimento inesperado dos preços do aço, a adoção de novas medidas antidumping sobre bobinas laminadas a quente e uma redução dos custos de produção da Usiminas.
CNN Brasil - SP 12/08/2026
A ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada nesta terça-feira (11), não trouxe surpresas significativas em relação ao comunicado publicado na semana anterior. A avaliação é de Flávio Serrano, que destacou que a mensagem do documento seguiu a mesma linha já esperada pelo mercado.
Segundo Serrano, o Banco Central deixou a porta aberta tanto para interromper quanto para continuar o ciclo de ajuste da taxa de juros, a depender da evolução do cenário econômico.
Questionado sobre se a taxa básica de juros de 14% ao ano seria excessiva, Serrano ponderou que não há espaço para uma sinalização mais clara de cortes neste momento.
Para ele, a demanda doméstica segue aquecida mesmo diante da desaceleração da economia, e o IPCA apresenta uma "trajetória de acomodação muito limitada". "A gente tem que se perguntar ao contrário: por que com juros tão altos a inflação não cai? Por que com juros tão altos a economia não está desacelerando tanto?", questionou.
Serrano apontou ainda que o crescimento do PIB segue entre 2% e 2,5%, nível próximo ao observado anteriormente, o que indica que a política monetária restritiva convive com estímulos fiscais e parafiscais que sustentam a atividade.
"O BC está com juros altos, mas o governo tem gastado e impulsionado a economia com medidas fiscais e parafiscais. Esse balanço é complicado", avaliou.
Estrutura econômica dificulta desinflação
O economista explicou que a dinâmica inflacionária brasileira é estruturalmente mais complexa do que a de outros países, o que reduz a eficácia da política monetária em alguns canais.
Entre os fatores citados estão a presença de crédito direcionado com taxas subsidiadas, a forte indexação de preços e salários à inflação passada, e o impacto de choques sobre as expectativas dos agentes econômicos.
"No geral, a própria estrutura econômica nossa, muito indexada, também atrapalha um pouco esse processo", disse Serrano.
Sobre os preços administrados, o economista ressaltou que eles praticamente não sofrem influência da política monetária, sendo determinados por premissas como os preços de energia e petróleo.
Já os preços livres, que respondem à política monetária, apontam para uma inflação mais próxima de 3% no modelo do Banco Central. No entanto, Serrano lembrou que as projeções de mercado para o horizonte relevante indicam inflação entre 4,20% e 4,30%, refletindo uma leitura mais pessimista.
"O que a gente tem que considerar sempre em decisão de política monetária não é só o número, mas o balanço de riscos", concluiu.
Monitor Digital - RJ 12/08/2026
As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, uma queda de 12,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas ao mercado norte-americano e levou as exportações brasileiras aos Estados Unidos ao menor nível dos últimos três anos. Os dados são da nova edição do Monitor do Comércio Brasil – Estados Unidos, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados de julho do Comexstat.
O levantamento mostra que a retração é ainda mais acentuada entre os produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas (hoje entre 25% e 37,5% e antes em até 50%). No acumulado do ano, as exportações desses itens recuaram 31,5%, passando de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões, queda de US$ 1,4 bilhão.
“Os números mostram uma importante perda de dinamismo no comércio bilateral, com impacto mais intenso sobre os produtos sujeitos às tarifas mais elevadas. Enquanto persistir o atual cenário tarifário, a tendência é que as trocas entre os dois países continuem perdendo força, com prejuízos para ambas as economias”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Analisando apenas julho, as exportações brasileiras aos Estados Unidos somaram US$ 3,6 bilhões, queda de 5% frente ao mesmo mês de 2025. O resultado interrompe a recuperação observada em junho, quando as vendas haviam registrado o primeiro crescimento desde agosto do ano passado, momento em que as tarifas mais elevadas foram aplicadas.
Assim como no acumulado do ano, entre os bens submetidos às sobretaxas mais elevadas (atualmente entre 25% e 37,5%), a retração foi mais forte no mês: 25,7%. Já os produtos alcançados pela Seção 232 tiveram crescimento de 21,5%, impulsionado principalmente pelas exportações de produtos de aço e alumínio.
Entre os principais produtos com quedas mais elevadas no acumulado do ano – e sujeitas às sobretaxas mais elevadas – estão: sebo de bovinos, madeiras compensadas, portas, fumo, madeira de coníferas, granitos, torneiras e sucos de frutas. Além desses, produtos sujeitos à Seção 232 com semimanufaturas de ferro e aço seguem em queda.
Do lado das importações, julho marcou uma mudança de trajetória. Depois de sete meses consecutivos de retração, as compras brasileiras de produtos norte-americanos cresceram, ainda que de maneira tímida (em 0,6%), alcançando US$ 4,3 bilhões.
Com exportações em queda e importações praticamente estáveis no mês, o Brasil registrou déficit de US$ 639 milhões no comércio com os Estados Unidos em julho. No acumulado de janeiro a julho, o déficit brasileiro chegou a US$ 2,3 bilhões, alta de 122,3% em relação ao mesmo período de 2025.
O Monitor também mostra uma diferença relevante entre o desempenho das vendas brasileiras aos Estados Unidos e para os demais mercados.
Enquanto as exportações aos Estados Unidos recuaram 12,2%, as exportações totais do Brasil ao mundo cresceram 10,5% entre janeiro e julho. Apesar da queda, os Estados Unidos permanecem como o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China.
Entre os dez principais produtos exportados aos Estados Unidos no acumulado do ano, quatro apresentaram retração no mercado norte-americano ao mesmo tempo em que avançaram nas vendas para o restante do mundo. É o caso de óleos brutos de petróleo (-25,5% para os Estados Unidos), semimanufaturados de ferro ou aço (-11,1%), ferro-gusa (-7,9%) e celulose (-5,3%).
Entre os principais produtos sobretaxados, o movimento também chama atenção: cinco dos dez itens mais exportados aos Estados Unidos registraram queda no acumulado do ano, enquanto todos esses produtos apresentaram crescimento nas vendas para o restante do mundo.
Principais números | Janeiro a julho de 2026
– Exportações Brasil > Estados Unidos: US$ 21,0 bilhões | -12,2%
– Importações Estados Unidos> Brasil: US$ 23,2 bilhões | -10,4%
– Déficit brasileiro: US$ 2,3 bilhões | +122,3%
– Bens sem sobretaxa: US$ 11,1 bilhões | -9,7%
– Bens com sobretaxa: US$ 9,8 bilhões | -14,4%
– Produtos sujeitos a sobretaxas de 25% a 37,5%: US$ 3,2 bilhões | -31,5%
As análises do Monitor consideram a estrutura tarifária vigente após as medidas que entraram em vigor em 22 e 24 de julho, relacionadas às investigações da Seção 301 sobre o Brasil e sobre trabalho forçado, além das sobretaxas aplicadas no âmbito da Seção 232.
Monitor Digital - RJ 12/08/2026
Os EUA responderam, nesta segunda-feira, à manifestação do Brasil junto à Organização Mundial de Comércio (OMC) sobre as tarifas extras impostas por eles a produtos brasileiros.
Na resposta, o país se disse pronto para conversar e atender ao pedido de consultas feito pelo governo brasileiro.
“Os EUA aceitam o pedido do Brasil para participar das consultas. Estamos prontos para dialogar com as autoridades da sua missão em uma data mutuamente conveniente para consultas”, respondeu o governo norte-americano.
O Brasil apresentou seus argumentos como um pedido de consultas aos EUA no sistema de solução de controvérsias da OMC. O documento expõe o cenário, inclusive com as alegações dos EUA de serem tratados de forma discriminatória pelo Brasil.
O pedido de consultas representa a primeira etapa formal do sistema de solução de controvérsias da OMC. Nessa fase, os países buscam negociar uma solução para o conflito antes da eventual instalação de um painel para analisar o caso.
O Brasil se manifestou junto à OMC no dia 27 de julho e argumentou que as tarifas aplicadas pelos EUA são “inconsistentes” com as regras definidas pela entidade.
“As medidas em questão [tomadas pelos EUA] parecem ser inconsistentes com as obrigações dos EUA sob o Acordo Geral de Tarifas e Comércio 1994”, afirmou o Brasil.
O Acordo Geral de Tarifas e Comércio traz a base normativa para aplicação de tarifas por parte dos membros da OMC.
O Brasil também afirma que é preterido pelos EUA na relação comercial, comparado a outros países da Organização Mundial do Comércio.
Autoridades do governo chinês também se manifestaram no mesmo pedido de consultas feito pelo Brasil e pediram autorização para participar das consultas. A China é o maior parceiro comercial do Brasil.
“China tem um interesse comercial substancial nessas consultas”, disse o documento. A China afirma que os EUA também impuseram “certas medidas” a produtos originados no país.
“Essas medidas afetam todas as exportações da China aos EUA, sujeitas a isenções específicas, e em particular as condições de competição para esses produtos originados na China e vendidos ao mercado americano, como resultado de tarifas adicionais impostas. A China, portanto, solicita respeitosamente que seja permitida sua participação nas consultas nesta disputa”, acrescentou.
Exportações para o país caem 12,2% no ano, aponta Amcham
As exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, uma queda de 12,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O recuo representa cerca de US$ 2,9 bilhões a menos em vendas ao mercado norte-americano e levou as exportações brasileiras aos EUA ao menor nível dos últimos três anos. Os dados são da nova edição do Monitor do Comércio Brasil – EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados de julho do Comexstat.
O levantamento mostra que a retração é ainda mais acentuada entre os produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas (hoje entre 25% e 37,5% e antes em até 50%). No acumulado do ano, as exportações desses itens recuaram 31,5%, passando de US$ 4,6 bilhões para US$ 3,2 bilhões, queda de US$ 1,4 bilhão.
Analisando apenas o mês de julho, as exportações brasileiras aos EUA somaram US$ 3,6 bilhões, queda de 5% frente ao mesmo mês de 2025. O resultado interrompe a recuperação observada em junho, quando as vendas haviam registrado o primeiro crescimento desde agosto do ano passado, momento em que as tarifas mais elevadas foram aplicadas.
Assim como no acumulado do ano, entre os bens submetidos às sobretaxas mais elevadas (atualmente entre 25% e 37,5%), a retração foi mais forte no mês: 25,7%. Já os produtos alcançados pela Seção 232 tiveram crescimento de 21,5%, impulsionado principalmente pelas exportações de produtos de aço e alumínio.
Globo Online - RJ 12/08/2026
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou nesta terça-feira um plano de ajuda a empresas afetadas pelo tarifaço de 25% dos Estados Unidos imposto a produtos brasileiros. O pilar central do projeto é buscar novos mercados para reduzir a dependência das vendas para o mercado americano.
Estão no foco países como Canadá, México, Alemanha, Turquia, África do Sul, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Cingapura, Índia e China, que são apontados pela entidade como possíveis destinos para diversificar as exportações. A Apex aponta também mercados como Indonésia, Malásia, Tailândia, Vietnã, além de Cazaquistão e Uzbequistão, que apresentam altas taxas de crescimento.
— Queremos diversificar mercados. Temos 36 mercados prioritários nos quais vamos atuar. E como fazemos isso? Levando oportunidades para que essas empresas possam fechar novos negócios e encontrar novos caminhos. É uma ação extraordinária que a agência nunca fez, porque também nunca vivemos um momento tão extraordinário no comércio internacional — disse Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil.
Ele completou:
— O objetivo não é substituir o mercado americano, que é um mercado importante. Mas o foco agora é a diversificação, oferecer apoio e socorro às empresas impactadas para minimizar os riscos — explicou.
A estratégia se divide em duas frentes: a atuação em parceria com as entidades setoriais, que irá promover mais de 300 ações, e a atuação direta, onde a ApexBrasil irá oferecer atendimento direto e individualizado.
Para isso, a Apex vai destinar R$ 210 milhões para ajudar empresas de 35 setores (abrangendo desde o agronegócio até a indústria de transformação, higiene, máquinas e equipamentos) a procurar novos compradores para seus produtos. Os recursos poderão ser usados para despesas com consultorias especializadas, bolsas de exportação, participação em feiras internacionais e reuniões de negócios.
O programa terá duração de 12 meses e pretende atender 5,3 mil das 5,6 mil empresas atingidas pelas novas tarifas anunciadas pelos EUA. Em julho, a Apex tinha anunciado R$ 130 milhões para o programa, mas elevou o valor.
Para participar, os interessados devem se inscrever a partir desta quarta-feira (12), pelo site da ApexBrasil. No cadastro, a empresa deverá informar dados sobre suas exportações e o objetivo do apoio. A análise será individual, e cada caso receberá um auxílio específico.
Segundo a Apex, 72% das empresas atendidas pela Apex que exportam para os EUA já vendem para pelo menos um mercado adicional.
Laudemir Müller afirmou durante o evento de lançamento do programa em São Paulo que agência vai usar sua estrutura comercial e de parceiros para encaminhar as demandas.
Monitor Digital - RJ 12/08/2026
A imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros não deve ser tratada apenas como mais um custo de exportação. Ela altera a equação econômica de operações construídas ao longo de anos e obriga empresas a revisar preços, contratos, cadeias produtivas e, em alguns casos, até o país em que determinadas etapas da produção são realizadas.
O tarifaço não produz o mesmo efeito para todas as empresas brasileiras. O impacto depende do produto exportado, de sua classificação aduaneira, da existência de exceções, da tarifa ordinária já aplicável, da concorrência disponível no mercado americano e da possibilidade de substituição do fornecedor brasileiro.
Por isso, análises genéricas por setor são insuficientes. Duas empresas do mesmo segmento podem enfrentar situações completamente diferentes. Uma pode comercializar um produto com poucos concorrentes internacionais e conseguir repassar parte do aumento. Outra pode vender uma mercadoria facilmente substituível por produtos fabricados no México, no Canadá, na Ásia ou mesmo nos Estados Unidos, perdendo competitividade imediatamente.
A primeira providência empresarial, portanto, não é simplesmente aplicar o percentual da nova tarifa sobre o faturamento exportado. É construir uma análise produto a produto.
Isso exige verificar a classificação aduaneira aplicável nos Estados Unidos, identificar eventuais exceções, compreender quem é o importador formal da operação e simular o efeito da tarifa sobre o preço final. Também é necessário comparar o produto brasileiro com seus concorrentes e avaliar quanto da margem pode ser absorvido sem tornar a operação economicamente inviável.
Embora a tarifa seja formalmente recolhida pelo importador americano, isso não significa que seu custo econômico permanecerá integralmente nos Estados Unidos. O importador poderá exigir descontos, reduzir pedidos, renegociar contratos ou procurar fornecedores de outros países.
É nesse momento que o tarifaço chega efetivamente à empresa brasileira. Se o importador não aceitar o aumento do preço final, alguém terá de absorver a diferença. Esse custo poderá ser suportado pelo exportador, dividido entre as partes ou repassado ao consumidor americano. Cada alternativa produz consequências distintas sobre margem, volume de vendas e participação de mercado.
A decisão não pode ser tomada apenas pela área comercial. Ela exige a participação conjunta dos departamentos financeiro, tributário, jurídico, logístico e de comércio exterior.
Revisão das operações e diversificação dos mercados
Os contratos internacionais precisam ser revisitados. É necessário verificar os Incoterms utilizados, a responsabilidade pelas despesas aduaneiras, as regras de revisão de preços, os compromissos mínimos de compra, as condições de entrega e os mecanismos de renegociação. Não se deve presumir que uma mudança tarifária autorize automaticamente a alteração unilateral dos preços ou o descumprimento do contrato.
Também será necessário avaliar se a empresa possui margem suficiente para conceder descontos temporários, se a redução do preço pode comprometer indicadores financeiros e se o aumento do prazo de negociação pressionará o capital de giro. Uma operação que continua gerando receita, mas passa a consumir caixa e produzir margem mínima, pode deixar de fazer sentido econômico.
Outro caminho será a diversificação dos mercados de destino. A medida americana tende a acelerar esforços para ampliar vendas à Europa, à América Latina, ao Oriente Médio e à Ásia. Essa alternativa, porém, não ocorre de forma imediata. Novos mercados podem exigir certificações, adaptações de produtos, estruturas de distribuição, registros regulatórios e condições comerciais diferentes.
Há ainda empresas que considerarão transferir etapas produtivas para outros países. Essa estratégia pode ser legítima quando houver produção efetiva, investimentos, empregados, fornecedores e substância econômica no novo local. Não basta, entretanto, enviar o produto a um terceiro país, realizar uma operação superficial e alterar sua documentação.
A simples passagem da mercadoria por outro país, sua reembalagem ou um processamento pouco relevante não necessariamente altera a origem do produto. Dependendo do caso, essa estrutura poderá ser interpretada como tentativa de contornar indevidamente a tarifa.
Assim, operações envolvendo produção no Paraguai, no Uruguai, no México ou em outras jurisdições somente devem ser implementadas após uma análise conjunta das regras de origem, dos processos industriais efetivamente realizados, dos custos logísticos e da tributação aplicável em cada país.
Isso não significa que toda empresa brasileira deva internacionalizar sua produção. Para algumas organizações, a solução poderá estar na revisão do portfólio exportado, no desenvolvimento de produtos com maior valor agregado ou na negociação de contratos de longo prazo com clientes americanos. Para outras, a melhor resposta poderá ser a redução da exposição aos Estados Unidos. Em determinados casos, uma operação produtiva no exterior poderá ser justificável.
Nesse contexto, não existe uma resposta única.
O desafio se torna ainda maior porque essa revisão das operações internacionais ocorre simultaneamente à implantação da reforma tributária brasileira. As duas mudanças não podem ser analisadas em projetos isolados.
Uma empresa que esteja revendo sua cadeia de fornecimento em razão das tarifas americanas precisa considerar como a nova estrutura será tratada pela CBS e pelo IBS. A transferência de etapas produtivas, a contratação de novos fornecedores, a abertura de empresas no exterior e a reorganização dos canais de distribuição afetam créditos tributários, fluxo de caixa, preços e competitividade.
Da mesma forma, uma eventual mudança de país de produção pode criar consequências em matéria de preços de transferência, tributação da renda, regras aduaneiras, contratos entre empresas do mesmo grupo e controle de substância econômica. Uma economia tarifária obtida nos Estados Unidos pode ser anulada por custos fiscais, societários ou logísticos criados em outro ponto da operação.
A resposta empresarial ao tarifaço deve, portanto, partir de uma visão integrada. Para cada produto relevante, a companhia precisa compreender o mercado de destino, o impacto da tarifa, a margem disponível, as condições contratuais, a origem aduaneira e os efeitos tributários das alternativas consideradas.
Mais do que reagir a uma medida comercial, trata-se de redesenhar a estratégia de competitividade da empresa.
O tarifaço poderá ser reduzido, ampliado, renegociado ou modificado no futuro. Ainda assim, o movimento atual deixa uma mensagem que não deve ser ignorada: cadeias produtivas dependentes de um único mercado, de um único país ou de uma única estrutura tributária estão mais vulneráveis a decisões políticas externas.
Empresas que limitarem sua reação à concessão emergencial de descontos poderão preservar alguns pedidos no curto prazo, mas continuarão expostas ao mesmo problema. Já aquelas que utilizarem o momento para revisar contratos, margens, mercados e estruturas produtivas estarão mais preparadas para enfrentar não apenas a tarifa atual, mas um ambiente internacional cada vez mais protecionista e instável.
O maior risco não está exclusivamente na tarifa cobrada na entrada do produto nos Estados Unidos. Está em continuar tomando decisões empresariais como se as condições de acesso aos mercados internacionais permanecessem estáveis.
Exame - SP 12/08/2026
O Banco Central indicou nesta terça-feira, 11, que os juros devem permanecer em patamar elevado por mais tempo para assegurar a convergência da inflação à meta. Na ata de sua última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou que as expectativas de inflação desancoradas exigem uma restrição monetária "maior e por mais tempo" do que seria necessária em outras circunstâncias.
Na última quarta-feira, 5, o Copom reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. A decisão marcou a quarta redução da Selic no ano, mas a ata reforça que o movimento não significa uma transição para uma política monetária menos restritiva de forma acelerada.
O principal motivo está nas expectativas de inflação, que permanecem acima da meta nos diferentes horizontes acompanhados pelo BC. Na pesquisa Focus, as projeções estão em 5% para 2026 e 4,2% para 2027. O centro da meta perseguida pelo BC é de 3%.
Segundo a ata, todos os integrantes do Comitê concordaram que a desancoragem das expectativas aumenta o custo necessário para controlar os preços. Para o Copom, esse cenário exige juros mais restritivos e por um período maior do que seria apropriado caso as expectativas estivessem ancoradas.
O BC também argumenta que expectativas persistentemente distantes da meta tornam o processo de desinflação mais custoso para a atividade econômica. Na avaliação do Comitê, "perseverança, firmeza e serenidade" na condução da política monetária podem contribuir para a reancoragem das projeções.
Segundo economistas ouvidos pela EXAME após a decisão na última semana, a expectativa é que ocorra mais um corte na reunião de setembro e a Selic encerre o ano em 13,75%.
Inflação desacelera, mas riscos continuam elevados
Os dados recentes mostram alguma melhora no comportamento dos preços. A inflação cheia desacelerou, embora permaneça acima do limite superior da meta no acumulado em 12 meses. As medidas subjacentes, que ajudam a identificar a tendência da inflação ao reduzir o peso de componentes mais voláteis, também perderam força.
No cenário de referência do Copom, a inflação deve atingir 5,1% em 2026, recuar para 3,8% em 2027 e chegar a 3,2% no primeiro trimestre de 2028. Apesar da trajetória de queda, o BC considera que os riscos para a inflação continuam acima do normal e apresentam assimetria para cima.
Mesmo com a desaceleração recente dos preços, o Comitê avalia que os riscos para a inflação continuam mais elevados que o usual e apresentam assimetria para cima.
Entre os riscos citados pelo BC estão uma desancoragem mais prolongada das expectativas, maior resistência da inflação de serviços, uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada e estímulos à demanda capazes de manter a economia acima de seu potencial.
No sentido contrário, uma desaceleração mais intensa da economia brasileira, uma perda de ritmo mais pronunciada da atividade global e a redução dos preços das commodities, matérias-primas negociadas internacionalmente, poderiam contribuir para uma inflação menor.
Atividade perde força, mas mercado de trabalho segue aquecido
A ata também aponta que os efeitos dos juros elevados começaram a aparecer com maior intensidade na atividade econômica. Segundo o Copom, indicadores recentes mostram desaceleração na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026, disseminada entre componentes da oferta e da demanda.
O arrefecimento da demanda é considerado pelo BC uma etapa necessária para reequilibrar a economia e favorecer a convergência da inflação à meta. O Comitê ressalta, porém, que períodos de mudança no ciclo econômico costumam apresentar sinais divergentes entre os indicadores.
O mercado de trabalho continua como ponto de atenção. A taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos, enquanto o crescimento da ocupação perdeu força. Os rendimentos também desaceleraram na margem, mas ainda avançam em termos reais acima da produtividade do trabalho.
Copom volta a alertar para política fiscal
A condução das contas públicas voltou a aparecer entre as preocupações do Comitê. Segundo a ata, a política fiscal pode afetar a inflação no curto prazo por meio da demanda e, em uma dimensão mais estrutural, alterar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida pública e o prêmio de risco exigido pelos investidores.
O Copom voltou a afirmar que menor esforço em reformas estruturais e disciplina fiscal, aumento do crédito direcionado e incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra, nível de juros que, em tese, não estimula nem contrai a atividade econômica.
Segundo o Comitê, uma taxa de juros neutra mais elevada reduz a potência da política monetária e aumenta o custo do processo de desinflação sobre a atividade.
No cenário internacional, o BC destacou as incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio e pelas dúvidas sobre a política econômica dos Estados Unidos. Para o Copom, esse ambiente pode elevar a volatilidade dos preços de ativos e das commodities e exige cautela adicional das economias emergentes.
O Estado de S.Paulo - SP 12/08/2026
O UBS BB reforçou recomendação neutra para Vale (VALE3) e elevou o preço-alvo em 12 meses de US$ 16 para US$ 16,50, mas disse seguir cauteloso com a ação mesmo após a fraqueza recente. Segundo o relatório, a tese passou a depender menos do minério de ferro e mais de fluxos para emergentes/metais, que perderam força após o início do conflito no Irã. O banco diz ainda que fundamentos do minério pioraram e o valuation (valor do ativo) não oferece um colchão claro.
De acordo com os analistas Caio Greiner, Myles Allsop e Arthur Biscuola, a correlação da Vale com o minério de ferro se rompeu e o papel passou a se comportar mais como uma aposta macro em materiais. Antes do conflito, a ação teria sido beneficiada por fluxos ligados à rotação para ativos reais, com expectativa de dólar mais fraco e cortes de juros nos EUA.
O banco afirma que parte dessas variáveis vem sendo questionada, com petróleo disparando e aumento do risco de destruição de demanda, o que reduziria a probabilidade de retomada dos fluxos para metais e emergentes no curto prazo. O relatório acrescenta que a correlação com cobre ficou mais forte do que com minério, mas o UBS diz preferir exposição ao metal via ações mais puras.
No minério de ferro, o UBS BB avalia um cenário mais duro, com preços ao redor de US$ 95 por tonelada, pressionados por crescimento de oferta - especialmente Austrália e Guiné -, superior à demanda da China. Com fretes ainda elevados, o banco observa que os preços FOB (Free On Board) também vêm enfraquecendo. Para o UBS, esse quadro tende a ser um vento contrário para a Vale.
Sobre o valuation (valor do ativo), o UBS diz ver pouco suporte: o rendimento de fluxo de caixa livre à vista é de cerca de 7% e a ação negocia a 5,0 a 5,5 vezes a relação do valor da empresa sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), patamar que, segundo o relatório, não é especialmente barato frente à Rio Tinto (RIOT34).
O UBS reconhece que a base metálica (VBM) é uma das histórias mais atraentes de virada e crescimento em cobre, mas pondera que o perfil de longo prazo do projeto pode dificultar que o mercado precifique esse valor no curto prazo, sobretudo em um ambiente de minério pressionado. Por isso, o banco mantém a preferência por nomes de aço e cobre dentro de sua cobertura.
Valor - SP 12/08/2026
Contrato futuro com vencimento em setembro, o mais negociado, fechou cotado a US$ 106,9
O preço do minério de ferro avançou nesta terça-feira (11) na China, em meio a indícios de possíveis interrupções no fornecimento da commodity.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em alta de 1,26%, cotado a 721,5 yuans (US$ 106,9).
Analistas da consultoria ANZ Research destacam, em relatório, que mais trabalhadores aderiram a uma greve no terminal de exportação de minério de ferro de Port Hedland, na Austrália.
Embora os navios continuem sendo carregados, aumentaram os riscos de interrupções futuras, disseram. Ainda assim, a demanda na China permanece fraca, com os dados de comércio exterior de julho mostrando que as importações de minério de ferro caíram 4% em relação ao mês anterior, observaram.
InfraRoi - SP 12/08/2026
A indústria mineral respondeu por US$ 20,3 bilhões do saldo da balança comercial brasileira no primeiro semestre de 2026, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O volume é quase metade do total (48%), sendo que só o minério de ferro respondeu por 53,6% das exportações minerais brasileiras.
O saldo da mineração cresceu 25,36% em relação ao primeiro semestre de 2025 e o superávit comercial brasileiro alcançou US$ 42,36 bilhões (+ de 40% de aumento). As exportações minerais somaram US$ 25,1 bilhões, alta de 24,1% em relação ao mesmo período de 2025, e alcançaram 196,2 milhões de toneladas, avanço de 2,4%. As importações totalizaram US$ 4,8 bilhões, crescimento de 18,9%, e 20,9 milhões de toneladas, aumento de 6,7%.
Os destaques do setor de mineração no primeiro semestre são:
As vendas externas de minério de ferro alcançaram US$ 13,43 bilhões, crescimento de 5,2% em relação ao mesmo período de 2025. O volume exportado aumentou 2,4% e chegou a 189,4 milhões de toneladas. O faturamento do minério de ferro apresentou queda de 3,1% no semestre, para R$ 71,2 bilhões. A substância ainda concentrou 47,2% da receita total da indústria mineral. As vendas externas de ouro alcançaram US$ 4,6 bilhões, crescimento de 69,3% em relação ao primeiro semestre de 2025. O produto respondeu por 18,3% das exportações minerais em valor. As exportações de cobre também avançaram, com alta de 83,8%, para US$ 3,87 bilhões. As vendas externas de nióbio somaram US$ 1,4 bilhão, crescimento de 13,6%. Imposto seletivo acende alerta no Ibram
O Ibram diz que o resultado da balança comercial reforça sua preocupação com a iminente regulamentação do imposto seletivo, que poderá elevar os custos das exportações de minério de ferro e reduzir a competitividade do Brasil no mercado internacional. A regulamentação do tributo, por decreto do Poder Executivo, pode estabelecer até um teto de 0,25%, para a alíquota que será aplicada ao setor.
O presidente da entidade, Pablo Cesário, entende que o imposto seletivo para o setor é, na prática, um imposto sobre a exportação de minério de ferro. “Não existe nenhum imposto seletivo no mundo que inclua a mineração, já que ele tem outra destinação e não tem nada a ver com minério. Se este novo tributo vier a incidir sobre o setor, teremos o real risco de reduzir a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.”
O Ibram considera que o setor brasileiro já enfrenta uma desvantagem logística diante da Austrália, principal concorrente nesse mercado, por este país estar consideravelmente mais perto da China. Uma nova cobrança tributária pode reduzir margens, afetar investimentos e retirar operações brasileiras de mercados disputados por produtores internacionais.
Valor - SP 12/08/2026
Acordo é uma nova etapa no processo de modernização das unidades, que tem por objetivo aumentar a segurança e a produtividade das operações
A Vale e a ABB assinaram, nesta terça-feira (11), um acordo para implantar um sistema de integração e digitalização das operações nas plantas industriais da mineradora, com uso de inteligência artificial (IA), digitalização e automação. O acordo é uma nova etapa no processo de modernização das unidades, que tem por objetivo aumentar a segurança e a produtividade das operações.
“Este novo acordo com a Vale representa um marco importante em nossa parceria. Com base no sucesso alcançado em Conceição II, estamos criando uma estrutura para implantar uma abordagem consistente de automação, eletrificação e digitalização em múltiplas operações”, afirma Joachim Braun, presidente da divisão Process Industries da ABB.
Em junho, a primeira etapa foi concluída com a conclusão da implantação dessas tecnologias na Usina Modelo de Conceição II, em Itabira (MG). O projeto piloto custou à Vale investimento de R$ 200 milhões. A companhia mantém em sigilo o valor investido na modernização das demais unidades.
“Vamos levar o aprendizado com a Usina Modelo para outras operações da Vale, ampliando a previsibilidade dos processos, melhorando o aproveitamento dos recursos minerais e reduzindo a exposição das pessoas a atividades de risco”, diz Carlos Medeiros, vice-presidente de operações da Vale.
Entre as adaptações, foram instaladas na Usina Conceição II mais de 100 câmeras de monitoramento no complexo de prédios. Aproximadamente 7,3 mil equipamentos foram automatizados, incluindo novos dispositivos de medições avançadas e sensores. A Vale também implantou inteligência de dados para controle, gestão e otimização de mais de 400 variáveis em todas as etapas do processo de tratamento do minério. E fez a revisão de fluxos operacionais para antecipar falhas, evitando paradas não programadas.
A ABB atua como integradora dos sistemas, promovendo a interoperabilidade entre diferentes tecnologias e fornecedores. Fausto Almeida, diretor de mineração para a América do Sul da ABB, disse que o processo traz o conceito de planta autônoma respeitando a particularidade de cada operação.
“Isso traz uma autonomia muito maior à operação, deixando o operador livre para tomar decisões que são críticas para o processo”, afirma Almeida. Outra vantagem do sistema é a operação remota de equipamentos, que tira as pessoas de dentro da mina para operar em um ambiente de sala de controle, garantindo mais conforto e segurança às equipes.
Desde a implementação do projeto, em 2024, a usina registrou aumento de 25% na produtividade, crescimento de 40% na produção de minério premium e redução de 26% das perdas de ferro que ficam no rejeito. Em 2024, a produção na Usina Conceição II foi de 9 milhões de toneladas. Para este ano, a unidade está habilitada a produzir 11,2 milhões de toneladas. A Vale considera possível alcançar um ganho médio da ordem de 25% em produtividade nas demais unidades.
A mineradora já começou a implantar o projeto na mina de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo (MG), com previsão de conclusão até o fim de 2027. Novas aplicações também estão sendo instaladas em unidades em Minas Gerais e no Pará. A expectativa da Vale é que em três a cinco anos as usinas estejam operando no mesmo padrão.
Infomoney - SP 12/08/2026
O mercado automotivo da China seguiu sob pressão em julho, com a demanda doméstica perdendo fôlego em meio à alta do petróleo e a um ambiente macroeconômico fraco.
As vendas no varejo de carros de passeio caíram 20,9% em julho ante um ano antes, para 1,46 milhão de unidades, informou nesta terça-feira (11) a CPCA, como é conhecida a associação do setor. Na comparação com junho, houve recuo de 8,8%.
Depois de dez meses consecutivos de queda, o início do segundo semestre não trouxe sinais de recuperação. Segundo a CPCA, o mercado piorou com o encarecimento do petróleo, a sazonalidade desfavorável e a antecipação de compras estimulada por campanhas promocionais em junho.
A associação afirmou que o fechamento do Estreito de Ormuz elevou os preços do petróleo e que a gasolina no mercado doméstico chinês subiu com força neste ano, encarecendo o custo de ter e manter um carro a combustão. Isso, segundo a CPCA, enfraqueceu ainda mais a demanda por veículos convencionais e acelerou a migração para elétricos e híbridos.
Os chamados veículos de nova energia (NEVs), categoria que inclui elétricos e híbridos, continuaram ganhando participação e responderam por 65,1% das vendas totais em julho. Ainda assim, as vendas no varejo de NEVs recuaram 3,9% ante um ano antes, para 951 mil unidades.
As exportações ajudaram a compensar a fraqueza doméstica. De acordo com dados da CPCA, as exportações de NEVs mais do que dobraram novamente em julho, enquanto as exportações totais de veículos somaram 918 mil unidades no mês.
No recorte de montadoras, a Tesla exportou 66.330 unidades produzidas em sua fábrica de Xangai e vendeu 93.579 unidades no mercado chinês em julho.
Valor - SP 12/08/2026
Setor teme os efeitos do clima sobre a logística em Manaus
A produção de motocicletas no Brasil continua mantendo o ritmo de crescimento e acumula nos sete meses de 2026 alta de 9,9% sobre o mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados na manhã desta terça-feira (11) pela Abraciclo, associação que reúne 11 montadoras com cerca de 97% do mercado total. Com 1,254 milhão de unidades montadas, os fabricantes têm o melhor desempenho para o período desde 2008, até hoje o ano recorde da história do setor.
Somente em julho foram produzidas 190,8 mil motocicletas no Polo Industrial de Manaus, que concentra a produção no país. O volume do mês passado representa alta de 36% sobre o mesmo período de 2025 e de 45,8% na comparação com junho.
Por categoria, as motocicletas de baixa cilindrada representam 78,6% da produção no ano. A média cilindrada fica com 18,5% do mercado, enquanto a alta cilindrada tem 2,9%.
Apesar do desempenho no acumulado do ano até julho se aproximar dos 10%, a Abraciclo mantém a estimativa de crescimento de 4,5% na produção neste ano, atingindo 2,07 milhões de unidades montadas. O conservadorismo da associação se explica, em parte, pelos efeitos que o El Niño pode ter sobre a logística na região Norte até o fim do ano, principalmente a partir de setembro. A seca na região, nesse período, afeta a navegação dos rios e prejudica o escoamento da produção local e o abastecimento de insumos e peças.
“As fabricantes estão monitorando, em conjunto com as autoridades, o nível dos rios e as condições de navegação. Esse acompanhamento contínuo é fundamental para mitigar eventuais impactos na logística de transporte e abastecimento dos centros de produção”, afirmou Marcos Bento, presidente da Abraciclo, em nota.
Emplacamentos
No acumulado até julho, foram licenciadas 1,373 milhão de motocicletas, com alta de 12,3% na comparação com o mesmo período de 2025. Somente no mês passado foram 199,2 mil unidades emplacadas, com crescimento de 3,1% na comparação anual e de 2,6% sobre junho.
A estimativa da Abraciclo para 2026 é de expansão de 4,6% nos emplacamentos de motos, somando 2,3 milhões de unidades.
As exportações em julho somaram 3.289 unidades, crescimento de 22,8% sobre o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano o setor soma 27.373 motocicletas embarcadas, alta de 28,6% sobre o mesmo período do ano passado. A expectativa da associação do setor para 2026 é de expansão de 4,4% nas exportações, somando 45 mil veículos.
Valor - SP 12/08/2026
Indicador alcançou 7,40% no acumulado em 12 meses; custo nacional da construção por metro quadrado no mês foi de R$ R$ 1.985,10, sendo R$ 1.120,13 de materiais e R$ 864,97 de mão de obra
A inflação medida pelo Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) subiu 0,44% em julho, ante alta de 1,19% em junho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje.
Com o resultado, o indicador alcançou 7,40% no acumulado em 12 meses até julho, ante 7,26% até junho.
O custo nacional da construção por metro quadrado em julho foi de R$ R$ 1.985,10, sendo R$ 1.120,13 relativos aos materiais e R$ 864,97 à mão de obra. Em junho, esse custo totalizava R$ 1.976,37, sendo R$ 1.114,74 relativos aos materiais e R$ 861,63 à mão de obra.
O Estado de S.Paulo - SP 12/08/2026
A Direcional Engenharia (DIRR3), uma das maiores construtoras do Minha Casa Minha Vida, apresentou lucro líquido de R$ 201,6 milhões no segundo trimestre de 2026, montante 9,7% maior do que no mesmo período de 2025.
A melhora no lucro decorre principalmente do ciclo de mais lançamentos e vendas de imóveis, gerando uma receita recorde, com manutenção de custos sob controle. Além disso, houve evolução nas entregas de obras e nos repasses de clientes para o financiamento bancário, contribuindo para geração de caixa e redução da dívida.
O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 311 milhões no segundo trimestre, aumento de 27% na comparação anual. A margem Ebitda foi a 24,3%, ganho de 1,4 ponto porcentual (p.p.).
A receita operacional líquida somou R$ 1,279 bilhão, crescimento de 20,1% na mesma base de comparação. O nível foi recorde.
A margem bruta atingiu a marca de 40%, alta de 1,1 pontos porcentuais. A margem líquida foi a 15,8%, recuo de 2,5 p.p.
A linha de equivalência patrimonial (que apura os resultados oriundos de empreendimentos feitos em sociedade) gerou um ganho de R$ 19 milhões, alta de 25%.
As despesas gerais e administrativas somaram R$ 72 milhões, alta de 19%, resultado do crescimento das atividades. As despesas comerciais foram de R$ 129 milhões, avanço de 33%. Segundo a empresa, isso ocorreu pelo alto volume de lançamentos e maior empenho comercial.
A empresa reportou ainda R$ 41 milhões na linha de “outras despesas”, devido a valores provenientes de provisões e despesas jurídicas.
O resultado financeiro (saldo entre receitas e despesas de natureza financeiras) gerou uma despesa de R$ 6 milhões.
A companhia reportou geração de caixa de R$ 130 milhões, puxada pelo volume de entregas de obras e repasses.
Assim, encerrou o segundo trimestre com dívida líquida de R$ 492 milhões, recuo de 19,7% ante o primeiro trimestre. A alavancagem (medida pela relação entre dívida líquida e patrimônio líquido) caiu para 18%, de 24% nesse período.
A direção destacou, na sua apresentação de resultados, a importância da geração de caixa para reduzir o endividamento. “Seguiremos firmes na condução conservadora do negócio, sempre aderentes aos princípios fundamentais para a sustentabilidade da companhia”.
Operacional
A Direcional realizou o lançamento de projetos com 8,6 mil moradias no primeiro semestre. Juntas, elas têm um valor geral de vendas (VGV) estimado de R$ 2,4 bilhões, ampliação de 10,6% em relação a igual período do ano passado.
As vendas líquidas foram de R$ 2,7 bilhões, crescimento de 13,7% nessa mesma base de comparação. “O resultado reafirma o forte momento vivido pelo segmento nessa primeira metade do ano”, destacou a direção.
O repasse de clientes para o financiamento bancário movimentou R$ 2,2 bilhões no primeiro semestre, alta de 17% na comparação anual. Foram entregues 11 empreendimentos, somando 3 mil unidades.
A companhia ponderou, entretanto, que a conversão de vendas apresentou uma desaceleração pontual nas duas últimas semanas de junho, durante a Copa do Mundo.
Apesar das vendas consideráveis satisfatórias, a Direcional apontou distratos acima da média por causa de atrasos no pagamento de subsídios dos programas regionais que complementam o Minha Casa Minha Vida (MCMV). Em Manaus, por exemplo, foram distratadas mais de 600 unidades - mas quase todas já vendidas.
TN Petróleo - RJ 12/08/2026
A Ultracargo reduziu em mais de 80% os custos com espera de navios em seu terminal de Vila do Conde, em Barcarena (PA), após três anos de melhorias operacionais e de infraestrutura. As iniciativas permitiram que a unidade passasse a operar navios 24 horas por dia, durante os sete dias da semana, aumentasse em 80% a vazão de descarga e ampliasse sua capacidade de atendimento a balsas e de movimentação de combustíveis e biocombustíveis.
A redução está relacionada aos custos de demurrage, cobrança gerada quando um navio permanece no porto além do período estabelecido em contrato. Em alguns casos, as diárias de espera podem chegar a US$ 80 mil, impactando a operação logística e podendo ser incorporadas ao custo final dos produtos movimentados.
Entre os principais avanços está a eliminação das restrições que impediam atracações e desatracações no período noturno. Com isso, a operação de navios passou a ocorrer ininterruptamente. A movimentação de balsas, responsáveis pelo abastecimento de destinos como Belém, Macapá, Manaus, Santarém e Miritituba, também foi ampliada, passando de uma para até duas embarcações operadas por dia.
Em julho de 2026, após melhorias de processo, a vazão de descarga de navios chegou a até 1.800 m³ por hora, volume 80% superior ao anteriormente operado e que posiciona Vila do Conde entre os terminais com maiores vazões de descarga de combustíveis do país.
Em uma operação recente, o terminal atracou, descarregou e liberou um navio com 17 milhões de litros de produto em apenas 24 horas. Anteriormente, uma operação com esse volume demandava aproximadamente 48 horas.
Outro investimento realizado pela Ultracargo foi a flexibilização do sistema de carga e descarga dos píeres 501 e 502. A intervenção adaptou tubulações anteriormente dedicadas a produtos específicos para permitir a movimentação de biodiesel (B100), etanol hidratado, óleo diesel marítimo (ODM) e outros combustíveis com maior flexibilidade.
Com a nova configuração, o terminal pode receber e expedir diferentes biocombustíveis praticamente ao mesmo tempo, por meio de duas linhas de dez polegadas e de procedimentos que evitam a contaminação cruzada entre os produtos.
A estrutura também permite receber, por meio de Miritituba, biocombustíveis produzidos em Mato Grosso, aproximando um dos principais polos produtores do país dos mercados consumidores da região Norte. No caso do óleo diesel marítimo, produto essencial para embarcações que circulam pela Amazônia, o terminal já realiza o recebimento por navios e a expedição para diferentes destinos do interior da região.
"Todas essas mudanças representaram um grande avanço na operação, o que exigiu melhoria nos processos e intervenções de engenharia, conduzidas com excelência enquanto o terminal permanecia em pleno funcionamento, sem qualquer impacto nas entregas aos clientes", afirma Douglas Marques, diretor de Operações da Ultracargo.
No Centro de Transferência (Cetran) e na área do píer, foram instaladas quatro câmaras de pig, dispositivos que percorrem o interior dos tubos para remover resíduos e realizar a limpeza das linhas. O projeto também incluiu um sistema de nitrogênio para pressurização e uma nova tubulação de água dedicada exclusivamente à lavagem interna. Todo o efluente gerado durante o processo é coletado e tratado pela estrutura de drenagem existente, em conformidade com as normas ambientais.
Os ganhos integram um trabalho amplo para tornar Vila do Conde um dos principais hubs de distribuição de combustíveis da região Norte. O complexo, voltado exclusivamente à movimentação de combustíveis e biocombustíveis, possui 120 mil m³ de capacidade de armazenagem, distribuídos em 19 tanques.
"O avanço consolida a Ultracargo como um elo de alta performance no Arco Norte. Essas iniciativas reforçam o compromisso que temos em oferecer aos clientes mais eficiência, flexibilidade operacional e competitividade, além de apoiar o crescimento do mercado de biocombustíveis e derivados. Estamos preparando o terminal para um novo patamar de integração logística, com redução dos tempos de espera e maior capacidade de movimentação de cargas", finaliza Raphael Nascimento, diretor-executivo Comercial da Ultracargo.
Sobre a Ultracargo - A Ultracargo avança na oferta de soluções logísticas integradas e é a maior empresa independente de armazenamento de granéis líquidos no Brasil. Movimenta combustíveis, biocombustíveis, químicos, petroquímicos e óleos vegetais, em terminais em quatro regiões brasileiras, e está conectada aos modais rodoviário, ferroviário, hidroviário e dutoviário. Com quase 60 anos de história, faz parte do Ultra, um dos maiores grupos empresariais brasileiros.
Valor - SP 12/08/2026
Na segunda, Trump elevou o tom contra as exigências iranianas e disse que Teerã deveria pagar pelos danos causados por ataques no âmbito do conflito
O novo secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, reiterou nesta terça-feira que os Estados Unidos precisam encerrar a guerra e descongelar os recursos iranianos para que o Estreito de Ormuz seja reaberto. Segundo ele, outras condições foram transmitidas aos mediadores e eventuais entendimentos com Omã para permitir o trânsito pela região não significariam, por si só, a reabertura da passagem marítima. “Se for alcançado um acordo entre Irã e Omã sobre o trânsito em Ormuz, essa será uma questão separada do fechamento do estreito”, afirmou Rezaei.
Mais cedo nesta terça-feira, o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, afirmou que Washington e Teerã estavam próximos de chegar a “algum tipo de acordo” e disse que uma paz duradoura beneficiaria toda a região do Golfo Pérsico. A informação foi divulgada em reportagem da Bloomberg.
Na segunda-feira, o presidente Donald Trump elevou o tom em resposta às últimas exigências iranianas e afirmou que a República Islâmica é quem deveria pagar pelos danos causados por ataques anteriores.
Posteriormente, em entrevista à Real America’s Voice, o republicano disse considerar duas opções: “seguir como está” e deixar Teerã fracassar economicamente ou “atingi-los com muita, muita força”.
No domingo, Trump já havia sinalizado ao portal Axios que estava disposto a deixar a pressão econômica sobre o Irã aumentar em vez de lançar novas ofensivas para forçar a reabertura de Ormuz.
“Estamos apenas observando o Irã, com sua enorme inflação e o fato de não terem dinheiro”, disse Trump, afirmando que o bloqueio naval americano vinha agravando os problemas financeiros do país. “Estamos mantendo isso em baixa intensidade”, acrescentou.
A guerra já impôs fortes perdas à economia iraniana, destruindo boa parte da capacidade industrial do país e reduzindo drasticamente as exportações de petróleo em meio ao bloqueio americano aos portos e navios do regime teocrático. Dados do banco central indicam que a inflação anual chegou recentemente a 77%, enquanto o rial acumula desvalorização superior a 10% desde o início do conflito.
Monitor Digital - RJ 12/08/2026
A indústria naval já recuperou, com folga, os empregos perdidos após a crise iniciada em 2014, quando empregava 82,4 mil trabalhadores; em junho de 2026, o setor já contava com 90 mil contratados. O presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, afirmou à Sputnik Brasil que a retomada das atividades do setor já é uma realidade.
A recuperação da indústria naval é impulsionada pela construção de embarcações e módulos para plataformas da Petrobras, por empresas prestadoras de serviços à estatal e também pela Transpetro. Os projetos aprovados pelo Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (FMM) contam com um volume de recursos muito superior ao registrado antes de 2023 e beneficiam estaleiros em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Amazonas, Pará e Bahia.
“Assim, a retomada da construção de embarcações, barcaças e balsas no Brasil não é mera possibilidade, e sim uma realidade [ ]. Mas o segmento de grandes navios, dos portes Panamax e Suezmax, tem potencial para a viabilidade em médio prazo, à medida que os grandes e modernos estaleiros brasileiros se recuperem das dificuldades que tiveram que enfrentar depois de 2014 e que levaram vários ao recurso da recuperação judicial para sobreviver à falta absoluta de encomendas de navios de grande porte”, diz.
“A cadeia de fornecedores de equipamentos e serviços aos estaleiros se retraiu nos últimos anos, mas está voltando a se recuperar. Essa cadeia está gradativamente sendo fortalecida, e nossa expectativa é que os fornecedores em várias regiões do país atendam aos poucos as demandas dos estaleiros, o que contribuirá para o aumento do conteúdo local dos projetos”, complementa Rocha.
Até a década de 1980, o Brasil ocupava a 2ª posição mundial na construção naval, colocação similar à do Japão, que atualmente constrói centenas de navios simultaneamente, e à da Coreia do Sul, onde um único estaleiro consegue entregar, em média, uma embarcação por semana.
Em 2025, China (57%), Coreia do Sul (29%) e Japão (12%) respondiam, juntos, por praticamente 97% da construção naval global. E, pelo estoque de pedidos, a tendência é aumentar a fatia chinesa (69%), com os sul-coreanos caindo para 22% e os estaleiros japoneses encolhendo para 6,3%, ficando os demais países com 3,2% das novas encomendas.
Governança contratual na construção naval | Monitor Mercantil
Amizade Brasil–China
A Orquestra Forte de Copacabana realizará uma celebração especial em menção aos 52 anos de amizade diplomática entre Brasil e China com apresentação gratuita no Forte de Copacabana, 15 de agosto, 18h, com participação da soprano Marília Vargas e um repertório composto integralmente por obras chinesas em mandarim.
Em parceria com o Instituto Confúcio da PUC-Rio, outras manifestações da cultura chinesa como a dança do leão, dança do dragão, caligrafia e demonstração da cerimônia do chá também estarão na programação.
CNN Brasil - SP 12/08/2026
O edital para a concessão do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes, em Santa Catarina, deve ser publicado nas próximas semanas.
Segundo o diretor-geral da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), Frederico Dias, a expectativa é que o documento seja lançado ainda em agosto. Caso isso não aconteça, a previsão é de publicação, no mais tardar, em setembro.
No momento, o edital está em análise na área jurídica da agência e do Ministério de Portos e Aeroportos.
O canal de acesso aos portos de Itajaí e Navegantes enfrenta problemas recorrentes de assoreamento, que afetam a previsibilidade da navegação e a operação dos terminais. O cenário tem levado operadores e armadores a alertarem para o risco de perda de competitividade do complexo em relação a outros portos das regiões Sul e Sudeste.
A concessão do canal é vista como uma alternativa para garantir mais previsibilidade às condições de navegação e dar mais estabilidade à manutenção da infraestrutura. O projeto recebeu aval do TCU (Tribunal de Contas da União), em maio.
O tema está entre as principais preocupações da comunidade portuária local. Associações e empresas do setor de terminais portuários se reuniram com representantes da Antaq, do MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) e da Codeba, autoridade portuária responsável pela gestão do Porto de Itajaí, para discutir medidas voltadas à garantia da navegação, à previsibilidade operacional e à competitividade do complexo.
A expectativa do setor é que a concessão permita uma gestão mais estruturada do canal e reduza os impactos provocados pelo assoreamento, considerado um dos principais gargalos para a operação de Itajaí e Navegantes.
Monitor Digital - RJ 12/08/2026
A presença de empresas chinesas na Navalshore quase quintuplicou em. Depois de reunir quatro expositores na edição passada, a feira de indústria naval e offshore da América Latina contará neste ano com 19 empresas chinesas.
Na opinião dos organizadores da feira, a participação reflete o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China e o crescente interesse do país asiático pelas oportunidades de negócios na indústria marítima brasileira.
É fácil entender o interesse pelo mercado brasileiro, que vê recuperação após a crise iniciada em 2014, com encomendas da Petrobras e financiamento de embarcações pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM).
Em 2025, a China respondeu por 57% da construção naval global e tinha em carteira 69% das novas encomendas.
“O crescimento da participação chinesa é um dos reflexos da internacionalização da Navalshore. Esse aumento de quase cinco vezes no número de expositores da China demonstra a relevância da feira no cenário internacional e sua capacidade de conectar empresas, investidores e fornecedores às oportunidades que surgem na indústria naval brasileira e latino-americana”, destaca Rosângela Vieira, diretora da Feira.
Entre as empresas que participam pela primeira vez da feira estão a Julong Intel-Tech Co., Ltd., uma das principais fabricantes chinesas de equipamentos de dragagem; e a Qingdao XJZ International Logistics Co., Ltd., especializada em logística marítima e cadeia internacional de suprimentos para embarcações.
Com mais de 30 anos de atuação e equipamentos exportados para 95 países, a Julong aposta no crescimento da demanda brasileira por soluções de dragagem, impulsionada pela expansão da infraestrutura portuária, pela manutenção de canais de navegação e por projetos voltados à recuperação ambiental de rios e áreas costeiras.
Durante a feira, a empresa apresentará sua linha de dragas, embarcações para limpeza ambiental e outros equipamentos marítimos, além de buscar novos distribuidores e parceiros comerciais para fortalecer sua atuação na região.
A Qingdao XJZ International Logistics utilizará a Navalshore como ponto de partida para sua estratégia de expansão na América do Sul. A empresa apresentará soluções integradas para a cadeia logística marítima, incluindo armazenagem alfandegada de lubrificantes, fornecimento internacional de peças de reposição, operações aduaneiras e o serviço aéreo expresso “porta a convés”, desenvolvido para reduzir o tempo de entrega de componentes críticos destinados às embarcações em operação.
Com realização entre 18 e 20 de agosto, no Expo Rio Cidade Nova, no Rio de Janeiro, a Navalshore 2026 celebra 20 anos. O evento reúne empresas, estaleiros, armadores, operadores portuários, fornecedores, especialistas e representantes do setor público para discutir inovação, competitividade, sustentabilidade e os desafios da indústria naval e offshore no Brasil e na América Latina.
O credenciamento de visitantes já está aberto e pode ser feito pelo site da feira.
Valor - SP 12/08/2026
EIA estimou que cerca de 5,5 milhões de barris por dia da produção de petróleo do Oriente Médio, ou mais de 5% do consumo global, ficaram paralisados só em julho
Alguns produtores do Oriente Médio provavelmente terão dificuldades para restabelecer a produção de petróleo aos níveis anteriores ao conflito até o fim de 2027, mesmo que os padrões comerciais voltem ao normal no início do próximo ano, informou nesta terça-feira a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA, na sigla em inglês).
Interrupções no transporte marítimo pelo estreito de Ormuz e ataques à infraestrutura energética forçaram produtores de petróleo em todo o Oriente Médio a reduzir drasticamente a produção, diminuindo a oferta global e levando os preços do petróleo às máximas de vários anos. A EIA estimou que cerca de 5,5 milhões de barris por dia da produção de petróleo do Oriente Médio, ou mais de 5% do consumo global, ficaram paralisados em julho, segundo o relatório de perspectivas de energia de curto prazo (Steo, na sigla em inglês) da agência referente a agosto.
A EIA agora espera que os fluxos pelo estreito de Ormuz permaneçam severamente limitados durante agosto, após novos ataques a embarcações nas últimas semanas, mas parte do pressuposto de que os embarques começarão a aumentar lentamente em setembro. A agência, braço estatístico do Departamento de Energia dos Estados Unidos, já havia divulgado previsões semelhantes de um aumento iminente dos embarques por Ormuz, que não se concretizaram à medida que a guerra no Irã se prolongou.
Mesmo que a maior parte da produção de petróleo do Oriente Médio e do comércio global retorne aos níveis anteriores ao conflito até o início de 2027, cerca de 600 mil barris por dia da produção da região permanecerão paralisados até o fim de 2027, afirmou a EIA no Steo de agosto.
A EIA agora espera que a produção global de petróleo fique, em média, em cerca de 100,8 milhões de barris por dia neste ano, aproximadamente 1% abaixo da previsão do Steo de julho, informou a agência. A demanda mundial por petróleo, no entanto, deve ficar em cerca de 104 milhões de barris por dia, o mesmo nível da previsão de julho.
O aumento do déficit de oferta levou a EIA a elevar suas projeções para os preços do petróleo tanto em 2026 quanto em 2027.
Para 2026, a EIA afirmou agora esperar que os preços do petróleo Brent fiquem, em média, em US$ 86,81 por barril, enquanto o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) deve registrar média de US$ 80,88 por barril. A previsão anterior apontava para uma média inferior a US$ 82 neste ano para o Brent e pouco acima de US$ 76 para o WTI.
Os preços devem cair no próximo ano, uma vez que a EIA parte do pressuposto de que a produção do Oriente Médio e o comércio global terão se recuperado substancialmente até o início de 2027, mas a agência agora prevê uma queda menos acentuada, já que parte da produção permanecerá paralisada por mais tempo. Os preços do Brent cairão 20,1% em relação a 2026, para uma média de US$ 69,39 por barril no próximo ano, ante a previsão anterior de queda de 20,9%, enquanto os preços do WTI recuarão 19,1%, para US$ 65,39 por barril, ante a projeção anterior de queda de 20,3%, segundo a EIA.
Jornal de Brasília - DF 12/08/2026
Os preços do petróleo fecharam em alta nesta terça-feira (11) diante da perspectiva de um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz, em meio às exigências incompatíveis apresentadas pelos Estados Unidos e pelo Irã para pôr fim ao conflito.
O preço do barril de Brent do Mar do Norte, para entrega em outubro, avançou 1,36%, para US$ 88,91, depois de superar a barreira dos US$ 90 durante a sessão.
Seu equivalente americano, o barril de West Texas Intermediate (WTI), para entrega em setembro, subiu 1,30%, para US$ 83,20.
“A esperança de que o Estreito de Ormuz seja reaberto em breve está desaparecendo, já que os Estados Unidos endureceram sua posição ao impor ao Irã condições de negociação que bloqueiam qualquer acordo”, explicou Elias Haddad, analista do Brown Brothers Harriman.
O presidente Donald Trump declarou na segunda-feira que os Estados Unidos exigirão “compensações” pelos ataques realizados pelo Irã que remontam a décadas atrás.
Essa exigência responde à demanda das autoridades iranianas, que condicionam qualquer acordo sobre o Estreito de Ormuz ao pagamento de reparações por parte dos Estados Unidos.
Teerã considera, além disso, que os Estados Unidos devem “pôr fim de maneira definitiva à guerra e à agressão” contra o Irã e seus aliados, inclusive no Iêmen e no Iraque, bem como suspender o bloqueio aos portos iranianos.
Quase um quinto dos hidrocarbonetos mundiais normalmente transita por essa estratégica passagem marítima.
No entanto, o petróleo mostrou sinais de hesitação durante a sessão quando “o ministro da Defesa do Paquistão declarou aos jornalistas que Estados Unidos e Irã estavam ‘mais próximos de algum tipo de acordo'”, comentou Neil Wilson, da Saxo UK.
“O padrão se repete várias vezes: um entusiasmo inicial quando as negociações parecem promissoras e, depois, esse otimismo desaparece com a mesma rapidez”, quando nenhum avanço é constatado, afirmaram os analistas da empresa ING.
Monitor Digital - RJ 12/08/2026
Conversamos sobre o resultado do 2T26 da Petrobras com Ilan Arbetman, analista de research da Ativa Investimentos.
Qual a sua avaliação sobre o resultado do 2T26 da Petrobras?
A Petrobras teve um resultado muito bom, que superou as minhas expectativas em todos os aspectos, como receita, Ebitda e lucro líquido. Do ponto de vista das receitas, é importante destacar que parte das vendas do 1T26 escorregaram para o 2T26, o que ajudou o resultado, já que o preço médio do Brent, US$ 104, foi maior neste trimestre. Além disso, a Petrobras teve uma produção muito forte, que segue concentrada no pré-sal, e o lifting cost de Exploração e Produção teve uma queda.
Com relação à parte de Refino, a Petrobras, geralmente, gira com uma margem Ebitda entre 6 e 9%, mas ela fechou com fortes resultados no 1T26, 17%, e no 2T26, 11%. O resultado do 1T26 se deve ao efeito do giro de estoque, mas a dinâmica do 2T26, apesar do forte resultado, precisa ser analisada com mais calma.
Neste trimestre, o Refino sofreu dois efeitos negativos: a reversão do nível dos estoques, até pelo movimento de preços que aconteceu ao longo do trimestre, e os movimentos de subvenção anunciados pelo governo para evitar que a alta dos combustíveis tivesse um impacto maior no bolso dos consumidores.
Para que esses efeitos fossem administrados, a Petrobras tomou duas ações: aumentou o FUT (Fator de Utilização) das suas refinarias, tanto que a companhia utilizou ao máximo os seus equipamentos de refino, e praticamente não importou no trimestre, operando apenas com a produção local. Essas medidas fizeram com que Refino também tivesse uma forte margem Ebitda no 2T26.
Isso também explica o motivo pelo qual a Petrobras conseguiu manter a estratégia de repasse dos preços, já que ela não repassou inteiramente a volatilidade do mercado internacional para o mercado interno. Vale ressaltar que isso passa pelo máximo aproveitamento do parque de refino da companhia.
Por fim, o setor de Gás e Energia, que possui um peso menor na companhia, também teve resultados um pouco acima do que eu esperava.
Qual a sua avaliação sobre a geração de caixa e o endividamento da Petrobras?
Esses dois pontos seguem bastante saudáveis. A Petrobras teve uma geração de caixa extremamente forte, mesmo com o aumento dos investimentos, devido a alta volumetria comercializada e a alta do preço do Brent, o que fez com que a alavancagem da companhia caísse no trimestre.
O controle de preços dos combustíveis feito pelo governo está afetando o resultado da Petrobras?
Em termos matemáticos, quanto maior for o preço na ponta, maior será o resultado econômico da Petrobras, mas existe uma política que permite ao governo, que é o acionista controlador da companhia, orbitar os preços de uma forma menos volátil, sobretudo em um mercado como o atual. Essa é uma estratégia complexa, que leva em consideração uma série de variáveis que não maximizam apenas o preço.
O governo tem sido hábil na condução dessa estratégia, que foi implementada no começo de 2023, tanto que os reajustes estão sendo feitos de forma a impedir um peso maior no bolso das pessoas, sendo que é difícil achar o ponto ideal para isso. Por exemplo, no 2T26, o preço médio do Brent ficou em US$ 104, sendo que agora ele está sendo negociado a US$ 85.
Contudo, existe um ponto chave relacionado à duração do conflito no Oriente Médio, pois a estratégia do governo fez com que a Petrobras tivesse, como disse, um FUT das suas refinarias muito forte no 2T26. Ocorre que, por questões de segurança e manutenção, existe um limite para isso, pois não é possível ter esse nível de utilização em todos os trimestres.
Qual a sua avaliação sobre o desempenho da ação da Petrobras?
Neste ano, nós tivemos dois fluxos que impulsionaram bastante as ações da Petrobras. No começo do ano, a bolsa brasileira recebeu um fluxo muito forte de recursos estrangeiros motivado pela expectativa de queda da Selic, já que, naquele momento, se esperava que a taxa de juros passasse de 15% para 12%, e por múltiplos muito deprimidos. Como esse fluxo buscou as blue chips, especialmente a Petrobras e a Vale, as ações dessas empresas foram beneficiadas. Posteriormente, já em fevereiro, o começo da Guerra do Irã fez com que o preço do petróleo aumentasse, o que, por sua vez, valorizou bastante as ações das petroleiras.
Agora, por mais que o resultado do 2T26 tenha sido muito bom, a expectativa dos dividendos extraordinários não se confirmou, o que fez com que o papel tivesse alguma queda.
Qual a sua avaliação sobre o valor da ação da Petrobras?
Por mais que a Petrobras tenha uma performance operacional de classe mundial, ela segue rodando com desconto perante os seus pares devido a sua estrutura societária. Por exemplo, a Petrobras está sendo negociada com um EV/Ebitda projetado de 3x, mas com um desconto que vai de 25 a 35% perante os seus pares. Particularmente, eu não vejo um desconto diferente do que me acostumei a ver.
Em termos de catalisadores para o papel, se o conflito no Oriente Médio chegar ao fim e o Brent ficar perto dos US$ 80, como o breakeven da Petrobras está pouco acima de US$ 50, isso vai gerar uma remuneração muito boa do portfólio da companhia. Independente disso, nós vamos continuar vendo uma companhia com uma operação muito boa, que entrega bastante, mas que demanda um prêmio de risco maior por conta da sua estrutura societária.
Qual a sua avaliação sobre os proventos pagos pela Petrobras?
O dividendo regular do 2T26 veio bem acima da expectativa da maioria dos analistas. Por exemplo, eu tinha R$ 1,01, mas ele veio com um valor pouco acima de R$ 1,35. O problema é que a força do resultado do 2T26 ressuscitou a conversa sobre dividendos extraordinários, mas a companhia confirmou que não existe previsão para isso neste ano.
Por mais que a Petrobras tenha um forte nível de produção e custos cadentes, dificilmente o preço médio do Brent no 2T26, US$ 104, vai se manter no restante do ano. Na minha visão, a companhia está correta em ter os pés no chão e apontar que, mesmo que por hora, não haverá dividendos extraordinários.
Como você está vendo as perspectivas da Petrobras?
A Petrobras possui projetos muito bons, como plataformas que podem produzir 250 mil barris de petróleo por dia. Além disso, a companhia está trabalhando no alongamento da vida útil dos seus campos e destinando mais de 80% do capex para Exploração e Produção. Com relação ao Refino, não existe nada de novo no front, mas o segundo trem da Rnest vai possibilitar um aumento da produção diária, especialmente do diesel. Isso vai ser muito importante, pois o país segue importando de 20 a 25% do diesel que consome.
Com relação à Margem Equatorial, em especial a Foz do Amazonas, essa é a grande fronteira exploratória do país. Caso as características geológicas se mostrem próximas das características da Guiana e do Suriname, nós teremos um grande potencial de crescimento.
Um ponto importante é que caso a Petrobras encontre a presença de hidrocarbonetos na região, ela precisa avisar a ANP. Ocorre que entre o aviso e uma eventual comercialização, existe um prazo de uma década. Ainda é cedo para que se possa falar em uma contribuição efetiva da Margem Equatorial nos planos da Petrobras, mas como a companhia possui uma reserva na casa de 12 bilhões de barris e consome 1 bilhão de barris por ano, isso mostra que essas reservas acabariam em pouco mais de uma década, o que faz com que o investimento na Margem Equatorial seja fundamental.
Agência Brasil - DF 12/08/2026
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) divulgou, nesta terça-feira (11), 50 propostas para o setor de óleo e gás no Brasil e para transição energética. A instituição pede o fortalecimento do papel da Petrobras, o aumento do controle estatal sobre a companhia, assim como a reestatização de refinarias e a redução de dividendos pagos aos acionistas da petroleira.
Reunidos na FUP, os trabalhadores defendem, entre outras medidas, o retorno à obrigatoriedade da Petrobras como operadora única no regime de partilha em áreas do pré-sal brasileiro, conforme previsto originalmente na Lei nº 12.351 de 2010.
A legislação original previa que a Petrobras teria, no mínimo, 30% de cada campo, sendo a responsável por conduzir os consórcios formados com outras companhias privadas. Com a destituição da presidente Dilma Rousseff em 2016, a Lei 13.365 mudou essa regra e acabou com a obrigação da Petrobras de liderar a exploração no pré-sal.
A categoria defende ainda ampliar o controle acionário estatal sobre a Petrobras e reformar o sistema de governança da companhia para “reverter” as transformações que orientaram a empresa para “maximização” e distribuição de lucros no curto prazo, o que tende a favorecer os acionistas.
“Recomenda-se a revisão do seu Estatuto Social; adequação da sua política de remuneração aos acionistas a Lei das Sociedades Anônimas, que fixa limite a 25% do lucro líquido, para explicitar a primazia do interesse público”, diz o documento.
A Plataforma de Políticas Públicas do Setor de óleo e Gás 2027-2030: Soberania Energética e Transição Energética Justa foi desenhada em parceria com o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).
A coordenadora-geral da FUP, Cibele Vieira, destacou que as propostas foram elaboradas a partir do Congresso Nacional da FUP, com cerca de 400 participantes, com objetivo de influenciar o debate público em meio às eleições de 2026.
“A eleição é o momento, dentro da democracia, em que o país se volta para debater a si mesmo. É nesse momento que temos que nos colocar. Nós, trabalhadores e trabalhadoras, temos uma visão, um projeto de país”, afirmou, em cerimônia no Congresso Nacional, em Brasília.
A FUP defende ainda que a transição energética privilegie o desenvolvimento nacional, “não pela abrupta eliminação dos fósseis”, lembrando que o setor responde por 45% da demanda interna de energia, cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB), lidera a pauta de exportações e soma mais de 600 mil empregos diretos e indiretos.
“Não pode ser uma transição energética de discurso vazio e fácil. Tem de ser uma transição que considere o ser humano, o combate à pobreza energética e o meio ambiente e não trate essas coisas dissociadas", justificou Cibele.
Distribuição justa da riqueza
O documento é estruturado em quatro eixos, sendo o primeiro Soberania Nacional e Distribuição Justa da Riqueza que defende a criação de um comitê para gestão da renda petrolífera, que seria responsável por definir os objetivos de fundos como o do Pré-sal e do Clima.
A plataforma da FUP pede ainda a criação do Fundo Estabiliza Brasil, para mitigar a volatilidade do mercado global de petróleo, e do Fundo para Transição Energética.
Uma das propostas é a criação de imposto permanente sobre exportação de petróleo cru, para favorecer o refino nacional, e um tributo sobre lucros extraordinários das empresas do setor para financiar a transição energética.
Desenvolvimento Social e Integração Produtiva
O segundo eixo prevê a criação de uma política para incentivar as indústrias nacionais ligadas ao setor de óleo e gás e a promoção da integração produtiva latino-americana.
A diretora técnica do Ineep, Ticiana Alvares, destacou que a segurança energética permite ao Estado se defender frente a ameaças externas à soberania e ao desenvolvimento do país.
“A soberania energética diz respeito também à forma como o Estado consegue se apropriar dos seus recursos energéticos. É, portanto, o conceito mais vinculado à ideia do desenvolvimento nacional”, comentou.
O Eixo 2 da plataforma propõe ainda ampliar a capacidade de refino do país e defende revogar a Lei do Novo Mercado de Gás (14.134/2021). “O modelo atual priorizou a liberalização e a desverticalização do segmento, o que resultou em fragmentação da cadeia, dificuldades na expansão da infraestrutura e aumento das tarifas”, diz o texto.
O documento critica o modelo para definição do preço do gás natural no Brasil, considerado alto na comparação internacional, “mesmo com cerca de 75% do consumo supridos por produção interna. É preciso substituir a indexação das referências internacionais por metodologia ancorada nos custos domésticos de produção”.
Foco na Petrobras
O terceiro eixo, que foca na Petrobras, propõe a ampliação dos investimentos em exploração de óleo e gás no Brasil e no exterior, assim como a reestatização de ativos privatizados nos últimos anos, incluindo as refinarias de Mataripe (BA), Clara Camarão (RN) SIX (PR) e Ream (AM).
O documento da FUP sugere a reestatização da BR Distribuidora e da Liquigás para, entre outros objetivos, “reduzir margens excessivas de lucro no segmento”, e defende fortalecer a presença da Petrobras na produção de fertilizantes.
Transição Energética Justa
O último eixo do documento defende a ampliação da participação social e sindical na formulação e implementação de políticas para transição energética. Propõe também a criação do Programa Nacional de Adaptação às Mudanças do Clima.
A erradicação da pobreza energética, inserção do Brasil nas cadeias globais de minerais críticos, fundamentais para indústria da transição, e o fomento à economia do hidrogênio verde estão entre as propostas da categoria para o tema.
