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CLIPPING DIÁRIO

09 de Outubro de 2026

SIDERURGIA

Valor - SP   09/10/2026

Consumo per capita de produtos de aço no Brasil ainda está 41% abaixo da média global

No Brasil, o consumo per capita de produtos de aço somou 122,5 quilos em 2025. A título de comparação, na China, o consumo per capita foi de 562,1 quilos - mais do que o dobro da média global, de 209 quilos por habitante. Presente na construção civil, em automóveis, máquinas, embalagens e na infraestrutura, o aço está diretamente relacionado à atividade econômica. Quanto mais industrializado é um país, mais aço ele consome.

Diante do indicador 41% abaixo da média global, e 78% abaixo do consumo chinês, os maiores grupos siderúrgicos do país preferem ver o copo meio cheio: há chance de o setor dobrar de tamanho nos próximos anos, se o governo adotar medidas de defesa comercial, diante da enxurrada de importações de aço subsidiado, especialmente o chinês. A indústria afirma manter os investimentos em tecnologia, pessoal e infraestrutura em dia: entre 2020 e 2025, o aporte anual mais do que triplicou, para R$ 11,8 bilhões.

“Países que cresceram de forma consistente ampliaram sua base industrial e sua demanda por aço”, diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Instituto Aço Brasil. “Temos know-how e infraestrutura para fazer o mesmo.”

Na avaliação de Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO da ArcelorMittal Aços Planos América Latina, o potencial de crescimento de longo prazo do mercado brasileiro faz do país uma das prioridades do grupo. “Neste ano, concluímos um ciclo de investimentos de R$ 25 bilhões iniciado em 2022, que contemplou aquisições, modernização, expansão de nossas unidades e energia renovável. Este ciclo integra uma estratégia mais ampla da empresa, de atuação com foco em produtos de maior valor agregado (‘downstream’), que continuará avançando em 2027.”

De acordo com Oliveira, o foco em produtos acabados busca ampliar portfólio, melhorar o atendimento ao mercado doméstico, reduzir a exposição a mercados menos atrativos e agregar valor ao produto. “Como país emergente, o Brasil precisa construir infraestrutura, moradias, energia e locomoção - e tudo isso precisa de aço”, afirma.

Em agosto, a companhia anunciou investimento de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões em sua unidade de Tubarão, em Serra (ES). Com o aporte, vai produzir 560 mil toneladas por ano de bobinas revestidas, com foco na indústria automotiva. A ArcelorMittal também planeja a implantação de uma nova linha de produção de bobinas de aço laminado a quente na unidade do Pecém, em São Gonçalo do Amarante (CE).

“No plano externo, tivemos que nos adaptar às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos”, afirma Oliveira. A empresa redirecionou os produtos semiacabados, de Tubarão e Pecém, para o mercado europeu. “Essa rota viabilizou o aproveitamento de sinergias operacionais globais, abastecendo as laminadoras do grupo na Europa”, acrescenta.

Já na Gerdau, que tem nos Estados Unidos mais de 70% de seu resultado operacional, o plano é valorizar a participação do Brasil no bolo. O grupo anunciou investimentos totais de R$ 4,7 bilhões este ano. A maior fatia está sendo destinada à expansão da capacidade de mineração da unidade de Miguel Burnier, em Minas Gerais, que vai receber R$ 3,2 bilhões.

Precisamos de mecanismos de defesa comercial ágeis e eficazes”

— Marcelo Chara

O grupo deu início a um processo de “renacionalização” das atividades, que prevê uma revisão estrutural dos negócios, substituindo operações antigas ou menos rentáveis por unidades mais modernas. A empresa desativou, por exemplo, etapas de produção da unidade Açonorte, em Recife, cortando a aciaria e a laminação. Sua meta é redirecionar os ativos para setores de forte expansão, como datacenters e energia renovável.

Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, afirma que, em 2027, a indústria brasileira terá como prioridade ampliar sua competitividade e sua capacidade de gerar valor. “Isso passa, em primeiro lugar, por uma gestão rigorosa de custos, mas também pelo desenvolvimento de soluções e produtos inovadores alinhados às necessidades dos clientes”, diz o executivo.

A Aperam destaca também o foco em soluções mais sustentáveis. “Quando falamos em inovação, temos, por exemplo, o uso do aço inox em betoneiras de concreto visando maior durabilidade do equipamento”, diz Rodrigo Villela, CEO da Aperam South America & Renewables. O executivo lembra que esse material também reduz o consumo de combustível, já que o caminhão fica mais leve.

O grupo, que é o maior produtor integrado de aços especiais, inoxidáveis e elétricos da América Latina, pretende seguir valorizando a pegada ambiental. “Nós operamos com uma rota sustentável, baseada em carvão vegetal de florestas 100% renováveis, o que nos garante um balanço de emissões neutro em carbono e a certificação internacional Responsible Steel”, relata Villela.

Como parte dessa estratégia, a empresa direcionou cerca de 90% do aço produzido em Timóteo (MG) para o mercado interno, investindo em economia circular e inovação. “Desenvolvemos projetos como o Ecofinos, para o reaproveitamento de finos de minério e carvão, e o desenvolvimento do Biochar como um co-produto utilizado para sequestro de carbono nas áreas florestais”, afirma.

A Usiminas também tem investido em eficiência operacional, diz o CEO do grupo, Marcelo Chara. “Iniciamos a reconstrução de uma bateria da coqueria de Ipatinga [MG], um investimento de R$ 1,7 bilhão”, afirma o executivo que, no entanto, reclama da concorrência desleal chinesa. “Vemos com preocupação a inundação de carros, máquinas e equipamentos que chegam ao Brasil, com aço subsidiado. Precisamos de mecanismos de defesa comercial ágeis e eficazes para evitar a desindustrialização do país”, afirma o executivo.

Jorge Oliveira, da ArcelorMittal, concorda. “Não existe nação forte sem indústria forte”, diz. “O jogo global mudou: o multilateralismo está sendo substituído por protecionismo e regionalismo”, afirma. Segundo ele, existe até um desvio de rotas, com material subsidiado chegando via Vietnã, Indonésia, Egito e Malásia.

O executivo reforça que Estados Unidos, China, México, Canadá, Índia, além da União Europeia, vêm adotando tarifas de até 50% contra aço importado. Já o Brasil aplicou a taxa de 25% apenas para um pequeno grupo de produtos, permanecendo a maioria entre 10% e 12%, diz. “O resultado é que o aço excedente no mundo procura mercados onde a defesa comercial é insuficiente, como o nosso.”

Valor - SP   09/10/2026

Companhias se aproximam de hubs para resolver desafios específicos e buscar tecnologias disruptivas

Cada vez mais empresas procuram hubs de inovação aberta soluções para resolver desafios específicos e buscar tecnologias disruptivas. “A gente procura colocar no hub de inovação aberta soluções para as quais não têm muito produto pronto no mercado”, diz Rafael Guimarães, gerente-geral de portfólio digital e indústria 4.0 da Gerdau, que se engaja globalmente com mais de 1.600 startups por ano e foi a primeira indústria a fazer parte do Fiemg Lab, o hub de inovação da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais.

Anualmente, uma ou duas soluções são implementadas no processo industrial da a companhia, sempre com foco em redução de custo, produtividade e segurança do trabalho. “É um canal bastante competitivo que tem nos trazido bons retornos”, completa Guimarães, falando sobre o Fiemg Lab.

Como exemplo, ele cita a mitigação de riscos relacionados ao aço líquido por meio de monitoramento de imagens com uso da inteligência artificial para assegurar o engate correto da ponte rolante na panela de aço, uma das operações de maior criticidade dentro da siderurgia e metalurgia. “A IA dá um OK para o operador movimentar a panela, o que antes era feito a olho nu”, detalha.

A Belgo Arames investe em média de R$ 37 milhões por ano em projetos de inovação; cerca de 10% são destinados à inovação aberta. “Entendemos que os desafios mais relevantes da indústria não são resolvidos de forma isolada”, diz Malu Ciorlia, gerente-geral de marketing, estratégia e inovação da companhia, que tem projetos com instituições como o CIT Senai e a Universidade Federal de Uberlândia, além de investimentos em startups alinhadas a prioridades estratégicas, como a agtech Instabov.

Mais recentemente, estruturou o Belgo Arames Challenge Fiemg Lab, primeiro projeto com o hub, voltado a desafios relacionados ao uso mais inteligente de dados para apoiar decisões e aumentar a eficiência e a prevenção de riscos. O programa está na fase de seleção das soluções que seguirão para testes em ambiente industrial.

A inovação aberta, estruturada na Belgo em 2019, contribui para transformar desafios operacionais em ganhos. Ciorlia cita o reaproveitamento do iodo fosfatado em parceria com a Termax, iniciativa que evitou o envio de cerca de 276 toneladas de resíduos para aterros, e a redução, com uso de IA, em 50% do tempo de análise de falhas e recorrência de falhas críticas, além de diminuir as paradas corretivas, além de diminuir as paradas corretivas. “Somente nas duas plantas onde a solução foi aplicada, o impacto financeiro estimado é de R$ 3,8 milhões por ano, com recuperação de cerca de 2.400 toneladas de produção anuais”, diz.

O Fiemg Lab já impactou 294 indústrias e 396 startups e realizou 163 provas de conceito. Gerente do hub, Mariana Yazbeck ressalta que a inovação aberta é tão relevante do ponto de vista de gestão de mudança quanto da cultura organizacional. “Não basta ter um processo de inovação aberta implementado, a companhia precisa abraçá-lo. O C-level tem que virar parte, inclusive, da gestão de mudanças, porque o novo gera incômodo”, assinala.

Yazbeck explica que o hub define junto com a organização qual desafio vai atacar. “Um grande problema é, às vezes, a ponta do iceberg. Quando fazemos um mergulho, identificamos outros problemas e definimos qual parte vamos atacar”, diz a gerente.

Nos últimos anos, a Tupy ampliou a conexão com startups, universidades, centros de pesquisa e empresas de tecnologia. “Percebemos que o maior valor não estava apenas nas soluções encontradas, mas na construção de um modelo de trabalho replicável”, diz Fábio Caramori, diretor de estratégia, M&A e ventures da Tupy.

A aceleradora de startups ShiftT foi o primeiro programa de inovação aberta da Tupy. Tem orçamento próprio e, ao longo de três ciclos, 11 startups foram aceleradas, e três delas acabaram escaladas como fornecedoras. A empresa divulga desafios e recebe propostas por meio de um portal.

“A inovação aberta tem sido um importante mecanismo para reduzir incertezas antes de decisões de investimento de maior escala. Por meio da ShiftT e do Portal de Inovação Aberta, conseguimos identificar tecnologias emergentes, conduzir provas de conceito, validar hipóteses de aplicação e direcionar recursos para iniciativas com maior potencial de geração de valor”, enumera Caramori.

Com o rápido desenvolvimento de novas tecnologias, inovar deixa de ser opção para se tornar uma necessidade, mas precisa estar ligada à estratégia do negócio. “Saber por que inovar e aonde se quer chegar é fundamental. Conectar-se a hubs de inovação é uma forma eficiente de custo e, às vezes, muito mais barato do que criar áreas dentro das empresas”, pontua Yazbeck, do Fiemg Lab. “O primeiro aprendizado é ter muita clareza de qual problema você vai entregar para um canal de inovação aberta, porque tem que ter fit [compatibilidade]”, completa Rafael Guimarães, da Gerdau.

Valor - SP   09/10/2026

Gargalo de mão de obra não pode mais ser medido apenas pela disponibilidade de trabalhadores

A siderurgia brasileira enfrenta um gargalo de mão de obra que já não pode ser medido apenas pela disponibilidade de trabalhadores. A transformação tecnológica das usinas - com automação, digitalização, análise de dados e inteligência artificial - elevou a régua de qualificação em um setor que convive com o envelhecimento da força de trabalho e a dificuldade de atrair jovens para as carreiras industriais. A demanda é por pessoas que combinem formação técnica, experiência prática e domínio das novas tecnologias.

A dificuldade está, sobretudo, na atração e retenção de especialistas e na aproximação das novas gerações com a indústria, diz Ivani Silveira, vice-presidente de RH da Ternium Brasil. “Mais do que buscar profissionais prontos no mercado, precisamos investir na formação de talentos e fortalecer cada vez mais a conexão entre a indústria, as escolas técnicas e as universidades”, afirma.

A tecnologia tornou esse movimento mais urgente. Automação, digitalização, análise de dados e inteligência artificial interferem na produção. “O profissional deixa de ser apenas quem executa uma atividade e passa, cada vez mais, a interagir com sistemas inteligentes, fornecendo contexto, analisando informações, validando resultados e tomando decisões”, diz Silveira.

Na Ternium, automação, instrumentação, manutenção industrial e inspeção técnica estão entre as áreas em que encontrar profissionais prontos é mais difícil. “O profissional do futuro precisará estar preparado para aprender, desaprender e reaprender ao longo de toda a sua trajetória”, avalia.

Na Usiminas, siderúrgica com forte demanda por mão de obra técnica, a questão envolve o envelhecimento da força de trabalho e a menor procura dos jovens por carreiras industriais. Maite Arriola, diretora de gestão de talentos da companhia, aponta dificuldades principalmente em funções operacionais, de manutenção e engenharia. Mecânicos, eletricistas, instrumentistas, técnicos de manutenção e operadores altamente qualificados estão entre os perfis mais raros. “Antes da escassez de competências digitais, ainda enfrentamos uma escassez de competências técnicas básicas para sustentar a operação industrial”, diz ela.

A constatação ajuda a explicar por que a resposta das empresas não se limita ao recrutamento. Programas de trainee, estágio, jovem aprendiz e capacitação técnica, além de parcerias com escolas e universidades, funcionam na Usiminas como mecanismos de formação. “O desafio não é apenas preencher vagas. É inspirar, atrair, formar e desenvolver a próxima geração de profissionais que garantirá a competitividade da indústria brasileira nas próximas década”, avalia Arriola.

A necessidade de diminuir o descompasso da educação profissional ocorre em um setor com potencial de expansão. O Instituto Aço Brasil, entidade que representa 15 empresas privadas, controladas por 11 grupos empresariais e responsáveis por 31 usinas em dez Estados, informa que o segmento produziu 33,3 milhões de toneladas de aço bruto em 2025. Para Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do instituto, a retomada da produção poderia se traduzir em mais empregos. “Hoje, o setor emprega cerca de 116 mil pessoas diretamente no país e tem potencial para ampliar essa contribuição. Nossas estimativas mostram que a redução das importações diretas e indiretas e o aumento da produção nacional podem gerar quase 20 mil novos empregos diretos”, afirma o dirigente.

Na formação de mão de obra, o Senai-SP registrou demanda elevada por especialistas em manutenção e montagem de máquinas, caldeiraria e estruturas metálicas, além de trabalhadores ligados a motores e equipamentos eletroeletrônicos. Em 2025, formou 20.686 profissionais para essas áreas. “O profissional que entra hoje em uma usina precisa, antes de tudo, dominar processos metalúrgicos, segurança, qualidade, leitura de desenho técnico e operação ou manutenção de equipamentos”, elenca Marcello Souza, gerente de relacionamento com o mercado do Senai-SP.

Enfrentamos uma escassez de competências técnicas básicas”

— Maite Arriola

Robótica e inteligência artificial ainda começam a despontar também como requisitos emergentes, que devem continuar ganhando espaço, sobretudo para viabilizar aplicações como manutenção preditiva de máquinas, inspeção e controle de qualidade e inteligência operacional para otimização de processos industriais. “O perfil mais valorizado é híbrido: conhece a operação e sabe usar dados e sistemas para decidir melhor”, informa Souza.

Consultorias de recrutamento captaram essas mudanças. Para Vitor Silva, diretor de mercado da Robert Half, os perfis mais disputados são aqueles que combinam domínio técnico do processo com capacidade de gestão e leitura de dados. “Encontrar essas duas dimensões no mesmo profissional é o principal desafio”, atesta. Para ele, a automação está mudando muito mais o tipo de vaga do que a quantidade de postos disponíveis.

Em sua avaliação, atividades repetitivas e inspeções visuais tendem a perder espaço, enquanto crescem as demandas por especialistas capazes de interpretar dados, analisar históricos de falhas, trabalhar com estatística e utilizar ferramentas como Power BI. Outra constatação de Silva é que cresceu o peso das competências comportamentais, principalmente a comunicação com áreas não técnicas e a capacidade de conduzir mudanças.

Rodrigo Videira, diretor associado da Michael Page, traz dados para esse diagnóstico. O estudo Talent Trends 2026, realizado pela consultoria, aponta que 73% das organizações enfrentam dificuldades para contratar por falta de profissionais qualificados. “Tenho trabalhado há anos muito próximo de empresas industriais e, especificamente, em posições ligadas à engenharia, manufatura, operações e supply chain, e o que percebemos é que a dificuldade não está necessariamente em encontrar profissionais, mas em encontrar profissionais que reúnam a profundidade técnica necessária com experiência prática e capacidade de atuar em ambientes cada vez mais complexos”, diz Videira.

Além da formação técnica, as empresas buscam experiência prática, capacidade de lidar com mudanças, liderança e domínio de novas ferramentas. “O líder não precisa necessariamente ser o maior especialista em tecnologia da planta, mas precisa entender como essas ferramentas podem transformar a operação e, principalmente, saber fazer as perguntas certas, interpretar os indicadores e conectar tecnologia com resultado. A liderança passa a ter um papel ainda maior na integração entre pessoas, processos, tecnologia e produtividade”, diz o diretor.

Para as empresas, isso reforça a necessidade de combinar contratação externa com desenvolvimento interno, sobretudo em funções nas quais é improvável encontrar no mercado alguém que reúna, de imediato, todas as competências modernas exigidas.

Portal Fator Brasil - RJ   09/10/2026

O evento reuniu, de forma presencial e online, mais de 1.400 participantes, entre os quais especialistas, executivos, representantes do Governo, do Parlamento e de entidades de classe da cadeia do aço, para discutir a atual situação do setor e suas perspectivas.

O Instituto Aço Brasil realizou, nos dias 29 e 30 de setembro (terça e quarta-feira), em São Paulo, a 36ª edição do Congresso Aço Brasil. O evento reuniu 566 participantes presencialmente e 881 no ambiente digital, entre representantes da indústria, do setor financeiro, do governo e do Congresso Nacional, para discutir os desafios do setor e os caminhos para uma indústria brasileira mais forte e competitiva.

Na abertura do Congresso, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, acompanhado do secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Uallace Moreira, destacou as ações desenvolvidas pelo governo para recuperar a competitividade da indústria nacional e conter o avanço das importações.

Ao longo das conferências e painéis, foram discutidos tanto macrotemas, como a nova geopolítica mundial e a situação político-econômica do país, quanto debates mais direcionados aos problemas enfrentados pela indústria devida à intensificação da guerra de mercado no mundo.

Highlights de assuntos apresentados no Congresso e, a ‘Carta do Congresso Aço Brasil 2026’: . As tensões geopolíticas estão redesenhando as relações comerciais e levando países de todo o mundo a adotar medidas para defender sua indústria e seus mercados;

• A China continua ampliando sua produção de manufaturados, mesmo diante da desaceleração do consumo interno, apoiada por subsídios governamentais e direcionando ao mercado externo parte importante desse excedente;

• O excesso de capacidade global e as políticas de incentivo à produção adotadas por grandes economias vêm alterando os fluxos de comércio e aumentando a pressão sobre diferentes mercados. A China, maior produtora mundial de aço, ocupa papel central nesse cenário;

• No Brasil, essa pressão já vai além da indústria do aço e alcança toda a cadeia metal mecânica. Somadas as importações diretas e indiretas (o aço que chega ao país incorporado a bens importados), o volume já supera 12 milhões de

toneladas;

• As medidas de defesa comercial adotadas pelo governo brasileiro começam a produzir resultados na redução das importações, mas os volumes ainda se mantêm em patamares elevados. Avançamos, mas precisamos fazer mais;

• O país precisa de uma estratégia de crescimento de longo prazo, que ultrapasse governos e tenha a indústria como um de seus pilares. A experiência internacional mostra que fortalecer a indústria é parte fundamental de trajetórias sustentadas de desenvolvimento.

• A competitividade da indústria não depende apenas da eficiência das empresas. É preciso avançar na competitividade sistêmica do país, reduzindo os custos que recaem sobre a produção brasileira e comprometem sua capacidade de competir em igualdade de condições com produtos estrangeiros;

• Reduzir o Custo Brasil, avançar em uma política efetiva de conteúdo local e tornar mais competitivos os preços da energia e do gás natural são condições fundamentais para devolver isonomia à produção brasileira.

Aço Verde do Brasil – AVB; Aperam South America; Arcelormittal Aços Planos América Do Sul; Arcelormittal Aços Longos Latam; Arcelormittal Pecém; Gerdau Açominas; Gerdau; Gerdau Aços Longos; Siderúrgica Norte Brasil S.A. – Sinobras; Ternium Brasil; Usiminas;Vallourec Soluções Tubulares Do Brasil; Villares Metals. | www.acobrasil.org.br

Valor - SP   09/10/2026

Reciclagem de sucata, uso de fornos elétricos e de carvão vegetal estão entre as opções adotadas pelas companhias

O setor siderúrgico vive uma situação aparentemente paradoxal: é um dos grandes emissores industriais, respondendo por cerca de 8% das emissões globais de gases de efeito estufa, mas também é indispensável para a transição energética, pois fornece aço para turbinas eólicas, carros elétricos, infraestrutura de energia renovável e construções mais eficientes. Nesse cenário, o consumo mundial de aço deve crescer em torno de 20% até 2050, o que já obriga essa indústria a tomar medidas para reduzir sua intensidade de carbono e transformar a maneira como o aço é produzido.

A descarbonização do setor deve consumir, até 2050, investimentos entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2 trilhões em novos processos e infraestrutura, cifra que supera o próprio valor de mercado somado das empresas siderúrgicas, segundo a Associação Mundial do Aço. É consenso no setor que não existirá uma solução única para a descarbonização da siderurgia mundial, já que as tecnologias adotadas e o ritmo de implementação dependerão dos recursos, incentivos e vocações de cada país.

O maior desafio da indústria está na transição da rota integrada, que é o processo tradicional de fabricação de aço a partir de matérias-primas virgens, que inclui a redução do minério de ferro em ferro-gusa nos altos-fornos, a conversão do gusa em aço líquido e a laminação (transformação no produto final). Essa rota é de difícil descarbonização porque usa carvão mineral não só como combustível para gerar calor, mas como um agente químico redutor, indispensável ao processo. Atualmente, as tecnologias que permitem a descarbonização já começam a ser empregadas pelas siderúrgicas, mas ainda não alcançaram larga escala, pois implicam na substituição de altos-fornos, o que demanda altos investimentos.

Em recente estudo sobre descarbonização na indústria siderúrgica, o BNDES aponta três frentes de mitigação de emissões: o forno elétrico a arco (FEA), que utiliza sucata e eletricidade; a rota que combina a redução direta do minério (DRI, na sigla em inglês) com forno elétrico, com a possibilidade de substituir o gás natural por hidrogênio de baixo carbono; e o hidrogênio verde (H2V), que pode substituir o carbono como agente redutor e fonte de calor. Além disso, o estudo aponta uma tendência de regulamentação ambiental crescente nos mercados desenvolvidos, com mecanismos como o ajuste de carbono na fronteira (CBAM) europeu, que cria um custo associado às emissões incorporadas nos produtos importados.

De acordo com Pedro Paulo Mesquita, economista do BNDES e um dos autores do estudo, há dois movimentos na descarbonização do setor: um de mais curto prazo, envolvendo o aprimoramento de processos, eficiência energética, substituição de insumos e fontes de energia e elevação do uso de sucata; e outro, mais demorado, de desenvolvimento de tecnologias disruptivas, como a redução direta ou autorredução com uso de hidrogênio e biocarbono. “Enquanto o primeiro movimento tende a produzir efeitos no horizonte 2030, podemos dizer que somente a partir desse mesmo ano começaremos a observar o impacto da introdução de tecnologias mais disruptivas”, avalia.

A matriz produtiva baseada na economia circular e na reciclagem de sucata metálica foi uma das alavancas utilizadas pela Gerdau para atingir uma intensidade de carbono cerca de 50% inferior à média global da indústria - cada tonelada de aço produzido pela empresa emite 0,86 tonelada de CO2 equivalente nos escopos 1 e 2 (que incluem as emissões do processo produtivo e do uso de energia). Hoje a empresa transforma cerca de 10 milhões de toneladas de sucata por ano em produtos e usa fornos elétricos a arco (FEA), processo menos intensivo em carbono que o tradicional com alto-forno.

A empresa também tem investido para aumentar a autoprodução e o consumo de energia renovável, que já alcança mais de 50% do consumo total no Brasil, e no aumento da eficiência energética nos parques industriais. “Todas essas três frentes de atuação sustentam a trajetória de redução contínua de emissões da companhia e impulsionam o cumprimento da meta”, diz Cenira Nunes, gerente-geral de meio ambiente da Gerdau. Até 2031, a empresa pretende atingir 0,82 tonelada de CO2 por tonelada de aço produzido e alcançar a neutralidade de carbono em 2050.

Segundo a executiva, o caminho mais crítico está na transição energética da rota integrada, que usa minério e carvão mineral na produção do aço em Minas Gerais. Com o conhecimento atual, as alternativas possíveis são a substituição dos altos-fornos tradicionais por reatores de redução direta do minério com gás natural ou hidrogênio verde, que podem assumir o papel de combustível de transição. Outra frente é a manutenção da produção existente, com a aplicação de tecnologias de captura, transporte e armazenamento de carbono (CCUS, na sigla em inglês). Nessa direção, a Gerdau firmou memorando de entendimento com a Petrobras para explorar potenciais modelos de negócios nas frentes de combustíveis de baixo carbono, hidrogênio e seus produtos, CCUS e projetos de pesquisa relativos à produção de aço via redução direta a gás natural.

Com operações na Europa e no Brasil, a Aperam tem buscado uma estratégia de descarbonização baseada na integração da operação entre floresta e indústria, na substituição de energia fóssil e no desenvolvimento de oportunidades de negócio circulares. A usina da empresa em Timóteo, no Vale do Aço mineiro, que produz aços inoxidáveis e especiais, é integrada à unidade de bioenergia, no Vale do Jequitinhonha, responsável pelo manejo de florestas plantadas de eucalipto e pela produção do carvão vegetal que abastece os altos-fornos da siderúrgica, com capacidade para produzir cerca de 440 mil toneladas do insumo por ano.

Em 2011, a companhia converteu os dois altos-fornos da usina de Timóteo para utilizar carvão vegetal renovável em substituição ao coque de origem fóssil. A mudança exigiu o desenvolvimento de uma cadeia integrada de produção de carvão vegetal, sustentada por cerca de 150 mil hectares, entre florestas plantadas e áreas de preservação no Jequitinhonha. O modelo permitiu que a empresa deixasse de emitir 250 mil toneladas de CO2 equivalente nos últimos três anos.

Para Rodrigo Villela, CEO da Aperam Brasil, a produção de aço de baixo carbono traz impactos positivos para toda a cadeia, também no escopo 3, que se refere às emissões indiretas, envolvendo clientes e fornecedores. “Entregar um aço de baixa intensidade de carbono significa apoiar as indústrias e nossos clientes a reduzirem as emissões de suas próprias cadeias de suprimento”, diz. Segundo Villela, a sustentabilidade torna-se um vetor direto da competitividade, desde que o ambiente de negócios brasileiro assegure concorrência justa contra matérias-primas de alta emissão de CO2.

Valor - SP   09/10/2026

Aplicações mais maduras de IA na siderurgia incluem manutenção preditiva de equipamentos, otimização de processos produtivos, inspeção automatizada por visão computacional e planejamento operacional

Há pouco mais de um ano, a Usiminas criou um comitê multiáreas e um programa com 16 embaixadores de inteligência artificial (IA) treinados em diferentes ferramentas para fomentar o entendimento da sua aplicação na siderúrgica. Essa iniciativa somada ao InovaAÍ, hub de inovação vinculado à diretoria de tecnologia da informação e inovação, levou a projetos de aplicação de novas tecnologias. “Hoje, o grande desafio é como priorizamos, porque temos um banco de mais de 500 ideias e projetos com IA e 200 projetos envolvendo soluções de IA; não todos dependentes de TI”, pondera Fernando Carrizo, diretor-sênior de TI e inovação na Usiminas.

Os exemplos incluem o uso de câmeras com inteligência artificial e visão computacional na linha CGL1, responsável pela produção de aço galvanizado por imersão a quente (HDG) na Unigal Usiminas, que monitoram continuamente o desgaste do conjunto mecânico do rolo submerso e foram responsáveis por aumentar em três dias a vida útil e reduzir as paradas de produção para troca do conjunto.

Na CGL2, a identificação de defeitos após o processo de revestimento de zinco era limitada pela capacidade de percepção visual dos operadores. Câmeras e IA passaram a monitorar continuamente a tira, identificando os defeitos, classificando sua intensidade e permitindo maior agilidade na correção. Com isso, a Usiminas obteve 38% de redução no retrabalho e reduziu em 16% os desvios de qualidade.

“A adoção de IA em uma indústria como a nossa leva tempo; nós conseguimos evoluir rapidamente, avançar com casos de uso, mas precisa de letramento, parametrizar a estrutura, fazer mudanças que consigam ser mantidas no tempo”, analisa Carrizo.

A Vallourec trabalha com inteligência artificial dentro da jornada de digitalização industrial há dez anos. A partir de 2023, com a evolução da IA generativa, estruturou a comunidade global VallAI e, no ano seguinte, concentrou os esforços em treinamento e conscientização. Em 2025, lançou globalmente o VallAI Hackathon, selecionando oito projetos entre 66 ideias apresentadas. Em 2026, o foco está na consolidação da governança global e na estruturação de produtos digitais. O próximo passo, previsto para 2027, é ampliar a escala dessas iniciativas e fortalecer o modelo de self-service AI, dando mais autonomia aos funcionários.

A IA está em diferentes etapas dos processos de manufatura, manutenção e segurança industrial. “O que esses projetos têm em comum é a aplicação da tecnologia a desafios concretos da operação, com o objetivo de aumentar a qualidade, produtividade, segurança e a eficiência dos processos”, diz André Lacerda, presidente da Vallourec para a América do Sul.

No projeto de IA para controle da rinsagem na desgaseificação a vácuo, em Jeceaba (MG), os benefícios observados incluem um retorno anual superior a 500% sobre o investimento realizado e redução dos custos de não qualidade do aço, do sucateamento e da reclassificação de produtos.

No Storm, solução baseada em visão computacional e deep learning para classificação de sucata, os resultados estão relacionados à melhoria da qualidade da matéria-prima, à redução de erros de classificação, à melhor homogeneização das cargas e a ganhos de produtividade no forno elétrico a arco.

As aplicações mais maduras de IA na siderurgia estão na manutenção preditiva de equipamentos, otimização de processos produtivos, inspeção automatizada por visão computacional, planejamento operacional e gestão do consumo energético. “Vem ganhando relevância o chamado smart safety, que combina IA, sensores, visão computacional e análise em tempo real para reduzir riscos e fortalecer a segurança operacional nas plantas industriais”, diz Patrícia Muricy, sócia-líder para a indústria de energia, recursos naturais e industriais da Deloitte.

Mais recentemente, gêmeos digitais, assistentes virtuais e agentes de IA passaram a apoiar operadores e equipes de manutenção na tomada de decisão. “No entanto, o sucesso dessas iniciativas depende de uma governança adequada, mantendo o conceito de human in the loop, em que decisões críticas continuam sob supervisão humana”, pondera Muricy.

“Por que a empresa precisa usar inteligência artificial? Porque na estratégia corporativa tenho dois grandes objetivos atingidos: sobrevivência e o sucesso. A inovação - e por consequência a IA - garante a aceleração e a potencialização dessa sobrevivência e desse sucesso”, explica Henrique Pereira, gerente de inovação e excelência operacional do Grupo Aço Cearense, do qual a Sinobras faz parte.

Pereira cita o uso de inteligência artificial para determinar a temperatura ideal que o forno deve atingir para a carbonização de determinados tipos de eucaliptos, tornando o processo mais eficiente e rápido e reduzindo o erro humano. A IA também está na classificação de sucata, que utiliza tecnologia de visão computacional e redes neurais para identificar impurezas que não são sucata metálica (como borracha, areia, plástico e concreto) em cargas recebidas, evitando o pagamento de sucata impura, gerando redução de custos diretos por meio de descontos apropriados e eliminando o viés de avaliação humana.

Para Pereira, inteligência artificial se tornou uma commodity tecnológica, e a verdadeira vantagem competitiva não é apenas ter acesso à tecnologia, mas, sim, a capacidade de usá-la e potencializá-la para gerar valor com qualidade, velocidade, perenidade e sustentabilidade.

Valor - SP   09/10/2026

Logística, tributação e exigências regulatórias limitam ganhos com minério de alta qualidade, matriz elétrica limpa, conhecimento técnico e escala de produção

De um lado, vantagens como minério de ferro de alta qualidade, matriz elétrica relativamente limpa, conhecimento técnico acumulado e escala de produção. De outro, juros elevados, gás natural caro, deficiências na logística, desafios tributários, falta de uma política industrial consistente para o setor, além da crescente competição do aço chinês. Esse é o retrato da siderurgia brasileira traçado por especialistas ouvidos pelo Valor.

“O Brasil tem vantagens relevantes, especialmente na disponibilidade de minério de ferro e na capacidade produtiva instalada”, diz Raquel Biasotto, sócia de comércio exterior da Deloitte. “O desafio é preservar essas vantagens até a entrega do produto, pois fretes, tempo de trânsito, estoques, custos financeiros e exigências regulatórias podem reduzir ou até neutralizar a competitividade da etapa industrial.”

Na logística, afirma ela, entraves afetam tanto o abastecimento de matéria-prima como a distribuição do produto acabado. Entre os fatores, está a dependência do transporte rodoviário, responsável por cerca de 70% a 75% da carga siderúrgica movimentada no país, como aponta Germano Mendes de Paula, consultor da Oxford e professor titular aposentado do Instituto de Economia e Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia. Ele ressalta que, além de reduzida, a rede ferroviária brasileira tem trechos com diferentes bitolas (a distância entre os trilhos). “Isso pode exigir transbordo de cargas e, desta forma, aumentar custos no transporte”, afirma o consultor. Na avaliação dele, limitações na infraestrutura portuária e a cabotagem também prejudicam o setor.

Biasotto tem avaliação semelhante. “O impacto econômico da logística vai além do custo do frete”, diz. “Atrasos, transbordos, indisponibilidade de capacidade e baixa previsibilidade aumentam estoques, armazenagem, capital de giro e risco de descumprimento de prazos comerciais.”

A energia mais cara também joga contra. “A indústria de transformação brasileira, em geral, vem perdendo competitividade em decorrência do crescente custo da eletricidade para o setor industrial”, aponta Mendes de Paula. De acordo com a Strategy&, da PwC, os valores cobrados pela eletricidade no país aumentaram 792% entre 2002 e 2023, em comparação com inflação de 329% no mesmo período. O consultor também destaca o preço do gás natural, de US$ 14 a US$ 16 por milhão de BTU (unidade de energia térmica), ante cerca de US$ 3 US$ 5 por milhão de BTU nos Estados Unidos.

Ainda pesam, diz Mendes de Paula, a volatilidade da demanda interna e a disponibilidade reduzida de sucata de ferro e aço, matéria-prima para parte das usinas. Os juros altos também prejudicam o setor. “A maior taxa de juros reais no Brasil obviamente penaliza atividades industriais no país, e isso é ainda mais verdadeiro para atividades intensivas em capital, como a siderurgia”, avalia.

Sobre os impostos, Monique Teixeira, sócia de consultoria tributária da Deloitte, avalia que, embora o novo sistema possa reduzir distorções causadas pela atual tributação em cascata, o setor poderá ter custos pressionados pelo novo Imposto Seletivo (IS) sobre o minério de ferro, com alíquota máxima de 0,25% e sem possibilidade de geração de crédito tributário. “A combinação do IS com o fim de incentivos fiscais estaduais pode comprometer a competitividade da siderurgia brasileira diante dos concorrentes estrangeiros”, diz.

A falta de continuidade das políticas industriais é outro entrave, como avaliou Thiago Aragão, CEO da Arko International, no painel “Competitividade Sistêmica: Como alcançá-la?”, do Congresso Aço Brasil, realizado em São Paulo nos dias 29 e 30 de setembro. Segundo ele, na contramão de países como Canadá, México e Polônia, que mantiveram estratégias por décadas, no Brasil as políticas costumam sobreviver apenas ao governo da vez.

Para Aragão, estratégias industriais consistentes e de longo prazo exigem escolhas e prioridades. “Escolher é deixar alguém de fora. O processo de industrialização não pode ser feito para todos”, disse. Como exemplo, citou a Coreia do Sul, que priorizou setores como aço, máquinas, construção naval, eletrônica e química, estabeleceu metas de exportação e condicionou o crédito público a resultados.

No mesmo painel, Ricardo Geromel, cofundador da FCGI, ressaltou o papel da educação para a produtividade e chamou atenção para a formação de capital humano para a indústria do país. Ele destacou a importância de melhorar a educação pública e apontou, como entrave, a queda, desde 2018, no número de formandos em engenharia.

Diário do Comércio - MG   09/10/2026

A Rodada de Negócios da 5ª Expometal – Feira Metalmecânica do Vale do Aço reuniu fornecedores locais e grandes indústrias em quase mil encontros, com potencial de movimentar R$ 152,65 milhões em negócios. Encerrada em 1º de outubro, a iniciativa contou com a participação de empresas como Usiminas, Ternium, Aperam, Cenibra, Gerdau, Vale, Bemisa, SMS Group, Andritz, Emalto, Mineração Morro do Ipê, Axia Energia, Cipalam e RHI Magnesita.

O objetivo foi aproximar fornecedores e grandes indústrias, permitindo que as empresas locais conhecessem as demandas dos compradores, apresentassem sua capacidade produtiva e ampliassem o acesso a novos mercados. Organizados com metodologia do Sebrae Minas, os encontros foram definidos de acordo com o perfil e as necessidades de cada empresa.

A Petrobras também realizou encontros com fornecedores do Vale do Aço durante a feira, mas o potencial de negócios dessas reuniões não foi mensurado.

O Arranjo Produtivo Local (APL) Metalmecânico do Vale do Aço reúne aproximadamente 270 empresas, distribuídas em cerca de 25 atividades econômicas, e gera cerca de 10 mil empregos.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Regional Vale do Aço e do Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço (Sindimiva), João Batista Alves, iniciativas como a rodada de negócios contribuem para aproximar empresas locais de grandes compradores e ampliar a participação dos fornecedores regionais nas cadeias de suprimentos da indústria.

“O resultado desta rodada mostra que estamos no caminho certo. São centenas de encontros que colocam fornecedores do Vale do Aço frente a grandes empresas, permitindo que apresentem sua capacidade, conheçam novas demandas e tenham acesso a oportunidades que podem se transformar em contratos e parcerias”, afirmou.

A 5ª Expometal reuniu 44 expositores e tinha expectativa de receber cerca de 4 mil visitantes. Com o tema “Conexões que geram negócios”, a programação incluiu palestras técnicas, exposição de produtos e tecnologias e atividades voltadas à aproximação entre fornecedores e grandes indústrias.

Valor - SP   09/10/2026

Proposta em discussão no MDIC pode conceder incentivos para elevar a competitividade do produto nacional em relação ao importado

No livro “As viagens de Marco Polo”, escrito no fim do século XIII, as histórias do comerciante veneziano sobre os 17 anos em que percorreu a Ásia revelavam ao Ocidente as riquezas e inovações da China e traziam recomendações aos que se aventurassem pela Rota da Seda. Entre elas, a de que os viajantes deveriam se manter unidos para enfrentar trechos difíceis e o risco de ataques ao longo do caminho. Passados mais de sete séculos, alguns dos maiores grupos de siderurgia do Brasil - Gerdau, Usiminas, ArcelorMittal Brasil e Aperam South America - também se unem diante dos efeitos da “Nova Rota da Seda”, como é conhecida a estratégia de política externa lançada pela China em 2013, que já mobilizou mais de US$ 1 trilhão em projetos de infraestrutura.

Isso porque a Iniciativa Cinturão e Rota, nome oficial da Nova Rota da Seda, tem ajudado a escoar o excesso de produção de aço da China. No ano passado, 52% de todo o aço produzido no mundo, o equivalente a 961 milhões de toneladas, foi fabricado no país asiático. O Brasil tem sido inundado nos últimos anos por aço chinês, apesar de estar com mais de um terço da sua capacidade de produção ociosa. O governo federal voltou a elevar os impostos de importação sobre o aço, que haviam sido reduzidos durante a gestão de Jair Bolsonaro (2019-2022). Agora, os empresários e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) negociam um plano de socorro ao setor, o ProAço.

A ideia é criar um projeto semelhante ao Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq), que concede créditos financeiros e benefícios tributários à indústria química. Com isso, o setor ganharia linhas de incentivo para adquirir matérias-primas. “Indústrias de base necessitam desse tipo de apoio”, diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, que reúne as siderúrgicas. Segundo ele, a proposta está em discussão na Secretaria de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços.

Durante o 37º Congresso do Instituto Aço Brasil, promovido no fim de setembro em São Paulo, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, se mostrou favorável ao programa. “Podemos trabalhar juntos para fortalecer uma indústria estratégica, como a siderúrgica”, disse Alckmin no evento, do qual participou por videoconferência.

Até agora, o governo brasileiro adotou um modelo híbrido de tarifa-cota e medidas de defesa comercial (antidumping) para regular a importação de aço. O produto importado paga alíquotas que variam entre 10,8% e 12%. Se o volume ultrapassar o limite estabelecido para aquele período, o Imposto de Importação salta automaticamente para 25%. Também foram estabelecidas tarifas antidumping definitivas contra o aço pré-pintado de concorrentes asiáticos.

Podemos trabalhar juntos para fortalecer uma indústria estratégica, como a siderúrgica”

— Geraldo Alckmin

As medidas se tornaram ainda mais urgentes após o tarifaço imposto pelo presidente americano Donald Trump. Com os portos dos Estados Unidos blindados pela tarifa de 50%, grandes produtores globais como a China e outras nações do Sudeste Asiático redirecionaram seus excedentes de produção para mercados como o Brasil. Grandes siderúrgicas que têm plantas nos Estados Unidos, a exemplo de Gerdau e ArcelorMittal, porém, não foram impactadas diretamente pelo tarifaço.

Em 2025, o país atingiu um recorde de importação de 5,7 milhões de toneladas de aço laminado, a maior marca desde 2010. Mais de 60% desse total veio da China. A previsão do instituto para 2026 é que o ano termine no patamar de 4,9 milhões de toneladas. Outras 7,2 milhões de toneladas devem ser importadas de maneira indireta, por meio do aço contido em bens, a exemplo de carros, autopeças, eletrodomésticos e maquinário para a construção civil, segundo estimativas do Aço Brasil.

Este ano, tanto a produção de aço bruto, prevista em 33,4 milhões de toneladas, quanto a venda interna, de 21,3 milhões de toneladas, devem ficar estáveis em relação a 2025. As importações totais caem 13% (para 5,5 milhões de toneladas), enquanto as importações de aço laminado recuam 15% (4,9 milhões). Já o consumo aparente - que são as vendas internas somadas à importação, por distribuidores e consumidores - deve ser reduzido em 2,7%, para 26 milhões de toneladas.

“O mercado doméstico tem andado de lado nos últimos anos”, diz André Gerdau Johannpeter, presidente do conselho diretor do Aço Brasil e presidente do conselho de administração da Gerdau. “O desafio é ter produtos fabricados no Brasil, com aço brasileiro, garantindo a competitividade da cadeia metal-mecânica, da qual somos a base”.

Para isso, diz, uma das medidas que o instituto defende é atacar o custo Brasil. Um exemplo é o preço do gás natural: o valor de US$ 15 a US$ 16/MMBtu (unidade de medida de energia que significa milhão de Unidades Térmicas Britânicas) cobrado no país é considerado muito elevado em comparação ao dos Estados Unidos, onde o insumo custa entre US$ 3 e US$ 3,50/MMBtu.

As siderúrgicas brasileiras não descartam se tornarem fornecedoras dos chineses no país

Na opinião do economista Otávio Faria, analista setorial da consultoria Lafis, é importante que a indústria siderúrgica aproveite para investir em aumento de produtividade e modernização das plantas fabris a fim de criar alternativas para o produto brasileiro competir no mercado externo.

“A capacidade instalada do setor se manteve estável em 51 milhões de toneladas ao ano entre 2020 e 2025, enquanto os investimentos vieram em uma linha crescente até 2024”, diz. Por outro lado, a queda no número de trabalhadores desde 2022 sugere que estes recursos foram direcionados à automação das funções, o que aumenta a competitividade.

Faria sugere que o Brasil invista em aço verde, produzido com baixas emissões de carbono, aproveitando a tendência global de descarbonização. Ele vê a Europa como o maior mercado potencial para esse tipo de produto.

A despeito das dinâmicas geopolíticas, as siderúrgicas brasileiras não descartam a possibilidade de se tornarem fornecedoras dos chineses no país, como montadoras e fabricantes de eletrodomésticos. “Não somos inimigos deles”, afirma Gerdau.

Marco Polo de Mello Lopes concorda. “Eu admiro a China, eles investem em alta tecnologia e são exigentes no controle do impacto ambiental”, diz ele, batizado com o nome do explorador veneziano por vontade do pai, um oficial da Marinha. “Mas a China não pode parar de produzir e, se não consome tudo, exporta com altos subsídios do governo.”

Valor - SP   09/10/2026

Rede ferroviária e portuária facilita o escoamento da produção para o mercado externo e energia mais barata favorece competitividade

Com 52% da produção mundial de aço, capacidade produtiva gigantesca e mercado interno afetado pela desaceleração da construção civil e do setor imobiliário, a siderurgia chinesa deu o que falar na programação oficial e nos corredores do congresso organizado pelo Instituto Aço Brasil, em 29 e 30 de setembro, em São Paulo. Segundo a entidade, diante da concorrência da China, as importações brasileiras de laminados devem chegar a 4,9 milhões de toneladas em 2026, mais que o dobro da média de 2,2 milhões de toneladas registrada entre 2000 e 2019. Também dispararam as importações indiretas, o aço embutido em produtos como carros, máquinas e equipamentos. No caso, a previsão fica em 7,2 milhões de toneladas para este ano - alta de 143% sobre a média das primeiras duas décadas do século.

No setor automotivo, por exemplo, as exportações globais chinesas de veículos passaram de cerca de 1 milhão de unidades em 2020 para 12 milhões projetados para 2026, volume superior ao mercado anual europeu. A previsão foi feita pelo ex-embaixador do México na China e sócio da consultoria DGA Group, Jorge Guajardo, no painel “China - A Grande Ameaça”, do congresso Aço Brasil.

Em sua avaliação, mudanças demográficas, aliadas à política industrial do país, estão por trás do avanço chinês no mercado internacional em setores como o aço. É que, depois de décadas em que cerca de 20 milhões de chineses deixavam anualmente as áreas rurais rumo às cidades, o ciclo de urbanização perdeu força. Entre 1990 e 2020, segundo Guajardo, a China urbanizou uma população equivalente à de toda a Europa. Mas, desde 2022, a população vem encolhendo. No ano passado, o país asiático registrava 1,405 bilhão de habitantes - uma queda de 3,39 milhões em relação a 2024. Com o menor número de habitantes, analisa, cai o fluxo rumo às cidades e, consequentemente, a necessidade de construção de moradias e de novas obras de infraestrutura urbana, grandes consumidoras de aço.

Em 2021, segundo o Banco Mundial, o setor imobiliário e sua cadeia de fornecedores respondiam por cerca de 30% da economia chinesa. Desde então, as vendas de imóveis caíram para cerca de metade e os preços reais recuaram 23%.

“Nas nossas economias, quando o mercado cai e não há demanda, nós fechamos as plantas”, disse Guajardo. Na China, argumentou, o raciocínio é outro: “O motor de crescimento acabou, temos aço, vidro, cimento, petroquímica e carros de sobra (...) e vamos exportar para quem deixar.” Como resultado da estratégia, as exportações de aço do país dispararam, afirmou o consultor. Segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o montante saltou para 131 milhões de toneladas em 2025 - uma alta de 153% em relação a 2020.

“A China vai desindustrializar o mundo inteiro se não fizermos nada agora”, disse. Na sua avaliação, sem ações para frear as importações chinesas, é impossível concorrer com o país. “Nunca vamos poder competir, porque eles têm um financiamento [estatal] a que nunca vamos ter acesso”, argumentou.

Segundo a OCDE, a taxa mediana de subsídios em relação aos ativos das siderúrgicas chinesas saltou de 1,1% em 2019 para 2% em 2024 - 15 vezes mais que a mediana dos membros da organizações e países parceiros. O cálculo considera a soma de subvenções, empréstimos concedidos abaixo das condições de mercado e, quando disponíveis, benefícios fiscais.

Para enfrentar a concorrência, em 2024 e 2025, o Brasil estabeleceu cotas para parte dos produtos de aço importados, independentemente da origem. Pelo sistema, é aplicada tarifa maior, de 25%, quando o volume importado supera os limites estabelecidos. Para quantidades enquadradas nas cotas, as alíquotas variam de 9% a 16%, conforme o produto. Neste ano, o governo ampliou as medidas, com a aplicação dos 25%, sem cota, para outros nove tipos de produto.

Medidas antidumping, segundo o Instituto Aço Brasil, derrubaram de 64% para 50% a participação da China no volume de aços laminados importados pelo mercado brasileiro nos primeiros oito meses de 2026, na comparação com igual período do ano passado. Ainda assim, o presidente da organização, Marco Polo Lopes, defende barreiras adicionais. “Somos pelo fortalecimento dos instrumentos de defesa comercial do país como um todo, para enfrentar importações predatórias, independentemente de sua origem”, diz. Entre as medidas defendidas, ele cita instrumentos como novas elevações tarifárias, cotas e processos antidumping.

A competitividade chinesa, porém, não vem apenas de subsídios, crédito farto e juros baixos. Quem avalia é Isabela Nogueira, professora do Instituto de Economia e coordenadora do Laboratório de Estudos em Economia Política da China da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela aponta outros fatores que ajudam a explicar os custos mais baixos de produção no país. Um deles é a rede ferroviária e portuária, que barateia o transporte e a logística e facilita o escoamento da produção para o mercado externo. “São décadas de investimento massivo em infraestrutura que contribuem para reduzir os custos das empresas chinesas de diversos segmentos”, diz. A energia, insumo de peso no setor siderúrgico, também favorece a competitividade, com preço “mais barato que o brasileiro” e também inferior ao europeu.

O volume de produção é outro fator importante. “Escala diminui também muito os custos”, afirma Nogueira. Segundo ela, o tamanho do mercado interno ajudou a formar um ciclo de demanda elevada, produção em larga escala e redução de custos que, no caso da siderurgia, agora se mantém com as exportações.

Em outra frente, a estrutura menos financeirizada da economia favorece o investimento produtivo. “Com menos espaço para busca de lucros no mercado financeiro, empresas se concentram mais na produção, na expansão da capacidade industrial e na inovação”, argumenta a economista.

Ela também aponta para mudanças nos motores da economia chinesa. “Eles estão transitando de um crescimento muito liderado pelos investimentos em ativos fixos mais tradicionais - entre eles, a siderurgia - para investimentos agora mais baseados em inovação, inteligência artificial, setores de energias renováveis e várias outras coisas que façam parte dessa quarta revolução industrial”, diz.

Ainda na sua avaliação, a indústria siderúrgica pode se beneficiar do atual “upgrade tecnológico” da economia. “Não é de se descartar que os ganhos de competitividade continuem acontecendo, agora não mais por ganhos de escala, mas por avanços tecnológicos importantes, como o uso de inteligência artificial e a adoção de novas formas de energia”, finaliza.

Valor - SP   09/10/2026

A dimensão estratégica relacionada à transição energética é um dos fatores que embasam os aportes das empresas eletrointensivas

A entrada em operação, em março, de uma usina solar com capacidade para produzir 200 megawatts (MW) no complexo Babilônia Centro, em Várzea Nova (BA), reforçou a estratégia de autoprodução de energia da ArcelorMittal. O parque híbrido soma 753,5 MW de energia solar e eólica, construído a partir de uma parceria com a Casa dos Ventos e deve destinar cerca de 90% da energia produzida às unidades industriais da siderúrgica, enquanto o restante será comercializado no mercado. A estimativa é elevar de 61% para 85% a parcela de geração com fontes renováveis até 2030. No total, o investimento em autoprodução de energia foi de R$ 5,8 bilhões, que inclui também o parque solar Paracatu, em Minas Gerais.

O movimento da ArcelorMittal tem se mostrado cada vez mais comum entre setores eletrointensivos, como a siderurgia, em uma estratégia que envolve redução de custos, segurança energética, busca de competitividade industrial e descarbonização. “A autoprodução funciona como uma proteção estrutural contra períodos de preços elevados no mercado. Além de aumentar a previsibilidade dos custos, ela viabiliza investimentos de longo prazo, fortalece a competitividade da indústria brasileira e acelera a expansão de fontes renováveis”, afirma Fábio Paiva Scárdua, diretor financeiro e de estratégia de aços longos para a América Latina da ArcelorMittal.

No complexo Babilônia Centro, as torres eólicas, em operação desde setembro de 2025, e os painéis fotovoltaicos compartilham a mesma infraestrutura, como subestação, linhas de transmissão e conexão com o sistema elétrico. “Os projetos já resultaram em redução do custo de energia se comparado com o mercado. Nosso investimento em geração renovável, portanto, é fator potente de competitividade industrial”, diz Scárdua.

Segundo o executivo, a estratégia de reposicionamento do portfólio de energia elétrica da ArcelorMittal deve combinar novos investimentos em fontes renováveis, soluções de armazenamento de energia e instrumentos que aumentem a flexibilidade do consumo. “O Brasil possui condições excepcionais para o desenvolvimento de projetos de geração renovável, o que abre espaço para novos investimentos”, diz.

A energia passa a ocupar espaço mais estratégico nas decisões de negócio”

— André Almeida

A CSN, que possui um portfólio próprio de geração com mais de 2 GW de capacidade instalada com pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), parques eólicos, solar e termelétrica de cogeração dentro do complexo siderúrgico, já consegue suprir 100% do consumo próprio e comercializa o excedente no mercado.

A estratégia da empresa leva em consideração o suprimento das necessidades de energia futura, face à expansão em andamento dos negócios, principalmente no segmento de mineração. Outra vantagem da autoprodução é a conexão com o Sistema Interligado Nacional (SIN), com despacho flexível da geração no critério de reserva de capacidade e o compartilhamento de baterias junto à infraestrutura local da indústria. “É de cunho estratégico produzir a própria energia, o que traz benefícios de previsibilidade, segurança energética, matriz renovável e ainda a blindagem econômica em relação a encargos setoriais", diz Vitor Augusto Garcia, gerente de planejamento energético da CSN.

A dimensão relacionada à transição energética é um dos fatores que embasam os investimentos das empresas eletrointensivas na autoprodução, na visão de André Almeida, gerente comercial da Echoenergia, empresa do grupo Equatorial especializada em geração e comercialização de energia. “A dimensão ambiental ganhou peso. O acesso de longo prazo à energia de fontes renováveis pode contribuir para as estratégias de descarbonização das empresas e para o atendimento a mercados que passam a considerar cada vez mais a pegada de carbono em seus produtos e serviços.”

Na ArcelorMittal, as três plantas de geração de energia renovável devem contribuir para a estratégia de descarbonização do aço produzido pela companhia, evitando a emissão de mais de 208 mil toneladas de CO2 na atmosfera - o equivalente, segundo a empresa, a 9,2 milhões de árvores plantadas. O complexo tem uma abordagem circular no uso de insumos: os vergalhões de aço usados na fundação dos aerogeradores do conjunto eólico foram produzidos pela empresa com baixa pegada de carbono - com matéria-prima 100% de sucata metálica e energia elétrica renovável na produção. A ArcelorMittal estabeleceu como meta chegar a 100% de energia elétrica renovável até 2030 e neutralizar as emissões líquidas até 2050.

“Estamos vendo uma transformação na forma como grandes consumidores se relacionam com a energia, que deixa de ser apenas um insumo a ser contratado e passa a ocupar espaço mais estratégico nas decisões de negócio”, diz Almeida.

Valor - SP   09/10/2026

Líquido da castanha de caju (LCC) é usado como aglomerante, substituindo materiais de base petroquímica

A parceria de um químico industrial focado em biomassa com um pesquisador com conhecimento da indústria siderúrgica e de mineração levou ao desenvolvimento, na Universidade Federal do Ceará, de um novo uso para o líquido da castanha de caju (LCC). O insumo é usado como aglomerante em processos siderúrgicos, uma solução que responde às necessidades da transição energética do setor, já que substitui materiais de base petroquímica.

“Juntamos a minha expertise na biomassa com a do Leandro [Miranda, pesquisador do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica da UFC] em aglomerar minérios; entendendo o novo momento da siderurgia, que está mudando não só os processos, mas também os insumos, trocando petroquímicos por biomassa”, conta Diego Lomonaco, professor-doutor do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica da UFC.

O desenvolvimento, durante o doutorado de Leandro Miranda, sob orientação de Lomonaco, começou em 2018 e teve parceria com as empresas Regenera e Prorad, que dividem com a universidade a titularidade da patente depositada em 2020 e concedida em 2025. A UFC liderou a parte científica e os testes laboratoriais, enquanto as companhias parceiras atuaram na etapa de desenvolvimento tecnológico, escalonamento e estratégias de aplicação prática.

Nossa expectativa é criar um produto tecnicamente competitivo e ambientalmente mais sustentável”

— Jader Fernandes

O LCC funciona como uma cola, ligando as partículas finas dos materiais em corpos de maior dimensão e resistência mecânica. “A Europa, em função da meta de redução de carbono, tem puxado o mercado para soluções mais sustentáveis. Nosso produto, o caju, é orgânico e de origem renovável”, explica Miranda. A ideia é oferecer uma alternativa aos métodos tradicionais de aglomeração de minério, como sinterização e pelotização.

A empresa brasileira de mineração Lion Mining se interessou e, em parceria com a universidade, está desenvolvendo briquetes de minério de ferro com propriedades metalúrgicas capazes de atender às exigências da indústria siderúrgica e permitir sua utilização direta nos altos-fornos. “Nossa expectativa é criar um produto tecnicamente competitivo, ambientalmente mais sustentável e que agregue mais valor à cadeia produtiva do minério de ferro”, diz Jader Fernandes, diretor da Lion Mining.

Fernandes aponta que há avanços expressivos na busca pelas propriedades metalúrgicas desejadas para os briquetes. “Esse reconhecimento reforça o potencial da iniciativa e valida a importância da colaboração entre universidade e empresa”, destaca o executivo.

ECONOMIA

Veja - SP   09/10/2026

As taxas de juros foram o principal obstáculo ao acesso ao crédito para 76% das indústrias que enfrentaram dificuldades para obter financiamentos de curto e médio prazo, de até cinco anos, entre fevereiro e julho de 2026. Nas operações de longo prazo, acima de cinco anos, o percentual foi de quase 69%. Os dados são da Sondagem Especial nº 107, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira, 9.

O levantamento ouviu 1701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto, sendo 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes. Apesar de continuarem na liderança entre os entraves ao financiamento, os juros foram menos citados do que na edição anterior da pesquisa, quando eram apontados por 80% das empresas com dificuldades no crédito de curto e médio prazo e por 71% nas operações de longo prazo.

A exigência de garantias reais, como imóveis, apareceu em segundo lugar, mencionada por 33,4% das empresas que tiveram dificuldades para acessar crédito de curto e médio prazo e por 31,5% no financiamento de longo prazo. A burocracia foi o terceiro obstáculo mais citado nas operações de menor duração, com 13,6%. No crédito de longo prazo, a principal dificuldade depois dos juros e das garantias foi o prazo de carência inferior ao necessário, apontado por 18,9%.
Metade das indústrias não buscou financiamento

A pesquisa mostra que cerca de metade das empresas não tentaram contratar ou renovar crédito de curto e médio prazo no período analisado. Outras 22,9% conseguiram contratar ou renovar financiamentos, enquanto 7,5% buscaram recursos, mas não tiveram sucesso.

No crédito de longo prazo, 54% das indústrias não tentaram contratar ou renovar operações. Apenas 15,5% conseguiram financiamento novo ou estenderam um contrato anterior, enquanto 9,2% tentaram obter crédito sem sucesso.

Considerando somente as empresas que buscaram financiamento, 24,7% não conseguiram contratar ou renovar operações de curto e médio prazo. No crédito de longo prazo, a taxa de insucesso chegou a 37,2%. Os dois percentuais aumentaram em relação a 2025, quando eram de 20% e 33%, respectivamente.

As pequenas empresas registraram as maiores taxas de frustração. Nas operações de curto e médio prazo, 32% não conseguiram obter crédito, ante 28,4% das médias e 20,3% das grandes. No financiamento de longo prazo, os percentuais foram de 48,2% entre as pequenas, 48,1% entre as médias e 29,9% entre as grandes.
Capital de giro lidera finalidade dos empréstimos

O capital de giro foi a principal finalidade do crédito de longo prazo para 28,7% das empresas que buscaram, contrataram ou renovaram financiamentos. O percentual superou o destinado à compra de máquinas e equipamentos, de 23,6%, e a construções e instalações, de 11,6%.

A CNI também identificou uma mudança entre as empresas de grande porte. Em 2025, 36% apontavam a compra de máquinas e equipamentos como principal finalidade do crédito de longo prazo, enquanto 25% citavam o capital de giro. Na pesquisa atual, os percentuais passaram para 25% e 26,7%, respectivamente.

Nas operações de curto e médio prazo, o capital de giro foi citado por quase 60% das empresas como principal finalidade do financiamento. Em seguida, apareceram os investimentos em máquinas e equipamentos, com 13,2%, e em construções e instalações, com 5,8%.

Indústrias defendem redução de custos para facilitar crédito

Questionadas sobre medidas para melhorar o acesso ao financiamento, 38,4% das empresas apontaram a redução dos custos tributários e administrativos como principal alternativa para operações de curto e médio prazo. No crédito de longo prazo, a opção foi citada por 31,2%.

A ampliação das linhas de crédito públicas ficou em segundo lugar, com 22,8% das respostas para financiamentos de curto e médio prazo e 26,3% para os de longo prazo. Já a simplificação das exigências das instituições financeiras foi mencionada por 21,1% das empresas no primeiro grupo e 22,1% no segundo.

CNN Brasil - SP   09/10/2026

O governador do Federal Reserve dos EUA, Christopher Waller, disse na quinta-feira (8 de outubro) que provavelmente serão necessários novos aumentos nas taxas de juros para reduzir a inflação à meta de 2% do Fed, mas acrescentou que há "flexibilidade" quanto ao ritmo dos aumentos e deixou em aberto a possibilidade de uma pausa na próxima reunião do Fed em outubro.

"Se os dados econômicos continuarem a evoluir conforme o esperado, prevejo novos aumentos para apoiar um retorno mais rápido da inflação à nossa meta de 2%", disse Waller em um discurso preparado para ser apresentado em um fórum do Banco Central da Turquia em Istambul.

"Mas existe alguma flexibilidade quanto ao momento em que esses aumentos ocorrerão. Os aumentos não precisam acontecer em reuniões consecutivas, mas devem ser implementados dentro de um período de tempo aceitável."

Os comentários de Waller somam-se aos de outros membros do Fed nos últimos dias, sugerindo que provavelmente manterão a taxa básica de juros estável na faixa atual de 3,75% a 4% quando se reunirem em 27 e 28 de outubro, com um possível aumento da taxa em dezembro, caso os dados econômicos mostrem uma economia com baixo desemprego contínuo, crescimento constante e progresso imediato limitado, ou nenhum, na redução da inflação.

Em setembro, o Fed aumentou a taxa básica de juros em um quarto de ponto percentual, e as projeções divulgadas na época mostram que a maioria dos banqueiros centrais dos EUA espera outro aumento de um quarto de ponto percentual até o final do ano.

Atualmente, os investidores preveem que o Fed manterá as taxas de juros estáveis na reunião de outubro, apenas uma semana antes das eleições para o Congresso dos EUA, mas aumentará as taxas seis semanas depois, na sessão de política monetária de 8 e 9 de dezembro.

Waller não especificou o quanto ele acredita que a taxa básica de juros precise subir para conter a inflação, que atualmente está mais de um ponto percentual acima da meta do Fed.

Mas ele afirmou que a necessidade de taxas mais altas se tornou evidente com o fortalecimento da economia, o choque nos preços da energia decorrente da guerra com o Irã ainda não resolvido e as novas preocupações de que a expansão da inteligência artificial esteja contribuindo para a inflação por meio do aumento da demanda por bens e serviços essenciais.

Ele é o terceiro alto funcionário do Fed nos últimos dias a indicar a disposição de esperar antes de aumentar as taxas de juros novamente, ao mesmo tempo que deixa em aberto uma clara necessidade potencial de eventualmente elevar ainda mais os custos de empréstimo — uma mensagem que os investidores parecem ter assimilado ao definir as expectativas para a próxima reunião do Fed.

Isso ocorreu na ausência de qualquer comentário do presidente do Fed, Kevin Warsh, que assumiu o cargo de principal banqueiro central dizendo que queria evitar fornecer muitas orientações sobre as próximas decisões de política monetária.

Waller e outros, no entanto, continuaram a dialogar.

Em seu discurso de quinta-feira, ele explicou como comentários recentes de seus colegas ajudaram os mercados a estabelecer probabilidades sobre a trajetória das taxas de juros sem prometer nenhum resultado específico — uma abordagem melhor para a formulação de políticas, argumentou ele, que evita a volatilidade que pode ocorrer se os investidores ficarem sem nenhum sinal.

Os formuladores de políticas podem "sinalizar para onde provavelmente estão indo, reconhecendo que não há um destino final fixo", disse Waller, o mais recente entre vários funcionários do Fed a argumentar que uma paralisação completa das comunicações de política do Fed seria imprudente.

Infomoney - SP   09/10/2026

Depois da “folga” nos últimos três meses, a conta da inflação voltou a ficar salgada em setembro, conforme estimativas de economistas consultados pelo InfoMoney. Na divulgação do IPCA fechado do mês, que acontece nesta sexta-feira (8), o indicador deve vir entre 0,70% e 0,82% — após índices de +0,16%, +0,07% e -0,32% entre junho e agosto –, com pressões vindas tanto de bens como de serviços. E a expectativa é que a inflação tenha atingido novamente o teto da meta (4,50%) em 12 meses.

O principal motivo para a reaceleração — já captada na divulgação do IPCA-15 –é o fim do efeito do bônus de Itaipu, um valor distribuído aos consumidores todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia. Mas os preços dos combustíveis e dos alimentos in natura também devem mostrar pressão, além de móveis, eletrodomésticos, artigos eletroeletrônicos e vestuário.

Por conta desses fatores, a XP estima que o IPCA de setembro será de 0,75% na comparação mensal, que levará o índice anualizado para 4,50%. Essa é mesma projeção do ASA, enquanto o Daycoval estima uma inflação mensal de 0,72% e o JP Morgan projete uma variação mais acentuada, de 0,81%, assim como o C6 Bank (0,82%).
A projeção do Inter é de uma variação de 0,62% no mês e de 4,32% em 12 meses – para  o final do anos o banco digital estima um IPCA de 4,80%

A XP diz esperar que a taxa anualizada ajustada sazonalmente a três meses para a inflação subjacente subirá de 4,1% para 4,6%, enquanto a SAAR 3M para serviços subjacentes avançará de 4,9% para 5,7%. Assim, as médias da inflação subjacente e as medidas subjacentes dos serviços vão interromper a tendência benigna observada nas leituras recentes.

A projeção para o indicador de serviços intensivos em mão de obra é de um aumento de 0,56%, com a taxa anualizada de três meses permanecerá estável, mas em altos 7,4%.

A XP comenta que o impacto positivo do fim do crédito do Bônus de Itaipu nas contas de eletricidade, junto com o aumento dos preços da gasolina, impulsionará a reversão dos preços administrados — o principal fator por trás da aceleração na manchete do IPCA.

“Os preços definidos pelo mercado também contribuirão para esse aumento, com uma elevação significativa nos preços de alimentos em casa , impulsionada principalmente por alimentos frescos e carnes. Os serviços aumentarão devido ao aumento dos custos de transporte: passagens aéreas, seguro de veículos e aplicativos de transporte por aplicativo”, diz a XP.

Um alívio parcial virá da queda nos preços dos cinemas devido a uma semana de preços promocionais no mês.

“No geral, vemos os riscos para nossa previsão principal do IPCA inclinados para alta, principalmente devido aos alimentos em casa e aos preços dos combustíveis.”

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, projeta um IPCA de cerca de 0,72% em setembro, próximo da prévia, que ficou em 0,70%, e também diz que o que mais deve pesar no mês é a conta de luz.

“Em agosto, o bônus de Itaipu reduziu as contas e puxou o índice para baixo, a ponto de o IPCA do mês fechar em deflação. Em setembro o bônus acabou, e a energia volta a subir bastante. Parte desse movimento já apareceu na prévia, mas ele ainda deve contribuir de forma relevante para o número fechado do mês”, explica.

Kayo estima ainda que os alimentos também devem voltar a subir, depois de terem recuado em agosto. “Itens in natura devem ter ficado mais caros ao longo do mês, e esses preços costumam oscilar bastante de um mês para o outro”, afirma, destacando ainda as passagens aéreas, que tinham caído muito em agosto e devem ter recuperado parte dessa queda no mês seguinte.
Pressão dos serviços

Para o C6 Bank, além da energia elétrica, que será responsável por até 30 pontos base no indicador, as passagens aéreas devem trazer uma alta de cerca de 10% no mês, conforme antecipado no IPCA-15. A projeção para a alimentação no domicílio é outro destaque citado (deve chegar a 1,19% de alta).

Para a inflação de serviços, a economista Claudia Moreno diz que a projeção do C6 Bank é de 0,60% em setembro. “Acho que é importante ir acompanhando essa dinâmica dos preços de serviços tanto o headline quando os serviços subjacentes”, afirma.

Claudia Moreno estima que IPCA em 12 meses tenha furado o teto da meta, passando de 4,22% em agosto para 4,58% em setembro. “A perspectiva para o final do ano é de ela caminhar ali para perto dos 5%. “A gente está com atividade aquecida, o mercado trabalho aquecido e uma taxa de desemprego baixa. Então, essa parte de inflação de serviços ela vai continuar pressionando aí a inflação”, comenta.

Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, que prevê o índice cheio entre os 0,70% antecipados pelo IPCA-15 e 0,75%, afirma que o núcleo de energia elétrica fez a reversão dos descontos da tarifa, que vai impactar bastante o grupo de habitação dos preços.

Ela atribuiu a recente piora na expectativas do boletim Focus também aos preço de transportes e alimentos, especialmente no grupo da alimentação no domicílio. “Temos uma intensificação da preocupação com o fato de o petróleo ter disparado”, afirma.

O JP Morgan também destaca que a inflação de setembro vai refletir principalmente a pressão de alta das tarifas de energia elétrica após o fim do bônus de energia.  Mas também enxerga um impulso vindo dos preços mais altos dos combustíveis e das pressões relacionadas ao El Niño sobre os preços de alimentos in natura. Mas ele cita o alívio parcial gerado pela “Semana do Cinema”.

“Além do índice cheio, a inflação de núcleo deve se fortalecer novamente, com as medidas subjacentes se movendo acima do limite superior da meta de inflação do Banco Central, diz o banco de investimentos.

O Daycoval também destaca em sua análise que o fim dos descontos temporários na conta de energia elétrica e a volta da pressão das passagens aéreas e dos alimentos devem levar a variação acumulada do IPCA em 12 meses para o teto da meta do BC, de 4,5%.

“Nossa projeção para a inflação ao final deste ano é de 5,0% e a probabilidade de um evento climático adverso intenso (El Niño) neste segundo semestre demanda cautela, diz o Daycoval, citando ainda que os preços das passagens aéreas devem voltar para o terreno positivo e que itens mais sensíveis à atividade econômica, como os intensivos em trabalho, devem seguir pressionados.

“Os serviços subjacentes (núcleo da inflação de serviços) devem apresentar alta, mas em ritmo abaixo do observado na leitura anterior. Na variação interanual, o grupo deve inverter trajetória de arrefecimento, o que constitui um desafio para o Banco Central”, diz a análise.

Além disso, os bens industriais também devem registrar alta em setembro, refletindo pressão em móveis, eletrodomésticos, artigos eletroeletrônicos e vestuário. Por sua vez, etanol e automóveis, em deflação, atenuam o grupo, que deve seguir benigno, segundo o Daycoval.

“Por fim, os preços administrados devem mostrar forte alta, com destaque para o fim do desconto na conta de energia elétrica. A volta da gasolina ao terreno positivo intensifica a deterioração do grupo.”

Leonardo Costa, economista do ASA, por sua vez, diz que o principal vetor de pressão deve vir dos preços administrados, especialmente da energia elétrica – ele lembra que o bônus de Itaipu havia gerado forte deflação em agosto.

“Também esperamos aceleração da alimentação no domicílio, puxada principalmente pelos alimentos in natura. Nos núcleos, projetamos média de +0,31%, sinalizando inflação subjacente ainda relativamente controlada”, comenta.

Para ele, a principal contribuição para a desaceleração frente aos meses anteriores vem dos serviços, beneficiados por descontos concentrados em itens de recreação, especialmente cinema, que teve a fase de promoção no mês.

Diário do Comércio - MG   09/10/2026

A produção industrial de Minas Gerais ficou estável em agosto, na comparação com julho deste ano, enquanto a indústria brasileira registrou retração de 0,6% no mesmo período. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quinta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com agosto de 2025, a indústria mineira registrou crescimento de 0,5%, enquanto a produção nacional recuou 1,2%. No acumulado de janeiro a agosto de 2026, a produção industrial de Minas Gerais cresceu 0,7% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto a indústria nacional avançou 0,8%.

Enquanto isso, no acumulado de 12 meses encerrado em agosto, a indústria mineira cresceu 1,3%, acima da média nacional, que registrou avanço de 0,6%.

E o setor que ajudou a manter o Estado em situação mais estável em agosto foi a metalurgia, além da indústria de máquinas e equipamentos. O setor extrativo, que também tem contribuído com o desempenho da atividade ao longo deste ano.

“Esse resultado de estabilidade é fruto de uma compensação da indústria extrativa que teve um resultado positivo no período, em relação a julho e a agosto do ano passado. A compensação veio porque a indústria de transformação não conseguiu obter resultados mais fortes. Assim, o setor extrativo ajudou a equilibrar a conta”, explica o economista da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Ítalo Spinelli.

Para o analista do IBGE, Daniel Dutra, o ano de 2026 segue desafiador para indústria mineira em todos os segmentos, o que pode explicar resultados perto de zero. “A indústria chegou a crescer, mas foi um crescimento discreto e claudicante, com oscilações ao longo dos meses. Ainda assim, Minas teve um crescimento positivo no acumulado do ano até agosto em comparação com o mesmo período de 2025”, analisa.
Na visão de Dutra, juros altos e inadimplência podem ser apontados como fatores que têm influenciado o cenário de instabilidade para o setor industrial mineiro e brasileiro.
Acumulado do ano

A indústria mineira vem registrando crescimento nos períodos analisados pelo levantamento do IBGE. A atividade registrou crescimento de 0,5% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, a produção avançou 0,7%, enquanto, em 12 meses, a alta foi de 1,3%.

A indústria extrativa registrou uma sequência positiva, com crescimento de 1,5% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025. O setor também avançou 1,5% no acumulado de janeiro a agosto deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. Já no acumulado de 12 meses, a alta foi de 4,9%.

A indústria de transformação registrou crescimento de 0,1% em agosto, na comparação com julho. No acumulado de janeiro a agosto, o setor avançou 0,4% em relação ao mesmo período de 2025. Já no acumulado de 12 meses, houve retração de 0,1%.
Entre os segmentos da indústria de transformação, o de produtos do fumo apresentou a maior retração em agosto, com queda de 53% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, porém, o segmento cresceu 0,5%, enquanto, em 12 meses, registrou queda de 0,9%.
Nacional

A Bahia registrou o maior crescimento da produção industrial entre julho e agosto, com alta de 3,7% na série com ajuste sazonal. Já o Pará apresentou a maior retração, de 7,3%.

Na comparação entre agosto de 2026 e o mesmo mês de 2025, os maiores crescimentos da produção industrial foram registrados no Rio de Janeiro (8,3%) e no Espírito Santo (8%). O Pará apresentou a maior retração, de 19,8%.

No acumulado de janeiro a agosto de 2026, o Espírito Santo apresentou o maior crescimento da produção industrial, de 17,7%, em relação ao mesmo período de 2025. Já o Pará registrou a maior retração, de 5,4%.

Já no acumulado de 12 meses encerrado em agosto, o Espírito Santo liderou o crescimento industrial, com alta de 19,4%, enquanto o Pará registrou a maior queda, de 5,7%.

Money Times - SP   09/10/2026

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro, que será divulgado nesta sexta-feira (9), deve mostrar uma forte aceleração e levar a inflação acumulada em 12 meses para acima do teto da meta, de 4,5%.

A mediana das estimativas reunidas pelo Broadcast aponta para uma alta de 0,76% no mês, após a queda de 0,32% em agosto. Se confirmada, a inflação em 12 meses passará de 4,22% para 4,51%.

O dado será um importante indicativo para o Banco Central sobre a trajetória da inflação brasileira frente aos novos desafios com o preço mais alto do petróleo. O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nos 3 e 4 de novembro para decidir os rumos da taxa de juros brasileira.
Energia deve puxar a alta do IPCA

As projeções do Daycoval e do ASA são próximas à mediana do mercado: as instituições esperam avanços de 0,72% e 0,75%, respectivamente, em setembro.

Nas duas avaliações, o principal impulso deve vir dos preços administrados, especialmente da energia elétrica, após o fim do bônus de Itaipu que havia reduzido as contas de luz em agosto.

O ASA também espera aceleração da alimentação no domicílio, puxada principalmente pelos alimentos in natura. O Daycoval vê pressão dos alimentos e das passagens aéreas, além da volta da gasolina ao terreno positivo.

O salto do índice cheio, porém, precisa ser acompanhado da análise de sua composição. A retirada de um desconto temporário ajuda a explicar a mudança entre agosto e setembro, enquanto serviços e núcleos — medidas que ajudam a identificar a tendência da inflação — trazem informações sobre a persistência das pressões.

Serviços trazem sinais distintos para os juros

Na avaliação do Daycoval, os serviços devem acelerar com a volta das passagens aéreas ao terreno positivo. Os itens mais sensíveis à atividade econômica, como os intensivos em mão de obra, também devem continuar pressionados.

Para os serviços subjacentes, o banco espera uma alta mensal menor do que na leitura anterior. Em 12 meses, entretanto, a projeção é de uma interrupção da trajetória de desaceleração.

“Na variação interanual, o grupo deve inverter a trajetória de arrefecimento, o que constitui um desafio para o Banco Central”, afirma o Daycoval.

O banco projeta inflação de 5% ao final de 2026 e aponta a possibilidade de um El Niño intenso neste segundo semestre como um fator que demanda cautela.

Já o ASA traz uma leitura mais favorável para a inflação subjacente. O economista Leonardo Costa projeta uma média de 0,31% para os núcleos em setembro.

“Nos núcleos, projetamos média de +0,31%, sinalizando inflação subjacente ainda relativamente controlada”, afirma.

Segundo Costa, os serviços devem contribuir para a desaceleração frente aos meses anteriores, beneficiados por descontos concentrados em itens de recreação, especialmente cinema.
O que pode mudar as apostas para o Copom?

Antes da divulgação, as apostas do mercado ainda favoreciam a continuidade dos cortes. Nos dados de 6 de outubro do painel de opções de Copom da B3, a probabilidade implícita de uma redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião era de 82,5%. Um corte de 0,50 ponto aparecia com 7,75%, enquanto a manutenção tinha 7,5%.

O cenário predominante, portanto, era de uma redução da Selic de 13,75% para 13,50% ao ano. Esses percentuais refletem os preços das opções e as expectativas dos participantes do mercado, podendo mudar com a divulgação de novos indicadores.

Ainda assim, a composição do resultado pode influenciar a discussão sobre o espaço para novas reduções. Uma confirmação da pressão persistente nos serviços descrita pelo Daycoval reforçaria a cautela. Já o quadro de núcleos relativamente controlados projetado pelo ASA traria um sinal mais favorável, apesar da alta expressiva do índice cheio.

Jornal de Brasília - DF   09/10/2026

O comércio mundial de mercadorias resiste melhor de que o previsto à crise no Oriente Médio, graças em parte, ao boom dos investimentos em inteligência artificial. Diante desse cenário, a Organização Mundial do Comércio (OMC) revisou para cima, nesta quinta-feira (08), sua previsão de crescimento.

Os economistas da Organização Mundial do Comércio preveem agora uma expansão de 3,9% no volume do comércio mundial de mercadorias em 2026, contra 1,9% projetado em março.

Para 2027, a expectativa é de crescimento de 4,1%, acima dos 2,6% projetados em março.

Quanto ao PIB mundial, a estimativa é de alta de 2,6% neste ano e de 2,9% no próximo ano.

“Esses números mostram a resiliência do comércio”, destacou a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, citada em comunicado.

“Quando ocorrem perturbações, uma economia mundial integrada e um sistema comercial baseado em regras oferecem às economias a flexibilidade necessária para continuar abastecendo empresas e lares com produtos essenciais”, acrescentou.

Segundo a OMC, as cadeias de suprimentos conseguiram se adaptar às perturbações provocadas pelo conflito no Oriente Médio nos mercados de energia, fertilizantes e transporte.

O comércio de mercadorias cresceu 3,5% no primeiro semestre de 2026, superando as expectativas da organização.

A organização destaca que as exportações de petróleo bruto diminuíram apenas cerca de 6%, enquanto as de gás natural liquefeito(GNL) recuaram 1%. Já o tráfego de contêineres aumentou 3,9% nos primeiros sete meses de 2026.
Inteligência artificial

“A forte demanda relacionada aos investimentos em IA compensou amplamente os efeitos negativos do conflito no Oriente Médio”, acrescentou a OMC.

As transações de semicondutores, servidores e outros bens indispensáveis à inteligência artificial aumentaram 67% em termos anuais no primeiro semestre de 2026 e responderam por 47% do crescimento do comércio mundial de mercadorias. Segundo a OMC, esse movimento acelerou uma expansão que já vinha sendo sustentada em 2024 e 2025.

Os gastos mundiais destinados à infraestrutura de IA devem aumentar pelo menos 30% em 2026, e as previsões apontam que os investimentos no setor continuarão avançando entre 10% e 20% em 2027, indicou a organização.

Já as previsões para o comércio de serviços foram revisadas para baixo, embora permaneçam em terreno positivo: crescimento de 3,3% em 2026, ante 4,8% previstos em março e de 6,4% em 2027, em comparação com os 5,1% projetados anteriormente.

O setor registrou crescimento anual de 14% no primeiro trimestre de 2026, e de 10% no segundo, afetado pelos impactos na guerra no Oriente Médio sobre os transportes e as viagens.

MINERAÇÃO

Investing - SP   09/10/2026

Os preços do minério de ferro na bolsa chinesa de Dalian atingiram a menor cotação em 18 meses nesta quinta-feira, o primeiro dia útil após um feriado de uma semana na China, principal consumidora do produto, à medida que as margens fracas do setor siderúrgico prejudicavam as perspectivas de demanda por esse importante insumo para a produção de aço.

O contrato de minério de ferro mais negociado na bolsa de Commodities de Dalian (DCE) encerrou o pregão diurno com queda de 3,12%, a 682,5 iuanes (US$101,84) por tonelada métrica, seu nível mais baixo desde 9 de abril de 2025.

Algumas siderúrgicas chinesas já iniciaram ou planejam realizar manutenção em seus equipamentos, à medida que as perdas se agravaram, de acordo com uma pesquisa realizada pela consultoria Mysteel na quarta-feira.

"A lucratividade das siderúrgicas continuou sob pressão, enquanto se espera que a oferta de minério aumente", afirmaram analistas da corretora First Futures em uma nota.

Apenas cerca de 7% das siderúrgicas chinesas operavam com lucro no final de setembro, enquanto a produção média diária de metal quente -- um indicador da demanda por minério de ferro -- caiu para a menor marca em seis meses, de 2,34 milhões de toneladas, segundo dados da Mysteel.

A queda nas taxas de frete, em meio à desaceleração dos preços da energia, também manteve os preços do minério sob pressão, afirmaram os analistas.

Valor - SP   09/10/2026

Mineradoras brasileiras reduzem operações diante da alta dos fretes e da retração da demanda global, mas mantêm planos de expansão de longo prazo

O mercado de minério de ferro chega à reta final de 2026 sob pressão. O valor do frete marítimo praticamente dobrou desde o início dos conflitos no Irã em fevereiro, o que eleva os custos das operações transoceânicas. Por outro lado, a demanda na China, o principal destino global do minério de ferro, é declinante, comprimindo os preços internacionais da commodity.

Em setembro, quatro mineradoras brasileiras - Mineração Usiminas (Musa), CSN Mineração, Cabo Verde e Itaminas - anunciaram redução temporária em suas operações de minério de ferro. A Musa interrompeu o funcionamento de sua planta de Samambaia, em Itatiaiuçu (MG), que responde por 30% da produção total da companhia. Em 2025, a Musa produziu 9,6 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro, tendo exportado por volta de 70% do total.

A CSN Mineração reduziu as atividades de produção própria e decompra de minérios de terceiros para beneficiamento. No início do ano, a companhia estimava processar 45 Mt a 47 Mt em 2026. Com o corte, a nova estimativa é de uma produção na faixa entre 39 Mt e 41 Mt. Em 2025, por volta de 90% da produção foi exportada.

O frete na rota Brasil-China já supera US$ 40 por tonelada, praticamente o dobro do patamar de janeiro, na casa de US$ 22 a tonelada. Segundo o CEO da Usiminas, Marcelo Chara, o custo atual do frete representa entre 40% a 45% do preço final do minério de ferro entregue na China, onde os preços da commodity em 2026 flutuam em um patamar inferior a US$ 100 por tonelada. “Há um claro impacto na rentabilidade da operação”, diz Chara.

O Brasil foi o segundo maior exportador de minério de ferro em 2025, com 69% do volume destinado ao mercado chinês. Mas a demanda global da commodity e mais especificamente a demanda chinesa, está em um ciclo de retração. A World Steel Association divulgou que a produção mundial de aço bruto alcançou 144,2 Mt em agosto, com uma queda de 1,2% sobre um ano antes. No mesmo período, a produção da China recuou 3,7%. No acumulado de janeiro a agosto, a retração chinesa foi de 3,1%. Em 2025, a produção da China já havia retraído em 4,4%.

“O mercado de aço na China ainda não conseguiu superar o colapso gerado pela crise no setor da construção civil, que teve seu estopim com a quebra da Evergrande em 2021”, diz o consultor Eduardo Bartolomei, da Oak Commodities. A construção civil historicamente responde por 30% da demanda chinesa de aço.

“Não há sinais no mercado de outra atividade que possa substituir a demanda por aço da construção civil chinesa, nem na China nem em outro país”, diz Bartolomei. “O mercado de aço continuará reprimido e com ele a demanda por minério”, afirma.

A pressão no mercado internacional de minério de ferro também é resultado do início da operação comercial de Simandou, na República da Guiné, mina projetada para alcançar uma produção de 120 Mt por ano em 2030. O projeto pertence à Rio Tinto e ao consórcio chinês Chalco Iron Ore Holdings (CIOH). Em Simandou, o minério apresenta alto teor de ferro, 65%. “A Simandou vai acelerar a retirada da oferta de minas de baixa produtividade e com baixo teor de ferro, que perderão competitividade”, diz Daniel Sasson, analista de commodities do Itaú BBA.

No Brasil, os investimentos em mineração de ferro até 2030 somam US$ 19,8 bilhões, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Empresas como a CSN e a Itaminas, que reduziram suas produções para se adequarem à conjuntura atual, executam projetos de expansão visando o longo prazo.

AUTOMOTIVO

Transporte Moderno - SP   09/10/2026

A Fenatran 2026, maior feira de transporte de cargas da América Latina, chega à 25ª edição com todos os espaços de exposição comercializados e o maior número de montadoras de caminhões de sua história. A feira, que será realizada de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, em São Paulo, reunirá mais de 700 marcas, 17% acima do registrado na edição de 2024.

A procura levou a organização a ampliar em 700 metros quadrados a área externa dos pavilhões, espaço que permitiu a entrada de 26 novos expositores. Mesmo com a expansão, toda a área disponível foi ocupada. Segundo a organização, a edição deste ano será a maior da história da Fenatran.

Entre os principais sinais da transformação do mercado está a presença de 13 montadoras de caminhões, número recorde para o evento. Desse grupo, seis são chinesas: BYD, Foton, JAC Caminhões, Sany, Sinotruk e XCMG. Com isso, fabricantes chinesas representam quase metade das montadoras de caminhões que estarão na feira.

A composição da Fenatran evidencia uma mudança na concorrência do mercado brasileiro de veículos comerciais. Além das seis marcas chinesas, a relação inclui DAF, Ford Caminhões, Iveco, Mercedes-Benz, Scania, Volkswagen Caminhões e Ônibus e Volvo. A presença das fabricantes asiáticas ocorre com estratégias que incluem caminhões elétricos, modelos a gás, investimentos em produção local, ampliação de redes e retorno ao mercado brasileiro.

A BYD, por exemplo, chega à feira com foco na expansão dos caminhões elétricos, enquanto a Sany avança com produção local de caminhões na antiga fábrica da Mercedes-Benz em Indaiatuba (SP). A Foton amplia portfólio e rede, a JAC trabalha em uma nova frente para caminhões a diesel, e a Sinotruk prepara o retorno ao Brasil com a marca Howo.

A presença das chinesas também acompanha uma disputa mais ampla por novas tecnologias e diferentes segmentos de operação. Na Fenatran, os fabricantes apresentarão veículos e soluções para aplicações que vão da distribuição urbana e last mile ao transporte de longa distância e de grandes volumes.

Para Thiago Braga Ferreira, gerente executivo da Fenatran, o esgotamento dos espaços demonstra a expectativa do mercado em relação à feira.

“Chegar à 25ª edição com 100% dos espaços comercializados mostra a confiança e a expectativa do mercado em relação à Fenatran”, afirma.
Tecnologia também ganha espaço

Além dos estandes, a edição de 2026 terá mais de 60 horas de conteúdo no Auditório Fenatran, com debates sobre sustentabilidade, renovação de frota, equidade e futuro do transporte de cargas. A programação inclui o Fórum das Mulheres no Transporte e Logística, a Rota Fenatran e o Fórum Transporte Sustentável.

A Fenatran Experience também terá estrutura ampliada para test drive. Estão confirmados caminhões de DAF, Foton, IVECO, Mercedes-Benz, Scania, Sany e Volkswagen Caminhões e Ônibus. O circuito permitirá testar veículos elétricos, a combustão e movidos a biometano.

A feira ocorre de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo. O credenciamento antecipado é gratuito até 7 de novembro.

Veja - SP   09/10/2026

A venda de veículos novos no Brasil deve crescer 15,2% em 2026, alcançando aproximadamente 3,1 milhões de unidades, segundo projeção divulgada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A estimativa foi revisada para cima após o desempenho do setor no terceiro trimestre e, se confirmada, representará o maior volume de emplacamentos desde 2014.

Apesar da perspectiva positiva para o mercado, a entidade alerta para o avanço dos veículos importados, especialmente os chineses, e para a queda das exportações brasileiras. Enquanto as vendas devem aumentar 15,2% neste ano, a produção nacional deve crescer apenas 6,7%, chegando a 2,82 milhões de unidades.

A revisão das estimativas ocorre após setembro registrar 281,4 mil veículos emplacados, o maior resultado mensal desde dezembro de 2014. Nos primeiros nove meses do ano, as vendas somaram aproximadamente 2,26 milhões de unidades, crescimento de 18,1% em relação ao mesmo período de 2025. A expansão é puxada principalmente pelos automóveis e comerciais leves, cuja previsão de crescimento para o ano passou para 16,4%. O desempenho contrasta com o dos veículos pesados, como caminhões e ônibus, que devem encerrar 2026 com retração de 6,5% nas vendas.

A produção também apresentou resultados positivos em setembro, com 268,3 mil unidades fabricadas ou montadas no país, melhor desempenho para o mês desde 2014. No acumulado do ano, foram 2,17 milhões de veículos, alta de 8,7%.

Importados ganham espaço

O principal ponto de preocupação da Anfavea está na diferença entre o crescimento das vendas e o da fabricação nacional. Entre janeiro e setembro, o Brasil importou 463,9 mil veículos, volume 30,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A China respondeu por aproximadamente 55% dessas importações, com cerca de 255 mil unidades. Os veículos de origem chinesa já representam 11,3% do mercado brasileiro, segundo os dados apresentados pela associação.

Outro movimento observado pela entidade é o avanço da montagem de veículos a partir de componentes importados. Nos primeiros nove meses de 2026, a produção nacional cresceu cerca de 173 mil unidades, mas aproximadamente 123 mil desse acréscimo estão associadas aos regimes CKD e SKD, nos quais os automóveis chegam desmontados ou parcialmente montados ao país.

Essas operações são contabilizadas nas estatísticas de produção brasileira, embora possam envolver uma participação menor de fornecedores e componentes nacionais. Para a Anfavea, a expansão desse modelo exige atenção à capacidade da indústria de gerar empregos, desenvolver fornecedores e agregar valor à produção local. A preocupação também está relacionada ao avanço dos veículos eletrificados, que responderam por 69% do crescimento das vendas de veículos leves no acumulado do ano. A categoria já representa 20,1% dos emplacamentos desse segmento, impulsionada principalmente pela expansão dos modelos híbridos e elétricos.

Enquanto o mercado interno cresce, as vendas de veículos brasileiros ao exterior seguem em queda. A Anfavea revisou sua projeção para as exportações em 2026, passando a estimar retração de 17,7%, ante previsão anterior de queda de 12,8%. De janeiro a setembro, o Brasil exportou aproximadamente 334 mil veículos, volume 23% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. A Argentina, principal destino dos automóveis produzidos no país, responde por grande parte da redução.

Além do enfraquecimento da demanda argentina, a indústria brasileira enfrenta maior concorrência de fabricantes de outros países, especialmente da China, em mercados latino-americanos tradicionalmente atendidos pelas montadoras instaladas no Brasil.

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   09/10/2026

O mercado brasileiro de caminhões elétricos perdeu ritmo no primeiro semestre de 2026.

As vendas de caminhões de zero emissão recuaram 23%, de 219 unidades nos primeiros seis meses de 2025 para 168 neste ano, segundo levantamento do International Council on Clean Transportation (ICCT), Conselho Internacional do Transporte Limpo, com dados da JATO Dynamics.

O resultado ocorre em sentido contrário ao mercado de veículos pesados de zero emissão como um todo, que cresceu 42% no período, puxado principalmente pelos ônibus.

A retração deixa os caminhões elétricos com uma participação ainda pequena no mercado brasileiro. As 168 unidades vendidas entre janeiro e junho representaram apenas 0,4% das vendas totais de caminhões no país. Entre os veículos pesados, acima de 15 toneladas, a participação foi ainda menor, de 0,07%.

O estudo mostra que a eletrificação da frota de carga continua concentrada nos segmentos mais leves e em operações nas quais a autonomia e a infraestrutura de recarga impõem menos restrições. Dos 168 caminhões de zero emissão comercializados no semestre, 142 eram leves ou médios, entre 3,5 e 15 toneladas. Os 26 restantes eram caminhões pesados, acima de 15 toneladas.

Chinesas dominam caminhões elétricos leves e médios - A presença das fabricantes chinesas é um dos principais destaques do levantamento. No segmento de caminhões leves e médios de zero emissão, JAC e Foton concentraram 86% das vendas no primeiro semestre.

A JAC respondeu por 69% do mercado e a Foton por outros 17%. A Volkswagen Caminhões e Ônibus apareceu na terceira posição, com nove unidades de seus modelos e-Delivery produzidos no Brasil.

Ao todo, foram vendidos 142 caminhões elétricos leves e médios, queda de 31% em relação às 206 unidades comercializadas no primeiro semestre de 2025. Mesmo com a retração, essa faixa continua sendo o principal mercado para a tecnologia elétrica no transporte de cargas.

A concentração regional também é elevada. Segundo o ICCT, 94% das vendas acumuladas de caminhões leves e médios de zero emissão desde 2021 ocorreram nas regiões Sul e Sudeste. São Paulo responde sozinho por 69% dos registros no primeiro semestre de 2026, seguido por Paraná, com 12%, e Rio Grande do Sul, com 4%.

O perfil das operações ajuda a explicar essa concentração. Os caminhões elétricos encontram maior espaço em distribuição urbana, entregas de curta distância e operações com retorno frequente à base, nas quais o veículo pode ser recarregado durante períodos de parada.

Pesados crescem, mas ainda são exceção - O comportamento dos caminhões acima de 15 toneladas é diferente. Apesar do mercado ainda ser muito pequeno, as vendas de modelos de zero emissão dobraram no primeiro semestre, passando de 13 unidades em 2025 para 26 em 2026.

A Sany concentrou 85% desse mercado, com seus caminhões-tratores elétricos 64. O levantamento do ICCT destaca que essa configuração é a primeira entre os caminhões pesados de zero emissão a entrar no escopo das metas de redução de emissões de CO2 relacionadas ao programa MOVER.

O crescimento, entretanto, ocorre sobre uma base muito baixa. As 26 unidades elétricas representam apenas uma fração das mais de 37 mil unidades convencionais acima de 15 toneladas comercializadas no primeiro semestre.

É justamente nos pesados que estão alguns dos principais obstáculos à eletrificação do transporte rodoviário de cargas. Operações de longa distância exigem maior autonomia, baterias de maior capacidade e infraestrutura de recarga compatível com veículos de alta potência.

O peso adicional dos conjuntos de baterias também precisa ser considerado na equação de capacidade de transporte.

Produção nacional é um dos obstáculos - O ICCT aponta ainda uma barreira específica para a expansão dos caminhões de zero emissão no Brasil: a exigência de produção local para acesso a determinadas linhas de financiamento do Move Brasil, programa criado para estimular a renovação da frota.

A restrição ganha importância porque uma parcela relevante dos caminhões elétricos comercializados no país ainda é importada. Dessa forma, o acesso ao crédito subsidiado pode não acompanhar a oferta de modelos disponíveis no mercado.

A tributação também mudou em relação aos primeiros anos de expansão dos veículos elétricos. O estudo destaca que as vendas de caminhões elétricos leves e médios ainda não retornaram ao nível observado em 2022, quando os veículos importados contavam com condições tributárias mais favoráveis.

Para os fabricantes, a localização da produção passa a ter peso crescente na estratégia de eletrificação. No caso dos caminhões pesados, a nacionalização também pode ser determinante para ampliar o acesso das transportadoras a financiamento e reduzir o custo de aquisição.

Mercado brasileiro ainda é pequeno - O resultado dos caminhões contrasta com o crescimento registrado no conjunto dos veículos pesados de zero emissão. Considerando caminhões, ônibus e coaches, o Brasil comercializou 751 unidades no primeiro semestre, ante 529 no mesmo período de 2025.

Mas praticamente todo o avanço veio dos ônibus. As vendas dessa categoria cresceram 87,5%, para 583 unidades, enquanto os caminhões recuaram.

A diferença evidencia que a eletrificação do transporte pesado brasileiro segue trajetórias distintas de acordo com a aplicação. No transporte urbano de passageiros, a concentração de operações, a existência de políticas públicas específicas e a possibilidade de recarga nas garagens favorecem a adoção dos veículos elétricos.

Na carga, a conta é mais complexa. O transportador precisa considerar autonomia, tempo de recarga, infraestrutura, peso das baterias, disponibilidade do veículo e custo total da operação antes de substituir um caminhão a diesel por um modelo elétrico.

Ônibus puxam mercado de zero emissão - Segundo ICCT, os ônibus responderam por 78% das vendas de veículos pesados de zero emissão no primeiro semestre. Foram 583 unidades, equivalentes a 5,7% de todas as vendas de ônibus no país.

No transporte urbano, a participação dos modelos de zero emissão chegou a 10,7%, segundo o ICCT. São Paulo concentrou 78,9% das vendas nacionais de ônibus de zero emissão no período.

O resultado reforça a diferença de velocidade entre os dois segmentos. Enquanto a eletrificação já começa a alcançar uma parcela relevante das novas compras de ônibus urbanos, nos caminhões a tecnologia permanece restrita a nichos específicos e representa menos de 1% do mercado.

De acordo com o levantamento do instituto, para o transporte rodoviário de cargas, portanto, o primeiro semestre de 2026 mostra que a oferta de caminhões elétricos está crescendo mais rapidamente do que a demanda em algumas categorias, enquanto os pesados ainda enfrentam barreiras econômicas e operacionais para ganhar escala.

Veja - SP   09/10/2026

O Grupo SHC, representante da JAC Motors no Brasil, entrou novamente em recuperação judicial para renegociar R$ 240 milhões em dívidas.

O pedido envolve 44 empresas ligadas ao empresário Sergio Habib e ocorre apenas um ano e cinco meses depois do encerramento da primeira recuperação judicial do grupo.

A nova crise acontece em um momento de forte perda de espaço da JAC no mercado brasileiro. Em 2025, a marca emplacou 988 automóveis e comerciais leves, 51% menos que as 2.022 unidades de 2024.

No mesmo período, o mercado brasileiro cresceu 2,6%, para 2,5 milhões de veículos.

O contraste se acentuou em 2026. Enquanto as vendas de veículos novos no país cresceram cerca de 15% no acumulado até setembro, a JAC continuou com participação muito pequena no mercado.

A empresa também mudou sua estratégia.

Depois de apostar fortemente nos carros elétricos de passeio, passou a concentrar esforços em picapes, veículos comerciais e vendas por canais digitais. A marca reduziu sua estrutura física e tenta diminuir os custos de operação.

A mudança ocorre em um mercado em que outras montadoras chinesas ganharam escala rapidamente.

BYD e GWM ampliaram a oferta de modelos e conquistaram espaço no Brasil, principalmente no segmento de veículos eletrificados.

A BYD, que começou a ganhar escala no país a partir de 2023, já acumulava mais de 120 mil veículos vendidos em 2026 até julho.
Segunda recuperação em pouco mais de um ano

A primeira recuperação judicial do Grupo SHC começou em novembro de 2018. Na ocasião, a empresa declarou dívidas de R$ 518 milhões e atribuiu a crise à retração do mercado automotivo, às regras do programa Inovar-Auto e ao fim da parceria de 28 anos com a Citroën.

O plano foi aprovado pelos credores e homologado pela Justiça em setembro de 2019. O processo terminou em maio de 2025.

Pouco depois, o grupo voltou a enfrentar dificuldades financeiras.

Antes do novo pedido, a empresa negociava uma reestruturação com credores e tentava manter parte das dívidas fora da recuperação judicial. Segundo fontes a par das negociações, um dos bancos envolvidos teria mais de R$ 100 milhões a receber.

Também havia dificuldades para localizar e retomar veículos oferecidos como garantia de empréstimos, segundo informações publicadas pela Exame.
Da expansão à retração

A trajetória de Habib no setor automotivo começou com a importação e a distribuição de veículos. O empresário ganhou projeção ao expandir a Citroën no Brasil e, posteriormente, passou a representar outras marcas.

A chegada da JAC ao país foi marcada por uma estratégia agressiva. Em 2011, o grupo inaugurou 50 concessionárias da marca em um único dia. O projeto previa ainda uma fábrica na Bahia, estimada em R$ 1 bilhão, que nunca saiu do papel.

A aposta seguinte foi nos veículos elétricos. A estratégia, porém, não produziu a escala esperada.

A JAC chegou a figurar entre as primeiras marcas a explorar o segmento de elétricos no Brasil, mas perdeu espaço à medida que novos concorrentes chineses entraram no mercado com maior variedade de modelos, preços competitivos e estruturas de distribuição mais amplas.

Em 2025, a JAC respondeu por apenas 0,7% das vendas de veículos elétricos no país, enquanto a BYD concentrou mais de 70% desse mercado.
Mercado cresce, mas JAC encolhe

O pedido de recuperação judicial ocorre, portanto, em um cenário diferente daquele enfrentado pelo grupo em 2018.

O mercado brasileiro de veículos não está em retração. Pelo contrário. Setembro de 2026 teve recorde de vendas para o mês, e o segmento de automóveis e comerciais leves acumulava crescimento de mais de 16% na comparação anual.

O problema da JAC é sua capacidade de acompanhar essa expansão.

A marca tenta agora reduzir a dependência dos carros elétricos de passeio e concentrar sua atuação em produtos como a picape Hunter, além de veículos comerciais e atendimento a frotistas. A estratégia também inclui uma estrutura mais enxuta de lojas e maior utilização dos canais digitais.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   09/10/2026

Industrialização da construção avança, mas custo e mão de obra ainda são desafios

A busca por um projeto arquitetônico contemporâneo, aberto, fácil de ser adaptado e modulado como um Lego, levou João Luis de Souza, CEO do Grupo Jee Invest Brasil, a optar pela construção industrializada no lugar do modelo tradicional na hora de erguer o novo centro de serviços do grupo. “Além de rápida, é uma obra mais sustentável, com menos resíduos e economia de água e energia, o que se alinha com nossa proposta de sustentabilidade”, diz Souza.

Localizado em Uberaba (MG), o centro de serviços do Grupo Jee reúne em 712 m2 as sedes das mais de 20 empresas da holding, que atuam em diferentes áreas, de móveis planejados ao agro. O projeto, que combina estrutura metálica com vedação com isopainéis, foi erguido em menos de cinco meses, quando no sistema tradicional não levaria menos de oito.

“O tempo é sem dúvida o grande diferencial para o setor corporativo”, afirma Guto Oliveira, CEO e fundador da Goah Arquitetura, responsável pelo projeto. “É sabido que quanto mais rápido a obra é finalizada, menor é o tempo de payback do investimento. A conta fecha”, diz. Mas o mais rápido não necessariamente custa menos. “Em média o metro quadrado da construção de concreto tradicional varia de R$ 500 a R$ 700, enquanto na metálica modula, afirma. Com projetos em 18 Estados, o escritório adota a industrialização em 60% das construções.

O aumento da demanda pela construção em aço deve contribuir para a redução de custos desse tipo de obra, na avaliação de Felipe Dal Corsi, diretor executivo da Fatto Construtora. Especialista em obras rápidas, sobretudo para o varejo, a empresa adota estruturas em aço em 40% dos projetos. “Em geral o uso de elementos estruturais em aço oferece mais benefícios do que desafios”, diz. “A luta é para quebrar a barreira cultural ainda fortemente ligada aos métodos convencionais de construção”.

Corsi comenta que, no caso do varejo a redução do prazo de construção é um benefício significativo. Além disso, as estruturas de aço possibilitam uma maior precisão nas dimensões internas dos ambientes e execução de vãos maiores. “A tendência é de expansão”, assinala.

De acordo com o Índice Geral de Industrialização da Construção (Igic), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), em junho, 33,6% das empresas declararam utilizar sistemas industrializados em todas as suas obras ativas e 14,6% afirmaram utilizá-los parcialmente. Na soma, 48,2% apresentam algum grau de adoção. Todavia, a combinação dos dois subíndices que compõem o Igic, um de adoção e outro de intensidade, apontam que apenas 15,7% das obras podem ser definidas como industrializadas. Isto é, usam sistemas construtivos com estrutura pré-fabricadas, paredes de concreto que chegam prontas ao canteiro de obras, steel frame, drywall, kits hidráulicos pré-prontos e outros elementos pré-fabricados.

Ainda de acordo com o Igic, as estruturas em aço ocupam o segundo lugar entre os sistemas mais utilizados em 2026, respondendo por 44%, atrás apenas do concreto pré-fabricado (56%) e à frente do drywall (41%).

“A industrialização da construção está relacionada a alguns grandes desafios do setor como aumento da produtividade, disponibilidade e qualificação da mão de obra, prazos de execução e capacidade de ampliar a produção de habitação e infraestrutura”, afirma Ana Castelo, coordenadora de projetos de construção da FGV Ibre. Ela prevê mais estímulo com a reforma tributária. “Até agora se produzir no canteiro paga ISS, se produzir na fábrica e levar para o canteiro paga ICMS, que é muito mais caro. A tendência é a dinâmica mudar com a unificação dos tributos”, observa.

Para Pedro Lyra, coordenador do curso de engenharia civil do Instituto Mauá de Tecnologia, um dos principais entraves para o crescimento da construção industrializada é a escassez de profissionais. “O sistema pede mão de obra mais específica, carece de capacitação para uso das tecnologias. O engenheiro precisa não só saber projetar e calcular o nível de resistência, mas também como a peça será fabricada e montada”, afirma.

Dados do instituto de pesquisa Mordor Inteligence apontam que o mercado brasileiro de edifícios pré-fabricados pode movimentar US$ 4,26 bilhões até 2029 e chegar a US$ 5,02 bilhões até 2031. O avanço, segundo o instituto, se dará por conta do impulso habitacional (Minha Casa Minha Vida), expansão da indústria e logística, ativos públicos adotando o modelo modular, metas de descarbonização e incentivos verdes, além da demanda por respostas rápidas a desastres climáticos.

A construção civil é a segunda maior consumidora de aço do planeta, respondendo por mais de 50% da demanda global. No Brasil, o setor responde por 37,3% do consumo, à frente do automotivo (24,8%) e de bens de capital (19,2%). E a tendência é continuar na liderança. “Os números que temos acompanhado tanto em infraestrutura quanto em construção imobiliária são de crescimento. Assim, a demanda aumentará, porque não se faz construção sem aço”, afirma Dyonisio Klavdianos, vice-presidente de materiais, tecnologia, qualidade e produtividade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção-CBIC.

Rodoviário

CNN Brasil - SP   09/10/2026

Em carta, a Aneor (Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias) pediu à Casa Civil que avalie o remanejamento de recursos do Novo PAC com baixa perspectiva de execução em 2026 para obras e serviços em rodovias federais.

Segundo levantamento da entidade, empreendimentos sob responsabilidade do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) poderiam absorver R$ 2,73 bilhões adicionais até o fim deste ano.

A proposta foi encaminhada à Casa Civil, à qual a CNN teve acesso, com cópia para a Secretaria Especial do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A associação defende uma avaliação técnica das programações do PAC para identificar recursos que possam ser direcionados a contratos em andamento, com obras e serviços já mobilizados e condições demonstradas de execução.

A maior parcela dos recursos indicados pela ANEOR seria destinada à manutenção de rodovias. Do total de R$ 2,728 bilhões, R$ 1,740 bilhão seria direcionado para manutenção, R$ 708 milhões para construção e adequação de rodovias e outros R$ 280 milhões para manutenção emergencial.

“Nossa proposta é que a Casa Civil avalie essas possibilidades e direcione os recursos para investimentos que possam ser efetivamente realizados ainda em 2026”, afirma Hideraldo Caron, superintendente da Aneor.

O levantamento apresentado pela associação discrimina as demandas por estado e, nos casos de construção e adequação, também relaciona os empreendimentos que poderiam receber os recursos adicionais.

Para a associação, a identificação de contratos já em andamento permitiria direcionar o orçamento para obras com capacidade de execução ainda neste ano. A entidade afirma que a proposta busca transformar recursos disponíveis em investimentos efetivos, sem deixar de considerar as prioridades dos demais setores do PAC.

“Estamos apresentando uma demanda identificada, com obras e serviços que, segundo o levantamento da Aneor, têm condições de receber recursos adicionais e ampliar a execução ainda neste ano. O objetivo é transformar orçamento disponível em investimentos efetivos nas rodovias, respeitando as prioridades do PAC e as necessidades dos demais setores”, afirma Danniel Zveiter, presidente da associação.

NAVAL

Valor - SP   09/10/2026

Os certames estão marcados para 9 de dezembro, na sede da B3, em São Paulo

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, anunciou nesta quinta-feira (8) que o governo realizará, ainda neste ano, três leilões de áreas portuárias, com previsão de R$ 582,7 milhões em investimentos. Os certames estão marcados para 9 de dezembro, na sede da B3, em São Paulo.

O projeto com maior volume de investimentos é o arrendamento de uma área denominada de "MUC04", destinada à implantação de exploração de um terminal de movimentação de contêineres e carga geral no Porto de Mucuripe, em Fortaleza (CE). A previsão é de aportes de R$ 429,3 milhões, em 25 anos de arrendamento.

De acordo com o governo, o empreendimento ampliará a capacidade de movimentação de contêineres do Porto de Mucuripe, aumentando sua competitividade, modernizando a infraestrutura existente e elevando a eficiência das operações portuárias.

Também será ofertado o terminal IQI16, no Porto do Itaqui (MA), destinado à movimentação e armazenagem de granéis sólidos minerais, especialmente fertilizantes. O projeto contempla investimentos de R$ 147 milhões e prazo de arrendamento de 25 anos.

O empreendimento permitirá a requalificação de uma área atualmente obsoleta do Porto de Itaqui, ampliando a capacidade de movimentação e armazenagem de fertilizantes e aumentando a eficiência logística do abastecimento nacional.

O terceiro empreendimento é o SSD-A3, no Porto de Salvador (BA), voltado à movimentação e armazenagem de carga geral não conteinerizada, especialmente produtos químicos inorgânicos e fertilizantes ensacados. O investimento previsto é de R$ 6,4 milhões, com prazo de arrendamento de dez anos.

Carteira de investimentos

Franca apresentou nesta quinta-feira a carteira de projetos e investimentos elaborada pela atual gestão para os próximos anos, que soma R$ 160 bilhões. O plano abrange os segmentos sob responsabilidade do ministério, incluindo aeroportos, portos, hidrovias e navegação.

"Da mesma forma que recebemos uma carteira de projetos quando assumimos o ministério, preparamos essa carteira de projetos, para que não haja uma descontinuidade dos investimentos e da infraestrutura nos setores de portos, aeroportos e hidrovias. O conjunto dessa carteira soma R$ 160 bilhões para o próximo ciclo, bem significativo e fundamentado para a tomada de decisão a partir de 2027", afirmou.

Entre os projetos previstos, o ministro destacou que, para o período de 2027 a 2030, a Pasta prevê a realização de 34 leilões portuários, com investimentos estimados em mais de R$ 20,6 bilhões.

O planejamento inclui o novo terminal de contêineres do Porto de Santos, o Tecon Santos 10, com R$ 6,45 bilhões previstos, e o arrendamento do Porto de São Sebastião (SP), com R$ 3,84 bilhões.

Em relação ao Tecon Santos 10, cujo modelo voltou a ser discutido pelo governo, o ministro evitou antecipar qual será o posicionamento a ser encaminhado pelo grupo de trabalho do Executivo à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), mas indicou que o trabalho está sendo finalizado. O leilão, contudo, deverá ficar para o ano que vem.

A Tribuna - SP   09/10/2026

A Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop) atua para que o Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto) seja preservado integralmente até o fim do prazo, em 31 de dezembro de 2028. A Lei Complementar 224/2025, em vigor desde dezembro do ano passado, estabeleceu uma redução geral de 10% dos incentivos e benefícios tributários federais, inclusive do Reporto.

A Fenop pretende que o Projeto de Lei Complementar (PLP) 11/2026, que está em tramitação e altera a Lei Complementar 224/2025, inclua o Reporto na lista de situações em que não se aplica a redução dos incentivos fiscais.

O projeto está em regime de urgência, pronto para apreciação no Plenário e sob relatoria do deputado federal Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL). A Reportagem procurou o parlamentar e a Presidência da Câmara para saber sobre a movimentação da proposta, mas não houve retorno.

Importante

Voltado aos setores portuário e ferroviário, o Reporto permite a suspensão de tributos federais na importação ou aquisição no mercado interno de máquinas, equipamentos e peças de reposição.

O presidente da Fenop, Sérgio Aquino, lembra que já existe impacto sobre preços, planejamento e tomada de decisão em razão da lei complementar, mas o problema central, na visão dele, é a falta de previsibilidade.

“Equipamentos portuários têm valores elevados, grande parcela é importada e os projetos são planejados com anos de antecedência. Alterar o tratamento tributário depois que o investimento foi estruturado significa modificar o custo de capital de projetos que foram concebidos sob outra premissa fiscal”, adverte.

O risco maior, observa o presidente da Fenop, não está apenas na subida do preço do equipamento, mas sim em reduzir a taxa de retorno de investimentos, postergar renovação tecnológica e criar discussão de reequilíbrio em contratos de longo prazo. “Em infraestrutura, uma mudança aparentemente pequena na tributação pode produzir efeito relevante quando aplicada sobre investimentos de dezenas ou centenas de milhões de reais”, acrescenta.

Preservação e prazo

A posição de Aquino é a defesa da preservação integral do Reporto e de sua segurança jurídica até, ao menos, o encerramento do regime. Mais: ele considera que seria interessante aumentar o prazo. “A própria legislação da reforma tributária reconheceu a permanência do Reporto durante a transição, justamente porque se trata de um instrumento de modernização da infraestrutura e de redução do custo de investimento”, recorda Aquino.

A estratégia, de acordo com ele, deve atuar em duas frentes. A primeira envolve o plano técnico e jurídico, “buscando impedir que a Lei Complementar 224 seja interpretada de maneira mais ampla do que autorizou o próprio legislador, especialmente quanto às suspensões tributárias”. A segunda está no âmbito legislativo e institucional, “defendendo a recomposição integral do benefício e sua continuidade durante a transição para o novo sistema tributário”.

“A Fenop parte de uma premissa simples: o Reporto não deve ser analisado como renúncia fiscal. Ele é um instrumento de política econômica destinado a reduzir o custo de capital, aumentar produtividade e ampliar a capacidade logística brasileira. O próprio Governo Federal, quando prorrogou o regime, reconheceu seu papel na atração de investimentos para portos e ferrovias”, diz Aquino.

Antes e depois

A Lei Complementar 224/2025 é fruto de passos anteriores. A história começa com o Projeto de Lei Complementar (PLP) 221/2025, que previa diminuição nos benefícios fiscais. A redução linear, porém, foi aprovada por outro caminho.

Segurança jurídica

O presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), Sérgio Aquino, lembra que a redução de 10% do benefício fiscal, determinada pela Lei Complementar (LC) 224/2025, não significa aumentar em dez pontos percentuais a tributação. “Para isenções e alíquotas zero, por exemplo, passa-se a exigir o equivalente a 10% da alíquota normal do tributo. Para os tributos submetidos à anterioridade nonagesimal, os efeitos da redução passaram a ocorrer a partir de 1º de abril de 2026”, afirma. Anterioridade nonagesimal (ou noventena) é a regra que proíbe o governo de cobrar um tributo antes de passarem 90 dias da publicação da lei que o criou ou aumentou, garantindo um tempo de espera para que haja organização financeira.

“No Reporto, entretanto, a Fenop considera importante registrar que existe discussão jurídica específica sobre a incidência dessa redução durante a fase de suspensão. A LC 224 não tratou expressamente das suspensões em sua fórmula de redução, enquanto a regulamentação infralegal (conjunto de normas criadas por órgãos administrativos e pelo Poder Executivo para detalhar, orientar e aplicar leis que já existem) posteriormente disciplinou o assunto. Esse ponto merece segurança jurídica antes de se impor custo adicional a investimentos já programados”, observa Aquino.

CNN Brasil - SP   09/10/2026

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, divulgou uma nova carteira de projetos e investimentos do MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) para os próximos quatro anos, com investimentos de cerca de R$ 160 bilhões. A apresentação aconteceu durante o encerramento do Fórum Nacional Brasil Export 2026.

Segundo o ministério, a nova carteira tem a finalidade de dar continuidade aos investimentos feitos nos últimos anos. “São investimentos para ampliar a capacidade dos nossos portos, fortalecer a aviação regional e melhorar o transporte pelas hidrovias, com planejamento para os próximos anos”, afirma Franca.

Como noticiado anteriormente pela CNN, na reta final do mandato deste governo a pasta concentrou esforços para consolidar projetos já estruturados.

Obras hidroviárias

Estão previstos investimentos de R$ 7,6 bilhões em obras hidroviárias e de navegação nos próximos quatro anos para melhorar as condições de navegação e a infraestrutura, ampliar o transporte de cargas e fortalecer a integração logística.

Estão previstos R$ 964 milhões para a ampliação do terminal hidroviário de Manaus, o Manaus Moderna, que prevê a melhoria da infraestrutura de embarque e desembarque e das condições de atendimento à população.

Outra parte dos investimentos está destinada a dragagens de manutenção, ao derrocamento do Pedral do Lourenço, à construção, recuperação e manutenção de IP4 (Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte), à modernização de eclusas e à implantação de sistemas de sinalização e monitoramento hidroviário.

Em relação às concessões, estão em estruturação projetos para as hidrovias dos rios São Francisco, Paraguai, Madeira e Tocantins, além da Hidrovia Verde e da Lagoa Mirim.

O maior valor apresentado pelo MPor é a previsão de R$ 95 bilhões em financiamentos priorizados pelo FMM (Fundo da Marinha Mercante) para os próximos anos.

Serão R$ 60 bilhões para projetos navais e R$ 35 bilhões para a infraestrutura portuária. Segundo o governo, esse planejamento inclui medidas para fortalecer o financiamento do setor, como um projeto de lei de modernização do fundo e a criação de um fundo garantidor.
Portos

Para os portos, o ministério prevê 34 leilões, com investimentos estimados em R$ 20,6 bilhões.

Entre os projetos estão o Tecon Santos 10, no Porto de Santos (SP), com R$ 6,45 bilhões; o SSB01, no Porto de São Sebastião (SP), com R$ 3,84 bilhões; o ITJ01, no Porto de Itajaí (SC), com R$ 2,66 bilhões; o VDC10, no Porto de Vila do Conde (PA), com R$ 1,93 bilhão; e o IQI15, no Porto do Itaqui (MA), com R$ 1,22 bilhão.

Também estão previstas 70 autorizações portuárias, incluindo TUPs (Terminais de Uso Privado), ETCs (Estações de Transbordo de Carga) e IPTur (Instalações Portuárias de Turismo), com investimentos estimados em R$ 33,1 bilhões.

A região Sudeste acumula R$ 14,64 bilhões desse montante; o Sul conta com R$ 7,33 bilhões, seguido pelo Norte, com R$ 6,78 bilhões, e pelo Nordeste, com R$ 4,3 bilhões.

Na carteira de investimentos públicos, são 18 obras portuárias previstas, com R$ 2,15 bilhões em investimentos e intervenções para a modernização das defensas dos portos do Recife (PE) e de Natal (RN), a conclusão do Moegão, no Porto de Paranaguá (PR), e a revitalização das vias de acesso terrestre ao Porto de Santana (AP).
Aviação

A aviação civil brasileira recebeu um planejamento que contempla a ampliação da infraestrutura regional e investimentos em aeroportos já concedidos à iniciativa privada.

A carteira conta com dez aeroportos incluídos na repactuação do contrato de concessão do Aeroporto de Brasília, com previsão de R$ 857,8 milhões em investimentos.

Também se destaca a repactuação do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, com R$ 1,5 bilhão previsto em investimentos e integração dos aeroportos regionais.

A pasta ainda prevê obras, estudos e projetos em 59 aeroportos regionais, somando cerca de R$ 2 bilhões.

Dentro desse planejamento, também está sendo considerada a ampliação dos investimentos em atividades econômicas em sítios aeroportuários, como centros logísticos, hotéis, escolas, hospitais e empreendimentos comerciais, que totalizam R$ 6,07 bilhões em investimentos aprovados.

PETROLÍFERO

TN Petróleo - RJ   09/10/2026

A ANP realizou ontem (7/10) pela tarde, no Rio de Janeiro, a sessão pública do 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC). No total, foram arrematados 49 blocos e três áreas com acumulações marginais.

O bônus de assinatura total arrecadado foi de R$ 3.005.659.796,14 para os blocos exploratórios, sendo o maior valor desde o início da Oferta Permanente. Para áreas com acumulações marginais, o bônus total foi de R$ 1.594.000,00.

Hoje pela manhã, também foi realizado o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha, que teve sete blocos no Pré-Sal arrematados.

Oferta Permanente de Concessão – Blocos Exploratórios

No 6º Ciclo de Concessão, os 49 blocos exploratórios arrematados estão localizados nas bacias: Potiguar, Tacutu, Recôncavo, Parnaíba, Tucano Sul, Campos e Ceará. O bônus de assinatura de R$ 3.005.659.796,14 para os blocos significou um ágio médio de 3.511,27%.

Estão previstos investimentos de R$ 1.582.134.400,00 somente na primeira fase dos contratos, a fase de exploração.
Dez empresas fizeram ofertas, e nove delas foram vencedoras.

Oferta Permanente de Concessão – Acumulações Marginais

Já as três áreas com acumulações marginais arrematadas estão nas bacias Potiguar e Tucano Sul. O bônus de R$ 1.594.000,00 para essas áreas representou um ágio médio de 442,18%.

Estão previstos investimentos de R$ 4.500.000,00 somente na primeira fase dos contratos, a fase de exploração.
Duas empresas fizeram ofertas e ambas foram vencedoras.

Veja os resultados completos do 6 Ciclo da OPC: https://www.gov.br/anp/pt-br/rodadas-anp/oferta-permanente/opc/6o-ciclo-da-oferta-permanente-de-concessao/resultados-6o-ciclo-da-oferta-permanente-de-concessao

As empresas ou consórcios vencedores precisam, a partir de agora, seguir as demais etapas previstas no cronograma, como apresentação de documentos e pagamento do bônus de assinatura, para, então, serem assinados os contratos. A assinatura está prevista para ocorrer até 26/02/2027.

Oferta Permanente de Partilha

No 4º Ciclo de Partilha, foram arrematados sete dos 13 blocos em oferta, todos no Polígono do Pré-Sal: Magnetita, Hematita e Azurita, na Bacia de Campos; e Jade, Cruzeiro do Sul, Rubi e Rodocrosita, na Bacia de Campos.

Jornal de Brasília - DF   09/10/2026

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta acima de 4% nesta quinta-feira, 8, com intensificação de ataques no Oriente Médio, o que ameaça a infraestrutura de produção da commodity na região. As ofensivas se sobrepuseram às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reafirmou não ter intenção de retomar os bombardeios a Teerã antes da eleição de meio de mandato. Enquanto isso, a temporada de furacões do Golfo do México tem início, ameaçando o suprimento.

Negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), o petróleo Brent para dezembro fechou em alta de 4,07% (US$ 4,08), a US$ 104,28 o barril.

Já o petróleo WTI para novembro subiu 3,64% (US$ 3,21), a US$ 91,49 o barril, na Nymex.

O porta-voz militar dos Houthis do Iêmen, brigadeiro-general Yahya Saree, afirmou que o grupo atingiu o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, capital da Arábia Saudita, com um míssil balístico. O ataque causou danos e interrompeu o tráfego aéreo no aeroporto saudita, de acordo com os Houthis. Na quarta-feira, o Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou que um navio-tanque foi atingido por múltiplos projéteis no Golfo Pérsico, ao norte do Catar, com relatos de vítimas.

Trump afirmou que o país está tendo “discussões produtivas” com o Irã e que não atacará Teerã antes das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro. Já o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o processo de negociação com Washington ainda está em andamento e que mensagens estão sendo trocadas por meio de mediadores

O primeiro furacão da temporada no Oceano Atlântico, batizado como Isaías, avança em direção ao Golfo do México e já provoca transtornos em áreas da Flórida. Plataformas de produção de petróleo e gás no Golfo já interromperam as operações, o que afeta cerca de 25% da produção local.

A Capital Economics aponta que a disparada nos preços dos derivados de petróleo amplificou o impacto inflacionário do choque energético deste ano, elevando a inflação dos combustíveis para além dos níveis sugeridos apenas pelos preços do petróleo bruto. Embora se espere que essas pressões diminuam à medida que os mercados de petróleo se reequilibram e as margens de refino se normalizam, os riscos apontam para uma inflação mais alta por mais tempo, pontua.

TN Petróleo - RJ   09/10/2026

A PPSA (Pré-Sal Petróleo) passará a gerir 36 contratos sob o regime de partilha da produção após resultado do 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha (OPP), realizado nesta quarta-feira (7), pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no Rio de Janeiro. Na rodada, foram arrematados sete dos 13 blocos ofertados nas Bacias de Campos e de Santos. Atualmente, a PPSA é responsável pela gestão de 29 contratos de partilha.

Para o Diretor-Presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli (foto), o resultado confirma o interesse das empresas pelo potencial do pré-sal e mostra uma nova etapa de desenvolvimento da região.

"Foi um resultado muito positivo e um recorde para a partilha. Nunca tivemos sete áreas arrematadas em um mesmo ciclo. No leilão anterior foram cinco e, agora, chegamos a sete, com ágios muito expressivos. Nossa avaliação é de que o leilão foi um grande sucesso", afirmou.

A rodada também foi marcada pela entrada da PRIO no regime de partilha da produção. A companhia arrematou integralmente os blocos Magnetita e Hematita, na Bacia de Campos. Segundo Paroli, a chegada de novos operadores amplia a diversidade do mercado e cria oportunidades de investimento no país.

"O perfil das áreas hoje ofertadas também mostra uma transformação na dinâmica de desenvolvimento do pré-sal. Depois da descoberta e da implantação dos grandes projetos, novas oportunidades, em áreas menores, podem ser viabilizadas por estarem próximas a campos já em produção, inclusive por meio de projetos de tie-back, que conectam um novo campo a uma plataforma já em operação", explica.

Além da PRIO, cinco empresas que já atuam no regime de partilha arremataram blocos no leilão. CNOOC e Sinopec voltaram a adquirir uma área em conjunto, o bloco Jade, com participações de 70% e 30%, respectivamente. A Petrobras adquiriu Azurita e Cruzeiro do Sul. A Equinor arrematou Rubi e, em parceria com a Galp, adquiriu Rodocrosita.

Todos os sete blocos arrematados receberam ofertas de excedente em óleo para a União superiores aos percentuais mínimos previstos no edital. O ágio médio foi de 108,38%. E o maior ágio foi registrado no bloco Rodocrosita, com 494,64%.

Os bônus de assinatura dos sete blocos somam R$ 530,5 milhões, enquanto os investimentos mínimos previstos apenas para a fase de exploração alcançam R$ 778,4 milhões.

No regime de partilha da produção, parte do petróleo e do gás produzidos é destinada à União. Nos leilões, vence a disputa pela área a empresa ou consórcio que oferece o maior percentual de excedente em óleo para a União, a partir de um percentual mínimo definido previamente no edital.

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