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CLIPPING DIÁRIO

22 de Setembro de 2026

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   22/09/2026

Resultado das eleições, El Niño, situação geopolíticas (que afeta preço do petróleo) são alguns dos fatores que complicam a atuação do Banco Central.

Há consenso de que o Copom deve cortar hoje (16/9) a Selic em 0,25 ponto porcentual (pp), de 14% para 13,75%. A dúvida é sobre os próximos passos, e sobre como o comitê deve se referir a eles no comunicado da decisão, incluindo a hipótese de não dar nenhuma pista.

[A coluna foi publicada em 16/9, antes da decisão do Copom de cortar 0,25pp da Selic, para 13,75%, no mesmo dia]

Carlos Kawall, sócio-fundador da gestora Oriz Partners, nota que o mercado está dividido entre o que pensam que o Banco Central (BC) deve cortar a Selic, no mesmo ritmo, ainda uma ou duas vezes após a reunião de hoje (a última antes do segundo turno); e aqueles que pensam que corta hoje e para. O economista se inclui nesse segundo grupo.

Ele aponta que há analistas que acham que o BC nem deveria estar cortando, a levar em consideração as projeções de inflação acima da meta e a desancoragem das expectativas mais longas.

"No curto prazo, não deve haver notícias boas", acrescenta Kawall.

Segundo o economista, o El Niño já começa a aparecer nos preços, com alta no índice ao produtor, que, além do agro, atinge também os preços industriais. E, com o barril de petróleo acima de US$ 100, há uma pressão muito mais forte para que a grande defasagem dos preços da gasolina e outros combustíveis seja em algum momento corrigida.

Ele lembra que a "inflação corretiva" de preços represados, incluindo combustíveis, foi uma das causas da disparada do IPCA em 2015 (quando atingiu 10,67%), na esteira da eleição presidencial de 2014.

Em termos da atual disputa eleitoral, no caso de vitória de Lula, Kawall pensa que não deve haver sinalização de reversão da atual política fiscal e de retomada de reformas estruturais.

"Deve ser algo mais para uma recalibragem do arcabouço e alguma coisa na receita, numa visão de que time ganhador não tem que fazer muita mudança", ele avalia.

Voltando a comparação com o início do segundo mandato de Dilma, o gestor observa que uma diferença é que hoje os juros externos estão elevados e em alta, tanto os curtos como os longos.

Quanto à recente melhora de curto prazo na inflação cheia, Kawall assinala que houve fatores que não se repetem, como o bônus de Itaipu, além do alívio da inflação de alimentos, que não deve perdurar por causa do El Niño.

Assim, na sua interpretação, há um conjunto de fatores sugerindo cautela na política monetária. Projetando reaceleração da inflação ao longo do resto do ano, em particular no último trimestre, Kawall acrescenta que "a desaceleração econômica em curso não é forte o suficiente para gerar um fechamento do hiato [do produto] na velocidade da desinflação necessária".

Para ele, o contexto indica que o Copom deveria, após o corte previsto para hoje, dar uma parada de reavaliação, incluindo esperar o resultado da eleição e seus efeitos para decidir se o ciclo de cortes continuará.

"O grande ponto nem é tanto a projeção do modelo [do BC], mas sim reconhecer que tem que parar para esperar e ficar 'data dependent'. Dessa forma, o gestor não espera referências no comunicado pós-decisão à avaliação da magnitude total do ciclo, como na última reunião. "Deveria ser um corte acompanhado de discurso mais 'hawkish'", complementa.

No caso de vitória da oposição na eleição e de uma sinalização firme de ajuste fiscal estrutural, Kawall pensa que o Copom ganha graus de liberdade para prosseguir cortando ou até para esperar que se materializem alguns efeitos benéficos, como eventual apreciação do câmbio - se o mercado der o benefício da dúvida para o próximo governo -, que poderiam levar a orçamento e ritmo de cortes até mais intensos mais à frente.

Luciano Sobral, economista-chefe da Neo Investimentos, por sua vez, diz que "o Copom não tem ganho nenhum em sinalizar qualquer coisa às vésperas da eleição".

Ele pensa que uma variável chave para os próximos passos da política monetária é o câmbio. Em termos externos, mesmo com a economia dos Estados Unidos crescendo mais rápido que a de outros países ricos, juros americanos subindo e a incerteza global causada pelo conflito no Oriente Médio, o dólar segue fraco. Para Sobral, se qualquer desses fatores sair do cenário, desenha-se com mais clareza um cenário de fraqueza do dólar.

Por outro lado, na sua visão, eventual vitória de Lula muito possivelmente pode levar a estresse no câmbio, não tanto como em 2002, mas talvez parecido com dezembro de 2024. Entre um cenário externo positivo para o real e o interno negativo, Sobral pensa que este segundo deve predominar. Por outro lado, no caso da vitória de Flávio Bolsonaro, na sua visão, pode haver um rali do real, como na Colômbia em meados do ano após a vitória do direitista Abelardo de la Espriella na eleição presidencial.

Assim, o analista vê uma situação binária à frente, em que um cenário "médio" tem pouco valor.

CNN Brasil - SP   22/09/2026

O Banco Central do Brasil poderá acelerar os cortes da taxa Selic a partir de dezembro, a depender do resultado das eleições. Essa é a avaliação da Quantitas, que identificou um tom mais ameno no comunicado divulgado pelo Copom (Comitê de Política Monetária) nesta semana, apesar de o documento ter trazido poucas alterações em relação aos anteriores.

Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas, avaliou que o Banco Central adotou uma postura especialmente cautelosa em sua comunicação mais recente. Segundo ele, havia dois eventos relevantes que justificavam essa cautela: o processo eleitoral brasileiro e a perspectiva de alta de juros pelo banco central americano. "Era natural que o Banco Central tentasse ser bem cauteloso e aguardar o desdobramento dos dados", afirmou Chermont.

Apesar das poucas mudanças textuais, Chermont destacou que todas as alterações observadas no comunicado apontaram na mesma direção, a de um tom mais suave. Entre os elementos analisados, ele citou a menção mais clara à desaceleração da economia, com o documento reconhecendo que todos os setores caminham nessa direção, ainda que em velocidades distintas.

Além disso, nuances relacionadas ao processo inflacionário indicaram que a inflação estaria convergindo para um patamar mais baixo. "Foram pequenas mudanças de palavras, mas todas elas na mesma direção", ressaltou o economista.
Por que dezembro pode ser um ponto de inflexão

Chermont explicou por que a reunião de dezembro, e não a de novembro, seria o momento mais propício para uma eventual aceleração nos cortes. Segundo ele, a reunião de novembro ocorrerá logo após as eleições, marcadas para 25 de outubro, deixando tempo insuficiente para que os efeitos do resultado eleitoral se reflitam nos indicadores econômicos.

"Para a reunião de dezembro já é bastante tempo. A gente já vai ter muito mais informação do que o novo presidente pretende fazer", disse ele, destacando a política fiscal como o principal fator de atenção do Banco Central atualmente.

Na avaliação da Quantitas, sinalizações positivas do presidente eleito em relação à política fiscal poderiam promover uma descompressão do prêmio de risco do Brasil, do câmbio e das expectativas de inflação, abrindo espaço para o Banco Central acelerar o ritmo de cortes.

Quando questionado sobre a magnitude dessa aceleração, Chermont indicou que cortes de 50 pontos-base seriam o cenário mais provável. "Acho que 50 pontos-base é bastante suficiente para acelerar e não colocar em risco eventuais ganhos que a gente está tendo de inflação", afirmou.
Inflação prevalece sobre atividade em cenário adverso

Diante de um possível cenário de desaceleração da atividade econômica combinada com inflação persistente acima da meta, Chermont foi categórico: a inflação tende a predominar na tomada de decisão do Banco Central.

Ele citou o exemplo de 2015, quando o PIB brasileiro recuou 3,5% enquanto a inflação acelerava, como ilustração de que o combate à inflação impede cortes de juros mesmo em períodos de fraqueza econômica.

O economista frisou, no entanto, que não está prevendo uma repetição daquele cenário. "A inflação acaba predominando e o Banco Central vai ter que ser bem mais cauteloso, seja cortando menos ou seja parando os juros num patamar mais alto", concluiu Chermont, reforçando que a política fiscal também desempenha papel fundamental no controle inflacionário.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. .

Infomoney - SP   22/09/2026

O presidente do Federal Reserve (Fed) de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou nesta segunda-feira (21) que a autoridade monetária precisa ter coragem para enfrentar a inflação e disse que só se sentiria confortável com uma redução dos juros caso haja evidências convincentes de que os preços estão voltando à meta de 2%.

“Se houver evidências convincentes de que a inflação está voltando para 2%, não tenho problema com as taxas voltarem a cair”, afirmou Goolsbee durante sessão de perguntas e respostas em evento em Londres. Segundo ele, o Fed “não tem neste momento um problema de emprego, mas tem um problema de inflação”.

O dirigente disse continuar otimista de que a inflação possa retornar à trajetória da meta de 2%, desde que não surjam novos sinais de superaquecimento da demanda. Goolsbee ponderou, porém, que o Fed ainda tenta determinar quanto da inflação atual decorre de choques de oferta e quanto é resultado da demanda.
“Estou aberto a ser convencido de que o problema atual de inflação não será persistente, mas quero evidências de que ele está desaparecendo”, afirmou. Ele ressaltou que a meta de inflação de 2% deve ser alcançada no médio prazo.

Goolsbee também disse que, se a política fiscal estiver pressionando a inflação para cima, o Fed precisa levar esse efeito em consideração em suas decisões. Para ele, argumentos de que a autoridade monetária deveria reduzir os custos de financiamento do governo federal reforçam a importância da independência do banco central.

O dirigente acrescentou que estimativas para a taxa neutra de juros não são particularmente úteis para decisões de política monetária no curto prazo.

Infomoney - SP   22/09/2026

A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 984,2 milhões na terceira semana de setembro. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 21, o valor foi alcançado com exportações de US$ 7,701 bilhões e importações de US$ 6,717 bilhões.

O mês de setembro acumula superávit de US$ 4,284 bilhões, resultante de US$ 21,892 bilhões em exportações e US$ 17,608 bilhões em importações.

Até a terceira semana de setembro, comparado ao mesmo período do mês de 2025, as exportações cresceram 21,5%. O desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de 12,5% em Agropecuária, que somou US$ 4,444 bilhões; crescimento de 44,7% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 5,774 bilhões e, por fim, crescimento de 15,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 11,436 bilhões.

Em relação às importações, houve alta de 9,0% na mesma comparação. Houve aumento de 18,0% em Agropecuária, que somou US$ 332,7 milhões; de 34,8% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 897,7 milhões e, por fim, crescimento de 7,6% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 16,278 bilhões.

Acumulado do ano

De janeiro até a terceira semana de setembro, o ano acumula superávit de US$ 59,601 bilhões, um crescimento de 35,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando o superávit no período somava US$ 46,300 bilhões.

A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial seja de US$ 90,0 bilhões neste ano, crescimento de 32,3% em relação a 2025.

O resultado projetado para este ano é decorrente de uma previsão de US$ 394,4 bilhões em exportações e US$ 304,4 bilhões em importações.

Jornal de Brasília - DF   22/09/2026

A atividade econômica dá sinais cada vez mais claros de desaceleração, com dados que apontam para o esfriamento do mercado de trabalho e o enfraquecimento do consumo em meio ao elevado comprometimento de renda das famílias, afirma o Bradesco.

Nesse cenário, o Banco Central terá espaço para cortar a Selic, taxa básica de juros, dos atuais 13,75% a 13,25% ao ano até o final de 2026, projeta o banco, que revisou para baixo a expectativa da taxa. A instituição financeira manteve a projeção para a taxa em 11% em 2027.

Para o Bradesco, a economia brasileira crescerá 1,7% neste ano (em vez dos 1,9% da expectativa anterior) e 1% no ano que vem (ante 1,3% da última projeção).

“Existe uma fraqueza do consumo importante, que contrasta com o mercado de trabalho sólido que temos visto, e isso tem a ver com o endividamento das famílias e principalmente com o elevado comprometimento de renda”, afirmou Fernando Honorato, economista-chefe do banco em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira (21).

Conforme o banco, há sinais de que o mercado de trabalho está esfriando como consequência da perda de tração do consumo.

“Estamos vendo os sinais de esfriamento da economia em setores mais vulneráveis. Entre as empresas, as únicas que ainda estão contratando são aquelas de grande porte”, afirmou a economista Myriã Bast, Superintendente Sênior de Pesquisa Econômica do Bradesco.

Segundo ela, há queda de rendimento dos informais na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). “Os dados ainda estão estáveis, mas os riscos em relação à atividade econômica são todos para baixo.”

Apesar disso, a instituição financeira vê como muito baixa a chance de uma recessão da economia em 2027.

O Bradesco acredita agora que a inflação finalizará o ano em 4,9% (contra 5% da última projeção) e manteve o indicador de preços em 4,1% no ano que vem. O banco manteve a projeção do dólar em R$ 5 para o final de 2026 e R$ 5,20 no final de 2027.

Do lado dos riscos para a inflação, a instituição financeira vê como principais o El Niño, o fim da escala 6x1, o impacto da alta do petróleo e a reforma tributária. “Desses riscos, o mais concreto é as commodities em alta, há pressão a caminho”, afirmou Honorato.

O Bradesco trabalha com a premissa de que o arcabouço fiscal será cumprido no ano que vem, mesmo que não haja mudanças implementadas pelo próximo governo. “A questão é se o mercado aceitará apenas o cumprimento do arcabouço como suficiente”, disse o economista-chefe.

CNN Brasil - SP   22/09/2026

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta segunda-feira (21) que Washington e Pequim formalizaram um diálogo sobre IA (Inteligência Artificial) e abrirão um canal de comunicação para lidar com incidentes relacionados à tecnologia.

Segundo ele, representantes dos dois países voltarão a se reunir em Shenzhen, na China, dentro de dois meses para discutir o tema.

Em entrevista à CNBC, Bessent disse ainda que há possibilidade de o presidente norte-americano, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, se encontrarem outras duas vezes depois desta semana.

O secretário afirmou ter discutido tarifas com autoridades chinesas. Segundo ele, os dois lados analisam itens que poderiam ficar sujeitos a tarifas de nação mais favorecida, enquanto produtos de energia, do lado americano, poderiam ser elegíveis a cortes tarifários.

Na área de IA, Bessent avaliou que modelos chineses são "muito poderosos", embora tenha ressaltado que os EUA seguem na liderança.

Ele também defendeu que os laboratórios assumam responsabilidade por seus próprios sistemas e afirmou que uma autoridade dedicada ao tema poderia estabelecer parâmetros para lidar com incidentes envolvendo a tecnologia.

Sobre o Irã, Bessent disse não saber por quanto tempo a guerra ainda vai durar e afirmou ter discutido o tema com autoridades chinesas. Segundo ele, Pequim está "muito engajada" nas conversas, incluindo o presidente do PBoC (Banco do Povo da China), Pan Gongsheng.

Bessent também declarou que, em 23 de setembro, companhias aéreas iranianas serão paralisadas globalmente. Ele argumentou que isso pode ocorrer caso seja negado o reabastecimento de aeronaves após pousos em aeroportos.

Em política financeira, reiterou que os Treasuries apresentam correlação incomum com os preços de energia e disse que será preciso observar se o movimento representa um choque de oferta no setor. Bessent afirmou ainda que não houve aceleração da inflação subjacente e que a pressão está concentrada no índice cheio.

Segundo ele, desde a ampliação das recompras de títulos, os rendimentos dos Treasuries de 30 anos "não subiram muito". O secretário acrescentou que os juros "deverão cair depois do conflito".

MINERAÇÃO

O Estado de S.Paulo - SP   22/09/2026

Banco mantém recomendação de compra para a Vale e projeta retorno total de 30,2%, mas vê poucos gatilhos para as ações no curto prazo em meio ao cenário mais fraco para o minério

O BTG Pactual manteve a recomendação de compra para Vale (VALE3) após conversas com o CEO Gustavo Pimenta, mas afirmou que a ação segue com poucos gatilhos no curto prazo para uma reprecificação mais relevante, em meio a piora na dinâmica de lucros. O banco destacou que a estratégia de frete e hedge de bunker - ou seja, proteção contra a alta do combustível marítimo - ajuda a amortecer o choque recente, embora não elimine os efeitos do ambiente de minério mais fraco e fretes elevados.

Segundo os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, a Vale estima que mais de 120 milhões de toneladas de oferta global de minério estejam operando no prejuízo nas condições atuais de preços e frete. A empresa espera que alguma racionalização de oferta dê suporte a uma recuperação do minério, mas não tem planos imediatos de cortar capacidade própria.

Se o cenário persistir, porém, pode ajustar parte das compras de terceiros, de cerca de 30 milhões de toneladas por ano, e um volume menor de produção própria de maior custo, estimado em cerca de 5 milhões de toneladas anuais.

O BTG afirmou que a Vale segue relativamente protegida do pico de frete. Estruturalmente, cerca de 70% a 75% do frete estaria coberto por contratos de longo prazo e navios dedicados, com taxas de US$ 18 a US$ 20 por tonelada considerando bunker de US$ 500 por tonelada.

Para 2027, a companhia teria hedgeado (protegido) cerca de 70% das necessidades de bunker a um equivalente de petróleo de US$ 78 por barril. Com bunker perto de US$ 750 por tonelada, a Vale estima que o frete do bloco contratado poderia ficar em torno de US$ 23 por tonelada em 2027, ainda abaixo dos cerca de US$ 42 por tonelada cobrados no mercado à vista. A empresa também espera normalização dos fretes ao longo do tempo com a entrada de novos navios no mercado no próximo ano.

O banco avalia que cortes de produção própria, se ocorrerem, tendem a ser pouco relevantes, mas diz que o principal “botão” é reduzir compras de minério de terceiros, já que a administração reforçou que cada navio saindo do Brasil precisa gerar margem positiva.

Para os analistas, a redução desses volumes também ajudaria a melhorar mix e margens, em um ambiente de piora de teor e aumento de alumina no minério disponível no mercado, o que tende a favorecer produtos de maior qualidade e capacidade de combinar diferentes tipos de minério da Vale.

Em metais básicos, o BTG diz que a empresa segue vendo a oferta pública inicial (IPO) da Vale Base Metals como opcionalidade de longo prazo, sem prioridade no curto prazo e sem pressão do governo.

A Vale considera que a plataforma consegue financiar o crescimento organicamente e deve dar mais visibilidade do pipeline (mapa das etapas que compõem o processo de vendas de uma empresa) no Vale Day em dezembro.

Em cobre, o banco cita que a companhia mantém foco em projetos sob seu controle, como Alemão, e avalia parceiro estratégico para Hu’u.

Em níquel, a prioridade é eficiência, não expansão. No tema de retorno de capital, o BTG diz que não houve atualização relevante e que decisões sobre dividendos e recompras devem depender do desempenho no fim do ano.

O banco afirma que o principal vetor para reduzir o desconto em relação a pares australianos continua sendo o cobre, caso a Vale entregue o plano de ampliar de forma relevante a produção. O relatório menciona ainda que a companhia vê a Samarco como potencial fonte de valor, com operação melhorando e capacidade projetada em cerca de 28 milhões de toneladas por ano.

O banco mantém preço-alvo de US$ 18 para o American Depositary Receipt, o ADR, (recibos que permitem que investidores consigam comprar nos EUA ações de empresas não americanas) da Vale, o que implica potencial de alta de 24,4% ante o último fechamento, e estima rendimento médio de 5,8%, levando o retorno total projetado a 30,2%.

IstoÉ Dinheiro - SP   22/09/2026

Nesta segunda-feira, 21 de setembro, os minério de ferro futuros registraram ligeira alta, impulsionados pela expectativa de que as siderúrgicas chinesas aumentem suas compras antes do feriado do Dia Nacional da China. No entanto, o aumento dos estoques portuários limitou os ganhos de preço nos principais mercados asiáticos, como Cingapura e Dalian.
O que aconteceu
Os minério de ferro futuros registraram ligeira alta devido à expectativa de aumento nas compras chinesas. Siderúrgicas chinesas devem intensificar aquisições de matéria-prima antes do feriado do Dia Nacional. O avanço nos preços foi contido pelo crescimento dos estoques em portos chineses.

O contrato de minério de ferro para janeiro, o mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China, foi negociado com alta de 0,14%, alcançando 715 iuanes (US$106,79) por tonelada. Em Cingapura, a referência de minério de ferro para outubro na Bolsa da cidade permaneceu praticamente estável, cotada a US$97,2 por tonelada.

Demanda e estoques de minério de ferro

A recuperação dos futuros do minério de ferro foi sustentada pelas expectativas de um aumento nas compras por parte das siderúrgicas chinesas. Analistas da ANZ Research destacaram em nota que a demanda por essa matéria-prima geralmente melhora antes do feriado local em outubro, um período de maior atividade para o setor.

Contudo, a redução dos estoques tem sido modesta e os preços se mantêm na faixa mais baixa de variação sazonal, observaram os analistas. Essa situação reflete um cenário de cautela, onde a demanda pontual se choca com a oferta disponível.

Os estoques portuários em 35 dos principais portos chineses registraram um aumento de 840 mil toneladas em relação à semana anterior, atingindo 144,33 milhões de toneladas em 18 de setembro. Esses dados, divulgados pelo Shanghai Metals Market, revertem uma tendência anterior de redução de estoques, exercendo pressão sobre os preços futuros.
Pressão sobre siderúrgicas chinesas?

A demanda por minério de ferro tem se mantido praticamente estável, enquanto os cortes na produção foram graduais, afirmaram analistas do Shanghai Metals Market. Isso ocorre mesmo com as margens das siderúrgicas sob pressão devido aos custos mais altos do coque, um insumo essencial para a produção de aço.

Outras matérias-primas para a produção de aço negociadas na Bolsa de Dalian registraram ligeiras quedas. O carvão de coque cedeu 0,26%, e o coque registrou baixa de 0,03%, refletindo a dinâmica complexa do mercado de commodities.

Money Times - SP   22/09/2026

Dona de um gigantesco complexo de produção de minério de ferro em Carajás, no sul do Pará, a Vale (VALE3) vislumbrou valor futuro em uma operação de pequeno porte situada na mesma região, tocada pela mineradora Ligga S.A., que foi fundada e é controlada pelo grupo Santa Elina.

A companhia assinou, na sexta-feira, 18, um acordo considerado estratégico, pelo qual adquire uma participação acionária minoritária de 30% da Ligga. Ao mesmo tempo, firmou um contrato exclusivo (offtake) que garante a compra de toda a produção atual e futura da mineradora por longo prazo.

A Ligga tem instalações de produção de minério de ferro da mina Ferro Sul, localizadas entre os municípios de Curionópolis e Parauapebas.

As reservas, a mina e a área de produção da Ligga ficam aproximadamente a 10 quilômetros da Estrada de Ferro Carajás (EFC), ferrovia operada pela Vale que transporta minério produzido em Carajás para seu terminal portuário Ponta da Madeira, em São Luís, de onde é embarcado em grandes navios rumo a mercados do exterior.

O valor do negócio não foi revelado pelas duas companhias. Procurada, a Ligga informou que não comenta a operação. Já a Vale emitiu nota confirmando o acordo e fornecendo mais detalhes.

Atualmente, a Ligga produz 2 milhões de toneladas por ano do minério do tipo sinter-feed (conhecido como finos), que já é vendido para a nova sócia. Conforme a nota da Vale, o plano, com o acordo, é ampliar o volume da mina para 8 milhões de toneladas em dois anos.

O projeto de expansão, que está em fase inicial de implantação, já conta com licença de instalação da Semas (Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Estado do Pará). Estão previstas nova planta de beneficiamento, obras de infraestrutura e a construção de uma solução ferroviária, prevista para entrar em operação em junho de 2028, eliminando o transporte por caminhões do minério até a EFC.

No plano de expansão, serão feitos investimentos da ordem de R$ 500 milhões, a partir do aporte da Vale e da geração de caixa da própria Ligga, apurou o Estadão com pessoas que atuam no setor e conhecem o projeto. Os recursos serão aplicados principalmente em um ramal ferroviário de 9 km. ligando a mina até a ferrovia da Vale, e na nova instalação de concentração e beneficiamento do minério.

No comunicado divulgado, a Vale destaca que “a operação reforça a flexibilidade do portfólio da Vale na região de Carajás (PA) ao garantir acesso ágil a volumes minerais estratégicos. A parceria segue um modelo de baixa intensidade de capital, permitindo incorporar reservas consolidadas sem os investimentos e prazos regulatórios de novos projetos greenfield.”

O Estadão apurou que as reservas certificadas de minério de ferro da Ligga são da ordem de 1,5 bilhão de toneladas, o que deve também ter atraído o interesse da Vale para investimento no negócio. Essa riqueza permitirá, no futuro, novas ampliações de produção e até investir em outro tipo de minério, o itabirito, na mesma jazida, e vir a produzir pellet-feed, que requer tecnologia mais sofisticada.

O pellet-feed, de alto teor (em torno de 67% de ferro), é mais utilizado em processos chamados de redução direta para produção de aço. Esse produto tem atualmente grande demanda no mercado mundial por parte de siderúrgicas que buscam reduzir a emissão de CO2 na produção de aço. É a onda conhecida como descarbonização do aço.

Se do lado da Vale, o acordo tem o fator estratégico com compra de minério de qualidade e acesso a uma reserva mineral enorme que está em seu quintal, para a Ligga o negócio propicia acesso à logística (ferroviária e portuária) e garantia de venda para uma companhia com penetração nos principais mercados do mundo com sua estrutura comercial.

O negócio integra a produção da Ligga ao corredor logístico existente da nova sócia: a ferrovia EFC e o terminal de Ponta da Madeira. Com isso, irá aproveitar a eficiência logística da Vale em escala global.

A Vale é a maior mineradora de ferro do mundo, com produção de 336 milhões de toneladas em 2025 nos dois sistemas operacionais: o Sul, em Minas Gerais, e o Norte, em Carajás. Somente o volume extraído no complexo Carajás atingiu 177,5 milhões de toneladas – a quase totalidade de minério sinter-feed.

A companhia brasileira compete globalmente com as também gigantes da mineração Rio Tinto, BHP, FMG (Fortescue Metals Group) – as três na Austrália – e Anglo American (África do Sul e Brasil).
Origens e expansão passo a passo

A entrada do grupo Santa Elina no negócio de minério de ferro se deu com a criação da Rio Minas Mineração, em 2011. A empresa, sediada em Cuiabá, incorporou todos os direitos minerais para exploração de minério de ferro do grupo no Pará, na região de Carajás.

Dez anos depois, a Rio Minas foi renomeada Ligga S.A., decorrente da formação de uma joint venture entre Santa Elina e o grupo Cosan, que visava uma integração do seu projeto de terminal portuário em São Luís com as reservas de minério de ferro da Ligga.

O empreendimento não evoluiu, principalmente em razão da entrada da Cosan no capital da Vale em 2022, adquirindo 4,9% das ações. Neste ano (2026), os acionistas da Santa Elina e da Cosan decidiram desfazer a joint venture. A joint venture, na época, previa criar uma companhia mineradora de ferro apta a produzir cerca de 10 milhões de toneladas por ano, a partir de 2025, e tinha plano de triplicar o volume.

A mina da Ligga começou a operar em 2022, crescendo aos poucos, de 600 mil toneladas para 1 milhão e depois 2 milhões de toneladas. Ao alcançar o novo patamar de produção, em 2028/2029, que será alavancado com a entrada da Vale no capital, a mineradora se tornaria uma empresa com receita na faixa de US$ 800 milhões pelos preços atuais de referência do minério na China, maior consumidor da commodity no mundo. No entanto, a fórmula do preço de venda é outra, pois o minério é entregue à Vale na ferrovia.

Mesmo com a mina quadruplicada, a Ligga, sem a estrutura da nova sócia, teria dificuldades para competir no mercado internacional. O frete marítimo, com a guerra EUA-Irã, subiu muito, afetando produtoras de pequeno e médio porte. Algumas já anunciaram paralisação de parte de suas minas. Estar na estrutura logística e comercial da Vale é um benefício para a Ligga. E juntas poderão fazer planos para crescimento da produção, disse um especialista ao Estadão.

O grupo Santa Elina pertence à família Brito e foi fundado na década de 70 por Paulo Brito, inicialmente focado na exploração de ouro. Hoje, a família é a maior acionista da mineradora de ouro Aura Minerals, que é listada na Nasdaq (Nova York) e na B3 (BDR).

A Santa Elina, além do minério de ferro no Pará, tem produção de zinco e chumbo em Rondônia.

AUTOMOTIVO

Automotive Business - SP   22/09/2026

O CEO global da Hyundai Motor, José Muñoz, afirmou que os Estados Unidos podem sofrer uma forte onda de importação de veículos chineses caso Washington reduza as tarifas atuais ou flexibilize barreiras comerciais que protegem o mercado americano.

Ele comparou o cenário com a Europa, onde as montadoras têm conseguido espaço no mercado. Muñoz afirmou que os veículos chineses são de 30% a 40% mais baratos do que os modelos concorrentes em alguns mercados como o da Itália, Espanha e França.

Essa expansão com preços competitivos ocorre apesar das barreiras comerciais, como tarifas impostas pela União Europeia a veículos elétricos fabricados na China, após concluir que eles se beneficiavam de subsídios estatais desleais. O Reino Unido, que deixou a UE em 2020, não adotou tarifas semelhantes.

O Reino Unido, que no passado era um mercado muito lucrativo e forte, tornou-se como a China. Todos os modelos mais vendidos são chineses porque não há barreiras., disse Muñoz.

O CEO defende que os Estados Unidos precisam impor condições para minimizar o impacto das chinesas no país. Acredito que podemos esperar situações semelhantes nos EUA, em diferentes níveis, a menos que certas condições sejam estabelecidas, completou.

Hoje, os EUA bloqueiam efetivamente as importações de veículos elétricos chineses com tarifas de cerca de 100%. O presidente Donald Trump disse, na semana passada, que não é contra a fabricação por montadoras chinesas nos EUA, desde que isso gere empregos no país.

Valor - SP   22/09/2026

'Eu esperava que as medidas acordadas em 2024 já fossem suficientes — infelizmente, não foi o que aconteceu', disse o chefe da marca

A Volkswagen intensificará seu programa de recuperação, afirmou, nesta segunda-feira (21), o chefe da marca, depois que a segunda maior montadora do mundo anunciou custos extraordinários de 10 bilhões euros (US$ 11,5 bilhões), aprofundando uma crise que desencadeou a maior reestruturação da história do grupo.

“Eu esperava que as medidas acordadas em 2024 já fossem suficientes — infelizmente, não foi o que aconteceu”, disse Thomas Schaefer em uma reunião com funcionários na sede da Volkswagen em Wolfsburg, no Estado da Baixa Saxônia, em meio a protestos de trabalhadores do setor automotivo em toda a Alemanha nesta segunda-feira.

“Não temos absolutamente nenhum tempo a perder e, portanto, voltaremos a intensificar significativamente nosso programa de desempenho”, afirmou, acrescentando que a empresa discutirá com os representantes dos funcionários como proceder.

Trabalhadores do setor automotivo alemão realizaram protestos em todo o país nesta segunda, menos de três dias depois de um alerta inesperado sobre o lucro da Volkswagen evidenciar os desafios sem precedentes enfrentados pelo setor diante dos custos elevados e da forte concorrência de rivais asiáticos.

Os protestos na Volkswagen, na BMW e na fabricante de autopeças Bosch ocorrem no momento em que a indústria mais importante da Alemanha enfrenta cortes dolorosos de empregos, possíveis transferências de produção e até fechamentos de fábricas. A crise também se refletiu nos resultados de duas eleições estaduais realizadas no domingo.

Somente a Volkswagen planeja cortar outros 50 mil empregos como parte da maior reestruturação de sua história, acordada com as partes interessadas no início deste mês. O acordo evitou um confronto aberto com os poderosos sindicatos, que, ainda assim, reiteraram os apelos para que a administração resolva os problemas.

A presidente do conselho de trabalhadores da Volkswagen, Daniela Cavallo, e a presidente do sindicato IG Metall, Christiane Benner, pediram maior proteção contra a concorrência desleal da China, uma política mais eficaz de subsídios da União Europeia e a continuidade de um programa de aposentadoria gradual.

“Esperamos que os líderes empresariais e as equipes de administração assumam responsabilidade pela Alemanha como uma potência automotiva, pelos trabalhadores e pelos empregos”, disse Benner aos funcionários na sede da Volkswagen, em Wolfsburg.

As montadoras europeias enfrentam uma concorrência cada vez maior de rivais asiáticas, tanto no exterior quanto no mercado interno, o que cria um grande problema para a Volkswagen. A empresa já enfrenta excesso de capacidade produtiva no continente, tarifas dos Estados Unidos e uma forte queda nos lucros na China.

Na sexta-feira, a Volkswagen reduziu sua projeção de margem de lucro para 2026 para, no máximo, 1%, atribuindo a decisão à fraqueza do mercado chinês e ao aumento das provisões para aposentadorias, além de expectativas pouco animadoras para sua marca de carros esportivos Porsche.

Parte do problema foi a aceleração da demanda por veículos elétricos menos rentáveis, o que evidencia a contínua dependência do setor em relação aos motores a combustão, que durante décadas impulsionaram a maior economia da Europa.

“Por causa da inércia e de avaliações desastrosamente equivocadas, a maioria dos executivos não conseguiu acompanhar os avanços da mobilidade elétrica, da digitalização e da tecnologia de baterias, fazendo com que as indústrias automotiva e de fornecedores da Alemanha ficassem para trás”, afirmou Horst Ott, do sindicato IG Metall.

Globo Online - RJ   22/09/2026

Milhares de trabalhadores em toda a Alemanha realizam protestos nesta segunda-feira, em busca de proteção para empregos e fábricas, depois de a Volkswagen reduzir suas projeções financeiras pela segunda vez neste ano, no mais recente sinal da crise que atinge o setor.

Funcionários da Volkswagen, Mercedes-Benz, BMW, Audi e Porsche, além de grandes fornecedores, participam de manifestações em mais de 280 eventos em todo o país. O influente sindicato IG Metall pressiona as empresas a proteger fábricas e empregos, enquanto pede ao governo do chanceler Friedrich Merz que reduza os custos de energia e proteja a produção nacional da concorrência de importações de baixo custo.

— Os trabalhadores não causaram esta crise — disse a presidente do IG Metall, Christiane Benner, a jornalistas na sede da Volkswagen em Wolfsburg. A União Europeia deveria ampliar as tarifas sobre carros importados da China para proteger os fabricantes do bloco, acrescentou Benner, que integra o conselho de supervisão da Volkswagen.

A maior montadora da Europa reduziu na sexta-feira sua previsão de margem operacional para no máximo 1%, ante pelo menos 4% anteriormente. A empresa citou a piora das condições na China, custos de reestruturação e uma baixa contábil de € 6 bilhões relacionada à fabricante de carros esportivos Porsche.

As ações ampliaram a queda nesta segunda-feira, recuando até 2,6%. Na sexta-feira, os papéis despencaram mais de 5% e acumulam queda de cerca de 27% neste ano.

O alerta sobre os lucros evidenciou as pressões que se acumulam sobre as fabricantes alemãs. A China, há muito tempo uma importante fonte de crescimento, está perdendo força, enquanto concorrentes chinesas cada vez mais competitivas se expandem na Europa. As montadoras alemãs também enfrentam altos gastos com a eletrificação, barreiras comerciais dos Estados Unidos e o desafio de reduzir uma cara estrutura de produção nacional.

— As mudanças no mercado são profundas e duradouras — disse o diretor financeiro da Volkswagen, Arno Antlitz, após o alerta — Não temos tempo a perder.

Em julho, a Volkswagen reduziu suas projeções de receita e de entrega de veículos. A montadora manteve sua previsão de fluxo de caixa líquido da divisão automotiva entre € 3 bilhões e € 6 bilhões.

Os protestos também ocorrem um dia após duas eleições regionais nas quais os democratas-cristãos de Merz sofreram derrotas expressivas. Em Berlim, o partido foi derrotado pelo partido de extrema esquerda Die Linke, enquanto, no estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, ficou de fora da assembleia estadual pela primeira vez na história da Alemanha pós-Segunda Guerra Mundial.

Os resultados, que também incluem novos avanços do partido de extrema direita AfD, aumentam os desafios para um governo que tenta recuperar a competitividade da Alemanha enquanto as fabricantes cortam empregos e consideram o fechamento de fábricas.

Cortes de postos de trabalho

A tradicional indústria automobilística alemã eliminou cerca de 100 mil postos de trabalho desde 2019, segundo a associação do setor VDA, e novos cortes estão por vir. A Volkswagen apresentou planos que, em última instância, podem afetar cerca de 100 mil postos de trabalho em todo o mundo, a BMW está eliminando cerca de 8 mil vagas e a Mercedes-Benz está reduzindo a produção na Alemanha enquanto amplia operações de menor custo na Hungria.

O impacto é profundo em toda a indústria. Entre 2019 e 2025, os fornecedores de autopeças eliminaram cerca de 74 mil postos de trabalho, quase um quarto de sua força de trabalho, segundo a VDA.

A retração reflete desafios mais amplos ao modelo industrial da Alemanha. Durante décadas, as fabricantes prosperaram com energia relativamente barata, mercados abertos e forte demanda da China. A invasão da Ucrânia pela Rússia desorganizou o fornecimento de energia, enquanto o crescimento enfraqueceu na China, onde concorrentes locais, como a BYD, surgiram com alternativas mais baratas a alguns dos modelos mais vendidos das montadoras alemãs.

Desafios do setor

A Volkswagen reúne muitas dessas pressões. Os altos lucros obtidos na China e com marcas premium ajudaram a sustentar uma enorme estrutura de produção na Alemanha e a financiar investimentos em novas tecnologias. Com a retração do mercado automotivo chinês, as fabricantes chinesas estão levando para a Europa carros elétricos e híbridos mais baratos. Em julho, a participação dessas marcas em todo o continente saltou para 11%.

O conflito no Oriente Médio acrescentou uma nova pressão, com os preços da gasolina e do diesel atingindo níveis recordes na Alemanha neste mês. Embora as vendas de veículos elétricos estejam crescendo na Europa, elas costumam ser menos lucrativas. Os EUA, por sua vez, se tornaram um mercado mais difícil para as montadoras alemãs que não têm produção no país — especialmente Porsche e Audi — devido à política tarifária do presidente Donald Trump.

“Uma recuperação da Volkswagen terá de vir de suas duas marcas premium, Porsche e Audi, prejudicadas pelas tarifas dos Estados Unidos, mas, acima de tudo, dependentes de uma estabilização na China”, afirmou por e-mail Adrien Brasey, analista do setor automotivo da Alphavalue. “O que isso significa para o setor: com um excesso de capacidade produtiva tão elevado em seu mercado interno, as montadoras chinesas continuarão a exportar em grande escala, aumentando a pressão sobre os preços globalmente.”

O governo de Merz respondeu com um fundo de € 500 bilhões para infraestrutura, incentivos a investimentos e medidas para reduzir os custos de eletricidade e os impostos. Mas muitas dessas medidas levarão anos para produzir efeitos — os cortes de impostos para empresas, por exemplo, só começam em 2028 — enquanto as companhias estão cortando empregos e redirecionando investimentos agora.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Monitor Digital - RJ   22/09/2026

O Banco Central divulga nesta terça-feira (22) a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano. A decisão, tomada em 16 de setembro, foi unânime e marcou o quinto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual. A redução anunciada semana passada mantém o ciclo de flexibilização iniciado em março. Desde então, o Copom promoveu cinco cortes consecutivos, levando a Selic de 15% para os atuais 13,75% ao ano, uma redução acumulada de 1,25 ponto percentual. A decisão de setembro manteve o ritmo adotado nas quatro reuniões anteriores.

Segundo Luccas Isnard, CEO da Vizu Imobiliária Boutique, a ata do Copom ganha importância para o mercado imobiliário justamente por trazer sinais sobre os próximos passos da política monetária. “Mais importante do que olhar apenas para o corte desta reunião é entender o que o Banco Central sinaliza para os próximos meses. No mercado imobiliário, a trajetória dos juros influencia diretamente o custo do financiamento e, consequentemente, a capacidade de compra das famílias. Por isso, a ata pode ajudar a esclarecer se estamos diante de um ciclo que ainda tem espaço para avançar ou de um movimento mais limitado”, afirma.

Enquanto o comunicado da decisão cabe em pouco mais de uma página, a ata traz o balanço de riscos, a leitura do comitê sobre atividade, emprego e inflação e as condições para seguir ou pausar o ciclo. Por trazer informações adicionais sobre os riscos e os próximos passos da política monetária, a ata é acompanhada pelo mercado em busca de sinais sobre a trajetória dos juros.

O texto chega em um cenário de cautela. No comunicado, o Copom reafirmou que a magnitude total do ciclo será definida à luz de novas informações. As expectativas de inflação seguem acima da meta: o boletim Focus projeta 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027. A projeção é de Selic em 13,75% no fim deste ano e 12% em 2027, o que aponta para uma trajetória de cortes mais moderada. Ainda há duas reuniões previstas em 2026, em novembro e dezembro. Além disso, o ambiente internacional e as decisões de outros bancos centrais podem influenciar o espaço para novos cortes no Brasil.

Para o mercado imobiliário, a leitura da ata pode ser tão relevante quanto o corte de 0,25 ponto. Financiamentos e taxas dos bancos costumam acompanhar a expectativa sobre a trajetória da Selic, e não apenas o número do dia. Uma ata mais dura tende a reforçar o compasso de espera de quem depende de crédito, enquanto um tom mais flexível pode animar quem adiou a compra. “O mercado imobiliário acompanha esse movimento com atenção porque decisões de compra e venda, principalmente em faixas de maior valor, dependem de planejamento financeiro e previsibilidade. Mesmo com a Selic ainda em um patamar elevado, uma sinalização mais clara sobre os próximos passos dos juros permite que compradores, investidores e empresas trabalhem com cenários mais concretos para os próximos meses”, conclui Isnard.

A ata será acompanhada de perto por investidores, bancos e pelo setor da construção. Até a próxima reunião do Copom, o mercado seguirá atento à inflação, ao emprego e ao câmbio para ajustar suas expectativas.

O Estado de S.Paulo - SP   22/09/2026

A Construtora Tenda está ampliando sua atuação dentro do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e acaba de entrar na recém-criada faixa 4 do programa, destinada a famílias com renda mensal de até R$ 13 mil. A iniciativa representa uma mudança no posicionamento da companhia dentro do programa, que historicamente concentra sua operação nas faixas 1 e 2, para famílias que ganham até R$ 5 mil.

“O que nos motivou a entrar neste segmento foi a forte demanda nessa faixa em algumas de nossas praças, assim como o incentivo do programa”, afirmou à Coluna o diretor financeiro, Luiz Maurício Garcia. “Acreditamos que a soma das faixas 3 e 4 podem representar um terço do nosso volume de lançamentos”, emendou.

O primeiro lançamento da Tenda na faixa 4 é com o empreendimento Aruna Patamares, em Salvador, com valor geral de vendas estimado em R$ 500 milhões. O projeto terá quatro torres e um total de 1,1 mil apartamentos partindo de R$ 400 mil. A estrutura de lazer inclui piscinas adulto e infantil, espaço fitness, quadra de areia, salão de festas e espaço família.

Segmento foi criado no ano passado

A faixa 4 foi criada ano passado para atender uma parte da população de classe média que não vinha conseguindo comprar imóveis por causa dos juros altos do financiamento. Dentro do MCMV, o crédito tem juro menor, de 10% ao ano, graças a subsídios. Fora do programa, está em torno de 12% a 14% ao ano.

A grande inovação aí foi usar recursos do fundo social do pré-sal para financiar o mercado imobiliário. Nas outras faixas do Minha Casa, os recursos saem do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

De lá para cá, a faixa 4 foi ganhando espaço no mercado. Empresas como MRV, Direcional e Cury, por exemplo, passaram a lançar projetos no setor. De janeiro a agosto de 2026, foram contratadas 30,6 mil unidades neste segmento em todo o mercado, o equivalente a 6,4% do total. Isso é o triplo do mesmo período do ano passado, quando ocorreram 10,2 mil contratações, ou 2,5% do total do programa.

Rodoviário

Globo Online - RJ   22/09/2026

O Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (SEIOP), deu um passo importante para impulsionar a infraestrutura viária fluminense. Uma articulação direta em Brasília permitiu regularizar pendências com a União e destravar a liberação de cerca de R$ 120 milhões para investimentos na malha rodoviária estadual.

Desde 2023, o Estado do Rio estava impedido de receber os repasses da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), conhecido como o imposto dos combustíveis, destinado especificamente à melhoria de transportes e estradas. A liberação do montante ocorrerá assim que os procedimentos de regularização e desbloqueio forem concluídos.

A solução foi alinhada durante agenda do secretário de Infraestrutura e Obras Públicas, Pablo Villarim Gonçalves, em reunião com a equipe do Ministério dos Transportes.

Além da liberação imediata dos R$ 120 milhões, a medida permitirá ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER) voltar a receber regularmente os recursos da CIDE — uma arrecadação estimada em R$ 50 milhões por ano.

A negociação para a liberação dos valores incluiu a pactuação de um crédito de cerca de R$ 20 milhões do Estado para a União — montante utilizado além do previsto pela gestão anterior sem as devidas justificativas formais.

NAVAL

Jornal de Brasília - DF   22/09/2026

O Irã impôs um bloqueio a essa passagem marítima estratégica desde o início da guerra com os Estados Unidos

Redação Jornal de Brasília

21/09/2026 13h51

Um navio-tanque de gás liquefeito foi atingido por fragmentos de projéteis “de origem desconhecida” ao sair do Estreito de Ormuz, o segundo incidente marítimo relatado nesta segunda-feira (21) na região pela Organização de Transporte Marítimo do Reino Unido (UKMTO).

O Irã impôs um bloqueio a essa passagem marítima estratégica desde o início da guerra com os Estados Unidos. Anteriormente, a UKMTO relatou que um navio foi atingido por “um projétil não identificado” no Estreito de Ormuz e que dois tripulantes sofreram ferimentos leves.

A consultoria de segurança britânica Vanguard Tech relatou que o navio La Stephanie, de bandeira britânica, foi atingido por um drone enquanto navegava em direção ao Golfo e que dois tripulantes sofreram ferimentos leves.

No segundo incidente, envolvendo o navio-tanque, o capitão “informou que toda a tripulação está segura e que não houve impacto ambiental”, afirmou a UKMTO.

O Irã, que controla essa passagem marítima estratégica, não permite que navios a transitem sem sua permissão e ataca com frequência aqueles que se aventuram pelo estreito. Como tática de pressão, os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos.

AFP.

PETROLÍFERO

Valor - SP   22/09/2026

A Bacia de Campos, que foi uma das pioneiras de produção de petróleo no país, hoje passa por declínio de produção, e não há plano de vender ativos para melhorar custos, segundo a estatal

A diretora de exploração e produção da Petrobras, Sylvia Anjos, disse, nesta segunda-feira (21), que os planos de revitalização da Bacia de Campos passam por reduzir custos. “Para viabilizar uma bacia como essa, não podemos pensar com a cabeça de pré-sal. Temos que olhar para Campos em busca de poços mais econômicos, para melhorar o fator de recuperação, que une qualidade e custo”, disse a executiva após participar da ROG.e, conferência do setor de óleo e gás organizada pelo IBP.

A Bacia de Campos, que foi uma das pioneiras de produção de petróleo no país, hoje passa por um declínio de produção. Segundo a diretora, não há plano de vender ativos na Bacia de Campos para melhorar custos.

Quanto à agenda da Bacia da Foz do Amazonas, a diretora da Petrobras afirmou que espera concluir a perfuração dos três poços contingentes no próximo ano. A companhia já recebeu a licença do Ibama para mais essas perfurações.

Money Times - SP   22/09/2026

O petróleo descoberto no poço de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, é de “altíssima qualidade”, talvez melhor que o do pré-sal, disse à Reuters a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras (PETR3), Renata Baruzzi.

Ela fez o comentário durante evento nesta segunda-feira, após a Petrobras ter concluído a análise do óleo descoberto na região da Foz do Amazonas, que integra a Margem Equatorial, grande aposta da Petrobras para a reposição de suas reservas depois que o pré-sal entrar em declínio.

“Talvez seja o melhor óleo, em qualidade, que nós temos”, disse Baruzzi, ao participar nesta segunda-feira do congresso do setor ROG.e, no Rio de Janeiro.

A campanha exploratória da Petrobras para poços adjacentes a Morpho, para delimitar a descoberta e obter mais informações, só deve começar no ano que vem.

A análise da descoberta de petróleo, anunciada no dia 14 de agosto, foi realizada depois de a Petrobras trazer o material de caminhão desde o Norte do país, para uma avaliação em seu centro de pesquisas no Rio de Janeiro.

Questionada pela Reuters durante o evento no Rio de Janeiro, a CEO da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou que o óleo é de “qualidade muito boa”, mas ponderou que amostra é muito pequena para se ter mais detalhes, como a noção exata de gás associado no poço.

Já a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, disse que a campanha de Morpho ainda não foi concluída, e que faltam 200 metros para a sonda contratada pela empresa atingir o “coração do poço”. Ela não quis dar um prazo para isso acontecer.

O Estado de S.Paulo - SP   22/09/2026

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta segunda-feira, 21, que a estatal vai anunciar descobertas relevantes de gás na Colômbia com a estatal colombiana Ecopetrol.

A executiva participa da ROG.e 2026, principal evento de energia, organizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), e que deve movimentar cerca de R$ 593 milhões no estado. Magda também é presidente do Conselho do IBP.

“Temos descobertas relevantes de gás a desenvolver na Colômbia. Estamos divulgando hoje as oportunidades na Colômbia, onde já temos inclusive contratos de gás a divulgar”, disse, sem dar mais detalhes.

Segundo a presidente, a estatal vai continuar olhando para novas fronteiras, em um cenário de produção crescente e em alto patamar até a próxima década. Ela disse que a Petrobras está avançando na Bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e lembrou da assinatura de oito contratos com a Costa do Marfim “em aderência à determinação de olhar oportunidade de geologia externa similar” à da companhia.

Chambriard ressaltou que os campos maduros continuam sendo uma prioridade. Segundo ela, a estatal está em busca de novas tecnologias, como a robotização, para estender a vida produtiva dessas áreas.

“Não renunciaremos a eles. O futuro nos reserva todos os dias uma série de tecnologias habilitadoras em que investimos para desenvolvê-las, e que estarão cada vez mais presentes em nossas operações”, concluiu.

‘Mundo está olhando para as descobertas no Brasil’

A presidente da Petrobras disse ainda que o mundo está olhando para as descobertas em águas ultraprofundas da América do Sul, em especial do Brasil.

Magda acrescentou que a Petrobras opera 90% da produção de petróleo brasileiro. Ela ressaltou que o óleo se tornou o principal produto de exportação brasileiro nos últimos dois anos, disputando espaço com o agronegócio.

“Os setores de petróleo e agro estão se fundindo e são complementares no Brasil”, disse.

Segundo a presidente, a estatal produziu 5,6 milhões de barris equivalentes de petróleo e 4,3 milhões de barris de petróleo por dia em agosto de 2026. Nesse contexto, o plano de negócios 2027-2031 provavelmente terá investimentos para atingir autossuficiência em diesel.

“Passamos a estudar as possibilidades que, muito provavelmente, serão confirmadas no nosso plano de negócios de atingir a autossuficiência na produção de diesel no Brasil. E nós nos orgulhamos muito disso, principalmente nesse momento de conflitos mundiais”, afirmou.

Valor - SP   22/09/2026

A possibilidade de uma nova rodada de conversas entre EUA e Irão, para acabar com o conflito, também levou alívio aos contratos da commodity

Embora o cenário no Oriente Médio permaneça incerto, os contratos futuros do petróleo tiveram firme queda nesta segunda-feira (21), em meio a relatos de navegação pelo Estreito de Ormuz e da possibilidade de conversas diplomáticas para acabar com o conflito.

No fechamento, o petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em novembro teve queda de 3,40%, cotado a US$ 100,34 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (a referência americana) com entrega prevista para outubro recuou 4,51%, a US$ 95,78 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).

Os veículos de imprensa internacionais informaram que dados de satélite mostraram que os embarques de petróleo da Arábia Saudita a partir do Golfo Pérsico aumentaram no fim de semana, registrando o maior número de navios desde junho. A notícia de que o reino voltou a direcionar seus fluxos para Ormuz trouxe certo alívio aos investidores, que vinham cada vez mais preocupados com as ameaças à oferta de petróleo, por conta do conflito no Oriente Médio.

Embora o futuro da região ainda permaneça incerto, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse à Fox News que estaria disposto a se reunir com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian durante a Assembleia Geral da ONU, nesta semana, indicando que uma solução diplomática para acabar com as tensões ainda está sobre a mesa. Por outro lado, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou estar se preparando para um conflito prolongado, de acordo com a imprensa estatal.

CNN Brasil - SP   22/09/2026

A BP planeja estabelecer um polo relevante de produção de petróleo e gás no Brasil, disse o vice-presidente executivo de Upstream da petroleira nesta segunda-feira (21), em um discurso destacando também o potencial da descoberta Bumerangue, feita no ano passado no Sul da Bacia de Santos.

Ao participar do congresso ROG.e, Gordon Birrell afirmou que o Brasil se tornou uma parte "cada vez mais importante" da estratégia futura de upstream da BP.

"Continuamos planejando estabelecer um polo de produção substancial e bem-sucedido aqui no Brasil", disse Birrell, em uma palestra.

"O Brasil está muito alinhado com aquilo que buscamos: recursos de longa duração, pessoas competentes para desenvolvê-los e parcerias sólidas."

Birrell afirmou que a BP ainda está avaliando a descoberta de Bumerangue, considerada a sua maior já feita em muitos anos, e disse que deverá perfurar um novo poço de avaliação para obter mais informações sobre a descoberta.

Sem dar prazos, o executivo afirmou que tecnologias sísmicas avançadas serão utilizadas para definir onde será perfurado o próximo poço de avaliação, enquanto a BP planeja aproveitar a experiência desenvolvida no Brasil para lidar com reservatórios com níveis elevados de dióxido de carbono (CO2).

"Há trabalho de avaliação a ser feito (sobre Bumerangue). Vamos seguir os dados e tomar decisões disciplinadas à medida que o trabalho avançar. Mas, até agora, estamos entusiasmados com o que vimos", afirmou, em seu discurso.

Em sua fala, Birrell afirmou que o Brasil reúne características importantes para atrair investimentos de longo prazo, citando recursos de classe mundial, acesso ao mercado internacional pelo Atlântico, instituições e marcos capazes de sustentar projetos que demandam investimentos e podem levar anos para serem desenvolvidos.

"Poucos países, acredito, estão mais bem posicionados para oferecer essa combinação do que o Brasil", afirmou.

AGRÍCOLA

CNN Brasil - SP   22/09/2026

A agroindústria brasileira registrou queda de 2,9% na produção em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo o Índice de Produção Agroindustrial, da FGV Agro. A retração ocorreu tanto em Produtos Alimentícios e Bebidas, com recuo de 1,6%, quanto em Produtos Não Alimentícios, que caíram 4,5%.

O resultado acompanha a desaceleração observada na economia brasileira, segundo a instituição de pesquisa.

No segundo trimestre, a Indústria de Transformação registrou queda de 0,9%, segundo dados do IBGE divulgados em setembro. Para a FGV Agro, o desempenho da agroindústria reflete fatores como o ambiente de juros elevados e a perda de força do consumo das famílias.

Entre os Produtos Alimentícios e Bebidas, a queda foi determinada principalmente pelos Produtos Alimentícios, cuja produção recuou 2,6%. Já o segmento de Bebidas teve alta de 5%.

A produção de bebidas alcoólicas cresceu 6,8% em julho, enquanto a de bebidas não alcoólicas avançou 3,3%.

Apesar da queda em relação a julho de 2025, a produção agroindustrial apresentou uma alta de 0,4% entre junho e julho de 2026, já considerando os ajustes sazonais.

O avanço foi registrado nos dois grandes segmentos: Produtos Alimentícios e Bebidas cresceram 0,5%, enquanto Produtos Não Alimentícios aumentaram 0,4%.

A alta, porém, não foi generalizada. Houve queda nos Alimentos de Origem Animal, de 1,1%, nos Insumos Agropecuários, de 5,1%, e nos Produtos Florestais, de 0,5%.

Para a FGV Agro, o crescimento na margem pode indicar uma mudança no ritmo de produção, mas ainda não permite concluir que o setor esteja entrando em uma trajetória de recuperação. “Somente as próximas divulgações poderão esclarecer”, afirma o relatório.
Carnes e alimentos

Entre os alimentos de origem vegetal, a produção caiu 3,8%. O resultado foi influenciado principalmente pela menor fabricação de produtos da moagem de trigo e de açúcar refinado. A expansão de conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz e café ajudou a limitar a retração.

Nos alimentos de origem animal, a queda foi de 1,7%, puxada principalmente pela menor produção de carne bovina e pescados. Em sentido contrário, houve aumento na produção de carne suína, aves e laticínios.

Segundo a FGV Agro, a produção de carne bovina já pode estar refletindo os efeitos do esgotamento da cota chinesa para a carne brasileira. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária citados pela instituição mostram que os embarques de carne bovina para a China caíram 47,8% em julho, na comparação anual.
Insumos agropecuários têm forte queda

No segmento de Produtos Não Alimentícios, a produção recuou 4,5% em julho. O resultado foi parcialmente compensado pelo crescimento dos setores de Biocombustíveis e Fumo.

A produção de biocombustíveis aumentou 6,1%, em meio à maior moagem e à melhora na qualidade da cana-de-açúcar. Já o setor de Fumo cresceu 23,6%, na terceira alta consecutiva na comparação anual e no melhor resultado para um mês de julho desde 2018.

O destaque negativo ficou com os Insumos Agropecuários, com uma queda na produção de 20,8%. O setor registra retração na comparação anual desde novembro de 2025 e teve, em julho, o pior desempenho para o mês desde o início da série histórica, em 2023.

A queda foi determinada pela menor produção de intermediários para fertilizantes, adubos e fertilizantes, defensivos, além de tratores e máquinas agrícolas.

Também houve retração nos Produtos Têxteis, de 6,7%, e nos Produtos Florestais, de 0,1%.
Agroindústria acumula queda no ano

No acumulado de janeiro a julho, a produção agroindustrial caiu 0,8% em relação ao mesmo período de 2025.

O segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas teve alta de 0,6%, insuficiente para compensar a retração de 2,5% nos Produtos Não Alimentícios.

Entre os alimentos, a produção acumula alta de 0,4% no ano, enquanto Bebidas avançam 1,9%.

Nos Produtos Não Alimentícios, apenas Biocombustíveis e Fumo acumulam crescimento, de 15,3% e 5,3%, respectivamente. Insumos Agropecuários, Produtos Têxteis e Produtos Florestais registram queda no acumulado do ano.

De acordo com a FGV Agro, a trajetória mostra perda gradual de dinamismo. A agroindústria acumulava crescimento de 0,7% até abril, mas passou a registrar variações negativas nos meses seguintes, aprofundando a retração até julho.

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