Valor - SP 16/09/2026
Ainda, segundo o Instituto Aço Brasil, as importações de aço recuaram 19,5% e as exportações aumentaram 13%, no período
A produção brasileira de aço bruto caiu 6,2% em agosto, na comparação com igual mês do ano anterior, para 2,693 milhões de toneladas, segundo o Instituto Aço Brasil.
As vendas internas aumentaram 1,8% no mês, para 1,110 milhão de toneladas, conforme divulgou o instituto nesta terça-feira (15).
A importação de aço, entre as principais críticas do setor, caiu 19,5% em agosto, para 395 mil toneladas. Já as exportações aumentaram 13%, para 959 mil toneladas.
No acumulado do ano, a produção somou 21,8 milhões de toneladas, queda de 1,8% ante igual período do ano anterior.
Já as importações chegaram a 3,7 milhões de toneladas, recuo de 20,2% frente ao acumulado entre janeiro e agosto de 2025. As exportações, no mesmo pertotalizaram 7,3 milhões de toneladas, avanço de 3,7%. As vendas internas alcançaram 14,2 milhões de toneladas, alta de 0,3%.
O Estado de S.Paulo - SP 16/09/2026
O fechamento da venda da CSN Cimentos e dos ativos de infraestrutura da CSN pode escorregar para além do final do terceiro trimestre, prazo que havia sido anunciado para o mercado. Na transação da cimenteira, a negociação avançou, com duas propostas vinculantes e havia uma intenção, conforme apurou a Broadcast, de que o nome viesse a público no início deste mês.
Mas a Cementir, que participa do processo junto com Votorantim, disse que sua proposta havia vencido sem ser aceita. As duas seguem, no entanto, na mesa, e ainda disputam o ativo com a chinesa Huaxin.
No entanto, o vencimento do prazo mostra que o andamento das negociações tem se estendido.No caso dos ativos de infraestrutura, o processo teria de caminhar em tempo recorde para cumprir uma assinatura em 15 dias.
A Broadcast apurou que a intenção é de que a venda aconteça ainda este ano, mas até isso é incerto. “O processo será longo”, disse uma fonte próxima às negociações.Os interessados nos ativos de infraestrutura ainda estão sondando o negócio.
Como a venda é de uma fatia de 20% a 30% de uma holding onde estão os ativos de infraestrutura, o eventual comprador seria sócio da CSN, o que, na visão de pessoas próximas à negociação, dificulta as conversas. Entre os ativos que estão sob a holding que agrega infraestrutura, estão a MRS Logística, terminais de Sepetiba e Itaguaí, a Tora Logística e instalações rodoviárias e ferroviárias integradas à CSN Mineração.
A siderúrgica tem dívida líquida de R$ 42 bilhões e alavancagem de quase 3,5 vezes na relação dívida líquida/Ebitda. O processo de venda da CSN Cimentos é o mais urgente, pois já ancora gatilhos para o próprio endividamento da companhia.
Exemplo disso é o empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão, com taxa de juros inicial correspondente à Secured Overnight Financing Rate (SOFR) (principal taxa de juros de referência para empréstimos e derivativos denominados em dólar americano), acrescida de 6% ao ano, e prazo final de vencimento de cinco anos.
O empréstimo tem como garantidoras a própria CSN e a CSN Cimentos Brasil. Além disso, a taxa tem gatilhos de alta caso a empresa demore na venda. Uma das fontes ouvidas pela reportagem indica que a empresa só veria os recursos da venda esperada da CSN Cimentos em meados de 2027 e que, ainda assim, pagaria cerca de 80% da dívida assumida com o sindicato de bancos, mantendo 20% como empréstimo.
De acordo com a mesma fonte, isso ajudaria a companhia a pré-pagar outras dívidas, no mercado local inclusive, abrindo espaço para que possa rolar outros empréstimos. Mas, para ele, o custo da manutenção dos 20% tomados com os bancos é alto. Enquanto toca as negociações, portanto, a empresa continua tentando aliviar o endividamento de outras formas.
Além desse empréstimo, a companhia fez uma oferta de troca de títulos, anunciada no final de julho, com o intuito de estender em dois anos o vencimento de US$ 1,3 bilhão, previsto originalmente para 2028.Com o prazo dito e repetido ao mercado se aproximando, a empresa ainda anunciou que Benjamin Steinbruch deixou o posto de presidente executivo da companhia, cargo que passou a ser ocupado por Fabio Schvartsman, ex-CEO da Vale.
A chegada do executivo gerou sentimento positivo no mercado, que enxerga a mudança como favorável diante dos desafios que a empresa enfrenta. Steinbruch passou à presidência do Conselho de Administração da companhia, mas, lembram as fontes, ainda tem de assinar qualquer acordo de venda de ativos e é conhecido por buscar maximizar os ganhos até o último momento.
Procurada, a CSN não comentou até o fechamento desta reportagem.
Globo Online - RJ 16/09/2026
Há um ano, o Federal Reserve (Fed, o BC americano) iniciava um ciclo de baixa no juro americano depois de mantê-la estável por cerca de um ano. Naquele momento, o emprego americano dava sinais de enfraquecimento, apesar da inflação ainda acima da meta de 2%.
Nove meses depois, com um conflito que se arrasta há seis meses e pressiona cada vez mais o preço do petróleo para cima, a autoridade monetária americana deve voltar a subir a taxa de juros após três anos e três meses sem fazer esse movimento. E a decisão tem impacto global, inclusive no Brasil.
As apostas do mercado são de que, pela primeira vez desde 2023, o Fed vai subir os juros após cinco anos e meio com os dados de inflação acima da meta de 2%.
Essa previsão começou a ganhar força após discurso de Kevin Warsh, o novo mandatário do BC americano, no fim do mês passado. Foi no Simpósio de Jakcson Hole, onde os dirigentes de bancos centrais de todo o mundo se reúnem anualmente para discutir temas de política monetária.
— Precisamos ter confiança de que a inflação subjacente está caminhando claramente e em velocidade suficiente para o nosso objetivo. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho — disse Warsh em um discurso duro.
O Fed possui um duplo mandato: estabelecer o menor nível de desemprego possível mirando uma meta de 2% de inflação anual. Porém, o Índice de Preços para o consumidor (PCE), um dos principais indicadores para medir a inflação no país, está acima de 2% desde abril de 2021. Em agosto, ele registrou acumulado de 3,4% em doze meses.
Ontem à noite, 92% de contratos negociados medidos pela plataforma FedWatch estimavam alta de 0,25 ponto percentual na taxa, para a banda entre 3,75% e 4%.
O banco americano Citi também crê numa alta, mas vê o movimento “como uma calibragem, e não como um início de ciclo de altas”.
“Os dados recebidos nos últimos três meses aumentaram nossa confiança de que a inflação subjacente está desacelerando. Mas o fato de o núcleo do PCE ter registrado alta de 0,25% em julho e de 0,29% em agosto provavelmente será suficiente para convencer a maioria de que uma alta nos juros é prudente”, diz trecho de relatório do banco. Os analistas avaliam ainda que a recente alta dos preços do petróleo e a alta dos juros em outros bancos centrais “ tornarão mais difícil o Fed de resistir a uma alta dos juros”.
O Banco Central Europeu realizou na semana passada seu segundo aumento dos juros desde o início da guerra. O Banco da Inglaterra divulga sua decisão amanhã, e o Banco do Japão toma a decisão na sexta-feira.
Para o chefe global de ações do braço de gestão de fortunas do banco suíço UBS, Ulrike Hoffmann-Burchardi, uma alta de juros pode impactar diretamente nos rendimentos dos títulos americanos, que tem vivido dias de estresse recentemente:
“Se o Fed adotar uma postura mais hawkish, os rendimentos dos títulos de curto prazo podem subir mais do que os de longo prazo. Isso poderia manter a ponta curta mais alta por mais tempo, enquanto a ponta longa refletiria expectativas de crescimento mais fraco no longo prazo”, disse ele, lembrando que empresas de crescimento, que possuem múltiplos elevados, podem “enfrentar ventos contrários”.
Em caso de manutenção da taxa no atual patamar, avaliam os analistas do Bank of America, a decisão poderia causar uma disparada nas taxas de longo prazo:
“O Treasury (título do Tesouro Americano) de 30 anos poderia rapidamente testar 5,75%; as recompras de Treasuries seriam inúteis para impedir esse movimento”, dizem os analistas, afirmando que a escolha “ortodoxa” deve ser por elevar o juro.
Necessário explicar para Trump, diz Bank of America
Uma alta no juro americano vai totalmente contra o desejo do presidente americano Donald Trump, que chegou a ameaçar demitir o antecessor de Warsh, Jerome Powell, na tentativa de intervir na autoridade monetária e conseguir juros mais baixos. Taxas menores tendem a diminuir o valor do dólar e aumentar a competitividade dos produtos americanos, potencializando a indústria do país.
Em relatório divulgado na segunda-feira, os analistas da área de análise de taxas globais e moedas do Bank of America afirmam que a equipe econômica vai precisar explicar bem a decisão a Donald Trump:
“Para o governo Trump, a escolha provavelmente é: tolerar taxas um pouco mais altas na ponta curta ou taxas significativamente mais altas na ponta longa. Esperamos que (Scott) Bessent (secretário do Tesouro Americano) e Warsh expliquem efetivamente esse trade-off a Trump. Trump não gostará das opções colocadas, mas deve entender os riscos de uma perda de ancoragem dos títulos e as implicações para o mercado” dizem os analistas.
Impacto no Brasil
O Bank of America afirma que o dólar deve ganhar mais força, e os ativos de risco, como o mercado acionário, deve enfrentar dificuldade. Isso pode ser ruim para o Brasil.
A decisão sobre o juro americano tem impacto global. Isso porque a taxa calibra o valor do dólar e, consequentemente, impacta moedas e investimentos em todo mundo.
Quando a taxa americana está alta, parte volumosa do capital global vai para os Estados Unidos, já que o país é considerado um dos mais seguros do mundo para aplicações. Os títulos do Tesouro americano tendem a ficar mais atraentes, drenando os investimentos espalhados em todo o mundo. Com menos dólares nos países, o preço da moeda aumenta.
Uma alta do juro nos EUA e uma redução na Taxa Selic por aqui — como amplamente esperada pelos investidores, para 13,75% ao ano — tende a diminuir o chamado diferencial de juros. Essa redução prejudica uma operação conhecida como carry trade: o investidor toma dinheiro emprestado num país onde os juros são baixos e aplica em outro no qual a taxa é elevada, caso brasileiro. Se essa diferença diminui, diminui também o apetite para trazer o capital internacional ao país.
CNN Brasil - SP 16/09/2026
Economistas consultados pelo Ministério da Fazenda melhoraram significativamente suas projeções para o déficit primário do governo central em 2026 e 2027, embora prevejam uma dívida pública mais alta nos dois anos, mostrou o relatório Prisma divulgado nesta terça-feira.
A mediana das expectativas para o déficit primário em 2026 passou para R$ 52,271 bilhões no relatório de setembro, de R$ 59,145 bilhões em agosto. Para 2027, a previsão é de déficit de R$ 45,350 bilhões, rombo menor que a estimativa anterior de R$ 55,000 bilhões.
O governo tem como meta alcançar um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto em 2026 (R$ 34,3 bilhões) e de 0,50% em 2027 (R$ 73,2 bilhões), mas há despesas que não são consideradas para efeitos da meta, que conta ainda com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB.
O Prisma estimou que a dívida bruta do governo ficará em 83,20% do PIB em 2026, contra previsão de 83,00% apontada em agosto. Para 2027, a expectativa é que o indicador salte para 87,00% do PIB, acima dos 86,77% estimados no mês anterior.
A equipe econômica do governo tem argumentado que o endividamento segue elevado apesar de uma melhora em resultados primários ao longo dos anos por conta do nível alto da taxa básica Selic, que eleva o gasto com juros da dívida pública.
A Selic está atualmente em 14,00% ao ano após quatro cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, mas o Banco Central não indicou o que fará com os juros básicos na próxima reunião, que ocorre nesta terça-feira e na quarta-feira.
Do lado da arrecadação, a expectativa mediana da receita líquida do governo central para este ano apontada no Prisma subiu para R$ 2,581 trilhões, de R$ 2,574 trilhões no levantamento anterior. Para 2027, a projeção é de R$ 2,750 trilhões, contra R$ 2,732 trilhões no levantamento anterior.
Na frente dos gastos, houve leve alta na previsão para as despesas do governo central neste ano, a R$ 2,625 trilhões, de R$ 2,624 trilhões anteriormente. No caso de 2027, a projeção das despesas é de R$ 2,792 trilhões, acima dos R$ 2,787 trilhões apontados um mês antes.
O Estado de S.Paulo - SP 16/09/2026
O mercado está dividido em relação às últimas duas decisões sobre a Selic neste ano, em novembro e dezembro; tudo vai depender do resultado da eleição presidencial, com impacto no câmbio
É unânime a aposta por um corte de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic, para 13,75%, ao fim da reunião do Copom desta quarta-feira, 16, mas o mercado está dividido em relação às últimas duas decisões sobre os juros neste ano, em novembro e dezembro. Tudo vai depender do resultado da eleição presidencial e do seu impacto no câmbio e nas expectativas de inflação.
Nesse contexto, o comunicado que acompanhará a decisão do Copom precisará conseguir um delicado equilíbrio entre a arte de não dizer nada e, ainda assim, não melindrar investidores e analistas, preservando a credibilidade da autoridade monetária. Em outras palavras, nesta reunião, o Copom precisa empurrar com a barriga qualquer sinalização sobre os seus próximos passos.
O cenário adiante é complexo. De um lado, desde a última reunião do Copom, em agosto, os indicadores de atividade mostraram que a economia está se desacelerando a um ritmo maior do que inicialmente previsto, especialmente em razão do elevado endividamento das famílias e da política monetária ainda apertada. Não por acaso, o consumo das famílias registrou queda de 0,4% no PIB do segundo trimestre. Isso justificaria o Banco Central seguir cortando os juros nas duas reuniões do Copom após a eleição.
De outro lado, os efeitos do super El Niño vão começar a pressionar a inflação a partir deste mês, revertendo os últimos índices, que vieram abaixo do previsto. Já há quem estime uma inflação de até 5,5% neste ano. Para 2027, a mediana das projeções segue subindo há cinco semanas e aponta para um IPCA de 4,30%. Sem falar que o preço do petróleo voltou a superar US$ 100 o barril. Isso desautorizaria o Copom a seguir reduzindo a Selic.
É aí que entra o resultado da eleição presidencial. Para muitos analistas, se o presidente Lula for o vencedor, mantendo a atual política econômica, de maior gasto público, o dólar subiria – podendo superar R$ 5,30 –, e as expectativas de inflação poderiam piorar, ficando mais distantes da meta de 3%. Se Flávio Bolsonaro ganhar, a aposta dos analistas é de que o dólar recuaria para abaixo de R$ 5, e as projeções para o IPCA cederiam na aposta de um ajuste fiscal.
Mesmo que o El Niño provoque um choque de inflação no curto prazo, o Copom poderia seguir cortando os juros num ambiente de economia esfriando e de expectativas inflacionárias ancoradas (cenário Flávio). Mas, ainda que o PIB siga desacelerando, se as projeções de inflação voltassem a subir, com o dólar pressionado (cenário Lula), o Copom precisaria parar em 13,75% e reavaliar os riscos adiante.
Infomoney - SP 16/09/2026
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, disse nesta terça-feira, em evento no Palácio do Planalto, que o superávit da balança comercial do Brasil deve superar US$90 bilhões este ano.
A projeção mais recente do ministério, divulgada em julho, é de um saldo positivo de US$90 bilhões em 2026. O Mdic revê suas estimativas trimestralmente.
Jornal de Brasília - DF 16/09/2026
Mesmo reconhecendo que o quadro fiscal influencia a taxa de juros, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o Brasil não pode continuar com a maior taxa do mundo. A declaração foi dada em entrevista à revista piauí, concedida no dia 26 de agosto e divulgada nesta terça-feira, 15, dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central começou a primeira etapa da reunião que vai decidir sobre a Selic.
Pesquisa Projeções Broadcast publicada na sexta-feira, 11, indica que a ampla maioria das instituições do mercado financeiro projeta um novo corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic neste encontro, de 14,00% ao ano para 13,75%. Entre 78 casas consultadas, 75 apostam nesse cenário; enquanto outras três instituições estimam manutenção da taxa no nível atual.
“O debate não pode se limitar à ideia de que os juros estão altos apenas porque o governo gasta muito. Reconheço que o quadro fiscal influencia a taxa, mas ele não explica tudo. Se ficarmos presos a esse argumento, só teremos juros baixos quando o Estado definhar, o que não é viável”, sustentou Durigan à revista. “Precisamos encontrar um equilíbrio que preserve o papel do Estado e permita a redução dos juros. O Brasil não pode continuar com a maior taxa de juros do mundo.”
Ele citou como exemplo o México, que, segundo ele, tem grau de investimento, não possui uma situação orçamentária muito melhor que a brasileira e, ainda assim, pratica juros bem menores, de 6,5%.
Para o titular da Fazenda, o patamar dos juros brasileiros se deve a várias razões. Ele argumentou que no Brasil a negociação de títulos públicos fica mais concentrada em poucos bancos. Segundo ele, também há um componente histórico e cultural: o brasileiro se acostumou aos juros altos e valoriza a remuneração elevada oferecida por aplicações como CDB, renda fixa, poupança e títulos do Tesouro, enquanto em outros países, esses investimentos costumam render bem menos.
Além disso, ele argumentou que muitos produtos financeiros brasileiros estão vinculados a taxas elevadas, enquanto o mercado de capitais e a bolsa permanecem concentrados, com poucas opções e acesso pouco democratizado ao crédito. Durigan também citou a falta de credibilidade fiscal de longo prazo, com dúvidas sobre a capacidade do País de manter o orçamento equilibrado, evitar aventuras econômicas e estabilizar a dívida nos próximos anos.
Na entrevista, Durigan ainda comentou as reações ruins do mercado financeiro a um eventual novo governo Lula (PT). “Na prática, os resultados entregues pelo presidente são muito diferentes dos temores anunciados”, defendeu. “Em seus oito anos de governo – Lula 1 e Lula 2 -, ele gerou superávit, acumulou reservas internacionais, manteve a inflação sob controle e promoveu um crescimento expressivo, com participação de todos. O mercado financeiro lucrou muito, e o agronegócio também cresceu “
E completou: “Sob a perspectiva da Fazenda, fizemos e aprovamos muita coisa no Congresso. Digo ao próprio mercado que eu gostaria de ter realizado um ajuste mais rápido, mas somos democratas e negociamos cada medida com o Congresso, com enorme dificuldade. Ainda assim, fizemos um ajuste equivalente a 2% do PIB no orçamento. Vamos repetir esse esforço. Será fácil? Claro que não. Mas vamos fazer novamente”.
Questionado sobre a reação de Lula às críticas do mercado e do empresariado, Durigan respondeu que o presidente costuma responder que não se pode entrar nesse jogo de ressentimento. O ministro ainda afirmou que não se pode ignorar a força do mercado para desvalorizar a moeda e os ativos brasileiros, como os títulos do Tesouro e as ações de empresas como Petrobras, Banco do Brasil e Vale.
Infomoney - SP 16/09/2026
A inflação acima das expectativas, a alta no barril do petróleo e o mercado de trabalho devem pressionar o Federal Reserve (banco central dos EUA) a elevar nesta quarta-feira (16) os juros ao intervalo de 3,75% a 4%. O patamar atual está em 3,5% a 3,75%.
Segundo o Bank of America (BofA), a decisão deve se basear nos dados que mostram a economia aquecida, com crescimento sólido, mercado de trabalho equilibrado e inflação alta.
Os dados mais recentes apontam que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) avançou 0,4% em agosto (3,4% em 12 meses) e o Índice de Preços ao Produtor (PPI) também subiu 0,4%, com a disparada no preço do diesel. Recentemente, o petróleo Brent superou os US$ 100, pressionando os preços de energia.
Essa pressão sobre as commodities energéticas é reflexo direto da nova escalada militar no Oriente Médio entre os EUA e o Irã, com ataques a petroleiros, ameaças de bloqueio no Estreito de Ormuz e investidas dos rebeldes houthis na região do Estreito de Bab el-Mandeb, destaca a XP.
De acordo com Andressa Durão, economista do ASA, os números de inflação sustentam a alta de juros e devem dar força para Kevin Warsh convencer os membros indecisos a votarem pelo aumento de 0,25 bps. na taxa.
Com petróleo em alta, gasolina nos EUA sobe a US$ 4,31 e diesel bate recorde
Argumentos para a alta de juros
A análise do Goldman Sachs das declarações de membros do Comitê de Política Monetária (Fomc) indica uma inclinação a apertar a política monetária.
Na reunião de julho, embora a taxa tenha sido mantida, três diretores já divergiam para defender um aumento imediato. A votação ficou em 9 pela manutenção e 3 pelo aumento.
Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, declarou recentemente que a economia não está restritiva. “Tanto os dados concretos quanto os relatos qualitativos me indicam a mesma coisa: a política monetária não é restritiva. A inflação está muito alta — e quanto mais tempo ela permanecer acima da nossa meta, mais difícil será trazê-la de volta para baixo. No momento, o que percebo é que chegou a hora de agir”, disse.
Outros diretores do Fomc, como Michael Barr e Christopher Waller, também deixaram claro que uma leitura de inflação aquecida em agosto justificaria uma ação decisiva para ajustar a postura do Fed. E Kevin Warsh, presidente do Fed, declarou preocupação com a inflação. “No que diz respeito ao componente de estabilidade de preços do nosso mandato, os números são mais preocupantes. Portanto, o foco principal do Fed neste momento deve ser os preços.”
O BTG Pactual destaca que a inflação de serviços supercore (que exclui aluguéis) nos EUA acelerou para 4% acumulados em 12 meses, sinalizando uma forte demanda doméstica.
Além disso, o relatório de emprego (payroll) de agosto surpreendeu ao registrar 162 mil vagas criadas, quando a projeção era de 55 mil.
O dado veio com revisões altistas acumuladas em 55 mil vagas nos dois meses anteriores. O ganho foi puxado pela indústria de transformação, com adição de 41 mil vagas, refletindo os fortes investimentos em Inteligência Artificial, e pelo setor de serviços, que abriu mais 86 mil vagas. No mesmo período, a taxa de desemprego permaneceu estável em 4,1%.
Rendimento de títulos dos EUA de 10 anos atinge 5%, nível mais alto desde 2023
Fed ‘sem paciência’ para a inflação
Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, afirma que o quadro é de um comitê menos tolerante para a alta de preços. “Combinado à votação dividida (9 a 3) da reunião de julho, com três diretores já defendendo alta, o quadro é de um Comitê que perdeu paciência com o ritmo de convergência da inflação ao centro da meta de 2%”, avalia.
Felipe Mecchi, economista do C6, também aposta na alta de juros. “Como os preços continuam pressionados e o mercado de trabalho segue resiliente, nossa avaliação é que a autoridade monetária deve voltar a subir os juros na reunião da semana que vem”, afirma.
Tese minoritária: manutenção dos juros
Apesar da alta probabilidade de elevação de juros, algumas instituições e gestores mantêm a projeção de manutenção da taxa nos EUA nesta reunião de setembro.
Entre elas está o Bradesco. Em relatório, a equipe de economia avalia que o Fed deve manter os juros, ainda que reconheça um risco elevado de alta. O banco argumenta que, embora o núcleo do CPI tenha subido 0,29% em agosto (3,35% em 12 meses) impulsionado por itens voláteis como diárias de hotéis e passagens aéreas, os aluguéis residenciais e o aluguel imputado tiveram a menor alta para um mês desde 2020. Como os aluguéis têm peso elevado no índice, a desaceleração continuada deve conter a inflação à frente, o que poderia pesar no argumento da manutenção da taxa no patamar atual.
Vinicius Flores, gestor de investimentos e sócio-fundador da Stratton Capital, com sede em Nova York, também aposta na manutenção. “Apesar da precificação atual do mercado, continuo acreditando que o Fed pode optar por manter os juros inalterados na próxima reunião”, diz.
Os dados que fundamentam sua leitura são as expectativas de inflação implícitas nos títulos do Tesouro (Treasuries), que seguem bem ancoradas.
Além disso, ele avalia que o mercado ainda não incorporou as revisões metodológicas do PCE que serão divulgadas em 30 de setembro, que tendem a produzir resultados mais favoráveis para a inflação. Outro ponto contra um aumento de juros agora são as eleições de midterm nos EUA, previstas para novembro, que poderia ser interpretado como uma atitude política.
Projeções para o ano e 2027
Para o encerramento de 2026 e os anos seguintes, os cenários traçados pelas casas indicam um ciclo prolongado de aperto monetário.
O BofA projeta aumento de 75 pontos-base em 2026, a partir de setembro.
A Oby Capital prevê pelo menos duas altas em 2026, uma em setembro e outra em dezembro.
A Stratton Capital projeta uma taxa terminal de 4,25% até o fim de 2026, com aumento de 50 pb. adicionais em relação ao nível pós-setembro.
Durão, do ASA, espera duas altas de juros neste ano. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, projeta apenas uma alta de juros neste ano, a depender da evolução do conflito no Oriente Médio e dos preços do petróleo, com retomada de elevações em 2027.
Além desta reunião de setembro, o Fomc deve se reunir em 27 e 28 de outubro e em 8 e 9 de dezembro.
Impacto no Brasil
A alta dos juros nos EUA impacta o Brasil pela reprecificação de risco e realocação de capital.
Quando o Fed eleva suas taxas, os títulos do tesouro americano (Treasuries) passam a oferecer um rendimento maior. Nesta segunda-feira (14), os rendimentos atingiram 5%, o maior nível desde 2023. Isso faz com que o dinheiro se mova em direção aos EUA, já que o mundo entende que há baixo risco de a economia americana quebrar e o governo não honrar os pagamentos.
Este movimento faz com que ocorra uma saída de dólares do Brasil, o que valoriza a moeda americana. Com isso, os produtos importados, insumos industriais e combustíveis ficam mais caros internamente.
Para conter essa inflação e tentar frear a saída de capital, o Banco Central muitas vezes é pressionado a manter a taxa Selic elevada ou até mesmo aumentá-la, encarecendo o crédito no mercado interno.
O Estado de S.Paulo - SP 16/09/2026
O Brasil deve pisar no acelerador. Os Estados Unidos, no freio. Para o mercado financeiro, a Super Quarta de hoje, 16 de setembro, promete ser atípica, uma vez que as duas decisões mais aguardadas do dia tendem a seguir direções opostas.
Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve cortar a Selic (taxa básica de juros) pela quinta vez seguida, dando mais fôlego ao crédito e à atividade econômica. Já na terra de Donald Trump, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, caminha para o movimento inverso: elevar os juros americanos pela primeira vez desde 2023, um aperto que marcaria a primeira alta de juros sob o comando de Kevin Warsh, à frente do BC mais poderoso do planeta desde maio deste ano.
O exercício de futurologia ganha corpo nos contratos futuros negociados na B3, a Bolsa de valores brasileira, que apontam probabilidade de cerca de 95% para um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, hoje em 14% ao ano, o que levaria a taxa brasileira a 13,75% ao ano.
Já nos Estados Unidos, o mercado precifica cerca de 85% de chance de uma alta de igual magnitude, que levaria os Fed Funds, a taxa básica de juros americana, da faixa atual de 3,50% a 3,75% para 3,75% a 4,00% ao ano.
À primeira vista, os números já parecem dados como certos. Mas os economistas consultados pelo E-Investidor são unânimes: o que vai realmente mexer com o mercado financeiro nesta Super Quarta é o que virá escrito nos comunicados dos dois bancos centrais.
Super Quarta: por que ela é diferente desta vez
Super Quarta é o nome que o mercado deu aos raros dias em que Copom e Fed anunciam suas decisões de juros na mesma data. A coincidência de calendário concentra a atenção de investidores porque as duas taxas, Selic no Brasil, Fed Funds nos Estados Unidos, são as referências que baseiam o custo do crédito, o retorno da renda fixa e, em boa medida, o apetite por risco nas Bolsas dos dois países.
O que torna esta edição da Super Quarta incomum é a direção oposta das decisões esperadas. “É uma situação atípica: o Brasil reduzindo os juros e os Estados Unidos aumentando”, resume Felipe Passero, sócio da Jaguaretê Investimentos.
Normalmente, quando um país eleva os juros enquanto outro os reduz, a moeda do país que corta tende a se desvalorizar — o que, neste caso, poderia pressionar o real e encarecer produtos importados, com reflexo futuro na inflação brasileira.
Copom: o lado mais previsível da Super Quarta
No Brasil, o cenário que chega à mesa do Copom é mais favorável do que nos meses anteriores. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto recuou 0,32%, a maior deflação mensal desde 2022, levando a inflação em 12 meses de 4,44% para 4,22%, o segundo mês seguido abaixo do teto da meta.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, destaca que a melhora também aparece no qualitativo dos preços — aquele que costuma antecipar para onde a inflação caminha. “A média móvel de três meses com ajuste sazonal anualizado, métrica que melhor capta a tendência dos preços, cedeu de 4,45% para 3,97%. Na mesma métrica, o grupo de serviços cedeu de 5,97% para 4,62%”, diz o economista.
Ao mesmo tempo, a atividade econômica perde força. Segundo Sung, embora o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre tenha vindo positivo, a composição do resultado reforça os sinais de desaceleração: o consumo das famílias perde tração, pressionado pelo endividamento elevado, pelo crédito mais caro e pelo ritmo mais fraco dos salários.
É essa combinação de atividade mais fraca e inflação em queda que leva Monica Araujo, economista-chefe da InvestSmart, a resumir o diagnóstico: “Os recentes dados de queda no nível de atividade doméstica e a melhora na leitura da inflação nos levam a acreditar que o Copom vai manter um tom duro no comunicado, mas realizará mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, em linha com o processo de calibração da política monetária, que será mantida em nível restritivo”, afirma a economista.
Mas nem toda a melhora é estrutural — e aí mora o alerta de Sung para quem não quer comemorar cedo demais: parte do alívio de agosto veio de fatores pontuais, como o bônus de Itaipu na conta de luz, a queda das passagens aéreas e a sazonalidade dos alimentos.
Passero reforça esse ponto com outro exemplo: segundo ele, a Petrobras tem ampliado o subsídio ao diesel para conter o repasse da alta do petróleo aos preços internos — uma prática que, na avaliação dele, mantém o combustível bem abaixo da paridade internacional, mas que tende a perder força se as tensões no Oriente Médio persistirem.
Enquanto isso, os serviços — item mais sensível à atividade doméstica — seguem pressionados: os serviços subjacentes aceleraram de 4,58% para 4,85% na média móvel, e os intensivos em mão de obra, de 7,08% para 7,30%.
É por isso que os três especialistas convergem para o mesmo recado: o corte deve vir, mas acompanhado de um comunicado duro, sem sinalização explícita sobre os próximos passos. Sung projeta manutenção da Selic nas reuniões de novembro e dezembro, com o balanço de riscos ainda “assimétrico, com viés de alta”.
Ele cita cinco fatores por trás dessa cautela: a pressão eleitoral sobre o câmbio, o risco de o El Niño encarecer os alimentos no fim do ano e início de 2027, a resiliência dos preços de serviços, o petróleo de volta à casa dos US$ 100 por barril em meio às tensões no Oriente Médio e a piora recente na desancoragem das expectativas de inflação para 2027 e 2028 — que ele chama de “principal obstáculo à convergência no horizonte relevante”.
Fed: o lado mais imprevisível da Super Quarta
Se no Brasil a direção do movimento gera menos dúvida, nos Estados Unidos o clima é de expectativa dividida. O Fed mantém os juros parados na faixa entre 3,50% e 3,75% desde dezembro do ano passado, mesmo com a inflação acima da meta de 2% há cinco anos e uma economia que segue resiliente.
O PIB do segundo trimestre cresceu 1,5% em termos anualizados, puxado pelo consumo das famílias e por um forte ciclo de investimento em inteligência artificial, segundo dados citados por Sung.
O núcleo do índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal (PCE), medida preferida do Fed, estava em 3,3% em julho — e os dados de agosto pioraram o quadro: o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) cheio (que inclui todos os itens) voltou a acelerar para 0,4% no mês, e o payroll surpreendeu para cima, com 162 mil vagas abertas ante expectativa de 55 mil, com desemprego estável em 4,1%.
“Diante de uma economia americana resiliente e um mercado de trabalho robusto, resta apenas combater a inflação, que continua fora da meta”, avalia Monica Araujo, que projeta alta de 0,25 ponto percentual nos Fed Funds sem indicação clara do que vem a seguir. Passero detalha o placar do mercado: entre 85% e 90% de chance de os juros irem da faixa de 3,50%–3,75% para 3,75%–4,00%.
As leituras sobre o que vem depois, porém, divergem. Araujo vê a alta como o início de um novo ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos — ainda que, na comunicação, o Fed deva evitar sinalizar isso claramente, dada a postura mais fechada de Warsh. Sung, por sua vez, projeta um ajuste mais pontual.
O fator que mais gera incerteza, segundo os três especialistas, é a própria figura de Kevin Warsh. Indicado por Trump e confirmado pelo Senado em maio deste ano, ele chegou ao Fed com a promessa de conduzir um banco central mais tolerante a juros baixos, mas tem adotado, na prática, um discurso mais duro diante da inflação.
“Ele está tentando construir, à frente do Fed, a credibilidade de alguém capaz de contê-la — isso é fundamental nesse contexto. Ele precisa mostrar independência e compromisso”, avalia Passero.
Por que o comunicado pesa mais do que o número?
“Mais importante do que o resultado da reunião da Super Quarta é a análise dos comitês sobre a visão dos membros para a atividade econômica, o mercado de trabalho, o balanço de riscos e a trajetória de inflação”, resume Monica Araujo.
É nesse ponto que os três especialistas se encontram: acertar a direção da decisão é a parte mais fácil da conta. O que vai realmente movimentar Bolsas, câmbio e juros futuros nos dias seguintes é a leitura que os dois comitês fizerem sobre esses quatro pilares — e, no caso americano, o grau de dissidência entre os votos.
Se o Fed não subir juros, o impacto no mercado é pior do que se ele subir
Felipe Passero, sócio da Jaguaretê Investimentos
Segundo ele, tanto uma eventual manutenção quanto uma alta acompanhada de muitos votos contrários seriam lidas como sinais de fragilidade institucional, o que tende a pressionar ainda mais os já elevados juros longos americanos — os títulos de dez anos dos Estados Unidos chegaram a bater 5% ao ano, patamar que não se via desde o pico de juros de 2023, segundo o sócio da Jaguaretê.
Do lado brasileiro, o alerta de Passero é técnico e direto ao bolso do investidor: um corte “muito radical” ou um comunicado excessivamente tolerante não reduz necessariamente, na prática, os juros que mais afetam o dia a dia da economia — financiamento imobiliário, crédito para empresas e para compra de veículos.
Esses juros seguem muito mais atrelados às taxas de longo prazo do que à própria Selic, que é uma taxa de curtíssimo prazo (o chamado overnight). Se o comunicado do Copom soar leniente demais em um momento de pressão fiscal ligada à proximidade da eleição e de inflação importada via petróleo, o efeito pode ser justamente o oposto do pretendido: juros longos mais altos, encarecendo o crédito em vez de baratear.
O que o investidor deve observar nessa quarta-feira?
Diante desse quadro, os três especialistas orientam o investidor a olhar além do número anunciado. No Copom, vale prestar atenção ao tom do comunicado sobre o balanço de riscos, à menção (ou ausência dela) aos efeitos do petróleo e do câmbio pré-eleitoral sobre a inflação, e a qualquer sinalização — ou falta dela — sobre os próximos passos.
No Fed, o mais relevante deve ser o placar de votos do comitê, o dot plot, gráfico que mostra a expectativa de cada dirigente para o nível dos juros, e qualquer fala de Kevin Warsh que ajude o mercado a decifrar sua visão sobre o equilíbrio entre combater a inflação e não sufocar a atividade.
Gustavo Sung projeta a Selic terminando 2026 em 13,75% ao ano e recuando a 12,00% ao ano até o fim de 2027, com o IPCA em 5,0% neste ano e 4,3% no próximo.
Já nos Estados Unidos, ele projeta que a alta desta quarta-feira seja a única do ano, em um cenário mais contido do que o de Araujo, que vê o início de um ciclo mais longo de aperto. Essa previsão depende da evolução do conflito no Oriente Médio e do preço do petróleo; para 2027, a perspectiva é de novas elevações.
A recomendação, então, é uma só: guardar as certezas para o fim do dia de quarta-feira e, até lá, acompanhar não apenas o número que sai no anúncio, mas as palavras que o acompanham.
Infomoney - SP 16/09/2026
Enquanto siderúrgicas chinesas enfrentam margens cada vez mais apertadas, mineradoras de menor porte no Brasil já anunciam paralisações e reduções de atividade, em um movimento que pode ajudar a limitar a oferta global da commodity.
O minério com teor de 61% recuou US$ 5 por tonelada na última semana, para cerca de US$ 95, segundo o Bradesco BBI. A queda reflete principalmente a deterioração das margens das usinas chinesas, que reduz sua capacidade de pagar mais caro pela matéria-prima mesmo em um período de demanda sazonalmente mais forte. Apenas cerca de 8% das siderúrgicas chinesas pesquisadas permanecem lucrativas, levando à redução da utilização dos altos-fornos e à queda da produção de gusa.
A pressão sobre o setor siderúrgico é visível também nos preços do aço. As referências chinesas para bobinas laminadas a quente e vergalhões seguiram em queda, enquanto as margens das usinas se aprofundaram em território negativo. Para o Bradesco BBI, esse cenário restringe o potencial de recuperação do minério no curto prazo, uma vez que limita o apetite das siderúrgicas pela commodity.
Ao mesmo tempo, outro fator ganha importância no mercado: o disparado custo para transportar minério até a China. O frete marítimo entre Brasil e China alcançou cerca de US$ 42 por tonelada, nível equivalente a aproximadamente 43% do preço do minério, mais que o dobro da média histórica de cerca de 20%.
Segundo reportagem da Bloomberg, a alta dos fretes, impulsionada pela guerra no Oriente Médio, pelo encarecimento dos combustíveis e pela menor disponibilidade de embarcações, está comprimindo as margens das produtoras brasileiras de menor porte. A Mineração Usiminas suspendeu as operações da planta Samambaia, em Minas Gerais, enquanto a Itaminas informou que interromperá uma unidade de processamento úmido a partir de outubro e colocará cerca de um terço dos funcionários em licença para preservar caixa.
“Com os preços do minério enfraquecendo e os custos de transporte subindo, os exportadores menores permanecem vulneráveis à pressão sobre margens e capital de giro”, afirmou à Bloomberg Maria Bertzeletou, analista sênior da Signal Group.
Na avaliação do Bradesco BBI, os fretes elevados já começam a retirar do mercado parte da oferta marginal de minério de ferro, especialmente de produtores brasileiros de pequeno e médio porte. A própria Itaminas, que exporta cerca de 90% de sua produção e possui capacidade anual próxima de 9 milhões de toneladas, reduziu operações após acumular estoques equivalentes a aproximadamente um mês de produção.
Apesar do momento desafiador, alguns sinais oferecem suporte aos preços. Os estoques de minério nos principais portos chineses caíram pela quinta semana consecutiva, para 151,3 milhões de toneladas, enquanto os estoques de aço acabado também recuaram. Além disso, a Baosteel anunciou aumentos de preços para alguns produtos vendidos no mercado doméstico chinês.
O JPMorgan vê o minério de ferro como uma das commodities com pior desempenho relativo dentro do universo de metais e mineração. Em relatório, o banco destacou que os preços atuais da commodity estão cerca de 4% abaixo de sua projeção para 2027, refletindo um ambiente mais desafiador para os grandes produtores globais. Ainda assim, o banco observa que empresas como a Vale (VALE3) continuam negociando com múltiplos descontados em relação aos pares internacionais, mesmo diante do cenário de pressão sobre preços e custos.
Entre as ações brasileiras ligadas ao minério, a CSN Mineração (CMIN3) esteve entre as mais penalizadas recentemente. O papel caiu 6,85% na segunda-feira, acompanhando o recuo da commodity. Segundo levantamento citado pelo Bradesco BBI, a companhia apresenta elevada taxa de aluguel de ações, de 29,3%, indicando forte posicionamento vendido por parte dos investidores. Na avaliação do banco, a continuidade da fraqueza do minério pode alimentar novas posições de venda, embora uma eventual recuperação dos preços da commodity também possa provocar movimentos de recompra dessas posições. Enquanto isso, na última segunda, Vale caiu 3,48%, o que pressionou o Ibovespa na véspera.
Para os analistas, o mercado de minério é dividido entre duas forças opostas. Uma é a demanda enfraquecida pelas margens deprimidas das siderúrgicas chinesas e outra é a redução potencial da oferta provocada pelos custos logísticos elevados.
CIMM - SP 16/09/2026
O consumo aparente de máquinas e equipamentos no Brasil acumulou queda de 12,5% entre janeiro e julho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo os Indicadores Conjunturais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), divulgados no início do mês.
Em julho, o consumo chegou a R$ 34,62 bilhões, alta de 1,9% frente a junho. Na comparação com julho de 2025, porém, houve retração de 5,3%, quarto resultado negativo consecutivo nessa base.
A receita líquida total do setor somou R$ 24,44 bilhões em julho, avanço de 0,7% sobre junho, com ajuste sazonal, e queda de 8,9% em relação ao mesmo mês do ano passado. No acumulado de janeiro a julho, a retração foi de 12,9%.
No mercado doméstico, a receita acumulou queda de 15,3%. Segundo a Abimaq, o desempenho reflete os efeitos da política monetária restritiva sobre as decisões de investimento. Em agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, mas a associação avalia que o nível dos juros ainda encarece o financiamento de estoques, capital de giro e aquisição de bens de capital.
Exportações avançam no acumulado
As exportações de máquinas e equipamentos atingiram US$ 1,13 bilhão em julho, alta de 4,2% sobre junho. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, cresceram 8,4% frente a 2025, embora tenham recuado 10,9% na comparação entre julho deste ano e julho do ano passado.
Os Estados Unidos permaneceram como principal destino, com US$ 1,89 bilhão exportados entre janeiro e julho. As vendas para a Argentina caíram 11,4%, para US$ 804 milhões, enquanto Singapura registrou avanço de 145,1%, alcançando US$ 550,7 milhões, puxado principalmente pelo setor de petróleo e equipamentos navais.
Entre os segmentos, as exportações de máquinas para Infraestrutura e Indústria de Base cresceram 29,4%, e as de Componentes, 18,9%. Máquinas para Bens de Consumo registraram queda de 8,9%.
Importados ganham participação no mercado
As importações somaram US$ 2,95 bilhões em julho, com altas de 3,3% sobre junho e de 2,1% frente a julho de 2025. No acumulado do ano, cresceram 3,7%.
A participação dos equipamentos importados no consumo aparente nacional passou de 45,7% para 47,4% entre janeiro e julho de 2025 e o mesmo período de 2026.
A China ampliou sua presença nesse movimento. As importações brasileiras de máquinas e equipamentos chineses cresceram 16,9% no ano, para US$ 6,95 bilhões, e a participação do país no total importado subiu de 32,1% para 36,2%.
Já as importações provenientes dos demais fornecedores recuaram 2,6%. As compras dos Estados Unidos caíram 1,7%, enquanto as originadas da Alemanha diminuíram 3,3%.
Emprego recua em julho
O número de trabalhadores do setor caiu 0,6% em julho, para 413.849 pessoas, e ficou 2,6% abaixo de julho de 2025. No acumulado do ano, o emprego ainda registra alta de 0,4%.
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) passou de 77,5% em junho para 78,4% em julho, enquanto a carteira de pedidos recuou de 9,6 para 9,4 semanas.
Para a Abimaq, os indicadores até julho mostram que o setor segue em um cenário de baixo dinamismo, com o investimento produtivo doméstico pressionado pelos juros e avanço da participação dos equipamentos importados no mercado brasileiro.
Valor - SP 16/09/2026
Duas grandes montadoras estatais chinesas estão avaliando se unirem num momento de esforços de Pequim para conter o excesso de capacidade produtiva.
O Guangzhou Automobile (GAC) Group informou na segunda-feira que fechou um acordo de aquisição de participação acionária com o First Automotive Works (FAW) Group, abrindo caminho para que este último se torne seu segundo maior acionista, com "influência estratégica".
O acordo visa "otimizar" e "integrar" os recursos industriais das duas montadoras estatais, afirmou o GAC Group em comunicado à Bolsa de Valores de Xangai.
Nos termos do acordo de intenções assinado na segunda-feira, o GAC Group adquirirá parte da participação acionária em uma “joint venture” de fabricação de automóveis detida pelo FAW e captará recursos por meio da emissão de ações classe A.
A transação também envolverá uma empresa listada no exterior e uma operação entre partes relacionadas, segundo o comunicado, que não forneceu mais detalhes.
As ações do GAC tiveram sua negociação suspensa em Hong Kong e Xangai mais cedo naquele dia. Após o anúncio, suas ações classe A listadas em Xangai permanecerão suspensas por um período não superior a 10 pregões.
Fundado em 1953 e sediado em Changchun, o FAW Group é controlado pela Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais. Sua marca de luxo, Hongqi, tem sido utilizada como carro oficial por sucessivos líderes chineses, incluindo o presidente Xi Jinping.
Uma transferência de participação entre as duas principais montadoras chinesas pode sinalizar uma nova fase de consolidação na indústria automobilística do país, marcada por uma concorrência feroz.
As montadoras estatais chinesas — que, na era dos carros a gasolina, dependiam de suas “joint ventures” com marcas estrangeiras tradicionais como fontes de lucro — agora enfrentam grandes prejuízos com o “boom” de veículos elétricos impulsionado por subsídios.
Em comparação com a agilidade das “startups” locais de veículos elétricos e seu ritmo acelerado de inovação, a lenta transição das montadoras estatais para esse segmento prejudicou seus resultados financeiros, levando-as ao vermelho. O prejuízo líquido do GAC Group no primeiro semestre aumentou 76% em relação ao ano anterior, atingindo 4,5 bilhões de yuans (US$ 670 milhões).
O governo municipal de Guangzhou controla cerca de dois terços da montadora por meio de várias empresas de investimento. A Baic Motor, uma “joint venture” chinesa parceira da Mercedes-Benz e controlada pelo governo da cidade de Pequim, registrou um prejuízo líquido de 1,59 bilhão de yuans no semestre, em comparação com um lucro de 360 milhões de yuans no ano anterior.
Não estão disponíveis dados financeiros completos do FAW Group, uma vez que o grupo listou apenas parte de seus ativos em bolsa, embora sua divisão de caminhões tenha registrado um aumento de 1.459% no lucro no primeiro semestre do ano. O grupo adquiriu uma participação de 5% na Leapmotor, uma “startup” chinesa de veículos elétricos, por 3,74 bilhões de yuans em dezembro. As duas empresas fecharam um acordo no mês passado para explorar uma colaboração "aprofundada" em áreas como cooperação de capital, direção assistida e inteligente, e finanças.
Na China, o GAC Group e o FAW Group são parceiros da japonesa Toyota. As vendas do primeiro semestre caíram 6,3% em relação ao ano anterior na “joint venture” GAC-Toyota e 27,4% na FAW-Toyota. O FAW Group também opera “joint ventures” com a Volkswagen na China.
O excesso de capacidade e uma guerra de preços prolongada levam alguns analistas a prever uma consolidação que poderá remodelar o cenário competitivo da China.
"Acreditamos que a tendência de desempenho divergente deve eventualmente levar à consolidação do mercado, com as montadoras de primeira linha ganhando participação de mercado mais rapidamente", escreveram analistas do Citi em um relatório no início deste mês, destacando a Baic Motor e o GAC Group entre as seis montadoras chinesas que registraram prejuízo no segundo trimestre.
A participação de mercado das cinco principais marcas chinesas de veículos elétricos subiu 1,4 ponto percentual em julho, atingindo 53,5% em relação ao mês anterior, segundo o Citi.
Na semana passada, o principal órgão de planejamento econômico da China sinalizou apoio a fusões entre grandes grupos automotivos para consolidar "efetivamente" os recursos de produção e evitar a concorrência "homogênea", afirmou uma autoridade da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma em uma entrevista coletiva.
No entanto, algumas tentativas anteriores enfrentaram forte resistência. No ano passado, uma proposta de fusão entre as montadoras estatais Dongfeng Motor e Changan Automobile fracassou devido a preocupações do governo sobre o impacto potencial no emprego local, segundo pessoas a par do assunto.
As ações do GAC Group listadas em Hong Kong subiram 8,6% na segunda-feira antes da suspensão da negociação.
Money Times - SP 16/09/2026
A Renault Geely ampliou em R$ 2 bilhões o ciclo de investimentos no Brasil, que agora prevê R$ 5,8 bilhões até 2027. Os novos recursos serão direcionados à produção, a partir do ano que vem, de um novo modelo eletrificado da marca Renault na plataforma da Geely no complexo da montadora francesa em São José dos Pinhais, no Paraná. Antes, como confirmou nesta terça-feira, 15, a montadora, o EX2, um hatch 100% elétrico da Geely, começará a ser montado na plataforma em dezembro.
As montadoras assinaram a joint venture em novembro, quando a Geely assumiu 26,4% da participação na Renault do Brasil. Como fruto dessa parceria, o EX5, um utilitário esportivo de motorização híbrida da Geely, começou a ser produzido neste mês na fábrica paranaense, com lançamento previsto para acontecer antes do fim deste ano.
O reforço no ciclo de investimentos, iniciado no ano passado, foi anunciado em evento com a presença do governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, e executivos globais das montadoras, incluindo o CEO do Renault Group, François Provost, o vice-presidente sênior do Geely Holding Group, Victor Yang, e o CEO da marca Renault e presidente do conselho da Renault Geely do Brasil, Fabrice Cambolive.
Com a implementação industrial da plataforma da Geely, o complexo no Paraná ganhou flexibilidade para produzir desde os tradicionais carros movidos tanto a gasolina quanto a etanol a veículos híbridos, híbridos flex e totalmente elétricos.
“Por meio de uma parceria ganha-ganha, estamos acelerando a chegada de veículos eletrificados, competitivos e acessíveis, feitos para os clientes brasileiros, além de reforçar as ambições de crescimento internacional da Renault”, comentou Fabrice Cambolive.
Antes do anúncio, Cambolive observou, em entrevista coletiva à imprensa, que a Renault realiza parcerias em mercados internacionais para acelerar o crescimento e reduzir custos em regiões de alto potencial, casos de América do Sul e Ásia, especialmente a Índia.
Ao comparar o cenário atual com o de dez anos atrás – quando presidiu a operação da Renault no Brasil em meio à crise política e econômica -, Cambolive disse que o País hoje apresenta maior estabilidade econômica, porém enfrenta um mercado mais disputado, dada a invasão das marcas chinesas.
“Um dos principais pontos da nossa parceria é sempre ganhar velocidade e ganhar em custo. Achamos que isso vai nos permitir ser ainda mais acessíveis do que antes”, comentou Cambolive.
Já Victor Yang, vice-presidente sênior da Geely Holding, observou que a parceria com a Renault se insere na estratégia da montadora chinesa de entrar mais rapidamente em novos mercados, aproveitando a expertise local e os fornecedores de seus parceiros.
“O mercado brasileiro e o mercado latino-americano são estrategicamente importantes para o grupo. Já estávamos aqui há mais de uma década, mas, trabalhando em conjunto com a Renault, encontramos a abordagem certa para trazer nossos produtos, nossa tecnologia e também nossas marcas”, comentou o executivo chinês.
Exame - SP 16/09/2026
Um novo plano para a indústria automotiva chinesa estabelece que os veículos de nova energia deverão representar 70% das vendas de carros novos de passageiros até 2030. Para os veículos comerciais, a meta é chegar a 40% das vendas. O documento foi publicado por nove órgãos do governo chinês.
O documento também prevê a adoção em larga escala de veículos com funções de direção autônoma. A meta é permitir condução altamente automatizada em rodovias, vias expressas urbanas e determinadas vias das cidades.
As medidas fazem parte do “Plano de Desenvolvimento da Indústria de Veículos de Nova Energia Inteligentes e Conectados para o 15º Plano Quinquenal”, publicado por órgãos como o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma.
Até 2030, o governo também pretende ter várias montadoras chinesas entre as dez maiores do mundo em volume de vendas e empresas de componentes automotivos entre as 100 maiores.
Outra meta é aumentar a participação da China na elaboração de normas e regulamentações internacionais para o setor automotivo.
O plano prevê ainda que a indústria automobilística alcance o pico de emissões de carbono até 2030, como parte da transição de baixo carbono da cadeia de suprimentos.
O Estado de S.Paulo - SP 16/09/2026
Stella Li, vice-presidente executiva da BYD, afirma que tecnologia estreia no ano que vem; baterias de estado sólido permitem ampliar autonomia sem aumentar o peso
Do ronco ao silêncio: qual a diferença entre dirigir um carro elétrico e um a combustão?
A BYD pretende ter baterias de estado sólido instaladas em seus veículos já no ano que vem. É o que garante Stella Li, vice-presidente da empresa e CEO da companhia para as Américas em entrevista.
“A BYD ocupa uma posição de liderança em relação às baterias de estado sólido, tanto na linha comercial quanto no desenvolvimento. Iremos comprovar isso já no próximo ano, quando lançaremos o primeiro modelo a contar com essa tecnologia”, disse a executiva em entrevista ao site espanhol Carwow.es.
Embora já aponte para o curto prazo, Stella Li ainda não revelou quando a bateria de estado sólido desenvolvida pela empresa irá equipar um de seus carros. Vale dizer que a tecnologia é considerada um cálice sagrado para o setor, muito em decorrência de sua densidade energética superior.
No caso da bateria de estado sólido, é possível guardar mais energia no mesmo espaço ou a mesma quantidade em um volume bastante reduzido. Desse modo, ganha-se autonomia sem o “efeito colateral” do aumento de peso.
Além disso, essas baterias são mais seguras. Enquanto as convencionais se valem de eletrólitos líquidos inflamáveis, a solução dispensa materiais perigosos, o que reduz drasticamente o risco de incêndios.
A BYD desenvolve sua bateria de estado sólido em parceria com um programa apoiado pelo governo chinês. De acordo com Lian Yubo, cientista-chefe da fabricante, a transição do packs de íons de lítio líquidos para a tecnologia de estado sólido deve levar mais tempo. Para o especialista, estes sistemas devem coexistir por até 20 anos.
Bateria de estado sólido da BYD tem concorrentes
Não é só a BYD que investe na bateria de estado sólido. A CATL, gigante do segmento, promete lançamento para 2027. As chinesas Geely e Changan, bem como Toyota, Stellantis e Mercedes-Benz também querem apresentar a novidade já no próximo ano.
Há ainda a famigerada bateria de estado sólido da Donut Lab, que o Jornal do Carro conheceu na última Consumer Electronics Show (CES). No entanto, este repórter admite que, tal qual Tomé, não acreditou muito no produto divulgado pela startup finlandesa.
A Donut Lab, inclusive, havia prometido à época da feira que a sua bateria já estava “pronta para produção em série” e que equiparia moto elétrica ainda no primeiro semestre de 2026. Ledo engano.
A empresa, contudo, segue divulgando testes independentes. No último, afirmou que sua bateria atingiu densidade energética de absurdos 409 Wh/kg e 805 Wh/L.
Mesmo com todo alarde, a célula de estado sólido da Donut Lab, ao menos é o que parece, passa longe de estar “zero bala”. Não deu bom.
CNN Brasil - SP 16/09/2026
Imagina que você tem R$ 300 mil pra comprar um apartamento em São Paulo. Em Pinheiros, isso compra 27 metros quadrados. No Tatuapé, 52 metros quadrados, quase o dobro.
Isso fala muito mais sobre cidade do que parece.
Quando falamos de imóvel de R$ 300 mil, parece que estamos falando de uma coisa só, não é? Mas não estamos.
Não é simplesmente que um bairro seja mais caro do que o outro. É que com o mesmo dinheiro, você compra experiências de moradia completamente diferentes. Porque o preço do imóvel também é o preço do endereço.
Em Pinheiros, nessa faixa, são 27 metros quadrados por R$ 10.500 o metro. No Tatuapé, 52 metros quadrados por R$ 5.400. Isso mostra uma coisa muito importante sobre como São Paulo está tentando produzir moradia em bairros caros. E bem aqui entra a HIS, a Habitação de Interesse Social.
São Paulo criou essa política, entre outras coisas, para estimular a moradia de famílias de renda menor em regiões mais valorizadas e bem localizadas.
A lógica é simples e faz sentido: se a cidade tem infraestrutura, transporte e emprego, por que a moradia de quem tem menos precisa ficar cada vez mais longe?
Só que existe uma atenção importante aqui. Pinheiros é mais caro. E uma das variáveis que o mercado consegue mexer é justamente qual? O tamanho. E é exatamente por isso que dentro da mesma faixa de preço, você consegue encontrar 27 metros quadrados num bairro e 52 metros em outro.
A política tenta aproximar a moradia e o preço do endereço determina que tipo de moradia cabe ali. Mas a história não termina quando o prédio fica pronto. Porque aqui aparece uma pergunta ultra relevante.
Para quem essa moradia tá chegando e para o que ela tá sendo usada? A CPI das HISs, que finalizou em maio, apontou 926 processos de apuração envolvendo mais de 170 mil unidades.
Essa investigação chegou até as plataformas digitais. A CPI das HISs notificou Airbnb, Booking, Quinto Andar pra retirada de anúncios de imóveis para temporada que se enquadravam nas HISs e na HMP.
E uma ressalva super importante. Isso não significa que os estúdios que apareceram nos dados de Pinheiros sejam irregulares. E muito menos que tenham virado estúdios para aluguel em temporada.
Os dados coletados não nos ajudam a afirmar isso. Eles contribuem de muitas formas, mas eles não identificam o uso dos ativos.
A questão da habitação não é simplesmente como colocar moradia popular em bairros caros, mas talvez, principalmente, como garantir que essa moradia continue cumprindo a função para a qual a cidade criou esse incentivo.
No fim das contas, democratizar um endereço não é simplesmente colocar uma porta ali. É garantir que alguém consiga atravessá-la.
Veja - SP 16/09/2026
A Triton Yachts conseguiu vender três unidades de sua nova lancha Flyer 42 antes mesmo de colocar o primeiro barco na água. O modelo só terá sua primeira unidade concluída em 2027.
Uma das vendas foi feita para os Estados Unidos, mercado que já recebe cerca de metade da produção da fabricante brasileira. Por lá, os barcos da empresa são comercializados sob a marca Hanover.
O negócio chama atenção também pelo momento. O setor náutico brasileiro passou a lidar neste ano com uma tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, justamente quando estaleiros nacionais tentam ampliar as exportações.
A Flyer 42 será apresentada oficialmente ao mercado apenas no São Paulo Boat Show, que começa em 24 de setembro. A embarcação tem 42 pés, dois quartos, dois banheiros, cozinha e plataformas laterais que ampliam a área externa.
Segundo a Triton, o projeto nasceu de pedidos de clientes por um modelo intermediário entre as versões de 38 e 44 pés.
A venda antecipada segue uma lógica semelhante à dos imóveis comprados na planta: o cliente fecha o negócio antes da entrega e participa da escolha de cores, tecidos, revestimentos, equipamentos e outros acabamentos.
SEGS.com.br - SP 16/09/2026
O Porto Itapoá vai inaugurar um novo gate exclusivo para a entrada de caminhões, ampliando de forma significativa a capacidade de fluxo e a eficiência operacional do terminal. Atualmente, o acesso ao terminal registra, em média, cerca de 2 mil acessos de caminhões por dia. Com a nova estrutura, a capacidade instalada poderá chegar a 3 mil acessos diários. O novo gate contará com oito acessos dedicados exclusivamente à entrada de veículos. Já o gate atual, que hoje opera em sistema de revezamento entre entradas e saídas, passará a ser utilizado apenas para a saída dos caminhões.
Com a separação definitiva dos fluxos de entrada e saída, o Porto Itapoá amplia sua capacidade de movimentação de caminhões e adota um layout de circulação mais eficiente. O novo gate amplia nossa capacidade operacional e traz melhorias importantes no acesso ao terminal. A separação dos fluxos traz mais previsibilidade, agilidade e segurança. Isso não significa, necessariamente, que vamos utilizar toda essa capacidade imediatamente. Teremos uma curva de aproveitamento da nova estrutura, acompanhando o crescimento da demanda e a evolução da operação, afirma Ricardo Arten, CEO do Porto Itapoá.
O novo gate também será equipado com tecnologia de ponta para o reconhecimento automático de veículos e motoristas, agilizando os processos de acesso e reforçando os controles de segurança. Os sistemas adotados garantem maior proteção aos caminhões, às cargas e aos colaboradores do porto.
Estamos investindo em infraestrutura, tecnologia e eficiência operacional para acompanhar o crescimento da demanda e manter altos padrões de segurança e desempenho, completa Arten.
A iniciativa reforça o compromisso do Porto Itapoá com a modernização contínua de suas operações e com a ampliação da capacidade logística, consolidando o terminal entre os mais eficientes do país.
Expansão
A Fase IV de expansão do Terminal, com investimentos previstos de R$ 500 milhões está em andamento. O projeto dá continuidade ao crescimento do terminal, hoje consolidado entre os quatro maiores do Brasil, com o objetivo de se tornar o maior, mais seguro e mais eficiente da América do Sul.
A nova fase prevê a ampliação da infraestrutura com a incorporação de mais 120 mil metros quadrados de pátio, aquisição de equipamentos de alta tecnologia e foco no aumento de eficiência operacional e sustentabilidade. Entre os principais investimentos estão a chegada do oitavo portêiner, em janeiro de 2025, além da compra de 12 novos RTGs híbridos operados remotamente e nove novos terminal tractors (TT), ampliando a já maior frota de TTs elétricos do Brasil.
A Tribuna - SP 16/09/2026
Por meio da Organização Marítima Internacional (IMO), entidade das Nações Unidas especializada em estabelecer normas internacionais voltadas à segurança, à proteção e à eficiência da navegação marítima, se definem convenções, códigos e regramentos que os países membros transferem às suas próprias legislações. Em 2023, instituíram-se metas de descarbonização para o setor, sendo a meta para 2030 reduzir em até 40% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em relação a 2008. Para 2040, a redução deve chegar a 80%, até zerar em 2050.
Esse conjunto de regras globalmente estabelecidas abriu uma gama de oportunidades para a indústria naval. A vida média operacional de um navio é de, aproximadamente, 25 anos, o que significa que, para um navio atingir zero emissões líquidas em 2050, ele deveria ter sido fabricado no ano passado. Estamos vendo uma corrida contra o tempo.
Além da fabricação, existem os casos de retrofit, palavra designada pelo setor para descrever uma reforma. Neles, as embarcações podem trocar seus motores por outros mais eficientes ou movidos à base de combustíveis menos poluentes, ou implantar tecnologias que façam o navio poluir menos. Nesse universo, há a jumbotização, em que o navio é cortado em duas partes, para que uma terceira seja incorporada à embarcação, normalmente para comportar tanques maiores, que permitam que se armazenem combustíveis menos poluentes, porém menos densos energeticamente que o bunker convencional, para a realização das mesmas tarefas operacionais. Todas estas modificações demandam muita engenharia naval, pois modificam o peso leve e total do navio, o deslocamento, a tonelagem etc.
Tais tecnologias possuem naturezas das mais distintas. Existem casos em que kites (pipas) são implantados, para que utilizem o vento como propulsão auxiliar, aliviando os motores a combustão. Há ainda as velas rotativas, chamadas de rotores Flettner, que possuem um princípio semelhante ao que faz uma bola de futebol fazer uma curva em um gol olímpico, ou ainda que permite que a asa de um avião o faça decolar. As velas rígidas são outra opção que busca no vento o auxílio da energia limpa para navegar. Limpeza do casco e pinturas super lisas com tecnologia, que impedem o acúmulo de micro-organismos no casco, melhorando o desempenho hidrodinâmico e aliviando os motores, já são realidades.
Estratégias como just in time arrival, que, em tradução livre, seria algo como “chegar na hora certa”, referem-se ao momento em que a operação de carga ou descarga do navio esteja pronta, evitando a travessia dos mares com máquinas a todo vapor, poluindo, na tentativa de chegar antes na fila de espera, evitando a longa permanência na área de fundeio e uso de motores auxiliares para mantenimento da embarcação e poluindo durante a espera operacional. Há ainda tecnologias que permitem navegar em sentido favorável às correntes marítimas, economizando combustível que seria necessário para vencer forças de eventuais correntes marítimas contrárias.
A adoção destas medidas pela indústria naval abre caminho em terra para permitir com que os portos acompanhem e auxiliem esta transformação. Oferecer energia na beira do cais, conhecida como OPS – Onshore Power Supply, já é uma mudança hercúlea para os portos ao redor do globo. Parece uma medida simples, mas não é. A demanda de energia de um navio para que permaneça em funcionamento, é elevada e apenas colocar tomadas na beira do cais dos portos não resolve o problema. É necessário um planejamento por demanda, dimensionamento da infraestrutura necessária e verificar se a concessionária aguenta a sobrecarga.
O abastecimento de combustíveis alternativos é outra questão que aprofundarei em conversas futuras, pois não envolve apenas o tipo do combustível, mas toda uma cadeia de produção, logística de distribuição, demanda de consumo e interesses globais geopolíticos.
Jornal de Brasília - DF 16/09/2026
O preço do petróleo chegou a subir mais de 2% nesta terça-feira (15) e ficou na casa de US$ 108 após ter fechado a US$ 106,48 no dia anterior. O movimento foi uma reação ao anúncio do Irã que voltou a negar qualquer negociação com os EUA, apesar das declarações de Donald Trump de que estava aberto ao diálogo.
O barril Brent, referência mundial, atingiu US$ 108,73 (R$ 559,39), alta de 2,81%, por volta das 11h45 (horário de Brasília), depois de ter ficado em US$ 107 em toda a madrugada. Por volta das 13h20, a cotação estava em US$ 108,38 (R$ 557,59), uma subida de 2,55%. No mesmo horário, o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era negociado a US$ 105,32 (R$ 541,85), valorização de 3,88%.
A alta foi uma resposta do mercado às declarações de Mohsen Rezaei, chefe da principal instância de segurança do Irã, que condicionou a volta das negociações pelo fim da guerra à aceitação das exigências iranianas.
“Não se deixem distrair pelos sinais contraditórios do presidente americano, que oscila entre ‘não há negociações’ e ‘estamos dispostos a dialogar’ com o Irã Não haverá nenhuma negociação enquanto as condições do Irã não forem atendidas. Ponto final!”, afirmou em post na rede social X (antigo Twitter).
Na segunda-feira (14), Trump afirmou que estava “aberto” a dialogar com Teerã, um dia após ter dito que não haveria negociação com o Irã até o término das eleições de meio de mandato dos EUA, marcadas para novembro.
Teerã exige de Washington o fim definitivo do conflito iniciado em 28 de fevereiro e de qualquer agressão contra o Irã e seus aliados na região, incluindo o grupo Hezbollah no Líbano.
O regime iraniano reivindica ainda o fim do bloqueio imposto a seus portos, uma indenização integral pelos danos causados pela guerra, o fim das sanções que afetam sua economia e a liberação, sem condições, de seus ativos congelados no exterior.
Sem uma discussão pelo acordo de paz, a tensão continua na região após os ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado ao Irã, a vários alvos na Arábia Saudita, incluindo refinarias e oleodutos, na segunda-feira. O governo saudita afirmou nesta terça que responderá com “firmeza” às ofensivas do grupo iemenita.
O príncipe-herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, dirigente de fato do reino, se reuniu com o chefe do Centcom (Comando Central dos Estados Unidos), almirante Brad Cooper, para debater “os últimos acontecimentos na região”, segundo a agência de imprensa oficial saudita SPA.
No mesmo dia, o governo de Omã anunciou o adiamento de uma reunião entre Irã e países do golfo Pérsico que estava marcada para segunda-feira. O encontro debateria a situação no estreito de Hormuz, que está com o tráfego bloqueado desde o início do conflito.
Dois diplomatas da França informaram à agência de notícias Reuters que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) deve se reunir nesta terça-feira para discutir a extensão do conflito para o estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico e vem sendo utilizado pela Arábia Saudita para escoar a sua produção de petróleo. Porém, desde a semana passada, os houthis vêm atacando embarcações que navegam pelo local.
Infomoney - SP 16/09/2026
A ANP divulgou dados preliminares mostrando que a produção de petróleo da Petrobras (PETR4; PETR3) chegou a 2,92 milhões de barris por dia em agosto, o que representa uma alta de 4% em relação a julho. O resultado foi impulsionado principalmente pelo avanço de 5% na produção de Búzios e pela recuperação nos campos de Itapu e Marlim.
Embora ainda seja muito cedo para assumir que os níveis de produção de agosto se manterão no futuro, os analistas Vicente Falanga e Ricardo França, do Bradesco BBI, consideram a notícia positiva e reforçam a expectativa de novas surpresas positivas na produção da estatal.
“Esse crescimento evidencia uma clara aceleração ao longo de 2026, colocando a companhia em uma posição favorável para encerrar o ano com um nível de produção superior ao que o mercado projeta para 2027 (2,77 milhões de barris por dia)”, escreveram os analistas.
Na avaliação do BBI, um cenário com produção superior a 3,0 milhões de barris por dia parece cada vez mais viável, impulsionado pela forte expansão da unidade de Búzios, pelos ganhos contínuos de eficiência e pelo foco da administração em acelerar o início das operações de novas plataformas.
A Petrobras segue como uma das principais escolhas do BBI no setor, sustentada pelo forte desempenho operacional e potencial de alta na produção dos próximos anos. O banco reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 53.
Veja - SP 16/09/2026
A decisão da Petrobras de comprar gás natural liquefeito dos Estados Unidos pelos próximos vinte anos parece, à primeira vista, contraditória. O Brasil vem batendo recordes na produção de gás, e o próprio planejamento oficial prevê forte expansão da oferta doméstica ao longo da próxima década. Ainda assim, a estatal resolveu garantir 0,8 milhão de toneladas de GNL (Gás Natural Liquefeito) por ano da americana Sempra Infrastructure durante duas décadas.
A explicação está menos numa expectativa de falta permanente de gás e mais na compra de previsibilidade. A demanda brasileira pelo combustível varia fortemente de acordo com as chuvas. Quando os reservatórios das hidrelétricas estão baixos, aumenta o despacho das termelétricas e, com ele, a necessidade de GNL. Historicamente, o Brasil cobriu boa parte desses picos recorrendo ao mercado spot — justamente onde os preços podem disparar quando vários países precisam comprar ao mesmo tempo. A crise hídrica de 2021 mostrou o risco: as importações de GNL da Petrobras mais que triplicaram naquele ano, chegando à média de 23 milhões de metros cúbicos por dia.
Há também uma segunda incerteza entrando na conta: a Bolívia. A produção do país vizinho vem caindo, o que levou Petrobras e YPFB a rever sucessivamente o contrato de fornecimento pelo Gasbol. O acordo atual pode se esgotar entre 2028 e 2029. No Plano Decenal de Expansão de Energia, a EPE já prevê que o gás recebido pelo gasoduto caia de 13 milhões de metros cúbicos por dia para 5 milhões a partir de 2030.
Nem mesmo o avanço do pré-sal elimina o problema. Em julho, a produção brasileira de gás atingiu 214,97 milhões de metros cúbicos por dia, 12,6% acima de um ano antes. Mas apenas 66,12 milhões de metros cúbicos por dia foram efetivamente disponibilizados ao mercado. Parte relevante da produção é reinjetada nos reservatórios, consumida nas próprias operações ou depende de infraestrutura de escoamento e processamento para chegar aos consumidores. A própria EPE alerta que restrições na malha podem impedir que uma oferta nacional teoricamente excedente atenda toda a demanda.
A Petrobras, portanto, está montando uma espécie de seguro para seu portfólio. O movimento começou antes do acordo com a Sempra. Em fevereiro de 2025, a companhia contratou da britânica Centrica outros 0,8 milhão de toneladas anuais de GNL por quinze anos, com entregas a partir de 2027. Na ocasião, afirmou explicitamente que pretendia reduzir sua exposição ao mercado spot. O novo negócio dobra o volume anual contratado nesses dois acordos de longo prazo e estende a proteção por mais duas décadas.
O curioso é que isso acontece justamente quando a EPE projeta crescimento de 95% da produção líquida brasileira de gás entre 2025 e 2035 e um balanço nacional superavitário ao longo do período. Não há contradição necessariamente. O excedente pode existir em uma região ou período e faltar gás disponível onde e quando as térmicas forem acionadas. O GNL funciona como uma fonte de flexibilidade para cobrir esses picos. A aposta da Petrobras é trocar parte do risco de ter de correr ao mercado internacional em momentos de aperto por um compromisso longo de fornecimento.
A companhia não revelou quanto pagará pelo GNL da Sempra nem a fórmula de preços do contrato — informação decisiva para saber quanto custa esse seguro. Também não informou quando começam as entregas. O que já está claro é a direção da estratégia: depois de anos dependendo fortemente de cargas compradas conforme a necessidade, a Petrobras está reservando com antecedência uma parcela maior do gás que poderá precisar no futuro.
CNN Brasil - SP 16/09/2026
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima que a produção brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas alcance 352,9 milhões de toneladas em 2026. O volume esperado na estatística de agosto representa aumento de 2%, ou 6,8 milhões de toneladas, em relação à produção registrada em 2025, de 346,1 milhões de toneladas.
Na comparação com a estimativa divulgada em julho, houve redução de 81,4 mil toneladas, equivalente a 0,0%. Os dados fazem parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, divulgado nesta terça-feira (15).
A área a ser colhida em 2026 foi estimada em 83,1 milhões de hectares, crescimento de 1,8% em relação à área colhida no ano anterior, com acréscimo de aproximadamente 1,5 milhão de hectares. Na comparação com a estimativa anterior, houve redução de 17,3 mil hectares.
Soja, milho e arroz concentram produção
Soja, milho e arroz permanecem como as principais culturas entre os produtos pesquisados pelo IBGE. Juntos, eles representam 92,9% da produção estimada e 87,4% da área a ser colhida.
A soja tem previsão de produção de 174,8 milhões de toneladas, aumento de 5,3% em relação a 2025. Na comparação com julho, a estimativa recuou 0,1%, ou 114,6 mil toneladas.
Para o milho, a produção foi estimada em 141,8 milhões de toneladas. O volume corresponde a 29,7 milhões de toneladas da primeira safra e 112,1 milhões de toneladas da segunda.
A produção total de milho apresenta crescimento de 0,1% em relação a 2025. Na primeira safra, a estimativa aumentou 15,5%, enquanto a segunda safra apresenta redução de 3,4% no comparativo anual.
O arroz em casca tem estimativa de produção de 11,2 milhões de toneladas, queda de 11,2% em relação ao ano anterior. A área a ser colhida deve diminuir 12,5%.
Entre outras culturas, o IBGE estima produção de 9,2 milhões de toneladas de algodão herbáceo, 5,8 milhões de toneladas de sorgo e 6,3 milhões de toneladas de trigo. Em relação a 2025, a produção de algodão recua 6,7%, a de sorgo cresce 8,1% e a de trigo diminui 18,9%.
A produção de feijão, considerando as três safras, foi estimada em 2,8 milhões de toneladas, 6,6% abaixo do volume de 2025.
Demais culturas
A estimativa de produção de cana-de-açúcar foi reduzida em 1,6% em relação ao último mês, totalizando 705,2 milhões de toneladas, em função de uma produtividade esperada 1,7% menor. “A produção deve ser bem parecida com a de 2025, com uma diferença de apenas 0,3% superior”, segundo o IBGE.
Houve, ainda, redução nas estimativas de produção de gergelim, de 2,8%, para 356,3 mil toneladas. O IBGE destaca que “o gergelim vem se consolidando como cultura oleaginosa estratégica para a diversificação agrícola brasileira, sobretudo em regiões quentes, como no Cerrado, onde pode ser cultivado em rotação ou sucessão, inclusive como segunda safra após soja, milho ou algodão”.
A expectativa para a safra de tomate também foi reduzida, para 4,6 milhões de toneladas do produto, 1,5% a menos que a última estimativa.
Centro-Oeste responde por metade da produção
O Centro-Oeste concentra a maior parcela da produção nacional estimada para 2026. A região deve produzir 178 milhões de toneladas, o equivalente a 50,4% do total.
Na sequência aparecem a região Sul, com 91,8 milhões de toneladas, ou 26%; Sudeste, com 31,1 milhões de toneladas e 8,8%; Nordeste, com 29,8 milhões de toneladas equivalentes a 8,5%; e Norte, com 22,3 milhões de toneladas e 6,3%.
Na comparação interanual, a produção estimada cresceu 6,3% no Sul e 7,3% no Nordeste. No Sudeste, o volume permaneceu estável. Já no Centro-Oeste houve queda de 0,4%, enquanto no Norte a redução foi de 0,1%.
