Valor - SP 09/09/2026
A Gerdau é a campeã do setor de Metalurgia e Siderurgia, de acordo com o ranking Valor 1000 de 2026. A empresa foi homenageada em evento em São Paulo, que marca a 26ª edição da pesquisa que analisa os resultados das maiores e melhores companhias do país.
No primeiro semestre de 2026, a operação brasileira vendeu 2,67 milhões de toneladas de aço bruto, queda de 4% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita líquida foi de R$ 12,96 bilhões e o lucro bruto, de R$ 547 milhões.
Na operação América do Norte, que engloba Estados Unidos, Canadá e México, as vendas no semestre foram de 2,62 milhões de toneladas, crescimento de 5,6% na comparação com o mesmo período de 2025. A receita líquida obtida foi de R$ 19,5 bilhões e o lucro bruto, de R$ 4,25 bilhões.
Em 2026, o plano de investimentos da companhia é de R$ 4,7 bilhões. No Brasil, a maior parte dos recursos se destina a manutenção e ações para elevar produtividade e competitividade. “Paramos de investir para crescer no Brasil.
O Prêmio Valor 1000 é uma realização do Valor Econômico e de Época Negócios e conta com patrocínio ouro de Alelo, Caixa Seguridade, Huawei e Deloitte; patrocínio prata de FGV Educação Executiva, Vibra, MBRF, Febraban e XP; e patrocínio bronze de Intelbras, CNI Sistema Indústria, Sicredi e Mineração Taboca. A premiação tem a Azul como companhia aérea oficial e GAC como carro oficial do evento, o apoio de Fiesp e Eletromidia e a parceria de Serasa Experian e FGVcef/FGV-SP.
O Estado de S.Paulo - SP 09/09/2026
As ações da Vale (VALE3) hoje avançaram em dia também positivo para o Ibovespa, que fechou em alta de 1,20% aos 187.366,84 nesta terça-feira (8). Os papéis da mineradora subiram 0,51% cotados a R$ 79,02.
No setor de mineração e siderurgia, a CSN (CSNA3) também se destacou, com alta de 4,09%, a R$ 6,62, de olho nas próximas decisões do recém-empossado CEO da empresa, Fabio Schwartzman, para a sobrevivência do grupo. A coluna do jornalista Lauro Jardim, do O Globo, noticiou que a empresa avalia a venda tanto do braço de cimentos do grupo quanto de ativos de siderurgia na Alemanha.
A CSN Mineração (CMIN3), por sua vez, avançou 1,97%, Gerdau (GGBR4) subiu 1,42% e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) registrou avanço de 0,36%, enquanto Usiminas (USIM5) caiu 0,92%.
O contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da bolsa chinesa de Dalian, para janeiro de 2027, fechou em alta de 1,36%, cotado a 744,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 110,93.
Já o minério negociado na bolsa de Singapura encerrou em valorização de 0,33%, cotado a US$ 100,65 por tonelada, no contrato futuro para entrega em outubro.
Nesta terça-feira, o humor positivo é generalizado na Bolsa de Valores brasileira, após as últimas pesquisas eleitorais Quaest e BTG/Nexus indicarem uma disputa mais acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno.
No exterior, o EWZ, principal fundo de índice (ETF) da bolsa de Nova York (NYSE) focado em ações brasileiras, fechou em alta de 1,98%, sinalizando a entrada de fluxo estrangeiro em ativos locais.
Valor - SP 09/09/2026
Enquanto enfrenta excesso de aço importado no Brasil, companhia direciona investimentos para o mercado americano, onde vê melhores perspectivas de crescimento
A visão global da Gerdau garantiu bom desempenho e a liderança no setor de metalurgia e siderurgia no anuário Valor 1000. A companhia obtém bons resultados em sua operação na América do Norte, enquanto as vendas e o lucro no Brasil registram quedas pela grande oferta de aço importado no mercado local. Essa realidade levou a direção da siderúrgica a atuar no Brasil em “modo sobrevivência”, como define Gustavo Werneck, CEO da empresa. As iniciativas de expansão, no momento, privilegiam os Estados Unidos. “O investimento vai para onde as perspectivas são melhores e se conseguem os melhores ganhos”, diz Werneck. “Hoje são os Estados Unidos. Esperamos que no futuro o Brasil volte a ser atrativo.”
Em 2025, o consumo aparente de aço nos Estados Unidos cresceu 1,8% e a projeção de expansão para 2026 é de 3%, segundo o American Iron and Steel Institute (AISI). Mas as vendas das siderúrgicas que produzem em território americano crescem na casa de 5% ao ano no mercado interno, ocupando o espaço deixado pelo aço importado, sob impacto de medidas protecionistas do governo americano.
A Gerdau está investindo R$ 1,2 bilhão em sua unidade de Midlothian, no Texas. Vai ampliar a capacidade anual de aços longos em quase 15%, para 2 milhões de toneladas por ano. A conclusão da expansão deve ocorrer neste ano e o efeito potencial no Ebitda é de R$ 275 milhões. “A nossa perspectiva é anunciar novos investimentos em expansão nos Estados Unidos”, diz Werneck. “O país está se reindustrializando e a demanda por aço é crescente.” A Gerdau, segundo o executivo, tem registrado expansão nas vendas para os setores de infraestrutura, energia e tecnologia da informação, com a construção acelerada de data centers.
Em volumes, a produção e a venda de aço da Gerdau são quase semelhantes no Brasil e na América do Norte, mas a receita e o lucro são bem diferentes. No primeiro semestre de 2026, a operação brasileira vendeu 2,67 milhões de toneladas de aço bruto, queda de 4% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita líquida foi de R$ 12,96 bilhões e o lucro bruto, de R$ 547 milhões.
Na operação América do Norte, que engloba Estados Unidos, Canadá e México, as vendas no semestre foram de 2,62 milhões de toneladas, crescimento de 5,6% na comparação com o mesmo período de 2025. A receita líquida obtida foi de R$ 19,5 bilhões e o lucro bruto, de R$ 4,25 bilhões.
No conjunto, a Gerdau obteve no semestre um Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de R$ 6,39 bilhões, 28,7% superior ao obtido no primeiro semestre do ano passado. A operação América do Norte respondeu por 76% do Ebitda. O Brasil contribuiu com 20% do resultado e o restante veio da operação América do Sul, que engloba usinas no Peru, Argentina e Uruguai. “Nunca imaginamos que nossos resultados na América do Norte poderiam ser tão superiores aos do Brasil”, diz Werneck.
Em 2026, o plano de investimentos da companhia é de R$ 4,7 bilhões. No Brasil, a maior parte dos recursos se destina a manutenção e ações para elevar produtividade e competitividade. “Paramos de investir para crescer no Brasil. Não adianta expandir e ficar com capacidade ociosa”, afirma o CEO. As operações em território brasileiro vêm se tornando mais enxutas — mas isso não deteve a evolução da companhia em reduzir o impacto de suas atividades na crise climática.
A Gerdau está investindo R$ 450 milhões em um novo centro de reciclagem de aço em Pindamonhangaba (SP), que permitirá à companhia processar novos tipos de sucata, a serem inseridos em seu processo produtivo. Hoje, 70% da produção de aço da Gerdau utiliza sucata ferrosa como insumo. A estratégia permite que a empresa registre a emissão de 0,85 tonelada de dióxido de carbono equivalente (CO2e) por tonelada de aço produzida, enquanto a média global é de 1,92 tonelada de CO2e, de acordo com a World Steel Association.
No segundo semestre, a Gerdau prevê aceleração das atividades para o ritmo comercial em seu projeto de mineração sustentável Miguel Burnier, em Ouro Preto (MG). A estimativa é de um ganho de R$ 1,1 bilhão por ano no Ebitda da companhia. A mina terá capacidade de produção anual de 5,5 milhões de toneladas de minério com alto teor de ferro (65%), o que reduz as emissões de CO2 na transformação siderúrgica. O empilhamento dos rejeitos será a seco, eliminado o uso de barragens. E o minério será levado até a usina de Ouro Branco (MG) por um mineroduto de 13 quilômetros, evitando o uso de 400 caminhões por dia e a emissão de 17 mil toneladas de CO2 por ano.
A Gerdau avança nessa questão enquanto lida com a situação crítica da grande oferta de aço chinês barato no Brasil. Segundo Werneck, em condições competitivas iguais, a produção de aço brasileira está entre as mais eficientes do mundo e supera a chinesa. “Nós comparamos os custos de produção e os indicadores de desempenho da Gerdau com os principais produtores internacionais e estamos na frente”, diz o executivo. “No entanto, no Brasil, temos que lutar para continuar vivendo, diante da concorrência predatória.”
A empresa tem capacidade produtiva de 7,9 milhões de toneladas anuais de aço bruto, mas vem usando apenas 70% disso. De acordo com o Instituto Aço Brasil, a taxa de ocupação média da indústria siderúrgica brasileira foi de 64% no primeiro semestre de 2026. Em 2025, a produção brasileira de aço bruto recuou 2,2% em relação ao ano anterior, enquanto as importações de aços laminados cresceram 20,5%.
Como parte da reação, em agosto a Gerdau readequou sua unidade de Pernambuco, desativando a aciaria e a laminação e concentrando as atividades em trefilados, como telas, arames e pregos. Em 2024, a empresa já havia decretado a hibernação de sua unidade Barão de Cocais (MG), para reduzir custos fixos.
O Instituto Aço Brasil calcula que, em 2025, a taxa de penetração de importados chegou a 21% no mercado nacional, o dobro do patamar histórico, na casa de 10%. No início de 2026, o governo federal adotou medidas de defesa comercial para 19 tipos de produto siderúrgico, com adoção de cotas e taxas. As importações recuaram 18% no primeiro semestre. Mesmo assim, alcançaram uma taxa de penetração de 19%, segundo o Instituto Aço Brasil. “As medidas adotadas são muito tímidas e não resolvem o problema”, diz Werneck. O setor siderúrgico aguarda a conclusão de uma investigação de dumping contra produtores chineses de aço e o anúncio de novas medidas. “Não queremos medidas protecionistas. O que buscamos são condições de competição isonômicas”, diz o executivo.
Jornal de Brasília - DF 09/09/2026
A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 seguiu em 13,75% nesta terça-feira (8) pela quinta semana seguida. Considerando só as 37 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano também continuou em 13,75%.
A estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 seguiu em 12,00% pela 12ª semana consecutiva. Levando em conta apenas as 36 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também continuou em 12,00%.
No início de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a Selic em mais 0,25 ponto porcentual, de 14,25% para 14% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo.
Os juros já caíram um ponto porcentual desde março, quando o BC começou um “ciclo de calibração” da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã sobre a cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação.
“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou o colegiado na ata da reunião.
A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 continuou em 10,50% pela 10ª semana seguida. A estimativa para 2029 continuou em 10,00% pela 18ª semana consecutiva.
Infomoney - SP 09/09/2026
O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou avanço de 0,06% em agosto, depois de cair 0,86% no mês anterior, com a alta nos preços ao produtor compensando a deflação ao consumidor, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira (8).
O resultado ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters de variação positiva de 0,05% e levou o índice a acumular em 12 meses alta de 2,63%.
“O IGP-DI ficou próximo da estabilidade em agosto, mas houve mudança importante na composição do índice”, destacou André Braz, economista do FGV/Ibre.
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No período, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que responde por 60% do indicador geral, subiu 0,10%, em comparação à queda de 1,31% no mês anterior.
Braz destacou que soja, milho, bovinos e carne bovina avançaram no mês, enquanto as matérias-primas brutas passaram de queda de 3,02% em julho para alta de 1,43% em agosto.
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) — que responde por 30% do IGP-DI — caiu 0,37% em agosto, de recuo de 0,08% em julho.
Contribuíram para o resultado tarifas de eletricidade residencial, passagens aéreas e alimentos. “Assim, o resultado do IGP-DI em agosto combina uma retomada dos preços agropecuários ao produtor com a continuidade de movimentos de queda entre preços industriais e ao consumidor”, disse Braz.
O Índice Nacional de Custo de Construção (INCC), por sua vez, registrou aceleração da alta a 0,66% em agosto, de 0,61% antes.
O IGP-DI calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre o 1º e o último dia do mês de referência.
Jornal de Brasília - DF 09/09/2026
A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 1,906 bilhão na primeira semana de setembro. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta terça-feira, 8, o valor foi alcançado com exportações de US$ 7,298 bilhões e importações de US$ 5,392 bilhões.
Na primeira semana de setembro, comparado ao mesmo período do mês de 2025, as exportações cresceram 31,7%. O desempenho dos setores foi o seguinte: alta de 15,7% em Agropecuária, que somou US$ 1,406 bilhão; crescimento de 84,4% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 2,264 bilhões e, por fim, avanço de 17,9% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 3,597 bilhões.
Em relação às importações, houve alta de 8,4% na mesma comparação. Houve aumento de 3,5% em Agropecuária, que somou US$ 89,8 milhões; avanço de 32,4% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 271,4 milhões e, por fim, crescimento de 7,8% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 5,018 bilhões.
Acumulado do ano
De janeiro até a primeira semana de setembro, o ano acumulou superávit de US$ 57,224 bilhões, um crescimento de 36,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando o superávit no período somava US$ 46,300 bilhões.
A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial seja de US$ 90,0 bilhões neste ano, alta de 32,3% em relação a 2025.
O resultado projetado para este ano é decorrente de uma previsão de US$ 394,4 bilhões em exportações e US$ 304,4 bilhões em importações.
Infomoney - SP 09/09/2026
O crescimento das exportações da China acelerou no mês passado, impulsionado pela forte demanda internacional por produtos de alta tecnologia e relacionados à inteligência artificial, o que proporcionou um suporte vital para uma economia sobrecarregada pela fraqueza da demanda interna.
A divergência entre a resiliência das exportações e a fraqueza da atividade no mercado interno destaca a dependência contínua de Pequim em relação à demanda externa, com as autoridades se esforçando para reanimar o consumo e o investimento enquanto buscam atingir a meta de crescimento do PIB de 4,5% a 5% neste ano.
As exportações da segunda maior economia do mundo aumentaram 25% em agosto em relação ao mesmo período do ano anterior em dólares, em linha com as previsões e acelerando em relação ao crescimento de 23,9% registrado no mês anterior, segundo dados da alfândega divulgados nesta terça-feira.
As importações subiram 28,2%, em comparação com um aumento de 27,5% em julho em relação ao mesmo período do ano anterior e uma previsão de alta de 30%.
Lynn Song, economista-chefe do ING para a Grande China, afirmou que, embora a demanda externa tenha superado significativamente o consumo interno, “os riscos tarifários e a durabilidade do ciclo de investimentos em tecnologia são os principais fatores a serem observados para avaliar por quanto tempo essa força irá persistir”.
Nos primeiros oito meses, as exportações de produtos de alta tecnologia aumentaram 42,9% em dólares. O valor das exportações de semicondutores mais que dobrou, mesmo com os volumes subindo apenas 4,1%, enquanto as exportações de automóveis cresceram mais de 50% tanto em valor quanto em volume.
A forte demanda por produtos de IA, bem como por veículos elétricos, células solares e baterias de íon-lítio, compensou o impacto dos eventos climáticos, afirmou Zhaopeng Xing, estrategista sênior do ANZ para a China.
Xing observou que as empresas ainda corriam para enviar mercadorias para os EUA devido às incertezas relacionadas às tarifas.
“As principais áreas de crescimento das importações ainda parecem ligadas aos produtos de tecnologia, mostrando que a China continua a investir na corrida tecnológica em curso”, disse Song, do ING.
O superávit comercial da China subiu para US$119,09 bilhões em agosto, ante US$ 112,5 bilhões no mês anterior. O superávit nos primeiros oito meses atingiu US$805,51 bilhões, colocando o número anual a caminho de ultrapassar US$1 trilhão pelo segundo ano consecutivo.
CNN Brasil - SP 09/09/2026
Os investidores estão cada vez mais preocupados com os déficits governamentais e a inflação persistente, o que está elevando o preço do dinheiro. O Federal Reserve pode aliviar parte dessas tensões.
O conflito no Oriente Médio se intensificou na semana passada, pressionando novamente os preços de energia e forçando países altamente endividados a tomar mais empréstimos para aumentar os gastos com defesa e financiar a guerra.
Isso aprofundou uma derrocada global no mercado de títulos, levando os rendimentos a máximas de vários anos e várias décadas.
Rendimentos mais altos elevam os custos de empréstimos para os consumidores em tudo, desde hipotecas e cartões de crédito até a dívida de US$ 40 trilhões do governo dos EUA.
O presidente do Fed, Kevin Warsh, tem permanecido em grande parte em silêncio sobre para onde acredita que as taxas de juros podem estar se encaminhando.
No entanto, em um discurso importante no mês passado em um simpósio econômico em Jackson Hole, Wyoming, Warsh deu ao mercado uma pista, dizendo que havia mais "trabalho a fazer" no combate à inflação — um sinal de que aumentos nas taxas poderiam estar próximos.
Os investidores receberam bem o discurso de Warsh em Jackson Hole, ressaltando o quanto estão ansiosos por mais clareza sobre suas visões econômicas.
As preocupações fiscais e uma enxurrada de empréstimos corporativos para financiar a expansão da IA são os maiores impulsionadores da alta nos rendimentos.
Mas uma maior transparência de Warsh poderia ser uma importante fonte de estabilidade para o mercado de títulos — e uma alternativa muito melhor do que o banco central utilizar seu enorme balanço patrimonial de US$ 6,7 trilhões para controlar os rendimentos, como fez durante a Grande Recessão e a Segunda Guerra Mundial.
"A responsabilidade do Fed se limita apenas a controlar a inflação e, se Warsh conseguir apenas explicar melhor a política nos próximos meses, então essa fonte de ansiedade provavelmente diminuirá", disse Derek Tang, economista de política do Monetary Policy Analytics, à CNN.
"Mas o Fed tem poder de fogo com seu balanço patrimonial ilimitado."
Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA subiram ligeiramente na terça-feira (8), enquanto os operadores monitoravam os preços do petróleo e se preparavam para os dados de inflação que seriam divulgados mais tarde nesta semana.
Após dispararem na semana passada, os rendimentos estavam mais estáveis nesta semana. O rendimento de 10 anos era negociado a 4,79%, próximo ao seu nível mais alto desde 2025 e à beira do seu nível mais alto desde 2023.
O benefício da transparência
Warsh afirmou repetidamente que o Fed está comprometido com sua meta anual de inflação de 2%. Mas isso não foi suficiente para tranquilizar os investidores em títulos.
Logo após Warsh realizar uma coletiva de imprensa após a reunião de política monetária do Fed em julho, os rendimentos dos títulos de longo prazo dispararam.
Isso provavelmente refletiu dúvidas sobre o compromisso do presidente do Fed em conter a inflação, um período de adaptação a um Fed mais discreto, ou simplesmente expectativas de futuras altas de juros.
Mas Warsh não forneceu o que é conhecido como "função de reação", que é a explicação do banco central sobre "o que está observando, como interpreta a economia, como pondera riscos concorrentes e quais desenvolvimentos mudariam seu julgamento", de acordo com a Brookings Institution.
Embora Warsh não tenha detalhado uma função de reação em seu discurso em Jackson Hole, seu sinal de que altas de juros podem estar a caminho foi um passo na direção certa.
"Warsh precisa continuar a aprimorar a forma como se comunica com os mercados", disse Jim Baird, diretor de investimentos da Plante Moran Financial Advisors. "Parte disso é oferecer garantias de que os formuladores de política tomarão medidas em um prazo razoável."
Os mercados veem uma chance de aproximadamente 60% de o Fed elevar as taxas em sua reunião na próxima semana, o que ressalta a persistente incerteza em Wall Street.
Isso marcaria o primeiro aumento de juros em mais de três anos. Os investidores esperam pelo menos mais uma alta de juros até o fim do ano, mas o momento permanece incerto.
Uma opção nuclear
Mas o Fed possui uma ferramenta não convencional para influenciar os rendimentos de longo prazo: seu balanço patrimonial. No entanto, é altamente improvável que o banco central a utilize.
"O Fed tem munição para ser muito mais impactante no nível das taxas de juros ao introduzir o afrouxamento quantitativo", disse Mike Goosay, diretor de investimentos e chefe global de renda fixa da Principal Asset Management. "Mas não acho que isso vá acontecer."
Em resposta à Grande Recessão, o Fed expandiu massivamente seu balanço patrimonial comprando papéis e títulos lastreados em hipotecas para injetar dinheiro no sistema financeiro e estimular a economia em um momento em que as taxas de juros já estavam próximas de zero.
Warsh, que era governador do Fed durante esse período, disse que apoiou a primeira rodada de afrouxamento quantitativo, ou QE - na sigla em inglês -, como uma medida de emergência extraordinária.
Mas autoridades posteriormente introduziram mais duas rodadas de QE, que conseguiram estabilizar os mercados e auxiliar a recuperação econômica.
No entanto, isso levou Warsh a pedir demissão. Na época, Warsh descreveu as compras de ativos em larga escala do Fed como "Robin Hood ao contrário", argumentando que beneficiava proprietários de ativos ricos enquanto prejudicava as famílias comuns.
Desde que se tornou presidente do Fed, Warsh tem enfatizado que o banco central deve voltar ao básico, tornando altamente improvável que ele apoie o QE desta vez.
Essa não foi a única vez que o Fed usou seu balanço patrimonial para influenciar os custos de empréstimos de longo prazo.
"Na Segunda Guerra Mundial, o Fed acreditava que tinha o dever de apoiar o esforço de guerra, então usou seu balanço patrimonial para manter os rendimentos dos títulos baixos e garantir que o governo pudesse gastar mais", disse Tang.
"Mas não estamos em uma guerra mundial agora."
O Fed fez isso fixando um preço baixo para os títulos do Tesouro de curto e longo prazo e, em seguida, comprou todos os títulos que os compradores privados não quiseram — tudo isso mantendo as taxas de juros de curto prazo baixas.
Mas essa política teve um custo: o Fed efetivamente abriu mão de sua independência, dificultando que os formuladores de políticas controlassem a inflação. Esse arranjo terminou com o Acordo Tesouro-Fed de 1951, que restaurou a independência do banco central em relação ao Tesouro.
Warsh afirmou que a independência do Fed é essencial — e isso importa para o mercado de títulos. Se os investidores acreditam que o Fed está disposto a tomar decisões de política monetária impopulares para controlar a inflação, é mais provável que confiem em seu compromisso com a estabilidade de preços.
Em última análise, convencer os investidores de que agirá para manter a inflação sob controle é a ferramenta mais simples que o Fed tem para acalmar o mercado de títulos.
Infomoney - SP 09/09/2026
Os preços do minério de ferro subiram pela quarta sessão consecutiva nesta terça-feira, impulsionados pela queda nos embarques e pelas expectativas de uma recuperação sazonal da demanda na China, embora os altos estoques portuários e as margens reduzidas do setor siderúrgico tenham limitado os ganhos.
O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou o pregão diurno com alta de 1,36%, a 744,5 iuanes (US$110,94) por tonelada, nível mais alto desde 28 de julho.
O contrato de referência de minério de ferro para outubro na Bolsa de Cingapura subia 0,78%, para US$101,1 por tonelada, após atingir seu nível mais alto desde 17 de junho, a US$101,35, no início do dia.
O otimismo do mercado foi reforçado pelo fato de os embarques de minério de ferro dos principais fornecedores, Austrália e Brasil, para a China terem caído 7,7% em relação à semana anterior, para 23,03 milhões de toneladas, em 6 de setembro, de acordo com cálculos da Reuters com base em dados da consultoria Mysteel.
As negociações entre a BHP e os sindicatos que representam os trabalhadores das operações de minério de ferro da gigante mineradora em Port Hedland, na Austrália Ocidental, terminaram sem um acordo, mantendo os operadores em alerta quanto a possíveis interrupções no abastecimento.
Outro fator que sustentou os preços do insumo para a produção de aço foi a esperança de aumento da demanda, à medida que as siderúrgicas começaram a reabastecer seus estoques para o feriado nacional de uma semana no início de outubro.
No entanto, os elevados estoques portuários — que totalizavam 152,63 milhões de toneladas em 4 de setembro, segundo dados da consultoria Steelhome — limitaram a alta do preço do minério, afirmaram analistas da corretora Zhengxin Futures em nota.
Auto Industria - SP 09/09/2026
Os R$ 30,2 bilhões alocados e esgotados nas duas fases do Move Brasil para a compra de pesados ainda se apresentam como alívio tanto para o chão de fábrica quanto para o mercado ao fim de agosto.
Na produção de caminhões, de acordo com os dados da Anfavea divulgados na terça-feira, 8, saíram das linhas de montagem 11.773 unidades no mês passado. O volume, embora tenha indicado queda de 2,8% em relação a julho (12.109), foi 16,8% maior na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando as fabricantes produziram 10.096 unidades.
Com a parcial mensal, a indústria produziu nos oito primeiros meses do ano 80.680 caminhões, 8,9% inferior ao volume que acumulava um ano antes, de 88.525 veículos.
Infomoney - SP 09/09/2026
A participação dos veículos elétricos nas vendas totais no Brasil atingiu 10,4% em agosto, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgados nesta terça-feira (8). Foram 27,3 mil veículos vendidos com essa tecnologia, das 275,1 mil unidades totais do setor em agosto. Quando somados os dados de híbridos e híbridos plug-in, a categoria de “eletrificados” já representa 24,4% do mercado.
A avanço dos elétricos e híbridos no mercado brasileiro acelerou desde fevereiro. Naquele mês, os elétricos representavam 5,0% das vendas, fatia que cresceu para 7,4% em abril e para 9,7% em julho. Os híbridos eram 6,1% em fevereiro, subindo para 6,8% em agosto, enquanto os híbridos plug-in passaram de uma fatia de 4,8% para 7,3%.
“É impressionante a velocidade e como os veículos eletrificados chegaram no mercado brasileiro. Acompanhamos desde fevereiro desse ano um descolamento e um crescimento muito acentuado dos veículos elétricos”, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea, em coletiva online, que lembrou que em agosto de 2025 foram vendidas 7,7 mil unidades desse tipo de veículo.
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Importações
Calvet também destacou que, até agosto de 2025, entre os veículos eletrificados puramente importados e os produzidos nacionalmente, foram 165 mil veículos no acumulado do período. Em 2026, no mesmo período, já são 372 mil veículos entre elétricos e híbridos.
O número de importados nos dois períodos avançou de 123 mil para 227 mil, mas também houve avanço na produção nacional, em especial de CKD/SKD (kits de peças que chegam ao país para serem remontados) – que já somam 83 mil. A fabricação nacional, por sua vez, avançou de 41 mil para 62 mil unidades.
Esse avanço também resultou em mudanças significativas na importação. Houve queda de 5,6% nas compras externas de veículos a combustão entre janeiro e agosto de 2025 e 2026, enquanto as importações de eletrificados aumentaram 84,3% na mesma comparação.
Nesse período, as compras de veículos vindos da China cresceram 109,9% para 221,2 mil unidades, levando o país asiático à liderança nas importações. As compras da Argentina – que liderava em vendas para o Brasil até o ano passado — recuaram 14,8% na comparação dos oito primeiros meses do ano passado com o atual, para 114,8 mil unidades.
Segundo Calvet, a China representa hoje 54,2% das importações totais de veículos para o Brasil.
O Estado de S.Paulo - SP 09/09/2026
A produção de veículos no Brasil teve, em agosto, o melhor resultado para o mês desde 2019, mas a queda das vendas externas, em grande parte devido à redução das exportações para a Argentina, preocupa o setor, segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
“A Argentina responde hoje por 95% da queda nos nossos embarques”, disse Calvet, ressaltando que houve tanto redução da demanda quanto ampliação da concorrência, com perda de participação das montadoras brasileiras.
As vendas de veículos para a Argentina caíram 36,6% na comparação anual. Já as exportações totais recuaram 36,9% em agosto de 2026 em relação a agosto do ano passado. Calvet afirmou que, descontado o efeito argentino, a queda seria bem menor.
“Excetuando a Argentina, nós teríamos uma retração de 2,8%”, disse, acrescentando que a Colômbia foi o único mercado a registrar crescimento nas exportações brasileiras no período.
Produção de veículos é a maior em sete anos
A produção de veículos cresceu 9,4% em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025, para 271,2 mil unidades, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Frente a julho, a produção das montadoras aumentou 6,8%, segundo balanço divulgado pela Anfavea.
No acumulado de janeiro a agosto, foram produzidos 1,90 milhão de veículos, alta de 8,5% em relação aos oito primeiros meses do ano passado, quando o volume somou 1,75 milhão de unidades.
As vendas de veículos no País totalizaram 275,1 mil unidades em agosto, queda de 1,6% ante agosto de 2025. Na comparação com julho, os emplacamentos recuaram 1,6%. No acumulado do ano, as vendas chegam a 1,98 milhão de unidades, alta de 18,4% ante janeiro a agosto de 2025.
O balanço da Anfavea mostra ainda que o emprego no setor somou 114.951 pessoas em agosto, aumento de 0,8% em relação a julho e de 4,4% na comparação com agosto de 2025.
Valor - SP 09/09/2026
Segundo a Anfavea, entidade que representa as montadoras com produção no país, foram montados 271,2 mil veículos em agosto, alta de 9,4% na comparação anual
A venda de veículos em agosto deste ano subiu 22,1% ante o mesmo período do ano passado, somando 275,1 mil unidades, mas as exportações recuaram 31,7%, impulsionado pela queda nos embarques para a Argentina. A produção mensal naquele mês foi a maior desde outubro de 2019, período pré-pandemia, e no acumulado do ano, também avançou, mas apenas um terço do acréscimo de veículos montados teve produção plena no país.
Segundo números divulgados na manhã desta terça-feira (8) pela Anfavea, entidade que representa as montadoras com produção no país, foram montados 271,2 mil veículos em agosto, alta de 9,4% na comparação anual. No acumulado do ano até agosto foram produzidos 1.897,5 mil veículos, alta de 8,5%, e vendidos 1.975,3 mil veículos, alta de 18,4%.
Avanço de montagem de importados
“É uma produção que deve ser comemorada, pois reflete o aquecimento do mercado interno, a despeito da queda nas exportações. Contudo, vale ressaltar que dois terços das quase 150 mil unidades produzidas a mais neste ano são compostos por modelos em SKD e CKD, e apenas um terço por modelos com produção plena no país”, disse Igor Calvet, presidente da entidade.
Os modelos aos quais ele se refere são aqueles no qual o veículo ou chega ao país praticamente montado, mas recebe localmente acabamentos finais, como a instalação de pneus, ou chega totalmente desmontado, em kits de componentes ou peças avulsas para ser montado localmente.
Caminhões
A abertura dos dados mostra que o segmento de caminhões cresceu na comparação anual, mas recuou em relação ao mês anterior. Foram 10,0 mil unidades emplacadas em agosto, número 12,3% acima do registrado no mesmo período do ano passado, mas 14,1% menor do que o registrado em julho. No acumulado do ano até agosto, também houve queda, de 4,9%.
“Apesar da queda, estamos pelo terceiro mês consecutivo acima do que o ano passado registrou em termos de emplacamento [de caminhões]”, disse Calvet.
O segmento, disse a entidade, tem se recuperado gradualmente, desde o lançamento do programa federal Move Brasil, lançado para estimular a renovação da frota brasileira de caminhões.
Outro destaque foram os registros de veículos eletrificados, que chegaram perto de 372 mil unidades no acumulado do ano, registrando uma expressiva alta de 125,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Na categoria, 39% dos modelos foram produzidos no Brasil.
Importados avançam e exportados recuam
Segundo o relatório, o emplacamento de importados atingiu 62,7 mil em agosto, alta anual de 58,2%. No acumulado do ano até agosto, somou 406,7 mil unidades, alta de 29,8% na mesma base de comparação. A principal origem dos embarques foi a China, que detém mais da metade desse volume, com 221,2 mil unidades
“Veículos importados já chegam a um quinto do mercado brasileiro de veículos neste ano. É uma tendência no mercado, que está acontecendo muito rápido”, disse. “Hoje, 54,2% das importações brasileiras do nosso setor já vem da China. É um dado que nos torna muito dependentes de uma origem só de importação”, completou.
As exportações de autoveículos somaram 39,8 mil unidades em agosto, registrando queda de 31,7% na comparação com o mesmo período de 2025. No acumulado do ano, caíram 22,9%, para 294,1 mil unidades, com queda nos embarques para os principais mercados.
As exportações para a Argentina, principal destino dos embarques, caíram 36,6% no período na comparação anual, somando 143,3 mil autoveículos.
“Quase a totalidade da queda dos nossos embarques é reflexo da queda nos embarques para a Argentina”, disse o presidente da Anfavea. “Único mercado para o qual crescemos foi Colombia neste ano, que cresceu 5,5%, para 34,3 mil unidades”, completou Calvet.
CNN Brasil - SP 09/09/2026
A produção de veículos automotores no Brasil atingiu em agosto de 2026 o seu maior volume mensal em sete anos. Segundo dados divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), foram fabricadas 271,2 mil unidades no mês, o melhor resultado desde outubro de 2019, período pré-pandemia.
O número representa um avanço de 6,8% em relação a julho deste ano e de 9,4% a agosto de 2025. No acumulado do ano, o volume fabricado já passa de 2 milhões de unidades.
Alerta para a montagem de peças importadas
Apesar de comemorar o aquecimento do mercado interno, a Anfavea fez uma ressalva sobre a composição dessa alta. "É uma produção que deve ser comemorada, pois reflete o aquecimento do mercado interno, a despeito da queda nas exportações. Contudo, vale ressaltar que dois terços [...] são compostos por modelos em SKD e CKD, e apenas um terço por modelos com produção plena no país", declarou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
Das quase 150 mil unidades produzidas a mais neste ano, mais da metade corresponde a modelos montados em regime SKD e CKD, prática mais conhecida pelas montadoras chinesas como BYD, GWM e Chery, nos quais os veículos chegam ao país desmontados (CKD) ou semidesmontados (SKD), requisitando apenas a nacionalização da montagem dos veículos e, portanto, não movimentando uma série de setores industriais como a cadeia de fornecedores, desenvolvimento de produto, entre outros fatores.
Vendas aceleradas e recorde dos elétricos
No varejo, as concessionárias registraram média diária de 13,1 mil emplacamentos em agosto, o segundo melhor ritmo diário do ano (atrás apenas de maio, com 13,7 mil/dia). O total de vendas no mês fechou em 275,1 mil unidades.
Nos primeiros dias de setembro, o mercado brasileiro ultrapassou a marca de 2 milhões de emplacamentos no ano, marca que em 2025 só foi atingida no mês de outubro.
Os veículos eletrificados renovaram seu recorde de participação, representando 24,4% das vendas totais do mês, impulsionados por 25,9 mil unidades 100% elétricas. No acumulado de 2026, já são 372 mil eletrificados vendidos (+125,8%). Desses, 39% são produzidos no Brasil, predominantemente via SKD e CKD.
Queda nas exportações e avanço chinês
Na via oposta, o mercado externo continua retraído. As exportações acumulam queda de 22,9% no ano, influenciadas principalmente pela redução de 36,6% nos embarques para a Argentina, além da forte concorrência de veículos chineses no Uruguai e no Chile.
Já as importações brasileiras seguem em patamares elevados: das 406,7 mil unidades importadas em 2026 (+29,8%), mais da metade já vem da China, cuja participação no volume importado mais que dobrou no período.
Efeito dos programas governamentais
A entidade destacou ainda o impacto de programas de incentivo ao setor:
Move Brasil: no setor de pesados, reduziu a retração acumulada de caminhões de 31,5% (registrada em janeiro) para 4,9% em agosto, somando 70,7 mil unidades no ano. Os ônibus acumulam 14,5 mil emplacamentos (-7,6%). Carro Sustentável: desde a criação em julho de 2024, impulsionou um crescimento de 27,2% nas vendas gerais do segmento e de 64,3% nas vendas do varejo. O programa se encerra em quatro meses.
IstoÉ Dinheiro - SP 09/09/2026
O Ministério das Cidades autorizou a contratação de 750 novas unidades habitacionais do programa Minha Casa, Minha Vida em seis municípios brasileiros. A decisão, que busca expandir o acesso à moradia digna e fiscalizar o uso dos recursos públicos, foi publicada nesta terça-feira, 8, no Diário Oficial da União.
Os projetos habitacionais, subsidiados pelo Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), abrangem propostas apresentadas por prefeituras e construtoras da iniciativa privada, com o objetivo de atender famílias de baixa renda em áreas urbanas.
O que aconteceu
O programa Minha Casa, Minha Vida autoriza 750 novas unidades habitacionais em seis cidades. Os recursos são provenientes do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), visando moradias subsidiadas. As diretrizes ministeriais proíbem o uso promocional de nomes de autoridades na divulgação dos projetos.
As moradias estão distribuídas em seis municípios localizados nos estados do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Piauí e Rondônia. Os empreendimentos aprovados incluem desde conjuntos menores até residenciais com quase 200 habitações, atendendo diversas localidades urbanas.
No Maranhão, o município de Bacabal recebeu a autorização para 192 unidades do Residencial Nova Vida II. Em Minas Gerais, Uberaba soma 160 unidades no Residencial Floratta II, enquanto Guimarânia terá 50 moradias no Empreendimento Guimarânia I.
Já no Piauí, a cidade de Floriano contará com 150 unidades no Conjunto Habitacional Cajueiro. Em Rondônia, o município de Vilhena terá 150 unidades do Vale do Sol 1. No Ceará, Horizonte teve 48 moradias autorizadas no Residencial João de Sousa Falcão.
Quais são as regras para contratação?
A portaria ministerial estabelece prazos claros para que o gestor do fundo habitacional e o agente financeiro concluam as contratações. As construtoras e as administrações públicas locais participantes são obrigadas a atestar ciência às normas e cumprir rigorosamente as regras da linha de atendimento.
Um ponto de atenção da portaria reforça a proibição explícita do uso de nomes, símbolos ou imagens que possam caracterizar promoção pessoal de autoridades ou servidores nas ações de divulgação das obras. Toda a publicidade institucional deve, por fim, priorizar a identificação do Minha Casa, Minha Vida, conforme o manual oficial da marca do programa.
Valor - SP 09/09/2026
Focada no eixo Rio-São Paulo, empresa enfrenta a alta dos juros sem acumular dívida líquida
Fundada nos anos 1960 em São Paulo de olho nas linhas de crédito do Banco Nacional da Habitação (BNH), a Cury foi uma das primeiras empreiteiras de maior porte a aderir ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV), na década passada. Hoje, tem cerca de 95% do portfólio enquadrado em suas regras. Em 2025, quando o programa habitacional do governo federal respondeu por cerca de metade (49,6%) das unidades lançadas no país, segundo a pesquisa Indicadores Imobiliários Nacionais da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, a construtora entrou para o índice Ibovespa e obteve resultados recordes: receita líquida de R$ 5,4 bilhões (37,5% acima do ano anterior), lucro líquido de R$ 1,1 bilhão (alta de 54,7%) e distribuição de dividendos de R$ 1,4 bilhão (alta de 179,6%). Pela primeira vez, a Cury Construtora alcança o primeiro lugar no setor de empreendimentos imobiliários do Valor 1000.
O foco no programa Minha Casa, Minha Vida conta parte do sucesso recente da Cury, mas não a história toda. Em 2025 a taxa Selic subiu para 15%, o patamar mais elevado desde 2006. Foi um duro golpe para a construção civil, setor com custo de capital elevado, especialmente sensível a juros. Mas a empresa resistiu bem, com dinheiro em caixa e equivalentes (R$ 1,79 bilhão) maior do que a dívida bruta (R$ 1,47 bilhão) — um saldo de R$ 316 milhões. Pela primeira vez, recebeu da agência classificadora de risco Moody’s Brasil a nota mais alta para emissores de dívida: AAA.br.
A baixa alavancagem se deve em parte ao crédito associativo, mecanismo nascido nos anos 1990 — em um momento de escassez de financiamento, após o fim do BNH — e adotado até hoje. O cliente obtém crédito bancário junto à Caixa Econômica Federal, e com esse recurso a construtora gira a obra. “O modelo nos permite ter um mínimo de exposição”, afirma Leonardo Mesquita, co-CEO da Cury Construtora. A empresa adotou o modelo associativo como princípio, não como solução conjuntural. “Independentemente de termos ou não acesso a recursos, uma coisa não mudou desde aquele tempo: dinheiro no Brasil é caro”, diz.
A Cury reduz custos ao adotar um foco bem definido em perfil de comprador e geografia. A prioridade na habitação popular fica expressa no preço médio por unidade: R$ 308,3 mil. Dos 37 lançamentos de 2025, 25 foram em São Paulo e 12 no Rio de Janeiro — as duas maiores capitais do país e suas regiões metropolitanas, nada mais. “Ambas as praças incentivam a construção de imóveis de baixa renda, permitindo maior aproveitamento dos terrenos e reduzindo a cobrança de outorga onerosa”, diz o relatório de rating da Moody’s. “Essa profundidade de mercado foi importante para a manutenção das margens no período de alta inflação, como em 2019, quando a Cury não apresentou impactos relevantes. Por último, a limitação geográfica também permite maior controle sobre os canteiros”.
Com tecnologia, a empresa está conseguindo expandir sem se exceder. “A Cury sempre foi considerada muito eficiente, mas muitos diziam que isso se devia ao tamanho pequeno”, afirma Mesquita. “Hoje, acabamos nos tornando uma empresa relevante no mercado, sem perder eficiência.” Em 2025, todos os 37 projetos usaram o sistema BIM (Building Information Modeling), que amplia a integração e a previsibilidade das etapas construtivas por meio de modelos digitais. A empresa adotou metodologias como Lean Construction, voltada à redução de desperdícios, e 55 robôs RPA (softwares de automação que executam tarefas digitais repetitivas).
A inteligência artificial (IA) ajudou a Cury a ganhar agilidade e baixar custos longe dos andaimes e betoneiras. “No ano passado, um projeto nosso parou porque um grupo de desenvolvedores simplesmente nos abandonou. Eles receberam uma proposta e foram embora de um dia para outro”, diz Mesquita. “Com ajuda da IA, estamos desenvolvendo mais ideias em menos tempo.” O resultado foi uma digitalização acelerada de processos comerciais, de atendimento ao cliente e de controle de estoque.
Após o IPO na B3, em 2020, a Cury observou a necessidade de formalizar seu compromisso socioambiental. O Instituto Cury investiu R$ 1,4 milhão em iniciativas que beneficiaram oito mil pessoas, incluindo programas de inclusão de mulheres na construção civil e reaproveitamento de uniformes de trabalhadores por cooperativas de costureiras no Porto Maravilha, no Rio. A empresa recebeu o Selo Ouro no Programa Brasileiro GHG Protocol da Fundação Getulio Vargas e figura entre as 100 melhores do Anuário de Integridade ESG 2025. Em 2026, a Cury lançou a iniciativa Raízes Cury, em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, com meta de plantar uma muda de árvore a cada duas unidades lançadas — cerca de 15 mil novas árvores nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro até o fim do ano.
Os bons resultados da Cury em 2025 estão se repetindo em 2026. O balanço do segundo trimestre (2T26), divulgado em agosto, trouxe uma receita operacional líquida recorde, de R$ 1,691 bilhão (25,5% acima do 2T25). Segundo a empresa, o resultado se deve a avanços de produtividade nas obras e foco em eficiência operacional. A companhia reportou geração de caixa de R$ 144,9 milhões — o que representa o 29º trimestre consecutivo de fluxo positivo.
De 13 instituições financeiras que fazem cobertura das ações CURY3 negociadas na B3 — como Bank of America, Citi, Goldman Sachs, J.P. Morgan e UBS —, todas recomendaram “compra” após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026. “Vemos os resultados da Cury no 2T26 como positivos e amplamente em linha com nossas expectativas”, diz o relatório da XP Investimentos. “A sólida geração de caixa e a distribuição de dividendos, implicando dividend yield anualizado de 10,3%, foram os principais destaques do trimestre. Reiteramos nossa recomendação de compra e a Cury como nossa principal escolha no setor.”
Nos últimos cinco anos (até 14/8), as ações da Cury acumularam alta de 286,25% — consideravelmente acima do desempenho do índice Ibovespa (37,74%) e de pares na construção civil.
Para 2027, Mesquita projeta continuidade, numa mistura de otimismo com cautela. “O que a gente quer para a frente é manter, e não perder esses princípios”, diz. O ambiente macroeconômico segue como principal variável: juros elevados comprimem margens, dificultam comparações de retorno e limitam o ritmo de expansão. “A gente poderia fazer muito mais, em um ambiente pelo menos mais tranquilo”, afirma.
CNN Brasil - SP 09/09/2026
A IRGC (Guarda Revolucionária do Irã) afirmou, nesta terça-feira (8), que navios em portos do Kuwait e do Bahrein que abrigam americanos serão alvos de ataques em retaliação às ofensivas dos EUA contra petroleiros iranianos.
A força naval da Guarda alertou todas as tripulações para que deixassem as embarcações, segundo um comunicado divulgado pela mídia estatal.
Anteriormente, um alto oficial militar iraniano havia alertado que Teerã retaliaria se algum dos petroleiros do país for atacado novamente.
"Declaro que qualquer ataque a petroleiros iranianos resultará em ataques contra bases dos EUA na região", afirmou o Major-General Ali Abdollahi Aliabadi, comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, em Teerã, segundo a mídia estatal.
Nesta terça-feira (8), os EUA atacaram vários petroleiros iranianos perto da Ilha de Kharg, no Estreito de Ormuz, segundo duas autoridades americanas.
Os ataques ocorrem em um momento em que os EUA têm focado sua estratégia na guerra em priorizar o ataque ou a incapacitação de alvos ao redor do estreito, realizando operações de escolta para navios comerciais por meio da importante via navegável e mantendo seu bloqueio naval aos portos iranianos como parte de uma "pressão total" para aumentar a pressão econômica sobre a liderança do regime.
No fim de semana, operações militares dos EUA atingiram três petroleiros iranianos em retaliação ao lançamento, pelo IRGC (Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica), de mísseis balísticos contra dois navios de guerra da Marinha.
A Tribuna - SP 09/09/2026
O Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, anunciado no mês passado pelo Governo Federal, prevê a necessidade de ampliar a capacidade dos portos existentes, além de intervenções que permitam a movimentação de grupos de carga ainda não atendidos por determinadas instalações. São analisados diferentes perfis de carga: granéis sólidos agrícolas, minério de ferro, outros granéis sólidos minerais, carga conteinerizada, carga geral não conteinerizada e granéis líquidos.
Na prática, o diagnóstico considera a relação entre origem e destino das cargas, capacidade das infraestruturas, rotas existentes e potenciais e integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias e portos.
Para 2050, o cenário-meta reúne 42 eixos de transporte, sendo 12 rodoviários, oito ferroviários, quatro aquaviários e sete intermodais, além de outras conexões estruturantes.
O PNL também estabelece corredores prioritários de manutenção, divididos entre exportação, consumo interno e integração territorial. A prioridade é preservar infraestruturas que concentram grandes fluxos de cargas e são essenciais para o abastecimento e para a competitividade brasileira.
O plano ainda cria um banco de projetos, com alternativas que poderão ser estudadas caso mudanças econômicas, ambientais ou tecnológicas tornem inviável alguma das prioridades definidas. A estratégia busca dar mais agilidade ao poder público e segurança para investidores diante de um horizonte de 25 anos.
No caso dos portos, o grande diferencial é justamente essa visão integrada: um terminal mais moderno não resolve sozinho um problema logístico se a ferrovia não tiver capacidade, se o acesso rodoviário estiver saturado ou se o canal de navegação limitar a entrada dos navios. O porto do futuro, na lógica do PNL 2050, faz parte de uma rede logística planejada de acordo com a demanda, a capacidade e a integração territorial do País.
Política de estado
O diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), Mario Povia, disse que o PNL 2050 aperfeiçoa muitos aspectos, a começar pela abordagem.
“O novo PNL foi concebido para nortear uma política pública de Estado para o setor de infraestrutura de transportes, ou seja, deixou de ser somente uma avaliação de origem e destino de cargas, passando a enfrentar visões holísticas envolvendo corredores logísticos com visão multimodal”.
Povia avalia ainda que as diretrizes e os eixos estabelecidos no PNL 2050 deixam o “documento mais flexível para os ajustes periódicos que se farão necessários. Há que se observar, ainda, um olhar mais moderno no tocante ao tema sustentabilidade (emissões de carbono) e em questões sensíveis envolvendo mobilidade urbana”.
Documento identifica demandas e gargalos
O PNL 2050 possui 134 páginas e foi construído em conjunto pelos ministérios de Portos e Aeroportos, Transportes, Casa Civil e Planejamento e Orçamento, além do Comitê de Governança do Planejamento Integrado de Transportes (PIT), vinculado à pasta dos Transportes.
Mais do que uma relação de obras, o PNL 2050 procura identificar o que o País precisa transportar, onde estão os gargalos e quais demandas deverão pressionar a infraestrutura no futuro. A metodologia parte de três frentes: problemas já existentes, demandas emergentes e oportunidades de desenvolvimento regional. A ideia é que o investimento em transporte seja consequência dessas necessidades, e não o ponto de partida do planejamento.
Essa é uma das principais mudanças em relação à lógica tradicional de planejamento. O PNL 2050 estabelece primeiro as prioridades e, depois, seleciona as infraestruturas capazes de atendê-los. O documento informa que essa inversão corrige um problema histórico apontado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), evitando que o planejamento seja construído a partir de uma lista de projetos.
O planejamento envolve toda a cadeia logística que determina a eficiência da operação e não somente a capacidade instalada dos terminais nos portos. Entre os gargalos identificados estão a dificuldade de acesso aos portos, conflitos entre o porto e as cidades, saturação dos acessos terrestres, redução das janelas operacionais, subutilização de ferrovias e hidrovias e obstáculos à integração entre os diferentes modais.
Clima
O PNL incorpora também critérios de resiliência climática, emissões de gases de efeito estufa, proteção da biodiversidade e impactos sobre as populações do entorno. Nos portos, por exemplo, são considerados riscos como inundações, elevação do nível do mar e tempestades, para orientar investimentos capazes de manter a operação diante de eventos extremos.
CNN Brasil - SP 09/09/2026
A guerra entre Rússia e Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio elevaram em cerca de 50% o custo previsto do TRS (Terminal de Regaseificação de Suape), em Pernambuco, segundo João Guilherme Mattos, diretor-presidente da Oncorp, responsável pelo empreendimento. A estimativa passou de R$ 2 bilhões para aproximadamente R$ 3 bilhões, considerando investimentos e despesas operacionais ao longo de 15 anos.
Em entrevista ao Alta Voltagem, da CNN, o executivo associou o encarecimento à maior procura por equipamentos e por infraestrutura capaz de garantir o abastecimento de energia diante das tensões internacionais.
“Estamos em um período em que a guerra deixou de ser uma questão fortuita e virou praticamente um acontecimento em que a gente não entende mais como surpresa”, afirmou Mattos.
Segundo ele, a instabilidade no Oriente Médio reforça o interesse dos países por unidades flutuantes de armazenamento e regaseificação, conhecidas pela sigla em inglês FSRU (Floating Storage and Regasification Unit). Essas embarcações recebem GNL (gás natural liquefeito) e permitem transformar o combustível novamente em gás para abastecer os mercados consumidores.
O custo de afretamento de um FSRU varia entre US$ 90 mil e US$ 180 mil por dia em contratos de longo prazo.
“A gente estima que o projeto vai ficar na casa dos R$ 3 bilhões juntando capex e Opex no período de 15 anos”, acrescentou. A previsão atual é concluir o terminal no quarto trimestre de 2027. Inicialmente, o empreendimento deveria começar a operar em 2025, mas o cronograma foi revisto diante dos adiamentos do leilão de reserva de capacidade, aguardado pela companhia para dimensionar a demanda por gás das usinas termelétricas.
O certame voltado a térmicas a gás natural, carvão e hidrelétricas acabou realizado em março de 2026.
“Ficamos em compasso de espera para a realização deste leilão para ter uma ideia da dimensão em que teríamos o terminal, pois dependendo da quantidade demandada e contratada, isso poderia interferir a forma de como a gente constituiria o terminal”, disse Mattos.
O prazo atual também considera a conversão da embarcação que será utilizada como unidade flutuante de armazenamento e regaseificação.
Apesar da importância da demanda das termelétricas para o planejamento, Mattos afirmou que o TRS terá perfil multiuso. Segundo o executivo, o empreendimento não dependerá exclusivamente do abastecimento de usinas e terá conexão com a malha de transporte de gás, permitindo atender outros consumidores.
A proposta, de acordo com o presidente da Oncorp, diferencia Suape de projetos estruturados para fornecer combustível a termelétricas específicas, sem integração ao sistema de transporte. O terminal deverá ampliar as alternativas de entrada de GNL no país, em um mercado que busca diversificar fornecedores e aumentar a concorrência.
O Estado de S.Paulo - SP 09/09/2026
Há 50 anos, o Brasil tomou a decisão estratégica de investir recursos e desenvolver tecnologias para reduzir sua dependência externa de petróleo. Esse processo levou à descoberta do pré-sal pela Petrobras, em 2006. Mais do que ampliar as reservas de óleo e gás (O&G), a decisão estatal converteu o incremento da produção em segurança energética, arrecadação pública, adensamento industrial, inovação e vetor econômico do desenvolvimento nacional nos anos 2000.
O poço pioneiro do pré-sal custou cerca de US$ 240 milhões e colocou o Brasil na vanguarda da exploração em águas ultraprofundas. Para viabilizá-lo, a Petrobras elevou os investimentos em exploração e produção (E&P) de uma média anual de US$ 1,7 bilhão nos anos 1990 para US$ 19,5 bilhões nos anos 2010.
A partir de 2014, a crise das commodities e a Operação Lava Jato reduziram a capacidade de investimento e ampliaram o endividamento da companhia. Posteriormente, mesmo com seu reequilíbrio financeiro, a estratégia empresarial foi reorientada para a geração de valor e redução do endividamento no curto prazo. Entre 2016 e 2022, privatizações, redução de investimentos e mudanças regulatórias contribuíram para a desnacionalização das reservas, enquanto a venda de 266 ativos desarticulou a integração vertical da estatal.
Em 2025, com o início da exploração na bacia da Foz do Amazonas, os investimentos em E&P alcançaram US$ 17 bilhões, indicando recuperação. A exploração de novas fronteiras envolve alto risco e longo prazo de maturação, mas esses investimentos permitem repor reservas e sustentar a cadeia de O&G.
Avaliar a Petrobras apenas por resultados financeiros de curto prazo é prejudicial para o País e para a empresa. O pré-sal demonstrou que projetos estruturais exigem visão estratégica, regulação, política industrial, capacidade de investimento e resultados econômicos positivos. Ademais, em tempos de guerra e crise climática, é preciso avaliar seu desempenho também por sua contribuição ao abastecimento, ao controle público das reservas, à inovação, à cadeia de fornecedores e à geração de emprego e renda, além de métricas de avanço em novas rotas tecnológicas de baixo carbono, descarbonização, eficiência energética e sustentabilidade.
Tais parâmetros devem orientar a atuação da estatal na Margem Equatorial. No atual contexto geopolítico, segurança energética, autonomia em insumos estratégicos e desenvolvimento industrial são retornos esperados de uma estatal de energia. Esse deve ser o leme da Petrobras de hoje e do futuro.
Petro Notícias - SP 09/09/2026
A possível extensão do conflito no Oriente Médio até o fim do ano pode reduzir o processamento global de petróleo bruto em cerca de 1,4 milhão de barris por dia (bpd) no quarto trimestre de 2026, com a Ásia liderando a queda. A estimativa foi apresentada pela Wood Mackenzie durante um briefing sobre os mercados asiáticos de petróleo, refino e produtos químicos. Segundo a consultoria, a crise provocou fortes impactos no setor de refino asiático, alterando as rotas de abastecimento de petróleo, a dinâmica dos mercados de derivados e o cenário competitivo de longo prazo das refinarias da região.
Os persistentes ataques de drones ucranianos contra refinarias russas agravaram o quadro, com unidades paralisadas que somaram 3,5 milhões de bpd em agosto, aumentando ainda mais a pressão sobre o sistema global de refino. “A escala da interrupção no processamento global de petróleo bruto não tem precedentes na era moderna”, afirmou o vice-presidente sênior de pesquisa de refino, produtos químicos e mercados de petróleo da Wood Mackenzie, Alan Gelder (foto principal). Segundo ele, embora as refinarias asiáticas estejam aproveitando uma oportunidade imediata de margens mais elevadas, a questão mais importante é como elas irão responder ao novo cenário.
Os conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia limitaram o processamento de petróleo e elevaram as margens de refino em toda a região. Refinarias nos Estados Unidos e na Europa também estão adiando manutenções programadas para 2027. Os mercados de diesel permanecem aquecidos devido às restrições às exportações russas, à redução contínua dos estoques e ao aumento da demanda por aquecimento no inverno.
Os preços da gasolina devem recuar sazonalmente, mas a oferta limitada na Bacia do Atlântico tende a sustentar as margens até o fim do ano. Na Ásia, as margens devem diminuir após a retomada dos fluxos pelo Estreito de Ormuz. Como o crescimento da produção fora da Opep deverá superar o avanço da demanda global em 2027 e 2028, a Wood Mackenzie prevê que o Brent recue para a faixa de US$ 50 a US$ 60 por barril quando o trânsito pelo estreito for totalmente normalizado.
“Os refinadores precisam tratar o ganho extraordinário de hoje como uma entrada para a transformação”, disse Gelder. Para ele, um ambiente de preços mais baixos do petróleo, combinado com a aproximação do pico da demanda, deverá expor rapidamente a diferença entre ativos competitivos e não competitivos.
RECUPERAÇÃO LENTA
A interrupção no Estreito de Ormuz alterou significativamente a trajetória da demanda por petróleo na Ásia. Segundo a Wood Mackenzie, a demanda de petróleo da Ásia-Pacífico só deverá retornar aos níveis anteriores ao conflito no fim de 2027, após uma queda estimada de 1,24 milhão de bpd em 2026.
Os maiores impactos foram observados nas matérias-primas utilizadas pela indústria petroquímica, especialmente GLP e nafta, em mercados dependentes dos fluxos que passam pelo Estreito de Ormuz. Os combustíveis rodoviários, por outro lado, apresentaram maior resiliência. A Índia lidera a recuperação regional e deverá superar primeiro os níveis de demanda anteriores ao conflito, seguida pelo Sudeste Asiático. Na China, a demanda por petróleo provavelmente atingiu seu pico antes do início do conflito.
A produção de petróleo bruto no Oriente Médio está se recuperando, apoiada por operações de transporte por navios-tanque e transferências de carga entre embarcações, que reduziram a efetividade do atual bloqueio. Na China, os estoques comerciais indicam uma redução das reservas estratégicas, enquanto o ritmo de recomposição dos estoques chineses continua sendo uma das principais incertezas para as projeções de preços.
A Wood Mackenzie estima que a dependência da Ásia de petróleo bruto importado chegará a 82%, com a necessidade de importações adicionais de 1,5 milhão de bpd até 2030. Esse movimento deverá alterar a composição do abastecimento, aumentando a participação de cargas transportadas por longas distâncias provenientes dos Estados Unidos e da América Latina. Ao mesmo tempo, a participação do Oriente Médio nas importações asiáticas de petróleo deverá cair dos atuais mais de 65%.
“O conflito acelerou a diversificação estrutural da base de fornecimento de petróleo da Ásia”, afirmou Sushant Gupta, diretor de pesquisa de petróleo e refino da Wood Mackenzie. “As refinarias capazes de otimizar uma cesta mais ampla de tipos de petróleo, especialmente aqueles com maior rendimento de destilados médios, estarão melhor posicionadas para capturar valor nesse novo ambiente”, concluiu.
CNN Brasil - SP 09/09/2026
O petróleo fechou em alta nesta terça-feira (8) após oscilar na sessão, em meio aos ataques dos Houtis, do Iêmen, contra instalações petrolíferas da Saudi Aramco, e declarações do secretário do Tesouro, Scott Bessent, sobre uma alta da oferta da commodity.
Negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), o petróleo Brent para novembro, fechou em alta de 0,95% (US$ 0,92), a US$ 97,92 o barril.
Já o petróleo WTI para outubro avançou 1,69% (US$ 1,55), a US$ 93,03 o barril na Nymex.
O petróleo Brent chegou a ultrapassar os US$ 99 por barril na máxima do pregão, mas recuou após Bessent afirmar nesta tarde que haverá oferta abundante de petróleo assim que as guerras no Irã e na Ucrânia terminarem.
O Kremlin informou nesta terça que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu em conversa telefônica com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, o fim rápido da guerra na Ucrânia como caminho para uma retomada ampla das relações entre Washington e Moscou.
Enquanto isso, os Estados Unidos mantêm a pressão econômica contra o Irã. O governo Trump impôs nesta terça sanções a elementos adicionais da indústria de aviação do iraniana, com as restrições buscando isolar o regime persa ao atingirem 36 empresas companhias aéreas comerciais e privadas.
Já o Irã segue repetindo que possui o controle do Estreito de Ormuz. Um porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do país disse que uma legislação aprovada no parlamento persa permitirá a alocação de receitas obtidas com a administração da via marítima para a infraestrutura de defesa do país, informou a Fars.
No Mar Vermelho, a Arábia Saudita informou que várias instalações de energia do país tiveram suas operações interrompidas após a sequência de ataques da milícia dos houthis contra a infraestrutura da Saudi Aramco, o que elevou a escalada das tensões no Oriente Médio.
Segundo a imprensa saudita, a ofensiva também deixou mais de 70 pessoas feridas.
Nesse cenário, o Bank of America vê o Brent com uma média de US$ 83 por barril na segunda metade deste ano e $75 por barril em 2027. "Se os confrontos que reduzem os fluxos de petróleo continuarem até o final do ano, o Brent pode ser negociado em uma faixa de US$ 95-US$120 por barril", afirmam os analistas.
O Estado de S.Paulo - SP 09/09/2026
A Petrobras vai retomar a perfuração no poço de Morpho, na bacia Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, no início da próxima semana, segundo apurou o Estadão/Broadcast. A finalização da exploração no poço pioneiro libera a empresa para se concentrar nos três poços contingentes: Manga, Crotalus e extensão de Morpho (PAD Morpho).
O Ibama ratificou a licença de operação de Morpho, incluindo os novos poços, na semana passada.
Segundo informou a presidente da empresa, Magda Chambriard, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, após a finalização de Morpho, a sonda NS-42 (ODN II) fará manutenção e depois seguirá para exploração da bacia Potiguar, na Margem Equatorial, do poço Mãe de Ouro, que, junto com outras descobertas, como Pitu, poderia justificar um sistema de produção.
Já no bloco FZA-M-59, onde está Morpho, na costa do Amapá, a exploração será feita pela NS-43 (ODNIII), ainda sem data definida.
A Petrobras anunciou em 14 de agosto a descoberta de petróleo de boa qualidade em Morpho, comprovando estimativas de que a região tem chances de repetir o sucesso das vizinhas Guianas e Suriname.
Com a perfuração de Manga, Crotalus e extensão de Morpho (PAD Morpho), a estatal vai conseguir delimitar os reservatórios e estimar o volume de petróleo e, possivelmente, gás natural que poderá ser extraído.
Radar Digital Brasília - DF 09/09/2026
A 49ª Expointer encerrou sua programação com R$ 6,18 bilhões em negócios, crescimento de 39,8% sobre a edição de 2025. O resultado superou as expectativas iniciais e mostrou disposição dos produtores para voltar a investir em máquinas, tecnologia, animais e modernização das propriedades.
O setor de máquinas e implementos agrícolas liderou as negociações, com R$ 5,46 bilhões, alta de 44,83% em um ano. O segmento respondeu por aproximadamente 88% de todo o volume financeiro movimentado durante os nove dias de feira no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
O desempenho ficou acima das projeções apresentadas antes e durante o evento. Representantes da indústria trabalhavam com a possibilidade de vendas próximas de R$ 4 bilhões em máquinas. O resultado final ultrapassou essa referência em cerca de R$ 1,46 bilhão.
A reação é relevante porque a compra de uma máquina representa uma decisão de investimento de longo prazo. Tratores, colheitadeiras, pulverizadores, plantadeiras e equipamentos de precisão não atendem apenas à expansão das lavouras. Também permitem reduzir perdas, economizar insumos, executar as operações dentro da janela ideal e aumentar a produtividade.
Parte da procura está relacionada à necessidade de renovação da frota. Produtores que adiaram a substituição de equipamentos voltaram a avaliar compras, especialmente diante da perspectiva de recuperação dos preços de grãos e da valorização da pecuária. A proximidade da implantação da safra de verão também ajudou a colocar tecnologia e capacidade operacional no centro das decisões.
A Massey Ferguson levou 11 lançamentos à Expointer, com atenção especial aos equipamentos destinados à agricultura familiar. A empresa identificou demanda entre produtores profissionalizados que mantiveram o planejamento de médio prazo e precisam ampliar a eficiência das propriedades.
A CNH, controladora das marcas New Holland e Case IH, também utilizou a feira para reforçar suas soluções financeiras e apresentar tecnologias voltadas ao aumento da produtividade. As condições oferecidas incluíram consórcios e linhas do Plano Safra, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar Mais Alimentos (Pronaf Mais Alimentos), o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota) e sua modalidade destinada ao médio produtor.
Além das linhas bancárias tradicionais, consórcios, cooperativas, financiamento das próprias fabricantes e operações de troca de insumos ou equipamentos por parte da produção ampliaram as possibilidades de negociação. A combinação dessas modalidades permitiu adequar prazos e pagamentos ao fluxo de receita de diferentes propriedades.
O resultado não ficou restrito às máquinas. O setor automobilístico movimentou R$ 668,75 milhões durante a feira. As vendas de animais alcançaram R$ 21,99 milhões, avanço de 21,02% em comparação com 2025. Ao todo, 7.926 animais foram inscritos para exposições, julgamentos e competições.
O Pavilhão da Agricultura Familiar registrou R$ 14,4 milhões em vendas, aumento de 5,57%. Os 509 estandes reuniram empreendimentos de 216 municípios gaúchos, entre agroindústrias, produtores de plantas e flores, artesãos e cozinhas.
Das iniciativas presentes no pavilhão, 400 eram agroindústrias familiares, 74 atuavam no artesanato e 28 comercializavam plantas, mudas e flores. A feira também reuniu 265 empreendimentos conduzidos por jovens, 179 liderados por mulheres e 69 com certificação orgânica.
