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CLIPPING DIÁRIO

08 de Setembro de 2026

SIDERURGIA

Globo Online - RJ   08/09/2026

Fabio Schwartzman, o recém-empossado CEO da CSN, tomará nos próximos dias duas decisões cruciais para a sobrevivência do endividado grupo de Benjamin Steinbruch.

A primeira é a venda da CSN Cimentos. A chinesa Huaxin, a favorita, segue avançando nas negociações: a empresa acaba de concluir a formação de um consórcio de bancos internacionais para financiar a potencial aquisição de R$ 11 bilhões. Votorantim e Cementir seguem na disputa.

A segunda definição pendente na mesa de Schwartzman é a venda de ativos siderúrgicos da CSN na Alemanha, um negócio de R$ 1,5 bilhão.

Valor - SP   08/09/2026

Analistas da agência veem sinais de recuperação, com a margem Ebitda subindo para 10,5% no 2º trimestre, mas a demanda fraca por aço limita aumentos de preços e coloca dúvidas sobre essa melhora

A Moody's Local acredita que a CSN apresentou avanços operacionais e financeiros nos últimos meses, mas considera que os progressos ainda são insuficientes para alterar o perfil de risco da companhia. A agência de classificação de risco mantém o rating da companhia siderúrgica em revisão para possível rebaixamento e afirma que a execução do plano de venda de ativos permanece essencial para o reequilíbrio da estrutura de capital.

Na avaliação dos analistas Alain Nicolau, Patricia Maniero e Felipe Lima, a siderurgia apresentou sinais de recuperação, com a margem Ebitda subindo para 10,5% no segundo trimestre. No entanto, a demanda fraca por aço ainda limita aumentos de preços e coloca dúvidas sobre a sustentabilidade dessa melhora. Enquanto isso, os negócios de mineração e cimento continuam sendo os principais pilares de geração de resultados, sendo que a divisão de cimento registrou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorde no período.

A Moody's também destacou os avanços na administração da dívida, incluindo o alongamento de vencimentos bancários e a troca da maior parte dos “bonds” de 2028 por títulos com vencimento em 2030. Apesar disso, a agência ressalta que a alavancagem segue elevada, em 5,4 vezes Ebitda, e que a companhia continua dependente da venda de ativos para reduzir riscos de refinanciamento e melhorar sua posição financeira.

Segundo a agência, a conclusão da venda da operação de cimento, esperada para o terceiro trimestre, representará apenas parte da solução. A recuperação definitiva do perfil de crédito da companhia dependerá tanto da retomada mais consistente da rentabilidade da siderurgia quanto da concretização de outros desinvestimentos previstos no plano de captação de recursos da CSN.

ECONOMIA

Infomoney - SP   08/09/2026

As exportações de produtos brasileiros para a China caíram 10,9% em agosto de 2026, somando US$ 8,340 bilhões, ante US$ 9,361 bilhões em agosto de 2025.

Pelo lado das importações, houve crescimento de 21,3% nas compras vindas da China em agosto, totalizando US$ 6,609 bilhões no mês, ante US$ 5,449 bilhões em igual mês do ano passado.

Com isso, o Brasil teve superávit de US$ 1,731 bilhão com o país asiático no oitavo mês deste ano.
No período de janeiro a agosto de 2026, em relação a igual período do ano anterior, as vendas para China cresceram 15,0% e atingiram US$ 77,070 bilhões. As importações cresceram 9,5% e totalizaram US$ 51,561 bilhões. Consequentemente, neste período, a balança comercial com a China apresentou superávit de US$ 25,509 bilhões.

Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Cota de carne

O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, afirmou que o Ministério do Comércio chinês fez a última comunicação sobre o porcentual da cota brasileira à carne bovina em 10 de agosto, com a informação de que o Brasil já utilizou 90% da cota. Segundo ele, provavelmente esse comunicado causou o efeito de redução do ritmo de embarques do produto ao país asiático.

O governo chinês anunciou ainda no ano passado a decisão de aplicar uma tarifa de 55% sobre a carne bovina para as importações que ultrapassarem a cota estabelecida para cada país. A cota brasileira livre de taxação adicional é de 1,106 milhão de toneladas para 2026.

Brandão disse que o governo da China não apresentou um novo comunicado, mas é esperado o atingimento dessa cota no mês de agosto.

“Provavelmente os exportadores já se anteciparam, já diminuíram o volume de embarques para não correr o risco ou diminuir o risco de serem tarifados na China na tarifa extra-cota”, avaliou o técnico, em coletiva de imprensa sobre os dados da balança comercial brasileira de julho. “É esperado, sim, que a a extra-cota na taxa de 55% cause uma redução dos embarques de carne para esse destino, mas o Ministério de Comércio da China ainda não comunicou sobre esse atingimento.”

O Estado de S.Paulo - SP   08/09/2026

Os dados divulgados nesta sexta-feira, 4, pelo Departamento do Trabalho do governo americano mostraram um mercado de trabalho bastante forte, ao contrário das expectativas da maior parte dos investidores. Segundo o relatório, foram criados 162 mil empregos em agosto, sendo que a previsão era de 55 mil empregos; o salário médio por hora aumentou 0,3% no mês, atendendo às expectativas de alta; na comparação anual, os salários aumentaram 3,09%, destoando do consenso que apontava para 3,0% em 12 meses. A taxa de desemprego se manteve inalterada, em 4,1% da força de trabalho.

Além do bom desempenho no mês de agosto, os números dos meses anteriores foram revisados para cima. Em julho, o dado passou de 23 mil vagas fechadas para criação de 21 mil empregos. E em junho passou de 20 mil para 31 mil empregos gerados.

O dado afetou diretamente o comportamento dos ativos financeiros, e, ao mesmo tempo, mexeu com as expectativas dos investidores quanto ao resultado das reuniões do Federal Open Market Committee (Fomc) e do Copom. Para o Fomc, o dado gerou forte aumento na expectativa de que o Federal Reserve, o Banco Central americano, volte a aumentar a taxa básica de juros nos Estados Unidos – e, ao mesmo tempo, também aumentou a probabilidade de que o Copom interrompa o ciclo de queda da Selic, ambas nos dias 15 e 16 de setembro.

No caso dos Estados Unidos, a taxa de inflação permanece há mais de cinco anos acima da meta de 2,0% ao ano (atualmente em 3,5% ao ano), com poucos sinais de queda. Com um mercado de trabalho relativamente forte, taxa de desemprego abaixo da taxa neutra, política fiscal expansionista, cenário internacional incerto (três guerras: Oriente Médio, Leste Europeu e guerra comercial com a China) que afetam diretamente os preços de produtos importantes (petróleo, fertilizantes, cereais, entre outros).

O cenário para a economia brasileira é bastante similar ao cenário da economia americana. A taxa de desemprego está no menor nível da série histórica, a taxa de inflação está acima da meta, pelo menos desde 2020, a política fiscal é bastante expansionista, e há um cenário internacional incerto.

A principal diferença entre os dois países é que nos Estados Unidos a taxa de juros real está marginalmente positiva, próxima a 0,8% ao ano, enquanto no Brasil a taxa real de juros está extremamente elevada, próxima a 9,5% ao ano – e existem alguns sinais importantes de redução da taxa de inflação na margem. Neste contexto, o mais provável é que o Copom decida manter o ciclo de queda da Selic na próxima reunião, apesar das incertezas do cenário.

Money Times - SP   08/09/2026

A economia brasileira deve perder força mais rapidamente do que o esperado, abrindo espaço para a continuidade dos cortes na taxa Selic. A avaliação é da XP, que reduziu de 2,0% para 1,7% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

A revisão reflete o enfraquecimento dos componentes da atividade mais sensíveis ao ciclo econômico. Para 2027, a casa manteve a estimativa de expansão de 1,0%, mas afirma que o viés ainda é de baixa.

Com a desaceleração antecipada da economia, a XP não espera uma pausa no ciclo de flexibilização monetária. A projeção é de que a Selic termine 2026 em 13,25% ao ano e alcance 11,50% em junho de 2027, permanecendo nesse nível até o fim do ano.

O cenário, contudo, não está livre de riscos. A corretora chama atenção para a possibilidade de juros mais altos nos Estados Unidos, novas pressões sobre o petróleo, os efeitos do El Niño e as incertezas envolvendo a política fiscal brasileira.
Inflação melhora, mas permanece acima da meta

A XP também reduziu de 5,1% para 5,0% a projeção para o IPCA de 2026. A mudança incorpora as surpresas baixistas recentes e uma nova premissa para a bandeira tarifária de energia elétrica.

Parte desse alívio é compensada pelas tensões no Oriente Médio, que podem manter os preços do petróleo pressionados. Para 2027, a expectativa de inflação foi mantida em 4,2%, com riscos concentrados para cima.

Na frente fiscal, a casa projeta déficit primário de 0,3% do PIB para o governo central em 2026. Em 2027, o resultado negativo deve diminuir para 0,2% do PIB, sustentado por uma arrecadação ainda robusta.

Segundo a XP, a política fiscal deve entrar em terreno contracionista no final deste ano, passando a retirar estímulos da atividade econômica.
Dólar deve terminar o ano em R$ 5

O ambiente externo traz sinais mistos para o Brasil. De um lado, a possibilidade de alta dos juros nos Estados Unidos aumenta a pressão sobre moedas emergentes. De outro, a valorização de commodities como petróleo, soja, milho e açúcar favorece a balança comercial brasileira.

Mesmo com os riscos externos, a XP manteve a projeção do dólar em R$ 5 no fim de 2026 e R$ 5,30 no encerramento de 2027. As contas externas saudáveis e a postura técnica do Banco Central devem, segundo a casa, preservar a atratividade do real.

Para 2027, a corretora espera uma redução das exportações de grãos. O impacto sobre o saldo comercial, porém, deverá ser parcialmente compensado pela queda das importações, acompanhando a desaceleração da economia. O déficit em conta corrente deve continuar financiado com folga pelo ingresso de investimento direto no país (IDP).
Eleição deve continuar apertada

No campo político, a XP avalia que a campanha eleitoral chega a setembro reforçando a perspectiva de uma disputa presidencial equilibrada até o fim.

A candidatura do senador Flávio Bolsonaro deve buscar demonstrar força e unidade entre os partidos de direita. Já a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tende a apostar no aumento da rejeição ao adversário e em pautas econômicas, como o fim da escala de trabalho 6x1.

O Estado de S.Paulo - SP   08/09/2026

Em novo episódio de pressão sobre o Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta sexta-feira, 4, interromper o comércio com países com os quais os EUA mantêm déficit caso as taxas de juros não sejam reduzidas. “Diminuam a taxa ou eu paro de negociar com os países com os quais temos déficit”, escreveu em publicação na Truth Social.

Trump intensificou a pressão sobre o BC americano por juros mais baixos após a divulgação do payroll de agosto, que mostrou criação de 162 mil empregos, acima do teto das expectativas de analistas. O presidente classificou o resultado como “ótimo” e disse que superou as estimativas “por duas ou três vezes”.

Segundo Trump, a força da economia americana deveria permitir custos de financiamento menores. “Um país forte significa uma taxa de juros mais baixa - é um crédito melhor”, afirmou. Ele voltou a defender que os EUA deveriam ter “a menor taxa de qualquer país do mundo”.

O republicano também relacionou sua pressão monetária à política comercial. Segundo ele, países que acumulam grandes superávits com os EUA dependem da disposição de Washington de manter essas relações e poderiam perder esse status caso o comércio fosse interrompido. Trump disse ainda que essa estratégia seria “melhor do que tarifas”.

As declarações ocorrem enquanto o mercado eleva apostas, na verdade, em uma elevação das taxas de juros pelo Fed neste mês após o payroll, segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group. Taxas de emprego mais altas significam uma economia aquecida, o que pode elevar a inflação - e a ferramenta para baixar a inflação, que está acima da meta nos EUA há muito tempo, é aumentar os juros.

Trump pediu ainda que o conselho do Fed e seu presidente, Kevin Warsh, “sejam patriotas” e “inteligentes” e afirmou que juros elevados colocam os EUA em “desvantagem muito injusta”.

Globo Online - RJ   08/09/2026

Com o novo tarifaço do governo de Donald Trump contra o Brasil, as exportações para os Estados Unidos já acumulam queda de 9,7% no ano até agosto, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Em agosto, primeiro mês fechado da taxação de 37,5% sobre parte da pauta exportadora brasileira, houve alta de 12,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, que foi quando Trump implementou a primeira taxação sobre o Brasil - naquela época a tarifa chegava a 50%.

Foram US$ 3,190 bilhões (contra US$ 2,845 bilhões no mesmo mês de 2025) em artigos enviados para a maior economia do mundo no mês passado e US$ 24,105 bilhões no acumulado do ano (contra US$ 26,705 bilhões de janeiro a agosto do ano passado).

Apesar do baque nas vendas para os americanos, as exportações brasileiras cresceram 10,3% (US$ 250,9 bilhões) no acumulado do ano até agosto graças ao aumento dos embarques para outros países. As importações aumentaram 6,1% (US$ 195,5 bilhões). O saldo foi superavitário em US$ 55,3 bilhões.

Em agosto, o superávit foi de US$ 7,394 bilhões, um aumento de 23,8% frente ao oitavo mês de 2025. O número foi resultado de US$ 33,2 bilhões em exportações (12,2%) US$ 25,8 bilhões em compras do exterior (9,2%).

No final de julho, o governo Trump adotou duas novas tarifas adicionais sobre as exportações brasileiras. A primeira sobretaxa, de 25%, foi imposta sob a acusação de supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil. Já a taxação de 12,5% foi aplicada por suposta falha do país em barrar importações de produtos fabricados com trabalho forçado.

As tarifas do governo Trump reduzem a competitividade dos produtos brasileiros nos EUA, que ficam mais caros para o consumidor final americano ou empresas que importam insumos do Brasil.

Em agosto, destaca-se o aumento das exportações para a União Europeia, de 46,4%, para US$ 5,824 bilhões. Os embarques para China, maior parceiro comercial brasileiro, caíram 10,9%, já para a Argentina a queda foi de 9,6%.

No ano, as vendas para a China somaram US$ 77,07 bilhões, um aumento de 15% no valor embarcado. As exportações para a UE também cresceram 15%, mas o valor enviado é bem menor, de 37,293 bilhões. Para a Argentina, há queda de 17,5% nos embarques este ano, para US$ 10,228 bilhões.

Nesta tarde, em entrevista à Rádio Progresso, de Juazeiro do Norte (CE), o presidente Lula comentou a relação com os Estados Unidos e voltou a dizer que o Brasil não aceitará interferência externa nas eleições. O presidente afirmou que mantém uma boa relação com Donald Trump, mas disse que o governo brasileiro buscará outros mercados caso os americanos reduzam as compras de produtos do país.

— Se os Estados Unidos não quiserem comprar da gente, não vou ficar chorando. Vou procurar quem quer comprar. Nós precisamos ser muito respeitados. A minha relação com o Trump é boa. Faz uma semana que tivemos uma conversa boa e depois o secretário conversou com o nosso ministro do Mdic — afirmou.

Lula também disse que eventuais divergências com Trump devem ocorrer no campo político e da “narrativa”, e não por meio de uma confrontação entre os dois países.

— Eu não quero guerra com você. Eu quero guerra com você na narrativa, mostrar que você não está sendo verdadeiro no Brasil — disse, ao reproduzir o que afirmou ter dito ao presidente americano.

Ao ser questionado sobre uma possível interferência do governo dos Estados Unidos na eleição brasileira, Lula afirmou que não aceitará ingerência estrangeira no processo eleitoral.

— Se tiver, vai perder. Eu disse para o Trump isso. Nós não aceitamos ingerência de ninguém nas eleições. Se entrar, vai perder — declarou.

CNN Brasil - SP   08/09/2026

A presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Cleveland, Beth Hammack, reforçou nesta sexta-feira (4) sua preocupação com a alta da inflação nos EUA e disse que "é hora de agir" sobre as taxas de juros.

"Tanto os dados concretos quanto os relatos me dizem a mesma coisa: a política não é restritiva. A inflação está alta demais – e quanto mais tempo ela permanecer acima do nosso objetivo, mais difícil será reduzi-la novamente", escreve Hammack em seu Linkedin.

Após o relatório payroll de agosto acima do previsto, a dirigente frisou que o mercado de trabalho está estável e próximo de sua estimativa de emprego máximo, mas que a inflação ainda está acima de 3%.

Segundo ela, empresas de todo o Quarto Distrito afirmam que os custos estão aumentando e que "estão tendo que tomar decisões difíceis".

Infomoney - SP   08/09/2026

Os sinais de arrefecimento nos índices de preços trazem alívio passageiro ao consumidor, e o mercado se animou com a deflação de 0,40% do IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial. Mas economistas alertam para o caráter temporário do alívio, beneficiado pelo bônus de Itaipu nas tarifas de energia elétrica. O temor é de piora à frente que não só dificultaria a queda dos juros, mas abriria caminho para estagflação, cenário que combina preços altos e economia fraca.

“Não vamos poder pensar que a inflação está sendo contida, então está tudo bem. Não é bem essa leitura. Haverá uma alta importante, ali na esquina, em setembro, que vamos saber no começo de outubro [quando os dados forem divulgados]”, diz o economista sênior da 4intelligence e especialista em inflação, Fábio Romão.

O sócio e economista da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, também avalia que a queda do IPCA cheio de agosto é pontual, resultado da devolução do bônus de energia e de um período favorável aos produtos agrícolas, sem repetição prevista nos meses seguintes. A Tendências projeta a inflação em 5,3% em 2026 e 4,2% em 2027.
Um processo desinflacionário consistente exigiria um esfriamento mais amplo da atividade, o que ainda não ocorreu, segundo ele. “A gente ainda está naquele processo de desacelerar a economia, desacelerar o consumo para que, aí sim, a inflação possa cair e os juros, efetivamente, também entrem em uma trajetória mais intensa de queda”, avalia.

El Niño volta a ameaçar inflação de alimentos

Um dos fatores que impedem a melhora na percepção do custo de vida é o patamar que a alimentação atingiu desde o início da pandemia. Mesmo com deflações pontuais na categoria em julho e agosto, o nível acumulado continua consumindo parte relevante da renda familiar.

“Não é uma evolução moderada de curto prazo que vai tirar essa percepção do consumidor de que a alimentação ficou mais cara. É mais caro, agora, comprar no mercado do que era no começo de 2020. Isso é evidente”, afirma Romão.

Para os próximos meses, o principal risco para os alimentos é o El Niño, que deve afetar a produção agrícola no último trimestre deste ano e no primeiro semestre de 2027, dificultando uma desaceleração mais robusta do IPCA. A 4intelligence projeta inflação de 5,1% em 2026 e 4,5% em 2027.

Os serviços são a outra frente de resistência. O grupo subiu 6,01% em 2025 e mostrou moderação recente, o que levou a 4intelligence a revisar para 5,1% sua projeção de alta do segmento neste ano, patamar ainda desconfortável para o Banco Central. Embora a média móvel trimestral dos núcleos tenha recuado para níveis abaixo de 4%, os serviços seguem como principal ponto de atenção e justificam cautela na condução dos juros.
Petróleo pressiona pelo exterior

A instabilidade global chega à inflação brasileira principalmente pelo petróleo. Com o Brent em US$ 95 por barril, custos de produção e transporte sobem internamente, e Braga observa que há limites para o governo conter esse repasse nos combustíveis, sobretudo com as crises no Leste Europeu e no Estreito de Ormuz.

Silvio Campos Neto acrescenta que eventuais subvenções temporárias não barram os efeitos indiretos sobre as cadeias produtivas, já que transporte e fertilizantes acabam contaminados, o que obriga o Banco Central a monitorar de perto a commodity e o câmbio.

O maior risco imediato é um choque externo anular o esforço interno de controle de preços. “Se o conflito entre os Estados Unidos e o Irã voltar a escalar e isso bater no petróleo e no câmbio, você pode ter uma inflação mais alta, mesmo com a atividade perdendo força”, afirma Romão.
Fiscal e fantasma da estagflação

A questão fiscal é mais um vetor de pressão. Para os economistas, a ausência de uma âncora fiscal crível é o maior obstáculo à convergência da inflação no longo prazo, porque a percepção de risco de calote mantém os juros longos de mercado pressionados independentemente dos movimentos da Selic.

O economista Carlos Primo Braga, ex-diretor de política econômica e dívida do Banco Mundial e professor associado da Fundação Dom Cabral (FDC), aponta o endividamento como raiz do problema. A dívida bruta do governo federal já supera 95%, fruto de despesas que crescem acima das receitas desde 2023. Em entrevista ao InfoMoney, Braga classificou o Orçamento de 2027 como uma obra de ficção.

Combinada a uma inflação persistentemente próxima do teto da meta, hoje de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual, essa fragilidade eleva as chances de dominância fiscal, situação em que a política monetária perde eficácia. Cada elevação de 1 ponto percentual na Selic acrescenta de R$ 50 bilhões a R$ 60 bilhões ao custo de carregamento da dívida, segundo o Banco Central.

“A única solução é realmente você pegar e apertar o freio com relação à política fiscal”, diz Braga. Sem um ajuste focado nas despesas obrigatórias, tema que os principais candidatos evitam por razões eleitorais, o país caminha para crescimento menor em 2027, com inflação resistente.

MINERAÇÃO

Valor - SP   08/09/2026

Contrato futuro com vencimento em janeiro, o mais negociado, fechou cotado a US$ 109,44

Os preços do minério de ferro subiram na China nesta segund-feira (7), resultado de uma queda temporária nos estoques dos portos, recomposição pelas siderúrgicas e pelos custos elevados de frete.

O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em janeiro, o mais negociado na Bolsa de Dalian, fechou em alta de 1,17%, cotado a 734,50 yuans (US$ 109,44).

Analistas da Huatai Futures observam que esses ganhos tendem a ser limitados pela ampla oferta do minério e pela fraca rentabilidade das siderúrgicas.

O desembarque de minério de ferro na China caiu significativamente, indicando que a oferta de curto prazo está mais apertada, mas pode se recuperar no próximo ciclo, afirmam.

Já a recuperação da demanda parece limitada pelas margens pressionadas das siderúrgicas.

Valor - SP   08/09/2026

A companhia respondeu a notícia veiculada na mídia de que a chinesa Baowu Steel Group, maior siderúrgica do mundo, estaria interessada em comprar uma participação minoritária nos negócios da empresa no país

A BHP reiterou hoje seu compromisso de longo prazo com as operações de minério de ferro na Austrália Ocidental, enfatizando que os ativos da região permanecem no centro de seu portfólio estratégico.

Maior mineradora do mundo em valor de mercado, a companhia destacou que mantém um histórico consolidado de parcerias operacionais em seus empreendimentos e avalia continuamente alternativas estruturadas voltadas a destravar valor aos seus acionistas.

A companhia respondeu a notícia veiculada na mídia de que a chinesa Baowu Steel Group, maior siderúrgica do mundo, estaria interessada em comprar uma participação minoritária nos negócios de minério da BHP na Austrália Ocidental.

Em paralelo às declarações sobre a divisão de ferrosos, o Barclays alertou, em relatório, que o orçamento de investimentos para a primeira fase do projeto de cobre Vicuña, desenvolvido em parceria com a canadense Lundin Mining, deve superar a faixa preliminar estimada entre US$ 7 bilhões e US$ 8 bilhões.

A projeção do banco decorre de uma mesa-redonda realizada com o diretor-presidente e o diretor financeiro da mineradora, na qual analistas avaliaram ter ficado claro que os custos totais do ativo tendem a ser revisados para cima.

Por outro lado, os analistas consideram que o orçamento para a implantação de um novo concentrador na mina de Escondida, no Chile, apresenta menor vulnerabilidade a estouros de custos.

Durante a divulgação dos resultados do ano fiscal de 2026, a BHP chegou a elevar a projeção de investimentos para a instalação em 14%, fixando o intervalo entre US$ 5,4 bilhões e US$ 6,3 bilhões.

Contudo, o Barclays pontua que o acréscimo decorreu primordialmente de uma expansão no escopo do projeto, ressaltando que a cúpula da mineradora demonstra maior conforto em relação aos riscos de execução e controle de custos no ativo chileno.

Máquinas e Equipamentos

Ipesi - SP   08/09/2026

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), conjunto com o Sindimaq, realizou no dia 3 de setembro, em São Paulo (SP), a 11ª edição do Congresso Brasileiro da Indústria de Máquinas e Equipamentos. Na abertura do evento, o presidente do Conselho de Administração da Abimaq/Sindimaq, Gino Paulucci Jr. (foto), destacou as transformações na economia, na tecnologia e na geopolítica e seus impactos sobre as estratégias das empresas.

“A geopolítica voltou a ocupar um espaço central nas estratégias empresariais”, afirmou Paulucci. Segundo ele, o cenário atual exige que a indústria esteja preparada para mudanças cada vez mais rápidas, ao mesmo tempo em que o Brasil precisa avançar em investimento, produtividade e competitividade.

Para o presidente do Conselho, os desafios são ainda mais relevantes para a indústria de máquinas e equipamentos, por sua posição estratégica nas cadeias produtivas. “Discutir o futuro da indústria é também discutir o futuro da indústria de máquinas e equipamentos”, ressaltou.

A inteligência artificial foi um dos principais temas da programação do congresso. Paulucci destacou que a tecnologia já está presente na gestão, engenharia, produção, análise de dados e em diferentes processos industriais, deixando de ser apenas uma perspectiva de futuro. “O papel da entidade é contribuir para que nossas empresas encontrem os melhores caminhos para essa transição. A questão já não é mais se essa tecnologia fará parte dos nossos negócios, mas como vamos incorporá-la de maneira inteligente, produtiva e responsável”, afirmou.

PROPOSTA AOS PRESIDENCIÁVEIS – Durante a abertura, Paulucci também apresentou a proposta da Abimaq aos presidenciáveis, intitulada “Estabilidade e Competitividade, os fundamentos do novo ciclo de desenvolvimento”. Segundo ele, o documento busca ir além de propostas para o próximo governo e estabelecer uma visão de longo prazo para o desenvolvimento do país.

A proposta está estruturada em quatro eixos: estabilidade econômica, competitividade sistêmica, educação e capital humano e investimento em capital produtivo.

“São eixos que precisam avançar de maneira integrada se quisermos criar condições para o crescimento sustentável, com mais produtividade, tecnologia, investimento e geração de riqueza”, destacou.

O presidente do Conselho também defendeu a construção de políticas públicas que ultrapassem os ciclos eleitorais, com metas, mecanismos de governança, monitoramento e avaliação de resultados.

Entre os entraves ao desenvolvimento, Paulucci citou o custo de capital elevado, a insegurança política, a complexidade tributária e as dificuldades de financiamento, fatores que, segundo ele, podem desestimular o investimento produtivo.

CENÁRIO INTERNACIONAL – Outro ponto destacado na abertura foi a transformação do ambiente internacional, marcado por maior competição entre países, reorganização das cadeias produtivas, disputas comerciais e tecnológicas e mudanças na geopolítica mundial.

“Decisões políticas formadas em Brasília, Moscou, Pequim, Bruxelas ou em qualquer grande centro econômico podem rapidamente chegar ao chão das nossas fábricas”, afirmou Paulucci. Para ele, compreender esse cenário deixou de ser uma questão restrita à política internacional e passou a fazer parte da estratégia das empresas.

AUTOMOTIVO

Auto Informe - SP   08/09/2026

A indústria automobilística chinesa levou décadas para chegar ao atual estágio de competitividade. Segundo estudo da K.Lume Consultoria Automobilística, assinado por Milad Kalume Neto e Máia Martins, a evolução começou com a abertura econômica promovida a partir de 1979 e ganhou velocidade com as joint ventures formadas entre fabricantes chineses e grandes montadoras globais. A associação obrigatória para atuação de empresas estrangeiras no mercado chinês acabou funcionando como uma escola industrial, permitindo a transferência de conhecimento em manufatura, qualidade, gestão e desenvolvimento de fornecedores.

O grande salto, porém, veio quando a China identificou na eletrificação uma oportunidade para reduzir a distância tecnológica em relação às montadoras tradicionais. Em vez de tentar reproduzir décadas de experiência acumulada nos motores a combustão, o país concentrou investimentos em veículos de nova energia, baterias, semicondutores e matérias-primas estratégicas. O resultado foi a formação de uma cadeia produtiva altamente integrada, reunindo fabricantes de veículos, baterias, componentes eletrônicos e sistemas de assistência à condução em grandes clusters industriais. Essa estrutura ajudou a reduzir custos e também acelerou o desenvolvimento de novos produtos.

A estratégia chinesa teve um componente industrial decisivo: aprender com quem já dominava o setor. As parcerias com fabricantes internacionais permitiram acesso a processos produtivos e padrões globais de qualidade, enquanto empresas chinesas desenvolviam fornecedores e acumulavam conhecimento.

A eletrificação abriu uma segunda oportunidade. Com o domínio crescente da cadeia de baterias e de componentes eletrônicos, fabricantes chineses passaram a competir em uma área na qual a vantagem histórica das montadoras tradicionais era menor.

O efeito é uma indústria capaz de desenvolver, produzir e atualizar veículos em ciclos muito mais rápidos, aproximando a lógica automotiva da velocidade observada no setor de tecnologia.

O jogo mudou de lado

A transformação também alterou a relação entre as empresas. Se no passado as fabricantes chinesas buscavam tecnologia e conhecimento junto às montadoras ocidentais, atualmente algumas das maiores empresas tradicionais procuram parceiros chineses para acessar plataformas elétricas, softwares e sistemas de assistência à condução.

Parcerias como Audi e Saic, Volkswagen e XPeng e Stellantis e Leapmotor mostram essa inversão de papéis. A China deixou de ser apenas uma grande base de produção e passou a ocupar posição estratégica no desenvolvimento de tecnologias para a indústria automobilística mundial.

A primeira onda foi marcada pela chegada de modelos chineses com preços competitivos e uma lista extensa de equipamentos. O avanço, entretanto, encontrou obstáculos como problemas de qualidade percebida, corrosão, dificuldade de obtenção de peças e redes de atendimento ainda pequenas. O ambiente regulatório também mudou com o Inovar-Auto, dificultando a expansão de algumas dessas operações.

A segunda fase foi de reorganização. Houve movimentos de nacionalização e consolidação, como a formação da Caoa Chery, enquanto os SUVs ganharam espaço nos portfólios. Também começaram a surgir iniciativas relacionadas à eletrificação comercial.

A terceira onda, iniciada em 2022, é diferente. Os novos entrantes chegaram principalmente com veículos elétricos, híbridos e híbridos plug-in, além de modelos com extensor de autonomia. O design passou a incorporar profissionais de renome internacional e os carros passaram a disputar consumidores também por tecnologia, conectividade e sistemas de assistência à condução e não apenas por preço.

A guerra de preços

A forte concorrência trouxe um efeito imediato para o consumidor: promoções, bônus e reduções de preços. Mas a estratégia também criou um problema para o próprio mercado. Cortes frequentes no preço dos veículos podem pressionar as margens das concessionárias e afetar o valor dos carros usados.

Para quem comprou um veículo recentemente, uma redução expressiva no preço de um modelo novo pode significar uma perda maior de valor na revenda. Por isso, a guerra de preços pode ajudar a conquistar mercado no curto prazo, mas também representar um risco para a construção de valor das marcas.

O estudo da K.Lume aponta justamente essa mudança de etapa: depois de conquistar espaço, as fabricantes chinesas precisam provar que conseguem sustentar a relação com o consumidor no longo prazo.

O ponto mais sensível dessa nova fase está no pós-venda. A disponibilidade de peças é um dos principais desafios, especialmente em componentes de colisão e itens específicos de modelos recém-chegados ao país.

Outro gargalo é a capacitação das redes. Veículos eletrificados exigem profissionais preparados para trabalhar com sistemas de alta tensão, diagnóstico eletrônico e atualizações de software. A expansão das tecnologias over-the-air também muda a rotina das oficinas, que passam a lidar cada vez mais com problemas que podem ser solucionados por software.

Há ainda um terceiro componente: o custo total de propriedade. Seguro, manutenção, depreciação e facilidade de revenda serão determinantes para saber se a vantagem inicial de preço e equipamentos continuará sendo percebida pelo consumidor depois de alguns anos.

Montadoras tradicionais

Para as fabricantes tradicionais, a chegada dos chineses, segundo o estudo, exige uma resposta que vai além de novos desenhos ou facelifts. O desafio envolve rever a proposta de valor dos veículos e combinar os ativos que essas empresas já possuem, como redes de concessionárias, experiência em pós-venda e confiança construída ao longo de décadas, com tecnologias mais competitivas.

No mercado brasileiro, outro caminho apontado pelo estudo é o desenvolvimento de veículos híbridos flexíveis capazes de utilizar etanol. A solução aproveitaria uma característica particular da matriz energética brasileira e poderia criar uma alternativa de eletrificação diferente daquela adotada em mercados onde os veículos puramente elétricos avançam mais rapidamente.

A revolução chinesa, portanto, não se resume à chegada de novas marcas. Ela representa uma mudança na própria lógica de competição da indústria. O que começou como uma estratégia de aprendizado industrial transformou-se em uma cadeia tecnológica capaz de desafiar fabricantes tradicionais em escala global. No Brasil, a terceira onda ainda está em andamento, e seu sucesso definitivo dependerá menos da capacidade de vender carros e mais da capacidade de entregar peças, preservar valor, atender o consumidor e construir confiança ao longo do tempo.

O Estado de S.Paulo - SP   08/09/2026

A dúvida que fica para quem planeja trocar de carro nos próximos meses é direta: essa disputa de bastidores entre as fabricantes tradicionais e as novatas asiáticas beneficia ou prejudica o bolso do consumidor?

O mercado brasileiro de veículos vive um paradoxo em 2026. Por um lado, produção, vendas e exportações de carros estão em crescimento. O País a ultrapassar a marca de 3 milhões de unidades vendidas pela primeira vez desde 2014. Por outro, uma onda inédita de veículos importados — em sua maioria vindos da China — entupiu os pátios e instalou um clima de apreensão entre as montadoras nacionais.

Vendas de carros aquecidas: em julho, foram 279,5 mil unidades emplacadas — maior volume do ano (+2,6% sobre junho e +14,9% sobre julho de 2025). No acumulado, já são 1,7 milhão de veículos licenciados (+17,9%).Exportações: somaram 39,3 mil unidades em julho (+6,8% ante junho), embora ainda acumulem recuo de 20,8% no ano.
O que o estoque de carros chineses significa para o seu bolso?

Quando a oferta nos pátios cresce mais rápido do que a capacidade do mercado de absorver os carros, o cenário para o comprador se divide entre oportunidades imediatas e cuidados de longo prazo:

Oportunidade de descontos no carro novo e taxas baixas

Para desovar o grande volume estocado antes da alta do imposto, a tendência é de maior pressão por promoções. “No curto prazo, essa combinação favorece o consumidor e eleva a concorrência, aumentando a pressão por ações comerciais, descontos e condições de financiamento mais competitivas”, aponta Briganti.
Atenção à desvalorização do seminovo

Por outro lado, políticas agressivas de preços no carro zero podem refletir diretamente no mercado de usados. “Se a pressão por estoques elevados persistir, pode pressionar margens e ter efeitos sobre o valor residual dos veículos”, complementa o especialista da Bright Consulting.

Rede pode ter problema no pós-venda

Com mais veículos nas ruas em tempo recorde, a capacidade de atendimento torna-se um fator decisivo de compra. Para Milad Kalume Neto, da K.Lume Consultoria, além da atenção à depreciação, o comprador precisa observar a infraestrutura das marcas: “As chinesas precisarão de um pós-venda robusto para dar conta de tantos carros vendidos”.

CONSTRUÇÃO CIVIL

A Tribuna - SP   08/09/2026

Assim como outros setores da economia, a construção civil aguarda a definição do quadro eleitoral. Porém, o ritmo de redução da taxa Selic está entre as principais preocupações dos empresários do setor, devido à importância do crédito para os empreendimentos imobiliários. Apesar dos desafios, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Fernando Guedes, está otimista com o desempenho do setor em 2027, destacando ainda a necessidade de capacitação dos trabalhadores para adequar a mão de obra ao avanço da tecnologia.

Como a construção civil tem se comportado neste semestre?

Em 2026, a construção vai bem. Tem muitas coisas contratadas e que estão para serem entregues no setor imobiliário e o setor de infraestrutura vem avançando com o crescimento das concessões, das PPPs (parcerias público-privadas), dos contratos de saneamento, com as obras públicas que vêm acontecendo, como aqui na Baixada Santista. Por exemplo, o túnel Santos-Guarujá, que já deve começar a sair do papel, acho que podemos dizer assim. Então a expectativa é muito boa para o restante do ano.

E quais as expectativas para o próximo ano?

Para 2027, vamos depender de questões eleitorais, de como será a política do próximo governo. Mas seja ele qual for, em relação à questão fiscal, a taxa de juros (a Selic, atualmente em 14% ao ano), essas questões de macroeconomia que nos importam bastante. Então nós ainda estamos nessa expectativa de como é que vai ser o próximo ano.

Além da questão de insegurança jurídica, quais os principais outros desafios que o setor deve enfrentar?

Nós precisamos trabalhar em relação à capacitação de mão de obra. Há uma falta sistêmica de mão de obra qualificada dentro do setor da construção civil. Nós precisamos trabalhar a industrialização do setor, pois a reforma tributária está chegando e vai induzir à industrialização, e o setor precisa, de fato, ganhar produtividade em suas atividades. Então, industrializar com capacitação dos trabalhadores vai ser imperativo para o setor da construção nos próximos anos. Precisamos também entender mais sobre o funding (fontes de recursos do crédito imobiliário), quais são as alternativas para financiamento das atividades da construção e do mercado imobiliário. Então, temos vários desafios, mas entre eles, estes são mais urgentes.

Na sua opinião, qual a importância da Baixada Santista para o cenário da construção?

Hoje, a Baixada Santista é um celeiro de obras. Nós podemos falar isso tanto na parte imobiliária como na parte de infraestrutura. Falei do túnel Santos-Guarujá, que está por vir, e tem as obras industriais decorrentes do Porto de Santos, das empresas como Petrobras e o próprio complexo de Cubatão, sempre movimentando o setor. Então, a Baixada Santista, não só no Estado de São Paulo mas como no País, ela é um ponto de interesse e foco para que a gente entenda esse fenômeno de obras que tem acontecido aqui na região.

Quanto aos juros básicos, a Selic, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) está confiante no recuo da taxa?

A Cbic está otimista para o ano que vem em relação ao Brasil. Estamos otimistas, porque o segmento é resiliente. O setor da construção civil já passou por situações desafiadoras antes e sempre ultrapassou, sempre venceu todas elas e, de fato, os desafios que nós temos hoje são desafios para manter o crescimento do setor, para que ele possa crescer ainda mais, já que nos últimos anos nós tivemos um desempenho muito interessante: é o setor que mais emprega no Brasil, o que mais cria empregos – melhor dizendo, no Brasil, hoje há mais de 3 milhões de empregos formais – é um setor que leva junto consigo outros 90 outros segmentos, como linha branca, moveleiro, indústria química e por aí vai. Então, estamos otimistas. Obviamente, estamos aguardando alguns acontecimentos e colaborando para o debate para poder melhorar o ambiente de negócio sempre na construção civil e no País.

FERROVIÁRIO

Portal Fator Brasil - RJ   08/09/2026

Com 757 metros adicionais, estrutura permite elevar em 20% a movimentação de contêineres pelo modal.

A TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, e a Brado Logística, referência em transporte multimodal, realizaram a cerimônia de inauguração da terceira linha férrea que acessa o Terminal no dia 1º de setembro (terça-feira). A nova estrutura amplia a capacidade operacional da Brado e da TCP no pátio e deve elevar em cerca de 20% a circulação de cargas pelo modal ferroviário até 2027.

O evento marcou a conclusão de uma etapa de investimentos voltada ao fortalecimento da conexão ferroviária no Terminal e reuniu representantes de diferentes elos envolvidos no comércio exterior, entre lideranças da TCP, da Brado, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), da Rumo e de clientes.

Para o CEO da Brado Logística, Luciano Johnsson, o investimento ganha relevância diante do papel do Paraná na produção e exportação de produtos do agronegócio e da indústria que abastecem mercados nacionais e internacionais.

—O Paraná tem uma participação cada vez mais relevante no comércio exterior. Quando ampliamos a capacidade ferroviária em Paranaguá, estamos fortalecendo uma conexão estratégica entre as regiões produtoras, a indústria e o porto. É uma infraestrutura que acompanha a dimensão da produção paranaense e contribui para dar mais eficiência ao caminho entre o campo e o porto —afirma.

A nova estrutura adiciona 757 metros de ferrovia e amplia a área de manobras no Terminal, permitindo uma mudança na dinâmica de atendimento dos trens. Antes, o pátio operava com duas linhas, enquanto um trem chegava, outro deixava a área, e a operação de carga e descarga era realizada em lotes de 41 contêineres, uma vez que os 82 vagões que chegavam precisavam ser divididos em dois grupos para atravessar a passagem de nível.

Com isso, eram necessárias duas interrupções para a passagem completa do trem, tanto para a composição ferroviária quanto para os veículos que circulavam pela via. Com a terceira linha, dois trens poderão permanecer em operação simultaneamente enquanto um terceiro realiza a saída, aumentando a fluidez das operações e a capacidade de movimentação no pátio.

A ampliação da capacidade ferroviária ganha relevância diante da participação da Brado no escoamento de cargas pelo Terminal. Em 2025, dos 326,3 mil contêineres cheios exportados pela TCP, cerca de 52 mil foram transportados pela Brado, o equivalente a 16% dos embarques.

Segundo o gerente comercial da TCP, Fabio Mattos, o aumento no número de linhas férreas que acessam o Terminal terá um papel fundamental no desenvolvimento econômico da região.

—A TCP antecipou investimento em novos caminhões e guindastes para absorver o aumento das movimentações com a conclusão da ampliação da ferrovia. O modal já integra a cadeia logística de importantes indústrias do estado e com esta nova estrutura o Terminal espera impulsionar um novo ciclo de crescimento e de desenvolvimento regional, oferecendo maior capacidade e eficiência para exportadores— disse.

O impacto da nova estrutura também está relacionado ao perfil da economia paranaense. O estado lidera nacionalmente a produção de frango, com quase 35% do mercado brasileiro, e ocupa a vice-liderança na produção de suínos. A força da proteína animal cria uma demanda constante por soluções capazes de conectar os polos industriais e produtores aos terminais portuários com escala e regularidade.

Na Brado, o frango representa 24% dos transportes realizados pela companhia, o que reforça a importância da infraestrutura ferroviária para cadeias que dependem de eficiência logística e acesso aos mercados internacionais. O corredor ferroviário atendido pela operação alcança regiões como Cascavel e Cambé, importantes polos da produção e exportação de proteína animal, além de Ortigueira, referência na produção de papel e celulose. A conexão permite integrar diferentes regiões produtoras ao Porto de Paranaguá e ampliar as alternativas para o transporte de cargas destinadas à exportação.

Para o CEO da Brado, a nova linha também representa uma evolução na forma como a Brado utiliza a infraestrutura ferroviária disponível para atender à demanda dos clientes.

—Temos uma visão de longo prazo para o nosso negócio e isso significa estar atentos não apenas ao volume que movimentamos hoje, mas às transformações que estão acontecendo no comércio exterior e nos clientes que atendemos. A Brado quer continuar sendo uma companhia que se antecipa a essas mudanças e transforma conhecimento de mercado em decisões concretas de investimento. É essa perspectiva que orienta nossa atuação e sustenta os próximos passos da empresa— salienta Johnsson.

Brado Logística — A Brado é referência nacional em serviços de logística multimodal. Tem estrutura própria composta por 33 locomotivas, cerca de 4,7 mil contêineres e mais de dois mil vagões, equipamentos, armazéns e terminais, complementadas por meio de parcerias estratégicas nos principais centros de consumo do país. Com atuação cada vez mais adaptada às necessidades do mercado de importação, exportação e mercado interno, a empresa preza pela excelência na movimentação de contêineres no Brasil, focada na integração multimodal.

TCP — A TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, é o maior terminal portuário do Sul do Brasil, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), e um dos principais da América do Sul, com atuação desde 1998 no litoral do Paraná. Reconhecida pela infraestrutura moderna e soluções completas para importadores e exportadores, a empresa conta com o maior pátio para armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul, com 5.280 tomadas, armazém alfandegado próprio, área especializada para cargas perigosas e é o único terminal do Sul do país com conexão ferroviária direta à área alfandegada. A TCP se destaca como um dos principais corredores de exportação do agronegócio brasileiro, liderando os embarques nacionais de carne de frango e ampliando sua participação nas exportações de carne bovina, além de ser referência nos embarques de produtos do agronegócio.

CNN Brasil - SP   08/09/2026

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou neste sábado (5) que pretende concluir em 2027 a contratação do Trem Intercidades (TIC) entre Sorocaba e São Paulo.

Durante visita às obras do TIC Campinas-São Paulo, em Vinhedo, no interior paulista, Tarcísio disse que o governo decidiu adotar uma nova modelagem para a contratação do eixo Sorocaba, utilizando a modalidade de diálogo competitivo.

“A gente decidiu fazer uma modelagem nova de contratação, que é o diálogo competitivo. O diálogo competitivo é uma modalidade onde a gente vai discutindo com o mercado, e o mercado que vai fazer a sua proposta também vai participando do aprimoramento do projeto”, afirmou.

Segundo o governador, essa etapa deverá ser concluída no próximo ano.

“A gente vai passar por essa etapa e, ao fim dessa etapa, isso deve acontecer no ano que vem, e a gente tem o Trem Intercidades Sorocaba-São Paulo contratado”, disse.

O TIC Sorocaba faz parte do plano do governo paulista de ampliar a ligação ferroviária de passageiros entre a capital e as principais regiões metropolitanas do estado. Além de Sorocaba e Campinas, Tarcísio afirmou que estão em desenvolvimento projetos para ligar São Paulo a Santos e São José dos Campos.

Durante a visita, o governador também apresentou uma perspectiva de expansão da malha para outras regiões do interior. Segundo ele, após a implantação dos primeiros eixos, o estado poderá avançar em projetos entre Sorocaba e Campinas, Campinas e Ribeirão Preto e Sorocaba e Bauru.

“Amanhã a gente já vai pensar em fazer o projeto Sorocaba-Campinas, depois Campinas-Ribeirão Preto, Sorocaba-Bauru”, afirmou.

Tarcísio ponderou que essas ligações fazem parte de um planejamento de longo prazo, com horizonte até 2050. Segundo ele, a existência de antigas faixas de domínio ferroviário no interior pode facilitar a implantação futura dos novos trechos.

“Reaproveitar essas faixas de domínio para fazer com que o transporte ferroviário se volte para o interior novamente é uma estratégia”, disse.
TIC Campinas

No projeto que já está em execução entre Campinas e São Paulo, Tarcísio afirmou que existem atualmente 14 frentes de obras e que os trabalhos seguem dentro do prazo e do orçamento.

O projeto prevê investimento de R$ 14,2 bilhões e a implantação de serviços ferroviários de passageiros, além da modernização da Linha 7-Rubi.

A primeira etapa prevista para entrar em operação é o Trem Intermetropolitano (TIM), em 2029. O serviço fará a ligação da região de Campinas a Jundiaí com paradas intermediárias e integração à Linha 7 para o deslocamento até São Paulo.

Já para 2031, a previsão é iniciar a operação do serviço expresso do TIC entre Campinas e São Paulo, com parada em Jundiaí. O trem poderá atingir 140 km/h e a estimativa é que a viagem dure 64 minutos.

“A gente está dentro do prazo e dentro do orçamento. Em 2029 a gente começa a fazer a operação do Trem Intermetropolitano”, afirmou Tarcísio.

“Em 2031 a gente inicia a operação do Expresso”, acrescentou.

O governador afirmou ainda que, em alguns trechos, a implantação da via permanente deverá começar até o fim deste ano.
Tarifa

Questionado pela CNN sobre a previsão de tarifa média de R$ 50 para o serviço expresso entre Campinas e São Paulo, Tarcísio afirmou que será cumprido o modelo tarifário estabelecido no contrato da concessão.

“O que está previsto e vai ser cumprido é aquilo que está no contrato, que foi objeto da licitação”, afirmou.

Segundo o governador, o valor dependerá da distância percorrida. Para os serviços metropolitanos, a previsão é manter a estrutura tarifária praticada atualmente na rede.
Água Branca

Tarcísio também afirmou que a Estação Água Branca, na Zona Oeste de São Paulo, começará a receber investimentos para se transformar em um dos principais pontos de integração ferroviária da capital.

A intenção apresentada pelo governador é reunir no local diferentes linhas metropolitanas e os futuros trens intercidades de Campinas e Sorocaba.

Entre os projetos citados estão ainda as expansões das linhas 13-Jade até Bonsucesso, em Guarulhos; 11-Coral até César de Souza, em Mogi das Cruzes; 4-Amarela até Taboão da Serra; 5-Lilás até Jardim Ângela; e 9-Esmeralda até Parelheiros.

Tarcísio também voltou a citar o programa São Paulo Pra Toda Obra 4.0, que, segundo ele, reunirá aproximadamente R$ 500 bilhões em investimentos nos próximos anos. O governador afirmou que a projeção engloba os projetos de mobilidade sobre trilhos apresentados, além de investimentos em logística, sustentabilidade e infraestrutura nas periferias.

Rodoviário

Valor - SP   08/09/2026

Governo marcou para 12 de novembro o processo competitivo da Via Brasil, com investimento previsto de R$ 10,4 bilhões

A sequência de licitações de rodovias foi interrompida devido ao período eleitoral, mas o Ministério dos Transportes prepara a retomada dos leilões a partir de novembro, na reta final da atual gestão.

Na última sexta-feira (4), foi aprovado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) o edital da concessão da Rota Agro Central, um corredor de 888 km entre Vilhena (RO) e Cuiabá (MT). Estão previstos R$ 6 bilhões de obras no projeto. A concorrência pelo ativo foi marcada para o dia 17 de dezembro.

Também na última semana, na quinta-feira (3), a ANTT aprovou outro leilão: da Rota 2 de Julho, que será realizado no dia seguinte da Rota Agro Central, em 18 de dezembro.

O projeto prevê R$ 15,7 bilhões de investimentos no corredor de 653,3 km das rodovias BR-116 e BR-324, na Bahia. O contrato terá 30 anos.

Trata-se da licitação da atual concessão da ViaBahia, iniciada em 2009 e que será encerrada em um processo de conciliação na secretaria de consensos do Tribunal de Contas da União (TCU). Diferentemente de outras concessões que passaram pela renegociação, neste caso o acordo foi para encerrar o contrato e lançar um novo edital.

O calendário dos leilões pós eleição deverá ser reaberto antes disso. No dia 12 de novembro, o governo já marcou o processo competitivo da Via Brasil, concessão da BR-163 entre Sinop (MT) e Miritituba (PA). O projeto prevê R$ 10,4 bilhões de investimentos no trecho de cerca de mil km.

Trata-se de um corredor importante para o escoamento de grãos do Centro-Oeste pelos portos do Arco Norte. Hoje, a concessionária responsável é controlada pela Conasa, que conquistou o ativo em 2021, em um leilão atípico.

Na época, o governo previa licitar a Ferrogrão em um traçado paralelo à BR-163, então fez o contrato mais enxuto, com dez anos de duração e sem previsão de expansão significativa da capacidade. Porém, a ferrovia não saiu do papel, e a operadora rodoviária diz que a estrada não dá mais conta da demanda de veículos crescente.

Há cerca de um mês, a secretária nacional de transporte rodoviário do Ministério dos Transportes, Viviane Esse, disse ao Valor que cinco grupos analisavam o ativo, que será oferecido ao mercado em que a Conasa corre o risco de perder o contrato. Porém, a expectativa no setor é que haverá baixa competição.

O Estado de S.Paulo - SP   08/09/2026

A ideia de criar um anel viário em torno de São Paulo surgiu nos anos 1950, quando foram feitos os primeiros estudos, mas o projeto só ganhou força depois de 1990.

A Região Metropolitana de São Paulo é um dos maiores entroncamentos rodoviários do Brasil e por ela passam, nascem ou terminam dez importantes rodovias estaduais e federais: Anhanguera, Bandeirantes, Anchieta, Imigrantes, Fernão Dias, Raposo Tavares, Dutra, Ayrton Senna, Castelo Branco e Régis Bittencourt.

O grande problema é que, para acessar corredores de cargas, era necessário passar por dentro da cidade, trazendo para o trânsito paulistano um ônus injusto para quem vive na cidade.

Quando estiver completo, com seus 177 km, o Rodoanel Mário Covas terá consumido, em números corrigidos e após 24 anos de obras, um total de R$ 26 bilhões.

A obra tem potencial para retirar das principais vias da cidade cerca de 15 mil caminhões por dia, de um universo de 100 mil caminhões que rodam pela capital diariamente, segundo levantamento da CET. Com essa estimativa é possível concluir que rodoanel vai retirar 15% dos caminhões das ruas de SP quando estiver pronto.

O especialista Rafael Drumond, mestre em Planejamento Urbano, considera o Rodoanel uma obra que representa uma importante conquista para a região Metropolitana de São Paulo. “É um projeto que já contribui para diminuir o número de acidentes, preservar a infraestrutura urbana e reduzir os custos públicos de manutenção das vias de São Paulo. No curto prazo, a obra também poderá melhorar a fluidez do trânsito e as condições de circulação nas regiões que antes concentravam esse tipo de veículo”, diz o urbanista.

Apesar disso, Drumond faz a ressalva: “É importante entender que esse ganho de fluidez não significa que o problema do congestionamento estará resolvido, já que em São Paulo, estima-se que apenas 15% dos automóveis em circulação já sejam suficientes para provocar congestionamentos”, conclui.

Mais de 24 anos de espera

As obras do Rodoanel começaram em 1998, ainda no governo de Mário Covas, que dá nome ao projeto, e o primeiro trecho, o Oeste, foi inaugurado em 11 de outubro de 2002.

Este primeiro trecho tem 32 quilômetros de extensão e começa na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, em Perus, terminando no acesso à Rodovia Régis Bittencourt, no município de Embu das Artes.

“É importante entender que esse ganho de fluidez não significa que o problema do congestionamento estará resolvido, já que em São Paulo, estima-se que apenas 15% dos automóveis em circulação já sejam suficientes para provocar congestionamentos”.

Rafael Drumond, mestre em Planejamento Urbano

Ele atravessa as rodovias Bandeirantes, Anhanguera, Castelo Branco e Raposo Tavares. Entre a Castelo Branco e Raposo Tavares, há um acesso urbano, na altura do Jardim Padroeira na cidade de Osasco e do Parque Jandaia, na cidade de Carapicuíba.

O Trecho Sul foi o segundo a ser inaugurado, com 57 km de extensão, em 1º de abril de 2010. Ele viabilizou a interligação, a partir do final do Trecho Oeste, no trevo da Rodovia Régis Bittencourt, ao Sistema Anchieta-Imigrantes.

Seu trajeto passa por estas rodovias e pelas cidades de Embu das Artes, Itapecerica da Serra, São Paulo, São Bernardo do Campo, Santo André, Ribeirão Pires, até o km 86, no trevo de acesso à SPA-86/21, via de ligação entre o Rodoanel e a Avenida Papa João XXIII, em Mauá, garantindo acesso ao Complexo Viário Jacu Pêssego que, por sua vez, se estende até à Rodovia Ayrton Senna.

O terceiro trecho completo do rodoanel é o Leste, que teve suas pistas abertas em 3 de julho de 2014, com 38 km de extensão, entre Mauá e a Rodovia Ayrton Senna. Sua extensão de 5,5 km até a Via Dutra foi aberta em 27 de julho de 2015.

Este trecho viabilizou a ligação entre as rodovias que servem à Baixada Santista com a Rodovia Presidente Dutra, desafogando o tráfego das Avenidas das Juntas Provisórias, Anhaia Melo e Salim Farah Maluf, que passam pelos bairros do Ipiranga, Vila Prudente e Tatuapé em São Paulo.

Trecho Norte tem mais de 10 anos de atraso

O Trecho Norte teve seus primeiros quilômetros oficialmente inaugurados em 22 de dezembro do ano passado depois de mais de 13 anos desde o início das obras e a retomada dos trabalhos em abril de 2024, após uma paralisação de seis anos.

O trecho entregue compreende 24 km na ligação das rodovias Fernão Dias (BR-381) e Presidente Dutra (BR-116).

Quando completo, vai servir para retirar da Marginal Tietê os veículos que partem de Minas Gerais, do Vale do Paraíba e do Rio de Janeiro para o Sul do país.

A previsão para a inauguração dos 20 km que ainda faltam no Trecho Norte é o segundo semestre deste ano. Este segmento vai da interligação até a Rodovia dos Bandeirantes fechando, finalmente, o anel viário em torno da Região Metropolitana de São Paulo, após 24 anos de espera.

NAVAL

TN Petróleo - RJ   08/09/2026

A OceanPact concluiu, em 31 de agosto de 2026, por meio de sua subsidiária integral Estaleiro Farol de São Tomé Ltda., a aquisição da totalidade das ações de emissão da Dock Brasil Engenharia e Serviços S.A., estaleiro localizado em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Cumpridas todas as etapas societárias e regulatórias previstas, a Dock Brasil passa a integrar o grupo OceanPact.

Com um quadro de 340 colaboradores, o estaleiro está situado em região estratégica da Baía de Guanabara, preparada para atender a indústria de Óleo e Gás e as embarcações que operam nas Bacias de Campos, Santos e do Espírito Santo. A unidade dispõe de dique flutuante de 99 metros de comprimento, capacidade de içamento de até 5.800 toneladas e apta a realizar operações de transferência (load in/out) de embarcações de até 3 mil toneladas para as três posições de docagem em terra.

A Dock Brasil será gerida por Carlos Boeckh, fundador da empresa, que assume como Diretor-Geral do estaleiro, mantendo a vocação da unidade como estaleiro de reparos e o atendimento a armadores e clientes de todo o mercado.

A operação amplia a capacidade de atendimento da OceanPact em reparos e manutenção de embarcações e reforça o compromisso da Companhia com o desenvolvimento do setor naval brasileiro.

Sobre a OceanPact - A OceanPact é uma companhia aberta listada no Novo Mercado da B3 e atua no setor de apoio marítimo, oferecendo serviços de estudo, proteção, monitoramento e uso sustentável do mar, do litoral e dos recursos marinhos para clientes de diversos setores.

Portos e Navios - SP   08/09/2026

Projeto prevê arrendamento de um terminal de contêineres no porto organizado voltado à exportação refrigerada de frutas e com capacidade para movimentação de até 360 mil TEUs/ano. Concessionário investirá mais de R$ 400 milhões na infraestrutura

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, na última quarta-feira (2), a modelagem do edital para o leilão do MUC04, novo terminal de contêineres do Porto de Fortaleza (CE). O projeto marca a retomada, após duas décadas, de licitação de um novo terminal desse tipo no país. Após a análise das considerações do TCU, o projeto será encaminhado à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), responsável pela continuidade dos procedimentos para a realização do leilão.

O MUC04 será destinado à movimentação e armazenamento de cargas em contêineres e terá papel logístico relevante na economia do Nordeste, especialmente no suporte à exportação do agronegócio e na movimentação de frutas. Esse segmento de carga exige infraestrutura com tomadas para contêineres refrigerados (reefer) e eficiência na cadeia de frio para alcançar os mercados internacionais com agilidade.

A empresa vencedora do leilão terá um prazo contratual de 25 anos para realizar investimentos de cerca de R$ 429 milhões na infraestrutura do terminal. Atualmente, as operações de contêineres no Porto de Fortaleza ocorrem de forma fragmentada, sob o amparo de um contrato de transição, em uma área limitada, de cerca de 88 mil metros quadrados (m²).

De acordo com o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), o novo arrendamento vai consolidar o MUC04 em uma área contínua e ampliada de aproximadamente 148 mil metros quadrados, permitindo otimizar o layout e implantar melhorias substanciais. Com capacidade de movimentar anualmente 360 mil TEUs, o projeto também deverá contribuir para a geração de empregos, com a previsão de 379 vagas diretas, entre funções administrativas e operacionais.

A expectativa é que a ampliação da estrutura aumente a oferta de serviços portuários para a hinterlândia (área de influência de um porto) do Ceará, que abrange diversos estados do Nordeste e do Centro-Oeste, contribuindo para aumentar a competitividade, reduzir custos logísticos e modernizar o escoamento da produção e das exportações cearenses.

CNN Brasil - SP   08/09/2026

O tráfego de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz caiu ao menor nível desde maio, segundo os dados mais recentes da empresa de informações marítimas Kpler.

Nos 10 dias encerrados no domingo (6), uma média de apenas 10 embarcações comerciais atravessou o Estreito de Ormuz por dia, o menor número desde maio. Os dados mostram o impacto dos ataques marítimos entre Estados Unidos e Irã sobre o transporte comercial.

A média diária de embarcações pelo estreito era de quase 13 no sábado (5), enquanto na sexta-feira (4) ultrapassava 15. Cinco navios atravessaram o estreito no domingo, contra apenas dois no sábado. Nenhum navio-tanque de petróleo bruto de grande porte saiu do Estreito de Ormuz desde quarta-feira (2).

As forças americanas atingiram três petroleiros iranianos no sábado, segundo o Centcom (Comando Central dos Estados Unidos) nas redes sociais.

Segundo militares americanos, a operação foi uma resposta ao ataque da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) contra dois navios de guerra dos Estados Unidos que patrulhavam águas da região.

A Marinha da Guarda Revolucionária afirmou no sábado ter atacado três embarcações americanas e três petroleiros que navegavam por rotas não autorizadas no Estreito de Ormuz.

Os ataques de sábado representaram uma “grande escalada no conflito marítimo”, segundo a empresa grega de inteligência marítima Marisks.

A Marisks avaliou que a navegação de embarcações de carga iranianas ou ligadas ao Irã pelo Estreito de Ormuz e pelo Golfo de Omã envolve risco “extremamente alto”.

Segundo o relatório semanal da UKMTO (Operação de Comércio Marítimo do Reino Unido), houve 27 incidentes de ataques contra embarcações no Estreito de Ormuz e em águas próximas desde 6 de julho.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou que o país anunciará nos próximos dias uma zona restrita fora do Estreito de Ormuz e colocará na lista de sanções de Teerã qualquer navio que tentar atravessar a área.

PETROLÍFERO

Infomoney - SP   08/09/2026

O petróleo começou a semana em alta, com investidores voltando as atenções para o risco de novas restrições ao transporte de cargas pelo Estreito de Ormuz. A região atravessa uma escalada militar entre Estados Unidos e Irã, enquanto parte relevante do petróleo produzido no Golfo ainda consegue chegar ao mercado internacional.

Por volta das 10h10 desta segunda-feira (7), o Brent para novembro avançava 1,40%, a US$ 97,26 o barril, na ICE. O WTI para outubro ganhava 0,84%, negociado a US$ 92,25 na Nymex.

A pressão sobre as cotações aumentou após uma nova sequência de ataques no fim de semana. No sábado, forças americanas atingiram três petroleiros iranianos. A ação ocorreu depois de o Irã disparar mísseis balísticos contra dois navios de guerra dos Estados Unidos. Segundo o Comando Central americano, as embarcações não foram atingidas e não houve feridos.
Outro episódio envolvendo um navio comercial foi registrado pelo Omã. O país informou ter retirado 16 tripulantes do petroleiro Sidr, de propriedade saudita, depois de um ataque atribuído ao Irã.

A sequência de incidentes amplia a preocupação com Ormuz porque a passagem marítima é historicamente responsável pelo trânsito de aproximadamente 20% da oferta mundial de petróleo. O Irã também ameaçou estabelecer uma nova área de navegação restrita em meio ao confronto.

Apesar das interrupções e dos ataques, carregamentos dos produtores árabes continuam atravessando a região. O Wall Street Journal informou na semana passada que os Estados Unidos vêm auxiliando esses países a manter o escoamento por Ormuz. Ao mesmo tempo, o bloqueio naval americano impede as exportações iranianas pelo Golfo Pérsico desde julho.

O posicionamento dos investidores também mudou com o agravamento do conflito. Na semana passada, aumentaram as posições líquidas compradas em Brent. O movimento, porém, ocorreu principalmente porque operadores reduziram apostas na queda da commodity, e não por uma entrada expressiva de novas posições esperando preços mais altos.

Fora do Oriente Médio, a oferta ganhou outro sinal de estabilidade no domingo. Integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados decidiram preservar em outubro os atuais níveis de produção. A decisão interrompe uma sequência de seis meses de aumentos.

Valor - SP   08/09/2026

Ao contrário do que ocorria no passado, as decisões do grupo sobre a oferta têm tido um impacto limitado no mercado

A Opep+ manteve inalterada sua política de produção de petróleo para outubro em uma reunião realizada neste domingo, segundo comunicado divulgado pelo grupo.

A reunião dos sete membros principais da Opep+ -- Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã -- ocorre em um momento em que o conflito envolvendo o Irã continua a interromper as exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz, limitando a influência da entidade sobre os preços e a participação no mercado.

Em agosto, a Opep+ concordou com o aumento da produção para setembro, concluindo a reversão gradual do corte de oferta de 1,65 milhão de barris por dia, inicialmente acordado em 2023.

Apesar dos aumentos de produção acertados, o grupo formado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados, incluindo a Rússia, ainda produz muito abaixo de suas metas devido à guerra.

Poder limitado pelo conflito

“Atualmente, a Opep+ tem poder muito limitado sobre o mercado físico de petróleo”, disse Jorge Leon, da Rystad Energy. “O grupo pode alterar as metas de produção no papel, mas não pode garantir que esses barris serão produzidos ou que realmente chegarão ao mercado.”

“O foco agora se desloca dos ajustes mensais de produção para o debate muito mais decisivo sobre 2027.”

A Opep+ ainda mantém em vigor outra rodada de cortes de produção, abrangendo a maioria dos membros do grupo de 21 países até o fim de 2026. Antes que o grupo decida como reverter os cortes e retornar a produção ao mercado, ele precisa avaliar a capacidade de produção de petróleo dos membros para definir as linhas de base para 2027.

Esse debate provavelmente ocorrerá no fim de 2026 e, portanto, é provável que a Opep+ suspenda seus aumentos de produção no quarto trimestre, segundo informaram anteriormente fontes à Reuters. O comunicado divulgado neste domingo não fez menção à política para além de outubro.

TN Petróleo - RJ   08/09/2026

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a Petrobras a avançar com a perfuração de três novos poços exploratórios na costa do Amapá, na Bacia da Foz do Amazonas. A informação foi comunicada diretamente pela diretoria da Petrobras ao presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, Wandenberg Pitaluga Filho (foto), nesta sexta-feira, 4.

Os poços, denominados Manga, PAD-Morpho e Crotalus, integram o bloco FZA-M-59 e foram previstos como contingentes ao Morpho, primeiro poço perfurado pela Petrobras na área. A autorização permite que a estatal avance com a campanha exploratória e aprofunde os estudos sobre o potencial petrolífero da região a partir dos resultados obtidos na primeira perfuração.

A perfuração do Morpho resultou na identificação de hidrocarbonetos em águas ultraprofundas, a aproximadamente 175 quilômetros da costa do Amapá. O resultado foi considerado um avanço importante pela Petrobras, mas ainda são necessários novos estudos e perfurações para determinar a extensão da ocorrência, o volume dos reservatórios e sua eventual viabilidade comercial.

Para Wandenberg Pitaluga Filho, a autorização representa um novo momento para o Amapá e reforça o potencial da região como uma nova fronteira de investimentos no setor de petróleo e gás.

"A autorização para esses três poços contingentes demonstra que o trabalho exploratório está avançando e coloca o Amapá no centro de uma das áreas com maior expectativa para o setor de petróleo no Brasil. É um passo importante para conhecermos o potencial da nossa costa e, caso os resultados confirmem a viabilidade das reservas, prepararmos o Estado para os investimentos, empregos e oportunidades que uma nova cadeia de petróleo e gás pode gerar", afirmou Wandenberg.

A autorização ocorre após meses de análise ambiental e discussões sobre a ampliação da campanha. A licença ambiental concedida anteriormente pelo Ibama autorizava a perfuração do poço Morpho, enquanto a inclusão dos três poços contingentes vinha sendo analisada pelo órgão ambiental. O Ministério Público Federal também havia solicitado esclarecimentos sobre a possibilidade de ampliação da autorização.

Com a autorização dos três poços contingentes, a Petrobras poderá ampliar o conhecimento geológico do bloco FZA-M-59 a partir dos resultados obtidos no Morpho, avaliando a continuidade da ocorrência identificada e outras estruturas de interesse na região. Os resultados serão fundamentais para definir os próximos passos da exploração na costa amapaense.

A eventual confirmação de reservas comercialmente viáveis poderá abrir uma nova frente econômica para o Amapá, com demanda por serviços especializados, logística, infraestrutura portuária e apoio às operações offshore, além de possíveis impactos futuros na arrecadação e na geração de empregos. A produção, contudo, dependeria de novas etapas de avaliação, licenciamento e desenvolvimento dos campos.

Jornal de Brasília - DF   08/09/2026

O governo prevê arrecadar R$ 22,4 bilhões com leilão extraordinário do pré-sal em 2027, segundo anexo do projeto de lei orçamentária enviado ao Congresso. A receita será crucial para atingir a meta de cumprir a promessa de entregar o primeiro superávit primário em anos.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição em outubro, projetou na proposta orçamentária um superávit primário de R$ 18,6 bilhões no próximo ano, equivalente a 0,13% do PIB (Produto Interno Bruto).

Vista aérea de terminal de distribuição operado pela Transpetro em São Sebastião (SP) Amanda Perobelli Reuters Navio petroleiro vermelho atracado em terminal marítimo com estruturas de concreto e tubulações conectadas. Água verde-escura ao redor. Imagem pequena **** Ministros da área econômica têm afirmado que Lula deixará ao próximo governo, independentemente de quem vencer as eleições, um Orçamento equilibrado e sem depender da aprovação de medidas adicionais pelo Congresso.

Na prática, contudo, o leilão do pré-sal será decisivo para o cumprimento da meta fiscal, uma vez que a arrecadação prevista supera o próprio superávit calculado para o ano.

Uma fonte da equipe econômica confirmou, sob condição de anonimato, a expectativa de ingresso dos recursos.

Uma segunda fonte familiarizada com o assunto afirmou que a operação prevista para 2027 envolverá a venda de uma previsão futura do petróleo da União.

Neste ano, o governo chegou a prever arrecadação de R$ 31 bilhões com um novo leilão extraordinário do pré-sal. A medida era amparada por lei aprovada em 2025, que autorizou a União a alienar direitos e obrigações decorrentes de Acordos de Individualização da Produção em áreas do pré-sal.

A estimativa, contudo, foi abandonada em maio com a desistência de realizar o leilão este ano.

À época, o governo argumentou que o modelo de venda de direitos da União no pré-sal, utilizado no ano anterior, havia sido alvo de questionamentos do TCU (Tribunal de Contas da União), tornando necessária a retirada da receita projetada “até que o modelo de alienação do óleo esteja devidamente implementado”.
Se confirmado o resultado fiscal estimado pelo governo para 2027, será o primeiro superávit primário desde 2022.

Integrantes da equipe econômica argumentam, porém, que o resultado de 2022 foi distorcido pelo adiamento do pagamento de parte dos precatórios após a aprovação, no governo de Jair Bolsonaro, de uma emenda constitucional que impôs limites ao desembolso com essas despesas judiciais.

Valor - SP   08/09/2026

Estados Unidos e Irã trocam novos ataques neste fim de semana, alimentando as tensões no Oriente Médio

O petróleo subiu nesta segunda-feira (7), voltando a se aproximar da marca de US$ 100 por barril, após os Estados Unidos e o Irã trocarem novos ataques neste fim de semana, contribuindo para alimentar a de tensões no Oriente Médio. Devido ao feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, que deixou os mercados americanos fechados, o pregão foi de menor volume de negociações.

No fechamento, o petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em novembro teve alta de 0,75%, cotado a US$ 97,00 por barril, na Intercontinental Exchange. Por volta das 15h40 (de Brasília), o contrato futuro do WTI com entrega prevista para o mesmo mês subia 1,17%, a US$ 89,61 por barril, no pregão eletrônico da New York Mercantile Exchange (Nymex).

Em meio a uma nova escalada de tensões no Oriente Médio, as forças armadas americanas afirmaram ter atingido três navios petroleiros iranianos no sábado, após o Irã ter lançado mísseis balísticos contra embarcações de guerra da Marinha dos Estados Unidos.

Apesar do impasse nas negociações e do fracasso do memorando de entendimento firmado em junho, havia certo otimismo entre os investidores de que um acordo para acabar com o conflito e garantir o fluxo de petróleo pelo Estrieto de Ormuz poderia ser alcançado. No entanto, com a recente retomada de ataques diretos entre ambos os lados, os preços do petróleo voltaram a subir, acumulando uma valorização de mais de 9% na semana passada.

AGRÍCOLA

Canal Rural - SP   08/09/2026

Depois de sucessivos anos de retração, a indústria de máquinas agrícolas chega ao segundo semestre de 2026 dividida entre a cautela imposta pelos números e a expectativa de que crédito, preços mais favoráveis das commodities e a necessidade de renovação da frota abram espaço para uma reação nas vendas.

Os dados mais recentes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) mostram a dimensão do desafio. Entre janeiro e julho, as vendas de máquinas e equipamentos agrícolas somaram R$ 26,2 bilhões, queda de 25,8% em relação ao mesmo período de 2025. Somente em julho, a receita líquida ficou em R$ 4,86 bilhões, recuo de 27,5% na comparação anual e de 2,1% frente a junho.

Apesar do resultado, a Abimaq espera uma melhora entre agosto e outubro, período tradicionalmente mais aquecido para as negociações. A expectativa é de que a liberação dos recursos do Plano Safra 2026/27 e linhas de financiamento ajudem a destravar parte dos investimentos represados. Ainda assim, a entidade mantém a projeção de queda de 20% nas vendas do setor em 2026.

Na Expointer 2026, executivos de três fabricantes ouvidos pela consultoria Safras & Mercado mostraram que, embora uma retomada ampla ainda seja incerta, existem nichos e fatores capazes de sustentar resultados melhores nos próximos meses.

Preço das commodities traz algum alívio

Para o vice-presidente de Vendas da CNH (donas de Case e New Holland) para a América Latina, Paulo Arabian, a recente melhora nas cotações de algumas commodities ajuda a tornar o cenário mais favorável à compra de equipamentos.

Esse ano a gente teve, agora recentemente, uma melhora nos preços das commodities, envolvendo o arroz, o milho e a soja, o que fomenta um interesse maior em máquinas agrícolas e uma perspectiva mais saudável a médio prazo, afirma.

A percepção encontra respaldo na avaliação mais recente da Abimaq. Ao divulgar os números de julho, o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da entidade, Pedro Estevão Bastos, apontou a valorização recente da soja e do milho como um fator novo capaz de melhorar as perspectivas para o produtor.

O movimento, porém, ainda não é suficiente para eliminar os obstáculos que levaram à retração do mercado. Arabian cita os juros, a restrição de crédito e o risco climático entre os principais contrapontos. Por isso, considera razoável trabalhar com um volume de vendas próximo ao observado no ano passado, quando a companhia enfrentou um tombo global de 59,9% em relação a 2024.
Frota envelhecida cria demanda reprimida

Há, entretanto, outro elemento que pode contribuir para a recuperação do mercado: o adiamento das compras de máquinas ao longo dos últimos anos.

Segundo Arabian, o setor atravessa o quarto ano de volumes mais baixos. A consequência aparece dentro das propriedades, com tratores, colheitadeiras e outros equipamentos permanecendo por mais tempo em operação.

A gente vem de um quarto ano de baixa no volume de vendas de máquinas, o que significa que a frota envelheceu. A frota mais velha começa a ficar menos eficiente do ponto de vista de performance e custo operacional, destaca.

A necessidade de substituir essas máquinas cria uma espécie de demanda represada, na visão do executivo. O problema é transformar a intenção de compra em investimento efetivo em um momento no qual a rentabilidade continua pressionada.

Essa é justamente uma das principais explicações da Abimaq para a fraqueza do mercado. Segundo a entidade, com margens menores nas principais culturas, o produtor tende a priorizar despesas indispensáveis para colocar a safra no campo e postergar investimentos em máquinas.

Para Arabian, renovar a frota também pode ser uma maneira de aumentar a eficiência e proteger parte do resultado da propriedade. A vontade do produtor está mais conectada com a capacidade dele poder renovar logo essa frota e ter uma safra mais eficiente para se blindar de oscilações de preço, diz.
Tratores menores destoam do mercado

A retração também não ocorre com a mesma intensidade em todas as categorias. O gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson, Lucas Zanetti, destaca o desempenho dos tratores de menor potência.

Apesar da indústria total de tratores ter uma projeção de queda nas vendas em 2026, a indústria de baixa potência, principalmente abaixo de 80 cv, tem crescido nos últimos anos e a projeção para este ano é continuar subindo, afirma.

O comportamento desse segmento ajuda a explicar por que fabricantes que atendem pequenas e médias propriedades podem apresentar perspectivas diferentes das empresas mais expostas às grandes culturas de grãos.

No início de 2026, por exemplo, a Agritech já projetava crescimento de 10% nas vendas de tratores destinados às pequenas propriedades, apoiada principalmente na demanda por mecanização e no acesso ao crédito rural. A fabricante informou ainda que as vendas de microtratores haviam avançado 96% no ano anterior.

Para Zanetti, da Massey, a demanda por equipamentos de menor potência permanece relevante dentro da agricultura brasileira. É um tipo de trator importante para o agro, então, por isso, a nossa expectativa de vendas é boa para este ano, diz.
Plano Safra alimenta expectativa de reação

O crédito aparece como ponto central também na avaliação da Agritech. César Roberto Guimarães de Oliveira, gerente de Vendas e Marketing da fabricante, afirma que a empresa espera uma aceleração dos negócios com a liberação dos financiamentos do Plano Safra 2026/27.

Estamos bastante esperançosos agora com a liberação do Plano Safra. A gente já espera que as vendas sejam melhores do que no ano passado, que é exatamente a nossa meta, afirma.

Segundo Oliveira, os resultados ainda avançam lentamente, mas feiras como a Expointer podem funcionar como ponto de encontro entre a demanda dos produtores e a disponibilidade das linhas de financiamento.

Até agora os resultados estão devagar, mas eu acho que a Expointer vai nos ajudar a atingir as nossas metas em função das liberações dos financiamentos, acrescenta.

A expectativa é semelhante à apresentada pela Abimaq. A entidade considera que programas como Move Brasil, Moderfrota e Pronaf oferecem condições mais favoráveis do que as taxas disponíveis no mercado convencional e podem estimular negócios durante o período de maior concentração das compras.

O Plano Safra, contudo, não é visto como suficiente para provocar sozinho uma virada do mercado. Quando o programa 2026/27 foi anunciado, a Abimaq avaliou que ele trouxe continuidade e algum alívio nas taxas, mas sem mudanças capazes de reverter imediatamente a fraqueza das vendas.
El Niño adiciona incerteza

Se crédito e commodities podem contribuir para a retomada, o clima permanece como uma variável difícil de controlar. O Rio Grande do Sul, sede da Expointer e um dos mercados agrícolas mais importantes do país, sofreu nos últimos anos com eventos climáticos que afetaram a capacidade de investimento de parte dos produtores.

Zanetti, da Massey, afirma que essa instabilidade interfere diretamente nas decisões de compra, mas também aumenta a necessidade de máquinas capazes de executar operações dentro de janelas cada vez mais estreitas.

O produtor às vezes precisa plantar mais cedo ou um pouquinho mais tarde e, às vezes, semear muito rápido para que o fator clima não interfira tanto, contextualiza. Segundo ele, a busca por maior capacidade operacional faz com que tecnologias embarcadas em tratores, plantadeiras e colheitadeiras ganhem relevância. A proposta é realizar as operações em menos tempo e com menor consumo de recursos.

Arabian, da CNH, também aponta o clima como um dos fatores que impedem uma perspectiva mais otimista para o mercado. Para ele, o produtor se depara com um dilema. De um lado, uma eventual quebra de safra compromete sua capacidade de investimento. De outro, adiar excessivamente a renovação dos equipamentos pode diminuir a eficiência justamente na parcela da produção que permanece saudável.

Se ele também não fizer o investimento para atualizar a máquina, na parte em que ele não pode ter quebra de safra, ele pode colher de forma mais eficiente e maximizar o retorno, afirma.

Na Agritech, que tem forte presença em segmentos como fruticultura e horticultura, o risco climático também está no radar. Oliveira, porém, afirma perceber disposição dos agricultores para continuar investindo.

Percebemos que o produtor está querendo produzir. Ele está precisando de recurso e, com esse recurso saindo, ele vai comprar máquinas, diz, esperançoso.

Os números da Abimaq deixam claro que uma eventual reação no segundo semestre terá de recuperar parte de uma queda expressiva acumulada até julho. Mesmo que as vendas ganhem força entre agosto e outubro, a associação ainda trabalha com retração de aproximadamente 20% no ano.

Ao mesmo tempo, quatro fatores podem favorecer os negócios: a disponibilização das linhas de crédito da nova safra, a recuperação recente das cotações de algumas commodities, o envelhecimento da frota e a necessidade crescente de eficiência operacional. Já no sentido oposto permanecem juros elevados, margens apertadas, restrições de crédito e incertezas climáticas.

É justamente esse equilíbrio que deve determinar o ritmo das vendas nos próximos meses. Para uma parcela dos produtores, trocar uma máquina ainda pode esperar. Para outra, depois de anos postergando a renovação da frota, continuar adiando o investimento começa a ter custo próprio: mais manutenção, menor eficiência e maior risco de perder as cada vez mais estreitas janelas de plantio e colheita.

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