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CLIPPING DIÁRIO

02 de Setembro de 2026

SIDERURGIA

Revista Mineração - SP   02/09/2026

A ArcelorMittal Brasil aprovou um novo investimento de grande porte no país. A companhia anunciou, nesta sexta-feira (28), a destinação de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões para a instalação de um Laminador de Tiras a Frio e uma Linha de Revestimento Contínuo na Unidade Tubarão, localizada em Serra, no Espírito Santo.

O projeto amplia a capacidade da empresa de produzir aços de maior valor agregado e atende à estratégia de crescimento em segmentos como automotivo, construção civil e linha branca. Com a iniciativa, a Unidade Tubarão deverá ganhar relevância como polo de inovação e desenvolvimento de produtos voltados à indústria brasileira.

A nova Linha de Revestimento Contínuo terá capacidade para produzir 560 mil toneladas por ano. A matéria-prima será formada pelas bobinas a quente já fabricadas na Unidade Tubarão, que passarão por processos de laminação a frio e revestimento metálico.

O tratamento proporcionará aos produtos maior resistência à corrosão e acabamento diferenciado, características demandadas por diferentes setores consumidores de aço.

Segundo o cronograma divulgado pela companhia, as obras devem começar ainda em 2026 e durar aproximadamente três anos e meio. Durante o período de construção, a expectativa é de que sejam gerados cerca de 3 mil empregos no pico das obras.

Quando entrar em operação, o novo complexo deverá contar com aproximadamente 450 profissionais. A previsão da ArcelorMittal é iniciar a produção no primeiro semestre de 2030.
Investimento reforça presença em mercados de maior valor

Para Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO da ArcelorMittal Aços Planos LATAM, o projeto representa um avanço na estratégia da companhia no país e reforça o compromisso com o desenvolvimento do Espírito Santo.

“O investimento na Unidade de Tubarão é um marco que reforça nosso compromisso com o desenvolvimento do Espírito Santo. Ao gerar oportunidades, atrair novos negócios e criar um efeito multiplicador positivo em toda a cadeia de valor, este projeto contribuirá para o crescimento econômico do Estado e reflete nossa confiança no futuro do Brasil”, afirmou.

De acordo com o executivo, a expansão também permitirá à empresa ampliar sua atuação em mercados de maior valor agregado, incluindo os setores automotivo, de linha branca e da construção civil.
Estratégia da ArcelorMittal mira o mercado de aço brasileiro

O novo investimento está inserido na estratégia da ArcelorMittal Brasil de diversificar o portfólio e avançar em operações de downstream, etapa da cadeia siderúrgica que envolve o processamento do aço e a oferta de produtos com maior valor agregado.

A companhia considera que existe espaço para expansão do consumo de aço no Brasil. O consumo per capita no país é estimado em 122,5 quilos por ano, volume cerca de 41% inferior à média mundial, de 209 quilos por habitante.

A estratégia de avanço em downstream ganhou força no ano passado, quando a ArcelorMittal adquiriu empresas que ampliaram sua atuação em diferentes mercados. Entre elas estão a Tuper, com presença nos segmentos automotivo, óleo e gás, construção civil e energia fotovoltaica; a Tekno, especializada em aços pré-pintados; e Dânica e Perfilor, voltadas a soluções para a construção.

Com essas operações, a companhia consolidou o maior portfólio de produtos e soluções em aço do Brasil. O investimento na Unidade Tubarão representa mais um passo nessa estratégia de diversificação e agregação de valor à produção siderúrgica.

Infomoney - SP   02/09/2026

A Gerdau (GGBR4) informou nesta segunda-feira que celebrou junto com a Gerdau Aços Longos, a Gerdau Açominas, a Gerdau Ameristeel Corporation e outras empresas afiliadas no exterior uma linha de crédito global denominada ‘Senior Unsecured Global Working Capital Credit Agreement’, segundo comunicado.

Dessa forma, a empresa disse que a operação atual, no montante de US$875 milhões, será substituída por uma linha de crédito no valor de US$1,125 bilhão, representando um aumento de aproximadamente 29% na disponibilidade total das companhias.

A nova operação terá prazo de cinco anos, a contar da data de assinatura do Credit Agreement, com vencimento previsto para o final de agosto de 2031, podendo ser prorrogada por até um ano, disse a empresa.

O Estado de S.Paulo - SP   02/09/2026

O Ibovespa fechou esta terça-feira (1º) em alta de 1,30% aos 179.722,48 pontosm completando a décima sessão consecutiva de ganhos. O destaque do pregão foram as ações da CSN (CSNA3), que dispararam 7,89%, com expectativas sobre a negociação da subsidiária de cimentos da companhia, conforme apurou a Coluna do Broadcast. Na outra ponta, os papéis do Magazine Luiza (MGLU3) caíram 3,95% e lideraram as perdas do índice.

Os ganhos da Bolsa de Valores brasileira foram novamente impulsionados pela Petrobras (PETR3; PETR4): as ações ordinárias avançaram 4,14% e as preferenciais, 4,11%. O petróleo fechou em alta de até 5%, após o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom, em inglês) informar que começou no início da tarde novos ataques contra alvos no Irã, em resposta a ações de Teerã contra embarcações no Estreito de Ormuz.

Além da Petrobras, o dia foi de alta para a Vale (VALE3), que subiu 0,58%, em linha com os ganhos do minério de ferro na China e em Singapura.

Entre os grandes bancos, a alta foi generalizada, com o Banco do Brasil (BBAS3) saltando 2,27%. A exceção foi o Santander (SANB11), que terminou o dia em queda de 0,74%.

Na agenda doméstica, o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre cresceu 0,5% frente ao primeiro trimestre de 2026. O resultado veio acima da mediana das estimativas dos analistas consultados pelo Projeções Broadcast, de alta de 0,4%, com intervalo entre 0,2% e 0,7%.

Para Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, à primeira vista, o PIB corrobora o diagnóstico de desaceleração gradual da economia e o qualitativo “um pouco pior”, com moderação do consumo, tende a ser o foco das análises. “Para o ano, o dado não traz grandes vieses por enquanto”, diz.

Em Nova York, os sinais foram negativos, com Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuando 0,79%, 0,71% e 1,03%, respectivamente. No mercado doméstico de câmbio, o dólar fechou em baixa de 0,47% cotado a R$ 5,1557.

Revista Mineração - SP   02/09/2026

A CBMM desenvolveu uma plataforma digital voltada à otimização de processos na indústria siderúrgica. Batizada de NB.ON, a solução utiliza uma combinação de conhecimentos de metalurgia, ciência de dados e machine learning para simular processos produtivos, antecipar propriedades dos aços e identificar oportunidades de redução de custos e aumento de produtividade.

A tecnologia já é utilizada em mais de 50 plantas industriais ao redor do mundo e foi desenvolvida para apoiar fabricantes de aço em diferentes etapas da produção. Entre as aplicações estão a melhoria da qualidade, o aumento da eficiência operacional, a redução de emissões de CO2 e a busca por processos mais sustentáveis.

O principal diferencial do NB.ON está na chamada inteligência híbrida, que combina modelos metalúrgicos — baseados no conhecimento dos fenômenos envolvidos na fabricação do aço — com ferramentas avançadas de ciência de dados e aprendizado de máquina.

Segundo a CBMM, os investimentos no desenvolvimento desses modelos metalúrgicos começaram há mais de 12 anos. As ferramentas permitem analisar os processos produtivos e identificar oportunidades relacionadas à redução de emissões, ao capital de giro e à administração de estoques.

A plataforma também pode contribuir para diminuir desvios de processo e qualidade, além de reduzir despesas relacionadas ao consumo de ferro-ligas e de insumos estratégicos, como energia elétrica, gases industriais e materiais refratários.
Plataforma combina dados reais e conhecimento metalúrgico

O desenvolvimento do NB.ON contou com a participação de clientes, especialistas do setor, institutos de pesquisa e universidades de diferentes regiões do mundo. Entre os parceiros está o CEIT, instituto espanhol com atuação internacional nas áreas de Engenharia e Ciência dos Materiais.

Com o avanço das tecnologias de inteligência artificial, a CBMM incorporou à plataforma dados provenientes de processos reais da indústria. A integração permite associar informações práticas da produção aos modelos metalúrgicos desenvolvidos pela companhia, ampliando a capacidade de previsão e análise da ferramenta.

Na prática, a solução permite avaliar como diferentes composições químicas e condições de processo podem influenciar as propriedades finais do aço. A proposta é fornecer informações que ajudem as siderúrgicas a tomar decisões mais rapidamente e a aperfeiçoar desempenho, qualidade e custos.

“As soluções desenvolvidas com o suporte do NB.ON permitem transformar conhecimento científico em valor aplicado para clientes da CBMM no Brasil e outras regiões. Por meio da plataforma, é possível avaliar a influência de diferentes composições químicas e condições de processo sobre as propriedades finais do aço, acelerando a tomada de decisão e a otimização de desempenho, qualidade e custos”, afirma José Britti Bacalhau, gerente executivo de Desenvolvimento de Mercado da CBMM.
Tecnologia pode ser adaptada a cada siderúrgica

A CBMM oferece a plataforma a clientes e parceiros por meio de seu programa de assistência técnica para projetos colaborativos, sem exigir investimentos adicionais para sua utilização. O sistema também pode ser personalizado de acordo com as particularidades de cada unidade industrial.

A customização permite adaptar o NB.ON às características dos processos produtivos, equipamentos e práticas operacionais adotadas em cada planta siderúrgica.

A plataforma integra o Programa de Tecnologia da CBMM, que atualmente reúne mais de 200 projetos desenvolvidos em conjunto com universidades, centros de pesquisa e clientes em diferentes países. Para manter essa frente de inovação, a empresa realiza investimentos anuais entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões.

“Ao integrar conhecimento metalúrgico, ciência de dados e experiência industrial, a CBMM fortalece o relacionamento de longo prazo com os clientes para acelerar inovação, produtividade e competitividade na indústria siderúrgica brasileira e global”, conclui Bacalhau.

ECONOMIA

CNN Brasil - SP   02/09/2026

Na última quarta-feira (26), o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15), registrou uma queda de 0,40% em agosto, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A surpresa positiva do índice impactou os investidores que possuem títulos prefixados ou em papéis atrelados ao IPCA com vencimentos mais longos.

Com a melhora das perspectivas para a inflação e a consequente queda das taxas oferecidas no mercado, esses ativos podem apresentar valorização antes mesmo do vencimento por meio da marcação a mercado.

Segundo Marilia Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, a deflação registrada no índice significa que, na média, houve de fato uma redução dos preços dos itens que compõem o indicador.

“Quando a inflação cai de 0,40% positivo para 0,30%, não significa que os preços caíram, significa só que eles subiram menos. Essa diferença ajudou o mercado a recalibrar as apostas para os juros. Para o investidor, uma eventual queda das taxas tem efeito sobre os títulos já adquiridos a juros mais elevados”, afirma Marilia.

Além disso, Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, pondera que os investidores com estratégias de prazo mais longo podem se beneficiar.

“Quem possui essa estratégia de prefixado ou IPCA+ 2050, um prazo bem alongado, se beneficia da marcação a mercado. Quando o cenário melhora, esses títulos, caso você resgate antes do vencimento, também têm uma rentabilidade bem acima”, destaca.

Apesar do impacto positivo da deflação sobre as expectativas de juros, é preciso olhar para a composição do indicador antes de interpretar o resultado como uma mudança estrutural da inflação brasileira.

“Essa deflação é muito positiva, mas boa parte disso foi por conta da energia elétrica, no bônus de Itaipu, que fez abaixar bastante. O efeito não necessariamente deve se repetir nos próximos meses”, observa Thiago Godoy, educador financeiro.

O problema, segundo a apresentadora, é que o ponto de atenção está na inflação de serviços, considerada mais relacionada à dinâmica estrutural dos preços.

Por isso, uma queda dos juros precificada pelo mercado poderia ocorrer antes de uma melhora efetivamente consolidada da inflação.

“O risco é acabar caindo mais os juros ou o mercado precificar uma queda super relevante por conta de um efeito temporário, que é o bônus de Itaipu, e sem se preocupar com o resto da inflação”, avalia Fontes.

A consequência seria uma possível reprecificação dos ativos caso a inflação volte a pressionar.

“O mercado vai precificar a queda porque sabe que o BC quer a Selic menor, mas vai ser por um motivo transitório e não permanente e, portanto, vai gerar mais risco para a inflação futura”, complementa.

A queda das taxas já trouxe ganhos expressivos para quem comprou prefixados quando os juros estavam em níveis mais elevados.

Para Marilia, investidores que conseguiram contratar esses papéis quando as taxas se aproximaram de 15% agora encontram um cenário bastante diferente.

“Agora o prefixado valorizou bastante no curto prazo. Quem comprou alto, nos seus quase 15% que chegou a bater o prefixado, está se beneficiando”, diz.
Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, Thiago Godoy, o “Papai Financeiro” e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.

Infomoney - SP   02/09/2026

O diretor do Federal Reserve Michael Barr afirmou nesta terça-feira que, se a inflação não diminuir rapidamente, será hora de o banco central dos EUA aumentar as taxas de juros.

“A inflação continua alta demais — e vem sendo assim há mais de cinco anos”, disse Barr no texto de um discurso preparado para ser proferido no Fórum de Empréstimos de Segunda Chance.

Referindo-se à reunião de política monetária do Fed, marcada para 15 e 16 de setembro, e ao espaço que ela dá às autoridades para avaliar as opções de política monetária, Barr disse: “Se a inflação não parecer estar moderando suficientemente, então acho que devemos agir de forma decisiva para aumentar os juros”.
“Se as tendências nos dados me derem alguma confiança de que a inflação está moderando rumo aos 2%, então acho que podemos esperar um pouco mais para avaliar nossa postura de política monetária”, acrescentou.

Barr também observou que a economia está apresentando um desempenho sólido, impulsionado por investimentos em tecnologia de inteligência artificial. Ele afirmou que o mercado de trabalho está “estável, com desemprego relativamente baixo”.

Títulos dos EUA e Japão sofrem perdas generalizadas, com fiscal e inflação no radar

Juros para papéis japoneses sobem ao maior patamar desde 1996. Índice global que mede taxas pagas por dívidas soberanas chega a 3,72%, maior patamar desde 2008, no auge da crise financeira global

O presidente do Fed, Kevin Warsh, sinalizou na semana passada a possibilidade de um aumento nas taxas de juros, afirmando no simpósio econômico anual de Jackson Hole, organizado pelo Fed de Kansas City, que, no que diz respeito à política monetária, “devemos ter certeza de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer”.

Os mercados financeiros apostam que o Fed aumentará sua taxa básica de juros, atualmente fixada na faixa de 3,50% a 3,75%, em 0,25 ponto percentual em sua reunião deste mês. Muitas autoridades do Fed sinalizaram abertura para aumentar os juros, citando os índices de inflação que permanecem persistentemente acima da meta de 2%.

CNN Brasil - SP   02/09/2026

A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, segundo dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (1º).

O resultado, embora ligeiramente acima das expectativas do mercado, que giravam em torno de 0,3% a 0,4%, confirma um movimento de desaceleração da atividade econômica no país.

Para Juliana Trece, economista e coordenadora de contas nacionais do FGV Ibre, o dado reflete claramente esse processo de desaquecimento.

"Por mais que o PIB tenha vindo 0,5%, um pouquinho acima das expectativas, ainda assim confirma essa desaceleração. Quando a gente olha a composição do PIB, isso fica bastante evidente", afirmou.

Consumo das famílias recua e preocupa

Um dos pontos que mais chamou a atenção de Juliana Trece no resultado foi a retração do consumo das famílias no segundo trimestre, componente que historicamente tem apresentado crescimento resiliente.

Segundo a economista, esse recuo indica que as condições financeiras podem estar afetando diretamente esse segmento.

"O consumo das famílias mostrou essa queda agora, no segundo trimestre, em comparação ao primeiro, o que mostra que as condições financeiras podem estar afetando realmente esse componente e já mostra um movimento de desaquecimento", explicou.

Apesar de setores como a agropecuária e a indústria extrativa ainda apresentarem desempenho positivo — por serem menos sensíveis ao ciclo de juros elevados —, Juliana Trece destacou que segmentos mais dependentes do crédito, como a indústria de transformação, a construção civil e o próprio consumo das famílias, já demonstram sinais evidentes de enfraquecimento.
Juros e perspectivas para o Banco Central

Questionada sobre possíveis revisões nas projeções para a taxa Selic, Juliana Trece ponderou que o Banco Central levará em conta não apenas os dados do PIB, mas também as expectativas de inflação.

A economista alertou para o risco de pressão inflacionária no segundo semestre, especialmente em razão dos possíveis impactos do El Niño sobre os preços dos alimentos.

"O Banco Central vai olhar com certeza esses dados do PIB, mas vai olhar também outras questões que podem mudar a expectativa de inflação para aí sim tomar a decisão do ritmo do corte de juros", disse.

Ela acrescentou que, embora o ciclo de cortes de juros deva se manter, a magnitude dos próximos movimentos ainda é incerta.

O aumento do preço do petróleo também foi citado como fator de risco, uma vez que pode encarecer o transporte e insumos como o plástico, gerando pressão inflacionária indireta e levando o Banco Central a adotar uma postura mais cautelosa.
Consumo do governo

O consumo do governo cresceu 3,1% em 12 meses, ante 0,5% do consumo das famílias no mesmo período. Juliana Trece, porém, relativizou a comparação, lembrando que o peso do consumo das famílias no PIB brasileiro chega a cerca de 60%, enquanto o consumo governamental representa em torno de 20%.

"Em termos de peso, a relevância do consumo das famílias acaba sendo maior", pontuou.

A economista reconheceu, no entanto, que, por ser 2026 um ano eleitoral, pode haver algum estímulo via gastos públicos que esteja amortecendo parcialmente a desaceleração.

No setor externo, as exportações de bens e serviços avançaram 8%, impulsionadas pelo petróleo e pela soja, enquanto as importações cresceram 2,1%, influenciadas principalmente pela demanda crescente por veículos elétricos.

Juliana Trece destacou que a alta produção de petróleo no país, combinada com a demanda global aquecida, favoreceu as exportações.

Já no setor de serviços, o destaque ficou com informação e comunicação, que avançou 7,5%, segmento que, segundo a economista, tem apresentado crescimento consistente desde a pandemia e é pouco sensível ao nível dos juros.

CNN Brasil - SP   02/09/2026

O setor industrial da China cresceu em ritmo mais acelerado em agosto, com a produção, as novas encomendas e as exportações apresentando alta, segundo pesquisa do setor privado divulgada nesta terça-feira (1º)

O PMI (Índice de Gerentes de Compras) da Indústria da RatingDog para a China, compilado pela S&P Global, subiu de 50,9 em julho para 51,5 em agosto, mantendo-se acima da marca de 50 que separa crescimento de contração.

O índice também superou as estimativas dos analistas em uma pesquisa da Reuters, que apontavam para 51.

A produção cresceu no ritmo mais rápido em três meses, impulsionada por uma demanda mais forte e pela expansão da capacidade, enquanto os novos pedidos avançaram a uma taxa mais rápida, sustentados pelo aumento mais acentuado nos novos negócios de exportação em seis meses.

O nível de emprego permaneceu inalterado após aumentos em junho e julho, mas a demanda mais forte levou ao acúmulo de pedidos pendentes ao ritmo mais rápido desde março.

Os estoques de produtos acabados cresceram na taxa mais acentuada desde setembro de 2025, e as empresas aumentaram suas atividades de compras após reduzi-las em julho.

A inflação dos custos dos insumos subiu ligeiramente em relação a julho, embora a S&P Global tenha afirmado que as pressões sobre os custos permaneceram relativamente modestas. Os fabricantes reduziram os preços de venda pela primeira vez neste ano, citando a intensa concorrência e os descontos promocionais.

O enfraquecimento da demanda interna tem prejudicado uma recuperação mais ampla da economia de US$ 20 trilhões, e incertezas externas, incluindo tensões comerciais e riscos geopolíticos, continuam a afetar as perspectivas, pressionando a demanda.

O crescimento do PIB do país desacelerou para 4,3% no segundo trimestre, o ritmo mais lento em mais de três anos e abaixo das previsões. No primeiro trimestre, o crescimento foi de 5%.

Infomoney - SP   02/09/2026

A indústria de transformação está retomando a trajetória de crescimento, com avanço de 3,4% em 2024 e de 0,6% em 2025, impulsionada pelos setores de bens de consumo duráveis e intermediários. Mas a complexidade do sistema tributário brasileiro se mostra como o maior desafio, obrigando as empresas a navegarem por um cenário de elevação contínua nos custos de produção.

Segundo a pesquisa Infor Reports 2026, divulgada com exclusividade para o InfoMoney, 70% dos empresários industriais veem a burocracia do sistema de impostos como entrave para o crescimento, enquanto 64% apontam que o custo de se produzir no país, o chamado “custo Brasil”, aumentou nos últimos anos. Além dos tributos, entram nesta conta a infraestrutura insuficiente, o custo de capital elevado, a insegurança jurídica e regulatória, e a baixa produtividade.

O peso no caixa das indústrias também é dividido com a falta de mão de obra qualificada, citada por 62%, e pelas dificuldades de financiamento e acesso restrito ao crédito, apontadas por 27%.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Custo Brasil chega a R$ 1,7 trilhão ao ano, quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB). Esta conta afasta o país dos líderes da competitividade global. O Brasil ocupa a última posição em um ranking de competitividade global com 18 países, perdendo para vizinhos sul-americanos como Argentina, Colômbia, Peru e Chile, além do México. Isso reflete na produtividade da indústria que caiu quase 1% nos últimos 30 anos.

Indústria brasileira desacelera e CNI prevê ‘âncora pesada’ até 2027
Ameaça à competitividade

O impacto dessa conjuntura afeta a capacidade de competição das indústrias e comprime as margens de lucro. A infraestrutura inadequada do país eleva o frete, aumenta o tempo de entrega, amplia a necessidade de estoques de segurança e reduz a confiabilidade de toda a cadeia logística.

No caso dos impostos, as empresas enfrentam um alto custo administrativo para lidar com as complexidades do sistema tributário, o que acaba levando a distorções na formação de preços e decisões de investimento.

Brasil avança e é 58º em competitividade global, mas precisa de mudanças estruturais

“Isso pressiona o custo de produção, reduz a margem e frequentemente obriga a empresa a repassar preço ou perder competitividade”, afirma Roberto Borges, diretor financeiro e administrativo da Colson Rodas e Rodízios.

A reforma tributária, elaborada para unificar tributos, deve mitigar essa distorção e melhorar o ambiente de negócios a longo prazo. Mas o período de transição exigirá cautela e liquidez, destaca Waldir Bertolino, vice-presidente e Country Manager da Infor Brasil e Latam. Ele explica que, durante a migração de regimes, as companhias precisarão investir fortemente na revisão de processos, em sistemas de gestão integrados em nuvem (ERP), adequações de conformidade fiscal e treinamento de equipes para evitar que as despesas operacionais disparem.

Para ele, a mudança deve desencadear uma reestruturação da distribuição fabril e da infraestrutura logística em território nacional. “A questão é que esta transformação vai demorar quase uma década para se estabelecer de fato”, ressalta Bertolino.

“Para a indústria, a reforma tributária pode influenciar decisões sobre onde produzir, como organizar a cadeia de suprimentos e como estruturar a distribuição. É uma transformação que não acontece de um dia para o outro e vai exigir das empresas capacidade de planejamento e adaptação ao longo dos próximos anos”, afirma.

Como tentativa de reverter esse quadro de desindustrialização e apoiar as empresas na transição, o setor passou a contar com o programa Nova Indústria Brasil (NIB). A política governamental soma R$ 3,4 trilhões em investimentos contratados e já direcionou R$ 472 bilhões em recursos para financiar mais de 168 mil projetos de modernização produtiva no país. Como resposta a essa urgência por eficiência, 73% das grandes indústrias mantêm planos ativos de investimento produtivo em 2024 para não perderem ainda mais espaço internacional.
Avanço rumo à Inteligência Artificial

Esse cenário impõe ainda mais rigor na escolha dos investimentos de capital, especialmente diante de um contexto macroeconômico em que o setor precisa requalificar 14 milhões de trabalhadores até 2027 e integrar recursos avançados de inteligência artificial e automação para estancar as perdas de produtividade e garantir sua sobrevivência na nova manufatura global.

A pesquisa aponta que, para 88%, a escassez de mão de obra capacitada é um dos principais entraves para a modernização da indústria, uma lacuna que reduz a adoção de tecnologias avançadas e compromete o crescimento de setores estratégicos.

Juro alto trava inovação e asfixia indústria de transformação, dizem especialistas

Enquanto o uso de IA no parque industrial brasileiro saltou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024, ajudando o Brasil a subir 15 posições no Índice de Prontidão Digital (NRI) e ocupar a 44ª posição global, mais de 30% das indústrias nacionais sequer implementaram as tecnologias básicas da Indústria 4.0, aponta o relatório.

“Quando falamos em qualificar 14 milhões de trabalhadores, estamos falando de preparar a força de trabalho para uma mudança mais ampla na indústria, que envolve automação, digitalização e diferentes tecnologias emergentes”, diz Bertolino. “A reindustrialização não pode significar apenas produzir mais, mas produzir melhor”, afirma.

Juros altos

O avanço tecnológico, a adaptação à reforma tributária, a capacitação de mão de obra e as tentativas de redução do Custo Brasil devem ocorrer em meio a um cenário de juros elevados que freiam a capacidade de investimento.

“Quando temos juros elevados e maior incerteza, o custo do capital aumenta e os investimentos passam a ser avaliados com ainda mais rigor. Isso pode impactar desde a expansão de uma fábrica até decisões relacionadas à modernização tecnológica”, diz Bertolino.

Diário do Comércio - MG   02/09/2026

A retração da atividade no setor industrial do Brasil se intensificou em agosto, com a produção e os novos negócios registrando as maiores quedas desde abril de 2023, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada nesta terça-feira.

O PMI da indústria, compilado pela S&P Global, caiu em agosto para 46,3, de 47,5 em julho, indicando a segunda deterioração mensal consecutiva e a contração mais acentuada em 40 meses. A marca de 50 separa crescimento de retração.

“Os próximos meses parecem desafiadores, com os fabricantes enfrentando incertezas relacionadas às eleições presidenciais, condições frágeis de demanda e tensões geopolíticas globais contínuas”, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.

Os dados da pesquisa apontaram para um enfraquecimento generalizado da demanda, com as empresas relatando vendas mais baixas, concorrência acirrada, relutância dos clientes em se comprometer com novos projetos e desafios contínuos nos setores agrícola e automotivo.

A produção caiu pelo quarto mês consecutivo, com os participantes da pesquisa citando redução no volume de pedidos, retração da demanda, pressões sobre os custos e incerteza geopolítica.

O volume de novos negócios diminuiu pelo 17º mês consecutivo, com a taxa de contração acelerando em relação a julho. Segundo a pesquisa, ficaram evidentes reduções entre os produtores de bens de consumo, bens intermediários e bens de investimento.

Os novos pedidos para exportação industrial diminuíram pelo quarto mês seguido e no ritmo mais intenso em pouco mais de três anos e meio. Os participantes da pesquisa observaram queda nas vendas para a Argentina e os Estados Unidos, em particular.

A demanda mais fraca afetou o número de funcionários e a capacidade produtiva na indústria. O emprego caiu pelo segundo mês consecutivo e na maior proporção desde outubro de 2025, com as empresas citando medidas de controle de custos, demanda moderada, condições de mercado difíceis e, em alguns casos, escassez de candidatos adequados.

A inflação dos custos de insumos e dos preços de venda continuou desacelerando pelo quarto mês seguido em agosto, recuando dos recentes picos registrados em abril e atingindo os níveis mais baixos desde fevereiro. As empresas que aumentaram seus preços citaram o repasse dos custos mais elevados aos clientes.

Os fabricantes brasileiros permaneceram otimistas em relação às perspectivas para o próximo ano, embora a confiança tenha diminuído em relação a julho. Quase 61% das empresas esperam que a produção aumente nos próximos 12 meses, enquanto apenas 3% preveem queda. A confiança foi sustentada por expectativas de condições econômicas melhores após as eleições presidenciais, investimentos em tecnologia, ganhos de produtividade, lançamentos de novos produtos e parcerias comerciais.

MINERAÇÃO

Valor - SP   02/09/2026

Para analistas da consultoria Nanhua Futures, a demanda pelo minério de ferro pode começar a ser impulsionada por fatores sazonais do terceiro trimestre

O preço do minério de ferro subiu levemente nesta terça-feira (1º) na China, em meio à alta do petróleo nos mercados internacionais e à expectativa de um impulso sazonal na demanda pelo insumo metálico.

O contrato futuro do minério com vencimento em janeiro, o mais negociado na Bolsa de Dalian, fechou em alta de 0,14%, cotado a 726,5 yuans (US$ 108).

O petróleo apresenta nova alta nesta terça-feira, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou novos ataques contra o Irã, na esteira da retomada do confronto entre os países no fim de semana. O avanço do petróleo vinha dando algum suporte à cotação do minério em virtude do efeito sobre os custos de frete.

Além disso, para analistas da consultoria Nanhua Futures, a demanda pelo minério de ferro pode começar a ser impulsionada por fatores sazonais do terceiro trimestre.

Máquinas e Equipamentos

Terra - SP   02/09/2026

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou queda de 8,9% na receita em julho, somando R$ 24,4 bilhões. Diante do impacto dos juros elevados nos investimentos, a Abimaq revisou a projeção de retração para 2026 de 3,2% para 8,4%. No acumulado de sete meses, o setor acumula baixa de 12,9%. O segmento agrícola foi o mais afetado, com tombo de 27,5% no mês, mas a entidade prevê melhora a partir de agosto impulsionada pela liberação de recursos do Plano Safra.

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos teve mais um mês de queda de vendas em julho e a associação que representa o setor, Abimaq, elevou nesta terça-feira sua previsão de recuo do setor em 2026.

Dados divulgados pela Abimaq nesta terça-feira mostraram que a receita líquida caiu 8,9% em julho, para R$24,4 bilhões, segundo relatório da associação.

Já para 2026, a associação agora espera recuo de 8,4% na receita líquida de máquinas e equipamentos, contra projeção anterior de queda de 3,2%. Para o mercado doméstico, agora é esperado queda de 7,7% na receita, contra previsão anterior de recuo de 3,6%.

A associação atribui a piora nas previsões para o ano ao ambiente de juros elevados da economia.

"O cenário está piorando bastante. Isso é consequência da taxa de juros muito elevada. Além da máquina ficar mais cara, você tem um investimento que não se justifica", disse José Velloso, presidente-executivo da Abimaq, durante entrevista a jornalistas.

Os dados de julho da Abimaq corroboram com a abertura do PIB do segundo trimestre divulgada mais cedo nesta terça-feira. Os números acenderam em analistas um sinal de alerta e impuseram viés de baixa para a já esperada desaceleração da economia no segundo semestre ao destacar a pressão da política monetária ainda restritiva e do endividamento das famílias e empresas.

DESEMPENHO DO MÊS

Na comparação com junho, as vendas de máquinas e equipamentos tiveram alta marginal de 0,7%, considerando ajuste sazonal. Mas no acumulado dos primeiros sete meses do ano, o setor registra queda de 12,9%.

A receita no Brasil com venda de máquinas caiu 5,3% em julho ante o mesmo mês de 2025, para R$18,7 bilhões. O consumo aparente também recuou 5,3%, para R$34,6 bilhões.

As exportações somaram US$1,1 bilhão em julho, uma queda de 10,9% na comparação com julho de 2025. Já as importações somaram US$2,95 bilhões em julho, avanço de 2,1% na base anual.

O nível de utilização da capacidade instalada atingiu 78,4% em julho ante 78,7 um ano antes.

A carteira de pedidos ficou em 9,4 semanas, nível 3,3% superior ao visto em julho de 2025.

TARIFAÇO

A Abimaq afirmou que as empresas do segmento vêm tendo bons resultados em suas negociações comerciais com os Estados Unidos.

"Tem muita negociação nos EUA com o setor. As empresas tiveram muito sucesso em suas renegociações", disse Velloso.

Ainda assim, o setor segue procurando outras vias. "Estamos procurando novas feiras no exterior, fazendo mais eventos com importadores. Tivemos crescimento no setor de óleo e gás por conta das políticas da Petrobras", disse o presidente da Abimaq.

No ano até julho, as vendas de máquinas do Brasil para a América do Norte mostram crescimento de 2,8% sobre um ano antes, segundo os dados da entidade.

MÁQUINAS AGRÍCOLAS

A receita líquida total da indústria de máquinas e implementos agrícolas caiu 27,5% em julho, para R$4,9 bilhões.

Para os próximos meses, contudo, a associação espera um desempenho melhor para o segmento.

"Esperamos leve melhora a partir (dos dados) de agosto porque Plano Safra estará funcionando. Agosto, setembro e outubro são meses de pico. Estamos com expectativa que esses meses sejam melhores", disse Pedro Estevão, presidente da câmara de máquinas agrícolas da Abimaq.

AUTOMOTIVO

Automotive Business - SP   02/09/2026

Preocupados com as operações das marcas de veículos nacionais no exterior, órgãos governamentais da China emitiram na terça-feira, 1º, um documento com diretrizes que orientam as montadoras a cumprir as legislações dos mercados locais e evitem práticas comerciais desleais.

As novas diretrizes orientam que as montadoras baseiem seus preços em custos e condições do mercado onde estão inseridas, evitem utilizar preços como instrumento para obter vantagens competitivas consideradas excessivas e se abstenham de mudanças de preços frequentes ou acentuadas que prejudiquem os consumidores ou a reputação das marcas chinesas no exterior.

As diretrizes também estabelecem que as empresas respeitem o direito de concessionárias e representantes locais definirem os próprios preços para os veículos e cumpram acordos considerados razoáveis relacionados a incentivos de vendas.

O documento também incentiva que sejam cumpridas leis trabalhistas locais e que seja aprimorada a gestão de riscos, abrangendo as condições políticas, econômicas e de segurança nos países que recebem as montadoras de origem chinesa. O documento também aborda publicidade e iniciativas de marketing e orienta as empresas a evitar práticas enganosas.
Montadoras chinesas enfrentam pressão em mercados internacionais

As diretrizes da China surgem em meio a uma série de pressões que o lado ocidental do planeta tem exercido sobre a operação dessas montadoras, invariavelmente acusadas de praticar dumping ou de serem beneficiadas por uma série de incentivos estatais que as colocam em vantagem em mercados como Estados Unidos, Europa e Brasil.

Por aqui, as discussões mais recentes apontam nesse sentido. O setor automotivo brasileiro argumenta em diversas tribunas, por exemplo, que o governo federal favorece as chinesas com benefícios para a importação de veículos eletrificados semimontados (SKD) ou desmontados (CKD).

Em junho, a Anfavea, entidade que representa parte das montadoras no Brasil, se posicionou contra a medida e apontou que tal incentivo prejudicaria a industrialização no país, bem como futuros investimentos no setor. Outros debates envolvem temas como nacionalização da produção por parte das montadoras chinesas e preços incompatíveis com custos de produção no mercado brasileiro.

Infomoney - SP   02/09/2026

A fabricante chinesa de veículos elétricos BYD registrou um aumento nas vendas globais pelo quarto mês consecutivo, à medida que exportações robustas continuaram a amenizar o impacto da demanda doméstica fraca.

As vendas totais em agosto subiram 17,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a 440.293 veículos, enquanto as exportações dispararam 134,5%, somando 189.466 unidades, de acordo com cálculos da Reuters baseados nos dados divulgados pela BYD nesta terça-feira.

A BYD tem liderado as ambições internacionais das montadoras chinesas, ganhando espaço em mercados importantes do exterior, buscando diversificar-se para além do mercado da China, cada vez mais saturado.
Essa estratégia está contribuindo para a lucratividade. A maior montadora mundial de veículos elétricos gerou mais receita no exterior do que na China pela primeira vez no período de janeiro a junho, com o aumento das exportações.

O Brasil, maior mercado da BYD fora da China, tornou-se um pilar fundamental desse crescimento no exterior. A empresa lançou recentemente seu primeiro veículo híbrido plug-in flex produzido localmente no país, ampliando presença fabril no maior mercado automotivo da América Latina.

A BYD já é a quarta maior marca do Brasil em vendas segundo dados acumulados de janeiro a julho compilados pela associação de concessionários de veículos Fenabrave. A montadora chinesa terminou julho com uma participação no mercado brasileiro de 7,54%, à frente de Hyundai, Toyota, Renault, Jeep e Honda e atrás de Fiat, Volkswagen e GM. A rival chinesa GWM entrou para o ranking na décima posição.

A BYD vendeu 122,5 mil veículos no Brasil de janeiro ao final de julho, enquanto a GWM, 44,5 mil, segundo os dados da Fenabrave.

A crescente contribuição dos mercados internacionais serviu de amortecedor contra a queda na lucratividade na China. A BYD registrou seu primeiro aumento trimestral no lucro em mais de um ano, embora a recuperação no segundo trimestre tenha ficado aquém das expectativas, já que a concorrência no mercado automotivo chinês continuou intensa.

CONSTRUÇÃO CIVIL

O Estado de S.Paulo - SP   02/09/2026

Entre o envelhecimento da população e o novo perfil da Geração Z, com diferentes expectativas em relação ao mercado de trabalho, o setor da construção civil se vê diante de uma encruzilhada. De um lado, o setor mantém o ritmo acelerado de atividade e avança na industrialização dos canteiros; de outro, esbarra na falta de mão de obra qualificada para preencher as vagas e atender à demanda crescente.

Hoje, a idade média dos trabalhadores da construção civil é de 42 anos. Enquanto a população envelhece, as gerações Z e Alfa, nascidas a partir de 1997 e 2010, respectivamente, mostram pouco interesse em ocupar funções tradicionais dos canteiros de obras, como servente, pedreiro e carpinteiro.

Parte desses jovens prefere profissões ligadas à tecnologia ou atividades por conta própria, como o trabalho em aplicativos de transporte, que oferecem maior autonomia e flexibilidade, sem a necessidade de responder a um patrão ou cumprir horários fixos.

O resultado desse cenário, com construtoras ávidas por contratar operários, é um déficit gigantesco de trabalhadores. Só no Estado de São Paulo há mais de 100 mil vagas em aberto na construção civil, segundo o vice-presidente Financeiro do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Renato Genioli. Servente é o profissional mais escasso atualmente.

Para virar esse jogo, o Sinduscon-SP lança no início de setembro o projeto batizado “trilhas de carreiras profissionais”. Ele é resultado de uma parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP).

“Esse é o projeto mais revolucionário para atrair mão de obra para construção civil”, afirma Yorki Estefan, presidente do Sinduscon-SP.

O plano é atuar simultaneamente em três linhas. A primeira é qualificar trabalhadores por meio de cursos oferecidos pelo Senai dentro da obra para que eles consigam desempenhar as funções em um modelo de construção industrializada.

A segunda é criar um plano de carreira para que os trabalhadores tenham ascensão e ganhos salariais. A terceira, e certamente a mais polêmica, é mudar a nomenclatura das ocupações.

Assim, o servente de pedreiro, por exemplo, não será mais designado desta forma dentro da obra. Ele passará a ocupar a função de auxiliar de produção.

Ao todo serão sete degraus da evolução do plano de carreira. A trilha começa como auxiliar de produção, que seria o antigo servente, e termina como mestre de obras sênior.

A diferença salarial entre o primeiro degrau de servente de pedreiro e um mestre de obra é grande. O salário de entrada de um servente atualmente é de R$ 2,4 mil, em média, enquanto um mestre de obra recebe entre R$ 20 mil e R$ 22 mil, aponta o Sinduscon-SP.

O plano de carreira, estruturado em sete degraus, será aplicado a sete funções tradicionais de uma obra, que serão repaginadas.

Além do pedreiro virar um construtor civil, o novo nome do carpinteiro será instalador de formas. O aplicador de mantas vira impermeabilizador e o gesseiro será um instalador de sistema a seco.

A tradicional função de encanador será chamada de instalador hidráulico, o eletricista passa a ser instalador eletricista e o ferreiro armador vira instalador armador.

“A mudança de nomenclatura dos cargos é para dignificar o trabalho do cara e dizer: você não é mais um servente, você agora é um auxiliar de produção”, afirma David Fratel, diretor-adjunto de Gente do Sinduscon-SP, membro do Conselho Fiscal e do Comitê de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon-SP e um dos responsáveis pelo projeto.

Ele conta que, dois anos atrás, foi feita uma pesquisa junto ao Sintracon-SP e constatou-se que os pedreiros não gostariam que seus filhos tivessem a mesma profissão. O argumento dos pais é que, se os filhos não estudassem, lhes restariam essa opção, como se fosse um castigo ser pedreiro, lembra Fratel.
Nomenclatura e plano de carreira para atrair jovens

A intenção do Sinduscon-SP é que a mudança da nomenclatura das funções, atrelada ao plano de carreira, atraia os mais jovens e faça parte da convenção coletiva da categoria.

Antônio Freitas, presidente em exercício do Sintracon-SP, diz que a diretoria licenciada do sindicato participou da elaboração do projeto.

O sindicalista considera importante a iniciativa como uma maneira de incentivar a atuação dos trabalhadores na construção civil, a fim de atenuar a escassez de mão de obra.

No entanto, Freitas pondera que também é preciso proporcionar ganhos salariais. “Só mudar o nome de pedreiro para construtor civil não vai incentivar (os trabalhadores), na minha opinião. Acho que a principal coisa é melhorar o salário também.”
Rápida ascensão

Com 22 anos de idade, Lucas Novais faz parte da geração Z, que são os jovens nativos digitais. Ele completou o ensino médio, fez cursos de mecânica automotiva, mas nunca trabalhou na área.

Também cursou finanças e logística quando teve loja de celular e roupas. Trabalhou na indústria química, mas sempre sonhou em estudar engenharia.

Por influência de um amigo, acabou se empregando na construção civil. Há um ano e quatro meses, começou a trabalhar em uma construtora em São Bernardo do Campo (SP), em uma obra próxima da sua casa.

Novais começou como auxiliar de almoxarife, ganhando R$ 2,4 mil. Já foi promovido a almoxarife e seu salário subiu para R$ 3,2 mil, uma alta de 33%. “A minha evolução foi muito rápida, mais do que eu esperava”, diz.

O próximo cargo da carreira almejado pelo almoxarife é o de auxiliar de administração. “Aqui dentro eu consigo crescer e, querendo ou não, eu estou crescendo bem mais do que em outros lugares em que eu trabalhei.”

Ele observa que prefere trabalhar com carteira assinada porque, além da ascensão profissional, tem garantias, como FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), férias, 13º salário, benefícios que não existem no trabalho autônomo.

A possibilidade de trilhar uma carreira com ganhos salariais, como está ocorrendo com Novais, é o diferencial que o setor da construção civil quer usar para atrair mão de obra jovem.

Além disso, a intenção é mostrar que, com a industrialização, o setor está gradativamente se dissociando do trabalho que exige grande esforço físico.

“Você não consegue atrair os jovens se não mostrar que a construção civil está se industrializando em ritmo acelerado e que trabalhos manuais estão sendo substituídos por montagem de pré-fabricados, como as fachadas industrializadas de prédios”, exemplifica Fratel.

Exatamente por isso, o setor precisa qualificar a mão de obra para acelerar o uso de métodos construtivos industrializados. Nas contas do Sinduscon-SP, o índice atual de industrialização do setor é de cerca de 40% e a meta é chegar a 100% em dez anos.

O projeto piloto de trilhas de carreiras profissionais começa com a participação de 10 construtoras e 20 empreiteiras do Estado de São Paulo. O Senai vai oferecer cursos de formação para qualificar os trabalhadores para a construção nos moldes industriais. E os cursos serão ministrados dentro das obras.

Segundo Genioli, vice-presidente do Sinduscon-SP, a meta é que o projeto se transforme em exemplo para o País e seja replicado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) nas demais unidades da Federação.

Infomoney - SP   02/09/2026

Apesar dos juros elevados e do crédito imobiliário mais caro continuarem sendo uma pedra no sapato para quem pretende financiar a compra da casa própria, os preços dos imóveis em agosto mantiveram o ritmo de alta. De acordo com o Índice FipeZap de Venda Residencial, o avanço no último mês chegou a 0,53%, o que representa uma aceleração em relação à alta de 0,46% registrada em julho. Em 12 meses, a valorização chegou a 5,49%, ficando bem acima da inflação oficial de 4,14% considerada pelo levantamento.

O movimento chama atenção não apenas pela intensidade, mas pela abrangência. Todas as 56 cidades acompanhadas pelo indicador acumulam valorização em 12 meses, embora em ritmos bastante diferentes. No ano, entre janeiro e agosto, os preços subiram 3,44%, também acima dos 3,02% da inflação ao consumidor usada como referência pelo FipeZap.

Há, portanto, uma resistência dos preços que contrasta com um ambiente no qual financiar um imóvel ficou mais difícil, segundo Mariangela Silva, economista do Grupo OLX. “Uma das explicações está no fato de que juros e crédito são apenas parte da equação que determina o preço de uma residência”, afirma.
Segundo ela, o equilíbrio entre oferta e demanda em cada mercado continua exercendo papel relevante. Juros elevados podem postergar a compra de parte das famílias, mas a disponibilidade de imóveis, a procura por determinadas regiões e tipologias e as características do estoque existente também influenciam a formação dos preços.

“O fato de todas as 56 cidades monitoradas apresentarem valorização nos últimos 12 meses reforça que o movimento de alta não está concentrado em poucos mercados”, afirma a economista. Ela ressalta, porém, que as diferenças de intensidade entre as cidades mostram o peso das condições locais.

Aceleração

O resultado mensal reforça essa leitura. Dos 56 municípios pesquisados, 46 registraram aumento dos preços em agosto. Entre as 22 capitais, 18 ficaram no campo positivo. Vitória liderou, com avanço de 1,31%, seguida por Brasília, com 1,28%, e Aracaju, com 1,07%.

Na outra ponta, quatro capitais tiveram recuo: Curitiba, com queda de 0,25%; Campo Grande e Belém, ambas com baixa de 0,19%; e Belo Horizonte, com redução de 0,08%.

A alta média de 0,53% dos imóveis também ocorreu em um mês de deflação nos indicadores utilizados para comparação. O IPCA-15 recuou 0,40% em agosto, enquanto o IGP-M caiu 0,22%.

A fotografia de um único mês, no entanto, deve ser vista com cautela, de acordo com a especialistas. Mais relevante é o comportamento acumulado: em 12 meses, o FipeZap sobe 5,49%, ante 4,14% da inflação ao consumidor e 2,16% do IGP-M. O próprio histórico do indicador mostra que a valorização imobiliária permanece positiva, embora abaixo dos 6,52% registrados em 2025 e dos 7,73% de 2024.

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Imóveis pequenos se destacam

É na divisão por número de dormitórios que aparece outro sinal relevante sobre o mercado. Os imóveis de um dormitório acumularam valorização de 7,33% em 12 meses, bem acima dos 5,49% da média. Unidades de dois dormitórios subiram 5,31%. Já as de quatro ou mais quartos aumentaram 5,40%, e os imóveis de três dormitórios tiveram a menor alta, de 4%.

A liderança dos compactos pode parecer paradoxal porque eles também carregam o metro quadrado mais caro da pesquisa. Enquanto o preço médio da amostra do FipeZap ficou em R$ 9.954 por metro quadrado em agosto, imóveis de um dormitório chegaram a R$ 12.184 por metro quadrado. Nas unidades de dois dormitórios, o valor médio foi de R$ 8.932 por metro quadrado.

A diferença ajuda a mostrar por que preço por metro quadrado e preço final do imóvel não são a mesma coisa. Mesmo pagando mais por cada metro, o comprador de uma unidade pequena pode desembolsar menos no total porque está adquirindo uma área menor.

Mariangela avalia que essa característica amplia o universo potencial de interessados. Os compactos atendem desde pessoas que moram sozinhas e casais sem filhos até estudantes e profissionais interessados em viver perto de polos de emprego, serviços e transporte.

“Imóveis compactos apresentam um ticket total mais acessível em comparação a unidades maiores na mesma região. Isso pode atrair tanto quem procura uma residência quanto compradores interessados no imóvel como investimento”, disse.

O resultado também sugere que o encarecimento do crédito pode produzir efeitos diferentes dentro do próprio mercado. Em vez de provocar queda generalizada dos preços, a restrição financeira pode contribuir para deslocar parte da procura para imóveis de menor valor total.

Grandes Construções - SP   02/09/2026

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% no 2º trimestre de 2026, na comparação com os três meses anteriores, na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A Indústria avançou 0,1% no período, puxada pelas Indústrias Extrativas, que cresceram 3,4%.

A construção, por sua vez, registrou retração de 0,4%.

Apesar do recuo na comparação trimestral, a construção cresceu 1% em relação ao 2º trimestre de 2025 e acumulou alta de 1,1% no 1º semestre de 2026, frente ao mesmo período do ano anterior.

Para a economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Ieda Vasconcelos, o desempenho reflete a perda de dinamismo já percebida pelo setor e um ambiente econômico mais adverso do que o esperado no início do ano.

A economista destaca que o recuo ocorre após um 1º trimestre mais forte.

“Começamos 2026 com uma expectativa mais positiva para a trajetória dos juros”, afirma Ieda.

A partir do fim de fevereiro, diz ela, o cenário começou a mudar com o início dos conflitos no Oriente Médio.

“A perspectiva passou a ser de uma redução menor do que a esperada inicialmente, o que aumentou a cautela dos empresários e se refletiu no desempenho da construção”, completa.

Também é preciso considerar a perda de dinamismo das pequenas obras e reformas, que integram o cálculo do PIB da construção.

Nesse segmento, a redução do consumo das famílias, diante do maior endividamento e do crédito mais caro, contribui para a desaceleração.

“O resultado do 2º trimestre preocupa, sobretudo pelos possíveis reflexos nas decisões de novos investimentos”, destaca.

“Começamos o ano com perspectivas melhores e hoje o empresário trabalha com um ambiente econômico mais desafiador para o segundo semestre e para 2027”, observa a economista-chefe.

Projeção – Desde o 1º trimestre de 2022, quando a taxa básica de juros voltou ao patamar de dois dígitos, o custo do crédito aparece entre os três principais problemas apontados pelos empresários da construção.

A Selic em nível elevado, os custos da construção acima da inflação e a redução das expectativas positivas dos empresários limitam uma expansão mais forte da atividade.

Por outro lado, o avanço das obras de infraestrutura e os lançamentos imobiliários realizados nos últimos dois anos ajudam a sustentar as perspectivas para o setor.

Diante desse cenário, a CBIC mantém a projeção de crescimento de 1,2% para a construção civil em 2026.

“Sem dúvida, qualquer resultado negativo preocupa, mas continuamos esperando crescimento da construção neste ano”, comenta Ieda.

‘A infraestrutura tem exercido papel importante, puxada principalmente pelos investimentos privados, pelas concessões e pelo saneamento. No mercado imobiliário, o Minha Casa, Minha Vida também continua sendo um importante vetor da atividade”, avalia.

Mercado de trabalho – Apesar da retração da atividade no 2º trimestre, o mercado de trabalho continua apresentando resultados positivos.

O saldo de novos empregos formais na construção cresceu 6,52% no 1º semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

O principal destaque foi a infraestrutura. Pela primeira vez desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020, o segmento registrou saldo de novas vagas superior ao da Construção de Edifícios.

As obras de infraestrutura geraram quase 65 mil novos empregos formais entre janeiro e junho de 2026, avanço de cerca de 30% na comparação com igual período de 2025.

A Construção de Edifícios, por sua vez, apresentou saldo positivo de 60.552 postos de trabalho, resultado 2,19% inferior ao registrado no 1º semestre do ano passado.

“Mesmo com todas as dificuldades, o setor continua contratando”, avalia Ieda.

“A infraestrutura tem se destacado de maneira muito expressiva na geração de empregos, impulsionada pelas concessões, pelos investimentos privados e pelas obras relacionadas ao saneamento”, assinala.

Em junho, a construção alcançou 3,119 milhões de trabalhadores com carteira assinada em todo o país, alta de 3,16% em relação ao mesmo mês de 2025.

A geração de empregos também foi disseminada pelo país. Todos os 26 estados e o Distrito Federal apresentaram saldo positivo no 1º semestre.

Em números absolutos, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Santa Catarina lideraram a criação de vagas na construção.

PETROLÍFERO

Valor - SP   02/09/2026

Governo federal derrubou, na noite de segunda-feira (31), a liminar que suspendia a cobrança do tributo

O governo federal derrubou, na noite de segunda-feira (31), a liminar que suspendia a cobrança do Imposto de Exportação de petróleo. Com isso, a alíquota de 12% implantada pelo governo federal voltará a ser cobrada. A decisão é do desembargador Roberto Carvalho Veloso, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região. O setor avalia recorrer.

No documento, o desembargador afirma que a criação do imposto não representa "dano irreparável" às empresas e que a liminar representa risco de dano à ordem econômica e ao planejamento estatal "em matéria de política cambial e de comércio exterior, notadamente em contexto de instabilidade geopolítica internacional, além de configurar risco de efeito multiplicador de decisões similares em todo o território nacional".

Inicialmente, o governo federal havia implantado a cobrança em março, no início do conflito entre Estados Unidos e Irã. O objetivo era, segundo a medida provisória (MP), “transferir à sociedade parcela do ganho extraordinário gerado pela valorização abrupta do preço internacional” do petróleo, “bem como contribuir para a mitigação dos efeitos deletérios do choque sobre a população e os setores produtivos”. Posteriormente, a MP perdeu validade, mas seus efeitos foram retomados por meio da Câmara de Comércio Exterior (Camex), do governo federal.

Na última quinta-feira (27), porém, a Justiça Federal do Distrito Federal concedeu liminar em processo movido pela Associação Brasileira de Empresas de Exploração e Produção de Petróleo e Gás (Abep). O setor tinha preocupação que a medida, criada sob justificativa regulatória, pudesse ter assumido caráter arrecadatório e tenda a se prolongar, com efeitos sobre o caixa das companhias e as decisões de investimento. Conforme divulgado na terça-feira (25) pela Receita Federal, o imposto arrecadou R$ 3,16 bilhões em julho.

No caso da derrubada da liminar na segunda-feira, o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) afirmou que estuda as alternativas possíveis para recorrer da decisão judicial. “ Entendemos que o imposto é indevido, carece de fundamentos técnicos e jurídicos”, disse Roberto Ardenghy, presidente do IBP.

Marcelo Ludolf, sócio da área tributária do Basilio Advogados, ressalta que, para os investidores, a ambiguidade entre motivação regulatória e necessidade fiscal tende a ser precificada como risco regulatório adicional nas decisões de alocação de investimentos por players nacionais e internacionais.

Raphael Lavez, advogado da área tributária e sócio do escritório Lavez Coutinho, afirmou que a decisão, apesar de monocrática e provisória, transmite o sinal de que o Judiciário, ao menos por ora, chancelou a tese de que o imposto de exportação pode ser mantido por ato administrativo da Camex depois que caducou a MP que o criou. Segundo ele, a medida afeta a competitividade e atratividade do setor de óleo e gás do Brasil.

Para André Kipper, advogado tributarista do Duarte Garcia, Serra Netto e Terra, a retomada da cobrança tende a aumentar imediatamente o custo das exportações de petróleo e a exigir uma revisão de fluxos financeiros e projeções de investimento das empresas.

Money Times - SP   02/09/2026

A produção de petróleo do Brasil somou um recorde de 4,498 milhões de barris por dia em julho, aumento de 13,6% na comparação anual e de 0,5% ante junho, informou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta terça-feira.

O resultado superou a marca histórica anterior de 4,475 milhões de bpd registrada em junho, reforçando a trajetória de crescimento sustentada pelos grandes campos do pré-sal, especialmente Búzios e Mero, na Bacia de Santos.

No pré-sal, a produção alcançou 3,728 milhões de bpd em julho, avanço de cerca de 0,8% ante junho e de 18,4% sobre um ano antes, respondendo por mais de 80% da produção brasileira da commodity. O crescimento foi sustentado pelos megacampos de Búzios, Mero e Tupi, os maiores produtores do país.

Já a produção de gás natural do país atingiu 214,97 milhões de metros cúbicos em julho, crescimento de 12,6% na comparação anual, mas uma queda de 1,1% ante o mês anterior, segundo os dados da agência reguladora.

Com isso, a produção total brasileira de petróleo e gás atingiu 5,851 milhões de boe/d em julho, nova máxima histórica e ligeiro avanço sobre os 5,842 milhões de boe/d registrados no mês anterior. O volume foi 13,4% maior que o observado em julho de 2025.

Do total de gás natural produzido no país, 66,1 milhões de metros cúbicos por dia foram disponibilizados ao mercado em julho, alta frente aos 63,8 milhões de m³/d registrados um ano antes. A reinjeção de gás nos reservatórios permaneceu elevada, somando 124,3 milhões de m³/d, equivalente a cerca de 58% da produção total de gás do país.

Entre os campos produtores, Búzios manteve a liderança nacional ao alcançar cerca de 1,11 milhão de bpd em julho. Tupi é o segundo maior produtor de petróleo, com 797 mil bpd, enquanto Mero está na terceira posição, com 763,89 mil bpd.

Petrobras e Shell

A Petrobras respondeu por produção operada de 5,11 milhões de boe/d em julho, mantendo ampla liderança no setor brasileiro e participando de 87,3% da produção nacional de petróleo e gás, direta ou indiretamente.

Considerando a parcela apenas de petróleo atribuída aos consorciados, a Petrobras produziu 2,63 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) em julho, alta de cerca de 8,8% ante o mesmo mês do ano passado.

A Shell manteve-se como a segunda maior produtora entre os consorciados do país, com produção de 394,9 mil barris por dia em julho. A companhia possui participações relevantes nos principais projetos da Bacia de Santos, incluindo Mero e Tupi, que continuam entre os maiores contribuintes para o crescimento da produção nacional.

Globo Online - RJ   02/09/2026

Os Estados Unidos detalharam os planos para exercer maior controle sobre a operadora privada North American Blue Energy Partners (Nabep) como parte de um acordo histórico para assumir o controle das reservas de petróleo da Venezuela, incluindo o direito de preferência para comprar uma parcela significativa de sua produção de petróleo e poder de veto sobre a nomeação de membros do Conselho de Administração.

Uma ficha informativa divulgada pela Casa Branca apresentou os primeiros detalhes públicos do acordo anunciado pelo presidente Donald Trump na semana passada, sete meses após a captura do antigo líder venezuelano Nicolás Maduro em uma operação militar secreta.

Segundo o documento, os EUA terão a preferência de comprar cerca de 80% da produção de petróleo da Nabep, uma empresa privada que recebeu concessões por 100 anos para explorar 17 campos de petróleo na Venezuela.

A Casa Branca informou que o petróleo bruto será fornecido pelo custo de produção. A Nabep também está concedendo ao Departamento de Estado dos EUA o direito de comprar uma parcela garantida de 20% de sua produção atual e futura pelo preço de custo, assegurando um fornecimento estável de petróleo barato, segundo a ficha informativa.

Os EUA terão poder de veto sobre a nomeação de qualquer membro do Conselho de Administração da Nabep, e a maioria dos integrantes do conselho deverá ser formada por cidadãos americanos, de acordo com a ficha informativa.

Trump se vangloriou do acordo — chamando-o de “talvez o maior acordo já feito” — na segunda-feira e disse que pretende usar o petróleo para ajudar a recompor a reserva estratégica de emergência dos EUA.

—Uma das coisas que quero fazer com todo esse petróleo que agora temos é encher essas reservas estratégicas, e faremos isso relativamente rápido — disse Trump durante um evento no Salão Oval., acrescentado:

— Nós vamos retirar esse petróleo. Tudo virá para os EUA, para as refinaria.

Delcy Rodríguez: Presidente interina da Venezuela rebate Trump e diz que país manterá controle de seu petróleo após acordo

A Nabep disse que planeja elevar a produção de suas operações no Lago de Maracaibo e na Faixa do Orinoco, na Venezuela, para mais de um milhão de barris de petróleo por dia — uma meta ambiciosa em um país cuja produção diária atual é de cerca de 1,1 milhão de barris.

O acordo de petróleo entre EUA e Venezuela representa o desdobramento de uma política de Trump de ampliar a influência americana no Hemisfério Ocidental, batizada de “Doutrina Donroe”. Ao criar uma nova empresa diretamente controlada pelos EUA, o governo busca dar aos produtores mais segurança para se comprometerem com o desenvolvimento dos 17 campos de petróleo envolvidos no acordo.

O acordo também deve impulsionar os negócios das refinarias americanas e dos fabricantes de equipamentos para campos petrolíferos.

“Este acordo garante nossa predominância energética para o próximo século — tudo isso sem nenhum custo para os Estados Unidos”, afirmou a Casa Branca, acrescentando que o acordo criará “cadeias de abastecimento robustas, estratégicas e defensáveis em nosso hemisfério”, acrescentou, efetivamente afastando empresas russas e chinesas.

Autoridades americanas disseram explicitamente que os contribuintes não serão responsáveis por financiar o empreendimento. Em vez disso, o foco dos EUA no acordo recai sobre o Escritório de Capital Estratégico dos EUA (US Office of Strategic Capital), que deterá uma participação acionária de 35% na empresa controladora da NABEP, segundo a ficha informativa. A Casa Branca afirmou que isso representa um valor de até centenas de bilhões de dólares, além de dividendos para os EUA.

Não está claro se alguma empresa de petróleo seria capaz de aumentar rapidamente a produção de petróleo bruto da Venezuela, especialmente na escala descrita pelas autoridades americanas e pela Nabep. Apesar da riqueza petrolífera do país — que possui algumas das maiores reservas provadas do mundo — décadas de corrupção e falta de investimentos deixaram uma rede de oleodutos enferrujados, vazamentos de petróleo e equipamentos danificados.

O acordo de Trump também enfrenta desafios políticos. Ainda não se sabe se o acordo seria plenamente apoiado por um futuro presidente americano ou como resistiria a qualquer turbulência política na Venezuela.

Alguns integrantes da oposição venezuelana também demonstraram preocupação de que um acordo entre os EUA e a presidente interina Delcy Rodríguez pudesse reduzir as chances de uma transição política, ao consolidar seu controle sobre o poder e diminuir o incentivo do governo Trump para pressionar por mudanças.

A Casa Branca reafirmou na segunda-feira que apoia reformas políticas por meio de negociações entre o atual governo, que chamou de “autoridades interinas”, e um setor da oposição. Uma segunda rodada de negociações deverá começar em setembro.

Veja abaixo os principais pontos apresentados na ficha informativa do governo dos EUA, como o acordo será estruturado, o que ele pode significar para os Estados Unidos e a Venezuela e como deverá se encaixar nos planos do governo de ampliar sua influência na América Latina.

Como o acordo está estruturado:

As autoridades interinas da Venezuela concederam à North American Blue Energy Partners (Nabep), uma empresa privada, concessões por 100 anos para 17 campos de petróleo, com reservas comprovadas de aproximadamente 65 bilhões de barris.Em contrapartida, a Nabep concedeu ao Escritório de Capital Estratégico dos EUA (US Office of Strategic Capital) uma participação acionária de 35% em sua empresa controladora. Isso representa “até centenas de bilhões de dólares em valor e dividendos para os Estados Unidos”, segundo a ficha informativa.A Nabep também concedeu ao Departamento de Estado dos EUA o direito de comprar, a preço de custo de produção, 20% de toda a produção atual e futura dos campos operados pela Nabep. Esse petróleo bruto poderia ajudar a recompor a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR).O Departamento de Estado também tem direito de preferência para comprar os 80% restantes da produção da Nabep. Isso poderia proporcionar uma “fonte garantida de energia em nosso hemisfério em situações de emergência”, afirmou a Casa Branca.Os Estados Unidos têm poder de veto sobre a nomeação dos diretores da Nabep, e a maioria deles deverá ser formada por cidadãos americanos. O acordo é regido pela legislação dos EUA e está sujeito à jurisdição dos tribunais americanos.

O que isso pode significar para a Venezuela:

A Nabep planeja aumentar a produção investindo até US$ 100 bilhões em novas infraestruturas de petróleo. Segundo a Casa Branca, isso ajudará a impulsionar o crescimento econômico, sustentar milhares de empregos na Venezuela e estimular outras atividades econômicas.As concessões da Nabep são regidas pela nova lei de hidrocarbonetos da Venezuela, que foi introduzida com o apoio dos Estados Unidos. Ao longo do primeiro quarto de século, espera-se que a Nabep pague US$ 200 bilhões em royalties e impostos.Para ter acesso a possíveis fontes de financiamento, a Nabep “poderá captar capital privado americano para financiar despesas de capital”.A supervisão dos Estados Unidos “garantirá que os pagamentos de impostos e royalties sejam utilizados de acordo com os interesses do povo venezuelano”.

E para o Hemisfério:

O presidente Trump restabeleceu a Doutrina Monroe, segundo o comunicado, referindo-se a uma abordagem de Washington que adverte outras potências contra tentar interferir no chamado Hemisfério Ocidental.A maioria dos campos que serão operados pela Nabep anteriormente era controlada ou operada por empresas russas e chinesas, ou por aliados dos ex-presidentes Nicolás Maduro e Hugo Chávez.Os Estados Unidos estão construindo cadeias de suprimentos robustas, estratégicas e defensáveis no hemisfério para dar suporte à sua indústria manufatureira e ao setor de energia.

Valor - SP   02/09/2026

Avanço das taxas e tensões geopolíticas renovadas pressionam ativos em Nova York

A continuidade das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, com novos ataques ontem, impulsionou os preços do petróleo novamente para a faixa de US$ 90 o barril e ampliou a cautela entre os investidores. Os rendimentos dos Treasuries permaneceram em níveis elevados, em linha com um movimento de estresse no mercado global de renda fixa, maior perspectiva de aperto monetário nos Estados Unidos e incerteza no Oriente Médio. As bolsas de Nova York fecharam em queda.

O rendimento do Treasury de dois anos subiu para 4,410%, de 4,354% no fechamento anterior; o da T-note de dez anos avançou para 4,797%, ante 4,756% na última sessão; e o da T-bond de 30 anos chegou a 5,277%, de 5,244%. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante outras moedas fortes, subia 0,25%, aos 99,672 pontos, no fim do dia.

Os rendimentos dos Treasuries iniciaram o dia em alta, em meio à piora do humor no mercado global de renda fixa. O movimento teve início durante a madrugada, no Japão, diante da pressão do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para que o Banco do Japão (BoJ) realize um aperto monetário, e ganhou força à tarde, após novos ataques americanos ao Irã, que elevaram ainda mais os preços do petróleo.

Segundo a rede de TV japonesa NHK, Bessent se reuniu com a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, e, separadamente, com o presidente do BoJ, Kazuo Ueda, para defender que o próximo passo do país asiático deve ser um aperto monetário a fim de conter a desvalorização do iene. A moeda japonesa chegou em 2026 ao menor nível frente ao dólar em 40 anos.

Ontem, o rendimento do título da dívida pública japonesa, o JGB, de dez anos ultrapassou a marca de 3% pela primeira vez desde setembro de 1996 e, nos vencimentos de 30 anos, os juros chegaram ao maior nível da história, favorecendo um mal-estar no mercado global de renda fixa.

A persistência do conflito no Oriente Médio e os preços elevados de petróleo também pesaram sobre os rendimentos dos Treasuries, enquanto investidores aumentam as apostas em uma alta de juros na próxima reunião do Federal Reserve (Fed). Segundo o CME FedWatch Tool, que compila dados a partir dos futuros dos Fed funds, os operadores precificam 68% de chance de um aperto monetário de 0,25 ponto percentual neste mês.

O posicionamento mais restritivo do diretor do Fed Michael Barr contribuiu para reforçar essa percepção entre os investidores. Ontem, ele defendeu uma alta nos juros caso a inflação americana não desacelere “o suficiente”.

Para economistas do Citi, escalada de tensão dos últimos dias tornou mais difícil o caminho para uma solução no Oriente Médio

No Oriente Médio, os EUA lançaram novos ataques ao Irã, com alvos próximos ao Estreito de Ormuz, levando os preços do petróleo, os rendimentos dos Treasuries e o dólar às máximas do dia. A imprensa iraniana informou que Teerã pretende responder aos ataques, e o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu uma ofensiva ainda maior em caso de retaliação.

O republicano também afirmou posteriormente, em uma entrevista à Fox, que o acordo firmado com o Irã em junho “não vale o papel em que foi escrito”. A perspectiva de que um acordo de paz poderia ser alcançado em breve já vinha esfriando entre os agentes financeiros desde a semana passada, em meio a relatos de que a Casa Branca não estaria interessada em retornar aos termos do memorando de entendimento firmado em junho.

No fechamento, o petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em novembro teve alta de 4,60%, cotado a US$ 94,65 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (referência americana) com entrega prevista para outubro subiu 5,20%, a US$ 90,22 por barril.

O Citi acredita que o conflito no Oriente Médio deve continuar por meio de um padrão recorrente de negociações, acordos provisórios e novas escaladas de tensões. “Em nossa visão, a escalada dos dias 30 e 31 de agosto tornou mais difícil o caminho para uma solução diplomática”, observam os economistas Ilker Domac e Gultekin Isiklar em relatório. “Os acontecimentos até o momento sugerem que uma solução duradoura pode ser difícil de alcançar no curto prazo. Embora ambos os lados tenham incentivos para manter o diálogo, suas posições sobre as questões centrais continuam muito distantes.”

O avanço nos rendimentos dos Treasuries e a maior percepção de risco entre os investidores pesou sobre o desempenho das bolsas de Nova York, que ficaram no vermelho. O índice Dow Jones fechou em queda de 0,79%, aos 52.766,88 pontos; o S&P 500 recuou 0,71%, aos 7.631,47 pontos; e o Nasdaq cedeu 1,03%, aos 26.099,774.

AGRÍCOLA

CNN Brasil - SP   02/09/2026

A agropecuária brasileira cresceu 6,8% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, o setor avançou 2,8%, na série com ajuste sazonal.

O desempenho do campo ficou bem acima do resultado da economia brasileira como um todo. O PIB nacional cresceu 2% em relação ao segundo trimestre de 2025 e 0,5% na passagem do primeiro para o segundo trimestre.

Com o resultado, a agropecuária acumula alta de 3,6% no primeiro semestre de 2026, ante o mesmo período do ano passado. Considerando os quatro trimestres encerrados em junho, o crescimento do setor chega a 6,2%.

Em valores correntes, o agro vale R$ 204,6 bilhões, segundo o IBGE.

O crescimento da agropecuária no segundo trimestre ganha relevância diante da sazonalidade da produção agrícola brasileira. O primeiro trimestre costuma concentrar uma parcela importante da colheita da soja, principal cultura agrícola do país e um dos produtos de maior peso no resultado do setor. Por isso, é comum que o desempenho da agropecuária seja mais forte nos primeiros três meses do ano. Ainda assim, o setor avançou 2,8% no segundo trimestre ante o primeiro, segundo o IBGE.
Soja e café puxam resultado

Segundo os dados de produção agropecuária do IBGE, o desempenho do setor no segundo trimestre foi determinado principalmente por produtos da lavoura que tiveram aumento da estimativa de produção anual e ganho de produtividade.

Entre os destaques estão a soja, com crescimento estimado de 5,3% na produção, e o café, com alta de 15,1%.

Esses resultados mais que compensaram o desempenho de culturas com produção menor ou estável no período. O arroz recuou 11,3%, enquanto o algodão caiu 6,7%. A produção de milho ficou estável, segundo os dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE) citado pelo instituto.

Além da agricultura, o IBGE destacou também o bom desempenho da pecuária como fator para o crescimento do setor.
Agro cresce mais que a economia

O desempenho da agropecuária chama atenção pela diferença em relação aos demais setores da economia. Enquanto o campo avançou 6,8% em um ano, a indústria cresceu 1,5% e os serviços, 1,5%.

Na comparação com o trimestre anterior, a diferença também foi significativa. A agropecuária cresceu 2,8%, ante alta de apenas 0,1% da indústria e 0,2% dos serviços.

Com isso, o setor foi o principal destaque pelo lado da produção no segundo trimestre.
Crescimento do agro perde força no semestre

Apesar do desempenho forte no segundo trimestre, a taxa acumulada no primeiro semestre, de 3,6%, mostra que o ritmo do setor é menor do que o registrado em 2025.

No ano passado, a agropecuária teve expansão excepcional de 11,7%, contribuindo de forma importante para o crescimento da economia brasileira.

A comparação de 2026 ocorre, portanto, sobre uma base elevada. Ainda assim, o setor mantém crescimento e continua apresentando desempenho superior ao PIB nacional.
Agro acumula alta de 6,2% em quatro trimestres

Considerando os quatro trimestres encerrados em junho, a agropecuária acumula crescimento de 6,2% frente aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

O resultado do setor nessa métrica ficou muito acima da indústria, que avançou 1,4%, e dos serviços, com alta de 1,7%.

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