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Marcas chinesas já lideram vendas de carros de passeio no Brasil e podem chegar a 35% em 2032

O Estado de S.Paulo - SP   04/09/2026

As marcas chinesas avançaram de modo absolutamente avassalador no mercado brasileiro. No acumulado até julho de 2026, 21,4% dos carros de passeio emplacados em nosso mercado são de fabricantes do país asiático. Assim, se tornaram a maior origem individual do segmento.

A participação chinesa cresceu mais de 40 vezes nos últimos 10 anos. Em 2016, em um período de veículos de qualidade duvidosa e IPI elevado, apenas 0,5% dos carros de passeio licenciados no Brasil eram do país asiático.

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Os números fazem parte do estudo Mercado dos Veículos Chineses no Brasil, elaborado pela K.Lume Consultoria Automobilística. O levantamento classifica os carros de passeio pelo chamado DNA de marca.

Desse modo, a origem considera é a da fabricante, e não necessariamente o país onde o automóvel é produzido. Ou seja, se um carro de marca chinesa é feito no Brasil ele segue fazendo parte da ala chinesa.

Seguindo os mesmos critérios, as marcas alemãs aparecem na segunda posição, com 19,5%, seguidas pelas norte-americanas, com 16,5%. Japão, Itália, Coreia do Sul e França completam a divisão, com 13,8%, 12,9%, 8,5% e 6,6%, respectivamente.

Crescimento mudou o mapa do mercado

A fotografia de 2026 é muito diferente da observada dez anos antes. Em 2016, os fabricantes de origem norte-americana lideravam, por exemplo, com 31,3% das vendas. Vale frisar que, à época, a Ford ainda fabricava seus produtos no Brasil.

As fabricantes japonesas, por sua vez, detinham 20,5%. A título de comparação, naquele período a China ainda ocupava posição irrelevante, equivalente a 0,5% dos emplacamentos.

Segundo o levantamento da K.Lume, desde então, a participação das marcas norte-americanas recuou 14,8 pontos percentuais. As japonesas também sofreram e perderam 6,7 pontos, enquanto francesas e sul-coreanas também encolheram. A ascensão chinesa ocorreu justamente sobre o espaço antes ocupado por essas montadoras tradicionais.

O movimento ganhou velocidade a partir de 2022, período classificado pela K.Lume como a terceira onda chinesa no Brasil. Ao contrário da primeira onda, marcada por carros baratos, qualidade irregular e operações pouco estruturadas, a fase atual tem como pilares eletrificação, tecnologia embarcada, os preços agressivos e os investimentos industriais.

BYD, GWM, GAC, Geely, Omoda Jaecoo e Leapmotor, por exemplo, passaram a conquistar clientes com seus produtos que combinam motores elétricos ou híbridos, grandes centrais multimídia, sistemas de assistência ao condutor e equipamentos e acabamento que antes apareciam apenas em modelos mais caros. Ao mesmo tempo, grupos chineses compraram fábricas desativadas, formaram parcerias locais ou anunciaram produção em instalações de fabricantes tradicionais.
Um em cada três carros chineses no Brasil em 2032

O estudo considera que o crescimento continuará, embora em ritmo inferior ao observado na fase de entrada. No cenário central, as marcas chinesas, projeta a K.Lume, alcançam cerca de 35% do mercado brasileiro em 2032. A faixa projetada fica entre 33% e 36%, com a possibilidade de picos superiores a esse patamar em determinados períodos.

Desse modo, um em cada três veículos comercializados no Brasil serão de uma marca chinesa em 2032. Considerando um mercado anual de cerca de 3 milhões de unidades, o volume chegaria a aproximadamente 1,05 milhão de emplacamentos.

Em um cenário de expansão acelerada, a participação poderia encostar em 40%, ou 1,26 milhão de veículos dentro de um mercado total de 3,15 milhões. Bom salientar que mesmo no cenário mais conservador, de retração e saída de algumas empresas, as marcas chinesas ainda responderiam por aproximadamente 27,5% das vendas, com cerca de 825 mil unidades.

Em 2025, foram emplacados 241.039 veículos de DNA chinês. A projeção central para 2032, portanto, representa um crescimento de aproximadamente 336%, enquanto o mercado brasileiro avançaria entre 18% e 25% no mesmo intervalo.
Mais marcas não significam mais vencedores

O aumento da participação, porém, não significa que todas as fabricantes recém-chegadas conseguirão se estabelecer. Desde janeiro de 2025, pelo menos 16 marcas e submarcas chinesas desembarcaram no Brasil. Outras já preparam a entrada, mas o próprio mercado chinês mostra que o volume tende a ficar concentrado em poucos grupos.

Na avaliação da consultoria, empresas como BYD, GWM, Geely, Chery e SAIC partem em vantagem por reunirem escala global, capital para sustentar a expansão e domínio de tecnologias estratégicas. Fabricantes menores precisarão bancar homologação, logística, peças, treinamento, rede de concessionárias, sistemas digitais e atendimento em um país continental sem contar com o mesmo volume.

A próxima etapa da disputa, portanto, será menos definida pela quantidade de logotipos novos nas concessionárias e mais pela capacidade de permanecer no país. Produto e preço abriram a porta. Rede, peças, pós-venda, valor de revenda e confiança decidirão quais fabricantes transformarão participação em uma operação de longo prazo.

Fonte: https://www.estadao.com.br/jornal-do-carro/marcas-chinesas-ja-lideram-vendas-de-carros-de-passeio-no-brasil-e-podem-chegar-a-35-em-2032/?srsltid=AfmBOop54rR8oacGyismqEXOQMct_4aack5odSXO9Vqdol2fIQajAquB

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