Portal Fator Brasil - RJ 24/08/2026
Empresa patrocina o maior evento de mineração do país, integra painel sobre financiamento circular e apresenta projetos socioambientais que transformam rejeitos em arte e empreendedorismo comunitário.
A ArcelorMittal, maior produtora de aço no Brasil e líder no mercado global, marca presença na Exposibram, realizada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) no Expominas, em Belo Horizonte, entre os dias 24 e 27 de agosto(segunda a quinta-feira). O encontro reúne as principais mineradoras globais, fornecedores, pesquisadores e autoridades governamentais. Além de patrocinadora, a empresa participará de um debate técnico e apresentará iniciativas pioneiras de economia circular e responsabilidade social.
A participação da ArcelorMittal na Exposibram 2026 contará com a presença da Cerâmica USSU e do Coser, iniciativas apoiadas pela empresa que promovem qualificação, empreendedorismo e geração de renda para mulheres da comunidade de Pinheiros e região, em Itatiaiuçu (MG). A Cerâmica USSU utiliza rejeitos da mineração em esmaltes para a produção de peças artesanais, enquanto o Coser dá nova vida a uniformes em desuso, transformando os tecidos em novos produtos e promovendo a economia circular.
Nesta edição da feira, os dois projetos terão um papel especial: todos os painelistas receberão um kit produzido pelas integrantes da Cerâmica USSU e do Coser. O kit é composto por três cumbucas de cerâmica e uma sacola confeccionada a partir do reaproveitamento de uniformes da ArcelorMittal.
Além dos brindes, as duas iniciativas estarão presentes na área de projetos sociais da Exposibram, com estandes para comercialização de suas peças. O público poderá conhecer de perto a Cerâmica USSU e o projeto Coser, suas histórias e os produtos desenvolvidos pelas participantes, ampliando a visibilidade dos projetos e criando novas oportunidades para a comercialização de suas produções.
A ArcelorMittal também estará presente na programação técnica do evento. A empresa participa do painel “Financiamento Circular: como alavancar negócios circulares na utilização de rejeitos na mineração”, dia 26 de agosto(quarta-feira), às 15h50. Pedro Henrique Borges, analista de desenvolvimento de coprodutos da ArcelorMittal, abordará as iniciativas da da empresa para a transformação de resíduos em novos ativos econômicos e sustentáveis.
ArcelorMittal Brasil — Maior produtor de aço no Brasil e líder no mercado global, o Grupo ArcelorMittal tem cerca de 125 mil empregados, sendo 20 mil na operação brasileira. No país, a empresa tem unidades industriais em oito estados (MG, ES, RJ, SC, CE, BA, SP e MS), além da maior rede de distribuição e do portfólio mais diversificado do setor de produtos e soluções em aço. Foi a primeira empresa das Américas a obter o ResponsibleSteel, uma das certificações em ESG mais respeitadas no mundo, o que reforça o propósito de produzir aços inteligentes para as pessoas e o planeta. As plantas brasileiras têm capacidade de produção anual de 15,5 milhões de toneladas de aço bruto e de oito milhões de toneladas de minério de ferro e atendem às indústrias automobilística, construção civil, eletrodomésticos, óleo e gás, máquinas e equipamentos, dentre outras. A empresa atua, ainda, em autogeração de energia renovável, produção de carvão vegetal e tecnologia da informação. Ao unir sustentabilidade, segurança, inovação e qualidade, a ArcelorMittal impulsiona o desenvolvimento social e econômico do país e dos brasileiros. Nas áreas sociais e de saúde, o Grupo mantém a Fundação ArcelorMittal, com iniciativas que já impactaram mais de 11 milhões de pessoas em 38 anos de história, e a Abertta Saúde, operadora de autogestão em saúde exclusiva para empregados e familiares, com atendimento a aproximadamente 58 mil pessoas.
Valor - SP 24/08/2026
NB.ON foi desenvolvida por mais de uma década e ajuda siderúrgicas a definir teor de nióbio ideal na fabricação de aço; ferramenta também contribui para redução das emissões
Principal produtora mundial de nióbio, a CBMM aproveita os atuais holofotes globais sobre os minerais críticos e usa a tecnologia para ampliar os usos do mineral que extrai e processa e para estreitar laços com clientes. A empresa desenvolveu a NB.ON, uma plataforma digital integrada capaz de simular processos produtivos complexos, prever propriedades dos aços e identificar oportunidades de otimização de custos, produtividade, qualidade e sustentabilidade ao longo da cadeia produtiva.
A ferramenta permite que clientes siderúrgicos encontrem a mistura ideal de nióbio na produção de aço de cada unidade produtiva, obtendo expressivos ganhos com redução de custos e menores emissões de gases de efeito estufa. A plataforma está em desenvolvimento há 12 anos dentro do programa de pesquisa e desenvolvimento da CBMM, que investe entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões anuais em seu programa de tecnologia. José Bacalhau, gerente executivo de desenvolvimento de mercado, explica que a ferramenta é disponibilizada de forma gratuita aos clientes.
“[A plataforma] é oferecida para parceiros, para clientes que querem ter projetos colaborativos para entender melhor o custo do nióbio e como o nióbio pode contribuir para redução de custo, para a atividade e para a redução de emissões”, explica Bacalhau, acrescentando que a NB.ON contribui com o plano da CBMM para expandir o mercado de nióbio.
O executivo destaca que os clientes conseguem quantificar a economia financeira. Segundo ele, alguns parceiros conseguem reduzir custos entre US$ 2 a US$ 5 por tonelada de aço produzida.
Bacalhau diz ainda que também é possível mensurar o nível de redução de emissões obtido com o uso de determinadas quantidades de nióbio. O uso da ferramenta nas aciarias siderúrgicas contribuiu para que alguns clientes da CBMM obtivessem uma redução de 2% a 5% nas emissões, sem a necessidade de investimentos em novos equipamentos.
A CBMM tem atualmente mais de 500 clientes em 50 países e produziu no ano passado, último dado disponível, 100 mil toneladas de ferronióbio equivalente, 4,7% a mais que em 2024. A receita da empresa foi de R$ 15,7 bilhões no ano passado, alta de 11,3% ante o ano anterior, enquanto o lucro líquido somou R$ 6,4 bilhões, um crescimento de 25,5% frente a 2024. Os investimentos em tecnologia em 2025 foram de R$ 239 milhões.
A NB.ON é utilizada hoje por 58 clientes da companhia e Bacalhau ressalta que, apesar de ser desenvolvida há 12 anos, desde que a inteligência artificial passou a avançar de forma mais consistente no pós-pandemia, a ferramenta ficou “mais robusta”.
“Através da plataforma e com a previsão de comportamentos futuros, a siderúrgica consegue ser mais competitiva. A gente sabe que siderúrgicas tem margens mais apertadas. A ferramenta consegue aumentar a competitividade das siderúrgicas”, diz Bacalhau.
A CBMM produz diversos produtos a partir do nióbio produzido em Araxá (MG). Fundada em 1955, a companhia concentra entre 75% e 80% da extração e refino do mineral do planeta. Ao longo dos anos, os investimentos em tecnologia permitiram a fabricação de produtos além do ferronióbio standard e do nióbio metálico. Atualmente a CBMM produz óxidos de nióbio para baterias e para aplicações óticas; óxido hidratado (com aplicação na síntese de catalisadores para a indústria química); oxalato amoniacal de nióbio (também usado na indústria química, além para criação de cerâmicas e vidros especiais); e ferronióbio e níquel-nióbio (ligas utilizadas em motores de aeronaves e turbinas para geração elétrica).
Globo Online - RJ 24/08/2026
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirmou que se reunirá na próxima semana com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, para discutir o tarifaço aplicado pelos americanos sobre produtos do Brasil. De acordo com o ministro, após o telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, na manhã desta sexta-feira, Greer entrou em contato para buscar uma agenda com o brasileiro.
— O embaixador Greer fez contato ao término da ligação, dizendo que após a conversa dos dois presidentes ele gostaria de marcar uma reunião — disse o ministro ao GLOBO.
Segundo Elias Rosa, ficou acertado que eles buscarão uma agenda na próxima semana, por videoconferência, para restabelecer as negociações.
— Vejo isso como um bom sinal porque precisávamos, de fato, retomar as negociações, era isso o que o Brasil sempre buscou, trazer ele de volta à mesa— diz o ministro.
Lula e Trump se falaram na manhã desta sexta numa conversa de mais de uma hora de duração e com tom “cordial”. Na ligação, falaram sobre as taxas aplicadas pelo país americano. Segundo nota divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) "são infundadas".
O governo brasileiro tem defendido essa linha nas mesas de negociação desde o começo desse processo. A avaliação é que essas medidas têm teor político, e aliados do presidente da República têm denunciado a atuação de adversários políticos, como Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, para provocar essa taxação.
Na semana passada, o governo brasileiro informou ter notificado os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade em razão do tarifaço imposto aos produtos do país. O Brasil foi atingido por duas tarifas pela gestão de Donald Trump: uma de 25%, específica para o país, e outra de 12,5%, que atinge também outras nações.
As taxas se somam, embora haja exceções para determinados produtos da pauta exportadora. A avaliação do entorno petista, no entanto, é que esse processo não avance neste ano. Eles defendem cautela para não tomar decisões precipitadas.
A tarifa adicional de 25% imposta pelos EUA a parte dos produtos brasileiros exportados para aquele país começou a valer no dia 22 de julho. De acordo com Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida atinge 15% do volume exportado para os EUA em 2025, ou US$ 5,8 bilhões, sendo que os setores mais impactados são madeira, móveis, máquinas e equipamentos, calçados, produtos cerâmicos e açúcar.
Esse novo tarifaço foi adotado após uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), órgão responsável pela política comercial do país, sobre supostas práticas “desleais” do Brasil que prejudicam as empresas americanas.
A administração de Donald Trump citou, por exemplo, o Pix, o desmatamento, corrupção, entre outros argumentos — todos rebatidos pelo governo brasileiro.
O Brasil foi atingido ainda por uma sobretaxa foi aplicada sob a alegação de, junto com outras 59 nações, falham em barrar a entrada de importações fabricadas com trabalho forçado – 54 foram tarifados em 12,5% e outros seis com 10%. Os argumentos também são rechaçados pela gestão Lula.
O Estado de S.Paulo - SP 24/08/2026
A cada novo governo ou nova crise, a infraestrutura ressurge como uma espécie de panaceia para turbinar o crescimento econômico e o bem-estar da população. Mas, apesar dos grandes avanços no setor nos últimos anos, o volume de investimentos ainda está aquém do necessário para que ele possa ser considerado moderno, eficiente e capaz de sustentar o desenvolvimento do País. Hoje, o Brasil investe cerca de metade do que seria necessário para superar esse déficit e modernizar a infraestrutura.
Mudar esse cenário não tem se mostrado trivial. O País esbarra em uma combinação de restrições fiscais, burocracia, projetos mal estruturados e insegurança jurídica (embora os marcos regulatórios tenham passado por importantes aprimoramentos nos últimos anos). Na semana passada, no quarto encontro do Brasil Adiante, evento promovido pelo Estadão com a curadoria de Fábio Barbosa, especialistas tentaram apresentar caminhos para resolver essas dificuldades.
Cortes nas emendas para elevar investimento em infraestrutura
Um consenso entre as medidas apresentadas pelos debatedores está relacionado ao avanço das emendas parlamentares nos últimos anos. O presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Venilton Tadini, classificou como um “escárnio para a sociedade” o fato de o Orçamento federal destinar cerca de R$ 60 bilhões para emendas parlamentares (sem critérios técnicos definidos) contra apenas R$ 20 bilhões para infraestrutura.
O investimento público é determinante, por exemplo, para ampliar as Parcerias Público-Privadas (PPPs). Em alguns empreendimentos, a viabilidade do projeto precisa de uma contrapartida do Estado para ser rentável à iniciativa privada. Mas, se o governo não tem dinheiro, não tem como dar essa contrapartida nem tocar uma obra sozinho. Para resolver essa questão, Tadini propôs cortes profundos nas emendas, em renúncias fiscais e em “penduricalhos” (privilégios corporativos) para abrir espaço fiscal e priorizar investimentos públicos estruturantes.
Lista tríplice e sabatina para agências reguladoras
Hoje mais de 80% dos investimentos do setor são feitos pela iniciativa privada — e isso é um reflexo das melhorias no ambiente regulatório. Mas um fator que é ponto de incerteza para os investidores é o aparelhamento e enfraquecimento das agências reguladoras — um problema que perpassa governos e ideologias.
Para mitigar as indicações puramente políticas, Gesner Oliveira, sócio da GO Associados, propôs substituir as exigências genéricas de nomeação (simplesmente baseada em reputação ilibada, notório saber ou qualquer coisa genérica) por quesitos altamente específicos e detalhados. Além disso, sugeriu a adoção de listas tríplices para a escolha de diretores que passem por sabatinas reais e rigorosas no Senado.
Leilões para alocar recursos em grandes fundos
No aspecto do financiamento, um ponto crítico no Brasil, uma das sugestões dadas para ampliar o crédito é aumentar a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como cofinanciador e coinvestidor com o mercado de capitais e bancos privados.
A diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, propôs a adoção de leilões ou chamadas públicas do banco para alocar recursos em grandes fundos de infraestrutura.
O modelo, diz ela, replica a bem-sucedida chamada recente realizada para fundos de clima (que atraiu grandes gestores globais como a Brookfield e a Generation), em que o BNDES entra com 25% de capital próprio e o gestor privado capta os 75% restantes.
Fundo para investimento em ferrovias
Essas soluções podem ajudar a tirar uma série de projetos do papel, como, por exemplo, as ferrovias. Há décadas o Brasil tenta aumentar a malha ferroviária, mas, na prática, o que tem ocorrido é exatamente o contrário. A malha ferroviária encolheu ao longo dos últimos anos, com centenas de quilômetros de trilhos desativados.
O governo Lula tenta tirar do papel uma carteira bilionária de projetos ferroviários. Desta vez, são oito leilões até 2027, abrangendo mais de nove mil quilômetros de extensão e um volume estimado de R$ 140 bilhões em investimentos.
Uma das alternativas em discussão para destravar os novos investimentos é criar um fundo com recursos obtidos nas renegociações e prorrogações de contratos de concessão existentes. A ideia é usar as outorgas pagas pelas concessionárias como contrapartida para investimentos públicos em projetos como a Ferrogrão e a Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste).
A falta dessa contrapartida é um dos principais obstáculos à estruturação de PPPs ferroviárias, segundo Tadini. Para viabilizar esses projetos, seria necessário garantir recursos no Orçamento e incluí-los no PPA, permitindo investimentos de longo prazo.
A ampliação da malha ferroviária também é apontada como essencial para aumentar a competitividade da indústria brasileira, reduzindo o peso dos custos logísticos e permitindo maior transporte de cargas de maior valor agregado, além de commodities. Mas, a exemplo das agências, a expansão ferroviária é uma discussão que dura décadas.
Seguro para saneamento
No setor de saneamento, o último a ter um marco regulatório importante, os investimentos dobraram nos últimos anos. Mas, ainda assim, especialistas acreditam que o País não conseguirá cumprir o prazo para universalizar os serviços de água e esgoto até 2033. Gesner Oliveira propõe, por exemplo, criar mecanismos financeiros e regulatórios para aumentar a capacidade de investimento e reduzir riscos.
Para ele, há algumas soluções de mercado interessantes que podem atacar problemas reais da infraestrutura. Um exemplo é engajar a indústria de seguros na questão da mudança climática, criando um tripé entre saneamento ambiental, seguros — sobretudo os paramétricos — e securitização.
Gesner diz que hoje a proteção é muito baixa: a maioria dos municípios não conta nem com um plano diretor de drenagem e a penetração de seguros contra eventos climáticos ainda é pequena no Brasil. Em outros países, como Estados Unidos e nações europeias, a cobertura para esses riscos é muito mais ampla, diz Gesner.
Ele destaca que, nesse modelo, investimentos em infraestrutura, como água de reúso, podem reduzir a exposição e os danos provocados por secas, diminuir o risco para as seguradoras e, consequentemente, reduzir o prêmio dos seguros. Essas apólices, por sua vez, podem servir de lastro para operações de securitização e atrair diferentes fontes de recursos, incluindo investimentos privados, fundos verdes e capital filantrópico.
O papel do Estado, nesse caso, não é necessariamente financiar toda a solução, mas criar uma regulação adequada e um ambiente seguro para que esses mecanismos de mercado possam funcionar e mobilizar investimentos para a infraestrutura.
Base capaz de sustentar o crescimento
No ano passado, o Brasil investiu R$ 280 bilhões em todo o País, entre recursos públicos e privados, segundo a Abdib. Para este ano, a expectativa é de que o setor bata novo recorde de investimento, de R$ 300 bilhões (os dados não levam em conta os números do setor de óleo e gás), sendo boa parte vinda da iniciativa privada.
Mas esse volume ainda é bem inferior ao que o setor realmente precisa para mudar de patamar. No ano passado, o investimento representou 2,34% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo dados da consultoria Inter.B, para reduzir e eventualmente eliminar o déficit de serviços de infraestrutura, adotando padrões mais modernos, o País teria de colocar 5,95% do PIB em uma década.
Ou seja, o desafio continua enorme. Em um setor que reúne rodovias, ferrovias, telecomunicações, saneamento básico e energia, os avanços não ocorrem de maneira linear, e o descompasso entre as áreas ainda é significativo. Enquanto alguns segmentos conseguiram atrair mais investimentos privados, outros permanecem com déficits históricos e demandam maior atenção.
Cada área tem uma peculiaridade e exige soluções próprias, planejamento de longo prazo e capacidade de combinar recursos públicos e privados. Mais do que ampliar investimentos, será preciso melhorar a qualidade dos projetos, aperfeiçoar o ambiente regulatório e criar condições para que o capital privado assuma um papel cada vez maior. O objetivo final é construir uma base capaz de sustentar o crescimento do País e aumentar a produtividade nas próximas décadas.
IstoÉ Dinheiro - SP 24/08/2026
Efeito prolongado do juro alto, aperto nas linhas de crédito e incertezas fiscais deterioram a percepção de executivos e gestores quanto ao ritmo do PIB no segundo semestre.
O que aconteceu
Deterioração Histórica do Sentimento: O índice de confiança de investidores institucionais e líderes empresariais recuou expressivamente em agosto de 2026, atingindo patamares de pessimismo extremo em relação ao ambiente de negócios nacional.
Gargalo de Juros e Crédito Corporativo: O impacto acumulado da taxa Selic restritiva somado ao avanço da inadimplência das empresas ampliou os receios de desaceleração forte da atividade produtiva.
Investimento Defensivo por Necessidade: Apesar da desconfiança macroeconômica, corporações mantêm aportes pontuais focados estritamente em eficiência operacional e modernização, e não na expansão de capacidade.
Estratégia de Alocação em Renda Fixa e Hedges: Especialistas recomendam cautela, priorizando títulos públicos com juros reais altos, debêntures High Grade e diversificação defensiva.
A Encruzilhada da Confiança na Economia Brasileira
O ambiente corporativo e financeiro no Brasil atinge, em agosto de 2026, um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A conjunção de taxas de juros mantidas em patamares restritivos pelo Banco Central, o aperto visível na oferta de crédito privado e a persistente incerteza sobre a sustentabilidade do arcabouço fiscal azedaram o humor de executivos, analistas e gestores de fundos de investimento.
A percepção de risco ganhou força após o encerramento da safra de balanços do segundo trimestre de 2026. Os números e as teleconferências de resultados revelaram que o custo financeiro das dívidas passou a garrotear as margens operacionais de grande parte das companhias abertas brasileiras, elevando os índices de inadimplência corporativa e acendendo alertas nas mesas de crédito dos grandes bancos.
Consequentemente, o apetite por ativos de maior volatilidade na B3 enfraqueceu. Mesmo com oscilações e momentos pontuais de repique nas cotações impulsionados pelo cenário externo, o capital institucional local demonstra clara postura de retração e aversão ao risco doméstico.
O Impacto do Juro Restritivo no Balanço Empresarial
A permanência dos juros altos tem agido como um freio de mão puxado para os planos de expansão do setor produtivo. Setores dependentes do consumo de longo prazo e intensivos em capital — como o varejo de bens duráveis, a construção civil e a indústria de transformação — lideram as queixas e demonstram menor propensão a novos investimentos de grande porte (Greenfield).
Simultaneamente, o mercado observa com preocupação a dinâmica da dívida pública e a inflação de serviços, que impedem uma descompressão mais célere das curvas de juros futuras. Essa rigidez do custo do dinheiro afasta projetos de longo prazo, cujo retorno projetado deixa de superara taxa livre de risco oferecida pelos títulos do Tesouro Nacional.
Para contornar o cenário adverso, observa-se um paradoxo no meio empresarial: o avanço do “investimento defensivo”. Diferente do investimento por otimismo, quando a empresa expande para atender a uma demanda aquecida, as companhias brasileiras têm alocado recursos unicamente para corte de custos, automação de processos e manutenção de fatias de mercado frente à concorrência global.
Em cenários dominados pelo pessimismo extremo, a reação emotiva Costuma ser a principal vilã da rentabilidade do investidor. A melhor estratégia em momentos de estresse do mercado é a disciplina e a seletividade analítica:
Foco em Qualidade Corporativa (Quality Stocks): No mercado de ações, direcione os aportes para empresas consolidadas, com baixa alavancagem financeira (dívida líquida/EBITDA controlada), forte geração de caixa previsível e histórico consistente de distribuição de dividendos.
Aproveitamento das Taxas Reais do Tesouro IPCA+: A renda fixa de títulos públicos indexados à inflação (NTN-B) oferece cupom real historicamente atrativo em prazos intermediários. Trata-se de uma excelente oportunidade para garantir rentabilidade real com risco soberano.
Cuidado Redobrado no Crédito Privado: A ascensão da inadimplência corporativa exige extrema cautela na seleção de debêntures incentivas. Evite papéis do segmento High Yield (maior risco de crédito) e concentre as posições em emissões de empresas com selo High Grade (triplo A ou similar).
Proteção e Diversificação Internacional: Manter uma parcela do patrimônio em ativos dolarizados ou fundos globais atua como um hedge (proteção) indispensável contra sobressaltos fiscais ou políticos no ambiente interno.
Globo Online - RJ 24/08/2026
Os investidores esperam que Kevin Warsh, o novo presidente do Federal Reserve (Fed), esclareça sua visão sobre como o banco central dos Estados Unidos deve reagir à inflação persistente. A pergunta que não quer calar é se o Fed vai aumentar os juros em setembro para combater a alta de preços ou seguir a missão que Donald Trump deu a Warsh quando o indicou para o cargo: baixar. Até agora, o Fed de Warsh joga parado.
Os mercados financeiros dos EUA e de todo o mundo estão ansiosos pelo momento em que o enigmático Warsh discursará, na próxima sexta-feira, no encontro anual de Jackson Hole, no Wyoming, tradicional convescote de banqueiros centrais de todo o mundo. Mas não está totalmente claro se ele fará isso que os analistas esperam.
A estratégia de comunicação do presidente do Fed teve um início turbulento. Após a reunião do comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) de julho, Warsh deu poucas indicações sobre sua avaliação da economia e evitou oferecer sinalizações sobre a trajetória futura dos juros.
Os investidores interpretaram suas declarações como uma demonstração de pouca determinação em levar a inflação de volta à meta, e os rendimentos dos títulos de longo prazo posteriormente subiram para o maior nível em duas décadas.
Pela primeira vez como chefe do principal banco central do mundo, Warsh fará o discurso de abertura do Simpósio Anual de Política Econômica do Fed de Kansas City. Com os rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro americano) ainda elevados pela inflação resistente e pelas preocupações com o déficit fiscal, ele está sob pressão para agir de maneira mais parecida com seus antecessores e dar indicações mais claras sobre como o Fed poderá reagir ao longo do restante do ano.
Só que isso vai contra princípios que ele já deixou claro no início de sua gestão, há poucos meses. Com cinco grupos de trabalho criados por Warsh analisando atualmente aspectos importantes do funcionamento interno do Fed — entre eles um dedicado à comunicação —, o presidente pode simplesmente reiterar seu compromisso com a estabilidade de preços e evitar explicar como o banco central pretende alcançá-la.
Analistas tentam prever
“Warsh enfrenta uma escolha: deve aproveitar essa oportunidade de grande visibilidade para tranquilizar os mercados de que o Fed tem um plano para reduzir a inflação — algo que ele não conseguiu fazer bem em sua entrevista coletiva após a reunião de julho do Fomc? Ou deve reforçar sua cruzada para reduzir as sinalizações sobre a trajetória futura da política monetária e evitar dar qualquer indicação sobre os fatores que orientam as decisões do Fed?", analisaram as especialistas da Bloomberg Intelligence Anna Wong, Eliza Winger e Troy Durie.
"Esperamos a segunda opção, com Warsh se concentrando mais em descrever a estrutura conceitual das reformas que pretende implementar no Fed", elas respondem. "Ele provavelmente citará evidências de que as sinalizações futuras reduziram a flexibilidade da política monetária e tornaram menos claros os sinais emitidos pelos mercados."
Clima em favor de alta
Em entrevista no domingo ao programa "Face the Nation", da CBS, o presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari — um dos três dirigentes do Fed que defenderam uma alta dos juros na reunião do mês passado do Fomc — destacou sua preocupação com a possibilidade de a inflação permanecer elevada, mas evitou dizer que voltaria a defender uma elevação da taxa em setembro.
— Precisamos ver mais dados, mas não quero antecipar meu julgamento sobre a próxima reunião — afirmou. — Mas, neste momento, não estou confiante de que a inflação esteja voltando para a meta em um período curto de tempo.
Preços começam a perder força
Dados mais recentes mostraram que a inflação, embora ainda acima da meta de 2% do Fed, pode estar começando a perder força. Na quarta-feira, o governo divulgará o mais recente índice de preços das despesas de consumo pessoal (PCE), indicador de inflação preferido do Fed.
Economistas estimam que o índice de preços PCE tenha subido 3,6% em julho na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Embora isso represente a menor alta anual em quatro meses, os preços do petróleo voltaram a subir neste mês à medida que a guerra no Irã se prolonga.
O mesmo relatório deve mostrar pouca alteração nos gastos pessoais ajustados pela inflação. Entre os outros indicadores econômicos previstos para a próxima semana estão a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, na quarta-feira, e as vendas de imóveis residenciais novos em julho, na terça-feira.
Na sexta-feira, o Escritório de Estatísticas de Trabalho (BLS na sigla em inglês), órgão responsável pelas estatísticas do mercado de trabalho americano, divulgará sua revisão preliminar de referência dos dados de emprego referentes ao período de 12 meses encerrado em março.
O Estado de S.Paulo - SP 24/08/2026
Quase 70% das despesas do governo federal sujeitas ao arcabouço fiscal estão crescendo acima do teto máximo de 2,5% além da inflação em 2026, conforme levantamento do Estadão com dados do Orçamento da União.
O arcabouço impõe um crescimento real de até 2,5% ao ano na soma de todos os gastos. Quando uma despesa cresce acima do limite, outras ficam com menos verba.
Segundo especialistas, o quadro demonstra a dificuldade de rever o teto do arcabouço sem promover medidas efetivas de cortes em despesas obrigatórias.
O Ministério da Fazenda afirma que o governo tem feito esforços para reduzir o déficit nas contas públicas e o desafio atual é controlar a dinâmica dos gastos obrigatórios.
Neste ano, aproximadamente R$ 2,3 trilhões de despesas do Poder Executivo estão sujeitas ao arcabouço fiscal. Um conjunto de gastos que somam cerca de R$ 1,6 trilhão, ou seja, 68% do total, registrou um crescimento superior a 2,5% acima da inflação em comparação com 2025.
Os valores correspondem a despesas do Poder Executivo sujeitas ao arcabouço fiscal autorizadas no Orçamento.
Entre as despesas que crescem acima do limite do arcabouço, estão gastos engessados, como os benefícios previdenciários, o salário dos servidores civis da União, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), os servidores militares, o abono salarial e o piso de atenção primária à saúde.
Também há crescimentos momentâneos que o governo consegue controlar, como o Pé-de-Meia, que aumentou de R$ 1 bilhão para R$ 10,4 bilhões porque estava fora do Orçamento. Por outro lado, o Ministério da Educação quer aumentar o benefício e universalizar a bolsa para todos os estudantes do ensino médio.
No início do mandato, o governo Lula garantiu um reajuste real para o salário mínimo, com base na inflação e no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), o que também carregou os benefícios da Previdência, o abono salarial e o BPC, ajustados automaticamente com base no piso.
Em 2024, a equipe econômica aprovou um pacote fiscal limitando o ganho real do salário mínimo a 2,5% ao ano, o mesmo teto do arcabouço. Isso limitou a correção do benefício individual. A despesa total, porém, continuou crescendo mais, diante do aumento na concessão de benefícios.
Segundo Jeferson Bittencourt, ex-secretário do Tesouro Nacional e Head de Macroeconomia do ASA, não adianta propor um limite de despesas sem apresentar quem serão os “perdedores”, ou seja, quais áreas sofrerão os cortes do ajuste fiscal.
O risco, segundo ele, é repetir os erros do arcabouço fiscal, em 2023, quando o governo propôs um limite de crescimento real de 2,5% e depois não conseguiu acomodar as despesas na regra fiscal. O problema, no entanto, é que medidas concretas de corte de gastos são mais difíceis de serem aprovadas.
“Ajustes reais exigem apontar os perdedores, como cortes de benefícios e gastos ou aumento de receitas, onde a resistência do Congresso é muito maior”, afirmou Bittencourt.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem discutido um novo teto para o arcabouço fiscal, de até 1,5% ao ano, mas sem apresentar como o governo vai chegar nesse índice sem dizer onde vai cortar. Integrantes do mercado financeiro têm cobrado um ajuste fiscal depois das eleições de outubro.
“As principais despesas obrigatórias já estão crescendo bem acima do teto. O piso da educação está cerca de 11% acima do que havia sido projetado. Esse é um problema estrutural do arcabouço desde que ele foi criado”, afirma Gabriel Uarian, analista-chefe da Cultura Capital.
Para Uarian, qualquer candidato que ganhar as eleições presidenciais precisará imediatamente negociar com o Congresso um ajuste fiscal. Discutir só o limite, porém, não será suficiente, diz o especialista. “Só isso não vai resolver porque todos os gastos já crescem bem acima dos 2,5%. Mudar tecnicamente é fácil, mas fazer funcionar vai exigir decisões mais estruturais que não houve no início.”
Governo diz que tem atuado para controlar despesas obrigatórias e culpa juro alto por aumento da dívida
O Ministério da Fazenda afirmou ao Estadão que o governo tem feito esforços para reduzir o déficit nas contas públicas e o desafio atual é controlar a dinâmica dos gastos obrigatórios.
“Desde janeiro de 2023 até o final de 2025, o esforço fiscal foi da ordem de 2% do PIB no período, o que garantirá uma média de primário neste mandato bastante inferior aos dois anteriores”, disse a pasta.
O órgão afirmou que há um desafio de controlar o crescimento dos gastos obrigatórios e citou como medidas implementadas a limitação do crescimento do salário mínimo e a aprovação recente do projeto de lei complementar dos combustíveis, que incluiu uma medida para limitar o crescimento de algumas despesas obrigatórias a partir de 2027.
“O desafio atual está relacionado à dinâmica dos gastos obrigatórios e à necessidade de compatibilizar sua evolução com os parâmetros estabelecidos para o crescimento das despesas. Foi com esse intuito que, em 2024, limitamos o crescimento do salário mínimo ao arcabouço e apoiamos o PLP 114, que, na semana passada, limitou algumas vinculações de despesa também aos limites do regime fiscal sustentável”,
Para o governo, o aumento da dívida atualmente é fortemente influenciado pelos juros. Apesar disso, integrantes do mercado financeiro, o Tribunal de Contas da União e a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado vêm apontando o aumento de gastos como um dos principais fatores para a manutenção de uma taxa de juros alta no Brasil, que encarece a dívida.
“Da parte da Fazenda, o objetivo é seguir buscando maneiras e medidas que permitam garantir a justiça social, ao mesmo tempo em que se preserva a responsabilidade fiscal e se abre espaço para uma redução da percepção de risco”, disse o governo.
Valor - SP 24/08/2026
Contrato futuro com vencimento em janeiro de 2027, o mais negociado, fechou cotado a US$ 105,2
O preço do minério de ferro avançou levemente nesta sexta-feira (21) na China, em meio a uma possível recuperação da demanda, segundo analistas.
O contrato futuro do minério com vencimento em janeiro de 2027, o mais negociado na Bolsa de Dalian, fechou em alta de 0,21%, cotado a 707,5 yuans (US$ 105,2).
Analistas da consultoria Nanhua Futures afirmam, em relatório, que o preço do minério está sob pressão diante das expectativas de oferta abundante no segundo semestre do ano. Ainda assim, a cotação pode encontrar algum suporte na melhora da demanda.
De acordo com os especialistas, as taxas internacionais de frete marítimo, que subiram ligeiramente, estarão no foco e já deverão ter impacto sobre o minério de ferro.
Exame - SP 24/08/2026
Os expressivos avanços conquistados em produção, vendas e exportações de veículos em 2026 parecem não ter animado o setor como deveriam.
Balanço da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgado no início do mês revela que, entre janeiro e julho, a produção nacional subiu 8,3%, o que coloca o Brasil na segunda posição em crescimento entre os países produtores, atrás apenas da Índia, que avançou 14,5%.
Ainda de acordo com os números da representante dos fabricantes de veículos, foram 279,5 mil unidades emplacadas em julho. Maior volume do ano, corresponde a um incremento de 2,6% sobre o mês anterior e de 14,9% ante julho de 2025. Contabilizando-se os sete meses do ano, já são mais de 1,7 milhão de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus comercializados — montante 17,9% superior ao do mesmo período de 2025.
Embora no acumulado anual tenha havido um recuo de 20,8%, as vendas externas somaram 39,3 mil unidades em julho, ou 6,8% a mais do que se exportou em junho.
Se continuar assim, o mercado nacional de veículos pode ultrapassar a marca de 3 milhões de unidades vendidas pela primeira vez desde 2014, prevê a Anfavea.
Importados e estoques
O que tem incomodado as fabricantes nacionais é o desembarque de 344,1 mil veículos importados no País, volume 25,7% superior às importações nos primeiros sete meses de 2025.
"Esse volume de quase 350 mil é maior do que a produção no período da maioria das fábricas das nossas associadas, o que indica que poderíamos estar gerando mais demanda para nossas fábricas e fornecedores e, por tabela, mais empregos", reflete o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
De acordo com a Anfavea, os eletrificados tiveram participação recorde de 23,5% em julho; há um ano, elétricos e híbridos somados não chegavam a 11% das vendas. No acumulado do ano, o crescimento é de 120,8%.
Somente a China despachou 105,4% veículos a mais para o Brasil, entupindo os estoques: das 572 mil unidades acumuladas em junho, 409 mil correspondiam a importados, sobretudo chineses; no mês passado, o volume caiu para 522 mil no total, sendo 360 mil de veículos vindos de fora.
Entre janeiro e junho de 2025, os emplacamentos de carros chineses somaram 71 mil unidades. A estratégia comercial agressiva de empresas como a BYD e a chegada de novas marcas elevaram em 98,5% as vendas de carros vindos da China, somando 140,8 mil veículos entre janeiro e junho de 2026.
Recentemente, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu renovar as cotas de importação para veículos eletrificados desmontados e semidesmontados, dando mais seis meses de fôlego para as fabricantes que ainda estão montando sua estrutura industrial no Brasil.
“Os estoques elevados precisam ser analisados dentro do contexto dos últimos meses. Havia um cronograma conhecido de recomposição do Imposto de Importação, que levou a alíquota dos veículos montados e também dos SKD a 35% a partir de 1º de julho. Isso criou um incentivo para antecipação de volumes antes da mudança tributária. Ao mesmo tempo, as marcas chinesas vêm ampliando de forma bastante rápida sua presença no Brasil, com crescimento relevante das importações e do portfólio disponível”, explica Murilo Briganti, COO da Bright Consulting.
É bom ou ruim?
“Essa combinação de antecipação, crescimento acelerado das importações e estratégia de ganho de participação ajuda a explicar o nível elevado de estoque. Quando há mais oferta do que o mercado consegue absorver no mesmo ritmo, aumenta a pressão por ações comerciais, descontos e condições de financiamento mais competitivas. No curto prazo isso favorece o consumidor e eleva a concorrência, mas, se persistir, pode pressionar margens e também ter efeitos sobre o valor residual dos veículos”, acrescenta Briganti.
Para Milad Kalume Neto,da K.Lume Consultoria, além da redução do valor residual dos veículos, há outra questão preocupante decorrente dos altos estoques: “as chinesas precisarão de um pós-venda robusto para dar conta de tantos carros vendidos”.
Quinze marcas chinesas comercializam carros no Brasil atualmente – BYD, Caoa Changan, Caoa Chery, Denza, Foton, GAC, Geely, GWM, JAC, Jetour, Leapmotor, Lotus, MG Motor, Omoda Jaecoo e Zeekr –, e mais duas chegarão na próxima, durante o Festival Interlagos.
Integrante do grupo Chery International, a iCaur estreará no mercado nacional com o SUV elétrico V27, que oferece até 1.200 quilômetros de autonomia e 405 cv de potência. A conterrânea Baic terá os modelos Arcfox T1 e Arcfox T5.
Globo Online - RJ 24/08/2026
Nove montadoras anunciaram nesta sexta-feira (21) recalls que somam cerca de 4,3 milhões de veículos na China, no que é considerado o maior recall automotivo da história do país. A campanha envolve problemas relacionados às maçanetas retráteis ou aos sistemas de abertura emergencial das portas, que podem dificultar a saída de ocupantes ou o acesso de equipes de resgate após acidentes.
A Tesla responde pela maior parte do recall, com 2,98 milhões de veículos Model 3, Model Y, Model S e Model X, importados ou fabricados na China. O procedimento terá início em 25 de setembro. Também estão envolvidos veículos das montadoras Xiaomi, Leapmotor, Xpeng, Geely, Chery, Dongfeng, BAIC e FAW.
Problemas nas maçanetas
A Administração Estatal de Regulamentação do Mercado da China informou que a maioria dos recalls busca solucionar problemas relacionados às maçanetas mecânicas de emergência. Em situações de colisão grave acompanhada de falha no sistema elétrico, os dispositivos podem ser difíceis de localizar ou acionar, dificultando a saída dos passageiros e o resgate de pessoas presas no interior dos veículos.
No caso da Tesla, a solução inclui a instalação gratuita de etiquetas de advertência para indicar a localização das maçanetas e uma atualização remota de software que fará com que os vidros sejam baixados automaticamente depois que uma colisão for detectada.
O recall também inclui 2,74 milhões de veículos Model 3 e Model Y fabricados na China, produzidos entre 4 de março de 2019 e 7 de dezembro de 2025. Nesse caso, o objetivo é aprimorar o sistema de monitoramento de atenção do motorista durante o uso de recursos de condução parcialmente automatizada, como o Autosteer.
A montadora informou que disponibilizará uma atualização gratuita de software para reforçar o monitoramento por câmeras instaladas no interior da cabine, que passarão a trabalhar em conjunto com sensores de torque no volante. O objetivo é verificar com maior precisão se o motorista permanece atento e está preparado para assumir o controle da direção e da frenagem quando necessário. Veículos que não puderem receber a atualização remotamente deverão ser encaminhados a centros de serviço.
Fiscalização de elétricos
O recall ocorre em meio ao aumento da fiscalização sobre a indústria de veículos elétricos na China, maior mercado automobilístico do mundo. Pequim vem adotando regras de segurança mais rígidas enquanto as montadoras disputam consumidores em uma guerra de preços e ampliam o uso de novas tecnologias.
As maçanetas embutidas, popularizadas pela Tesla e posteriormente adotadas por diversas fabricantes chinesas, estão no centro da preocupação dos reguladores. O governo chinês anunciou em fevereiro que pretende proibir, a partir de 2027, o uso de maçanetas totalmente retráteis em veículos novos. Modelos semirretráteis, que permanecem parcialmente expostos, poderão continuar sendo utilizados.
A preocupação ganhou força após relatos de acidentes nos quais ocupantes e equipes de resgate tiveram dificuldade para encontrar ou operar os mecanismos de abertura das portas. Um dos casos que repercutiram na China envolveu um veículo elétrico da Dongfeng que bateu em um caminhão e pegou fogo. O motorista conseguiu sair, mas teve dificuldades para reabrir as portas e retirar os passageiros do veículo.
Apresentado antes das 24 Horas de Le Mans, o BMW M Concept Neue Klasse revela a nova linguagem de design da divisão M e antecipa tecnologias que deverão equipar os futuros esportivos elétricos da fabricante alemã
O design também passou a ser analisado nos Estados Unidos. Em julho, a National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), órgão federal de segurança viária americano, anunciou que começaria a elaborar uma nova regulamentação para exigir sistemas de abertura das portas que sejam mais evidentes e funcionem de maneira robusta em situações de emergência.
A Tesla enfrenta ainda processos nos Estados Unidos relacionados às maçanetas eletrônicas. Na Califórnia, familiares de dois estudantes que morreram após um acidente envolvendo um Cybertruck afirmam que os jovens não conseguiram deixar o veículo em chamas porque as portas eletrônicas ficaram desativadas e os mecanismos manuais eram difíceis de localizar. A Tesla contesta as alegações na Justiça.
Além da Tesla, Xiaomi, Leapmotor e Xpeng também anunciaram nesta sexta-feira seus maiores recalls já realizados na China. A Xiaomi convocará cerca de 390 mil veículos; a Leapmotor, 371 mil; e a Xpeng, 265 mil. Geely, Chery, Dongfeng, BAIC e FAW também participam da campanha, com volumes menores.
Exame - SP 24/08/2026
O metro quadrado de alguns dos imóveis mais exclusivos de São Paulo já alcança R$ 90 mil. O valor aparece em um dos projetos residenciais de luxo analisados pela MBbras, que identificou uma valorização de 181,3% em cerca de quatro anos e meio em um empreendimento no Jardim Europa. O levantamento analisou cinco projetos em desenvolvimento na capital paulista e mostra a valorização de ativos imobiliários associados a atributos cada vez mais escassos na cidade, como terrenos grandes, baixa densidade, vista verde permanente e serviços de hotelaria.
O destaque é o 280 ART Boulevard, na Avenida Cidade Jardim, na divisa entre o Itaim Bibi e o Jardim Europa. No empreendimento da Benx, a referência de preço por metro quadrado passou de R$ 32 mil para R$ 90 mil, uma alta acumulada de 181,3%, equivalente a uma valorização anualizada de 25,8%.
O projeto reúne uma única torre com apenas 22 residências, em um terreno de cerca de 2.984 metros quadrados. As unidades variam de 572 metros quadrados a 780 metros quadrados, além de um garden de aproximadamente 1.000 metros quadrados e uma penthouse de cerca de 1.300 metros quadrados.
Para Lucas Melo, sócio fundador da MBRAS, o mercado de luxo passou a precificar características que não podem ser facilmente reproduzidas. “O comprador de luxo não paga mais pelo metro quadrado. Paga pelo que não se refaz. Vista verde permanente, terreno grande e um prédio afastado da rua são características que São Paulo dificilmente consegue produzir novamente”, afirma.
Um dos principais elementos é a escala dos terrenos. Grandes áreas permitem maior afastamento entre as torres, jardins extensos, áreas de lazer mais completas e estruturas de bem-estar que dificilmente cabem nos lotes tradicionais da cidade.
O Reserva Cidade Jardim, da JHSF, ocupa um terreno de cerca de 20 mil metros quadrados na Marginal Pinheiros. O projeto tem quatro torres, unidades de 455 metros quadrados a 1.300 metros quadrados, heliponto, concierge 24 horas e acesso ao Shopping Cidade Jardim. A referência de preço do empreendimento passou de R$ 40 mil para R$ 78 mil por metro quadrado em dois anos e meio, uma valorização acumulada de 95%, equivalente a 30,6% ao ano, a maior taxa anualizada entre os cinco projetos analisados.
Outro projeto com terreno amplo é o Faena São Paulo, da Even, em Pinheiros. O empreendimento ocupa uma área de aproximadamente 20 mil metros quadrados e combina duas torres residenciais com um hotel de 99 quartos operado pela Accor sob a marca Faena, além de um centro cultural. A referência de preço passou de R$ 35 mil para R$ 55 mil por metro quadrado, uma valorização de 57,1%, equivalente a 19,8% ao ano.
Outro fator que ganhou peso no mercado de alto padrão é a chamada vista verde permanente. A lógica é diferente de simplesmente ter uma paisagem agradável no momento da compra. O valor está na segurança de que aquela vista dificilmente será bloqueada por novos empreendimentos.
No Jardim Europa, essa característica está relacionada à preservação do conjunto urbano dos Jardins, que possui áreas protegidas por tombamento municipal. O Arbórea Vista Jardim Europa, também da Benx e localizado na divisa com o Itaim Bibi, aposta justamente nesse atributo. O empreendimento terá uma única torre com 30 unidades, com plantas entre 484 metros quadrados e 1.102 metros quadrados. A referência de preço passou de R$ 38 mil para R$ 65 mil por metro quadrado em dois anos e meio, uma valorização de 71,1%, equivalente a 24% ao ano.
O levantamento também inclui o Edifício Capanema, nos Jardins, ainda em fase anterior ao lançamento. A referência de preço passou de R$ 35 mil para R$ 44 mil por metro quadrado em um ano e meio, uma valorização anualizada de 16,5%.
A metodologia do levantamento considera referências de valores por metro quadrado acompanhadas pela MBRAS nos cinco projetos analisados. Os percentuais representam a evolução nominal dos preços e não correspondem ao retorno líquido de investidores, pois não consideram inflação, tributos, custos de aquisição, manutenção ou venda.
Valor - SP 24/08/2026
Balneário Camboriú tem os prédios mais altos do país; Palmas vai superar SP
Uma nova leva de prédios está redesenhando o que se entende como arranha-céus no Brasil. Está em construção há um ano em Balneário Camboriú (SC) um prédio com mais de 550 metros de altura, que vai superar em ao menos 256 metros o até então maior edifício do país, erguido na mesma cidade.
Balneário Camboriú tem outras obras que disputam em altura. Também está em construção um arranha-céu de 400 metros, com lançamento previsto para novembro, e mais um prédio de igual tamanho está em fase avançada de planejamento. Um quarto empreendimento, de 300 metros, também já foi anunciado no município catarinense.
A onda não se restringe a Balneário Camboriú: o novo prédio mais alto de São Paulo será entregue neste semestre, com 219 metros. Ainda assim, é menor do que o edifício de 245 metros que uma incorporadora está erguendo em Palmas (TO), cidade de 303 mil habitantes.
A visão de arranha-céus impressiona. O arquiteto e urbanista Sergio Lessa, professor da Belas Artes, explica que a escala “monumental” desses empreendimentos replica a sensação que se tem ao entrar em uma catedral gótica. “A gente se sente superminimizado perante toda a grandiosidade do espaço, acaba transferindo um pouco essa percepção para a cidade”, afirma.
É o que acontece ao se avistar o “skyline”, a linha de prédios no horizonte, na orla de Balneário Camboriú - tanto que os prédios já viraram atração turística na cidade, contam moradores.
Mas empilhar tantos andares em um só terreno exige preparação. “Eu tenho infraestrutura adequada para atender àquela quantidade de pessoas, em termos de água, luz, internet? Tenho uma rede de transporte que atenda essa demanda?”, questiona Lessa.
É também um desafio de engenharia. Prédios com mais de 400 metros já figuram entre os mais altos do mundo e são inéditos na América Latina, cuja maior torre é a Obispado, em Monterrey (México), com 305 metros.
Pedro Lyra, coordenador do curso de Engenharia Civil do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), explica que prédios desse tamanho precisam de fundações mais profundas e demandam materiais especiais, como concreto e aço mais resistentes.
A fundação do Senna Tower, o prédio de mais de 550 metros, precisou de um sistema novo para dar certo, diante da magnitude do porte e do tipo de terreno. Stéphane Domeneghini, a engenheira responsável pela obra, da incorporadora FG Empreendimentos, conta que em vez de se fazer uma fundação mais tradicional, que demandaria cerca de 100 estacas, a empresa criou, após três anos de pesquisas, um sistema “paliteiro”, com estacas finas, porém mais numerosas e profundas. Foram usadas 800. Só a fundação já empregou concreto e aço suficientes para erguer dois prédios de 50 andares, e a obra mal saiu do nível do mar.
Domeneghini é CEO da Tall Solutions, empresa que a FG criou para assessorar a construção de arranha-céus de outras companhias. A incorporadora teve que aprender com seus erros, como quando, em 2018, a água das piscinas nas varandas de um arranha-céu começou a transbordar com o movimento do prédio, ou quando o sistema que bombeia concreto em uma obra colapsou diante da pressão e do tempo de secagem do material.
“Eles ‘patinaram’ no começo e aprenderam, buscamos eles para errar menos”, afirma Yuri Rassi, fundador e CEO da incorporadora Urban, que utilizou os serviços da Tall Solutions para criar o Haute, o prédio de 245 metros em Palmas, lançado em 2025. O valor geral de venda (VGV) é de R$ 600 milhões, cerca de 80% já comercializado.
A incorporadora Lotisa finalizou no último mês os testes de carga para a fundação do prédio de 400 metros que vai erguer em Balneário Camboriú. Com outro sistema, a empresa defende que sua fundação bateu o recorde nacional de resistência. O investimento na obra, a ser lançada em novembro, é estimado em R$ 1,1 bilhão, sem contar o terreno. O VGV previsto é de R$ 2 bilhões.
Outro desafio para prédios desse porte é resistir ao vento, mais forte conforme a altitude aumenta. Prédios altos vão balançar, “só que a gente tem que controlar”, diz Lyra.
Eu tenho infraestrutura adequada para atender àquela quantidade de pessoas?”
— Sérgio Lessa
Tanto o Senna Tower quanto o prédio da Lotisa terão estruturas de amortecimento de massa (“mass damper”). O sistema faz um contraponto ao movimento do prédio, para que o morador não o sinta. Os edifícios são predominantemente residenciais.
O vento também dita, ao menos em parte, o estilo dos arranha-céus. Em Balneário Camboriú, Nova York ou Dubai, o revestimento em pele de vidro é o mais comum, o que dá uma cara de prédio corporativo aos projetos.
“Não é por conforto, design ou sustentabilidade, é técnica. É um material que consegue dilatar e se movimentar com o prédio”, afirma Domeneghini. Lyra explica que as placas de vidro são fixadas, por meio de estruturas metálicas, diretamente nas lajes do prédio. Além de serem mais resistentes ao vento, revestimentos comuns, como argamassa e pastilhas, são desaconselhados porque poderiam cair centenas de metros abaixo.
A pele de vidro tem o lado positivo de permitir janelas que vão do chão ao teto. “Moro a 200 metros de altura e hoje eu estava acima das nuvens”, afirma Jean Graciola, CEO da FG, que vive em um dos arranha-céus da empresa em Balneário Camboriú. No entanto, são janelas que não abrem. Os apartamentos contam com pequenas janelas, secundárias, criadas para a circulação de ar. “Em todos esses prédios maiores, nenhum abre [a janela]”, afirma Fabio Inthurn, CEO da Lotisa.
Lessa confirma que esse material proporciona “uma vista maravilhosa”, mas ressalta que, a depender da orientação do imóvel, a incidência direta de sol pode demandar uso intensivo do ar-condicionado.
A FG divulga a altura do Senna Tower de forma vaga, “mais de 550 metros”, por um motivo: o prédio disputa com o Burj Binghatti, de Dubai, o título de residencial mais alto do mundo. Quando uma empresa divulga a altura do seu prédio, a outra acrescenta alguns centímetros ao seu projeto. “Não vamos revelar a altura final”, afirmou Domeneghini em visita do Valor à maquete do projeto, que tem 14 metros de altura. O atual residencial mais alto é o Central Park Tower, em Nova York, com 472 metros.
O prédio mais alto do mundo ainda é o Burj Khalifa, em Dubai, com seus 828 metros, mas o Jeddah Tower, na Arábia Saudita, promete ultrapassá-lo ao atingir 1 quilômetro. Ambos são de uso misto.
A engenheira da FG analisa que o outro empecilho para se fazer prédios ainda maiores está na capacidade dos elevadores de percorrer essas distâncias em tempo viável aos usuários, sem perder conforto. “Se você entrar em edifícios de 30 andares, dependendo do elevador, já sente um desconforto no ouvido”, afirma Lyra.
No Senna Tower, a previsão é que os elevadores percorram os 154 andares em 50 segundos. A empresa está em conversas com três fabricantes. O prédio da Lotisa fechou com a Atlas Schindler.
Uma das maiores fabricantes de elevadores, a TKE tem no Brasil máquinas que percorrem 7 metros em um segundo. Paulo Manfroi, CEO da empresa para a América Latina, explica que prédios com mais de 80 andares precisam de elevadores feitos sob medida. “Tem que fazer estudo de tráfego, de layout, de finalidade”, diz. “É outro nível de engenharia.”
Tem que fazer estudo de tráfego, de layout, de finalidade. É outro nível de engenharia”
— Paulo Manfroi
Para Domeneghini, no entanto, o maior inimigo do Senna Tower é o tempo. Prédios dessa altura equivalem a vários edifícios “comuns” empilhados, mas os compradores não querem esperar mais de uma década para ter a chave em mãos. Entre as incorporadoras e uma obra muito mais acelerada está a legislação trabalhista. “Em Dubai você pode trabalhar 24 horas [por dia] na estrutura, nós não podemos, só aí você já perde um terço do tempo”, diz.
Com essa restrição, a empresa corre para agilizar a produção de cada laje. Para cumprir o prazo de oito anos de obra, “tempo máximo” dado pela diretoria da FG, cada andar precisa ficar pronto em 4 dias, afirma a engenheira. O recorde da empresa em outros projetos foi de 5 dias. A média nacional seria de 15 dias. Na Lotisa, Inthurn estima que será feita uma laje a cada 5 dias.
Para atingir essa velocidade, o método construtivo tem que ser diferenciado, mesclando estruturas metálicas e concreto, afirma Lyra, o coordenador do IMT.
A aposta da FG é que a técnica desenvolvida poderá ser replicada em outros empreendimentos. O Haute, em Palmas, já conta com maquinário que foi importado para a fundação do Senna, afirma Rassi.
Lyra explica que arranha-céus desse porte fazem sentido econômico - já que a obra se torna muito mais cara - quando o preço da terra começa a subir demais, como é o caso de grandes metrópoles do mundo e também de Balneário Camboriú, cidade turística, pequena e estreita. “A tendência é de edifícios cada vez maiores, por causa do valor do terreno”, afirma.
Também há, sempre, um componente de marketing. A vista livre e o porte dos edifícios é chamariz para clientes de alta renda, que querem o imóvel como símbolo de diferenciação.
“A pessoa quer estar em um empreendimento de sucesso. [Ela pensa] ‘vou comprar em um prédio comum ou em um que sei que é falado no Brasil inteiro?’”, questiona Rassi, da Urban. Segundo ele, seu prédio já conseguiu atingir um valor de venda por metro quadrado 30% acima da média de Palmas.
O Senna Tower tem VGV previsto de R$ 8,5 bilhões, contando com uma área comercial com restaurantes, lojas e pista de kart. Em um ano, 29% foi comercializado. O investimento na obra, estimado em mais de R$ 3 bilhões, é dividido entre a FG e o grupo das lojas Havan. A família Senna também é sócia do projeto.
Lessa, professor da Belas Artes, lembra que há uma associação no imaginário popular entre metrópoles apinhadas de arranha-céus e desenvolvimento tecnológico, uma vez que fazer esses prédios exige aprimoramento técnico e investimento alto. “Elas acabam ficando associadas com essa questão de cidade do futuro”, afirma.
Para ele, esses prédios são positivos para as cidades quando são comerciais e concentrados em uma única região, porque fica mais fácil levar infraestrutura ao local. Já em áreas residenciais, os prédios muito altos podem fazer sombra em outros edifícios e casas, e prejudicar a insolação dos vizinhos, aponta, fator que deve ser levado em conta na hora de pensar os empreendimentos e a legislação urbanística.
A jornalista viajou a convite da FG Empreendimentos
Valor - SP 24/08/2026
A partir de novembro de 2028 todos os consumidores poderão adquirir eletricidade junto a comercializadoras
O setor de galpões logísticos vive um boom de demanda por espaço para locação e também de construção de novas áreas, com a taxa de ocupação subindo a cada trimestre. Mas um ambiente extremamente competitivo, com poucos desenvolvedores e poucos grandes ocupantes, pressiona as margens para quem constrói. É o que afirma Diego Báez, que assumiu em junho como CEO da construtora Ribeiro Caram, especializada no segmento.
Vindo da área de consultoria empresarial, onde atuou em empresas como Movile e Vivara, e com passagens também por Microsoft e PwC, Báez foi contratado para suceder Cezario Caram, fundador do negócio, que faleceu em um acidente de moto em junho do ano passado. A família de Cezario detém 70% do negócio. Os outros 30% pertencem a Sadak Leite, que era vice-presidente da construtora, assumiu como presidente em agosto de 2025 e que agora integra o conselho da holding.
Báez afirma que, apesar da sua chegada representar um desejo da família de profissionalizar a gestão, a ideia é também continuar com um estilo de negociação mais próximo dos clientes. “A cultura dele era ‘vamos fazer o trabalho para nunca precisar puxar o contrato da gaveta’”, afirma.
A construção de galpões logísticos responde por 40% dos negócios da empresa, afirma, e é visto como um gerador de caixa, mas com rentabilidade baixa. Com a taxa de juros ainda alta pressionando o custo de capital, o mercado, que está aquecido, anda concentrado em alguns poucos grandes desenvolvedores, que contam com dinheiro institucional estrangeiro.
“O logístico hoje é quase leilão”, afirma, acrescentando que sempre há quem aceite fazer obras por preço de custo. “Você mantém a empresa rodando e ganha o seu selinho lá, se você passa na [rodovia] Dutra, tem aquele galpão de 800 metros de comprimento com a nossa placa. É muito maravilhoso, mas precisa dar dinheiro em algum momento”, afirma.
Um desenvolvedor consultado pelo Valor, que pediu anonimado, relaciona as margens baixas das construtoras de galpões à entrada de “players” do setor financeiro no mercado de logística. Eles querem ganhar volume de operações rapidamente, afirma, e ter as grandes empresas de e-commerce como locatários. Para conseguir isso, aceitariam contratos com preços baixos, pressionando as construtoras, que são suas prestadoras de serviço.
Em meio ao ambiente de competição acirrada, a saída da Ribeiro Caram tem sido se especializar em projetos mais complexos, afirma Báez, com desafios técnicos, como terrenos com desníveis ou outros obstáculos naturais. “Estão acabando os bons terrenos, começaram a sobrar os lugares que são encrenca, e aí é que entra a nossa capacidade de engenharia”, afirma.
A empresa ainda quer fazer, quando algum desenvolvedor topar a empreitada, o primeiro galpão logístico de dois andares do país.
Outros 45% do faturamento vêm de projetos industriais, como a construção de fábricas. Embora com crescimento mais limitado, é ali que a empresa consegue ganhos maiores, afirma Báez.
Mas, assim como acontece com outros players do setor imobiliário, é a área de data centers que tem chamado a atenção da Ribeiro Caram, com a promessa de projetos que demandam engenharia complexa, mas que carregam um grande volume de investimento e uma alta demanda por processadores. Até o momento, a companhia fez um data center, em Barueri (SP), entregue em 2024.
“Data center e industrial são onde você vai dar lucro para o acionista, o logístico é onde você vai manter a empresa rodando”, diz o CEO.
É nessa área, ainda incipiente, que enxerga mais chance de crescimento. Para isso, trouxe um executivo ex-IBM, Denller Souza, para chefiar a área na construtora.
A aspiração da Ribeiro Caram também é conseguir entrar na fase de desenvolvimento e de prospecção de terrenos para os data centers, e não apenas na construção.
A meta de Báez é construir 500 mil metros quadrados de galpões logísticos neste ano e outros 500 mil em 2027, e quatro projetos industriais até o próximo ano. A empresa tem crescido 12% ao ano, conta, e esse patamar deve ser mantido. “Para os próximos anos, provavelmente vamos ter menos metros quadrados construídos, mas vamos ter o mesmo nível de faturamento e rentabilidade”, diz.
Se os terrenos “ruins”, acidentados, não assustam a companhia, o maior desafio tem sido conseguir contratar mão de obra, que também tem ficado mais cara, conta o executivo. A empresa tem respondido com um aumento da industrialização das obras, com mais sistemas pré-moldados, por exemplo. Báez calcula que a necessidade de mão de obra por projeto já caiu 20% nos últimos quatro anos, embora o preço da mão de obra siga subindo.
Com sua chegada, a holding tem promovido uma separação dos negócios do grupo. O objetivo era blindar os negócios dos riscos relacionados a cada atividade, conta Báez. Além da construtora, há a incorporadora Imcasa, que atua no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), e a empresa de RR Caram, de estruturas metálicas para construção.
A incorporadora ficou 50% com Leite e 50% com a família Caram, enquanto a RR Caram é dividida entre esses sócios e Ricardo Mitestainer, que tem a maior parte do negócio.
A Tribuna - SP 24/08/2026
O prazo para envio de contribuições à proposta que definirá o futuro da Malha Sul ferroviária foi prorrogado até terça-feira. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ampliou em 15 dias o período da consulta pública que discute a concessão dos corredores Paraná-Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul.
A discussão ocorre às vésperas do encerramento da atual concessão, operada pela Rumo, previsto para março de 2027. A proposta do Governo Federal prevê uma nova configuração para a ferrovia. Dos cerca de 7,2 mil quilômetros da malha atualmente concedida, aproximadamente 4,2 mil quilômetros integram os três corredores previstos para as futuras concessões.
A Malha Sul é estratégica para o transporte de cargas por conectar importantes regiões produtoras aos portos de Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS). A rede também permite a ligação ferroviária com a Argentina por Uruguaiana (RS), sendo utilizada para o transporte de produtos como grãos, fertilizantes, combustíveis e cargas industriais.
Os estudos para os três corredores preveem cerca de R$ 14,4 bilhões em investimentos. O maior volume está concentrado no corredor Paraná-Santa Catarina, com aproximadamente R$ 6,9 bilhões, seguido pelo Mercosul, com R$ 4,5 bilhões, e Rio Grande, com R$ 3 bilhões.
Antes da prorrogação do prazo, a audiência pública teve sessões presenciais entre 16 e 31 de julho em Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis. Segundo o Ministério dos Transportes, os encontros reuniram 665 participantes e 249 inscritos para manifestações orais.
As contribuições podem ser encaminhadas pelo sistema ParticipANTT, até terça-feira, neste link As sugestões serão analisadas pela ANTT e poderão resultar em ajustes nos estudos e nas minutas de edital e contrato.
Valor - SP 24/08/2026
Setor ferroviário lista de dez compromissos que gostariam de ver assumidos pelos candidatos
Aposta para elevar a competitividade das commodities exportadas pelo Brasil, a expansão da malha ferroviária com participação da iniciativa privada consta do programa dos cinco principais candidatos à Presidência da República. No ano passado, as empresas investiram o recorde de R$ 15 bilhões em ferrovias no país. É mais do que os R$ 13,4 bilhões que o Ministério dos Transportes teve para investir em todos os modais no mesmo período.
Apesar dos valores recordes, apenas 20% das cargas brasileiras são transportadas em trem. A meta estabelecida há anos pelo governo e empresas é chegar a 35%.
Nesta semana, a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), que representa as concessionárias, pretende entregar aos candidatos um documento em que lista dez compromissos que gostaria de ver assumidos para ampliar o transporte por trens.
“A gente sabe, por óbvio, que o compromisso de um novo governo é de quatro anos, mas entende que ele pode, sim, plantar sementes e deixar estruturas que perpassem esse período”, disse ao Valor o diretor-presidente da ANTF, Davi Barreto.
Entre eles, está o aumento da participação de recursos públicos nos investimentos do setor. Os recursos orçamentários poderiam ser utilizados para viabilizar investimentos que não se sustentariam apenas com a cobrança de tarifas, num esquema de parcerias público-privadas (PPPs). “Acho que a ferrovia depende de uma PPP real, pois o setor privado sozinho não vai resolver esse problema”, afirmou Barreto.
Essa é também a opinião de Roberto Guimarães, diretor da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib). “Como os investimentos no setor ferroviário são intensivos em capital, com fluxo de caixa negativo em muitos anos, faz-se necessário alocar recursos públicos para complementar os privados de forma a tornar o investimento viável”, avaliou.
A participação do setor público tem sido um gargalo, na sua visão. “É preciso abrir espaço nos orçamentos para a alocação de recursos nessas PPPs, de forma perene e com garantia de continuidade do programa nos médio e longo prazos”, disse Guimarães. “Talvez seja necessário um fundo garantidor.”
A proposta não destoa da visão do atual governo. Como mostrou o Valor em 5 de agosto, uma novidade do Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 é o uso de recursos públicos em ferrovias, para fechar “gaps de viabilidade” no modelo PPP, segundo informou o ministro dos Transportes, George Santoro.
Entre os candidatos à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD) fala em manter um calendário permanente e previsível de leilões em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, saneamento, energia e infraestrutura social, como hospitais, escolas e iluminação pública. A previsibilidade nos leilões é um pleito permanente do setor privado.
Renan Santos (Missão) promete elevar investimentos públicos em infraestrutura, com recursos a serem liberados após uma reforma administrativa e fiscal. Além disso, quer mobilizar capital privado por meio de concessões e PPPs.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diz em seu programa que vai intensificar concessões ferroviárias em duas frentes: leilão de novos projetos e repactuação dos contratos existentes.
O programa de Romeu Zema (Novo) quer dar “destinação célere” aos trechos ferroviários que se encontram ociosos e quer implantar corredores ferroviários estruturantes, com prioridade para a Ferrogrão, Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) e Ferrovia Oeste-Leste (Fiol). As três buscam escoar commodities do centro do país para os portos.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL) fala em “destravar” a Ferrogrão e cita outros projetos, como um trem de passageiros interligando as capitais do Nordeste. Diz também que pretende concluir e expandir a Transnordestina - projeto iniciado na administração Lula 1 que enfrentou atrasos e ressalvas pelo Tribunal de Contas da União (TCU), e ainda não foi concluído.
Na área financeira, outra proposta da ANTF é a ampliação de fontes de financiamento. Isso já tem sido feito, por exemplo, com a criação de uma linha de crédito com prazo de 40 anos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o uso de recursos do Fundo da Marinha Mercante para bancar a construção de ferrovias em portos.
Mas a entidade pede, por exemplo, uso mais intensivo das debêntures de infraestrutura. Elas estão no centro de um debate entre os ministérios dos Transportes e da Fazenda, porque esse é um dos títulos isentos do Imposto de Renda que têm elevado a conta de gastos tributários e disputado mercado com os papéis do Tesouro Nacional.
Também há esforço para enquadrar linhas e vagões entre os itens que podem ser financiados pelo Fundo Clima, que atende a projetos sustentáveis. Segundo a ANTF, as emissões de carbono no transporte ferroviário são 85% menores do que no rodoviário.
No campo regulatório, a entidade propõe a autorregulação. “O próprio setor discute e define as melhores regras operacionais para que ele funcione em harmonia e o regulador exerce um papel de supervisão para que essas normas, por óbvio, não firam concorrência, não sejam normas anticompetitivas”, disse Barreto. É um modelo aplicado em países desenvolvidos, segundo ele.
Outro pilar da agenda é a segurança jurídica. Nesse capítulo, o principal ponto é o fortalecimento da Agência Reguladora de Transportes Terrestres (ANTT).
A agenda pede também um planejamento de longo prazo. O importante, aponta, é ter uma carteira de projetos de curto, médio e longo prazos sempre atualizada para que o setor privado possa se planejar.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 24/08/2026
A Randon, empresa da vertical Montadora da Randoncorp, realizou a entrega do primeiro lote de 40 vagões ferroviários que fazem parte do contrato para fornecimento de 721 unidades à Arauco Brasil.
Os equipamentos serão utilizados no transporte da celulose produzida pela futura fábrica da companhia em Inocência (MS) com destino ao Porto de Santos (SP) e, assim, contribuirá para a estruturação da operação logística do Projeto Sucuriú.
Produzidos na unidade da Randon em Araraquara (SP), os vagões são do modelo Sider FLT, desenvolvido para atender às exigências do transporte ferroviário de cargas com elevados padrões de eficiência operacional, segurança e preservação dos produtos transportados.
As unidades contam com sistema de abertura lateral total, que permite carregamento e descarregamento por ambos os lados para garantir maior agilidade às operações.
O projeto também inclui lonas com tramas de aço antivandalismo, sistema de tensionamento reforçado, divisórias internas e barrotes equipados com tecnologia que reduz a absorção de umidade. Desta forma, contribui para a manutenção da qualidade da celulose durante o transporte.
“Essa entrega reforça a trajetória de sucesso da Randon nos mercados ferroviário e rodoviário de cargas. Nossas equipes reúnem sólida expertise técnica e ampla experiência no desenvolvimento e fabricação de vagões ferroviários, o que nos permite oferecer soluções alinhadas às necessidades e aos mais elevados padrões de qualidade e eficiência”, destaca o Executive Vice President (EVP) América do Sul das verticais Autopeças e Montadora da Randoncorp, Ricardo Escoboza.
Cada vagão possui capacidade bruta total de 130 toneladas e capacidade líquida de 98 toneladas, equivalente a mais de 390 fardos de celulose. As unidades têm 23 metros de comprimento, 3,3 metros de largura e 4,28 metros de altura.
O cronograma prevê a entrega dos equipamentos em lotes mensais de 40 unidades até novembro de 2027. Conforme forem produzidos, os vagões serão enviados diretamente ao canteiro de obras da fábrica da Arauco em Inocência.
“O alto nível dos vagões adquiridos reafirma o compromisso da companhia com a preservação da qualidade da celulose produzida, garantindo que chegue aos nossos clientes de forma íntegra. Além disso, a produção dos equipamentos segue o cronograma estabelecido para que tenhamos toda a infraestrutura necessária para o transporte da celulose no início das operações da fábrica”, afirma o diretor de Logística e Suprimentos da Arauco Celulose, Alberto Pagano.
CNN Brasil - SP 24/08/2026
O Irã alertou, neste domingo (23), que embarcações acusadas de violar suas regras de trânsito no Estreito de Ormuz podem enfrentar penalidades, incluindo detenção ou confisco, sinalizando riscos potenciais para a navegação em uma das vias marítimas mais estrategicamente importantes do mundo.
Em uma série de publicações na rede social X, a PGSA (Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico) do Irã — órgão estatal — afirmou que embarcações que violarem o que descreveu como normas iranianas que regem o trânsito pelo Estreito de Ormuz poderão enfrentar "multas, apreensão ou confisco" em futuras passagens.
A autoridade recomendou aos proprietários de cargas que transportam mercadorias de ou para o Golfo Pérsico que consultem a lista de "Embarcações em Situação de Irregularidade" antes de fretar navios, a fim de evitar possíveis problemas.
"Embarcações que violarem os protocolos iranianos para o Estreito de Ormuz estarão sujeitas a restrições em futuras passagens, incluindo multas, detenção ou confisco", declarou a autoridade.
Portal Fator Brasil - RJ 24/08/2026
Primeira das 18 embarcações entra na fase final de construção no final de agosto, e concluída em outubro. O novo modal integra estratégia da Transpetro para ampliar serviços logísticos aos clientes. Segundo a companhia, a previsão é que todas devem estar em operação até fevereiro de 2028.
A Transpetro dará início à operação com transporte de bunker por barcaças neste ano, no Rio de Janeiro. A primeira embarcação entra na fase flutuante do processo construtivo até o fim de agosto e a previsão é que seja concluída em outubro. Depois do Rio de Janeiro, a companhia vai fazer o abastecimento de navios com bunker em Santos (SP) e em Belém (PA). O novo modal integra a estratégia da Transpetro para ampliar os serviços logísticos oferecidos aos clientes.
Para ingressar no modal de navegação interior (operações em águas protegidas, como rios, lagos, canais, baías e lagoas), a companhia contratou 18 barcaças junto ao Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, dez com capacidade de três mil toneladas de porte bruto (TPB) e oito de dois mil TPB. Além disso, foram contratados e 18 empurradores, que estão sendo construídos pelo estaleiro Indústria Naval Catarinense. O investimento total para as aquisições será de aproximadamente R$ 630 milhões.
Terminal Aquaviário de Ilha d’Água — De acordo com o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, a barcaça terá como base de operação o Terminal Aquaviário de Ilha d’Água, no Rio de Janeiro, e reforça a atuação multimodal da companhia, que já opera 46 terminais, 8,5 mil quilômetros de dutos e uma frota de 32 navios.
De acordo com o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, a barcaça terá como base de operação o Terminal Aquaviário de Ilha d’Água, no Rio de Janeiro, e reforça a atuação multimodal da companhia, que já opera 46 terminais, 8,5 mil quilômetros de dutos e uma frota de 32 navios.
—Esse é mais um serviço logístico que passará a ser oferecido pela Transpetro aos seus clientes. Nossa estratégia é ser cada vez mais multimodal, o que é essencial para atender os clientes num país de dimensões continentais como o Brasil. Nós estamos presentes em todas as regiões do país e, sem dúvida, estamos preparados para atender qualquer desafio de logística de petróleo, derivados e biocombustíveis —explica Bacci.
Todas as 18 barcaças devem estar em operação até fevereiro de 2028, para atuar em polos estratégicos como Rio de Janeiro (RJ), Santos (SP), Belém (PA), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS). O mercado de barcaças no Brasil movimenta aproximadamente 10 milhões de toneladas de petróleo e derivados por ano.
Dados técnicos — As barcaças, sem propulsão própria, serão movimentadas pelos empurradores, com operação sincronizada a até seis nós.
As unidades terão até 70 metros de comprimento, 16 metros de boca e 4,5 metros de calado, com possibilidade de transportar diferentes combustíveis em tanques dedicados ou segregados. Também poderão operar com energia elétrica em terra e utilizar energia solar.
Os empurradores, responsáveis pela manobra do conjunto, terão até 18,7 metros de comprimento, 9,2 metros de boca, 3,7 metros de calado e potência de 450 kW, com tração de até 13 toneladas e autonomia de cinco dias de navegação contínua. As embarcações contam com tecnologias que ampliam a precisão das operações, sobretudo em áreas restritas.
Transpetro — Operando 46 terminais (25 aquaviários e 21 terrestres) cerca de 8,5 mil quilômetros de dutos e 32 navios, a Transpetro é a maior subsidiária da Petrobras. A empresa é a maior companhia de logística multimodal de petróleo, derivados e biocombustíveis da América Latina.
A Transpetro presta serviços a distribuidoras, à indústria petroquímica e demais empresas do setor de óleo e gás. A carteira da subsidiária da Petrobras conta com mais de 130 clientes.
Portos e Navios - SP 24/08/2026
A Belov realizou, na última segunda-feira (17), em seu estaleiro em Simões Filho (BA), o batimento de quilha do Belov Arembepe, novo SDSV (embarcação de apoio a mergulhos rasos) que está sendo construído para integrar a frota da companhia. A etapa de início da montagem estrutural da embarcação dá sequência ao avanço do projeto do Belov Arembepe, cujo primeiro corte do aço do casco (CN038) foi realizado em abril deste ano, quando a construção foi iniciada. A entrega está prevista para o segundo semestre de 2027.
O Belov Arembepe será uma embarcação gêmea dos SDSVs Belov Humaitá e Belov Amaralina, ambos do modelo Robert Allan RAlly 4000, e contará com classificação da sociedade classificadora RINA. São embarcações com 40,50 metros de comprimento, 10,98 metros de boca moldada, 3,85 metros de pontal moldado e 2,88 metros de calado. O Arembepe foi projetado para operar com 4 geradores de 565 kW (e um gerador de emergência de 96 kW), três hidrojatos de 520 kW e 3 propulsores de túnel de 150 kW.
A construção da embarcação integra o projeto de expansão da frota da Belov e está relacionada aos novos contratos firmados com a Petrobras. Ao todo, são oito contratos, com prazo de quatro anos, envolvendo o afretamento e a prestação de serviços com quatro embarcações SDSV voltadas ao apoio a operações de mergulho raso de até 50 metros e atividades com ROV (Remotely Operated Vehicle). Os acordos somam R$ 2,7 bilhões.
As embarcações serão empregadas em serviços de inspeção e manutenção de plataformas offshore da Petrobras ou de unidades por ela contratadas. Além do Belov Arembepe, os contratos envolvem as embarcações Belov Humaitá, Belov Amaralina e Cidade Ouro Preto.
A cerimônia de batimento de quilha contou com a presença do ministro de Portos e Aeroportos (MPor), Tomé Franca, além de representantes de governo, das autoridades portuária (Codeba) e marítima, da Caixa Econômica Federal, da RINA, bem como diretores e colaboradores do estaleiro e do grupo Belov e representantes da cadeia naval.
De acordo com o diretor do estaleiro, Sergio Belov, o batimento de quilha representa uma etapa importante porque materializa o avanço do projeto Belov Arembepe e inicia uma nova fase da montagem da embarcação. “É também um marco para o nosso estaleiro e para a estratégia de expansão da frota, reunindo experiência operacional, engenharia naval e tecnologia para atender às demandas cada vez mais complexas do mercado naval e offshore”, comentou o diretor.
Petro Notícias - SP 24/08/2026
Aproximadamente 20 mil visitantes circularam pela maior edição da Navalshore – Feira e Conferência da Indústria Marítima, realizada no ExpoRio Cidade Nova, no Rio de Janeiro. As projeções iniciais apontam para aproximadamente R$ 12 bilhões em negócios gerados pelos 170 expositores e 700 marcas presentes. A Navalshore celebrou sua 20ª edição com 4,2 mil m² de área ocupada – 13,5% a mais que no ano anterior. O movimento nos três dias da feira reiterou o bom momento da indústria naval brasileira e, em especial, do Rio de Janeiro, que concentra 82% das plataformas marítimas em operação, 48% dos estaleiros brasileiros e 36,5% do total de 181 mil empregos relacionados às atividades navais no Brasil, conforme os dados apresentados pela FIRJAN – Federação das Indústrias do Rio de Janeiro no primeiro dia.
No total, foram 36 palestras que abordaram temas importantes para o setor. A descarbonização da frota esteve entre os principais debates do último dia da Conferência. As discussões abordaram a redução das emissões nas operações marítimas, os impactos de eventos climáticos extremos sobre a navegação, os sistemas portuários e os caminhos para adaptação da infraestrutura. A programação também contou com o painel “Descomissionamento: regulação, economia e cadeia de serviços em construção”, que reuniu representantes da UFF, ANP, OceanPact, FGV Energia e Destri Energy. O debate abordou a evolução da atividade de descomissionamento no Brasil e as oportunidades para empresas de engenharia, serviços, logística e reciclagem associadas à retirada de ativos offshore.
Na sequência, Jones Soares, diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, apresentou o Plano de Descarbonização da Frota da companhia. Eficiência energética, modernização dos navios e adoção gradual de tecnologias e combustíveis capazes de reduzir as emissões das operações marítimas foram abordados. Entre as soluções previstas no plano estão sistemas de propulsão híbrida, recuperação de calor, conexão elétrica em terra e, em etapas posteriores, combustíveis alternativos e tecnologias de propulsão assistida pelo vento. Com os debates, a Navalshore 2026 encerrou sua conferência colocando em evidência uma agenda que combinou transição energética, adaptação climática, novos mercados e inovação tecnológica, em um momento de retomada dos investimentos e das encomendas da indústria naval brasileira.
CNN Brasil - SP 24/08/2026
Os preços do petróleo recuam ligeiramente na sexta-feira (20), após caminharem para a segunda alta semanal consecutiva devido a valorização vista na véspera em decorrência da nova ameaça de sanções dos EUA.
Quase seis meses depois do início do conflito, apenas sete navios mercantes navegaram pelo Estreito de Ormuz na quinta-feira, metade do total do dia anterior, segundo dados da empresa de rastreamento de navios Kpler, em comparação com mais de 130 por dia antes da guerra.
Os Estados Unidos e o Irã anunciaram duas vezes acordos de cessar-fogo, em abril e junho, com o objetivo de restabelecer o livre fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz, visando o fim do conflito que já dura quase seis meses, mas ambos ruíram rapidamente.
Na noite de quarta-feira, Trump ameaçou o país iraniano com “guerra econômica e isolamento em escala sem precedentes”, mas o Irã já tem resistido a sanções econômicas quase contínuas por quase 50 anos, desde a Revolução Islâmica de 1979.
No entanto, alguns iranianos entrevistados pela Reuters disseram que mais punições econômicas poderiam aumentar as dificuldades, enfraquecer o clero e provocar agitação social, embora não haja indícios disso desde a repressão violenta aos protestos em janeiro.
Com as novas ofensivas por parte do presidente americano, os preços do petróleo subiram mais de 2% ontem, fechando no nível mais alto em quase um mês.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com alta de US$2,16, ou 2,4%, a US$93,78 por barril, o maior valor desde 24 de julho.
Os contratos futuros do petróleo WTI (West Texas Intermediate) dos Estados Unidos para setembro subiram US$2, ou 2,3%, para US$87,83 por barril, também o maior nível desde 24 de julho.
Em território nacional, a negativa no petróleo não afetou tanto as petroleiras brasileiras, que subiam na bolsa de valores.
As ações são sustentadas depois que a Petrobras apresentou manifestação de interesse em blocos exploratórios localizados em áreas offshore da Bacia de Keta, em Gana, na África.
Segundo a estatal, o Ministério de Energia e Transição Verde de Gana aprovou a aplicação da Petrobras, que agora entra na fase de negociação direta dos termos dos contratos de exploração.
"A iniciativa está alinhada à estratégia da Petrobras de recomposição das reservas de óleo e gás por meio da exploração de novas fronteiras, tanto no Brasil quanto no exterior, conforme previsto em seu Plano de Negócios", acrescentou a companhia, em comunicado ao mercado nesta sexta-feira.
O Estado de S.Paulo - SP 24/08/2026
A descoberta de uma nova fronteira para a produção de petróleo na Margem Equatorial brasileira pode não ser “um novo pré-sal”, mas a qualidade do petróleo encontrado na nova fronteira aberta pela Petrobras tem tudo para ser mais lucrativa, disse ao Estadão/Broadcast a presidente da estatal, Magda Chambriard. Ela vê na descoberta a segurança que o País precisava para não voltar a ser importador da commodity quando a produção do pré-sal declinar, em meados da década de 2030.
Chamado de “óleo gourmet” e de “Brent com louvor” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em visita na segunda-feira, 17, ao navio-sonda que explora a região na costa do Amapá, o petróleo achado no poço pioneiro de Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, é, segundo a executiva, mais leve do que o do pré-sal (por isso, de maior valor, por ser mais fácil de refinar).
“O presidente Lula reclamou que ele não conseguiu carimbar direito a mão nas minhas costas, e nas costas dos demais participantes da comitiva, porque o óleo não marcava direito. E eu disse: ‘Presidente, isso é bom’”, contou Magda. O anúncio da descoberta no poço de Morpho foi feito no último dia 14. Mas ainda serão necessários mais testes para dimensionar o volume das reservas.
Veja a seguir os principais trechos da entrevista:
Podemos comparar a descoberta feita na Margem Equatorial à do pré-sal, há 20 anos?
Eu não acredito que a Margem Equatorial seja do tamanho do pré-sal. Pelo menos, o que nós temos até agora não leva a crer que a Margem Equatorial seja do tamanho do pré-sal. Aliás, eu desconheço, em águas profundas, outro espaço no planeta com alguma coisa semelhante ao pré-sal. Mas não é pequena. Nós estamos apostando que vamos ter descobertas bastante relevantes na Margem Equatorial. Nós não podemos afirmar que vai dar certo, mas podemos ser otimistas dizendo que, até agora, todas as etapas anteriores estão sendo confirmadas, e achar que vai dar certo. E, se der certo, vai dar tempo de mitigar o declínio do pré-sal.
Mas a qualidade do petróleo pode ser comparada à do pré-sal?
Esse óleo tem tudo para ser mais lucrativo do que o óleo do pré-sal. Ele é um óleo que parece bem mais leve do que o óleo do pré-sal.
A descoberta na Margem Equatorial tem sido muito comentada. Há algum temor de esse assunto ser usado na campanha eleitoral e, de alguma maneira, prejudicar a exploração?
Nós começamos a perfurar esse poço no dia 20 de outubro do ano passado. De lá para cá, todos os dias a mídia nos pergunta: ‘Tiveram alguma descoberta? Tiveram alguma descoberta? O que está acontecendo?’ Então, eu diria para você o seguinte: o uso eleitoral seria se a gente segurasse essa informação para dar num momento mais ou menos propício. Não foi o que nós fizemos. Encontramos o óleo e, no momento imediatamente seguinte, anunciamos a descoberta. Então, eu acho que não há o que se falar em uso eleitoral, só se for da própria natureza.
Como a Petrobras interpreta a presença de gás nessa descoberta?
Todo o petróleo vem junto com o gás. O que a gente vai discutir é a quantidade. No Brasil, a maior parte do gás produzido é associada ao petróleo. Praticamente não temos reservatórios de gás não associado, com exceções pontuais como Manati e Mexilhão, que já se encontram em declínio. Isso significa que, quando se fala em gás, a pergunta central é a quantidade e a viabilidade comercial de separar esses componentes. Da nossa produção, 80% — tanto no pré-sal quanto no pós-sal da Bacia de Campos — deriva do gás associado. Ou seja, a produção de gás é diretamente dependente da produção de óleo.
Após atingir o reservatório, quais serão os próximos passos em relação ao petróleo encontrado em Morpho?
Ele vai vir para o Cenpes (Centro de Pesquisa da Petrobras/RJ) para ser analisado. Só para você ter uma ideia de quão delicado é isso, a garrafa com o óleo pressurizada não pode ser transportada de avião. Ela tem de vir ou de navio ou por transporte terrestre. Então, ela ainda vai demorar uns 15 dias para chegar ao Cenpes, para poder ser analisada. Tem todo um ambiente pressurizado que precisa ser preservado. É aí que nós vamos saber qual é a densidade desse óleo, qual é a viscosidade.
E os trabalhos em Morpho terminaram?
Devemos retornar à perfuração lá para o dia 11 ou 12 de setembro. Porque, quando a gente faz uma descoberta, precisa buscar, por exemplo, a amostra de rocha dessa descoberta. Nós precisamos buscar a amostra de fluido dessas descobertas. Nós precisamos de perfilagens (método usado para obter informações mais precisas sobre as características de um poço de petróleo) adicionais. Tudo isso são dados que, se não coletarmos naquele momento, perdemos a oportunidade. E aí, em uma semana, a gente deve estar de novo olhando para oportunidades adicionais nesse poço.
Quais serão os próximos passos?
Quando nós pedimos (ao Ibama) a licença de perfuração do poço Morpho, nós pedimos a autorização para perfurar também mais três poços contingentes. Essa licença está adiantada. Eu imaginava que ela fosse sair no mês passado, mas acredito que ela esteja para sair. Estamos com todos os esclarecimentos, todos os canais abertos, toda e qualquer informação necessária. Toda a transparência da parte da Petrobras tem sido o mote do nosso trabalho.
Depois de terminar a campanha em Morpho, o navio-sonda NS-42 deve sair do local. Como serão feitas as demais perfurações?
O Ibama dando a autorização, é imediata a movimentação. A gente deve ir para lá com a NS-43. Acredito que essa NS-42 tenha alguma manutenção a ser feita. Então, nós devemos perfurar (os três poços) com a NS-43. Ela está no Sudeste, vai migrar para a Margem Equatorial e passa pelo mesmo processo da outra: limpa o coral e inicia a perfuração. Depois disso, se Deus quiser, vamos partir para a etapa de desenvolvimento da produção, se tudo der certo.
E a NS-42, depois da manutenção, será usada em outro campo?
Nós estamos otimistas também com a perfuração de uma oportunidade no litoral do Rio Grande do Norte. Ela vai para lá, para perfurar (o poço exploratório) Mãe de Ouro. Mãe de Ouro teria o condão de viabilizar ali um cluster de produção no offshore (no mar) do Rio Grande do Norte, o que também não é pouca coisa. Pode ser um reservatório que justifique, junto com aquelas descobertazinhas em volta (Pitu/Pitu Oeste, poços localizados na Bacia Potiguar), uma plataforma de produção.
Junto com a notícia da descoberta na Margem Equatorial, começaram especulações sobre uma possível nova refinaria da Petrobras no Norte do País. Existem planos para isso?
Eu acho que essa discussão é extremamente prematura. Se essa descoberta se tornar comercial, o que nós acreditamos que vai acontecer, aí nós vamos ter de ver logística de apoio. E ver o que é suficiente, o que não é suficiente, onde é que se coloca isso. Belém é muito longe. Vamos ter de saber se é em Belém mesmo, se é em algum lugar mais próximo, mas isso ainda não está (em discussão) no momento. A gente começa a pensar, mas qualquer coisa nessa direção ainda seria especulativa. Porque precisa ainda saber se tem volume suficiente para justificar a exploração, o que ainda nem se sabe, apesar do otimismo, apesar das indicações.
Outra fronteira indicada pela Petrobras é a bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Alguma previsão do início dos trabalhos no Sul do País?
Pelotas ainda está na fase da aquisição sísmica, da interpretação sísmica. Nós ainda não temos, em Pelotas, a indicação de um poço a perfurar. Mas estamos avançando.
Ao longo da sua trajetória, a sra. acompanhou a descoberta da Bacia de Campos, do pré-sal e agora da Margem Equatorial. Como se sente ao ver esse legado de perto?
A gente evolui, chegamos à autossuficiência de petróleo ao longo desse tempo, com a Bacia de Campos, com o pré-sal, chegamos numa situação em que o País tem no petróleo o seu primeiro produto de exportação. Uma contribuição para a balança comercial brasileira e, consequentemente, para a melhoria de vida de todos os brasileiros. Então, o entusiasmo é fruto da constatação de que o papel foi cumprido, está sendo cumprido com uma clareza de objetivos incrível, com uma competência inequívoca.
Para terminar, o que significa essa descoberta para o País?
Segurança energética é um assunto que tem nos atraído a atenção e que a gente tem tentado repercutir um pouco. Tenho dito para vocês que a Petrobras é hoje responsável pelo fornecimento de um terço da energia primária do Brasil. E, como toda energia não renovável, você precisa manter o patamar. Sob o nosso ponto de vista, este País vai crescer 79% até 2050 e demandará, por conta de processos de conservação de energia, um incremento não de 79%, mas pelo menos de 50%, 55%. Isso significa que, da nossa parte, além de não deixar a geração de energia decrescer, nós temos de crescer pelo menos meia-Petrobras. Além de não declinar, temos de construir mais meia-Petrobras em duas décadas e meia.
Diário do Comércio - MG 24/08/2026
A produção de petróleo na Margem Equatorial pode demorar entre seis a sete anos, mas a descoberta de indícios de óleo no primeiro poço perfurado pela Petrobras nas águas ultraprofundas do Amapá trouxe otimismo para o mercado e para a companhia, que chega ao resultado dez meses depois de iniciada a campanha no poço pioneiro de Morpho. Se comprovado o potencial da bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco bacias da Margem Equatorial, a expectativa é de que os reservatórios na região garantam pelo menor mais 40 anos de produção, segundo o gerente executivo de Projetos Estruturantes da Petrobras, Wagner Victer.
“Eu vi o início da bacia de Campos e é emocionante ver que a gente está participando de um momento histórico, abrindo uma nova fronteira exploratória para uma nova geração, um sinal de longevidade para a Petrobras e que vai trazer novos profissionais, novos engenheiros para o setor”, avaliou Victer.
Segundo a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, o óleo encontrado agora será analisado pelo Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes), para avaliar a qualidade e o potencial do poço. “Vamos aguardar as análises. que serão feitas no Cenpes sobre o óleo”, disse Sylvia à Broadcast na segunda-feira (17).
A Margem Equatorial é estratégica para a Petrobras porque pode ajudar a repor reservas de petróleo a partir da próxima década, quando a produção do pré-sal tende a atingir o pico e começar a declinar. O plano de negócios 2026-2030 prevê US$ 2,5 bilhões em investimentos na Margem Equatorial e 15 novos poços.
Os próximos passo dependem do Ibama. O órgão ambiental analisa o pedido da estatal para perfurar mais três poços. No caso de Morpho, foram mais de 12 anos de espera, sendo os últimos três anos de muita pressão da atual gestão da empresa, que obteve a liberação em outubro de 2025. A inglesa BP, dona de 70% do ativo até 2021, desistiu de esperar e vendeu sua participação para a Petrobras.
“Tem que acelerar o licenciamento dos outros poços para a gente saber o que tem lá, ou seja, não dá para ficar nesse dilema a cada poço. Porque agora, se você for adiante, nós vamos estar falando de escalas muito diferentes de atividade geológica, exploratória, a escala aumenta”, disse o professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar Almeida.
“A gente precisa superar o debate que estava tendo antes do ponto de vista da viabilidade ambiental, porque agora nós não estamos falando de fazer um poço mais, nós estamos falando de fazer três e muito mais. Ou seja, na Guiana, chegou a mais de cem poços. Até você ter a comprovação dos reservatórios e começar a ter um grande volume, (serão feitas) várias declarações de comercialidade”, acrescentou o acadêmico.
Logo após a descoberta ser anunciada, na sexta-feira (14), o diretor do Centro Brasileiro de Infratestrutura, Adriano Pires, também destacou a importância do Ibama acelerar as licenças ambientais. “Não temos nenhum número da Petrobras, portanto não dá para falar se é uma descoberta relevante ou não. Mas é uma boa notícia que mostra a importância do Ibama agilizar as licenças ambientais”, afirmou.
Sem Efeito
Para o analista de energia da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, a descoberta é positiva, mas ainda sem informações suficientes para “fazer preço” na ação da estatal. “Uma precificação consistente exigiria evidências de escala comercial, boa produtividade e competitividade econômica frente ao portfólio já contratado da Petrobras. Até lá, a descoberta deve ser tratada como opcionalidade exploratória, sem efeito sobre nosso preço-alvo ou recomendação”, explicou o analista.
Segundo ele, a identificação de hidrocarbonetos (petróleo e gás) no bloco FZA-M-59 é positiva porque melhora a perspectiva exploratória da Petrobras na bacia da Foz do Amazonas, área central para a reposição de reservas no longo prazo.
Para o sócio-diretor da A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto, a descoberta cria condições para que o governo acelere os leilões na região e deve gerar um aumento de apetite privado por blocos da Margem Equatorial. A leitura de Moreira Neto é de que a governança não deve se opor aos investimentos necessários para a região.
“É um anúncio que confirma o apetite de quem foi pro leilão e que deve ter uma boa influência na corrida daqui pra frente. Ainda há muitos riscos, mas todos os operadores já posicionados são de classe mundial e muito eficientes”, afirmou. “É uma região que demanda movimento exploratório intenso, mas não vejo como uma boa ideia tentar aumentar muitos prêmios num cenário de competição global por investimentos”, avaliou.
Em junho, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a indicação de 86 blocos da Margem Equatorial para futuros ciclos da Oferta Permanente de Concessão (OPC). Para que os blocos sejam efetivamente oferecidos, ainda é preciso cumprir a análise ambiental e a emissão de Manifestação Conjunta dos Ministérios de Minas e Energia (MME) e do Meio Ambiente e do Clima (MMA). “Há uma dependência muito grande da construção com órgãos ambientais, mas com a primeira descoberta talvez possamos ver um ritmo melhor”, acrescentou o advogado.
Em entrevista à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o professor da PUC e ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), David Zylbersztajn, destacou que a Margem Equatorial poderá mudar a geopolítica nacional se virar realmente uma nova província petrolífera do País. “Você vai mudar a geopolítica nacional em termos de poder econômico, industrial, porque se ali virar efetivamente uma província petrolífera, pode ser um novo caminho de redenção econômico-social da região”, disse Zylbersztajn.
Brasil 247 - RJ 24/08/2026
O que aconteceu com os automóveis está começando a acontecer com as máquinas agrícolas. E poucos no agronegócio brasileiro estão prestando atenção no tamanho disso.
Vale a pena olhar os números com calma, porque eles contam uma história que já vimos antes — e que terminou com fábricas chinesas em Camaçari e em Iracemápolis.
O recorde nos tratores
O Brasil importou 14.985 tratores apenas no primeiro semestre de 2026. É mais do que o país importou em todo o ano de 2025. O volume vindo da China cresce a 86% ao ano e já responde por 67% de tudo que entra no país nessa categoria.
Dois terços das importações de tratores do maior produtor agrícola tropical do mundo vêm hoje de um único fornecedor. Não é uma tendência incipiente. É uma mudança de patamar que já ocorreu, enquanto o setor discutia outras coisas.
Zero fábricas — por enquanto
Nenhuma montadora chinesa de tratores tem fábrica operando no Brasil hoje. Esse “hoje” é a palavra importante da frase.
A YTO já anunciou uma planta em Pernambuco. A Zoomlion mira o Centro-Oeste. A Foton Lovol negocia em Goiás. Quem acompanhou a chegada dos carros elétricos reconhece a coreografia imediatamente: primeiro testar o mercado com importação, depois montar a rede de distribuição e assistência técnica, e só então nacionalizar a produção. A sequência é sempre a mesma, e ela funciona porque cada etapa financia a seguinte.
Quando a fábrica é anunciada, a disputa comercial já foi vencida. A planta industrial é a consolidação de uma posição conquistada antes, não o começo da investida.
A vantagem de custo é estrutural
Aqui está o ponto que mais incomoda quem defende soluções puramente tarifárias: estamos falando de uma vantagem de custo de até 27% em relação à produção nacional, com descontos de 30% a 40% já praticados por marcas como a YTO.
Isso não é dumping oportunista. É escala industrial, preço do aço e custo de mão de obra jogando a favor da China. Um país que produz mais da metade do aço do planeta, que consolidou uma cadeia de componentes densa e que trata máquinas agrícolas como setor estratégico de política industrial não precisa vender abaixo do custo para ganhar mercado. Ele ganha mercado no custo.
A diferença é crucial. Contra dumping, existem instrumentos de defesa comercial. Contra vantagem competitiva estrutural, construída ao longo de duas décadas de política industrial, tarifa é anestesia — alivia por um tempo, não trata a causa.
Colheitadeiras: a fronteira mais protegida também caiu
O segmento de colheitadeiras sempre foi o mais fechado do maquinário agrícola. Exige precisão mecânica, eletrônica embarcada, rede de assistência capilarizada e confiança do produtor, porque uma quebra em plena janela de colheita custa a safra inteira. Era o fosso que separava os incumbentes dos desafiantes.
Sete fabricantes chineses já testam ou vendem colheitadeiras no Brasil. A CRCHI opera cadeia completa de colheita e beneficiamento de algodão no Mato Grosso — não uma máquina avulsa, mas o sistema inteiro.
Quando o segmento mais difícil começa a ser testado, o recado é claro: a estratégia não é entrar pela base do mercado e ficar lá. É subir a escada tecnológica.
O espelho automotivo é quase didático
Quem quiser saber como termina esse filme não precisa de bola de cristal. Basta olhar o que aconteceu no mercado de veículos.
A BYD entrou no Top 10 do mercado brasileiro de automóveis com um salto de 328% em vendas, transformou o antigo complexo da Ford em Camaçari em fábrica própria e mira 50% de conteúdo nacional. A GWM inaugurou planta em Iracemápolis e saiu do zero para disputar o pódio em poucos anos. Hoje são 15 marcas chinesas vendendo carros no Brasil, com projeções de que cheguem a 30% ou 40% do mercado de veículos leves até 2030.
Em menos de uma década, uma indústria que parecia estruturalmente estável — dominada por montadoras instaladas aqui desde os anos 1950 e 1960 — foi reorganizada. Não apenas por preço baixo, mas por preço baixo somado a tecnologia competitiva e a uma política industrial de Estado que sustentou a aposta por vinte anos até ela maturar.
O que realmente está em jogo
O ponto central é que essa já não é uma disputa de commodity barata. É tecnologia, capital e política industrial chinesa aplicando ao agro exatamente a estratégia que reescreveu o mercado automotivo — só que agora em cima do maquinário que sustenta a produção de grãos, fibra e proteína do país.
E aqui o problema deixa de ser setorial e vira macroeconômico.
Máquinas agrícolas são um dos poucos elos de alta complexidade que o Brasil ainda mantém funcionando dentro de uma cadeia produtiva na qual somos competitivos mundialmente. O agro brasileiro exporta soja, milho, carne e algodão — produtos de baixa complexidade no espaço-produto. O que agrega conhecimento tácito, capacidade de engenharia e emprego qualificado não é a lavoura em si, é a indústria que a equipa: tratores, colheitadeiras, implementos, eletrônica embarcada, agricultura de precisão.
Perder esse elo significa aprofundar o padrão que já conhecemos bem demais. Exportar o produto primário e importar o bem de capital que o produz é a definição operacional de especialização regressiva. É trocar a parte densa da cadeia pela parte rala, e depois estranhar por que a produtividade agregada não sobe e por que a indústria encolhe como proporção do PIB.
Não se trata de fechar mercado nem de proteger ineficiência. Trata-se de reconhecer que a competitividade chinesa nesse setor foi construída deliberadamente, com crédito de longo prazo, escala planejada e coordenação entre Estado e empresas. Quem enfrenta política industrial com discurso de livre mercado costuma perder — e, o que é pior, perde achando que o resultado foi natural.
O mercado automotivo brasileiro já deu essa aula. A questão é se o agro vai assistir à mesma aula duas vezes.
Diesel primeiro, elétrico depois. Vale registrar uma diferença importante em relação aos automóveis. Nos carros, a China entrou por leapfrog: pulou a etapa do motor a combustão e atacou justamente onde os incumbentes eram estruturalmente frágeis, o elétrico. No agro, a ofensiva atual é de tratores diesel convencionais, disputando no mesmo terreno tecnológico das marcas tradicionais — a YTO, afinal, é uma fabricante de motores a diesel com capacidade de 230 mil unidades por ano, e a linha vendida no Brasil vai de 75 a 175 cv. A eletrificação vem como segunda camada, não como porta de entrada: a Zoomlion já estreou na Agrishow 2026 com tratores híbridos, a XCMG apresentou equipamentos elétricos voltados ao campo, e há projetos de híbridos acima de 600 cv aproveitando o aprendizado acumulado em baterias e powertrain no setor automotivo. O recado é mais desconfortável do que parece. Eles estão ganhando participação em manufatura pura, no jogo em que os incumbentes deveriam ser imbatíveis, antes de acionar a vantagem tecnológica que já têm guardada. Quando o elétrico chegar de fato ao campo, a rede de distribuição, a assistência técnica e a fábrica em Caruaru já vão estar montadas.
Agrolink - RS 24/08/2026
Safra recorde é sinônimo de ano bom para o produtor. É o que a intuição manda pensar, e é exatamente o que os números de agosto desmentem.
Na mesma quinzena, dois órgãos federais publicaram dados que apontam para lados opostos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) fechou o 11º Levantamento da Safra de Grãos com produção estimada em 360,8 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26, alta de 2,4% sobre a temporada anterior, o equivalente a 8,5 milhões de toneladas a mais.
A área cultivada chegou a 83,5 milhões de hectares, expansão de 2,1%, e a produtividade média ficou em 4.322 quilos por hectare, próxima à do ano passado.
Poucos dias depois, a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) reduziu a projeção do Valor Bruto da Produção agropecuária de 2026 para R$ 1,398 trilhão. No boletim anterior, a estimativa era de R$ 1,404 trilhão. O ministério também revisou a base de 2025 para baixo, de R$ 1,477 trilhão para R$ 1,464 trilhão.
Vamos comparar as duas pontas. Entre 2025 e 2026, o faturamento bruto dentro da porteira encolhe R$ 66 bilhões, queda de 4,5%. No mesmo intervalo, o país colhe 8,5 milhões de toneladas a mais de grãos.
O corte do VBP se concentra nas lavouras. O valor bruto da produção agrícola foi projetado em R$ 893,331 bilhões, recuo de 6% frente a 2025, enquanto a pecuária ficou em R$ 504,866 bilhões, queda mais suave de 1,7%. Lavouras respondem por 64% do total, pecuária pelos 36% restantes.
Aberto por cultura, o quadro fica mais claro. A soja, maior cadeia individual do país, ficou praticamente estável, em R$ 336,028 bilhões. O milho foi projetado em R$ 158,408 bilhões, queda de 6,6%. A cana-de-açúcar somou R$ 108,746 bilhões, recuo de 8,8%, e o café ficou em R$ 103,471 bilhões, baixa de 11,6%. O algodão caiu 5,7%, para R$ 34,252 bilhões.
Nas pontas, as quedas são bem mais fortes. A laranja recuou 41,8%, para R$ 14,466 bilhões. O trigo perdeu 25,4% e ficou em R$ 7,929 bilhões. O cacau despencou 57%, restando R$ 5,074 bilhões de faturamento bruto projetado.
Entre as lavouras acompanhadas pelo ministério, o crescimento aparece em apenas cinco: banana, batata-inglesa, feijão, mandioca e tomate. Nenhuma delas tem peso relevante na receita agregada do setor.
A explicação do Mapa é direta. A queda anual está associada ao preço menor esperado para as commodities agrícolas e à desaceleração da produtividade das lavouras. Traduzindo: o produtor entregou mais grão e recebeu menos por ele.
O PIB do agronegócio já tinha dado o sinal antes. O indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), calculado em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), recuou 2,01% no primeiro trimestre de 2026, depois de crescer acima de 12% em 2025.
A retração atingiu toda a cadeia. O segmento primário caiu 4,15%, insumos recuaram 2,15%, agrosserviços 1,25% e agroindústria 1,03%. Por ramo, a agricultura encolheu 3,62% e a pecuária cresceu 0,70%, o único resultado positivo do levantamento.
O efeito sobre o peso do setor na economia é o dado que mais chama atenção. A participação do agronegócio no PIB nacional foi estimada em 22,8% para 2026, contra 25,2% em 2025. São 2,4 pontos percentuais em um ano.
Pesquisadores do Cepea e da CNA apontam a mesma causa que o Mapa: a expectativa de redução do valor da produção em 2026, puxada pela queda de preços, que superou os ganhos projetados de volume em diversas atividades agrícolas e pecuárias.
Para quem planeja a próxima safra, a leitura prática é que o ganho de escala não está compensando a perda de margem. O produtor que colheu mais em 2026 pode ter fechado o ano com receita menor do que em 2025, e a diferença de R$ 66 bilhões no agregado nacional é a soma dessas contas individuais.
O quadro também ajuda a explicar decisões que já apareceram no campo, como a redução de 20,4% na área de trigo apontada pela própria Conab. Quando a margem aperta, o primeiro corte é no investimento da cultura menos rentável.
