Valor - SP 05/08/2026
Apesar da perspectiva global positiva, a empresa enfrenta algumas pressões
A Nippon Steel, principal siderúrgica do Japão, elevou a sua previsão de lucro líquido para o ano consolidado em 32%, para 290 bilhões de ienes, citando ganhos mais robustos na U.S. Steel em meio a um mercado de aço mais firme nos Estados Unidos.
A Nippon Steel registrou um lucro líquido de 75,3 bilhões de ienes (US$ 476,8 milhões) no primeiro trimestre fiscal, revertendo o cenário do ano anterior, quando contabilizou um prejuízo de 195,8 bilhões de ienes, pressionado por uma pesada perda excepcional relacionada à venda de sua participação na AM/NS Calvert.
“A U.S. Steel impulsionou os resultados do nosso grupo”, disse o diretor financeiro da Nippon Steel, Takahiko Iwai, em coletiva de imprensa. O executivo acrescentou que as medidas para melhorar a qualidade e as eficiências operacionais na U.S. Steel após a sua aquisição também contribuíram para o aumento dos lucros na unidade americana.
Com o desempenho favorável, a companhia elevou a sua previsão de lucro comercial subjacente para a U.S. Steel no ano fiscal, que se encerra em março de 2027, para 180 bilhões de ienes ou mais, um salto em relação à estimativa de maio, que previa 100 bilhões de ienes ou mais.
A siderúrgica também revisou para cima sua projeção anual para o mercado de bobinas a quente nos EUA em US$ 100, passando para a faixa de US$ 1.000 a US$ 1.100 por tonelada curta, à luz da recente escalada nos preços.
O executivo afirmou que um aumento esperado nos ganhos de avaliação de estoques, impulsionado pela desvalorização do iene frente ao dólar americano e pelo aumento nos custos de matérias-primas, também contribuiu para a revisão altista na projeção de lucros.
Apesar da perspectiva global positiva, a empresa enfrenta algumas pressões. O conflito no Oriente Médio reduziu os lucros do primeiro trimestre em 25 bilhões de ienes e deverá gerar um impacto negativo de 60 bilhões de ienes no acumulado do ano, informou Iwai.
Além disso, como os lucros das operações domésticas permanecem estagnados, a Nippon Steel pretende repassar os maiores custos de matérias-primas e combustíveis para os clientes daqui para frente.
“O governo japonês finalmente impôs medidas antidumping”, afirmou o diretor financeiro, acrescentando que, se as medidas ajudarem a conter as importações de aço barato, poderá ser possível observar uma recuperação nos preços domésticos.
SEGS.com.br - SP 05/08/2026
A ArcelorMittal, maior produtora de aço no país, lança a websérie Feito no Brasil, uma nova etapa da estratégia de posicionamento de marca que reforça o valor da indústria nacional e evidencia a contribuição da empresa para o desenvolvimento do país. Com estreia prevista para o dia 29 de julho, o projeto conecta pessoas, grandes obras e a aplicação do aço a histórias reais.
Dividida em seis episódios, a série adota uma diretriz criativa para o segmento B2B: o produto não é o foco principal. A narrativa inverte a cartilha tradicional do setor industrial e adota uma linguagem cinematográfica, leve e próxima, inspirada em formatos de sucesso do social video, partindo sempre do ponto de vista do empregado e do impacto daquela obra na vida pessoal, na comunidade e no desenvolvimento de diversos setores pelo país, por meio do aço.
"O aço está presente em praticamente tudo ao nosso redor, mas nem sempre é percebido pelo consumidor final. Nosso desafio foi tornar tangíveis os conceitos de 'Aço Inteligente' e de 'Feito no Brasil', conectando-os ao orgulho nacional e à relevância da indústria para o desenvolvimento do país. A campanha reforça como o aço é essencial para impulsionar a economia, gerar valor e contribuir para a construção de um futuro mais sustentável", destaca Juliana Machado, gerente-geral de Marca, Comunicação Corporativa e Relações Institucionais.
Ecossistema de conteúdo
A jornada da websérie percorre marcos da engenharia, da cultura e da sustentabilidade do país. O primeiro episódio, sobre estádios de futebol, traz a Arena MRV, em Belo Horizonte construída com aço ArcelorMittal, para mostrar o impacto do aço nas estruturas que sustentam torcedores em estádios de futebol. O segundo episódio apresenta a engenharia de alta resistência que constrói grandes obras de infraestrutura e transforma a mobilidade urbana diária, tendo como case a Terceira Ponte, de Vitória, no Espírito Santo.
Em seguida, o produto exclusivo Magnelis®, da ArcelorMittal, destaque em sustentabilidade e durabilidade em ambientes altamente corrosivos, conectando a inovação dos Centros de Pesquisa e Desenvolvimento da ArcelorMittal à constante preocupação pelo desenvolvimento de soluções mais sustentáveis.. Na sequência, o novo episódio que demonstra a presença do aço da empresa no setor automotivo, conectado ao desenvolvimento de soluções para categorias do automobilismo brasileiro, trazendo segurança automotiva no dia a dia e nas pistas. Depois, o próximo episódio dá visibilidade ao papel do aço para a preservação e revitalização do patrimônio histórico-culturais e da identidade regional de pontos turísticos do país, como o Elevador Lacerda, em Salvador.
Por fim, para encerrar a websérie, o conteúdo aborda a engenharia civil do futuro, juntando o alto padrão imobiliário à metodologia construtiva sustentável, além de demonstrar como o aço está presente também no dia a dia do brasileiro, dentro de casa.
Estratégia 360° e ativação de marca
Para garantir que a conversa alcance múltiplos stakeholders (de clientes B2B à sociedade em geral), o plano de comunicação contempla um robusto ecossistema de difusão. A campanha conceito engloba inserções em mídia Out-Of-Home (OOH) nos principais aeroportos do país (BH, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Vitória, Fortaleza e Florianópolis) e parcerias editoriais de branded content.
A websérie também terá forte sustentação nas redes sociais, ativando influenciadores responsáveis por traduzir didaticamente os diferenciais técnicos do portfólio nacional. O teaser oficial da produção já está disponível aqui. Todos os episódios completos e conteúdos de sustentação da série estarão disponíveis em: www.youtube.com/watch?v=taxI7JgeulE&list=PLOVyHyk6QTvA
Sobre a ArcelorMittal Brasil
Maior produtor de aço no Brasil e líder no mercado global, o Grupo ArcelorMittal tem cerca de 125 mil empregados, sendo 20 mil na operação brasileira, e atende a clientes em 129 países. No Brasil, a empresa mantém unidades industriais em oito estados (MG, ES, RJ, SC, CE, BA, SP e MS), sendo responsável por 42% da produção nacional, além de deter a maior rede de distribuição e do portfólio mais diversificado do setor de produtos e soluções em aço. Foi a primeira empresa das Américas a obter o ResponsibleSteel, uma das certificações em ESG mais respeitadas no mundo, o que reforça o propósito de produzir aços inteligentes para as pessoas e o planeta.
As plantas brasileiras têm capacidade de produção anual de 15,5 milhões de toneladas de aço bruto e de 8 milhões de toneladas de minério de ferro e atendem às indústrias automobilística, construção civil, eletrodomésticos, óleo e gás, máquinas e equipamentos, dentre outras. A empresa atua, ainda, em autogeração de energia elétrica renovável, produção de carvão vegetal e tecnologia da informação. Ao unir sustentabilidade, segurança, inovação e qualidade, a ArcelorMittal impulsiona o desenvolvimento social e econômico do país e dos brasileiros. Nas áreas sociais e de saúde, o grupo mantém a Fundação ArcelorMittal, com iniciativas que já impactaram mais de 11 milhões de pessoas em 38 anos de história, e a Abertta Saúde, operadora de autogestão em saúde exclusiva para empregados e familiares, com atendimento a aproximadamente 58 mil pessoas.
CNN Brasil - SP 05/08/2026
A Gerdau registrou lucro líquido de R$ 1,466 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 69,7% em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionada principalmente pelo avanço das operações na América do Norte.
Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, quando a siderúrgica lucrou R$ 1,013 bilhão, o crescimento foi de 44,7%.
A receita líquida da companhia alcançou R$ 17,871 bilhões entre abril e junho, avanço anual de 2%. As vendas de aço cresceram 3%, para 2,908 milhões de toneladas.
O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ) somou R$ 3,430 bilhões, aumento de 33,9% sobre o segundo trimestre de 2025.
Segundo a Gerdau, a melhora dos resultados refletiu o aumento dos volumes vendidos, a evolução dos preços, um mix de produtos de maior valor agregado e iniciativas de eficiência operacional.
A América do Norte respondeu por aproximadamente 56% da receita líquida e 74% do Ebitda ajustado consolidado da companhia no trimestre.
A companhia afirmou que as operações na região foram beneficiadas por um ambiente favorável de demanda, apoiado por setores como energia renovável, data centers e manufatura, além da expansão dos preços e dos ganhos de produtividade.
As vendas de aço na América do Norte aumentaram 7,3%, para 1,347 milhão de toneladas. Segundo a Gerdau, a carteira de pedidos de aços longos comuns permaneceu acima de 100 dias, o maior nível desde 2021.
Brasil
No Brasil, os resultados apresentaram recuperação na comparação trimestral, mas continuaram abaixo dos níveis registrados no ano passado.
A receita líquida das operações brasileiras caiu 8,6% ante o segundo trimestre de 2025, para R$ 6,686 bilhões.
Em relação ao primeiro trimestre, porém, o Ebitda do segmento cresceu 22%, apoiado pelo aumento das vendas no mercado interno, pela melhora do mix de produtos e pela recuperação dos preços em algumas linhas.
A Gerdau afirmou que a demanda por aço no país permaneceu moderada. A construção civil apresentou desempenho relativamente estável, enquanto alguns setores industriais continuaram pressionados.
A empresa também destacou que as importações brasileiras de aço caíram mais de 30% no trimestre. Apesar da redução, a participação dos produtos importados no consumo nacional ficou em 22,5% no primeiro semestre.
Veja - SP 05/08/2026
A Gerdau, multinacional brasileira do setor de aço, confirmou a demissão de parte expressiva dos funcionários de sua unidade no bairro de Curado, no Recife (PE). Segundo nota divulgada nesta terça-feira, 4, pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco (Sindmetal-PE), 160 trabalhadores foram desligados.
A unidade de Curado passa por uma readequação das atividades. Os setores de aciaria e laminação deixaram de operar. Parte do efetivo da fábrica foi convidada a migrar para outras unidades da empresa, segundo o sindicato. Em nota enviada a VEJA, a Gerdau reforça que 450 postos de trabalho da unidade serão mantidos.
A fábrica da Gerdau no bairro de Curado “passará a focar na fabricação de produtos trefilados, como telas, arames e pregos”, segundo a empresa. A decisão busca “otimizar” os ativos e “ampliar a produtividade e a rentabilidade” da operação.
“A empresa (Gerdau) ofereceu um Plano de Demissão Incentivada (PDI) com condições especiais devido ao caráter coletivo da demissão, incluindo o pagamento de três salários nominais adicionais; indenização de 6 meses integrais do plano de saúde para o titular e dependentes; cursos de preparação e formação profissional; e assessoria de recolocação no mercado de trabalho”, disse o Sindmetal-PE, em publicação em uma rede social.
A direção do sindicato, acompanhada de advogados trabalhistas e previdenciários, esteve na fábrica na manhã desta terça para dialogar com trabalhadores afetados.
Leia na íntegra a nota da Gerdau sobre a demissão em massa no Recife:
A Gerdau confirma a readequação do perfil industrial da unidade Açonorte, localizada em Recife (PE), que passará a focar na fabricação de produtos trefilados, como telas, arames e pregos. A decisão faz parte da estratégia da companhia de otimização de seus ativos e revisão de seu modelo de negócios de mini-mills, com o objetivo de ampliar a produtividade e rentabilidade de suas operações.
A Empresa ressalta que cerca de 450 postos de trabalho serão mantidos. A Gerdau reforça seu compromisso com o cuidado com as pessoas e um diálogo contínuo e transparente com seus colaboradores, sindicato e demais públicos de interesse. A Companhia ressalta, ainda, que o atendimento aos clientes seguirá inalterado.
Leia na íntegra a nota do Sindmetal-PE sobre o ocorrido:
A Gerdau hibernou e paralisou 100% das atividades dos setores de aciaria e laminação. Apesar da paralisação desses setores, a usina continuará funcionando. No total, cerca de 160 trabalhadores foram desligados. Parte do efetivo recebeu convites para transferência para outras unidades da empresa.
Além das verbas rescisórias legais e dos direitos garantidos pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), a empresa ofereceu um Plano de Demissão Incentivada (PDI) com condições especiais devido ao caráter coletivo da demissão, incluindo o pagamento de três salários nominais adicionais; indenização de 6 meses integrais do plano de saúde para o titular e dependentes; cursos de preparação e formação profissional; e assessoria de recolocação no mercado de trabalho.
Na manhã desta terça-feira (04), a direção sindical da base da Gerdau esteve na usina para dialogar com os trabalhadores e trabalhadoras,prestando esclarecimentos sobre as demissões e seus impactos.
A ação contou com a presença de advogados trabalhistas e previdenciários da entidade sindical, que orientaram a categoria e acompanharam os metalúrgicos durante este momento delicado de demissão coletiva.
“Por sua vez, o SINDMETAL-PE lutará constantemente pela garantia dos postos de trabalho bem como o cumprimento integral de todos os direitos constantes na CCT e CLT. Garantindo direito dos pré-aposentados, dos cipeiros eleitos, das gestantes, metalúrgicos adoecidos em decorrência do trabalho e também a representação daqueles trabalhadores e trabalhadoras que não aceitarem o Plano de Demissão Incentivado (PDI).” – afirma o presidente do SINDMETAL-PE, Abinadabe Santos.
As portas da entidade sindical estarão abertas para receber todo trabalhador e toda trabalhadora que deseje tirar suas dúvidas com nosso corpo jurídico e direção.
O Estado de S.Paulo - SP 05/08/2026
A principal missão do Banco Central ao fim da reunião do Copom desta quarta-feira, 5, é evitar causar – a todo o custo – os ruídos da última decisão, quando os argumentos para justificar o corte da taxa Selic pegaram os analistas de surpresa e suscitaram até questionamentos à sua credibilidade. Agora, o melhor é o Copom fingir-se de morto e soltar um comunicado enxuto, sem dar margem a polêmicas.
Em junho, o Copom antecipou o horizonte relevante da política monetária do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, no qual a sua projeção de inflação (de 3,2%) permitia uma redução de juros.
Esse movimento foi criticado por enfraquecer o horizonte relevante como uma ferramenta importante na ancoragem de expectativas. No quarto trimestre de 2027, a projeção de inflação do Copom, de 3,7%, não endossava o corte. O BC até tentou minimizar as críticas, dizendo que a decisão foi para evitar um “sobe e desce” da Selic, mas o mercado viu isso como um gol de mão.
De lá para cá, os ventos sopraram a favor do Copom: os últimos índices de inflação vieram abaixo das estimativas dos analistas, com um alívio nos preços dos alimentos; o preço do petróleo recuou em relação aos picos observados na guerra do Irã; e o dólar segue praticamente no mesmo patamar da decisão de junho. Sem falar que, nesta reunião de agosto, o horizonte relevante passou a ser, de fato, o primeiro trimestre de 2028, quando a projeção de inflação do Copom pode até cair levemente.
Mas ainda: para a decisão desta quarta-feira, a esmagadora maioria dos investidores aposta no corte de 0,25 ponto porcentual dos juros para 14,0%. Desta vez, o Copom tem a bênção do mercado para reduzir mais os juros.
Aliás, o comunicado que acompanhará a decisão poderá até deixar a porta aberta para um corte adicional de 0,25 ponto na reunião seguinte, de setembro, uma vez que as próximas duas leituras de inflação devem vir bastante favoráveis, embora por motivos sazonais ou temporários. O mercado prevê uma alta de 0,2% do IPCA de julho e uma deflação de 0,15% para agosto, quando o bônus de Itaipu reduzirá a conta de luz.
Se o Copom seguir esse roteiro, o mercado não o punirá por isso, em razão do ambiente favorável no curtíssimo prazo. Mas seria isso prudente? As projeções de inflação do mercado em 2027 (de 4,22%) e em 2028 (de 3,80%) seguem pressionadas. Ou seja, a escolha do Copom é cortar juros com a expectativa inflacionária em alta para um horizonte relevante. Nada disso inspira um compromisso firme em trazer a inflação à meta de 3% ao longo do tempo.
Monitor Digital - RJ 05/08/2026
O novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao comércio internacional representa muito mais do que uma decisão econômica. Trata-se de um movimento que reorganiza as relações comerciais globais, aumenta a insegurança dos mercados e impõe novos desafios para países que dependem das exportações para gerar emprego, renda e desenvolvimento. Para o Brasil, os impactos podem ser significativos. Por isso, diante deste cenário preocupante, a principal obrigação da União deve ser a de ampliar o diálogo. É hora de fortalecer a iplomacia, adbrir canais de negociação e aproximar os setores produtivos, a fim de se reduzir os prejuízos ao País.
Ademais, este episódio revela outro grave problema: o custo da polarização política. Há anos, defendo que o maior prejuízo desta radicalização não está restrito ao ambiente de intolerância que se cria, mas, sobretudo, ao seu poder de contaminar as relações institucionais, econômicas e diplomáticas, tornando o Brasil mais vulnerável, justamente quando mais precisa construir pontes.
Hoje, praticamente toda discussão termina dividida entre os extremos. A política, então, deixa de ser instrumento para a superação de desafios e o oferecimento de soluções para o dia a dia dos brasileiros e se transforma numa arena, num campo de batalha, num espaço de constante enfrentamento.
Enquanto isso, demandas fundamentais continuam esperando por respostas. A produtividade, por exemplo, permanece baixa, a infraestrutura carece de investimentos, a Educação exige avanços urgentes, e a inovação cresce lentamente, enquanto a competitividade da indústria precisa ser fortalecida. Estas, entre tantas outras, deveriam ser prioridade da agenda pública. Infelizmente, quando a polarização domina o debate, estas pautas desaparecem. Sobram discursos, ataques (inclusive, às instituições) e faltam resoluções.
O mais preocupante é que esta tensão vai além dos partidos e das ideologias e produz, também, reflexos internacionais. O Brasil passou a ocupar espaço em disputas externas, enquanto governos estrangeiros também se manifestam sobre temas internos. Por óbvio, quanto maior a instabilidade política, menor tende a ser nossa capacidade de construir relações sólidas e defender os interesses econômicos do País.
Quem paga essa conta nunca são apenas os governos. Paga o empresário, que deixa de investir; o produtor, que perde mercado; o trabalhador, que vê as oportunidades diminuírem; e a família, que enfrenta inflação, juros elevados e menor crescimento econômico, perdendo, inclusive, a cada dia, o poder de compra. Em outras palavras, quem sempre paga, e caro, é o cidadão comum.
Por isso, o momento exige maturidade. Defender o Brasil significa colocar o interesse nacional acima das disputas políticas, compreender que diálogo não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade, e entender que negociar não é abrir mão de princípios, mas, sim, proteger empregos, investimentos e oportunidades.
O tarifaço americano é um alerta importante. O Brasil carece, insisto, de menos polarização e de mais gestão; de menos discursos para alimentar torcidas e de mais políticas públicas voltadas a resultados. O País precisa de menos conflitos permanentes e de mais capacidade de alcançar consensos.
Globo Online - RJ 05/08/2026
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve continuar hoje o processo gradual de calibração da Taxa Selic nesta quarta-feira com mais um corte de 0,25 ponto percentual dos juros básicos, de 14,25% para 14% ao ano.
O movimento, se confirmado hoje ao fim do segundo dia da reunião do Copom, levaria a taxa ao menor patamar desde março do ano passado (13,25%).
Além disso, representaria o quarto recuo consecutivo de 0,25 ponto percentual ou uma queda total da Selic de 1 ponto percentual neste ciclo de afrouxamento, configurando um dos processos de queda mais graduais da história do regime de metas para a inflação, criado em 1999. Os cortes foram iniciados em março, após os juros básicos ficarem nove meses em 15%.
A redução da Selic para 14% é amplamente esperada por bancos, gestoras e consultorias consultadas pelo Valor Pro. Das 113 instituições ouvidas, 110 esperam queda de 0,25 ponto percentual, enquanto três aguardam manutenção em 14,25%. Além disso, a maioria do mercado financeiro acredita que o Copom deve manter a porta aberta para continuar o ciclo de calibração na próxima reunião, em setembro.
O que vai pesar na decisão?
O consenso sobre a decisão do Copom desta quarta foi se formando ao longo do tempo, principalmente graças a resultados melhores do que o esperado nos principais indicadores de inflação e atividade econômica desde o último encontro, em junho.
Aquela reunião ocorreu sob a marca da divulgação de números desfavoráveis para o controle inflacionário e o Copom adotou uma comunicação considerada confusa pelo mercado para tentar explicar a opção pelo corte mesmo com a projeção oficial de inflação longe da meta de 3%.
Em junho, o BC mirava o final de 2027 para cumprir a meta (horizonte relevante) e projetava que o IPCA seria de 3,7%. Depois, em entrevista à imprensa, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e o diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti, explicaram que a decisão pela queda devia-se à avaliação de que o desvio era explicado majoritariamente pelo choque ligado ao fenômeno climático El Niño, que se dissiparia já no primeiro trimestre de 2028, o horizonte relevante nesta reunião de agosto — o alvo é móvel, de 18 meses à frente.
Sem sinalização clara
Mesmo assim, não houve nenhuma sinalização mais objetiva dos integrantes do BC sobre os planos para o Copom deste mês. Em um ambiente bastante volátil e incerto, a estratégia do comitê para conduzir a política monetária com “serenidade e cautela” era esperar a evolução dos dados até a decisão.
Na avaliação de economistas do mercado financeiro, a moderação verificada nos últimos indicadores de atividade e inflação dão um certo conforto para o BC cortar mais 0,25 ponto percentual nesta quarta.
O economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, afirma que a continuidade da desaceleração dos núcleos de inflação no IPCA-15 de julho foi importante, assim como a desaceleração na geração de vagas formais de trabalho no primeiro semestre, conforme o novo Caged.
Segundo ele, esses dados recentes confirmam o cenário esperado pelo BC, apontado, por exemplo, pelas estimativas de hiato do produto no futuro, e corroboram mais um corte de 0,25 ponto percentual da Selic nesta quarta, para 14%.
Desancoragem limita espaço para corte
No entanto, a desancoragem das expectativas de inflação em 2027 (4,22%, segundo o Boletim Focus) e, principalmente em 2028 (3,80%), indicam que o espaço para o relaxamento dos juros está perto do fim, avalia Oliveira.
O economista afirma que o IPCA do ano que vem será muito impactado pelo choque provocado pelo El Niño, o que explicaria o forte distanciamento ante a meta de 3,0%, mas o desvio de 2028, quando o efeito climático já teria se dissipado, é mais preocupante e passa a ganhar mais relevância no horizonte relevante do BC.
— O BC não vai fechar a porta para mais cortes, mas deve indicar de algum modo que esse processo está mais próximo do fim — diz ele, que espera que o ciclo se encerre com uma queda para 13,75% em setembro, mesma expectativa da Focus.
O cenário de corte derradeiro para 13,75% em setembro é o mesmo do BTG Pactual. De acordo com o relatório do banco, a comunicação do Copom ainda aponta continuidade do ciclo de calibragem. O BTG lembra que o BC indicou que há várias trajetórias de política monetária com pausas e retomadas da redução dos juros que levam a inflação à meta no horizonte relevante.
Na ata da reunião de junho, o Copom afirmou que discutiu diferentes trajetórias para Selic e que considerou mais adequadas aquelas menos discrepantes em relação ao Boletim Focus, ao Questionário Pré-Copom, enviado pelo mercado ao colegiado, e na curva de juros.
Segundo o BC, essas trajetórias contemplavam “cenários com combinações de diferentes momentos de pausa e retomada do ciclo de calibração” e permitiam um impacto mais suave sobre a atividade, com a inflação convergindo para a meta no primeiro trimestre de 2028.
O BTG ainda argumenta que se o balanço de riscos para a inflação em 2027 tem uma assimetria para cima, com perigos relacionados à guerra no Oriente Médio, como os preços de petróleo, à probabilidade de um El Niño muito forte e à persistência da desancoragem das expectativas, para a atividade, o risco é maior para baixo.
“O balanço de riscos para a atividade em 2027 apresenta assimetria baixista, dado que o endividamento das famílias está em nível recorde, o que pode intensificar a desaceleração do consumo em um ambiente de menor impulso fiscal e política monetária ainda restritiva”, diz, em relatório, acrescentando ainda que as boas notícias dos dados correntes de IPCA e do Caged abrem uma “janela favorável” para os próximos cortes.
Infomoney - SP 05/08/2026
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, recuou 0,03% em julho, após alta de 0,18% em junho e depois de ficar estável na terceira quadrissemana do mês passado, segundo dados publicados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) nesta terça-feira, 4.
O resultado de julho ficou abaixo das estimativas de instituições de mercado consultadas pelo Projeções Broadcast, que variavam de 0,01% a 0,05%, com mediana de 0,03%.
Entre janeiro e julho, o IPC-Fipe acumulou inflação de 2,08%. Em 12 meses até julho, o índice registrou alta de 3,60%, abaixo da mediana projetada de 3,67% e desacelerando em relação ao ganho de 3,92% no período encerrado em junho.
Em julho, quatro dos sete componentes do IPC-Fipe perderam força: Alimentação (de 0,13% em junho para -0,69%), Transportes (de 0,10% para -0,13%), Despesas Pessoais (de -0,03% para -0,07%) e Saúde (de 0,31% para 0,10%).
Por outro lado, houve aceleração de junho para julho em Habitação (de 0,34% para 0,57%), Vestuário (de 0,31% para 0,58%) e Educação (de 0,11% para 0,30%).
Veja abaixo como ficaram os componentes do IPC-Fipe em julho:
– Habitação: 0,57%
Alimentação: -0,69%
Transportes: -0,13%
Despesas Pessoais: -0,07%
Saúde: 0,10%
Vestuário: 0,58%
Educação: 0,30%
Índice Geral: -0,03%
O Estado de S.Paulo - SP 05/08/2026
Nada supera a elevada taxa de juro e o custo do crédito quando se trata das dores e preocupações dos empreendedores e pessoas físicas brasileiros. É o que diz José Berenguer, um dos mais respeitados executivos do sistema bancário brasileiro e que, nos últimos 40 anos, esteve na liderança de importantes instituições financeiras nacionais e internacionais, como o JPMorgan.
À frente do Banco XP desde 2020, Berenguer não vê alívio futuro para o juro brasileiro e diz que esse é o maior freio para a economia brasileira. “A reclamação ou a dor de cabeça, o número um de qualquer cliente no Brasil, pode ser o cliente pequeno, o maior cliente corporativo ou na pessoa física, é o crédito, é o custo do crédito. O crédito é curto, o crédito é caro, o crédito, às vezes, é escasso”, afirma.
Para ele, a única solução para que o Brasil tenha um juro compatível ao de um país emergente é a discussão de um projeto de país. “Criamos incentivos para setores específicos e, no fundo, quem paga é a sociedade toda”, diz. Berenguer coloca nessa lógica títulos de investimento que têm benefício fiscal e recaem sobre um número excessivo de papéis. “Para que colocar o dinheiro para trabalhar, criando fábrica e emprego, se eu ganho 14% no incentivado?”
Sobre o banco, o CEO conta que a XP está na rota da internacionalização. Aqui, a previsão é do lançamento de uma linha de comércio exterior, ainda este ano, que já está em fase piloto. Também a XP está se posicionando para a oferta de crédito dentro do novo sistema das duplicatas escriturais, que está sendo desenvolvido pelo Banco Central em conjunto com o mercado.
Veja abaixo a entrevista completa.
Quais são as maiores dores que vocês ouvem dos clientes da XP?
Taxa de juro, preço do crédito. O preço do crédito é a reclamação número um, dois e três do empreendedor, do empresário, da pessoa física. Eu acho que esse é o grande freio de mão puxado do Brasil. Estamos com uma taxa de juro real de 10 pontos porcentuais. Se conseguir resolver a curva de juros do Brasil e ter uma curva de juros em patamar de país emergente, eu acho que a gente vai destravar muito o valor do Brasil.
O sr. vê alívio do juro em 2027?
Não vejo no futuro do Brasil, infelizmente. Temos uma dinâmica de funcionamento da economia que nos deixa numa armadilha, a do endividamento público crescente. Tem sempre justificativas, claro, só que a gente não consegue fazer com que esse endividamento se estabeleça. Segundo ponto é que temos uma estrutura de composição do spread bancário meio punitiva comparada com outros lugares. Tem alguns impostos que incidem sobre o custo do dinheiro, o custo da operação do sistema. Essas funções fazem com que o crédito chegue na ponta muito caro. A reclamação ou a dor de cabeça número um de qualquer cliente no Brasil, seja o cliente pequeno, o maior cliente corporativo ou a pessoa física, é o custo do crédito. O crédito é curto, o crédito é caro, o crédito, às vezes, é escasso. Do ponto de vista de competitividade, o crédito melhorou, temos mais players, mas ainda não é fluido como poderia ser. E é caro.
E o que falta, na sua opinião, para que o custo do crédito seja mais baixo?
Faltam algumas mudanças regulatórias para diminuir alguns aspectos do spread bancário. Falta pensar como a gente faz para ter uma curva de juros civilizada, de 6% ou 7%, em base nominal. Isso só vai acontecer quando houver uma discussão de projeto do país. O que acontece hoje? Damos subsídio, incentivo e seguramos os gastos na ponta. Só que isso custa. Fazendo uma analogia, será que o país precisa subsidiar alguns segmentos da economia em detrimento de todos? Eu prefiro ter uma discussão ampla de país que é o seguinte: o setor de infraestrutura é super importante para o Brasil então o Tesouro vai separar uma parte do orçamento para financiar, para subsidiar, para incentivar as obras de infraestrutura. Mas fazer isso às claras, não no subsídio de taxa.
O sr. está falando dos produtos de investimento incentivados?
Também. A gente precisa de tanto produto incentivado? A taxa de juros é alta. Criamos incentivos para setores específicos e, no fundo, quem paga é a sociedade toda. O título incentivado para mim talvez seja o grande fator de desequilíbrio. No mundo todo, você tem um ou outro título incentivado. Aqui você tem agrícola e um monte de coisa. Será que não era mais fácil a gente ter uma discussão fiscal ampla de gastos amplos e fazer com que todo mundo pague? Para que eu vou colocar o dinheiro para trabalhar, criando fábrica e emprego, se eu ganho 14% no incentivado? É difícil. De novo, é o freio de mão que o Brasil tem puxado e, para que essa situação melhore, é necessária uma liderança política super forte que ponha todo mundo na mesa, todos os setores, e tente melhorar esse negócio.
O sr. vê temor de uma possível reeleição do Lula? Sente isso nos seus clientes?
Não. O brasileiro aprendeu a tocar sua vida e seu negócio, independentemente do que aconteça em Brasília. Isso acontece em todo lugar do mundo. Eu trabalhava em um outro banco e mandei uma mensagem descrevendo o que estava acontecendo aqui na época em um outro governo, e a resposta do meu chefe foi: ‘Vou te dar um conselho: toda vez que eu presto atenção na capital do meu país, eu me distraio e tiro o olho do meu cliente. Não fica preocupado com esse problema do teu presidente e fique focado no teu cliente’. Não é que a gente não seja cidadão. Todo mundo quer o país melhor e todo mundo tem seu candidato. Agora eu acho que o brasileiro ficou refratário à discussão política. Você tem a polarização que todo mundo acompanha, mas o brasileiro aprendeu a fazer o seu dever de casa e tocar a sua empresa, se preocupar com seus clientes, funcionários, com a sociedade, e Brasília está lá. Que tem prós e contras. Mas é assim que eu vejo a cabeça do empresário brasileiro hoje.
Na XP, qual é o modelo de banco que está sendo perseguido?
Na pessoa física, clientes que tenham recurso aplicável. A gente estima que o Brasil tem em torno de 20, 25 milhões de pessoas com algum tipo de investimento. A gente hoje tem 5 milhões de clientes ativos e mais 4 milhões de inativos. Tem um espaço de crescimento muito grande. Esse cliente investidor consome vários produtos, ele tem um índice de inadimplência baixo, um cliente que tem mais recurso. Ele tem necessidades de longo prazo. Hoje temos o Open Finance; eu vejo a vida financeira inteira do cliente e enxergo de forma ampla. Na pessoa jurídica, a gente quer o cliente que é aplicador, que tem fluxo de caixa e que tem uma amplitude de demanda. A XP vai entregar em breve o serviço de comércio exterior, que chamamos de trade finance, e daí teremos o banco completo. Temos 100 mil clientes na pessoa jurídica, sendo 2 mil no ‘corporate’, com faturamento anual acima de R$ 700 milhões, e depois, no middle, temos 16 mil, e dali para baixo é pequeno e médio.
Quando o serviço de comércio exterior estará disponível?
Estamos no piloto. Mas, como o nosso cliente tem opção e é demandado pelo mercado todo, seja na pessoa física, seja na jurídica, sempre temos muito cuidado em colocar um produto ou serviço na prateleira, ver se o produto está impecável. Não só do ponto de vista de preço, mas de entrega, de pós-venda, porque dá problema. A gente trabalha com urgência, mas sem pressa.
A XP não quer ser só um banco no Brasil, correto? Como será essa internacionalização?
Estamos buscando uma instituição bancária de pequeno e médio porte nos Estados Unidos. O objetivo é atender os clientes brasileiros nas suas necessidades em dólar. Conta, empréstimos, etc. E isso também conversa com a iniciativa de comércio exterior, que é uma necessidade dos exportadores e importadores. Ter uma licença nos Estados Unidos pode significar funding mais barato e linhas de crédito mais baratas para os nossos clientes.
Alguma outra novidade?
Vamos integrar a nossa plataforma de crédito com as centrais de recebíveis, para estarmos aptos a oferecer crédito dentro do novo sistema das duplicatas escriturais. Vamos integrar com uma ou duas centrais que vão estar interligadas. Estaremos prontos para isso nos próximos meses.
Quando o sr. descreve os produtos, a estratégia, o serviço, tudo parece semelhante aos concorrentes. No que vocês querem se diferenciar?
Primeiro, eu quero focar no cliente. No CFO da empresa, no dono da empresa, na pessoa física. Quero entender o que ele precisa e não ficar empurrando o produto. A maioria dos nossos concorrentes trabalha com campanha de produto. Os bancos grandes de varejo têm o que eles chamam de ferramentas de avaliação da rede, que é muito baseado em produtos. Óbvio que está havendo uma mudança, mas ainda muito direcionada pelo produto. A gente quer ter uma visão do cliente e, com o Open Finance, com outras tecnologias, isso é possível. Com dados, você consegue ver que o cliente tem essas e essas características. E a gente está tentando migrar de uma segmentação baseada em tamanho do cliente para comportamento.
Isso é uma coisa que é diferente. A outra coisa é que eu tenho uma equação de custos inferior aos concorrentes, porque não tenho um sistema legado, tenho poucos sistemas legados e não tenho rede. Eu tenho os agentes autônomos, que são a minha rede, mas eles são independentes. Eles têm seu próprio custo.
Money Times - SP 05/08/2026
A Vale desacelerou seus projetos para o desenvolvimento de complexos industriais (“mega hubs”) no Oriente Médio com parceiros diante da guerra no Irã, afirmou o presidente da companhia, Gustavo Pimenta, nesta terça-feira.
As iniciativas visam a fabricação de produtos de minério de ferro de baixo carbono para a indústria siderúrgica.
A companhia assinou, nos últimos anos, acordos com clientes, buscando soluções que permitiriam reduzir as emissões da siderurgia.
Três dos negócios fechados visavam a instalação desses complexos na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e em Omã para a produção de “hot-briquetted iron” (HBI).
“Com a guerra, os projetos seguem sendo avaliados e discutidos, mas eles desaceleraram”, disse Pimenta, a jornalistas, em evento da S&P, no Rio de Janeiro.
O executivo pontuou que a empresa avalia o andamento da guerra e quais as condições que permitiriam a retomada do andamento dos projetos.
“Do ponto de vista fundamental e do ponto de vista estrutural, segue sendo uma região atrativa porque tem gás natural barato, tem uma questão logística muito importante”, adicionou.
No passado, a Vale chegou a prever iniciar as atividades no primeiro centro industrial no Oriente Médio em 2027.
Pimenta destacou, entretanto, que a descarbonização na indústria “é um caminho sem volta, ela vai ocorrer”.
“Ela (a descarbonização) vai ter ‘ups and downs’, ela vai ter subidas e descidas ao longo do (tempo) e, questões como guerra, isso tudo impacta. Mas a direção da descarbonização em função da questão de emissão de CO2 está dada, e eu acho que para Vale vai seguir sendo um posicionamento estratégico importante”, afirmou.
Minerais críticos
Pimenta também afirmou que tem participado de discussões junto ao governo federal que visam o desenvolvimento da indústria de minerais críticos no Brasil, e afirmou que há a necessidade da criação de incentivos governamentais e mecanismos comerciais para o avanço do setor no país.
“Eu acho muito difícil (sem incentivos) porque o grau de eficiência que o mercado chinês, por exemplo, conseguiu alcançar, inclusive com o apoio do governo e em alguns casos de subsídios, fez com que eles chegassem ao nível de eficiência que é difícil você replicar”, afirmou.
“Então as maiores plantas de refino (de minerais) hoje fora da China estão perdendo dinheiro, então você tem que criar um incentivo para essa cadeia.”
Pimenta ressaltou, no entanto, que a Vale não tem planos de atuar no refino de minerais críticos e que o seu papel neste cenário é ser “o melhor operador de ‘upstream’ possível É isso que a gente sabe fazer”.
A companhia é uma importante produtora de níquel e cobre.
IstoÉ Dinheiro - SP 20/01/2023
A China deve ser uma força estabilizadora para a demanda de commodities este ano, já que os países desenvolvidos enfrentam dificuldades econômicas, disse a BHP Group nesta quinta-feira, após ter reportado maiores embarques trimestrais de minério de ferro que superaram as expectativas.
A BHP tem a expectativa, assim como a Rio Tinto, de que as medidas da China para apoiar o setor imobiliário local sustentem uma demanda sólida por seus produtos siderúrgicos.
“Espera-se que as políticas pró-crescimento da China, inclusive no setor imobiliário, e uma flexibilização das restrições da Covid-19 apoiem a melhoria progressiva das difíceis condições econômicas do primeiro semestre”, disse a BHP.
A Rio Tinto, no entanto, também disse esta semana que a reabertura da China após restrições por Covid-19 pode aumentar os riscos de curto prazo de escassez de mão de obra e cadeia de suprimentos.
A maior mineradora listada do mundo disse que a produção de minério de ferro das minas em que opera na Austrália Ocidental foi de 74,3 milhões de toneladas nos três meses encerrados em dezembro, um aumento de 1% em relação aos 73,9 milhões de toneladas no ano anterior e superando a previsão de consenso de 71,9 milhões de toneladas.
A gigante de mineração reafirmou sua previsão para o ano fiscal de 2023 para a produção de minério de ferro da Austrália Ocidental entre 278 milhões e 290 milhões de toneladas.
A BHP elevou a previsão de custos para suas divisões de carvão, culpando a inflação e depois que inundações afetaram as operações deste ano. Ao mesmo tempo, reiterou que não faria grandes investimentos em Queensland porque o estado aumentou os pagamentos de royalties.
No cobre, a produção de Escondida, no Chile, foi impactada por bloqueios de estradas que interromperam o fornecimento de materiais para a mina.
Já a produção de níquel caiu 2% para 38.000 toneladas, refletindo o aumento mais lento do que o esperado da refinaria de Nickel West da BHP após a manutenção planejada no trimestre de dezembro.
Valor - SP 20/01/2023
Mineradora controlada por CSN e sócios asiáticos, que prevê investir R$ 13,8 bilhões até 2028, firmou contrato de US$ 500 milhões com a trading Glencore

Pedro Oliva, diretor financeiro: “As condições foram boas, a custo competitivo e refletem o preço de mercado do minério” — Foto: Claudio Belli/Valor
O contrato de US$ 500 milhões de venda antecipada de minério de ferro firmado com a trading Glencore faz parte da estratégia da CSN Mineração em garantir suporte ao seu plano de expansão, de agora até 2028, que vai demandar quase R$ 14 bilhões, visando dobrar a capacidade de produção anual da empresa.
A operação pode ser analisada por dois pontos de vista, disse ao Valor o diretor financeiro da companhia, Pedro Oliva. Primeiro, pela ótica comercial. “As condições foram boas e refletem o preço de mercado do minério; e a Glencore é um importante cliente - uma das maiores tradings de commodities do mundo -, que tem grande capilaridade de venda na China, entregando o produtos em pequenas quantidades, via ferrovias”.
O segundo aspecto, diz o executivo, é financeiro. Envolveu um capital de custo competitivo no mercado, de longo prazo, preservando a política de pagamento mínimo de 80% de dividendos aos acionistas da CMIN. A amortização será feita a cada embarque do minério e precificado ao valor de mercado da commodity.
A operação representou o pagamento antecipado correspondente a US$ 38 por tonelada de minério, do total de 13 milhões de toneladas que serão vendidas à Glencore no prazo de quatro anos, iniciando em 2024 (até 2027). O valor de US$ 500 milhões (R$ 2,6 bilhões pela cotação do dólar nesta quinta-feira, 19) entraram no caixa da mineradora nesta semana, informou Oliva.
Até o início de 2028, a CMIN prevê elevar seus volumes de ofertas ao mercado (produção própria mais compras de terceiros) de 34 milhões de toneladas, em 2022, para 68 milhões de toneladas. Pelo cronograma, que começa a contar neste ano, serão necessários R$ 2,8 bilhões de recursos ao ano nos seis novos projetos da empresa, situados na região de Congonhas (MG), onde está a mina Casa de Pedra.
Ao todo, eles vão adicionar volume total de 26,9 milhões de toneladas. O principal desses projetos é o denominado Itabirito P15 (com 15 milhões de toneladas de minério ao ano), com conclusão das obras no quarto trimestre de 2025. Para 2023 está previsto o chamado Ultrafinos, de 1 milhão de toneladas, conforme informações apresentadas em dezembro no CSN Day aos seus investidores.
O minério da P15, bem como o de Itabirito P4+, somando quase 20 milhões de toneladas, serão um pellet-feed de alto teor de ferro - entre 66% e 67,5%, destaca Oliva. É muito procurado por produtores de pelotas (pellets) pelo processo de redução direta. Desse produto se faz HBI (hot briquetted iron), que ajuda as usinas de aço a cortar emissões de CO2. “Está escasso no mercado, pois há uma demanda alta em razão da descarbonização”, afirma.
Os demais projetos envolvem operações de recuperação de rejeitos nas atuais unidades de beneficiamento da CMIN, a partir do descomissionamento de barragens. A empresa já não coloca mais rejeitos em barragens, sendo utilizado processo a seco e deposição do material em pilhas.
A direção da companhia, diz o executivo, está confiante na execução do cronograma e também no acesso a funding para concretizar os projetos. “São projetos resilientes, com competitividade e vão trazer retorno à companhia e a seus acionistas”, declara. Além das captações, observa que a mineradora tem uma alta geração de caixa.
Faz parte do plano da mineradora - que abriu capital em fevereiro de 2021 e é controlada pela CSN e um grupo asiático reunindo uma trading e siderúrgicas - a expansão do terminal portuário em Sepetiba, para embarcar 60 milhões de toneladas por ano.
Oliva disse que a companhia prospecta outras alternativas de captação de recursos. Por exemplo, fez emissão de debênture voltada a financiar a expansão portuária. Está em negociação ainda uma operação com o JBIC (banco japonês) e a seguradora Nexi (também do Japão), para obter mais de US$ 1 bilhão.
Segundo o executivo, a operação com Glencore não é a primeira. Esta, na verdade, seria uma renovação da última, que vence no final do ano - uma rolagem parcial, pois era de quase 7 milhões de toneladas anuais.
Na avaliação de Oliva, o mercado global de minério de ferro trabalha com um cenário de covid zero na China e suporte do governo local ao setor imobiliário (que é grande consumidor de aço). Isso deve dar sustentação aos preços. As curvas futuras, diz, indicam cotação entre US$ 115 e US$ 120 a tonelada. “O mercado vive um bom momento, em linha com a dinâmica de oferta e demanda”, afirma.
Nesta semana, o preço do minério na China (62% de teor) girou na faixa de US$ 120 a tonelada.
Valor - SP 20/01/2023
Nova regra americana deve causar desequilíbrios ao favorecer países que têm pactos comerciais com Washington

Um bilionário pacote de subsídios para a transição verde do governo de Joe Biden, que enfureceu os europeus, também preocupa alguns países da América Latina exportadores de commodities, que temem ficar para trás de seus pares na região que já possuem um acordo de livre comércio com os EUA.
A chamada Lei de Redução da Inflação (IRA, na sigla em inglês) prevê mais de US$ 360 bilhões para gastos relacionados ao clima, incluindo incentivos fiscais para a construção e implantação de infraestrutura de energia limpa. O pacote também fornece subsídios para fábricas instaladas nos EUA, inclusive para produção de veículos elétricos - que demandam alguns dos principais produtos de exportação da América Latina, como lítio, cobre e prata.
Mas para receber os benefícios, as empresas instaladas nos EUA precisam atender a exigência de que a maior parte dos componentes usados na produção sejam fornecidos por empresas que operam no território dos EUA ou em países com acordo de livre comércio com os EUA firmado até 2027.
Esse é o ponto da legislação que está no centro da polêmica dos EUA e seus parceiros comerciais. Na América Latina, a norma coloca Chile, Colômbia e Peru em uma posição privilegiada para fornecer os insumos necessários para a descarbonização da economia americana por já terem acordos de livre comércio com os EUA. A IRA está levando esses países a elevarem os seus investimentos já planejados no setor de mineração.
Nova regra deve causar desequilíbrios ao favorecer países que têm pactos comerciais com Washington
Por outro lado, a IRA deixa de fora importantes produtores de commodities minerais da região - como Brasil, Bolívia e Argentina - que se queixam do tratamento discriminatório por parte da regra americana.
Um dos riscos da estratégia dos EUA, segundo especialistas, é o de causar o desenvolvimento desigual deste setor específico nos vários países latino-americanos.
“A Argentina, por exemplo, tem vários projetos à espera de financiamentos e a Bolívia, embora tenha reservas, ainda engatinha nessa área. Ao mesmo tempo, o Chile já tem um setor mais avançado”, disse o analista da consultoria argentina Perspectiv@s Económicas, Luis Secco. “Um efeito que pode ser esperado dos subsídios dos EUA é o aumento dessa distância entre os produtores”, afirmou Secco.
No caso específico dos minérios latino-americanos, é justamente a Argentina que lidera as queixas e reivindica acesso ao mercado americano para seu lítio e outros produtos minerais.
Para que se qualifique a receber os créditos, a IRA exige que 80% dos insumos sejam “extraídos ou processados” por empresas dos EUA ou de um país com acordo de livre comércio assinado com Washington até 2027. Isso exclui, Argentina e Bolívia - ambos com grandes reservas de lítio.
“A lei americana pode ser fator importante de alteração no equilíbrio do desenvolvimento do setor de mineração nos vários países da América Latina, na medida em que pode causar reflexos no aumento do nacionalismo comercial e econômico enquanto a demanda mundial de matéria-prima para baterias se expande”, declarou Peter Hakim, analista para América Latina do centro de estudos dos EUA Inter-American Dialogue.
“Mas é preciso levar em conta também que a perspectiva econômica global pessimista nos próximos anos, pode ampliar ainda mais o desequilíbrio do setor de mineração na América Latina do que qualquer lei dos EUA”, prosseguiu Hakim. “E, independentemente da IRA, o Chile, por exemplo, estará em melhor posição para se aproveitar do eventual aumento da demanda de lítio e cobre, seja por sua longa experiência na exportação de minérios, capacidade tecnológica e múltiplos acordos comerciais em todo o mundo”, completou.
“Como a lei ainda não foi implementada, as embaixadas argentina e americana e a chancelaria argentina estão liderando as negociações para estabelecer uma exceção e permitir que a Argentina negocie seu produto diretamente com empresas dos EUA nas mesmas condições dos países que têm preferências comerciais”, disse um funcionário do governo de Buenos Aires à agência Bloomberg.
O Equador - cujo presidente, Guillermo Lasso, esteve nos EUA nos últimos dias em busca de acordos comerciais - e o Brasil buscam brechas para também se aproveitarem das vendas aos americanos.
“Um campo importante que poderia se aproveitar dos benefícios da IRA, além da mineração, é o da reciclagem”, disse o analista Andrés Vázquez, da LCB Consultores, de La Paz. Ele assinala que a Brookings Institution apresentou um estudo em 2022 que mostra que entre 40% e 75% de metais não ferrosos para bateria podem ser reciclados a partir de descartes. “Esta é uma grande oportunidade para empresas dos países que têm acordo com os EUA e seriam elegíveis para os créditos americanos, que trariam uma vantagem competitiva enorme sobre empresas de outros países”, afirmou Vázquez.
Em termos numéricos, ainda não se sabe qual impacto o financiamento dos EUA a projetos de mineração pode ter sobre as economias da região. Mas, para alguns especialistas, China e Europa podem aportar maiores investimentos nos países que ficarem de fora das preferências dos EUA.
“Há cada vez mais dinheiro do governo disponível para apoiar essa importante indústria nascente”, disse nesta semana o principal executivo da American Lithium Corp, Simon Clarke à agência Bloomberg. A companhia tem projetos de lítio no Peru. Segundo Clarke, fabricantes de veículos elétricos esperam que uma onda iminente de oferta de lítio esteja a caminho para aliviar seus planos de expansão e, em razão disso, espera para breve alguns “créditos fiscais muito significativos para produtores de minerais essenciais”.
Dono de uma das maiores reservas de lítio e cobre do planeta, o Chile deve receber até 2027 US$ 2 bilhões em novos investimentos para aumentar a produção de lítio. O governo de Gustavo Petro, na Colômbia, pretende tornar o lítio um de seus principais produtos de exportação - para substituir o gradual abandono das vendas de carvão. E o Peru planeja investir quase US$ 590 milhões nos primeiros sete anos de seu polo de lítio de Puno, aumentando a produção nesse período de 22 mil toneladas/ano para 45 mil t/ano.
Entre os metais fundamentais para a produção de baterias, 58% do total das reservas identificadas de lítio, 41% das de cobre, 24% do níquel e 39% da prata estão na América Latina. A China tem se adiantado ao Ocidente nessa corrida e fechado contratos para a compra de grande parte da produção dessas commodities na região. Por isso, a ofensiva americana sobre esses produtos é vista como uma reação esperada.
“A discussão sobre o aumento dos investimentos americanos nos projetos de lítio e cobre no Chile já está presente no país há um bom tempo”, disse o economista Juan Eichholz, analista da CLA Consulting, de Santiago. “Essa expectativa [da IRA] gerou até mesmo tomadas de decisão sobre o aumento dos investimentos em cobre e lítio no país”, explicou.
Valor - SP 05/08/2026
A Toyota Motor está se tornando cada vez mais dependente do mercado americano para manter as vendas estáveis, o que, por sua vez, expõe a montadora japonesa ao risco de mudanças repentinas nas políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O volume global de vendas de veículos Toyota e Lexus caiu 3% em relação ao ano anterior, no trimestre de abril a junho, para 2,55 milhões de unidades, informou a Toyota nesta terça-feira. As vendas na China, um dos maiores mercados, caíram 28%, para 320 mil unidades.
A América do Norte e o Japão ajudaram a sustentar as vendas. A Toyota vendeu 670 mil unidades nos Estados Unidos, um aumento de 1% em relação ao ano anterior. O volume de vendas no Japão saltou 18%, para 410 mil veículos.
"Embora tenha havido algumas regiões com queda nas vendas, as regiões com crescimento deram um suporte maior do que o esperado", disse Takanori Azuma, diretor do Grupo de Contabilidade da Toyota.
A eliminação gradual dos subsídios para veículos elétricos em Washington forçou as montadoras a mudarem suas estratégias. No trimestre de abril a junho, o volume de vendas nos Estados Unidos da General Motors e da Ford Motor caiu 4% e 10%, respectivamente, em comparação com o ano anterior. Os números da Tesla não são divulgados oficialmente, mas o volume aparentemente caiu 13%, segundo pesquisa da empresa de inteligência de mercado americana Cox Automotive.
A estratégia da Toyota abrange uma ampla gama de veículos, desde carros a gasolina até híbridos e elétricos. Essa abordagem tem se mostrado eficaz nos Estados Unidos.
Os novos modelos do sedã Camry e do utilitário esportivo RAV4 mantiveram seu ritmo no mercado. A força da Toyota em híbridos a torna menos suscetível à concorrência de preços nos Estados Unidos, contribuindo para altas margens de lucro.
"Mesmo com as preocupações sobre uma desaceleração econômica, o poder de compra dos Estados Unidos permanece forte", disse Seiji Sugiura, analista sênior do Tokai Tokyo Intelligence Laboratory.
A desvalorização do iene contribui para o avanço dos lucros da Toyota. Para o atual ano fiscal, que termina em março de 2027, a depreciação da moeda japonesa deverá impulsionar o lucro em 480 bilhões de ienes (US$ 3,04 bilhões) em comparação com a previsão inicial.
O impacto do conflito no Oriente Médio parece estar diminuindo. Inicialmente, a Toyota projetou recuo de 670 bilhões de ienes nos lucros devido aos cortes na produção e aos altos custos das matérias-primas. Essa previsão agora é de 510 bilhões de ienes.
A Toyota projeta um impacto negativo de 60 bilhões de ienes devido a fatores como a descontinuação do desenvolvimento de sua próxima geração de veículos elétricos Lexus, o LF-ZC.
A montadora japonesa registrou crescimento de lucro no período de abril a junho, enquanto a GM e a Tesla apresentaram quedas.
Os Estados Unidos contribuem cada vez mais para o volume de vendas globais da Toyota, passando de 23% para 26%. Mas esse crescimento traz desvantagens. Uma delas é a instabilidade da taxa de câmbio: o iene se valorizou recentemente devido à intervenção das autoridades japonesas e americanas.
"Seria desejável que a taxa de câmbio permanecesse estável", disse Azuma.
Riscos políticos também pairam sobre o mercado americano. A primeira revisão conjunta do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), realizada em 1º de julho, resultou na decisão de Washington de não renovar o acordo comercial.
Washington propõe aumentar a exigência de componentes de veículos produzidos na América do Norte para 82% do valor, ante os atuais 75%. Pelo menos 50% das peças teriam origem nos Estados Unidos.
O cumprimento dessas revisões do USMCA aumentaria os custos em até US$ 1.200 por veículo, segundo a consultoria americana AlixPartners. Grande parte do custo adicional viria da certificação de origem e da fabricação de aço e alumínio na América do Norte.
Em julho, a Toyota anunciou que transferiria parte da produção de sua picape Tacoma, atualmente fabricada em instalações mexicanas, para os Estados Unidos até 2030. A empresa investirá US$ 3,6 bilhões na construção de uma nova linha de produção em sua fábrica no Texas.
"Levando em consideração a logística simplificada e o impacto das tarifas, exploramos um sistema de produção que entrega veículos aos nossos clientes ao menor preço possível", disse Azuma.
A Toyota anunciou em novembro que investiria até US$ 10 bilhões nos Estados Unidos ao longo de cinco anos, buscando aumentar a produção de veículos elétricos, incluindo os populares híbridos, bem como componentes essenciais.
Com as tarifas, custos trabalhistas e a necessidade de adequação ao USMCA elevando os custos, uma proporção de vendas persistentemente maior nos Estados Unidos poderia prejudicar a capacidade da Toyota de responder a crises.
Os fortes resultados financeiros da empresa têm gerado pouco interesse na compra de ações da Toyota. Desde o final de 2025, o preço das ações da montadora caiu 13%. No mesmo período, o índice “Nikkei Asia” subiu 27%. A fabricante japonesa de memórias Kioxia Holdings quase quintuplicou o preço de suas ações.
Enquanto o dinheiro dos investidores flui para ações de inteligência artificial, os participantes do mercado relutam em investir no setor automotivo devido a incertezas como o aumento dos custos de matéria-prima e a concorrência nas exportações com as empresas chinesas.
Veja - SP 05/08/2026
A montadora chinesa de carros elétricos BYD fechou um acordo com a administradora do aeroporto internacional do Galeão, no Rio, para a construção do primeiro centro de testes e avaliação automotiva da marca no Brasil e de uma plataforma de experiência, pesquisa e desenvolvimento no terminal.
Para concretizar os projetos, que devem gerar em torno de 1.200 empregos, segundo os envolvidos, a montadora planeja investir cerca de 300 milhões de reais em uma área de 184 mil metros quadrados. Antes disso, será necessária a aprovação do contrato pelo Ministério de Portos e Aeroportos.
Em nota à VEJA, a assessoria de comunicação do Galeão confirmou o acordo. “Após a etapa da aprovação do contrato pelo Ministério de Portos e Aeroportos, o centro deverá ser construído em até três anos”, informou o aeroporto.
Operação da BYD no Brasil
O Brasil se tornou o seu maior mercado da montadora fora da China. Em julho, a BYD investiu 5,5 bilhões de reais em uma fábrica em Camaçari, na Bahia. Além disso, a empresa possui fábricas de baterias, em Manaus e de chassis para ônibus elétricos, em Campinas.
A visão de longo prazo é trazer a fabricação dos veículos para o Brasil, aumentando a participação no mercado local e estabelecendo um centro de exportação para países próximos. A meta da empresa é que, até 2027, 50% dos componentes dos veículos sejam fabricados no país, como já é o caso do modelo Song Pro Super-Híbrido Flex Fuel, cuja montagem é feita na fábrica de Camaçari.
No mês de julho, a empresa vendeu 23.465 veículos no Brasil, o que corresponde a uma fatia de 9,1% do mercado. A performance é 2,4 vezes melhor do que a do mesmo mês no ano passado.
CNN Brasil - SP 05/08/2026
As montadoras sul-coreanas Hyundai, Kia e Genesis registraram o melhor mês de julho de suas histórias em volume de vendas no mercado norte-americano. O desempenho recorde do grupo foi impulsionado pelo interesse crescente dos consumidores por veículos híbridos, pela estável demanda por SUVs (utilitários esportivos) e por resultados surpreendentemente expressivos no segmento de sedãs, mercado mantido pelas marcas enquanto concorrentes locais, como Ford e GM, reduziram suas ofertas na última década.
Em contrapartida, os EVs (veículos 100% elétricos) das marcas continuaram enfrentando retração nas vendas, reflexo do fim dos incentivos fiscais federais ocorrido no final do ano passado.
Hyundai: sedãs e híbridos impulsionam resultados
A Hyundai encerrou o mês de julho com 82.480 unidades comercializadas nos EUA, uma alta de 4% na comparação com julho de 2025. O grande destaque foi o sedã Elantra, que teve um salto de 39% em relação ao mesmo período do ano anterior. O sedã Sonata também manteve trajetória ascendente, com aumento de 18% nas vendas.
As versões eletrificadas desses mesmos modelos foram ainda mais determinantes para o resultado: as vendas do Sonata Híbrido avançaram 85%, enquanto as do Elantra Híbrido cresceram 13%.
Entre os SUVs da marca, o Tucson estabeleceu seu melhor resultado histórico para o mês de julho, com 19.714 unidades vendidas (+20%), acompanhado pelo crescimento de 5% de sua variante híbrida. O compacto Venue avançou 12%.
Por outro lado, o recentemente reestilizado Palisade e o Santa Fe (maiores SUVs da marca) registraram quedas de 8% e 5%, respectivamente, e, na linha 100% elétrica, o Ioniq 5 recuou 38% e o Ioniq 9 caiu 35%. No acumulado do ano, a marca soma 533.048 veículos vendidos em solo americano, um aumento de 3%.
Kia e Genesis mantêm ritmo
A Kia registrou crescimento de 7% em julho, alcançando 75.857 unidades. A liderança de vendas ficou com o SUV compacto Sportage (16.083 unidades, alta de 12%), alavancado pela versão híbrida, que disparou 76%. Os modelos Sorento e Telluride avançaram 14% cada, enquanto a segunda geração do Seltos registrou um salto de 79%.
A minivan Carnival cresceu 23% na versão puramente a combustão, enquanto a opção híbrida subiu 16%, e os sedãs K4 e K5 avançaram 8% e 14%, respectivamente. Os elétricos da Kia também caíram, assim como os da Hyundai: o EV9 recuou 5% e o EV6 caiu 48%. No ano, a Kia acumula 506.584 unidades (aumento de 4%) e caminha para o seu quarto recorde anual consecutivo.
A divisão de luxo Genesis reportou o melhor julho de sua história, com 6.947 unidades (+4%), engatando o 22º mês consecutivo de crescimento anual. O resultado foi puxado pelos SUVs GV70 (+10%, com 2.978 unidades) e GV80 (+10%, com 2.044 unidades). Os sedãs da divisão de luxo registraram retração. No acumulado do ano, a Genesis soma 46.035 unidades comercializadas, volume 5% superior ao de 2025.
Jornal de Brasília - DF 05/08/2026
Os preços dos carros no Brasil começam a cair após anos de altas acima da inflação. Há vários fatores combinados que explicam o raro fenômeno, entre eles a amortização dos custos de novas tecnologias. Contudo, o principal fator é a aceitação das novas marcas chinesas no mercado brasileiro, impulsionada por valores mais baixos que os da concorrência.
“A estratégia é reduzir preço, aumentar volume, fortalecer a marca e se estabelecer antes da alta dos impostos de importação. A China consegue sustentar isso por escala e verticalização, mas não significa necessariamente lucro alto no Brasil, é uma fase de captura de mercado”, diz Theo Paul Santana, especialista em comércio Brasil-China e fundador da empresa de consultoria Destino China.
Esses valores mais baixos vêm associados à percepção de qualidade dos carros e aos sistemas híbridos e elétricos que agradam ao consumidor. Modelos como o GWM Haval H6 (a partir de R$ 199,9 mil) conquistaram segmentos antes dominados pelas marcas tradicionais. Sem ter o que entregar de imediato com a mesma tecnologia, restou mexer na tabela.
De acordo com levantamento feito pela Bright Consulting, a média dos valores públicos dos veículos leves era de R$ 172,5 mil em junho de 2025. Um ano depois, o valor caiu para R$ 170 mil, uma redução de 1,5%. Já o preço efetivamente pago pelos compradores passou de R$ 157,7 mil para R$ 152,1 mil, um recuo de 3,5%.
A Mitsubishi reposicionou toda a linha, enquanto a Volkswagen abateu em até R$ 10 mil o valor pedido pelo T-Cross, o SUV mais vendido do país, e também passou a oferecer o hatch Polo com valores promocionais. Na Renault, há descontos para os modelos Boreal e Koleos, que estrearam em meio à onda chinesa.
Não é difícil encontrar promoções em todas as principais marcas, que destacam tais reduções em seus sites. Um levantamento considerando apenas as ofertas oficiais feitas na última semana de julho revelou abatimentos superiores a R$ 20 mil -nesse caso, em um carro de origem chinesa.
O sedã BYD King GL é oferecido por R$ 147.990, um desconto de R$ 25 mil sobre o preço sugerido na tabela. É um exemplo da estratégia que está mudando o mercado nacional, e há semelhanças com o que vem sendo feito pelos portais asiáticos de vendas, como Shopee, Shein e AliExpress.
“Não é coincidência, é o mesmo manual aplicado a um produto mais caro”, diz Santana. “Quem olha só o preço acha que a semelhança é vender barato, mas não é. A semelhança está no que permite vender barato: encurtar a cadeia até o fim, tratar o produto como software e usar o mercado externo como válvula de escape para uma capacidade doméstica que não cabe mais na China.”
O fundador da Destino China explica que o preço funciona como estratégia de entrada e conquista de mercado.
“No varejo digital, plataformas chinesas usam preços muito agressivos para ganhar escala e participação. No setor automotivo, vemos uma lógica semelhante. As montadoras chegam a faixas de preço que muitas marcas tradicionais têm dificuldade de acompanhar sem comprometer suas próprias linhas. O preço faz parte de uma estratégia mais ampla de ocupação de mercado.”
Monitor Digital - RJ 05/08/2026
Com três dias úteis a mais sobre junho, os emplacamentos de veículos no Brasil somaram 504.574 unidades em julho, alta de 3,3% em relação a junho e crescimento de 10,2% sobre julho de 2025. Esse foi o terceiro Melhor mês de julho da história, segundo levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No acumulado do ano, até o momento, o setor somou 3.219.957 emplacamentos, segundo número mais alto já registrado nos sete primeiros meses do ano e avanço de 15,1% na comparação com o mesmo período de 2025.
“Estamos vivendo um ano com resultados positivos nos segmentos de maior volume, principalmente, no varejo de automóveis, comerciais leves e motocicletas. Além do Programa Carro Sustentável, observamos que a demanda por mobilidade, renovação de frota e investimento permanecem, e a competição entre marcas continua favorecendo a oferta de mais produtos no mercado”, diz Arcelio Junior, presidente da Fenabrave.
Para ele, há uma tendência de acomodação do mercado, no segundo semestre, em função das eleições, que acontecem em outubro, e da forte disponibilidade de crédito, ocorrida no primeiro semestre, que pode ter levado a uma antecipação de compras.
“Já o Move Brasil Táxi e Aplicativos deverá surtir efeito nos próximos meses, mas ainda não temos como prever resultados, pois depende da aprovação cadastral dos motoristas, que deve melhorar com o Fundo Garantidor (FGI)”, avalia.
Ainda segundo Arcelio, apesar de as taxas de juros ainda estarem elevadas, os programas como Carro Sustentável e Move Brasil têm ajudado também nos resultados do segmento de pesados.
“No caso de caminhões, ônibus e implementos rodoviários, o Programa Move Brasil estancou a queda que vínhamos observando, e os emplacamentos que estão por vir, derivados dos
pedidos já realizados, podem melhorar ainda mais os números, reduzindo a queda mais acentuada que esperávamos para esses segmentos”, analisa.
Para os segmentos ligados ao agronegócio, a Fenabrave também acredita numa retração na queda observada até o momento.
“O Move Agrícola, atrelado ao Programa de Renegociação de Dívidas para produtores rurais, vigentes no final de julho, podem também reduzir a queda estimada para as vendas máquinas agrícolas, como tratores e colheitadeiras”, conclui o presidente da Fenabrave.
Vendas de veículos novos crescem 16% puxadas por frotistas e locadoras
O mercado automotivo brasileiro inicia o segundo semestre de 2026 com viés de alta e superando as expectativas iniciais, em análise produzida pela Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef).
Apesar de um cenário macroeconômico desafiador – marcado por juros e inadimplência elevados, além de pressões inflacionárias decorrentes de conflitos geopolíticos -, a forte demanda corporativa forçou as entidades do setor a revisarem suas projeções de crescimento para cima. O emplacamento de veículos 0km registrou uma expressiva alta de 16% no acumulado do ano (YTD).
O avanço dos modelos novos gerou um efeito cascata positivo no mercado de seminovos, que acumula crescimento de 9% YTD. O grande destaque deste segmento fica por conta dos veículos jovens, com zero a três anos de uso, cujas vendas dispararam 18%.
O desempenho do setor ocorre em meio a um ambiente externo complexo. A recente entrada em vigor da nova taxação de produtos brasileiros, pelo governo americano, impõe barreiras de competitividade e exige das empresas uma revisão estratégica, focada no fortalecimento do mercado interno e na busca por novos parceiros comerciais. Adicionalmente, a continuidade dos conflitos no exterior afeta as cadeias logísticas mundiais e pressiona os preços de insumos críticos, como combustíveis e fertilizantes, injetando incerteza sobre a inflação.
Para os próximos meses, o setor projeta um cenário de sustentação do consumo, impulsionado pelas recentes atualizações nas políticas públicas de incentivo.
Revista Ferroviaria - RJ 05/08/2026
A VLI incorporou sete novas locomotivas ES43BBi, fabricadas pela Wabtec, para ampliar a operação no Corredor Leste da Ferrovia Centro-Atlântica.
O investimento faz parte de um pacote de cerca de R$ 600 milhões voltado ao novo modelo regulatório de transporte ferroviário de cargas (ATF-C).
As máquinas, produzidas em Minas Gerais, trazem tecnologias avançadas de segurança e eficiência, com redução de até 6% no consumo de combustível e menor emissão de poluentes.
A iniciativa também inclui aquisição de vagões, melhorias operacionais e contratação de profissionais.
Com maior autonomia no transporte ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas, a empresa busca ganhos de eficiência, redução de custos e fortalecimento da logística entre regiões produtivas e portos do Sudeste.
CNN Brasil - SP 05/08/2026
Embora o leilão do Tecon Santos 10, o megaterminal previsto para o Porto de Santos (SP), seja considerado o principal projeto portuário em estruturação no país, ele se tornou um dos processos mais complexos da agenda de infraestrutura do governo federal.
Previsto inicialmente para ocorrer ainda em 2022, o certame já foi adiado nove vezes e, agora, a expectativa do Ministério de Portos e Aeroportos é realizar a licitação apenas em 2027. O principal entrave do projeto está na definição das regras de participação dos concorrentes no leilão.
O debate ocorre em um momento em que o Porto de Santos opera próximo do limite de sua capacidade para movimentação de contêineres. A escassez de áreas disponíveis levou ao aumento expressivo dos custos logísticos nos últimos anos, enquanto operadores e exportadores alertam para o risco de perda de competitividade caso novos investimentos não sejam realizados.
Neste cenário, o megaterminal tem potencial para ampliar em cerca de 50% a capacidade de movimentação de contêineres do porto e é visto como uma das soluções logísticas para a região.
Porém, embora haja consenso sobre a necessidade do novo terminal, o modelo concorrencial divide governo, operadores portuários, armadores, entidades empresariais e órgãos de controle desde o início do desenho do projeto.
Debate concorrencial
No centro da discussão está a definição sobre quem poderá disputar o leilão. De um lado, a avaliação é a de que permitir a participação irrestrita de grupos que já operam terminais de contêineres em Santos pode originar uma concentração de mercado no maior porto do país.
O professor da FGV e sócio da GO Associados, Gesner Oliveira, defendeu o modelo criado pela Antaq para o leilão do terminal com duas fases. "É urgente aumentar a capacidade do Porto de Santos. Para isso, precisa haver concorrência. Uma infraestrutura essencial como um porto não funciona bem e não é eficiente quando é dominado por poucos. Essa é a relevância do edital da Antaq, que justamente prevê um mecanismo correto, plenamente utilizado em vários casos no mundo e no Brasil, para assegurar a concorrência no mercado", disse.
Em 2025, a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) divulgou parecer técnico restringindo a participação de grupos que já operam terminais de contêineres no Porto de Santos para uma segunda fase.
O desenho inicial da agência estabelecia que empresas já presentes no porto só poderiam entrar na disputa caso o leilão terminasse sem propostas. Nessa hipótese, a participação estaria condicionada ao desinvestimento dos ativos a fim de evitar concentração de mercado.
Essa restrição atinge empresas que gerenciam os três terminais do porto (BTP, Santos Brasil e DP World), inclusive os armadores - donos de navios - que são sócios dessas áreas.
Porém, quando o projeto foi analisado pelo TCU (Tribunal de Contas da União), os ministros recomendaram à agência reguladora que todos os armadores ficassem restritos à segunda fase do certame.
A partir dessa decisão, a discussão que já estava desgastada foi inflamada. Isso aconteceu porque, se atendidas as recomendações da Corte de Contas, o leilão ficaria ainda mais restrito.
Do outro lado, há quem defenda um modelo de ampla concorrência, sem restrições prévias à participação e com travas concorrenciais, como desinvestimento posterior.
O argumento é que permitir a entrada do maior número possível de interessados aumenta a competição no certame, reduz riscos de concentração de mercado e tende a gerar ganhos de eficiência e menores custos para usuários do porto.
À CNN, o jurista José Cardozo disse que o terminal é essencial para "resolver esse problema, esse estrangulamento que existe e que acaba atrapalhando a economia do país. Urge que se faça uma licitação com dois princípios casados: a maior competitividade possível, mas, com pessoas que efetivamente tenham condições de disputar a licitação sem ferir algum dispositivo legal e o interesse público. Portanto, condição e respeito às condições de habilitação é o equilíbrio necessário para uma licitação".
Depois da nota técnica da Antaq e da análise do TCU, a Casa Civil se posicionou sobre o desenho do projeto do megaterminal. A orientação foi por um leilão aberto com a participação de todos os operadores, inclusive os que já operam no Porto de Santos - condicionado ao desinvestimento nos ativos em caso de vitória.
Essa nova orientação foi encaminhada uma primeira vez ao Ministério de Portos e Aeroportos e à Antaq. Porém, a agência reguladora pediu diretrizes mais claras para modelar o projeto com base nas novas definições da presidência.
Diante disso, após muita conversa no Executivo, ficou definida a criação de um grupo de trabalho para tratar do tema e elaborar um documento com as diretrizes da Casa Civil. Até o momento, o grupo está ativo e se reunindo, porém, nenhuma decisão concreta foi anunciada.
Jornal de Brasília - DF 05/08/2026
Os Estados Unidos afirmaram, nesta terça-feira (4), que esperam chegar a um acordo em breve para reabrir o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica no centro das tensões entre Washington e Irã.
O Catar, mediador juntamente com Paquistão e Omã, declarou que os esforços para encontrar uma “solução de curto prazo que permita a retomada do diálogo” estão “em andamento”, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Majed al-Ansari.
Teerã negou qualquer diálogo, embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha insistido na segunda-feira que as negociações estavam ocorrendo.
“Esta é a última chance deles de assinarem um bom documento”, disse Trump a repórteres na Casa Branca.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ecoou os comentários do presidente, afirmando que Washington poderia chegar a um acordo com o Irã antes de quarta-feira.
“Estamos em negociações com os iranianos e acredito que existe a possibilidade de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo para abrir o estreito e avançar para uma posição mais normalizada neste conflito”, disse Bessent nesta terça-feira em entrevista à CNBC.
Questionado se um acordo permitiria ao Irã cobrar pedágio de navios, Bessent respondeu: “Acho que haveria liberdade de circulação”.
Queda dos preços do petróleo
Após o anúncio, a expectativa de reabertura dessa passagem provocou uma queda nos preços do petróleo. Por volta das 10h35 (horário de Brasília), o preço do Brent do Mar do Norte caiu 4,25%, a US$ 80,21 (R$ 406,8) o barril, pouco depois de ter chegado a US$ 79,73 (R$ 404)
Seu equivalente nos EUA, o West Texas Intermediate (WTI), caiu 4,75%, a US$ 76,52 (R$ 388,08) o barril, após ter recuado mais de 5%.
Trump ameaçou o Irã com bombardeios na semana passada, antes de recuar abruptamente e garantir no domingo que as negociações com Teerã seriam retomadas na segunda-feira.
“Neste momento, não estamos negociando com os Estados Unidos. Estamos negociando com Omã para garantir a passagem segura pelo Estreito de Ormuz”, declarou o porta-voz diplomático iraniano, Esmaeil Baqaei.
Anteriormente, Baqaei havia anunciado estar perto de um acordo com Omã, localizado do outro lado do Estreito de Ormuz, para reabrir essa via navegável crucial para o comércio global de hidrocarbonetos.
“Estamos prestes a chegar a um acordo sobre uma rota aceitável para ambas as partes — nem a rota norte nem a sul — respeitando os direitos soberanos de cada país e garantindo nossos interesses nacionais e nossa segurança”, declarou.
A via está bloqueada pelo Irã desde o início da guerra com os bombardeios dos EUA e de Israel contra a República Islâmica em 28 de fevereiro.
Enquanto isso, os rebeldes houthis do Iêmen anunciaram um ataque a um aeroporto da Arábia Saudita nesta terça-feira. O movimento pró-Irã já havia bloqueado a passagem de navios sauditas pelo Mar Vermelho, que servia como rota alternativa para o petróleo do maior produtor mundial.
“Rendição total”
O Irã afirmou que a situação em Ormuz não voltará a ser como antes da guerra, quando havia livre navegação, e que vai autorizar apenas uma rota de trânsito ao longo de suas costas. Também cogita cobrar um pedágio pela passagem, algo rejeitado por Washington.
O estreito foi reaberto por alguns dias após a assinatura de um protocolo de acordo em junho entre Washington e Teerã, que permitiu a saída de vários navios bloqueados durante meses e a gradual normalização do trânsito marítimo.
Mas o Irã voltou a endurecer sua posição com o bloqueio do estreito após a retomada dos ataques americanos.
Durante a noite de segunda-feira, um cargueiro foi atingido por um “projétil desconhecido”, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, que inicialmente não relatou feridos nem danos à embarcação.
Trump, no entanto, afirmou na segunda-feira que o estreito estava “totalmente controlado” pela Marinha americana e advertiu que o bloqueio imposto aos portos iranianos só será suspenso em caso de “acordo” ou de uma “rendição total”.
Valor - SP 05/08/2026
SBM venceu a licitação para construir os navios-plataformas Seap 1 e Seap 2, que terão capacidade de processar 120 mil barris por dia de petróleo
A Petrobras vai se reunir na sexta-feira (7) com a holandesa SBM para tratar do conteúdo local a ser aplicado nas plataformas Seap 1 e Seap 2, que serão instaladas na Bacia Sergipe Águas Profundas. A SBM venceu a licitação para construir os dois navios-plataformas, que terão capacidade de processar 120 mil barris por dia de petróleo.
Segundo ela, os contratos já foram assinados e preveem o cumprimento de uma obrigação de produzir parte dos equipamentos e instalações no Brasil. Para Seap 1, o percentual obrigatório contratual é de 40% e para Seap 2, o índice é de 33%.
Baruzzi, que falou com jornalistas após participar do evento “Agrega +Indústria”, sobre conteúdo local na indústria de petróleo, realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), ressaltou as exigências contratuais firmadas com a SBM. O casco deve ser feito na China.
“Você [SBM] foi habilitado por conta disso. Agora cumpra”, disse Baruzzi.
O conteúdo local é um tema polêmico na indústria de petróleo, uma vez que no passado recente, após a descoberta do pré-sal, houve uma exigência elevada de produção de bens e serviços no Brasil, o que resultou em alta de custos e descumprimento de prazos.
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estabelece percentuais obrigatórios de conteúdo local para cada campo de petróleo leiloado.
Karine Fragoso, diretora de petróleo, gás, energias e indústria naval da Firjan, disse que há uma busca na indústria de petróleo e gás para que se busque condições de fornecimento para que a cadeia nacional seja mais competitiva, frente ao mercado internacional.
“É uma construção de diálogo”, disse Fragoso.
Fontes do mercado afirmaram que a SBM tem ressaltado que vai executar o que está fixado no contrato. Porém, o acordo não envolve penalidades para o descumprimento dos percentuais de conteúdo local em Seap 1 e Seap 2. A Petrobras só poderia punir a SBM caso percentuais inferiores aos estabelecidos fossem descumpridos.
No caso de Seap 1, a multa seria aplicada pela Petrobras para o descumprimento de percentual de 25% e no de Seap 2, o índice passível de penalidade à SBM seria de 18%.
A reunião com a SBM, neste caso, teria como objetivo a busca de um acordo para que a empresa holandesa cumprisse os percentuais originalmente fixados (40% e 33%).
Poço Morpho
Baruzzi disse ainda que a perfuração do poço pioneiro no bloco FZA-M-59 na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá, ainda não acabou e o reservatório ainda não foi alcançado. Questões geológicas, como existência de água no subsolo, têm trazido “surpresas” que exigem cuidados adicionais no processo de perfuração.
Jornal de Brasília - DF 05/08/2026
O petróleo fechou em queda nesta terça-feira, 4, e voltou a ser negociado abaixo de US$ 80 por barril, após recuar mais de 5% na véspera, com o mercado reagindo a declarações do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, de que pode haver um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz nos próximos dias.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para setembro fechou em baixa de 5,69% (US$ 4,57), a US$ 75,77 o barril.
O petróleo Brent para outubro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em queda de 5,26% (US$ 4,41), a US$ 79,36 o barril.
A commodity passou a aprofundar queda depois que Bessent afirmou nesta manhã que há possibilidade de um acordo “entre hoje e amanhã” com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz.
Segundo ele, “vários navios” estão saindo de Ormuz, apesar das restrições, e que espera que os preços de energia se estabilizem em breve. Os comentários de Bessent foram reforçados pela agência Al Arabiya, que cita uma fonte ao afirmar que Ormuz poderá ser reaberto “nas próximas horas.
O otimismo quanto a um possível fim do conflito contava com relatos de que o Exército dos Estados Unidos usou grande parte do seu estoque de mísseis de longo alcance de alta precisão durante a guerra de cinco meses com o Irã, segundo três fontes familiarizadas com os dados, o que reacende preocupações sobre a prontidão militar para futuros conflitos, segundo a Reuters.
Enquanto isso, as negociações para a liberação da via marítima continuam. Segundo o The New York Times, Irã e Omã estão perto de um acordo que reabriria a hidrovia e daria o controle da navegação ao país persa. O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, comentou hoje sobre esse progresso, mas disse que nenhum acordo final foi alcançado.
Para analistas da TD Securities, é improvável que o Irã concorde com qualquer acordo sem obter controle do Estreito de Ormuz. “Vemos qualquer acordo potencial como altamente provável de fracassar neste momento”, avaliam.
Com o choque na oferta, a União Europeia prevê importar de gás natural liquefeito (GNL) no inverno do Hemisfério Norte para ajudar a compensar os estoques baixos.
Na Rússia, a exportação de petróleo bateu o menor nível em sete semanas, segundo a Bloomberg.
Valor - SP 05/08/2026
Entidade não vê problemas de abastecimento no Brasil nos próximos 60 dias, mas de preços
O cenário de volatilidade nos mercados internacionais de petróleo ainda se manterá por um longo tempo por causa dos conflitos no Oriente Médio, ainda que sejam tomadas medidas pela paz na região, avalia o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). Na visão da entidade, existem questões logísticas e relacionadas à infraestrutura que impedem uma reversão mais rápida do quadro, além das informações diárias sobre o andamento do conflito.
De acordo com o presidente do IBP, Roberto Ardenghy, um exemplo de como não há clareza sobre um possível fim do conflito no Oriente Médio foi uma declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na segunda-feira (3), segundo a qual o Irã teria uma "última chance" de chegar a um acordo. O dirigente americano tem afirmado que conversas com Teerã estão em "andamento", embora as autoridades iranianas neguem que estejam ocorrendo conversas.
Ardenghy, que falou com jornalistas após participar do relançamento do Relivre, plataforma de monitoramento de regulações estaduais de gás natural, na segunda-feira, destacou que a Arábia Saudita, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, não consegue escoar petróleo pelo Mar Vermelho, devido a ataques dos Houthis, grupo rebelde do Iêmen, a embarcações árabes. "Aquele estreito que tem ali [no Mar Vermelho] é absolutamente fundamental porque passam por lá navios que têm dificuldade de passar pelo Canal de Suez", disse.
Ao mesmo tempo, o Estreito de Ormuz está com a maior parte do tráfego de navios retido pelo Irã. Ontem, um navio graneleiro foi atingido em um ataque próximo ao local.
Ardenghy salientou que a recuperação de instalações de infraestrutura petrolífera atingidas por ataques vai demandar tempo. "Os campos de petróleo, por exemplo, que estão parando de produzir, vão levar, no mínimo, seis meses para retomar a produção. Uma instalação que foi atingida no Qatar logo no início da guerra vai levar dois anos para ser recuperada", afirmou.
O presidente do IBP observou que um dos fatores que têm ajudado a evitar uma alta maior nas cotações do petróleo é a exportação, pela China, de parte dos estoques de petróleo daquele país, da ordem de 1,4 bilhão de barris. Os Estados Unidos, ressaltou, possuem 400 milhões de barris de estoque. A Índia tem sido um dos compradores do petróleo chinês, além de outros países, como Vietnã, Cingapura e Coreia do Sul. "Isso é 'soft power', um jogo geopolítico".
Por sinal, apontou Ardenghy, a Rússia parou de exportar diesel devido aos efeitos de outra guerra, com a Ucrânia. Assim, o Brasil, que importava da Rússia 40% do diesel que vem de fora, passou a comprar o derivado da Índia. Ele salienta que a Índia tem comprado o petróleo da China para refinar e vender ao Brasil.
Ardenghy ressaltou ainda que o IBP não vê problemas de abastecimento no Brasil nos próximos 60 dias, mas de preços. Especialmente, segundo ele, por causa do "crack spread", diferença dos preços internacionais dos derivados em relação ao óleo cru. "Estamos vendo alguma pressão de preços. O crack spread hoje está em US$ 5, mas pode chegar a US$ 30".
Para ele, os efeitos no Brasil serão de repasse de altas dos preços pela Petrobras, principal produtora, ou manutenção da subvenção, pelo governo, para refinarias e importadores.
Money Times - SP 05/08/2026
A proposta do governo federal de implementar um mecanismo de “gas release“, que visa desconcentrar a oferta de gás natural no país, levou a Petrobras (PETR4) a suspender estudos para um gasoduto de US$1 bilhão associado ao projeto Sergipe Águas Profundas (Seap), diante das incertezas para investimentos trazidas pelas discussões, afirmaram quatro fontes a par do assunto à Reuters.
Com o programa “gas release“, que deve ser debatido na próxima sexta-feira em reunião na agência reguladora do setor ANP, o governo quer ampliar a concorrência no mercado de gás natural por meio da disponibilização compulsória de parte da produção de grandes agentes a terceiros.
Além de manter os planos do gasoduto da Petrobras suspensos, o “gas release” teria potencial de prejudicar interesses da norueguesa Equinor, que tem um grande projeto de produção de gás com gasoduto associado na Bacia de Campos, segundo as fontes, que falaram na condição de anonimato pela sensibilidade do tema.
No caso da Petrobras, o gasoduto é um projeto de 134 km de extensão destinado a escoar a futura produção de dois navios plataformas do tipo FPSO Seap 1 e Seap 2, a serem instalados em águas profundas da Bacia de Sergipe-Alagoas.
“Os estudos pararam, entraram em compasso de espera para ver o que vem por aí”, disse uma fonte próxima ao projeto.
A expectativa do governo é estimular a competição e reduzir preços para a indústria. Entretanto, fontes ouvidas pela Reuters ressaltaram que a iniciativa apenas muda “o gás de mão”, sem acrescentar novas moléculas ao mercado, e gera insegurança para investidores, que poderão ver uma redução da rentabilidade prevista para os empreendimentos após a eventual implementação da nova regulação.
Após anos de atraso, a Petrobras contratou este ano a SBM Offshore para construir as plataformas de Sergipe, que juntas terão capacidade para processar 22 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia e produzir 240 mil barris de petróleo por dia. O início da produção de óleo está previsto para 2030, com exportação de gás a partir de 2031.
O gasoduto é fundamental para o escoamento dessa produção no futuro.
“Quem vai autorizar um investimento de US$ 1 bilhão num gasoduto sem ter seus direitos assegurados e garantidos. Diante dos fatos, é melhor parar e aguardar”, afirmou uma segunda fonte.
Procurada, a Petrobras não respondeu imediatamente a pedidos de comentários.
Mas, na semana passada, a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, afirmou em um evento em Sergipe que o “gas release” não cria oferta, nem garante a redução do preço da molécula, e que a forma mais eficiente de tornar o insumo competitivo é ampliar a produção nacional.
A diretora também disse que a medida poderia trazer impactos aos investimentos no setor. “Não é possível justificar um investimento sem a segurança de que será possível comercializar aquilo que foi produzido”, afirmou a executiva anteriormente.
“Não dá para dizer que o projeto do gasoduto morre, mas entrou numa fase de avaliação. É uma parada até que as coisas clarifiquem”, declarou uma outra fonte, que pediu para não ser identificada.
A reguladora ANP prevê avaliar em 7 de agosto, durante reunião de diretoria, a aprovação do Relatório de Análise de Impacto Regulatório e autorização para realização de consulta pública e posterior audiência pública sobre minuta de resolução que institui o Programa de Redução da Concentração no Mercado de Gás Natural (Gas Release).
Representantes das empresas, do setor de óleo e gás e do governo pretendem se posicionar sobre o tema.
A preocupação é que, dependendo da decisão, possa haver uma judicialização do caso, segundo outra pessoa integrante da indústria brasileira.
Estabilidade de regra é fundamental, diz Equinor
Outro projeto que poderá ser impactado, segundo fontes, é o Raia, operado pela norueguesa Equinor na Bacia de Campos, que terá capacidade para produzir 16 milhões de metros cúbicos por dia de gás e prevê suprir 15% da demanda brasileira de gás natural quando entrar em operação em 2028.
Em nota à Reuters, a Equinor disse que acompanha as discussões regulatórias em andamento e acredita que o desenvolvimento do mercado brasileiro de gás deve conciliar o aumento da competitividade, a eficiência da cadeia produtiva e os incentivos adequados para novos investimentos.
No Brasil, historicamente, a Petrobras foi a principal responsável pela construção da infraestrutura de transporte de gás natural, incluindo grande parte dos gasodutos troncais que interligam as regiões produtoras aos mercados consumidores.
Mas a Equinor se destaca com o projeto Raia, que prevê um gasoduto de 200 km do pré-sal da Bacia de Campos até Macaé (RJ).
“Para viabilizar projetos dessa magnitude, que exigem altos investimentos e horizontes de desenvolvimento de mais de uma década, são fundamentais a previsibilidade regulatória, a estabilidade das regras e condições competitivas ao longo de toda a cadeia de gás natural”, acrescentou a Equinor.
A Petrobras já foi obrigada a vender seus gasodutos de transporte e de distribuição, em governos anteriores, em medida que buscava reduzir sua participação no mercado e abrir espaço para a concorrência, em meio a esforços para a abertura do setor de gás natural.
Valor - SP 05/08/2026
Segundo Symone Araújo, o Brasil precisa se espelhar na Noruega, que avançou na transição energética sem abrir mão do protagonismo na indústria global de óleo e gás
A diretora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Symone Araújo defendeu nesta terça-feira (4) ações para reposição de reservas de petróleo no Brasil.
Segundo ela, sem a reposição das reservas de petróleo, a partir da exploração de novas áreas, os avanços conquistados pela indústria de óleo e gás nos últimos anos correm risco de se perder.
Em participação no evento “Agrega +Indústria”, sobre conteúdo local na indústria de petróleo, realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Symone ressaltou que a relação entre reservas provadas e a produção de petróleo equivalem a um estoque de 13 anos, o que pode parecer muito, mas “não é nada”.
Para ela, o Brasil precisa se espelhar na Noruega, que avançou na transição energética sem abrir mão do protagonismo na indústria global de óleo e gás. “Somos o 10º maior produtor [mundial] de petróleo e [estamos] nos encaminhando para sermos o 5º maior”, disse Araújo.
Exame - SP 05/08/2026
Depois de uma temporada marcada por resultados recordes, o agronegócio brasileiro entra no ciclo 2026/27 diante de um cenário menos favorável. O Rabobank, banco holandês especializado em agronegócio e alimentos, estima que o PIB agrícola recue 3% em 2026, após avançar 11,7% no ano anterior.
A projeção reflete uma combinação de juros ainda elevados, menor disponibilidade de crédito subsidiado, risco de um El Niño forte no fim do ano e maior instabilidade geopolítica.
Para Maurício Une, economista-chefe para a América do Sul do Rabobank, o conjunto desses fatores torna o atual ciclo um dos mais desafiadores dos últimos anos.“Não esperamos um crescimento da safra como o observado na temporada passada”, afirmou.
Entre os principais fatores de preocupação está a possibilidade de um El Niño forte no último trimestre do ano. Segundo Une, há uma probabilidade de 50% de ocorrência de um fenômeno intenso em outubro, período de colheita em alguns estados.
“Há um desafio relacionado ao El Niño para o fim deste ano, uma vez que existe a probabilidade de 50% de um fenômeno forte para outubro”, disse.
Nesta segunda-feira, 3, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) projetou que o El Niño deve persistir pelo menos até o início de 2027. O boletim do Inmet aponta que 81% de probabilidade de que o evento atinja intensidade muito forte nesse período.
O cenário climático mais adverso se soma a um ambiente de menor apoio financeiro ao produtor. Na avaliação do economista, o Plano Safra apresentou crescimento limitado, ao mesmo tempo em que houve redução dos recursos destinados à equalização de juros.
A equalização permite que o governo cubra parte dos encargos financeiros das linhas de crédito rural. Com menos recursos disponíveis e juros ainda elevados, o custo dos financiamentos tende a continuar pressionando produtores e empresas do setor.
A projeção de retração do PIB agrícola foi revisada pelo Rabobank à medida que o cenário econômico se deteriorou.
Segundo Une, o banco trabalhava inicialmente com a expectativa de um ciclo mais intenso de cortes na Selic ao longo de 2026. Essa avaliação, no entanto, mudou.
“O Banco Central ainda tem espaço para realizar apenas mais um corte de juros em 2026, levando a Selic para 14%. Para o próximo ano, projetamos a Selic em 12,5%”, afirmou.
Na avaliação do Rabobank, a pecuária bovina está entre as cadeias mais sensíveis nesse cenário macroeconômico. O banco estima uma redução entre 2% e 3% na produção de carne bovina em 2026. A expectativa está ligada ao enfraquecimento da atividade econômica, que deve limitar o consumo das famílias.
A projeção do Rabobank é de crescimento de 1,8% para o PIB brasileiro em 2026, abaixo dos 2,3% registrados no ano anterior. Como consequência, o consumo per capita de carne bovina deve recuar entre 6% e 7%.
Segundo Une, o mercado externo dificilmente conseguirá compensar esse movimento. "Como aproximadamente 70% a 80% da produção brasileira é destinada ao mercado interno, o avanço das exportações não será suficiente para compensar a retração da demanda doméstica", afirma.
Preço dos alimentos
O risco climático e o aumento dos custos também devem chegar ao consumidor. Depois de um período de deflação e estabilidade, a inflação de alimentos voltou a acelerar em 2026.
O Rabobank projeta que o índice encerre o ano em 6,85%, pressionado pelo aumento dos preços do petróleo, que encarece frete, combustíveis, logística e fertilizantes, além da expectativa de intensificação do El Niño.
O pico deve ocorrer em fevereiro de 2027, quando a inflação dos alimentos pode atingir 7,7%. A projeção é de desaceleração ao longo do ano, para cerca de 4,3% no fim de 2027.
No câmbio, o banco espera que a volatilidade mantenha o dólar entre R$ 5,40 e R$ 5,45 no terceiro trimestre. Com a definição do cenário eleitoral e a redução das incertezas, a moeda americana deve encerrar 2026 em torno de R$ 5,35.
Para 2027, a expectativa é de um primeiro semestre mais favorável, impulsionado pela entrada de dólares da safra. No segundo semestre, fatores como remessas de dividendos e discussões fiscais devem voltar a pressionar o câmbio. Ainda assim, o Rabobank projeta o dólar próximo de R$ 5,30 no fim do próximo ano.
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