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28 de Julho de 2026

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   28/07/2026

O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou à carga. Três meses antes das eleições legislativas, a Casa Branca anunciou nova rodada de tarifas. Depois de mais de um ano, a política tarifária não entregou a reconstrução econômica prometida. Ainda assim, sobrevive, porque aumentou o poder do presidente para tributar, ameaçar e distribuir exceções.

O “Dia da Libertação”, em abril de 2025, foi vendido como a inauguração de uma “era de ouro”. As tarifas trariam fábricas e empregos de volta, reduziriam o déficit comercial, atrairiam investimento estrangeiro e fortaleceriam o poder de compra. A julgar pelas próprias promessas de Trump, o balanço é fartamente negativo.

A manufatura não viveu a anunciada renascença. O emprego industrial caiu, a produção permaneceu quase estagnada e o investimento em instalações perdeu fôlego. O déficit de bens, descontadas distorções como a antecipação de importações, terminou 2025 praticamente onde começou. A economia continuou crescendo, mas o impulso veio sobretudo da inteligência artificial, do consumo e de setores poupados pelo governo.

A política tarifária só se tornou menos destrutiva porque Washington recuou diante de seus próprios custos. A ausência de desastre não é evidência de sucesso. Só mostra que boa parte da dose anunciada jamais foi administrada.

Também caiu por terra a fantasia de que estrangeiros pagariam a conta. Estudos estimam que empresas e consumidores americanos suportaram entre 77% e 96% do custo. Muitas tarifas incidem sobre insumos, componentes e bens de capital usados por fabricantes dos EUA. Proteger um produtor de aço tende a elevar a despesa de indústrias que compram aço. O ganho é concentrado e visível; as perdas se espalham por preços, margens menores, investimentos adiados e empregos que nunca chegam a existir.

As exceções abriram um mercado paralelo de favores e chantagens. Escritórios de advocacia, consultorias e lobistas passaram a disputar acesso à Casa Branca e às agências capazes de decidir quem paga, quem é poupado e quem é protegido. Para quem precisa decidir onde construir uma fábrica ou de quem comprar componentes pelos próximos anos, a incerteza funciona como um imposto adicional.

Trump obtém ganhos reais dessa engrenagem: a arrecadação aumenta, governos estrangeiros fazem concessões, empresas anunciam fábricas e algumas importações chinesas caem. Isso não significa que os EUA ficaram mais ricos ou mais fortes. A receita sai em grande medida do bolso americano. O investimento feito para escapar de uma barreira tende apenas a deslocar capital para usos menos eficientes. A queda do déficit com a China pode reaparecer como aumento das importações do Vietnã, do México ou de Taiwan. Uma concessão arrancada de um aliado pode custar mais, no longo prazo, do que rende ao presidente na fotografia.

A dissonância decisiva está entre exercer poder e criar prosperidade. Trump mede “vitória” pela capacidade de impor custos. Uma economia mede sucesso por produtividade, inovação, salários e investimento sustentável. Sob esse padrão, as tarifas frustraram a propaganda.

Seu legado, porém, pode ser duradouro. A Suprema Corte derrubou o uso discricionário da Lei de Emergência Econômica, mas o governo manipula investigações comerciais para fabricar seus pretextos. O fundamento muda; a intenção permanece. O Congresso tolera a usurpação de seus poderes, enquanto o Executivo transforma tarifas em instrumento de extorsão em temas díspares: da imigração, às drogas até a política industrial. Presidentes futuros herdarão essa máquina.

A China já opera numa lógica de subsídios, crédito dirigido, proteção e coerção. Os EUA construíram sua vantagem com mercados abertos, segurança jurídica, inovação descentralizada, alianças e capacidade de atrair capital e talentos. Ao escolher o terreno preferido de Pequim, Washington debilita atributos próprios e incentiva parceiros a firmar acordos entre si.

Trump pode legar aos sucessores mais poder sobre a economia. Será uma herança cara: mais privilégios, mais instabilidade, menos disciplina institucional e um país que tenta superar a China mimetizando justamente as práticas contra as quais oferecia uma alternativa melhor.

CNN Brasil - SP   28/07/2026

A abertura comercial promovida por Javier Milei está reduzindo a vantagem histórica do Brasil no mercado argentino.

Com mais espaço para fornecedores estrangeiros, a China avançou rapidamente em setores como automóveis, máquinas e equipamentos — justamente os segmentos de maior peso nas exportações industriais brasileiras.

Os números mostram essa perda de espaço do Brasil. Em 2025, o país exportou cerca de US$ 18 bilhões para a Argentina. Entre janeiro e junho daquele ano, foram US$ 9,1 bilhões.

No mesmo período de 2026, o valor caiu para US$ 7,3 bilhões, uma retração de aproximadamente 20%.

A Argentina tem um peso estratégico para a indústria brasileira porque é um dos principais destinos de produtos manufaturados, como automóveis, caminhões, autopeças, máquinas, equipamentos e produtos químicos.

A China concentra suas compras no Brasil em commodities, enquanto o país vizinho absorve bens de maior valor agregado. Por isso, a redução das vendas atinge diretamente segmentos importantes da indústria nacional.

O setor automotivo é, sem dúvida, um dos que sentem mais diretamente essa transformação.

Em 2025, cerca de dois terços dos automóveis de passageiros exportados pelo Brasil tiveram a Argentina como destino. Uma parcela relevante das vendas de autopeças também abastece fábricas argentinas, resultado de uma cadeia produtiva integrada ao longo de décadas.

Essa posição privilegiada passou a ser pressionada pela abertura promovida por Milei. Desde que assumiu a Presidência, o governo flexibilizou importações, simplificou o registro de veículos estrangeiros, reduziu exigências regulatórias e autorizou a entrada de até 50 mil veículos elétricos e híbridos sem tarifa de importação em 2026.

A estratégia faz parte de uma agenda mais ampla de inserção internacional.

Milei também aprofundou a aproximação política e comercial com os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, preservou uma relação econômica pragmática com a China, hoje um dos principais parceiros da Argentina.

O resultado é um mercado mais aberto e disputado, no qual o Brasil deixou de contar com a mesma vantagem que teve no passado.

As montadoras chinesas aproveitaram esse espaço com rapidez, apoiadas por preços competitivos, grande escala de produção e uma oferta crescente de veículos elétricos e híbridos.

O avanço faz parte de uma estratégia global. No primeiro semestre de 2026, as vendas de automóveis no mercado doméstico chinês caíram 20,4%, enquanto as exportações cresceram 70,6%, para 4,28 milhões de veículos.

Apenas em junho, os embarques ao exterior avançaram 82,1%.

Esse movimento já aparece nas estatísticas argentinas. No primeiro trimestre de 2026, a Argentina importou US$ 3,97 bilhões da China e US$ 3,54 bilhões do Brasil. Em março, os valores ficaram ainda mais próximos: US$ 1,45 bilhão em produtos brasileiros e US$ 1,26 bilhão em mercadorias chinesas.

Ou seja, a China ainda não substituiu completamente o Brasil como principal fornecedor industrial da Argentina, mas reduziu de forma significativa a diferença entre os dois países.

A pressão também cresce dentro da própria Argentina.

Em maio, a Mercedes-Benz Trucks and Buses inaugurou uma fábrica de caminhões e ônibus na província de Buenos Aires, ampliando a produção local em um segmento relevante para as exportações brasileiras.

O impacto da unidade será gradual, mas tende a reduzir parte da demanda por veículos produzidos no Brasil. E diante desse cenário, as montadoras instaladas no país começaram a buscar outros mercados na região.

A Colômbia tornou-se uma das principais alternativas. Em maio de 2025, o país importou US$ 82,1 milhões em automóveis brasileiros, mais que o dobro do registrado no mesmo mês do ano anterior.

Chile, México e Uruguai também ganharam relevância, embora nenhum deles ofereça individualmente a escala da Argentina nem o mesmo grau de integração produtiva.
Efeito macroeconômico

A desaceleração da economia argentina também contribui para a queda das exportações. O PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior e 0,7% na comparação com os três meses anteriores.

Em maio, o índice mensal de atividade econômica avançou apenas 0,2%, enquanto a produção industrial recuou 2,8% em abril.

A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) projeta crescimento de 2,8% para a Argentina neste ano, impulsionado principalmente por energia, mineração e agronegócio.

Esses setores podem sustentar a atividade, mas geram uma demanda menor por bens industriais importados do Brasil.

Ainda que a economia mais fraca ajude a explicar o recuo recente das vendas brasileiras, a mudança na política comercial argentina pode alterar de forma mais duradoura a posição do Brasil naquele mercado.

Durante décadas, a proximidade geográfica, a integração das cadeias produtivas e as vantagens do Mercosul transformaram a Argentina em um destino quase natural para a indústria brasileira.

Esse mercado deixou de ser cativo.

A recuperação da economia argentina pode favorecer as exportações brasileiras, mas dificilmente devolverá ao país a posição confortável do passado.

O Brasil agora disputa espaço com fornecedores globais, especialmente a China, em segmentos nos quais preço, escala, tecnologia e capacidade de inovação terão peso crescente.

IstoÉ Dinheiro - SP   28/07/2026

O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, inicia nesta terça-feira, 28, mais uma reunião do Federal Open Market Committee (FOMC), com a decisão sobre a taxa básica de juros prevista para quarta-feira, 29, às 15h (horário de Brasília). O encontro é acompanhado de perto pelos mercados globais por definir os rumos da política monetária da maior economia do mundo.
O que aconteceu
O Federal Reserve (Fed) se reúne para definir a taxa de juros, com expectativa de manutenção, mas cresce a probabilidade de alta. Fatores como tensões geopolíticas no Oriente Médio e inflação doméstica nos EUA aumentam as incertezas sobre a decisão. O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, adota um discurso mais rígido contra a inflação, o que pode influenciar a volatilidade dos mercados.

A expectativa predominante entre economistas é de que o Fed mantenha a taxa de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano, repetindo o resultado das últimas quatro reuniões. Caso o cenário se confirme, será o quinto encontro consecutivo sem mudanças na política monetária.

Apesar do consenso, o mercado passou a enxergar um risco maior de uma surpresa. Os contratos futuros de Fed funds indicam entre 36% e 38% de probabilidade de uma elevação de 0,25 ponto percentual, movimento que ganhou força nas últimas semanas.
Por que aumentaram as dúvidas sobre a decisão?

Até a primeira quinzena de julho, os dados de inflação dos Estados Unidos indicavam uma desaceleração dos preços, reduzindo significativamente as apostas em uma nova alta dos juros. No entanto, o cenário mudou após uma combinação de fatores externos e domésticos.

A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã elevou os preços internacionais do petróleo. Os contratos futuros do Brent voltaram a superar os US$ 100 por barril, reacendendo preocupações com uma nova onda de inflação provocada pelo aumento dos custos da energia.

Ao mesmo tempo, a ameaça de rebeldes houthis de interromper rotas comerciais no Mar Vermelho ampliou as incertezas sobre a cadeia global de abastecimento.

No ambiente doméstico americano, a inflação segue acima da meta de 2% estabelecida pelo Fed. Além dos impactos da energia, analistas apontam que a forte demanda por investimentos em Inteligência Artificial e as novas tarifas comerciais impostas pela administração de Donald Trump continuam pressionando os preços.
O papel de Kevin Warsh na política monetária

Esta será a segunda decisão de política monetária comandada por Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve.

Desde que assumiu o cargo, Warsh tem adotado um discurso considerado mais rígido no combate à inflação. O dirigente também anunciou a intenção de reduzir o uso do chamado forward guidance, estratégia utilizada pelos bancos centrais para antecipar ao mercado os possíveis próximos passos da política monetária.

Na prática, a mudança aumenta a imprevisibilidade das decisões e amplia a volatilidade dos mercados financeiros.

O que a decisão do Fed pode provocar no Brasil?

As decisões do banco central americano costumam ter reflexos diretos sobre os ativos brasileiros.

Caso o Fed surpreenda com uma alta dos juros ou adote um discurso mais duro na coletiva após a reunião, investidores podem direcionar recursos para os títulos públicos americanos, considerados mais seguros.

Esse movimento tende a fortalecer o dólar em relação a outras moedas, incluindo o real, além de aumentar a pressão sobre mercados emergentes.

Uma moeda americana mais forte também pode influenciar expectativas de inflação e os custos de financiamento no Brasil.
Superquarta tem outros indicadores importantes na agenda

Além da decisão do Fed, os investidores acompanharão uma agenda intensa de indicadores econômicos.

Na terça-feira, 28, será divulgado o IPCA-15 de julho, considerado a prévia da inflação oficial brasileira.

Já na quinta-feira, 30, estão previstos os números do Caged, que mede a geração de empregos formais, e da Pnad Contínua, principal pesquisa sobre o mercado de trabalho brasileiro.

O conjunto desses dados ajudará a definir o comportamento dos mercados nos próximos dias e poderá influenciar as expectativas para os próximos passos da política monetária tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.

O Estado de S.Paulo - SP   28/07/2026

A entrada em vigor das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos encontrou o governo e a iniciativa privada brasileiros já calejados com a primeira rodada do tarifaço americano, que acertou em cheio o País em meados de 2025. O governo rapidamente deu uma resposta às novas tarifas, reempacotando o plano Brasil Soberano e lançando uma nova linha de crédito de R$ 18,5 bilhões aos setores afetados — sendo R$ 13,5 bilhões provenientes de recursos não utilizados do Brasil Soberano I e da renegociação da dívida rural, além de R$ 5 bilhões do BNDES.

Autoridades brasileiras citaram o aprendizado do governo junto ao setor privado nacional para lançar a nova versão do plano com rapidez. Os recursos poderão ser utilizados para capital de giro, aquisição de bens de capital, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos e prospecção e abertura de novos mercados.

No dia 15 de julho, os EUA anunciaram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, após a conclusão de uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que prevê retaliação por práticas consideradas prejudiciais às empresas americanas.

Adicionalmente, o Brasil está no grupo dos países que ficarão sujeitos à alíquota de 12,5%, após os Estados Unidos concluírem investigações relacionadas à falha de diversas economias em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Na prática, o Brasil terá agora uma tributação de 37,5% para vender alguns produtos aos EUA.

Na avaliação de especialistas, o movimento da administração Donald Trump amplia um ciclo de pressão comercial e traz implicações relevantes para exportadores, importadores e para o mercado de câmbio. Para o comércio exterior brasileiro e para o câmbio, os impactos são imediatos.

“O tarifaço americano precisa ser lido como uma variável financeira, não apenas como uma disputa diplomática. Seus efeitos sobre o câmbio, as margens e os contratos de comércio exterior são concretos e mensuráveis, independentemente do desfecho das negociações entre governos”, avalia o líder Comercial Corporate do Banco Moneycorp, Murilo Freymuller.

O ex-secretário de Comércio Exterior e sócio-fundador da BMJ Consultoria, Welber Barral, destaca que a medida que o governo americano adotou em 2025 pegou o setor privado “no susto”. “Cinquenta por cento é uma tarifa muito alta. Então, vários setores buscaram diversificar o destino das exportações e, no caso do governo brasileiro, aquele plano Brasil Soberano do ano passado acabou sendo aperfeiçoado para este ano.”

Com relação às respostas do Brasil, Barral diz que acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) não vai dar resultado a curto prazo, mas é importante para mostrar que o País continua cumprindo as regras multilaterais e eventualmente pode ter uma decisão no futuro. Na visão dele, a Lei de Reciprocidade também é importante para ouvir o setor privado brasileiro, mas tem um processo de consulta pública, de audiência, que envolve a Câmara de Comércio Exterior (Camex). “Não vai ser nada rápido. Mas é um passo importante até para saber o que é que a sociedade brasileira pretende.”

Em julho de 2025, o governo Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, derrubada pela Suprema Corte americana meses depois. A nova ofensiva percorre caminho diferente: tem base jurídica mais robusta, foco econômico mais cirúrgico e preserva setores estratégicos para o abastecimento americano, como petróleo, café, carne bovina, suco de laranja e aeronaves, que, ao integrarem a lista de exceções, limitam parte do impacto sobre setores relevantes da economia nacional.

Por outro lado, calçados, móveis, produtos de madeira, papel e celulose, máquinas, equipamentos e etanol estão entre os segmentos mais vulneráveis. O efeito inicial será uma combinação de perda de competitividade, compressão das margens e redução de encomendas. “Parte das empresas poderá absorver a tarifa, negociar preços, redirecionar vendas para outros mercados ou continuar exportando com volumes menores”, pontua André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital.

Caruso explica que há ainda o custo da incerteza, uma vez que empresas podem suspender expansões e compradores americanos podem substituir fornecedores brasileiros mesmo antes de uma perda integral das vendas. O Brasil terá a maior tarifa média americana da América do Sul porque a nova sobretaxa de 25% se soma às tarifas que já incidiam sobre diversos produtos e a outras barreiras setoriais. Além disso, a medida foi direcionada especificamente ao País, após uma investigação americana envolvendo temas como Pix, etanol, comércio digital, propriedade intelectual e questões ambientais. Outros países sul-americanos não foram submetidos ao mesmo conjunto de punições ou receberam tratamento mais favorável.

“Portanto, o maior risco não está apenas no impacto imediato sobre o PIB, mas na possibilidade de consolidação de uma relação comercial mais adversa com os Estados Unidos”, diz Caruso. Se o conflito permanecer restrito e houver negociação — como o governo brasileiro vem sinalizando —, o choque será concentrado em alguns setores. Por outro lado, se houver escalada, o efeito poderá se espalhar para o câmbio, para os investimentos e para a confiança, ampliando consideravelmente o custo para a economia brasileira.

Em discurso no lançamento do Brasil Soberano 3, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o País tem condições de “sair mais fortalecido dessa crise” com os EUA e citou o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) — em vigor desde maio de 2026 — como exemplo “de que a gente não vai ficar lamentando o fato de alguém querer nos prejudicar com taxação”. “Não há crise que impeça o Brasil de seguir sua trajetória de continuar com a economia crescendo.”

Na semana passada, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda avaliou, por meio do Boletim Macrofiscal de julho, que o impacto macroeconômico esperado das novas tarifas americanas sobre a economia brasileira permanece reduzido.

“As exportações mostraram resiliência, mesmo após a elevação tarifária de agosto de 2025, com recuperação gradual desde novembro. Como o mercado americano respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, equivalentes a menos de 2% do PIB antes do choque, e o redirecionamento das vendas para outros destinos compensou parte relevante da perda, o efeito direto sobre a atividade foi limitado e tende a continuar desta forma”, disse a pasta.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC), no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2025, as exportações para os EUA caíram 13,0% e atingiram US$ 17,428 bilhões. As importações caíram 12,5% e totalizaram US$ 18,950 bilhões. Dessa forma, a balança comercial brasileira com este país apresentou déficit de US$ 1,522 bilhão no acumulado de 2026.

IstoÉ Dinheiro - SP   28/07/2026

O mercado financeiro voltou a reduzir a expectativa para a inflação brasileira em 2026. De acordo com o Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira, 27, pelo Banco Central, a mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,15% para 5,12%, marcando a quarta queda consecutiva nas estimativas para este ano.

A nova revisão reforça a percepção de que o processo de desaceleração dos preços continua ganhando força, embora a inflação ainda permaneça acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.

Além da revisão para o acumulado de 2026, os economistas também reduziram a projeção para o IPCA de julho. A expectativa caiu de 0,26% para 0,20%, sinalizando uma inflação mensal mais moderada do que a prevista na semana anterior.

Para os próximos anos, no entanto, o mercado voltou a elevar as estimativas. A projeção para a inflação de 2027 passou de 4,20% para 4,22%, enquanto a expectativa para 2028 avançou de 3,78% para 3,80%. Já para 2029, a previsão permaneceu em 3,50%.

Selic segue estável

Mesmo com a melhora nas projeções para a inflação deste ano, o mercado não alterou a expectativa para a taxa básica de juros.

O Focus manteve a previsão de que a Selic encerrará 2026 em 14% ao ano. Para 2027, a expectativa continua em 12%, enquanto as projeções para 2028 e 2029 seguem em 10,5% e 10%, respectivamente.

A manutenção das estimativas indica que os analistas ainda enxergam um cenário de cautela para a condução da política monetária, mesmo diante da melhora recente dos indicadores de inflação.
PIB e dólar ficam praticamente inalterados

As projeções para o crescimento da economia brasileira permaneceram estáveis.

O mercado manteve a expectativa de expansão de 1,99% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, enquanto a previsão para o câmbio permaneceu em R$ 5,20 por dólar ao fim deste ano.

Os dados do Focus são divulgados semanalmente pelo Banco Central e reúnem as projeções de instituições financeiras e consultorias para os principais indicadores da economia brasileira.

Agência Brasil - DF   28/07/2026

O governo brasileiro apresentou nesta segunda-feira (27) um pedido de consultas aos Estados Unidos no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), contestando duas medidas tarifárias adotadas pelo país norte-americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Segundo nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o Brasil considera que as tarifas são injustificadas e incompatíveis com as obrigações assumidas pelos Estados Unidos no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994) e das regras que disciplinam o mecanismo de solução de controvérsias da OMC.

Uma das medidas questionadas decorre de uma investigação específica sobre o Brasil e impôs tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. No processo, os Estados Unidos examinaram temas como comércio digital e serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, aplicação da legislação anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal.

A segunda medida foi resultado de uma investigação conduzida com 60 economias e estabeleceu tarifa adicional de 12,5% para produtos brasileiros. Nesse caso, o foco da investigação foi a existência e a aplicação de restrições à importação de bens produzidos, total ou parcialmente, com trabalho forçado.

O pedido de consultas representa a primeira etapa formal do sistema de solução de controvérsias da OMC. Nessa fase, os países buscam negociar uma solução para o conflito antes da eventual instalação de um painel para analisar o caso.

De acordo com o Itamaraty, a iniciativa busca contestar a compatibilidade das medidas tarifárias norte-americanas com as normas multilaterais de comércio.
Tarifaço

As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos vão atingir US$ 6,6 bilhões em produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Segundo a pasta, a sobretaxa acumulada de 37,5% alcança 16,5% das exportações brasileiras para os EUA.

Entre os itens atingidos estão máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções.

Infomoney - SP   28/07/2026

A aceleração da injeção de dinheiro na economia mais do que dobrou no segundo trimestre deste ano, chegando a 4,52% do Produto Interno Bruto (PIB), ante 2,19% registrados no primeiro trimestre. Os dados são do Monitor de Expansão Fiscal Ampliada (MEFA), da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (27).

De acordo com o economista da FGV Alexandre Manoel, o dado mostra “a forte aceleração da expansão fiscal por canais que não são observados integralmente no resultado primário”.

Ele destaca que as despesas financeiras cresceram de forma expressiva em maio e junho, fazendo com que o índice encerrasse o trimestre em seu maior nível da série recente. “O segundo trimestre foi marcadamente expansionista”, avalia Manoel.
Segundo o levantamento, as despesas financeiras representaram 3,29% do PIB no período. O restante do impulso (1,22% do PIB acumulado em doze meses) vem do volume de Restos a Pagar (float).

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Impacto das ações do governo

O estudo propõe uma análise conjunta do MEFA e do resultado primário para medir com maior precisão o impacto das ações do governo. O primário mostra a direção das contas públicas, enquanto o MEFA revela o impacto do dinheiro inserido na economia.

Ao comparar junho de 2022 com junho de 2026, o resultado primário acumulado em doze meses passa de um superávit de 0,77% do PIB para um déficit estimado de 1,05%, uma deterioração de 1,82 ponto percentual.

No entanto, o impulso medido pelo MEFA saltou de 1,43% para 6,70% do PIB no mesmo período, um aumento de 5,27 pontos percentuais. De acordo com o levantamento, mais de quatro quintos do MEFA atual são de operações fora do resultado primário convencional.

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Segundo Manoel, essa injeção de recursos traz consequências macroeconômicas diretas. O artigo publicado no Blog da FGV ressalta que o impulso fiscal mais elevado ajuda a sustentar a demanda agregada, contribuindo para a resiliência da atividade econômica, do emprego e da renda familiar.

Por outro lado, o economista alerta para os efeitos colaterais desse movimento, que torna a queda da inflação mais lenta, reduz o espaço para cortes na taxa básica de juros (Selic) e pressiona a trajetória da dívida pública e os prêmios de risco dos ativos domésticos.

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MINERAÇÃO

O Estado de S.Paulo - SP   28/07/2026

Integrante do conselho de administração da Vale desde 2019, Marcelo Gasparino renunciou na manhã desta segunda-feira, 27, aos cargos de vice-presidente e membro do colegiado da mineradora, a partir de 1º de agosto. A decisão foi anunciada em uma “carta aos acionistas, ao mercado e à Vale”, de cinco páginas, à qual o Estadão teve acesso.

No documento, ele questiona sua destituição e fala em “enfraquecimento” da governança corporativa da mineradora. A Vale não tornou pública a carta de renúncia. Procurada, a companhia informou que não vai se manifestar sobre as alegações de Gasparino. Já o conselheiro disse que não comentaria a carta enviada ao conselho.

Logo após a eleição do novo presidente do conselho, em 22 de julho, em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), com a saída de Daniel Stieler, o colegiado informou que tinha tomado a decisão de destituir Gasparino de seus cargos em razão de vazamento de informações confidenciais pertinentes à reunião do conselho realizada em 19 de junho. Essa decisão dependia ainda de confirmação em uma assembleia que seria marcada.

Na carta, Gasparino disse entender que um conselheiro independente possui “deveres que transcendem sua atuação no conselho”, direcionados especialmente a uma “companhia aberta da relevância e com um conturbado histórico recente como a Vale, que deveria manter compromisso permanente com a transparência e as melhores práticas de governança.“

Ele afirmou que, nos últimos meses, observou com crescente preocupação decisões e práticas que, na sua avaliação, representam um enfraquecimento de parte da governança corporativa construída ao longo dos últimos anos. Citou, por exemplo, a condução de discussões relevantes fora dos fóruns formais de deliberação, realização de articulações e eventos “secretos”, que posteriormente se tornaram públicos, e crescente assimetria na forma como determinadas condutas passaram a ser avaliadas.

O conselheiro da mineradora, que fica no cargo até 1º de agosto, disse que sua renúncia não decorre de qualquer acordo com algum acionista, não envolve vantagem financeira e tampouco resulta de compromisso assumido com terceiros.

Gasparino diz que a decisão foi amadurecida ao longo dos últimos meses e que não decorre apenas dos fatos ocorridos na reunião extraordinária do Conselho de 22 de julho. “Esses acontecimentos apenas tornaram inequívoca uma realidade que, em minha percepção, vinha se consolidando: o progressivo afastamento da companhia de princípios de governança, transparência e independência que orientaram sua reconstrução institucional nos últimos anos”.

Ele diz que os fatos da reunião extraordinária, do dia 22 de julho, que pautou pela sua destituição devido a vazamento de informações confidenciais, são “substancialmente diferentes da acusação”.

Segundo Gasparino, ele encaminhou em caráter reservado, por WhatsApp, minuta de manifestação e voto de sua exclusiva autoria a um analista de mercado (“sell-side”) de reconhecida instituição financeira do Brasil, com quem havia mantido conversa profissional naquela mesma semana. “O documento já havia sido formalmente encaminhado à Companhia.”

A própria empresa, diz o conselheiro, já havia afirmado, em comunicado ao mercado divulgado em 24 de junho de 2026, que os principais temas tratados — entre eles as avaliações relativas à Bahia Mineração S.A., às negociações para renovação das concessões ferroviárias e ao Programa Mini-Minas — já haviam sido previamente esclarecidos ao mercado.

Em outro trecho da carta, Gasparino questiona o processo no conselho envolvendo sua destituição. “Fui procurado pelo escritório de advocacia externo responsável pela investigação em 14 de julho de 2026, às 20h57, por e-mail. Respondi às 21h14, solicitando que minha entrevista fosse realizada após a Assembleia Geral Extraordinária de 22 de julho, em razão do sensível contexto eleitoral então existente. Na ocasião, esclareci que me encontrava em viagens e em reuniões com acionistas, cuja agenda havia sido organizada pela própria Companhia”.

Sobre isso, o conselheiro afirma que vai apresentar uma defesa jurídica nas instâncias competentes. “O compartilhamento, em caráter reservado, de um documento de minha exclusiva autoria não poderia ser confundido com vazamento de informação confidencial da Companhia”, destaca.

Ele reforça que a deliberação do Conselho foi tomada no próprio dia da Assembleia Geral, antes que pudesse prestar esclarecimentos, conhecer integralmente as conclusões da apuração ou se manifestar sobre elas. E pede o “acesso imediato e integral ao relatório final do processo de investigação que fundamentou a deliberação tomada” para exercer seu “direito de defesa nas instâncias competentes”.

CNN Brasil - SP   28/07/2026

Os preços do minério de ferro recuaram nesta segunda-feira, à medida que a queda sazonal na demanda e a redução das margens do setor siderúrgico na China neutralizaram as expectativas de que Pequim anunciasse medidas de estímulo ainda nesta semana para fortalecer a economia.

O contrato de minério de ferro mais negociado na DCE (Bolsa de Commodities de Dalian) da China encerrou o pregão diurno com queda de 0,27%, a 741 iuanes (US$ 109,50) por tonelada.

A referência de minério de ferro para agosto na Bolsa de Singapura caía 0,56%, a US$ 97,6 por tonelada.

O consumo do insumo para a produção de aço diminuiu, já que várias siderúrgicas chinesas iniciaram manutenções de equipamentos após a demanda por aço ter enfraquecido sazonalmente e as margens terem se contraído acentuadamente.

A produção média diária de ferro-gusa, um indicador da demanda por minério de ferro, recuou pela terceira semana consecutiva, caindo 0,6% em relação à semana anterior, para 2,38 milhões de toneladas em 23 de julho -- o menor nível desde 3 de abril, segundo dados da consultoria Mysteel.

“A redução persistente das margens do aço, aliada às restrições de produção em algumas siderúrgicas em Tangshan (centro siderúrgico da China), manterá a produção de ferro-gusa reprimida”, afirmaram analistas da corretora Hongyuan Futures em uma nota.

O mercado tem se concentrado na reunião do Politburo, órgão máximo de tomada de decisões do Partido Comunista, marcada para o final de julho, durante a qual os formuladores de políticas provavelmente reforçarão o apoio por meio de políticas anticíclicas e introduzirão medidas adicionais para estabilizar o crescimento econômico, afirmaram analistas da Everbright Futures em uma nota.

Money Times - SP   28/07/2026

A CSN Mineração (CMIN3) informou ao mercado que seu conselho de administração aprovou um aditamento ao programa de recompra de ações da companhia aprovado em maio deste ano, para incluir um adicional de até 50 milhões ações ordinárias sobre o montante aprovado originalmente.

Com o acréscimo o programa prevê a aquisição de até 100 milhões de ações ordinárias. O período de aquisição não passou por alteração, permanecendo de 19 de maio de 2026 a 19 de novembro de 2027.

Vale pontuar que a aprovação de um programa de recompra pode ter diversas motivações, como a crença pela empresa de que as ações estão baratas, a distribuição de ações aos executivos como bônus sem a emissão de novos papéis e a geração de valor ao acionista.

No caso da CSN Mineração, o programa visa a aquisição de ações para permanência em tesouraria e posterior alienação ou cancelamento.

As ações mantidas em tesouraria por uma empresa representam uma retirada desses papéis do mercado por opção da mesma. O objetivo costuma ser uma melhoria na estrutura de capital, redução do número de ações em circulação, utilização em negociações ou investimentos futuros, entre outros.

Quando a companhia decide cancelar as ações em tesouraria, o acionista acaba, proporcionalmente, com uma fatia maior da empresa, uma vez que parte dos papéis não existe mais.

O Estado de S.Paulo - SP   28/07/2026

O Goldman Sachs rebaixou a recomendação para as ações da Vale (VALE3) de compra para neutra, ao avaliar que há limitados catalisadores no curto prazo.

Segundo o banco, a tese otimista para a empresa vinha sendo sustentada por uma combinação de melhora do desempenho operacional, preços de commodities em alta ou resilientes e um desconto de valuation (valor do ativo) em relação a pares e à média histórica.

Agora, porém, a expectativa é de que os preços dos principais metais da Vale fiquem estáveis ou em queda, enquanto o desempenho operacional já foi amplamente entregue e teria espaço limitado para melhorar, além de o crescimento em cobre ser mais distante no tempo.

O preço-alvo para as American Depositary Share, as ADRs (título que representa a propriedade de uma ação de uma empresa sediada no exterior, mas que pode ser negociado em bolsas de valores nos Estados Unidos) é de US$ 16, o que implica em um potencial de valorização de 8,2% ante o último fechamento.

Na visão dos analistas Marcio Farid, Emerson Vieira e Henrique Marques, a valorização das ações também reduziu a atratividade relativa: o banco cita uma reprecificação do papel e uma alta de mais de 70% desde janeiro de 2025.

No minério de ferro, o relatório afirma que os preços se mostraram mais resilientes do que o esperado, mas avalia que o nível atual, em torno de US$ 100 por tonelada, está próximo do pico do ciclo, diante do aumento da oferta global e do crescimento limitado da demanda.

Em metais básicos, a equipe de commodities do banco também projeta crescimento de preços limitado e o relatório diz não esperar uma expansão mais relevante da produção de cobre da Vale antes da próxima década.

Uma possível mudança no marco regulatório de cavities (espaços subterrâneos naturais, como cavernas e grutas) no Brasil poderia melhorar a posição competitiva da Vale no minério de ferro, mas não de forma material antes de dois a três anos, pontua o banco.

Em valuation, o Goldman Sachs afirma que o rendimento de fluxo de caixa livre (FCFy) projetado para os próximos dois anos - cerca de 7% ao ano, ou 15% acumulados até o fim de 2028 - não é suficientemente atraente para uma visão construtiva, até que o crescimento do cobre se torne mais relevante ou os custos melhorem com base em uma eventual mudança regulatória.

O relatório também aponta que pares australianos da Vale negociam com prêmio de 20%, em linha com a média histórica de cinco anos.

Apesar das incertezas de curto prazo, o Goldman Sachs diz esperar que um plano crível de crescimento da produção de cobre e uma estratégia assertiva de produção e comercialização de minério de ferro possam destravar valor no longo prazo.

O banco acrescenta que uma possível mudança regulatória ligada ao marco de cavities no Brasil poderia colocar a empresa em posição competitiva melhor no horizonte mais longo - pontos que o relatório descreve como potenciais fatores positivos para uma visão de investimento de longo prazo.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   28/07/2026

De janeiro a maio, país comprou US$ 5,2 bi em veículos eletrificados ou convencionais, 149% a mais que em igual período do ano passado

O Brasil se tornou em 2026, pela primeira vez, o principal importador de carros chineses no mundo. De janeiro a maio deste ano o país comprou US$ 5,2 bilhões em veículos eletrificados ou convencionais, superando compradores mais tradicionais como Rússia (US$ 5 bilhões) e Bélgica (US$ 3,8 bilhões) para chegar ao topo do ranking.

Os dados da alfândega chinesa mostram que as compras automóveis do gigante asiático mais que dobraram em relação aos US$ 2,1 bilhões registrados no mesmo período do ano passado - alta de 146,9%. Naquele momento, o Brasil ocupava o sexto lugar entre maiores importadores.

O movimento é liderado pelos carros eletrificados, cuja importação somou US$ 4,5 bilhões nos primeiros cinco meses do ano. Apenas nos meses de abril e maio, o volume alcançou US$ 2,7 bilhões.

O Brasil também assumiu a dianteira das importações no segmento específico de automóveis eletrificados. Bélgica (US$ 3,8 bilhões) e Reino Unido (US$ 3,4 bilhões) completam o top 3. A fatia de elétricos e híbridos no total das importações de veículos da China para o Brasil passou de 33% em 2021 para 87% em 2025.

Entre os motivos apresentados por analistas para a forte aceleração das importações nessa categoria estão a corrida para aproveitar de tributação menor no país, uma política de exportações mais agressiva da China para compensar a fraqueza da demanda doméstica e a crescente aceitação do consumidor, não apenas brasileiro, dos veículos eletrificados - puros ou híbridos -, nicho que as chinesas dominaram, deixando tradicionais montadoras americanas, europeias e outras asiáticas comendo poeira.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) organizados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) mostram que o país comprou US$ 5,35 bilhões no primeiro semestre em veículos chineses - mais que o dobro de todas as importações de origem francesa (US$ 2,6 bilhões).

Entre categorias, o destaque ficou com os híbridos plug-in, que responderam por pouco mais da metade (US$ 2,79 bilhões) desse total. O grupo dos veículos eletrificados respondeu por aproximadamente 15% de tudo o que o Brasil importou da China no período.

Diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, Tulio Cariello destaca como motivo da aceleração da importação o calendário de aumento das tarifas de importação brasileira, que passou de 25% e 30% a depender da categoria para 35%.

“Houve intensificação das importações para escapar da tarifa. A partir de agora, deve ocorrer alguma acomodação, à medida em que as vendas no mercado doméstico sejam atendidas pelo estoque formado”, diz. “Por outro lado, não acredito que haverá queda forte, uma vez que há interesse alto do brasileiro, inclusive das classes média e média alta. O carro elétrico virou um desejo de consumo, e carro elétrico se tornou sinônimo de carro chinês.”

De janeiro a junho, o país vendeu 215.023 veículos eletrificados leves, alta de 125% ante as 95.493 unidades vendidas no mesmo período do ano anterior, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). É um ritmo seis vezes maior que o do setor como um todo, que avançou 19,4% no período, nas estatísticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No Brasil, a fatia dos eletrificados na venda domestica saltou para 18% em junho, de 7,7% na mesma comparação.

Ainda segundo a Anfavea, o emplacamento de carros elétricos no primeiro semestre saltou a 91 mil, contra 31 mil no mesmo período de 2025, alta de 193%. Já o de híbridos plug-in cresceu 90% e o de híbridos convencionais, 81%.

Fabiana D’Atri, economista da Bradesco Asset Management (Bram), nota que a alta das importações também tem passa pelo maior fomento das exportações como um todo por parte da China. “A demanda doméstica caiu bastante. Os dados do segundo trimestre mostram esse descompasso do mercado doméstico crescendo em ritmo bem mais moderado que as exportações. O setor externo complementa o doméstico”, diz.

Não acredito que haverá queda forte [da importação], uma vez que há interesse alto do brasileiro”

— Tulio Cariello

Divulgado na semana passada, o PIB chinês do segundo trimestre expandiu 4,3% em base anual, abaixo expectativas de analistas, que culparam o consumo mais frágil que o esperado das famílias e do governo. O movimento e levanta dúvidas sobre a capacidade do país de atingir a meta estabelecida por Pequim de crescimento para o ano, que é de 4,5% a 5%.

Por outro lado, as exportações, por sua vez, avançaram 27% em junho na comparação interanual, bem acima da projeção de 18%. Apenas a exportação de veículos saltou 71,2% em junho na comparação com igual mês de 2025, batendo 1,06 milhão de unidades, segundo o Financial Times. Sozinha, a BYD teria vendido 175 mil carros para o mercado externo, alta de 95%. As vendas externas responderam por 43% da produção da gigante do setor.

No caso dos veículos eletrificados, pesa também o fato de que a China entende que o produto é competitivo e tem tecnologias modernas. “Para o Brasil e outros mercados, à medida que produtos são testados e aprovados pela população, vira uma situação de quanto mais tem, mais vai ter. Neste sentido, não vejo freada na entrada de veículos chineses, é uma mudança estrutural. Pode haver queda com a nacionalização da produção, mas sabemos que este é um processo lento”, nota D’Atri.

Ao menos oito marcas chinesas já produzem ou anunciaram intenção de produzir no Brasil, seja com fábrica própria, seja em parceria com montadoras já instaladas, mas o gigante asiático possui mais de uma centena de fabricantes. A economista avalia, no entanto, que nem todas as marcas que aqui chegarão podem terminar produzindo localmente.

“Alguns produtos, mesmo com as novas tarifas, manterão preços vantajosos e qualidade que não se encontra aqui, ainda que o preço fique menos convidativo. O consumidor pode optar por pagar a mais pelo pacote, e as fabricantes também podem oferecer desconto para se manter competitivas no mercado.”

Vigente desde o início de julho, a tarifa de 35% para eletrificados e híbridos veio acompanhada de uma nova cota de importação com alíquota zero para carros semimontados (SKD) ou desmontados (CKD) no valor de US$ 463 milhões. A renovação da cota gerou protestos por parte da Anfavea, mas se encaixa na estratégia do governo federal de atrair essas montadoras para o país, diz João Carmo, da 4intelligence.

“Era algo esperado e uma via de mão dupla. O governo mantém aberta uma porta - pequena - para a importação como forma de dar mais tempo para as chinesas se estabelecerem no país e, futuramente, trazer sua produção para cá”, diz o economista. Ele lembra que políticas de incentivo recente ao setor, como o Move Brasil para taxistas e motoristas de aplicativo, e o Mover, privilegiam eficiência energética e, com isso, integram a estrutura de incentivos do governo em direção à eletrificação da frota.

A internalização da produção para atender o mercado doméstico pode, futuramente, ajudar no reequilíbrio ou reversão da balança de veículos, segue o economista. “O país ainda é exportador para a Argentina, Colômbia e México, e as chinesas também têm interesse em acessar esses mercados.”

Como mostrou o Valor, a balança de automóveis fechou o primeiro semestre com déficit de US$ 5,32 bilhões, o mais profundo da série histórica iniciada em 1997. Enquanto as exportações patinaram, na esteira da menor demanda de mercados como o argentino, as importações explodiram, alcançando US$ 7,79 bilhões. A fatia chinesa saltou de 5% em 2021 para 72% ano passado. Entre categorias, a parcela dos 100% elétricos, híbridos ou híbridos plug-in passou de 17% para 79%.

Welber Barral, sócio da consultoria BMJ, acrescenta o fato de que muitos países desenvolvidos aplicaram tarifas maiores que as brasileiras aos elétricos chineses. “Explica, até certo ponto, o desvio de comércio em direção ao mercado brasileiro, que permanece relativamente mais aberto que os demais.”

Ele também avalia que a guerra no Oriente Médio no primeiro semestre e o salto dos preços de petróleo ajudaram a impulsionar a atratividade do segmento. “Existe essa avaliação que o [presidente dos Estados Unidos, Donald] Trump acabou ajudando muito a agenda verde por causa dos sustos e da imprevisibilidade em relação ao preço do combustível, especialmente nos países desenvolvidos.”

D’Atri minimiza o peso do episódio. “Acho que é a questão é mais estrutural. O choque de preços foi temporário e não houve efetivamente uma restrição de produto, como em outros momentos”, diz. “O carro chinês tem vantagens competitivas que independem desse choque pontual. O desafio é outro: abastecimento e manutenção, mas estes também têm diminuído bastante. As empresas que começam a se estabelecer também acabam expandindo para o pós-venda e desenvolvendo parcerias locais com fornecedores.”

Valor - SP   28/07/2026

Empresa reduzirá o quadro de funcionários por meio de aposentadoria antecipada e outras medidas voluntárias, enquanto garante o futuro de suas principais instalações alemãs e investe US$ 2,4 bi até 2035

A Porsche informou que cortará 5 mil empregos, o sinal de alerta mais recente da conturbada indústria automotiva da Alemanha.

A fabricante de carros esportivos anunciou os cortes nesta segunda-feira (27), como parte de um acordo mais amplo com representantes dos trabalhadores e seu poderoso sindicato. Sob o acordo, a empresa reduzirá o quadro de funcionários por meio de aposentadoria antecipada e outras medidas voluntárias, enquanto garante o futuro de suas principais instalações alemãs e investe o equivalente a US$ 2,4 bilhões até 2035.

A medida para reduzir custos faz parte do plano do novo CEO, Michael Leiters, para reanimar os rumos da histórica montadora, que vem sendo atingida por um colapso nas vendas na China, aumentos de tarifas nos Estados Unidos e uma aposta prematura em veículos elétricos.

O pacto com os trabalhadores “nos dá a oportunidade de realinhar estrategicamente nossa empresa e investir em nossa competitividade”, disse Leiters.

Os trabalhadores também concordaram com bônus e aumentos salariais mais modestos, bem como menos trabalho remoto — oito dias por mês, em vez dos 12 acordados anteriormente.

Os cortes mais recentes vêm além da eliminação de 3.900 posições acordadas pela Porsche e sua força de trabalho no ano passado, sob o comando do ex-CEO, Oliver Blume. A empresa tinha aproximadamente 42 mil funcionários no final de 2025.

Após quatro alertas de queda no lucro, Blume deixou o cargo, no ano passado, para focar em seu outro emprego, administrando o Volkswagen Group, que possui uma participação de controle na Porsche. Ele abriu caminho para Leiters, ex-engenheiro da Porsche que passou a trabalhar na Ferrari e a dirigir a fabricante britânica de carros de corrida McLaren.

Leiters deu pistas de seu plano para reanimar a marca na assembleia geral anual do mês passado, traçando planos para estreitar e simplificar a linha de produtos da Porsche. “Nosso portfólio se tornou complexo demais”, disse.

Ele também tomou medidas para vender ativos não estratégicos, incluindo as participações da empresa na marca de carros de corrida Bugatti e na fabricante de supercarros elétricos Rimac. Leiters deve apresentar uma estratégia completa no início de outubro.

O principal problema da Porsche tem sido a China, onde suas vendas caíram para 41.938 unidades no ano passado, menos da metade do pico de 2021. Um mercado imobiliário fraco, novos impostos e a ascensão de montadoras locais têm afastado os consumidores chineses da compra de carros importados caros.

Há poucos sinais de que o mercado esteja se recuperando, com as vendas da Porsche na China caindo mais 32% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o período do ano anterior.

“Não estamos de forma alguma enfrentando uma desaceleração de curto prazo, mas sim uma mudança estrutural. As expectativas dos clientes estão mudando”, disse Leiters na assembleia. “A concorrência também se tornou muito mais dinâmica.”

As políticas tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, representam outro desafio. A Porsche importa da Europa todos os carros que vende no país, e não é grande o suficiente para considerar a produção local. As novas taxas custaram à empresa cerca de US$ 800 milhões no ano passado.

Outro problema para a Porsche é a lenta adoção de veículos elétricos. Em 2022, quando o entusiasmo pela nova tecnologia estava no auge, a montadora abriu o capital com a expectativa de que 80% de suas vendas seriam de veículos totalmente elétricos em 2030. Ela deu baixa contábil em bilhões de dólares de investimentos no ano passado, quando ficou claro que esse cenário era extremamente improvável.

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   28/07/2026

Com o fim do primeiro semestre, a indústria de caminhões constatou que os recursos do programa federal Move Brasil 2 atenuaram os efeitos da queda nas vendas.

Contudo, a iniciativa não foi suficiente para reverter o cenário ruim do setor no país.

Agora, com o fim do incentivo, as fabricantes tentam seguir a vida em um segundo semestre que terá pela frente dois fatores relevantes para o setor: as eleições majoritárias e a Fenatran, maior evento do segmento de veículos pesados.

"Existe vida fora do Move Brasil", disse Gustavo Cecchetto, gerente de vendas da Scania. "O programa não apenas diminuiu as perdas, mas também nos aproximou do pequeno e do médio empresário, movimentou o varejo e ocupou a fábrica", completou o executivo. Conforme a montadora, metade das suas vendas realizadas no primeiro semestre ocorreram por meio do programa.

Embora os recursos tenham se esgotado para as empresas, o programa federal vai continuar reverberando nas operações das montadoras. Isso ocorre porque os registros dos veículos comprados durante a sua vigência seguem sendo realizados após o faturamento dos caminhões.

"Nosso desafio daqui para frente é buscar novos negócios em um cenário onde os juros ainda seguem altos e encarecem o financiamento de veículos novos", afirmou Cecchetto. "Por isso calculamos uma queda do mercado em 2026 na faixa dos 5% e 10% em relação a 2025."

A Scania superou os R$ 1,3 bilhão em negócios durante a segunda fase do Move Brasil, entre maio e julho. O montante correspondeu às vendas de aproximadamente 1.300 caminhões, 130 implementos rodoviários e 40 ônibus. Na primeira fase do programa, entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a empresa comercializou 1.250 veículos pesados.

Segundo a Anfavea, a associação que representa parte das montadoras com produção de veículos no país, a tendência é de estabilização do mercado no segundo semestre em razão da taxa básica de juros ainda elevada e das dificuldades persistentes no agronegócio, que é o principal comprador de caminhões pesados no mercado doméstico.

Diante do contexto adverso, a entidade reduziu em julho a sua projeção acerca da produção de caminhões.

Pelas contas da associação, a produção de caminhões será 6% menor do que no ano passado, somando 143,2 mil unidades. "Nos últimos dois anos, o mercado perdeu cerca de 100 mil unidades, quase uma Argentina", disse Igor Calvet, presidente da Anfavea.

No caso dos emplacamentos de pesados, a queda projetada pela entidade também indica uma retração de 6% ante o volume registrado em 2025, totalizando 129,2 mil unidades. Em janeiro, quando a associação das montadoras revelou sua primeira projeção para o ano, a queda sinalizada era de 0,5%.

A renovação de frota segue também como um dos principais desafios estruturais do setor e também ajuda a explicar a relevância - ainda que temporária - do Move Brasil. O programa foi desenhado para estimular a substituição de veículos antigos por modelos mais eficientes, com menor emissão e maior segurança operacional.

Na prática, a demanda reprimida apareceu rapidamente: apenas na segunda fase, a linha de crédito de até R$ 21,2 bilhões voltada a caminhões e ônibus teve forte adesão, com recursos aprovados em poucos dias e milhares de operações espalhadas por mais de mil municípios.

Na primeira etapa do programa do governo federal, quase R$ 9,7 bilhões já haviam sido financiados, contemplando mais de 15,6 mil caminhões.

Os números reforçam um diagnóstico recorrente no setor: há demanda para renovação, mas ela depende de condições de crédito. "No patamar em que estão os juros, muitos dos frotistas seguraram as compras para outro momento, o que acabou refletindo nos números de vendas do setor", disse Cecchetto, da Scania.

Historicamente, a frota brasileira é envelhecida: cerca de 26% dos caminhões têm mais de 30 anos de uso, o que eleva os custos operacionais e o impacto ambiental, segundo as montadoras.

Com juros subsidiados e prazos mais longos, o Move Brasil conseguiu destravar parte dessa substituição ao oferecer financiamento em condições mais acessíveis que as demais disponíveis no mercado.

Sem o programa, a tendência é de desaceleração desse movimento, já que a renovação volta a depender do crédito tradicional e da renda do transporte.

Jornal de Brasília - DF   28/07/2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 27, que montadoras europeias, como BMW, Mercedes e Volkswagen, estão sendo “dizimadas” pelos carros chineses. Trump discursou no evento de instalação da General Motors (GM) em Milford, Michigan.

Em seu discurso, o republicano defendeu tarifas abrangentes e a produção de veículos em território nacional, à medida que as eleições de meio de mandato se aproximam. “O resto do mundo não me ama, mas tudo bem”, afirmou, aludindo às tarifas. “Isso se chama ‘América em primeiro lugar'”. “Eles percorreram um longo caminho”, disse aos repórteres mais cedo sobre a GM. “É incrível o que as tarifas estão fazendo pela empresa”.

Trump ainda voltou a dizer que os EUA estão ganhando a guerra contra Irã, alegando que as capacidades militares dos iranianos estão acabadas. Segundo ele, Teerã está pedindo o fim do bloqueio naval no Golfo. “O Irã está dizendo: ‘por favor, por favor, sem bloqueio'”, acrescentou.

Valor - SP   28/07/2026

Montadora está competindo em uma corrida com GM e a outras empresas para construir o novo caminhão tático do Exército dos Estados Unidos

A Ford Motor e a General Motors (GM) não querem ser apenas empresas de automóveis — e por uma boa razão.

A Ford agora está competindo em uma corrida para construir o novo caminhão tático do Exército dos Estados Unidos, juntando-se à GM e a outras empresas, informou o The Wall Street Journal nesta segunda-feira (27).

As ações da Ford subiam 0,9% no meio do pregão, enquanto o S&P 500 caía 0,3%. A notícia sobre o caminhão não foi o único fator positivo. O Jefferies elevou a recomendação das ações da Ford, de neutra para compra.

A notícia é apenas o exemplo mais recente da tentativa de Ford e GM de se transformarem para além dos carros. A Ford anunciou recentemente a formação de um negócio de armazenamento de energia, que usará capacidade de bateria de íons de lítio para criar soluções de energia em escala de utilidade pública. A Tesla é pioneira nessa área.

A GM vem fazendo coisas semelhantes, e segue se diversificando para a defesa, disputando a licitação do caminhão e tendo assinado recentemente um acordo com a Lockheed Martin para alavancar sua experiência em fabricação de alto volume no setor de defesa, que possui menor volume.

A GM Defense era uma oportunidade de crescimento atraente para a empresa, disse Mary Barra, CEO da empresa, na teleconferência de resultados do segundo trimestre, realizada em julho.

“O Veículo de Esquadra de Infantaria [ISV], baseado na Chevrolet Colorado, é um caso exemplar. Após um pedido inicial de vários anos de cerca de 1.200 ISVs, o Exército dos Estados Unidos agora planeja adquirir mais de 10 mil, se a dotação orçamentária for aprovada”, disse Barra.

Esse é o mesmo caso de uso pelo qual a Ford também está disputando.

“Estamos entusiasmados em iniciar os trabalhos neste contrato com o Exército”, disse a empresa. “As soluções prontas para uso da Ford podem entregar capacidade e escala inigualáveis, tecnologias de ponta e os recursos robustos que podem oferecer valor e desempenho transformadores, atendendo às necessidades dos governos e das Forças Armadas de forma altamente rentável.”

Para ter certeza, o governo americano quer mais soluções comerciais de menor custo, em vez de veículos construídos sob medida, que podem custar centenas de milhares de dólares cada.

Para as montadoras, o objetivo é gerar mais crescimento, o que tem sido um desafio há uma geração. A Ford gerou cerca de US$ 6,5 bilhões em lucro operacional em 2015, valor semelhante ao gerado em 2025.

O crescimento dos lucros abaixo do mercado é a razão pela qual Ford e GM são negociadas a múltiplos de preço sobre lucro de um único dígito, enquanto o S&P 500 atinge 20 vezes os lucros esperados para os próximos 12 meses.

O negócio de energia pode impulsionar o lucro operacional da Ford em cerca de US$ 500 milhões até o final da década, de acordo com Wall Street. Os investidores provavelmente devem pensar na oportunidade de defesa sob a mesma perspectiva.

O negócio de sistemas de combate da General Dynamics, que fabrica o tanque Abrams, gera cerca de US$ 10 bilhões em receita anual e mais de US$ 1 bilhão em lucro operacional. GM e Ford geram juntas mais de US$ 360 bilhões em vendas anuais e devem gerar cerca de US$ 24 bilhões em lucro operacional combinado. A GM leva vantagem nos lucros esperados, com previsão de cerca de US$ 14 bilhões.

O potencial de lucro operacional em defesa para Ford e GM será provavelmente medido em centenas de milhões de dólares, se ambas as montadoras forem bem-sucedidas em vender mais para a área de defesa.

Não é o suficiente para remodelar completamente os negócios, mas alguns centenas de milhões certamente seriam um aporte significativo.

Os investidores terão a chance de ouvir sobre a oportunidade quando a Ford divulgar os números do segundo trimestre, no final desta semana.

Valor - SP   28/07/2026

A fabricante chinesa de baterias automotivas CATL obteve lucros expressivos este ano, graças ao aumento da capacidade de produção de baterias para veículos elétricos e ao sucesso na repasse dos custos mais altos. Em contraste, as montadoras, suas principais clientes, sofrem com um mercado desfavorável.

A CATL, ou Contemporary Amperex Technology Co. Ltd., registrou lucro líquido de 43,2 bilhões de yuans (US$ 6,38 bilhões) no primeiro semestre de 2026, um aumento de 42% em relação ao ano anterior.

"A capacidade de produção de baterias por veículo está aumentando, elevando a demanda geral por baterias automotivas", disse um executivo durante a teleconferência de resultados na sexta-feira.

As vendas do principal segmento de baterias automotivas, que representa 70% da receita da CATL, cresceram 46%. A receita total da empresa no semestre aumentou 55%, para 276,9 bilhões de yuans.

Embora a margem de lucro bruto do negócio de baterias automotivas tenha caído 2 pontos percentuais, para 21%, "o nível de lucro por quilowatt-hora é alto e a rentabilidade permanece bastante estável", afirmou o executivo.

O equilíbrio entre oferta e demanda tem sido apertado para baterias usadas em data centers de inteligência artificial e armazenamento de energia renovável. Além disso, o Zimbábue — um dos principais produtores de lítio usado em baterias — suspendeu as exportações de lítio, elevando o preço do carbonato de lítio desde o início de 2026 ao nível mais alto em dois anos e meio.

Ainda assim, fabricantes de baterias como a CATL, bem como empresas que trabalham com materiais para baterias, parecem estar repassando com sucesso o aumento dos custos de materiais para os preços.

A fabricante chinesa de lítio Ganfeng Lithium Group anunciou em 15 de julho que espera um lucro líquido entre 3,6 bilhões e 4,6 bilhões de yuans para o primeiro semestre, recuperando-se de um prejuízo de 531 milhões de yuans no primeiro semestre de 2025 e alcançando seu primeiro lucro no período de janeiro a junho em três anos.

A empresa atribuiu a melhoria ao "aumento da demanda por carbonato de lítio por parte de clientes finais e a um aumento significativo no preço dos produtos de carbonato de lítio em comparação com o mesmo período do ano passado". A concorrente da Ganfeng, Tianqi Lithium, espera que o lucro líquido do primeiro semestre aumente até cinquenta vezes em relação ao ano anterior.

Enquanto as empresas da cadeia de suprimentos desfrutam de fortes lucros, aquelas na outra ponta da cadeia de suprimentos — as montadoras chinesas — estão vendo seus lucros se deteriorarem.

O lucro líquido da Great Wall Motor para o primeiro semestre deve cair de 59% a 63% em relação ao ano anterior. O grupo estatal Guangzhou Automobile também espera que as perdas líquidas piorem em relação ao ano anterior, ficando entre 4 bilhões e 4,5 bilhões de yuans, citando o "aumento dos custos de matéria-prima na cadeia de suprimentos" como um dos fatores.

A participação de mercado da CATL em baterias para veículos de passageiros no mercado interno aumentou 6 pontos percentuais em relação ao ano anterior, chegando a 47% no primeiro semestre, segundo relatório de um grupo do setor chinês. A empresa possui uma ampla gama de baterias, incluindo modelos ternários conhecidos por sua longa autonomia e baterias de fosfato de ferro-lítio de baixo custo, com longa vida útil e tempos de carregamento curtos.

As montadoras não conseguiram repassar seus custos crescentes. As vendas de veículos novos na China caíram cerca de 20% no primeiro semestre, mesmo com o anúncio de aproximadamente 500 novos modelos no país entre janeiro e maio. As montadoras estão lançando cada vez mais novos modelos para conter a queda nas vendas, alimentando uma prolongada guerra de preços.

Os custos de aquisição de baterias estão aumentando, representando de 30% a 40% dos preços dos veículos elétricos. Os preços dos chips, que suportam as funções de alta tecnologia que são um diferencial de venda para os novos carros chineses, também estão subindo. As montadoras estão sendo pressionadas entre as pressões de custos vindas da cadeia de suprimentos e as pressões de preços para baixo do mercado.

"Em comparação com a cadeia de suprimentos de veículos convencionais movidos a gasolina, a proporção dos custos de baterias, semicondutores e componentes inteligentes na cadeia de suprimentos de veículos elétricos inteligentes está aumentando, pressionando os lucros das montadoras", disse Chen Shihua, vice-secretário-geral da Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis, em um discurso em meados de julho.

A CATL permanece otimista, com um executivo da empresa afirmando que "a demanda por baterias veiculares e de armazenamento continuará a aumentar tanto no mercado interno quanto no internacional, e continuaremos a observar um crescimento constante nos próximos cinco anos".

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   28/07/2026

A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) teve de mobilizar trabalhadores da empresa nesta sexta-feira (24) para exercer funções que não operavam desde maio, quando começou a fase de transição das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade.

Por causa da pane de quinta-feira (23), no terceiro dia de gestão dos três ramais pela Trivia Trens, o governo Tarcísio de Freitas determinou que a empresa estatal assumisse a operação das linhas por ao menos 90 dias.

Acho que a empresa precisa se preparar melhor para assumir esse encargo, esse ônus. É inaceitável o que aconteceu no dia de hoje [quinta], disse o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante um evento no interior do estado no dia da pane.

As notícias estão em todo lugar. Reportagens e entrevistas exclusivas sobre o setor ferroviário, só na RF desde 1940.

Por R$ 8,42/mês parcele em 12x sem juros.

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Michael Sotelo Cerqueira, presidente da CPTM, disse que começou a mobilização de funcionários ainda na quinta-feira, assim que foi decidido que a estatal reassumiria a operação das linhas.

Foi uma operação bastante complexa, que demandou energia, afirmou o executivo à Folha. Tivemos que mobilizar todo mundo e refazer escalas, não foi algo tão simples e trivial.

A retomada das operações pela CPTM foi decidida após uma série de reuniões ao longo de quinta-feira. Um gabinete de crise acabou montado logo no começo da manhã.

A decisão, do Conselho Diretor da Artesp (agência reguladora de transportes) foi oficializada em uma publicação no Diário Oficial do Estado. O texto diz que a medida foi necessária para resguardar o interesse público, prevenir danos e assegurar a regularidade do processo [de concessão] em curso.

O leilão que definiu a concessão ocorreu em março do ano passado e foi vencido pelo grupo Comporte Participações, criado por Nenê Constantino, da família fundadora da companhia aérea Gol, a holding voltada ao setor de transporte, principalmente rodoviário. Os investimentos previstos são de R$ 14,3 bilhões.

A fase de transição começou em maio passado, quando funcionários da empresa passaram a ter contato direto com a rotina das operações da CPTM. Depois houve a inversão. Na terça (21), a companhia privada havia assumido o controle, também supervisionada. O processo agora retorna à primeira fase da transição.

Somente após um ano, ou seja, em julho de 2027, a concessionária assumiria integralmente os trabalhos. A manutenção do prazo agora é uma incógnita.

Segundo Cerqueira, algumas áreas consideradas sensíveis na operação não tiveram seus times completos, como manutenção preventiva, devido ao pouco tempo para a mobilização, mas os trens rodaram normalmente.

Em algumas estações, ao invés de quatro colaboradores, tínhamos três, mas isso não afetou a qualidade, disse.

Funcionários da Trivia Trens participaram da operação em conjunto com os da CPTM.

A falha em um trem por volta das 5h40 provocou uma ocorrência elétrica entre as estações Tatuapé e Brás envolvendo a linha 12, segundo a empresa. A circulação foi interrompida nas três linhas e os passageiros precisaram andar pelos trilhos até chegar às estações.

Um trem pegou fogo com os passageiros ainda dentro. Ninguém se feriu.

A prioridade desde o primeiro momento foi a segurança das pessoas e a rápida mobilização de equipes para o restabelecimento da operação no menor tempo possível, disse a concessionária, em nota.

Uma comissão permanente de segurança, que entre outros têm a CPTM e a própria Trivia Trens, vai analisar as causas da falha.

Cerqueira não quis opinar sobre o problema, que ocorreu nas mãos de outro operador, mas disse que foi uma falha relevante. Precisamos aprender com ela, porque falhas acontecem, sistemas são complexos, afirmou.

Rodoviário

Grandes Construções - SP   28/07/2026

Pelo menos mais quatro leilões rodoviários devem ser realizados pelo governo federal neste ano, somando-se aos três que já tiveram batida de martelo na bolsa de valores nos sete primeiros meses. O terceiro ocorreu nesta quinta-feira (23), quando a EPR levou o contrato da rodovia Régis Bittencourt.

Embora o Executivo avalie que ainda pode ampliar esse número – fazendo até mais sete certames em 2026 –, estão com maior garantia de ocorrer no segundo semestre as disputas para os contratos da BR-163 em Mato Grosso e Pará, que já tem data marcada em novembro; da Rota Pequi, que engloba o atual contrato da Concebra na BR-060/DF; da Rota Agro Central, com trechos em Mato Grosso e Rondônia; e da Rota 2 de Julho, antiga concessão da ViaBahia.

A previsão do governo é que esses três últimos ocorram em dezembro, apesar de os editais ainda não terem sido aprovados e publicados. Além deles, o Ministério dos Transportes ainda quer levar para a B3 neste ano os dois projetos de concessão feitos para rodovias do Rio Grande do Sul (Rota Integração do Sul e Rota Portuária do Sul) e outro contrato de parceria estadual. Para esses ainda não há previsão de data dos leilões.

Os demais elencados na carteira divulgada no fim do ano passado, que projetava 13 certames, já foram repassados para o próximo ano. Entre eles, os dois lotes de concessões programados para Santa Catarina, que estão sendo estruturados dentro dos parâmetros da sexta etapa de concessões rodoviárias.

Como mostrou a Agência iNFRA, o elevado volume de projetos previstos pelo governo pelo segundo ano seguido – parte deles dependentes de acordos de repactuação que se apresentaram mais complexos do que o estimado pelos agentes públicos – já foi apontado como o fator preponderante para que o fluxo de leilões não ocorresse como planejado neste ano.

O Executivo também argumenta que, apesar de o número de leilões de rodovias poder não chegar à meta inicial, há grande chance de 2026 marcar o retorno de leilões ferroviários – quatro projetos estão no TCU (Tribunal de Contas da União).

Tanto os de rodovia como os de ferrovia são gestados pelo Ministério dos Transportes junto à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

Ao discursar após a batida de martelo no leilão da Régis Bittencourt, o ministro dos Transportes, George Santoro, comemorou o resultado e lembrou que o certame marcou o 25º contrato levado à B3 pela atual gestão. Só em 2025 foram 13 leilões.

Para 2026 - Da programação restante para este ano, o leilão da BR-163 está previsto para acontecer em 12 de novembro. Ele é resultado da repactuação do atual contrato do grupo Conasa, que poderá participar da licitação. O projeto da Rota 2 de Julho está no TCU, aguardando liberação dos ministros da corte.

É o mesmo estágio da Rota Agro Central. No ano passado, o governo chegou a pedir o sobrestamento do processo no TCU para que pudesse reavaliar a modelagem considerando as ferrovias de influência na concessão, que contempla 887,6 quilômetros das BRs 070, 174 e 364, no Mato Grosso e em Rondônia. O estudo já foi reavaliado e a expectativa do governo é que ele seja julgado pela corte de contas nas próximas semanas.

O quarto projeto é o resultante do acordo com a Concebra, do grupo Triunfo, que terá de deixar a administração da BR-060 até dezembro.

NAVAL

Valor - SP   28/07/2026

Ao todo, 11 navios de carga de commodities passaram pelo estreito de Bab el-Mandeb no domingo, o menor nível em meses

O tráfego de navios pelo estreito de Bab el-Mandeb caiu no domingo depois que os houthis do Iêmen atacaram instalações petrolíferas sauditas ao longo da costa do Mar Vermelho, mostraram dados de transporte marítimo da Kpler nesta segunda-feira. Enquanto isso, o trânsito pelo Estreito de Ormuz permaneceu baixo durante o fim de semana.

Ao todo, 11 navios de carga de commodities passaram pelo estreito de Bab el-Mandeb no domingo, o menor nível em meses, segundo os dados. O tráfego no Mar Vermelho vem sendo afetado na costa do Iêmen desde a semana passada pelos houthis, alinhados a Teerã, que buscam bloquear as exportações sauditas, ampliando o conflito entre Estados Unidos e Irã, que já comprometeu o fluxo de petróleo por Ormuz.

As interrupções no transporte marítimo fizeram os preços das cargas físicas de petróleo no Oriente Médio, Europa e África atingirem máximas de dois meses na semana passada.

Sete das embarcações que passaram por Bab el-Mandeb eram petroleiros, três dos quais entraram no Mar Vermelho. Dois são grandes petroleiros (VLCCs) com destino ao porto de Yanbu para carregar petróleo saudita, enquanto o terceiro é um navio ligado à Rússia, mostraram os dados.

As quatro embarcações que deixaram o Mar Vermelho no domingo incluíram o VLCC New Explorer, de bandeira de Hong Kong, transportando 2 milhões de barris de petróleo saudita e dos Emirados Árabes Unidos com destino ao porto de Ningbo, no leste da China; um petroleiro transportando 1 milhão de barris de petróleo russo para a China; e um petroleiro com cerca de 750 mil barris de petróleo saudita a bordo destinados ao Paquistão, mostraram os dados.

Outro VLCC de bandeira de Hong Kong, o New Pearl, que transporta dois milhões de barris de petróleo saudita, está deixando o Mar Vermelho pelo estreito de Bab el-Mandeb com destino ao porto de Zhoushan, no leste da China. É o quarto superpetroleiro chinês a deixar a região desde que os houthis declararam um bloqueio naval.

A Associated Maritime Hong Kong, responsável pela gestão do New Explorer e do New Pearl, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário feito fora do horário comercial.

O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, disse que o grupo atingiu no sábado instalações pertencentes à petrolífera estatal saudita Aramco nas cidades de Jizan e Yanbu.

Trânsito por Ormuz permanece baixo apesar de trégua

Menos de dez navios de transporte de commodities passaram diariamente pelo Estreito de Ormuz durante o fim de semana, apesar de Estados Unidos e Irã terem suspendido os ataques no Oriente Médio, mostraram dados de transporte marítimo da Kpler.

Sete embarcações atravessaram o estreito no domingo, incluindo três navios-tanque de derivados de petróleo ligados ao Irã que deixaram a região pelo Estreito de Ormuz, mostraram os dados.

No sábado, apenas três embarcações atravessaram o estreito, com seus transponders desligados. Entre elas estavam um VLCC com destino ao Catar para carregar petróleo, um navio-tanque de gás liquefeito de petróleo com destino ao porto de Ruwais, nos Emirados Árabes Unidos, para carregar uma carga, e um petroleiro que transportava nafta do Catar com destino ao Japão, mostraram os dados.

Na sexta-feira, sete embarcações passaram pelo estreito, a maioria deixando o Golfo, incluindo dois VLCCs que transportavam petróleo do Iraque e dos Emirados Árabes Unidos e um navio-tanque que transportava óleo combustível.

CNN Brasil - SP   28/07/2026

O Irã afirmou nesta segunda-feira (27) que não busca retomar as negociações de paz com os Estados Unidos e que ainda controla o Estreito de Ormuz, após o presidente Donald Trump ter interrompido uma campanha de bombardeios de duas semanas, que, segundo seus principais comandantes, havia chegado ao fim.

Após 13 noites consecutivas de bombardeios intensificados que levaram Teerã a atacar bases americanas em resposta, Trump interrompeu a campanha no fim de semana. O Irã afirmou que suspenderá seus próprios ataques enquanto durar a pausa americana.

O fim da campanha de bombardeios dos EUA fez com que os preços do petróleo despencassem, na esperança de que o fornecimento global interrompido pudesse ser retomado.

O petróleo Brent, que havia ultrapassado brevemente os US$ 100 por barril na semana passada pela primeira vez desde maio, caiu mais de 8% na manhã desta segunda-feira, para pouco menos de US$ 89.

Mas, em sinais de que Teerã pode já estar testando o novo cessar-fogo, a Jordânia relatou ter abatido dois drones e fontes de segurança iraquianas disseram que drones atingiram uma base de combatentes curdos da oposição iraniana no norte do Iraque. Não houve relatos de vítimas em nenhum dos incidentes.

A decisão de Trump de suspender a campanha refletiu a recomendação de seus militares de que o bombardeio, cujo objetivo era quebrar o controle do Irã sobre o estreito, havia atingido o limite de seu alcance, segundo um oficial americano e diversas reportagens da mídia dos EUA.

O oficial americano disse à agência de notícias Reuters que os comandantes militares avisaram o presidente que estavam ficando sem alvos.

O chefe do Estado-Maior Conjunto, General Dan Caine, expressou preocupação com o esgotamento das munições de defesa aérea, relatou a fonte.
Pedido de mais negociações "não está em nosso DNA", diz porta-voz do Irã

O embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, disse no domingo (26) que Trump havia pausado a campanha para abrir espaço para negociações. Trump, o secretário de Estado Marco Rubio e outros funcionários americanos descreveram o Irã como "implorando por um acordo".

Mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse em uma coletiva de imprensa televisionada nesta segunda-feira (27) que o Irã não havia pedido para retomar as negociações de paz com os Estados Unidos.

Mensagens ainda estavam sendo trocadas entre as partes por meio de mediadores e o Irã não havia abandonado a diplomacia, mas "notícias sobre o Irã solicitando negociações com os EUA são fabricadas", disse Baghaei. "Isso não está em nosso DNA."

Teerã também indicou que ainda controla a via navegável mais importante do mundo para os mercados de energia.

Retorno de navios no Estreito de Ormuz

Diversos veículos da mídia estatal iraniana citaram uma "fonte informada" afirmando que o Irã impediu a travessia de seis "navios infratores" na manhã desta segunda-feira, por tentarem cruzar o estreito sem sua permissão. Uma das embarcações, segundo a fonte, sofreu um "acidente".

"Como anunciado anteriormente, a rota de tráfego no Estreito de Ormuz é a rota especificada pelo Irã, e outras rotas estão contaminadas e sem saída", disse a fonte, conforme os veículos de imprensa estatais iranianos.

Trump retomou sua campanha de bombardeios para punir o Irã depois que Teerã disparou contra navios que utilizavam uma rota pelo estreito promovida pelos Estados Unidos, que orientaram as embarcações a navegarem perto da costa de Omã.

O Irã afirma que os navios só podem passar por um canal mais próximo da sua costa, que controla e onde pretende impor taxas de trânsito.

As duas semanas de novos bombardeios dos EUA mataram dezenas de pessoas no Irã e destruíram pontes e túneis no sul do país, além de alvos militares.

Quatro militares americanos morreram em decorrência de disparos de retaliação do Irã contra bases dos EUA em países árabes vizinhos.

O Irã também atingiu infraestruturas civis em países do Golfo, no que descreveu como uma resposta aos ataques americanos contra alvos civis.

Na semana passada, os Houthis — aliados do Irã — ameaçaram estender a perturbação do abastecimento global de petróleo a uma segunda via navegável importante, ao anunciarem um bloqueio à indústria petrolífera da Arábia Saudita no Mar Vermelho, o que impulsionou ainda mais os preços do petróleo.

A suspensão da nova campanha de bombardeios dos EUA deixa incerto qual poder de pressão Washington pode exercer para alcançar o objetivo de Trump de quebrar o controle iraniano sobre o estreito.
Acordo provisório

Washington e Teerã chegaram a um acordo em junho sobre as bases para negociações — previstas para ocorrer até o final de agosto — destinadas a resolver questões importantes, como o programa nuclear iraniano.

No entanto, as partes divergem quanto à interpretação dos termos do memorando referentes ao Estreito de Ormuz: Washington insiste que o texto exige que Teerã permita a livre navegação, enquanto o Irã afirma que o documento lhe confere autoridade para supervisionar o trânsito.

O Irã busca formalizar seu controle sobre o estreito mediante um acordo com Omã, país que controla a margem oposta. Uma delegação de alto escalão de Omã esteve em Teerã durante o fim de semana para discutir o futuro do estreito.

Os ministros das Relações Exteriores do Catar, dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita realizaram, separadamente, conversas telefônicas com o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, para discutir a questão do estreito, segundo relatos divulgados na segunda-feira pela mídia estatal desses países.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu — que iniciou a guerra em fevereiro ao lado de Trump, mas não participou das negociações entre os EUA e o Irã para encerrá-la — deve se reunir com Trump em Washington no início desta semana.

Portos e Navios - SP   28/07/2026

O governo brasileiro prepara uma contraproposta para tentar destravar a concessão da Hidrovia do Paraguai, que segue travada por impasses de governança e negociação entre Brasil, Paraguai e Bolívia. O movimento ocorre em um projeto considerado estratégico para a navegação interior e para o escoamento de cargas do Centro-Oeste.

Em 2024, o Ministério de Portos e Aeroportos estimou investimento de R$ 63,8 milhões na primeira concessão hidroviária do país, com prazo contratual de 15 anos e possibilidade de prorrogação. A modelagem prevê atuação no Tramo Sul, no Canal do Tamengo e em estruturas associadas, entre Corumbá (MS) e a foz do rio Apa, com trecho de cerca de 600 km.

O ponto de atrito mais recente está na negociação entre os países que dividem o corredor. Em maio, interlocutores paraguaios já indicavam interesse em ampliar a discussão para além da governança da hidrovia, o que contribuiu para o atraso do processo. Em junho, Brasil, Paraguai e Bolívia avançaram em um modelo de gestão trinacional, com foco em sinalização, monitoramento e manutenção da navegabilidade.

A concessão é vista pelo governo como teste para futuros projetos hidroviários, mas o cronograma ainda depende de consenso político e regulatório. O tema ganhou novo peso após o Ministério de Portos e Aeroportos reforçar, em julho, que a hidrovia integra um corredor logístico relevante para a navegação interior e para o comércio regional.

PETROLÍFERO

Petro Notícias - SP   28/07/2026

Uma cerimônia no início deste mês formalizou o início das operações do Centro Tecnológico para o Pré-sal Brasileiro (CTPB), instalado na Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), em Minas Gerais. A unidade é uma planta de processo em escala semi-industrial considerada uma das mais modernas do mundo e a única com capacidade de reproduzir com exatidão as condições operacionais do pré-sal. Atualmente, o CTPB trabalha em projetos que podem inaugurar um novo patamar no desenvolvimento de soluções subsea. Em entrevista ao Petronotícias, o professor Marcos Aurélio de Souza, coordenador geral do CTPB, afirmou que o centro receberá em outubro a primeira bomba relacionada ao HISEP — sistema inovador que promove a separação do gás e do petróleo ainda no fundo do mar, permitindo a reinjeção direta do CO2 no reservatório. Além disso, o CTPB também possui uma agenda de pesquisas envolvendo a geração de energia no leito marinho e o desenvolvimento de membranas para a separação de CO2 e gás natural. “Esse conjunto de iniciativas, somado ao HISEP, consolida nossa agenda de testes até 2028. Para além dessa data, já estamos em fase de negociação para um projeto de tratamento de água oleosa no fundo do mar focado na reinjeção no reservatório”, revelou.

Quais são os objetivos gerais do CTPB, como surgiu a ideia de fundar esse centro e de que forma ele vai contribuir com a indústria de óleo e gás?

A grande motivação para a criação do CTPB foram os desafios específicos inerentes à produção de petróleo no Pré-Sal brasileiro. Os reservatórios dessa camada são substancialmente diferentes daqueles que vinham sendo explorados no Brasil até então, em virtude da elevada razão gás-óleo, da quantidade expressiva de CO2 associada e da água de produção com salinidade extremamente alta.

Em função dessas características, quem opera hoje no Pré-Sal precisa desenvolver e testar equipamentos nessas novas condições extremas para garantir a sua perfeita operabilidade no campo. Portanto, o Centro nasce no momento em que a Petrobras detecta que os laboratórios disponíveis e existentes no mercado não conseguiam reproduzir nem atender às severas condições que os reservatórios do Pré-Sal impõem às suas tecnologias e equipamentos.

Recentemente, foi realizada a cerimônia oficial que marcou formalmente o início das operações do centro. O que vem a seguir a partir dessa cerimônia? O que muda e o que traz de novidade para o mercado?

Na verdade, não se trata de uma mudança de rumo, mas sim de uma intensificação das atividades. Apesar de a cerimônia formal ter ocorrido no dia 3 de julho, o CTPB já vinha operando a plena carga desde o final do ano passado. Nós possuímos uma agenda estruturada de testes que se estende até 2028. Entre esses ensaios, o mais significativo ocorrerá agora neste segundo semestre, que é o teste de aceitação de fábrica das bombas do projeto HISEP. Isso é de extrema relevância, pois trata-se de um projeto grandioso que muda o patamar tecnológico e operacional de produção dos reservatórios do Pré-Sal, iniciativa em que já estamos engajados há bastante tempo.

A primeira bomba relacionada ao HISEP está prevista para chegar ao centro no dia 2 de outubro, integrando um conjunto de três equipamentos, e já estamos na fase de preparação para essa recepção. Logo após o evento, no dia 6 de julho, iniciamos toda a reconfiguração estrutural do CTPB para receber essas bombas e conduzir os experimentos.

Qual o grande diferencial dos testes que serão realizados no CTPB quando essas bombas do HISEP chegarem ao centro?

Ilustração do sistema HISEP

A chegada dessas bombas no dia 2 de outubro e os testes em nossa piscina experimental representam um divisor de águas. No CTPB, testaremos a bomba operando com fluidos reais. É por isso que haverá uma mobilização enorme da comunidade técnica para acompanhar esses ensaios e calibrar com precisão absoluta os modelos de simulação da indústria. Essa é a grande virtude do CTPB em relação a outros centros mundiais: trabalhamos com fluidos reais e nas pressões efetivas de processamento, sem a necessidade de correções ou extrapolações teóricas.

Para além do HISEP, quais são os outros projetos em andamento no CTPB?

Atualmente, temos em andamento um projeto com medidores multifásicos — equipamentos capazes de mensurar continuamente as vazões das correntes de três fases distintas: gás, água e óleo. Além disso, conduzimos um projeto voltado à obtenção de energia no fundo do mar (subsea) aproveitando a própria energia do próprio fluido do reservatório. Quando o poço é aberto, o fluido emerge sob altíssima pressão e vazão expressiva, o que gera um potencial energético acumulado propício para geração local.

A depender do tipo de aproveitamento e da caracterização que fizermos, essa energia pode acionar diretamente um gerador elétrico no leito marinho ou ser utilizada como energia mecânica complementar. Como o CTPB consegue emular com precisão o escoamento vindo do reservatório em todas as suas modalidades — seja gás puro, óleo puro, água ou qualquer mistura desejada entre eles —, testaremos equipamentos que, alimentados por esse fluido, possam produzir energia e avaliaremos seu desempenho real.

Outra frente relevante de atuação é o desenvolvimento e teste de membranas para a separação de CO2 e gás natural, contemplando tanto membranas cerâmicas quanto poliméricas. O objetivo primário é o uso em instalações de superfície (topside), avaliando simultaneamente o potencial de aplicação subsea.

Todos esses projetos garantem uma agenda de atividade ao longo dos próximos anos?

Esse conjunto de iniciativas, somado ao HISEP, consolida nossa agenda de testes até 2028. Para além dessa data, já estamos em fase de negociação para um projeto de tratamento de água oleosa no fundo do mar focado na reinjeção no reservatório. Atualmente essa separação ocorre no topside, e a nossa intenção é verificar se é viável transferir esse processo para o fundo do mar sob as severas condições de alta pressão, alta salinidade e elevado teor de CO2 do Pré-Sal.

Vários desses projetos parecem ir ao encontro de uma demanda central da indústria: reduzir o peso e a área ocupada na superfície (topside) e transferir mais tecnologias de processamento para o fundo do mar.

Com certeza. Esse é um desafio e um sonho antigo da indústria que começa a se viabilizar quanto mais valioso fica o fluido, pois a rentabilidade da operação passa a permitir investimentos dessa magnitude. O topside têm limitações físicas rígidas de carga e de área. Já no leito marinho, em tese, há uma área gigantesca a ser explorada; no entanto, existe o desafio técnico de fazer equipamentos operarem com extrema confiabilidade sob lâminas d’água de 2.000 a 2.500 metros.

Isso exige que esses equipamentos possuam uma robustez significativamente maior, garantindo uma longa vida útil sem a necessidade de intervenções frequentes, além da capacidade de serem integralmente controlados à distância — soluções tecnológicas que precisam ser desenvolvidas e exaustivamente testadas.

Para além do Pré-Sal, o CTPB pretende contribuir com tecnologias para outras províncias petrolíferas?

Com certeza. O CTPB é, em essência, um laboratório de escoamento multifásico. Embora o maior apelo comercial hoje esteja na indústria de petróleo, o escoamento simultâneo de gás, água e óleo está presente em diversos outros setores. Como o centro possui a habilidade única de movimentar essas fases de forma independente e misturá-las na proporção que se desejar, temos a capacidade de testar e desenvolver tecnologias para qualquer aplicação que envolva dinâmica multifásica.

Um exemplo claro é a cadeia de Captura e Armazenamento de Carbono (CCS). Por contarmos com uma metalurgia especial, nossas linhas operam com até 100% de CO2 concentrado — um gás extremamente agressivo que a maioria dos laboratórios não consegue manipular. Isso nos posiciona na vanguarda do desenvolvimento de tecnologias de captura e armazenamento de CO2.

Infomoney - SP   28/07/2026

O petróleo tem forte queda à medida que os EUA suspenderam quase duas semanas de ataques diários contra o Irã e petroleiros seguiram para carregar carga em um terminal de exportação do Cazaquistão que havia sofrido interrupções recentes, aliviando pressões de oferta em um mercado pressionado em várias frentes.

O petróleo Brent despencou mais de 9% em Londres, recuando para menos de US$ 88 o barril, poucos dias depois de ter ultrapassado a marca de US$ 100. A referência americana West Texas Intermediate (WTI) também recuou, assim como o gás natural europeu.

Após 13 noites consecutivas de ataques destinados a reduzir a capacidade do Irã de atacar navios comerciais, os EUA aparentemente suspenderam as operações desde o final da sexta-feira. A República Islâmica, por sua vez, sinalizou que estava se abstendo de qualquer retaliação e manteve conversas com Omã sobre o Estreito de Ormuz.
Ao mesmo tempo, navios estão prontos para carregar petróleo no terminal do Caspian Pipeline Consortium, na costa russa do Mar Negro, o principal ponto de exportação para barris do Cazaquistão. Embarcações haviam sido alvo de ataques de drones ucranianos nos últimos dias, deixando os armadores relutantes em atracar no local e bloqueando um ponto vital de abastecimento para compradores europeus.

Os contratos futuros acumulam alta de cerca de 20% neste mês, uma vez que os Houthis, apoiados pelo Irã, ameaçam as exportações sauditas a partir do Mar Vermelho — uma rota alternativa crucial desde que a guerra prejudicou o fluxo através de Ormuz. O conflito, que completa cinco meses, alimentou receios de um choque inflacionário à medida que os estoques diminuem e os preços dos combustíveis disparam.

“A pausa nos ataques e os relatos de progresso nas negociações aumentaram as expectativas de que um caminho para a desescalada surja novamente, o que poderia levar a uma retomada dos fluxos”, disse Saul Kavonic, analista sênior de energia da MST Marquee. No entanto, “há um alto risco de que qualquer cessar-fogo se mostre apenas temporário”, acrescentou ele.

Antes da pausa na ação militar dos EUA, o presidente Donald Trump havia levantado a possibilidade de intensificar as ações, ecoando uma longa série de ameaças de escalada do conflito. O presidente disse ao Axios na semana passada que estava considerando um “ataque massivo”.

Questionado no fim de semana, no programa Meet the Press da NBC, se o líder dos EUA havia decidido não escalar o conflito, o embaixador nas Nações Unidas, Mike Waltz, disse que ele estava “dando espaço às negociações”.

Enquanto isso, militantes houthis no Iêmen afirmaram ter atingido instalações ligadas à Saudi Aramco nas cidades portuárias de Jizan e Yanbu, no Mar Vermelho, no sábado; no entanto, nem Riad nem a produtora estatal confirmaram a informação.

Yanbu, o terminal ocidental do oleoduto Leste-Oeste, tornou-se o principal ponto de escoamento de petróleo bruto do reino desde que o Estreito de Ormuz foi efetivamente fechado. Jizan abriga uma refinaria e um terminal de exportação.

Petróleo despenca após pausa dos EUA em ataques ao Irã

Brent cai mais de 7% na abertura da semana com alívio de tensões no Oriente Médio, mas conflito já dura cinco meses e mercado segue volátil

No domingo, um superpetroleiro carregado de petróleo saudita com destino à Ásia saiu do Mar Vermelho pela rota mais longa do Canal de Suez, enquanto outras embarcações continuam a arriscar a passagem pelo Estreito de Bab el-Mandeb.

O tráfego em pontos de estrangulamento estratégicos permanece bem abaixo do normal, sugerindo cautela por parte dos armadores. No Estreito de Ormuz, o movimento estava reduzido, com apenas oito navios de carga — principalmente petroleiros de menor porte e graneleiros — realizando a travessia no domingo, segundo dados da Kpler.

A televisão estatal iraniana informou que cinco de seis navios que tentaram utilizar uma rota ao sul de Ormuz — um caminho próximo à costa de Omã — foram forçados a retornar ao Golfo Pérsico. Ormuz conecta o Golfo aos mercados globais.

O Estado de S.Paulo - SP   28/07/2026

O segundo semestre de 2026 tem se mostgrado cada vez mais incerto para a indústria global de petróleo e gás, depois de um primeiro semestre marcado por disrupções no fornecimento. Sem definição sobre o desfecho da crise entre Estados Unidos e Irã e no Estreito de Ormuz, os custos elevados de logística e a lenta recomposição da oferta mantêm a volatilidade do mercado. Ainda assim, o Brasil segue competitivo, segundo especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast, embora o debate sobre um imposto de exportação se mantenha como fator de risco às decisões futuras de investimento.

O contrato mais ativo do Brent seguiu, ao longo da semana, negociado na faixa dos US$ 100 por barril, ainda que abaixo da máxima de quatro anos, de US$ 118, registrada em abril. Para as petroleiras, os níveis elevados ampliam a atratividade de poços com custos de extração mais altos, lembra o analista da Eleven Financial, Caio Borges. A avaliação da gestora, porém, é que esse movimento só tende a se sustentar caso o conflito provoque danos relevantes à infraestrutura produtiva no Oriente Médio.

“Outro ponto a exercer pressão baixista nos preços no médio e longo prazo é que, à medida que a guerra avança, os países da região também podem encontrar outras formas de escoamento da produção, o que dificultaria um Brent elevado por muito tempo.”

A StoneX ressalta que a cautela das empresas marítimas e as dificuldades operacionais no Golfo Pérsico atrasam a retomada da oferta global de petróleo, que deve ser lenta ao longo de todo o segundo semestre de 2026. A produção conjunta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e dos Emirados Árabes Unidos, que caiu para 19,4 milhões de barris por dia em maio, deve alcançar 29 milhões de barris diários apenas no quarto trimestre, com a expectativa de retornar aos níveis anteriores ao conflito somente em 2027.

Em relação aos derivados, se confirmarem os rumores de banimento das exportações de diesel pela Rússia nos próximos meses para proteger seu mercado interno, consumidores do produto russo, como a Turquia e o Brasil, terão de recorrer a outros fornecedores.
Eleições de meio de mandato nos EUA

Além dos fatores de oferta e logística, o cenário político nos Estados Unidos também amplia as incertezas para o mercado.

Para o sócio-diretor da A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto, as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro, devem manter pressão sobre os custos de movimentação das commodities energéticas. “É uma eleição que desempenha um papel crucial na estratégia, influenciando decisões sobre intensificar ou reduzir ações militares. Com o risco de seguro para navegação permanecendo elevado, não vejo uma solução de curto prazo para as dificuldades de circulação”, afirma.

Brasil no radar

Na primeira metade do ano, a cadeia de produtos e serviços atrelados ao setor de petróleo não sentiu efeitos práticos da tensão geopolítica, destaca o presidente executivo da ABESPetro (Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo), Telmo Ghiorzi. O Brasil, por exemplo, teve condições produtivas de figurar entre os países que ampliaram sua participação na oferta global, segundo a StoneX. A continuidade de resultados operacionais robustos guia as expectativas no mercado de capitais.

“Seja na Prio, seja na Petrobras, o operacional está muito robusto. Quando se alinha um operacional mais forte a um preço de petróleo muito mais atrativo, o resultado é lucro recorde. É isso que espero para essas empresas ao longo de 2026”, afirma o analista da Suno Research, João Daronco.

Na ponta da decisão de alocação de capital produtivo, o Brasil segue com oportunidades para ser destino de futuros investimentos das empresas globais. A combinação de baixo custo de produção e retornos estimados entre US$ 25 e US$ 30 por barril mantém a atratividade do Brasil, lembra o sócio da A&M Infra.

Esse potencial, contudo, depende também de segurança jurídica, especialmente com o acirramento da disputa por capital. Guiana e Canadá, por exemplo, seguem em trajetória de expansão estrutural, sustentados por novos projetos em águas profundas e pela maturação de campos em desenvolvimento, destaca a StoneX.

“Seria ótimo se não fosse necessário investir tempo discutindo imposto de exportação sobre o petróleo, que é algo pensado para o curto prazo”, comenta Moreira Neto. “Temos uma carteira atual de FPSOs (plataformas) contratados que começa a se esgotar a partir de 2031. Será necessário incentivar novas descobertas e defender investimentos junto às matrizes das empresas globais”.

Na avaliação da ABESPetro, a ampliação de investimentos também passa pelo fortalecimento de longo prazo da cadeia produtiva. “Ter robustez é importante não só por questões de segurança energética, mas para que a população possa lidar melhor com choques de preços. Setores mais industrializados remuneram melhor, e é isso que dá conforto material diante de cada crise”, finaliza Ghiorzi.

Valor - SP   28/07/2026

A Austrália vai analisar a construção de uma nova refinaria de petróleo para ajudar a garantir o abastecimento de combustível, no que pode se tornar a primeira grande fábrica de processamento de petróleo construída no país em aproximadamente seis décadas.

O governo federal e o governo do Estado da Austrália Ocidental vão financiar conjuntamente um estudo de 4 milhões de dólares australianos, o equivalente a US$ 2,8 milhões, para uma nova refinaria em Karratha, no norte do Estado, informaram autoridades nesta terça-feira.

O projeto foi proposto pela empresa industrial de capital fechado Perdaman e ajudaria a reforçar a segurança energética na Austrália, disseram as autoridades. "Quanto mais o conflito no Oriente Médio se prolongar, maior será o impacto sobre a Austrália", afirmou o primeiro-ministro Anthony Albanese.

Karratha fica na região de Pilbara, na Austrália, lar de gigantescas minas de minério de ferro e instalações de produção de gás natural. A Perdaman também está construindo uma grande fábrica de ureia, um fertilizante, na região.

A Austrália possui atualmente duas refinarias de petróleo, em Brisbane (Queensland) e Geelong (Victoria). Se avançar, o projeto de Karratha poderá ser a primeira refinaria de grande porte a ser construída no país desde a década de 1960.

"Em um momento em que conflitos no exterior demonstram a fragilidade das cadeias de suprimento de energia, investir em mais capacidade soberana de refino de combustível em solo nacional é uma resposta sensata e prudente para garantir nossa segurança energética", disse o ministro da Energia, Chris Bowen.

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