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30 de Maio de 2023

SIDERURGIA

Valor - SP   30/05/2023

Reabertura da economia após a pandemia não melhorou muito as coisas, e uma temporada de construção decepcionante no segundo trimestre levou as usinas a reduzir preços

Os produtores de matérias-primas da China são os que mais sofrem com uma queda generalizada nos lucros do setor industrial, com demanda fraca e queda de preços que comprimem as margens de usinas siderúrgicas, fundições de metais, empresas químicas e mineradoras de carvão.

O setor de metais ferrosos, que inclui as gigantes que fornecem aço para as construtoras e montadoras do país, foi o que teve a maior piora de margens em abril na comparação mensal.

Houve declínio também ano a ano, mesmo diante de uma base de comparação baixa no ano passado, quando Xangai estava em confinamento contra covid-19.

Os números de margens de lucro são apenas os mais recentes de uma linha de dados que mostram a estagnação da recuperação econômica da China, principalmente nas indústrias ligadas a manufaturas e construção.

As mineradoras de carvão enfrentam um colapso nos preços, à medida que o aumento da produção doméstica e importações elevam os estoques a níveis historicamente altos. Além de demanda industrial menor, o carvão também concorre com gás natural liquefeito mais barato este ano.

“Os dias de altos preços do carvão estão chegando ao fim”, disse a Fengkuang Coal Logistics, assinalando também a contribuição cada vez maior das energias renováveis para a matriz energética da China.

O outro lado moeda é que a queda dos preços do carvão favorece as usinas que funcionam a base de combustíveis fósseis. As operações de termelétricas a carvão se tornarão lucrativas a partir do segundo trimestre, disse Tony Fei, analista da BOCI Research.

As siderúrgicas, por outro lado, já vinham soando o alarme em meados do ano passado, devido às condições de crise da indústria durante o auge dos bloqueios contra covid-19 na China. Agora, elas esperam que o verão no hemisfério norte, que começa no final de junho, vai enfraquecer ainda mais a demanda.

A reabertura da economia após a pandemia não melhorou muito as coisas, e uma temporada de construção decepcionante no segundo trimestre levou as usinas a reduzir preços.

A atenção do setor agro se volta para saber se Pequim está preparada para expandir o estímulo econômico, que até agora decepcionou os mercados.

Valor Investe - SP   30/05/2023

Commodity retomou o patamar dos US$ 100 por tonelada que havia perdido na última semana

Os papéis de Vale e das siderúrgicas Gerdau, Usiminas e CSN operaram no positivos durante a manhã desta segunda-feira (29), embalados pela recuperação do preço da tonelada do minério de ferro, que chegou a perder o patamar dos US$ 100 na última semana. A notícia não foi suficiente, no entanto, para segurar os ativos no campo dos ganhos e na parte da tarde todos viraram até fecharem a sessão de hoje com perdas.

Em um pregão de menos liquidez com o feriado nos Estados Unidos, marcado pela apreensão sobre a negociação do teto da dívida norte-americana, as ações da mineradora viraram durante a tarde. As ações da Vale caíram 0,75% no pregão, a R$ 65,83.

Já Gerdau recuou 0,04%, a R$ 24,95, e a CSN desvalorizou 0,22%, para R$ 12,47. Por fim, a Usiminas encerrou em queda de 0,41%, a R$ 7,28.

Os preços do minério de ferro iniciaram esta semana em rota de recuperação no mercado à vista, em meio às expectativas de nova rodada de estímulo econômico na China, principal consumidor da commodity no mundo.

Com a queda generalizada dos lucros do setor industrial chinês no primeiro quadrimestre deste ano, cresceram as apostas de que Pequim poderá expandir o estímulo econômico considerado tímido até agora.

Para a Vale, o aumento do preço da commodity significa aumento do faturamento, já que a empresa negocia o minério de ferro no mercado, especialmente para a China. Já as siderúrgicas usam a matéria-prima para fabricação do aço, então a alta pode significar também mais espaço no mercado para aumento de preços.

Na Bolsa de Commodity de Dalian (DCE), os contratos mais negociados, com entrega em setembro, avançaram 4,9%, para 719 yuan (cerca de US$ 104) por tonelada.

Valor - SP   30/05/2023

Serão 330 toneladas de aço para o festival de música The Town

A siderúrgica Gerdau vai doar 330 toneladas de aço para o festival de música The Town, que acontece em setembro em São Paulo, no Autódromo de Interlagos.

É a segunda vez que a companhia apoia um evento do tipo. No ano passado, doou 200 toneladas de aço para o Rock in Rio. Os dois festivais são organizados pelo empresário Roberto Medina. “É uma continuação desse processo”, afirma Pedro Pinto, diretor de comunicação da Gerdau.

Além da quantidade maior de aço da nova ação, suficiente para fazer mais de 400 carros populares, destaca Pinto, um diferencial é que parte do aço doado vai ficar na estrutura do autódromo. O executivo conta que cerca de 30% do metal será utilizado em banheiros e na melhoria de acessos e da fundação de construções. “Uma parcela vai ficar de legado e outra em equipamentos temporários, como no Rock in Rio”, explica. Até 80% do aço doado para o evento terá origem em material reciclado.

“O mesmo aço que tem um papel essencial na geração de empregos e renda e faz parte das soluções aos desafios de construção, mobilidade e sustentabilidade também estará presente em um dos espaços mais simbólicos da capital paulista, o Autódromo de Interlagos”, disse, em nota, Gustavo Werneck, CEO da empresa.

Modernizar a imagem da empresa é muito importante”

— Pedro Pinto

O evento vai apoiar uma ação social na comunidade do Haiti, na Zona Leste paulistana, parte do projeto Favela 3D, da ONG Gerando Falcões. A siderúrgica vai contribuir com R$ 2,5 milhões para o projeto, que terá um investimento total de R$ 7 milhões.

O bairro tem 290 casas, com pouco mais de mil moradores, afirma Pinto, e vai passar por uma reforma que deve durar um ano. “Vamos reformar todas as casas e levar água, energia e saneamento, para dar dignidade para a favela”, afirma. A prefeitura paulistana também é parceira da iniciativa.

A Gerdau já tem um projeto de reformas, o Reforma que Transforma, que ocorre nas cidades em que a empresa tem presença. Já foram beneficiadas 480 casas e a meta é atingir 13,7 mil até 2032. “Habitação é um dos segmentos em que mais temos negócios, onde mais ganhamos dinheiro, e onde decidimos que mais queremos devolver para a sociedade”, diz Pinto.

Ele conta que desde 2020, quando completou 120 anos, a empresa tem reforçado as campanhas de publicidade e patrocínios, para “descomoditizar” a imagem de fabricante de commodity.

Um dos objetivos da Gerdau com isso é se afastar, na percepção pública, dos desastres recentes da indústria de mineração. Segundo Pinto, a empresa considera que produz aço de uma forma diferente, mas que ainda não passava essa percepção aos consumidores. “É para a sociedade nos aceitar”, diz.

Também é uma forma de tornar mais notória a agenda de sustentabilidade. A Gerdau emite 0,9 tonelada de gás carbônico por tonelada de aço, enquanto a média mundial do setor é de 1,89 tonelada do gás, afirma Pinto. “Nos comprometemos a reduzir em 10% as emissões de gás carbônico até 2031”, diz. A empresa também quer ser carbono neutro até 2050.

A siderúrgica chamou a cantora Iza, atração do festival, para ser “embaixadora de sustentabilidade” da companhia no The Town.

Por último, ações desse tipo visam tornar a marca mais atrativa aos jovens talentos, para competir com startups e o setor de tecnologia. “A imagem da indústria do aço nunca foi sexy e pop”, diz Pinto. “Modernizar essa imagem da empresa é muito importante”.

ECONOMIA

Agência Brasil - DF   30/05/2023

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerada a inflação oficial do país, caiu de 5,80% para 5,71% este ano. A estimativa consta do Boletim Focus desta segunda-feira (29), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2024, a projeção da inflação ficou em 4,13%. Para 2025 e 2026, as previsões são de 4% para os dois anos.

A estimativa para este ano está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é 3,25% para este ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é de 1,75% e o superior, 4,75%. Segundo o BC, no último Relatório de Inflação, a chance de a inflação oficial superar o teto da meta em 2023 é de 83%.

A projeção do mercado para a inflação de 2024 também está acima do centro da meta prevista, fixada em 3%, mas ainda dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Em abril, influenciado pelo aumento dos preços de remédios, o IPCA ficou em 0,61%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é inferior à taxa de março, de 0,71%. Em 12 meses, o indicador acumula 4,18%.

Para maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) - que mede a prévia da inflação oficial - ficou em 0,51%.

Juros básicos

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida em 13,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa está nesse nível desde agosto do ano passado e é a maior desde janeiro de 2017, quando também estava nesse patamar.

Para o mercado financeiro, a expectativa é de que a Selic encerre 2023 em 12,5% ao ano. Para o fim de 2024, a estimativa é de que a taxa básica caia para 10% ao ano. Já para o fim de 2025 e de 2026, a previsão é de Selic em 9% ao ano, para os dois anos.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

A projeção das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira neste ano passou de 1,20% para 1,26%.

Para 2024, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de todos os bens e serviços produzidos no país - é de crescimento de 1,30%. Para 2025 e 2026, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 1,70% e 1,80%, respectivamente.

A previsão para a cotação do dólar está em R$ 5,11 para o fim deste ano. Para o fim de 2024, a previsão é de que a moeda americana fique em R$ 5,17.

CNN Brasil - SP   30/05/2023

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) recuou 1,6 ponto em maio, após avanço de 0,1 ponto em abril, informa a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Com o resultado, o indicador atingiu 92,9 pontos.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) contraiu 0,6 ponto porcentual nesta leitura, a 80,1%.

O economista do Ibre/FGV Stéfano Pacini avalia que a desaceleração da confiança da indústria foi influenciada tanto pela percepção de piora da situação atual quanto pelas perspectivas pessimistas em relação aos próximos meses.

“A queda foi difusa entre os segmentos pesquisados, porém mais intensa nas categorias de uso de bens de consumo duráveis e não duráveis, que observam piora da demanda elevando o nível dos estoques. O cenário desafiador atual, com enfraquecimento na demanda, taxa de juros elevada e inflação geram maior cautela nos empresários que projetam redução na produção e uma tendência negativa para os negócios nos próximos seis meses parecida com o observada no período da pandemia em 2020”, afirma Pacini.

Nesta leitura houve queda da confiança de 13 dos 19 segmentos industriais pesquisados pela sondagem. O Índice de Situação Atual (ISA) e o Índice de Expectativas (IE) recuaram 1,7 ponto cada, atingindo 91,8 pontos e 94,0 pontos, respectivamente.

Nos componentes do ISA, a percepção dos empresários em relação ao nível de demanda foi a que mais influenciou negativamente o resultado do índice, com queda de 2,5 pontos, para 92,4 pontos, segundo a FGV.

O indicador que mede o nível de estoques também piorou, ao subir 1,6 ponto para 106,6 pontos, se mantendo acima do nível neutro desde setembro de 2022. Quando este indicador está acima de 100 pontos, sinaliza que a indústria está operando com estoques excessivos (ou acima do desejável).

O indicador que mede a percepção dos empresários em relação à situação atual dos negócios cedeu 0,5 ponto para 90,6, o menor nível registrado desde novembro de 2022, apurou a FGV.

Em relação às perspectivas futuras, os empresários se mantiveram pessimistas pelo segundo mês consecutivo, consoante a sondagem. O indicador que mede a produção prevista para os próximos três meses recuou 4,1 pontos, para 96,6 pontos.

No horizonte de seis meses houve piora da tendência dos negócios, com queda de 2,6 pontos no indicador, que atingiu 87,6 pontos. É o menor nível desde julho de 2020, período em que a economia sofria fortes efeitos do lockdown durante a pandemia de covid-19.

Em contrapartida, o emprego previsto avançou 1,6 ponto nesta leitura, a 98,1 pontos.

Monitor Digital - RJ   30/05/2023

A China é o maior parceiro comercial do Brasil pelo 13º ano consecutivo, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Em 2022, as trocas comerciais entre os dois países alcançaram níveis recordes, a soma das importações e exportações atingiu US$ 150 bilhões. Além disso, dentre as 27 unidades da Federação, 14 tiveram o país asiático como seu principal destino de envios de produtos. Para o especialista em importação, Rodrigo Giraldelli, a tendência é que esse número aumente ainda mais em 2023. “Os produtos são produzidos em massa, por isso são mais baratos e isso naturalmente aumento o consumo dos brasileiros. Além disso, a China tem feito produtos cada vez melhores. Outro ponto é que houve investimento em infraestrutura necessária para aumentar a produtividade”.

A China é o país que mais compra produtos do Brasil, especialmente na área de agronegócio, proteína animal e minério de ferro. Os países ainda vivem o impacto da pandemia e a vantagem comercial do Brasil sobre a China recuou no ano passado. Outro fator que pode aumentar os números de importações da China, é que o nosso Banco Central (BC) e o do país (PBoC) assinaram um memorando de entendimentos para aperfeiçoar a cooperação em serviços financeiros relacionados ao mercado e negócios em iuane. Esse acordo permite que as operações comerciais entre os países dispensem a liquidação via câmbio – usando o dólar – fazendo diretamente de reais para iuane. A parceria tem previsão para começar em julho de 2023 e será mediada por uma instituição autorizada pelo governo chinês a atuar no sistema econômico do país.

Os importadores e exportadores brasileiros, que agora poderão fechar o câmbio diretamente convertendo de reais para a moeda chinesa, podem adquirir benefícios em dois aspectos. “Quem transaciona esse dinheiro cobra uma taxa para fazer isso e um percentual em cima da transação financeira. São basicamente duas transações financeiras, as duas com uma cobrança de taxa e de percentual, o que encarece a transação. Fechando de reais para iuane, o importador terá apenas uma transação, o que deve baratear a operação”, comenta Rodrigo.

Simultaneamente, houve aumento de importação de produtos da China em comparação com o que era antes da pandemia. Os itens chineses são as principais compras de fora do país para o maior número de Estados. “No caso das exportações, o principal destino para Estados brasileiros é a China. Também era antes. Portanto, a mudança que houve foi favorável ao país asiático”, argumenta o CEO da China Gate.
Espaço Publicitário

Já a Câmara de Indústria da Jordânia prepara um memorando para expor a necessidade da redução das tarifas alfandegárias sobre as exportações jordanianas ao Brasil, a fim de facilitar o fluxo comercial entre os dois países. A informação foi dada à ANBA por Ahmad Adnan Al-Khudari, membro do Conselho de Administração da Câmara das Indústrias da Jordânia, do Conselho da Câmara das Indústrias de Amã e do Conselho da Jordan Exports.

Falando durante participação na feira supermercadista Apas Show, que ocorreu na última semana na capital paulista, Al-Khudari disse que o Brasil é um mercado grande e promissor, além de ser a porta de entrada para os produtos jordanianos na América Latina. Ele ressaltou que as altas tarifas alfandegárias, entanto, são o maior obstáculo e desafio para a disseminação dos produtos do seu país no mercado brasileiro.

O assunto deve ser discutido entre as câmaras de indústria e a Jordan Export e um memorando será preparado e apresentado às autoridades responsáveis com o objetivo de reduzir essas tarifas, segundo o empresário.

De acordo com Al-Khudari, a Jordânia exporta cerca de 10 bilhões de dinares jordanianos em produtos ao ano, equivalentes a US$ 14 bilhões pela conversão atual, excluindo potássio e fosfatos. Os produtos jordanianos chegam a 120 países e a Jordânia busca aumentar as exportações para criar novas oportunidades de trabalho, já que cada US$ 1 bilhão contribui para a criação de 45 mil novos empregos, segundo o empresário.

O Estado de S.Paulo - SP   30/05/2023

O arcabouço fiscal ainda precisa do aval do Senado, mas a aprovação da proposta pela Câmara foi suficiente para melhorar as expectativas sobre a economia. Até o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reconheceu que as taxas de juros longas já caíram quase 2% nas últimas semanas e admitiu que o risco de descontrole da inflação foi descartado. As incertezas em relação ao efetivo funcionamento do dispositivo, no entanto, permanecem presentes, como indicou a mais recente análise da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado.

Desde a apresentação do arcabouço pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ficou claro que o governo contava com um incremento nas receitas para reverter o déficit primário. No lugar de estimativas de recuperação da arrecadação que alcançam a marca de R$ 135,2 bilhões neste ano e de R$ 645 bilhões até 2025, como prevê o ministro, a IFI traz projeções bem mais modestas sobre as medidas que o Executivo tem à mão para voltar a registrar superávits.

Divulgada logo após a aprovação do arcabouço pela Câmara, a edição de maio do Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) da IFI estima que o governo poderá contar com R$ 63,4 bilhões extras em 2023 e cerca de R$ 305 bilhões até o fim de 2025 – menos da metade do que espera arrecadar, portanto.

Uma das principais diferenças entre as previsões da IFI e as do governo diz respeito aos recursos oriundos de decisões de tribunais superiores sobre questões tributárias. Elas proíbem – ou podem proibir – as empresas de usarem benefícios fiscais oriundos de um imposto estadual, o ICMS, para reduzir a base de incidência de tributos federais como o Imposto de Renda e a CSLL e obter créditos de PIS e Cofins.

Não há pessimismo da parte da instituição, mas uma prudência que o governo faria muito bem se incorporasse às suas projeções. No primeiro caso, ainda pendente de uma decisão final, a IFI considera que o impacto é “bastante incerto e de difícil previsão”, uma vez que as disputas podem se estender por anos; no segundo, em que houve sentença favorável ao governo, o efeito é positivo, mas bem menor do que a Fazenda espera. Isso explica por que, em vez do déficit zero que o governo prevê em 2024, a IFI estima um déficit primário de 1% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para além da análise dos números, a diretora da instituição, Vilma da Conceição Pinto, fez uma avaliação qualitativa do arcabouço. Segundo ela, o dispositivo é mais flexível que o teto de gastos, mas também mais complexo, o que aumenta o risco de descumprimento da norma. Crítica semelhante foi feita por Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset e ex-secretário do Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, em entrevista ao Estadão. Para ele, a reação do mercado seria ainda melhor se o limite de despesas não tivesse sido afrouxado já no primeiro ano de sua vigência.

Ainda há chances de que o Senado faça ajustes ao texto aprovado pela Câmara para tornar mais claras as regras do arcabouço, mas alterações estruturais, que tornem o mecanismo mais rígido, são improváveis. É uma pena, pois uma política fiscal mais austera não é um fim em si ou uma obsessão de economistas ortodoxos.

De forma imediata, o arcabouço contribuiu para criar um ambiente mais benigno ao controle da inflação e à redução dos juros, mas há dúvidas sobre se ele conseguirá garantir a sustentabilidade da dívida pública no médio e longo prazos. Mas se almejasse mais do que uma recuperação pouco realista das receitas e focasse também na redução das despesas, o dispositivo teria mais credibilidade e, de forma indireta, favoreceria a tramitação de uma reforma tributária, próximo item da lista de prioridades de Haddad.

O ministro, assim como todos aqueles que acompanham o tema, defende uma reforma tributária que conduza a um sistema mais simples, justo e progressivo. A maior ameaça à aprovação da proposta, no entanto, é o receio de que as discussões resultem em um aumento da carga, algo que um arcabouço mais espartano e ambicioso teria sido capaz de eliminar.

MINERAÇÃO

Revista Mineração - SP   30/05/2023

Executivos apresentarão suas visões, planos e estratégias de redução de emissão de gás carbônico na cadeia de valor, em evento no dia 1º de agosto.

Como forma de responder à crescente demanda da sociedade por sustentabilidade, em especial após o choque causado pela publicação do Relatório Global de Desenvolvimento Sustentável 2022, que revelou que crises em cascata estão colocando a Agenda 2030 em grave perigo, a indústria de base do Brasil, com destaque aos setores de siderurgia e mineração, tem buscado criar e implantar medidas capazes de reduzir sua pegada de carbono e minimizar impactos ambientais.

Para isso, o setor tem contado com o apoio de instituições governamentais — que criaram projetos como o Plano Nacional de Mineração 2050 e o Projeto Siderurgia Sustentável — e de associações sem fins lucrativos que unem o conhecimento técnico-científico da Academia ao know-how do mundo corporativo.

É o caso da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), que reunirá em seu principal evento de 2023, a 7ª edição da ABM Week, centenas de executivos, especialistas, docentes, pesquisadores e estudantes para debater sobre o tema: “Grandes transformações da indústria siderúrgica e mineração para um mundo sustentável”.

O debate será realizado ao longo de um Fórum de Líderes e tratará das transformações industriais realizadas em busca de atribuir maior sustentabilidade aos processos de extração e produção, visando atender aos acordos e regulamentações associados às mudanças climáticas.

No Fórum, questões como redução da pegada de carbono, transição energética, processos, tecnologias e produtos com inovações disruptivas, serão discutidas pelos principais executivos de algumas das mais importantes empresas siderúrgicas e de mineração presentes no Brasil, que apresentarão suas visões, estratégias e planos aos participantes.

Vânia Lucia de Lima Andrade, consultora independente e Coordenadora do Fórum de Líderes da ABM Week, destaca que o evento é uma oportunidade única aberta pela associação para que os participantes e os líderes empresariais possam estabelecer diálogo sobre sustentabilidade, um tema muito relevante para as indústrias representadas.

“A escolha do tema foi feita junto ao presidente do Conselho de Administração da ABM, Sergio Leite de Andrade, que também é Coordenador Geral da ABM Week e presidente do Conselho de Administração da Usiminas. Percebemos como esse assunto é essencial e o quanto as siderúrgicas em nível mundial estão envolvidas com o processo de descarbonização, ou seja, esse é um caminho sem volta. As produtoras de materiais para as siderúrgicas, as mineradoras, também estão se transformando para atender as demandas da sociedade, o que é muito impactante hoje em dia”, explica Vânia Lucia de Lima Andrade.

O Fórum de Líderes da ABM Week contará com a moderação do Professor Dr. Antônio Cézar Faria Vilela da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e dos executivos já confirmados: Ricardo Fonseca de Mendonca Lima, CEO da CBMM; Alberto Ono, CEO da Usiminas; Jorge Luiz Ribeiro de Oliveira, Vice-presidente da ArcelorMittal e ex-presidente do Conselho de Administração da ABM; e Marcelo Chara, Presidente Executivo da Ternium Brasil e vice-presidente do Conselho de Administração da ABM, além de um executivo da Vale.

Sobre a dinâmica do Fórum, a coordenadora Vânia Lucia de Lima Andrade ressalta que os executivos poderão falar sobre como suas empresas estão se preparando para o momento de descarbonização e de atender a demanda por energia limpa.

“Além disso, o moderador do debate, professor Antônio Cezar Faria Vilela, será responsável por realizar uma contextualização do tema para todos e trazer o plano de fundo do debate que será uma das principais atrações da programação da ABM Week. Com base nas falas dos executivos e do moderador, os participantes do evento também poderão expressar suas dúvidas e integrar o debate, que sabemos que será muito rico”, complementa a coordenadora.

O Fórum de Líderes, atividade integrante da ABM Week, será aberto a todos os participantes da Semana, e acontecerá no Auditorium USIMINAS, anfitriã do evento, a partir das 16h30 do dia 01 de agosto.
Mais sobre a 7ª edição da ABM Week

Em sua 7ª edição, a ABM Week traz como destaque a discussão sobre a sustentabilidade na indústria. Considerado um dos principais encontros técnico-científicos e empresariais da América Latina, a ABM Week é realizada pela Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), e acontecerá entre os dias 1 e 3 de agosto na cidade de São Paulo – SP, no Pro Magno Centro de Eventos.

Além das sessões técnicas dos 11 eventos que compõem a semana, realizados de maneira simultânea, importantes temas serão debatidos, dentre eles os relacionados à sustentabilidade, como economia circular, transição energética, descarbonização da siderurgia e redução das emissões de CO2, com a participação de lideranças empresariais, especialistas e pesquisadores renomados.
Serviço

Fórum de líderes – Grandes transformações da indústria siderúrgica e mineração para um mundo sustentável

Data: 01/08/2022
Horário: 16:30 – 18:30
Local: Auditorium USIMINAS no Pro Magno Centro de Eventos localizado Avenida Professora Ida Kolb, 513 – Jardim das Laranjeiras, São Paulo – SP

Infomoney - SP   30/05/2023

Os contratos futuros de minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian ampliaram os ganhos nesta segunda-feira para atingir o nível mais alto em uma semana, já que o sentimento do investidor foi reforçado pelas expectativas de novas políticas de estímulo após a divulgação de dados fracos do lucro industrial no sábado.

Os lucros das empresas industriais da China caíram 20,6% em janeiro-abril em relação ao ano anterior, mostraram dados do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês), enquanto as empresas lutavam com pressões de margem e demanda fraca em meio a uma recuperação econômica vacilante.

As expectativas de mais políticas de estímulo econômico surgiram em parte porque o NBS disse que a China se concentraria na recuperação e expansão da demanda no próximo estágio.

O minério de ferro mais negociado em Dalian encerrou as negociações diurnas com alta de 4,89%, a 719 iuanes (104,02 dólares) a tonelada, máxima desde 22 de maio.

“É principalmente a expectativa de estímulo macroeconômico que impulsionou os futuros de Dalian hoje, mas acreditamos que o espaço para esta rodada de alta será relativamente limitado devido aos problemas persistentes de demanda”, disse o analista Cheng Peng, da Sinosteel Futures, uma empresa de matérias-primas com sede em Pequim.

Exame - SP   30/05/2023

Os futuros de minério de ferro se recuperaram pela segunda sessão consecutiva em Singapura, com sinais de uma retomada da produção de aço chinesa.

As taxas de operação das usinas do polo siderúrgico de Tangshan subiram na semana passada pela primeira vez desde meados de abril, segundo dados da Beijing Custeel E-Commerce. E os estoques de aço nas principais usinas chinesas caíram na primeira metade de maio, informou a Associação de Ferro e Aço da China.

Preços do minério de ferro

Mas os preços do minério de ferro ainda registram queda de mais de 20% em relação ao pico de meados de março, em meio a uma recuperação chinesa que não correspondeu às expectativas. Nem o fim das restrições contra Covid, nem a tradicional alta temporada de construção no segundo trimestre, deram o impulso que o mercado esperava ao consumo.

A demanda chinesa por aço não deve retornar ao pico de 2020 tão cedo, disse Fan Tiejun, chefe do Instituto de Pesquisa e Planejamento da Indústria Metalúrgica da China.

Na sexta-feira, a matéria-prima siderúrgica subiu mais de 5%. A alta foi impulsionada por rumores de um iminente anúncio de estímulo pelo governo chinês, disse a Marex Spectron.

Mas a informação não foi comprovada, disse Atilla Widnell, chefe da Navigate Commodities. “Mesmo que o boato fosse verdade, continuaríamos relativamente pessimistas no médio prazo” devido à demora para qualquer estímulo fluir para a demanda por aço, disse ele.

A China vai divulgar dados do setor industrial para maio na quarta-feira, que incluirá números sobre a atividade de construção.

O minério teve alta de até 2,7% nesta segunda-feira em Singapura, para US$ 103,25 a tonelada. Os futuros na bolsa chinesa de Dalian subiram 3,3%.

Valor - SP   30/05/2023

Os funcionários públicos reivindicam equiparação salarial com as demais agências reguladoras, melhoria no orçamento e na estrutura da instituição

Os servidores públicos da Agência Nacional de Mineração (ANM) iniciaram nesta segunda-feira (29) uma greve geral de dois dias, afetando as atividades da agência em todo o território nacional. Os funcionários públicos reivindicam equiparação salarial com as demais agências reguladoras, melhoria no orçamento e na estrutura da instituição.

"Estamos conversando desde 2021. Temos 2.121 cargos para serem preenchidos e estamos com 640 servidores contratados, sendo mais ou menos 180 fiscais para fiscalizar todas as barragens, mineração ilegal, garimpo legal e ilegal. Não estamos aguentando mais", afirmou Ricardo Peçanha, diretor da Associação Nacional dos Servidores da ANM (ASANM).

Peçanha disse que os servidores não têm conseguido agenda com a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, para discutir as suas reivindicações. Além da equiparação salarial com os servidores das outras agências, que demandaria um desembolso adicional de R$ 59 milhões, os funcionários da ANM pedem a contratação imediata, via concurso público, de pelo menos 1.100 novos servidores.

Amanhã, servidores vão caminhar a pé do prédio da ANM até a portaria do Ministério de Minas e Energia, onde farão uma manifestação, por volta das 10h. A partir de quarta-feira (31), os servidores retomarão apenas atividades relacionadas à segurança de barragens e outras atividades que asseguram a proteção da vida.

"A parte de outorga vai parar. O repasse da Cfem [Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais] também vai ser afetada com a paralisação", disse Peçanha.

O setor de mineração responde por 4% do Produto Interno Bruto (PIB), com valor de produção estimado em R$ 339,1 bilhões. Em 2021, o setor foi responsável por US$ 58 bilhões em exportações, o equivalente a 80% do saldo da balança comercial daquele ano. Apenas com a Cfem, a agência arrecada R$ 10,3 bilhões por ano.

Valor - SP   30/05/2023

A pedido da BHP, banca estrangeira Pogust Goodhead terá que explicar contratos firmados com afetados por barragem

Thomas Goodhead: movimentação da BHP na Justiça brasileira é uma reação aos revezes que vem sofrendo em Londres — Foto: Divulgação

O escritório de advocacia estrangeiro Pogust Goodhead, que propôs ação coletiva no Reino Unido pedindo indenização de R$ 230 bilhões às vítimas do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, terá que dar explicações à Justiça brasileira sobre os contratos fechados aqui no Brasil.

A banca tem cerca de 700 mil clientes entre pessoas físicas, empresas, municípios, comunidades indígenas e quilombolas de quatro Estados afetados: Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e Rio de Janeiro.

São esses indivíduos que figuram como autores no que vem sendo chamado de “processo inglês”. Trata-se de uma das maiores ações de danos coletivos do mundo em quantidade de partes e valores envolvidos.

A decisão de intimar o escritório estrangeiro foi tomada pelo juiz Michael Procopio Ribeiro Alves Avelar, da 4ª Vara Cível Federal de Belo Horizonte, que concentra as discussões, aqui no país, sobre os pagamentos de indenização às vítimas do rompimento da barragem.

Ele quer que a banca informe se existem partes, no processo inglês, que já fecharam acordo e receberam pelo Sistema Indenizatório Simplificado (Novel), a plataforma da Fundação Renova - entidade criada em 2016 para executar as ações de reparação e compensação dos impactos associados ao rompimento da barragem de Fundão.

Consta no site da Fundação Renova que haviam sido pagos, até o mês de março, R$ 13,88 bilhões em indenizações e auxílios financeiros para 413 mil pessoas.

Indenizações produzidas pelo Sistema Indenizatório Simplificado geram quitação definitiva”

— Juiz Michael Avelar

O juiz frisa, em sua decisão, que as pessoas que fecharam acordo não têm o direito de pleitear novos valores. “As indenizações produzidas pelo Sistema Indenizatório Simplificado geram quitação definitiva em favor das empresas e da Fundação Renova”, diz.

Há pedido de esclarecimento, ainda, sobre os termos dos contratos: se cobra honorário de clientes que desistem de participar da ação; se impede os clientes de negociarem, aqui no Brasil, sem a sua autorização; e se há cobrança de honorário sobre valores decorrentes de acordos firmados no Novel, que não têm qualquer participação da banca estrangeira.

A intimação atende pedido da BHP Billiton. A empresa anglo-australiana divide com a Vale o controle da Samarco - dona da barragem que rompeu em Mariana. A BHP é parte do processo brasileiro e, por ora, única ré no processo inglês.

Em dezembro do ano passado, ao apresentar sua defesa em Londres, a BHP pediu a inclusão da Vale no processo. A mineradora brasileira, por sua vez, apresentou manifestação contestando a jurisdição inglesa para julgar esse pedido. Haverá uma audiência sobre o tema nos dias 12 e 13 de julho.

O Valor procurou a BHP, mas a empresa afirmou que, por enquanto, não iria comentar a decisão relacionada ao escritório Pogust Goodhead.

Interlocutores ouvidos pelo Valor, no entanto, acusam a banca estrangeira de “advocacia predatória”. “Estão se aproveitando da situação de vulnerabilidade das pessoas. Prometem dinheiro rápido, a pessoa aceita e depois não consegue mais sair do processo porque há cobrança de honorário”, diz uma fonte. Dessa forma, acrescenta, a ação ganha volume, mais visibilidade, e aumenta a pressão sobre a empresa.

“Esse escritório é financiado por fundos abutres. Atua com o discurso de fazer o bem, mas quer, na verdade, ganhar dinheiro. Está cobrando 30% de honorário sobre o valor das indenizações”, afirma outro profissional ligado à empresa.

Se conseguir que a Justiça do Reino Unido obrigue a BHP a pagar os R$ 230 bilhões solicitados, calcula esse interlocutor, o escritório Pogust Goodhead terá o direito de receber R$ 69 bilhões.

O escritório estrangeiro, por sua vez, rebate as acusações. Para Thomas Goodhead, sócio-administrador e CEO do Pogust Goodhead, a movimentação da BHP na Justiça brasileira seria uma reação aos revezes que vem sofrendo em Londres.

“Talvez não seja coincidência que estejam fazendo isso logo após a juíza da Inglaterra ter determinado que o julgamento da responsabilidade da BHP seja mantido para 2024 e que os altos executivos da BHP forneçam todos os seus e-mails e documentos relacionados ao rompimento da barragem de Fundão e sejam interrogados presencialmente no Tribunal de Londres”, afirma Goodhead em nota enviada ao Valor.

Consta também na nota que uma pequena minoria entre os 700 mil autores do processo - cerca de 10% - teria aderido ao acordo de indenização aqui no Brasil. “Trata-se de um sistema fortemente criticado por ter sido estruturado em conluio e em benefício de BHP, Vale e Samarco.”

A banca estrangeira diz, ainda, que nunca impediu um cliente de receber indenização por meio de programas de reparação no Brasil. “Também nunca buscou recuperar nenhuma taxa ou honorário, de 30% ou qualquer valor, de clientes que receberam indenização no Brasil. Qualquer insinuação diferente disso é falsa”, frisa.

A banca vinha desde 2018 tentando processar a BHP - que é listada na bolsa de valores de Londres. A empresa argumentava à Justiça do Reino Unido, no entanto, que já havia sido acionada no Brasil e não deveria responder sobre a mesma questão em outro país.

Inicialmente, a BHP obteve decisão favorável. Em julho de 2022, porém, o Tribunal de Apelação de Londres atendeu pedido do escritório e reverteu a decisão, aceitando o processo contra a mineradora.

A briga do escritório estrangeiro, aqui no Brasil, no entanto, não se restringe à BHP. Pogust Goodhead responde a, pelo menos, outros três processos: dois movidos pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e um pela empresa Impacto Eventos, de Belo Horizonte, que prestou serviços para a banca e afirma ter levado um calote de R$ 29,5 milhões.

As ações da OAB foram ajuizadas na Bahia e no Espírito Santo e tratam sobre exercício irregular da advocacia e captação de clientela.

Consta nesses processos que a banca não tem inscrição na OAB, o que a impediria de atuar no país. Soma-se a isso o fato de a captação de clientela ser proibida pelo Estatuto dos Advogados (Lei nº 8.906/94).

A ação de cobrança contra o escritório estrangeiro, por sua vez, tem como autor a empresa contratada para montar a estrutura de atendimento aos clientes - a Impacto Eventos, de Belo Horizonte. O processo foi ajuizado neste mês.

Consta na ação que a empresa foi contratada, inicialmente, para montar estrutura para atendimento comunitário de clientes em 13 cidades, ao preço de R$ 18,1 milhões. Esse valor foi pago pela banca.

Mas, durante os trabalhos, teria havido a contratação de novos serviços e realizadas duas prorrogações de prazo. A empresa afirma ter prestado serviços para a banca em 18 municípios de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. Esse “extra”, de R$ 29,5 milhões, é o que está em discussão na ação de cobrança.

O escritório estrangeiro se pronunciou também sobre esses processos por meio de nota. Sobre a atuação, aqui no Brasil, diz que sempre cumpriu todas as leis e regulamentos relevantes e que todos os seus clientes são representados por advogado brasileiros.

“Em relação à ação movida pela Impacto Eventos, o Pogust Goodhead contestará vigorosamente as alegações ou solicitações feitas, que são totalmente sem substância”, conclui a nota.

Máquinas e Equipamentos

A Metso comemora a inauguração de fábrica no México

Construção Latino-americana - SP   30/05/2023

A Metso iniciou a construção de sua primeira fábrica de placas de filtro de polímero no mundo, em Irapuato, na região central do México, em 26 de maio. A fábrica de placas de filtro oferecerá eficiência de processo de produção, qualidade e capacidade de serviço de última geração para apoiar as metas operacionais e de sustentabilidade dos clientes.

O investimento de aproximadamente 28 milhões de euros foi anunciado em setembro de 2022. No início de 2023, a Metso decidiu fazer um investimento adicional de 9 milhões de euros, o que aumentará a capacidade de produção planejada da nova fábrica em 30%. Com esses investimentos, a Metso está aumentando sua capacidade de fornecer placas de filtro de polímero de alta qualidade para as prensas de filtro de seus clientes de mineração, em resposta à demanda do mercado global.

“A demanda por filtros de alta qualidade, peças de reposição de filtros e serviços está aumentando. O investimento é um passo importante para fortalecer ainda mais a forte posição da Metso em soluções de filtragem de concentrados e rejeitos de mineração. Com o início da construção desta nova unidade de produção no México, a Metso está comprometida em continuar a atender às crescentes demandas de capacidade, ao mesmo tempo em que oferece aos nossos clientes prazos de entrega e distâncias de transporte mais curtos, especialmente nas Américas”, diz Tomas Hakala, Vice-Presidente Sênior da linha de negócios de Serviços de Beneficiamento, Desaguamento e Hidrometalurgia da Metso.

Estima-se que as primeiras placas de filtro serão fabricadas no segundo semestre de 2024 e a capacidade total de produção está prevista para o primeiro semestre de 2025. Quando estiver totalmente operacional, a fábrica terá a capacidade de atender a todo o portfólio de filtros.

A nova fábrica está localizada em um terreno de mais de 18.000 m2 e terá uma área de fábrica e depósito de mais de 8.500 m2. Na mesma área industrial em Irapuato, a Metso tem fábricas de borracha e Poly-Met e de meios de peneiramento, trazendo sinergias e eficiência operacional.

Atualmente, a Metso tem aproximadamente 730 funcionários trabalhando na produção, vendas e serviços de campo no México. No início de 2023, a Metso recebeu o reconhecimento como um Great Place to Work no México.

“Irapuato é um importante centro de excelência para produtos de alta qualidade para nossos clientes de mineração e agregados. Todas as nossas fábricas em Irapuato são modernas, e a segurança e o bem-estar dos funcionários, bem como o desenvolvimento contínuo, são importantes para a Metso. Estamos muito orgulhosos de poder oferecer novos empregos e oportunidades de carreira e, assim, fortalecer a presença e a reputação da Metso como um local de trabalho atraente no México. A nova fábrica empregará cerca de 70 trabalhadores qualificados”, diz Alfredo Monreal, vice-presidente de vendas e serviços da Metso para o México e a América Central.

O portfólio de filtragem da Metso consiste em 15 tipos diferentes de filtros e serviços abrangentes para centenas de aplicações. Mais de 80% dos filtros da Metso fazem parte do portfólio Planet Positive da empresa, principalmente graças à sua eficiência na recuperação e reutilização da água. A empresa realizou mais de 14.000 testes de filtragem e forneceu mais de 5.000 filtros para várias aplicações em todo o mundo. Muitos dos filtros são vendidos com o nome de produto Larox® e com a marca corporativa da Metso.

AUTOMOTIVO

Globo Online - RJ   30/05/2023

Pela primeira vez na História, o carro mais vendido no mundo é elétrico: o Tesla Model Y, fabricado pela montadora de Elon Musk, ultrapassou em vendas o Corolla, da Toyota, no primeiro trimestre. Os dados são da consultoria JATO Dynamics e foram publicados pelo site especializado Motor 1. O modelo mais popular da Tesla vendeu 267,2 mil unidades de janeiro a março, uma alta de 69% em relação a igual período do ano passado.

Já o Corolla fechou o trimestre com 256,4 mil vendas, com destaque para as baixas de 29% na China e 10% nos EUA –os dois mercados em que o Model Y mais cresceu. Na Europa, o modelo da Tesla também tornou-se líder em vendas.

E isso aconteceu mesmo o Model Y sendo mais caro que Corolla. De acordo com o site The Verge, os Model Y são vendidos a valores a partir de US$ 47.490, mais que o dobro que o preço de partida do Corolla (US$ 21.550).

Dono armazenou “tesouro” em duas garagens e uma igreja e ligava carro periodicamente para evitar que eles tivessem problemas mecânicos

Corte de até 20% no preço

Considerando os outros modelos, porém, a montadora japonesa mantém a liderança no pódio em número de unidades comercializadas no mundo. Dos cinco mais vendidos no planeta, quatro são da Toyota.

O Model Y é praticamente um intruso nessa lista. Assim como a Tesla, que não chega perto das dez maiores montadoras do mundo. Volks, Fiat, GM e outras empresas tradicionais do ramo estão mais bem colocadas tanto em unidades vendidas como em receita.

Mas como o Model Y conseguiu essa façanha? A disparada das vendas tem relação com uma decisão estratégica da Tesla, que baixou os preços das suas unidades no começo do ano, principalmente nos EUA e na China.

O corte chegou a 20%. O objetivo foi reaquecer a demanda pelos veículos elétricos, após uma baixa nas vendas no último trimestre de 2022.

Para os americanos, a ideia foi colocar os veículos dentro do limite de US$ 55 mil (R$ 275 mil), para que os consumidores tivessem direito a um crédito de até US$ 7.500 (R$ 37 mil) em impostos válido para carros elétricos. Antes do corte, o Model Y custava US$ 65.990, segundo o jornal USA Today.

Infomoney - SP   30/05/2023

Apenas dois modelos de carros vendidos no Brasil custariam menos de R$ 60 mil com a redução máxima de até 10,96% no preço dos veículos anunciada pelo governo federal, aponta levantamento do InfoMoney com base nos dados da tabela Fipe de maio.

O Renault Kwid Zen 1.0 mecânico sairia por R$ 59.590 e o Fiat Mobi Like 1.0 Fire, por R$ 59.878, se ambos os modelos conseguirem a desoneração máxima de IPI, PIS e Cofins anunciada pelo governo federal na semana passada (veja na tabela abaixo).

Outros quatro modelos ficariam com preços entre R$ 60 mil e R$ 65 mil: Kwid Intense 1.0 mecânico (R$ 62.706), C3 Live 1.0 mecânico (R$ 63.233), Mobi Trekking 1.0 (R$ 63.856) e Kwid Outsider 1.0 mecânico (R$ 64.978).

Apesar do anúncio oficial do governo, ainda há muitas dúvidas e perguntas sem respostas. Ainda não foi definida a porcentagem de desconto para cada veículo, por exemplo, nem quando a medida vai efetivamente entrar em vigor.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) diz que 33 carros de 11 montadoras custam menos de R$ 120 mil atualmente e ficarão mais baratos, com a redução dos 3 tributos federais (IPI, PIS e Cofins).

Valor - SP   30/05/2023

Governos do Canadá e de Quebec contribuirão cada um com 25% dos US$ 442 milhões necessários para o projeto; planta está programada para entrar em operação em dois anos

A General Motors e a Posco vão financiar metade de uma fábrica de componentes de baterias para veículos elétricos de C$ 600 milhões (US$ 442 milhões) em Quebec, no Canadá.

Em março de 2022, as empresas americana e sul-coreana anunciaram planos para formar uma joint venture chamada Ultium Cam e construir uma fábrica de material catódico em Becancour, a meio caminho entre Montreal e a cidade de Quebec.

Os cátodos representam cerca de 40% do custo de uma célula de bateria, de acordo com a GM. A montadora se comprometeu a investir US$ 35 bilhões em veículos elétricos e autônomos entre 2020 e 2025.

Os governos do Canadá e de Quebec contribuirão cada um com cerca de C$ 150 milhões para o projeto, que deverá criar 200 empregos. A planta está programada para entrar em operação em dois anos.

“Esta produção será usada para fabricar baterias para o programa Ultium da GM, que visa produzir um milhão de veículos elétricos por ano até 2025”, disse o governo de Quebec, nesta segunda-feira (29), em um comunicado à imprensa.

O governo canadense está sob pressão desde que a Stellantis e a LG Energy Solution suspenderam a construção de sua fábrica de baterias de Windsor, Ontário, no valor de C$ 5 bilhões, há duas semanas, insatisfeita com o apoio do governo.

A fábrica da Stellantis foi anunciada antes de os Estados Unidos aprovarem a Lei de Redução da Inflação no ano passado, que oferece suporte atraente de tecnologia limpa para as empresas.

Centro de componentes

Becancour, uma pequena cidade com cerca de 14.000 habitantes, deve se tornar o centro de Quebec para a produção de componentes de baterias para veículos elétricos nos próximos anos. A alemã BASF e a mineradora brasileira Vale se comprometeram a investir na região.

A Ford também tem conversado sobre a construção de uma fábrica de cátodos com a produtora sul-coreana EcoPro BM, segundo informou a agência Bloomberg no ano passado. A montadora fechou um acordo na semana passada para obter até 13.000 toneladas de hidróxido de lítio por ano da futura instalação da Nemaska ​​Lithium, apoiada pela Livent Corp, em Becancour, a partir de 2025.

“Faremos mais anúncios de estruturação em breve”, disse o primeiro-ministro de Quebec, François Legault, em um comunicado, chamando o investimento da GM de “histórico”.

Mais de 15% dos investimentos estrangeiros diretos de C$ 6 bilhões feitos em Quebec durante o ano fiscal encerrado em 31 de março foram feitos na cadeia de fornecimento de baterias para veículos elétricos, de acordo com a Investissement Quebec, o braço financeiro do governo.

Valor - SP   30/05/2023

Lançamento de novo modelo gerou curiosidade no mercado brasileiro por se encaixar no segmento dos carros populares

A Toyota lançou na última quinta-feira o Toyota Vitz, modelo de carro popular, compacto e de baixo custo. O anúncio do novo modelo gerou interesse entre os brasileiros pois coincidiu com o lançamento do governo Lula (PT) de incentivo para produção e venda de carros populares de até R$ 120 mil.

O Toyota Vitz foi lançado na África do Sul e se assemelha com veículos como Renault Kwid e Fiat Mobi — os dois estão entre os modelos mais baratos no Brasil.

O modelo da Toyota, que está na sua 4ª geração, vem com opções como sensor de estacionamento e central multimídia, custando a partir de US$ 9,9 mil com motor 1.0 e 67cv de potência.

Convertendo para o real, usando a cotação desta segunda-feira (29), o veículo custaria R$ 49,4 mil, sem levar em conta impostos e outros tributos. O valor ficaria bem abaixo dos cerca de R$ 70 mil de modelos como o Kwid e Mobi.

No entanto, em contato com o Valor, a Toyota esclareceu que o modelo não deve chegar ao mercado brasileiro. “A empresa não tem planos de comercialização desse modelo no Brasil”.

Com relação ao plano do governo brasileiro, a empresa afirmou que aguarda mais detalhes. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que apresentará mais informações em até 15 dias.

“A Toyota tem interesse em participar do programa, mas a companhia aguarda a definição das diretrizes deste programa para ser mais precisa sobre a forma de adesão”, disse a companhia.

Novos preços para carros populares

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço, Geraldo Alckmin, anunciou na última quinta-feira uma série de medidas para reduzir o preço dos carros populares no Brasil.

Segundo o governo, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do PIS/Confins serão reduzidos de 1,5% a 10,96% para os automóveis com preço final de até R$ 120 mil, impactando no valor final dos veículos.

De acordo com o anúncio feito pelo vice-presidente, serão levados em conta três fatores para aplicação dos descontos:

Preço: privilegiando os maiores descontos para os carros mais baratos

Eficiência energética: reduzindo o valor do PIS/Cofins para veículos com menor combustão;

Densidade industrial: oferecendo redução de PIS/Cofins para carros com maior número de componentes nacionais.

Globo Online - RJ   30/05/2023

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira que vai levar ao presidente Lula estudos sobre o impacto da renúncia fiscal com as medidas anunciadas na semana passada para baratear os preços de carros populares.

As ações foram divulgadas pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, no dia Dia da Indústria. Anteriormente, Alckmin havia realizado uma reunião com o presidente Lula, Haddad e representantes do setor automobilístico.

Conforme anunciado, os descontos nos preços dos veículos vão variar entre 1,5%, no mínimo, e 10,96%, no máximo, a partir da redução de impostos federais, como IPI e PIS/Cofins. Os benefícios terão validade para carros de até R$ 120 mil.

— Nós vamos levar para o presidente essa semana (estudos sobre impacto da renúncia fiscal). Eu não quero deixar para semana que vem. Precisamos encerrar nessa semana esse assunto. Vamos levar para ele (Lula) alguns cenários, para ele tomar a decisão — disse Haddad, em rápida conversa com jornalistas na Fazenda.

Também na semana passada, Alckmin já havia afirmado que a Fazenda apresentaria em até 15 dias um parecer sobre a conformidade fiscal das medidas para carros populares, considerando o impacto no orçamento.

Preocupação com Carf

Também na manhã desta segunda-feira, Haddad reconheceu a preocupação com a perda de validade da medida provisória (MP) que trata da volta do voto de qualidade no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf).

Diversas MPs, que tratam da estrutura de ministérios, perderão a validade na quinta-feira. No caso, da Fazenda, além do Carj, está em jogo a destinação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que está no Ministério da Fazenda e pode passar para o Banco Central.

— A que preocupa é do Carf. A do Coaf não vai ser votada, eu acho. A Carf nós combinamos com Arthur Lira (presidente da Câmara) de mandar, e já fizemos, um PL com urgência constitucional, então deve nomear relator para o PL — afirmou o ministro.

Outra discussão tratada por Haddad foi o plano de conformidade das varejistas virtuais estrangeiras, que será divulgado “nos próximos dias”. Em abril, foi anunciado que e-commerces como Shein, Shopee e AliExpress firmaram, em reunião com o Ministério da Fazenda, um compromisso para evitar fraudes no comércio eletrônico.

— Nos próximos dias, está nos finalmente, já está terminando (plano de conformidade para varejistas). A alíquota não está definida — informa.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Investing - SP   30/05/2023

O setor da construção civil espera que os limites de preço dos imóveis enquadrados no programa Minha Casa Minha Vida sejam elevados durante a primeira reunião do Fundo Curador do FGTS sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, na segunda quinzena de junho, afirmaram representantes da indústria nesta segunda-feira.

Apesar dos valores terem sido elevados em meados do ano passado, o setor segue reclamando que os aumentos de custos seguem deixando o programa habitacional desatualizado e citaram nesta segunda-feira dados que mostraram forte queda nos lançamentos durante o primeiro trimestre.

Os lançamentos de imóveis residenciais no primeiro trimestre desabaram 44,4% em unidades em comparação com os últimos três meses do ano passado e tombaram 30,2% na comparação com o início de 2022, segundo dados informados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), nesta segunda-feira. Enquanto isso, as vendas também mostraram quedas, mas menos intensas, de 5,2% na comparação trimestral e 9,2% na base anual.

Os dados apontaram para 48,6 mil unidades lançadas no primeiro trimestre, o menor valor desde segundo trimestre de 2016, segundo a Cbic.

"O limite do FGTS não é mais real, está muito defasado sobre a realidade do mercado", disse o presidente da Cbic, José Carlos Martins, em apresentação a jornalistas. "As cidades médias são o principal problema de defasagem de valores", acrescentou.

Martins evitou citar o tamanho da diferença ou quanto a indústria está pleiteando de reajuste no programa, mas afirmou acreditar que a revisão dos valores do teto do MCMV deveria pelo menos incluir a inflação acumulada pela indústria da construção desde a última revisão pelo Fundo Curador do FGTS, no ano passado.

A participação do programa habitacional, que já foi superior a 50% do total lançado pelo setor, terminou março em 35%, com lançamentos em queda de 49% ante o final do ano passado e em baixa de cerca de 42% ante o primeiro trimestre de 2022.

O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), calculado pelo IBGE e uma medida sobre a inflação no setor, mostrou em abril alta de 8,05% em 12 meses.

NOVA FAIXA

Para além do reajuste no teto dos imóveis que podem aderir ao MCMV, que nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro está em cerca de 270 mil reais, a Cbic também defende a criação de uma faixa provisória no programa, uma espécie de "faixa 4", envolvendo valores acima do teto máximo do MCMV mas que também pudesse ser financiada com recursos do FGTS.

"Isso daria uma normalidade no mercado. Tem muito produto lançado no limbo", disse o executivo. Ele se referiu aos imóveis que nem se enquadram no MCMV porque possuem preços maiores que os limites do programa quantos os que não conseguem ser financiados pelo SBPE por conta da alta dos juros e dificuldade no crédito para a população.

E essa tendência de queda nos lançamentos, verificada já há alguns trimestres pela Cbic, deve acabar atingindo o nível de emprego do setor "no segundo semestre ou em 2024", afirmou durante a entrevista Celso Petrucci, presidente da comissão da indústria imobiliária da entidade.

Segundo Petrucci, para além das incertezas e dificuldades no crédito, a demora na definição de novas regras para o MCMV e pelo Fundo Curador está servindo para represamento de vendas e também de projetos pelos incorporadores. "Isso o Conselho Curador tem que levar em consideração também."

FERROVIÁRIO

Globo Online - RJ   30/05/2023

O STF julgará amanhã uma ação que sinalizará como o Brasil quer lidar com a preservação de seus ativos naturais, especialmente a Amazônia. A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 6.553 questiona a alteração dos limites do Parque Nacional do Jamanxim (PA), feita por uma Medida Provisória para que o projeto Ferrogrão consiga avançar em meio à floresta. A decisão do Supremo pode gerar precedentes que afetarão a integridade de outras áreas de preservação essenciais para cumprirmos os compromissos internacionais que o país assumiu. A ferrovia, além de financeiramente insustentável, deverá acelerar o desmatamento ao longo de seu corredor de implantação, indo de encontro aos objetivos de preservação e restauração do bioma amazônico.

Com seus 976 quilômetros de extensão, a Ferrogrão não se sustenta do ponto de vista técnico-financeiro, pois o projeto apresentado à Agência Nacional de Transportes Terrestres — e posteriormente ao Tribunal de Contas da União (TCU) — infelizmente subestima custos, riscos e tempo de execução. Uma análise que tem por base projetos ferroviários similares — a exemplo da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste, já em implantação pela Vale — e o histórico de execução no país mostra que ela só seria viável como uma Parceria Público-Privada altamente assimétrica. No caso, o governo responderia por mais de 88% dos custos de implantação da Ferrogrão, o Tesouro arcando com estimados R$ 30,2 bilhões. Se a União definir que o projeto será integralmente privado, a taxa interna de retorno ficará em 1,56%, destruindo a atratividade.

A razão é que, num cenário realista, os gastos ou despesas de capital (Capex) da Ferrogrão seriam de R$ 34,3 bilhões (dos quais R$ 31,6 bilhões para a via e R$ 2,7 bilhões para o material rodante). Na realidade, o valor de R$ 31,6 bilhões também pode estar subestimado em razão dos problemas associados a clima, solo e implantação de uma ferrovia na Amazônia. Da mesma forma, o tempo estimado de implantação: nove anos. Objetivamente, esse prazo seria de, no mínimo, 21 anos. Basta lembrar que o tempo de implantação da Transnordestina está agora estimado em 20 anos, apenas para um dos ramais. Grandes obras têm frequentemente apresentado gastos em excesso e atrasos consideráveis e sinalizam a importância de um detalhado escrutínio para assegurar o bom uso dos recursos públicos. Em 2019, conforme reportado pelo TCU, havia nada menos que 14.403 obras paralisadas, ou 37,5% de um total de 38.412 financiadas pelo governo federal, além de outras tantas atrasadas ou com sobrecustos.

Há muitos projetos de infraestrutura logística com taxas sociais de retorno mais elevadas, e a Ferrogrão não é um deles. Pois é importante sublinhar que no Centro-Oeste, e em Mato Grosso em particular, há soluções ferroviárias, rodoviárias, rodoferroviárias e rodo-hidroviárias que permitem acesso aos portos do Arco Norte em bases competitivas e igualmente aos portos do Sudeste/Sul (Santos e Paranaguá). As barreiras mais relevantes se concentram na frágil logística de outras regiões produtoras, particularmente do Nordeste e de Minas Gerais. É fundamental planejar soluções adequadas e priorizar projetos de melhor qualidade, sustentáveis e consistentes com o interesse público.

NAVAL

Porto Gente - SP   30/05/2023

Um dos mais relevantes aspectos do planejamento estratégico é a análise da competitividade.

Uma realização que engrandece o Brasil, como é a transposição do Rio São Francisco, a rota transoceânica, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, entra em operação em 2025. Um antigo sonho nacional, idealizada na década de 1950 e iniciada no segundo governo Lula, em 2008. Foi o destaque da participação do ministro dos Transportes, Renan Filho, na Cúpula Anual 2023, do Fórum Internacional de Transportes (ITF, sigla em inglês), em Leipzig (Alemanha), nos dias 25 e 26 de maio último. O Brasil, depois de ficar, durante os últimos três anos, apenas como país observador, foi aprovado, por unanimidade, como membro pleno do Fórum. O evento foi realizado na sede da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento - OCDE.

Essa rota de aproximadamente 2.400 km, com origem em São Paulo, cruza o Mato Grosso e a fronteira do Paraguai; a cidade de Mision La Paz na argentina e destino no Chile, próximo ao trópico de Capricórnio. Um percurso comercial que vai competir com os quase 25 mil quilômetros pelo Canal do Panamá. É o surgimento de uma conexão flexível, que possibilita mais pontualidade e menor custo final às cadeias de suprimento. Logisticamente, possibilita soluções integradas, novos
Investimentos e desenvolvimento regional, bem como geração de trabalho.

Fato relevante será a redução do tempo previsto de até 2 semanas na viagem da exportação para a China, com essa nova infraestrutura. Nesta rota, a obra de arte magnifica é a ponte estaiada sobre o rio Paraguai, com extensão de 1.294 metros e vão livre de 350 metros. entre Porto Murtinho (MS) e Camilo Peralta (Paraguai), financiada pela diretoria paraguaia de Itaipu. A inauguração dessa ponte está prevista para o primeiro semestre de 2024.

Essa será, em breve, a rota da exportação da produção do Centro-Oeste brasileiro para a China. Esse ganho de competitividade, no tempo, também induz rearranjos das estratégias operacionais do Porto de Santos, para ordenar o seu papel hub, em relação ao polo bioceânico, em São Paulo, e fomentar novos negócios e facilidades. Em sentido inverso, abre caminho para a rota da seda, estratégia da China para fluir seus produtos ao redor do mundo.

A atual diretoria do Porto de Santos tem competência para tratar tamanho desafio, com êxito. É um processo de definir metas e ações, envolvendo amplamente a comunidade do porto, na percepção da nova realidade e de forma a se manter coesa, através dos interesses comuns. Assim, construir estratégias para atrair apoio governamental, desenvolver potencial comercial e otimizar o desempenho operacional.

Do presidente da República, ao ministro e o secretário dos Portos, todos eles têm o Porto de Santos como parte das suas vidas. Este porto está situado na região mais produtiva do Brasil. Portanto, é hora de otimizar as variáveis da competitividade desse complexo portuário e, assim, adotar posicionamento para alavancar oportunidades em vantagem sustentável.

A importância do ITF
O ITF é uma organização intergovernamental autônoma ligada administrativamente à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Trata-se de um órgão internacional que atua como um think tank para questões relacionadas à política de transportes de todos os modais e que realiza anualmente um encontro entre ministros de Transportes dos países membros, no qual são apresentadas as últimas novidades e políticas do setor.

PETROLÍFERO

Petro Notícias - SP   30/05/2023

O presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates, anunciou que a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), localizada no Rio Grande do Sul, não será mais vendida. A unidade, como se sabe, estava dentro do programa de desinvestimentos da petroleira, dentro de um acordo com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. O anúncio de que a Petrobrás manterá o ativo em seu portfólio foi feito durante o final de semana, durante um evento em homenagem aos 55 anos da Refap. “Essa refinaria não será objeto de desinvestimento. Isso é uma palavra absurda”, disse durante a cerimônia. “Acabou essa história de desinvestimento”, completou.

Ainda durante sua passagem pelo Rio Grande do Sul, Prates esteve em reunião com empresários gaúchos na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), em Porto Alegre. Durante o encontro, ele ressaltou que a refinaria receberá novos investimentos da Petrobras para produção de diesel com menos enxofre e de diesel com conteúdo renovável.

O presidente da Petrobrás também falou de projetos futuros para a indústria local, sobretudo para o setor naval, que tem um braço forte no estado, na cidade de Rio Grande. “Nós certamente saberemos conduzir uma nova fase da indústria naval, que permita que tenhamos serviços e trabalhos importantes sendo realizados no Brasil. Estamos em fase ainda de levantamento das capacidades e, dentro da Petrobras, estamos vendo o que nós podemos demandar e direcionar para os estaleiros brasileiros e para a indústria em geral”, declarou Prates aos empresários.

A Petrobrás também inaugurou neste final de semana o sistema de tratamento para os gases de combustão da unidade de craqueamento catalítico da refinaria, que representa significativos ganhos ambientais. É feito por equipamento chamado precipitador eletrostático, que captura material particulado presente no gás pela aplicação de um forte campo elétrico. Posteriormente, o material captado é coletado e transportado.

O preciptador eletrostático exigiu investimentos de R$ 88 milhões. Com esse processo, a concentração de particulados no gás emitido reduzirá significativamente. “Isso aprimora mais ainda a nossa capacidade de manter os parâmetros de emissão atmosférica da companhia. A conclusão da obra se dará no início de junho e os procedimentos operacionais de partida ocorrem até o fim do mês”, explicou o gerente geral da Refap, Gerson Cesar Souza.

REFINARIA RIOGRANDENSE VAI TESTAR TECNOLOGIA DE BIORREFINO DA PETROBRÁS

A Petrobrás anunciou também que a Refinaria de Petróleo Riograndense (RPR), localizada na cidade de Rio Grande (RS), será palco de testes industriais de uma tecnologia da Petrobrás para a geração de produtos petroquímicos e combustíveis de origem inteiramente renovável. O primeiro teste industrial está previsto para o próximo mês de novembro, devendo durar até cinco dias. O segundo, será realizado em junho de 2024.

De acordo com a Petrobrás, caso os testes sejam bem-sucedidos, já estão negociados o contrato de licenciamento da tecnologia. O valor do investimento que será realizado pela Petrobrás na RPR é em torno de R$ 45 milhões.

“A partir de uma tecnologia desenvolvida pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (Cenpes) da Petrobras, a unidade de FCC (craqueamento catalítico fluido) da RPR será preparada, no primeiro teste, com inovações de processo e sistema catalítico, gerando insumos integralmente renováveis”, explicou a Petrobrás. “O teste posterior será por meio do coprocessamento de carga fóssil com bio-óleo, gerando propeno, gasolina e diesel, todos com conteúdo renovável a partir de matéria-prima avançada de biomassa não alimentar”, detalhou. A Refinaria de Petróleo Riograndense iniciou suas operações em 1937 e hoje tem como acionistas a Petrobrás, a Braskem e a Ultrapar.

O Estado de S.Paulo - SP   30/05/2023

Se for mantida a decisão do Ibama de negar a licença ambiental para a Petrobras explorar a bacia da foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, a empresa terá que decidir onde aplicar os US$ 3 bilhões que estavam destinados para a exploração da área.

Na revisão do Plano Estratégico 2023-2027, esses recursos poderão tanto impulsionar a transição energética como ajudar na volta da internacionalização da estatal, em busca de novas reservas.

A revisão do plano, com a realocação dos recursos destinados à Margem Equatorial, precisa ser entregue pela diretoria ao Conselho de Administração da empresa até julho, enquanto a previsão é que a versão 2024-2028 seja entregue apenas em novembro.

“Não podendo fazer exploração na área, metade do potencial exploratório da Petrobras desaparece. A empresa vai ter que rever o plano estratégico e decidir se vai usar esse investimento que era da Margem Equatorial no Brasil ou não”, avalia o professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar Almeida.

Ele explica que não faz sentido destinar esses recursos para o pré-sal, segundo maior destino dos investimentos em exploração da companhia, mas que já não possui áreas interessantes para serem exploradas. O caminho, na avaliação do especialista, é buscar reservas fora do Brasil. As melhores alternativas, pela escala do volume de possíveis reservas, seriam a Margem Equatorial, via Guiana ou Suriname, e a Namíbia, na África.

“Do ponto de vista exploratório, no pré-sal o grande esforço já foi feito. Em termos de exploração não tem muito mais do que a Petrobras já está fazendo”, constata.

A Margem Equatorial contém cinco bacias, que se estendem do Rio Grande do Norte ao Amapá e é considerada a última grande fronteira no Brasil para a descoberta de reservas de petróleo. Sem ela, a estatal teria que buscar a internacionalização para aumentar seus números, diz Almeida.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast na semana passada, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, admitiu que é possível explorar a Margem Equatorial via Guiana ou Suriname se não for permitida a exploração na parte brasileira da área. Ele disse também que ainda existem algumas oportunidades em outras bacias da Margem, como a Potiguar, e talvez na Bahia, mas nada se compara às perspectivas da bacia da foz do Amazonas.

Na quarta-feira, 31, uma audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, da Câmara dos Deputados, vai debater a intenção da Petrobras de explorar petróleo e gás na bacia foz do Amazonas, uma das cinco bacias sedimentares da Margem Equatorial.

Novo pré-sal

Na Guiana e no Suriname já foram descobertos reservatórios com mais de 10 bilhões de barris de petróleo, o que poderia gerar uma produção média de 1 milhão de barris por dia, mesmo patamar dos melhores poços do pré-sal, como Tupi e Búzios, na bacia de Santos.

Segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), no pico de produção, em 2029, a parte brasileira da margem poderia atingir 1,1 milhão de barris por dia, elevando o total diário produzido no País para quase sete milhões de barris.

Nos últimos quatro anos, a estatal teve seus investimentos reduzidos e se concentrou no pré-sal e nos planos para explorar a Margem Equatorial. A previsão era a de que o primeiro poço fosse perfurado em novembro do ano passado, e, por esse motivo, uma sonda foi instalada no local.

Sem a licença, no entanto, a estatal iniciou esta semana as atividades para levar o equipamento para a bacia de Campos, e posteriormente para a bacia Potiguar, enquanto aguarda uma solução para o impasse. O custo estimado da manutenção da sonda inoperante é de cerca de US$ 1 milhão, segundo a consultoria Wood Mackenzie.

Para o coordenador do Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente do Programa de Planejamento Energético da COPPE/UFRJ, Emilio Lebre La Rovere, os estudos ambientais não foram feitos corretamente no governo anterior, e dificilmente no curto prazo a Petrobras deve obter o licenciamento.

“A curto prazo, não me parece provável (ter exploração). A área é muito sensível ambientalmente e os estudos ambientais não foram feitos da forma correta. O Ibama pediu oito vezes informações complementares e, pelo visto, a Petrobras não conseguiu fornecer, assim como a Total (que devolveu o bloco) não conseguiu fornecer”, diz Rovere.

Segundo ele, faltou o País fazer o dever de casa e cumprir a portaria de 2012, que previa a elaboração da Avaliação Ambiental de Áreas Sedimentares (AAAS) em conjunto pelos ministérios de Minas e Energia e Meio Ambiente. Assim como ocorre no setor elétrico, o estudo apontaria os lugares possíveis de exploração na Margem Equatorial, reduzindo o risco do investidor.

“Em um país sério, não pode o Ministério de Minas e Energia dizer uma coisa e o Ministério de Meio Ambiente dizer outra. A verdade é que não houve vontade política do governo passado de fazer esses estudos, e a portaria de 2012 diz que essas áreas ficarão em moratória até a execução do estudo”, informa.

Ele destaca que autorizar a exploração sem esse estudo é negativo para o Brasil e para a Petrobras.

“Vai dar uma sinalização muito ruim, de se atropelar um instrumento construído como se faz nos países avançados, uma consciência ambiental em primeiro lugar. E a empresa fica com a imagem comprometida, ao mostrar que faz a questão ambiental de qualquer maneira”, explica.

A Margem Equatorial teve 14 blocos licitados na 11ª Rodada da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em, 2013, no governo do PT. Cansados de esperar a licença ambiental, BHP, TotalEnergies, BP e Ecopetrol desistiram de explorar o local entre os anos de 2018 e 2021.

A Petrobras solicitou então uma licença ao Ibama para verificar se existe petróleo no local, que seria uma extensão dos reservatórios encontrados na Guiana e Suriname, mas o presidente do Ibama seguiu o parecer técnico de 10 profissionais do órgão e negou a autorização.

Divisão

O tema vem dividindo políticos, empresários e até sindicatos. De olho nos empregos que podem ser gerados, o diretor do Sindicato dos Petroleiros do Pará/Amazonas/Maranhão/Amapá e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) Bruno Terribas apoia a exploração da região, “se a Petrobras atender a todas as solicitações do Ibama”, diz.

Ele destaca a importância da Petrobras aumentar suas reservas e a experiência já demonstrada pela estatal, que produz no campo terrestre de Urucu, em plena floresta Amazônica, desde 1988, e nunca registrou um acidente grave.

“É o maior investimento em exploração em andamento no País, mas tem que ser feito observando as determinações do Ibama, tem a questão dos mangues e o governo anterior quis fazer tudo a toque de caixa, porque não respeitava o Ibama. Defendemos que o projeto continue, mas em outros termos”, diz Terribas.

Para o Greenpeace, ir contra uma decisão técnica do Ibama seria uma grande contradição em relação a todo esforço da volta do País ao clube das nações comprometidas com a transição energética. Principalmente quando o governo vem trabalhando para que a Conferência das Partes em 2025 (COP-30) seja no Brasil, mais especificamente, na Amazônia.

“Acaba invalidando todo o esforço que está sendo feito para fortalecer os órgãos ambientais no Brasil e a realização da COP-30 aqui”, diz o porta-voz da campanha dos Oceanos do Greenpeace, Marcelo Laterman, lembrando que o governo Bolsonaro esvaziou os órgãos ambientais, que agora estão sendo recompostos.

Ele ressalta que a região que a Petrobras pretende explorar é muito sensível e possui o maior cinturão contínuo de manguezais do mundo. “É uma responsabilidade do Estado brasileiro, é preciso um olhar macro de estado sobre isso”, destaca.

Segundo ele, a primeira audiência pública sobre o tema “foi um show dos horrores”, com políticos defendendo o desenvolvimento do País a qualquer custo e manipulação do discurso utilizando a população local.

“A gente defende que a Petrobras tem todas as condições de conduzir a transição energética. A gente pode ser a vanguarda. Que seja o momento de ampliar o debate”, avalia.

“A gente acredita que não é necessária essa nova fronteira exploratória, já tem o pré-sal, no mínimo até 2029 tem crescimento de produção do pré-sal. O Brasil pode, sim, ter um papel de protagonismo no modelo de desenvolvimento como nunca teve”, observa Laterman.

A polêmica colocou em campos opostos a Petrobras/Ministério de Minas e Energia (MME) e o Ministério do Meio Ambiente (MMA)/Ibama. A ministra do MMA, Marina Silva, marcou sua posição pelas redes sociais, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizar os riscos de exploração na região.

“Se a gente destrói o presente de Deus, é uma ingratidão com o criador. É muita contradição dizer que ama o criador e desrespeitar a criação, dizer que ama o criador e destruir a criação”, disse a ministra, que dias antes havia afirmado, também nas redes sociais, que até o final do mandato dela o Brasil seria “um exportador de sustentabilidade”.

Valor - SP   30/05/2023

Disputa sobre exploração na Margem Equatorial do Brasil encontra versões locais em toda a região às vésperas de cúpula em Belém

Os equatorianos que vão às urnas em agosto escolher seus novos representantes também deverão votar o destino de um projeto de extração de petróleo no Parque Nacional Yasuní, na Amazônia. Uma semana antes de o presidente Guillermo Lasso dissolver a Assembleia Nacional, no dia 17, a corte eleitoral do país aprovou a realização de um referendo para decidir se a operação, localizada em área ambientalmente sensível, deve continuar ou ser encerrada.

Na Colômbia, tramita no parlamento desde janeiro um projeto de lei que propõe mudar a Constituição para proibir a exploração de petróleo na porção amazônica do país cafeeiro. O lado peruano da fronteira convive com um longo histórico de vazamentos de óleo. O mais recente, reportado há duas semanas, manchou as águas do Rio Nieva, na província de Condorcanqui, também na Amazônia.

Mais ao norte, a Justiça da Guiana determinou recentemente que a agência de proteção ambiental exija das petroleiras uma apólice de seguros e uma garantia “ilimitada” para eventuais desastres relacionados à promissora indústria de hidrocarbonetos que opera no país. A descoberta de reservas gigantescas na costa impulsionaram uma transformação na economia, mas também preocupações sociais, ambientais e políticas.

Por aqui, o assunto da semana passada foi a queda de braço em torno do projeto de exploração de petróleo na Margem Equatorial, faixa litorânea que abrange área entre o Amapá e do Rio Grande do Norte. A disputa virou guerra política depois que o Ibama rejeitou o pedido de licença ambiental apresentado pela Petrobras para um poço de exploração na região.

Além de pedaços da Floresta Amazônica, os países mencionados compartilham um dilema semelhante entre desenvolvimento econômico e preservação da biodiversidade única da região. De Quito a Brasília, defensores dos projetos exploratórios argumentam que as riquezas naturais não podem “morrer” debaixo do solo. Quem é contra advoga o fim da era da energia suja e a urgência de uma transição energética que preserve a biodiversidade do planeta.

Líderes das oito nações que integram a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) vão se reunir em agosto, em Belém. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse há duas semanas que iria aproveitar o encontro para propor uma política ambiental “unificada” entre os países, mas não deixou claro como ela seria.

“Vamos fazer o encontro para tentar firmar uma política unificada dos países amazônicos, ver qual a política que vamos ter para os indígenas, porque, na verdade, uma política séria para evitar o desmatamento pode ter os indígenas como grandes guardiões”, disse o presidente após o G7, em Hiroshima. Na volta do Japão, porém, ele avalizou acordo para esvaziar o Ministério dos Povos Indígenas.

A ambiguidade nas ações do presidente brasileiro e a diferença de visão entre os vizinhos torna a possibilidade de política unificada quase uma abstração. No Equador, Lasso defende a exploração do petróleo na Amazônia. A seu ver, a tendência de declínio no uso de combustíveis fósseis sugere que seu país, que é membro da Opep, aproveite ao máximo as reservas disponíveis e use o recurso para assistir à população mais pobre.

Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro tem buscado financiamento externo para uma transição energética sustentável, com redução gradual na extração de combustíveis fósseis. Ainda durante a campanha eleitoral, ele convocou os governantes dos países vizinhos para uma frente “antipetróleo”.

Todos esses movimentos ocorrem em um momento de intensificação das pressões por aumento da produção de petróleo e gás na América Latina. Diretor técnico do Instituto Internacional Arayara e do Observatório do Petróleo e Gás, Juliano Bueno lembra que a guerra entre Rússia e Ucrânia levou gigantes do setor a voltarem as atenções para a expansão da produção na América Latina, região considerada politicamente mais segura.

Um levantamento do Arayara somente em território brasileiro mostra que existem hoje 451 blocos nas categorias “em estudo”, “oferta” e “concessão”. Desses, 328 blocos estão na Costa Amazônica e 123, na Floresta. Se considerados todos os países, o número passa para 840 blocos no total.

“A expansão da exploração de petróleo e gás na Amazônia causa não apenas conflitos com as populações indígenas, comunidades tradicionais e áreas protegidas, mas gera tensões entre os países, devido aos riscos de vazamentos e contaminação que podem atravessar fronteiras”, reforça. Apesar da promessa feita por Lula, o governo brasileiro ainda não definiu como irá endereçar o tema petróleo na cúpula dos países amazônicos.

Especialista em infraestrutura do escritório do Levy & Salomão Advogados, Saulo Puttini tem reservas à tese de “disputa” entre preservação e desenvolvimento econômico. A seu ver, reservas de petróleo comprovadas serão exploradas de uma forma ou outra e o Brasil deveria liderar a região para “arrastar padrão pra todo mundo”. “A Petrobras já é líder de exploração em água profunda, agora pode ser líder em exploração com manejo sustentável de bioma”, disse.

Durante um evento preparatório para a cúpula, há duas semanas, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, propôs a criação de um painel intergovernamental com metas, como acontece na COP. “Esse talvez seja o grande termo de referência para uma cúpula de povos amazônicos em pleno século XXI, no contexto de uma Presidência da República que lidere pelo exemplo, como pode fazer o presidente Lula”, afirmou.

Bueno avalia que qualquer sinalização de apoio à expansão da exploração de combustíveis fósseis na região arrastará o Brasil para uma posição desconfortável a um país que se pretende líder da agenda ambiental do planeta.

Valor - SP   30/05/2023

Nível de utilização da capacidade instalada recuou sete pontos percentuais na média dos primeiros três meses de 2023, para 69%, com ociosidade maior que 30%

A exploração do gás de xisto levou à forte redução dos preços do gás natural nos Estados Unidos, via choque de oferta, e ao renascimento da indústria petroquímica americana, que gradualmente transferiu ao país volumes de produção que haviam sido deslocados para a China em busca de matéria-prima mais barata.

No Brasil, a exploração do pré-sal e a perspectiva de maior disponibilidade de gás natural criaram expectativa parecida. Há anos o setor químico não executava grandes projetos em território nacional porque tem dificuldades de competir, sobretudo com chineses e americanos, no mercado global. Com a promessa de redução de até 60% nos preços do gás no último governo (e alguns avanços concretos nesse sentido), alguns grupos resolveram se arriscar e, pouquíssimo tempo depois, se veem às voltas com o mesmo problema de competitividade da última década.

Um dos nomes mais tradicionais da indústria química brasileira, a Unigel arrendou duas fábricas de fertilizantes que a Petrobras havia hibernado, também por causa da baixa rentabilidade do negócio. Com o conhecimento da operação industrial e as indicações de que o gás natural, principal matéria-prima da amônia e da ureia, ficaria mais barato, o grupo investiu centenas de milhões de reais para reativar as unidades e, num primeiro momento, beneficiou-se da super valorização desses insumos no mercado internacional após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Garantia de energia e matéria-prima é fator essencial para atrair investimentos ao setor químico ”

— Fátima Ferreira

O problema é que essa trajetória se inverteu e, enquanto os preços da ureia despencaram a partir da segunda metade do ano passado, os do gás natural tiveram correção mais suave. Resultado: dois anos depois de colocar em operação as Fafens da Bahia e de Sergipe, a Unigel pretende estender a parada para manutenção na segunda unidade por mais três meses para não operar com prejuízo, enquanto negocia com Petrobras e outros fornecedores preços mais razoáveis para a matéria-prima. Como informou o Valor, o gás entregue na fábrica de Sergipe custa mais de US$ 14 por milhão de BTU. Nos Estados Unidos, a mesma molécula sai por cerca de US$ 3 o milhão de BTU.

Não à toa, a produção nacional de fertilizantes é insuficiente para atender à demanda interna, apesar das dimensões do agronegócio brasileiro. Também não à toa, enquanto os principais índices de volume dos produtos químicos de uso industrial encerraram o 1º trimestre com queda na comparação anual, as importações saltaram 10,7%, respondendo por 41% do consumo local.

Segundo dados preliminares da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), de janeiro a março, a produção de químicos de uso industrial encolheu 11,45%, as vendas internas caíram 6,6% e o consumo aparente nacional (CAN), resultado da soma da produção e da importação menos a exportação, teve leve recuo, de 0,8%, suportado pelo avanço das importações.

Com isso, o nível de utilização da capacidade instalada no setor recuou sete pontos percentuais na média dos primeiros três meses de 2023, para 69%. Isso equivale, alerta a Abiquim, a ociosidade maior que 30%, um sinal “preocupante”, que pode levar ao fechamento de mais capacidades, se não houver melhora já no curto prazo.

Os grupos com as maiores altas nas importações foram os intermediários para fertilizantes, petroquímicos básicos e resinas termoplásticas. “No caso dos dois primeiros grupos analisados, se houvesse competitividade e disponibilidade de gás natural no país, essas importações poderiam ser evitadas ou minimizadas”, destaca a entidade. No caso das resinas, por sua vez, a decisão recente do governo de retirá-las da Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (LETEC), a partir de 1º de abril, deve trazer algum alívio e desestimular a entrada de termoplásticos da região.

Em 12 meses até março, o desempenho é semelhante: a produção de químicos de uso industrial caiu 7,05%, o consumo aparente recuou 4,6% e as importações também sentiram, com baixa de 4,7%. Já o volume de exportações recuou 18,7%. O índice de vendas internas, que subia 0,17% nos 12 meses encerrados em fevereiro, passou a apresentar resultado negativo, de 0,78%. E a taxa média de utilização da capacidade instalada ficou em 69%, praticamente no mesmo nível operacional de 2022, de 70%.

Segundo a diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, a indústria tem sentido a forte pressão do ambiente internacional, no que se refere à alta da inflação e os impactos da guerra na Ucrânia na dinâmica de preços dos energéticos. Além disso, novas plantas de polipropileno (PP) e polietileno (PE) entraram em operação na China e nos Estados Unidos, levando ao desbalanceamento entre oferta e demanda e à forte queda dos spreads. Esse desequilíbrio deve se sustentar até o fim do ano.

A executiva chama a atenção para a falta de competitividade do produto brasileiro e o fechamento de diversas fábricas que usavam gás natural como matéria-prima principal, incluindo plantas de isocianatos, metanol, amônia e ureia. Sem novos investimentos - com exceção dos executados por Unigel e Yara -, o Brasil se tornou quase que 100% dependente da importação desses produtos.

Para a indústria, o Programa Gás para Empregar, anunciado no início do ano pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), trouxe a expectativa de reversão desse quadro. “Pode tornar o Brasil mais competitivo, atraindo inúmeros investimentos que estão, há tempos, represados, ajudando na reindustrialização do país, uma das metas do atual governo. Garantia de energia e de matéria-prima são os principais fatores para atração de investimento na química e o Brasil tem condições de oferecer essas possibilidades”, afirmou Fátima Ferreira, em nota.

Globo Online - RJ   30/05/2023

Com a escassez de grandes reservas de petróleo no mundo, as empresas do setor aumentam suas apostas em áreas consideradas sensíveis do ponto de vista ambiental. Mapeamento feito pela ONG alemã Lingo aponta que a polêmica em torno da exploração de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, não é exclusividade do Brasil: há atualmente no mundo 2.905 atividades de produção de combustíveis fósseis em curso em 835 áreas de proteção em 91 países.

Com campanhas de exploração que vão das geleiras do Norte do Alasca a patrimônios naturais e culturais do Oriente Médio, passando pela Amazônia, petroleiras enfrentam oposição crescente de autoridades e movimentos de defesa do meio ambiente. Com isso, a tendência é que conflitos entre petroleiras e ambientalistas cresçam nos próximos anos, dizem especialistas.

Em muitos países, as oportunidades econômicas do petróleo têm vencido as quedas de braço, mas alguns governos já limitam a produção de óleo e gás em seus territórios movidos pela agenda ambiental, compromissos internacionais com a redução de emissões de carbono para combater a mudança climática e planos para atrair investimentos em fontes renováveis de energia.

— Há muitos projetos de petróleo em lugares sensíveis acontecendo. À medida que a indústria fica sem o óleo fácil, as petroleiras ampliam para ambientes vulneráveis, incluindo patrimônios mundiais declarados pela Unesco, habitat de tigres e territórios com povos indígenas sem contato, como Madidi na Bolívia e Yasuní no Equador — disse ao GLOBO Kjell Kuehne, diretor da Lingo, ONG alemã que advoga pelo freio à atividade petrolífera, cujo nome vem de “Leave it in the Ground Initiative” ou “Iniciativa Deixe no Subsolo”, em tradução livre.

Ministério de Minas e Energia congelou processos por 90 dias

O mapeamento da Lingo revela que, em metade das regiões ambientalmente sensíveis com exploração e produção, as reservas de petróleo são consideradas marginais, inferiores a um milhão de barris de óleo equivalente. Não é o caso, por exemplo, do litoral norte do Brasil, onde está a Foz do Amazonas. Ali, o governo estima nada desprezíveis 10 bilhões de barris recuperáveis em toda a Margem Equatorial.

Referendo no Equador

A Petrobras reapresentou, na semana passada, um pedido de licenciamento ao Ibama para perfurar um poço exploratório na Foz do Amazonas. A negativa do órgão evidenciou o embate dentro do governo de visões distintas sobre os limites que o meio ambiente impõe à exploração de petróleo.

A estatal aumentou as iniciativas ambientais para tentar obter a liberação, mas o conflito protagonizado pelos ministérios do Meio Ambiente e de Minas e Energia evidenciou as dúvidas sobre até que ponto os riscos ambientais e as tecnologias para prevenir acidentes pesam na decisão de explorar ou não reservas naturais.

No Equador, em maio deste ano, após dez anos de um pedido feito pela ONG Yasunidos, a Justiça determinou a realização de uma consulta popular, marcada para o dia 20 de agosto, para decidir o futuro da exploração de óleo e gás no Parque Nacional Yasuní, uma das maiores reservas biológicas da Amazônia equatoriana e lar de povos indígenas isolados.

O pleito ocorre em um momento em que a estatal Petroecuador já está produzindo cerca de 55 mil barris por dia na região. Nas redes sociais, a ONG pede apoio: “Os equatorianos poderão decidir se, como país, continuamos a explorar o lugar mais biodiverso do planeta ou se caminhamos em direção a um modelo que coloque as pessoas e a natureza no centro do futuro”. A petroleira argumenta que há condições para explorar uma riqueza decisiva para um país em crise.

Ainda na América Latina, há controvérsias sobre a atividade petrolífera próxima a um grande sistema de corais em Veracruz, no México. Na Argentina, a ampliação de petroleiras no mar é alvo de campanhas da ONG Greenpeace.

Nos EUA, mesmo sob fortes críticas, a exploração de petróleo no norte do Alasca foi aprovada pelo presidente Joe Biden em março. Apesar do projeto Willow, da ConocoPhillip, prever investimentos de US$ 8 bilhões, ambientalistas e analistas criticam a autorização por ir contra a promessa de campanha de Biden de reduzir as emissões de carbono.

Na tentativa de evitar a perfuração dos 199 poços previstos no Alasca, uma petição foi enviada à Casa Branca com mais de três milhões de assinaturas. Mas, a ConocoPhillips venceu demonstrando os cuidados com a segurança ambiental e alegando que haverá geração de empregos e redução da dependência energética do país.

Presidente do Ibama: Rodrigo Agostinho diz que já emitiu 23 licenças para a Petrobras este ano

A guerra da Ucrânia reforçou esse tipo de argumento, como é o caso das decisões sobre atividade petrolífera no Reino Unido.

— Acordos climáticos avançam a passos lentos e com metas pouco claras. A guerra na Ucrânia fez países ampliarem o cenário de expansão fóssil. Vemos decisões técnicas serem questionadas por interesse político. É uma batalha do bom senso contra lucros exorbitantes — critica Marcelo Laterman, porta-voz de Oceanos do Greenpeace Brasil.

Roberto Schaeffer, professor da Coppe/UFRJ, diz que, mesmo com o avanço da transição energética, haverá demanda por combustíveis de origem fóssil ao menos até 2050 no mundo. No entanto, a maior parte dos campos de extração hoje estão em áreas de produção declinante.

No Brasil, uma das razões que atraem a Petrobras para a Margem Equatorial é que ela pode representar uma nova fronteira de produção após o declínio do pré-sal, no Sudeste.

"Acordos climáticos avançam a passos lentos. A guerra na Ucrânia fez países ampliarem o cenário de expansão fóssil”, diz Marcelo Laterman, porta-voz de Oceanos do Greenpeace Brasil

— No Brasil, mais de 70% da produção estão no pré-sal, que é uma reserva onde a emissão de CO2 é menor em relação à média mundial. Ao mesmo tempo vemos contradição no discurso do país com a tentativa de se explorar uma das áreas mais sensíveis da Margem Equatorial, que é a Foz do Amazonas — observou Schaeffer, que participou ontem de um evento organizado pelo Instituto Clima e Sociedade.

Áreas rebaixadas

O mapeamento da Lingo cita atividades em áreas sensíveis no Canadá (Parques das Montanhas Rochosas), no Egito (Mar Vermelho) e na Europa (Mar do Norte). Segundo o relatório, “áreas protegidas estão sendo rebaixadas, reduzidas ou mesmo desclassificadas” para abrir caminho para a indústria de óleo e gás.

Marina Silva: Petrobras deve deixar de ser apenas empresa de petróleo para ser empresa de energia

O estudo cita o Santuário do Órix da Arábia, em Omã, no Oriente Médio, e o Parque Nacional de Virunga, na República Democrática do Congo, na África, como exemplo de áreas que “foram rebaixadas para permitir a exploração de petróleo”.

Kuehne, da Lingo, alerta para a exploração nos campos de Hail e Ghasha, nos Emirados Árabes Unidos, no Oriente Médio. As áreas estão próximas da reserva de Marawah, classificada como patrimônio mundial pela Unesco, que é a maior área marinha protegida no Golfo Pérsico.

No ano passado, a Abu Dhabi National Oil Company iniciou as contratações para iniciar as perfurações na área em um projeto estimado em mais US$ 2,7 bilhões em parceria com a italiana ENI, a alemã Wintershall, a austríaca OMV e a russa Lukoil. Segundo a ONG, já foram perfurados 19 poços na região, que é um conhecido ponto de desova de diversas espécies e reúne sistemas complexos de corais e ilhas usadas por aves para a reprodução.

Novo formato: Petrobras muda forma de vender gás e abre espaço para preços menores a distribuidoras

Na Namíbia, a exploração de petróleo na bacia do Delta do Okavango virou uma disputa judicial, opondo os ministérios do Meio Ambiente e de Energia do país africano, após queixas de contaminação dos rios. A petroleira canadense Reconnaissance Energy explora a área desde 2021.

Recentemente, o ministro de Energia da Namíbia, Tom Alweendo, afirmou que busca preservar o direito de o país de explorar petróleo, alegando que países ricos como os da Europa e os EUA também produzem petróleo. A ONG Rewild argumenta que são “as comunidades locais que vão arcar com os custos mais pesados da exploração de petróleo”.

Em vez de não licenciar, investir em novos processos’

Segundo Giovani Loss, sócio do escritório de advocacia Mattos Filho e especialista em Óleo e Gás, Costa Rica, Dinamarca, Belize, Groenlândia, Irlanda e Nova Zelândia estão entre as nações que também já suspenderam a emissão de novas licenças para blocos de petróleo. Porém, ele ressalta que são nações pouco relevantes do ponto de vista de reservas no setor de óleo e gás.

Petrobras: Estatal teria que cortar preço da gasolina em 14% para compensar volta de impostos federais

— Os países estão seguindo iniciativas diferentes. Alguns decidiram não explorar mais como forma de atrair investimentos para outras fontes. O Brasil precisa ser inteligente. Em vez de não licenciar, é preciso investir em novos processos de forma a dar segurança e reduzir a emissão. Parar de produzir não é a solução, e hoje só estamos discutindo o licenciamento.

Marcelo Assis, da WoodMackenzie, diz que os EUA, após o desastre ambiental provocado pelo vazamento de grandes proporções do DeepWater Horizon, no Golfo do México, em 2010, não emite mais licenças para exploração e produção na costa marítima do leste e oeste do país:

— Licenças estão válidas e existe produção. Não são oferecidas novas áreas, mas o Golfo do México continua.

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O INDA, Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço, é uma Instituição Não Governamental, legalmente constituída, sem fins lucrativos e fundada em julho de 1970. Seu principal objetivo é promover o uso consciente do Aço, tanto no mercado interno quanto externo, aumentando com isso a competitividade do setor de distribuição e do sistema Siderúrgico Brasileiro como um todo.

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