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24 de Junho de 2024

SIDERURGIA

Brasil Mineral - SP   24/06/2024

A worldsteel divulgou que a produção mundial de aço bruto somou 165,1 milhões de toneladas em maio de 2024, um aumento de 1,5% em relação ao mesmo mês do último ano. A produção na Ásia e Oceania somou 122,1 milhões de toneladas, o que corresponde a um incremento de 1,6% na comparação com maio de 2023. Dentre os países asiáticos, a China produziu 92,1 milhões de toneladas, um acréscimo de 2,7% sobre maio de 2022, enquanto Japão e Coreia do Sul atingiram 7,2 milhões de toneladas e 5,2 milhões de toneladas, reduções de 6,3% e 10,9%, respectivamente. Em contrapartida, a Índia produziu 12,2 milhões de toneladas, um incremento de 3,5% sobre maio de 2023.

Os países do bloco europeu produziram 11,7 milhões de toneladas de aço, 1,8% a mais na comparação com maio de 2023, com destaque para a Alemanha, com produção de 3,2 milhões de toneladas, o que representou uma queda de 1,9% sobre o mesmo mês do último ano. Os países que não pertencem à UE (Bósnia-Herzegovina, Macedônia, Noruega, Sérvia, Turquia, Reino Unido) produziram 3,9 milhões de toneladas de aço bruto, um avanço de 6,2% na comparação com maio de 2023. Já os países da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) produziram 7,7 milhões de toneladas de aço bruto em maio de 2024, o que significa um resultado 2,8% superior sobre o mesmo mês de 2023. O destaque ficou para a Rússia, com produção estimada de 6,3 milhões de toneladas e ligeira retração de 0,9% na comparação com maio do último ano.

Já a África (Egito, Líbia, África do Sul) produziu 1,8 milhão de toneladas em maio de 2022, um crescimento de 0,9% em relação a maio de 2023, enquanto os países do Oriente Médio produziram 5,2 milhões de toneladas, 4,6% a mais do que em maio do ano passado. O Irã teve produziu 3,3 milhões de toneladas de aço e registrou aumento de 2,1% em relação a maio de 2023.

A América do Norte produziu 9,4 milhões de toneladas de aço em maio de 2024 (-0,9%), onde os Estados Unidos responderam por 6,9 milhões de toneladas e registrou decréscimo de 1,5% no mês. Já a América do Sul produziu, em maio, 3,3 milhões de toneladas, 8,2% a menos que em maio de 2023. A produção brasileira estimada somou 2,6 milhões de toneladas, queda de 7,4% sobre maio do ano passado. Nos cinco primeiros meses de 2024, a produção mundial de aço bruto somou 793,2 milhões de toneladas, 0,1% inferior ao mesmo período do ano passado.

Diário do Aço - MG   24/06/2024

O valor da indenização votada no STJ (Superior Tribunal de Justiça) em favor da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), na ação que este acionista da Usiminas move contra a empresa que o abriga, é um despropósito sem tamanho. Basta vermos o seguinte: a CSN possui 14% das ações da Usiminas, cujo valor de mercado alcança hoje 9,03 bilhões de reais.

Sendo assim, sua participação hoje vale 1,26 bilhão de reais. Valor da indenização aprovado: 5 bilhões de reais, quatro vezes superior ao valor das ações da CSN na empresa.

Trata-se apenas de uma indenização: não está havendo compra de ações por parte dos acionistas majoritários. Não se trata de uma transação de bens ou direitos. Apenas uma Indenização, por fatos ocorridos há doze anos...

A penalidade aplicada resulta das aquisições feitas pelo Grupo Ternium-Techint das ações da Votorantim e Camargo Correa, quando aquele grupo pagou um alto preço: 36 reais por ação.

A CSN alegou que a Ternium-Techint deveria ter ofertado o mesmo preço a todos os acionistas. E como esta aquisição resultou em controle da Usiminas pelo Grupo Ítalo-argentino, começou a litigar. E perdeu, primeiro no CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão governamental responsável pela defesa da livre concorrência. Perdeu também na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda. E nas três instancias do Judiciário.
“[Custa] quatro vezes superior ao valor das ações da CSN na empresa”

Agora, no STJ, conseguiu aprovar seu curioso pleito. "A CVM teve o entendimento técnico de que não houve mudança de controle, mas agora três pessoas físicas ignoraram essa decisão. A decisão é errada e merece ser revista", alegou fonte na revista Brazil Journal.

Aqui, em Ipatinga, assistimos com expectativa e otimismo os investimentos que estão sendo feitos na modernização da empresa: 23 bilhões de reais, desde 2012. Houve melhoria no ambiente interno da empresa, que recuperou a sua lucratividade.

Fatos aleatórios como este geram instabilidade e insegurança em nossa região. A siderurgia brasileira viveu momentos difíceis neste ano, fruto da redução das alíquotas de importação do aço chinês. Felizmente, este fato foi revisto para melhor, recentemente.

Mas, agora, a insegurança jurídica que estamos presenciando só serve para assustar os investidores, deixar inseguro o mercado, pois não se pode prever o dia de amanha.
“Fatos aleatórios como este geram instabilidade e insegurança na região”

Embora a Usiminas esteja alegando que a decisão do STJ não afetará a empresa, o que é ótimo, fica a nossa preocupação com o futuro. Absurdos como este, decisões incompreensíveis e arbitrárias desta natureza, não podem prevalecer.

A Usiminas é vital para a nossa região. Estamos falando de geração de empregos, pagamento de impostos e desenvolvimento regional.

Felizmente, cabe recurso à decisão. Vamos esperar que prevaleça o bom senso.

Diário do Aço - MG   24/06/2024

Desde a criação do Grupo de Trabalho de Revisão da Tarifa Comum (GT-TEC), tem havido uma série de movimentos para reestruturar as operações de importação do país, visando mitigar fraudes e proteger a indústria nacional. Em abril, iniciou-se uma série de mudanças, destacando-se a nova deliberação em relação ao aço importado.

Nessa nova deliberação, 11 NCMs referentes ao aço tiveram elevação de 25% no Imposto de Importação. Essa majoração se deu em função do volume de importações em 2023, que superou em 30% a média das compras dos anos anteriores.

NCM é a sigla para "Nomenclatura Comum do Mercosul". É um sistema de classificação de mercadorias utilizado pelos países membros do bloco para padronizar e organizar as atividades de comércio exterior.

No último 28 de maio, foram divulgados os critérios para a alocação de cotas de importação, determinados de acordo com os NCMs, pela Resolução GECEX Nº 600/2024. Nessa resolução, esses NCMs terão a cota de importação concedida por quadrimestres, e o saldo remanescente da cota não utilizado em cada subperíodo não será somado à cota do quadrimestre subsequente.

“É crucial que os setores da indústria contem com equipe especializada para auxiliar na adaptação a essas mudanças”

Além disso, em 29 de maio, foi divulgado um passo a passo para as empresas aderirem às cotas, seguindo os seguintes passos: 1) Consulta da relação de empresas contempladas; 2) Criação de um dossiê eletrônico no módulo de anexação eletrônica de documentos do Siscomex; 3) Preenchimento do Pedido de Licença de Importação (LI) de acordo com o destaque de mercadoria “001_Cota de importação estabelecida conforme Resolução Gecex nº 600/2024” no campo “Destaque NCM” da ficha “Mercadoria”; 4) Esta seleção é necessária também para importações com benefícios da Zona Franca de Manaus (ZFM) ou de Áreas de Livre Comércio (ALC), se optar pelo uso cumulativo da cota de importação; 5) Uso da Cota de Importação em Quadrimestres; 6) Solicitação de LI no Último Quadrimestre: as empresas devem providenciar o pedido de LI até 28 de fevereiro de 2025; 7) Validade das LIs Emitidas: As LIs emitidas ao amparo das cotas de importação não terão prorrogação para embarque e despacho.

Portanto, é essencial que as empresas façam uma gestão eficiente de suas importações dentro de cada quadrimestre para evitar a perda de cotas não utilizadas e assegurar o máximo aproveitamento dos benefícios concedidos.

Segundo o Sindicato da Indústria do Ferro do Estado de Minas Gerais (SINDIFER), que representa as indústrias do setor, “o impacto sobre os preços com essas mudanças é incerto”. Assim, ainda é difícil medir exatamente como cada setor será afetado. Por exemplo, a construção civil, que adquire a maior parte de seu aço internamente, pode enfrentar impactos diferentes em comparação com setores da indústria de transformação, que talvez sofram mais com as mudanças.

Por fim, é crucial que os setores da indústria contem com uma equipe especializada para monitorar e auxiliar na adaptação a essas mudanças. Essa equipe deve estar preparada para analisar os impactos e implementar estratégias que minimizem as consequências negativas, garantindo que a transição ocorra de forma eficiente e cause o menor impacto possível nos custos e na operação das empresas.

Investing - SP   24/06/2024

A companhia siderúrgica Ternium, controlada pelo grupo italiano Techint, utiliza uma decisão de 2014 do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para deslegitimar a participação societária da CSN (BVMF:CSNA3) (Companhia Siderúrgica Nacional) na Usiminas (BVMF:USIM5). O objetivo é tentar reverter um recente julgamento do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que deu ganho à empresa.

Na última 3ª feira (18.jun.2024), a 3ª turma do STJ decidiu por 3 votos a 2, ao analisar embargos de declaração referentes a um julgamento de 2023, que a Ternium deverá indenizar a CSN em R$ 5 bilhões. Isso pelo fato de a italiana não ter feito uma oferta pelas ações da CSN na Usiminas quando comprou em 2012 a fatia da Votorantim e da Camargo Corrêa.

Em 2014, o Cade decidiu que a CSN deveria vender uma participação de cerca de 17% na Usiminas dentro de 5 anos. O prazo foi alongado por 2 vezes, em 2019 e em 2022. O Cade já inclusive recusou um pedido da CSN para participar da assembleia-geral ordinária da Usiminas.

A Ternium entende que a decisão do Cade pode anular o processo do STJ. A 3ª turma do tribunal entendeu, por 3 votos a 2,que a empresa italiana passou a controlar a Usiminas com a aquisição das participações da Votorantim/Camargo Corrêa, por R$ 4,1 bilhões. Sócia com 12% da companhia, a CSN pediu R$ 5 bilhões em indenização acionária, porque, segundo a defesa, seria necessário uma OPA (oferta pública de ações) aos acionistas minoritários.

O tema em disputa é a regra do tag along, que permite que acionistas minoritários de uma empresa deixem de ser sócios caso o controle da empresa passe para um novo investidor. A ferramenta serve para dar segurança aos integrantes da sociedade a um novo investidor que não tenha participação inicial no negócio. Está previsto na Lei das S/A, de 1976.

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Segundo a lei, a alienação “direta ou indireta” do controle de companhia aberta somente poderá ser contratada sob a condição de que o adquirente “se obrigue a fazer oferta pública de aquisição das ações com direito a voto de propriedade dos demais acionistas da companhia”.

Define ainda que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) autorizará a alienação de controle, desde que verificado que as condições da oferta pública atendem aos requisitos legais. A comissão fica responsável também por estabelecer normas a serem observadas na oferta pública.

O comprador da empresa “poderá oferecer aos acionistas minoritários a opção de permanecer na companhia, mediante o pagamento e um prêmio equivalente à diferença entre o valor de mercado das ações e o valor pago por ação integrante do bloco de controle”.

A Ternium, depois da aquisição, ficou com cerca de 28% das ações da Usiminas. Ainda ficou com menos ações que a japonesa Nippon. Embora não tivesse o controle acionário sozinho, passou a integrar um bloco de controle da siderúrgica mineira, fixado por um acordo de acionistas. O bloco é formado por Ternium, Nippon e Caixa dos Empregados da Usiminas.

A CSN, que era minoritária, não recebeu uma oferta da Ternium pela sua fatia. O argumento dela era de que mesmo sem ter o controle sozinho, ela controla indiretamente a companhia através do bloco com a Nippon e o fundo dos empregados. A CVM, em 2017, refutou que a companhia tenha comprado o controle. Então, a CSN foi à Justiça.

INSEGURANÇA JURÍDICA

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A decisão do STJ cria uma jurisprudência contrária às decisões que são tomadas nesses casos, o que preocupa o ambiente de negócios pela insegurança jurídica. Especialistas consultados pelo Poder360 temem que a decisão provoque incertezas em novos processos de compras de ações de outras companhias, como o de privatização da Sabesp (BVMF:SBSP3) (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).

“A ampliação do escopo de proteção aos minoritários introduz um elemento de insegurança jurídica que pode afetar negativamente o apetite dos investidores. Seu impacto já vem sendo discutido em negociações que já estavam em curso, incluindo o risco de judicialização de operações em negociação, como a privatização da Sabesp”, afirma o advogado Lucca Mendes.

O temor, neste caso, é que investidores potenciais para comprar o controle da Sabesp vejam o negócio com receio por ter que comprar também as ações dos minoritários ou indenizá-los no futuro.

A própria Ternium tem usado o argumento de que a decisão do STJ pode desencadear insegurança jurídica. Depois da derrota, a empresa pagou anúncios em páginas inteiras de jornais impressos para publicar um comunicado afirmando sua insatisfação com o resultado do litígio e abordando os riscos que a determinação do tribunal poderia ter para futuras operações do gênero.

“Ao ir contra a jurisprudência firmada e consolidada pela CVM e por várias instâncias judiciais ao longo de 12 anos, inclusive a decisão de mérito do próprio STJ, o julgamento traz insegurança jurídica para o mercado de capitais brasileiro e coloca em risco operações de fusão e aquisição nas quais haja alienação de partes de grupos de controle”, afirmou a companhia na nota.

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Em fato relevante publicado em março de 2023, a Ternium disse que o grupo teria uma participação de 61,3% do grupo de controle.

ENTENDA O JULGAMENTO

A 3ª Turma do STJ analisou, na última 3ª feira (18.jun), um embargo de declaração da CSN que questionava decisão do próprio tribunal, de 2023. Na época, em análise do mérito, ficou entendido que o grupo Ternium não tinha adquirido o controle da Usiminas e não tinha a obrigação de fazer a OPA.

O recurso foi aceito por 3 a 2, e a decisão anterior ficou suspensa. Ficou entendido que a transferência de controle acionário fazia com que se aplicasse a determinação prevista no artigo 254-A da Lei das S/A, que trata justamente sobre a obrigação de um comprador fazer a oferta pública da aquisição das ações.

A CSN diz que a compra das ações da Votorantim e da Camargo Corrêa pela Ternium na Usiminas, anunciada em 2011 e finalizada em 2012, acarretou na venda do controle da empresa, o que deveria ter resultado em uma oferta pública de aquisição para as ações dos sócios minoritários.

Já a Ternium nega que este seja o caso, já que, mesmo com a aquisição à época de uma fatia de 27,7% das ações, não detinha mais de 50% delas e, portanto, não seria a acionista majoritária da Usiminas. A empresa afirma que não houve a alegada mudança de controle na Usiminas e que a decisão do STJ “impacta o mercado de capitais”.

O voto de desempate no julgamento que obriga o pagamento de indenização de R$ 5 bilhões à CSN foi do ministro Antonio Carlos Ferreira, que considerou ter havido a mudança no controle da empresa depois da compra das ações pela Ternium.

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Ele divergiu dos ministros Ricardo Cueva e Nancy Andrighi, que já haviam votado no sentido de que o caso voltasse à 1ª instância para produção de novas provas. Os ministros Humberto Martins e Moura Ribeiro já haviam votado a favor da CSN.

No voto (íntegra – PDF – 196 kB) de Moura Ribeiro, que saiu vencedor, ele afirma:

“Tendo o Grupo Ternium ingressado no bloco de controle em substituição do grupo Votorantim/Camargo Corrêa, com poder de decisão sobre assuntos relevantes, relativas a matérias tidas como estratégicas para a gestão da Usiminas e, inclusive, com a estipulação da necessidade de consenso entre o Grupo Nippon e o Grupo Ternium para a indicação do diretor presidente da Usiminas, mantenho o entendimento de que houve a alienação do controle da Usiminas”.

Em 2023, ao julgar o mérito do caso, o STJ rejeitou o recurso da CSN por maioria de votos. Contudo, entre o julgamento do mérito e análise dos embargos de declaração, a composição do colegiado responsável pelo processo foi alterada. Paulo de Tarso Sanseverino morreu e Marco Aurélio Bellizze se declarou impedido para julgar.

O QUE DIZEM AS EMPRESAS

Com a derrota no tribunal, a Ternium declarou que recorrerá da decisão, e que sua posição se baseia em decisões anteriores da CVM e de outras instâncias judiciais.

Em comunicado divulgado depois do julgamento, a empresa lista as decisões favoráveis à outras companhias ao longo dos anos. Cita que em 2013, o tribunal de 1ª instância julgou improcedente a ação da CSN e, em 2017, o tribunal de recurso confirmou a decisão do tribunal de 1ª Instância.

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“A empresa continua acreditando que todas as reivindicações e alegações da CSN são infundadas e sem mérito, conforme confirmado por vários pareceres de consultores jurídicos brasileiros, duas decisões emitidas pelo regulador de valores mobiliários brasileiro em fevereiro de 2012 e dezembro de 2016, as decisões do tribunal de primeira e segunda instância e a decisão do STJ de 7 de março de 2023 acima referida. A empresa considera ainda que a decisão do STJ sobre o pedido de esclarecimento da CSN é contrária ao direito substantivo e processual aplicável”, afirmou.

Já a CSN, também em nota oficial, afirmou que a Ternium “nega ter assumido o controle da Usiminas para evitar cumprir a obrigação legal de pagar os acionistas minoritários”. Ainda, diz que “não é verdade que houve desrespeito à jurisprudência da Comissão de Valores Mobiliários, embora esta deva respeitar a jurisprudência dos Tribunais brasileiros, e não o inverso”. Leia a íntegra da nota (PDF – 117 kB).

“A Ternium usa subterfúgios políticos e midiáticos para constranger juízes e o sistema judiciário brasileiro, esquecendo-se de que o direito é o único elemento que realmente influencia e convence. A CSN espera que a Ternium reveja sua disposição de descumprir a lei e de desrespeitar publicamente as autoridades brasileiras”, diz a nota da CSN.

Portal Fator Brasil - RJ   24/06/2024

Ante o mesmo período do ano passado. As vendas internas também deu uma leve arrefecida de 1,9% quando comparadas com o igual p erído em 2023. As exportações seguiram com quedas tanto no mês como no acumulado do ano, e as importações cresceram 7,1% no mês de maio e, 26,4% de janeiro a maio.

Em maio de 2024 a produção brasileira de aço bruto foi de 2,6 milhões de toneladas, uma redução de 7,4% frente ao apurado no mesmo mês de 2023. Já a produção de laminados foi de 1,9 milhão de toneladas, 1,9% inferior à registrada em maio de 2023. A produção de semiacabados para vendas foi de 586 mil toneladas, uma queda de 37,6% em relação ao ocorrido no mesmo mês de 2023, de acordo com dados do Instituto Aço Brasil (IABr), divulgados no dia 18 de junho de 2024 (terça-feira).

Consumo e vendas — As vendas internas expandiram 0,4% frente ao apurado em maio de 2023 e totalizaram 1,7 milhão de toneladas. O consumo aparente de produtos siderúrgicos foi de 2,1 milhões de toneladas, 4,9% superior ao apurado no mesmo período de 2023.

Exportações — As exportações de maio de 2024 foram de 954 toneladas, ou US$ 728 milhões, o que resultou em queda de 12,1% e de 25,7%, respectivamente, na comparação com o ocorrido no mesmo mês de 2023.

Importações — As importações de maio de 2024 foram de 561 mil toneladas e de US$ 535 milhões, um aumento de 44,4% em quantum e uma elevação de 7,1% em valor na comparação com o registrado em maio de 2023.

Produção — A produção brasileira de aço bruto foi de 13,6 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a maio de 2024, o que representa um aumento de 0,6% frente ao mesmo período do ano anterior. A produção de laminados no mesmo período foi de 9,6 milhões de toneladas, crescimento de 3,2% em relação ao registrado no mesmo acumulado de 2023. A produção de semiacabados para vendas totalizou 3,4 milhões de toneladas de janeiro a maio de 2024, uma redução de 14,6% na mesma base de comparação.

Vendas — As vendas internas foram de 8,3 milhões de toneladas de janeiro a maio de 2024, o que representa uma elevação de 1,9% quando comparadas com igual período do ano anterior.

Consumo — O consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos foi de 10,3 milhões de toneladas no acumulado até maio de 2024. Este resultado representa um aumento de 5,1% frente ao registrado no mesmo período de 2023.

Exportações — As exportações de janeiro a maio de 2024 atingiram 4,2 milhões de toneladas, ou US$ 3,4 bilhões. Esses valores representam, respectivamente, redução de 16,0% e de 22,9% na comparação com o mesmo período de 2023.

Importações — As importações alcançaram 2,3 milhões de toneladas no acumulado até maio de 2024, um aumento de 26,4% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 2,3 bilhões e aumentaram 0,8% no mesmo período de comparação.

Rio de Janeiro — Atrás apenas de Minas Gerais, o Rio de Janeiro acumula 3,5 milhões de toneladas nos cinco primeiros meses do ano. De janeiro a maio, estado registra crescimento de 2,6% na produção, na comparação com o mesmo período do ano passado.A produção de aço bruto no Rio de Janeiro acumula 3,5 milhões de toneladas, um aumento de 2,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em maio, o estado produziu 698 mil toneladas de aço, respondendo por 27% da produção total do país. Os dados são do Instituto Aço Brasil(IABr) , que representa as empresas brasileiras produtoras de aço.

— A indústria siderúrgica exerce um papel relevante no desenvolvimento econômico, tanto do estado quanto do país. Mantém a economia em movimento, gera empregos, investimentos, fornece insumos para diversos outros setores, e contribui para o comércio exterior. Temos um importante parque siderúrgico instalado no estado e o crescimento da produção de aço reflete o avanço da economia fluminense — afirmou o governador Cláudio Castro.

De acordo com o Instituto Aço Brasil(IABr), em maio de 2024, a produção brasileira de aço bruto foi de 2,5 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 7,4% na produção nacional frente ao apurado no mesmo mês de 2023. No acumulado do ano, o país produziu 13,5 milhões de toneladas de aço bruto, o que representa um aumento de 0,6% ante o mesmo período de 2023.

— O Rio de Janeiro é o segundo maior produtor nacional de aço, essencial para a construção civil e obras públicas, e seu consumo tem ligação direta com o progresso econômico — explicou a secretária de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços, Fernanda Curdi.

ECONOMIA

Globo Online - RJ   24/06/2024

Presidente do Banco Central (BC) quando o real passou pelo seu maior teste, com um ataque especulativo que levava quase US$ 1 bilhão de reservas cambiais diariamente, Gustavo Franco minimiza aquele momento e diz que, depois de 30 anos, a estabilidade monetária conquistada mostrou que “não tinha nenhum truque, nenhuma farsa”. "Ninguém teve perda. Essa conversa acabou", afirma, em referência às críticas de que a maxidesvalorização do real teria sido adiada por causa da corrida eleitoral de 1998.

Franco pediu demissão do BC em janeiro de 1999, quando o governo, logo após a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, decidiu flexibilizar o regime de bandas cambiais, diante da sangria das reservas internacionais — pouco depois o real passaria a flutuar livremente. Franco era contra a mudança na câmbio.

Na entrevista ao GLOBO, a terceira de uma série com os protagonistas do Plano Real, ele avalia que o pior momento da implantação do plano foi na véspera do lançamento da Unidade Real de Valor (URV), que meses depois seria convertida no real, numa reunião no gabinete do presidente Itamar Franco com o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso:

— Nesse dia, eu vi o ministro da Fazenda pedir demissão três vezes, não foi uma, foram três vezes. Levantar da mesa e dizer: “Assim não dá. Eu vou me embora”.

Leia abaixo a íntegra da entrevista do economista. E veja, neste vídeo curto, a visão de Gustavo Franco sobre qual foi a maior conquista do Plano Real e o que ainda precisa ser feito para a estabilidade da economia brasileira.

30 anos do Real: Gustavo Franco

Qual a importância de ter uma moeda estável por 30 anos, o que isso representa?

Hoje todo mundo gosta do real, mas no começo não foi assim, não. Vivemos a experiência de degradação da moeda. Quem viveu terá guardado na memória de como é profundo, é uma ferida profunda. O simbolismo associado à moeda é grande. A moeda é como a bandeira e o hino. Vê-la derreter é a sensação que você tem vendo a bandeira pegar fogo. É ruim. É um pedaço de cada um de nós. A lembrança do período da hiperinflação no Brasil é um torpor de decadência, de valores que vão se desagregando em valores monetários e outros valores também. Também nos fez piores. É uma experiência ruim para o nosso organismo. Talvez tenha estragado a nossa saúde econômica para sempre. Como o alcoolismo faz com as pessoas que tiveram o vício. Nós nos livramos dele faz 30 anos. É muito bom. Mas a experiência foi super profunda, difícil, marcante, e a batalha foi difícil.

“Tendo a moeda estável, o horizonte se abre como no fim de uma névoa. Enxergamos nossas verdades. Nem todas são agradáveis”

Foi uma conquista do povo brasileiro, diante do que passou anteriormente?

Recuperamos o nosso futuro e junto com ele um símbolo nacional que também resgatava o nosso passado e todos os heróis nacionais humilhados em cédulas que passaram a valer nada (antes do real, Barão de Mauá, Machado de Assis, Marechal Rondon foram algumas das personalidades que estampavam as cédulas, mas com a inflação alta, essas cédulas perdiam valor muito rápido). Hoje a gente tem o real. Imagina no tempo que a gente não tinha o real. O que a gente tinha? Era o imaginário, era o delírio. Vivemos um delírio longo, que foi crítico nos últimos dez anos, até 1994, a inflação média mensal deve ter sido 15%, 20% ao mês, em média. Impensável com os olhos de hoje. As pessoas têm uma memória disso, dos pais, de ouvir na mesa de jantar histórias folclóricas de inflação. O que a gente tem hoje (de inflação) durante um ano inteiro era de um fim de semana. Foi triste? Foi. Foi horroroso.

Que tipo de reação teve ao plano na época?

Vinte e quatro horas depois do acontecido, começa todo mundo a achar muito bom, tem um quase deslumbramento. Que coisa boa a moeda estável, uma coisa tão simples que nem bem tem nome, uma vida econômica normal, com uma moeda normal de um país normal. E aí parece uma coisa trivial, mas não é. Trinta anos depois, com o distanciamento que esse tempo todo nos permite, todo mundo gosta, não tem mais ninguém que seja contra. E é difícil até explicar como, quando foi feito, quase todo mundo era contra. Tem uma explicação, ou pelo menos duas. Uma é que era o sexto plano econômico, e todos os outros deram errado. O plano econômico parecia fazer mais estrago do que a própria inflação. Então, se é para ter um tratamento que dói mais que a doença, deixa a gente ficar doente. Então, o sexto plano econômico não animou ninguém. Todo mundo tinha muita desconfiança.

Eu lembro bem dos momentos anteriores ao anúncio da URV a postura da opinião pública, da imprensa, dos agentes econômicos... Todo mundo estava muito desconfiado, ao mesmo tempo, torcendo: “Faz aí um negócio que dê certo, mas olha lá o que vai fazer” Faz o plano, mas não pode fazer... Tinha uma lista de coisas que não se podia fazer. Cada pessoa tinha uma lista. Muita gente queria congelamento de preço, que era exatamente uma coisa que não íamos fazer de jeito nenhum. Não foi um grande acordo nacional. Na verdade, foi uma coisa escrita por gente que conhece essa tecnologia e conhece essa técnica. Quem desenha uma vacina contra Covid é quem entende de vacina, não é uma assembleia do povo que decide. A gente fez, botou em operação e funcionou. Depois de 24 horas, era um país transformado. O que parecia incompreensível veio muito naturalmente para dentro da rotina das pessoas.

Como foi a montagem jurídica do Plano?

Todos nós éramos economistas de sala de aula, de pesquisadores do assunto. Mas uma coisa é o quadro negro, outra coisa é o Diário Oficial. Entre um e outro tem os advogados, porque o estado democrático de direito fala um idioma que é o das leis, que é onde estão os advogados profissionais. Eles têm a compreensão da realidade conforme os filtros e o idioma deles. É preciso falar a língua deles. Você não vai fazer poesia numa língua estrangeira se não entender muito bem como é a gramática deles. E foi isso que a gente teve de fazer. Aprender a língua deles não é chamá-los para fazer a nossa música. Não. Vamos conversar e fazer juntos no mesmo idioma. E aí funcionou belissimamente.

As coisas interdisciplinares no Brasil são sempre complicadas. Nos outros planos deu errado. Dessa vez, vamos conversar. E aí funcionou muito bem. Algumas pessoas especiais ajudam, é claro, mas a essência do diálogo interdisciplinar foi, enfim, a alma. Saiu certinho. Voltando para a universidade depois de tudo isso, quando eu saí do Banco Central comecei a dar um curso. O assunto era o diálogo entre a economia e o direito nos assuntos da moeda e o Plano Real, como o caso bem-sucedido. Esse curso depois virou um livro que se chama “A Moeda e a Lei”. O título diz o que é, uma história monetária do Brasil de 1933, onde começa essa aventura do papel moeda até finalmente se arrumar o padrão monetário, o real, em 1994.

Em um dos seus artigos no livro “30 anos do Real: crônicas no calor do momento” (que reúne artigos dele, do ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e do economista Edmar Bacha sobre o plano), você diz que o plano fez uma revolução silenciosa.

Quando a pessoa está em com dor, não existe outro pensamento senão fazer parar a dor. É um país quase que sob tortura. Nessas condições, não existe vida inteligente, não existe cálculo econômico, não existe rotina, não existe percepção das nossas possibilidades, não existe futuro. Isso tudo a gente ganhou, tendo uma moeda estável, sobretudo a sensação de futuro, o horizonte que se abre como uma grande névoa que de repente baixou. Enxergamos, assim, nossas verdades. Nem todas são agradáveis, tem muita desigualdade, muitos problemas. Não estamos condenados a crescer como na Ásia. Na verdade, descobrimos que para fazer isso precisa fazer outras coisas que pertencem a uma outra agenda, reformas e tudo isso, onde a gente não está andando. Mas agora a gente está vendo isso. Antes sequer dava para ver.

Ao longo desses 30 anos, onde avançamos por causa da estabilidade?

Bom, nós tínhamos uma doença terminal, a hiperinflação. Claro que os países não morrem, mas eles conseguem afundar cada vez mais e mais e mais. Era o tipo de trajetória que a gente vinha tendo, de aprofundamento de tudo que a gente tem de ruim, de desigualdade, de pobreza, de tudo isso. A inflação causa isso tudo, a inflação era um combustível importante para desigualdade, pobreza, problemas, enfim, críticos para nós. Tirar a inflação já melhora esse panorama, não elimina o problema, mas nos melhora e nos coloca em posição de endereçar esse problema, ou do crescimento, de uma forma inteligente.

Ainda estamos vivendo problemas com os estados?

A União e os Estados e os municípios, no ambiente de inflação, meio que não tinham limites para irresponsabilidade. Parecia não haver consequência também, porque era como se houvesse uma fábrica de papel pintado que aparentemente resolvia os problemas quando criava outros maiores do que aqueles que resolvia. E era preciso encerrar esse ciclo colocando todas essas unidades públicas, a União, os estados e os municípios, bem como os bancos públicos, todos vivendo dentro dos seus próprios meios para simplificar bem a história. E ninguém tinha contas equilibradas. A União tinha um déficit gigante, os estados tinham déficits gigantes, a Previdência tinha déficit gigante, os bancos públicos todos quebrados, os estaduais, federais. Ou seja, o estrago que a inflação fez no decorrer do tempo em tudo o que era público é incomensurável. Acho que um dos acertos do real foi escalonar os problemas. Não dá para resolver tudo de uma vez e demorou muito tempo.

Os acertos com os estados foram se desdobrar ao longo de vários anos. Quando o real foi disparado, já tínhamos feito umas duas rodadas com refinanciamento desses estados e programas de ajustes e já ajustando os bancos. Junto com o real, veio uma nova disciplina de supervisão bancária. Com a adoção do convênio de Basileia (que estabeleceu recomendações para as exigências mínimas de capital para instituições financeiras), o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), tudo isso foi inventado ali, naquele momento, para lidar com uma situação crítica de crise bancária aberta. Isso que os americanos depois tiveram em 2008, nós tivemos muito pior, na nossa proporção, é claro, e tivemos que lidar com isso como uma cirurgia de peito aberto. Mais de cem bancos quebraram naquele momento, enfim, com custos, mas resolvemos.

Para isso não apenas tivemos que praticamente extinguir a ideia de banco estadual, porque os estados não podem ter nada que se pareça com o Banco Central. O Banco Central só um pode ter um que é da União e os bancos comerciais federais, o Banco do Brasil e a Caixa, têm que funcionar igual a outros bancos e não como filiais do Banco Central ou matrizes do Banco Central, como alguns deles achavam que eram. São mudanças dificílimas de fazer, começando ali no momento da inflação, onde todos os maus hábitos do mundo eram a regra.

Cada uma dessas batalhas teve o seu tempo . Não foi só a noite da URV, foram anos de trabalho, muitos deles reformas que se desdobraram e ainda estão em andamento. Algumas já ficaram para trás. Resolveu, mas às vezes volta. Os estados, como você lembrou bem, estavam arrumados quando veio a Lei de Responsabilidade Fiscal, no ano 2000, e ali tinha uma métrica que era o nível de endividamento e o nível de comprometimento das receitas com a folha de pagamento. Com base nisso, a União funcionou como uma espécie de FMI da Federação e financiou os estados. Mas aí, mais adiante, o governo Dilma Rousseff estragou tudo de novo (houve renegociação das dívidas em 2014, mudando os termos acertados no acordo de 1997, com mudança no indexador e redução de juros). Estava na hora de fazer uma outra lei de responsabilidade fiscal. Isso é assim mesmo. Alguma coisa precisa refazer, corrigir o curso. Ou vem um outro governo que estraga tudo e começa tudo de novo. E assim é a democracia, tem alternância no poder, tem choques que vêm de fora, que vêm de dentro. A vida econômica, infelizmente, é muito instável.

“Mais de cem bancos quebraram, veio uma nova disciplina de supervisão bancária. Isso que os americanos depois tiveram em 2008”

Você tem falado muito do risco das pequenas inflações, que a estabilidade é uma coisa conquistada, mas que você tem que mantê-la. Qual o risco que corremos?

Quando fizemos o Real, a inflação brasileira estava na faixa de 50% ao mês, que é 12.500% ao ano. Então, quando hoje a gente discute a meta de inflação anual de 3%, parece um excesso de zelo. Mas não, a pessoa que foi viciada não pode tomar um drinque sozinho e achar que é tudo normal. Não é! Nunca mais. A gente tem que ter muito zelo nesse assunto, porque toda a tecnologia desse vício, a correção monetária, está na cabeça das pessoas, dispara um pouco de inflação e começa tudo a degringolar. Não pode nunca voltar para aquela situação de antes.

Temos proteções para isso. Nossas instituições, sobretudo referentes à governança da moeda, estão bem protegidas. Pode sempre estragar. Um mau governante, um mau momento do país, da política pode sim estragar tudo. E é mais fácil ainda para um país que já viveu esse estrago e parece que não tem medo. Quem já foi viciado descontrolado, sabe como é difícil a sobriedade. Vamos ter que cuidar da nossa saúde com muito zelo daqui para frente.

Como foi a mudança do câmbio fixo para o flutuante (o novo regime foi adotado em 1999, após a saída de Gustavo Franco da presidência do Banco Central), no meio de uma campanha eleitoral?

Agora, olhando em perspectiva, não foi isso tudo não. A temperatura do assunto estava alta por causa da eleição. E que tal como em 1998, como em 1994, a oposição dizia que era tudo uma farsa e que o câmbio era um artificialismo mantido exclusivamente para ganhar a eleição. Falou isso em 1994, insistiu, insistiu, perdeu em 1998 a mesma coisa, mas quatro anos depois... (Lula, do PT, venceu a eleição em 2002). E aí outras crises vieram, outros assuntos dos bancos, os estados, bancos federais, bancos estaduais, várias agendas foram e voltaram. Esta do câmbio foi mais uma, quando passamos para o flutuante. Segue o jogo. Não tinha nada de artificial. O real está aí até hoje. Não tinha nenhum truque, nenhuma farsa. Ninguém teve perda. Essa conversa acabou.

Mas, naquele momento, tinha uma pressão para sair do câmbio fixo, ir para flutuante, da própria equipe econômica, mas tinha uma pressão para manter o câmbio fixo, como era véspera da eleição. Como foi lidar com isso?

Teve esse tipo de pressão. Desculpa, mas teve todos os dias, desde o começo, em câmbio, como no juro, como no Tesouro Nacional em cada leilão do Tesouro, sabe? Faz congelamento, não faz congelamento? A conversão de salários é pela média ou pelo pico? Qual o valor do salário mínimo? O plano econômico é cheio dessas coisas críticas. E o câmbio era uma delas. Agora, acho que o câmbio foi uma decisão muito boa, porque como é que se vai fazer um plano de estabilização sem ter o fiscal, sem ter uma porção de coisa que nunca é o ideal.

Fazer qualquer plano de estabilização é tomar decisões em condições bem piores que as ideais, sob incerteza. E aí é o seguinte, em 1998, nessa segunda eleição, a inflação foi 1,6% no ano para os 12 meses, para quem saiu de 12.500% ao ano em junho de 1994. E aí o pessoal reclama que está tudo errado, entendeu? Não está, não, desculpa. A discussão sobre o câmbio virou um grande batalha de Itararé sobre a farsa que era o Plano Real. Não tinha farsa nenhuma. Esta aí até hoje. E a mudança para o câmbio flutuante não era desfazer absolutamente nada de tão básico no plano. Na verdade, o plano nasce com a moeda flutuando em julho de 1994. É um espinho na garganta de quem perdeu a eleição em 1994 e 1998. E essa coisa de que era tudo uma farsa. Desculpe, não era não.

Em algum momento, você achou que o plano poderia fracassar, que a inflação poderia voltar?

Todos os dias, todos os dias. Porque a rotina desse tipo de esforço é todo dia uma encrenca. Todo dia uma não, todo dia tem 40 encrencas, 20 a favor, 20 contra e todo dia você acha que quando foi bom foi por pouco. E quando perde, perde por pouco também. Tem dias muito ruins, dias que você acha que acabou tudo, más notícias e tem os dias bons. Eles se alternam e de algum jeito você vai avançando, avançando, avançando e quando você vê se já ultrapassou muita coisa, chegou onde você não imaginava que podia chegar. Foi assim. Ninguém tinha certeza, tínhamos convicção, que é diferente, mas não se sabe se vai tudo funcionar, se todas as peças vão voltar ao lugar.

Esse livro que a gente fez agora dos 30 anos, a gente buscou os textos que nós escrevemos nos aniversários. E aí se percebe a evolução, como estava o campo de batalha. Não se tinha muita certeza de nada. Na verdade, sempre muita preocupação com o que tinha para vir, já que muito do fundamento de um plano como esse, que muda a trajetória futura do país, depende de coisas que ficaram por fazer, reformas que foram prometidas e que, muitas das vezes, demoraram anos para sair do papel. Tem que mostrar progresso todos os dias. E teve dias muito ruins.

Quais?

Eu acho que vale recordar a véspera do primeiro dia, que foi 28 de fevereiro de 1994, quando teve a reunião ministerial para fechar o texto da medida provisória que criou a URV (Unidade Real de Valor que era corrigida diariamente e depois se converteu no real em 1º de julho de 1994). O presidente (Itamar Franco) chamou para uma reunião de alguns ministros no Palácio. Fernando Henrique (Cardoso, ministro da Fazenda) foi e levou assessores. Eu e Murilo Portugal, secretário do Tesouro, ficamos na antessala para se precisassem de algum esclarecimento técnico. Chamaram a gente uma vez, duas vezes, três vezes. E aí disseram: “Fica aí” e ficamos. Assistimos a reunião inteira que começou umas 10h e a gente deve ter entrado meio-dia na reunião e ficou até as 8 da noite. Nesse dia, eu vi o ministro da Fazenda pedir demissão três vezes, não foi uma, foram três vezes. Levantar da mesa e dizer: “Assim não dá. Se for para fazer desse jeito, eu vou me embora. Fazem vocês”. Tudo isso podia não ter acontecido na véspera.

O que ele se recusou a fazer?

Desses três assuntos, um era conversão de salários pelo pico, o outro era congelamento de preço e outro era salário mínimo cem dólares. “Se é para fazer o Plano Cruzado de novo, não vai ser com a gente”. E o ministro foi firmíssimo. “Ah, é para fazer assim? O presidente que sabe, mas então não é comigo, nem conosco. Vamos todos embora.” Não, senta aí, e retoma a conversa. Conseguimos que o presidente assinasse a medida provisória exatamente como nós propusemos a ele. E deu certo.

O que você acha que faltou fazer?

Se eu fosse escolher uma coisa, a revisão constitucional, que era para ter acontecido cinco anos depois da promulgação, em 1993. Houve uma decisão política das lideranças da ocasião, presidente, outros líderes políticos que não iam fazer. Acho que o pessoal da área política percebeu que a estabilização traria uma onda grande de reformas. O pensamento político foi: ah, então deixa eles fazerem do jeito normal das emendas constitucionais, com duas votações nas duas casas. Vai demorar uns 20 anos a mais, mas fica mais legítimo. Raciocínio político. Foi um erro, no meu modo de ver, reforma da Previdência, vamos ter que fazer outra, agora, a trabalhista, a abertura do petróleo, algumas ficaram para trás que a gente nem lembra. A que abriu as telecomunicações, que fez todo mundo ter celular foi lá atrás, no começo do governo Fernando Henrique. Tudo poderia ter acontecido em 1993. O tempo que a gente perdeu. A do saneamento estamos fazendo agora, nem começou direito ainda. Quantas pessoas morreram de doença por causa de mosquito, de saneamento ruim ou do dano ambiental de esgoto no mar, nos rios, esse tempo todo? Não é brincadeira adiar essa agenda de reformas. Poderíamos ter começado isso em 1993, mas não. A decisão foi fazer do outro jeito mais difícil. E aí, claro, mais difícil, mais tempo, mais custo. Talvez nisso esteja a essência das resistências que nós enfrentamos à estabilização. Muitos interesses são feridos. Todo mundo que ganhava de algum jeito com a inflação reagiu contra o Plano Real, seja porque achava que o câmbio estava errado, o juro estava errado.

O economista Edmar Bacha fala que falta a abertura comercial. Também tem essa opinião?

Uma conversa difícil de entabular naquela ocasião era conversa sobre produtividade, era reconhecer que o Brasil é um país de baixa produtividade, por isso de baixa renda per capita. E muito disso tem a ver com ser um país fechado, com essa ideia louca de substituição de importação e autossuficiência. Na minha cabeça está totalmente obsoleto, mas era talvez muita coisa para dizer naquele momento. Hoje parece fácil dizer que a irresponsabilidade fiscal é uma coisa ruim. Naquele tempo, não. A ideia não morreu, mas está pequenininha hoje. Mas a autossuficiência continua sendo uma vaca sagrada e o Brasil continua sendo um país fechado, de baixa produtividade. Essa talvez seja a mãe de todas as reformas. Temos um grau de abertura hoje que é o mesmo de 50 anos atrás, talvez um pouquinho maior, quando o mundo inteiro cresceu com base na expansão do comércio exterior, sobretudo a Ásia. A conclusão é que a estratégia de autossuficiência fracassou. Como fracassou lá na União Soviética. Mas era uma reforma que pareceu um pouco além do seu tempo naquele momento. Falar de privatização, por exemplo, também já era um assunto difícil. Hoje em dia, ninguém ou pouca gente se lembra que temos celular falando com todo mundo lá no WhatsApp porque teve privatização da telecomunicação. Se dependesse da Telebrás ou das companhias telefônicas estaduais, sem ferir ninguém, não tinha zap hoje em dia..

A abertura nunca conseguiu decolar. Ficou para um outro momento que não chegou ainda. Talvez seja a grande reforma do século XXI, da segunda metade do século XXI, que possa talvez fazer o Brasil virar um país rico que ele não virou. Eu achei que isso aconteceria no meu período. Depois que eu me formei — em 1979 — eu falei no meu discurso formatura, falando que o Brasil vai, enfim, ser um país rico daqui a 30, 40 anos, quando eu me aposentasse, pois eu me aposentei, já estou aposentado e nada. Não aconteceu. É uma frustração da minha geração. A gente conseguiu acabar com a inflação, mas não fizemos o Brasil virar um país rico. Isso vai ficar para a próxima geração de economistas. Talvez a abertura seja a grande chave para fazer a produtividade brasileira crescer. Abertura produz competição, concorrência. Nada melhor do que concorrência para fazer todos mundo trabalhar melhor. Talvez venha, tomara que não demore muito.

Algumas pessoas chegaram a comparar os efeitos da Reforma Tributária que foi aprovada recentemente ao real. Acha adequada essa comparação?

De jeito nenhum. Eu pessoalmente não acho que esta Reforma Tributária tenha nem de perto nada parecido com o Plano Real. Ela resolve algumas das distorções que o Brasil tem no sistema tributário, até porque se concentra em uma área específica que é a dos impostos de consumo. Onde, sim, temos muita disfuncionalidade na federação, já que os estados têm autonomia para criar impostos sobre valor adicionado e a União também. Os municípios também. Era preciso organizar. Há um ganho em organizar isso, mas outra ordem de grandeza em matéria dos benefícios.

“Se a gente, como nação, não for capaz de substituir os dirigentes do Banco Central sem fazer bagunça, há algo de errado com a gente”

Como você vê o comportamento do Banco Central autônomo, com o presidente do BC trabalhando com um presidente da República que não o indicou?

Eu acho que foi um super progresso que fez com que essa eleição, polarizada como foi, não tivesse causado nenhuma turbulência financeira ou monetária. O Banco Central de Roberto Campos Neto fez a taxa de juro ir para 2%, que foi a menor Selic da história, em razão da pandemia. Depois teve que subir porque 2% foi demais, durante a eleição. Não pense que isso foi fácil para o presidente que estava disputando a eleição. Em seguida, o presidente de agora se queixa que está demorando para cair. Todo mundo se queixa, sinal que está fazendo o que tem que fazer, que é proteger a nós, cidadãos, do mau uso que os políticos podem querer fazer da moeda. Ele está lá para evitar que isso aconteça.

Em algum momento, no final do segundo ano desta presidência, é o momento em que três dirigentes do Banco Central esgotam seus mandatos e novos nomes serão submetidos ao Senado e vão ser sabatinados. E aí o presidente Lula terá nomeado sete de nove diretores. Ou seja, é uma transição gradual no Banco Central e, mesmo assim, será preciso ver se os nomes que o presidente Lula trouxer vão alterar o jeito de funcionar. Até agora não. O presidente Lula já foi presidente em duas ocasiões e não aconteceu nada com o Banco Central. Funcionou igualzinho como funcionava antes no Lula um, Lula dois. Teve Dilma um e dois. O Banco Central tem 30 anos, está funcionando mais ou menos do mesmo jeito e vai funcionar desse jeito provavelmente nos próximos 30 anos. Agora serão três novos dirigentes, incluindo o seu presidente. Eu suponho, que o normal é que não aconteça nada de muito diferente. Durante esse período não aconteceu nada, nem é para acontecer nada demais numa alternância democrática. Se a gente, como nação, não for capaz de substituir os dirigentes do Banco Central sem fazer bagunça, há algo de errado com a gente. Não, vamos fazer isso direito. Tenho certeza que vai acontecer tudo certinho.

O Estado de S.Paulo - SP   24/06/2024

Terremoto na economia: o dólar sobe, o mercado se agita e o presidente Lula briga com o Banco Central num momento de inflação em alta e temor de um buraco maior nas contas públicas. As projeções hoje inquietantes – inflação próxima de 4% e rombo fiscal de 0,7% do PIB neste ano – seriam festejadas há 30 anos. Naquele momento, o governo implantava um novo plano para tentar, mais uma vez, conter os preços disparados e arrumar a bagunça nos mercados. Em 1993 o aumento do custo de vida havia batido em 2.477%. Era urgente deter a onda inflacionária. Mas um sucesso duradouro dependeria de uma reordenação financeira em todos os níveis da administração pública. A grande mudança, no entanto, havia começado. Um programa de ajuste e reconstrução seria implantado sem mágicas, sem grandes truques e sem tentativas de contornar a realidade. Uma economia renovada poderia surgir a partir de 1994.

Pela primeira vez, em muitos anos, a luta contra a inflação envolveria um plano de longo prazo, com mudanças em todos os níveis da administração pública. A Lei de Responsabilidade Fiscal, em vigor a partir do ano 2000, é um dos produtos desse esforço. Mas o produto mais importante, especialmente para as famílias assalariadas e também para as mais pobres, foi o retorno a um mundo de preços menos desordenados, mais previsíveis e menos massacrantes.

Há excelentes motivos para a celebração dos 30 anos do Plano Real. O trabalho iniciado pelo governo em 1993 e 1994 permitiu ao Brasil a superação de uma longa fase de insegurança. No País entregue ao primeiro governo petista, no começo deste século, a administração pública poderia funcionar com eficiência muito maior. Essa mudança valeria também para o Banco Central, com melhores condições para conduzir a política monetária e contribuir para a segurança e a previsibilidade econômicas.

O primeiro presidente petista, Luiz Inácio Lula da Silva, permitiu-se, no entanto, acusar o governo anterior de haver deixado uma herança maldita. Foi incapaz de reconhecer o enorme trabalho de recuperação econômica realizado na década anterior, mas obviamente se beneficiou desse esforço. O novo governante ainda teria de vencer as incertezas do mercado, resultantes, inegavelmente, de sua imaturidade e de tropeços políticos nunca superados – até hoje – de forma suficiente.

Mas seguiu o conselho de um companheiro, numa demonstração de bom senso, e convidou para a chefia do Banco Central uma figura respeitada no mundo financeiro, Henrique Meirelles, por vários anos ligado ao Banco de Boston. Em sua nova função, Meirelles teve sucesso no controle da inflação e contribuiu para a respeitabilidade da administração petista.

Para os negócios, a estabilização realizada no fim do século passado favoreceu a administração mais segura e com melhores condições de planejamento. Ao funcionamento mais eficiente do mercado interno somou-se a facilidade maior de programar e conduzir o comércio exterior. A política de câmbio implantada na passagem do século 20 para o 21 favoreceu a ação das empresas no mercado internacional e reforçou a segurança das contas externas.

As novas condições do balanço de pagamentos, beneficiadas pelas mudanças domésticas e pelo maior ingresso de capitais, consolidaram avanços acumulados a partir da segunda metade dos anos 1980. Neste século, o País atravessou sem grandes danos os piores momentos do mercado externo. Mas a economia brasileira ainda permaneceu muito fechada. Beneficiou-se menos do que seria possível das mudanças no mercado global, mas sem grandes abalos nas fases de maior insegurança.

Os brasileiros mais jovens desconhecem os dramas ocasionados por uma crise de balanço de pagamentos. Há mais de um quarto de século a balança comercial tem sido regularmente superavitária. Além disso, em todo esse período as contas externas e a atividade interna têm sido reforçadas pelo ingresso de bom volume de investimentos estrangeiros.

No ano passado entraram no País US$ 64 bilhões de investimento direto, volume superado somente pelo total destinado aos Estados Unidos, US$ 341 bilhões, segundo a Organização das Nações Unidas. No primeiro trimestre deste ano o ingresso no Brasil chegou a US$ 23,3 bilhões, de acordo com o Banco Central. Mas o fluxo acumulado em 12 meses diminuiu desde o ano passado, indicando, talvez, alguma insegurança do investidor estrangeiro.

Um governo prudente leva em conta, de modo geral, as percepções e avaliações desse investidor, uma figura sempre relevante para a estabilidade e a segurança da economia nacional. Apesar de muito empenhado na diplomacia e na busca de um papel internacional, o presidente Lula parece desconhecer, no entanto, os efeitos externos de seus destemperos e de seus ataques grosseiros ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Um presidente mais equilibrado, mais empenhado em administrar e mais preocupado com a dignidade de seu cargo tornaria mais fácil a comemoração dos 30 anos do Plano Real e do início da recuperação econômica do Brasil.

IstoÉ Dinheiro - SP   24/06/2024

Se tudo no Brasil se torna palco para polarização, não é surpresa que o andamento da política monetária brasileira também vivesse seu Fla x Flu particular. De um lado, a escola keynesiana do presidente Lula. Do outro, o estilo liberal de Roberto Campos Neto. No meio deles? O andamento da Selic. Depois de esbravejar publicamente sobre um suposto conflito de interesses do presidente do BC na condução da taxa básica de juros e alegar influência ideológica em suas decisões, Lula — que já não vive um de seus melhores momentos da terceira gestão — tomou um 9×0 na decisão colegiada sobre o andamento do da Selic, e precisou engolir até os diretores indicados por ele acompanhando a decisão do presidente Roberto Campos Neto.

A derrota já era esperada, mas a goleada foi a surpresa. Agora, durante os acréscimos do jogo comandado por Campos Neto, Lula obteve a desculpa perfeita para mudar o comando do Banco este ano, ato que pode aumentar a influência política nas decisões e diminuir a independência da autarquia.

A disputa entre Lula e Campos Neto pode parecer apenas um palanque eleitoral, mas esconde uma discussão secular em países desenvolvidos.
• Reduzir os juros e estimular a economia (mas ficando à mercê de um aumento da inflação e comprometendo a renda da população)
• ou segurar os juros mais altos e frear o crescimento econômico (mantendo a inflação sob controle e, assim, sustentando o poder de compra do cidadão)?
• Fica evidente qual lado cada um dos personagens dessa narrativa está e, por enquanto, vence a do presidente do Banco Central.

A nota da autoridade monetária revelou que os nove diretores votaram pelo fim do ciclo de cortes e indicaram a incerteza no cenário global e doméstico, além de expectativas desancoradas, os responsáveis pela decisão de ter cautela. O comunicado do BC também reforçou o compromisso do órgão com a meta de inflação. “Eventuais ajustes futuros na taxa de juros serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta”, informou.

FUTURO

Os tempos vitoriosos, no entanto, podem estar com os dias contados.

Em seis meses termina o mandato de Campos Neto à frente do BC. E o próximo escolhido de Lula tende a ter características diferentes das do atual mandante.

Em entrevista à CBN, Lula elencou características que espera do seu escolhido. “Precisa ser maduro e calejado”, afirmou. A frase serviu para alimentar expectativas do mercado. Fontes ligadas ao presidente dizem que não há definição sobre nomes, mas não descartaram Aloizio Mercadante (presidente do BNDES) e o ex-diretor do BC Luiz Awazu. Henrique Meirelles, que já foi presidente do BC durante a gestão de Lula, é um nome que agradaria ao mercado, mas não parece ser bem aceito pela cúpula petista. Por fim, duas figuras já conhecidas de Lula e com baixa aceitação do mercado. Os ex-ministros Guido Mantega e André Lara Resende, economista que também já presidiu o BC.

A decisão que parecia mais óbvia até a reunião do dia 19 de junho era a de Gabriel Galípolo, que foi secretário do Ministério da Fazenda e indicado por Lula para a diretoria do BC. A possibilidade, no entanto, perde força com a unanimidade nos votos pela manutenção.

Outro fator que pode distanciar Galípolo da cadeira de Campos Neto é a votação, no Senado Federal, sobre a autonomia financeira do BC. O assunto não é bem visto no Palácio do Planalto, que entende que tal independência afasta as decisões da autarquia dos interesses nacionais. Para Lara Resende, a medida seria “um retrocesso de 100 anos”.

PRÓS E CONTRAS

Na cadeia produtiva estão os principais críticos à gestão de Campos Neto, e onde o presidente Lula deve buscar apoio na escolha do novo comandante. A continuidade da taxa em dois dígitos coíbe a obtenção de crédito na ponta, dificultando a aquisição de ativos de alto valor agregado tanto entre consumidores, quanto empresas.

- O presidente do Sebrae, Décio Lima, afirmou que a decisão “não atende aos interesses do povo brasileiro”. Segundo ele, a cautela sinalizada com o ambiente doméstico e internacional não sustenta a decisão. “Se a inflação está em 4% não faz sentido uma Selic em mais de 10%. Uma medida que beneficia apenas os rentistas e o mercado financeiro”, disse.

- De modo similar pensa a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo Ricardo Alban, que preside a entidade, a manutenção do ritmo de corte, de 0,25 ponto percentual, seria mais adequada ao momento. “Seria o suficiente para mitigar o risco financeiro suportado pelas empresas e consumidores sem prejudicar o controle da inflação”, afirmou. Na avaliação dele, a imposição de mais restrição à atividade econômica cobrará um preço no crescimento do PIB, em um cenário em que a atividade já se mostra mais reticente que em 2023. Além disso, complementa o executivo, se houvesse o corte, a taxa de juro real ficaria em 6,4% ao ano, “ou seja, 1,9 ponto acima da taxa de juros real neutra, ainda denotando política monetária fortemente contracionista”.

- A Associação Paulista de Supermercados (Apas) afirmou que a decisão já era esperada, e teme que os efeitos dela sejam sentidos na redução da atividade, menor volume de vendas e menos disposição do empresariado em investir.

- A Confederação Nacional do Comércio (CNC) entende que a alta alavancagem das varejistas do setor, que enfrentam alto endividamento e uma crise mais profunda que os setores de serviços e indústria, vão sentir o peso da decisão, o que irá coibir movimentos de expansão.

No mercado financeiro, a notícia foi bem recebida. Os agentes do mercado entendem que a contração da economia neste momento será importante para uma retomada mais pujante ano que vem, e que a pressa poderia atrapalhar tal processo.

- O economista André Perfeito, por exemplo, entende que a manutenção não representa de um fim definitivo do ciclo, mas a contenção para reajuste adiante. “Vi com bons olhos a decisão, porque isto tirará parte da volatilidade do mercado que, por sua vez, diminuiu os prêmios de risco.” Para ele, o não-corte tem a capacidade de reduzir os juros de longo prazo, o que também alivia as dívidas de empresários e equilibra o mercado futuro.

- Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, é preciso olhar o futuro. Segundo ele, a nota enviada pelo BC, a projeção é que, mantido o patamar atual da Selic, a inflação ficaria em 3,1 % ano que vem, o que seria muito próximo da meta. “Gostei do comunicado e acho que a unanimidade da votação mostra a segurança da definição.”

Discutir se os efeitos negativos da Selic alta e da contração econômica são maiores que os trazidos pelo descontrole da inflação e seus desdobramentos na vida real é o mesmo que questionar lados no Fla x Flu. Há argumentos para as duas sentenças mas, no final, vale a regra de quem marcar mais gols. Desta vez, a vitória foi da contração.

O Estado de S.Paulo - SP   24/06/2024

Apesar das fortes críticas direcionadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, os juros reais (descontada a inflação) no País hoje estão menores do que nos primeiros mandatos do atual governante petista.

Na época, o Banco Central era presidido pelo economista Henrique Meirelles, indicado por Lula, mas o País não havia acumulado reservas internacionais, que reduziram drasticamente o risco de um calote externo por parte do governo brasileiro – e ainda havia dúvidas sobre a política econômica que seria implementada pela gestão petista.

Pela métrica dos chamados juros reais “ex-ante”, que descontam da Selic futura as expectativas de inflação, a média dos juros reais no governo Lula 1 foi de 19,4%, caindo para 11,8% no segundo mandato de Lula, e agora está em 7,9%.

O gráfico abaixo, compilado pela agência de classificação de risco Austin Rating, mostra, todo o período dos juros reais por essa métrica desde 1999, trimestre a trimestre. Os juros reais eram extremamente elevados no início dos anos 2000, principalmente pela vulnerabilidade externa que o País sempre enfrentou ao longo de todo o século 20 – e que foi motivo de várias crises econômicas. Os juros mais altos atraiam capital especulativo, o que era crucial para conter o déficit em conta-corrente que provocava esse desequilíbrio externo.

Com o aumento das exportações de commodities puxadas pela China - especialmente minério de ferro e soja - e o acúmulo de reservas internacionais - que saltaram do patamar de US$ 37 bi para US$ 370 bilhões - , o Brasil conseguiu se tornar credor externo líquido, o que contribuiu para a redução dos juros.

Além disso, o presidente Lula manteve a política de superávits primários ao longo dos seus dois governos, o que reduziu o endividamento do governo, além de ter dado autonomia na prática para o Banco Central perseguir a meta de inflação. Isso manteve as expectativas ancoradas.

“Os dois presidentes dos Banco Centrais sob Lula tiveram ações diferentes. Meirelles precisou ser mais contracionista do que Roberto Campos Neto, agora”, afirmou Alex Agostini, economista-chefe da Austin.

No governo Dilma Rousseff, os juros caíram ainda mais, mas de forma artificial, com forte pressão política sobre Alexandre Tombini, então presidente do Banco Central. O resultado, ao contrário do que esperava a equipe econômica, foi aumento da desconfiança, desancoragem das expectativas de inflação e redução do crescimento econômico. Rapidamente os juros voltaram a subir, atingindo um novo pico no governo Temer.

Roberto Campos Neto assumiu a presidência do BC em 2019, no governo de Jair Bolsonaro. Em 2020 e 2021, os juros reais chegaram a ficar negativos, mas por causa da pandemia de coronavírus, como uma forma de estimular o crescimento, em uma política “anticíclica”. Na média, eles foram de 0,6% nos quatro anos de mandato de Bolsonaro.

Para o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, os dados reforçam a percepção de que as críticas de Lula ao atual presidente do Banco Central estão exageradas, e que o BC vem realizando um trabalho técnico na condução da política monetária. Isso inclui os votos dos quatro diretores já indicados por Lula, que também optaram por manter a Selic em 10,50% ao ano (taxa nominal, sem descontar a inflação) na reunião desta semana.

“As críticas estão totalmente fora de contexto. Se os juros estivessem excessivamente altos, a inflação estaria mais baixa, a atividade estaria afundando, e o câmbio bem mais apreciado”, pontuou.

CNN Brasil - SP   24/06/2024

A desvalorização do real superou as perdas do peso argentino, colocando a moeda com o segundo pior desempenho do ano, de acordo com levantamento feito a pedido da CNN por Einar Rivero, sócio fundador da Elos Ayta Consultoria.

A pesquisa considerou 23 moedas globais. Ao longo da semana, até a quarta-feira (19), o real tinha a maior desvalorização do índice.

Mas, nesta sexta-feira (21), a divisa norte-americana fechou em queda de 0,38%, dando um pequeno alívio para o real. O dólar era negociado em R$ 5,441, registrando, ainda assim alta de 1,12% na semana. No ano, a valorização do dólar em comparação ao real vai ainda mais longe: 12,40%.

O que chama atenção é que a moeda brasileira passava por um momento positivo forte no final do ano passado. Entre os fatores que impulsionaram os ativos brasileiros, estava a perspectiva favorável em relação ao exterior.

Alexandre Cabral, professor de Finanças da Saint Paul Escola de Negócios, explica que esse sentimento otimista atraiu os investidores estrangeiros ao país, levando a cotação da divisa norte-americana para baixo. No fim de dezembro, o dólar era negociado na faixa de R$ 4,90.

“[O capital externo] veio para o Brasil com a esperança de que os juros nos Estados Unidos caíssem em março. Se o juro cai nos Estados Unidos, a moeda vai para o mundo”, explica.

Mas Cristiane Quartaroli, estrategista de câmbio e economista-chefe do Ouribank, relembra que o movimento era uma antecipação por um momento que eventualmente não veio a acontecer com o adiamento dos cortes dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA).

“Isso também favorecia as moedas emergentes de forma geral”, explica.

Porém, 2024 começou desfavorável para a realização desses cortes nos EUA. A economia norte-americana vem mostrando resiliência, com um mercado de trabalho aquecido, atividade mantendo força, além de preocupações com a trajetória da inflação.

“Diante deste cenário, e de fatores geopolíticos que também influenciam este movimento, como os conflitos de abril entre Irã e Israel, o Federal Reserve postergou o início do ciclo de cortes de juros”, avalia Berenice Damke, professora do Insper e especialista em hedge, derivativos e gestão de riscos financeiros da Damke Consultoria.

Mas não só de decepções com o exterior se fez a valorização do dólar. A queda do real também foi puxada por fatores internos.

Neste aspecto, Damke aponta o aumento da percepção com o risco fiscal, que até o ano passado não havia pressionado tanto o humor dos investidores.

“Em 2023, a valorização do real refletiu o alívio em relação aos temores fiscais. Mesmo com as incertezas em relação às contas públicas, houve uma percepção positiva sobre o mercado de melhora ao longo do ano, dado a aprovação do arcabouço fiscal, e considerando os esforços da equipe econômica para elevar a arrecadação e atingir a meta de déficit primário zero em 2024”, relembra Damke.

Porém, em abril deste ano, a “montanha-russa” entrou no trecho de descida.

Com a revisão da meta fiscal para 2025 — de um superávit primário para déficit zero —, começaram a crescer os temores sobre a responsabilidade fiscal do governo.

“Para o mercado, a alteração da meta sinaliza uma abertura para a ampliação dos gastos por um governo com dificuldades de elevar receitas”, aponta Damke.

A mais recente investida do governo para manter a arrecadação em alta, foi o envio da medida provisória que visa fechar brechas na legislação sobre crédito presumido PIS/Cofins não ressarcível e na compensação PIS/Cofins limitada.

A medida, contudo, foi mal recebida gerou críticas de parlamentares e dos setores da economia, a ponto de ser devolvida na semana seguinte de seu envio.

Com os juros se mantendo elevados por mais tempo nos EUA, o cenário tende a ser desfavorável para o resto do mundo como um todo. Porém, mesmo que o “externo esteja ruim [para todos], o Brasil fica no fim da fila por causa das razões internas”, diz Evandro Buccini, sócio e diretor de Crédito e Multimercados da Rio Bravo Investimentos.

“As metas vêm piorando muito para os próximos anos. E é um problema que vai até o político-econômico com os ataques do Lula ao Banco Central”, aponta Buccini.

Cristiane Quartaroli reforça que esse risco institucional não é bem visto pelo investidor do exterior, que acaba evitando o mercado pelas incertezas que esse risco causa.

“O risco institucional e fiscal no país piora o nosso prêmio de risco, e aí isso traz pressão para a nossa taxa de câmbio, que é o que a gente está vendo mais recentemente e é o que é causa essa divergência entre o real e as demais moedas emergentes”, aponta a estrategista de câmbio e economista-chefe do Ouribank.

Não obstante, a alta do dólar ante o real, apesar de ser observada desde o começo do ano, ganhou muito mais força em abril.

Perspectiva

De acordo com as projeções do Prisma Fiscal, pesquisa de mercado realizada pelo Ministério da Fazenda, a dívida pública deve se estabilizar apenas entre 2032 e 2033 no patamar de 90% do PIB.

“O sarrafo está bastante alto para as pessoas acreditarem nas possíveis mudanças positivas de política econômica dado tudo que aconteceu. Então, o governo vai ter que realmente mudar de direção para convencer os mercados”, avalia Buccini.

Mas há quem defenda que essa mudança já pode estar acontecendo.

“A gente acredita que o governo vai tomar medidas que sejam, não as ideais, mas que próximas do que sejam necessárias para se ter um controle maior dos gastos, e que possam ajudar a dinâmica fiscal em 2025 e 2026”, aponta Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo.

E não só pelo doméstico, mas o exterior tende a ficar mais favorável para o Brasil com a expectativa dos analistas de ao menos um corte dos juros nos EUA ainda neste ano, o que deve tirar parte da pressão sobre os indicadores brasileiros.

“Claro que vai depender muito das questões fiscais, mas pensando em pano de fundo macroeconômico e pensando em cenário externo, a gente deveria ver um dólar mais baixo até o final desse ano”, aponta a economista-chefe do Ouribank.

O último Boletim Focus divulgado pelo Banco Central aponta que o mercado vê o dólar cotado em R$ 5,13 no final deste ano.

O Estado de S.Paulo - SP   24/06/2024

Em entrevista à rádio CBN, o presidente Lula falou pela primeira vez em muito tempo em cortar gastos. Apesar de não vermos ainda sinais concretos, espero que isso se concretize porque é uma necessidade urgente do Brasil.

Em primeiro lugar, devo repetir que reduzir as despesas é necessário para o Brasil voltar a crescer no nível de que precisa, gerando empregos e renda. Não digo isso por convicção ideológica, mas por questões práticas: foi com uma política fiscal responsável, alinhada a uma política monetária equilibrada do Banco Central – então comandado por mim –, que o Brasil cresceu em média 4% ao ano, criou mais de 10 milhões de empregos e 40 milhões de brasileiros saíram da pobreza nos dois primeiros governos Lula.

Não há política social melhor e mais efetiva do que o emprego. Lula criticou subsídios e isenções fiscais, que somam mais de R$ 500 bilhões por ano. O governo federal deve examinar a efetividade dessa política. Mas é necessária uma mudança estrutural. É fundamental fazer uma reforma administrativa, a única alternativa para reduzir o alto custo da máquina pública. A Câmara e o governo têm cada um seu projeto, é possível chegar a um texto único a ser votado.

Em 2022, muitos apoiaram a candidatura de Lula porque acreditavam que seu terceiro mandato seguiria a política econômica responsável dos dois primeiros. Até agora, o governo não fez isso, tem expandido gastos. Espero que as medidas de controle de despesas em discussão na área econômica sejam executadas.

O arcabouço fiscal é um compromisso importante de um governo do PT com o controle da despesa. Seu problema é ser focado em receitas – que o governo não controla – e pouco em despesas – que o governo deve controlar. Só que agora o governo precisa mostrar disposição para cortar as despesas, como têm proposto os ministros Fernando Haddad e Simone Tebet. Da última vez que o Brasil embarcou na política “gasto público é vida”, acabou na maior recessão da história recente.

Uma política fiscal responsável como aconteceu em 2003 e em 2016, seria um caminho eficiente para resgatar a credibilidade, reduzir o ritmo de crescimento da dívida pública e levar a uma Selic menor – que reduziria a despesa com juros e liberaria mais dinheiro para gastos sociais.

Esta equação é mais trabalhosa, mas funciona. A reunião do Copom da semana passada, que interrompeu a sequência de sete reduções da Selic, numa decisão unânime – portanto, com votos dos diretores indicados por Lula –, mostra que é necessário controlar o fiscal para que o Brasil volte a crescer como nos dois primeiros mandatos do Lula.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   24/06/2024

Os preços futuros do minério de ferro caíram nesta sexta-feira e caminhavam para a quarta perda semanal consecutiva, em meio a rumores no mercado sobre um limite à produção de aço bruto na China, principal mercado consumidor do minério.

O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com queda de 1,7%, a 811,5 iuanes (111,76 dólares) a tonelada, o menor valor desde 17 de junho. Na semana, a queda foi de 1,8%.

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O minério de ferro de referência para julho na Bolsa de Cingapura caiu 1,59%, a 105 dólares por tonelada. O contrato perdeu 2,3% em relação à semana anterior.

“Foram principalmente as várias conversas no mercado sobre o corte da produção de aço que pesaram sobre os preços do minério de ferro esta semana”, disse Pei Hao, analista da corretora internacional Freight Investor Services.

As conversas acaloradas sobre as restrições à produção de aço surgiram depois que as autoridades de Fujian se reuniram com as siderúrgicas locais na segunda-feira para discutir detalhes sobre as restrições à produção este ano.
O Departamento Provincial de Indústria e Tecnologia da Informação ainda não respondeu a um fax da Reuters enviado na terça-feira com pedido de comentário.

Mas a demanda resistente, por ora, impediu que os preços do minério caíssem de forma mais significativa, disseram os analistas.

A produção média diária de metal quente entre as siderúrgicas pesquisadas pela Mysteel aumentou pela segunda semana consecutiva, atingindo seu maior valor desde novembro de 2023, subindo 0,3% para cerca de 2,4 milhões de toneladas na semana até 21 de junho, mostraram dados da consultoria.
“Há espaço limitado de alta para a demanda de minério de ferro”, disse Chu Xinli, analista da China Futures, citando que algumas províncias emitiram orientações sobre restrições à produção de aço, os dados de imóveis permaneceram moderados e a demanda de aço diminuiu sazonalmente.

Valor - SP   24/06/2024

Dificuldade é encontrar executivo de mercado disponível para assumir cargo de imediato

Com US$ 64,5 bilhões em investimentos estimados até 2028 e reservas que estão entre as maiores do mundo, o setor mineral coloca o Brasil na dianteira da corrida global pelo fornecimento de metais e insumos críticos para a transição energética. Mas há gargalos que podem comprometer essa posição, mostra estudo da EY, intitulado “A atratividade do setor mineral brasileiro”.

Conhecimento ainda limitado de sua riqueza mineral, com apenas 27% do território mapeado pelo Serviço Geológico Brasileiro (SGB), complexidade do marco regulatório, morosidade do processo de licenciamento ambiental e limitações à captação de recursos financeiros, sobretudo pelas mineradoras menores (conhecidas como “juniors”), aparecem como principais desafios do setor.

“O Brasil é uma potência mineral, não só do futuro, mas do presente. O cenário é auspicioso do ponto de vista da demanda, mas há pontos de atenção do lado da oferta. É preciso ter condições de investimento”, disse ao Valor o líder de energia e recursos naturais da consultoria, Afonso Sartorio, coautor do estudo, que é assinado também pelo diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann.

Com mais de sete mil empresas instaladas, incluindo grandes nomes da mineração (as “majors) nacionais e internacionais, o Brasil se destaca no cenário global, entre outros motivos, pelo tamanho de suas reservas e produção. Além da fortaleza em minério de ferro - a segunda maior reserva do mundo -, o país aparece no ranking dos maiores em nióbio, grafita, terras raras, manganês e níquel, aponta o estudo.

Muitos desses minerais, afirmou Sartorio, terão demanda global crescente com a transição energética, abrindo novas oportunidades para o setor. Carros elétricos, por exemplo, tem quase seis vezes mais quantidade de minerais críticos, cerca de 200 quilos, que os automóveis com motores a combustão. Estruturas solares e de geração eólica também levam esses insumos. Conforme o estudo, enquanto a demanda global de lítio pode crescer até 42 vezes até 2040, a de grafita deve subir 25 vezes e a de terras raras, 7 vezes.

Mas o Brasil precisa estar preparado, do ponto de vista da oferta, para atender a esse mercado. Embora o plano de investimentos do setor seja robusto, está apenas em linha com o que se vê em outras partes do globo - o que não é suficiente para um país com pretensões de potência global, conforme Sartorio. “Se o Brasil não investir, outros países o farão.”

O primeiro desafio mapeado pelo estudo, que pode jogar contra futuros investimentos, é o baixo conhecimento geológico em relação a outros países mineradores, como Canadá e Austrália, que contam com mapeamento mais abrangente e são mais ágeis no compartilhamento dessas informações, muitas vezes oferecendo incentivos à iniciativa privada para atuar nessa frente junto com os órgãos de governo. Por aqui, somente 27% do território está mapeado na escala mínima (1:100.000) adequada para início de um projeto de prospecção mineral.

De acordo com Sartorio, o governo tem feito alguns avanços, via benefícios fiscais ou ampliação de acesso à informação, mas é preciso ir além. “Se conseguir isso, o país vai ser mais atrativo, porque os investidores terão mais facilidade em entender sua potencialidade.”

O Brasil é uma potência mineral, não só do futuro, mas do presente”

— Afonso Sartorio

Na fase exploratória, as grandes mineradoras, como Vale, Anglo American, Kinross, Gerdau e CSN, respondem por 56% dos investimentos executados no país. As “juniors”, mais focadas em exploração, também têm investido, mas o volume de recursos destinados à pesquisa de novas áreas está aquém do feito em outros países.

Essa diferença por ser explicada pelo custo de captação mais elevado para as mineradoras menores, até em função do risco - as “majors” captam recursos com custos 35% menores e prazos mais longos. “Deveria haver mais instrumentos para essas empresas”, disse, acrescentando que a iniciativa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Vale, de constituir um fundo destinado a projetos de empresas menores, é positiva.

Condições menos atraentes para a captação doméstica de recursos se reflete ainda na origem do dinheiro que tem sido aplicado aplicado em projetos de exploração: menos de 1% do total foi levantado internamente em 2023. Nos últimos três anos, as empresas brasileiras de mineração captaram um total de US$ 9,6 bilhões, dos quais 81% em dólares. Na China, esse valor chegou a US$ 327 bilhões e no Canadá, a US$ 68,6 bilhões.

Do lado do marco regulatório, a constatação é que os processos de outorga e licenciamento são mais demorados no Brasil do que em outros países produtores. Já houve alinhamento aos critérios internacionais e melhorias, mas ainda há mais a fazer. A expectativa, agora, gira em torno da publicação do Plano Nacional de Mineração 2050.

Máquinas e Equipamentos

IstoÉ Dinheiro - SP   24/06/2024

Gigante global do setor de máquinas para a construção civil, a britânica JCB quer construir uma nova estrutura de operação – maior e mais robusta – na América Latina. Na última semana, a companhia anunciou um investimento de R$ 500 milhões em suas operações na região, de olho em seu maior mercado, o Brasil. O objetivo é dobrar seu tamanho até 2030, segundo o presidente Adriano Merigli. Trata-se do maior investimento já realizado pela JCB e um dos maiores do setor na região nos últimos anos. “A modernização aumentará a capacidade e produtividade”, afirmou o executivo. “Temos um plano de alinhamento estratégico para os próximos cinco anos, que é duplicar o tamanho da nossa operação no Brasil, que atende a região da América Latina inteira, do México à Patagônia”, disse.

A JCB, embora não seja conhecida pela maioria dos brasileiros, dispensa apresentações no setor da construção.
• A empresa, fundada em 1945, é reconhecida por inventar a retroescavadeira, por exemplo. Hoje ocupa a terceira posição no ranking dos maiores fabricantes globais de equipamentos para construção e uma das líderes mundiais no segmento chamado de máquinas amarelas.
• A JCB possui uma fábrica em Sorocaba (SP), atendendo toda a América Latina, onde são comercializadas retroescavadeiras, manipuladores telescópicos Loadall, pás carregadeiras, escavadeiras hidráulicas de esteiras, miniescavadeiras, minicarregadeiras, rolos compactadores e plataformas elevatórias.

Agora, com esse investimento, a multinacional inicia um novo ciclo de expansão, que ocorre dentro de um planejamento de cada cinco anos. Segundo Merigli, a empresa pretende expandir sua presença nos segmentos de pá carregadeira e escavadeira, com o objetivo de aumentar a produção de 5 mil para 10 mil máquinas. Esses segmentos têm sido atendidos no Brasil há apenas cinco anos, ainda havendo 95% do mercado para explorar.

Desde sua chegada ao país, há mais de 20 anos, a empresa teve em 2023 seu segundo melhor ano, com a venda de 3,5 mil máquinas no mercado interno. “Pretendemos crescer 10% neste ano, enquanto o setor como um todo deve crescer em torno de 5%”, disse Merigli. Parte deste crescimento virá da expansão do portfólio e de uma maior participação de mercado em equipamentos pesados.

ESTRUTURA

Atualmente, a empresa mantém 600 empregados na região, em sua maioria baseados no headquarter regional em Sorocaba. A produção atende a todos os países da região.

O investimento também impactará a economia local. Segundo Merigli, o investimento gerará mil novos empregos, sendo 300 diretos e cerca de 700 indiretos. Além disso, o investimento fortalecerá a rede de distribuição. “Temos a maior rede da linha amarela. Para o cliente, a rede de distribuição é mais importante do que a máquina em si. Portanto, além de focar na produção, precisamos focar no canal de distribuição também.”

As vendas para o setor de construção representam 40% do total, para o agronegócio 25%, e outros 20% para empresas de locação de equipamentos.

No quesito inovação, a companhia se destaca por investir constantemente em novas tecnologias. Para pequenos equipamentos, aposta na eletrificação visando a descarbonização.

Já nos equipamentos de maior porte, opta pelo desenvolvimento de motores de combustão interna a hidrogênio. Para a empresa, o Brasil representa grande potencial para a aplicação dessas tecnologias nos próximos anos. “Estamos no terceiro ciclo, que é realmente o crescimento e a consolidação da máquina. Tivemos o ciclo de chegada, o ciclo de ganho de mercado e agora o terceiro, para participar de uma maneira mais forte em segmentos que ainda não estávamos”, afirmou Merigli.

IstoÉ Dinheiro - SP   24/06/2024

O presidente da Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos (Cseag), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Paulo Bertolini, afirmou que são necessários investimentos anuais de R$ 15 bilhões para que o setor acompanhe o crescimento da agricultura do País, evitando um aumento do déficit de armazenagem de grãos. Este valor considera tanto os custos com equipamentos quanto as despesas com obras civis e infraestrutura e deveria estar contemplado no Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), que faz parte do Plano Safra 2024/25, a ser apresentado na próxima semana pelo governo federal.

A quantia desejada pela Câmara Setorial de Armazenagem seria mais do que o dobro do valor anunciado no ano passado para as duas modalidades do PCA: o principal, com R$ 3,8 bilhões, e o PCA até 6 mil toneladas, com R$ 2,85 bilhões. “Sem esses investimentos, o déficit de armazenagem só vai aumentar, resultando em prejuízos para os agricultores que não têm onde estocar sua produção”, alertou Bertolini.

Ele também mencionou a competição por recursos dentro do PCA como um desafio para o setor de armazenagem. Em sua visão, grandes cooperativas e usinas, que têm melhor acesso a financiamentos, muitas vezes consomem uma parcela significativa dos recursos, deixando pequenos e médios produtores sem acesso ao crédito necessário. “Isso é um problema recorrente e impede o avanço na capacidade de armazenagem, prejudicando especialmente os médios produtores, que dependem desses recursos”, explicou. Uma saída, em sua visão, seria reduzir o limite por tomador, hoje em R$ 50 milhões.

Para resolver essas questões, Bertolini sugere algumas medidas. Uma delas é dar prioridade ao financiamento de armazéns dentro das propriedades agrícolas. Atualmente, apenas 15% da capacidade de armazenagem está localizada nas fazendas.

Ele cita exemplos de países onde essa participação é muito maior, como os Estados Unidos, onde é superior a 60%. “Armazenar dentro da fazenda é essencial para reduzir custos e melhorar a eficiência logística”, defendeu.

Outra sugestão é reduzir o prazo de pagamento dos financiamentos do PCA, que atualmente é de 12 anos. Bertolini argumenta que os bancos geralmente não financiam por mais de nove anos, o que torna o prazo de 12 anos irrealista e provoca efeitos negativos no cálculo da subvenção. “Reduzindo o prazo para oito ou nove anos, podemos otimizar a aplicação dos recursos e atender mais produtores”, afirmou.

Para ele, a principal preocupação do setor é o déficit de armazenagem de grãos, que tem se acentuado ao longo dos anos, prejudicando a eficiência e a competitividade da agricultura brasileira. Bertolini ressaltou que o PCA é fundamental para enfrentar esse desafio. No entanto, ele aponta que os recursos disponíveis têm sido insuficientes para atender à crescente demanda. “A agricultura brasileira cresce em média 10 milhões de toneladas por ano, mas a capacidade de armazenagem aumenta apenas metade disso, aumentando o déficit a cada ano”, afirmou.

Atualmente, o déficit de armazenagem é de 120 milhões de toneladas, de acordo com o dirigente.

AUTOMOTIVO

IstoÉ Dinheiro - SP   24/06/2024

As tarifas reforçadas que a União Europeia (UE) vai impor aos veículos elétricos chineses a partir de julho “não são punitivas”, declarou neste sábado (22) em Pequim o ministro alemão da Economia e do Clima, Robert Habeck.

Número dois do governo da Alemanha, Habeck está em Pequim para o que parece a última oportunidade de evitar uma guerra comercial entre a UE e China, que se opõe de maneira veemente às tarifas adicionais.

A China afirma que as tarifas são “puramente protecionistas” e alertou que adotará “todas as medidas necessárias” para defender seus interesses.

“É importante compreender que não são tarifas punitivas”, disse Habeck, segundo uma gravação da sua declaração transmitida pela embaixada da Alemanha à AFP.

“Há tarifas punitivas. Os americanos fizeram isso, o Brasil fez isso, a Turquia fez isso, ao impor sobretaxas ao conjunto dos veículos chineses. A Europa está procedendo de forma diferente e também há uma diferença qualitativa”, argumentou Habeck.

“Não é uma sanção”, insistiu o ministro.

Se um compromisso não for alcançado até de 4 de julho, a UE adotará um aumento de até 28% nas tarifas de importação dos carros elétricos chineses.

A UE acusa a China de subsidiar a indústria automotiva em larga escala.

As tarifas serão definitivas a partir de novembro.

Em Pequim, Robert Habeck teve reuniões com Zheng Shanjie, diretor da influente Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês), responsável pelo planejamento econômico, e com o ministro do Comércio, Wang Wentao.

“Se a UE demonstrar sinceridade, a China desejará iniciar negociações o mais rápido possível”, disse o ministro Wang, segundo a imprensa estatal.

“Mas se a UE permanecer obcecada por este caminho, adotaremos todas as medidas necessárias para defender os nossos interesses. Isto incluirá uma demanda no mecanismo de resolução de litígios da OMC”, acrescentou.

“Esperamos que a Alemanha demonstre liderança na UE e tome as medidas apropriadas”, ou seja, a anulação das tarifas reforçadas, declarou Zheng, segundo a agência oficial Xinhua.

Pequim já anunciou uma investigação antidumping sobre as importações de carne suína e produtos à base de porco procedentes da União Europeia.

As montadoras alemãs temem um conflito comercial com Pequim e a potencial adoção de medidas de represália contra um setor fundamental para a economia da maior potência econômica europeia.

Para Mercedes, Volkswagen e BMW, entre outras montadoras alemãs, a China representa até 36% de suas vendas.

Em 2023, a China foi o maior parceiro comercial da Alemanha pelo oitavo ano consecutivo. Nos primeiros meses de 2024, no entanto, aparece em segundo lugar, atrás dos Estados Unidos.

IstoÉ Dinheiro - SP   24/06/2024

Há duas horas de São Paulo pela rodovia dos Bandeirantes, na região entre Limeira e Piracicaba, a cidade de Iracemápolis, com seus 21 mil habitantes, se prepara para ser um novo polo tecnológico brasileiro. No segundo semestre de 2024 a fabricante de picapes híbridas chinesa Great Wall Motors (GWM) vai iniciar as operações na fábrica da cidade, que já pertenceu à Mercedez-Benz, deixando tudo pronto para que no primeiro semestre de 2025, inicie a produção de seu primeiro modelo no País, o SUV híbrido Haval H6.

O diretor de relações institucionais, Ricardo Bastos, afirmou à DINHEIRO que a GWM tem uma visão de longo prazo com o Brasil. A escolha da cidade no interior paulista se deu pela estrutura, já preparada, infraestrutura de acesso, com facilidades de fornecimento de mercadorias e autopeças, além das possibilidades de parcerias com outras empresas da região. “Também analisamos questões como regras claras e estabilidade jurídica. Um fator muito importante quando se está chegando a uma região é perceber que as determinações estão expostas” Para ele, apesar de muitos incentivos fiscais em algumas cidades, no fim das contas, o mais importante é trabalhar com previsibilidade.

• A escolha para a produção do SUV Haval H6 foi feita no início deste ano, em uma mudança de planos da empresa, que pretendia fabricar uma picape híbrida no País. No entanto, o volume de vendas e a aceitação do SUV, atualmente importado, pesou na hora da decisão da empresa.

• Para o futuro, a GWM pretende trazer a produção do Haval H4, que também é um SUV híbrido, mas de menor porte.

Na questão fiscal, a GWM também está de olho no aumento do imposto para importação de carros híbridos e elétricos. “O que nós também estamos aguardando, e que deve sair nos próximos dias, é a sanção da lei do programa Mover”, afirmou.

Segundo o executivo, a duração de incentivo que o programa possui, de cinco anos, acompanha os planos da empresa. “É por isso que o nosso investimento está dentro do Mover. A GWM já pediu habilitação ao programa e será qualificada junto com a publicação da lei. A partir desse momento, a gente pode dar início às operações de instalação. Ou seja, o nosso calendário está ligado ao calendário da política pública do Mover”, afirmou Bastos.

Com 40 anos de história, a GWM é a maior empresa do setor automotivo chinês de capital fechado — além de ser a quarta maior fabricante do mundo de picapes médias, segmento que lidera há 24 anos na China, com mais de 50% de participação de mercado. Recentemente, a montadora lançou no Brasil o híbrido plug-in Haval H6 PHEV 2025, automóvel que ficou disponível nas concessionárias agora em junho, chegando ao mercado por R$ 239 mil.

A aposta da montadora no Brasil é alta. Bastos afirmou que com relação às expectativas, a empresa acredita que o mercado vai continuar crescendo em um ritmo em torno de 50% a 60% a cada ano. “Em 2024, talvez até pelas questões de aumentos tributários e normativas, o crescimento deve ser um pouco maior”, disse.

No entanto, a empresa olha para a estabilidade no longo prazo. O cenário-base trabalhado pela GWM é que em 2030, os veículos eletrificados sejam em torno de 30% da frota nacional, quase um terço de veículos híbridos, híbridos plug-ins e elétricos. “Por isso nossa estratégia no Brasil é focar nos veículos eletrificados”, afirmou.
FUTURO

A companhia tem um caminhão movido a hidrogênio que já está rodando na China, fazendo entregas e circulando entre as fábricas e parques de fornecedores. Segundo o executivo, isso mostra a viabilidade do combustível. “Nós queremos começar os testes com esses veículos aqui no Brasil. Obviamente, a grande questão é onde abastecer o caminhão. Por isso, o nosso cronograma de testes também está atrelado à preparação e finalização dos pontos de abastecimento”, disse.

Bastos afirmou que grandes centros urbanos do Brasil terão pontos de abastecimento de hidrogênio com maior abundância. Segundo ele, o objetivo da GWM é substituir o diesel pelo hidrogênio, mais limpo, com uma pegada de carbono neutro, para alcançar a sustentabilidade no transporte rodoviário. A ideia é começar com testes, mas eles acreditam que, no médio prazo o Brasil pode ter caminhões a hidrogênio produzidos aqui.

Exame - SP   24/06/2024

Martín Galdeano é argentino e o novo CEO da Ford para a América do Sul, posto que assumiu em fevereiro deste ano, quando deixou a função de CEO da Argentina. Está na companhia há praticamente duas décadas e já ocupou diversos cargos, incluindo duas passagens significativas e marcantes, segundo ele, pelo Brasil. “Os brasileiros acolhem os estrangeiros de forma realmente especial”, diz.

A experiência marcou tanto a vida do executivo que ele decidiu trazer a família toda para se estabelecer em São Paulo, mesmo que a Ford tenha deixado aberta a possibilidade de ele permanecer em Buenos Aires. Para além da decisão pessoal estão os números. O Brasil é o maior mercado da região, cujas vendas cresceram 40% no ano passado em relação a 2022. Tudo puxado pela Ranger, picape que caiu no gosto dos brasileiros, com mais de 20.000 unidades vendidas no ano passado. O desafio do executivo é manter o ritmo de crescimento, além da demanda dos consumidores por carros menos poluentes.

Pela frente, a Ford tem uma concorrência grande das montadoras chinesas que chegam com ainda mais força por aqui a partir do segundo semestre. Em entrevista exclusiva à Casual EXAME — a primeira no cargo —, Galdeano conta qual é a estratégia da montadora para o Brasil. Confira os principais trechos.

Quais são os lançamentos previstos para este ano? Vamos ver muitas picapes?

Entre janeiro e maio deste ano tivemos 52% de crescimento em relação a 2023. No ano passado foram nove lançamentos, incluindo a Ranger, que é um dos maiores volumes no mercado brasileiro. No segundo semestre chega a nova F-150, que é um dos veículos mais aguardados e representa nosso compromisso com a inovação e a liderança no segmento de picapes. Continuaremos focando essa linha, que vai desde a Maverick até a F-150, incluindo modelos de performance, como a Ranger Raptor. Também vamos fortalecer nossa linha de SUVs, como o Territory, que tem tido ótima aceitação.

Tem-se falado muito em carro elétrico globalmente, mas os movimentos das montadoras no Brasil se encaminham para o híbrido. Qual é a estratégia da Ford para o Brasil?

Nossa estratégia global é o “Power of Choice”, em que o cliente escolhe entre combustão, híbrido ou elétrico. Continuamos investindo nessas tecnologias, com metas claras de neutralidade de carbono até 2050. No Brasil, a preferência tem sido pelos híbridos. Também estamos comprometidos em oferecer opções 100% elétricas. Acreditamos que a combinação de híbridos e elétricos é o caminho para um futuro mais verde e eficiente.

Teremos o híbrido flex?

O híbrido flex é uma solução inteligente para o Brasil, refletindo sua matriz energética limpa e a infraestrutura de etanol. Vemos todas as montadoras investindo nessa tecnologia, e a Ford está acompanhando essa tendência. Embora ainda não tenhamos um prazo específico, estamos investindo em pesquisa e desenvolvimento para aprimorar essa tecnologia e garantir que ela seja viável e atraente para os consumidores brasileiros. Acreditamos que o híbrido flex pode desempenhar um papel crucial na transição para uma mobilidade mais sustentável no país.

A fábrica da Argentina produz a picape da Ford que é a mais vendida no Brasil. Está prevista alguma ampliação?

Há poucos dias inauguramos a fábrica de motores em Pacheco, o que nos dá mais celeridade no processo de produção. A fábrica e o centro de desenvolvimento no Brasil são fundamentais, com mais de 1.500 engenheiros trabalhando em tecnologias que estão em todos os nossos carros. A colaboração entre as unidades de produção na Argentina e no Brasil é crucial para a nossa estratégia de longo prazo.

No próximo semestre, pelo menos cinco montadoras chinesas devem desembarcar no Brasil. Qual é a estratégia da Ford para lidar com essa concorrência?

A expansão das montadoras chinesas é uma realidade global. Elas trazem produtos interessantes e aumentam a concorrência, o que é bom para os consumidores. Nós também importamos da China e temos parceiros lá. Acreditamos que a concorrência saudável beneficia o cliente, e estamos preparados para competir nesse cenário. No Brasil, o maior mercado da região, essa competição será ainda mais intensa. A Ford está bem-posicionada para competir com uma forte linha de produtos.

CONSTRUÇÃO CIVIL

IstoÉ Dinheiro - SP   24/06/2024

Os empresários da indústria de construção do País estão confiantes e com maior intenção de investir. É o que aponta a pesquisa Sondagem Indústria da Construção, divulgada nesta sexta-feira, 21, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o levantamento, o índice que mede a intenção de investimento subiu 0,7 ponto de maio para junho e ficou em 46,6 pontos. O índice é considerado alto diante da média histórica, que é de 37,5 pontos.

“Esse aumento está sendo puxado, principalmente, pelas empresas que atuam com obras de infraestrutura e pode estar relacionado ao novo Programa de Aceleramento do Crescimento (PAC) e às iniciativas de reconstrução do Rio Grande do Sul. É o terceiro aumento consecutivo deste índice este ano”, explica a economista da CNI, Paula Verlangeiro.

O indicador de intenção de investimento analisa três setores: de edifícios, que subiu 0,2 ponto em junho; obras em infraestrutura, que avançou 1,8 ponto; e serviços especializados para construção, que teve um recuo de 2,7 pontos.

A pesquisa mostra que o Índice de Confiança do Empresário (ICEI) da indústria da construção teve alta de 1,2 ponto em junho e chegou a 52,9 pontos. Assim, o ICEI do setor ficou um pouco mais distante dos 50 pontos, o que significa, segundo a CNI, que a confiança está maior e mais disseminada entre os empresários. O indicador varia de zero a 100 pontos, sendo que valores acima de 50 pontos indicam confiança e abaixo, falta de confiança.

De acordo com a entidade, a maioria dos índices de expectativa para os próximos meses da indústria da construção apresentou queda, mas permaneceu acima dos 50 pontos. Os indicadores que medem as expectativas para novos empreendimentos e serviços; compra de insumos e matérias-primas; e de número de empregados recuaram de maio para junho, “o que revela otimismo mais contido”. Somente o índice de expectativa em relação ao nível de atividade registrou leve alta de 0,4 ponto, ficando em 53,7 pontos.

Nível de atividade

Com relação à atividade da indústria da construção, o indicador que mede sua evolução registrou um recuo de 0,5 ponto de abril para maio, atingindo 47,9 pontos. O índice foi menor que o verificado em maio de 2023 (49,8 pontos) e maio de 2022 (49,5 pontos).

O indicador de evolução do nível de número de empregados cresceu 0,6 ponto, para 49,0 pontos em maio. “Como o índice segue abaixo da linha divisória de 50 pontos, ainda indica queda do emprego no período. Este ano, o indicador de maio foi menor que o do mesmo período em 2023 (50,7 pontos) e foi praticamente igual ao registrado em maio de 2022 (48,9 pontos).”

A Sondagem foi feita entre os dias 1º e 12 de junho com 327 empresas do setor da construção.

O Estado de S.Paulo - SP   24/06/2024

O preço médio do metro quadrado (m²) dos imóveis novos na cidade de São Paulo subiu 4,6% nos últimos 12 meses até abril, de acordo com dados da plataforma de inteligência imobiliária Brain. O levantamento mostra que houve maior aumento na faixa de imóveis que se enquadram no programa Minha Casa Minha Vida, com preços de até R$ 350 mil.

O segmento foi impulsionado tanto por reformas do governo federal feitas no ano passado quanto pelo Plano Diretor da cidade, que ampliou o raio de construção de prédios em relação a corredores de transporte público e a estações de metrô e trem.

Considerando os imóveis de todos os perfis de renda, aqueles com dois quartos foram os que tiveram maior crescimento porcentual, subindo 6,2%, ante 4,4% para os de um quarto e 5,1% para os de três dormitórios.

Os maiores preços da cidade foram registrados nos Jardins, na Vila Uberabinha (ao lado de Moema), no Itaim Bibi e na Vila Nova Conceição, indo de R$ 37,7 mil a R$ 50,9 mil por m².

Já os bairros que tiveram as mais expressivas altas de preços nos últimos 12 meses foram Jardim Paulistano (28,6%), Vila Olímpia (25,6%), Jardim América (24,2%) e Indianápolis (10,6%).

Segundo especialistas, os motivos dos aumentos nos bairros nobres da cidade estão ligados à escassez de terrenos para criação de novos prédios e a projetos imobiliários que conseguiram atrair a alta renda. Os atrativos foram a localização e o design do edifício, além de áreas comuns com lazer completo, de salão de festas a piscinas aquecidas, academias, spas e até parques.

A grande maioria dos bairros que tiveram os menores preços de lançamentos de imóveis em SP ficam na Zona Leste, sendo Itaquera, Vila Ré e Vila Carrão os que têm menores preços, indo de R$ 7,3 mil a R$ 7,6 mil.

Os maiores saltos de preços na região focam na Mooca (21%), na Vila Ema (11,6%) e em Itaquera (7,3%).

O professor de finanças do Insper, Ricardo Rocha, afirma que os aumentos de preços em imóveis novos ocorreram pela revisão do Plano Diretor e do programa Minha Casa Minha Vida, pela retomada do trabalho presencial ou híbrido e também pelos juros, que continuam elevados. “A queda dos juros influencia nas vendas do mercado imobiliário. A taxa de financiamento é influenciada pela Selic, como tudo no Brasil”, diz.

Rocha afirma também que a escolha pela compra de um imóvel passa pela análise da parcela do financiamento em relação ao aluguel, que também teve alta expressiva de mais de 14% no último ano. Além disso, há grande interesse por áreas nobres devido à proximidade a polos de escritórios e à oferta de infraestrutura de transporte.

A incerteza com a questão fiscal do País, diz, também estimula a alocação de recursos dos super ricos em ativos que estão fora do sistema financeiro tradicional, como os imóveis, que podem ser alugados para renda ou revendidos com lucro anos mais tarde.

NAVAL

InfraRoi - SP   24/06/2024

A CS Portos, empresa da CS Infra, do Grupo Simpar, participou pela primeira vez da Bahia Farm Show, maior feira de tecnologia agrícola e negócios do Norte e Nordeste do Brasil. O evento, realizado em Luís Eduardo Magalhães (BA) entre os dias 11 e 15 de junho, foi palco para a empresa mostrar as atualizações que fez nos terminais que administra.

Responsável pela administração dos terminais ATU-12 e ATU-18 do Porto de Aratu, em Candeias (BA), destacou os investimentos de R$ 800 milhões que pretende fazer para modernizar ambos os terminais portuários, que irão operar de maneira plena até abril de 2025.

Atualmente, o ATU-12 é capaz de movimentar 2,2 milhões de toneladas de fertilizantes e demais graneis sólidos minerais e, ao final das obras, previsto para novembro de 2024, essa capacidade será ampliada para 6 milhões de toneladas.

Já o ATU-18 poderá movimentar 2,2 milhões de toneladas de grãos em 2025, com capacidade inicial de estocar 90 mil toneladas, podendo chegar a 5,6 milhões de toneladas após as expansões previstas. A empresa disse que o início da operação do ATU-18 trará um impacto significativo para o mercado de grãos da Bahia. Ele será uma nova porta de saída da produção agrícola da região Nordeste.

Ao final das obras, será possível atracar navios com até 120 mil toneladas e calado de 15 metros. Simultaneamente, os equipamentos adquiridos irão ampliar a capacidade de recepção para entre 20 mil toneladas e 30 mil toneladas por dia.

As ações realizadas no local seguem padrões de sustentabilidade contando com os mais avançados sistemas de automação, segurança e proteção ao meio ambiente. Incluindo um importante sistema de tratamento de efluentes para os diversos tipos de produtos, bem como um projeto de geração solar a ser responsável pela produção de até 20% da energia consumida nos terminais.

IstoÉ Dinheiro - SP   24/06/2024

O Porto de Santos, maior complexo portuário da América Latina, é historicamente cercado por discussões sobre a privatização, desafios de infraestrutura e a necessidade de modernização. O primeiro imbróglio foi resolvido em outubro de 2023, quando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva retirou o terminal do Programa Nacional de Desestatização (PND). A decisão de incluir o complexo no PND havia sido tomada no governo de Jair Bolsonaro, pelo então ministro de Infraestrutura Tarcísio de Freitas, hoje governador de São Paulo. Superada essa questão, o desafio é outro: expandir a capacidade e eficiência do Porto, que opera no seu limite desde 2019 e é alvo de críticas pelas empresas de logística.

Em evento realizado na segunda-feira (17), em São Paulo, Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos, administradora do local, detalhou o plano de investimentos R$ 20,53 bilhões para o Porto de Santos, incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) pelo governo federal no último ano.

O montante prevê aportes de 2024 a 2028 para áreas como serviços de adequação e dragagem de aprofundamento de berços, melhorias na avenida perimetral e a obra de acesso do túnel Santos-Guarujá, a qual se configura como principal empreendimento do novo PAC, orçado em R$ 5,13 bilhões bancados em partes iguais pelos governos federal e paulista, via Parceria Público Privada (PPP).

Um dos carros-chefes das gestões petistas no passado, o PAC inclui R$ 371 bilhões em investimentos públicos, pelo Orçamento da União, até 2026. Com recursos de bancos públicos, concessões e PPPs federais e investimentos de estatais, sobretudo da Petrobras, a cifra total é de R$ 1,7 trilhão, sendo R$ 1,4 trilhão aplicado pelos próximos três anos.

O desafio no atual momento do Brasil é elevar o índice de conclusão das obras, que ficou abaixo de 10% na primeira versão do programa (entre 2007 e 2010) e pouco mais de 25% na segunda versão (a partir de 2010). Diante disso, a pergunta é inevitável: o novo PAC será responsável por destravar os obstáculos do Porto? “A proposta já esteve em pauta nos programas anteriores e não foi possível perceber grandes melhorias no Porto de Santos. Antes, uma das principais questões era ampliação do local, em que os arredores foram tomados pelas cidades”, disse Aline Guedes, professora de logística da Faculdade Arnaldo Janssen, de Belo Horizonte (MG).
“O governo federal compreendeu que o investimento em infraestrutura através do porto é fundamental.”
Anderson Pomini, presidente da APS

Em 40º lugar entre os portos mais importantes do mundo — de acordo com ranking da revista britânica Lloyd’s List —, o movimento no terminal cresce anualmente, corroborando com a urgência de melhorias. Em 2023, o Porto de Santos estabeleceu novo recorde histórico, com a movimentação de 173,3 milhões de toneladas, com uma alta de 6,7% em relação ao ano de 2022 (162,4 milhões).

Segundo Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), os números mostram a importância do complexo para o País e a necessidade de investimentos. “O plano de R$ 20 bilhões é histórico. O governo federal compreendeu que o investimento em infraestrutura através do Porto é uma demanda principal. O aprofundamento do canal e a construção do túnel são algumas das principais obras, com grande parte dos investimentos públicos”, afirmou à DINHEIRO.

PROJETO

Embora a joia da coroa do plano seja o túnel Santos-Guarujá, que promete sair do papel após quase 100 anos de promessas e expectativas, a dragagem de aprofundamento do canal de 15 metros para 16 metros até 2026, com investimentos de R$ 324,1 milhões, e as obras nas avenidas perimetrais de Santos (Trecho Alemoa) e Guarujá, com valores de R$ 25,8 milhões e R$ 544 milhões, respectivamente, são outros grandes projetos.

Paulo Luives, especialista da Valor Investimentos, afirmou que “as capacidades de transporte não são suficientes para o volume atual e causa atrasos e ineficiências”. Além desses, outros programas foram detalhados por Pomini, como o Parque Valongo, com inauguração prevista para o próximo mês, digitalização do monitoramento de caminhões, adequação do aeroporto do Guarujá, entre outras estratégias fundamentais para o destino do Porto, que segue sob domínio público e almeja crescer com o trabalho em conjunto entre as autoridades federais, estaduais e a iniciativa privada.

Até que o dinheiro seja efetivamente aplicado e as obras concluídas, o Porto de Santos continuará sendo o maior da América Latina, defasado e alvo de críticas dos operadores.

Portos e Navios - SP   24/06/2024

O governo federal assinou na sexta-feira (21) termo para execução de projeto que disponibiliza terrenos e espaços físicos em águas públicas da União para a finalização do Complexo Portuário e Industrial do Piauí. O projeto permitirá, ainda, a implementação da primeira hidrovia estadual do país.

O termo foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil, Wellington Dias, durante visita ao Piauí.

O Complexo Portuário e Industrial do Piauí é o maior investimento do Governo Federal em infraestrutura no estado. O polo será implementado na cidade de Luís Correia. Conforme cronograma previsto, a sede administrativa do Porto Piauí, o pátio de mercadorias e duas etapas do Terminal Pesqueiro de Luís Correia (TPLC) serão entregues ainda este ano. Além da implementação de um novo modal logístico capaz de importar e exportar mercadorias para todo o mundo, gerando novos postos de trabalho e contribuindo para o aumento da renda dos moradores.

Durante seu discurso, o presidente Lula destacou que o porto é uma obra prioritária para o desenvolvimento do país. Ele enfatizou que o governo continuará trabalhando para que bons projetos saiam do papel e se tornem realidade. “Quando se apresenta um projeto factível, com opções, não há como a gente não batalhar para encontrar recursos para que o projeto seja viabilizado. Iremos contribuir para que o Piauí tenha seu primeiro porto e faça com que o Rio Parnaíba seja navegável para transportar as riquezas deste estado”.

Silvio Costa Filho ressaltou que graças ao trabalho do governo o país passará a contar com complexo portuário em todas os estados litorâneos. "O presidente Lula nos determinou, que a gente pudesse, ao lado da ministra Esther e de toda equipe do governo, autorizar a área para o porto em Luiz Correia, para que a gente pudesse gerar desenvolvimento. Depois desse porto pronto, o estado vai crescer, em média, mais de 2% do Produto Interno Brasileiro", afirmou.

PETROLÍFERO

Investing - SP   24/06/2024

A Petrobras (BVMF:PETR4), a Gerdau (BVMF:GGBR4) e a Naturgy assinaram nesta 6ª feira (21.jun.2024) o 1º contrato de fornecimento de gás natural no ambiente livre de comercialização da história do Rio de Janeiro. A petroleira estatal vai fornecer o insumo à unidade de produção de aços longos da siderúrgica em Santa Cruz (RJ).

Em maio, a Petrobras aprovou novas modalidades comerciais nas vendas de gás natural para distribuidoras e consumidores livres. Segundo a estatal, o cardápio aprovado para as empresas interessadas em integrar o mercado livre de gás oferece condições mais competitivas e customizadas.

A Gerdau e a Petrobras têm uma parceria para o fornecimento de gás no ambiente livre de contratação desde 2021. O 1º acordo entre as empresas foi firmado para o atendimento a uma unidade da siderúrgica em Ouro Branco (MG).

A Gerdau afirmou que avalia a migração de outras unidades industriais da companhia para o mercado livre.

“Essa nova parceria com a Petrobras, viabilizada pelos novos modelos contratuais de distribuição da Naturgy, reforça nossos esforços em buscar oportunidades através do desenvolvimento e suprimento do mercado livre de gás no Brasil, que é um insumo estratégico para a produção e descarbonização do aço hoje e no futuro”, declarou a diretora global de suprimentos da Gerdau, Flávia Souza.

O Estado de S.Paulo - SP   24/06/2024

Se há quem esteja sugando petróleo brasileiro “de canudinho”, como afirma o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, então o governo brasileiro está sendo leniente com esse suposto roubo e, além disso, perde tempo precioso.

O ministro referiu-se ao petróleo da Margem Equatorial, também chamado impropriamente de petróleo da Foz do Amazonas, que está sendo explorado pela Guiana no seu lado da fronteira marítima com o Brasil. Como aparentemente esse petróleo faz parte da mesma grande jazida comum, segue-se que não está sendo devidamente partilhado entre os dois países, porque o Ibama não autorizou a Petrobras a perfurar essa área, nem para só dimensionar seu potencial.

A recém-empossada presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o Brasil já perdeu uma década de exploração da Margem Equatorial e não apenas nessa área. O presidente Lula tem afirmado que essa perfuração se fará com total segurança ambiental. Mas, para evitar críticas dos ambientalistas, só acontecerá depois de realizada a COP-30, conferência sobre o clima, agendada para novembro de 2025, em Belém do Pará.

Não se trata ainda de começar a produção. Trata-se por ora apenas de saber o que e quanto há lá embaixo. O motivo para mais esse atraso é estranho. Se acontecerá em condições absolutas de segurança para o meio ambiente, como garante o presidente Lula, não há razão especial para temer pelas críticas, e esse adiamento poderá ser interpretado como manobra para inglês ver.

Esperar mais de um ano para começar a perfuração de um poço pode fazer muita diferença. Entre o encontro de uma jazida e sua exploração são necessários entre 7 e 9 anos para medir seu potencial e construir a infraestrutura necessária para seu desenvolvimento. E, no entanto, o prazo de validade da era do petróleo está se esgotando.

Relatório da renomada Agência Internacional de Energia (AIE) conclui que a demanda de petróleo começará a declinar em 2030, em consequência da transição energética dos combustíveis fósseis para limpos pela frota mundial de veículos e pela produção de energia elétrica por fontes renováveis. Será quando a capacidade ociosa (sobra de capacidade) da produção já terá alcançado 8,4 milhões de barris por dia e os preços mergulharão.

Ou seja, quanto mais tempo o Brasil perder na produção de petróleo, mais riquezas tenderão a ficar enterradas para sempre no subsolo e menos recursos o País terá para investir em energia limpa. Se isso não fará falta para o desenvolvimento econômico, então não se sabe o que mais fará.

Valor - SP   24/06/2024

Liderada pela Petrobras, retomada de produção no país pode atrapalhar alta de preços planejada pela Opep

A recuperação do Brasil de um colapso impressionante na produção de petróleo promete complicar os esforços da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para microgerir a oferta e os preços globais.

A produção diária de petróleo bruto na potência sul-americana começou o ano em 3,73 milhões de barris, depois despencou quase 25%, à medida que funcionários trabalhavam por todas as gigantescas plataformas offshore para realizar reparos e substituir equipamentos desgastados.

Agora, mais de um terço do défice foi restaurado, o que traz implicações de longo prazo para a maior economia da América Latina e para os mercados energéticos mundiais. Todo esse petróleo adicional irá dificultar os esforços da Opep para aumentar os preços através do corte da produção.

As prodigiosas reservas petrolíferas offshore do Brasil, como o xisto dos Estados Unidos, são um bicho-papão sempre presente para a Opep e a sua hegemonia sobre os saldos globais do petróleo. A recente decisão surpreendente do cartel e dos seus aliados de flexibilizar alguns controles sobre as exportações de petróleo poderá ter um impacto negativo se a recuperação brasileira for muito robusta.

A Petrobras adiantou a data de início das operações de um navio-plataforma com capacidade de produção de 100 mil barris por dia para o quarto trimestre de 2024, disse a estatal em 19 de junho.

O Brasil tem pressionado para fortalecer os laços com a Opep e os seus aliados sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo que se abstém de quaisquer compromissos para restringir a produção através do seu sistema de quotas. No ano passado, o Brasil anunciou que estava aderindo a uma carta de cooperação com a aliança Opep+ que fornece uma plataforma de diálogo entre os países produtores.

Os campos brasileiros podem, na verdade, ultrapassar o valor anterior ao colapso em cerca de 200 mil barris por dia este ano, à medida que os trabalhos de manutenção terminam e dois novos empreendimentos offshore iniciam as operações, de acordo com a Wood Mackenzie Ltda.

“Mais poços serão conectados e começarão a produzir”, escreveu Wood Mackenzie por e-mail. “Acreditamos que é muito cedo para dizer que a produção irá decepcionar.”

A Welligence Inc., por sua vez, é mais cautelosa, prevendo uma produção diária de 3,4 milhões a 3,5 milhões para o resto deste ano. O crescimento da produção brasileira só retomará o ritmo alucinante de 2023 no segundo semestre de 2025, com a chegada de quatro novas instalações offshore, disse Andre Fagundes, que cobre o Brasil na consultoria de energia e já trabalhou na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Brasil (ANP).

A Petrobras e outras empresas petrolíferas enfrentam vários ventos contrários. O órgão ambiental Ibama está em greve e parece que o impasse em relação aos salários só vai piorar. Isto atrasa as licenças para novos equipamentos de produção e trabalhos relacionados. A greve já reduziu a produção diária em 80 mil barris, segundo o Instituto Brasileiro de Petróleo.

E há ainda o campo de produção de petróleo e gás Tupi, a joia da coroa do Brasil, onde a produção de petróleo atingiu o pico há vários anos e continua a diminuir. A Petrobras precisa negociar com a ANP a extensão da licença de operação antes de se comprometer a investir bilhões em um programa de recuperação secundária para conter o declínio.

Durante teleconferência com analistas em maio, a Petrobras atribuiu os soluços de produção à chamada manutenção planejada e disse que espera retornar gradativamente ao patamar anterior. A empresa não respondeu a um pedido de comentário para esta história.

O Petróleo - SP   24/06/2024

A estatal brasileira Petrobras está intensificando suas operações no Peru, perfurando novos poços terrestres no campo maduro de Talara. Este movimento estratégico visa aumentar a produção de petróleo em até 50% nos próximos anos. Segundo o gerente nacional Pedro Grijalba, a produção no Bloco 10 de Talara deverá subir dos atuais 13.000 barris por dia para cerca de 18.000-20.000 barris diários. Para atingir essa meta, a Petrobras planeja adicionar mil novos poços aos 1.750 poços convencionais e 600 poços de sucção já existentes ao longo dos próximos cinco anos.
Expansão Perto do Campo de Gás de Camisea

Além das operações em Talara, a Petrobras está se preparando para perfurar novos poços próximos ao campo gigante de gás natural de Camisea, no sul do Peru. Em parceria com a espanhola Repsol YPF, a Petrobras iniciará a perfuração do primeiro poço de exploração no Bloco 57. Camisea, operada por um consórcio liderado pela Pluspetrol, possui reservas estimadas em cerca de 13 trilhões de pés cúbicos de gás.

Grijalba afirmou que a perfuração do vizinho Bloco 58 está programada para janeiro do próximo ano. Ele está otimista sobre as perspectivas de encontrar gás e condensado na área, destacando que os geólogos estão confiantes nas descobertas potenciais.

Investimentos Crescentes e Parcerias Estratégicas

A Petrobras está comprometida em aumentar seus investimentos no Peru. Em 2007, a empresa investirá 84 milhões de dólares na perfuração de 124 poços, um aumento significativo em comparação com os 62 milhões de dólares investidos no ano passado. Este crescimento contínuo de investimentos é resultado da aquisição da empresa argentina Perez Companc, proprietária do Bloco 10.
Futuras Possibilidades de Exportação de Gás

O consórcio Camisea está atualmente construindo um terminal de gás natural liquefeito (GNL) para exportar o combustível para o México e posteriormente para os Estados Unidos a partir de 2010. Grijalba mencionou que, se forem encontradas reservas de 4,5-5 trilhões de pés cúbicos de gás, a Petrobras poderá avançar com um novo projeto de GNL ou considerar a construção de um gasoduto para o Brasil ou outros países vizinhos.
Exploração na Amazônia Peruana

Outra área promissora para a Petrobras é o Bloco 117, localizado na Amazônia, na fronteira com o Equador. Este bloco está próximo ao campo de petróleo pesado da Petrobras no Equador e de uma área no Peru onde a Barrett Resources fez uma descoberta significativa de petróleo bruto pesado. A proximidade geográfica e as descobertas recentes aumentam as expectativas para futuras explorações e produção na região.

Infomoney - SP   24/06/2024

Os contratos futuros de petróleo caíram hoje, em dia de ganhos para o dólar, porém avançaram na comparação semanal. Sinais de mercado mais apertado apoiaram os ganhos na semana, bem como certa cautela com o quadro geopolítico.

O WTI para agosto fechou em queda de 0,69% (US$ 0,56), em US$ 80,73 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para setembro caiu 0,62% (US$ 0,53), a US$ 84,33 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE). Na comparação semanal, o contrato do WTI subiu 2,91%.

No dia, o petróleo já caía logo cedo, pressionado pelo dólar forte. O movimento do câmbio torna o óleo, cotado na moeda, mais caro para os detentores de outras divisas e contém a demanda. Além disso, havia algum espaço para ajustes, após ganhos recentes. O dólar ganhou mais fôlego após leitura acima da previsão do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto dos EUA, na pesquisa da S&P Global.

O Santander US destaca que a Ucrânia continuava a atacar ativos da Rússia ligados ao petróleo, durante o conflito entre os países. Em comentário a clientes, o banco lembra que nesta semana foram atacados dois depósitos do óleo em território russo. A perspectiva de mais tensões no Oriente Médio também seguiu em foco em dias recentes, como a possibilidade de mais confrontos entre Israel e o grupo xiita libanês Hezbollah e a invasão israelense na Faixa de Gaza, após ataque do Hamas ocorrido em outubro.

Para o Commerzbank, o petróleo já se recuperou totalmente do revés com as decisões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) no começo deste mês, ainda apoiado por “numerosas crises”, em particular a escalada no conflito entre Israel e o Hezbollah. O banco alemão acredita que o foco dos investidores deverá seguir no Oriente Médio na próxima semana, em especial diante da falta de “indicadores econômicos significativos”. Em princípio, o mercado de petróleo teve ter carência de oferta no segundo e no terceiro trimestres deste ano, diante de cortes voluntários de membros da Opep+.

Já o TD Securities via os contratos com um “modesto apoio” de recuos nos estoques. Na agenda de hoje, a Baker Hughes informou que o número de poços e plataformas de petróleo em operação nos EUA recuou 3 na semana, a 485.

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