IstoÉ Dinheiro - SP 23/10/2025
O tribunal Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou na sessão desta quarta-feira, 22, a aplicação de multa à CSN, no valor de R$ 128.072.893,45. A determinação atende decisão da Justiça de Minas Gerais, que determinou ao Cade a eliminação das pendências do caso em que a CSN teve de vender ações compradas da Usiminas.
O principal ponto da decisão judicial era justamente que a autarquia deveria apresentar apuração, quantificação e aplicação da multa contratual devida pela CSN. O valor de R$ 128,7 milhões foi atualizado pela Selic desde 1º de agosto de 2024 até a presente data. O montante será restituído aos cofres públicos.
A história teve início em 2014, quando o Cade deu à CSN um prazo de cinco anos para vender as ações compradas da Usiminas que excederem a fatia permitida de 5% do capital da empresa. Em 2019, quando o prazo venceria, a instituição retirou esse limite de tempo para a venda.
Foi nesse momento em que a Usiminas entrou com processo na Justiça mineira, que determinou ainda em 2023 que a CSN vendesse as ações que ultrapassavam a fatia de 5% na concorrente em até um ano, prazo que venceu em 10 de julho de 2024.
Visto que a CSN só anunciou a venda dessas ações em 2025, a desembargadora federal Mônica Sifuentes, do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, determinou que na reunião de 22 de outubro, entre outras coisas, o Cade apresenta a aplicação da multa cabível à CSN pelo descumprimento do prazo.
Desde agosto, o Cade encaminhou a apuração da multa à área técnica responsável, que teria 5 dias para fazer os cálculos. No entanto, a área não encaminhou a medida sob o argumento de que as ações haviam sido vendidas em 2025. O entendimento foi de não estava configurada “qualquer hipótese de inadimplemento perante o Cade que ensejasse aplicação de multa ou adoção de medidas coercitivas adicionais”.
A desembargadora intimou pessoalmente o presidente do órgão antitruste, Gustavo Augusto, para que fosse apresentada na sessão desta quarta Nota Técnica Conclusiva, deliberação plenária e organização da documentação comprobatória do caso.
O relator, Victor Fernandes, destacou que a autarquia estava apenas cumprindo a decisão, pois o não cumprimento das determinações poderia ensejar a responsabilização dos conselheiros. “Trata-se aqui de um verdadeiro decreto judicial”, sustentou. Ele ainda disse que a situação é inédita. Ele apresentou voto conjunto com os conselheiros Diogo Thomson, Camila Cabral e José Levi.
O conselheiro-relator também disse que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF) são “cortes que poderão se debruçar sobre a matéria e, eu diria, muito provavelmente terão encontro marcado com esse assunto, se assim forem provocados”. Ou seja, ele entendeu que a decisão do TRF-6 poderá ser revista. Ainda assim, Fernandes ressaltou que cabia a ele e aos colegas “simplesmente o cumprimento da decisão”.
O presidente do Cade, Gustavo Augusto Freitas de Lima, e o conselheiro Carlos Jacques votaram pela não aplicação da multa administrativa, por entenderem que ela não seria cabível. Eles defendiam o cumprimento da decisão, ressalvando seu entendimento divergente em relação ao TRF-6.
O processo estava sob acesso restrito no Cade, que foi retirado pelo presidente ao proclamar o resultado.
O que disseram as empresas
Em nota enviada ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) no dia 10 de outubro, a Usiminas afirmou que o Cade já decidiu que a compra de ações da Usiminas ocorreu de forma ilegal e contrária à legislação brasileira.
“A CSN somente vendeu as ações por causa de ordem judicial após mais de 11 anos. Nesse contexto, a aplicação da multa prevista em lei é consequência lógica após o descumprimento pela CSN do acordo firmado com o CADE. A Usiminas esclarece que os recursos provenientes da referida multa serão destinados aos cofres públicos”, destacou.
Procurada também naquela data, a CSN não se manifestou.
Infomoney - SP 23/10/2025
A temporada de resultados do terceiro trimestre de 2025 (3T25) ganha força, com a Usiminas (USIM5) divulgando seus números na sexta-feira (24), antes da abertura do mercado. Gerdau (GGBR4) divulga seus números após o fechamento no dia 30 de outubro, enquanto CSN (CSNA3) revela os dados em 4 de novembro, depois do fechamento da Bolsa.
O Bank of America aponta que, embora os resultados no Brasil permaneçam fracos, eles devem ser compensados por tendências mais positivas em outras regiões, especialmente na América do Norte, e pelos resultados da mineração.
A CSN deve registrar o maior aumento nos lucros. No entanto, ainda espera uma grande queima de caixa no trimestre. Enquanto isso, os resultados da Usiminas podem melhorar ligeiramente, impulsionados pelos melhores resultados do minério de ferro. A Gerdau, por sua vez, deve ver o Ebitda (Ebitda = lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) permanecer relativamente estável, já que os resultados mais fortes na América do Norte, principalmente em termos de preço, devem compensar os resultados mais fracos no Brasil, também em termos de preço.
Na visão da XP Investimentos, a Gerdau deve registrar mais um trimestre sólido, impulsionada pela unidade de negócios da América do Norte, com preços mais altos e custos controlados para aumentar as margens Ebitda, enquanto a unidade do Brasil pode enfrentar pressão de preços mais baixos, parcialmente compensados por reduções de custos.
O Itaú BBA também aponta que a Gerdau deverá registrar um ligeiro aumento sequencial no Ebitda do período, já que as melhorias na América do Norte mais do que compensaram o declínio no Brasil. “Esperamos um aumento de 5% no Ebitda na comparação trimestral, atingindo R$ 2,750 bilhões”, avalia.
Olhando para o futuro, o foco permanece em equilibrar o carrego positivo dos preços do aço nos EUA com a sazonalidade mais fraca na região no quarto trimestre. No Brasil, aponta que os investidores agora se concentrarão na potencial redução nos custos de produção do aço em 2026, após o início do empreendimento de mineração no quarto trimestre.
A Genial Investimentos avalia que a Gerdau deve voltar a gerar caixa. A expectativa é de um resultado operacional positivo, embora longe do ideal quando comparado ano a ano, por exemplo, com destaque para a ON América do Norte, sustentada por volumes mais altos – contrariando o efeito sazonal do período – e contração de custo vis-à-vis a suavização da taxa de câmbio. Isso contrasta com pressão de margem da operação Brasil, explicada pela compressão de preços realizados que tende a superar a retração de custos.
Já para a Usiminas, a XP espera que deva apresentar melhora trimestral, embora ainda sob pressão, com os preços mais baixos do aço parcialmente compensados pela economia de custos e preços mais altos do minério de ferro.
A Genial Investimentos ressalta que a projeção de um resultado consolidado basicamente estável sequencialmente, marcado por (i) volumes estáveis trimestralmente; (ii) deterioração de preço na divisão de aço (-3,3% na base trimestral) um pouco mais intensa do que a queda dos custos dos produtos vendidos (-3%); e (iii) alta marginal de realização em mineração, puxada pela elevação do preço da referência 62% do ferro (+4,1% na base trimestral), parcialmente suavizada pela contração na taxa de câmbio.
Esses fatores, avalia a Genial, devem contribuir para uma estagnação do Ebitda em R$ 411 milhões na estimativa da casa (+0,6% trimestre a trimestre e queda anual de 3,6%), refletindo um ambiente ainda adverso.
O Itaú BBA aponta que as empresas de minério de ferro e siderúrgicas devem ser o destaque desta temporada, com uma sólida melhora sequencial nos resultados, impulsionada principalmente por preços mais altos do minério e mecanismos positivos de precificação.
O BofA projeta leve alta do Ebitda, de R$ 408 milhões para R$ 417 milhões, impulsionado por melhores resultados na mineração, enquanto o setor siderúrgico deve ficar estável.
Sobre a CSN, a XP também espera resultados positivos no 3T25, com receita líquida de R$ 11,5 bilhões, +8% no trimestre e +4% no ano anterior, e Ebitda de R$ 3,1 bilhões, +34% no ano anterior e +16% no trimestre.
A equipe da XP observa que: (i) as operações de mineração da CSN impactarão positivamente os resultados da CSN, impulsionadas por maiores preços e volumes realizados de minério de ferro; (ii) desempenho mais fraco na divisão de aço da CSN, impulsionado por preços realizados mais baixos, volumes de vendas ligeiramente maiores em relação ao trimestre anterior e menor custo caixa por tonelada (margem Ebitda de 8,1% no 3T25 versus 10,8% no 2T25). Além disso, espera que as demais divisões da CSN apresentem resultados melhores, com Ebitda total (excluindo Mineração e Siderurgia) de R$ 940 milhões.
O BofA espera um aumento de 24% no Ebitda, para R$ 3,243 bilhões no trimestre, impulsionado por melhores resultados na mineração e outros, o que deve compensar os menores resultados no setor siderúrgico. O Ebitda do setor siderúrgico da CSN deve diminuir 24%, para R$ 443 milhões (margem de 8,8%), impulsionado principalmente por preços mais baixos.
Veja - SP 23/10/2025
Nessa semana, as siderúrgicas começam a divulgar os resultados do terceiro trimestre.
A Usiminas é a primeira e o mercado já precifica a invasão chinesa no desempenho das empresas.
A média mensal de importação do aço no Brasil saltou 35%, passado de 255.000 toneladas, em 2024, para 345.000 toneladas até setembro.
O setor acompanha as investigações técnicas do Ministério da Indústria e Comércio previstas para serem concluídas nos próximos meses sobre prática de dumping nas importações da China pelos indícios de que o aço é vendido no Brasil a preços inferiores ao custo de produção.
Desde abril de 2024, por exemplo, o governo analisa os preços subsidiados no laminado a frio e deve aplicar medidas antidumping até o final do ano.
Globo Online - RJ 23/10/2025
Seis meses após o início da guerra comercial de Donald Trump, a resiliência das exportações chinesas está provando o quão essenciais muitos de seus produtos continuam sendo, mesmo após a imposição de tarifas americanas de 55%. Todos os dias, cerca de US$ 1 bilhão em mercadorias cruza o Pacífico da China para os Estados Unidos, com o volume aumentando em setembro em relação a agosto.
Apesar de tudo isso, China e EUA parecem se encaminhar para um futuro com comércio reduzido, à medida que Trump busca reviver a manufatura nos Estados Unidos e prioriza a relocalização de indústrias críticas. Já neste ano, os embarques da China caíram para menos de US$ 320 bilhões, cerca do mesmo nível de 2017, antes da primeira guerra comercial sob Trump.
Queda em videogames e TVs
Houve um colapso nas exportações de consoles de videogame, com empresas como Nintendo Co. e Microsoft Corp optando por entregá-los do Vietnã e de outros lugares, em vez de pagar a tarifa mais alta para enviar da China. E os consumidores americanos agora parecem estar comprando TVs em outros países, com uma queda de 73% no valor de conjuntos LCD exportados da China para os EUA no último trimestre.
No caso de outros produtos, como navios comerciais, os EUA já haviam se desvinculado da China antes de Trump impor tarifas sobre embarcações construídas na China e atracadas em portos americanos.
Apesar da resiliência, os danos ao comércio entre EUA e China neste ano já são piores do que durante a primeira presidência de Trump, segundo o Fundo Monetário Internacional.
“O desacoplamento do comércio bilateral entre Estados Unidos e China parece estar acontecendo mais cedo, em comparação com o choque tarifário de 2018–19”, afirmou o órgão em um relatório deste mês.
CNN Brasil - SP 23/10/2025
A persistência de juros elevados no Brasil pode desencadear uma crise sistêmica no mercado de crédito privado, especialmente se a situação fiscal do país não apresentar melhorias.
O alerta foi feito por Marilia Fontes, da Nord Research, que destacou os riscos estruturais para o mercado de crédito em entrevista ao CNN Money.
Alterações na legislação, como a implementação de come-cotas em fundos exclusivos e mudanças nas regras de emissão de LCI e LCA, direcionaram investidores para créditos isentos, como CRIs, CRAs e debêntures de infraestrutura, apontou a economista
Fontes diz que os títulos mais seguros, classificados como "AAA", chegam a pagar taxas inferiores às dos títulos governamentais em momento "crucial" para a economia.
"Teremos uma eleição ano que vem, e se não resolvermos o problema fiscal, vamos nos manter com taxa de juros altíssima por mais tempo, fazendo com que eventos pontuais de recuperação judicial possam se tornar uma crise sistêmica e ampla", afirma.
A economista da Nomad destaca que as altas taxas de juros e mudanças de legislação dos últimos anos impulsionaram significativamente o mercado de crédito privado.
O percentual de investimento nesse segmento praticamente dobrou nos últimos dois ou três anos, tanto nas carteiras de clientes quanto em fundos de investimento, segundo a economista. Esta concentração de capital oferece riscos, segundo ela.
"A indústria de fundos de crédito privado foi a única que registrou crescimento no período. É uma situação de mercado muito sobrealocado, muitas emissões foram feitas antecipando a MP 1.303", comenta.
Recomendações aos investidores
Para investidores expostos ao mercado de crédito privado, a recomendação é evitar novos aportes nesse segmento. A especialista sugere direcionar novos investimentos para títulos públicos e, conforme os títulos privados forem pagando juros e amortização, realocar esses recursos em outras categorias de ativos.
"A solução é sair dos títulos privados e ir para títulos públicos à medida que você consegue liquidez e novos aportes para fazer isso, de tal forma que até o final das eleições, você já tenha uma carteira de crédito privado representando um percentual menor do seu patrimônio", indica Fontes.
A situação é particularmente desafiadora para empresas endividadas que aproveitaram o período de baixo custo de capital para crescer. Mesmo com uma possível redução dos juros para 12% ao ano, o cenário permaneceria desafiador para essas companhias.
CNN Brasil - SP 23/10/2025
Na avaliação do CEO do MoveInfra, Ronei Glanzmann, o investimento do Brasil em infraestrutura está aquém do seu potencial. O especialista avalia ser necessário investir cerca de 5% do PIB (Produto Interno Bruto) para criar condições para um crescimento sustentável e competitivo do setor.
Em entrevista à CNN Brasil, o CEO do MoveInfra destacou que o cenário atual, marcado por mudanças regulatórias, por alterações nas fontes de financiamento e por uma Selic em 15%, está repleto de desafios.
"Temos uma taxa de juros no Brasil como uma das mais elevadas do mundo. Temos uma questão muito importante que é o licenciamento ambiental. Todas essas obras, que são obras de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, precisam ser financiadas e licenciadas do ponto de vista ambiental", afirmou.
Para Glanzmann, a MP (medida provisória) que trata especificamente da licença ambiental especial representa um avanço para o setor, mas ainda precisa de ajustes.
A MP autoriza com mais agilidade obras e empreendimentos que são considerados estratégicos pelo Executivo. A medida foi publicada na mesma publicação do Diário Oficial da União que contém os vetos do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a 63 dispositivos do projeto de lei que deu origem à Lei Geral do Licenciamento Ambiental.
De acordo com o MoveInfra, o setor deve receber cerca de R$ 280 bilhões em investimentos neste ano e outros R$ 300 bilhões em 2026. A maior parte dos recursos vem do setor privado.
"O Brasil é um país continental que precisa receber investimentos robustos na infraestrutura. Ainda investimos muito pouco perto do que pode ser. Só investimos 2% do nosso PIB em infraestrutura. Precisamos alcançar um patamar próximo de 5%", disse Ronei.
Desafios do setor
O evento “Infraestrutura em movimento: desafios para transformar o Brasil” debate os caminhos para modernizar e ampliar a rede de transporte e
logística, conciliando eficiência, inovação e responsabilidade socioambiental.
Em Brasília, a entidade reuniu autoridades do setor, como o secretário executivo do Ministério de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, o secretário executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro e o diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Guilherme Sampaio.
O evento também registrou a participação de executivos, como m Miguel Setas, CEO da Motiva; Décio Amaral, CEO da Hidrovias do
Brasil e Pedro Palma, CEO da Rumo.
O MoveInfra é o movimento que representa as seis empresas do setor de infraestrutura - Ecorodovias, Hidrovias do Brasil, Motiva, Rumo, Santos Brasil e Ultracargo.
CNN Brasil - SP 23/10/2025
O Fed (Federal Reserve) já estava enfrentando uma de suas batalhas mais difíceis, conduzindo uma economia em transformação através de um mercado de trabalho enfraquecido e uma inflação persistente. A paralisação do governo apenas tornou essa luta ainda mais árdua.
Para tomar decisões sobre sua política de juros e outras medidas para auxiliar a economia, o Fed depende fortemente de estatísticas econômicas oficiais que são coletadas e divulgadas pelo governo.
A paralisação efetivamente cortou o acesso a esses dados — desde a taxa de desemprego até as vendas no varejo — desde o início de outubro.
Com apenas uma semana para a próxima decisão do Fed sobre as taxas de juros, as autoridades estão operando parcialmente às cegas ao avaliar se o mercado de trabalho necessita de suporte adicional.
A medida veio após dados, até o mês de agosto, terem mostrado o ritmo mais fraco de contratações desde 2010 e aumento do desemprego entre jovens e minorias.
Este é mais um desafio para os formuladores de política monetária, que já lidam com ataques contínuos do governo Trump à sua independência, uma crise persistente de acessibilidade habitacional que o Fed não tem todas as ferramentas para resolver, os potenciais efeitos da IA, inflação persistente, incertezas sobre tarifas e uma desaceleração no mercado de trabalho.
Fed e a Paralisação
Na ausência de dados governamentais, as autoridades do Fed recorreram a outras fontes para avaliar o mercado de trabalho e os gastos do consumidor — dois importantes motores da economia americana e foco do chamado duplo mandato do Fed de equilibrar o crescimento econômico mantendo os preços sob controle.
O problema é que os dados governamentais são indiscutivelmente o "padrão ouro" de como a maior economia do mundo é mensurada. Sem eles, a tomada de decisão do Fed não está completamente fundamentada.
"O risco é que o Fed avalie erroneamente o estado de seu duplo mandato, seja em relação à inflação ou ao mercado de trabalho como maior preocupação", disse Michael Reynolds, vice-presidente de estratégia de investimentos da gestora de ativos Glenmede, à CNN.
A última vez que as autoridades do Fed definiram a política monetária sem dados econômicos importantes foi durante a paralisação de 2018-2019.
As atas da reunião do Fed de janeiro de 2019 mostraram como as autoridades recorreram a números de transações com cartões e vendas de veículos na ausência do relatório mensal de vendas no varejo do Departamento de Comércio.
"Eu não chamaria isso de seca de dados", disse John Williams, presidente do Fed de Nova York, em entrevista ao New York Times publicada em 9 de outubro.
"Ainda estamos recebendo uma quantidade significativa de dados", acrescentou ele, apontando para pesquisas do Conference Board, do Fed de Nova York e do Instituto para Gestão de Suprimentos.
Essas pesquisas medem tendências em preços, demanda, produção e atividade econômica geral.
O Departamento de Estatísticas Trabalhistas divulgará na sexta-feira (24) o Índice de Preços ao Consumidor de setembro, tendo convocado funcionários para garantir que o relatório possa ser usado como base para os ajustes anuais do custo de vida da Previdência Social.
Ainda assim, isso deixa o Fed sem visibilidade sobre a real saúde e trajetória do mercado de trabalho. Economistas concordam amplamente que os dados do setor privado não podem substituir completamente as informações governamentais, especialmente considerando que os números do governo servem como referência para grande parte dos dados privados.
Uma crise de acessibilidade habitacional que o Fed não pode resolver
A principal ferramenta do Fed — sua taxa de juros básica, que influencia os custos de empréstimos de forma mais ampla — é particularmente eficaz em tornar os empréstimos mais baratos ou mais caros, dependendo se o Fed está tentando controlar a inflação ou impulsionar o emprego.
Assim, ela é bastante eficiente em alterar quanto os consumidores demandam bens e serviços.
Mas isso não faz nada para equilibrar o lado da "oferta" na equação de oferta e demanda, que é precisamente o que continua elevando os preços em algumas partes do país, como no Nordeste dos Estados Unidos.
As vendas de imóveis usados têm estado lentas pelo terceiro ano consecutivo, e as taxas de hipoteca persistentemente elevadas certamente têm contribuído para manter os compradores afastados. Mas a escassez de moradias também tem seu papel.
"As vendas de casas a preços acessíveis estão limitadas pela falta de estoque", disse Lawrence Yun, economista-chefe da Associação Nacional de Corretores Imobiliários, em comunicado no mês passado.
O Fed já reconheceu que há limites para o que pode fazer para aliviar os problemas habitacionais do país.
"Existe uma escassez habitacional de longo prazo", disse Powell em uma coletiva de imprensa após a reunião do Fed em julho. "Isso não é algo que o Fed possa ajudar a resolver."
Os impactos da IA e da incerteza econômica
A agressiva tentativa do presidente Donald Trump de remodelar o comércio global forçou muitas empresas a congelar seus planos de contratação enquanto aguardam para ver como tudo se desenrola.
E, ao mesmo tempo, muitas empresas estão ativamente tentando descobrir como implementar IA em suas operações.
O resultado: contratações excepcionalmente fracas, em grande parte impulsionadas por empresas que se sentem paralisadas. Mas para alguns trabalhadores, isso também se deve à IA.
"O mercado de trabalho está congelado porque as pessoas estão tendo dificuldade para tomar decisões", disse Laura Ullrich, economista do Indeed, à CNN."E a IA certamente está tendo algum impacto sobre os empregos de entrada no setor de tecnologia", acrescentou ela.
Os cortes nas taxas do Fed devem funcionar como uma maré que eleva todos os barcos ao tornar os empréstimos mais baratos, permitindo que as empresas expandam seu quadro de funcionários.
Mas isso pode não ser suficiente para sustentar a demanda por trabalhadores em funções que estão sendo cada vez mais automatizadas pela IA.
Além disso, embora o Fed esteja prestes a reduzir ainda mais as taxas, "enquanto a incerteza econômica permanecer alta, é difícil saber exatamente quantas pessoas você deve contratar", disse Ullrich.
Esse sentimento é confirmado por empresas dos setores de manufatura e serviços pesquisadas pelo ISM (Instituto de Gestão de Suprimentos), que continuam expressando frustração com as significativas mudanças políticas de Trump e seus efeitos subsequentes sobre a demanda e o planejamento.
"A demanda dos clientes em serviços profissionais permanece estável, embora os prazos de tomada de decisão estejam se alongando devido à contínua incerteza econômica e preocupações com as taxas de juros", afirmou uma empresa na pesquisa de serviços do ISM de setembro.
O Fed deve anunciar sua mais recente decisão de política monetária na conclusão de sua reunião de dois dias, que termina em 29 de outubro, com uma coletiva de imprensa pós-reunião do presidente Jerome Powell programada para as 14h30 (horário de Washington) naquele dia.
Valor Investe - SP 23/10/2025
Desempenho operacional acima do esperado reforça projeções positivas para o balanço do terceiro trimestre e impulsiona as ações na B3
As ações da Vale (VALE3) terminaram o pregão da bolsa de valores em forte alta nesta quarta-feira (22), subindo 1,84%, a R$ 61,95, após a companhia divulgar na véspera seu relatório de produção e vendas do terceiro trimestre.
O documento mostrou o melhor desempenho trimestral de produção de minério de ferro desde 2018, o que animou investidores e levou casas de análise a revisarem para cima suas estimativas para o resultado financeiro da mineradora.
De acordo com o relatório, a produção totalizou 94,4 milhões de toneladas, avanço de 12,9% em relação ao trimestre anterior e de 3,8% na comparação anual.
O resultado foi impulsionado pela sazonalidade favorável e pela continuidade de ativos estratégicos, com destaque para o projeto S11D, em Carajás (PA), que atingiu 23,6 milhões de toneladas, maior volume histórico para um terceiro trimestre.
O desempenho de S11D compensou o declínio na produção de Serra Norte, também no Pará, que caiu 5% na base anual em razão do esgotamento natural de determinadas frentes de lavra.
A Vale destacou que a estratégia atual busca otimizar o mix de qualidade, priorizando minérios de teor intermediário (cerca de 63% de ferro).
Analistas da Genial Investimentos afirmam que os números vieram ligeiramente acima do esperado, o que deve contribuir para um EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) estimado em US$ 4,3 bilhões, alta de 26% frente ao trimestre anterior e de 15% sobre o mesmo período do ano passado.
O lucro líquido projetado é de cerca de US$ 2,6 bilhões, refletindo a melhora operacional combinada à estabilidade do minério de ferro, que segue negociado entre US$ 100 e US$ 105 por tonelada.
O balanço da Vale será divulgado no dia 30 de outubro, após o fechamento do mercado. Até lá, o mercado deve continuar repercutindo os números de produção e o cenário ainda resiliente para o preço do minério, mesmo em meio às tensões comerciais entre Estados Unidos e China.
Segundo o time da Genial, a combinação de maior volume, custo controlado e preços acima do previsto justifica o reajuste do preço-alvo das ações para R$ 70, o que representa um potencial de alta de cerca de 15% das ações em relação ao fechamento anterior.
Potenciais riscos
Ainda assim, os analistas ressaltam que o cenário requer cautela. O preço do minério de ferro tem se mantido surpreendentemente firme diante de um ambiente global instável, marcado pela possibilidade de novas tarifas de até 158% impostas pelo governo Trump à China, como uma medida punitiva às restrições chinesas sobre metais de terras raras.
Além disso, pesa a sazonalidade típica de aumento de oferta no segundo semestre e o corte na produção de aço bruto na China, que pode reduzir a demanda internacional por minério em cerca de 45 milhões de toneladas em 12 meses.
“Mesmo com os fundamentos de curto prazo ainda positivos, há riscos de sobreoferta e pressões nos preços a partir de 2026, com a entrada do projeto Simandou na Guiné”, alerta a Genial.
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Valor - SP 23/10/2025
Ross McEwan disse que pouco poderia dizer sobre as negociações, mas que a mineradora mantém um relacionamento "muito bom" com seus clientes no país
O presidente do Grupo BHP afirmou que as negociações anuais com a China sobre as vendas de minério de ferro de suas gigantescas operações australianas estão em andamento, acrescentando que a mineradora mantém um relacionamento "muito bom" com seus clientes no país.
Em uma reunião de acionistas, Ross McEwan disse que pouco poderia dizer sobre as negociações após relatos na mídia sobre um impasse com a compradora estatal de minério de ferro da China, mas repetiu declarações anteriores da mineradora de que a BHP continuará buscando as melhores opções para as vendas de seu minério.
“Temos relacionamentos na China há décadas”, disse McEwan. “Temos um relacionamento de trabalho muito bom, mas esta é uma negociação comercial que está em andamento, como acontece todos os anos.”
McEwan destacou a produção de minério de ferro da BHP no primeiro trimestre, que ficou amplamente em linha com o mesmo período do ano anterior.
As negociações de preços entre a China e a BHP colocaram em evidência se as siderúrgicas estão pressionando as grandes mineradoras a vender mais minério em yuan, em vez de dólar americano.
A BHP realiza menos de 10% de suas vendas em outra moeda que não o dólar americano, disse McEwan. A maior parte dessas vendas é de minério em portos chineses, vendido em yuan, o que é “uma prática bastante comum no setor”, disse o presidente-executivo Mike Henry na assembleia de acionistas.
“Tanto nós quanto nossos concorrentes fazemos isso”, disse ele.
Infomoney - SP 23/10/2025
Os contratos futuros do minério de ferro subiram nesta quarta-feira, com apostas de que a diminuição das tensões comerciais entre os EUA e a China e a divulgação de mais medidas de estímulo por Pequim para apoiar o crescimento econômico.
Esses fatores se contrapõem a preocupações com o aumento da oferta de minério e a diminuição da demanda por aço.
Cresceram as esperanças de um abrandamento da disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse na segunda-feira que esperava chegar a um acordo comercial justo com o presidente chinês, Xi Jinping.
Trump também disse que visitaria a China no início do próximo ano a convite de Pequim.
O contrato janeiro do minério de ferro mais negociado na bolsa de Dalian encerrou as negociações diurnas com alta de 0,65%, a 774 iuanres (US$108,66) por tonelada métrica.
Os investidores apostam em mais estímulos na China após uma série de dados pessimistas, já que a reunião de quatro dias a portas fechadas da liderança do Partido Comunista, que começou na segunda-feira, deve culminar com um esboço de sua próxima política de cinco anos.
No entanto, a expectativa de aumento da oferta para o restante do ano, que coincide com a demanda sazonalmente lenta por aço, reduziu os ganhos de preço.
A mineradora brasileira Vale, uma das maiores mineradoras de minério de ferro do mundo, produziu 94,4 milhões de toneladas métricas do material de fabricação de aço no terceiro trimestre, um aumento de 3,8% em relação ao ano anterior e o maior desde os últimos três meses de 2018.
Valor - SP 23/10/2025
A barragem do Fundão se rompeu em novembro de 2015, deixou 19 pessoas mortas e despejou 43,8 milhões de metros cúbicos de rejeitos no meio ambiente
As mineradoras Vale e Samarco foram autuadas em R$ 1,92 bilhão por terem registrado pagamentos de indenizações pela tragédia de Mariana, em Minas Gerais, para conseguir dedução de Imposto de Renda.
Após a Receita Federal identificar o pedido, o caso gerou quatro processos no Carf (Conselho de Administração de Recursos Fiscais). A PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) atuou no caso e se posicionou contra as empresas, com vitória em todos os julgamentos até agora – mas ainda cabe recurso e as companhias podem tentar judicializar o caso.
O argumento das empresas para conseguir a dedução é que as indenizações e compensações relacionadas à tragédia devem ser consideradas uma despesa obrigatória de suas respectivas atividades.
Procurada, a Samarco – de propriedade de 50% da Vale e 50% da BHP –, dona da barragem que se rompeu, afirmou que “discutirá o assunto nos autos dos processos”, mas que cumpre rigorosamente os acordos firmados e mantém seu compromisso com a reparação.
Já a Vale defende que “a dedução de Imposto de Renda é aplicável, uma vez que os pagamentos de indenizações e compensações relacionados ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, refletem uma despesa obrigatória, decorrente da responsabilidade objetiva de reparação por parte da empresa”.
A tragédia
A barragem do Fundão se rompeu em novembro de 2015, deixou 19 pessoas mortas e despejou 43,8 milhões de metros cúbicos de rejeitos no meio ambiente, em uma das maiores tragédias ambientais da história da mineração brasileira.
No Brasil, a Samarco recebeu multas ambientais, firmou termos de ajuste com o poder público e se comprometeu a indenizar as famílias. Para isso, criou a Fundação Renova.
A Vale inicialmente tentou se descolar do evento, mas, por ser acionista da Samarco, foi arrolada nos mesmos processos e classificada como responsável caso a primeira não cumprisse com suas obrigações. Na Inglaterra, correm processos paralelos, uma vez que a britânica BHP também é acionista da Samarco.
Em 2024, foi firmado um novo acordo de reparação no STF (Supremo Tribunal Federal) de R$ 170 bilhões, que extinguiu a Renova e determinou que, para ter acesso ao dinheiro, os atingidos têm que se abster de ações que cobram responsabilidade das empresas – no país e no exterior – sobre os danos já ressarcidos.
Imposto de Renda
O desconto no Imposto de Renda é previsto para gastos considerados como necessários. Por exemplo, insumos ou conta de luz – ou seja, elementos intrinsecamente relacionados à atividade-fim de uma determinada empresa.
É nessa categoria que Vale e Samarco tentam enquadrar as punições que receberam em razão da tragédia – por exemplo, multas ambientais, TACs (Termos de Ajuste de Conduta), a realização de ações de recuperação da natureza ou repasses obrigatórios para a Fundação Renova.
Ou seja, as empresas usaram esses pagamentos para reduzir o valor de impostos. O Fisco autuou as empresas em R$ 1,92 bilhão – valor equivalente ao que elas registraram no Imposto de Renda, acrescido de reajustes e multa.
Desde a tragédia, a Vale argumenta que não era responsável pela barragem que se rompeu. No seu cálculo de Imposto de Renda, porém, enquadra como despesas necessárias indenizações pagas após a tragédia.
A Receita identificou duas situações assim e autuou a empresa em R$ 624,5 milhões no primeiro caso e em R$ 158,6 milhões no segundo. A PGFN foi acionada e ambos foram julgados em 2024, com decisões favoráveis ao Fisco, por voto de qualidade.
“A tese acolhida pelo Carf foi de que a Vale, como responsável subsidiária, não poderia deduzir despesas cuja dedutibilidade foi negada ao responsável principal [Samarco], pois os repasses não se relacionam com as transações ou operações de suas atividades produtivas”, diz o procurador da Fazenda Nacional Vinícius Campos Silva.
A Samarco também pediu a dedução do imposto em pelo menos duas ocasiões. Foi autuada em R$ 633 milhões e R$ 505 milhões, respectivamente. O Carf julgou o primeiro caso em março de 2024 e, por maioria dos votos, negou o direito à Samarco de conseguir a dedução.
O segundo foi analisado no final de setembro deste ano, com o mesmo resultado. A única diferença é que, na parcela do valor referente a multas ambientais, a decisão foi pelo voto de qualidade. Como o acórdão ainda não foi tornado público, não é possível saber qual é este montante dentro do total.
“A Fazenda Nacional sustenta, em suma, que tais gastos não preenchem os requisitos legais de necessidade, normalidade e usualidade, tratando-se de sinistro excepcional, e que sua dedutibilidade representaria socialização indevida do risco empresarial”, completa o procurador.
Infomoney - SP 23/10/2025
A mineradora Vale (VALE3) reportou produção de 94 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro no 3º trimestre de 2025, o maior volume desde 2018, superando em 5% o consenso de mercado. As vendas ficaram em linha, refletindo um acúmulo de estoques de 4,5 milhões de toneladas, movimento sazonal após o forte aumento sequencial da produção. Às 10h07 (horário de Brasília), os ativos VALE3 subiam cerca de 1%, também com o avanço dos preços do minério de ferro na sessão.
O Bradesco BBI classificou os resultados operacionais como sólidos, impulsionados pela produção recorde em S11D e pelo ramp-up contínuo de projetos-chave. Apesar dos desafios em Serra Norte, o desempenho geral sustenta a estimativa do BBI de EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 4,2 bilhões, com divulgação prevista para 30 de outubro.
A XP Investimentos vê os números sólidos como um reforço à flexibilidade do portfólio da Vale, com prêmios mais elevados refletindo a mudança estratégica da empresa para aumentar a produção de produtos de baixa alumina, incluindo BRBF, minério de teor médio de Carajás e IOCJ, o que contribuiu para a alta nos prêmios do minério de ferro.
Embora a mineradora deva se beneficiar de um ambiente de preços mais favorável, a XP espera que a flexibilidade do portfólio ajude a companhia a navegar por diferentes condições de mercado, ajustando a composição de seus produtos, como teor de sílica e alumina, para atender à demanda, e que melhorias contínuas nas operações de cobre permitam capitalizar o aumento dos preços de referência.
Para a Ativa Investimentos, os números comprovaram o acerto na estratégia da Vale, uma vez que a mineradora apresentou volumes de embarque e preços realizados de minério de ferro acima do esperado, o que deve se traduzir em um ajuste positivo nas estimativas de receita líquida, EBITDA e lucro líquido do trimestre.
Na mesma direção, o Goldman Sachs avalia que a estratégia comercial e produtiva altamente adaptável da mineradora, com destaque para o aumento do fornecimento de pellet feed para a China e o crescimento das vendas de BRFB (Brazil Feeder Blend) em detrimento das de IOCJ (Iron Ore Carajás Juína), refletiu uma maior demanda por minérios de teor médio/padrão, em um cenário de prêmios de qualidade mais fracos.
Como resultado, os prêmios consolidados (incluindo pelotas) subiram US$ 1 por tonelada trimestre contra trimestre, apesar da queda nos prêmios de pelotas e da estabilidade no teor de ferro.
O JPMorgan considera os números de produção sólidos, à medida que a Vale continua construindo um novo histórico de consistência operacional, o que é positivo. Segundo o banco, a consistência nos números vem ganhando força e evidencia que a equipe de gestão da Vale tem maior controle sobre as operações, algo que os investidores valorizam.
Já BBA destaca que o prêmio de finos melhorou significativamente, retornando a território positivo, o que evidencia a estratégia de mercado bem-sucedida da Vale de otimizar seu mix de vendas e reduzir a disponibilidade de produtos de baixa qualidade, diminuindo assim o desconto de mercado aplicado a esses produtos.
Metais básicos
Em metais básicos, tanto o cobre quanto o níquel registraram um trimestre positivo em vendas, com volumes subindo 19,7% e 5,4% ano a ano, respectivamente. Os preços realizados do cobre também aumentaram 7,0% ano a ano, ficando 5,1% acima da estimativa do JPMorgan. De maneira geral, o banco espera uma reação positiva do mercado aos números reportados.
O Goldman Sachs destaca que a produção foi forte em níquel, cerca de 16% acima das suas estimativas, impulsionada pelo reestruturação da produção da mina subterrânea de Voisey’s Bay — e ficou em linha para cobre.
No caminho certo para atingir topo do guidance
A Vale parece no caminho para atingir as metas de produção de 2025, tanto para minério de ferro quanto para metais básicos, na visão da XP Investimentos.
O Goldman Sachs também acredita que a Vale está no caminho para atingir o topo da faixa de sua meta de produção de minério de ferro, o topo do guidance para níquel e o meio da faixa para cobre. O Goldman espera reação positiva do mercado.
Na mesma linha que XP e Goldman, o JPMorgan também acredita que a empresa provavelmente atingirá o topo de todas as suas metas de produção para o ano.
Revisões nas estimativas
O Goldman Sachs ajustou seu modelo para refletir os preços de mercado e elevou em 9% a estimativa de EBITDA do 3T25, para US$ 4,1 bilhões, sustentado pelo forte desempenho de produção e vendas, maiores preços realizados de minério de ferro e vendas mais fortes de cobre e níquel.
A Genial Investimentos, por sua vez, comenta que os números operacionais vieram, em sua maioria, levemente acima das suas estimativas contribuindo para um incremento de EBITDA Proforma para US$ 4,3 bilhões.
Otimismo com Vale
A equipe do Goldman comenta que o sentimento em relação à Vale está entre os mais fortes dos últimos anos. “O otimismo decorre principalmente da comparação com outras commodities (o minério de ferro ficou para trás frente à alta do cobre e do ouro) e com pares do setor (melhor avaliação e história mais limpa de alocação de capital em relação às grandes diversificadas)”, explicam analistas.
“Embora os investidores não estejam exatamente otimistas com o minério de ferro, há uma percepção de que os preços podem permanecer resilientes no curto prazo, o que, junto à performance relativa mais fraca frente a cobre e ouro, pode incentivar alguma exposição às ações ligadas ao minério”, completam.
O Goldma ainda pontua que entre as grandes mineradoras, a Vale negocia com yield de fluxo de caixa livre (FCFy) mais atraente que Rio Tinto e BHP, com estratégia de capital mais disciplinada, baixo risco de aquisições e melhora operacional.
Recomendações
O Bradesco BBI reiterou recomendação de compra para Vale e preço-alvo de US$ 13 por ADR, com perspectiva de continuidade no momento positivo de resultados, apoiado por preços firmes de minério de ferro, maturação de projetos e disciplina de custos. A ação negocia a 3,5 vezes o múltiplo Valor da Firma (EV)/EBITDA para 2026, abaixo da média histórica e de seus pares australianos.
O Goldman Sachs e JPMorgan mantiveram recomendação de compra e preço-alvo de US$ 14,0 por ADR. O BBA também reiterou classificação de compra e preço-alvo de US$ 13 por ADR.
A Genial manteve recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 70.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 23/10/2025
O setor de infraestrutura no Brasil entra em um novo ciclo de crescimento.
Os leilões de concessões de rodovias previstos para este semestre devem atrair mais de R$ 50 bilhões em investimentos, abrindo caminho para obras em estados como Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
O leilão da Rota Agro, realizado recentemente, já mostrou o interesse do mercado: cinco grupos apresentaram propostas, reforçando a confiança dos investidores.
Além das novas concessões, projetos federais de grande impacto, como a construção do túnel Santos-Guarujá, também estão previstos.
A expectativa é de que, até 2026, o setor viva uma janela única de oportunidades, movimentando a economia, gerando empregos e ampliando a mobilidade pelo país.
Para empresas que atuam em obras de grande porte, a locação de máquinas pesadas se apresenta como solução estratégica.
Em vez de comprar retroescavadeiras, tratores de esteira, rolos compactadores e outros equipamentos, muitas construtoras optam pelo rental durante o tempo de obra, reduzindo custos, ganhando flexibilidade e evitando despesas com manutenção.
A WPX, que atua com locação de máquinas e equipamentos pesados, é uma das empresas que se preparam para suprir o mercado aquecido.
Com uma frota de quase 500 unidades, a empresa atua em projetos de construção civil, infraestrutura rodoviária, mineração, agropecuária e projetos florestais.
“Alugar equipamentos permite que o cliente invista seus recursos em outras partes do projeto, como mão de obra e insumos, e ainda mantenha o controle financeiro e operacional de forma mais prática”, explica Alexandre Petkow, CEO da WPX, que marca presença em mais de 200 projetos no país.
O executivo destaca que a locação também facilita o armazenamento e o planejamento da frota.
“Isso evita gastos desnecessários com máquinas que não estão em uso”, aponta Petkow.
Auto Industria - SP 23/10/2025
A meteórica ascensão da indústria automotiva chinesa ainda deverá ser melhor descrita em muitos estudos socioeconômicos, mas já é possível afirmar que nunca antes na história um só país dominou uma cadeia produtiva global inteira em tão pouco tempo – e segue arrochando o torniquete sobre os fabricantes ocidentais de veículos e componentes, que parecem atordoados como rãs à noite diante das lanternas de seus caçadores.
Apesar de toda a resistência de alguns países aos produtos chineses com imposição de tarifas pesadas, especialmente nos Estados Unidos, no Canadá e na Europa, a situação é inescapável: em partes ou no todo todos os carros já são ou serão chineses.
Não se trata apenas de veículos importados inteiros em quantidades crescentes, que tomam cada vez mais espaço de fabricantes locais tradicionais em seus próprios mercados, mas de dependência bem mais profunda, pois atualmente qualquer carro, produzido em qualquer lugar, depende de componentes e insumos da China – e muitos já estão sendo projetados por engenheiros chineses.
Para as empresas a lógica é simples: por que gastar bilhões em anos de desenvolvimento se o concorrente chinês já tem tudo pronto por preços bem camaradas? Seguindo esta estratégia em tempos de caixas apertados os fabricantes ocidentais estão comprando de tudo na China, de projetos de plataformas eletrificadas, passando por módulos eletrônicos de controle e, claro, as baterias, pois 80% delas no mundo são produzidas por fornecedores chineses.
Isto sem falar de insumos essenciais à produção de qualquer veículo atualmente, seja eletrificado ou a combustão.
A China tem domínio quase que total dos minerais de terras-raras, estão lá as maiores reservas do mundo e o país controla globalmente 90% do processamento e refino desses minérios e 93% da produção de ímãs – que dentre outras funcionalidades em um automóvel fazem funcionar os motores elétricos – e outros componentes feitos com esses materiais, presentes hoje na grande maioria de qualquer carro.
O mais impressionante é que quase todo esse domínio da cadeia de veículos e seus componentes foi construído em menos de uma década, mais fortemente nos últimos cinco anos. Foi precisamente em maio de 2020, quando o mundo já estava afundado na pandemia de covid, que o presidente Xi Jinping, em uma reunião do Politiburo do Partido Comunista Chinês, em poucas palavras resumiu ambição geopolítica do país e o plano para alcançá-la: “Tornar o mundo mais dependente da China. Tornar a China menos dependente do mundo”. E assim é.
Dominância crescente
Depois de aprender e se viciar em comprar de tudo da China os fabricantes tradicionais de veículos estão cada vez mais dependentes do que fazem com parceiros chineses, na melhor estratégia do se-não-pode-com-eles-junte-se-a-eles. Alguns exemplos:
• A Audi desenvolveu em apenas dezoito meses o elétrico E5 Sportback, produzido exclusivamente na China em sociedade com a SAIC, que fornece baterias, motor e sistemas de infoentretenimento e de assistência ao motorista, os ADAS.
• A Volkswagen, do mesmo grupo da Audi, desenvolve veículos elétricos para a China usando arquitetura e softers da Xpeng. Em outro projeto, virá da sócia SAIC o powertrain híbrido que equipará a nova picape Amarok, a ser produzida na Argentina a partir de 2027.
• A Toyota trabalha com a GAC para desenvolver novos veículos elétricos na China.
• A Renault lançou o novo Dacia Spring elétrico – no Brasil o carro é importado da China desde 2021 e vendido como Kwid E-Tech – sobre plataforma desenvolvida pela Dongfeng. O novo Twingo está sendo projetado em Xangai por uma firma chinesa de engenharia. E para o mercado brasileiro a Renault começou a importar recentemente modelos elétricos da sócia Geely, que eventualmente poderão ser montados no País com toneladas de componentes importados de fornecedores chineses.
• A General Motors está se valendo de sua sócia chinesa SAIC-Wuling para vender carros elétricos mais baratos em mercados emergentes com sua marca Chevrolet. Por meio deste arranjo a GM já lidera o mercado mexicano e começa a adotar plano parecido no Brasil, onde já iniciou a importação dos dois modelos elétricos Spark e Captiva, que na sequência deverão ser montados pela Comexport na antiga fábrica da Troller em Horizonte, no Ceará, em kits SKD – conjunto importados da China já semimontados.
• A Stellantis adota plano parecido com a importação de modelos da sócia Leapmotors para mercados fora da China, inclusive o Brasil.
• A Ford negocia parcerias na China após o CEO Jim Farley tecer elogios ao SU7 da Xiaomi, fabricante de computadores e smartphones que recentemente decidiu estender seus domínios à produção de veículos com pegada de alta tecnologia.
O risco é que os fabricantes tradicionais tornem-se revendedores de tecnologias desenvolvidas por terceiros, o que tem efeito direto sobre a identidade das marcas automotivas. Mas ao que tudo indica não há outro caminho possível no momento.
Domínio da cadeia produtiva
Se alguns países como Estados Unidos e Canadá ainda bloqueiam a entrada de carros chineses em seus mercados o mesmo não se pode dizer de componentes e insumos essenciais. E a China está usando seu domínio de minerais e componentes de terras-raras para colocar de joelhos os mercados globais.
Recentemente o governo chinês impôs restrições às exportações destes insumos e maquinários de produção, o que poderá paralisar boa parte das linhas de produção de veículos pelo mundo. A medida, já utilizada antes neste ano e agora retomada, vem sendo encarada como uma reposta de Pequim às pesadas tarifas de importação impostas a produtos chineses pelo imperial governo de Donald Trump.
O desenvolvimento de fornecedores alternativos de materiais de terras-raras – o Brasil tem a segunda maior reserva – leva muito tempo e até lá os fabricantes do mundo inteiro estão nas mãos da China: sem importar insumos chineses a produção de veículos pode simplesmente parar.
A dependência global de importar componentes automotivos chineses é cada vez maior e o Brasil é um caso exemplar: a China é há alguns anos o maior fornecedor de autopeças importadas para o País, muito à frente de, nesta ordem, Estados Unidos, Japão e Alemanha, exportando em dólares para cá cerca de o dobro do que cada um destes três países vende a montadoras e mercado de reposição em solo brasileiro.
De janeiro a setembro deste ano as importações de autopeças da China pelo Brasil cresceram 19,6% em comparação com o mesmo período de 2024, totalizando US$ 3,3 bilhões, equivalente a 18,4% do valor gasto pelo País com componentes importados nestes nove meses.
Segundo o Sindipeças o movimento é explicado pelo real mais valorizado e a reorientação de exportações chinesas após o aumento de tarifas a seus produtos nos Estados Unidos – que, aliás, foi no mesmo intervalo o segundo maior exportador de peças ao Brasil: US$ 1,9 bilhão.
Os valores de importações de autopeças importadas da China tende a aumentar de 2026 em diante tendo em vista o início da produção local da BYD e GWM – além de outras com igual intenção de instalar linhas de montagem no País –, que iniciaram a operação montando veículos com quase a totalidade dos componentes importados, com promessas de nacionalização lenta, gradual e restrita.
Inundação de carros chineses
Nas últimas duas décadas a China escalou toda a sua cadeia automotiva em alta velocidade e há mais de dez anos tornou-se a maior produtora e maior mercado de veículos do mundo, chegando à capacidade atual de produzir 50 milhões de unidades por ano, o que corresponde a mais da metade, 55%, do mercado mundial atual.
Nunca antes um único país conseguiu tamanha fatia produtiva. Em termos comparativos os Estados Unidos, segundo maior mercado de veículos do mundo, produz não mais do que 10 milhões de unidades/ano.
O problema é que nem o mercado chinês consegue consumir tanto e ocupa cerca de somente a metade da capacidade das fábricas. A alternativa para reduzir a ociosidade é uma corrida à exportação que está inundando o mundo com carros chineses.
O potencial produtivo da China foi inflado especialmente por montadoras nacionais que, ao longo da última década, multiplicaram-se em mais de cem marcas e cresceram em volume e qualidade, tomando terreno antes ocupado por fabricantes estrangeiros, que começaram a se instalar no país na década de 1990 em sociedade com empresas chinesas. Após anos de inflada prosperidade as marcas internacionais foram superadas pelas chinesas, que hoje dominam mais de 60% das vendas domésticas.
O resultado desta disputa foi a drástica redução de mercado para os fabricantes estrangeiros, que hoje vendem 8 milhões de veículos a menos do que há cinco anos.
Ao mesmo tempo o excesso de capacidade produtiva e a acirrada concorrência no mercado chinês provocou uma guerra de preços na qual somente empresas chinesas têm condições de participar, pois dominam toda a cadeia de produção, controlam melhor seus custos e ainda recebem subsídios do governo.
Para reduzir a crescente ociosidade das fábricas o caminho apontado foi a internacionalização. O governo central indica que promoverá uma consolidação de empresas do setor e só sobreviverão aquelas com presença internacional. Resumindo, é exportar ou morrer.
Com produtos sensivelmente melhores do que há poucos anos – principalmente elétricos e híbridos –, custos imbatíveis e pressão do governo combinada com incentivos, as fabricantes chinesas correram para sobreviver e, em apenas cinco anos, a China tornou-se o maior exportador de carros do mundo, saltando de 1 milhão de unidades embarcadas em 2020 para cerca de 7 milhões este ano, que chegam a mais de cem países.
Foi mais um baque para os fabricantes ocidentais que, além de perderem muito terreno na China – que para muitos deles foi e ainda é o seu maior mercado mundial –, também começaram a ceder espaço para os chineses em seu próprio país e nos mercados externos onde também produzem ou exportam.
Com poder de competição global cada vez mais reduzido e mercado europeu retraído joias da coroa automotiva alemã, como Volkswagen, Mercedes-Benz e Bosch, já anunciaram dezenas de milhares de demissões.
Se deixar a porta aberta os chineses entram
Os chineses saíram batendo em todas as portas pelo mundo e entraram onde deixaram. Não são só mercados emergentes que as marcas automotivas chinesas estão dominando, mas qualquer um que permita, mesmo que com a aplicação de tarifas. O Reino Unido, por exemplo, já é o maior mercado externo da BYD e a ambição voraz declarada das marcas chineses é liderar o mercado britânico até 2030.
E nos países onde entram carros completos ou parcialmente montados também entram as autopeças, que se somam às já fornecidas a fabricantes locais e para reposição.
O Brasil também tornou-se um interessante ponto de desembarque e conquista. Este ano, de janeiro a setembro, foram emplacados 123,5 mil veículos importados da China, em crescimento de 51% sobre igual período de 2024, com fatia equivalente a quase 7% dos emplacamentos. Isto sem contar algo como 100 mil carros já importados por fabricantes chineses que ainda serão vendidos.
O resultado dos chineses é bastante expressivo, dado que o mercado brasileiro enfrenta retração e as vendas de automóveis e comerciais leves produzidos no País avançaram menos de 2% em nove meses.
Há três anos a China tornou-se o segundo maior fornecedor de veículos importados ao Brasil e este ano, em agosto e setembro, o país pela primeira passou a Argentina.
Dominação concluída
A voracidade da indústria automotiva chinesa deixa os fabricantes ocidentais paralisados – tanto economicamente pelos volumes de produção sem precedentes a custos imbatíveis como, também, literalmente pela restrição proposital do governo chinês em fornecer minérios de terras-raras e de maquinário para processá-los. “É a coisa mais humilhante que já vi”, resumiu recentemente Jim Farley, o CEO da Ford.
A situação certamente perpassa a indústria automotiva, pois envolve a segurança econômica de países, sobrevivência de indústrias nacionais e independência estratégica de insumos e tecnologias. Mas é certo que os abismos competitivos abertos no mundo pela China são difíceis de fechar, o que já enseja uma escalada protecionista que descamba para animosidades políticas por parte de países que não conseguem mais competir. Está difícil reequilibrar forças.
Na indústria automotiva – e muitos outros setores – a China não irá dominar o mundo, porque já dominou, até mesmo em países onde seus carros não entraram ainda.
Infomoney - SP 23/10/2025
O lucro da Tesla no terceiro trimestre ficou abaixo das expectativas de Wall Street, apesar das vendas recordes de veículos elétricos, um sinal da pressão que as montadoras enfrentam devido às mudanças nas políticas federais e ao aumento dos custos.
O lucro ajustado foi de 50 centavos por ação no período, informou a empresa nesta quarta-feira em um comunicado. Os analistas esperavam, em média, 54 centavos, segundo estimativas compiladas pela Bloomberg. A receita foi de US$ 28,1 bilhões, superando as expectativas.
As ações caíram 2% às 16h30 no pregão estendido em Nova York.
A empresa reiterou a linguagem do trimestre anterior, afirmando que é “difícil medir” como as mudanças nas políticas comerciais globais e fiscais impactarão seus negócios e operações. A Tesla vê seus resultados dependendo do ambiente econômico mais amplo, bem como da velocidade em acelerar os esforços de autonomia e aumentar a produção de produtos-chave.
A Tesla alertou que ainda enfrenta “incertezas de curto prazo devido às mudanças nas políticas comerciais, tarifárias e fiscais”, mas está investindo em linhas de negócios futuras, incluindo robótica. Analistas consultados pela Bloomberg esperam que a Tesla reporte o segundo ano consecutivo de queda nas entregas de veículos.
No início deste mês, a Tesla registrou vendas recordes no terceiro trimestre, à medida que os clientes correram para aproveitar o crédito fiscal de US$ 7.500 para compras de veículos elétricos, que expirou em 30 de setembro, proporcionando um impulso temporário ao negócio automotivo principal da empresa.
A Tesla reportou US$ 417 milhões em receita proveniente de créditos regulatórios que recebe de outras montadoras que excedem os padrões de emissões — valor ligeiramente abaixo do trimestre anterior. Mudanças nas políticas durante a administração Trump reduziram a demanda por esses créditos. A Tesla afirmou que já esperava uma queda nesse negócio.
O comunicado trouxe poucas atualizações sobre áreas-chave, como o negócio de robotáxis da Tesla, que foi lançado em Austin em junho. A empresa também opera um serviço de carona na área da baía de São Francisco, mas não informou quando espera operar esse serviço de forma totalmente autônoma.
Os resultados destacaram os aumentos significativos de custos que as montadoras enfrentam em um ambiente de tarifas de importação e inflação. As despesas operacionais da Tesla dispararam 50%, chegando a US$ 3,4 bilhões no trimestre.
O fluxo de caixa livre foi de quase US$ 4 bilhões, um aumento significativo em relação ao ano anterior e muito acima da estimativa média dos analistas, que era de US$ 1,25 bilhão.
Grandes Construções - SP 23/10/2025
Segundo levantamento da Pesquisa Nacional por Amostras Contínuas (Pnad Contínua) do IBGE, 88,2% das casas do país ainda são feitas com a alvenaria tradicional.
Apesar dessa preferência esmagadora que perdura até os dias de hoje, a construção civil tem passado por um processo de modernização e inovação e, dentro dessa revolução, o Steel Frame se destaca.
Caracterizado pelo uso de aço galvanizado no lugar de concreto e tijolos, o método é implementado em 90% das obras realizadas em países como Estados Unidos, Canadá, Áustria, Chile, Japão e Nova Zelândia, onde é visto como uma alternativa mais ágil e sustentável à alvenaria.
Para entender melhor as vantagens desse modelo, o especialista em construções inteligentes Diego Vaz, CEO da iBUILD, rede de franquias brasileira especializada no uso de construções com Steel Frame, elenca abaixo 5 motivos que fazem do Steel Frame uma decisão interessante para as obras.
1. Agilidade na execução da obra
O Steel Frame reduz significativamente o tempo de execução de uma obra em comparação à alvenaria tradicional.
O sistema utiliza estruturas de aço galvanizado para erguer as paredes, que são revestidas com placas cimentícias ou de gesso acartonado.
Esses materiais são mais leves e fáceis de instalar do que os tijolos e blocos de concreto usados na alvenaria, agilizando o processo de construção.
Além disso, o processo de montagem exige menos mão de obra e evita a necessidade de etapas demoradas, como a cura do concreto.
“Dependendo do tamanho da casa que vai ser construída, com a alvenaria, ela pode demorar cerca de seis meses a um ano para ficar pronta, sem considerar atrasos”, explica o executivo.
“Já com o Steel Frame, esse tempo pode ser reduzido em até três vezes, graças às facilidades que ele oferece em sua instalação”, diz.
2. Eficiência energética e sustentabilidade
As construções em Steel Frame possuem excelente desempenho térmico, pois as paredes montadas com esse sistema têm maior capacidade de isolamento, o que ajuda a manter a temperatura interna do ambiente mais estável.
“Vale ressaltar também que o Steel Frame é uma alternativa mais sustentável, pois o aço utilizado é 100% reciclável e exige menos recursos naturais na construção, reduzindo o impacto ambiental, que é um aspecto crítico na alvenaria tradicional”, comenta Vaz.
3. Maior durabilidade e resistência
O aço galvanizado possui alta resistência contra corrosão, fogo e condições climáticas, oferecendo mais proteção que paredes de tijolos de forma geral.
“Enquanto a alvenaria pode sofrer com umidade, rachaduras e desgaste muito mais rápido da estrutura, o Steel Frame é mais robusto e durável, oferecendo uma proteção superior contra esses danos comuns”, reforça o CEO.
“Como o aço é imune a cupins e ao apodrecimento, a construção exige menos manutenção ao longo dos anos e tende a ter uma vida útil mais longa, fazendo com que os donos da casa economizem dinheiro a longo prazo com os eventuais reparos que precisam ser realizados”, garante.
4. Maior precisão e menor desperdício
As peças do Steel Frame são produzidas sob medida e em ambiente controlado, o que proporciona maior precisão no corte e ajuste dos materiais, diferentemente da alvenaria, que exige adaptações e ajustes durante a própria obra.
“A necessidade de ter que fazer esses ajustes também é um dos fatores que faz com que as obras de alvenaria sejam tão mais demoradas e possam acabar custando mais que o seu orçamento inicial”, adiciona o CEO.
“Steel Frame conta com um sistema de montagem padronizado, o que minimiza a possibilidade de ocorrer um erro humano e eleva a qualidade final da construção”, enfatiza o especialista.
Além disso, a pré-fabricação das peças reduz a geração de resíduos, contribuindo para uma obra mais limpa, eficiente e econômica, com menos desperdício de materiais e danos ao meio ambiente.
5. Flexibilidade de projetos e expansões
A estrutura de Steel Frame é, em média, até 44% mais leve que a da alvenaria, o que oferece flexibilidade para a criação de projetos arquitetônicos variados e modernos.
A leveza do material permite que o sistema suporte grandes vãos e paredes mais finas, o que possibilita mais espaço útil interno e um design mais modular, com mais opções para ambientes abertos.
“Essa é uma das maiores vantagens do Steel Frame: a sua modularidade. Caso o cliente julgue ser necessária uma modificação na estrutura do imóvel, por qualquer motivo que seja, a flexibilidade do sistema oferece bastante facilidade para isso”, afirma Vaz.
“Essa versatilidade é uma vantagem para quem busca um imóvel que possa ser adaptado conforme as necessidades evoluem”, finaliza.
O Estado de S.Paulo - SP 23/10/2025
O Reforma Casa Brasil, programa de crédito para reforma de moradias anunciado pelo governo na segunda-feira, 20, tende a ocupar o vácuo deixado por uma tradicional linha de financiamento para compra de materiais de construção que foi suspensa pela Caixa Econômica Federal em 2019 e não voltou mais: o Construcard. A expectativa do setor é que a medida renove o fôlego das vendas de materiais, que esfriaram nos últimos meses em virtude dos juros altos. A comercialização desses itens depende de crédito, seja por meio de empréstimos pessoais, cartão de crédito ou demais alternativas - que estavam escassas.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Paulo Engler, acredita que o novo programa pode dar uma guinada nas vendas do setor. “É algo extremamente positivo para o setor. Se deslanchar em novembro e dezembro, pode trazer alguma movimentação importante ainda este ano”, disse Engler. “Se o programa surtir o efeito previsto, talvez tenhamos de repensar novamente as projeções de vendas, mas agora para cima”, disse.
Em setembro, a Abramat reduziu a previsão de alta nas vendas do setor neste ano, diante da piora dos resultados no começo deste semestre. A expectativa é que a comercialização de materiais tenha um crescimento de apenas 1,8% em 2025, enquanto a projeção inicial era de avanço de 2,8%.
“O setor de construção está em um momento não muito positivo, bastante desafiador por causa dos juros altos”, disse o presidente da Associação dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cássio Tucunduva, que representa as lojas. “Nos últimos dois meses, sentimos um movimento de retração nas vendas. O programa tem a total possibilidade de reverter isso. Então, vai ser de grande valia para as lojas e também para o consumidor.” A projeção da Anamaco é que o faturamento do varejo de materiais tenha uma alta de 2,6% em 2025.
O presidente executivo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Fernando Guedes, avalia que o programa pode estimular uma cadeia produtiva ampla, que envolve desde pequenas lojas de materiais de construção até prestadores de serviços, profissionais autônomos e fabricantes desses itens. Terá também impacto sobre os empregos na construção, principalmente em regiões metropolitanas e cidades de médio porte. “Cada obra de reforma movimenta o comércio local e gera ocupação imediata. É um tipo de investimento que tem retorno social rápido, porque melhora o ambiente doméstico e devolve autoestima às famílias”, declarou.
Vácuo do Construcard
Os representantes da indústria e do comércio de materiais também destacaram a importância de os consumidores contarem novamente com uma opção específica de financiamento, que não existia mais desde o fim do Construcard. Por anos e anos, o Construcard foi a principal linha de financiamento a pessoas físicas para a construção, reforma ou ampliação de imóveis, com possibilidade de parcelar o pagamento em até 240 meses (12 anos).
A meta inicial do programa Reforma Casa Brasil é atingir 1,5 milhão de contratações, de acordo com dados do governo federal. Para isso, contará com R$ 30 bilhões do fundo social do pré-sal e outros R$ 10 bilhões da Caixa Econômica Federal, totalizando um orçamento de R$ 40 bilhões. O programa faz parte do “pacote de bondades” preparado pelo governo Lula com benefícios principalmente para a classe média, que será fundamental nas eleições presidenciais do ano que vem.
Os financiamentos vão de R$ 5 mil a R$ 30 mil, voltados para famílias da faixa 1 (renda até R$ 3,2 mil) e faixa 2 (renda até 9,6 mil). A taxa de juros para cada uma dessas faixas ficará na ordem de 1,17% ao mês a 1,95% ao mês, respectivamente. Já o prazo de pagamento é de até 60 meses (cinco anos). Este programa é voltado a famílias que já têm imóvel, mas enfrentam problemas estruturais ou de adequação. O valor das parcelas será limitado a 25% da renda familiar.
Com a nova linha de crédito, a expectativa é de avanço nas vendas, principalmente, de itens básicos (cimento, areia, tijolos e telhas), além de hidráulica e elétrica. “As pessoas vão querer ampliar a casa”, estimou Engler. Apesar do juro não ser pequeno, a expectativa do presidente da Abramat é que ele dê condições de compra, ao contrário dos juros do financiamento pessoal ou cartões de crédito, cujas taxas estão mais altas.
“A taxa do programa é alta, mas a impressão é que o valor a ser pago vai caber dentro do orçamento da família. No Brasil, o desemprego está baixo e houve crescimento de renda. Esses fatores, congregados, ajudarão as famílias a ter condição de pagar”, estimou Engler.
Porta para o endividamento
Apesar da animação do setor, o sócio da área de Direito Imobiliário do Demarest Advogados, Marc Stalder, diz que o programa pode representar mais uma porta de entrada para o endividamento da população, que já é alto.
“Do ponto de vista jurídico e regulatório, a iniciativa (...) revela mais um caminho para o endividamento da população, com passos para o comprometimento ainda maior do crédito decorrente da poupança, já tão combalido”, disse.
O advogado observou que ainda não está claro no programa se será necessário para o tomador do crédito demonstrar ser proprietário do imóvel ou não, nem se haverá exigência de alguma garantia, ainda que meramente formal, para liberação dos recursos pelo banco. “Resta aguardar para sabermos se terá efetividade por representar mais uma dívida que, ainda que subsidiada, terá de encontrar seu espaço no bolso dos muitos interessados já com a renda tão comprometida”, disse.
Stalder ressaltou ser importante acompanhar a regulamentação e a implementação prática do programa observando esses aspectos e detalhamentos, especialmente no que tange à segurança jurídica dos contratos de financiamento, à fiscalização das obras e da destinação dos recursos e à efetividade dos subsídios anunciados.
IstoÉ Dinheiro - SP 23/10/2025
O apetite do ecommerce por galpões segue voraz. O setor logístico caminha para encerrar 2025 com cerca de 4 milhões de metros quadrados de novas áreas, segundo projeção da consultoria Erea. Se confirmada, a marca superará o desempenho de 2022, quando o mercado entregou 3,7 milhões de m² – no auge da digitalização dos negócios no Brasil pós-pandemia. As projeções fazem parte do relatório Highlights de Mercado 3T25 da Erea, que será apresentado a investidores em um webinar no dia 28 de outubro, e que o Metro Quadrado traz em primeira mão.
Até setembro, já foram entregues 2,4 milhões de m² de novos galpões no País – um volume que supera o desempenho de 2023 e já iguala o consolidado de 2024. “Esse resultado surpreendeu pela queda da vacância, mesmo com o aumento do estoque,” diz Henrique Porto, gerente de research da Erea. “E cada vez mais observamos gargalos macroeconômicos, como o custo de capital e de desenvolvimento, além da escassez de áreas disponíveis para novos projetos.”
Mercado Livre lidera corrida por galpões
Na guerra pelo frete grátis e rápido, o Mercado Livre lidera o ranking de maiores ocupantes no terceiro trimestre, seguido por Shopee e Amazon. Essa ordem também se repete no ranking consolidado de estoque ocupado, segundo a Erea. Com a corrida por áreas locáveis, o setor garantiu crescimento real dos preços, que subiram 8% no trimestre, acima dos 5,17% da inflação geral. Pelo terceiro trimestre consecutivo, o mercado manteve a mínima histórica de vacância em 7,5%, com preço médio de R$ 27 por m².
Nos endereços mais premium, o upside é ainda maior. Praças estratégicas como as do Raio 30 de São Paulo registraram reajuste de 12%, e Guarulhos teve alta de até 30%. “Era algo impensável em relação à movimentação de estoque no País há pouco tempo,” diz Henrique. Nesse cenário, as expectativas para o último trimestre do ano seguem altas. Segundo a Erea, a absorção líquida – já descontados os galpões devolvidos – foi a maior desde o segundo trimestre de 2022, com cerca de 1 milhão de m², enquanto a absorção bruta somou 1,5 milhão de m².
Valor - SP 23/10/2025
Projeto que liga o norte do Mato Grosso a porto paraense aguarda decisão do STF, e ramal até país vizinho daria acesso ao porto de Chancay
Portos das regiões Norte e Nordeste do Brasil, conhecidos como Arco Norte, já escoam mais da metade dos grãos produzidos no Centro-Oeste. Para ampliar essa vazão, a liberação da construção da Ferrogrão é fundamental, argumentou Vanessa Gasch, diretora-executiva do Movimento Mato Grosso Competitivo (MMTC), durante debate da série “Logística no Brasil”, promovida pelo Valor, com oferecimento do Ministério dos Transportes e Infra S.A., no fim de setembro. A mediação foi da repórter especial Lu Aiko Otta, do jornal.
De acordo com Gash, o Mato Grosso avançou muito em termos de infraestrutura logística nos últimos anos, mas a diversificação modal por meio de investimento em ferrovias, rodovias e hidrovias é fundamental para distribuir a produção para grandes centros consumidores do Brasil e para outros países.
Com previsão de 933 km e custo inicial de R$ 11,45 bilhões, a Ferrogrão pretende ligar por trilhos Sinop (MT) até o terminal portuário de Miritituba, no Pará. Trata-se de um dos maiores planos de infraestrutura logística do país. O projeto, no entanto, está em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) devido a uma ação do PSOL que questiona a modificação dos limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, para possibilitar o traçado da ferrovia.
“Em 2010, tínhamos cerca de 14% do escoamento de grãos para o Arco Norte. Hoje, são entre 50% e 53% dos grãos indo para lá. Há problemas de escoamento pelo rio Madeira, então precisamos viabilizar urgentemente a questão da Ferrogrão. Um estudo recente demonstrou que a saída [dos insumos] pelos portos do Arco Norte torna a exportação mais barata tanto para a China quanto para a Europa”, declarou Gasch.
A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso (Aprosoja) estima que as atuais 100 milhões de toneladas de produção de grãos passem para 140 milhões nos próximos dez anos. “Fora a produção industrial que está vindo a reboque nesse processo. O etanol, hoje, é um grande desafio logístico para se tirar do Estado de Mato Grosso”, afirmou Lucas Costa Beber, presidente da entidade, que também defende a Ferrogrão.
Cleiton Gauer, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), lembrou que as BR-242 e BR-158 têm problemas de asfalto, prejudicando o transporte rodoviário.
Ter uma ferrovia até Santa Cruz de La Sierra [Bolívia] resolve o problema”
— Paulo A. S. Lustosa
A Infra S.A., estatal sob o guarda-chuva do Ministério dos Transportes, afirma que a Ferrogrão é estratégica não apenas para o Centro-Oeste, mas para o Brasil. “Assim como são as rotas bioceânicas, que vão alterar a dinâmica geopolítica e econômica do país e do continente, oferecendo alternativas logísticas para exportação e integração territorial", analisou Lilian Campos, superintendente de inteligência de mercado da autarquia.
Rotas bioceânicas preveem ligação rodoviária entre o porto de Santos (SP) e os chilenos de Antofagasta e Iquique, passando por Campo Grande, e um corredor ferroviário que conecte o porto de Chancay, no Peru, ao Acre, Rondônia e Mato Grosso, além das ferrovias de integração Centro-Oeste (Fico) e Oeste-Leste (Fiol) e até o porto de Ilhéus (BA). Segundo Campos, a Infra S.A. quer estabelecer um eixo multimodal de ferrovias, rodovias e portos para escoar a produção do Mato Grosso via Arco Norte, Chile ou Peru.
Paulo Afonso Rodrigues da Silva Lustosa, presidente da Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas (Fenatac), disse que a ligação até o Peru é inviável a partir de rodovias. “A saída para esse porto é ferrovia”, disse. Segundo ele, questões internas na Bolívia inviabilizam o trajeto rodoviário pelo país, caminho mais curto até Chancay a partir da região de Cuiabá. “Se alguém é atropelado, eles param a rodovia por cinco dias. Ter uma ferrovia até Santa Cruz de La Sierra [Bolívia] resolve o problema”, afirmou.
A solução, prosseguiu, é terminar a Fico e a Fiol e estender esse corredor para Rondônia, Acre, Peru e a parte baixa da Cordilheira dos Andes, área também difícil para transporte rodoviário de cargas.
CNN Brasil - SP 23/10/2025
O governo quer enviar os projetos de concessão das ferrovias EF-118 (Estrada de Ferro 118) e da Ferrogrão ao TCU (Tribunal de Contas da União) ainda neste ano.
De acordo com o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, a expectativa é que as propostas cheguem ao tribunal de contas no mais tardar até novembro.
No evento “Infraestrutura em movimento: desafios para transformar o Brasil” do MoveInfra, o secretário declarou que o projeto de concessão da EF-118 deve ser enviado na próxima semana, enquanto a proposta da Ferrogrão chegará no TCU em novembro.
Além das concessões ferroviárias, o Ministério dos Transportes também está investindo nos leilões rodoviários. No próximo ano, a expectativa é de realizar mais 20 concessões de rodovias. Para este ano, a meta estabelece 15 certames, que somam R$ 161 bilhões.
“Vamos iniciar 2026 mais forte do que nos outros anos. Vamos começar com alguns leilões já com início no primeiro trimestre, normalmente a gente concentra muito no segundo semestre”, disse Santoro.
A Estrada de Ferro 118, também conhecida como Anel Ferroviário do Sudeste, planeja conectar o município de Nova Iguaçu (RJ) a Santa Leopoldina (ES). A ferrovia deve ter extensão de 575 quilômetros, com investimentos avaliados em R$ 4,6 bilhões (Capex).
Já a Ferrogrão prevê ter capacidade de transportar até 52 milhões de toneladas de commodities agrícolas ao ano, interligando os municípios de Sinop (MT) e Itaituba (PA).
O projeto encontra-se parado no STF (Supremo Tribunal Federal) devido a uma ação do Psol, que questiona a destinação de parte do Parque Nacional do Jamanxim (PA) a iniciativa da estrada de ferro.
Modelagem “quase perfeita”
Na avaliação do diretor geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Guilherme Sampaio, o Brasil chegou a um estágio “quase que perfeito” na modelagem da estruturação e regulação e gestão de contratos de concessão.
Durante o evento do MoveInfra, Sampaio destacou que há projetos para todos os “gostos” e “bolsos”, seja quando se considera a dimensão e os investimentos. Além disso, o diretor geral também ressaltou que a ANTT conseguiu desenhar uma matriz de risco compartilhada, que atrai investidores nacionais e internacionais.
"Se nós temos uma demanda que é frustrada, isso vai ser compartilhado com o poder concedente. Mas, por outro lado, se houver um crescimento da demanda, isso vai ser compartilhado com o usuário", afirmou.
O diretor geral disse que a maior parte dos riscos é compartilhada com o poder concedente, como risco geológico, risco geotécnico, risco de variação cambial e o risco de demanda.
“Hoje, quase tudo é compartilhado, exceto o risco de financiamento, que é um ponto ainda a ser discutido”, disse.
Valor - SP 23/10/2025
Foi preciso adequar projetos e redesenhar leilões, além de enfrentar questões fundiárias e ambientais, entre outros
Após quase 15 anos de estudos, o processo de integração entre a Ferrovia Norte-Sul (FNS), já em operação, e as ferrovias de Integração Centro-Oeste (Fico) e Oeste-Leste (Fiol) avança com lentidão. Foi preciso adequar projetos e redesenhar leilões, além de enfrentar questões fundiárias e ambientais, entre outros. A viabilidade da extensão da FNS de Açailândia (TO) a Barcarena (PA) continua em análise, conforme a Infra S.A.
Em setembro, o Ministério dos Transportes apresentou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) documentos preliminares para a modelagem do leilão de concessão em bloco do corredor formado pelos trechos de Correntina (BA) a Mara Rosa (GO), terceira fase da Fiol, e de Água Boa a Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, segunda etapa da Fico, somando 1.345 km. O primeiro trecho permitirá a conexão com a FNS, num trajeto de quase 840 km.
A ligação Água Boa-Mara Rosa, onde a Fico se conectará à FNS, está com 30,4% das obras, sob administração da Vale, concluídas. A ferrovia deve ser finalizada até 2028. A segunda fase da Fiol, de Caetité a Barreiras (BA), está 71% concluída e deve terminar em dois anos. A Infra S.A. fez um acordo de R$ 105 milhões em regularização fundiária, indenizações, capacitação e infraestrutura com comunidades quilombolas para evitar litígios e deslocamentos forçados.
Nos 10 anos entre 2014 e o ano passado, o corredor norte da FNS, sob gestão da VLI, mais do que triplicou os volumes transportados, para 14,4 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU), conforme Alessandro Gama, diretor-executivo de planejamento, engenharia e tecnologia da operadora. Para ele, o trecho, que segue por 720 km de Porto Nacional (TO) a Açailândia (MA), e dali ao porto de Itaqui (MA) via Estrada de Ferro Carajás, também sob gestão da VLI, criou a “espinha dorsal” do Matopiba, região de confluência do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
Concluído em 2023, num investimento próximo de R$ 4 bilhões, a malha central da FNS, com 1.537 km entre Estrela D’ Oeste (SP) e Porto Nacional (TO), ainda não atingiu seu potencial. A via suporta entre 50 milhões a 60 milhões de toneladas, segundo a Rumo. Em Goiás, que é atravessado pela ferrovia, a companhia tem terminais em São Simão, em parceria com a Caramuru Alimentos, e em Rio Verde, onde foi instalada uma unidade de fertilizantes com participação da Andali S/A.
Neste ano, a Rumo fechou parceria com a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) para levar bauxita de Goiás a Alumínio (SP) - a solução contempla 250 vagões e permite carregar até 12 mil toneladas por viagem - e iniciou o transporte de combustíveis a partir do terminal de Rio Verde.
Valor - SP 23/10/2025
Consultoria avalia que ferrovia exigiria R$ 36 bi, quase tudo bancado pelo governo
Um estudo realizado pela Inter.B Consultoria avalia a Ferrogrão, projeto de ferrovia com 933 km entre Sinop (MT) e os portos fluviais do Tapajós em Miritituba (PA), como um mau negócio tanto para investidores privados como para o poder público. “É um investimento que não fica em pé devido ao seu elevado custo financeiro”, diz o economista Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B. Nos cálculos do consultor, a ferrovia terá um capex, o jargão para custo de implementação, de R$ 36,86 bilhões, sendo R$ 33,96 bilhões na via férrea e R$ 2,9 bilhões em material rodante, ou seja, em locomotivas e vagões.
Para chegar a esses valores, Frischtak utilizou como parâmetro o projeto em execução da Vale na implementação da primeira etapa da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico I), um trecho de 383 km entre Mara Rosa (GO) e Água Boa (MT). O valor da Ferrogrão, diz Frischtak, pode ser ainda maior, uma vez que a ferrovia será implementada no bioma amazônico e enfrentará desafios relacionados a clima, topografia e geologia dos solos, além de condições sociais e ambientais mais complexos do que a Fico. Por conta dessas condições, ele estima em 30% o risco de atraso na obra.
No projeto apresentado pelo governo federal ao Tribunal de Contas da União (TCU) em 2020, a execução da Ferrogrão deve consumir nove anos. A estimativa é que a ferrovia possa transportar 21,2 milhões de toneladas de carga no primeiro ano de operação e 51 milhões de toneladas no trigésimo ano. O investimento, atualizado pela inflação até junho de 2024, é de R$ 11,45 bilhões, e a tarifa, de R$ 110,05 por mil toneladas por quilômetro útil (TKU), o que permitiria uma taxa interna de retorno (TIR) do investimento de 11,04%.
Porém, segundo Frischtak, com investimento de R$ 36,86 bilhões, a TIR ficará no máximo em 1,6%, o que torna o negócio inviável para a iniciativa privada. “O governo subestima os investimentos necessários e superestima a TIR”, diz o consultor. Uma alternativa seria praticar uma tarifa mais elevada, mas essa hipótese é vista como irrealista, uma vez que não há espaço um frete muito maior devido a concorrência de outras vias de transporte.
Para garantir uma TIR de 11%, o Tesouro Nacional teria que aportar R$ 32,5 bilhões na implementação da obra. “Estaríamos diante de uma estranha parceria público-privada, onde o governo entraria com 90% dos recursos”, afirma o presidente da Inter.B.
O projeto, sempre cercado de polêmica, é classificado como prioritária pelo governo federal, que pretende realizar o leilão do empreendimento em 2026. Uma nova versão do projeto está em fase final de análise na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que já anunciou que o irá encaminhar para a avaliação do TCU até dezembro.
O governo considera ter superado o impasse jurídico em relação a um trecho de 49 km da ferrovia que corta o Parque Nacional do Jamanxim (PA), onde vivem povos indígenas. No projeto original seria necessária a supressão de uma área de 862 hectares do parque, o que levou o PSOL em 2021 a entrar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF). O governo alega que o novo traçado dispensa a supressão da área e que a ferrovia será construída na faixa de domínio da BR-163. Apesar de atravessar o Jamanxim, é uma área federal e não pertencente ao parque.
Para o agronegócio, a Ferrogrão é fundamental para escoar a produção do Mato Grosso. Hoje, o trajeto Sinop-Miritituba é realizado por caminhão, pela BR-163. “A ferrovia deve reduzir em 20% os custos de transporte e também as emissões de dióxido de carbono (CO2). Um comboio de 12 vagões retira da estrada 400 caminhões”, diz Elisangela Pereira, assessora técnica da Comissão de Infraestrutura e Logística da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Grupos ambientalistas, por sua vez, avaliam que o trajeto abrange áreas pouco antropizadas e apresenta um grande potencial de impacto socioambiental. Documento do Grupo de Trabalho Infraestrutura e Justiça Socioambiental (GT Infra) estima que a ferrovia pode gerar um desmatamento de mais de 2 mil km2 de florestas e promover conflitos fundiários na região. “É preciso uma visão abrangente do impacto da ferrovia, inclusive sobre as mudanças climáticas. O aquecimento global e o ciclo de chuvas afetam o próprio agronegócio”, diz Renata Utsunomiya, analista de políticas públicas do GT Infra.
Valor - SP 23/10/2025
Com 70% do primeiro trecho concluído, ferrovia deverá movimentar 10 milhões de toneladas
A primeira ferrovia construída a partir da autorização de um governo estadual deverá começar a operar em junho de 2026, cinco anos depois que o governo do Mato Grosso lançou um chamamento público para interessados em realizá-la e três anos após a Rumo receber a licença para instalá-la. A operadora está investindo R$ 5 bilhões nesta primeira fase, que contempla os 160 km entre as cidades de Rondonópolis e Dom Aquino, onde instala um terminal ferroviário com capacidade para 10 milhões de toneladas por safra.
A via irá se integrar à Malha Norte, também operada pela Rumo, em Rondonópolis. O maior terminal ferroviário da América Latina fica no município e, atualmente, movimenta 25 milhões de toneladas/safra. “Programamos o início da operação desse primeiro trecho para coincidir com o começo da safra de milho na região”, afirma Natália Marcassa, vice-presidente de regulação, assuntos institucionais e comunicação da Rumo. Segundo a executiva, 70% das obras da primeira etapa já foram concluídas.
Quando estiver em plena operação, a Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo irá cobrir 743 km em direção à porção norte do Estado, incluindo um ramal até Cuiabá, e deverá se aproximar de seis entre os dez maiores municípios do Mato Grosso. “Nossa intenção é chegar mais perto de onde está a produção, tornando a logística de transporte mais eficiente e competitiva”, diz Marcassa.
A empresa está “refinando o traçado” do segundo trecho, de Dom Aquino a Lucas do Rio Verde. O modelo de negócio planejado pela companhia leva em conta a demanda já existente ao longo dos trechos em construção, tornando o investimento praticamente autofinanciável, na visão da executiva. A produção de soja na região por onde os trilhos irão passar mais que dobrou em cinco anos, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea); a de milho cresceu 67,6%.
Além de grãos e de fertilizantes, o complexo ferroviário deverá transportar etanol de milho até Paulínia (SP), num arranjo que prevê a realização da mistura do combustível à gasolina no polo químico paulista e seu retorno a Mato Grosso para distribuição ao consumidor final.
Valor - SP 23/10/2025
Obra é financiada pela administração paraguaia de Itaipu
A ponte que deverá facilitar o intercâmbio econômico entre o Centro-Oeste brasileiro e os vizinhos Paraguai e Argentina, além de conectar, por via rodoviária, Campo Grande aos portos de Iquique e Antofagasta, no Chile, deve ser concluída até o final do ano que vem, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
O empreendimento é financiado pela administração paraguaia de Itaipu, com investimento de US$ 93 milhões (cerca de R$ 575 milhões). O governo do Mato Grosso do Sul, por sua vez, arca com R$ 80 milhões em obras de infraestrutura, saúde e educação.
Além da travessia entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, cidade vizinha no lado paraguaio, as obras contemplam 13,1 km de estradas, seis pontes e um viaduto. O governo federal, por meio do Novo PAC, investe cerca de R$ 472 milhões nessas obras de acesso. Do lado paraguaio, o projeto prevê outros 3,8 km pavimentados.
Chamada de Ponte Internacional Bioceânica, a estrutura é parte do projeto do Corredor Bioceânico de Capricórnio, que, quando finalizado, deverá facilitar o transporte de cargas e passageiros entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile. O Mato Grosso do Sul espera um impulso econômico com o nova rota, já que, quando concluída, dará acesso à produção do Estado a portos do oceano Pacífico, o que tem o potencial de encurtar o tempo de transporte da soja produzida na região até a China.
“É como se, ao cruzarmos as cordilheiras, divisássemos no Pacífico um mundo novo”, afirmou o vice-governador do Mato Grosso do Sul, José Carlos Barbosa, no último dia 10, durante fórum para discutir o corredor, em Jujuy, na Argentina. “A integração dos oceanos nos dará a oportunidade de chegar aos mercados globais, com inúmeras vantagens competitivas”, disse, no mesmo evento, o governador da Província de Jujuy, Carlos Sadir.
Valor - SP 23/10/2025
Estados e governo federal planejam investimentos e concessões contra gargalos
Estados e governo federal programam concessões e investimentos nas estradas do Centro-Oeste, que enfrenta dificuldades para escoar a crescente produção agrícola em uma rodoviária que em sua maioria (68,2%) foi classificada como regular, ruim ou péssima pela Pesquisa CNT de Rodovias 2024, organizada pela Confederação Nacional do Transporte. “As condições ruins limitam a fluidez, aumentam o tempo de transporte e comprometem a competitividade da região”, diz Fernanda Rezende, diretora-executiva da entidade.
Apenas 31,8% das vias - o trabalho analisou todas as federais pavimentadas e as principais estaduais - receberam conceito bom ou ótimo. O piso é um dos pontos mais críticos: só 4,4% da malha tem pavimento perfeito, enquanto mais da metade está desgastada e quase um terço tem trincas e remendos. “Isso evidencia uma baixa qualidade que exige investimento urgente”, prossegue Rezende.
Goiás, com 21,2 mil km de vias estaduais, usa o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), abastecido com alíquotas de 0,50% a 1,65% cobradas de produtos agropecuários, para bancar parte dos R$ 3,6 bilhões previstos em rodovias para este ano, o triplo do volume registrado em 2019.
O Mato Grosso, com 2.360 km de vias estaduais, afirma que em 2024 foram investidos R$ 4,6 bilhões na malha e faz licitações para reparos em 673 km de vias. O Distrito Federal (quase 2 mil km de pistas) anunciou 110 km de estradas rurais pavimentadas. O Mato Grosso do Sul não se manifestou.
Outra alternativa são as concessões. A região foi alvo de dois leilões federais acirrados, a Rota Verde e a Rota do Agro, vencidos pelo consórcio liderado pela Azevedo Investimentos e cuja previsão de investimentos totaliza mais de R$ 7 bilhões. “O Centro-Oeste terá a maior taxa de crescimento do PIB nos próximos 30 anos, impulsionado pela expansão agrícola da soja e do milho. Estamos no início de uma nova fase no país, com complementaridade entre rodovias e ferrovias”, afirma Vaney Iori, diretor-geral da companhia.
No levantamento da CNT, rodovias concedidas têm desempenho superior às sob gestão pública, que têm 74,8% classificadas como regulares, ruins ou péssimas. No caso das concessões, são 53,1%.
Condições ruins comprometem a competitividade da região”
— Fernanda Rezende
Recentemente o Mato Grosso assumiu a Nova Rota do Oeste, concessão federal da BR-163 no trecho que corta o Estado, após repactuação do contrato por meio de homologação no Tribunal de Contas da União (TCU). A via deve receber R$ 9 bilhões em até oito anos. “Isso [a repactuação] sana projetos estressados e gera novos investimentos na região”, diz o advogado Fernando Vernalha, sócio do escritório Vernalha Pereira.
A Motiva Pantanal, outro trecho da mesma rodovia, mas no Mato Grosso do Sul, também foi repactuada, com contrato mantido sob gestão da mesma concessionária e que prevê R$ 10 bilhões em investimentos pelos próximos 29 aos nos 845 km da via. "Resolveremos todos os problemas operacionais que existem hoje. Ao término das obras, teremos uma rodovia sem gargalos e muito segura”, diz Nelson Soares Neto, diretor-presidente do braço regional da empresa.
O governo federal também estuda concessões simplificadas voltadas a investimentos de recuperação e manutenção, com baixas despesas de capital (capex), uma alternativa aos contratos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), responsável por mais de 8,5 mil km de estradas na região. “Esse programa vai beneficiar o Centro-Oeste, trazendo investimento privado para manutenção de rodovias hoje dependentes do orçamento público”, acrescenta Vernalha.
Segundo o DNIT, a região recebeu, de agosto de 2024 a agosto deste ano, mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos federais. Levantamento da autarquia indicou índice acima de 83% de boas condições nas estradas federais.
Valor - SP 23/10/2025
Setor produtivo, ambientalistas e governo buscam caminhos para conciliar infraestrutura e proteção
Terras indígenas e áreas de preservação impõem desafios à integração logística no Centro-Oeste. Enquanto produtores pressionam por vias mais adequadas para escoar a produção, ambientalistas e grupos de defesa dos povos originários lutam para evitar que o asfalto traga desmatamento e pressão sobre comunidades tradicionais que habitam o Centro-Oeste.
No Mato Grosso, o Parque Indígena do Xingu separa áreas produtoras e condiciona rotas. Ao norte, a MT-322 - única ligação leste-oeste nessa faixa do Estado - segue sem pavimentação em boa parte, inclusive no trecho que cruza o território indígena. Na estação chuvosa, a via fica praticamente intransitável, interrompendo a conexão entre as BRs 163 e 158, que conectam o Centro-Oeste ao Pará e a portos do Arco Norte.
A alternativa mais próxima, ao sul do parque, é a BR-242, cujo projeto para conexão asfáltica entre o distrito de Santiago do Norte (pertencente a Paranatinga) e o município de Gaúcha do Norte está parado há uma década à espera de licenciamento ambiental. O traçado original foi alterado para afastar a via do sítio arqueológico xinguano de Kamukuwaká, após pressão dos povos indígenas. “Trata-se de um caso excepcional de cumprimento do direito à consulta, resultado direto da organização e da governança dos povos do Xingu”, diz Mariel Nakane, assessora do Instituto Socioambiental (ISA).
De Gaúcha do Norte a estrada deverá seguir até Canarana, dando ligação direta entre a BR-163, em Sorriso, e a BR-158, no vale do Araguaia. “A BR-242 é fundamental para integrar Mato Grosso”, defende Luiz Pedro Bier, vice-presidente da Aprosoja-MT, que representa agricultores do Estado.
A leste, áreas de proteção ao longo do rio Araguaia deixam o Estado sem saídas para o Tocantins e com poucas conexões com o norte de Goiás. O projeto de estrada cortando a ilha do Bananal (TO) até São Félix do Araguaia (MT), possibilitando a ligação rodoviária também à região de Luís Eduardo Magalhães (BA) e aos portos de Salvador e Ilhéus (BA), está parado.
Na divisa com Goiás, uma nova ponte, que segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) está com 80% das obras concluídas, irá facilitar a ligação direta entre o norte mato-grossense e o norte goiano, reduzindo a dependência de balsas e desvios por vias não pavimentadas. A outra ponte está a cerca de 140 km ao sul, em linha reta, em Cocalinho (MT).
Outra região que impõe desafios é o Pantanal, que contempla áreas do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul. A duplicação da BR-262 nos 220 km entre Corumbá (MS) e Miranda (MS) enfrenta restrições ambientais que mantêm a capacidade do corredor reduzida.
Já o projeto da Ferrogrão, ferrovia projetada para ligar o norte mato-grossense a Miritituba (PA), tem entraves por cruzar terras indígenas, unidades de conservação e nascentes que alimentam o rio Tapajós. Organizações apontam riscos de abertura de ramais ao longo do trajeto, desmatamento e incêndios por ocupação desordenada no entorno. O licenciamento da obra está suspenso à espera de julgamento no Supremo Tribunal Federal de uma ação contra a destinação de parte da faixa de domínio da BR-163 à ferrovia.
Valor - SP 23/10/2025
Principal vencedor do dia foi o consórcio da Deme e da FTS, que levou a concessão do canal de acesso de Paranaguá
A sequência de licitações portuárias realizadas na quarta-feira (22) terminou com um total de R$ 1,3 bilhão de investimentos contratados e R$ 380 milhões em outorgas arrecadadas.
O principal vencedor do dia foi o Consórcio Canal Galheta Dragagem, formado pela belga Deme (com 70% das ações) e pela FTS Participações (30%). O grupo arrematou a concessão do canal de acesso do Porto de Paranaguá (PR), que responde por quase a totalidade das obras contratadas, com R$ 1,2 bilhão de investimentos previstos.
Para conquistar o contrato, o grupo ofereceu desconto de 12,63% sobre a tarifa paga pelos terminais do porto - o deságio máximo permitido pelo edital. Adicionalmente, a empresa propôs o pagamento de outorga de R$ 276 milhões, que ficará com a autoridade portuária do Estado.
A vitória se deu após uma disputa longa de lances em viva-voz contra a chinesa CHEC Dredging, da CCCC (China Communications Construction Company), que era apontada como a favorita na concorrência.
Além da outorga inicial proposta, o vencedor terá de pagar uma outorga anual de R$ 86 milhões e desembolsos variáveis ao longo do contrato de 25 anos, que tem possibilidade de prorrogação para até 70 anos.
O consórcio terá que realizar em torno de R$ 1,2 bilhão de investimentos. A principal obra do contrato é o aprofundamento do canal, que passará do atual nível de cerca de 13 metros para 15,5 metros, o que permitirá a passagem de embarcações maiores pelo porto - um dos principais pleitos das empresas e terminais.
“Para cada um metro [adicional] de calado, são 7 mil toneladas a mais que você pode embarcar. Com calado maior, você consegue trazer navios com carregamento maior. Hoje, por conta da deficiência de calados, não só em Paranaguá, muitas vezes o navio vem com uma capacidade limitada, precisa fazer paradas. E cada parada é um custo a mais. A questão do calado é vital para todos os tipos de carga”, afirmou André Maragliano, presidente da FTS, após o leilão.
O executivo disse que a parceria com a Deme uniu a expertise da belga, uma das maiores empresas de dragagem do mundo, com o conhecimento local da FTS, que atua em Paranaguá há 40 anos, com operações de fertilizantes, grãos e açúcar. “O papel [da Deme] é basicamente fazer a dragagem, é um papel técnico. E o da empresa brasileira é a gestão, o trânsito institucional e o relacionamento com os parceiros do porto”, disse.
O projeto de Paranaguá era um dos mais aguardados pelo setor portuário, por ser pioneiro. Trata-se da primeira concessão focada na operação do canal aquaviário de um porto - serviço que em geral é responsabilidade da autoridade portuária. Portanto, o leilão de ontem deverá servir como referência para outros projetos em estudo.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), disse que espera realizar mais três leilões com o mesmo modelo, em outros portos do país, até o fim do primeiro semestre de 2026. São eles os de Itajaí (SC), de Santos (SP) e de portos da Bahia (BA). “Nós estamos falando em investimentos de mais de R$ 8 bilhões”, disse o ministro a jornalistas, depois do leilão.
“Os processos já estão avançados na Antaq [Agência Nacional de Transportes Aquaviários] e o de Itajaí já está no TCU [Tribunal de Contas da União]”, afirmou.
Além da licitação paranaense, o governo federal realizou outros dois leilões portuários de menor porte na quarta-feira.
A Petrobras arrematou a concessão do terminal RDJ07, no Rio de Janeiro, destinado à movimentação de cargas de apoio logístico “offshore”, na exploração de óleo e gás na região.
A companhia fez uma oferta de R$ 104 milhões de outorga pelo ativo, superando a proposta de R$ 1 milhão da Sul Real GMBL.
O contrato, de 25 anos, demandará investimentos de R$ 99,4 milhões. O terminal já tem uma estrutura existente no local, que deverá receber novos investimentos para a renovação de galpões e armazéns e na compra de equipamentos, como guindastes e empilhadeiras. O projeto tem como foco o apoio a atividades “offshore” de óleo e gás, que estão localizadas em alto mar, por meio do fornecimento de insumos operacionais e de manutenção.
Além disso, o Consórcio Britto-Macelog II, formado pela Irmãos Britto e pela Macelog, conquistou a concessão de 25 anos do TMP Maceió, destinado à movimentação de passageiros no porto alagoano. O grupo, que foi o único interessado, ofereceu uma outorga de R$ 50 mil pelo contrato.
A previsão de investimentos é de R$ 3,75 milhões, na estação de passageiros e na área de estacionamento adjacente ao terminal, inserida no arrendamento.
Agência Brasil - DF 23/10/2025
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, disse nesta quarta-feira (22), em São Paulo, que o modelo de concessão adotado para o canal do Porto de Paranaguá deve inspirar futuras concessões de portos do governo federal. Entre os portos que podem adotar esse novo modelo de concessão estão os de Santos (SP), Itajaí (SC) e de Salvador (BA).
“Nossa ideia é que, até o dia 30 de abril do próximo ano, a gente possa fazer [o leilão de] pelo menos mais esses três canais”, disse o ministro a jornalistas. “O processo já está avançando na Antaq [Agência Nacional de Transportes Aquaviários]. O de Itajaí, por exemplo, já está no TCU [Tribunal de Contas da União]. A nossa meta é que, ao lado da Antaq, do tribunal de contas e dos governos estaduais, a gente possa, já no primeiro semestre de 2026, estar com esses canais de acesso prontos e com o leilão [realizado]. Nós estamos falando em investimentos de mais de R$ 8 bilhões”, acrescentou Costa Filho.
Nesta terça, o Consórcio Canal Galheta Dragagem (CCGD) venceu o leilão de concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá (PR), realizado na sede B3, a Bolsa de Valores de São Paulo. A concessão do acesso Aquaviário do Porto de Paranaguá (PR), realizada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), representa um marco inédito para o setor portuário nacional, por se tratar do primeiro canal de acesso brasileiro a ser leiloado. A concessão é pelo prazo de 25 anos.
Segundo o governo do Paraná, esse leilão é uma iniciativa inédita no Brasil, pois é o primeiro canal de acesso portuário a ser arrendado no país. Além disso, esse projeto é inovador, pois a responsabilidade de dragagem, que hoje é do porto público, passará a ser da arrendatária, ou seja, a concessionária que assumir o contrato ficará responsável também por ampliar a profundidade do canal.
“É a primeira vez na história do país que nós estamos fazendo um leilão de canal de acesso. Isso dá previsibilidade ao setor produtivo, isso dá segurança jurídica, mas, sobretudo, fortalece as operações portuárias do Porto do Paranaguá, que é um dos maiores portos hoje do Brasil e da América do Sul”, ressaltou o ministro.
A empresa vencedora ofereceu 12,63% de desconto de tarifa de referência para o leilão [que era o valor máximo estipulado) e, depois de uma disputa em viva-voz em 18 lances e que considerou o maior valor de outorga, ela saiu vencedora do leilão com a oferta de R$ 276 milhões, batendo outras três concorrentes.
A licitação previa um modelo híbrido, que incluiu a competição por maior outorga (valor fixo pago ao governo) e por menor valor de tarifa a ser cobrada dos usuários.
Para o governador do Paraná, Ratinho Júnior, que também esteve na B3 na tarde desta quarta, o resultado do leilão foi um sucesso.
“Lançamos a primeira concessão de canal portuário do Brasil, aliás, que dá um pontapé na inovação de uma nova modelagem”, disse o governador. “Nós tivemos uma redução de quase 12,7% de desconto para a atual tarifa, o que significa uma vantagem para aqueles que utilizam o Porto de Paranaguá para exportar sua mercadoria. Isso barateia, inclusive, o frete. Além disso, a outorga, que foi uma outorga gigante, de quase R$ 300 milhões, demonstra a importância desse projeto”, ressaltou.
Valor - SP 23/10/2025
Segundo o ministro Costa Filho, contudo, haverá mais clareza sobre o cronograma na próxima semana, quando o ministério deverá se reunir com Antonio Anastasia, ministro do TCU
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), disse, nesta quarta-feira (22), que há um esforço para realizar o leilão do megaterminal de contêineres em Santos, o Tecon 10, entre os dias 15 e 22 de dezembro deste ano.
Porém, ele destacou que haverá mais clareza sobre o cronograma na próxima semana, quando o ministério deverá se reunir com o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Antonio Anastasia. “Naturalmente temos que respeitar o tempo do TCU”, afirmou ele, após o leilão de dois terminais portuários, realizado na sede da B3, em São Paulo.
“Precisamos respeitar [o prazo de] 30 dias úteis da publicação [para o leilão do Tecon 10], mas tão logo recebermos o ok do TCU, vamos rapidamente providenciar a publicação imediata do edital”, acrescentou Alex Sandro de Ávila, secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários.
Questionado sobre o impacto das controvérsias em torno das normas de participação da licitação santista, ele disse que a judicialização é uma “possibilidade natural”.
“Não vemos controvérsia, vemos opiniões legítimas, vamos respeitar o que vier de recomendação do Tribunal de contas. Avaliamos que a judicialização é um direito de quem tem interesse em apresentar questionamentos, mas não vemos isso como risco, vemos como possibilidade natural e ordinária”, afirmou o secretário.
Leilão do terminal de contêineres em Itajaí (SC)
O leilão da concessão definitiva do terminal de contêineres de Itajaí, em Santa Catarina, deverá ser realizado em meados de 2026, segundo o ministro Costa Filho.
“A gente está discutindo internamente, já fez a renovação do contrato transitório, mas no primeiro semestre de 2026, em meados de 2026, em torno do segundo semestre, deverá haver o leilão do contrato definitivo”, disse ele.
Hoje, a JBS Terminais é a responsável pelo contrato temporário do terminal de contêineres.
Além disso, o governo planeja estruturar, nos próximos 12 meses, uma proposta para uma autoridade portuária de Santa Catarina, a ser criada até 2026.
A gestão dos portos catarinenses vinha sob responsabilidade da Autoridade Portuária de Santos (APS), mas o ministério decidiu transferir a responsabilidade provisória à Codeba (Companhia das Docas do Estado da Bahia).
“Estamos fazendo a transição. Como Santos tem muitas obras estratégicas, resolvemos pedir que a autoridade gaste energia com o porto de Santos. Como Codeba é de médio porte, pode dar apoio melhor”, afirmou Costa Filho.
IstoÉ Dinheiro - SP 23/10/2025
O Consórcio Canal Galheta Dragagem (CCGD) venceu o leilão de concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá (PR), realizado na tarde de hoje (22) na B3, a bolsa de valores de São Paulo. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e o governador do Paraná, Ratinho Júnior, estiveram em São Paulo para acompanhar o leilão.
A empresa ofereceu 12,63% de desconto na tarifa de referência para leilão, o valor máximo estipulado. Depois de uma disputa. em viva-voz. de 18 lances, o consórcio saiu vencedor com a oferta de R$ 276 milhões, batendo três concorrentes. O desconto na tarifa de referência foi um dos critérios para determinar a proposta vencedora. O modelo de licitação previa o híbrido, que incluiu a competição por maior outorga (valor fixo pago ao governo) e o menor valor de tarifa a ser cobrada dos usuários.
A maior disputa do leilão, que considerou o valor de outorga, ocorreu entre a vencedora do leilão e a chinesa China Harbour Engineering Company (CHEC) Dredging.
Disputa
O leilão começou com o desconto de tarifa de referência, com valor máximo fixado em 12,63%. A DTA Engenharia ofereceu desconto de tarifa de referência no valor de 1,29%; a Jan de Nul, ofertou 0,34%; a Chec Dredging ofertou 10,30%; e o Consórcio Canal Galheta Dragagem (CCGD) ofertou 10,73%;
Como mais de uma concorrente participou desta etapa do leilão, os lances foram levados para a disputa por viva-voz. As três primeiras colocadas puderam participar do viva-voz, mas a Jan de Nul, que fez a menor oferta, ficou de fora. A DTA Engenharia, por sua vez, decidiu não fazer lances no viva-voz, deixando a disputa entre a Chec Dredging e o Consórcio Canal Galheta Dragagem, que ofereceram o mesmo valor máximo em disputa: 12,63%.
Como houve empate na primeira etapa, o leilão passou a avaliar o valor de outorga, que também foi levado a uma disputa por viva-voz. Depois de 18 lances, o leilão acabou vencido pelo Consórcio Canal Galheta Dragagem, que ofertou R$ 276 milhões como valor de outorga.
A concessão
A concessão do acesso Aquaviário do Porto de Paranaguá (PR), realizada pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), representa um marco inédito para o setor portuário nacional, por se tratar do primeiro canal de acesso brasileiro a ser leiloado. A concessão é pelo prazo de 25 anos, com possibilidade de prorrogação contratual por até 70 anos.
Segundo o governo do Paraná, o leilão é iniciativa inédita no Brasil, pois é o primeiro canal de acesso portuário a ser arrendado no país, além de ser inovadora, pois a responsabilidade de dragagem, que hoje é do porto público, passará a ser da arrendatária, ou seja, a concessionária que assumir o contrato ficará responsável por ampliar a profundidade do canal.
Esta foi a primeira licitação desse tipo no mundo, segundo o ministério, e prevê repassar à concessionária serviços hoje realizados pela Autoridade Portuária Portos do Paraná, como dragagens, sinalização, batimetria e monitoramento das embarcações nas operações de embarque e desembarque. O leilão deverá servir de modelo para as concessões dos portos de Santos (SP), Itajaí (SC), Salvador (BA) e Rio Grande (RS).
Para o leilão, as empresas concorrentes tiveram que apresentar descontos na taxa Inframar, paga pelos navios para acessarem os portos. A taxa cobre os custos das dragagens necessárias para garantir as manobras dos navios de forma segura. Atualmente, essa manutenção é feita pela Autoridade Portuária, mas, com o leilão, passará para a empresa vencedora.
O vencedor do leilão do Porto de Paranaguá terá que investir R$ 1,22 bilhão nos cinco primeiros anos de concessão, pagando uma outorga fixa anual de R$ 86 milhões ao longo de 25 anos. Uma das obrigações é ampliar a profundidade do canal e garantir que o porto passe dos atuais 13,5 para 15,5 metros de calado [que é a distância entre o ponto mais profundo da embarcação e a superfície da água). Isso deverá possibilitar a operação de navios de contêineres de grande porte, de até 366 metros, e de graneleiros com capacidade para 120 mil toneladas.
“Dois metros de calado representam, em média, mil contêineres a mais no navio ou 14 mil toneladas a mais de algum produto em uma embarcação, sem que o usuário pague mais por isso. A depender do resultado do leilão, teremos até um preço menor do que se paga hoje”, explicou o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, por meio de nota.
Hoje, o Porto de Paranaguá recebe 2,6 mil navios por ano, com destaque para granéis sólidos, como soja e proteína animal. Segundo a Antaq, o Porto de Paranaguá foi a segunda instalação portuária pública que mais movimentou cargas no primeiro semestre de 2025. Foram 30,9 milhões de toneladas no período, um crescimento de 2,6% em comparação com os primeiros seis meses do ano passado.
O canal
Situado ao sul da Ilha do Mel, o Canal de Acesso, que tem parte do seu trecho conhecido como Canal da Galheta, é o principal acesso aquaviário ao porto e aos terminais da Baía de Paranaguá desde a década de 1970, quando a demanda de navios de maior porte exigiu a dragagem do Banco da Galheta e a consequente criação do canal.
Outros leilões
Mais cedo, o ministro participou de outros dois leilões portuários: um no Rio de Janeiro e outro em Maceió (AL). O Terminal RDJ07 é destinado à movimentação de cargas de apoio logístico offshore, voltadas às atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural. O investimento previsto para o período contratual de 25 anos é estimado em R$ 99,4 milhões.
Já o TMP de Maceió é um terminal de passageiros e deve impulsionar o turismo de cruzeiros marítimos no Nordeste. O leilão permitirá a modernização e expansão do porto e terá investimentos estimados em R$ 3,75 milhões ao longo de um contrato de 25 anos.
Globo Online - RJ 23/10/2025
A Petrobras venceu o leilão de concessão do terminal RDJ07, no Porto do Rio de Janeiro, com lance de R$ 104 milhões de outorga. O lance mínimo era de R$ 1,00. O terminal no Porto do Rio faz parte do segundo bloco da carteira de ativos portuários de 2025 que o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) estão leiloando. O certame aconteceu na B3, em São Paulo.
O terminal RDJ07 será voltado à movimentação de cargas de apoio logístico offshore, destinadas às atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural, com investimentos estimados em R$ 99,4 milhões. O prazo da concessão é de 25 anos.
— O Porto do Rio é extremamente importante para a Petrobras e foi decisivo na construção do Pré-Sal, por sua localização geográfoca privilegiada, próximo a grandes corredores rodoviários e importantes polos industriais — disse Fernando Vidal, gerente geral de logística Portuária da Petrobras.
Com seu lance, a Petrobras derrotou o consórcio Sul Real GMBL 2025A, que deu lance mínimo de R$ 1 milhão. A dispusta foi levada ao viva-voz, mas diante da diferença de propostas de outorga, a Sul Real não deu novos lances.
O projeto no Porto do Rio prevê a demolição de estruturas antigas, construção de um novo galpão com área mínima de 3.500 m², além da implantação de instalações administrativas e operacionais, portarias, cercamento e melhorias nas vias internas de acesso.
Entre os investimentos previstos estão também a aquisição de equipamentos de grande porte, como seis guindastes, dez empilhadeiras e vinte carretas, além da instalação de um novo sistema de combate a incêndio e de uma subestação elétrica.
Também foi leiloado o Terminal Marítimo de Passageiros (TMP) de Maceió, localizado no Porto Organizado de Maceió. Venceu o consórcio Britto Macelog III com lance de outorga de R$ 50 mil. O grupo é de Maceió e não teve concorrentes.
O Terminal Marítimo de Passageiros (TMP) de Maceió é utilizado para movimentação de passageiros e prevê investimentos de R$ 3,75 milhões para modernização.
Esta etapa de leilões inclui também a concessão do acesso Aquaviário do Porto de Paranaguá (Paraná). Os investimentos nos três terminais estão estimados em mais de R$ 1,22 bilhão. O leilão de Paranaguá também acontece hoje às 14h, na B3.
Leilão inédito de canal de acesso em Paranaguá
O Aquaviário do Porto de Paranaguá é o primeiro canal de acesso de um porto a ser leiloado no país. O projeto prevê investimentos de R$ 1,2 bilhão ao longo de 25 anos, com possibilidade de prorrogação contratual por até 70 anos.
O vencedor terá que fazer melhorias como aumentar o calado do porto (a partir do quinto ano da concessão) para 15,5 metros. Atualmente o acesso aquaviário tem 13,3 metros.
— Estamos inaugurando um novo formato de concessão, possibilitando maior eficiência do porto e aumento na movimentação de cargas — disse o ministro Silvio Costa Filho, de Portos e Aeroportos.
Ele afirmou que o leilão servirá de modelo para futuras concessões já previstas para os portos de Santos (SP), Itajaí (SC), Salvador (BA) e Rio Grande (RS).
Com o leilão, avalia o ministério, Paranaguá se torn mais atrativo para a movimentação de contêneres e para operaçõs do agronegócio, especialmente quando estiverem em operação os três terminais leiloados em abril deste ano, destinados a granel sólido vegetal. Os investimentos devem dobrar a capacidade do escoamento da safra agrícola, além de abrir oportunidades para exportaçãoo de mais 20 milhões de toneladas por ano.
Hoje, o Porto recebe 2.600 navios por ano, com destaque para granéis sólidos, como soja e proteína animal. A concessão trará maior eficiência à operação já que cada centímetro a mais no calado do canal de acesso corresponde a um aumento de 60 toneladas de carga no porão do navio.
Portal Fator Brasil - RJ 23/10/2025
Granel sólido foi responsável por mais da metade da movimentação regional e somou 11,6 milhões de toneladas.
A movimentação portuária da Região Sudeste alcançou 19,7 milhões de toneladas em outubro de 2025, o que representa um crescimento de 7,05% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O aumento foi impulsionado principalmente pelo bom desempenho da carga geral, com alta de 22,77%, e das cargas conteinerizadas, que avançaram 18,75%, refletindo a recuperação da atividade econômica e o aumento das exportações de produtos industrializados.
O granel sólido, responsável por mais da metade da movimentação regional, somou 11,6 milhões de toneladas, enquanto o granel líquido, composto por combustíveis e derivados, atingiu 1,8 milhão de toneladas, um crescimento de 10,63% no período. Entre as principais mercadorias movimentadas, os contêineres lideraram o ranking, com 5,5 milhões de toneladas, seguidos por minério de ferro (4,5 milhões toneladas), milho (2,5 milhões toneladas), açúcar (1,8 milhão toneladas) e petróleo e derivados, sem óleo bruto (1,2 milhão toneladas).
— Estamos colhendo os frutos de uma gestão voltada para a eficiência e a integração logística. A modernização dos terminais e a digitalização dos processos portuários têm colocado o Brasil em um novo patamar de competitividade — destacou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.
Com destaque para os portos de Santos (SP), Vitória (ES) e Itaguaí (RJ), o Sudeste é o principal corredor logístico do país, e concentra o maior volume de cargas movimentadas e sendo responsável por uma parcela significativa das exportações brasileiras de commodities, combustíveis e produtos industrializados. A região reúne uma infraestrutura portuária estratégica, interligada a polos industriais, agrícolas e de refino, o que garante eficiência e competitividade ao escoamento da produção nacional.
O Porto de Santos, maior da América Latina, é o principal ponto de saída das exportações brasileiras de açúcar, soja, milho e carne, além de registrar forte crescimento na movimentação de contêineres. Já o Porto de Vitória, no Espírito Santo, se consolida como um hub de granéis sólidos e líquidos, com destaque para minério de ferro e celulose, enquanto o Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, desempenha papel essencial na cadeia logística do setor siderúrgico e de petróleo.
Investimentos — Nos últimos meses, o Ministério de Portos e Aeroportos intensificou os investimentos na região Sudeste, com foco na modernização de terminais, ampliação da infraestrutura e incentivo à integração entre modais. Somente em 2025, foram autorizados mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos privados em portos de São Paulo e Rio de Janeiro.
Entre os projetos, destaca-se o investimento de R$ 275 milhões no terminal de combustíveis marítimos Tecma, em São João da Barra (RJ), e R$ 1,24 bilhão na modernização do Porto de Santos. Além disso, o Sudeste lidera os investimentos nacionais na indústria naval, com R$ 1,54 bilhão aprovados via Fundo da Marinha Mercante (FMM), destinados à construção e modernização de embarcações.
Parte significativa dos recursos foi direcionada ao Rio de Janeiro, que concentra grande parte dos estaleiros e atividades offshore. Os investimentos tem como objetivo ampliar a capacidade operacional dos portos, atrair novas cargas e fortalecer a logística intermodal na região Sudeste.
Valor - SP 23/10/2025
Certame reforça mote da necessidade de reposição de reservas para segurança energética
O leilão de áreas de petróleo do pré-sal realizado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na quarta-feira (22), terminou com cinco dos sete blocos arrematados em uma sessão que durou cerca de 40 minutos. Petrobras e Equinor foram destaques no certame, com a conquista de duas áreas para cada empresa - um dos blocos em consórcio entre as duas empresas [veja tabela abaixo]. Também houve estreia de duas petroleiras no regime de partilha de produção do pré-sal. A chinesa Sinopec e a Karoon levaram um bloco cada.
A sessão pública da oferta permanente de partilha, como é chamado o leilão, ocorreu dois dias após a emissão da licença ambiental para perfuração de poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas e reforçou o mote da necessidade de reposição de reservas de petróleo, reiterada por governo e indústria nos últimos meses.
Os cinco blocos arrematados foram Esmeralda e Ametista, na Bacia de Santos, e Citrino, Itaimbezinho e Jaspe, na Bacia de Campos. As áreas totalizaram bônus de assinatura de R$ 103,7 milhões e têm investimentos previstos da ordem de R$ 451,5 milhões. Os blocos Ônix e Larimar não foram negociados e, conforme as regras da oferta permanente, voltarão no próximo leilão.
A oferta permanente é uma modalidade mais ágil em relação ao modelo tradicional de leilões e, nela, as empresas não precisam esperar um novo edital. Quando as petroleiras conseguem se habilitar para a oferta permanente, elas sempre estão aptas para arrematar blocos de petróleo, seja no modelo de concessão, seja no de partilha. No certame de ontem, que foi de partilha, o critério para definir o vencedor da sessão pública é o maior percentual de excedente em óleo para a União em relação ao volume mínimo previsto no edital.
O diretor-geral da ANP, Artur Watt, disse que a oferta permanente é uma “grande prateleira” de áreas de petróleo, e que a contratação dos blocos é o primeiro passo para a manutenção do setor, a preservação dos empregos e a reposição das reservas. Na coletiva após o evento, Watt ressaltou o sucesso da oferta e afirmou que o foco da negociação é a garantia dos investimentos e da arrecadação futura.
Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos, avalia que a aquisição da Petrobras em consórcio da Equinor no bloco Jaspe evidencia a prioridade da empresa em manter o controle sobre áreas estratégicas de seu “quintal” operacional, maximizando sinergias com sua infraestrutura existente e expertise técnica na Bacia de Campos. Sylvia Anjos, diretora de exploração e produção da Petrobras, disse: “foi um resultado muito positivo.”
Veronica Coelho, presidente da Equinor Brasil, afirmou que a empresa garantiu duas novas oportunidades de exploração no Brasil. “Estamos adicionando longevidade ao nosso portfólio, ao mesmo tempo em que provamos que somos capazes de executar projetos complexos e de larga-escala, como fizemos com Bacalhau na última semana”, afirmou Coelho.
Luiz Fernando Paroli, presidente da Pré-Sal Petróleo (PPSA), avalia que os blocos negociados criam “expectativa muito grande” do potencial brasileiro. As áreas arrematadas no leilão e o primeiro óleo do campo de Bacalhau, na semana passada, indicam tendência de continuidade de crescimento, disse. “Provavelmente vamos continuar crescendo, produzindo e aumentando a produção brasileira.”
A licença para a Bacia da Foz do Amazonas é marco importante para a área ambiental”
— Symone Araújo
A realização do leilão, dois dias após o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizar a Petrobras a perfurar um poço em área na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá, reforçou o mote de que o Brasil precisa repor reservas para garantir a segurança energética.
Symone Araújo, diretora da ANP, destacou a necessidade de avançar para outras fronteiras exploratórias, além da Margem Equatorial, extensa área entre o Amapá e o Rio Grande do Norte. O debate sobre a emissão da licença envolve segurança energética e reposição de reservas de petróleo, segundo ela. “A licença para a Bacia da Foz do Amazonas é um marco importante para a área ambiental”, disse Araújo.
Artur Watt destacou que o primeiro processo de licenciamento tende a ser mais difícil quando se trata de novas fronteiras, mas os blocos pioneiros se tornam referência para as futuras análises ambientais. “A manutenção do cenário de [reposição de reservas de] petróleo é compatível com a transição energética”, afirmou.
Os diretores da ANP ressaltaram que o quarto ciclo da oferta permanente de partilha pode ter oferta de até 26 blocos, que incluem as duas áreas que não receberam ofertas, Ônix e Larimar, blocos que já foram aprovados pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e outras áreas ainda em análise.
Thiago de Oliveira, sócio de Siqueira Castro Advogados, recorda que o próximo leilão deve negociar o bloco de Mogno, o primeiro situado além das 200 milhas náuticas, iniciando uma nova etapa na exploração de petróleo no país. O leilão de ontem, afirma Oliveira, reforça a tendência de se buscar as extremidades do polígono do pré-sal. “Os efeitos desse resultado transcendem a arrecadação imediata e apontam para nova fase de expansão do regime de partilha.”
O Estado de S.Paulo - SP 23/10/2025
O terceiro leilão de áreas do pré-sal da Oferta Permanente da União foi considerado um sucesso pelos participantes e autoridades presentes, ao vender cinco dos sete blocos ofertados e obter ágios expressivos, com média de 91,2%. Destaque para Petrobras e Equinor, que arremataram dois blocos cada. O resultado foi avaliado como indicativo positivo para o leilão de áreas não contratadas do pré-sal, previsto para 4 de dezembro, quando o governo pretende arrecadar R$ 10,2 bilhões.
“Esperamos, depois do leilão de hoje (quarta-feira, 22), que tenha competição no do dia 4 de dezembro, e que esse preço mínimo suba bastante”, disse o presidente da Pré-Sal Petróleo (PPSA), estatal responsável por administrar os contratos de Partilha de Produção da União, Luis Fernando Paroli.
Quatorze empresas, brasileiras e estrangeiras, disputaram os reservatórios da região mais cobiçada do País. A Petrobras exerceu direito de preferência apenas no bloco Jaspe, que acabou ficando com a estatal.
Ao todo, no leilão desta quarta, foram arrecadados R$ 103,7 milhões em bônus de assinatura, com investimentos previstos de R$ 451 milhões. O maior ágio, de 251,63%, foi registrado no bloco Citrino, disputado entre Petrobras e Prio, cujo excedente em óleo destinado à União — critério decisório para a vitória no certame — atingiu 31,19%. Outra disputa ocorreu apenas no bloco Jaspe: ágio de 96,47% e excedente em óleo de 32,85%. Um consórcio formado por Petrobras e Equinor venceu o de Chevron, em parceria com o Qatar. No fim, Petrobras e Equinor foram as maiores vencedoras do dia.
“Um leilão de natureza exploratória, onde cinco de sete blocos são arrematados, com ágio médio de 91,2% e investimentos mínimos de meio bilhão de reais, a gente só pode dizer que é um sucesso”, disse ao final da oferta o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt, responsável pela realização do leilão. “Além das duas licitantes que tiveram o maior sucesso, Petrobras e Equinor, cada uma arrematando dois blocos, sendo um deles em conjunto, destaco as duas novas entrantes, empresas de atuação global, no regime de partilha, Karoon e a Sinopec”, acrescentou Watt.
Também a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, disse estar satisfeita com o resultado. “Compramos os blocos com maior potencial”, afirmou ao deixar o auditório após o fim da disputa.
O primeiro bloco ofertado, Esmeralda, foi arrematado sem concorrência pela australiana Karoon, que ofereceu participação de 14,10% — contra o mínimo de 10,54% — para a União no lucro em óleo que será obtido caso se confirme a comercialidade do ativo. A China predominou na segunda oferta, do bloco Ametista, com consórcio entre CNOOC (70%) e Sinopec (30%). As duas empresas ofereceram fatia de 9% para a União, ante os 6,41% mínimos pedidos.
O bloco Itaimbezinho ficou com a Equinor, com participação de 6,95% para a União, pouco acima dos 6,67% mínimos exigidos. Já os blocos Larimar e Ônix não receberam oferta, apesar de terem despertado manifestação de interesse das companhias para disputar.
Para a diretora da ANP, Symone Araújo, no próximo ciclo de venda de áreas do pré-sal da Oferta Permanente — o 4º sob o regime de partilha — a previsão é ofertar 18 blocos. A expectativa é de que a leilão ocorra em 2026.
“Teremos a discussão sobre 16 novos blocos em seminário que será realizado ainda na próxima segunda-feira. Já temos a confirmação do Mogno, que vai ser o primeiro bloco no pré-sal além das 200 milhas náuticas. E um segundo bloco, que também já tem manifestação conjunta”, disse a diretora da ANP. Outros dois blocos já foram aprovados pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Valor - SP 23/10/2025
Na visão de Symone Araújo, a licença do Ibama dada à Petrobras para perfuração na Bacia da Foz do Amazonas é "um marco importante para a área ambiental”
Diretora da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Symone Araújo afirmou, nesta quarta-feira (22), que o país precisa avançar em outras fronteiras exploratórias, além da Margem Equatorial, extensa área entre o Amapá e o Rio Grande do Norte.
Segundo ela, em entrevista coletiva após leilão de áreas do pré-sal, o debate sobre a exploração na Foz do Amazonas – que teve a licença ambiental para perfuração concedida pelo Ibama à Petrobras no início da semana – envolve segurança energética e reposição de reservas de petróleo.
Araújo salientou que espera a chegada de licenças para perfurações na Bacia de Pelotas, entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que também é uma importante fronteira petrolífera. “A licença para a Bacia da Foz do Amazonas é um marco importante para a área ambiental”, disse Araújo.
Artur Watt, diretor-geral da ANP, destacou que o primeiro processo de licenciamento é difícil quando se trata de novas fronteiras, e que os blocos pioneiros se tornam referência para as futuras análises ambientais.
Petro Notícias - SP 23/10/2025
O secretário de petróleo, gás natural e biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Renato Dutra, também participa da sessão do 3º Ciclo da Oferta Permanente, que acontece na manhã de hoje (22), no Rio de Janeiro. Falando sobre o futuro dessa modalidade de licitação, ele afirmou que o governo já está trabalhando para definir os novos blocos que farão parte do próximo ciclo da Oferta Permanente de Partilha – modelo que negocia blocos localizados no polígono do pré-sal.
“Para o próximo ciclo, já estamos trabalhando intensamente em articulação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima para garantir uma nova manifestação conjunta que possibilite a oferta de 18 novos blocos dentro da próxima rodada da Oferta Permanente de Partilha. Esses esforços conjuntos demonstram a importância de mantermos um forte alinhamento entre o planejamento energético e a previsibilidade regulatória, essenciais para garantir a segurança jurídica necessária à atração de investimentos“, declarou.
Dutra afirmou que a Oferta Permanente é um instrumento que já se provou previsível e contínuo ao longo do tempo, viabilizando a atração de investimentos e o fortalecimento da indústria de exploração e produção de petróleo e gás natural. E isso decorre de um fato muito simples.
Falando sobre o leilão de hoje, o secretário destacou que sete blocos serão ofertados, um recorde em relação aos ciclos anteriores. “No caso da contratação dos sete blocos, esperamos um total de aproximadamente R$ 160 milhões em bônus de assinatura, R$ 437 bilhões em investimentos potenciais e R$ 365 bilhões em arrecadações futuras até o fim do ciclo contratual“, projetou.
Dutra lembrou que o Brasil tem cerca de 15 bilhões de barris em reservas provadas e uma produção atual de 3,9 milhões de barris por dia, que deve chegar a aproximadamente 5,2 milhões de barris por dia até o fim da década. No entanto, é um cenário que, a partir de 2030, passa a gerar preocupações relacionadas à segurança energética. “Se não repusermos nossas reservas e não mantivermos o esforço de ofertar novas áreas, esse risco tende a crescer exponencialmente”, ponderou.
De acordo com o secretário, de 2013 a 2023, desde o início das ofertas sob o regime de partilha de produção, foram realizadas seis rodadas e dois ciclos de Oferta Permanente de Partilha. Nesse conjunto de certames, foram ofertados 20 blocos, todos contratados, com R$ 37 bilhões arrecadados em bônus de assinatura e investimentos exploratórios mínimos da ordem de R$ 5 bilhões.
“Por fim, é importante lembrar que a transição energética é uma realidade — mas uma realidade temporalmente determinada, que ocorrerá no longo prazo. E, sendo um processo de longo prazo, ela só será bem-sucedida se for conduzida de forma justa, segura e inclusiva, sem deixar de lado a segurança energética e a equidade energética“, apontou. “Por fim, reforço que o setor de óleo e gás brasileiro tem — e continuará tendo por um longo período — um papel significativo na transição energética do país“, concluiu.
DADOS DO LEILÃO DE HOJE
O 3º Ciclo da Oferta Permanente da Partilha está colocando à venda sete blocos do pré-sal: Esmeralda e Ametista, na Bacia de Santos; e Citrino, Itaimbezinho, Ônix, Larimar e Jaspe, na Bacia de Campos. Um grupo de 15 está apto a apresentar ofertas durante o certame: Petrobrás, 3R Petroleum, BP Energy, Chevron, CNOOC, Ecopetrol, Equinor, Karoon, Petrogal, Petronas, Prio, QatarEnergy, Shell, Sinopec e TotalEnergies.
A Oferta Permanente é atualmente a principal modalidade de licitação para exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil. Diferentemente das rodadas tradicionais, esse formato permite a oferta contínua de blocos exploratórios e áreas com acumulações marginais, em bacias terrestres ou marítimas. No caso da Oferta Permanente de Partilha, são disponibilizados blocos localizados dentro do polígono do pré-sal e em outras áreas consideradas estratégicas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Nesse regime, uma parte do petróleo e do gás produzidos é destinada à União — o chamado percentual do excedente em óleo. A empresa contratada tem direito a uma fração da produção suficiente para recuperar seus custos, conhecida como custo em óleo, enquanto o volume restante é dividido entre a União e a contratada. O percentual do excedente destinado à União é definido pelas licitantes em suas propostas para cada bloco, sempre a partir de um valor mínimo estabelecido em edital. Vence a empresa ou consórcio que oferecer o maior percentual, garantindo o direito de exploração da área.
IstoÉ Dinheiro - SP 23/10/2025
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) avaliou que o resultado do leilão de blocos do pré-sal, realizado nesta quarta-feira, 22, confirmou que a flexibilização do regime de Partilha de Produção – desobrigando a Petrobras a ser operadora única – representa perdas sobre o potencial energético do pré-sal e riscos à segurança energética nacional.
“O modelo de Oferta Permanente de Partilha no pré-sal precisa ser revisto. O pré-sal deve ser tratado como um ativo estratégico da nação”, afirmou em nota o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, sobre o avanço das petroleiras multinacionais sobre o pré-sal.
Dos cinco blocos arrematados, três foram adquiridos por petroleiras privadas multinacionais. Enquanto isso, destacou a FUP, a Petrobras teve uma participação tímida, embora esse leilão marque o retorno da estatal aos leilões de áreas do pré-sal, após sua ausência desde 2023.
A estatal arrematou dois blocos (Citrino e Jaspe), o primeiro como operadora única e outro em consórcio com a Equinor (40%). Para isso, pagou um bônus de assinatura de cerca de R$ 37 milhões e ofertou um excedente em óleo médio de 32%, “cerca de três vezes superior ao ofertado pelas empresas multinacionais”, criticou a FUP.
A entidade sindical observou ainda que, apesar de apenas sete blocos terem recebido declarações de interesse por parte das 15 empresas habilitadas para o leilão, somente cinco foram arrematados, representando um bônus de assinatura de R$ 103,7 milhões para União, resultado inferior à arrecadação prevista inicialmente pelo governo (R$ 113 milhões).
Infomoney - SP 23/10/2025
Os preços do petróleo ampliaram os ganhos após o fechamento de quarta-feira, subindo mais de US$ 2 por barril, depois de novas sanções dos EUA à Rússia.
Os contratos futuros do petróleo Brent saltaram US$ 2,44, ou 3,98%, para US$ 63,76, após o fechamento, e os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate dos EUA (WTI) subiram US$2,42, ou 4,23%, para US$59,66.
O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro dos EUA impôs novas sanções contra as duas maiores empresas petrolíferas da Rússia, a Rosneft e a Lukoil OAO, segundo comunicado divulgado nesta quarta-feira, 22. A medida é justificada “em decorrência da falta de comprometimento sério da Rússia com um processo de paz para encerrar a guerra na Ucrânia”.
De acordo com a nota, as ações americanas aumentam a pressão sobre o setor energético russo e degradam a capacidade do Kremlin de arrecadar recursos para sua máquina de guerra e sustentar a economia enfraquecida.
A ação bloqueia todos os bens e interesses em propriedades dessas empresas que estão nos Estados Unidos ou controlados por pessoas americanas. Quaisquer entidades detidas em 50% ou mais pela Rosneft ou Lukoil também estão bloqueadas, mesmo que não sejam especificamente designadas, diz o comunicado.
“Agora é a hora de parar com a matança e de um cessar-fogo imediato”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent. “O Tesouro está preparado para tomar medidas adicionais, se necessário, para apoiar os esforços do presidente dos EUA, Donald Trump, para pôr fim a mais uma guerra. Incentivamos nossos aliados a se juntarem a nós e a aderirem a essas sanções” acrescentou.
Mais cedo, a commodity já havia acelerado os ganhos do fechamento depois que o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que o país anunciaria mais sanções contra a Rússia.
Money Times - SP 23/10/2025
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs nesta quarta-feira sanções relacionadas à Ucrânia contra a Rússia pela primeira vez em seu segundo mandato, tendo como alvo as empresas petrolíferas Lukoil e Rosneft, à medida que sua frustração aumenta com o presidente russo, Vladimir Putin, em relação à guerra.
O Departamento do Tesouro dos EUA disse que estava preparado para tomar outras medidas, conforme pediu a Moscou que concordasse imediatamente com um cessar-fogo na guerra da Rússia na Ucrânia, que começou em fevereiro de 2022.
“Dada a recusa do presidente Putin em acabar com essa guerra sem sentido, o Tesouro está sancionando as duas maiores empresas petrolíferas da Rússia que financiam a máquina de guerra do Kremlin”, disse o secretário do Tesouro, Scott Bessent, em um comunicado. “Incentivamos nossos aliados a se juntarem a nós e a aderirem a essas sanções.”
As sanções são uma grande mudança de política para Trump, que não havia imposto sanções à Rússia por causa da guerra e, em vez disso, se baseou em medidas comerciais. Trump impôs tarifas adicionais de 25% sobre os produtos da Índia em retaliação à compra de petróleo russo com desconto.
Os EUA não impuseram as tarifas sobre a China, outro grande comprador de petróleo russo. Um teto de preço de US$60 para o petróleo russo, imposto pelos países ocidentais após a invasão da Rússia, deslocou os clientes de petróleo da Rússia nos últimos anos da Europa para a Ásia.
Trump disse aos repórteres no Salão Oval nesta quarta-feira que havia cancelado uma cúpula planejada na Hungria com Putin porque não parecia ser o momento certo.
Trump também disse que espera que as sanções às empresas petrolíferas russas não precisem ser aplicadas por muito tempo. Trump disse no ano passado que gosta de remover as sanções rapidamente devido aos riscos que as medidas podem trazer para o domínio do dólar nas transações globais de petróleo. A Rússia sempre solicitou pagamentos em outras moedas.
A medida de Trump nesta quarta-feira seguiu-se à sanção do Reino Unido à Rosneft e à Lukoil na semana passada.
Analistas afirmam que as medidas foram um grande passo, embora há muito tempo esperadas.
“Isso não pode ser algo único e pronto”, disse Edward Fishman, ex-autoridade dos EUA que agora é pesquisador sênior da Universidade de Columbia. Ele disse que a questão será se os EUA agora ameaçam impor sanções a qualquer pessoa que faça negócios com a Rosneft e a Lukoil.
Jeremy Paner, ex-investigador de sanções do Departamento do Tesouro e agora sócio do escritório de advocacia Hughes Hubbard & Reed, disse que a ausência de bancos e compradores de petróleo indianos ou chineses nas sanções desta quarta-feira “não chamará a atenção de Putin”.
Uma autoridade ucraniana sênior, no entanto, disse que a medida era uma “ótima notícia” e que as duas empresas de energia russas estavam entre os alvos de sanções dos EUA propostos por Kiev no passado.
A embaixada russa em Washington e a missão russa na ONU em Nova York não responderam imediatamente a um pedido de comentário sobre as sanções.
Valor - SP 23/10/2025
Fusões e aquisições entre produtores de petróleo e gás dos Estados Unidos totalizaram US$ 9,7 bilhões no terceiro trimestre de 2025, cerca de 19% a menos que os US$ 12 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior e o terceiro trimestre consecutivo de queda, de acordo com a Enverus.
“Preços do petróleo em torno de US$ 60 ou menos dificultaram a vida dos vendedores", especialmente das empresas apoiadas por private equity que produzem principalmente petróleo em vez de gás natural, afirma Andrew Dittmar, analista da empresa de análise de dados focada em energia.
“A maioria das oportunidades restantes de fusões e aquisições de xisto precisa de preços mais fortes para justificar que as empresas de capital aberto paguem pelos locais não desenvolvidos”, afirma Dittmar.
Cerca de 1,8 mil locais de xisto pertencentes a empresas apoiadas por private equity podem gerar um retorno de 10% com os preços de referência do petróleo nos EUA a US$ 50 o barril, enquanto 6,7 mil locais exigem preços mais altos, acrescenta.
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