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21 de Agosto de 2023

SIDERURGIA

IstoÉ Dinheiro - SP   21/08/2023

O consumo de laminados na América Latina foi de 29,605 milhões de toneladas no acumulado de janeiro a maio deste ano, o que representa um volume 1,1% maior ante o mesmo período de 2022. Os dados são da Associação Latino-americana do Aço (Alacero). A entidade vê sinais de permanência da demanda por aço em patamares baixos e prevê uma redução de estoques e de produção por parte das siderúrgicas locais.

Já no mês de maio, o consumo de laminados foi de 6,194 milhões de toneladas, valor 3,2% superior na comparação anual e 4,8% maior ante abril, que registrou 5,9 milhões de toneladas.

O alto volume de importações permanece sendo uma preocupação do setor na América Latina, que permanece verificando uma grande participação de aço produzido na China entrando na região.

Em maio, as importações de laminados totalizaram 2,355 milhões de toneladas, um avanço de 12% ante o mesmo mês do ano anterior e 5,2% superior na comparação com abril. Já a soma no acumulado até maio foi de 10 milhões de toneladas, valor 0,3% menor ante o mesmo intervalo de 2022.

Questionado sobre a possibilidade de redução da produção de aço na China por conta de preocupações com a emissão de poluentes, o diretor executivo da Alacero, Alejandro Wagner, demonstrou ceticismo no curto prazo, mas avaliou o movimento como possível no longo prazo.

“Escutamos muitas declarações de que poderia ocorrer uma redução de produção na China pela rota de alto-forno, mas para quando seria? O que estamos verificando no curto prazo é um consumo chinês de aço mais fraco, e a produção não cai tão rápido quanto o consumo necessariamente, por isso eles tendem a exportar a preços mais baixos”, afirmou Wagner.

As exportações de aço no acumulado de maio somaram 596,4 mil toneladas, valor 37,1% menor ante um ano e 9,5% inferior na comparação com abril. No acumulado dos cinco primeiros meses, as vendas externas recuaram 26,2%, para 3,529 milhões de toneladas.

Setores

A Alacero avalia alguns sinais “modestos” de melhora em alguns mercados consumidores de aço na América Latina. A entidade registrou em maio um avanço geral em todos os setores compradores da commodity na comparação com abril deste ano.

Na construção civil, houve crescimento geral de 2,2% em maio na comparação com o mesmo mês do ano anterior. A alta foi impulsionada por avanços no México e Colômbia, que cresceram 9,2% e 2,1% respectivamente no mesmo intervalo de comparação. Peru (-11%), Chile (-8,5%), Argentina (-2,9%) e Brasil (-2,5%), por sua vez, registraram queda.

No mercado automotivo a produção geral aumentou 3,7% em junho ante um ano. A liderança do crescimento no setor veio do México (+16%), mas o Brasil impulsionou a queda (-7,1%) no mesmo intervalo de comparação.

Em maio, a produção industrial na América Latina apresentou leve melhora, mas permanece em um contexto de estagnação desde setembro de 2022. A atividade manufatureira cresceu 1% no quinto mês do ano na comparação com o mesmo período de 2022. A produção de maquinário, por sua vez, permaneceu no vermelho, embora tenha reduzido o ritmo de queda anual em 0,3% no mesmo intervalo de tempo.

Produção

A produção de laminados em junho somou 4,568 milhões de toneladas, valor 14,8% inferior ao mesmo mês de 2022, porém maior em 7,4% ante maio. No acumulado dos seis primeiros meses, houve recuo de 8,9% ante o mesmo período do ano anterior, para 28,867 milhões de toneladas. Se considerado o segundo trimestre, o total foi de 14,4 milhões de toneladas,10,4% abaixo na relação de abril e junho de 2022.

Já a produção de aço bruto em junho registrou queda de 14,8% ante um ano, para 4,5 milhões de toneladas, por outro lado, o valor representa um avanço de 7,4% na comparação com maio.

No primeiro semestre foram produzidos 28,9 milhões de toneladas de aço na América Latina, menos 8,9% na comparação com o mesmo período de 2022. Já no segundo trimestre, a Alacero contabilizou 14,4 milhões de toneladas fabricadas, valor 10,4% inferior ao do mesmo trimestre de 2022.

Valor - SP   21/08/2023

O negócio tem potencial para criar uma campeã siderúrgica americana em uma era de domínio chinês — ou para atrair a atenção das autoridades reguladoras de competição dos Estados Unidos
Duas gigantescas siderúrgicas ficam a menos de 16 quilômetros uma da outra nas margens do Lago Michigan, com os altos-fornos atingindo temperaturas de até 3.000 graus para fundir minério de ferro.

Um negócio proposto esta semana as colocaria sob um único controle e tem potencial para criar uma campeã siderúrgica americana em uma era de domínio chinês — ou para atrair a atenção das autoridades reguladoras de competição dos Estados Unidos.

A Cleveland-Cliffs, que é dona da usina de Indiana Harbor, fez uma proposta de compra pela United States Steel (US Steel), que opera sua maior usina perto de Gary, Indiana. Sua proposta de US$ 10 bilhões em dinheiro e ações, incluindo transferência de dívida, foi igualada um dia depois por uma oferta toda em dinheiro da Esmark, uma concorrente menor.

Qualquer aquisição consolidaria ainda mais um setor dos EUA hoje reduzido a quatro companhias principais: Cleveland-Cliffs, Nucor, Steel Dynamics e US Steel.

A produção americana de aço totalizou 80,5 milhões de toneladas no ano passado, comparado a 1 bilhão de toneladas da China, segundo a Associação Mundial do Aço. Os preços internos do aço melhoraram desde que o ex-presidente Donald Trump impôs tarifas às importações e a demanda da parte da indústria automobilística aumentou.

Sob o presidente-executivo Lourenço Gonçalves, a Cleveland-Cliffs já cresceu, adquirindo a AK Stell e as operações da ArcelorMittal nos EUA em 2020 por um total de US$ 6 bilhões.

“Há muitos produtos que dez anos atrás eram feitos por apenas três produtores”, diz Michelle Applebaum, que já trabalhou no Salomon Brothers e na Steel Market Intelligence. “Na medida em que a Cliffs é hoje Arcelor e AK, a questão é como o Departamento de Justiça vai se sentir sobre essa maior consolidação.”

Embora muitos produtos siderúrgicos sejam hoje fabricados com a tecnologia mais recente de fornos elétricos a arco alimentados com sucata, altos-fornos como os das duas usinas de Indiana continuam sendo fundamentais para produtos automotivos — que representam quase um terço da demanda total por aço dos EUA.

A Cleveland-Cliffs foi fundada em 1847 para explorar minério de ferro na região dos Grandes Lagos. Quando o século XXI chegou, os custos estavam altos demais para se exportar minério de ferro com lucro para a China, o que forçou a companhia a se integrar verticalmente. Ela então comprou as usinas americanas da ArcelorMittal e AK Steel, suas duas maiores clientes.

“Eles têm sido muito agressivos”, diz William Van Meerkebe, analista da agência Fitch Ratings. “Seu setor estava morrendo. Nunca haveria crescimento sem as aquisições. Mesmo que as margens fossem maiores, eles ganhariam muito menos dinheiro do que como uma siderúrgica.”
CEO que veio de um fundo ativista.

Gonçalves nasceu no Brasil, formou-se em engenharia e passou toda a sua carreira na área de metais e mineração. Ele entrou para a Cleveland-Cliffs em 2014, escolhido pelo fundo ativista Casablanca Capital em uma luta pelo controle da companhia.

Gonçalves comprou US$ 1 milhão em ações da companhia e disse na época que o mercado não estava dando o devido valor à companhia “não por causa de qualquer deficiência inerente aos ativos, e sim pela maneira como os ativos foram estruturados e administrados”.

Ele era o tipo de executivo em que os investidores apostavam não por uma visão específica de longo prazo, e sim porque ele parecia ser o líder que encontraria uma maneira de a companhia ser bem-sucedida, diz uma fonte ligada ao fundo Casablanca.

Gonçalves também desenvolveu uma reputação de ser franco. Em 2018, depois de uma queda no preço da ação da companhia, ele sugeriu que seus críticos em algum momento ficariam tão embaraçados que “cometeriam suicídio”. Um ano depois ele adotou um tom diferente, dizendo a um analista de commodities do Goldman Sachs de quem ele discordou: “Eu amo você”.
Em julho, ele disse a investidores que se as montadoras “precisam do aço que afirmam precisar, elas precisam negociar com a Cleveland-Cliffs. Não estamos nesse negócio para extorquir ninguém. Só queremos ser pagos pelo que fazemos”.

A Cleveland-Cliffs disse em uma apresentação a investidores que adquirir a US Steel criaria “uma base mais forte para infraestrutura crítica e a segurança nacional, juntamente com uma maior criação de empregos”, observando que a companhia combinada seria a única siderúrgica americana entre as dez maiores do mundo.

A proposta da siderúrgica baseada em Ohio é apoiada pelo sindicato United Steelworkers (USW). Thomas Conway, presidente do USW disse em uma carta de 13 de agosto endereçada a seus membros, que “a Cliffs não eliminou empregos sindicalizados” depois de comprar a AK Steel e a ArcelorMittal USA e que os 11.000 trabalhadores sindicalizados da US Steel vão se beneficiar do controle da Cliffs.

Benefícios da doutrina da “indústria falida”

Applebaum disse que a indústria siderúrgica se beneficiou parcialmente da chamada doutrina da “indústria falida”, em que as autoridades antitruste permitem uma maior liberdade para fusões e aquisições quando um setor é dominado por importadores. Mas “aí não dá mais para dizer que o setor está falindo”, acrescenta ela.

Os preços do aço laminado a quente nos EUA ficaram em torno de US$ 600 a tonelada curta na década anterior a 2021. Naquele ano, os problemas na cadeia de abastecimento e a inflação fizeram os preços disparar para quase US$ 2.000, antes de caírem para o que Van Meerkebe chamou de níveis “ainda muito saudáveis” de cerca de US$ 866 neste mês.

A US Steel anunciou no domingo que lançou uma revisão das alternativas estratégicas depois de receber “várias propostas não solicitadas” de possíveis interessados. Ela rejeitou publicamente a oferta da Cleveland-Cliffs, mas negociações sérias estão em andamento entre as duas companhias, segundo informou uma fonte envolvida no processo de análise.

A Esmark, um grupo industrial e siderúrgico de capital fechado, fez sua proposta de US$ 10 bilhões em dinheiro na terça-feira, embora a fonte envolvida no processo tenha dito que ela forneceu poucos detalhes sobre os financiamentos necessários para executar tal negócio.

James Bouchard, presidente-executivo da Esmark, disse ao “Financial Times” que conversou com a US Steel esta semana, depois de fazer duas ofertas anteriores em particular, e insistiu que não há contingência financeira em sua proposta.

Ele disse que uma aquisição da US Steel pela Esmark “limparia a cadeia de fornecimento de aço americana”, ao mesmo em que questionou os benefícios que resultariam de um acordo entre a Cleveland-Cliffs e a US Steel. “Se você fundir um dinossauro com outro dinossauro, terá um dinossauro”, disse ele.

 

Brasil Mineral - SP   21/08/2023

A Gerdau comemora os dez anos de operação em aços planos na usina em Ouro Branco, em Minas Gerais. Em 2013, a companhia começou produzindo bobinas a quente, presentes na fabricação de peças para carros, ônibus, caminhões, tratores, construções metálicas, entre outros. Além disso, as bobinas a quente são usadas na produção de tubos e defensas metálicas, bem como na fabricação de botijões de gás e rodas para a indústria automobilística.

Para Rafael Gambôa, diretor industrial da Gerdau Ouro Branco, a entrada em operação do laminador de tiras a quente propiciou à Gerdau entrar no negócio de aços planos. “Com isso, abrimos novas oportunidades, novos negócios, novos clientes, o que contribuiu significativamente com a diversificação do portfólio de produtos, assim como também com a comunidade, com novas oportunidades de trabalho”, diz. Em 2016 foi a vez da Gerdau ingressar no mercado de chapas grossas, um produto que possui diversas aplicações, como torres eólicas, oleodutos e gasodutos (indústria petrolífera), construção naval, uso estrutural (máquinas, implementos agrícolas, rodoviários, ferroviários), entre outros. Atualmente a empresa é líder no abastecimento do mercado brasileiro de torres eólicas metálicas com essas chapas.

A Gerdau produziu nesses dez anos um volume de bobinas a quente equivalente a mais de três voltas na Terra. Em 2021, a companhia anunciou investimentos para ampliar a capacidade do laminador de tiras a quente, o que acrescentará 250 mil toneladas/ano de capacidade na Usina Ouro Branco, com início da operação prevista para 2024. Os aços produzidos nessa linha contam com inovações tecnológicas que permitem à Gerdau atender demandas adicionais de vários setores, como o agronegócio, as montadoras de tratores, carretas, máquinas de construção, carregadeiras e retroescavadeiras, implemento rodoviário, a indústria de óleo e gás, além da energia renovável – solar e eólica, entre outros.

 

Valor - SP   21/08/2023

Fabricantes veem com preocupação o crescimento da penetração de material de China e outros países no ano; defendem maior rigor na defesa comercial


Mello Lopes: “Vemos pela frente um iceberg: importações diretas e indiretas equivalente à produção de duas Usiminas” — Foto: Ana Paula Paiva/Valor

Dizendo-se ameaçado pelo aumento constante das importações de aço, o setor siderúrgico brasileiro, por meio do Instituto Aço Brasil, pediu reunião emergencial com os ministros Geraldo Alckmin, do MDIC, e Fernando Haddad, da Fazenda. O objetivo é falar de medidas que possam, ao menos, num primeiro momento, amenizar a situação, que consideram preocupante à indústria.

Os representantes da siderurgia no país, que se reuniram na semana passada para debater o tema após a entrada de aço subir 78% em julho - a maioria da China -, consideram como relevante o retorno das alíquotas de importação ao nível anterior às duas baixas feitas em 2021 e 2022, que somaram 20%. Eram de 12% para a maioria de produtos siderúrgicos.

“A situação fica mais preocupante quando o México, na semana passada, elevou suas tarifas de 15% para 25%, se igualando ao mesmo patamar dos EUA, com a seção 232 de Donald Trump, em 2018”, diz Marco Polo de Mello Lopes, presidente executivo do Aço Brasil. Segundo ele, com essa barreira ampliada dentro do Nafta mais salvaguardas da União Europeia, o aço chinês e de outros países vão buscar mercados de defesa comercial fraca, caso do Brasil, com alíquota de 9,6%.

“O mercado interno está fraco e as exportações têm dificuldade de crescer, enquanto as importações estão em forte alta, beneficiadas por câmbio, preços baixos lá fora e excesso de oferta chinesa e mundial” avalia Lopes. O setor, informa ele, está operando com capacidade ociosa na faixa de 40%. “Uma aposta para ocupar capacidade era exportar, mas não encontra espaço devido ao excesso”.

Lopes informa ao Valor que, após as revisões de projeções de demanda e consumo para o ano feitas pelo Aço Brasil em abril e julho, uma terceira estimativa acaba de indicar um volume mais crítico - 4,61 milhões de toneladas de material importado previstas para 2023. Em julho, eram 4,2 milhões. A fatia do importado no consumo aparente pode atingir 19% ao final do ano, só inferior aos 20% de 2010, quando o PIB do país crescia acima de 7%. “Não é o que vemos hoje no país”, diz.

“O que vemos pela frente é um iceberg: importações diretas e indiretas (produtos transformados, como máquinas) somando 9 milhões de toneladas. Isso equivale à produção de duas Usiminas”.

Do aço que entrou no país este ano, até julho, 52,2% vem da China. Mais 18% de outros países da Ásia. “A China vinha exportando ao nível de 40 milhões de toneladas alguns anos atrás, agora já beira 100 milhões anualizadas”, diz Lopes.

Ao avaliar diferentes tipos de produtos laminados, o Aço Brasil constatou que a taxa de penetração do importado vai de 15,8% na bobina a frio até 32% nos produtos revestidos (galvanizados), com destaque para chapas de ligas de alumínio-zinco (65,3%). Chapas e bobinas inoxidáveis, 37%; tubos sem costura, 42,3%.

Lopes cita o desaquecimento da demanda interna chinesa como propulsor para buscar outros mercados, mantendo seu ritmo de produção. E a China, aponta, continua sendo o maior gerador de excesso de oferta de aço no mundo, e ainda alavanca países satélites na Ásia, com projetos de usinas chinesas -são 66 milhões de toneladas.

Conforme dados da Bloomberg e do UBS, em maio embarques líquidos de aço chinês (menos importação) estavam ao ritmo anual de 92 milhões de toneladas. Em setembro de 2022 eram de 50 milhões de toneladas. As informações indicam que vão se manter firmes neste trimestre devido aos altos estoques nas usinas e à firme produção que vêm mantendo.

O cenário projetado há um mês para o aço no mercado brasileiro era este: queda de produção de 5% (antes, alta de 2%) e de 6% nas vendas locais (antes, -0,7%), reversão de mais 7,6% nas exportações para menos 0,3% e consumo aparente, de recuo de 1% para 2,6%. Para as importações, a previsão passou de 2,5% de alta para 25,6%. A nova revisão tem mais 400 mil toneladas.

O consumo de aço no país patina há mais de 40 anos - em 1980, era de 100 kg per capita. A previsão de 2023 é de 105,9 kg, bem abaixo de países como Chile, Argentina e México. “Crescemos apenas 5% desde 1980 e o consumo está fortemente concentrado (84%) em três setores - construção, automotivo e bens de capital”. Um alto grau de dependência, que é risco ao setor em períodos de crise econômica.

A avaliação é que o mundo todo está se protegendo. EUA fizeram uma escolha, sob críticas, mas fizeram: alegaram “segurança nacional” para impor sobretaxa de 25%. No Brasil, uma atitude assim das autoridades de comércio exterior é quase impensável, mas o Aço Brasil considera que uma salvaguarda emergencial, por período provisório, é plausível, para garantir defesa comercial neste que veem como cenário crítico.

“Há uma situação emergencial que precisa ser tratada no governo”, diz Lopes. Ele observa que o país atua conforme os instrumentos reconhecidos pela OMC (Organização Mundial do Comércio): ações antidumping, medidas anti-subsídios e salvaguardas. A decisão precisa ser amparada na Letec (lista de 100 produtos que não requer autorização do Mercosul).

Mas dois casos de ação antidumping e medida anti-subsídio, abertos em 2016 - para aço laminado plano a quente - não foram implementados pelo governo brasileiro. Apesar da constatação do dano comercial ao produto nacional. O primeiro contra material de Rússia e China; o segundo, só da China. Ambos tiveram seus direitos de aplicabilidade de medidas suspensos pela Secretaria de Comércio Exterior e encerrados entre os anos de 2018 e 2022. Alegação: “razões de interesse público”.

Questionou-se se os “potenciais ganhos” chegaram ao consumidor quando foi comprar bens eletrodomésticos, automóveis, máquinas ou um imóvel, a preço mais baixo. Ou se o principal beneficiado foram grupos importadores.

Lopes defende que a siderurgia é estratégica ao país. “É a base da indústria como um todo, de máquinas, equipamentos, implementos agrícolas e torres elétricas”. Aponta os investimentos previstos de US$ 2,5 bilhões ao ano e geração de 130 mil empregos diretos e milhões na cadeia produtiva. Mas consumidores reclamam de preços bem mais elevados do aço local em relação ao de outros países.

“É fundamental, como prioridade do país, a retomada do crescimento econômico e a recuperação da competitividade sistêmica (redução do Custo Brasil, reforma tributária...)”, rebate ele. “Não temos problema de oferta, o que falta é maior demanda no país”, afirma.

Valor - SP   21/08/2023

Lia Valls Pereira (Ibre/FGV) e Lívio Ribeiro (consultoria BRCG e FGV/Ibre) reconhecem a forte competição da China, mas não veem medidas de proteção vertical como solução; defendem políticas horizontais de Estado

Medidas como processos antidumping e salvaguardas a importações é uma escolha política de governo. Tem de ver se vale a pena proteger setores industriais, caso do aço, ou se é melhor incentivar iniciativas de ganho de competitividade industrial. Os EUA escolheram proteger os fabricantes de aço ao editar, em 2018, a seção 232.

Proteger por quê, questiona Lia Valls Pereira, pesquisadora associada do Ibre/FGV e senior fellow do CEBRE. “Talvez a indústria brasileira não seja tão competitiva e sempre vai pedir proteção”, afirma. Ela avalia que, de fato, a China se tornou uma potência, com economia de escala, criando mais oferta e baixando preços, se tornando alvo de dezenas de investigações de comércio desleal no mundo.

Na sua visão, o país não pode tomar decisão pontual. “Seria melhor ter medidas de caráter temporário do que recorrer a aumento de tarifas. Abre espaço para outros setores pedirem as mesmas medidas”, afirma. Em essência, diz, redução de tarifa é para baratear custo de produção, mas qual seria o efeito sobre emprego?.

Para Pereira, talvez a indústria brasileira tenha de ter redes de proteção, como nos EUA, para mitigar impactos na competição, mas isso tem de ser feito de uma forma mais ampla. “Não vamos resolver o problema interno abrindo um flanco com a China”.

Lívio Ribeiro, sócio da consultoria BRCG e também pesquisador associado da FGV/Ibre, observa que, por várias razões, é um momento delicado para a siderurgia global, e que o setor busca proteção ao invés de políticas que melhorem sua competitividade. Reconhece, porém, que isso não ocorre da noite para dia. “Proteção é política vertical, do interesse do setor”.

Ribeiro admite o impacto que ocorre da competição chinesa há vários anos, com excesso de oferta desviado para outros mercados. Diz que a consolidação de siderúrgicas no país desde 2018 tornou as empresas mais robustas. Em contrapartida, ganharam competitividade e passaram a ofertar produtos a preços mais baixos. “O Brasil, com rara exceção, não tem uma indústria do aço tão integrada verticalmente, desde os insumos”.

Para ele, medidas de proteção não resolvem o problema de competitividade. Isso tem de vir atacando o custo Brasil, arcabouço de custos logísticos, simplificação tributária, segurança energética. Políticas horizontais. “Tudo que gera ambiente de negócios, mas leva tempo e é política de Estado”.

Diário do Comércio - MG   21/08/2023

Em Minas Gerais, a produção de aço bruto manteve o ritmo de queda em julho. De acordo com os dados do Instituto Aço Brasil, a produção mineira caiu 10,9% frente a julho de 2022, encerrando o sétimo mês com um volume de 709 mil toneladas de aço bruto. Apesar do menor volume, o Estado manteve a liderança na produção, respondendo por 26,2% da produção nacional em julho.

Com o resultado mensal, a produção mineira de aço bruto encerrou os primeiros sete meses do ano com retração de 9%. Ao todo, foram produzidas 5,46 milhões de toneladas.

No acumulado do ano até julho, a produção do Estado respondeu por 29,3% do volume fabricado no Brasil. Minas liderou o ranking produtivo, seguido pelo Rio de Janeiro, com share de 26,3%, Espírito Santo, com 22,3%, e São Paulo, com 7,4%.

Assim como em Minas, a retração na produção de aço bruto também foi registrada no Brasil. Os dados mostram um volume de 2,7 milhões de toneladas fabricadas em julho de 2023. Quando comparado com igual mês de 2022, o montante caiu 4,7%.

Nos primeiros sete meses do ano, a produção chegou a 18,6 milhões de toneladas, uma retração de 8,6% se comparada com o volume de 20,3 milhões de toneladas em igual intervalo do ano anterior.

Em Minas Gerais, a produção de semiacabados para venda e laminados chegou ao total de 793 mil toneladas em julho, volume que caiu 3,4% frente a julho de 2022 e representou 30,4% do volume nacional.

No acumulado do ano, a produção mineira ficou 3,6% menor, com 5,42 milhões de toneladas, contra 5,6 milhões registradas em igual intervalo do ano passado. Com o resultado, Minas Gerais produziu 29,5% do total nacional.

Mercado do aço

As vendas internas também estão menores no País. Os dados mostram um recuo de 8,4% frente ao volume apurado em julho de 2022 e de 1,3% se comparado com junho. Ao todo, foram 1,6 milhão de toneladas comercializadas.

Já o consumo aparente de produtos siderúrgicos atingiu 2 milhões de toneladas em julho, 0,8% superior ao apurado no mesmo período de 2022 e 1,4% maior que em junho.

“Chama a atenção o fato de em um mês com queda das vendas internas o consumo aparente ter aumentado. A alta é exclusivamente devida ao crescimento de 26,1% das importações no mês, que alcançaram 481 mil toneladas. Esse foi o maior patamar mensal de importações de produtos siderúrgicos desde julho de 2021”, explicou o superintendente de economia do Aço Brasil, Marcelo Ávila.

Ainda segundo Ávila, mais da metade das importações, ou 56,4% vieram da China. Em julho, as importações brasileiras da China atingiram 271 mil toneladas, o maior volume comercializado desde outubro de 2010.

“O Instituto Aço Brasil vê com preocupação o aumento crescente das importações em um cenário de mercado mundial com excesso de capacidade de 564 milhões de toneladas. Em julho de 2022 e 2023, a produção de aço bruto caiu 4,7%. As vendas internas recuaram 8,9%, enquanto o consumo aparente cresceu 0,8%, também impulsionado pela alta de 78,5% nas importações”.

As importações de aço, em julho de 2023, foram de 481 mil toneladas e movimentaram US$ 547 milhões, um aumento de 78,5% em volume e de 33,2% em valor na comparação com o registrado em julho de 2022.

Segundo os dados do Aço Brasil, as importações alcançaram 2,7 milhões de toneladas no acumulado até julho de 2023, um aumento de 48,4% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 3,3 bilhões e avançaram 21,8% no mesmo período de comparação.

 

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   21/08/2023

Depois que o Banco Central (BC) brasileiro iniciou o ciclo de flexibilização monetária com um corte de juros mais arrojado do que boa parte do mercado esperava, o economista-chefe de mercados emergentes do Citi, David Lubin, avalia que a decisão pode ter aberto a porta a novas surpresas em outras economias.

Apesar disso, ele diz ter dúvidas sobre o impulso à atividade econômica, dado o freio de juros reais que, paradoxalmente, tendem a subir por conta da desaceleração dos preços, mais rápida do que a redução das taxas nominais.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Lubin apresentou sua visão sobre a perda de tração da economia chinesa, pressionada por uma grande crise de confiança, e se mostrou menos empolgado do que a média do mercado em relação à situação fiscal do Brasil.

Para ele, o arcabouço fiscal ainda terá que ser testado em condição econômica menos favorável, que exigirá maior esforço do governo para entregar a promessa de superávit primário de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) no último ano do mandato.

Veja abaixo os principais trechos da entrevista:

O início do ciclo de flexibilização monetária, com cortes de juros mais arrojados do que se esperava no Brasil e no Chile, deve impulsionar a atividade, apesar do ambiente internacional difícil para produtores de commodities?

Nos próximos meses, as expectativas de inflação, provavelmente, vão cair mais rápido do que os juros nominais nos países emergentes. Isso significa que, em geral, a taxa de juros real ex-ante – ou seja, descontada das expectativas para a inflação – vai subir. Acho que precisamos estar abertos para a possibilidade de as decisões dos bancos centrais do Chile e do Brasil terem aberto a porta para novas surpresas. Há chance de a taxa de juros cair mais rápido do que estamos prevendo atualmente. Mesmo assim, por conta dessa situação paradoxal, na qual, apesar da queda dos juros nominais, a taxa real sobe em razão da queda mais acelerada das expectativas, não estou seguro de que o ambiente favorável de desinflação vai apoiar o crescimento.

Por que você espera uma queda adicional das expectativas?

Temos um ambiente benigno para a queda da inflação nos mercados emergentes. Desde maio, particularmente, quase todos os países publicaram índices de inflação abaixo do esperado. Exceção a países como a Índia, a inflação nos emergentes está, em geral, se comportando bem. Um dos motivos é que os preços das commodities estão recuando, e nos mercados emergentes os bens de consumo têm peso maior do que os serviços na inflação ao consumidor. Os núcleos de inflação dão, na maioria dos países, sinais de desaceleração rápida, embora continue resistente no Brasil. Temos um cenário de desinflação confiável nas economias emergentes, e acho que vai continuar assim por bom tempo. Evidentemente, há riscos como o El Niño e a possibilidade de repique nos preços das commodities por a Rússia se recusar a renovar o acordo de exportações de grãos.

A desaceleração da economia chinesa vai contribuir mais para a desinflação do resto do mundo?

A China já tem um problema sério de deflação nos preços aos produtores. Na inflação ao consumidor, caiu em base anual para zero na última medição (relativa a junho). Acho que as autoridades chinesas vão ficar muito desapontadas se houver uma deflação persistente nos preços ao consumidor. Quando a confiança está baixa e os consumidores buscam por barganhas, se os preços começam a cair, o risco é de uma espiral negativa: as famílias adiam o consumo porque percebem que os preços estão em queda; e os preços caem porque as famílias estão adiando o consumo. Não estamos prevendo isso, mas com certeza é um risco. De qualquer maneira, se a deflação na China se tornar óbvia, haverá um efeito baixista para a inflação do resto do mundo, em particular nos países emergentes.

Isso, de certa forma, já não acontece no atacado?

Sim. A queda do índice de preços ao produtor na China tende a levar a um declínio da inflação ao produtor em outros países. Ao mesmo tempo, a queda dos índices de preços ao produtor tende a preceder a queda dos preços ao consumidor em qualquer lugar. Então, o fato de termos deflação nos preços ao produtor na China é, por si só, um movimento desinflacionário para muitas outras economias.
Por que a China não estimula o suficiente a sua economia para manter o ritmo de crescimento mostrado após o fim da política de covid zero?

A decisão da China de reabrir a economia no fim de 2022 teve como pano de fundo a preocupação do governo com as contas públicas. Se você somar governo central, governos locais e instituições financeiras públicas, a dívida excede 100% do Produto Interno Bruto (PIB). O governo chinês tem um bom motivo para estar nervoso. Quando a economia foi reaberta, o governo tomou a decisão de que a recuperação não seria puxada por estímulos. Quer que a economia resolva sozinha o problema, com o aumento do consumo levando a uma elevação do PIB e, consequentemente, uma desalavancagem.

Por que essa correção pelo crescimento não acontece?

O problema é que, enquanto o governo está preocupado com o tamanho da dívida, o que o faz ser relutante em entregar estímulos, a confiança tanto das famílias quanto das empresas está muito baixa na China. É como se as famílias e as empresas dissessem ao governo: “Você tem um problema financeiro, mas eu tenho um problema financeiro também”. Nas famílias, a tensão está do lado dos ativos. O problema aqui é que a dívida imobiliária é de 60% do PIB e os preços dos imóveis não sobem. O governo e as famílias na China estão esperando para ver quem pisca primeiro para o outro. O governo quer que as famílias comecem a gastar, e as famílias querem que o governo dê estímulos ao mercado imobiliário para terem mais confiança para gastar. Por enquanto, há poucas indicações de que o governo está propenso a dar mais estímulos ao setor imobiliário. Existem alguns esforços para diminuir o peso sobre os mutuários, mas eles ainda não podem ser considerados como grandes estímulos.

Do lado das empresas, qual é o problema?

As empresas ainda estão preocupadas por dois motivos. O primeiro é que as condições de demanda externa estão fracas. As encomendas recebidas por exportadores chineses estão baixas. A segunda fonte de ansiedade é que o governo passou os últimos três anos restringindo atividades do setor privado e lembrando as empresas de suas obrigações dentro da agenda de prosperidade comum. Também criou um grande senso de controle ao colocar membros do partido (Partido Comunista) no conselho de companhias chinesas. Embora o governo diga para as empresas investirem, elas estão cautelosas por causa do legado histórico de pressão estatal. Para as famílias e as empresas, existem diferentes motivos que mantêm a confiança baixa.

Como estão as suas previsões para a economia chinesa?

Mais ou menos um mês atrás revisamos a projeção ao crescimento neste ano de 6% para 5% por causa desse problema de confiança. O governo definiu 5% como meta de crescimento para 2023. Acho que vai lutar para não perder a meta de crescimento por dois anos seguidos. Então, se o problema de confiança perdurar, vai aumentar a probabilidade do anúncio de novos estímulos nos próximos meses ou semanas.
As diferenças entre os ciclos monetários, com os países ricos ainda deixando a porta aberta à mais uma alta dos juros, enquanto os emergentes iniciam o ciclo de flexibilização, trazem uma perspectiva melhor para os países em desenvolvimento frente aos avançados?

Sim, e três pontos explicam por que há essa diferença. Primeiro, os bancos centrais de mercados emergentes ganharam credibilidade por terem sido rápidos em aumentar os juros. Em segundo lugar, como disse antes, a inflação ao consumidor nessas economias é mais guiada por bens do que serviços – a queda das commodities fortalece a visão de que a inflação vai cair significativamente. O terceiro ponto é que estamos num estágio avançado do ciclo de aperto monetário no mundo. Mesmo se o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e o Banco Central Europeu tiverem que subir mais os juros, será não mais do que 0,25 ou 0,50 ponto porcentual. Isso é importante porque, em situação normal, seria difícil para os países emergentes cortarem juros quando o Fed ainda está subindo. A desvalorização do dólar também é uma condição importante que permitiu aos bancos centrais tanto do Chile quanto do Brasil cortar os juros além do esperado. O fato de o ciclo de aperto monetário estar em estágio maduro nos Estados Unidos, num momento em que o dólar está relativamente fraco, coloca as condições para mais cortes de juros nas economias emergentes.

O arrojo apontado por parte dos economistas na abertura do ciclo de flexibilização monetária no Brasil pode adiar a convergência da inflação em direção à meta de 3% nos próximos anos?

Ainda temos a previsão de inflação em 4% até o ano que vem. Portanto, ainda não vemos a inflação chegando a 3% no Brasil antes de 2025.

Como você vê a evolução da situação fiscal no Brasil desde o início do ano, com a chegada de um novo governo?

Todo mundo que está observando o Brasil tem uma razão para estar mais otimista sobre a trajetória fiscal do que estava no início do ano, quando a retórica do presidente Lula sobre a política fiscal era agressiva. A melhora de confiança do mercado nas finanças públicas tem a ver com o avanço do arcabouço fiscal e da reforma tributária, mas também com o fato de que, no começo do ano, a nossa expectativa era de crescimento do PIB perto de zero. Agora, a nossa projeção para o crescimento do Brasil neste ano está perto de 2,5%, graças à supersafra, que permitiu um forte crescimento no primeiro trimestre. Para se ter uma avaliação adequada, temos que ver o que o governo vai fazer num ambiente econômico mais difícil. O teste que mostrará se o arcabouço é robusto ou não vai acontecer caso o crescimento do PIB, por algum motivo, volte para zero ou para abaixo de 1%. O governo fará um esforço para entregar as metas de superávit nos próximos três anos? Se o crescimento diminuir e exigir esforços fiscais para gerar os resultados primários prometidos, o que o governo vai fazer? Nesse momento, ainda não sabemos. A aprovação do arcabouço fiscal é uma ótima notícia, mas ele precisa ser testado para que o mercado tenha realmente confiança nas finanças públicas do Brasil.

Globo Online - RJ   21/08/2023

Em relatório assinado pelos economistas Rodolfo Margato, Tiago Sbardelotto Luiza Pineze divulgado nesta sexta-feira, a XP afirma que o novo PAC anunciado pelo governo federal não altera substancialmente seu cenário- base, tanto para a dinâmica fiscal quanto para a atividade econômica.

"Acreditamos que tende mais a afetar a composição do que o nível de gastos públicos daqui para frente, uma vez que o investimento também é restringido pelo limite de gastos. No entanto, o contingenciamento obrigatório de gastos pode comprometer os recursos necessários ao PAC".

O cenário da empresa é que 70% desses investimentos planejados se concretizarão até 2026. Segundo eles, a grande maioria dos investimentos delineados no programa foi incorporada à projeção de atividade econômica para os próximos anos.

- Quanto às mudanças recentes, aumentamos nossa previsão de investimento público em aproximadamente R$ 15 bilhões por ano (em média) para o período de 2024 a 2026. A taxa de investimento brasileira deve aumentar gradualmente no médio prazo. De acordo com nossas projeções, a FBCF terá uma expansão acumulada de cerca de 7,5% de 2024 a 2026, enquanto o PIB total aumentará cerca de 5,5% para o mesmo período.

Perguntamos a representantes do setor produtivo sobre a expectativa em relação ao novo plano. Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, calcula que o novo PAC tem investimentos em saneamento básico que representam em média 20% do que é necessário para a universalização.

- Claro que são investimentos muito importantes, mas é necessário que haja um acompanhamento em relação a esses investimentos e a garantia da continuidade das modelagens, porque só o investimento público não é suficiente para que a gente consiga atender às metas do Marco Legal. É fundamental uma união de esforços entre serviço público e privado, entre diferentes modelos de gestão, que são, claro, adaptáveis a cada região do Brasil ou a cada situação específica, e tão necessárias muitas vezes em relação às tomadas de decisões por parte dos políticos para que haja uma expectativa de cumprimento dessas metas.

Para Gustavo Siqueira, CEO da Saint-Gobain Canalização para a América Latina, as expectativas em relação ao PAC são boas. Ele considera que o plano será um motor importante nos investimentos.

- A nossa equipe avaliou detidamente a relação prevista no PAC e em especial na linha “Água para Todos”, temos boas perspectivas, inclusive com obras que estavam paradas há algum tempo e que estão com o seu retorno previsto. Esperamos, inclusive, que essas obras que ficaram paradas sejam rapidamente retomadas.

Com a confirmação dos investimentos, Siqueira acredita em um aumento dos negócios e pode rapidamente adequar  a capacidade produtiva a esse aumento potencial de demanda.

- Efetivamente, não temos um problema de capacidade, precisamos da confirmação dos negócios. Apenas a título de informação, 70% de nossa produção de julho foi direcionada para atender o Uruguai em uma obra de emergência.

No setor imobiliário, a expectativa é positiva também.  Gustavo Félix, CEO da RNI construtora, afirma que tem no portfólio empreendimentos encaixados ao novo Minha Casa, Minha Vida, tanto nas faixas 2 e 3, e o objetivo é lançar novos produtos encaixados nas novas políticas de crédito contemplado pelo novo PAC.

- O momento é para expandir a nossa atuação, especialmente na faixa 3 do programa.

O Estado de S.Paulo - SP   21/08/2023

Os Estados Unidos e a China são as duas potências econômicas mais importantes do mundo. Mas enfrentam problemas econômicos opostos.

Os EUA têm se debatido com o aumento dos preços ao consumidor nos últimos 18 meses, com a inflação ainda acima da meta de 2% do Federal Reserve. Apesar das tentativas de desacelerar os gastos, a taxa anual ficou em 3,2% no mês passado, de acordo com dados divulgados recentemente.

A China encara um problema diferente: a deflação. De acordo com estatísticas oficiais divulgadas há poucos dias, os preços ao consumidor caíram 0,3% no ano passado, depois de ficarem estagnados durante meses.

E enquanto os EUA têm um mercado de trabalho surpreendentemente aquecido, com mais vagas de emprego do que pessoas desempregadas, a China enfrenta problemas enormes de desemprego. A taxa de desemprego entre jovens de 16 a 24 anos atingiu um recorde de 21% em junho – embora alguns especialistas acreditem que ela seja ainda maior.

Há uma semelhança importante, embora ela não pareça boa para Pequim. Apesar de a China ter uma meta oficial de 5% para o crescimento econômico este ano, a atividade econômica ainda sente os reflexos da política conhecida como “covid zero”. Economistas da Bloomberg News disseram que o crescimento ficaria mais próximo de 3% em circunstâncias normais – não muito acima dos 2,5% que o JPMorgan prevê agora para os EUA.

Essa taxa mais lenta estaria bem fora dos trilhos para um país que era, antes da pandemia, um motor do crescimento econômico global. E há sinais mais preocupantes para a China, incluindo a queda do comércio internacional, o aumento da dívida pública e com o investimento imobiliário doméstico.

Do ponto de vista global, o caso da China é mais atípico que o dos EUA. Os problemas com a inflação e no mercado de trabalho vistos nos EUA são observados em quase todas as principais economias. Os economistas atribuem isso aos pacotes de estímulo do governo e ao desemprego estrutural durante a pandemia, assim como ao aumento das despesas depois da redução dos casos de covid-19.

Nos EUA e em outros lugares, isso representa um problema político imediato. Embora o presidente Biden tenha afirmado que sua “Bidenomics” esteja criando uma desaceleração sem provocar uma recessão ao reduzir a inflação sem causar um aumento no desemprego, as pesquisas mostram que muitos americanos ainda estão sentindo o aperto dos preços mais altos e temem uma recessão.

Os problemas na economia da China também podem ser resultado da covid-19, mas são distintos – e talvez mais drásticos. A resposta rigorosa do país à pandemia – a política de “covid zero” que levou a lockdowns em massa, testes, quarentenas e controle de fronteiras – pode ter salvado muito mais vidas do que as iniciativas menos organizadas nos EUA e em outros lugares, mas terminou de forma abrupta e caótica, invalidando muitos de seus acertos.

E talvez tenha deixado uma ressaca econômica muito pior. Em um artigo para a revista Foreign Affairs no início deste mês, o especialista em política econômica dos EUA Adam Posen argumentou que o que estamos vendo agora representava o “fim do milagre econômico da China”, associando as regras rígidas de combate à covid-19 a uma preocupação crescente com a economia que faz com que as pessoas guardem dinheiro, apesar das baixas taxas de juros, levando à deflação.

Os economistas também identificaram uma enorme queda no investimento estrangeiro direto na China, provavelmente uma consequência tanto das restrições de combate à covid-19 como do pessimismo econômico no país, mas também da guerra comercial iniciada pelo governo Trump contra Pequim.

O quanto as coisas podem piorar? Um ponto comum de comparação é o Japão, outra potência econômica asiática outrora em ascensão que causou grande apreensão em Washington e na Europa. Em alta nas décadas de 1970 e 1980, a bolha do Japão estourou nos anos 1990 e o país entrou em décadas de estagnação econômica e deflação que, na prática, tornaram seus cidadãos mais pobres e a dívida nacional mais cara.

No entanto, a China de 2023 não é o Japão de 30 anos atrás. A China tem uma população de 1,4 bilhão de pessoas, mais de dez vezes o tamanho do Japão, até mesmo hoje. Quando ajustada pelo poder de compra, a economia chinesa é maior que a dos EUA desde 2015. A japonesa nunca chegou a mais do que a metade da dos EUA.

Além disso, o Japão é uma democracia funcional, ainda que imperfeita. A China é uma autocracia que se tornou apenas ainda mais fechada nos últimos anos. Até conseguir dados econômicos está ficando mais difícil, com a palavra “deflação” proibida no idioma oficial do país e uma lei antiespionagem tornando as autoridades cautelosas ao falar com especialistas externos, mesmo em particular.

“Você tem uma desaceleração econômica que preocuparia qualquer país, junto com uma China que sempre gosta de dar a entender que está tudo bem e uma liderança que é especialmente preocupada com a própria imagem”, disse Andrew Collier, diretor da Orient Capital Research, em Hong Kong, ao Financial Times. “Junte esses três fatores e é a receita para uma economia pouquíssimo transparente.”

Ao mesmo tempo, há temores persistentes sobre as intenções da política externa da China – o presidente Xi Jinping sugeriu uma ação considerável contra a ilha autônoma de Taiwan, arriscando uma guerra global que poderia arrastar os EUA e outros países para ela. Recentemente, o Washington Post divulgou a história de como a China se infiltrou nas redes de defesa do Japão.

A derrocada econômica do Japão foi um assunto pacífico. Em uma coluna do The New York Times no mês passado, o economista Paul Krugman argumentou que o país, na verdade, tinha lidado com seu principal problema econômico – uma mudança demográfica de uma sociedade jovem para uma idosa – relativamente bem. A China, outra sociedade que também está envelhecendo, encara um problema semelhante. E talvez não resolva isso tão cedo.

“Portanto, não, a China provavelmente não será o próximo Japão, economicamente falando”, escreveu Krugman. “Ela possivelmente será pior.”

Para o restante do mundo, isso faz com que se fique atento à economia da China. Qualquer instabilidade no país poderia desencadear consequências inesperadas em outras partes do mundo, tanto econômica como politicamente. Como escreveu Posen, para os EUA, isso poderia muito bem ser uma oportunidade para deixar de lado essa rivalidade econômica. Os sonhos da China de ofuscar economicamente os EUA podem, no mínimo, ser adiados para sempre.

O Estado de S.Paulo - SP   21/08/2023

A perspectiva de queda de juros nos próximos meses pode garantir ao governo uma economia com despesas de juros da dívida pública de R$ 310 bilhões de agosto deste ano, quando se iniciou o ciclo de queda da taxa Selic, até dezembro de 2024. As contas foram feitas a pedido do Estadão pelo economista Daniel Leal, que por nove anos permaneceu na coordenação geral de operações da Dívida Pública (Codip) no Tesouro Nacional.

Atual estrategista de renda fixa da corretora de investimento BGC Liquidez, Leal projetou uma redução da taxa básica de juros (Selic) dos atuais 13,25% para 9,50% ao ano em agosto de 2024, quando passaria a ficar nesse patamar até o final do ano. Em 2023, a queda chega a R$ 45 bilhões e, em 2024, a R$ 264 bilhões.

Os números apontam a importância do processo de queda da Selic para a redução do custo da dívida bruta e do déficit nominal das contas públicas. O cálculo do resultado nominal leva em conta receitas menos despesas, mais os gastos com os juros da dívida. A dívida bruta fechou o mês de junho, último dado disponível pelo Banco Central, em R$ 7,6 trilhões (73,59% do PIB).

Segundo Leal, após o início do processo de queda dos juros, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto, a grande pergunta a ser feita é qual seria a economia de despesas de juros da dívida daquinpara frente.

Pelos seus cálculos, a relação entre a dívida pública e o PIB pode cair aproximadamente 0,42% em 2023 e 2,33% em 2024, no cenário projetado.

Segundo ele, o mercado pode passar uma volatilidade de curto prazo no meio por conta das decisões que o Congresso vai tomar em relação à aprovação dos projetos que estão sendo propostos pelo governo até que as incertezas sejam desfeitas. Na sua avaliação, a sinalização de melhora das contas públicas terá mais importância do que zerar o déficit no ano que vem.

A meta fiscal de zerar o rombo das contas está prevista no projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024, que baseia a elaboração do Orçamento.

“O déficit zero é bem desafiador. Não vai ser fácil entregar. Mas eu acredito que o governo entregando uma melhora nas contas, um déficit menor, o mercado já vai reconhecer que não é um descompromisso fiscal”, avalia.

Segundo ele, melhorando as contas públicas, mesmo com a volatilidade no meio do caminho, ao final haverá mais espaço para redução dos preços dos ativos. “Mas, se o mercado sentir que está voltando para aquela toada desenvolvimentistas que houve nos governos do PT anteriormente, aí volta para os patamares de juros e tudo que está sendo construído agora vai por água abaixo”, ressalta.

Ele vê esse risco de baixa probabilidade de acontecer, com as sinalizações dadas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de que buscará as receitas necessárias para bancar o aumento das despesas.

MINERAÇÃO

Money Times - SP   21/08/2023

Analistas do BTG Pactual levantam a possibilidade de a Vale (VALE3) pagar dividendos extraordinários bilionários com a transação do negócio de metais básicos.

O banco avalia que é possível que a mineradora pague dividendos extraordinários especiais de cerca de US$ 2,4 bilhões após a conclusão do negócio.

No fim do mês passado, a Vale fechou um acordo para vender 13% de participação da divisão de metais básicos para Manara Minerals e Engine No. 1 pelo valor de US$ 3,4 bilhões. US$ 1 bilhão será mantido na unidade, o suficiente para financiar as operações até que haja mais clareza sobre os planos de crescimento futuro, afirma o BTG.

“Inegavelmente, a Vale obteve um excelente preço para sua divisão de metais básicos (VBM), em ~10 vezes Ebitda para 2023, em linha com a empresa de cobre mais ‘cara’ do mercado (Southern Copper)”, afirmam Leonardo Correa, Caio Greiner e Bruno Lima, em relatório publicado na quinta-feira (17).

Fator China

Membros da administração da Vale conversaram com o BTG e defenderam uma visão mais construtiva que o mercado em relação ao ambiente macro da China.

De acordo com os analistas, a administração transmitiu uma mensagem de “relativa estabilidade” das tendências da demanda chinesa, contrastando com as estatísticas negativas do mercado imobiliário.

“Os investidores continuam assustados com a fraqueza do setor imobiliário, mas a Vale não enfrenta desafios para preencher sua carteira de pedidos nesses mercados”, destacam.

Mesmo com a volatilidade no curto prazo, a Vale não vê os preços do minério de ferro caindo significativamente em relação aos níveis atuais devido à inflação de custos e à falta de oferta.

Ainda, a administração da companhia reforçou ao BTG a visão de que a segmentação do mercado de minério de ferro deve acelerar à frente – com supostas tendências de pico de demanda para teores padrão e teores/aglomerados de maior qualidade ganhando participação à frente.
O pior ficou para trás

Do lado operacional, os problemas enfrentados no primeiro semestre do ano acabaram impactando o sentimento do mercado em relação à Vale.

No segundo trimestre, o custo caixa do minério de ferro C1 ofuscou uma temporada “decente”, na avaliação do BTG. A administração reconheceu que a recente valorização do real impactou negativamente os custos, mas ainda indicou que os números estão chegando ao pico.

“Além disso, o Sr. [Gustavo] Pimenta, [CFO da Vale], indicou que os custos fixos têm permanecido estáveis nos últimos três anos, e que a melhoria dos volumes do S11D ajudará a diluir os custos gerais daqui para frente”, acrescenta a instituição.

Para o BTG, o pior momento operacional da Vale ficou para trás. O que se espera é que a produção e os custos continuem melhorando pela frente – o que, na visão dos analistas, está “muito pouco precificado nas ações”.

Diante da expectativa de recuperação operacional e uma baixa alocação do mercado, o BTG reitera a compra de VALE3, com preço-alvo de R$ 94. O banco defende que a Vale continua sendo um dos nomes favoritos para se expor à retomada da economia chinesa e enxerga como positiva a entrada da Cosan (CSAN3) no conselho da empresa.

A monetização de metais básicos como gatilho para geração de valor a investidores de longo prazo também torna a tese atrativa.

“Em nossas estimativas revisadas, a Vale é negociada a ~4 vezes EV/Ebitda (valor da empresa sobre Ebitda) para 2023 e um yield (rendimento) de fluxo de caixa implícito de 9%. Acreditamos que a empresa pode retornar cerca de 10-12% de yield aos acionistas na forma de dividendos/recompra”, completam Correa, Greiner e Lima.

Valor - SP   21/08/2023

Com isso, a principal matéria-prima do aço passou a exibir queda de 0,6% em agosto e de 6,8% em 2023.

A expectativa de um pacote de estímulo econômico mais agressivo na China deu o tom nas negociações com minério de ferro nesta sexta-feira e os preços da commodity seguiram em recuperação, a caminho de zerar as perdas acumuladas no mês.

No norte do país asiático, segundo índice Platts, da S&P Global Commodity Insights, o minério com teor de 62% de ferro encerrou o dia com alta de 0,51%, para US$ 109,35 a tonelada.

Com isso, a principal matéria-prima do aço passou a exibir queda de 0,6% em agosto e de 6,8% em 2023.

Na Bolsa de Commodity de Dalian (DCE), os contratos mais negociados, com entrega em janeiro, fecharam o dia com ganho de 2,9%, para 771,50 yuan (US$ 105,88) por tonelada.

Infomoney - SP   21/08/2023

A Vale e o município de Barão de Cocais (MG) celebraram na tarde desta sexta-feira, 18, um acordo no valor estimado de R$ 527.531.926,14. A mineradora irá compensar e reparar integralmente os danos causados pela elevação dos níveis de emergência da barragem Sul Superior, da Mina de Gongo Soco.

O montante corresponde à soma das obrigações definidas e os valores indicados pela Vale como despesas já realizadas para a execução das ações de reparação, de compensação, de antecipação da indenização dos danos coletivos e difusos e dos pagamentos emergenciais efetuados, estimados em R$ 44.531.926,14.

O valor total não abrange as despesas decorrentes de danos desconhecidos ou futuros causados pelo acionamento da emergência e pelas evacuações.

O aval para um acerto entre as partes foi dado mais cedo pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) e o Ministério Público Federal (MPF).

Entre fevereiro e março de 2019, a barragem teve o nível 2 de emergência e o nível 3 acionados, provocando evacuação de pessoas das comunidades localizadas na Zona de Autossalvamento (ZAS) e em outros pontos da mancha de inundação, que englobam as comunidades de Socorro, Vila do Gongo, Tabuleiro e Piteiras, em Barão de Cocais, além de outros impactos socioeconômicos.

O acordo celebrado inclui a proteção, mitigação, reparação e compensação dos danos ao meio ambiente cultural material, imaterial e turístico, e conta com a interveniência da Arquidiocese de Mariana, uma vez que uma das obrigações assumidas pela mineradora é a restauração da Igreja Mãe Augusta do Socorro, bem como de seu acervo móvel.

Para o procurador-geral de Justiça, Jarbas Soares Júnior, o acordo demonstra mais uma vez que o “caminho mais correto” para atuação do Ministério Público “é o caminho da conciliação, do diálogo, da construção de soluções”.

“As ações civis e penais são necessárias muitas vezes, mas as portas devem estar abertas ao diálogo. Neste caso, com a matéria já judicializada, conseguimos construir uma solução que atendesse aos interesses da comunidade de Barão de Cocais. Quero, sobretudo parabenizar a condução da desembargadora Ana Paula Nannetti Caixeta, que conseguiu que as partes conversassem e achassem o melhor caminho para resguardar os interesses dos mineiros”, afirmou.

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   21/08/2023

“Posso afirmar, orgulhosamente, que o Bio-Hybrid é uma tecnologia de descarbonização 100% brasileira”, declarou Antonio Filosa, presidente da Stellantis para a América do Sul, ao descrever a novidade durante palestra no Summit Indústria Automotiva 2023, promovido pelo Estadão no dia 10 de agosto. Trata-se de uma solução revolucionária que combina energia térmica flex e eletrificação. Inteiramente desenvolvido no Brasil, em associação com fornecedores, pesquisadores e outros parceiros que constituem o ecossistema de inovação impulsionado pela Stellantis, o Bio-Hybrid será aplicado aos produtos fabricados no País pelo grupo proprietário de 14 marcas, incluindo Fiat, Jeep, Ram, Peugeot Citroën e Abarth.

A ideia central é promover a eletrificação gradual da frota brasileira sem deixar de tirar proveito de um grande ativo do País: o etanol, biocombustível fortemente presente em todo o território nacional há mais de quatro décadas – o primeiro carro movido a etanol no Brasil, o Fiat 147, foi lançado em 1979. “Quando se fala na busca por mais sustentabilidade, o etanol é um grande trunfo brasileiro. Seu desempenho, em termos de emissões, é ainda melhor que o de um carro elétrico europeu, se considerarmos toda a cadeia, do plantio ao escapamento”, comparou Filosa.

Um teste dinâmico realizado pela empresa comparou as emissões de um veículo movido com diferentes combustíveis. Nas mesmas condições de rodagem, o veículo emitiu 25,79 kg CO2eq quando abastecido 100% com etanol e 30,41 kg CO2eq ao ser movido com energia elétrica europeia – ou seja, considerando-se as características da matriz energética daquele continente. Considerando a energia elétrica brasileira, a emissão foi de 21,45 kg CO2eq, que se aproxima de um empate técnico se comparada com a do etanol. A gasolina (tipo C) teve o pior desempenho, 60,64 kg CO2eq.

Transição equilibrada

Filosa lembrou também da riqueza econômica gerada pela produção do etanol. “Basta lembrar que a maior empresa de agronegócio do planeta, em termos de área cultivada, é nacional, com um milhão de hectares voltados ao plantio de cana-de-açúcar”, descreveu. Além da sua característica de fonte renovável, parte importante da sustentabilidade do etanol vem do fato de que, ao longo do processo de crescimento, a cana-de-açúcar absorve de 70% a 80% do CO2 liberado na produção e queima do etanol combustível.

Assim, a combinação entre a propulsão à base do etanol e sistemas elétricos é o caminho desenhado pela Stellantis para a transição brasileira rumo à eletrificação de forma equilibrada entre três pilares: o social, o ambiental e o econômico. Ao tirar proveito das vantagens proporcionadas pelo etanol, o Bio-Hybrid permite que a disseminação dos veículos elétricos no Brasil ocorra de forma gradual, sem que isso represente uma ruptura drástica e sem exigir a necessidade de desenvolver rapidamente uma ampla infraestrutura de carregamento elétrico no País.

A empresa estabeleceu que o nível crescente de eletrificação no País se dará por meio de três plataformas Bio-Hybrid, desenvolvidas e produzidas no Brasil até 2024, além de uma 100% elétrica, lançada até 2030. É um planejamento alinhado às diretrizes do plano estratégico global de longo prazo da Stellantis, chamado Dare Forward 2030. O plano prevê a transição para uma mobilidade mais sustentável a partir da descarbonização de processos e produtos até 2038, com redução das emissões em 50% já em 2030.

Compatível com as linhas de produção das três plantas da Stellantis no País – Betim (MG) e Porto Real (RJ), no Sudeste, e Goiana (PE), no Nordeste do Brasil –, o Bio-Hybrid representa um estágio importante da rota tecnológica de mobilidade acessível e sustentável adotada pela Stellantis rumo a uma indústria automotiva mais limpa e integrada ao meio ambiente. Enquadra-se, também, no objetivo de promover uma onda de reindustrialização no setor e na estratégia de produção multirregional, que proporciona melhor distribuição das riquezas no território nacional.

Tecnologia brasileira

O desenvolvimento das plataformas Bio-Hybrid é consequência da criação do Bio-Electro no ano passado. Essa iniciativa levou a Stellantis a articular um grande conjunto de parcerias estratégicas, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento e a implementação de novas soluções de motopropulsão para a descarbonização da mobilidade.

O Bio-Electro está baseado em três pilares: Academy (abrange informação, formação e recrutamento), Lab (diz respeito à incubação de ideias e ao desenvolvimento do ecossistema) e Tech (agrupa a materialização de soluções, da inovação e da localização da produção). O Bio-Hybrid é resultado do pilar Tech. “Há uma grande capacidade de desenvolvimento tecnológico aqui no País, que precisa ser valorizada e incentivada. Temos feito isso com o projeto Bio-Electro. Não queremos importar soluções prontas, e sim fortalecer a indústria nacional”, enfatiza Filosa.

 

Valor - SP   21/08/2023

Governo federal prevê enviar até o fim deste mês a medida provisória (MP) com as regras da segunda etapa, que vai até 2028.

A nova etapa do programa Rota 2030, que será anunciada ainda este mês, vai beneficiar uma gama maior de produtos. O programa não ficará restrito ao setor automotivo, como está hoje, mas abarcará itens relacionados à mobilidade. Motocicletas e até carros voadores (VTOL, como são conhecidos em inglês), por exemplo, poderão ser enquadrados.

“Queremos deixar o Rota aberto a essas discussões [mais amplas sobre mobilidade e descarbonização]”, afirma o secretário do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Uallace Moreira. Dentro da pasta, ele ocupa a Secretaria de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços. “Amanhã pode surgir uma nova rota de mobilidade que a gente discutiria dentro do programa.”

Com o encerramento já confirmado para setembro da fase atual, o governo federal enviará até o fim deste mês a medida provisória (MP) com as regras da segunda etapa - que vai até 2028. Alguns aspectos não serão alterados entre uma fase e outra. A nova etapa seguirá concedendo, por exemplo, créditos tributários do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) às empresas beneficiadas. O custo estimado também continuará na casa dos R$ 2 bilhões ao ano.

Já os critérios para a distribuição dos benefícios serão alterados, para se alinhar à agenda de transformação ecológica.

Um exemplo é a possibilidade de aumentar a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) à medida que a potência do motor também for maior. Outro é a mudança na auferição das emissões de gases poluentes realizadas pelo veículo, que passarão da metodologia “tanque à roda” para “poço à roda”. Essa última metodologia avalia a emissão em seu “ciclo completo, da extração da fonte energética até o consumo final”. A auferição será realizada por Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e ministérios de Minas e Energia e Meio Ambiente.
Está ainda no radar a criação de um mecanismo que diminua “os créditos tributários que ficam presos” como forma de ajudar as montadoras na inserção de cadeias globais.

A renovação do programa é parte de um projeto de lei (PL) mais abrangente, que trata do combustível do futuro e regulará o biocombustível para aviões chamado ‘Sustainable Aviation Fuel’ (SAF) e o diesel verde. Também tratará da elevação do percentual do etanol misturado à gasolina e de outras iniciativas, como o RenovaBio e o Programa Nacional de Etiquetagem. O PL foi tema de uma reunião dos ministros da Casa Civil, Rui Costa, da Fazenda, Fernando Haddad, de Minas e Energia, Alexandre Silveira, do Mdic, Geraldo Alckmin, e do Meio Ambiente, Marina Silva, na noite de quinta-feira.

 

CONSTRUÇÃO CIVIL

IstoÉ Dinheiro - SP   21/08/2023

Altamente endividada, empresa do ramo imobiliário apresentou pedido de proteção de seus ativos no país enquanto implementa processo de reestruturação no exterior. Crise da companhia causa preocupação.A gigante imobiliária chinesa Evergrande Group apresentou nos EUA um pedido de proteção contra falência, de acordo com documentos oficiais do tribunal divulgados nesta quinta-feira (17/08). A medida visa proteger os ativos da companhia dentro da jurisdição dos EUA enquanto a empresa tenta orquestrar um abrangente plano de reestruturação em outras jurisdições.

O pedido da Evergrande faz referência aos trâmites de reestruturação em curso em Hong Kong, nas Ilhas Cayman e nas Ilhas Virgens Britânicas.

Outrora um player proeminente no cenário imobiliário da China, o Evergrande encontrou desafios significativos em 2021, quando foi revelado que a empresa tinha um endividamento superior a 300 bilhões de dólares.

A situação difícil da Evergrande, uma das maiores incorporadoras imobiliárias do país, tornou-se emblemática para os problemas cada vez mais profundos que acometem o expansivo setor imobiliário da China.

Este setor – um dos mais importantes na segunda maior economia do mundo – tem causado preocupação generalizada que, como alguns acreditam, pode ter repercussões globais.

Setor imobiliário problemático

Muitas incorporadoras chinesas têm enfrentado problemas semelhantes, resultando em projetos habitacionais paralisados que desencadearam protestos e até mesmo boicotes de compradores de imóveis revoltados.

Nos processos judiciais mais recentes em Nova York, a Tianji Holding e a Scenery Journey, as principais empresas controladoras da Evergrande, invocaram a proteção do Capítulo 15. Este capítulo específico lida com cenários de insolvência que abrangem mais de um país.

A Evergrande vem trabalhando em uma estratégia de reestruturação da dívida há vários meses e revelou uma proposta no início deste ano.

Em julho, a Evergrande relatou perdas líquidas totalizando mais de 113 bilhões de dólares em 2021 e 2022.

O Evergrande deixou de pagar seus títulos em 2021. Esse calote gerou temores de um possível contágio no sistema financeiro.

Reação de Pequim

A crise do setor imobiliário da China teve origem no final dos anos 1990, após reformas habitacionais – alimentadas em parte por normas sociais que consideravam a aquisição de casa própria como um pré-requisito para o casamento – terem gerado um boom no setor.

No entanto, a enorme dívida acumulada pelos principais players do setor levou Pequim a ver isso como um risco considerável tanto para a estabilidade financeira da China quanto para seu bem-estar econômico mais amplo.

Para tentar aliviar o peso da dívida do setor, as autoridades impuseram em 2020 condições cada vez mais rígidas ao acesso das incorporadoras ao crédito, secando efetivamente as vias de financiamento para empresas já endividadas.

Isso desencadeou uma série de inadimplências, como a exemplificada pela Evergrande, corroendo a confiança de potenciais compradores de imóveis e enviando ondas de choque por todo o setor.

A falta de liquidez no setor fez com que várias obras em todo o país fossem obrigadas a parar, o que resultou, no ano passado, num “boicote às hipotecas”, que se estendeu a mais de uma centena de cidades, com compradores de apartamentos inacabados se recusando a pagar a prestação mensal aos bancos.

Nos últimos meses, o governo chinês mudou de rumo e anunciou várias medidas para fortalecer o setor, que representa um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) chinês, cortando as taxas de hipoteca, simplificando os procedimentos burocráticos, e abrindo linhas de crédito visando prioritariamente finalizar empreendimentos cujas obras ficaram inacabadas.

Outro importante player do domínio imobiliário chinês, a Country Garden corre o risco de deixar de pagar seus títulos no próximo mês. A empresa reconheceu “incertezas significativas” em relação ao resgate de seus títulos corporativos.

Tal como no caso da Evergrande, o colapso da Country Garden teria repercussões catastróficas no sistema financeiro e na economia chinesa.

 

O Estado de S.Paulo - SP   21/08/2023

Em xeque durante toda a pandemia, o futuro dos escritórios parece ter vida mais longa do que muitos imaginavam. De um ambiente com cadeiras e mesas vazias há pouco mais de um ano, hoje as empresas correm atrás de ambientes confortáveis e arrojados para alocar seus funcionários. Além da volta ao trabalho presencial durante mais dias por semana, o aquecimento da economia, sobretudo no setor de serviços, elevou a demanda por escritórios de alto padrão na cidade de São Paulo e em outras capitais, no segundo trimestre do ano.

No setor de saúde, por exemplo, a Rede D’Or alugou um prédio inteiro de escritórios na capital paulista, na Alameda Santos, nos Jardins. A escola de negócios G4 Educação dobrou de tamanho e alugou um andar inteiro de um dos prédios mais icônicos da região da Avenida Luis Carlos Berrini, o Thera Corporate. E a construtora Plano&Plano fechou contrato de locação de 2 mil metros quadrados de escritório em um edifício recém-construído no Butantã. O novo escritório será cerca de duas vezes maior do que o atual, localizado no Brooklin.

Nos próximos meses, a tendência é que o movimento de ampliação de espaços de escritórios ganhe força também por causa do início do ciclo de queda da taxa básica de juros no começo do mês, que deve impulsionar a atividade. Consultorias imobiliárias ouvidas pelo Estadão informam que grandes companhias já começaram a encomendar estudos de prospecção para aumentar as instalações de escritórios.

No primeiro trimestre do ano, esse movimento não era nítido nas estatísticas do setor, pois o resultado ainda estava afetado pelo rescaldo de devoluções de áreas iniciadas na pandemia. Por isso, o saldo de locações de escritórios ficou negativo em 10 mil metros quadrados na cidade de São Paulo no período, nas contas da consultoria imobiliária Newmark.

Esse quadro, no entanto, mudou no segundo trimestre. Entre abril e junho, a diferença entre novas locações e devoluções ficou positiva em 44 mil metros quadrados na capital paulista. “O espaço ocupado no segundo trimestre voltou a crescer e num patamar bem significativo para a média dos últimos tempos”, afirma Mariana Hanania, diretora de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Newmark.

Consideradas só as novas locações, sem descontar as devoluções, foram alugados 215 mil metros quadrados de escritórios no primeiro semestre deste ano na capital paulista. No período, o desempenho do indicador, que é uma espécie de pulso do mercado, se aproxima da média histórica anual de 250 mil metros quadrados registrada entre 2007 e 2022, de acordo com a consultoria.

O aumento da demanda por lajes corporativas na cidade de São Paulo é confirmado pela CBRE, líder global em locação de escritórios. Levantamento da consultoria aponta alta de quase 50% na locação de escritórios no segundo trimestre em relação ao primeiro trimestre. Foi o sexto melhor resultado trimestral na capital paulista desde 1979.

No caso das lajes corporativas de altíssimo padrão, conhecidas como “Triple A” no jargão do mercado, a demanda por locação entre abril e junho deste ano (sem descontar as devoluções) em São Paulo se manteve positiva pelo quinto trimestre seguido.

O aquecimento da demanda por locação de escritórios no segundo trimestre também ocorreu em outras praças, como Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR) e Rio de Janeiro (RJ), aponta CBRE.

Volta ao presencial

Segundo Felipe Robert Giuliano, diretor de Locação, Pesquisa e Health da CBRE, o que impulsionou o crescimento da locação de escritórios em geral foi a busca das companhias por novas áreas, tendo como foco preço e qualidade dos escritórios, diante do avanço do trabalho presencial.

Ao final do primeiro semestre, por exemplo, 77% dos 600 melhores prédios de escritórios da capital paulista tinham ocupação superior a 70%. Um ano antes, a parcela de edifícios com esse nível de ocupação estava em 51%, de acordo com consultoria.

O momento é de mudança do perfil do trabalho híbrido. Segundo Nilton Molina Neto, CEO da consultoria imobiliária Binswanger Brazil, algumas empresas já sinalizaram que vão voltar a trabalhar mais dias no escritório a partir de setembro. Mariana Hanania, da Newmark, conta que tem clientes que pretendem voltar ao trabalho presencial cinco dias na semana, mas pondera que não é a maioria.

Por causa desses planos, a demanda de estudos para prospecção de locação de novos espaços cresceu na consultoria. “O aumento do espaço físico combinado com o crescimento da economia têm como consequência a expansão (da locação)”, diz Molina Neto.

Outro ponto que turbina a procura por locação de espaços é a mudança do layout dos escritórios. No pós-pandemia, por questões sanitárias, a tendência é de expansão da área das estações de trabalho. Antes girava em torno de 7 metros quadrados e agora oscila entre 10 e 12 metros quadrados.

Além disso, com a melhora da economia e a redução do desemprego, ter um escritório convidativo passou a ser um dos fatores para reter funcionários, observa Giuliano. “As empresas querem não só prédios novos, lajes grandes, mas com mais oferta de serviços, bem localizados, com transporte e infraestrutura”, afirma o executivo.

A G4 Educação, escola de negócios que usa inteligência artificial para treinar executivos e demais funcionários, por exemplo, acaba de dobrar a área de escritórios da sede da empresa.

No mês passado, os 400 funcionários da companhia passaram a ocupar 2 mil metros quadrados num único prédio, o Thera Corporate. Até então, a sede estava dividida entre dois prédios bem menores e antigos, também no bairro do Brooklin, que somavam mil metros quadrados

Tallis Gomes, fundador da empresa, diz que a mudança para um espaço maior foi impulsionada pelo crescimento da companhia. Doze meses atrás, a empresa tinha 150 funcionários. “Fomos crescendo o número de clientes e também o time”, diz o executivo.

A empresa é adepta do trabalho presencial. E o aumento do espaço de escritório ocorreu pelo crescimento do negócio e pela necessidade de atrair e reter os funcionários com melhores instalações.

“Meu pessoal fica mais tempo aqui do que em casa e temos de dar um escritório incrível”, diz Gomes. O escritório recém-inaugurado tem cantina com comida saudável, muitas salas de reunião e estações de trabalho mais espaçosas. “Não é aquele poleiro”, diz.

De olho no crescimento do negócio, a empresa já negociou a locação de metade do andar inferior do novo edifício, cerca de mil metros quadrados, que serão ocupados a partir do ano que vem. Gomes conta que fechou os contratos na hora certa, quando o mercado não estava pressionado e a maioria das empresas ainda estava às voltas com o home office.

Depois de quase 20 anos ocupando cerca de 1.200 metros quadrados espalhados por quatro andares de um edifício no Brooklin, a construtora Plano&Plano acaba de fechar contrato de locação. No começo do ano que vem, 270 funcionários da sede da companhia vão passar a ocupar duas lajes que somam cerca de 2 mil metros quadrados de um prédio novo no Butantã, a duas quadras do Metrô.

“Vamos criar um espaço mais colaborativo que reúna os funcionários num mesmo ambiente, sem fragmentação”, explica Renée Silveira, diretora de Incorporação da construtora. O fator que pesou na mudança da sede foi o crescimento da empresa, que agora avança para o segmento de imóveis de médio padrão. Mas a executiva ressalta também a valorização do trabalho presencial e a necessidade de introduzir de novas tecnologias nas rotinas de trabalho, que têm uso mais limitado em prédios antigos.

Dois mundos

Apesar do aquecimento do mercado registrado em São Paulo no segundo trimestre, a taxa média de escritórios vagos teve um pequeno aumento e fechou o período em 24,7%, ante 24,4% no trimestre imediatamente anterior, nas contas da Newmark. “A vacância cresceu por causa do volume maior de entregas, apesar da demanda ter aumentado”, explica Mariana. As novas áreas ofertadas no mercado somaram 107 mil metros quadrados no segundo trimestre.

No entanto, a subida da vacância não foi generalizada e os dados revelam que há dois mundos nos escritórios de alto padrão da capital paulista. “Hoje não dá para olhar o mercado de escritórios de forma generalista”, diz Molina Neto.

Ele explica que há regiões super resilientes, com preços subindo exponencialmente e outras, como a avenida Chucri Zaidan, na zona sul, que teve entregas de novos edifícios num volume enorme nos últimos anos e não tem demanda para ocupar esses prédios. Neste último caso, os valores pedidos congelaram ou até caíram ao longo do tempo, a taxa de vacância é gigante (33,2%), o que fez subir a vacância média da cidade.

Já entre os exemplos positivos estão as regiões da Avenida Paulista, Jardins e Avenida Faria Lima com vacâncias de 15,6%, 10% e 5,9%, respectivamente. São índices bem abaixo da média da cidade.

Na região da avenida Faria Lima, por exemplo, não houve uma demanda muito significativa neste primeiro semestre pela falta de oferta de espaços, diz Mariana. Uma empresa que pretende montar 6 mil metros de escritório na região não tem opções disponíveis em andares consecutivos, explica Molina Neto. Nas suas contas, o aluguel médio do metro quadrado na Faria Lima está em R$ 190 e há casos que passa de R$ 200.

Com o reaquecimento do mercado, Paulo Yuh, coordenador de Inteligência de Mercado da Binswanger Brazil, acredita que ocorra um reequilíbrio do mercado de escritórios na cidade de São Paulo. Devem aumentar as locações em áreas onde a vacância atualmente é alta, por causa da indisponibilidade de espaços na áreas hoje mais centrais e valorizadas, como Faria Lima e JK.

O Estado de S.Paulo - SP   21/08/2023

O início do ciclo de corte da Selic em agosto, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, abre a expectativa de uma possível redução dos juros do crédito imobiliário a partir do fim de 2023. Esse movimento, entretanto, pode ser facilitado por uma recuperação da caderneta de poupança, que serve como fonte de recursos para os bancos concederem os financiamentos. Essa é a avaliação de participantes do painel sobre tendências para o setor imobiliário do Seminário Real Estate, organizado pelo Estadão e pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide).

“O grande desafio ainda é o funding. A fonte de recursos para o setor imobiliário é a poupança, que vem caindo nos últimos anos”, observou Diogo Oliveira, diretor da rede de atendimento do Banco de Brasília (BRB) - a instituição vem abrindo escritórios fora da capital federal e buscando ampliar a sua carteira de crédito no setor.

Vale lembrar que, pelas regras do BC, 65% dos recursos da caderneta vão para os financiamentos imobiliários, enquanto 20% são guardados como colchão de liquidez na forma de depósitos compulsórios, e os 15% restantes são de uso livre pelas instituições. O problema é que a caderneta perdeu R$ 173 bilhões desde o início do ano passado - fruto de um volume maior de saques do que depósitos em meio aos solavancos da economia brasileira. Em 2023, a poupança perdeu R$ 70,2 bilhões até o mês de julho. Já em 2022 inteiro, o saldo foi negativo em R$ 103,2 bilhões, um recorde de baixa, segundo o Banco Central.

Com a caderneta esvaziada, os bancos passaram a buscar dinheiro em outras fontes para não deixar de conceder financiamentos para a compra e a construção de moradias. Aí entraram a letra de crédito imobiliário (LCI), a letra imobiliária garantida (LIG) e os certificados de recebíveis (CRI). No entanto, o custo de captação desses instrumentos é mais alto para os bancos, que tiveram de elevar a taxa de juros para compensar. Hoje, as taxas do crédito imobiliário estão em torno de 11% ao ano, em média.

Inflexão

Com a redução da Selic e um esperado fortalecimento das cadernetas nos próximos meses, a situação pode passar por uma inflexão. “Com a Selic começando a cair, tendemos a ter uma redução do custo de captação e, aí, vai ser possível crescer em crédito imobiliário. A grande chave é como financiar o crescimento de forma sustentável”, ponderou Oliveira, do BRB. Segundo ele, a partir do fim do ano, a instituição deve começar a discutir um possível corte dos juros.

Outro fator que pode ajudar a derrubar as taxas é a própria competição acirrada entre os bancos, com oferta da portabilidade do financiamento já concedido entre as instituições. “Com a taxa reduzindo, voltaremos a ver a figura da portabilidade do financiamento e aumento da competição de novo”, disse o executivo do BRB.

O presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz França, voltou a defender durante o seminário uma redução de 5% nos depósitos compulsórios exigidos dos bancos brasileiros, com a destinação do volume de recursos liberados para os financiamentos imobiliários. Se aprovada, a medida representaria uma injeção de R$ 38 bilhões em recursos no mercado imobiliário.

A proposta foi encaminhada para o Banco Central há mais de um ano em uma iniciativa conjunta do setor, mobilizando associações como a CBIC, Secovi, Sinduscon, Aelo, entre outras. Segundo França, buscar alternativas ao financiamento via recursos da poupança é fundamental, mas não houve apoio da autoridade monetária até aqui. “Na última reunião (com representantes do BC), disseram que a proposta é meritória, mas que no momento em que o Brasil está enxugando liquidez, seria complicado liberar o compulsório”, comentou França.

Com a mudança na diretoria do BC e o início do ciclo de cortes de juros, entretanto, a expectativa é de mudança nessa postura nos próximos meses. “Com a nova diretoria do BC de hoje, e com a taxa de juros caindo, temos um ambiente propício para que o que nós pedimos possa ser reestudado e aceito”, contou França.

Marco das garantias

Outra notícia positiva para o setor vem do Projeto de Lei 4.188/2021 - também chamado de Marco Legal das Garantias -, que foi aprovado no Senado na metade do ano e será avaliado pela Câmara dos Deputados. Uma das novidades introduzidas pela legislação é a possibilidade de um mesmo imóvel ser usado como garantia de mais de uma operação de financiamento. A nova legislação é considerada uma medida importante por agentes do setor, que veem aí uma chance de ampliar a oferta de recursos.

“Com mais segurança jurídica para a concessão de crédito, o marco das garantias vai trazer mais competidores e gerar mais oferta de recursos Aí, o preço do dinheiro tende a cair”, disse o presidente da Associação das Empresas de Loteamento (Aelo), Caio Portugal.

O Estado de S.Paulo - SP   21/08/2023

Talvez se deva incentivar a realização de investimentos paralelos em outras tecnologias de baixo carbono, a fim de não travar o desenvolvimento sustentável da Capital’

A revisão parcial do Plano Diretor de São Paulo é um tema que tem ocupado jornais, revistas, palestras, etc. No entanto, todas as discussões nem sequer avançam no âmbito das mudanças climáticas ou do meio ambiente, considerando o grande impacto na cidade causado pelo alto fluxo de veículos movidos a combustão.

A relevância é incontestável, eis que, conforme pesquisa do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), nas últimas duas décadas os paulistanos respiraram ar inadequado para a saúde humana, gerado especialmente pelas emissões veiculares.

Apesar do clichê exemplificativo, não custa lembrar que somente com a modificação das diretrizes de mobilidade a Noruega conseguiu reduzir 30% da emissão de Gases de Efeito Estufa (GEEs) na capital, Oslo, com medidas de investimentos tanto em transportes mais sustentáveis como na eletrificação de sua frota. No entanto, o sucesso exigiu grande esforço do poder público, que há mais de três décadas investe na e incentiva a eletrificação de sua frota.

A proposta do substitutivo do Projeto de Lei n.º 127/2023, que trata da revisão do Plano Diretor, foi aprovada em 26 de junho de 2023 e está pendente de sanção pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. No texto aprovado, é possível destacar duas inovações importantes, sob a ótica ambiental, dentro dos objetivos do sistema de mobilidade, como: 1) a promoção de infraestrutura para instalação de postos de recargas de baterias; e 2) a estrutura de micromobilidade, que é o transporte motorizado de forma elétrica ou não com o intuito de percorrer pequenas distâncias.

Apesar da inovação, a questão deve ser vista com cautela, pois é importante lembrar que medidas similares já são previstas na versão vigente do Plano Diretor, mas o avanço no campo da mobilidade foi lento na última década. Vejamos:

1) A Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE) informou que os veículos elétricos e híbridos representam 3,4% do mercado de veículos leves (destaque que os híbridos são a maioria);

2) Mesmo São Paulo sendo o Estado com maior avanço no setor dos veículos híbridos e elétricos, a frota desses veículos não ultrapassa as 42 mil unidades. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na Capital existem aproximadamente 6 milhões de veículos leves e no Estado de São Paulo, 19 milhões. Isto é, o Estado de São Paulo tem menos de 1% de veículos elétricos ou híbridos;

3) Até 2024, isto é, passados dez anos da promulgação do Plano Diretor, a Prefeitura de São Paulo prometeu apenas 2 mil ônibus elétricos em circulação, sem contar que os carros são responsáveis por cerca de 70% das emissões de GEEs.

Para que haja uma mudança nos meios de mobilidade do paulistano, especialmente no que diz respeito ao carro elétrico, são necessárias medidas urbanísticas a fim de preparar a cidade para o recebimento desses veículos. Assim, antes de promover e incentivar a aquisição de veículos elétricos, é importante que a Prefeitura de São Paulo e o governo do Estado promovam investimentos coordenados, tal como proposto no projeto modificativo do Plano Diretor, para que se torne viável a aquisição de veículos 100% elétricos.

Ocorre que, considerando as experiências passadas, a implementação de uma malha de carregadores públicos ou semipúblicos, muito além dos aproximadamente 500 existentes na Capital, talvez fosse o caso de incentivar a realização de investimentos paralelos em outras tecnologias de baixo carbono, a fim de não travar o desenvolvimento sustentável da capital paulista.

A exemplo disso, tivemos grandes avanços no desenvolvimento do carregamento por meio do biocombustível (exemplo: o etanol), que a partir da retirada do hidrogênio do etanol (full cell) é possível gerar energia limpa para os motores elétricos sem a necessidade do carregamento via plug-in.

Este cenário atenderia ao desenvolvimento econômico do setor sucroalcooleiro, como também o dos desenvolvedores de energia renovável (exemplo: fotovoltaica e eólica), criando um formato híbrido de abastecimento, sem sobrecarregar a matriz energética brasileira. Ademais, o formato poderia propiciar maior velocidade para a alteração da frota de veículos, a fim de que São Paulo tenha uma melhora na qualidade do meio ambiente e possa atender às suas metas de redução de GEEs.

Diante disso, a simples inclusão na proposta de revisão do Plano Diretor de estímulos à instalação de carregadores elétricos, assim como à estruturação da micromobilidade, deve ser revista antes de sua aprovação, uma vez que, apesar de disposições no Plano Diretor vigente no sentido de estimular transportes mais sustentáveis, pouco se viu de avanços durante os dez anos de sua publicação.

Vale lembrar que a questão é extremamente complexa, especialmente em vista das questões socioeconômica, ambiental e demográfica da cidade de São Paulo. Por isso é importante que seja promovida maior articulação entre o poder público e o setor privado, a fim de que conjuntamente busquem soluções inovadoras que tragam agilidade para a redução de GEEs e benefícios econômicos para todos os setores envolvidos nesta transição.

 

PETROLÍFERO

Valor Investe - SP   21/08/2023

Commodity subiu hoje com dólar mais fraco e esperança de recuperação da economia chinesa, mas impulso não compensou temores sobre a demanda, que dominaram negociações no resto da semana.

O petróleo estendeu seu movimento de recuperação, iniciado ontem, e fechou em alta nesta sexta-feira, apoiado pelo recuo do dólar no exterior e a esperança de investidores de que a China adote mais estímulos econômicos. Ainda assim, os contratos acumularam queda semanal de mais de 2% e encerraram uma sequência de oito semanas seguidas de ganhos.

O barril do petróleo WTI - referência americana - com entrega prevista para outubro fechou em alta de 0,95%, mas caiu 2,31% nesta semana, a US$ 80,66. Já o barril do Brent - referência global - para o mesmo mês subiu 0,80% hoje e acumulou queda semanal de 2,32%, a US$ 84,80.

“O rali do preço do petróleo que estava em vigor desde junho terminou”, diz Edward Moya, analista-sênior de mercados da Oanda. Segundo ele, o mercado da commodity ficará de olho nos problemas econômicos da China, as leituras de índices de gerentes de compras (PMIs, na sigla em inglês) na semana que vem, o Simpósio de Jackson Hole do Federal Reserve (Fed) e a reunião dos Brics.

Na visão de Moya, o petróleo deve se acomodar na região de US$ 80, sob apoio de um mercado apertado, até que o cenário das economias de EUA e China se torne mais claro. “Se as perspectivas econômicas globais ficarem ainda mais pessimistas, o petróleo pode devolver boa parte do rali recente”.

Hoje, o recuo do dólar no exterior deu fôlego à commodity, que também observou autoridades da China revelarem um plano de reformas no mercado de capitais local para aumentar a confiança de investidores. O gigante asiático sofre com uma ampla aversão ao risco, que tem limitado a liquidez e deteriorado as condições para uma recuperação mais robusta.

Ontem à noite, a incorporadora imobiliária Evergrande entrou com um pedido de falência na corte de Nova York, a fim de proteger ativos nos EUA enquanto avança com um processo de reestruturação de dívidas offshore em Hong Kong, Ilhas Cayman e Ilhas Virgens Britânicas. A notícia causou volatilidade em diversos mercados globais, incluindo o de commodities.

 

O Estado de S.Paulo - SP   21/08/2023

Quem questionar a evolução do mercado de gás natural desde a aprovação da Lei do Gás, há dois anos, para o presidente da Transportadora Associada de Gás (TAG), Gustavo Labanca, ficará sem argumentos. Nos últimos dois anos, a empresa passou de um para mais de 40 contratos, transportando, entre entradas e saídas para esses novos clientes, cerca de 13 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

A empresa tem projetos em fase de estudos, incluindo melhorias e expansão da sua malha de gasodutos que podem chegar a R$ 20 bilhões. Até 2027, estão garantidos R$ 3,3 bilhões, segundo Labanca, que vê na expansão o melhor caminho para reduzir o preço do gás natural no Brasil.

“Tudo o que estamos fazendo hoje é para garantir que teremos um mercado pujante de gás para o futuro. Temos defendido bastante também o papel do gás na transição energética, a importância do gás natural no Brasil. O Brasil tem reservas de gás e precisa dessas reservas para gerar riqueza para a sociedade. Para isso, precisa de investimentos em infraestrutura. E estamos aqui para liderar esses investimentos”, disse Labanca ao Estadão/Broadcast.

Segundo ele, a demanda tem evoluído na área atendida pela empresa, que pertencia à Petrobras e foi privatizada em 2019. No início, os contratos eram anuais. Posteriormente, mensais e semanais. Agora, existe demanda até para compras diárias, contrato que será oferecido ao mercado até o fim deste ano pela TAG.

Empresa é dona de quase metade da infraestrutura de gasodutos do País, ligando o Sudeste ao Norte e Nordeste e tem ajudado a diversificar o suprimento do insumo, disse Labanca.

“Hoje, 75% do mercado do Nordeste é atendido por outros produtores que não a Petrobras, isso já está acontecendo. O Nordeste saiu na frente e hoje tem o preço mais competitivo na molécula (de gás), e a TAG ajudou isso acontecer”, afirmou.

O gás natural no Nordeste é 18% mais barato do que o comercializado no resto do Brasil. Segundo o executivo, isso foi possível pela diversificação do fornecimento. “As distribuidoras do Nordeste estão comprando gás aqui no Rio de Janeiro e uma parte também compra dos campos do Nordeste que foram vendidos pela Petrobras, com a 3R, da Origem. Aqui no Rio, compram da Shell, Equinor e da própria Petrobras”, disse.

Um dos projetos de expansão já identificados pela empresa é a instalação da estação de compressão Itajuípe, na Bahia, que vai permitir a elevação da capacidade de escoamento do gasoduto Gascac (Gasoduto Cacimbas-Catu), de 9,4 milhões de metros cúbicos por dia (m3/d) para 12,4 milhões de m3/d. Outro ganho será a redução do gargalo nesse trecho da malha da TAG, pois, com a nova estação de compressão, será possível disponibilizar mais gás do pré-sal para os consumidores do Nordeste.

“Temos também alguns potenciais projetos no Norte, na região amazônica, com Eneva (Azulão, Juruá), e o próprio Urucu (campo de Urucu, da Petrobras), que teve leilão no ano passado e cliente contratando novas térmicas para o gás de Urucu. Se a demanda aumentar, vou ter que fazer investimentos na malha. São investimentos mais concretos e fazem parte do portfólio de R$ 20 bilhões”, informou.

Expansão da rede deve elevar oferta e reduzir preço do gás

Segundo o executivo, a expansão dos dutos dará mais robustez ao mercado e maior oferta do combustível, aumentando a competição e reduzindo o preço do gás. “Esse é meu mantra pensando o Brasil para frente”, frisou, alertando que os investimentos na procura de novas reservas do insumo pelos produtores têm que ser contínuos. Para Labanca, o gás nacional tem que ser priorizado, enquanto a importação da Bolívia e de Gás Natural Liquefeito (GNL) é usado apenas com um complemento do mercado.

“Tem que montar a ‘pilha’ valorizando o gás nacional, seja pré-sal, pós-sal, onshore (terra), offshore (mar). Para isso vamos fazer investimentos em infraestrutura, para que esse gás esteja disponível”, disse.

Uma das esperanças do Brasil é um possível reservatório significativo de gás natural na Margem Equatorial brasileira, que pode ter geologia parecida com os que estão sendo explorados na Guiana e em Suriname. A exploração da região, porém, ainda é uma meta distante, na avaliação de Labanca.

“Precisa aguardar, estão na fase inicial. Estamos conversando mais sobre Sergipe Águas Profundas (Seap), que tem data mais próxima, prevista pela Petrobras para 2027, mas já temos que começar a atuar hoje porque a infraestrutura é investimento de longo prazo. São 18 milhões de metros cúbicos por dia que estarão conectados à TAG”, ressaltou.

Além da expansão, algumas conexões da TAG ajudam a levar o gás a localidades que não eram atendidas com a construção de City Gates (pontos de entrega), como o feito em Itagibá, na Bahia, com investimento de R$ 20 milhões.

“Não é muito alto, mas é importante. O presidente da Bahiagás falou sobre um projeto de interiorização do gás no interior da Bahia, para que ele possa atender esse novo mercado que está se criando”, afirmou Labanca, citando ainda a conexão de entrada entre o Porto de Sergipe e o Terminal de GNL da Eneva, um projeto de R$ 340 milhões que fica pronto no primeiro semestre de 2024.

A TAG vai terminar, ainda, a configuração original do gasoduto comprado da Petrobras. De acordo com Labanca, hoje o gasoduto adquirido por R$ 33,5 bilhões tem algumas limitações em transportar o gás do Sudeste para o Nordeste, pois apenas uma das cinco estações de compressão programadas foram construídas. A estação de compressão ajuda a aumentar o volume de gás transportado.

“Vamos fazer a segunda (estação), que está em andamento para ser aprovada pelo regulador. Com isso, aumentamos a transferência de gás do Sudeste para o Nordeste em cerca de 3 milhões de m3/d. Isso é ótimo porque estamos tendo essa demanda firme do Nordeste e tivemos que contratar produto no mercado para poder atender. Essa é uma restrição física. Estamos removendo para poder atender melhor o cliente”, disse.

 

Valor - SP   21/08/2023

A alegação é que há baixo conteúdo local e isenção da multa.

A Federação Única dos Petroleiros (Fup) pediu que a Petrobras cancele o edital de licitação para afretamento de plataformas de revitalização dos campos de Barracuda e Caratinga, alegando baixo conteúdo local e isenção da multa. O edital da plataforma flutuante (FPSO, na sigla em inglês), que foi lançado no início de agosto, estabelece conteúdo local de 10% e, segundo a Fup, “deixa de fora a indústria nacional”.

“Conteúdo local tão baixo e isenção de multa em caso de não cumprimento do índice significa, na prática, aplicação voluntária de conteúdo zero, dependendo da vontade do fornecedor, deixando de fora a indústria nacional e o trabalhador brasileiro. É inaceitável”, afirma o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, em nota. O líder da Fup destaca que um dos compromissos assumidos pelo presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, é a retomada da indústria naval com a colocação de encomendas no Brasil.

O edital para afretamento da nova plataforma prevê prazo de contratação de 24 anos, que poderá ser estendido em caso de paralisação da unidade, por conta da falta de equipamentos essenciais e de manutenções programadas. O FPSO terá capacidade de extrair até 100 mil barris por dia e processar até 6 milhões de m³/dia de gás.

Tezeu Bezerra, coordenador-geral do Sindipetro Norte Fluminense, afirma, em nota, que vai reforçar o pedido de cancelamento do edital pela Petrobras. “É crucial o cancelamento deste edital. Contratos devem ser firmados com base em regras de um conteúdo local que respeite a capacidade de encomendas à indústria local de construção naval”, completa o dirigente da FUP.

Bacelar diz que o decreto presidencial que lançou o Novo PAC instituiu a Comissão Interministerial de Inovações e Aquisições. No âmbito dessa comissão será instalado grupo de trabalho (GT), segundo nota da Fup, para discutir o tema de conteúdo local.

Investing - SP   21/08/2023

A Rússia continuou sendo a maior fornecedora de petróleo da China no mês de julho, segundo dados do governo chinês divulgados neste domingo, mesmo com os embarques russos caindo devido a descontos mais restritos e com a crescente demanda doméstica prejudicando as exportações russas.

As importações da Rússia aumentaram 13% em relação ao mesmo mês do ano passado, para 8,06 milhões de toneladas em julho, ou 1,9 milhão de barris por dia (bpd), segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China.

Nos primeiros sete meses do ano, as chegadas da Rússia aumentaram 25% em relação ao ano anterior, para 60,66 milhões de toneladas.

Os embarques da Arábia Saudita, de 5,65 milhões de toneladas, caíram 14% em relação ao ano anterior e 31% em relação a junho.

Esperava-se que as exportações sauditas para refinarias asiáticas caíssem em julho, uma vez que Riad elevou o preço de venda oficial de julho de seu carro-chefe, o Arab Light (BVMF:LIGT3), aos compradores asiáticos para um recorde de seis meses. A Arábia Saudita também anunciou planos para uma redução extra na produção em julho, cortando-a de 9,96 milhões de bpd em junho para 9 milhões de bpd.

Apesar das contínuas sanções ocidentais e de um limite de preço nos embarques russos, o petróleo bruto russo ESPO tem sido negociado cada vez mais perto dos valores de referência, já que a forte demanda de compradores indianos e chineses reduz o desconto das sanções.

Os embarques ESPO para entrega em julho foram cotados com um desconto de 5 a 6 dólares por barril em relação ao benchmark ICE Brent, contra 8,50 dólares em relação ao ICE Brent para embarques entregues em março, segundo fontes comerciais.

Também já se esperava que a demanda doméstica mais forte na Rússia levasse a um declínio geral nas exportações russas. Estima-se que os embarques dos portos da Rússia Ocidental em julho caiam 18% em relação ao mês anterior, refletindo o ressurgimento da demanda doméstica de refino.

As refinarias chinesas usam comerciantes intermediários para lidar com o transporte e seguro do petróleo russo para evitar a violação das sanções ocidentais.

Os fornecedores alternativos viram suas participações crescerem para compensar os menores embarques sauditas e russos. Os embarques de Angola cresceram 27% em relação ao mês anterior, para 574.581 bpd em julho.

Continuando a tendência do mês anterior, as exportações dos EUA para a China aumentaram cinco vezes em relação ao ano anterior, apesar das tensões geopolíticas, já que a produção de WTI dos EUA continua aumentando em meio aos cortes de oferta da OPEP+. Os embarques de petróleo dos EUA para a China totalizaram 161.275 bpd em julho, caindo de 742.824 bpd em junho, à medida que as margens de arbitragem diminuíram.

As importações da Malásia aumentaram 16% em relação ao ano anterior, para 911.926 bpd em julho. A Malásia é frequentemente usada como ponto intermediário para cargas sancionadas do Irã e da Venezuela.

Valor - SP   21/08/2023

Dados econômicos piores do que o esperado para o segundo trimestre reduzirão o crescimento da demanda de petróleo e gás no restante do ano, disse Zhou Xinhuai

O chefe de uma das principais empresas de petróleo da China disse que o crescimento da demanda será contido no restante deste ano e levantou a suspeita de que o consumo já tenha atingido a máxima histórica.

Dados econômicos piores do que o esperado para o segundo trimestre reduzirão o crescimento da demanda de petróleo e gás no restante do ano, disse o CEO da Cnooc Ltd., Zhou Xinhuai, em teleconferência nesta sexta-feira.

Pesquisadores da China National Petroleum Corp., a maior empresa irmã da Cnooc, disseram em junho que não espera um aumento do consumo até 2030. Já a Agência Internacional de Energia em um relatório de junho disse que espera que cresça pelo menos até 2028.

Os que apostam na alta do petróleo começaram o ano com otimismo de que a demanda chinesa se recuperaria fortemente, à medida que as nações se livrassem das algemas de três anos de restrições da covid. Essas esperanças se desvaneceram em meio a uma estagnação econômica mais ampla e a um aprofundamento da crise imobiliária.

Um boom de veículos elétricos também está começando a ter um impacto visível nas vendas de gasolina, com a principal refinaria Sinopec no início deste mês dizendo que agora espera que a demanda pelo combustível atinja o pico este ano em relação à previsão anterior de 2025.


Zhou Xinhuai, CEO da Cnooc: O crescimento da demanda será contido no restante deste ano — Foto: Lam Yik/Bloomberg

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