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20 de Outubro de 2025

SIDERURGIA

Money Times - SP   20/10/2025

O Itaú BBA disse que os resultados recentes da Commercial Metals Company (CMC), empresa americana de aço longo, indicam um cenário favorável para a Gerdau (GGBR4) na América do Norte.

Segundo o banco, o aumento dos spreads de metal observado pela CMC tende a sustentar margens estáveis mesmo com volumes sazonalmente menores no 4T25.

O banco ressalta que a demanda sólida do setor de construção nos EUA, aliada a políticas comerciais mais restritivas para importações — como a elevação de tarifas para 50% — deve beneficiar empresas locais como a Gerdau. O ambiente de spreads elevados, forte demanda e proteção comercial cria um cenário positivo para as operações da Gerdau na região, afirma.

O Itaú BBA também projeta que esses fatores devem se manter em 2026, com a expectativa de que a recuperação da economia e investimentos em infraestrutura continuem a impulsionar o consumo de aço longo nos EUA.

A operação da Gerdau na América do Norte é estratégica, respondendo por cerca de 61% do Ebitda ajustado consolidado no 2T25, impulsionada pela forte demanda da construção e políticas comerciais favoráveis.

A Gerdau utiliza tecnologia de forno a arco elétrico e reciclagem de sucata, enquanto a CMC também produz aço longo e vergalhões com mini-moinhos e centros de distribuição nos EUA.

Ambas competem especialmente nos setores de construção civil e infraestrutura, onde a demanda por aço longo é elevada.

No trimestre passado, foi a operação na América do Norte que mais do que compensou os desafios nas unidades de negócios do Brasil e da América do Sul.

A XP Investimentos disse recentemente que espera um avanço nos preços da América do Norte(+US$ 35/t) e custos levemente menores, levando as margens Ebitda de volta ao patamar de 19% a 20%, apoiadas pelos reajustes anunciados ao longo do trimestre. Já na América do Sul, a XP projeta um trimestre positivo, com volumes sazonalmente mais altos e preços realizados em recuperação.

A Gerdau deve apresentar queda no lucro líquido do terceiro trimestre. Para a XP, a última linha do balanço deve alcançar R$ 1,023 bilhão, o que implicaria em uma baixa anual de 18%, ao passo que a receita deve permanecer estável a R$ 17,4 bilhões.

Analistas, do modo geral, esperam que a companhia seja beneficiada em 2026 pela redução dos investimentos (capex), anunciada recentemente, e por uma recuperação de margens na divisão Brasil.

ECONOMIA

CNN Brasil - SP   20/10/2025

Uma projeção do CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgada nesta sexta-feira (17) aponta que as importações brasileiras irão atingir um número recorde em 2025. Segundo informe trimestral da confederação, a medida pode afetar a balança comercial do país, influenciada por preços mais baixos praticados no exterior e maior demanda do Brasil por importados.

A CNI estima que o Brasil gaste US$ 287,1 bilhões em importações, um aumento de 4,8% quando comparado a 2024. A balança comercial brasileira — diferença entre o valor das exportações e o das importações de um país durante um período específico — continuaria em superávit, contudo, em US$ 60,5 bilhões, 8,2% inferior ao passado.

Em 2024, a balança comercial brasileira foi superavitária, marcando US$ 74,6 bilhões. As importações marcaram com US$ 262,5 bilhões, com destaque para os bens de capital.

O relatório também destaca que apenas até setembro deste ano as compras brasileiras de produtos do exterior já acumularam US$ 212,3 bilhões, 8,2% a mais do que o mesmo intervalo de tempo há um ano.

Veja os setores com maiores importações até o momento:
bens de capital, com alta de 26,7% bens intermediários, com aumento de 9,4% bens de consumo, com aumento de 4%
"Essa demonstração de força das importações marcou o ano de 2025 e não há sinais de perda de ritmo para os próximos três meses do ano", ressalta a CNI. " A previsão é de que o valor das importações alcance US$ 287,1 bilhões em 2025, 4,8% acima do resultado de 2024. Com isso, projeta-se uma balança comercial superavitária de US$ 60,5 bilhões, 8,2% inferior ao registrado em 2024".
Relação entre Brasil e EUA

A projeção da CNI também engloba a tensão comercial com os Estados Unidos, que ganhou novos contornos ainda nesta semana.

"Desde julho, a nova política comercial americana tem prejudicado as exportações da indústria de transformação para os Estados Unidos. Os desempenhos positivos desse setor, da indústria extrativa e da agropecuária nos primeiros meses do ano, no entanto, serão suficientes para que as exportações brasileiras cresçam 2,3% em relação ao ano passado", diz comunicado emitido pela instituição.

Atualmente, o parte dos produtos brasileiros exportados aos EUA sofrem com uma tarifa total de 50%, aplicada deste o início de agosto deste ano. As justificativas para a taxação do governo americano incluíam "práticas comerciais desleais", além do processo criminal envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na última quinta-feira (16), o ministro de Relações Exteriores do Brasil, o chanceler Mauro Vieira, se encontrou com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O encontro aconteceu na Casa Branca, residência oficial da presidência dos Estados Unidos, e classificada como "produtiva" por Vieira.

Globo Online - RJ   20/10/2025

A próxima rodada de negociações comerciais entre os EUA e a China está marcada para a próxima semana, com o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, enfrentando a tarefa de reduzir as recentes tensões entre as duas maiores economias do mundo num momento de maior vulnerabilidade dos americanos e da admissão, pelo próprio presidente Donald Trump, de que a taxação adicional de 100% que ele anunciou há uma semana é "insustentável".

Bessent confirmou que conversou virtualmente com He na noite de sexta-feira. O chefe do Tesouro americano descreveu as discussões com He como "francas e detalhadas" e confirmou uma reunião presencial na próxima semana. O Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, também participou das conversas online.

"O vice-premiê He Lifeng e eu nos envolvemos em discussões francas e detalhadas sobre o comércio entre os Estados Unidos e a China. Nos encontraremos pessoalmente na próxima semana para dar continuidade às nossas discussões", disse Bessent, acrescentando que a reunião deve acontecer na Malásia.

Os comentários de Bessent foram feitos horas depois de Trump expressar otimismo de que as negociações com autoridades chinesas poderiam resultar em um acordo para apaziguar a crise que levou o líder americano a ameaçar aumentar drasticamente as tarifas. Em conjunto, as declarações sinalizaram um esforço de Washington para acalmar os temores de uma guerra comercial generalizada com Pequim, que poderia ter um efeito sísmico na economia global.

Depois de atingir seu ponto máximo em abril e maio, a guerra comercial entre os dois países foi suspensa em uma série de tréguas de 90 dias — a mais recente expira em 10 de novembro — para os países resolverem suas disputas. Mas a trégua foi abalada depois que Washington ampliou restrições tecnológicas e propôs novas tarifas sobre navios chineses em portos americanos, Pequim respondeu com medidas portuárias semelhantes e controles mais rígidos sobre a exportação de terras-raras, e Trump reagiu com o anúncio de uma taxação adicional de 100% a partir de 1º novembro..

Na sexta-feira, Trump foi questionado se as tarifas extras de 100% poderiam entrar em vigor sem afetar a economia americana:

— Não é sustentável. Mas esse é o número. Provavelmente não poderia continuar, mas eles me forçaram a fazer isso — disse o presidente americano em entrevista à Fox Business.

Trump enfatizou a necessidade de um acordo entre os dois países e confirmou que se reunirá com o presidente chinês, Xi Jinping, durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), na Malásia, no fim do mês.

— Vamos nos reunir em algumas semanas. Eu me dou muito bem com o presidente Xi Jinping — disse Trump.

Na semana passada, quando anunciou a taxação adicional, o presidente americano chegou a cogitar o cancelamento do encontro.

CARNES E BRASIL

Trump afirmou na quinta-feira à noite que está adotando medidas para reduzir os preços da carne nos EUA e estaria perto de um “acordo” que deixará o produto mais barato para os americanos. A declaração a jornalistas foi dada menos de 24 horas após a reunião na Casa Branca entre o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, o que provocou expectativas no Brasil — ainda que cautelosas — de uma revisão na tarifa de 50% sobre a carne brasileira.

Os EUA eram o segundo principal destino da carne do Brasil, maior produtor mundial, mas os embarques despencaram 58% em setembro, após o tarifaço. Os preços da carne já subiram 14% nos EUA este ano, e em conversa com jornalistas no Salão Oval Trump foi questionado sobre a “inflação do bife”.

— O preço da carne está mais alto do que gostaríamos, mas vai cair rapidamente. Estamos trabalhando na questão da carne e acho que já temos um acordo. Fizemos algo. Trabalhamos nossa mágica — respondeu Trump, sem entrar em detalhes.

O americano também recebeu esta semana na Casa Branca o presidente Javier Milei, da Argentina, outro país fornecedor de carne para os EUA, embora os embarques ainda estejam sujeitos a uma cota anual.

FÁVARO CAUTELOSO

Em Brasília, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse ao Valor que a declaração do presidente americano demonstra disposição em alterar a tarifa.

— A pecuária americana está vivendo um momento difícil, com o menor rebanho dos últimos 75 anos. Tudo o que os EUA não deveriam ter feito era taxar um fornecedor seguro da carne como é o caso do Brasil. Estamos otimistas, mas sem euforia sobre esta perspectiva — afirmou o ministro.

Associações americanas das indústrias de carnes e de café já pediram para Trump voltar atrás na taxação de 50% aos produtos do Brasil, maior fornecedor dos dois produtos para o mercado americano.

Um outro ponto em que os americanos estão "vulneráveis" é comércio de soja. A China é o maior importador do grão, mas há dois meses não compra soja dos EUA, o segundo maior produtor mundial.

Os chineses substituíram a soja americana pela de outros países, principalmente o Brasil — também da Argentina. Sob pressão dos agricultores de seu país, Trump tem feito ameaças para que Pequim retome as compras, mas sem sucesso até agora.

Money Times - SP   20/10/2025

A penúltima semana de outubro será marcada pela divulgação de indicadores que devem reforçar o cenário de moderação econômica, tanto no Brasil quanto no exterior.

Por aqui, o destaque fica para o IPCA-15 de outubro, prévia da inflação oficial divulgado na sexta-feira (24), que deve mostrar desaceleração para perto de 0,30%, sinalizando continuidade do processo de desinflação doméstica.

Também estão no radar os dados de transações correntes, que podem apontar o maior déficit para meses de setembro da série histórica, diante da combinação de superávit comercial menor e déficits crescentes em serviços e rendas primárias.

No exterior, o mercado acompanha a divulgação do PIB da China, publicado ainda neste domingo, que deve confirmar uma desaceleração no terceiro trimestre, e a decisão do Banco Central chinês, também hoje, que tende a manter as taxas de juros inalteradas.
IPCA-15 deve desacelerar no mês, sinalizando desinflação

O IPCA-15 de outubro deve registrar variação próxima de 0,30%, o que representa desaceleração em relação aos 0,48% observados em setembro.

No mês passado, a prévia da inflação oficial refletiu, em parte, a recomposição das tarifas de energia elétrica após o fim do chamado bônus de Itaipu. Neste mês, sem o impacto pontual da energia, o indicador deve perder força, influenciado inclusive pela redução da bandeira tarifária de vermelha patamar 2 para vermelha patamar 1.

A desaceleração do IPCA-15, combinada aos percentuais mais recentes dos preços ao produtor e ao espaço que a Petrobras ainda possui para reduzir o preço da gasolina, pode abrir caminho para o cumprimento da meta de inflação neste ano.

Déficit recorde em transações correntes para setembro

Dados da Secex indicam que a balança comercial apresentou superávit de apenas US$2,99 bilhões no mês, reflexo do avanço expressivo das importações, impulsionadas tanto pela valorização cambial e pela expansão da atividade doméstica quanto pela entrada pontual de uma plataforma de petróleo.

A redução do superávit comercial, somada ao aprofundamento dos déficits nas contas de serviços e de rendas primárias, tende a elevar o déficit em transações correntes para acima de US$ 9 bilhões, o maior valor nominal já observado para o período.

Por outro lado, o fluxo de investimentos diretos no país segue resiliente, devendo superar US$ 4 bilhões em setembro, acima dos US$3,9 bilhões registrados no mesmo mês de 2024, o que evidencia a continuidade da confiança externa na economia brasileira.
Confiança do consumidor em outubro deve atrair atenção especial do mercado

Após um período prolongado de queda e estagnação em patamar baixo, a recuperação observada em setembro, o maior nível em nove meses, levanta dúvidas sobre sua sustentabilidade.

O foco agora é entender se o avanço recente reflete apenas um ajuste pontual ou o início de um movimento de retomada após a forte deterioração registrada desde o início de 2025.

Como a melhora em setembro concentrou-se nos indicadores de expectativa, enquanto a percepção da situação atual recuou, a avaliação de que se trata de uma recuperação mais consistente ainda deve ser vista com ceticismo.

Banco Central chinês deverá manter taxa de juros.

O Banco Central da China deve manter inalterada ambas as taxas de juros do país: 3,0% a taxa para empréstimos de 1 ano e 3,5% para o prazo de 5 anos.

A autoridade monetária do país deve manter-se em compasso de espera até a divulgação dos dados de atividade econômica, especialmente o PIB.

Caso o resultado do PIB venha abaixo da meta estabelecida pelo governo (próxima a 5%), é possível que haja uma redução na próxima reunião, dado que o país não apresenta pressões inflacionárias.
PIB chinês pode ter desacelerado no 3º trimestre

O resultado do PIB da China está previsto para apresentar desaceleração tanto na comparação trimestral como na anual.

Na margem, a expectativa é de expansão de 0,8% na comparação com o 2º trimestre, já na anual, o crescimento estimado é de 4,7%, abaixo dos 5,2% observados anteriormente.

Globo Online - RJ   20/10/2025

A economia chinesa provavelmente cresceu no terceiro trimestre no ritmo mais lento em um ano, mesmo com o forte desempenho das exportações — uma desconexão que o Partido Comunista pode tentar corrigir em uma reunião-chave prevista para a próxima semana.

Com as tensões comerciais com os Estados Unidos em alta, a fraqueza nos investimentos, na produção industrial e nas vendas no varejo está minando o impulso gerado pelos recordes nas vendas externas.

Dados a serem divulgados na segunda-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China devem mostrar que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 4,7% no terceiro trimestre em comparação ao ano anterior, segundo a estimativa mediana de uma pesquisa da Bloomberg — abaixo dos 5,2% registrados no trimestre anterior.

As vendas no varejo devem ter crescido apenas 3% em setembro, enquanto a produção industrial teria subido 5% — ambos resultados os mais fracos do ano.

Já os investimentos em ativos fixos devem ter estagnado nos primeiros nove meses do ano, em relação ao mesmo período de 2024. Esses investimentos vêm caindo desde maio, apesar da forte expansão dos empréstimos do governo para sustentar o poder de gasto das autoridades locais.

No entanto, os gastos públicos com infraestrutura não têm sido suficientes para compensar a queda nos investimentos em habitação e a desaceleração dos aportes no setor industrial.

Empresas estrangeiras também vêm reduzindo seus investimentos no país: os investimentos estrangeiros diretos caíram quase 13% nos primeiros oito meses do ano, o que coloca a China no caminho para registrar três anos consecutivos de retração nesse indicador.

Por outro lado, um ponto positivo é a demanda externa: o superávit da balança comercial de bens atingiu um recorde de US$ 875 bilhões até agora em 2025, segundo os dados mais recentes.

Essa fragilidade econômica deve ditar o tom da próxima reunião de autoridades do partido no chamado quarto plenário, em Pequim. O encontro deve indicar as prioridades para o próximo plano quinquenal (2026–2030), em meio aos apelos de governos e investidores globais por uma reorientação da economia chinesa em direção ao consumo interno.

“Pequim agora enfrenta obstáculos estruturais profundos — desde o enfraquecimento de motores de crescimento até a prolongada crise no setor imobiliário e a deflação persistente — muito diferentes dos choques temporários da pandemia durante o último plano quinquenal.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), que manteve sua projeção de crescimento para a China em 2025 em 4,8%, espera uma desaceleração para 4,2% em 2026 — em linha com as previsões medianas dos economistas consultados pela Bloomberg.

O FMI alertou que as “perspectivas da China continuam fracas”, afirmando que “o investimento em imóveis continua encolhendo, enquanto a economia está à beira de um ciclo de dívida e deflação”.

O FMI sugeriu que um reequilíbrio em direção ao consumo das famílias — incluindo medidas fiscais com foco maior em gastos sociais e no setor imobiliário — e a redução das políticas industriais ajudariam a diminuir os superávits externos e aliviar as pressões deflacionárias internas.

Enquanto isso, investidores ficarão atentos a qualquer novidade sobre terras-raras, após a China anunciar novas restrições amplas às exportações desses materiais estratégicos. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que se reunirá com o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, ainda nesta semana.

IstoÉ Dinheiro - SP   20/10/2025

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,7% em agosto ante julho, segundo o Monitor do PIB, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Na comparação com agosto de 2024, houve crescimento de 1,3% em agosto de 2025. A taxa acumulada em 12 meses até agosto foi de 2,7%.

Segundo a FGV, embora o consumo das famílias mostre enfraquecimento, a atividade econômica exibe “notável resiliência”.

“Os três grandes setores de atividade (agropecuária, indústria e serviços), contribuíram positivamente para o crescimento de 0,7% da economia em agosto, na comparação com julho. Ressalta-se, contudo, que pela ótica da demanda, houve retração do consumo das famílias pelo terceiro mês consecutivo; componente que representa mais de 60% do PIB. Este padrão mostra sinais de enfraquecimento de um componente que teve papel de destaque como um dos principais motores do crescimento da economia brasileira nos últimos anos. Tais resultados reforçam que há pontos de atenção relevantes na economia, porém, também há notável resiliência, que se reflete no crescimento de 0,7%”, apontou Juliana Trece, coordenadora do Monitor do PIB – FGV, em nota oficial.

O Monitor do PIB antecipa a tendência do principal índice da economia a partir das mesmas fontes de dados e metodologia empregadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial das Contas Nacionais.

No trimestre móvel terminado em agosto de 2025 ante o trimestre encerrado em agosto de 2024, o PIB avançou 1,4%. Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias ficou estável (0,0%) nesse tipo de comparação.

“A desaceleração no consumo das famílias, iniciada no segundo semestre de 2024, seguiu em curso, tendo resultado em estagnação do componente no trimestre móvel findo em agosto. Além da contribuição negativa do consumo de não duráveis, já observada no trimestre móvel findo em julho, o consumo de duráveis também passou a contribuir negativamente para o componente neste trimestre”, justificou a FGV.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) também teve estabilidade (0,0%) no trimestre até agosto deste ano ante o mesmo período do ano anterior. Houve crescimento nos segmentos de construção e de outros ativos, mas forte retração em máquinas e equipamentos.

A exportação de bens e serviços registrou alta de 6,1%, impulsionada por produtos da extrativa mineral. As importações subiram 1,1%.

Em termos monetários, o PIB alcançou R$ 8,317 trilhões no acumulado do ano até agosto, em valores correntes.

A taxa de investimento da economia foi de 18,9% no mês de agosto.

O Estado de S.Paulo - SP   20/10/2025

A gestora Patria Investimentos anunciou o fechamento da captação de seu quinto fundo especializado em aportes em projetos de infraestrutura, o Patria Infraestrutura V. Foram R$ 15,4 bilhões (ou cerca de US$ 2,9 bilhões), no que se tornou o maior fundo para o setor já criado na América Latina.

“Essa captação, bem maior do que a anterior, é um termômetro do interesse dos investidores globais na América Latina, que tem um gargalo monumental em infraestrutura”, afirma André Sales, sócio-gerente do Patria Investimentos e CEO do Patria Infraestrutura. O fundo anterior, o Patria Infraestrutura IV, havia captado R$ 10 bilhões, no segundo semestre de 2020.

Com R$ 266 bilhões em ativos sob gestão, o Patria tem R$ 40 bilhões apenas alocados em projetos do setor. Já investiu em mais de 30 empresas da área, principalmente em Brasil, Chile e Colômbia. Entre os segmentos investidos, estão estradas, data centers, operações de dessalinização de água, energia renovável e mobilidade elétrica.

Como a maior parte dos projetos de infraestrutura são erguidos com base em financiamentos de longo prazo (os chamados project finance, no jargão do mercado), que respondem por 75% do capital investido, o Patria V tem capacidade movimentar R$ 60 bilhões em obras na região.

Segundo Sales, parte relevante dos investidores de fundos anteriores fizeram novos aportes no Patria Infraestrutura V, mas também há novos investidores. Muitos deles são da Ásia, bem como Europa, Estados Unidos, além da própria América Latina. Entre os tipos de investidores há fundos soberanos, de pensão, patrimoniais (endowments), gestoras de ativos, seguradoras e instituições de desenvolvimento financeiro.

Cada fundo de infraestrutura do Patria tem ciclos de duração que levam de três a cinco anos para a execução dos investimentos e, em média, de 12 anos entre o aporte e a saída do negócio. Os fundos Patria II e III já foram totalmente desinvestidos e o IV deve iniciar o processo de desinvestimento gradual a partir do próximo ano.

A gestora levou um ano e meio para conseguir captar o Patria Infraestrutura V. “A gente faz isso há 20 anos e, a cada safra, há uma história que afeta e torna a captação desafiadora”, afirma Felipe Pinto, sócio do Patria Investimentos e chefe de desenvolvimento dos fundos de infraestrutura. “Como esse investidor tem um olhar de longo prazo, provavelmente de 12 anos, ele vai passar por tudo o que se puder imaginar.”

Para ele, esse horizonte faz com que esse investidor tenha outras preocupações que vão além do contexto atual, como a inflação de longo prazo, a estabilidade institucional e marcos regulatórios sólidos nos diferentes países. “A demanda por infraestrutura na América Latina é gigante, de US$ 100 bilhões por ano”, diz ele. “Nosso fundo é uma gota nesse oceano, mas há um amadurecimento e a consolidação de setores que antes não existiam.”

Nessa trajetória, o Patria começou com obras de infraestrutura privadas e não regulada, passando posteriormente a concessões e outras áreas, como infraestrutura digital. “O setor de rodovias no Brasil e na Colômbia, por exemplo, é consolidado e reconhecido globalmente por sua boa regulação”, diz ele. “Já saneamento, que era bastante complexo há 15 anos, avançou muito.”

Para eles, os setores de data center, transição energética, descarbonização e investimentos relacionados ao clima tendem a ganhar tração nos próximos anos. Um exemplo é uma dessalinizadora no Chile, para uso industrial e agrícola.

Exame - SP   20/10/2025

A indústria brasileira é o setor mais afetado pela política monetária contracionista adotada pelo Banco Central em 2025, segundo o Informe Conjuntural do 3º trimestre divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A taxa básica de juros mantida em 15% ao ano tem encarecido o crédito, restringido investimentos e provocado queda na produção de segmentos sensíveis ao financiamento, como a indústria de transformação e a construção civil.

De acordo com o relatório, o PIB da indústria de transformação deve crescer apenas 0,7% neste ano, menos da metade da estimativa anterior. A construção civil também perdeu força e deve avançar 1,9%, ante a projeção de 2,2%, diante da redução nas vendas de materiais, menor produção de insumos e queda da confiança empresarial.

No documento, a CNI destaca que, sem o desempenho positivo da indústria extrativa, o resultado do setor industrial seria negativo.

Crescimento com menos indústria

Apesar do cenário desfavorável, a CNI manteve a projeção de crescimento de 2,3% para o PIB de 2025, o menor avanço em cinco anos. O resultado, no entanto, deve vir de forma desequilibrada: o peso da indústria diminui, enquanto serviços, agropecuária e indústria extrativa ganham participação.

A indústria extrativa, menos sensível à política monetária, é a exceção dentro do setor e deve registrar crescimento de 6,2% em razão do aumento da produção de petróleo. Já a agropecuária deve crescer 8,3%, impulsionada pela safra recorde, e o setor de serviços deve avançar 2,0%, sustentado pelo mercado de trabalho aquecido.

Juros altos travam crédito e investimentos

A manutenção da Selic em 15% ao ano — o maior patamar desde 2006 — e o aumento dos juros cobrados por bancos têm desacelerado a concessão de crédito. As taxas médias chegaram a 21,7% ao ano para empresas e 36,4% para consumidores.

Antes da elevação da taxa básica, o crédito ajudava a sustentar o consumo e o investimento produtivo. Agora, com juros reais estimados em 10,3% ao ano, a política monetária tem efeito direto sobre a desaceleração da economia.

A CNI projeta que o crescimento real das concessões de crédito será de 5,5% em 2025, quase metade do ritmo observado em 2024, que foi de 10,7%. Essa redução, segundo o relatório, reflete o encarecimento do crédito, o aumento da inadimplência e o menor apetite das empresas para investir.

O Estado de S.Paulo - SP   20/10/2025

A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) emitiu parecer na última sexta-feira, 17, recomendando que os ministros da Corte mantenham a decisão de obrigar o governo federal a cumprir o centro da meta fiscal, na hora de decidir pelos congelamentos do orçamento.

O documento, assinado pelo auditor-chefe adjunto da Unidade de Auditoria Especializada em Orçamento, Tributação e Gestão Fiscal (AudFiscal), Rafael Gomes Lima, rejeita os argumentos apresentados pela Advocacia-Geral da União (AGU), que recorreu da decisão do plenário da Corte.

Na visão da AudFiscal, a decisão do governo de contingenciar gastos do orçamento tendo como referência o limite inferior da banda de meta fiscal terá como consequência para a economia o aumento da dívida bruta em ‘centenas de bilhões de reais’, o que elevaria o custo de rolagem da dívida e o gasto com juros pelo governo.

O novo arcabouço fiscal, criado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva em 2023, estabeleceu uma meta de resultado primário com uma banda de tolerância. Para este ano, por exemplo, o centro da meta é déficit zero, mas é permitido déficit de 0,25% do PIB ou superávit de 0,25% do PIB.

A discordância entre o TCU e o governo está na hora da implementação dos congelamentos de gastos - que acontecem ao longo do ano - e que tem por objetivo atuar de forma preventiva para que o governo atinja a meta quando chegar em 31 de dezembro.

Se as receitas do governo estão vindo abaixo do esperado, ou os gastos estão vindo acima, são feitos contingenciamentos (congelamento de gastos) para que, no fim do ano, a meta de resultado primário seja atingida.

AGU x TCU

Na visão da AGU, esses congelamentos devem mirar o piso da meta fiscal, ou seja, devem ser mais frouxos ao longo do ano. A pasta diz que a Constituição Federal determina que a execução do Orçamento é “impositiva” e que se a meta é considerada cumprida pelo “piso” não haveria necessidade de congelamentos de gastos mais fortes para mirar o centro, colocando sob risco políticas públicas, investimentos e emendas parlamentares.

Além disso, diz que o novo arcabouço fiscal determina a meta como cumprida, mesmo que o governo atinja o piso. Assim, o risco, na visão da AGU “é promover bloqueios de despesas discricionárias em volume superior ao estritamente necessário, restringindo a execução orçamentária sem respaldo em risco efetivo de descumprimento da meta fiscal”.

Os técnicos do TCU, por sua vez, dizem que a visão da AGU “não se sustenta”. O entendimento é de que a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) é clara em determinar que caberá a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) estabelecer os critérios para os congelamentos.

E a LDO de 2025, diz o TCU, determina que o governo deve mirar o centro. Além disso, lembra que a equipe econômica encaminhou o texto ao Congresso estabelecendo o piso, mas que ele foi modificado pelos próprios congressistas para que seja o centro o objetivo fiscal.

“Dessa forma, não há espaço hermenêutico para considerar o limite inferior como parâmetro de limitação de empenho, sob pena de afastamento da literalidade e da vontade legislativa”, dizem os técnicos do TCU.

O AudFiscal também afirma que na LDO de 2026 o governo tenta novamente estabelecer o piso como referência, o que mostraria, na visão dos técnicos, a inconsistência da tese da AGU.

“A inconsistência da tese alvitrada pela AGU se intensifica porque o próprio Poder Executivo, no PLDO 2026, retomou a redação rejeitada na LDO 2025, propondo que a limitação se paute pelo limite inferior. Se a tese ora defendida fosse já vigente, não haveria necessidade de nova alteração legislativa; a proposição no PLDO 2026 evidencia que o direito posto hoje é o centro da meta”, afirma.

MINERAÇÃO

Valor Investe - SP   20/10/2025

O banco avalia que a temporada de balanços do terceiro trimestre será marcada por resultados distintos para as exportadoras de commodities

A temporada de balanços do terceiro trimestre será de resultados díspares para as empresas exportadoras de commodities, marcada pela valorização do real e por tendências de preços divergentes no mercado, diz o Bank of America (BofA).

Os analistas Caio Ribeiro, Guilherme Rosito e Mariana Leite atualizaram estimativas para as companhias sob sua cobertura, cortando os preços-alvos de empresas como Vale, Gerdau e Suzano, e elevando os de Usiminas e Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

Eles escrevem que as mineradoras de minério de ferro devem ser o grande destaque positivo do período, com atenção especial para Vale, enquanto as produtoras de celulose devem apresentar os resultados mais fracos da temporada.

A Vale e a CSN Mineração devem registrar um crescimento significativo de Ebitda, impulsionado pela combinação de maiores volumes, custos de produção mais baixos e preços resilientes do minério de ferro.

No segmento de metais básicos, os resultados devem permanecer majoritariamente estáveis. A CBA deve melhorar após um segundo trimestre fraco, mas ainda em um nível moderado.

O setor de papel e celulose deve ser o mais pressionado no trimestre, refletindo a queda nos preços da celulose e a valorização do real. Suzano deve ter queda sequencial nos resultados por conta da sua exposição à celulose.

Já a Klabin pode mostrar resultados devem ser mais resilientes no terceiro trimestre, com o bom desempenho dos segmentos de papel e embalagens compensando a fraqueza da celulose.

Para as siderúrgicas, o cenário é mais desafiador. Os resultados fracos no Brasil devem ser contrabalançados por melhores tendências em outras regiões, especialmente na América do Norte, e pelos negócios de mineração.

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) deve ser o destaque, com um maior aumento de lucros, impulsionado pela mineração, embora os analistas ainda esperem uma grande queima de caixa no trimestre.

Para Gerdau, a expectativa é de um Ebitda praticamente estável, com os resultados mais fortes da América do Norte, puxados por preços, compensando o desempenho mais fraco no Brasil.

Este conteúdo foi publicado originalmente no Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor Econômico.

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CNN Brasil - SP   20/10/2025

Os contratos futuros de minério de ferro registraram perda semanal, com preocupações sobre o cenário de demanda devido às tensões comerciais entre EUA e China, além da expectativa de aumento da oferta de minério para o restante do ano.

O contrato de janeiro do minério de ferro mais negociado na DCE (Bolsa de Mercadorias de Dalian) da China encerrou a sessão do dia com queda de 0,19%, a 771 iuanes (US$ 108,19) a tonelada, levando a uma perda de 3,1% em base semanal.

O minério de ferro de referência para novembro na Bolsa de Cingapura recuou 0,65%, a US$ 104,25 a tonelada. Na semana, a queda foi de 2%.

Os preços do principal ingrediente da fabricação de aço encontraram algum apoio na demanda firme da China, principal consumidor mundial de minério, o que ajudou a limitar uma queda maior das cotações na sexta-feira.

A produção média diária de metais quentes ficou em 2,41 milhões de toneladas na semana até 16 de outubro, nível que sugere uma demanda estável por minério, apesar da ligeira queda de 0,2% na semana anterior, mostraram dados da consultoria Mysteel.

O retorno dos atritos comerciais entre Estados Unidos e China reacendeu preocupações sobre a possibilidade de o maior consumidor mundial de metais atingir sua meta de crescimento econômico de cerca de 5%.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou encerrar alguns laços comerciais com a China e impor tarifas adicionais de 100% sobre as importações da segunda maior economia, depois que Pequim ampliou as restrições à exportação de terras raras, vitais para os setores de veículos elétricos e de defesa.

Valor - SP   20/10/2025

Companhia teria estocado 2 milhões de toneladas de minério de alta qualidade em Simandou, na Guiné, para o primeiro embarque em novembro, disseram fontes

A Rio Tinto estocou 2 milhões de toneladas de minério de ferro de alta qualidade em seu projeto Simandou, na Guiné, para um embarque em meados de novembro, disseram três fontes à Reuters, o que seria o primeiro da mega mina que deverá remodelar os suprimentos e preços globais.

Em seu relatório de produção do terceiro trimestre, na terça-feira (14), a Rio Tinto disse que a SimFer — uma das duas minas de Simandou — acumulou 1,5 milhão de toneladas de minério, com o primeiro carregamento de minério no transporte ferroviário em outubro.

Um porta-voz disse que a empresa continuou a avançar no projeto “em ritmo acelerado”, sem fornecer detalhes.

Espera-se que o primeiro carregamento tenha como destino a China, o maior produtor de aço do mundo e consumidor de mais de 70% do minério de ferro transportado por via marítima, disseram as fontes, falando sob condição de anonimato.

Inicialmente, a Rio Tinto encaminhará as exportações por meio da infraestrutura de propriedade do parceiro Winning Consortium Simandou, cujo porto está em fase de conclusão.

“Esperamos começar a carregar um navio por volta de novembro”, disse a Rio Tinto na terça-feira (14), sem revelar os volumes iniciais.

A propriedade de Simandou, que está ligada ao Atlântico por uma ferrovia de 600 km e um porto de águas profundas, é dividida entre um consórcio da Rio Tinto e da estatal chinesa Chalco, e o WCS, um consórcio chinês-cingapuriano.

Espera-se que Simandou, que possui cerca de 4 bilhões de toneladas de minério com teor médio de 65% de ferro, forneça 120 milhões de toneladas por ano em sua capacidade total, com SimFer contribuindo com metade.

A previsão é de que o projeto aumente o PIB da Guiné em 26% até 2030, de acordo com o Fundo Monetário Internacional.

O governo militar da Guiné planeja comissionar formalmente o projeto em 11 de novembro.

A WCS, que opera a outra mina de Simandou, também começou a estocar minério em setembro, estabelecendo uma corrida pela primeira participação no mercado.

“Os preços do minério de ferro podem sofrer pressão de baixas e as mineradoras australianas e brasileiras não responderem ao aumento de Simandou”, disse Tom Price, chefe de commodities da Panmure Liberum.

“Uma produção anual de 120 milhões de toneladas até 2028 elevaria o fornecimento marítimo em 8% a 9%.”

O chefe de finanças da Rio Tinto, Peter Cunningham, disse em julho que o lançamento de Simandou provavelmente forçaria alguns fornecedores de custo mais alto a sair do mercado.

A estreia do projeto ocorre em um momento em que a China está se apegando mais ao setor de recursos da Guiné, liderando as exportações de bauxita.

As siderúrgicas chinesas, pressionadas em suas margens e uma prolongada queda no setor imobiliário, estão se voltando para minério de alto grau e de custo mais baixo para reduzir as emissões e o uso de energia.

A WCS e o Ministério de Minas da Guiné não responderam aos pedidos de comentários.

Máquinas e Equipamentos

CNN Brasil - SP   20/10/2025

A XCMG, gigante chinesa de máquinas pesadas, anunciou nesta sexta-feira (17) a intensificação dos investimentos no Brasil, focados em inovação, energia limpa e desenvolvimento sustentável.

A novidade foi revelada durante o evento "Brasil Produtivo", organizada pela Extra Máquinas, representante da XCMG no país.

A companhia asiática, principal empresa do segmento na China e terceira maior do mundo, mantém desde 2014 uma fábrica em Pouso Alegre (MG) — fruto de investimento de cerca de US$ 300 milhões — e comemora uma década de produção local com mais de 23 mil equipamentos fabricados.

O próximo passo será a criação de um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento no Brasil, voltado à adaptação tecnológica de suas máquinas às condições e demandas do mercado latino-americano.

A XCMG também anunciou novos investimentos nos próximos dois anos, focando em máquinas inteligentes. A empresa planeja trazer para o Brasil a produção de veículos comerciais de nova energia e máquinas agrícolas modernas e high-end.

Yang Dongsheng, presidente Global da XCMG, ressaltou que a companhia é agora uma "empresa brasileira", com o índice de conteúdo nacional de suas máquinas atingindo 50%, com o objetivo de ultrapassar 55% no próximo ano.

Pérsio Briante, anfitrião, fundador e presidente da Extra Máquinas, que atua desde 1984, destacou a extrema confiança construída na parceria de cinco anos com a XCMG.

“A Extra Máquinas oferece soluções completas para os setores de agronegócio, construção civil, pavimentação e mineração, e reforça seu compromisso ao investir mais R$ 50 milhões na abertura de 12 novas lojas até o final de 2026 nos estados onde atua”.

O evento desta sexta reuniu clientes, parceiros, entidades de classe e um conjunto de autoridades governamentais de destaque, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil).

Em seu discurso, Tarcísio expressou satisfação pela presença do Presidente Global da XCMG, Yang Dongsheng, destacando o esforço do estado para criar o melhor ambiente de negócios possível, eliminando barreiras e burocracia, e promovendo a digitalização.

O governador de São Paulo afirmou que sua missão é "criar demanda”. Ele também mencionou a felicidade de saber que o Banco XCMG está presente no território paulista e que investimentos em P&D e supply chain estão se baseando em São Paulo.

Já o Mendes enfatizou a importância da China como o "maior parceiro comercial" de seu estado, para onde se destina cerca de 70% da soja produzida.

AUTOMOTIVO

CNN Brasil - SP   20/10/2025

O mercado brasileiro de veículos tem se tornado nos últimos anos cada vez mais competitivo, e as marcas “made in China” tem contribuído fortemente para essa disputa. Entre aquelas que já desembarcaram por aqui, a Chery figura entre os principais casos de investimentos chineses no mercado automobilístico nacional.

Dentro do grupo, a Omoda & Jaecoo lançou seus primeiros modelos no Brasil em abril, com o Omoda E5 e Jaecoo 7. Com o bom desempenho, a marca agora já prevê mais dois lançamentos ainda neste ano para o Brasil, além do novo modelo Omoda 4, que também deve chegar as concessionárias em 2026.

À CNN Brasil, Si Fenghuo, vice-presidente da Chery Internacional e CEO da Omoda Jaecoo no Brasil, disse que as vendas mensais da marca já ultrapassam as mil unidades. O executivo também reforçou a importância estratégica do mercado brasileiro para o grupo Chery.

Neste cenário, a fabricante chinesa estabeleceu uma meta ambiciosa de figurar próxima ao ranking das 10 mais vendidas no Brasil já no fim de 2026.

O crescimento no mercado nacional vem em linha com o que a companhia tem apresentado lá fora. Desde a sua criação, em 2022, a Omoda Jaecoo já está presente em mais de 40 países e soma mais de 510 mil vendas acumuladas - sendo considerada a montadora com crescimento mais rápido no mundo.
Os players chineses

No Brasil, mais de uma dúzia de marcas chinesas já circulam pelas ruas. Neste ano, a GWM inaugurou sua fábrica em Iracemápolis, no interior paulista.

Além dela, a própria Chery, JAC e BYD já se instalaram no país. Via importação direta, outras opções como Neta, Omoda & Jaecoo, GAC e Zeekr ocupam o cotidiano brasileiro. Outras quatro marcas - Changan, FAW, Dongfeng e BAIC - estudam o mercado nacional.

Segundo a Anfavea (Associação de Veículos Automotores), os veículos chineses foram 35% dos importados no Brasil entre janeiro e setembro deste ano. Excluindo dessa conta os países com os quais o Brasil possui acordos comerciais - Argentina, Uruguai e México -, esse numero cresce para 48%.

O percentual também condiz com os investimentos, com as marcas apostando cada vez mais em projetos industriais. No caso da Chery, o grupo segue estudando a possibilidade de utilizar a planta desativada da Caoa Chery em Jacareí, no interior paulista, para ser a fábrica da Omoda & Jaecoo no Brasil.

Se confirmado, será mais um exemplo dos investimentos robustos das montadoras chinesas no Brasil. A GWM, ao inaugurar sua unidade fabril no país, projetou um investimento de R$ 10 bilhões até 2032, com previsão de 900 novos postos de trabalho.

O Estado de S.Paulo - SP   20/10/2025

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou um decreto para impor tarifas sobre importações de veículos médios e pesados, peças e ônibus, com o objetivo manifesto de fortalecer a indústria americana e proteger a segurança nacional.

O documento, divulgado pela Casa Branca, cita a tarifa de 25% sobre importações de caminhões médios e pesados e peças de caminhões — alíquota anunciada pelo republicano no início de outubro.

De acordo com a nota, a tarifa sobre peças de caminhões médios e pesados se aplicará a peças-chave, incluindo motores, transmissões, pneus e chassis. Ainda, o texto menciona uma tarifa de 10% sobre importações de ônibus, incluindo ônibus escolares, ônibus de trânsito e ônibus de turismo.
Como ficam as outras tarifas

O governo Trump explica que os produtos sujeitos a tarifas sob o decreto não estarão sujeitos a tarifas setoriais adicionais ou existentes sobre aço, alumínio, cobre, automóveis e peças de automóveis, e madeira. “Eles também não estarão sujeitos a tarifas recíprocas ou às tarifas impostas ao Canadá, México, Brasil ou Índia”, acrescenta.

Alívio parcial para automóveis e motores

Trump também assinou um decreto que alivia parcialmente as tarifas para a produção de automóveis e motores nos EUA, de acordo com texto divulgado pela Casa Branca nesta sexta-feira, 17.

Com o programa, válido até 2030, as montadoras podem solicitar créditos para compensar seus custos tarifários para peças de carros e caminhões no valor de até 3,75% do valor dos veículos que fabricam em território americano. De acordo com o The Wall Street Journal, uma versão anterior do programa só estava em vigor até 2027 e teria uma queda de 2,5% no valor do desconto em 2026.

Para a NBC News, um alto funcionário do governo Trump afirmou que a prioridade é expandir a produção nacional de veículos nos EUA “para garantir que tenham empregos bons e bem remunerados para os trabalhadores americanos”.

Valor - SP   20/10/2025

A Alliance for Automotive Innovation, que representa General Motors (GM), Toyota, Ford, Volkswagen, Hyundai e quase todas as outras grandes montadoras, pediu resolução rápida

Um grupo que representa as principais montadoras alertou, na noite de quinta-feira (16), que uma interrupção no fornecimento de chips, decorrente de uma disputa entre a China e o governo da Holanda, poderia impactar rapidamente a produção de automóveis nos Estados Unidos.

Montadoras e seus fornecedores receberam um aviso da fabricante de chips Nexperia, na semana passada, de que ela não poderia mais garantir a entrega de seus chips, disse a Acea, a associação automobilística da União Europeia, que também afirmou que a fabricação poderia ser significativamente interrompida.

Nos EUA, a Alliance for Automotive Innovation, que representa General Motors (GM), Toyota, Ford, Volkswagen, Hyundai e quase todas as outras grandes montadoras, pediu uma resolução rápida.

“Se o envio de chips automotivos não for retomado rapidamente, isso vai interromper a produção de automóveis nos Estados Unidos e em muitos outros países e terá um efeito cascata em outras indústrias”, disse o presidente do grupo, John Bozzella. “É muito significativo”.

Algumas montadoras disseram à Reuters que as fábricas de automóveis dos EUA poderiam ser afetadas já no próximo mês. Elas pediram para não ser identificadas devido à sensibilidade do assunto. Os chips fabricados pela Nexperia são cruciais para a produção de peças e veículos nos Estados Unidos.

O governo holandês anunciou, no domingo (12), que, a partir de 30 de setembro, assumiu o controle da fabricante de chips Nexperia, de propriedade chinesa, citando preocupações sobre a possível transferência de tecnologia para a empresa controladora chinesa da Nexperia, a Wingtech.

Documentos judiciais mostraram que a medida do governo holandês ocorreu após meses de crescente pressão dos EUA sobre a empresa. A Nexperia corria o risco de ser impactada por uma nova regra dos EUA que estende as restrições de controle de exportação a empresas com pelo menos 50% de propriedade de uma ou mais entidades que constem de uma lista dos EUA.

Washington colocou a Wingtech, que detém 100% da Nexperia, na lista dos Estados Unidos no fim de dezembro.

O Ministério do Comércio chinês emitiu em 4 de outubro um aviso de controle de exportação proibindo a Nexperia China e seus subcontratados de exportar componentes acabados específicos e subconjuntos fabricados na China, de acordo com um comunicado publicado pela Nexperia, na terça-feira (14).

Volkswagen e BMW disseram que a produção na Europa ainda não foi impactada pelos problemas, mas que estavam trabalhando para identificar potenciais riscos de fornecimento.

O Estado de S.Paulo - SP   20/10/2025

A BYD está recolhendo mais de 115 mil carros na China devido a potenciais preocupações de segurança, enquanto a maior fabricante de veículos elétricos do mundo enfrenta intensa competição.

O recall inclui veículos híbridos e totalmente elétricos após uma investigação da Administração Estatal de Regulação de Mercado da China (SAMR).

A BYD está recolhendo 44.535 unidades da versão 2015 dos carros híbridos da série Tang, produzidos entre 28 de março de 2015 e 28 de julho de 2017, e 71.248 unidades dos veículos totalmente elétricos Yuan Pro, produzidos entre 6 de fevereiro de 2021 e 5 de agosto de 2022.

Os carros têm problemas de design de componentes, que em casos extremos podem levar à queima da placa de circuito, e problemas de produção e fabricação que podem resultar em menor saída de bateria, segundo comunicado da SAMR.

O recall ocorreu em meio à intensa competição na indústria de veículos elétricos da China, embora o governo tenha tomado medidas para esfriar as guerras de preços e o excesso de marketing de tecnologias de condução autônoma este ano. A indústria também enfrenta uma demanda em desaceleração. / DOW JONES

Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.

O Estado de S.Paulo - SP   20/10/2025

Poucos dias depois de inaugurar sua fábrica em Camaçari (BA), a BYD fez outro grande anúncio: a empresa chinesa instalará um centro de pesquisa e desenvolvimento no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada pelo prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes (PSD), no último sábado (11), via Instagram.

O novo centro reforça a estratégia da BYD de ampliar sua presença tecnológica no Brasil, adaptando seus produtos às condições locais e reduzindo custos logísticos. O espaço será dedicado a pesquisas em condução autônoma, inteligência artificial aplicada à navegação e soluções de eficiência energética, entre elas, a adaptação dos motores para uso de etanol.

Inicialmente, o projeto previa dois polos de P&D, um deles em Salvador (BA), próximo à fábrica baiana. No entanto, Paes convenceu a empresa a concentrar o investimento no Rio, aproveitando sua relação de longa data com a marca, uma vez que ele representou a BYD na América Latina entre 2017 e 2020.

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O laboratório será construído na Avenida Rio de Janeiro, próximo ao Aeroporto do Galeão, e contará com pista de testes dentro de um terreno do próprio aeroporto. Haverá áreas para ensaios em solo e até uma piscina para simular situações de alagamento. O complexo ocupará 183,3 mil m² e demandará um investimento de R$ 29,6 milhões.

Paes também manifestou interesse em atrair uma segunda fábrica da empresa para o Rio de Janeiro, mas, até o momento, a montadora não confirmou planos nesse sentido, especialmente após anunciar que pretende produzir até 600 mil veículos por ano na unidade de Camaçari.

Fábrica em Camaçari (BA) foi inaugurada na semana passada

Enquanto o centro de P&D não sai do papel, a BYD já iniciou a montagem de veículos em território nacional. A operação começou em um galpão temporário em Camaçari, onde os modelos Dolphin Mini e Song Plus estão sendo montados a partir de kits semimontados (SKD). Essa é a primeira fase do projeto industrial, que totaliza um investimento de R$ 5,5 bilhões.

Quando a linha principal entrar em funcionamento, a capacidade inicial será de 150 mil carros por ano, com possibilidade de dobrar esse número futuramente. Segundo a CEO da BYD para as Américas, Stella Li, o plano de longo prazo é atingir 600 mil unidades anuais, tornando a planta baiana a maior da empresa fora da China.

A produção em série começará com os modelos Dolphin, Dolphin Mini, Song Plus e Yuan Plus, e, em uma etapa posterior, incluirá também uma nova picape híbrida desenvolvida especialmente para o mercado brasileiro.

CONSTRUÇÃO CIVIL

IstoÉ Dinheiro - SP   20/10/2025

O aumento mais brando no custo da mão de obra da construção desacelerou a inflação do setor dentro do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de outubro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) passou de uma elevação de 0,42% em setembro para uma alta de 0,21% em outubro.

O Índice que representa o custo de Materiais, Equipamentos e Serviços saiu de um aumento de 0,22% em setembro para um avanço de 0,25% em outubro. Os gastos com Materiais e Equipamentos tiveram alta de 0,27% em outubro, enquanto os custos dos Serviços tiveram elevação de 0,15% no mês.

Já o índice que representa o custo da Mão de Obra passou de um aumento de 0,71% em setembro para uma elevação de 0,16% em outubro.

A Tribuna - SP   20/10/2025

A expectativa do mercado imobiliário da Baixada Santista com a Faixa 4 do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), criada no semestre passado para atender a classe média, é positiva. O setor acredita que a medida vai gerar mais negócios, além de impulsionar construtoras a criarem empreendimentos que se enquadrem à modalidade.

A previsão é de que a movimentação decorrente deste sistema cresça em breve, com muitos financiamentos já em 2026.

A compreensão de que as perspectivas são animadoras tem a ver com o público-alvo do projeto. O novo modelo é voltado a famílias que ganham entre R$ 8,6 mil e R$ 12 mil mensais.

Esse público possui renda superior ao limite da Faixa 3, que tem juros abaixo do mercado. Além disso, a classe média encontra dificuldades para financiar imóveis com valores superiores a R$ 500 mil, já que estes contam com taxas mais altas.

Para resolver esses entraves, o Governo Federal lançou a nova faixa. Com ela, a classe média acessa um financiamento com juros de 10% ao ano e pode adquirir imóveis de R$ 360 mil a R$ 500 mil (confira mais detalhes da medida na página 30).

“A Faixa 4 é um incentivo e pega a classe média. Com certeza, vai atingir um número razoável de um público interessante”, declarou o diretor-regional do Secovi, Carlos Meschini. Ele disse estar otimista com relação aos futuros resultados do programa na região.

“Nossa expectativa é bastante positiva, pois a Faixa 4 vem preencher uma lacuna importante do mercado, contemplando uma parcela da população que, por muito tempo, ficou fora do alcance dos programas habitacionais do governo”, completou o presidente da Associação dos Empresários da Construção Civil da Baixada Santista (Assecob), Mateus Teixeira.

Em reação, o setor já se movimenta, planejando erguer novos empreendimentos direcionados àqueles que foram contemplados pela medida.

“Certamente, haverá construtoras interessadas em desenvolver projetos dentro desse perfil. Em cidades da Baixada Santista onde o custo dos terrenos é mais acessível, a tendência é que as oportunidades sejam ainda maiores, principalmente para atender famílias de renda intermediária”, aposta Teixeira.

Já o diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Lucas Muniz, acredita que novos empreendimentos serão anunciados logo. “Em Santos, que possui um mercado muito escasso com relação a terreno e algumas limitações do código de obra e alto custo de obra, acabamos tendo os imóveis com um valor final mais elevado. Porém, agora, será possível que alguns dos novos empreendimentos cheguem ao valor da Faixa 4. A expectativa é de que tenhamos alguns lançamentos, nos próximos seis meses, que se enquadrem nessa faixa”.

O presidente da Assecob também espera que o modelo aqueça o mercado em 2026. “A Faixa 4 começou a valer na primeira quinzena de maio deste ano, com o início da contratação dos financiamentos pela Caixa. Existiam poucos produtos já em produção que se enquadravam no modelo. Porém, a partir do momento da aprovação, algumas construtoras já começaram a idealizar projetos que se enquadrem no programa. No próximo ano, devemos ter uma quantidade expressiva de financiamentos”, completou.

Presidente da Cbic espera oferta de mais financiamentos

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Renato de Sousa Correia, afirmou que o número de financiamentos enquadrados na Faixa 4 aumentará em todo o Brasil.

Correia disse que, por se tratar de uma medida recente, lançada em maio, a modalidade ainda não decolou. Entretanto, ele acredita que, nos próximos meses, deve ocorrer um crescimento no volume de empréstimos.

“Vejo com naturalidade uma curva crescente. Diante do próprio desejo da casa própria, que é uma carência nacional, acho que, com o passar do tempo, veremos a velocidade aumentar. Ano que vem, vai dar para avaliar melhor as condições”, disse ele.

O executivo ressaltou, ainda, que este “novo jeito de financiar” tende a cair no gosto da população por trazer uma taxa de juros inferior à praticada no mercado. “As taxas estão em 14% ao ano. É diferente do encontrado na Faixa 4, que é de 10%”.

Correia também afirmou que existe demanda para esta modalidade. “Temos um déficit habitacional no País de 6 milhões de moradias”.

IstoÉ Dinheiro - SP   20/10/2025

O Banco Central (BC) divulgou nesta sexta-feira, 17, uma Nota Técnica em que sugere melhorias nos sistemas de amortização no financiamento imobiliário, por conta das incertezas de um financiamento de imóvel com parcelas atreladas ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor- Amplo), o índice oficial de inflação do país.

+Leia em IstoÉ Dinheiro: Um negócio de titãs

Os problemas derivam do fato de que, enquanto as prestações sobem com o índice de preços, a renda nem sempre acompanha no mesmo ritmo – e essa diferença pode reduzir o dinheiro disponível no orçamento e aumentar o risco de atraso.

As conclusões da Nota Técnica nº 56, elaborada pelo diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, com colaboração dos departamentos Econômico e de Estatísticas da instituição, apontam que o problema é mais forte entre as famílias de menor renda, que costumam ter pouca margem para absorver variações nas parcelas.

Em períodos de alta da inflação, a diferença entre o reajuste salarial – normalmente anual – e a correção mensal das prestações se amplia, elevando o comprometimento de renda e, em muitos casos, levando à inadimplência.

A Nota Técnica também analisa o comportamento histórico dos contratos imobiliários no Brasil e em outros países. Desde os anos 1970, duas modalidades se destacaram: as hipotecas com taxa ajustável, conhecidas como Variable Rate Mortgages (VRM), e as hipotecas com correção pela inflação, chamadas de Price Level Adjusted Mortgages (PLAM) – modelo utilizado, por exemplo, no Chile.

No caso brasileiro, há uma adaptação do PLAM, em que a Taxa Referencial (TR) corrige os contratos e o saldo da poupança usada como fundo.

Apesar de trazer estabilidade para os bancos, esse sistema limita o rendimento dos investidores e mantém o crédito imobiliário dependente da TR. Em momentos de Selic alta, essa dependência reduz a atratividade da poupança e ameaça a oferta de recursos para o setor.

A nota aponta que atrelar o crédito à inflação seria uma forma de manter o equilíbrio de longo prazo, mas que isso exige um novo modelo de cálculo das parcelas.
Proposta do BC busca previsibilidade

A proposta do estudo consiste em incluir um componente fixo na amortização, chamado de adicional de amortização, que funciona como uma compensação parcial da inflação esperada.

Esse componente reduziria a volatilidade das parcelas e garante que o valor nominal se mantenha mais previsível ao longo do tempo – mesmo que o saldo devedor continue sendo corrigido pelo índice de preços.

Se o adicional for maior que a inflação real, a prestação tende a cair; se for menor, o aumento é limitado à diferença, diluída pelo prazo restante.

Na prática, o método reduz oscilações, antecipa parte da amortização e diminui o total de juros pagos durante o contrato. Simulações do Banco Central indicam que, em contratos de 30 anos com juros reais de 4% ao ano e inflação média de 4%, as parcelas ficariam mais estáveis e o custo total cairia até 34,6% em termos reais no sistema Price, e 24% no Sistema de Amortização Constante (SAC) – modelo de financiamento mais utilizado no Brasil, em que o valor amortizado da dívida é fixo em todas as parcelas, enquanto os juros diminuem ao longo do tempo.

Além disso, o saldo devedor passaria a cair desde a primeira prestação, diferentemente do modelo atual, em que o valor nominal só começa a reduzir após cerca de 250 parcelas.

Outro aspecto abordado é o impacto do modelo em cenários variados de inflação. Mesmo quando o índice oscila entre 2% e 7% ao ano, o método proposto mantém as parcelas mais controladas em comparação ao modelo tradicional.

O estudo também simulou contratos com base em dados brasileiros desde 1999, considerando diferentes formas de definir o adicional – pela média histórica da inflação (5,33% ao ano), pela meta de 1999 (6%) ou pela meta atual (3%) – e concluiu que, em todos os casos, o comportamento das parcelas ficou mais previsível.

O texto ainda destaca que o método proposto pode facilitar a transição entre contratos atrelados à TR e contratos indexados ao IPCA. Nesse caso, o adicional poderia ser definido pela diferença entre as médias históricas dos dois indexadores, estimada em 4,04% ao ano, o que faria com que o novo modelo reproduzisse o comportamento nominal dos contratos antigos.

Por fim, a Nota Técnica 56 sugere a expansão do estudo para outras modalidades de financiamento, como contratos com juros ajustáveis (VRM) ou outros indexadores. Também recomenda a análise de mecanismos adicionais de proteção, como um limite anual para o reajuste das parcelas ou do próprio índice de inflação aplicado.

A publicação da nota ocorreu no mesmo período em que o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciaram novas regras para o uso dos recursos da poupança no crédito para financiamento imobiliário. As medidas devem ampliar a concessão de financiamentos e facilitar o acesso à casa própria, principalmente para famílias que não são atendidas por programas habitacionais, permitindo o uso de diferentes indexadores além da TR.

FERROVIÁRIO

O Estado de S.Paulo - SP   20/10/2025

Os ministérios dos Transportes e o de Portos e Aeroportos (MPor) iniciaram uma discussão para evitar disputas sobre a gestão de ferrovias localizadas dentro de áreas portuárias, tecnicamente chamadas de poligonais. O governo identificou que um dispositivo da Lei das Ferrovias (14.273/2021) abre margem para interpretações divergentes sobre a titularidade e a administração desses trechos. Há, por parte do setor ferroviário, temor de forte impacto financeiro a depender do que prevalecer.

O ponto de controvérsia está no artigo 56-A da Lei dos Portos, incluído pelo novo marco ferroviário, que determina que as infraestruturas ferroviárias dentro das poligonais dos portos não constituem ferrovias autônomas e devem ser administradas pela respectiva autoridade portuária, sem necessidade de outorga específica.

Na prática, o texto abre espaço para que portos assumam a gestão dos trilhos dentro de seus perímetros, mesmo que esses trechos estejam sob concessão ferroviária.

Não há, até o momento, casos de disputa pela titularidade dos trechos. Porém, o temor do Ministério dos Transportes é de riscos para projetos que estão sendo consolidados para serem oferecidos à iniciativa privada. Ainda, porque a lei permite que, se a área de um porto for ampliada e incluir parte de uma malha ferroviária existente, essa área seja automaticamente transferida à autoridade portuária, gerando perda de receita e valor para a concessionária ferroviária.

“O grande ativo da ferrovia é entregar a carga dentro do porto. Se ela perde esse controle e entrega a carga a um terceiro antes da área portuária, o valor do ativo diminui”, aponta o secretário executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro. O secretário afirma que os diálogos iniciais foram no sentido de esforço conjunto para pacificar o tema, sem favorecimento de um setor em detrimento de outro.

O Brasil tem 235 instalações portuárias, públicas e privadas, entre marítimas e fluviais. Os de maior relevância são os portos públicos organizados, que totalizam 37. Entre esses, 28 já têm trilhos que chegam em suas áreas de influência de portos. Outros nove têm projetos em execução ou ainda no papel.
Gargalo histórico da logística brasileira

A ligação entre portos e trilhos é um gargalo histórico da logística brasileira. O ideal considerado é que cada grande porto receba duas ferrovias, o que é a exceção no cenário atual.

O Ministério de Portos e Aeroportos diz que a questão tem sido tema de debate com o setor e não apresenta oposição a que gestão dos trilhos dentro das poligonais seja de titularidade dos portos. “Tal medida permite às autoridades portuárias a gestão e o planejamento dos seus acessos, flexibilizando o modelo de exploração”, afirma o ministério. Por nota, a pasta diz que há uma série de vantagens potenciais.

“Expectativa de ganhos de eficiência operacional, maior rapidez para a realização de investimentos essenciais, sem aporte de recursos públicos, e redução de custos logísticos; superioridade dos parceiros escolhidos; pertinência e compatibilidade de projetos de longo prazo, materializados nos investimentos mínimos, adicionais e complementares previstos; e complementaridade das necessidades, já que os próprios interessados em acessar a ferrovia interna serão responsáveis pela sua gestão, operação, manutenção e expansão.”

Um dos exemplos já consolidados é a Ferrovia Interna do Porto de Santos (Fips), que, em outubro de 2023, celebrou o contrato de cessão da malha ferroviária do Porto de Santos, sob a administração da nova cessionária, que reúne a Ferrovia Centro Atlântica (VLI), a MRS Logística S/A e a Rumo S/A.

A concessionária é responsável por gestão, operação, manutenção e expansão da ferrovia dentro do porto por um prazo de 35 anos e terá de investir, no mínimo, R$ 1 bilhão em cinco anos para ampliar a capacidade ferroviária local.
Cautela, da Esplanada aos portos

O secretário executivo do Ministério dos Transportes afirma que a separação dos ministérios de infraestrutura acarretou maior dificuldade para alinhamento de pautas, o que pode ter atrasado o diagnóstico. “Antes, quando os ministérios eram unificados, qualquer questão envolvendo porto e ferrovia era resolvida de forma integrada. Agora, precisamos definir quem conduz a decisão quando uma linha ferroviária interfere na poligonal de um porto.”

Para o representante da pasta de Transportes, o potencial ganho logístico tende a não se concretizar se houver conflito entre os setores. “Se alguma autoridade portuária entender que pode obter receitas adicionais com trechos ferroviários, corre-se o risco de prejudicar o próprio fluxo de cargas, porque os operadores podem escolher outros destinos. As decisões no setor são racionais, se houver restrições ou custos adicionais, a carga migra”, afirma Santoro.

Em relação à possibilidade de as autoridades portuárias assumirem o controle de ferrovias dentro das poligonais, o Ministério de Portos e Aeroportos afirma que a decisão dependerá de análises técnicas e logísticas sobre viabilidade e interesse econômico. “Não é possível afirmar de forma tácita que haverá interesse em todos os casos. Cada porto deverá avaliar a capacidade e a conveniência de gerir esses ativos”, diz em nota.

Associações de portos e de ferrovias foram procuradas pela reportagem. Ambos os setores estão cautelosos sobre manifestações públicas, aguardando desdobramentos dos diálogos do governo.

Revista Mineração - SP   20/10/2025

O corredor ferroviário Leste-Oeste deve ter uma única concessão de licitação que inclui a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol 1), atualmente administrada pela Bahia Mineração (Bamin), também responsável pelo projeto do Porto Sul, localizado em Ilhéus (BA). A estimativa é de que serão necessários cerca de R$ 60 bilhões em investimentos.

O projeto de concessão que foi à consulta pública no início deste ano não previa a Fiol 1, que está com as obras paralisadas. O plano anterior já era considerado um desafio financeiro. A entrada do porto na modelagem planejada pelo Ministério dos Transportes reforça a necessidade de recursos federais.

Os investimentos previstos pelo modelo apresentado em fevereiro somariam R$ 14 bilhões, entre obras e aquisição de equipamentos. O principal deles é a obra de construção do trecho de 838 quilômetros da Fiol 3.

Segundo informações do secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro, divulgadas pela Agência iNFRA, a nova modelagem deve ser encaminhada para a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e avaliada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no início de 2026. Neste cronograma, o edital tem publicação prevista para o primeiro semestre de 2026.

O traçado cruza os estados da Bahia, Goiás e Mato Grosso e a previsão é de que quando operacional, viabilize o transporte de cargas para Itaqui (MA), Aratu (BA), Vitória (ES), Rio de Janeiro (RJ) e Santos (SP), tanto pela conexão com a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) ou pela Ferrovia Norte-Sul (FNS), além do porto projetado para Ilhéus.

Parte do corredor já está sendo executado como obra pública pela Infra SA. É o caso da Fiol 2, entre Caetité e Barreiras (BA). Além disso, na renovação das concessões da Vale fechada em 2020, a mineradora ficou responsável pela construção da Fico 1, entre Mara Rosa (GO) e a Água Boa.

No caso da Fiol 1, as obras começaram a ser executadas pela Bamin, que agora está inadimplente. Considerando Fiol 1 e Fiol 2, cerca de 70% dos trechos estão concluídos, e o traçado restante demandaria mais aproximadamente R$ 7 bilhões.

O Estado de S.Paulo - SP   20/10/2025

Depois de quase 30 anos, os trens de cargas e passageiros podem voltar a correr pelos trilhos entre Santos, na Baixada Santista, e Cajati, no Vale do Ribeira, interior de São Paulo. A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) iniciou a elaboração de um projeto funcional para uma nova ligação ferroviária com 223,6 km de extensão ligando as duas regiões. O trem vai percorrer seis cidades da Baixada Santista, até Peruíbe, e sete cidades do Vale do Ribeira, até Cajati.

De Santos a Peruíbe, numa extensão de cerca de 80 km, a via será elevada. O plano é que sob a linha sejam construídos parques lineares, ciclovias e estacionamentos para banhistas: a ferrovia seguirá paralela às praias.

O projeto prevê uma estação para embarque e desembarque de passageiros em cada cidade – serão 13 estações ao longo do percurso. Também poderão ser embarcados contêineres com cargas. O custo pode chegar a R$ 21 bilhões.

O estudo é conduzido pela área de Desenvolvimento e Expansão de Transporte da CPTM e integra as ações do governo do Estado voltadas à inclusão territorial, mobilidade sustentável e desenvolvimento regional. Está em andamento um levantamento topográfico e aerofotogramétrico da região, que deve ser concluído em novembro.

O material vai compor os estudos técnicos que darão subsídios para o anteprojeto de engenharia, com início previsto para dezembro. O estudo, que inclui a concepção técnica e detalhada da linha, suas estruturas e parâmetros operacionais, servirá de base para uma possível concessão, segundo Fabio de Oliveira Marcondes, assessor de Desenvolvimento e Expansão do Transporte da CPTM.

Os trens passarão por:
SantosSão VicentePraia GrandeMongaguáItanhaémPeruíbeItaririPedro de ToledoMiracatuJuquiáRegistroJacupirangaCajati

Os trilhos existentes no trajeto passarão por análise técnica e, quando possível, serão recuperados para reaproveitamento da malha ferroviária já existente. A reportagem apurou que em muitos trechos, especialmente na Baixada Santista, a antiga linha férrea foi ocupada de forma irregular.

Em novembro de 2018, vistoria do Ministério Público Federal (MPF) constatou construções clandestinas e até plantações de banana sobre a linha férrea.

Algumas estações que foram depredadas, ou sofreram danos na estrutura devido ao abandono, terão de ser reconstruídas ou substituídas por prédios novos. O abandono levou a prefeitura de Mongaguá a solicitar à União a doação de 13 km de área pública ocupada pela linha férrea desativada na área urbana do município. O pedido, apresentado ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no último dia 13, ainda será formalizado.

A prefeitura afirma que a área apresenta mato alto, sujeira e buracos no solo, ocupações irregulares de moradias e comércios ao longo de 4 km na região central, além de vegetação, muros e córregos sem manutenção. A ponte férrea sobre o Rio Mongaguá está deteriorada, mas não será usada, já que os trilhos passarão mais alto.

Prefeitos da região se mobilizam há anos pela reativação da ferrovia. Alberto Mourão (MDB), prefeito de Praia Grande, defendeu a utilização da linha para o transporte de passageiros mercadorias até o Porto de Santos. Cerca de 50 mil pessoas se deslocam diariamente da cidade para Santos. “Nossa preocupação é com o estado de abandono que traz reflexos para o município”, diz.

De acordo com Marcondes, como a linha férrea quase sempre segue pelo litoral, há poucos desafios topográficos a serem vencidos. O trem parte de uma altitude de 2 metros, no centro histórico de Santos, e chega à altitude de 75 metros, em Cajati.

Segundo o gestor, não há túnel previsto no projeto, mas em alguns trechos estão previstos desvios do traçado original. “Estamos mapeando a faixa de domínio para ver o que está ocupado, mas já vimos que em alguns pontos haverá desvios”, diz.

“Fizemos vistoria técnica em todo o trajeto e identificamos algumas obras de arte com possibilidade de readequação e outras que terão de ser substituídas. É algo que será refinado no anteprojeto”, acrescenta.

Além da concessão, que deve atrair interesse também pelo apelo turístico da linha, a obra pode ser viabilizada através da contratação integrada do projeto executivo, diz Marcondes. “Como vai ser feito, isso só poderá ser discutido após termos o anteprojeto de engenharia.”

A nova linha terá trens expressos e paradores. Para fazer todo o percurso, o tempo estimado para o serviço expresso será de 2 horas e 20 minutos. Os trens paradores farão o percurso de Santos a Peruíbe em 48 minutos e de Peruíbe a Cajati em 1 hora e 56 minutos.

A estimativa é de que os trens transportem 32 mil passageiros por dia e 600 contêineres diários. O custo total do empreendimento deve oscilar entre R$ 19 e R$ 21 bilhões. O valor será detalhado no anteprojeto de engenharia.

O trem será híbrido, com tecnologia que combina energia elétrica e combustão. O sistema será integrado ao VLT da Baixada Santista e ao futuro Trem-Intercidades (TIC) Santos – São Paulo, formando um eixo ferroviário contínuo, interligando o litoral e a capital paulista.

Conforme a CPTM, entre os benefícios a serem proporcionados pela nova ferrovia está a redução de congestionamentos nas vias do litoral e na rodovia Régis Bittencourt (BR-116), com possível redução de acidentes. A nova linha também deve estimular o turismo e o desenvolvimento urbano sustentável. Os usuários terão acesso às praias da Baixada Santista e litoral sul e ao polo turístico de cavernas do Vale do Ribeira.

Linha de 110 anos

A Linha Santos-Juquiá foi construída pela inglesa Southern San Paulo Railway entre 1913 e 1915, inicialmente de Santos a Peruíbe. Nos anos seguintes, a ferrovia chegou a Juquiá e passou a ser usada para escoar banana e madeira para o Porto de Santos. Em 1926, a linha foi incorporada à Estrada de Ferro Sorocabana (EFS)

A ferrovia chegou ao seu auge nas décadas de 1940 e 1950, quando circulava em suas linhas o Expresso Ouro Branco, trem de passageiros moderno e luxuoso, ligando a Capital até Peruíbe. Na época, a linha possuía 40 estações.

Em 1981, a linha foi estendida a Cajati com foco nos insumos para fertilizantes produzidos na região. O transporte de passageiros entre Santos e Juquiá foi suspenso em 1997, depois de 84 anos.

Em 2020, durante a renovação da concessão da Malha Paulista, a concessionária Rumo desistiu da concessão da linha Santos-Cajati e a devolveu ao governo federal.

Procurado pela reportagem, o DNIT diz que ainda não foi notificado sobre o projeto. A CPTM informou que tratativas serão realizadas com órgãos federais após a conclusão do anteprojeto.

NAVAL

Portal Fator Brasil - RJ   20/10/2025

Durante visita oficial do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, ao Porto do Rio Grande. Infraestrutura terrestre, avanço das dragagens, nova poligonal e agenda de concessões integram portfólio de ações até 2026.

Durante visita oficial ao Porto do Rio Grande no dia 16 de outubto (quinta-feira), o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger, apresentou ao ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Filho, um portfólio de investimentos em curso e planejados com o objetivo de modernizar, ampliar e consolidar a infraestrutura logística do maior complexo portuário do sul do país. Cristiano Klinger recepcionou o ministro e sua comitiva, apresentando uma visão estratégica das ações, como a nova poligonal do porto, o plano de dragagens em sete lotes, os investimentos em pavimentação interna, a estruturação do Vessel Traffic Service (VTS), os estudos para concessão do canal de acesso e os novos projetos de arrendamento com leilões previstos para 2026.

A visita institucional também marcou o alinhamento entre a autoridade portuária estadual e o governo federal sobre os principais eixos da política portuária no estado. —O que apresentamos hoje é uma agenda de Estado, com iniciativas que respondem diretamente aos gargalos logísticos do presente, mas também preparam nosso sistema para as demandas futuras— avaliou o presidente da Portos RS, Cristiano Klinger.

Um dos destaques da apresentação foi a publicação da nova poligonal do Porto do Rio Grande, redefinida pela Portaria nº 568, de 03 de outubro de 2025, com vigência a partir de 03 de novembro. A medida atualiza o perímetro sob gestão da autoridade portuária, o que permite maior segurança jurídica e eficiência administrativa na gestão de áreas e investimentos.

Na sequência, foram abordadas as obras de dragagem atualmente em execução e em fase preparatória. O cronograma contempla sete lotes, com quatro já em andamento: Itapuã (concluído), canais do Lote 2 (Leitão, Pedras Brancas, Furadinho e São Gonçalo), Canal da Feitoria e Canal de Acesso de Rio Grande. Os Lotes 5 e 6, que abrangem 11 canais, já tiveram seus editais publicados, enquanto o Lote 7, com mais quatro canais, aguarda a finalização das licitações para início das obras. O conjunto das dragagens busca restabelecer as profundidades operacionais nas hidrovias interiores e marítimas, ampliando a segurança da navegação e a eficiência do escoamento de cargas.

Outro ponto estratégico discutido foi a proposta de concessão do canal de acesso de Rio Grande e da hidrovia interior. Ainda no mês de outubro, a Infra SA entrega ao Ministério de Portos e Aeroportos os estudos que embasam a modelagem da concessão. Em novembro está previsto o início dos trâmites administrativos para abertura de consulta pública. O leilão está previsto para o quarto trimestre de 2026.

No eixo da infraestrutura terrestre, foi destacada a conclusão das obras das Fases 1 e 2 de pavimentação interna do porto, com investimentos de R$13,2 milhões. O escopo das intervenções incluiu a pavimentação de vias, drenagem, sistema de separação de água e óleo, rampa de lavagem e sinalização.

Também foi apresentada a estruturação do sistema VTS (Vessel Traffic Service), voltado à modernização do monitoramento e da segurança da navegação no complexo. O projeto contempla a aquisição de um sistema fechado de monitoramento, incluindo estrutura de dados e operação integrada.

Por fim, foram apresentados os projetos de seis áreas arrendáveis com leilões previstos para 2026 e 2027. Os empreendimentos incluem quatro terminais voltados para granel líquido — três greenfield (RIG 28 e RIG 23) e dois brownfield (RIG 40 e RIG 25) — além de dois com foco em granéis sólidos ou pátio de triagem (RIG 13 e RIG 14). Somados, os projetos movimentarão mais de R$1,5 bilhões em investimentos privados.

Durante a visita, o ministro Silvio Filho ressaltou a convergência de esforços entre os entes públicos para garantir avanços estruturais no sistema logístico do estado. —Temos três prioridades muito claras: a estruturação do canal de acesso, a consolidação da hidrovia da Lagoa Mirim e a realização de quatro leilões até abril de 2026, nas áreas de granéis líquidos, sólidos e carga geral. Cada uma dessas frentes representa uma alavanca de desenvolvimento para o Estado,” afirmou. O ministro também destacou que as ações em curso buscam garantir eficiência de longo prazo para o Porto do Rio Grande. “O que estamos fazendo aqui é garantir previsibilidade e segurança operacional para os próximos 25 anos, com uma modelagem que não onera os custos do porto e organiza o canal de acesso com visão de longo prazo—completou.

A agenda técnica também reforçou o alinhamento entre governo estadual e federal para a valorização da multimodalidade e a ampliação da participação das hidrovias na matriz de transportes. —A operação de dragagem, a atualização da poligonal e os novos arrendamentos fortalecem o papel do Porto do Rio Grande como eixo de integração entre os polos de produção do interior e o comércio exterior. É uma visão de longo prazo que garante competitividade ao estado— destacou Klinger.

Ao longo da visita, foram debatidos os impactos esperados de cada uma dessas ações na geração de emprego, na expansão da capacidade logística e no fortalecimento da presença internacional do porto.

PETROLÍFERO

Money Times - SP   20/10/2025

A Petrobras (PETR4) enviou ao Ibama, um dia após uma reunião para responder dúvidas do órgão ambiental, o valor de referência do empreendimento na bacia da Foz do Amazonas, que consiste na perfuração de um primeiro poço de quatro previstos. Segundo a estatal, serão investidos R$ 793,2 milhões, considerando custos totais de implantação, seguro, licenciamento ambiental, e programas de mitigação.

Depois da realização da Avaliação Pré-Operacional (APO) no mês passado, o Ibama solicitou mais esclarecimentos à Petrobras, que se reuniu com o órgão ambiental na quarta-feira, 15. Após o encontro, segundo a estatal, o Ibama teria informado que “todos os pontos foram esclarecidos e que foram suficientes para dar seguimento ao processo”. A expectativa nos bastidores da empresa é de que a licença seja concedida em breve.

Em ofício enviado ao órgão ambiental, o maior custo se refere aos planos, programas e projetos de mitigação de impactos, da ordem de R$ 46,7 milhões. Os valores foram originalmente calculados em dólar, informa a empresa, à cotação de R$ 5,40.

A estatal explicou também que outros projetos previstos, como Controle de Poluição, Educação Ambiental de Trabalhadores, Gerenciamento de resíduos de atividades de perfuração; entre outros, fazem parte dos custos associados à operação da sonda e da infraestrutura logística.

AGRÍCOLA

IstoÉ Dinheiro - SP   20/10/2025

O Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária em 2025 deve atingir R$ 1,409 trilhão, prevê o Ministério da Agricultura. O número fica acima dos R$ 1,406 trilhão estimados pela pasta no mês passado. Em relação a 2024, há crescimento de 11,1%. Para 2024, o ministério também revisou sua projeção de R$ 1,263 trilhão para R$ 1,268 trilhão, aumento de 1,1% ante o ano anterior.

As projeções constam de boletim mensal da Secretaria de Política Agrícola do Ministério. Os dados foram compilados pela reportagem. O VBP é o faturamento bruto dos estabelecimentos rurais, considerando a produção agrícola e pecuária e a média de preços recebidos pelos produtores rurais de todo o País.

Do total previsto para 2025, R$ 929,402 bilhões devem vir das lavouras, equivalente a 66% do total e incremento estimado de 10,6% ante 2024. Outros R$ 479,640 bilhões estão relacionados à produção pecuária, correspondente a 34% do total e alta de 12,3% em comparação com o ano passado. Em 2024, conforme projeções do ministério, o VBP agrícola recuou 3% e o da pecuária cresceu 10,4%.

Na agricultura, o maior crescimento de VBP, de 47,2%, é projetado para as lavouras de café, somando R$ 115,694 bilhões neste ano. Entre as principais culturas com participação no VBP, as lavouras de soja devem apresentar faturamento bruto 9,3% maior, para R$ 324,737 bilhões, enquanto o VBP do milho é estimado em R$ 164,550 bilhões, incremento anual de 31,8%. A receita bruta obtida com a produção de trigo deve somar R$ 10,896 bilhões, alta anual de 4%.

O faturamento das lavouras de cana-de-açúcar, por sua vez, deve cair 2%, estima o ministério, para R$ 117,547 bilhões, enquanto o faturamento bruto das lavouras de laranja deve recuar 21,7%, para R$ 22,074 bilhões. O VBP das lavouras de algodão é estimado em R$ 36,649 bilhões, alta anual de 8,1%. As previsões apontam para crescimento de 17,4% do VBP do cacau, para R$ 12,950 bilhões.

Já o VBP das lavouras de arroz e feijão deve recuar, respectivamente, 12,4% e 16,7%. O faturamento bruto da produção de arroz deste ano é estimado em R$ 21,763 bilhões. A receita bruta do cultivo de feijão é projetada em R$ 12,288 bilhões.

Na pecuária, o maior crescimento deve ser observado na cadeia de bovinos, com aumento estimado de 20,7%, para um VBP projetado em R$ 205,159 bilhões. A produção bovina continua liderando o faturamento bruto da pecuária. O valor bruto da cadeia de suínos deve avançar 10,6%, para R$ 61,658 bilhões, enquanto o faturamento bruto da produção de frangos é projetado 4,2% acima do ano anterior, para R$ 110,995 bilhões. A receita bruta obtida com a produção de leite deve aumentar 5,1%, para R$ 71,675 bilhões. A produção de ovos deve apresentar VBP 12,9% maior, para R$ 30,153 bilhões.

O VBP é projetado mensalmente pelo ministério. O número é calculado pelo cruzamento das informações de produção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos preços coletados nas principais fontes oficiais. O estudo da pasta abrange 19 cadeias da agricultura e cinco atividades pecuárias.

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