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14 de Junho de 2023

SIDERURGIA

Valor - SP   14/06/2023

O investimento de R$ 700 milhões faz parte de um ciclo de modernização das operações de aços especiais no Brasil até 2025

A Gerdau inaugurou nesta terça-feira um equipamento de lingotamento contínuo de blocos e tarugos de aço na usina de Pindamonhangaba (SP), um investimento de R$ 700 milhões.

O investimento na usina faz parte de um ciclo de modernização das operações de aços especiais da Gerdau no Brasil até 2025.

O investimento “reforça o compromisso da Gerdau com o futuro da indústria automotiva brasileira, especialmente com o aumento da matriz de veículos híbridos e elétricos”, diz Gustavo Werneck, diretor-presidente da siderúrgica, em nota.


O investimento reforça o compromisso da Gerdau com o futuro da indústria automotiva brasileira, diz Gustavo Werneck — Foto: Divulgação

Exame - SP   14/06/2023

China Baowu Steel Group, a maior produtora de aço do mundo em vendas, e o gigante internacional de mineração Rio Tinto assinaram um acordo não vinculativo para expandir sua cooperação e ajudar na descarbonização da cadeia de valor do aço.

De acordo com o memorando de entendimento assinado em Xangai, as empresas planejam desenvolver projetos específicos de descarbonização. Um dos principais projetos é a construção de um forno elétrico em escala piloto em uma das siderúrgicas da Baowu na China, com o objetivo de viabilizar a produção de aço de baixo carbono.

Além disso, serão otimizadas a tecnologia de peletização para minérios australianos e a tecnologia de ciclo de carbono enriquecido com hidrogênio e forno de oxigênio da Baowu, que podem reduzir as emissões de carbono. Também serão exploradas oportunidades para produzir ferro de baixo carbono na Austrália Ocidental.

Alf Barrio, diretor comercial da Rio Tinto, afirmou: “A Rio Tinto e a Baowu estão comprometidas em acelerar a implementação de soluções de baixo carbono para toda a cadeia de valor do aço. Este memorando de entendimento visa abordar um dos maiores desafios enfrentados pela indústria, que é desenvolver uma rota de baixo carbono para minérios de ferro de baixo a médio teor, responsáveis pela maior parte do suprimento global de minério de ferro”.

Parceria de 50 anos

A parceria entre a Rio Tinto e a Baowu já dura quase 50 anos. Em setembro passado, as empresas investiram US$ 2 bilhões em uma joint venture para a mineração de minério de ferro na Austrália Ocidental. Em dezembro de 2020, a Rio Tinto anunciou um investimento adicional de US$ 10 milhões em cooperação com a Baowu para a produção de ferro de baixo carbono e pesquisas relacionadas nos próximos dois anos. As empresas também assinaram um memorando de entendimento sobre mudanças climáticas com a Universidade Tsinghua em setembro de 2019.

A Baowu, sediada em Xangai, afirmou: “Com a missão de construir um ecossistema industrial para promover o progresso da civilização humana, estamos comprometidos em trabalhar com a Rio Tinto para estudar e fornecer soluções abrangentes de baixo carbono para a cadeia de valor do aço. Nossa parceria ajudará na transformação e atualização do setor siderúrgico, além de apoiar o enfrentamento global dos desafios das mudanças climáticas por meio de ações pragmáticas”.

Além dessa parceria, a Rio Tinto também firmou um acordo com a Universidade de Sichuan, na China, em 5 de junho, para realizar pesquisas inovadoras sobre técnicas de mineralização de carbono. Essas pesquisas visam reduzir a pegada de carbono e o descarte de resíduos sólidos da empresa com sede em Londres.

A Baowu mantém posição de maior produtora de aço do mundo pelo terceiro ano consecutivo. No ano passado, a empresa produziu 132 milhões de toneladas métricas de aço bruto e obteve um lucro de 31,3 bilhões de iuanes (US$ 4,4 bilhões) com uma receita de 1,2 trilhão de iuanes (US$ 167,9 bilhões), de acordo com seus dados mais recentes.

Investing - SP   14/06/2023

Em relatório divulgado aos clientes e ao mercado, o Bank of America (NYSE:BAC) (BofA) atualizou estimativas para companhias de metalurgia e mineração e decidiu rebaixar a classificação de CSN (BVMF:CSNA3) e CSN Mineração (BVMF:CMIN3) para underperform devido à perspectiva pessimista. A melhor escolha apontada pelo banco nos setores é Gerdau (BVMF:GGBR4), com continuidade de cautela para Usiminas (BVMF:USIM5) e Vale (BVMF:VALE3).

Ao analisar os setores, os analistas Caio Ribeiro, Leonardo Neratika e Guilherme Rosito acreditam que o recente fluxo de notícias de estímulo da China é positivo, mas não seria o suficiente para compensar a fraqueza do setor imobiliário – impulsionador da economia do gigante asiático.

O rebaixamento das companhias ocorre devido às expectativas cautelosas a respeito dos preços do minério de ferro e do aço, assim como um prêmio de paridade de importação de 30%, contra uma média histórica estimada entre 5% e 10% pelo banco.

O BofA ainda demonstra preocupação com a alavancagem da CSN, que deve ultrapassar 4,0x no ano que vem. O rating underperform da CSN reflete ainda a tendência de pressão da geração de caixa. O preço-alvo passou de R$20,00 para R$12,00/ação (US$ 2,30/ADR).

A CSN Mineração, por sua vez, teria “um ciclo de capex substancial pela frente, necessário para aumentar sua produção, o que deve pressionar a geração de FCF, aumentando a alavancagem e limitando o retorno potencial dos acionistas”. Além disso, a CSN Mineração superou a Vale em cerca de 35% neste ano, movimento considerado injustificado pelo BofA. O preço-alvo foi reduzido de R$5,10 para R$ 4,40.

Para Gerdau, com recomendação de compra, o preço-alvo caiu de R$36,00 para R$32,00 (US$ 6,10/ADR). Usiminas conta com classificação neutra, com preço-alvo passando de R$9,00 para R$8,0 (US$1,50/ADR). A indicação de Vale também é neutra, com preço-alvo caindo de R$96,00 para R$81,00 (US$16,00/ADR).

O BofA elegeu a Gerdau como principal escolha em termos de valuation atrativo, com perspectiva “relativamente melhor para aços longos versus aços planos nos EUA e no Brasil”.
Rebaixamentos na semana passada

Na última quarta-feira, 07, o banco Santander (BVMF:SANB11) rebaixou as ações das companhias CSN e CSN Mineração de outperform para neutra e disse que prefere empresas relacionadas a cobre em relação ao minério de ferro, devido às tendências de preços das commodities. O Santander possui classificação neutra para CSN, com preço-alvo de R$14,50, assim como para CSN Mineração, com preço-alvo de R$5,00 e Usiminas, a R$8,00.

Às 14h20 (de Brasília) desta terça-feira, 13, as ações da CSN subiam 0,16%, a R$12,69, enquanto as da CSN Mineração caíam 0,89%, a R$4,44. Os papéis da Vale tinham acréscimo de 1,09%, a R$67,85. As ações preferenciais da Gerdau ganhavam 0,48%, a R$25,25 e as PNA da Usiminas registravam elevação de 0,14%, a R$7,32.

ECONOMIA

IstoÉ Dinheiro - SP   14/06/2023

À luz da melhora de preços de ativos e indicadores econômicos no Brasil, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Gabriel Galípolo, indicado à diretoria de Política Monetária do Banco Central, avaliou nesta terça-feira, 13, que a autoridade monetária está trabalhando justamente visando a um cenário mais favorável.

No evento ‘A natureza da máquina: Como funciona o Estado brasileiro’, promovido pela Revista Piauí, Galípolo argumentou que o ceticismo com as medidas da Fazenda vem cedendo à medida que foram obtidas vitórias gradativamente. Nesse sentido, o resultado se observa em ativos, como redução do dólar, juros futuros, e também em melhora nas perspectivas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e para a inflação, assim como na inflação corrente.

Questionado se os números mostram então que o BC estava certo em manter sua estratégia de política monetária, tão criticada pelo governo Lula, Galípolo disse que o BC está fazendo o trabalho exatamente para colher isso. “Não acho que ninguém no BC quer só manter juros altos.”

Galípolo evitou, contudo, responder se teria votado como os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) nas últimas reuniões se já estivesse no colegiado. “Na posição de indicado, acho que seria desrespeito comentar decisões do Copom”, disse, em relação aos membros do Copom e também ao Senado.

Mais cedo, no mesmo evento, Galípolo comentou sobre os textos acadêmicos que já publicou e citou rapidamente a questão da Teoria Quantitativa da Moeda, assunto que traz receios no mercado financeiro devido às dúvidas sobre o arcabouço que o secretário-executivo vai usar para definir seu posicionamento quando estiver no BC.

“Muita gente ainda acha que o controle de inflação ainda está relacionado à quantidade de moeda. Mas há décadas que os BCs controlam a inflação como um sintoma de doença em relação à oferta e demanda”, disse ele.

Infomoney - SP   14/06/2023

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos voltou a apresentar em maio o comportamento já observado em abril, com o indicador cheio do mês indicando desaceleração, mas com a leitura qualitativa do núcleos e de alguns grupos de produtos e serviços apontando para uma resiliência que favorece o discurso de cautela por parte do Federal Reserve. Entre os pontos de atenção, economistas destacam a reaceleração do grupo de moradia (“shelter”) no mês.

O CPI variou 0,1% na comparação entre maio e abril e desacelerou de 4,9% para 4,0% na leitura acumulada em 12 meses. Mas o núcleo da inflação teve a mesma variação de 0,4% no mês e recuou apenas de 5,5% para 5,3% em 12 meses.

Matheus Pizzani, economista da CM Capital, destaca em seu comentário exatamente a disparidade entre o que sugere o dado puramente quantitativo e a realidade da inflação lida a partir da composição qualitativa do indicador.

Ele lembra que a desaceleração do índice cheio foi impactada de maneira significativa por itens voláteis, como os preços de energia, que tiveram a terceira deflação mensal (-3,6%) seguida, puxados pela queda de gasolina (-5,6%) e óleos combustíveis (-7,7%). Esses preços, reforça, geram efeitos indiretos para grande parte dos grupos que formam o CPI.

Ainda no campo dos itens mais voláteis, ele cita o grupo de alimentação, que teve alta de 0,2% após dois meses sem apresentar variação. Os preços da alimentação no domicílio subiram apenas 0,1% no mês, enquanto a alimentação fora do domicílio avançou 0,5%.

Mas o economista da CM Capital classifica como preocupante a estabilidade de 0,4% no núcleo do CPI norte-americano pelo quarto mês consecutivo, desta vez fortemente afetado pela manutenção da alta de 4,4% nos preços de veículos usados.

“Desempenho ainda pior foi visto no caso das métricas subjacentes, com destaque para mais um avanço dos preços de habitação (+0,6%) e da retomada do crescimento dos preços dos serviços de transporte (+0,8%), que voltaram ao patamar positivo de forma robusta após uma deflação de 0,2% no mês anterior”, alerta Pizzani.

Ele comenta ainda que chama atenção o fato de o resultado acumulado em 12 meses de ambos os índices se encontrar em patamar extremamente elevado para a conjuntura atual, com o grupo de habitação fechando maio com alta de 8%, enquanto os serviços de transporte registraram expansão de 10,2%.

“Considerando que os membros do comitê de política monetária do Fed levarão em consideração o conjunto de dados divulgados no intervalo das reuniões para sua tomada de decisão, o cenário passa a ser cada vez mais pessimista ao incorporarmos a divulgação do CPI de hoje”, analisa.

Sobre os preços da habitação, Pizzani destaca que o grupo possui uma característica muito peculiar dentro do universo da inflação, refletindo simultaneamente o impacto da memória inflacionária dos agentes e os aspectos de oferta e demanda do momento presente, o que significa maior pressão inflacionária em economias com bom nível de atividade, que é o caso dos Estados Unidos.

No caso dos serviços de transporte, o economista comenta que eles têm grande capacidade de refletir aspectos conjunturais da economia, uma vez que são demandados especialmente quando há melhor nível de atividade econômica. Assim, a perspectiva de desaceleração acentuada da economia dos Estados Unidos, condição tida como necessária pelo Fed para finalização do ciclo de aperto monetário, parece ainda não se concretizar quando se analisam esses dados.

Essa leitura, diz Pizzani, reforça a perspectiva da CM Capital de que o Fed poderá fazer um novo reajuste de 25 pontos-base na taxa de juros na reunião desta quarta-feira (14). A opinião destoa do consenso de mercado, que aposta numa pausa. O cenário de um mercado de trabalho ainda demasiadamente apertado e de benefícios de inflação colhidos majoritariamente a partir da queda nos preços de energia, sem melhora do núcleo, justificam essa visão, segundo o economista.

Claudia Rodrigues, economista do C6 Bank, acredita que a composição do núcleo do CPI mostra que a inflação de bens já não é mais uma preocupação, mas concorda que a inflação de serviços continua sendo um desafio. “O setor segue pressionado por um mercado de trabalho ainda aquecido. O preço dos aluguéis tem se mostrado resiliente, mas deve começar a desacelerar à frente”, afirma.

Mesmo observando que o núcleo da inflação segue persistente e bem acima da meta do Fed de 2% ao ano, Claudia acredita que a autoridade monetária dos EUA deve optar por uma pausa na reunião desse mês, conforme sinalizado na reunião anterior, para avaliar o impacto da política monetária já implementada até o momento sobre a economia. “Essa provável pausa não deve significar, no entanto, o fim do ciclo de alta de juros”, ressalta.

“Acreditamos que o Fed indicará na reunião de amanhã que mais aumentos podem ser necessários à frente, em razão da inflação persistente e elevada. Em nossa visão, a taxa de juros no fim do ciclo deve alcançar um patamar pouco acima do atual. Além disso, acreditamos que os juros devem permanecer elevados por um longo período para desacelerar a inflação. Não prevemos cortes nos juros até meados de 2024.”

Andressa Durão, economista da ASA Investments, também diz não acreditar que o resultado do CPI de hoje possa mudar a perspectiva para o Fomc, pelo fato de o indicador ter vindo basicamente em linha com as projeções.

“Ou seja, a decisão de amanhã deve ser de pausa, com o Fed indicando que está dependente de dados para as próximas reuniões. Então, os próximos dados de mercado de trabalho e inflação pesarão mais na decisão de julho”, prevê.
Preços de moradia preocupam

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, também crê que o CPI de maio trouxe informações suficiente para dar ao Fed tranquilidade na decisão de pausar o ciclo de alta amanhã, enquanto acompanha os dados de atividade econômica e de variações de preços.

No entanto, ele vê sinais desafiadores na abertura dos dados divulgados hoje. “A parte de moradia, que dá quase um terço da inflação americana, voltou a acelerar. Tinha desacelerado no mês anterior para 0,4% na comparação mensal e foi para 0,6% de novo. Em 12 meses, foi para 8%”, comenta.

Para Cruz, isso talvez seja uma grande pedra no meio do caminho do Fed na batalha para levar a inflação para a meta de 2%.

Ele diz que os preços de energia estão devolvendo o choque de alta do ano passado – caíram 3,6% no mês e 11,7% em 12 meses. Já os preços de alimentos subiram 0,2%, ficando em 6,7% em 12 meses, o que ainda é um patamar alto.

Mesmo com a surpresa ruim dos preços de moradia, especialmente dos aluguéis, o estrategista da RB afirma que o Fed tem tempo para buscar a convergência para a meta de 2% na inflação. “O banco central está falando para o mercado que vai entregar a inflação na meta no final do ano que vem ou em 2025. Tem um ano e meio para fazer esses preços caírem, um tempo relevante”, diz.

Para este ano, a RB está mantendo a expectativa de uma inflação em 3,5%. “Desde que bateu o pico de 9,1% em junho do ano passado, exatamente um ano atrás, a gente está vendo uma queda considerável da inflação”, afirma.

Ele lembra que o CPI havia se estabilizado no primeiro trimestre deste ano, caindo em ritmo menor, mas agora começa a recuar num ritmo mais forte.

Alexandre Lohmann, estrategista-chefe da Constância Investimentos, destaca que o núcleo da inflação de bens subiu 0,43% na variação trimestral, enquanto o núcleo de serviços teve uma ligeira queda de 0,06% e que essas duas variações se compensam. “O que temos é uma resiliência da medida da inflação subjacente nos EUA, o que deve limitar o ajuste das expectativas da política monetária”, comenta.

Lucas Zaniboni, economista da Garde Asset Management, afirma que o dado de inflação de maio trouxe boas notícias para o Fed. “Apesar de uma variação mensal ainda forte, principalmente nos núcleos, em geral ela foi pressionada por itens que devem desacelerar nos próximos meses, como métricas de aluguéis e carros usados”, pondera.

“Para a reunião de amanhã, acreditamos que o número sacramenta uma ‘pausa hawkish’, em que o Fed mantém a taxa de juros constante, mas sinaliza que o ciclo ainda não acabou, provavelmente subindo suas projeções de juros para o fim do ano. Acreditamos também numa última alta em julho, com esse ciclo de juros se encerrando no intervalo entre 5,25% e 5,5%.”

Money Times - SP   14/06/2023

Os dias da Selic a 13,75% ao ano estão com os dias contados. Ontem, em evento do setor de varejo em São Paulo, Roberto Campos Neto destacou que a curva futura de juros tem apresentado queda relevante no país.

Com isso, o presidente do Banco Central indicou, sem especificar o momento, que haverá espaço para corte na taxa básica de juros no futuro. “A curva de juros futuros tem tido queda relevante. Isso significa que o mercado está dando credibilidade ao que está sendo feito, o que abre espaço para atuação de política monetária à frente”, disse.

As falas de Campos Neto vêm após resultados positivos do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio.

No mês passado, a inflação brasileiras desacelerou após subir 0,23%, ante a alta de 0,61% registrada em abril. O resultado veio bem abaixo da mediana projetada pelo mercado, de 0,33%. O indicador acumulada alta em 12 meses de +3,94%, de +4,18% no mês anterior. O resultado também ficou abaixo da mediana projetada, de +4,03%.

O presidente do BC ainda destacou que a sua expectativa, para junho, é de variação negativa da inflação. Para os meses seguintes, ele projeta que o IPCA subirá entre 0,4% e 0,5%, encerrando o ano em torno de 4,5%. Com isso, a inflação estará dentro do teto da meta para o ano, de 4,75%.

Corte adiantado na Selic

Até então, o mercado falava em um fim do período de manutenção da Selic em setembro. No entanto, com o aceno do Banco Central, as projeções estão sendo revistas.

“O mercado dá credibilidade ao que tem sido feito, abrindo espaço para uma atuação de política monetária à frente. A fala de Campos Neto reforça primeiro ajuste baixista da Taxa Selic em agosto”, afirma Rafael Passos, analista da Ajax Capital.

Para Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, a surpresa foi a afirmação de que a inflação de 2023 está entre 4% e 5%, próxima de 4,5%.

“O mercado, no Boletim Focus, segue bem distante desse número, ao passo que estimativas para as projeções condicionais da autoridade para a próxima reunião ainda estão acima de 5%. Em se verificando expressiva queda nas perspectivas de 2023, há um reflexo grande sobre 2024, aproximando muito o horizonte relevante para ‘ao redor da meta’”, disse.

Infomoney - SP   14/06/2023

A produção industrial caiu em 10 dos 15 locais pesquisados em abril ante março, segundo os dados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Regional, divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em São Paulo, maior parque industrial do País, houve uma queda de 0,2%. As demais perdas ocorreram no Amazonas (-14,2%), Pernambuco (-5,5%), Ceará (-3,7%), Minas Gerais (-3,0%), Região Nordeste (-2,4%), Paraná (-2,2%), Rio de Janeiro (-1,8%), Goiás (-1,5%) e Espírito Santo (-1,2%).

Na direção oposta, houve avanços no Rio Grande do Sul (2,2%), Santa Catarina (1,1%), Bahia (1,1%), Pará (0,3%) e Mato Grosso (0,1%). Na média global, a indústria nacional caiu 0,6% em abril ante março.

Monitor Digital - RJ   14/06/2023

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos registrou crescimento anual de 4% em maio, o nível mais baixo desde março de 2021, segundo dados divulgados pelo Bureau of Labor Statistics nesta terça-feira.

O indicador de inflação mostrou uma expansão mensal de 0,1% em maio, abaixo do consenso previsto pelo mercado financeiro, de 0,2%, e do 0,4% em abril. Os custos de energia caíram 3,6%, em contraste com uma expansão de 0,6% em abril, levando à desaceleração da inflação geral.

Mas as notícias positivas ficam por aí. O núcleo do IPC, que exclui alimentos e energia, registrou um crescimento mensal de 0,4% pelo terceiro mês consecutivo em maio.

Embora o crescimento ano a ano do núcleo do IPC tenha diminuído de 5,5% em abril para 5,3% em maio, a teimosia do indicador de núcleo da inflação mostra que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) pode ter mais trabalho a fazer em relação à contenção da inflação.
Espaço Publicitário

A melhora no núcleo da inflação tem sido mais gradual do que o IPC cheio, segundo o Bank of America Global Research. Os detalhes do índice reafirmam a expectativa de que o Fed permaneça em espera em sua reunião que começou nesta terça e termina na quarta-feira.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) tem cerca de 95% de probabilidade de interromper os aumentos das taxas em sua reunião, de acordo com avaliação do CME FedWatch Tool na manhã desta terça-feira.

“Embora nosso cenário base seja que o Fed pule um aumento de juros na reunião desta semana, não esperamos que os dados (IPC) de maio sejam suficientes para permitir que o Fed ponha um fim definitivo ao aperto. Os dados justificarão o otimismo recente entre os investidores em ações”, disse uma nota de pesquisa do UBS Global Wealth Management.

O dólar enfraqueceu após a divulgação da inflação. O índice que mede a moeda norte-americana em relação aos seis principais pares caiu 0,30%. No final do pregão de Nova York, o euro subiu para US$ 1,0790, de US$ 1,0756 na sessão anterior, e a libra esterlina subiu para US$ 1,2602, de US$ 1,2505 na segunda-feira.

As ações nos mercados dos EUA fecharam em alta. O Dow Jones Industrial Average subiu 0,43%, para 34.212,12 pontos, o S&P 500 valorizou 0,69%, para 4.369,01 pontos, e o Nasdaq teve alta de 0,83%, para 13.573,32 pontos.

Investing - SP   14/06/2023

O Comitê Federal de Mercado Aberto dos EUA (FOMC) provavelmente deve manter as taxas de juros ao fim da reunião de política monetária desta semana, após elevar a taxa dos fundos federais nas últimas dez decisões seguidas. É o que esperam 91,9%% dos analistas de mercado, segundo a ferramenta Monitor da Taxa de Juros do Fed do Investing.com, que apostam na continuidade das fed funds na faixa 5,00% - 5,25%.

Na visão do banco suíço Julius Baer, o Fed deve pausar as altas nas taxas na reunião desta semana, mas manterá a opção de aumentar as taxas no futuro. “Ao mesmo tempo, o FOMC sinalizará que não aumentar os juros desta vez não significa que o atual ciclo de alta tenha terminado ou que cortes de juros estejam na agenda. O ritmo lento da desinflação e a resiliência contínua da economia americana são motivos pelos quais o Fed vai querer manter a opção de aumentar os juros nas próximas reuniões”, acredita David Kohl, economista-chefe do Julius Baer.

Segundo o ING, os últimos dados de inflação nos Estados Unidos elevam as chances de pausa nos aumentos de juros do Fed. Ainda que o núcleo do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) tenha ficado em linha com as expectativas, haveria sinais de abrandamento em algumas categorias importantes. “Embora os custos da habitação e os preços dos veículos continuem subindo, as perspectivas estão melhorando rapidamente. Isso deve consolidar as expectativas de que o Fed mantenha as taxas inalteradas amanhã, mas os comentários sobre a decisão provavelmente permanecerão agressivos”, avalia o economista-chefe James Knightley.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, também espera uma pausa, mas lembra que o mercado precifica uma alta na reunião seguinte, com expectativa de cortes somente no início de 2024. “Algo que parece mais razoável diante de uma inflação que ainda é alta”.

A manutenção deve ocorrer, mas o Fed deve acompanhar os próximos dados para decidir a respeito de novas altas, aponta Marcelo Boragini, sócio da Davos Investimentos e especialista em renda variável. “Foge do normal de que poderia começar um movimento de queda na taxa de juros por lá. Isso não deve ocorrer no momento”.
Projeções econômicas

Entre os focos dos investidores, estará a atualização do Resumo das Projeções Econômicas do FOMC (dot-plot), que pode indicar aumentos adicionais das fed funds. No entanto, desdobrados da política monetária restritiva argumentam contra novos aumentos de juros, pondera o Julius Baer.

Alejandro Ortiz, economista da Guide Gestão, concorda com a visão de que haverá uma pausa e que, nesse documento, deve haver uma sinalização de taxa terminal mais elevada com revisão altista das projeções de crescimento e baixista para desemprego. “Espero que o Comitê faça um hawkish pause. Ele vai pausar o processo de alta nos juros, justificando essa pausa via necessidade de avaliação dos efeitos defasados da política monetária, além do benefício trazido pelo tempo que ganha para colher mais informações. Mesmo assim, vai deixar a porta aberta para promover ajustes adicionais caso seja necessário”.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   14/06/2023

Os contratos futuros do minério de ferro nas bolsas de Cingapura e Dalian se recuperaram nesta terça-feira, com a melhora do sentimento do mercado depois que o banco central da China, maior produtora de aço do mundo, reduziu a taxa de empréstimo de curto prazo pela primeira vez em 10 meses.

O anúncio veio depois que o índice de referência de Cingapura recuou 3% na segunda-feira, após um aumento de quase 15% em oito sessões consecutivas, em meio à esperança de que a China implementasse uma série de políticas de estímulo para reviver seu mercado imobiliário em dificuldades.

O Banco do Povo da China (PBOC) cortou sua taxa de recompra reversa de sete dias em 10 pontos-base, para 1,90%, injetando 2 bilhões de iuanes (279,97 milhões de dólares) por meio do instrumento de títulos de curto prazo.

Somando-se ao sentimento otimista, uma reportagem da Bloomberg News disse, citando pessoas familiarizadas com o assunto, que a China está considerando uma dúzia de medidas de estímulo para apoiar atividades, como o mercado imobiliário, o maior consumidor de aço.

A medida vem após uma enxurrada de dados econômicos mais fracos do que o esperado em abril e maio.

O minério de ferro de referência de julho na Bolsa de Cingapura subia 2,69%, para 111,8 dólares a tonelada métrica.

Já o contrato mais negociado para setembro na Dalian Commodity Exchange (DCE) reverteu a tendência de baixa na sessão da manhã e encerrou as negociações diurnas com alta de 0,69%, a 801,5 iuanes (112,10 dólares) a tonelada.

Enquanto isso, outros ingredientes siderúrgicos como carvão metalúrgico e coque saltaram 4,09% e 2,64%, respectivamente.

“O recente aumento nos preços do aço ajudou a expandir as margens do aço e encorajou as siderúrgicas de alto-forno a reiniciar as operações”, disseram analistas da Huatai Futures em nota.

Money Times - SP   14/06/2023

A Vale (VALE3), uma das gigantes mundiais do minério de ferro, andou decepcionando este ano. Mas por ser uma empresa muito grande e expressiva mundialmente, é um papel que deve ser considerado, principalmente para investimentos de longo prazo.

Nos curto e médio prazos os riscos são maiores devido às oscilações do mercado mundial, não só no que diz respeito à demanda por minério da China.

Os Estados Unidos vivem um dilema com a elevação ou não de sua taxa de juros. A inflação resistente sugere aumento, mas o risco de esfriamento econômico é grande. Só o futuro para mostrar no que vai dar.

E é claro que as crises ou as perspectivas de crises afetam, de alguma forma, os resultados das empresas em geral, a Vale entre elas, mesmo com todo seu gigantismo.

Tanto que no último trimestre a mineradora registrou queda de 58,8% em seu lucro líquido na comparação com igual período do ano passado.

Uma das razões para o lucro menor foi a queda na demanda das siderúrgicas, especialmente na China. Isso levou a uma diminuição nos preços do minério de ferro, afetando negativamente os resultados financeiros da Vale.

O setor imobiliário chinês, que é um dos maiores compradores de aço e ferro, não passa por um momento muito positivo.

As vendas do setor arrefeceram contribuindo assim com a baixa da demanda e a elevação dos estoques da própria Vale. A própria dúvida sobre o aumento ou não da procura por minério de ferro ajuda a piorar os resultados da mineradora brasileira.

Mas há outras questões que devem ser consideradas. Os custos de produção continuam elevados, reduzindo a rentabilidade.

Como o estoque estava alto, houve a necessidade de comercializá-lo a um preço menor, o que também impactou a lucratividade.

E até mesmo a diminuição no valor do custo do frete, devido à redução do preço do diesel e uma quantidade menor de contratos de liquidação imediata (spots), impactou negativamente nos resultados do trimestre.

O resultado disso tudo pode ser visto não só pelo balanço da empresa, mas também pelo desempenho na B3. Apesar de uma leve recuperação de 5,01% nos primeiros seis pregões de junho, no ano os papéis da Vale acumulam perdas de 22,94%.

A alta oscilação é um convite para o day trade, mas um perigo para investimentos de curto prazo e bem arriscados para os de médio prazo porque não dá para prever quando todos os eventos geradores de crise vão terminar ou, se não terminarem, quando o mercado global estará devidamente alicerçado para segurar a onda de acontecimentos negativos.

Para o investidor que pensa a longo prazo, como citei logo no início deste artigo, a oportunidade é boa porque o preço da ação da Vale está um pouco mais convidativo.

Pode parecer que R$ 67 é um valor um tanto salgado, mas vale lembrar que o papel da mineradora normalmente ultrapassa os R$ 80 e não raramente ultrapassa os R$ 90, como aconteceu em janeiro deste ano quando o preço ultrapassou os R$ 95.

Outro fator que deve ser considerado pelo investidor é que a Vale sempre foi boa pagadora de dividendos, o que a torna ainda mais atrativa.

É verdade que neste ano a empresa fez um corte bilionário reduzindo em US$ 1,8 bilhões os proventos pagos em comparação com o primeiro trimestre de 2022. Mas isso é efeito da redução na lucratividade, coisa do momento.

Com seu porte e peso no mercado global, assim que a economia entrar no eixo, os detentores de papéis da Vale vão voltar a sorrir.

Máquinas e Equipamentos

O Estado de S.Paulo - SP   14/06/2023

Fabricantes de geladeiras, lavadoras, fogões e televisores, entre outros eletrodomésticos e eletroeletrônicos, consolidados no País terão pela frente um período de competição acirrada. As gigantes chinesas do setor, como Gree, Midea, Hisense e TCL, preparam uma ofensiva no mercado brasileiro, avaliado como de grande potencial de consumo para itens das linhas branca e marrom.

O avanço das fabricantes chinesas marca o início de um novo capítulo das empresas asiáticas no segmento de eletroeletrônicos no País. Os anos 1990 viram o crescimento das japonesas. Na década seguinte, foi a vez das sul-coreanas, que hoje lideram diversos segmentos de produtos no mercado nacional. E, a partir de 2020, são as chinesas que começaram a ganhar força no mercado doméstico.

“O período de provação das coreanas foi de 2000 a 2005, e depois elas começaram a se consolidar. A China hoje está passando por momento semelhante”, diz Carlos Murano, gerente-executivo da Gree Electric Appliances, um dos responsáveis pela operação da empresa chinesa no Brasil.

A própria trajetória profissional de Murano reflete a nova onda do mercado de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. O engenheiro começou a sua carreira na japonesa Hitachi, na área de aparelhos de ar condicionado. Depois, foi para sul-coreana LG, onde era responsável por condicionadores de ar, refrigeração e lavadoras. E, desde meados de abril deste ano, ele está na Gree, respondendo por esses segmentos.

Líder em ar condicionado na China, onde produz de celular a refrigeradores, passando por aspirador de pó, os produtos da Gree estão no Brasil há mais de 30 anos. Com fábrica própria, fincou bandeira no País a partir de 2001. Foi a primeira chinesa a se estabelecer aqui. Produz aparelhos de ar condicionado em Manaus(AM) e lidera esse segmento no País há dez anos, segundo Murano.

Fora da China, a empresa só tem fábrica no Brasil. Aliás, a unidade de Manaus tem um tamanho considerável, diz o executivo. A fábrica, que ocupa 100 mil metros quadrados e emprega 1.500 pessoas, tem capacidade para produzir um milhão de aparelhos de ar condicionado por ano. Em 2022, foram fabricados 300 mil aparelhos e há capacidade ociosa para acelerar a produção e incluir novos itens.

A companhia, que não revela quanto já investiu no País nem quanto fatura, prepara para o final deste ano um lançamento no segmento de aparelhos de ar condicionado. Também tem estudos para ter “muito em breve” no País refrigeradores e lavadoras lava e seca com a sua marca. “É um projeto bem embrionário”, frisa Murano. Ainda não está definido se os novos eletrodomésticos serão importados ou produzidos localmente.

Outra chinesa e rival, a Midea Carrier, está investindo R$ 600 milhões para erguer uma fábrica de refrigeradores de duas portas no sul de Minas Gerais, em Pouso Alegre. A nova planta, de 73 mil metros quadrados, começa a funcionar no final de 2024 e terá capacidade para produzir 1,3 milhão de aparelhos por ano. Segundo a consultoria GfK, o segmento de refrigeradores no Brasil teve faturamento de R$ 12 bilhões em 2022, ante R$ 9 bilhões em 2019, e 3,9 milhões de produtos foram vendidos no ano passado, queda em relação aos 4,1 milhões em 2019.

Segundo o CEO da empresa, Felipe Costa, a meta da companhia é estar entre os três principais fabricantes do mercado de refrigeradores em até quatro anos. Ele observa que a produção local proporciona a competitividade para que a empresa tenha relevância no segmento.

O Grupo Midea, que fatura US$ 53 bilhões e tem 166 mil funcionários no mundo, entrou no Brasil em 2011 por meio de uma joint venture com a americana Carrier, especializada em refrigeração e ar condicionado.

Hoje a empresa já tem duas fábricas no País: uma em Manaus (AM), onde são produzidos aparelhos de ar condicionado e fornos de micro-ondas, e outra em Canoas (RS), responsável pela fabricação de sistemas de refrigeração comercial.

Segundo Simone de Camargo, diretora de marketing da Midea Carrier, mesmo não produzindo localmente eletrodomésticos da linha branca e importando um volume reduzido, a empresa já conquistou fatias significativas de mercado no ano passado, de acordo com dados da consultoria GFK.

Em lavadoras com abertura frontal, incluindo lava e seca, por exemplo, a marca respondeu por 25% do mercado; em frigobar, 56%; geladeira side-by-side, 11%; freezer horizontal, 27%; e lava-louças, 13%. “Com a nova fábrica, pretendemos aumentar a participação em refrigeradores de duas portas, que é um segmento de mercado muito importante para a consolidação da marca”, diz a diretora.

O plano da Midea não é produzir localmente todos esses produtos, mas apenas as categorias de grande volume de vendas. Inicialmente refrigeradores e talvez, num segundo momento, lavadoras com abertura frontal, que é um segmento com grande mercado potencial no Brasil, observa Simone.

Atrasada em relação a seus pares, a Hisense, outra gigante chinesa, que faturou globalmente US$ 27,5 bilhões no ano passado, acaba de desembarcar no Brasil. Desde março deste ano, vende refrigeradores, cooktops, fornos elétricos, lavadoras lava e seca e aparelhos de ar condicionado em 38 lojas físicas da Via, no Estado de São Paulo. Os aparelhos são importados da Europa e da China.

Até o final do ano, vai produzir localmente TVs com a marca Hisense. A empresa tem planos para fabricar no Brasil eletrodomésticos da linha branca, mas não revela quando será, quanto pretende investir e se planeja erguer uma fábrica da estaca zero ou comprar alguma já existente. “Estamos estudando as possibilidades”, diz o vice-presidente da Hisense no Brasil, Matjaz Cokan.

No País desde 2016, a TCL adotou a nostalgia como ferramenta para se posicionar no mercado brasileiro. A empresa se aliou à marca Semp para a venda de televisores, enquanto também trabalha com sua marca própria na categoria. Em 2020, a TCL adquiriu 80% da composição acionária da joint-venture, e 20% ficou com a Semp, que tem mais de 80 anos de Brasil. A Hisense fez o mesmo com a marca Toshiba nas TVs, e ainda firmou uma parceria com a brasileira Multi para produção e venda no País.

Até o fim do ano, a TCL vai ampliar sua variedade de produtos no Brasil. Via importação em um primeiro momento, a companhia lançará de refrigeradores e máquinas de lavar. A empresa já vende, além de TVs, produtos de áudio e aparelhos de ar condicionado.

O gerente de produtos da Semp TCL, Nikolas Corbacho, diz que a concentração da cadeia produtiva de eletroeletrônicos do mundo na China favorece as empresas chinesas, que conseguem criar e vender produtos com relação mais competitiva entre custo e benefício para o consumidor.

“Não tivemos nenhuma rejeição por ser uma marca entrante no mercado. Quando o consumidor vê que leva mais tecnologia com uma relação de preço melhor do que as marcas estabelecidas, ele vê como algo positivo. O marketing boca a boca é um dos nossos principais recursos para o crescimento da marca no Brasil”, dizs Corbacho.

A maior parte das fabricantes chinesas miram o mercado de televisores por conta do alto valor de faturamento do setor, que chega a ser duas vezes maior do que o de lavadoras. Em 2022, as vendas de TVs no País atingiram R$ 25 bilhões, ante R$ 22 bilhões em 2021 e R$ 20 bilhões em 2019. Em número de unidades, o setor comercializou 10,7 milhões de aparelhos no ano passado.

O que atrai as chinesas para o Brasil?

O grande número de habitantes e o potencial de demanda a ser explorado chamam muito a atenção dos chineses, diz Carlos Murano, da Gree. Menos de 30% dos domicílios do País têm aparelho de ar condicionado, exemplifica. Em TVs, o País chegou a produzir quase 15 milhões de aparelhos em 2014 e no ano passado foram 10,3 milhões, segundo a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros).

Em número de vendas, de acordo com a GfK, a categoria de ar condicionado é a única que teve número de vendas no País em 2022 acima do registrado em 2019, antes da pandemia de covid-19, passando de 4,3 milhões para 4,6 milhões de produtos vendidos. Já o faturamento do setor foi de R$ 8 bilhões para R$ 9,8 bilhões.

Além disso, o executivo da Gree destaca que há vários nichos de produtos pouco explorados. Entre eles, o executivo destaca os consumidores que gostam de tanquinhos (lavadoras semiautomáticas), outros preferem lavadoras com abertura frontal, lava e seca e até refrigeradores de alto valor, que custam, em média, R$ 25 mil.

Para o diretor de varejo da GfK no Brasil, Fernando Baialuna, marcas chinesas podem se desenvolver mais em mercados emergentes do que em países da Europa, devido à capacidade produtiva da China e aos preços competitivos dos produtos que atraem os consumidores. “Temos ciclos históricos de marcas predominantes. As marcas japonesas foram uma referência, assim como hoje são as coreanas. Recentemente, a Sony deixou o setor de TVs no País. Agora, podemos ver um ciclo de marcas asiáticas por um bom tempo”, afirma Baialuna.

O presidente da Eletros José Jorge do Nascimento observa que, nos últimos 18 meses, o mercado brasileiro de eletroeletrônicos iniciou um ciclo marcado pelo investimento de gigantes chinesas.

Além do grande mercado consumidor potencial de 200 milhões de habitantes reunidos em um único país – o que ocorre em poucos lugares–, Nascimento aponta outros dois fatores que movem as indústrias chinesas para o Brasil.

Com o lockdown para conter a pandemia, o fluxo de mercadorias da Ásia para outros países teve de ser interrompido. Então, as empresas chinesas perceberam que seria preciso espalhar as fábricas pelo mundo para escapar do risco de ter o fluxo de comércio bloqueado.

Outro fator que contribui para o avanço das chinesas é a posição estratégica do País. “Ter fábrica no Brasil pode ser uma oportunidade de exportação para América Latina”, diz o presidente da Eletros.

Quanto aos efeitos que a ofensiva das chinesa pode provocar no mercado, Nascimento diz que as empresas estabelecidas estão acostumadas com esses movimentos. Para ele, o grande beneficiado será o consumidor, que deverá ter uma oferta maior de produtos e com preços agressivos, já que esse é um dos principais traços das empresas chinesas. “Eles (os chineses) devem vir com plano de produtos de altíssima qualidade e com preço competitivos.”

Questionada sobre o avanço das chinesas, a americana Whirlpool, líder em linha branca no País, diz, em comunicado assinado por Gustavo Ambar, gerente-geral e vice-presidente da Whirlpool América Latina, que o foco no consumidor posiciona a operação da empresa no Brasil como a segunda maior no mundo.

“Vemos com naturalidade o interesse de outras empresas em atuar no País, visto a posição estratégica do Brasil no mundo. Permanecemos concentrados em manter a confiança dos nossos consumidores em nossos elevados padrões”, afirma o executivo em comunicado.

Procurada, a Electrolux não se manifestou até a publicação da reportagem.

Reação sul-coreana

Samsung e LG são as grandes marcas da Coreia do Sul que se estabeleceram no Brasil em categorias como televisores, ar condicionado, máquinas de lavar e refrigeradores. Diante da ofensiva chinesa no País, as empresas já reagem ao aumento da competição no mercado.

Mario Sousa, líder da divisão de eletrônicos de consumo da Samsung Brasil, diz que a empresa se prepara para entrar em novos nichos de mercado no País em 2023, com lançamento de fornos, cooktops e coifas. A empresa também renovou seu portfólio de televisores, que agora tem 16 linhas. Neste ano, além de manter no mercado televisores Crystal e QLED, a fabricante trouxe ao País a categoria de TVs OLED, conhecida pela alta taxa de contraste, que antes era dominada pela rival LG. Globalmente, segundo a consultoria Omdia, a Samsung é líder mundial na categoria de televisores há 17 anos.

Sousa se diz confiante diante da ofensiva chinesa. “A concorrência no setor de eletrodomésticos é saudável e demonstra a maturidade do nosso mercado, algo natural em um ambiente em que o consumidor é o maior beneficiado. Entendemos que liderar deve ser mais do que ser o primeiro ou o melhor, mas a consequência de um compromisso constante pela busca da inovação em todos os aspectos de uso dos produtos”, diz o executivo.

A fabricante também aposta na categoria de refrigeradores de alto padrão, com porta frontal dupla (Side by Side). De janeiro a abril deste ano, esse segmento cresceu 21% em receita e a Samsung ampliou a liderança em 5,7 pontos porcentuais em relação ao segundo colocado, na comparação com o mesmo período de 2022, de acordo com dados da GfK. Entre outros produtos para a casa, a empresa vende aspiradores verticais, aspirador-robô e soundbars.

A rival LG também prepara ampliação dos esforços para se manter competitiva no mercado nacional. De acordo com o vice-presidente de vendas ao consumidor da LG do Brasil, Roberto Barbosa, apesar de a empresa não ter planos de entrar em novas categorias de produtos neste ano, já realiza estudos para nacionalizar a produção de refrigeradores.

Entre as promessas de lançamentos para este ano, Barbosa cita um televisor voltado ao público gamer cuja tela pode ser plana ou curva, com apenas o toque de um botão. A proposta é oferecer uma experiência de jogo mais imersiva, assim como acontece em monitores para esse público.

A LG atua nas principais categorias de produtos para a casa, incluindo máquinas de lavar, ar condicionado, refrigeradores e TVs.

“O Brasil está entre as dez maiores operações da LG no mundo. A empresa continua investindo e acredita no País. Quando falamos de produtos do mercado de consumo e corporativo, a sede continua a acreditar no Brasil”, diz Barbosa.

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   14/06/2023

A avaliação do primeiro semestre do mercado de máquinas para construção será apresentada pelo consultor Mario Miranda (foto), coordenador do Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos para Construção, da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), durante o Webinar Sobratema Atualização das Tendências no Mercado da Construção, no dia 27 de julho, a partir das 15h00.

Em dezembro do ano passado, o Estudo Sobratema projetou para 2023 uma elevação da ordem de 4% nas vendas de equipamentos para construção e para a comercialização de máquinas da linha amarela (movimentação de terra).

Em 2022, foram comercializados quase 40 mil equipamentos da linha amarela e, no caso das máquinas usadas na construção, as vendas somaram mais de 65 unidades. À época, Miranda afirmou que estimativa era crível, mas que a indústria estaria preparada para um crescimento maior.

Entretanto, o setor da construção revisou para baixo a sua estimativa de crescimento, passando de 2,5% para 2%, e apresentou queda das atividades nos primeiros dois meses de 2023 em relação ao primeiro bimestre do ano passado, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

O recuo se deve, entre outros fatores, a elevada taxa de juros. Por outro lado, a mineração segue crescendo e o agronegócio puxou a alta do PIB brasileiro no primeiro trimestre deste ano, ao avançar 21,6% no período, maior alta desde o quarto trimestre de 1996, devido a safra recorde e maior produtividade, de acordo com o IBGE.

Durante sua palestra no Webinar Sobratema Atualização das Tendências no Mercado da Construção, Miranda também trará as perspectivas do mercado de máquinas para o segundo semestre.

Os pontos tratados por ele serão discutidos em uma roda de debates, que contará com a participação da economista Andrea Bandeira, da Ex Ante Consultoria Econômica, de Eduardo Lema, diretor da Mills Rental, de Eurimilson Daniel, vice-presidente da Sobratema, e de um representante da área da construção.

Com transmissão pelo Canal da Sobratema no YouTube, o evento online é direcionado para todos os profissionais das áreas da construção, de locação e de equipamentos, fornecedores e prestadores de serviço, instituições financeiras, agentes públicos e representantes de entidades setoriais.

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   14/06/2023

O inimigo do meu inimigo é meu amigo, diz um velho ditado. As coisas estão ficando complicadas no interessante mundo de padrões de carregamento de veículos elétricos — principalmente para empresas como a EVgo que querem ganhar dinheiro com isso.

Para os fabricantes de veículos elétricos, por outro lado, as coisas, na verdade, estão ficando um pouco mais simples. A General Motors seguiu sem demora o exemplo da rival Ford e fechou um acordo com a Tesla para permitir que os veículos da marca GM usem a rede de carregamento rápido da Tesla. Assim como antes, os atuais donos de veículos elétricos da GM vão precisar de um adaptador para usar o tipo de tomada para carregamento da Tesla — conhecida como Padrão de Carregamento Norte-americano (NACS, na sigla em inglês) —, mas os modelos futuros da GM virão com esse tipo de soquete como padrão.

Foi uma boa estratégia de marketing, acalmando as preocupações dos motoristas em relação aos escassos carregadores na estrada e, por tabela, tornando a montadora uma facilitadora do uso de baterias mais baratas e com menor autonomia.

A Tesla, por sua vez, ganha outra grande marca para monetizar com sua rede de carregamento (inclusive por meio de acesso a subsídios) e provavelmente desencadeia uma corrida para tornar o NACS o tipo de tomada dominante nos Estados Unidos (a expectativa é que a Stellantis e outras montadoras adotem o modelo em breve). Como um bônus, o CEO Elon Musk conseguiu satisfazer seu novo hobby favorito, organizar conversas com CEOs adversários no setor automobilístico pelo Twitter Spaces (quem diria que a sinergia da rede social de Musk acabaria sendo... tomadas de carros?).

Apesar da rivalidade, os fabricantes de veículos elétricos têm um interesse comum em atrair motoristas para os modelos fabricados por eles. Esses acordos para compartilhar o uso de carregadores são uma forma de alcançar esse objetivo.

Para empresas como EVgo, ChargePoint e Blink Charging, no entanto, os acordos parecem mais um modo de acabar com elas. Este é um mercado novo, o que significa que há potencial de crescimento: o mais recente prognóstico de longo prazo para veículos elétricos da Bloomberg NEF, divulgado na semana passada, projeta que a atual rede de carregamento rápido da América do Norte com cerca de 16 mil conectores deve chegar a quase meio milhão até 2030 e passar de um milhão até 2040.

Como modelo de negócios, entretanto, o carregamento público de veículos elétricos não é o ideal para os capitalistas de risco. Assim como ocorre com muitas tecnologias limpas, ao contrário da tecnologia convencional, é difícil expandir um negócio que requer a instalação e manutenção de muitos hardwares. Os olhos daqueles em empresas de capital de risco no Vale do Silício começam a se revirar quando sua proposta se direciona para a rapidez com que você pode preparar o terreno para o cabeamento e negociar a demanda de energia com as concessionárias.

Muito dinheiro precisa ser gasto de forma antecipada para atender a uma frota de veículos que está dando seus primeiros passos, ou seja, paciência é mais do que apenas uma virtude aqui. A Tesla construiu sua rede basicamente com barganhas que não lhe rendiam lucros, mas atraiam clientes para criar a demanda por seus veículos, e conseguiu fazer isso em parte devido ao talento incomum de Musk para persuadir os investidores a cobrir seus prejuízos. As três empresas de carregamento mencionadas anteriormente têm um valor de mercado combinado de cerca de US$ 5 bilhões, US$ 550 milhões em caixa e a expectativa de cash burn neste ano e no próximo de mais de US$ 600 milhões. A vida delas já era complicada o bastante. E agora mais essa.

O caminho para conseguir lucrar com carregadores públicos é como o de qualquer produto industrial: conseguir mais gente para usá-los para que não fiquem parados. O início da rentabilidade com serviço depende de muitos fatores, embora eu tenha visto uma estimativa útil de 30%, ou aproximadamente sete horas de carregamento todos os dias. A EVgo, que tende a focar mais no carregamento rápido, disse em sua última divulgação de resultados que cerca de 80% de seus equipamentos tiveram utilização acima de 20%.

Ao fechar acordos com a Tesla, a Ford e a GM (e quem quer que venha depois) dão aos motoristas de seus veículos a opção de usar, de longe, a maior rede de carregamento rápido dos EUA em vez dos carregadores da EVgo e de outras empresas. Além disso, a rede da Tesla também é a mais confiável. Encontrar um carregador público e descobrir que ele não funciona é uma das experiências ridiculamente mais comuns entre os motoristas de modelos elétricos (com a qual, sem dúvidas, me identifico). Um aspecto mais sutil, porém também importante, é que mesmo que o carregador funcione, pode ser trabalhoso conseguir o aplicativo certo ou acionar o controle para iniciar o processo. Os carregadores também variam bastante.

Em parte, todas essas dificuldades refletem o fato de que, tirando os da Tesla, os carregadores públicos dependem da relação perfeita de vários fornecedores — a operadora do carregador, o software para pagamentos, o fornecedor de eletricidade — para funcionar bem. Isso cria inúmeros pontos para possíveis falhas e, portanto, de atrito para os motoristas em um mercado incipiente de veículos elétricos, exigindo a melhor das experiências para o cliente para convencer as pessoas a abrirem mão de seus motores movidos a gasolina.

Assim como aconteceu em antigas guerras de padrões de vídeo, esses acordos suscitam a dúvida quanto a se o NACS vai acabar fazendo desaparecer completamente o Padrão de Carregamento Combinado (CCS, na sigla em inglês), tomada comum entre os carregadores que não da Tesla nos EUA. Isso é algo que vai se desenrolar a longo prazo, sobretudo porque o CCS está incluído em alguns programas de subsídios.

Para as empresas de carregadores públicos, não há nada que as impeça de instalar mais tomadas do modelo NACS, ou adaptadores para elas, um acessório disponível em algumas de suas instalações — como a EVgo chamou a atenção em um tuíte bastante defensivo publicado na noite de quinta-feira (mais sinergia para Musk!). Das três empresas, o modelo da ChargePoint de atender a pontos de recarga independentes, exigindo menos investimento intensivo, pode protegê-la um pouco dessa mudança repentina no horizonte.

No mínimo, porém, a Ford e a GM (e quem mais seguir o exemplo delas) ganharam influência sobre as empresas de carregadores para obrigá-las a melhorar sua credibilidade (leia-se: gastar ainda mais). A última coisa que elas precisavam era uma concorrência mais acirrada com uma gigante de mais de US$ 700 bilhões que coleciona inimigos, e agora inimigos de seus inimigos, com prazer. /Tradução de Romina Cácia

Valor - SP   14/06/2023

Descontos oferecidos por algumas marcas ficaram acima do previsto no programa do governo

Os concessionários de veículos registraram aumento no movimento nas lojas na primeira semana de vigência do incentivo fiscal do governo federal. Mas isso não se deve apenas ao programa, mas também de agressivas promoções que ofereceram abatimentos acima do equivalente aos subsídios. As montadoras aproveitaram a medida para oferecer descontos maiores nos automóveis beneficiados pelo programa e, ainda, incluíram nas promoções modelos que custam acima de R$ 120 mil, que não se beneficiam do programa.

O pacote do governo previa que o incentivos fiscal, concedido à indústria automobilística em forma de créditos tributários, resultaria em descontos de R$ 2 mil a R$ 8 mil. Mas os descontos foram bem acima. Na General Motors os descontos chegaram a R$ 10 mil na linha Onix e até R$ 30 mil na picape S10. A Peugeot reduziu o preço do Boxer Furgão de R$ 237,9 mil para R$ 204,3 mil. Na Caoa Chery, versão do modelo Tiggo5x Pro, que também não se enquadra no programa do governo, teve redução de R$ 10 mil, para R$ 139,9 mil.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estima que cerca de 100 mil a 110 mil automóveis e comerciais leves deverão usufruir dos descontos antes do esgotamento do teto de R$ 500 milhões em créditos de impostos, obtidos pelo governo por meio da reoneração do diesel. A entidade prevê que os recursos vão ser usados bem antes dos quatro meses de prazo calculados pelo governo.

Segundo a Fenabrave, entidade que representa os concessionários, o movimento nas lojas aumentou pelo menos 30%, com casos de até 260%. O aumento da procura não se revela, no entanto, ainda, nos números de emplacamentos.

O licenciamento de carros e comerciais leves no acumulado do mês somou 40,3 mil unidades, segundo a Bright Consulting. É um volume ainda baixo para as projeções feitas pelos especialistas. A Bright mantém a projeção de venda de 182,5 mil unidades carros e comerciais leves em junho. Em maio foram 166,3 mil. O diretor de produtos da consultoria, Murilo Briganti, explica que carros faturados antes do lançamento do programa, dia 6, precisam ser faturados novamente para poder fazer parte do programa. Esse processo ainda está em curso.

Como efeito da redução de preços nos modelos novos, os carros usados também ficaram mais baratos. Segundo a Mobiauto, plataforma de marketplace, os preços dos carros mais simples seminovos -- com até três anos de uso - ficaram, em média, 5,13% mais baixos. A tendência é de queda maior assim que os preços dos novos se formarem, segundo o presidente da Mobiauto, Sant Clair de Castro Jr.

Quem é consorciado também vai se beneficiar. Segundo Luís Toscano, vice-presidente de negócios da Embracon, a carta de crédito concedida antes da redução dos preços dos automóveis ainda não previa o corte. “O consorciado contemplado poderá usar a carta de crédito para quitar o automóvel e utilizar os recursos restantes para pagar pela documentação e até abater as parcelas futuras do consórcio”, destaca.

Além dos carros, o programa do governo prevê recursos para descontos que totalizam mais R$ 700 milhões para renovação da frota de caminhões e mais R$ 300 milhões para ônibus. Nesse caso, a situação é mais complexa. A ideia é tirar veículos com mais de 20 anos de circulação, oferecendo descontos na compra dos novos.

Para a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), o programa representa “um primeiro passo no sentido da recuperação do setor, mas ainda insuficiente”. Segundo a entidade, os critérios precisam ser “ajustados à realidade do setor”.

“A adoção da idade acima de 20 anos para a troca dos ônibus com desconto não se aplica às empresas operadoras brasileiras, cuja frota tem, em média, oito anos, chegando ao máximo de 13 anos em algumas cidades. A NTU estima que, para a redução da média de idade da frota para cinco anos, seria necessário substituir 31,2 mil ônibus em todo o país, ao custo de R$ 23,3 bilhões”, destaca a entidade.

NAVAL

Agência Camara - DF   14/06/2023

Entidades patronais do setor portuário defenderam nesta terça-feira (13) a prorrogação do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto), que vence no final do ano.

A questão portuária foi discutida na Comissão de Indústria, Comércio e Serviços da Câmara dos Deputados a pedido do deputado Helder Salomão (PT-ES). Audiência pública debateu outros pontos do setor, como a privatização de portos e investimentos públicos na área.

Criado pela Lei 11.033/04, o Reporto reduz impostos federais para empresas que importam máquinas e equipamentos utilizados no setor portuário e ferroviário. No ano passado, o Congresso Nacional derrubou um veto presidencial permitindo a prorrogação do benefício até 31 de dezembro de 2023.

“Precisamos urgentemente renovar o Reporto para que a gente continue fazendo os investimentos tão necessários”, disse o diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), Jesualdo Silva. Segundo ele, a prorrogação se torna mais necessária com a reforma tributária em discussão na Câmara dos Deputados (PEC 45/19), que deve elevar a carga tributária das empresas do setor em cerca de 38%.

Privatização
Já entre os representantes dos trabalhadores portuários, a maior preocupação é com privatizações no setor. O principal questionamento foi sobre o modelo de venda da Companhia Docas do Estado do Espírito Santo (Codesa), ocorrido em 2022.

Trata-se da primeira desestatização de uma autoridade portuária, que são instituições públicas responsáveis por gerir os portos públicos existentes em cada estado. Em outros países a privatização restringe-se às operações portuárias, como movimentação de cargas, mantendo a administração do porto sob controle estatal.

“O governo entregou a autoridade portuária, que é o papel do estado brasileiro de conduzir a visão pública do porto, na mão de um ente privado. Essa é a nossa grande discordância”, disse o presidente da Intersindical da Orla Portuária do Espírito Santo, José Adilson.
Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Eduardo Guterra sugeriu grupo de trabalho para analisar a Codesa

Tanto ele como o presidente da Federação Nacional dos Portuários (FNP), Eduardo Guterra, pediram ao secretário nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Fabrizio Pierdomenico, também presente na audiência pública, a criação de um grupo de trabalho para analisar os desdobramentos da privatização da Codesa.

Novos debates
O deputado Helder Salomão defendeu a criação do grupo de trabalho e propôs o aprofundamento da discussão sobre a situação dos portos brasileiros. “Essa Casa precisa realizar outros momentos para debater o tema, visto que a atividade portuária e estratégica para o desenvolvimento nacional”, disse.

O deputado Luis Carlos Gomes (Republicanos-RJ) pediu ao governo Lula que defina o mais rápido possível a sua estratégia para o setor portuário brasileiro. “O setor precisa de uma resposta para ontem”, disse.

PETROLÍFERO

Valor - SP   14/06/2023

Produção dos treze membros da organização caiu 464.000 barris por dia em maio, para 28,07 milhões de barris por dia, informou o cartel

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) acelerou seus esforços para reduzir a oferta do mercado de petróleo em maio, quando vários dos maiores membros do grupo reduziu drasticamente a produção de acordo com os cortes planejados.

A produção dos treze membros da Opep caiu 464.000 barris por dia em maio, para 28,07 milhões de barris por dia, informou o cartel em seu relatório mensal de mercado, citando dados fornecidos por provedores de dados independentes.

A queda sugere que os membros do grupo cumpriram em grande parte uma promessa anunciada em abril de reduzir sua produção coletiva. Mas os números também mostram um aumento na produção de outros membros que não fazem parte do plano, o que pode amenizar o impacto dos cortes nos preços do petróleo.

A Opep e um conjunto de nações aliadas lideradas pela Rússia - conhecidas coletivamente como Opep+ - prometeram em abril reduzir a produção de petróleo em cerca de 1,1 milhão de barris por dia a partir de maio. A Rússia disse que estenderá um já anunciado corte de produção de 500.000 barris por dia.

Os cortes, acordados entre apenas um punhado de membros do grupo e não feitos por meio de seu órgão oficial de tomada de decisão, foram considerados "cortes voluntários.

A Arábia Saudita, líder da Opep e maior produtora, cortou sua produção em 519.000 barris por dia no mês passado, pouco mais do que o corte de meio milhão de barris anunciado. Os Emirados Árabes Unidos também reduziram a produção em 140.000 barris por dia, em grande parte de acordo com os cortes voluntários acordados.

O Kuwait reduziu a produção em 95.000 barris por dia, ficando aquém do corte planejado de 128.000 barris por dia. O Iraque, que havia prometido reduzir a produção em mais de 200.000 barris por dia, viu sua produção aumentar ligeiramente à medida que diminuíam as interrupções no fornecimento em um importante oleoduto.

Ainda assim, o impacto dos cortes nos preços do petróleo pode ser prejudicado, já que os membros do grupo que não fazem parte dos cortes voluntários aumentaram sua produção. Nigéria e Angola, que há muito lutam para cumprir suas metas de produção devido à falta de investimento, aumentaram sua produção em 171.000 barris por dia e 54.000 barris por dia em maio.

O Irã, que está isento do sistema de cotas de produção de petróleo da Opep, aumentou sua produção em 61 mil barris por dia. A Líbia e a Venezuela, dois membros da Opep que também estão isentos e cujas indústrias petrolíferas enfrentam problemas, também viram sua produção crescer.

Separadamente, o grupo de produtores de petróleo deixou suas previsões para a oferta e demanda global de petróleo praticamente inalteradas. Isso significa que o grupo continua esperando um aumento acentuado da demanda no final deste ano, que a oferta terá dificuldade em acompanhar, aumentando a perspectiva de preços mais altos do petróleo.

A Opep espera que a demanda global de petróleo cresça 2,3 milhões de barris por dia este ano, para 101,91 milhões de barris por dia. Enquanto isso, o fornecimento de petróleo de países não pertencentes à Opep crescerá 1,4 milhão de barris por dia, para 72,61 milhões de barris por dia.

O grupo também não fez grandes mudanças em suas previsões para o crescimento econômico global, que continua em 2,6% este ano. A economia da China deverá crescer 5,2% em 2023, enquanto a zona do euro deverá crescer 0,8%, em linha com as previsões anteriores. A exceção foi a economia dos EUA, que a Opep agora espera crescer 1,3% este ano, acima da previsão de 1,2% do mês passado.

IstoÉ Dinheiro - SP   14/06/2023

Os contratos mais líquidos do petróleo fecharam em alta de 3% nesta terça-feira, 13, recuperando boa parte das perdas registradas na segunda-feira. O movimento diante de sinais de possíveis pacotes de estímulos para recuperação econômica da China – renovando expectativas de demanda – e desaceleração na inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA – que enfraqueceu o dólar no exterior, aumentando a atratividade de commodities.

O WTI para julho fechou em alta de 3,43% (US$ 2,30) a US$ 69,42 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para agosto avançou 3,41% (US$ 2,45), a US$ 74,29 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE).

O petróleo abriu a sessão se recuperando das perdas da segunda-feira, na esteira do corte de juros pelo Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) na taxa de empréstimos de sete dias e injeção de 2 bilhões de yuans no mercado financeiro por meio do acordo de compra reversa. Horas depois, o BC chinês anunciou novo corte, desta vez sobre a Linha de Crédito Permanente (SLF, na sigla em inglês).

Segundo a Oanda, o “corte surpresa” sinaliza a investidores que a segunda maior economia do mundo oferecerá estímulo significante para a recuperação econômica, o que pode ampliar a demanda por commodities.

Os contratos mais líquidos aceleraram ganhos ainda pela manhã, após relatório indicar desaceleração na CPI dos Estados Unidos, de 4,9% em abril para 4,0% em maio. “O processo de desinflação continua intacto e isso pode significar que os dias do dólar estão contados, o que daria algum suporte para os preços do petróleo”, avalia a Oanda.

Já o TD Securities analisa que os investidores de petróleo devem aguardar sinais de redução nos estoques da commodity, corroborando visão de aperto na oferta, antes de apoiar “tendência definitiva de preços mais altos”.

A Capital Economics avalia que o relatório divulgado nesta terça pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), reafirmando suas previsões de oferta e demanda, corrobora a visão da consultoria de que “o mercado de petróleo ficará apertado neste ano, empurrando os preços para cima”.

Em relatório, o Commerzbank observa que o governo dos Estados Unidos devem começar a reabastecer suas Reservas Estratégicas de Petróleo (SPR, na sigla em inglês) em agosto, o que deve contribuir para o aperto no mercado de energia.

Valor - SP   14/06/2023

Um dos grandes responsáveis pela mudança climática, pela exploração de fósseis, setor aposta na diversificação com fontes limpas

Roberto Ardenghy, do IBP: setor caminha para o que ele chama de convergência energética, em vez de transição — Foto: Leo Pinheiro/Valor

A indústria brasileira de petróleo e gás natural deverá investir entre US$ 5 bilhões e US$ 6 bilhões nos próximos cinco anos em estratégias de descarbonização, com o objetivo de reduzir suas emissões de gases de efeito estufa. O cálculo é do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) e leva em conta os investimentos anunciados pelas empresas associadas em iniciativas de baixo carbono. O setor, um dos principais responsáveis pelas mudanças climáticas em razão da exploração de combustíveis fósseis, aposta em uma combinação de tecnologias para reduzir a pegada de carbono nas variadas etapas da cadeia produtiva, mecanismos de compensação das emissões e na diversificação das fontes com a ampliação dos investimentos em energias renováveis.

Um posicionamento do setor nessa direção foi lançado em 2021, durante a da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, Escócia. Nele, o setor assumiu o compromisso de reduzir a intensidade de carbono nas atividades de refino, transporte e distribuição de combustíveis, em linha com o objetivo anunciado pelo governo brasileiro na conferência de alcançar a neutralidade climática em 2050. E desdobrou estratégias de descarbonização em seis pilares, a começar pelo mapeamento das emissões das empresas no Brasil, por meio de inventário setorial.

No primeiro levantamento realizado com cerca de 40 associadas do IBP, foram identificados os quatro segmentos que mais emitem nessa indústria: o downstream (logística primária, distribuição, refino e venda) responde por 44% das emissões; o upstream (exploração, extração e produção do petróleo, além do processamento do gás natural), por 35%; as térmicas, 16%; e o midstream (transporte e logística de insumos, petróleo e gás em navios, oleodutos e gasodutos, além do armazenamento), por 5%. A partir desse estudo, o IBP pretende analisar o impacto das emissões em todo o ciclo para definir metas específicas para os diversos elos da cadeia. De acordo com Roberto Ardenghy, presidente do IBP, o setor caminha para o que ele prefere chamar de convergência energética, em vez de transição - uma vez que não existe o plano, nas próximas décadas, de o mundo abdicar dos combustíveis fósseis.

A perspectiva mais realista, segundo cálculos da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), prevê que o mundo deve passar de um consumo estimado em 100 milhões de barris/dia para algo entre 57 milhões e 60 milhões de barris/dia. Há segmentos em que a substituição de fósseis por alternativas renováveis é ainda mais difícil, como nos combustíveis de aviação e navegação de longa distância. Além disso, o Brasil quer subir do posto de nono maior produtor mundial para a quinta posição - significa saltar de 3,5 milhões de barris/dia para 5,2 milhões de barris/dia até 2031.

As projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam que o consumo de derivados de petróleo no Brasil deve partir dos 43% da matriz energética em 2015 para 40% em 2050, em um cenário de crescimento médio do PIB de 3% ao longo do horizonte do estudo; já para o gás natural, a estimativa é sair de 7% para 8%, na mesma base de comparação. Ou seja, o consumo de energia fóssil deve cair, mas não de forma drástica. “O desafio dos próximos anos é ter as diferentes fontes de energia convergindo para uma pegada de descarbonização”, diz Ardenghy.

Relatório lançado em maio pela IEA mostra que reduzir pela metade as emissões do setor até 2030 será primordial para se alcançar o objetivo do Acordo de Paris, que é evitar que a temperatura do planeta se eleve acima de 1,5 ºC. As operações de produção de petróleo e gás respondem por 15% de todas as emissões globais relacionadas ao setor de energia e, segundo a agência, seriam necessários investimentos de US$ 600 bilhões pelos próximos oito anos em cinco áreas prioritárias para reduzir a intensidade de carbono dessa indústria. Isso equivale a uma fatia de 15% dos lucros líquidos registrados pelas empresas de petróleo em 2022, ano de alta rentabilidade no setor.

Entre as ações indicadas pela agência estão corte em emissões de metano, eliminação da queima em “flare” nas plataformas, eletrificação das operações no segmento upstream com fontes de baixa emissão, ampliação de tecnologias de captura e armazenamento e uso do carbono (CCUS) e do hidrogênio verde nas refinarias.

Essas medidas, combinadas com redução no consumo previstas no cenário, resultariam em queda de 60% nas emissões do setor até o fim da década. Seria uma contribuição expressiva: segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da ONU, as emissões globais precisam cair 45% até 2030, em relação aos índices de 2019, para se evitar os cenários mais drásticos.

“Sair de uma economia pautada em energia fóssil para a economia de baixo carbono vai levar décadas. Existe a dependência do petróleo e a transição requer políticas de incentivo e investimentos públicos e privados”, diz Guarany Osório, professor e pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGVCes). Junto a parceiros, o centro é responsável pela primeira iniciativa local de medição dos gases de efeito estufa nas empresas, o Programa Brasileiro GHG Protocol, criado em 2008. Desde então, a adesão de companhias à mensuração de suas emissões de gases do efeito estufa saltou de 23 inventários em 2008 para 671 em 2021. O número de empresas e organizações participantes cresceu de 23 para 305, no mesmo período.

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