Novas ligas e compostos substituem o aço

 

Correio do Povo - RS, 29/01

Não há setor imune à crise que se alastra e bate à porta das montadoras e seus fornecedores. Um desses segmentos é o da fundição, das empresas que produzem peças forjadas em aço, como blocos de motor, pistões, rodas ou componentes para sistemas de suspensões. No Salão de Detroit, Joseph Carpenter, do Departamento de Energia do governo norte-americano, havia dito à imprensa que 'a crise global acentua a demanda por carros melhores'. Segundo ele, 'isso significa que o consumidor vai querer veículos com maior valor agregado, mas que sejam econômicos e que não custem mais'. O valor agregado podia ser visto pelos corredores de Detroit nos equipamentos disponíveis em modelos que também são comercializados no Brasil, como o Dodge Journey ou o Chevrolet Captiva. Eram DVDs de painel e teto, sistemas de infoentretenimento mais complexos e acabamento externo mais sofisticado.
Outro exemplo é a forma exuberante e criativa das lindas rodas de aros 18'ou 20'que equipam a nova geração dos crossover. E rodas são fundamentais na harmonia do design de um automóvel. 'Todos estes equipamentos adicionam peso ao veículo', explicou Carpenter. Ele observou que, desde 1985, o peso dos modelos produzidos nos Estados Unidos só tem aumentado, devido, principalmente, à inclusão dos novos equipamentos. 'Maior peso exige mais energia para movimentar o veículo e a consequência é o maior gasto de combustível', frisou. O representante do governo dos EUA questionou se 'ao invés de investir bilhões de dólares na pesquisa de novas tecnologias em motores, não seria mais racional pesquisar e desenvolver materiais mais leves substitutivos do aço'.
Carpenter deixou as forjadoras e aciarias em estado de alerta, porque o aço pode ter sua participação reduzida no automóvel em um futuro próximo. 'Já temos as ferramentas virtuais e a tecnologia disponível para melhorarmos o design dos veículos relacionando-o à performance otimizada', disse. Ele citou como exemplo a adoção de coeficientes de penetração aerodinâmica cada vez mais baixos, que resultam em economia de combustível. Mas de nada adiantará melhorar a aerodinâmica se não houver a redução do peso. Isto pressupõe o uso de materiais mais leves, como as novas ligas em magnésio ou alumínio. Conforme Walter de Silva, designer da Volkswagen, estas ligas são moldáveis e até mais resistentes que o aço, mas ainda custam mais que o metal. 'À medida que novas ligas e compostos vão sendo desenvolvidos para a indústria automobilística, há redução deste custo', ressaltou. Ele citou o caso da difusão do uso do alumínio na linha Audi, que resultou em carros muito mais performáticos, porque leves e resistentes às torções laterais e longitudinais. 'O futuro é dos materiais compostos', concluiu o designer.

CP MEMÓRIA

A Audi trocou o aço pelo alumínio, tornando os carros mais performáticos, leves e resistentes às torções

RENATO ROSSI | Enviado especial a Detroit

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Importadores lamentam nova exigência de licenças prévias

 

DCI, 28/1

Profissionais de comércio exterior e analistas ficaram inconformados com a decisão, anunciada na noite de segunda-feira, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que passou a exigir licenças prévias de importação para 17 setores, entre eles plásticos, borracha, ferro e aço, bens de capital, máquinas, aparelhos elétricos, trigo, entre outros produtos. Segundo os representantes, a medida tem um cunho protecionista elevado que, ainda por cima, trava a importação de itens importantes para o País, como bens de capital.

A justificativa é que o ministério quer que o importador identifique minuciosamente o que está sendo importado, para saber o que está entrando no mercado brasileiro. O prazo legal da licença prévia é de 60 dias, mas o governo garante que vai liberá-la automaticamente.

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Mdic, por meio de nota, "esse é um procedimento usual no comércio internacional para fins de monitoramento estatístico. A decisão não implica pagamento de quaisquer taxas e nem na necessidade de as empresas importadoras encaminharem documentos à Secex. Uma vez registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), as licenças de importação (LIs) serão liberadas em até 10 dias", informa.

Para o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (Abimei), Thomas Lee, o governo deveria ter refletido melhor sobre a decisão. "Eu acho que foi uma decisão precipitada. A intenção do governo é proteger os empregos do mercado interno, mas ele deve dificultar a importação de bens de consumo, pois eles que podem prejudicar os empregos. Agora não deveria afetar os meios de produção".

O representante alega que a importação de bens de capital é um aliado da indústria nacional, pois contribui para o reaparelhamento fabril. Esse fato, segundo ele, reforça a competitividade brasileira no exterior.

Contra o argumento do ministério de que a medida atende apenas fins estatísticos, Lee diz que a medida é protecionista. "Tenho esperança que mais tarde eles passem a pensar melhor e corrijam esses pequenos problemas. Eles já têm todas as estatísticas. O objetivo é o protecionismo, mas precisa tomar cuidado para que o tiro não sai pela culatra", ataca.

O presidente acrescenta que a crise leva a uma tendência mundial de busca pela proteção de seus mercados internos, porém, defende que a medida seja melhor debatida. Segundo ele, o governo ainda desistirá da decisão.

Para Celso Cláudio de Hildebrand e Grisi, professor da FEA-USP a medida foi mal-calculada. "Essa é uma conduta listada como protecionismo. Um mecanismo absurdo e péssimo. Tende a provocar grandes retaliações de parceiros nossos em nossas exportações. Além disso, sinaliza a comunidade internacional que mudados nossa política comercial", ataca. Para o acadêmico, essa ação afetará também os investimentos estrangeiros. "Imagine se eu fizer uma fábrica aqui e não pude importar meus insumos. Isso abala os custos de produção e distribuição", afirma.

Para Grisi, o governo tem que revogar a medida. "Ele queria proteger as contas externas, mas não foi bem avaliado as conseqüências dos setores e empresas", conclui.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, manifestou ontem, pessoalmente ao Ministro Miguel Jorge, a quem acompanha em missão oficial do Ministério do Desenvolvimento ao norte da África, sua discordância à decisão de exigir, de forma indiscriminada, licença prévia para a importação de bens e insumos.

Segundo Barbato, esta medida agravará ainda mais a já crítica situação das empresas fabricantes de produtos eletroeletrônicos.

Em Argel, onde se encontra a missão, o presidente da entidade enfatizou que não é possível entender que, por razões de aperfeiçoamento do controle estatístico, se coloque em risco a produção da indústria. "Esperamos a revogação imediata desta medida, pois o setor produtivo não pode pagar mais este preço por mais um descontrole do governo".

Para o assessor jurídico da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), Ricardo Rodrigues, a medida não foi determinada como de costume, com a inclusão de uma portaria ou decreto. "Considero que a medida foi um pouco precipitada. O comércio internacional é uma mão de via dupla. Quem quer exportar necessita importar certos produtos", afirma. Segundo o representante, se trata de mais uma burocracia que pode causar atraso nas importações.

ROBSON GISOLDI

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Revogada medida que exige licença automática para importação de produtos

 

Departamento de Comunicação Inda,  29/1

Indústria já comemora decisão anunciada na última quarta-feira

A partir de hoje (29/1), está suspensa a exigência da Licença de Importação para produtos dos 24 capítulos da nomenclatura do Mercosul, que constavam na medida que entrou em vigor no último dia 26. A decisão foi tomada em conjunto pelos ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Fazenda.
Com a revogação da medida, a importação de todos os produtos desta lista – que inclui o aço – volta a ser feita como antes, ou seja, quando a importação for registrada no sistema, não será solicitada a licença automática, conforme explicou o ministro interino do MDIC, Ivan Ramalho, durante coletiva de imprensa.
Em nota, a ABINEE (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) comemorou a decisão. Para a entidade, “o governo demonstrou sensibilidade às reivindicações das indústrias, entendendo as dificuldades que a medida estava ocasionando e, que se não fosse revogada, causaria danos irreparáveis ao comércio exterior do setor eletroeletrônico”.

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Arcelor pode estar de saída do Brasil

 

Estado de Minas, 27/1

Rumores no mercado são de que a maior fabricante de aço do mundo vai vender seus ativos para a Usiminas

A ArcelorMittal, maior fabricante de aço do mundo, poderá se desfazer de suas empresas no Brasil, entre elas ArcelorMittal Tubarão (antiga CST), ArcelorMittal Aços Longos (Belgo), ArcelorMittal Vega (Vega do Sul) e ArcelorMittal Inox Brasil (Acesita), por causa da retração de demanda decorrente da crise financeira global. Há fortes rumores de que a gigante mundial da siderurgia teria oferecido seus ativos à Usiminas, 11º no ranking industrial brasileiro, com faturamento de R$ 18,5 bilhões, mas também estariam na lista dos potenciais compradores a italiana Techint e a chinesa Baosteel. Ainda não se sabe o volume de dinheiro que estará envolvido no negócio, se ele vier a se concretizar. Mas caso o martelo seja batido, a Usiminas se transformará numa gigante responsável pela produção de 50% dos aços longos e de 60% a 70% dos aços planos fabricados no país.

“A CST foi oferecida à Usiminas pela Arcelor Mittal, que também está propondo o fechamento de outros ativos no Brasil”, afirmou ao Estado de Minas uma fonte do setor siderúrgico que preferiu não se identificar. Segundo essa mesma fonte, o negócio provocaria um aumento de concentração de mercado “monstruoso” no país e, por isso, poderia não ser visto com bons olhos pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Ontem, a assessoria de imprensa da ArcelorMittal afirmou desconhecer qualquer negociação nesse sentido. A Usiminas não confirmou à reportagem se está interessada na compra de ativos de qualquer natureza.

O presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Cristiano da Cunha Freire, afirma que não sabe se os rumores são verdadeiros, mas confirma que muito se fala sobre o assunto. “Os ativos da ArcelorMittal no Brasil são muito bons. Além da Usiminas, outras siderúrgicas podem estar interessadas neles”, diz. A CST é fabricante de placas e bobinas a quente, a Belgo produz aços longos e a Vega do Sul bobinas a frio e galvanizado. “A Vega do Sul está numa excelente posição geográfica para a Usiminas, hoje centralizada em Minas e em São Paulo. Com a CST, a empresa ganharia um porto em Vitória. A Usiminas tem caixa e a oportunidade pode estar surgindo em meio à crise”, observa.

No início de janeiro, o presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, afirmou que a retração da demanda por aço nos três últimos meses de 2008 chegou a 30%. Por isso, hoje a prioridade da siderúrgica, maior fabricante de aços planos do Brasil, é assegurar mercado. Pedro Galdi, analista de investimentos em siderurgia da SLW Corretora, acredita que os ativos adquiridos pela ArcelorMittal no Brasil são estratégicos e não vê motivos para que o grupo se desfaça deles. “A ArcelorMittal comprou a Belgo e a CST por um preço estratégico. A CST tem um dos menores custos de produção do mundo”, afirma Galdi. Já a Belgo, segundo ele, é a segunda maior empresa de aços longos do Brasil, com ramificações em países vizinhos. “Há muitas razões que levam uma empresa a se desfazer de seus ativos, mas esse não seria o caso do ponto de vista estratégico”, sustenta. Luciana Leocádia, analista de investimentos do setor na Ativa Corretora, também questiona a capacidade da Usiminas de comprar todos os ativos supostamente oferecidos pela Arcelor. “O mundo está passando por uma crise de crédito. A soma de ativos é muito grande”, pondera.

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Fiat compra participação de 35% na americana Chrysler

 

Exame - SP, 29/1

A Nippon Steel anunciou que comprará da Vale uma participação de cerca de 5,9% na Usiminas. Com a transação, a participação da siderúrgica japonesa no capital votante da Usiminas subirá de 23,3% para 29,2%, disse a Nippon Steel. A companhia afirmou que, com esse aumento, espera atender melhor seus clientes na América do Sul. A edição desta quinta-feira do jornal "Nikkei" informa que a Usiminas está investindo o equivalente a cerca de 1 trilhão de ienes (US$ 11,116 bilhões) para atingir uma produção de 14 milhões de toneladas de aço em 2011, metade da atual capacidade de produção da Nippon Steel. O jornal diz ainda que a demanda por aço deve crescer no Brasil e em outras economias emergentes no longo prazo, e que a Nippon Steel está buscando se aproximar da Usiminas a fim de se posicionar para atender a esses mercados. As informações são da Dow Jones.

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Produção de aço bruto sofreu redução de 0,2% em 2008

 

DCI, 28/1

A produção brasileira de aço bruto em 2008 foi de 33,7 milhões de toneladas, representando redução de 0,2% em relação a 2007, segundo o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS). Essa retração deveu-se principalmente às quedas de produção registradas em novembro e dezembro em decorrência da baixa demanda de praticamente todos os grandes setores consumidores. Em relação aos laminados, a produção de 2008 foi de 24,7 milhões de toneladas, representando queda de 4,5% em relação ao ano anterior.

Quanto às vendas internas, o resultado do ano foi de 21,8 milhões de toneladas de produtos, crescimento de 6% sobre o ano anterior, que refletiu a boa performance do setor até outubro, quando o crescimento acumulado foi de 14,4%.

As exportações de produtos siderúrgicos de 2008 atingiram 9,3 milhões de toneladas no valor de US$ 8,1 bilhões. A queda no volume das exportações (- 10,9%) deveu-se principalmente a prioridade das empresas para o atendimento ao mercado interno devido ao forte crescimento observado até o 3º trimestre. A receita das exportações, que representou aumento de 21,1%, foi decorrente principalmente dos elevados níveis de preço do mercado internacional naquele período.

No que se refere às importações, registrou-se o volume de 2,6 milhões de toneladas (US$ 3,7 bilhões).

O consumo aparente nacional de produtos siderúrgicos foi de 24,0 milhões de toneladas em 2008, 9,1% acima de 2007. O consumo de produtos planos de 13,9 milhões de toneladas representou crescimento de 4,1%, enquanto para longos (10,1 milhões de toneladas) o aumento foi de 16,9%, refletindo o acelerado crescimento do mercado observado até outubro, principalmente na área da construção civil. Em ambos, no entanto, refletindo a mudança de cenário da economia e a baixa demanda dos setores consumidores, observou-se forte queda nos dois últimos meses do ano.

PanoramaBrasil

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