Acelere sua carreira com o Curso de Especialização em Vendas de Aço

 

Departamento de Cursos INDA, 20/5/2009

Já estão abertas as inscrições para o curso INDA de Especialização em Vendas de Aço. A especialização é parte integrante da Certificação OMA - Operador do Mercado de Aço e é voltada para profissionais da área de vendas e compras de aço que desejam conhecer, aprender e se certificar sobre o mercado de vendas industriais.
Com duração de 32 horas, o curso visa a informar os participantes sobre a situação atual do mercado, as novas forças de concorrência e a venda baseada em valor; ensinar conhecimentos avançados da venda industrial, além de familiarizá-los com o gerenciamento do relacionamento com o cliente e com a qualidade do serviço.

Para mais informações entre em contato com o INDA pelo telefone 11 2272-2121 (falar com Joice) ou envie um e-mail para joice@inda.org.br. As inscrições também podem ser feitas diretamente pelo site www.inda.org.br. Acesse a página do INDA na Internet e conheça este o os outros cursos oferecidos pelo Instituto.

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Produção dá sinais de recuperação

 

Jornal do Commercio - RJ, 18/5/09

As vendas e produção de aço no Brasil registraram avanços em abril sobre o mês anterior, em um possível sinal de recuperação gradual de um setor impactado pela queda no consumo de produtos como automóveis e máquinas. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) divulgados na sexta-feira, as vendas de produtos siderúrgicos em abril no País subiram 2,2% sobre março, para 1,2 milhão de toneladas. Enquanto isso, a produção teve ligeira melhora de 0,1% na mesma comparação, para 1,7 milhão de toneladas. Para o instituto, o desempenho "reflete um início de recuperação no mercado interno".

Mas, no quadrimestre, as vendas de 4,3 milhões de toneladas representam queda de 42,5% em relação a igual período do ano anterior. De janeiro a março as grandes siderúrgicas do País amargaram quedas consideráveis de lucro diante de tombo na demanda. A produção de aço laminado em abril no País somou 1,5 milhão de toneladas, alta de 11,5% na comparação com março e queda de 33,8% ante um ano antes.

"Com esses resultados, a produção acumulada no primeiro quadrimestre totalizou 6,7 milhões de toneladas de aço bruto e 4,9 milhões de toneladas de laminados, o que significou quedas de 41,7% e 43,3% respectivamente sobre o primeiro quadrimestre de 2008", informa o IBS.

A CSN divulgou na véspera queda de 52% no lucro do primeiro trimestre e informou que espera redução de 20% nas vendas em 2009. A rival Usiminas informou também que espera o mesmo percentual de retração nas vendas, depois de sofrer prejuízo de R$ 112 milhões nos três primeiros meses do ano.

As exportações de produtos siderúrgicos em abril somaram 653,4 mil toneladas, num total de US$ 359,7 milhões. O volume exportado foi 22,3% superior a março, enquanto a receita cresceu 7,1%. As exportações do primeiro quadrimestre totalizaram 2,1 milhões de toneladas e US$ 1,4 bilhão, representando queda de 40,24% em volume e de 41,3% em valor quando comparado a igual período do ano anterior.

Alberto Alerigi Jr.
Da agência Reuters

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País busca desatar nós e conquistar a China

 

DCI, 19/5/09

O Brasil começa uma semana decisiva para o futuro do comércio com seu mais importante parceiro: a China. Hoje, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inicia uma visita oficial àquele país, depois de ter passado pela Arábia Saudita, e terá com ele um grupo de empresários brasileiros de vários setores. Na pauta, estão acordos sobre financiamento para exploração de petróleo na camada pré-sal, pela Petrobras, o fechamento de um contrato de venda de 25 aviões pela Embraer e a adoção de moeda local nas trocas comerciais, sem o dólar.

Ansiosas por aproveitar oportunidades de negócios, mais de 40 empresas e entidades setoriais brasileiras acompanham o presidente, entre elas companhias como Petrobras, Vale, Marcopolo, Randon, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Sadia, Perdigão e Avibras.

O encontro de Lula com o presidente chinês, Hu Jintao, promete ser abrangente, já que incluirá não apenas o comércio e o investimento bilateral, mas também questões políticas. No mês passado, a China ultrapassou os Estados Unidos como principal destino das exportações brasileiras.

Quanto aos acordos sobre petróleo, especialistas afirmam que podem ser positivos para as duas partes. “A China entraria com o capital e em troca receberia pagamento em petróleo”, disse Paulo César Ribeiro Lima, consultor legislativo da Câmara dos Deputados. “Por parte da Petrobras e do governo brasileiro, é importante viabilizar alguma fonte de financiamento no momento de retração de crédito”, afirmou Walter de Vitto, economista da Tendências Consultoria. “Mas vai depender dos termos da troca. É preciso olhar para a frente, e o Brasil precisaria mitigar os riscos futuros desse investimento. Existe interesse, mas a conversa é preliminar, é preciso acompanhar os testes em Tupi”, acrescentou. Fontes do governo chinês falam em financiamentos de até US$ 15 bilhões para exploração do pré-sal.

Para o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), presidente do Parlamento Brasil-China, a ausência do marco regulatório e a exploração do pré-sal ainda em fase inicial não são obstáculos para um acerto. “Esses acordos acontecem com uma declaração de intenção entre os países, não precisa aguardar a definição de marco regulatório e ativação da produção, isso já cria uma expectativa”, frisou. “Essa é maior comitiva que o governo Lula leva à China, superando a da viagem anterior, feita em 2004. A expectativa é de que isso se converta em negócios”, afirmou o deputado.

Outro ponto importante na agenda na China é o da qualidade das exportações brasileiras — atualmente, 70% dessas exportações são bens como soja e minério de ferro, enquanto 60% das exportações brasileiras aos EUA são de manufaturados. “Em comparação com os EUA, o risco é não diversificarmos nossas exportações por nos tornarmos demasiado dependentes dos mercados chineses, e isso não é bom para ninguém”, disse o secretário de Co mércio Exterior, Welber Barral.

China e Brasil concordam sobre a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas o governo brasileiro quer ainda o apoio da China em sua batalha por um assento permanente na instituição. Além disso, o investimento da China no Brasil em 2008 foi de US$ 38 milhões, o que, segundo diplomatas brasileiros, estaria “abaixo do potencial”. Os dois países também têm um acordo para lançamento de satélites e compartilhamento de imagens, e outros dois satélites devem ser lançados em breve. O presidente Lula está esperançoso de que seja assinado acordo entre instituições financeiras brasileiras e o China Development Bank; acordo para cooperação em comércio; protocolo para combater crimes transnacionais; e um acordo entre o China Development Bank e a Petrobras. “Esperamos mostrar aos chineses o nível atual de desenvolvimento no Brasil para tentar assinar um acordo de participação em projetos de infraestrutura, aeroportos, petróleo e gás”, disse Lula.

O presidente deve aproveitar a viagem para pedir às autoridades chinesas que acelerem a concessão de licenças fitossanitárias aos frigoríficos brasileiros, para impulsionar as exportações de carne. A comitiva de Lula também tentará fechar um acordo para a exportação de 25 aviões da Embraer, no qual “só falta a assinatura do governo chinês”, segundo o ministro Miguel Jorge.

Outra aposta do governo brasileiro são os fundos de investimento em participação. A Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) está na China na tentativa de trazer investimentos. A entidade irá indicar oportunidades do mercado brasileiro de infraestrutura para gestores de recursos de fundos de pensão e de investimentos da China. Segundo a Abdib, China e Brasil lideram a lista de preferência dos fundos de investimento internacionais entre os mercados emergentes — conforme indica pesquisa da Empea (Associação de Fundos de Investimento para Mercados Emergentes, na sigla em inglês). A China liderou o ranking, pelo segundo ano consecutivo, como o destino mais atrativo para investimentos nos próximos 12 meses. O Brasil, por sua vez, subiu da quarta para a segunda posição. A pesquisa ouviu 156 fundos de investimento, dos quais 78% planejam destinar mais recursos a investimento em economias emergentes nos próximos cinco anos.

Os debates devem abordar também questões menos consensuais, como a exportação de produtos têxteis ao Brasil. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) não quer correr o risco de ver o setor virar moeda de troca nas negociações. Segundo fonte ouvida pelo DCI, o governo brasileiro se comprometeu a não “rifar” nenhum setor industrial para facilitar acordos com a China. “Juntamente com os bens de capital e siderurgia, o setor têxtil é um dos que mais vêm sendo afetados pela crise. O que reivindicamos é o retorno do acordo que estipulava cotas de exportação e que não foi renovado. Sem ele, a China despeja mercador ia no Brasil”, contou o deputado e integrante do Parlamento Brasil-China Rodrigo Rocha Loures, (PMDB-PR).

Em carta encaminhada pela Frente Parlamentar Mista para o Desenvolvimento da Indústria Têxtil e de Confecção Brasileira ao presidente Lula, o setor mostra números preocupantes: no primeiro quadrimestre de 2009 as importações brasileiras de vestuário provenientes da China cresceram 83% enquanto as importações do resto do mundo cresceram 22%. A produção na indústria têxtil e de confecção no Brasil recuou entre janeiro e março, 13,6%, se comparada à do mesmo período do ano passado.

O Ministério do Desenvolvimento informou que o Memorando de Entendimento sobre o Fortalecimento da Cooperação em Comércio e Investimentos entre o Mdic e o Ministério do Comércio chinês firmado em 2006, expirou em dezembro de 2008 e que “está previsto que ocorram novas tratativas sobre o comércio de têxteis e vestuários durante a reunião”. Outro assunto em pauta é a eliminação do dólar nas relações comerciais entre a China e o Brasil, para que sejam utilizados o iuane e o real no comércio bilateral. “Por que dois importantes países como China e Brasil têm que usar o dólar como referência, ao invés de sua própria moeda?”, questionou Lula.

“É maluco que o dólar seja a referência e que se dê a um único país o poder de imprimir essa moeda”, afirmou o presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, Charles Tang. Segundo Tang, os chineses devem crescer 8% este ano, “e o dever do Brasil é ‘colar’ neles, aproveitar todos os interesses de investimento e aprender a conquistar oportunidades de crescimento global”. Para ele, os investimentos chineses beneficiam muito mais o Brasil, com geração de empregos, aumento das linhas de crédito e desenvolvimento. Já a China irá ganhar um grande aliado econômico e um novo mercado para substituir os mercados em queda.

No sábado, o vice-ministro de Relações Exteriores, Li Jinzhang, disse que o governo de Pequim espera que o Brasil cumpra o compromisso assumido em 2004 e reconheça formalmente a China como uma economia de mercado. Em entrevista a jornais brasileiros, Li afirmou ainda que a China buscará acordos de livre- comércio com países da América Latina, região em que amplia sua influência política e econômica.

Arábia Saudita

Como parte de seu giro no exterior, o presidente chegou sábado a Riad, na Arábia Saudita, maior comprador de produtos brasileiros do Oriente Médio. Lula assinou, no mesmo sábado, novos acordos com o rei da Arábia Saudita, Abdullah Bin Abdulaziz Al Saud, que abrangem “todos os setores econômicos, como o petrolífero, industrial, de investimentos e turismo”. Segundo o Itamaraty, os acordos incluem ainda o desenvolvimento científico, tecnológico, hídrico, elétrico e de infraestrutura, o que abriria caminho para empresas brasileiras e pessoas físicas interessadas em entrar em projetos bilionários que a Arábia Saudita planeja em seu território. No setor de energi a, os dois países firmaram cooperação em projetos petrolíferos, de gás, de mineração e de petroquímicos. Também foi incluído o setor de alimentos, em que o Brasil já possui grandes negócios com o governo saudita, como na área de produtos agrícolas e pecuários.

O governo brasileiro quer ampliar o volume de comércio com o país árabe. Pelo acordo, brasileiros e sauditas deverão “estimular a expansão e a diversificação de suas relações comerciais, incluindo o intercâmbio de bens e serviços”. Brasil e Arábia Saudita também assinaram acordos de cooperação em áreas de infraestrutura para o desenvolvimento de ferrovias, transportes, aviação, construção de estradas, telecomunicações, energia e tratamento e reciclagem de lixo.

O presidente Lula manifestou ontem a empresários sauditas o desejo de reforçar os laços entre Brasil e Arábia Saudita em todos os âmbitos comerciais. Ele fez um discurso, depois da reunião da Câmara Saudita do Comércio e da Indústria de Riad (CSCIR), no q ual defendeu a intensificação dos contatos e das visitas de empresários dos dois países. Lula destacou que Brasil e Arábia Saudita “estão decididos a trocar opiniões” e a realizar consultas para fortalecer a cooperação e os laços que unem as duas nações.

Segundo o assessor especial da Presidência, Marco Aurélio Garcia, a visita de Lula à Arábia Saudita “destravou” as negociações visando a um acordo de livre-comércio entre o Mercosul e as nações do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC, na sigla em inglês). “Um bem-sucedido acordo entre o Mercosul e o Conselho de Cooperação do Golfo dará novo impulso ao nosso comércio bilateral”, afirmou Lula.

O esforço diplomático de aprofundar o comércio entre o Brasil e a Arábia Saudita foi comemorado por membros da comitiva de 52 empresários brasileiros levados ao Oriente Médio e à Ásia. Um dos satisfeitos, embora cauteloso, era Marcelo Lyra, vice-presidente de Relações Institucionais e Desenvolvimento Sustentável da Braskem, a ma ior petroquímica da América Latina. Diretamente interessado nas negociações Mercosul-GCC, Lyra entende que o livre-comércio com os árabes pode ser um bom negócio, desde que os governos fomentem parcerias entre empresas, dividindo o mundo em “regiões de influência”. “O ambiente pode ser positivo para os dois lados, desde que não cause prejuízos a setores já consolidados.”

Na volta, o presidente Lula faz uma parada na Turquia, na quarta-feira, com objetivo de apresentar ao governo turco a experiência do País com biocombustíveis e de abrir aquele mercado ao produto.

Karina Kappi/ Patrícia Acioli/ Agência Estado

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Montadora chinesa confirma instalação no Brasil

 

Diário do Comércio, 19/5/09

A maior montadora chinesa, Chery, confirmou, nesta terça-feira, que instalará uma fábrica no Brasil para a produção de até 150 mil veículos por ano.

A informação foi confirmada pelo secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Ivan Ramalho, durante um seminário empresarial em Pequim que faz parte da agenda da visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país.

A produção da Chery no país deverá ser limitada inicialmente ao modelo A3.

A montadora estaria estudando possíveis locais para a instalação da fábrica nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais ou Ceará.

A decisão deverá ser tomada nos próximos dois meses, quando seria iniciada a construção da fábrica. A produção de veículos começaria até 2012.

Petrobras

A visita de Lula à China tem como um de seus principais objetivos a ampliação do comércio entre os dois países e a atração de mais investimentos chineses ao Brasil.

Entre os acordos que deverão ser anunciados nesta terça-feira à tarde durante o encontro entre Lula e o presidente chinês, Hu Jintao, está a aprovação de um financiamento bilionário do CDB (China Development Bank) à Petrobras, para auxiliar na exploração do petróleo pré-sal.

Além disso, a Petrobras negociava a venda de até 200 mil barris de petróleo por dia à estatal chinesa Sinopec.

Os termos finais dos acordos, fechados apenas às 6h30 desta terça-feira (19h30 de segunda em Brasília), após longas negociações, deverão ser confirmados oficialmente apenas no final da tarde, após o fechamento das Bolsas asiáticas.

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, se disse "satisfeito" com a conclusão dos acordos.

Carne

Em outra das negociações comerciais para a abertura do mercado chinês para a carne brasileira - vistas como prioritárias durante a visita - houve um acordo para a eliminação de barreiras à venda de carne de aves, mas ainda há um impasse em relação ao comércio de bovinos e suínos.

A venda de carne de aves brasileiras à China já era permitida, mas o governo brasileiro reclamava da demora na concessão de licenças de importação, que na prática impediam o comércio do produto.

Os dois lados então, negociaram para diminuir a burocracia nesse comércio.

O maior interesse do Brasil, no entanto, é a abertura do mercado chinês para a venda de carnes de porco, já que os chineses consomem cerca de 40% da produção mundial do produto.

Mas como contrapartida à importação de carnes brasileiras, a China exigiria a abertura do mercado brasileiro para a venda de tripas.

Com relação às carnes bovinas, uma pequena quantidade de carne brasileira já é exportada à China, mas algumas barreira s fitossanitárias, impostas após as suspeitas de casos de febre aftosa em alguns Estados brasileiros, impedem a ampliação desse comércio.

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Petrobras quer ajuda de parceiros para arrendar sondas para o pré-sal

 

Gazeta Mercantil, 21/5/09

A negativa da Agência Nacional de Petróleo (ANP) em conceder mais prazo para a Petrobras concluir a avaliação dos blocos do pré-sal forçou a empresa a procurar ajuda junto aos sócios privados na contratação de sondas de perfuração. O gerente-executivo responsável pelo pré-sal da Petrobras, José Formigli, admitiu que a empresa terá de devolver "pedacinhos ou pedaços" do cluster de Santos à União caso não tenha tempo para declarar comercialidade de cada descoberta do pré-sal.

Formigli disse que a Petrobras será capaz de cumprir os prazos apertados porque vai deslocar equipamentos e embarcações de outras áreas menos urgentes para o pré-sal. E o esforço deverá se estender aos seus parceiros nas áreas de Santos que começam a ter prazos vencendo no ano que vem. A idéia é arrendar as sondas com os parceiros para ter mais chances de conseguir os contratos de afretamento. "Quando contratamos pela Petrobras podemos usar o equipamento onde quisermos. Por meio do consórcio será uma contratação focada, emergencial", explicou. Entre os sócios no pré-sal, estão a BG, Galp e a Shell.

A empresa deve declarar comercialidade de Tupi até 2010. Os blocos são enormes e as empresas podem ter dificuldades de declarar comercialidade de todas as áreas, segundo analistas. A Petrobras já devolveu 50% dos blocos que originaram os campos de Tupi, Iara, Iracema, Guará, Carioca, Iguassu, Bem-te-vi e Parati. Indagado sobre a possibilidade de haver boas reservas nas áreas devolvidas, Formigli provocou risos. "Nunca responderemos isso".

A Petrobras terá até 2013 para encerrar a fase exploratória de parte do BM-S-11. O primeiro prazo é 2010. Para o BM-S-9, os prazos são 2011 e 2012, dependendo do campo. O prazo do BM-S-10 vence em 2011 e o do BM-S-21 termina em dezembro de 2012.

A Petrobras e suas parceiras pediram extensão de quatro anos para declarar a comercialidade, mas a reguladora negou na semana passada. As regras da reguladora foram elaboradas antes do advento do pré-sal e, portanto, estariam defasadas para abranger a exploração destas áreas, que são muito maiores do que as praticadas no setor durante a elaboração das normas.

"Os prazos imaginados quando os contratos foram assinados levavam em conta outro cenário, com uma perspectiva de sucesso. Só que as descobertas foram muito maiores do que se imaginava, o que gerou uma dificuldade maior para se delimitar as áreas. Com os volumes anteriores, era muito mais fácil fazer essa delimitação", disse Formigli, durante o XXI Forum Nacional, promovido pelo Instituto Nacional de Altos Estudos, sob os cuidados do ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso.

"A ANP já tinha aceitado o prazo de avaliação pedido pela Petrobras. Além daquele prazo solicitado, a Petrobras pediu mais tempo e a agência verificou que não poderia. O BM-S-8, esse sim teve seu plano estendido por mais dois anos", co ntou Nelson Narciso na semana passada. O bloco inclui a descoberta do campo de Bem-te-Vi.

A petrolífera Shell pode ser uma parceira de peso na corrida para manter as áreas no pré-sal. A empresa já perfurou 1,5 mil poços no pré-sal em todo o mundo, conforme disse o presidente da empresa, Vasco Dias. A empresa já extraiu 6 bilhões de barris desta fronteira e atualmente produz 300 mil barris nos campos localizados abaixo da camada de sal.

Também no fórum Nacional, o diretor de planejamento do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social, João Carlos Ferraz, informou que calcula investimentos de US$ 5 bilhões até 2011 por parte dos fornecedores da indústria do petróleo para atender à demanda da Petrobras. "A necessidade de equipamentos é monumental, mas nossa indústria de equipamentos, infelizmente, não é das melhores", disse Ferraz. "Se é necessário mais tempo, que seja dado mais tempo aos fornecedores", afirmou. A preocupação do executivo é que a indústria não se capacite a tempo de atender à demanda da Petrobras, abrindo espaço para importações em massa de máquinas e serviços. E a estatal corre para cumprir prazos.

(Sabrina Lorenzi)

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Submarino pode sair daqui a 12 anos

 

O Estado de S. Paulo, 18/5/09

Marinha já encontrou terreno para sediar estaleiro que vai construir o primeiro modelo nuclear do Brasil


A Marinha do Brasil já encontrou o lugar ideal para a construção do complexo industrial naval de onde deve sair, em pelo menos 12 anos, o primeiro submarino nuclear brasileiro. Trata-se de uma área de 95 mil metros quadrados encravada na Ilha da Madeira, às margens da Baía de Sepetiba, litoral sul do Rio. A Marinha negocia a cessão do terreno, próximo ao Porto de Itaguaí, com a Companhia Docas, atual proprietária, enquanto faz os últimos ajustes no projeto. Se forem obtidas as licenças ambientais, serão erguidos ali a nova base da Força de Submarinos da Marinha, que atualmente fica em Niterói, e um estaleiro de grandes proporções, capaz de abrigar as dimensões da futura linha de produção da prioridade número um da Marinha.

No caminho para desenvolver o casco do submarino nuclea r, a Marinha vai construir quatro submarinos convencionais, de propulsão diesel-elétrica, do modelo francês Scorpène. Eles integram o pacote do acordo militar assinado entre Brasil e França no fim de 2008, durante a vista do presidente francês, Nicolas Sarkozy, ao Brasil. Vão se juntar à atual frota nacional de cinco submarinos da classe Tupi, construídos com tecnologia alemã.

O convênio de transferência da tecnologia do Scorpène também contempla o financiamento de um grupo de instituições financeiras francesas para todo o projeto, cujo valor ainda não foi fechado. É o que falta para que a Marinha comece a executar o plano. "Atualmente estamos na fase de pré-planejamento, acompanhando as discussões contratuais", disse ao Estado o almirante de esquadra reformado José Alberto Accioly Fragelli, convocado em setembro pelo comandante da Marinha, Júlio de Moura Neto, para coordenar o Programa de Desenvolvimento do Submarino com Propulsão Nuclear.

Ex-chefe do Estado Maior d a Armada, Fragelli negociou a compra do porta-aviões São Paulo da França, em 2000. Empolgado com a retomada da construção de submarinos brasileiros - o último, Tikuna, saiu do Arsenal de Marinha em 2006 - ele explica que a troca da plataforma alemã pela francesa é o passaporte para o casco do veículo nuclear.

Além de ter sensores e sonares mais modernos do que os Tupi, o Scorpène tem o formato arredondado inspirado no nuclear francês, o que favorece a operação a profundidades maiores. O que muda no caso do nuclear é o tamanho. Enquanto o convencional tem 6,3 metros de diâmetro e desloca 1,4 mil toneladas, o nuclear precisará de 9 metros para abrigar o reator nuclear e deslocar 6 mil toneladas.

Por isso a Marinha decidiu construir um novo estaleiro, já que o do Arsenal de Marinha, na Baía de Guanabara, não pode abrigar a linha de montagem de um casco tão grande. Fragelli acredita que as formalidades do financiamento e as licenças ambientais serão definidas ainda es te ano. Assim, o complexo naval e o primeiro Scorpène poderão começar a sair do papel no primeiro semestre do ano que vem. Dois anos depois, entra em construção simultânea o segundo. O terceiro e o quarto, iniciam os trabalhos com intervalo de um ano e meio. Mantido o cronograma, o primeiro sairá do estaleiro em 2015 e o último em 2021.

O cone de proa do primeiro Scorpène começará a ser produzido na França, enquanto são feitas as obras do estaleiro onde ele deverá ser finalizado com os módulos de aço do casco fabricados pela Nuclep, unidade industrial da Marinha que fica próxima ao local escolhido na Baía de Sepetiba. A construção da primeira unidade servirá de "universidade" para os engenheiros do centro de projetos mantido pela Marinha na Universidade de São Paulo (USP). Um grupo passará pelo menos um ano na França estudando a fabricação do casco do Scorpène para começar a projetar o veículo nuclear brasileiro. "O projeto do submarino nuclear será totalmente brasileiro. Com o conhecimento que absorveremos da França com os convencionais vamos projetar inteirinho o casco do nosso submarino para o reator que já desenvolvemos", ressalta Fragelli.

Só a concepção do projeto do casco vai consumir cinco anos. Por isso, apesar da prioridade que o submarino alcançou com a Estratégia Nacional de Defesa diante do incremento previsto na exploração de petróleo na costa brasileira com a descoberta do pré-sal, o submarino nuclear ainda é uma questão de tempo. Se começar a ser construído em 2015, talvez possa sair do estaleiro em 2022.

O casco é agora o maior desafio tecnológico do programa nuclear da Marinha, que começou pelo mais difícil. O reator, as turbinas e os geradores já estão prontos no Centro Experimental de Aramar, no interior paulista, aguardando o início de uma bateria de testes. "É uma premissa da engenharia de submarinos, principalmente no caso nuclear: nenhum equipamento pode ir ao mar sem antes ser testado muito bem", disse o contra-almirante Alan Paes Leme Arthou, superintendente de engenharia do programa.

Também em Aramar, a Marinha enriquece urânio desde 2008, mas só completará em maio do ano que vem todo o ciclo de produção do combustível numa linha que será exclusiva do submarino nuclear.

Alexandre Rodrigues

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