ArcelorMittal adia investimento de US$ 2,5 bi na Ucrânia

 

Exame, 13/3/09

A ArcelorMittal Steel Krivoi Rog, ou Kryvorizhstal, subsidiária da ArcelorMittal na Ucrânia, adiou um programa de investimento de US$ 2,5 bilhões em sua fábrica no país, em consequência da desaceleração econômica global, segundo uma porta-voz da empresa.

"Nós explicamos às autoridades que vamos obedecer nossas obrigações de investimento de longo prazo, mas tivemos de adiar a conclusão do plano durante o período de crise", afirmou a porta-voz.

Uma pessoa próxima ao governo ucraniano disse à agência de notícias Dow Jones que o Estado não vai tentar obrigar a empresa a implementar o programa, que faz parte de um acordo de privatização que pretende modernizar a maior produtora de aço do país, aumentando sua eficiência no consumo de energia e aperfeiçoando sua relação com o ambiente.

Nos dois primeiros meses deste ano, a Kryvorizhstal produziu 697 mil toneladas de aço, uma redução de 44,8% em relação à produção do mesmo mês do ano passado. A Kryvorizhstal era uma companhia estatal até 2005, quando foi comprada pela Mittal Steel, que mais tarde se fundiu à Arcelor para criar a maior siderúrgica do mundo em volume e receita. As informações são da Dow Jones.

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CSN paralisa alto-forno de usina

 

JB Online, 18/3/09

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou ontem que vai paralisar no próximo dia 22 o segundo alto-forno da usina de Volta Redonda (RJ). Responsável por 40% da produção da usina, o equipamento entrará em manutenção por um período de aproximadamente 49 dias. A empresa informou que a parada estava prevista originalmente para o no ano passado, mas a demanda mundial por aço aquecida levou a direção a adiar a paralisação. A siderúrgica vai aproveitar o momento de retração do mercado internacional para iniciar os trabalhos de manutenção.

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IBS defende espaço mais curto entre reuniões do Copom

 

O Popular – GO, 18/3/09

O Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) defende que o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), se encontre a cada 15 dias para decidir sobre a taxa báscia de juros, a Selic. Na última reuniao, a taxa ficou em 11,25% ao ano. Segundo Marco Polo Mello Lopes, vice-presidente do IBS,o espaço entre as reuniões devem ser mais curtos, ao menos no momento atual.

- O consumo de aço só voltará a crescer este ano se houve uma forte redução da Selic para aumentar os investimentos. Além disso, o crédito precisa ser reestabelecido - disse Lopes.

Em fevereiro deste ano, a produção de aço bruto chegou a 1,7 milhão de toneladas, queda de 39% em relação ao mesmo período do ano passado e alta de 2,29% em relação a janeiro de 2009.

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Cresce pressão por proteção à indústria

 

Folha de S. Paulo, 15/3/09

Calçados, siderurgia, têxtil e petroquímica estão entre setores que levaram ao governo demandas contra estrangeiros.

Para economistas, a adoção de medidas temporárias é compreensível, uma vez que o mundo inteiro tem feito o mesmo para se proteger


Há algumas semanas, a Braskem encaminhou à Casa Civil um documento no qual pedia ajuda do governo à indústria petroquímica brasileira. Entre outros pontos, o setor se preocupava com um possível avanço das indústrias árabe e chinesa no mercado brasileiro.

Segundo o documento, "a cadeia petroquímica brasileira é frágil à ameaça internacional, sobretudo com a "sobra" iminente [de oferta]. O "inimigo" está lá fora, e a crise pode ser uma grande oportunidade para o país se tornar líder global".

A área petroquímica não foi a única a bater à porta do governo. Com o acirramento da crise, vários setores têm pedido a criação de algum tipo de barreira, proteção ou ajuda contra o avanço dos estrangeiros.
"Enquanto o mercado de calçados brasileiro teve uma leve retração, as importações da China aumentaram 47% em dezembro e 16% em janeiro", diz Milton Cardoso, presidente da Vulcabras/Azaleia e da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados).

A Vulcabras/Azaleia anunciou, na semana passada, férias coletivas a 1.600 funcionários. É a segunda vez nos últimos meses. "Pedimos ao governo medida antidumping [contra os calçados chineses], já que o quadro atual requer uma ação de emergência", diz Cardoso.

As siderúrgicas brasileiras também têm se preocupado com o avanço do aço chinês no mercado nacional e já levaram a demanda ao governo. Entre 2007 e 2008, as importações de produtos siderúrgicos da China cresceram quase 56%.


Excesso de oferta

Segundo economistas ouvidos pela Folha, a adoção de medidas que protejam a indústria nacional não é considerada absurda, uma vez que o mundo inteiro tem feito o mesmo.

"Na verdade, eu diria que é uma medida totalmente necessária", diz Julio Sérgio de Almeida, professor da Unicamp. "Temos de evitar a concorrência desleal."

A origem do problema, dizem economistas, é o excesso de oferta, causado pela retração no consumo global. Sem poderem vender nos mercados tradicionais e sem quererem carregar estoques, as indústrias oferecem a produção em países com grande mercado consumidor, por preço cada vez menor. O Brasil é um deles.

"É compreensível a reação das empresas nacionais porque o mundo todo tenta nos enfiar seus produtos goela abaixo", diz Marcos Fernandes, professor de economia da FGV.

Para especialistas e alguns setores da indústria, em muitos casos está havendo dumping -a venda de mercadorias por preços inferiores aos de produção. Uma das alternativas apontadas por Almeida é a valoração aduaneira, que envolve a taxação por peso ou preço mínimo.

"É necessário aumentar enormemente as equipes técnicas para fiscalizar a entrada dos produtos", diz Almeida.

Nas contas de Cardoso, há hoje, por exemplo, calçados importados (com o dólar a R$ 2,30) com 30% de desconto sobre os preços cobrados em junho de 2008, quando o dólar valia R$ 1,60. "Não há fundamento econômico que justifique esse desconto", diz.

O problema, no entanto, é que foram essas práticas que ajudaram a aprofundar a recessão de 1929. Os economistas avaliam, porém, que o protecionismo e o nacionalismo tendem a ser menores. Hoje, muitas empresas brasileiras dependem de importados.

"As medidas de proteção são necessárias, mas não se pode taxar todos os produtos da mesma maneira", diz Márcio Utsch, presidente da Alpargatas, que produz algumas de suas marcas na China.

Na opinião de Utsch, a tarifa antidumping poderá resultar em pressão sobre a inflação e em perda de arrecadação. O mesmo discurso é ouvido em outros setores.

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Pacote ainda não saiu e já ganha críticas

 

Gazeta Mercantil,19/3/09

Depois de três meses de espera pelo pacote de habitação, o presidente da Câmara da Construção Civil (CBIC), Paulo Safady, disse que o governo jogou uma balde de água fria no projeto inicial que previa um programa habitacional com metas estabelecidas para até 20 anos.

O objetivo seria reduzir o déficit habitacional, hoje ao redor de 8 milhões de moradias. Segundo Safady, o governo agora pensa em lançar o que chamou de projeto emergencial para este ano, sem metas nem para 2010.

O presidente da CBIC já não acredita que o pacote seja lançado este mês. "Sinto que o pacote não será mais um projeto de longo prazo. Será algo improvisado", disse Safady, interlocutor do governo na área privada. A previsão de fontes do governo é que a medida seja anunciada na próxima segunda-feira.

Em janeiro, o governo falou ainda em criar 1 milhão de moradias em dois anos para a baixa renda, com renda mensal entre dois e cinco salários mínimos. Hoje, já se fala em atender a pessoas com renda de zero a 10 salários mínimos, lembrou Safady.

Medidas confusas

Para Safady, o projeto ficou muito confuso. "Hoje tenho dúvida se haverá o fundo garantidor e desoneração de tributos", sublinhou. "Esse projeto só vai existir quando o presidente Lula anunciar, colocar em prática", declarou ele.

Safady foi o primeiro a levantar, em janeiro, expectativas de que o governo anunciaria um programa de longo prazo para o setor habitacional. Agora é o primeiro a desacreditar nas expectativas criadas. De acordo com o executivo, a mudança do discurso do governo, no que se refere à construção civil, decorre da forte queda do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, no último trimestre de 2008, de 3,6%.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse, na semana passada, que o governo não mais desoneraria tributos para o setor da habitação. Minutos depois, ele corrigiu a informação por intermédio de sua assessoria de imprensa, de que não haveria desoneração apenas para o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Melvyn Fox, afirmou que vai insistir para o governo voltar atrás e zerar o IPI para os materiais de construção civil. Estudos feitos pela Abramat indicam que medidas como esta devem criar 700 mil postos de trabalho em toda a cadeia da construção civil, que emprega hoje cerca de 9 milhões de pessoas

Fox defenderá ainda a contrapartida dos estados, de desonerar o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) e dos municípios, de desonerar o Imposto sobre Transmissão de Bens e Serviços (ITBI), também para a matéria-prima.

As medidas para estimular a construção civil estão sendo aguardadas com grande expectativa pelo setor de material de construção, que depois de ter tido crescimento recorde em 2008, despencou no início deste ano. As vendas da indústria de materiais caíram 18,47% no primeiro bimestre de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado.

"O governo teria que abrir mão de pelo menos R$ 1,1 bilhão em arrecadação este ano para o setor. Essa cifra não é importante se considerarmos os R$ 700 bilhões arrecadados em todo o ano passado", declarou Fox, que espera que o pacote seja anunciado na próxima segunda-feira.

A ideia inicial é que a maior parte dos empreendimentos a serem construídos este ano seja destinada à renda de até três salários mínimos, no total de 400 mil unidades habitacionais. Dentre as medidas anunciadas até então pelo governo, estavam a desoneração de tributos para materiais da construção civil, criação de um fundo garantidor com objetivo de reduzir o risco de crédito para o setor de baixa renda e o aumento do teto do financiamento de R$ 350 para até R$ 600 mil. Na lista constava ainda o fim da exigência de fiador na linha de crédito para compra de materiais de construção civil, administrada pela Caixa Econômica Federal (CEF). Paralelamente, a medida permitiria que lojas varejistas pudessem conceder diretamente essa linha de crédito, para não depender apenas das operações feitas pela CEF, consideradas burocráticas.

Segundo Fox, o governo disse que a baixa renda terá juro subsidiado de 4% a 5% anuais. Fox avisou que, sem os estímulos, a produção de matérias de construção civil este ano pode estagnar ou crescer apenas 1%. Com os benefícios, a taxa poderia ser de até 5%, completou.(Gazeta Mercantil/Relatorio - Pág. 1)(Viviane Monteiro)

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