Produção de aço no Japão sofre recuo de 38% em janeiro

 

JB Online, 18/2/09

A produção de aço no Japão caiu 38% em janeiro, atingindo seu pior nível nos últimos 40 anos devido à queda na demanda provocada pela crise conômica mundial.

De acordo com a Federação Japonesa de Ferro e Aço, a produção no país caiu para 6,37 milhões de toneladas. As fábricas no Japão estão cortando a produção na tentativa de ajustar os estoques depois da repentina queda na demanda de grandes clientes, como a Toyota, maior montadora do mundo, por exemplo.

Todas as grandes siderúrgicas japonesas, como a Nippon Steel e a JFE Holdings, projetam prejuízo nas operações do quarto trimestre fiscal (com término em 31 de março deste ano).

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Crise atinge com força a Gerdau nos EUA

 

Valor Econômico,19/2/2009

A recessão atravessada pela economia americana atingiu com força os negócios do grupo siderúrgico Gerdau nos Estados Unidos e no Canadá, reduzindo drasticamente a demanda pelos seus produtos e inaugurando uma fase de grande instabilidade no processo de expansão internacional do grupo brasileiro.

A Gerdau ampliou sua presença no mercado americano com uma série de aquisições nos últimos anos. Isso permitiu que o grupo crescesse mais rapidamente que outras siderúrgicas brasileiras, mas tornou-o mais vulnerável diante da crise atual.

Os EUA e o Canadá foram responsáveis por um terço do faturamento do grupo Gerdau e um quarto dos seus lucros nos primeiros nove meses do ano passado. Os resultados do último trimestre serão divulgados hoje e devem refletir a desaceleração sofrida pela indústria americana desde o fim do ano, preveem analistas do mercado financeiro.

Procurada para discutir a situação do grupo nos EUA, a Gerdau preferiu não se manifestar. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, seus executivos só poderiam dar entrevistas após a divulgação do balanço de 2008.

As duas subsidiárias do grupo na América do Norte, a Gerdau Ameristeel e Gerdau Macsteel, anunciaram nos últimos meses o afastamento de cerca de 800 trabalhadores, o equivalente a um décimo da sua força de trabalho. Em janeiro, uma usina da Macsteel, em Michigan, suspendeu sua produção por tempo indeterminado.

Executivos do grupo disseram ao sindicato que representa os funcionários da Gerdau na América do Norte que não tem condições de prever quando será possível chamar de volta os trabalhadores afastados, num sinal da profundidade da crise que atingiu o setor e das incertezas que envolvem sua recuperação.

A siderurgia americana produz atualmente pouco mais de 1 milhão de toneladas de aço por semana, metade do que produzia há um ano, de acordo com o Instituto Americano do Ferro e do Aço, principal associação do setor. Apenas 45% da capacidade de produção existente nas usinas tem sido usada, o nível mais baixo registrado na indústria desde a década de 80.

As usinas estão sofrendo com a redução da demanda na construção civil e na indústria automobilística, que juntas absorvem mais da metade do aço feito nos EUA. Os estoques disponíveis em centros de distribuição de produtos siderúrgicos são suficientes para atender ao mercado americano por mais de três meses se a demanda continuar retraída como hoje.

Isso significa que vai demorar para que as usinas voltem a produzir em ritmo mais acelerado, e a situação poderá continuar difícil mesmo depois que as encomendas voltarem. Analistas do banco suíço UBS estimam que a demanda por produtos siderúrgicos nos EUA neste ano será 30% menor do que a observada no ano passado.

As siderúrgicas americanas tiveram resultados exuberantes no ano passado, mas todas apresentaram números ruins no último trimestre e preveem dificuldades nos próximos meses. Analistas do Deutsche Bank calculam que a produção das principais siderúrgicas americanas poderá diminuir 15% neste ano.

Mas as usinas da Gerdau poderão estar entre as primeiras a serem beneficiadas pela retomada da demanda quando os pedidos voltarem. O grupo tem 21 usinas nos EUA e no Canadá e produz aço em fornos elétricos que usam sucata como matéria-prima e podem ser reativados mais rapidamente do que os alto-fornos de siderúrgicas maiores. "Usinas menores como as da Gerdau provavelmente vão absorver boa parte da demanda nos estágios iniciais da retomada", diz John Packard, um analista que acompanha de perto a indústria. A Nucor, principal concorrente da Gerdau no mercado americano, também usa fornos elétricos em suas usinas.

Executivos da Gerdau Ameristeel tem apontado outra vantagem em conversas com analistas. Pouco endividada, a empresa acredita ter fôlego financeiro para enfrentar a turbulência. As dívidas contraídas com as aquisições mais recentes do grupo só começam a vencer em 2011, quando os economistas acreditam que a fase mais aguda da crise atual terá sido superada.

A Gerdau também poderá ser beneficiada pelo pacote de estímulo econômico proposto pelo presidente Barack Obama. O plano destina US$ 787 bilhões a cortes de impostos e investimentos com o objetivo de tirar a economia americana da recessão e reserva US$ 150 bilhões para pontes, estradas e outras obras públicas que precisarão de aço para sair do papel.

Barreiras protecionistas incorporadas ao pacote restringem o uso de aço importado nos projetos financiados pelo plano e as usinas americanas acreditam que ele poderá estimular bastante a demanda do setor. Mas vai levar tempo para executar esses projetos e a maior parte dos gastos só será realizada a partir de 2010, o que deve enfraquecer seu impacto imediato para empresas como a Gerdau.

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China diz que não aceitará preço diferente para minério

 

DCI, 10/2/09

A China não aceitará preços diferentes para o minério de ferro do Brasil e da Austrália por causa das taxas de frete, como ocorreu no ano passado, disse o secretário-geral da Associação de Aço e Ferro da China (Cisa), Shan Shanghua. Segundo ele, as siderúrgicas do país querem voltar ao preço de referência único, como nos anos anteriores.

"Haverá um único preço para todos", disse Shan. "Não levaremos os custos de transporte em consideração. É uma questão de equilíbrio da competição". No ano passado, as mineradoras negociaram preços diferentes tomando como base os custos variáveis das diversas rotas de transporte.

Depois de a brasileira Vale ter conseguido reajustes que variaram de 65% a 71%, as australianas Rio Tinto e BHP Billiton conseguiram um aumento médio de 85%. Ambas disseram que os reajustes devem refletir o custo mais baixo do transporte do minério australiano para as siderúrgicas asiáticas. O sistema foi ainda mais ameaçado quando a Vale tentou extrair um aumento de mais 10% no meio do ano passado, que não foi obtido por causa da deterioração da crise do crédito e da desacelaração da economia chinesa.

A Cisa também deverá retomar uma tentativa anterior de fazer com que seus membros sigam uma política de preços uniforme quando venderem minério de ferro importado sob contratos de longo prazo no mercado à vista, disse Shan. Segundo essa política, as siderúrgicas que queiram vender minério de ferro em excesso no mercado à vista podem cobrar apenas uma taxa de serviço de 3% a 5%. A medida tem como objetivo manter os preços à vista sob controle, principalmente nesta época de negociação das cotações de referência para o contrato do próximo ano fiscal.

Quando os preços à vista do minério dispararam em relação às cotações de referência no início do ano passado, as siderúrgicas chinesas venderam o minério de ferro que sobrava no mercado à vista, obtendo lucros elevados. As informações são da Dow Jones.

Fonte: Agencia Estado - Marcílio Souza

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Queda de 35% em pedidos de bens de capital

 

Jornal do Commercio – RJ, 19/2/09

A entrada de novos pedidos para as indústrias do setor de bens de capital - um dos que mais sofrem com a crise econômica - caiu 35% nas três primeiras quinzenas deste ano ante igual período de 2008, de acordo com o acompanhamento da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). "Algumas empresas, principalmente às ligadas a óleo e gás e à Petrobras, ainda mantêm o ritmo de novos pedidos, mas em outras, como nas áreas de açúcar e álcool, cimento, mineração e siderúrgica, a queda é assustadora", disse o presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto.

O acompanhamento quinzenal feito pela entidade aponta ainda que a queda no faturamento do setor segue em torno de 14% em relação ao ano passado, como foi apontado em janeiro. Já as demissões somam 8 mil, um recuo de 3,5%.

Aubert voltou a cobrar uma "atitude cirúrgica" do governo federal, com ações pontuais de desoneração tributária de PIS/Cofins, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na produção e na compra de matérias-primas. "Com isso, os preços nossos cairiam de 20% a 25%, já que o Brasil é o único País do mundo que tributa investimentos em bens de capital", afirmou.

O presidente da Abimaq lembrou que as medidas apenas fariam com que os créditos, hoje devolvidos em parcelas desses impostos, fossem trocados por isenções. "Não pedimos para o governo abrir mão da arrecadação, porque PIS/Cofins o governo já dá o crédito em 12 vezes e o ICMS, em 48 vezes", disse. "Será um problema de fluxo de caixa e não de arrecadação, mas isso preserva emprego e a massa salarial, que fazem a economia girar", completou.

críticas. Aubert criticou a falta de ação do governo em relação às sugestões apresentadas por entidades da indústria de base nas duas reuniões do grupo de acompanhamento da crise. "Há uma lentidão total nas decisões, pois fomos duas vezes às reuniões de acompanhamento, iremos à terceira, no começo de março, mas o governo ouve e não sai nada", disse o presidente da Abimaq.

Além da desoneração tributária dos investimentos, o setor pediu ainda a liberação, por quatro meses, do uso do cartão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o pagamento e o parcelamento de impostos, e a autorização para que cada R$ 1 do BNDES emprestado pelos bancos, fossem liberados R$ 2 do compulsório dos agentes financeiros, "o que irrigaria o crédito e baixaria a taxa de juros", concluiu Aubert.

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Protecionismo argentino pode acabar na OMC

 

O Globo, 19/2/09

O governo brasileiro avalia que este ano deve voltar ao campo de batalha com a Argentina. E não descarta ir à Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar as medidas antidumping aplicadas a diversos produtos brasileiros, como pneus de bicicleta, tecidos de poliéster e talheres de aço inoxidável, e ao Tribunal Arbitral do Mercosul, na tentativa de derrubar a exigência de licenças não-automáticas a itens que incluem os segmentos de linha branca, eletroeletrônico, siderúrgico e calçadista.

Esse contra-ataque só será decidido após o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, em 23 de março, em São Paulo. Lula dirá a Cristina que pior que uma retaliação é ser negligenciado pelo Brasil. Tudo dependerá da manutenção ou não das restrições às mercadorias brasileiras.

A Argentina quer colocar em prática o Mecanismo de Adaptação Competitiva (MAC), aprovado em 2006, mas ainda não regulamentado. Ele prevê alta de tarifas e cotas em caso de surto de importações. O Brasil lembra que também poderia adotar esse mecanismo.

Em reunião na última terçafeira, no Itamaraty, o Brasil advertiu os argentinos que, mantido o protecionismo, os investimentos brasileiros no país vizinho devem minguar. Recentemente, a Argentina decidiu tributar investimentos com o Imposto sobre o Patrimônio, o que consumiu de empresas brasileiras cerca de US$ 100 milhões.

Governo traça estratégia contra ‘Compre América’ Além disso, o governo brasileiro parece ter encontrado uma solução para contestar na OMC a cláusula “Compre América” do pacote americano, que exclui as importações de aço do Brasil em projetos de infraestrutura financiados com recursos públicos. Uma hipótese é tentar provar que a medida não trata de compras governamentais, mas de aquisições do setor privado realizadas via subsídios.

Essa discriminação, pelo Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt), não poderia ser feita. Para o especialista Francisco Todorovi, do escritório Trench, Rossi e Watanabe, tratase de um caminho possível.

A advogada Paula Azevedo concorda. Segundo ela, foi com essa linha que o Brasil ganhou, na OMC, uma ação contra os EUA em que questionava os subsídios aos produtores de algodão.

Fontes do governo afirmam que os estudos ainda estão no início e que é preciso observar a implementação da medida. Essa cautela será adotada pelo ministro chanceler Celso Amorim em seu encontro com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, quarta-feira, em Washington. Um dos objetivos da reunião é preparar a visita de Lula aos EUA, em março.

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