Importações chinesas de minério de ferro e cobre atingem recorde

 

Gazeta Mercantil, 13/05/2009

A China realizou no mês passado compras recordes de minério de ferro e cobre no mercado internacional e triplicou as importações de alumínio. Além disso, a China importou mais aço do que exportou apesar de ser o maior produtor mundial do metal. Os compradores aproveitaram preços baixos de algumas commodities para repor estoques e a demanda foi estimulada pelo programa de incentivo econômico do governo chinês, de US$ 585 bilhões.

A China importou um recorde histórico de 57 milhões de toneladas de minério de ferro em abril, alta de 9% em relação há um mês e de 33% ante abril de 2008, segundo a Administração Geral de Alfândegas. O números indicam que a China está produzindo menos minério de ferro devido ao alto custo de produção interno frente a minas australianas, brasileiras ou indianas.

Os dados da alfândega também mostram que a China importou quase 900 mil toneladas de aço bruto, marcando o segundo mês seguido em que a entrada superou a saída no país, que é um exportador de aço desde 2005.

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Os bons sinais estão de volta

 

ISTOÉ Dinheiro, 08/05/2009

O salto nas exportações brasileiras neste início de ano serviu como um dos mais consistentes sinais de retomada da economia. Muitos passaram a acreditar que a recuperação de um cenário de crescimento, no ritmo da pré-crise, virá antes do esperado. Enquete do Banco Central revelou, por exemplo, que analistas já estão revendo cálculos e estimam agora que o PIB do Brasil em 2009 encolherá menos do que previam anteriormente. O Prêmio Nobel de Economia Edmund Phelps, que esteve em um seminário em São Paulo na semana passada, classificou como “brilhante” o futuro do Brasil. O ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros cravou que o País passou no teste e vive “um momento extraordinário”. Não deixa de ser promissor o fato de o mundo voltar a comprar, e muito, do Brasil. A tal ponto acontece o desembarque que mesmo a bolsa de valores e as cotações do real não param de dar pulos às nuvens. Os números que dão base a essa nova expectativa decerto enchem os olhos. A balança comercial registrou no primeiro quadrimestre de 2009 um saldo de US$ 6,7 bilhões, correspondente a uma alta de 49,4% sobre o mesmo período do ano passado. Atente para o marco: em plena temporada de mercados internacionais encolhidos, muitos até em recessão, o Brasil conseguiu um incremento de quase 50% no seu desempenho de vendas lá fora neste início de ano sobre 2008, que era considerado um ano extraordinário. Se analisado apenas o resultado do mês de abril, a balança ficou positiva em US$ 3,7 bilhões, o que é o melhor desempenho dos últimos 11 meses. As consequências vieram a galope. O fluxo cambial teve o maior saldo do semestre. Seu superávit ficou, em abril, na casa do US$ 1,43 bilhão e o colchão de reservas nacionais rompeu o teto de US$ 205 bilhões. Na ponta da indústria, o IBGE já começa a perceber uma certa reação positiva, com expansão de 4,8% na produção no primeiro trimestre. O instituto definiu como “recuperação suave” essa resposta do parque fabril. Mas, independentemente da alcunha que se dê, é recuperação e ponto. Com ela, como apontou há alguns dias o jornal britânico Financial Times, o Brasil pode assumir seu lugar como um dos dois emergentes mais fortes do planeta.

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Os limites da oportunidade do IPI

 

JB Online – RJ, 11/05/2009

Contração de dívidas, inadimplência e queda brusca futura do consumo são alguns riscos

Gabriel CostaLuisa Girão

A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) já afetou os padrões de consumo e vendas de automóveis, eletrodomésticos e materiais de construção, mas isso pode significar um golpe futuro na economia nacional. Especialistas advertem que as pessoas devem tomar cuidado com a euforia do consumo, que pode gerar problemas de endividamento e inadimplência mais à frente. Além disso, o fim do prazo dessas medidas pode acarretar uma queda acentuada do consumo.

Redes varejistas estimaram crescimento de cerca de 25% nas vendas de eletrodomésticos da linha branca até hoje, no Dia das Mães. Se o setor automobilístico não manteve o bom desempenho dos meses anteriores no mês passado, ainda registra vendas 0,14% superiores ao período entre janeiro e abril do ano passado.

– Não estamos falando de comprar uma calça de R$ 50. São itens de valor mais elevado. Uma redução de 5% ou 10% faz diferença – diz Gilberto Braga, professor do Ibmec-RJ e especialista em finanças. – Temos o risco não só de um desequilíbrio momentâneo, mas de um comprometimento no longo prazo por contração de dívidas.

O economista explica que o perigo é maior no longo prazo, em um cenário de crise, pela possibilidade de surgirem fatores inesperados que dificultarem os pagamentos. Segundo Braga, mesmo setores que não sofrem impacto direto da turbulência realinham despesas no período, o que pode levar, por exemplo, a demissões por questões estruturais que prejudiquem a capacidade de pagamento dos compradores, o que aumenta o risco de inadimplência.

Já Júlio Gomes de Almeida, professor da Unicamp e ex-diretor de política econômica do Ministério da Fazenda, não teme que as pessoas consumam mais do que podem com a redução do imposto.

– Em uma época normal, certamente teríamos esse problema, mas o mercado caiu tanto que a redução do IPI só contrabalançou parte disso – avalia.

Almeida alerta, entretanto, para o risco de queda acentuada no consumo quando terminar o período de vigência da medida, que vai até o fim de junho no caso dos automóveis, e julho, para a linha branca. Segundo o especialista, o fim do prazo pode criar um problema ainda maior do que o que foi amenizado.

Os consumidores não parecem compartilhar das preocupações dos economistas. Flávio Albuquerque, de 28 anos, conta que a redução de IPI mudou seus planos. Antes, pensava em comprar um carro usado, mas agora já pensa em um zero.

– Vou optar pelo melhor custo-benefício. Neste caso, o carro zero se destaca, já que não farei troca de usado por novo – afirma.

Além do preço, Flávio procura a melhor forma de pagamento, porque acredita que o momento é propicio para que as lojas realizem promoções para atrair o consumidor.

– O momento é bom para negociar. A compra seria à vista se tivesse mais possibilidades de desconto e acessórios. A prazo, se os juros estivessem baixos e as parcelas com um valor mais acessível – diz.

Jaqueline Monteiro, 34 anos, já tinha o sonho de comprar um carro zero, e aproveitou o momento:

– Estava guardando dinheiro há um tempo. Quando fiquei sabendo da redução do IPI, achei que este era o momento certo. Fiz um empréstimo com um terço do valor, mas valeu a pena porque o preço do carro que queria reduziu bastante.

No varejo, a chegada do Dia da Mães, segunda melhor data para o comércio, atrás apenas do Natal, aliou-se à redução do imposto para aumentar as vendas. A rede Carrefour registrou aumento de 40% no fluxo de clientes, enquanto a rede Extra, do Grupo Pão de Açúcar, estimou em 20% o aumento nas vendas da linha branca na data comemorativa. A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) previu uma aumento nas vendas totais de 12% em relação ao ano anterior, com destaque para os eletrodomésticos. A farra, no entanto, não deve durar muito.

– Na verdade, a economia já mostra sinais de recuperação, então isso não pode ser mantido para sempre – diz Luiz Roberto Cunha, professor de economia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

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Ministro defende isenção de PIS/Cofins para equipamentos

 

Valor Econômico, 13/05/2009

É "grande" a possibilidade de acabar com a cobrança do PIS e da Cofins sobre a compra de máquinas e equipamentos, garantiu o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, após falar sobre a crise econômica internacional para três comissões da Câmara dos Deputados. ""As conversas com o Ministério da Fazenda têm sido muito boas", garantiu. Jorge reconheceu que o Brasil está em "recessão técnica", mas disse estar otimista em relação à recuperação econômica.

"Pelos números, em termos técnicos, estamos numa recessão técnica, mas nossa recessão é muito mais branda que em outros países e o resultado é positivo se compararmos esse trimestre com o último", comentou Jorge, que disse acreditar em crescimento econômico no país, até o fim do ano. "A recuperação em alguns setores começa a mostrar que não é uma bolha, é recuperação mesmo."

A partir de julho, os números positivos de desempenho econômico serão mais disseminados e mais frequentes, garantiu. Os números negativos sobre emprego divulgados pelo IBGE foram "muito ruins", mas os dados de abril apurados pelo Ministério do Trabalho já mostram uma mudança, argumentou. A informação de que o governo deverá eliminar o PIS e a Cofins sobre investimentos foi saudada pelo ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) deputado Albano Franco (PSDB-SE). O ministro defendeu enfaticamente a medida, criticando os tributos ainda mantidos pelo governo sobre investimentos.

"Para investir, começar uma fábrica, paga-se uma série de impostos embutidos e só seis meses depois começa a produzir e vender", comentou. "Não faz o menor sentido impostos desse tipo", disse, ao informar que os ministérios do Desenvolvimento e Fazenda estão fazendo os "estudos" para o fim dos tributos, por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Falando aos deputados, Miguel Jorge relacionou dados para justificar seu otimismo em relação á crise. O aumento de 11% nas concessões de crédito, em março, comparado a janeiro, mostra "sinais claros" de recuperação na concessão de financiamentos no país. Ele contou que o governo ficou preocupado com a retração no crédito externo, no fim de 2008, que levou as empresas maiores a buscar financiamento no mercado interno, deixando sem fontes de recursos as pequenas e médias empresas, que correram ao BNDES, aumentando em 26% os desembolsos do banco para as companhias menores. Essa migração já deixou de ocorrer em fevereiro, informou.

O ministro admitiu que é lento o retorno do crédito á exportação, e defendeu que o Sistema de Pagamentos em Moeda Local existente com a Argentina pode se tornar uma oportunidade para fortalecer o comércio, que exige "mecanismos inovadores".

Miguel Jorge mostrou, em gráficos, que a forte recuperação do consumo de bens duráveis, acima de 50%, deteve a queda nas vendas de bens intermediários. "O grande desafio são os bens de capital, mas também temos sinais de que esse setor pode começar a se recuperar, em médio prazo", afirmou. O ministério avalia que a incerteza econômica adiou os investimentos no primeiro trimestre, mas que são boas as perspectivas para o ano, com os investimentos previstos pela Petrobras e pelas obras do programa de Aceleração do Crescimento.

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Emprego na construção cresce pelo 3º mês seguido em SP

 

Diário do Comércio, 11/5/2009

O emprego na construção civil brasileira cresceu 0,87% em março ante fevereiro, com a abertura de 18.341 novas vagas formais, segundo a pesquisa mensal do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e da FGV Projetos, com base nos dados do Caged/MTE.

Foi o terceiro mês consecutivo de expansão. Em fevereiro, houve crescimento de 0,2% e, em janeiro, aumento de 0,68%. Em nota, o diretor de Economia do Sinduscon-SP, Eduardo Zaidan, informou que os resultados não significam recuperação da crise econômica, mas a construção dos empreendimentos lançados e das obras públicas contratadas antes da piora do cenário macroeconômico.

As contratações de obras foram reduzidas a partir de setembro de 2008. Já houve retomada nas contratações, mas em ritmo menor do que antes da crise. Na avaliação de Zaidan, o emprego pode crescer ainda durante alguns meses, mas a expansão só será mantida no segundo semestre "se os juros baixarem mais, se houver uma recuperação dos investimentos, se o programa Minha Casa Minha Vida tomar velocidade e se a arrecadação crescer permitindo que as contratações de obras públicas se intensifiquem nos níveis da União, dos estados e dos municípios".

O setor empregava, no fim de março, 2.121.690 trabalhadores. No trimestre, foram criadas 36.733 vagas formais, com expansão de 1,76% ante dezembro. Em 12 meses, foram contratados 173.115 trabalhadores, com crescimento de 8,88%.

No estado de São Paulo, a construção civil contratou 6.710 trabalhadores com carteira assinada em março, com aumento de 1,12% ante fevereiro. O total de empregados formais na construção paulista era de 608,4 mil no fim do mês, com crescimento de 9,93% em 12 meses e de 2,7% ante dezembro de 2008. Na cidade de São Paulo, foram contratados em março 3.455 trabalhadores, o que representa expansão de 1,19%. No final de março, havia 293,6 mil empregados na construção na capital, 11% a mais que em março de 2008.

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