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Vendas de aço surpreendem no início do ano
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Gazeta Mercantil, 14/1/2009
As vendas de produtos siderúrgicos na primeira semana de janeiro surpreenderam as distribuidoras de aço. De acordo com Christiano Freire da Cunha, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), as consultas e o fechamento de negócios foram acima do esperado. "Em dezembro, com o mercado estagnado, fizemos uma previsão completamente pessimista de vendas de 167 mil toneladas em janeiro, uma queda de quase 50% em relação a janeiro de 2008", disse. A movimentação deste início do ano, tornou o executivo mais otimista. "Se continuar assim, podemos fechar o mês com 270 mil toneladas, como previmos inicialmente". Ainda assim, o volume é 30% menor que o negociado em janeiro do ano passado.
O executivo alertou que é cedo para saber se os negócios já fechados indicam uma retomada da produção industrial ou simplesmente reposição de estoque. "Dezembro foi irracional, a indústria parou de comprar para fazer caixa", justificou. Segundo dados preliminares do Inda, as vendas de aço somaram 232 mil toneladas em dezembro, o que representa queda de 36% ante o comercializado no mesmo mês de 2007. As distribuidoras de aço vendem principalmente aços planos para autopeças e fabricantes de máquinas. Em 2008, as empresas do segmento comercializaram 3,73 milhões de toneladas, alta de 15% ante o ano anterior.
Preços em queda
A queda das vendas já levou a ArcelorMittal Tubarão a reduzir os preços de seus produtos planos. A empresa não confirma a informação, mas segundo as distribuidoras, a redução deve acontecer a partir da semana que vem. A Usiminas informou que não deve realizar reduções por enquanto e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) não quis se pronunciar a respeito. O movimento de queda de preços das siderúrgicas já vem acontecendo no mercado internacional desde o segundo semestre do ano passado. Segundo Freire, a queda não deve chegar, neste primeiro momento, aos clientes das distribuidoras, já que essas empresas desde novembro reduziram as margens com descontos de até 10% no valor do aço vendido. "Esperávamos que uma redução no preço só seria feita entre fevereiro e março, depois que as siderúrgicas avaliassem o movimento do início do ano. "
Minério de ferro
As siderúrgicas chinesas, que já reduziram o preço de seus produtos, buscam agora renegociar o custo da matéria-prima. A Baosteel Group Corp., a maior siderúrgica da China e que representa as concorrentes conterrâneas nas negociações de preço com as mineradoras, iniciou ontem conversações com o Rio Tinto Group para firmar contratos anuais de fornecimento de minério de ferro, conforme informaram executivos das empresas.
As companhias conversaram sobre as perspectivas para a economia e para o setor em uma reunião em Xangai, disse um dos executivos, que pediu para não ter seu nome divulgado porque as negociações são confidenciais. As discussões com a brasileira Companhia Vale do Rio Doce e com a BHP Billiton começarão em breve, disse o outro executivo. A expectativa das empresas é de que obtenham redução de até 40% nos preços. Seria o primeiro corte dos últimos sete anos.
A China vai pedir "um grande recuo dos preços do minério de ferro", disse Shan Shanghua, secretário-geral da Associação Chinesa de Ferro e Aço, no mês passado.
As usinas também estão pedindo que os novos preços dos contratos de fornecimento anuais entrem em vigor retroativamente, a partir de 1 de janeiro, em vez de passarem a valer a 1 de abril, disse Shan ontem na entrevista. Os preços, que deram um salto de até 97% no ano passado, deveriam, além disso, ser reavaliados com mais regularidade, disse ele em dezembro.
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ArcelorMittal corta preço de aço em até 10% no Brasil
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DCI, 13/1/2009
Primeira siderúrgica a anunciar cortes de produção de aço no Brasil desde o início da crise mundial, a ArcelorMittal também foi a primeira a anunciar uma redução nos preços dos seus produtos no mercado interno em 2009. Segundo o Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), a companhia cortou os preços dos aços planos em até 10% neste mês, equivalente a um desconto de R$ 200 por tonelada, medida que deve ser seguida pelas outras siderúrgicas nacionais entre janeiro e março. Nos últimos meses, as concorrentes da ArcelorMittal, o maior grupo siderúrgico do mundo, também acompanharam sua iniciativa de cortar produção, com o objetivo de limitar a oferta de aço no mercado interno. De acordo com o presidente do Inda, Christiano da Cunha Freire, o setor de distribuição já reduziu os preços do aço em 5% a 7% em dezembro em função do desaquecimento da demanda. "Os distribuidores precisavam se desfazer dos estoques e brigar pelos pedidos dos clientes, que estavam em baixa", disse. Segundo ele, o ajuste das siderúrgicas vai ajudar a recompor as margens da distribuição, que atende clientes de menor porte, e da indústria automotiva, que compra aço diretamente nas usinas. No entanto, Freire não acredita que a queda de preço das usinas representará queda na ponta da cadeia.
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OMC cria sistema antiprotecionista
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Gazeta Mercantil, 12/1/2009
A Organização Mundial do Comércio (OMC) está formulando um sistema destinado a monitorar as medidas potencialmente protecionistas adotadas pelos países, num momento em que cresce o temor de que os governos vão impor iniciativas que ajudem a fortalecer seus setores produtivos, em meio ao aprofundamento da crise econômica mundial.
"Estamos instaurando um mecanismo de vigilância para monitorar as medidas tomadas até o momento, mas não vejo nada de alarmante", disse Pascal Lamy, diretor geral da OMC, em entrevista concedida na semana passada à Bloomberg Television em Paris durante o simpósio "Novo Mundo, Novo Capitalismo". As medidas protecionistas "não chegaram ao nível macroeconômico até agora".
A recessão mundial deverá gerar uma reação protecionista, que se sobreporá às promessas feitas pelos dirigentes do Grupo de 20 países (G20) feitas em Washington em novembro passado para evitar as barreiras comerciais, que protegem os setores produtivos nacionais e ameaçam a recuperação da economia mundial.
No mês passado, a China reintroduziu os incentivos fiscais para exportadores, a Índia impôs tetos para as importações de aço e a Rússia, que ainda não é membro da OMC, elevou as tarifas sobre as importações de automóveis. Os EUA também adotaram um pacote de financiamento para salvar suas montadoras e a França prometeu destinar US$ 7,6 bilhões para proteger suas empresas de "predadores estrangeiros". Indonésia, Equador e Argentina lançaram também medidas protecionistas, disse Lamy.
Lamy e muitos historiadores da economia responsabilizam a guerra comercial desenvolvida durante a Grande Depressão, iniciada em 1929 - a começar pela aprovação, pelos EUA, da Lei Federal Tafirária Smoot-Hawley, em 1930 -, pelo agravamento da queda vertical da economia mundial.
Os economistas estimam, de forma conservadora, que um acordo mundial de comércio formulado com base no que os 153 governos associados à OMC já aceitaram aumentará o Produto Interno Bruto (PIB) mundial em US$ 100 bilhões ao ano, além de reduzir os impostos sobre as exportações em US$ 150 bilhões.
A data da próxima reunião sobre os esforços para firmar um acordo vai depender da rapidez com que o governo do presidente eleito dos EUA, Barack Obama, se instaurar, disse Lamy.
Os negociadores estão mergulhados em "muito trabalho técnico no momento, e a próxima reunião sobre a medida depende muito da agilidade pela qual o governo de Obama estiver plenamente atuante", disse ele.
"Restam diferenças sobre alguns tópicos, mas a maior parte do que será discutido já está definido", disse Lamy.
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Ritmo de importação surpreende especialistas
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Valor Econômico,13/01/2009
Importações de produtos importantes no comércio exterior brasileiro mantêm um ritmo expressivo de alta nos primeiros dez dias do ano, segundo divulgou ontem o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Embora o período e o volume de operações sejam ainda muito pequenos para indicar tendências, chamaram a atenção de especialistas, que andam em busca de indícios sobre uma das maiores incógnitas econômicas do país este ano: o comportamento das importações, que vinham crescendo aceleradamente, mas enfrentarão, em 2009, quedas de preços e na demanda interna por mercadorias.
Nas duas primeiras semanas de janeiro, com seis dias úteis, as importações superaram as exportações em US$ 12 milhões, um pequeno déficit atribuído pelo governo à compra de uma aeronave, no valor de US$ 150 milhões. Sem essa operação, a balança comercial teria registrado um superávit de US$ 138 milhões, nota a Secretaria de Comércio Exterior. Devido à compra, as importações de "aeronaves e peças" pularam de US$ 9 milhões diários em janeiro de 2008 para US$ 37,5 milhões diários nos primeiros dez dias do ano. Um aumento de 315%. Outros itens importantes também tiveram aumento expressivo.
A importação de produtos siderúrgicos aumentou em quase 25% quando comparadas as médias diárias do início do ano (US$ 23 milhões) com as de janeiro de 2008. As compras de leite também aumentaram 115% e as de bebidas e álcool, 55%, mas, nesses itens, é muito pequena, ainda, a média de importações diárias, bem abaixo de US$ 2 milhões. As compras anuais de leite e derivados ultrapassam US$ 250 milhões.
Os principais produtos de importação, equipamentos mecânicos e elétricos e eletrônicos, tiveram quedas nos valores médios, em relação ao ano passado. "A importação ainda é a grande dúvida de 2009", comenta um dos principais analistas do setor, o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, José Augusto de Castro, que diz ser muito cedo para previsões. Ele confessa ter sido surpreendido pela queda de 11,9% na média diária do total das importações neste início do ano. "Achei que vinha mais forte."
As exportações, em valor, caíram ainda mais, 18,3% quando comparada a média diária dos primeiros dias úteis do ano com a de janeiro de 2008. Além do açúcar, com aumento de 129,3%, quase 10% acima dos valores de dezembro, poucos dos principais itens de exportação tiveram crescimento em relação ao início do ano passado: minérios (14%), soja (19,5%), papel e celulose (16%). É cedo para falar em tendências, mas, neste começo do ano, mais uma vez as commodities estão sustentando a balança comercial", diz Castro, apontando a queda na média do saldo de comércio em produtos manufaturados, que ficou quase a mesma da média para produtos básicos, entre US$ 180 milhões e US$ 190 milhões.
Apesar disso, Castro diz acreditar ser possível que a queda nas importações se acentue durante o ano, com a retração da demanda e dos preços do combustível, a ponto de permitir um superávit, em 2009, maior do que estimam os analistas. O Banco Central prevê um superávit de US$ 17 bilhões em 2009, mas há projeções no mercado que apontam para até US$ 13 bilhões
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Gerdau aponta demanda menor e inicia dispensas
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Folha de S. Paulo, 14/01/2009
Alegando a queda na demanda mundial por aço, a Gerdau iniciou um processo de demissão de funcionários em unidades do Rio Grande do Sul.
No comunicado, a Gerdau atribui as demissões em sua planta de produção de aços longos, no município de Sapucaia do Sul (19 km de Porto Alegre), à necessidade de "reduzir custos e adequar a produção à menor demanda por aço". O grupo não informou o número de postos de trabalho cortados.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São Leopoldo, foram 40 demitidos anteontem.
O corte representa pouco mais de 3% da força de trabalho da unidade (1.200 operários), mas há a possibilidade de que chegue a 200 o total de desligamentos nas próximas semanas, segundo o sindicato.
"É muito preocupante, é a pior crise que vivemos desde o início dos anos 90. Esta semana a empresa demitiu 40 trabalhadores e informou que são irreversíveis outras demissões, que podem chegar a 200 em Sapucaia", disse o sindicalista Lorricardo de Oliveira.
A empresa e os funcionários irão se reunir na próxima semana para discutir a crise.
O sindicato quer a redução dos turnos de trabalho de oito para seis horas como meio de preservar os empregos.
Corte de custos
As demissões são uma etapa de programa de cortes de custos da empresa que já incluiu nos últimos meses a antecipação da manutenção dos equipamentos e férias coletivas para os funcionários em dezembro.
Na Gerdau Aços Especiais Piratini, unidade situada em Charqueadas (55 km de Porto Alegre), o meio de reduzir a produção foi diminuir as turmas de trabalho, de três para duas. O sindicato dos metalúrgicos local relata que na sexta houve 15 demissões, de um total de 1.300 trabalhadores, e relaciona os cortes com a crise.
A Gerdau nega que as demissões estejam ligadas à crise. Segundo a companhia, o número de demissões em Charqueadas é próximo do 1% de rotatividade média mensal na planta e obedece ao acordo coletivo.
Na semana passada, a Gerdau Macsteel, unidade da empresa nos EUA, anunciou o corte de 46 funcionários da sua fábrica em Monroe (Estado de Michigan), o que representa 10% da força de trabalho.
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China já é terceira economia mundial
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País supera Alemanha e fica atrás apenas dos EUA e Japão
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Estado de Minas - MG, 15/1/2009
Paola Carvalho
A China superou a Alemanha e já é a terceira maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e do Japão. O governo chinês divulgou ontem a revisão da taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2007 para 13%, ante o dado preliminar de 11,9%. Ao todo, o PIB daquele ano (o último divulgado) somou 25,731 trilhões de yuans (US$ 3,76 trilhões). No mesmo período, o PIB da Alemanha ficou em 2,4 trilhões de euros, ou US$ 3,32 trilhões, pela taxa de câmbio média do período.
A agência de estatísticas chinesa costuma revisar o PIB anual duas vezes. Inicialmente, em janeiro de 2008, o órgão havia anunciado um crescimento de 11,4% para o PIB de 2007, que foi revisado para 11,9% em abril do ano passado. A revisão para 13% é a final. É o maior índice desde a expansão de 13,1% registrada em 1994.
Os ajustes se deram em razão dos setores secundário e terciário, que cresceram mais do que o previamente estimado, de acordo com dados do governo. Para o consultor do Núcleo de Negócios Internacionais da Trevisan Consultoria Pedro Raffy Vartanian, a expansão chinesa se deve às exportações. “As vendas externas são alavancadas pela política cambial, que mantém o yuan desvalorizado, ficando barato para outros países importar os produtos fabricados no país. É bom ponderar também que a base de comparação ainda é fraca”, avalia.
Ao mesmo tempo, o crescimento econômico da Alemanha perdeu força. Dados preliminares divulgados ontem mostraram que o PIB alemão cresceu 1,3% no ano passado, o desempenho mais fraco desde 2005, puxado pela forte desaceleração das exportações.
Apesar do forte crescimento da China em 2007, as previsões para 2008 são menos otimistas. A economia chinesa mostrou clara tendência de baixa no ano passado, com um crescimento de 10,6% no primeiro trimestre, de 10,4% no segundo e de 9% no terceiro. Nos nove primeiros meses de 2008, a China cresceu 9,9%, abaixo de dois dígitos pela primeira vez em cinco anos. Mesmo assim, existe a possibilidade de o país ultrapassar o Japão em 2009, na opinião de Pedro Raffy Vartanian. “A China está caminhando para ser a principal economia mundial”, destaca.
BOVESPA SEGUE MUNDO E CAI 4%
Notícias fracas no setor corporativo, especialmente sobre bancos, e indicadores frágeis sobre as economias americana e europeia arrastaram as bolsas na Europa e também a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) para baixo. O Ibovespa recuou 3,95%, aos 37.981,77 pontos – menor pontuação desde 30 de dezembro. Na mínima, atingiu 37.658 pontos (-4,77%) e, na máxima, 39.570 pontos ( 0,06%). Por pouco, os ganhos de janeiro não foram completamente apagados: 1,15%. Com saída de estrangeiros, o giro financeiro somou R$ 4,412 bilhões. O dólar teve alta de 0,73%, a R$ 2,34. Os dados conhecidos ontem ampliaram os temores de desaceleração da demanda, com impacto direto sobre as commodities, e com a saúde das instituições financeiras. Assim, papéis de bancos, Petrobras, Vale e siderúrgicas levaram a Bovespa ao menor fechamento em pontos de 2009.
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