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você está recebendo um resumo das principais notícias da semana. Além da newsletter diária, o INDA passa a enviar, às sextas-feiras, um informativo com os acontecimentos mais relevantes do período.


Previsões otimistas marcam o jantar de 2008

 

12/12 - Assessoria de Comunicação / INDA

O Jantar de Confraternização do INDA, realizado dia 4/12 na Fundação Oscar Americano, em São Paulo, foi palco de previsões otimistas para o mercado siderúrgico em 2009. Sob o tema Steel Experience, o evento reuniu cerca de 400 executivos do setor, que aproveitaram a ocasião para trocar impressões sobre o ano que se encerra e sobre o futuro da siderurgia brasileira.
O presidente do Instituto, Christiano da Cunha Freire, fez uma explanação positiva “Acho que vai haver uma mudança de comportamento, pois temos que estar unidos para vivenciar esta crise e, principalmente, para vencê-la. Nossa situação é bem diferente do que está ocorrendo nos Estados Unidos, onde 50% dos auto fornos estão abafados”, disse Freire.
No mesmo caminho, o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, disse, durante sua explanação, que é possível crescer na crise “Não vou vender nenhuma falsidade, mas vou dizer aquilo que acredito: nós temos que respeitar a crise, nós não temos que nos acovardar nem nos submeter a ela”, afirmou Steinbruch.
Um dos mais importantes encontro de distribuidores, o jantar contou com a participação de Eduardo Fares Zanotti, gerente geral de vendas – mercado interno, da ArcelorMittal Tubarão, Luiz Fernando Martinez, diretor comercial da CSN, e Sérgio Leite, vice-presidente de negócios da Usiminas, dentre outros.

Prêmio de Ação Social

O evento foi encerrado com a entrega do Prêmio INDA de Ação Social, que este ano certificou cinco projetos de empresas ligadas à cadeia produtiva do aço: Plante uma Árvore, da Comercial Gerdau; Casa do Amor Fraterno, da empresa Manetoni; Concurso Escolar ArcelorMittal Vega, da ArcelorMittal Vega; Projeto Trupe do Aço, da Fundação CSN e o Projeto Música nas Escolas de Barra Mansa/RJ – Formação Musical Infano-Juvenil, da Votoranim Siderurgia.
Nesta edição, o INDA recebeu mais inscrições que em 2007, quando três projetos foram certificados. “A avaliação de um projeto inclui o impacto que ele tem na comunidade, o grau de envolvimento das empresas, como ele pode transformar a sociedade na qual ele é desenvolvido, dentre outros requisitos. Ter mais projetos premiados significa um aumento na qualidade desses projetos”, afirma Márcia Pastore, coordenadora da comissão julgadora e analista de projetos.

 

 

Siderurgia pede alíquotas de importação nos patamares de 2004

 

Portal Fator Brasil, 8/12

Produtos derivados do aço com tarifa zero mantém mercado brasileiro vulnerável às exportações asiáticas em meio à crise mundial.

Em meio à tensão internacional relacionada à falta de crédito, as alfândegas brasileiras seguem vulneráveis aos produtos cada vez mais baratos provenientes da Ásia – especialmente da China – e do resto do mundo. Diante da crise, diversos países começam a pensar em medidas de proteção ou de facilitação para exportações, mas o Brasil continua a praticar as tarifas acordadas em março de 2005, em um momento cujo objetivo era aumentar a oferta de produtos derivados do aço no mercado brasileiro.

“A situação pode chegar ao limite de colocar em cheque as revendas se algo não for feito a tempo. O nosso papel é de agir como agentes atuantes e tentar reverter o quadro para garantir a sobrevivência do setor”, avalia Christiano da Cunha Freire, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores do Aço (INDA) e do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Produtos Siderúrgicos (SINDISIDER), representantes de cerca de dez mil empresas de distribuição e transformação de aço em todo território nacional, que já enviou uma carta ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior pedindo essa defesa comercial.

Há três anos e meio, a capacidade de produção da siderurgia nacional estava à beira do limite, o comércio mundial crescia a todo vapor e o câmbio oscilava em torno de US$ 2,60. Em um cenário que beneficiava exportações, as alíquotas de importação de 15 produtos siderúrgicos que eram em media de 12% entraram na Lista de Exceção à TEC – Tarifa Externa Comum, um acordo entre países do Mercosul, e foram reduzidas a zero pela Câmara de Comércio Exterior(Camex).

O cenário mais preocupante nesse momento, no entanto, é justamente o inverso: impedir que os preços diminuam diante da crise global de crédito, trabalhar para que não haja uma queda de demanda interna e externa, além de interromper o avanço do setor siderúrgico de outros países.

Com estoques em alta, Pequim já anunciou que a partir de 1º de dezembro de 2008 estão eliminadas as tarifas de exportação para produtos de aço de alto valor agregado como parte dos esforços para impulsionar os negócios. Outros países aplicam medidas semelhantes para proteger sua indústria, enquanto no Brasil, a crescente importação de aço ameaça empresas e empregos.

Mesmo diante dos desafios, o INDA prevê que o ano deve fechar com alta de 18%, mas o cenário certamente será mais difícil em 2009. A expectativa é de queda de 30% já nos três primeiros meses. Para tentar conter um cenário mais dramático, a palavra de ordem tem sido colocar o pé no freio reduzindo a produção para evitar excesso de oferta e queda de preços.

Manutenção de máquinas e equipamentos e férias coletivas já fazem parte do plano de sobrevivência do mercado. Esse posicionamento não se restringe ao mercado siderúrgico, mas à cadeia como um todo. A indústria automobilística já anunciou férias coletivas para seus funcionários.

“Mas as medidas possíveis por parte do mercado são limitadas. Por isso esperamos que o governo se posicione cancelando a isenção tarifária para a importação siderúrgica como ato de proteção comercial”, afirma Freire.

 

 

ArcelorMittal poderá elevar a produção em 2009

 

 

Gazeta Mercantil, 8/12

A ArcelorMittal, maior siderúrgica do mundo, pode elevar a produção no ano que vem caso a queda nos estoques para níveis "muito baixos" levem a uma recuperação da demanda, disse o principal executivo da companhia, Lakshmi Mittal. "Os níveis de estoque estão muito baixos", disse Mittal na sexta-feira, em Almaty, Casaquistão, onde se encontrou com autoridades governamentais. "Se a demanda começar a melhorar no primeiro ou segundo trimestres, vamos aumentar a produção."

A siderúrgica russa Severstal, a Corus, unidade britânica da indiana Tata Steel e a coreana Posco cortaram a produção depois que montadoras e construtoras reduziram a demanda em meio à desaceleração da economia global. A produção mundial de aço bruto caiu 12,4% em outubro, segundo a Associação Mundial do Aço (Worldsteel).

"Reduzimos a produção em 35%, e isso foi muito agressivo para nós", disse Mittal depois da reunião marcada entre o governo casaque e investidores estrangeiros. "Eu não acho que deva ocorrer um corte adicional na produção."

As ações da ArcelorMittal, formada em 2006 com a compra da Arcelor SA pela Mittal Steel Co. por US$38,3 bilhões, já caíram 70% este ano, reduzindo o valor de mercado da companhia para € 23 bilhões (US$30 bilhões).

"Há pouca visibilidade, então dizer que haverá uma recuperação no próximo ano soa mais como um desejo", disse Andrew Snowdowne, analista do UBS AG. "Pensamos que tecnicamente uma recuperação é possível, mas é muito cedo para tomar uma decisão sobre isso."

"A administração pode estar otimista demais em relação à velocidade de recuperação dos mercados de aço", avaliou o analista da Societe Generale Alain William. O banco reduziu as estimativas de preço e as previsões de ganhos para a ArcelorMittal devido a "condições do mercado em processo de deterioração" e depois de uma redução na previsão feita pelo banco para os preços do aço. A estimativa de os ganhos antes dos juros, impostos, depreciação e amortização para 2009 caiu 23%, para US$ 12,8 bilhões, e 10%, para US$ 2,6 bilhões em 2008.

 


Construtoras pedem mais gasto público para crescer em 2009

 

Folha On-Line, 8/12

O governo terá que gastar mais e destravar obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em 2009 para garantir o crescimento da construção civil. Depois do baque pela falta de crédito e da expectativa de retração na economia, o setor está dependente de obras públicas para manter um crescimento "razoável" no ano que vem, segundo Paulo Safady Simão, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção).

Neste ano, o setor espera crescer 8,5%. Para 2009, não há estimativa. "Não quero me comprometer com um número porque o cenário não é claro. A FGV [Fundação Getulio Vargas] prevê 5%. Acho que pode ser um número razoável, desde que o governo cumpra seu investimento em obra pública", diz Safady.

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O segmento imobiliário responde por 40% do setor. Os outros 60% são de obras públicas e privadas. "O setor privado sofreu um baque. Por isso, a esperança está na área pública."

Para isso, ele diz, será preciso "melhorar o gerenciamento do PAC". Segundo o presidente da CBIC, a Caixa contabiliza 45 mil contratos, referentes a 65 programas de 17 órgãos diferentes, que estão empacados. Por conta de problemas burocráticos, diz, empresas estão com até seis meses de atraso no pagamento de recursos de obras que estavam em andamento e ameaçam parar.

Segundo ele, os números são do grupo de trabalho criado pelo governo com representantes do setor e que começou a se reunir no dia 1º de setembro para resolver pendências. No entanto, não foi possível "sair do lugar". "Ontem [quinta-feira] fizemos a última reunião [com a Caixa] sem que nada tenha sido resolvido", disse. São obras principalmente de saneamento, habitação, infra-estrutura social e em favelas.

"Em algumas, a Caixa liberou a licitação e a obra, mas o contratante diz que o procedimento não está correto. Com isso, não há liberação do dinheiro. Em outras, a prefeitura não tem a sua contrapartida. Tem burocracia, má informação", explica Simão.

Questionada, a Caixa não tratou do volume de contratos com problemas -espalhados por vários ministérios. Mas mencionou que tem "2.775 projetos de obras, todos vinculados ao Ministério das Cidades". Admite trabalhar com a CBIC para agilizar processos e diz que segue o rigor da lei ao tratar com recursos públicos.

Um dos setores que mais empregam, a construção civil está entre as áreas prioritárias do governo para estimular o crescimento da economia em 2009.

A previsão do setor é que será um ano difícil. "O que os EUA e a Europa estão sentindo agora vamos começar a sentir lá na frente. Tomamos a primeira pancada, com a falta de crédito, de liquidez. Vamos perceber o impacto disso mais forte a partir do segundo trimestre de 2009", afirma Simão.

 

 

CSN fechará ano com dois meses de estoque e tomará decisões só em 09

 

DCI, 9/12

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) iniciará 2009 com estoque correspondente a dois meses de produção, afirmou ontem o presidente da empresa, Benjamin Steinbruch. De acordo com o executivo, a empresa continua trabalhando a plena carga e só tomará outra decisão em janeiro, se for o caso de diminuir a produção. "Pode ser que janeiro não seja tão ruim como todo mundo está esperando", disse Steinbruch. O normal, segundo ele, é começar janeiro com nenhum estoque.

Segundo ele, a empresa está de olho no "caixa e na produção". O executivo afirmou que a companhia possui caixa para manter, ao menos, quatro meses de estoque. "Minha idéia é bancar a produção", disse. Desde novembro, a empresa suspendeu a compra de matérias-primas, para começar o ano sem o estoque desses insumos. "Vamos estocar produtos acabados e não a matéria-prima", concluiu.

Steinbruch afirmou que a crise no Brasil está atrasada em seis meses. "Nós sabemos que janeiro não será no mesmo embalo que vínhamos. Em outubro já tivemos algum impacto e em novembro se acentuou um pouco. Dezembro já é um mês sempre mais fraco", afirmou.

Segundo o presidente da CSN, compradores da Ásia, Europa e Estados Unidos estão retornando às compras. "A China já está retomando embarques. Outra sinalização positiva é o posicionamento do governo Chinês", afirmou.

Um dos impactos sentidos pela CSN é em relação à postergação de entregas. "Iremos entrar em janeiro estocados, mas otimistas", afirmou Steinbrush.

A CSN entrará em período de férias coletivas no dia 22 de dezembro. Segundo o executivo, a parada não é relacionada à crise e a produção não será interrompida no período. Questionado sobre possíveis demissões na companhia, o presidente da CNS disse que não há nada em vista, "mas que infelizmente a empresa tem que pensar nesse assunto".

Na última semana, os trabalhadores do setor siderúrgico afirmaram temer que a CSN faça demissões na mina de Casa de Pedra, embora a companhia tenha informado ao sindicato que não deve sofrer impactos da crise.

"Acreditamos que em janeiro devem ocorrer cortes na CSN", afirmou , o presidente do Sindicato Metabase dos Inconfidentes - que representa os trabalhadores da indústria de extração de ferro da região de Congonhas (MG) - Valério Vieira dos Santos.

 

 

Crise desacelera produção de aço, que deve crescer só 1% neste ano

 

Folha de S. Paulo, 10/12

A indústria siderúrgica vai produzir 2 milhões de toneladas de aço bruto a menos em razão da crise econômica que o país enfrenta neste trimestre.
Segundo dados do IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia), a previsão do setor em agosto -antes da eclosão da crise financeira internacional- era produzir 36,2 milhões de toneladas de aço bruto no ano, expansão de 7,4% sobre os volumes de 2007.
A nova projeção para fechamento do ano é a de um modesto crescimento de 1,1% até o final de 2008. De janeiro a dezembro, a produção deve atingir a marca de 34,1 milhões de toneladas.
Ainda segundo previsões preliminares do IBS, a produção de laminados (aços planos e longos) vai cair 4,4% e atingir 24,8 milhões de toneladas no fechamento do ano. Segundo Marco Polo de Mello Lopes, vice-presidente-executivo do IBS, o mercado de aços longos, formado majoritariamente pela construção civil, deve registrar um ligeiro aumento de 2%, mas o de aços planos, insumo para a construção naval e para a indústria automobilística, deve cair 8%.
São duas as razões para essa queda: a paralisação de um alto-forno da CSN no início do ano e a crise financeira que avança sobre a economia real. O consumo aparente (vendas internas, mais importação e menos exportações) será positivo no Brasil em 2008. O crescimento será de 10,6% na projeção do IBS, o que significa o consumo de 24,3 milhões. O problema é saber o apetite da economia brasileira em 2009.
Com tudo isso, a forte confiança vista no início do ano deu lugar a um nível inédito de incertezas sobre os investimentos.
Os US$ 40 bilhões previstos até 2013 (o que elevaria a capacidade em mais 15 milhões de toneladas) podem ser ainda cancelados ou adiados. "Todo mundo está revendo os projetos. Havia uma expectativa de expansão da capacidade para atender a uma demanda. A dúvida é saber se haverá essa demanda. Ninguém vai expandir capacidade se não tem para quem vender", disse Lopes.
O IBS avalia que o Brasil ainda tem um trunfo: o mercado interno. O problema é saber se haverá estímulos ao consumo, mais crédito para consumidor e efetivo investimento no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Ameaça chinesa

No curto prazo, o instituto teme a importação de aço chinês para a América Latina. A entidade endossou recentemente um alerta do Instituto Latino-Americano de Ferro e Aço aos governos da região para o risco de uma invasão de produtos siderúrgicos chineses. A redução do ritmo de crescimento da China pode gerar excedentes de aço, muito além dos 50 milhões de toneladas vendidos hoje no mundo.


 

 

Os Brics agora começam a desacelerar fortemente

Valor Econômico, 11/12

Não foi só o Brasil que deixou para trás a possibilidade de crescer a taxas chinesas - esse hoje é o caso da própria China. O PIB brasileiro avançou 6,8% no terceiro trimestre e o quarto trimestre deve ser de estagnação. A economia chinesa perde vigor e a da Rússia se deteriora tão rapidamente que pode não escapar de uma recessão em 2009. A Índia reduziu seu ritmo de dois dígitos para 7,6% agora e talvez 6% no ano que vem - algo não garantido porque as vendas de sua indústria automobilística declina a dois dígitos e a situação política piorou com os atentados mortíferos em Mumbai. O desdobramento da crise financeira mostrou os limites de teorias que apontavam para uma esquizofrenia econômica global, com países que formam metade do PIB mundial mergulhando em recessão e os emergentes, a outra metade, escapando com saúde do contágio. Os Brics estão certamente em melhor forma que os países desenvolvidos para enfrentar uma desaceleração, mas deixaram para trás suas memoráveis performances.

Se a causa para a desaceleração conjunta dos emergentes é comum, são as diferenças nas políticas adotadas para enfrentar dificuldades peculiares que ditarão o maior ou menor grau de adaptação a uma das piores crises em quase um século. O enorme aperto de crédito, seguido do início de recessão nos EUA, zona do euro e Japão, puxou todo o mundo para baixo.

A China emitiu ontem novos sinais de que seu crescimento está ameaçado. As exportações caíram 2,2% em novembro - o primeiro resultado negativo em sete anos -, depois de expansão de 19,1% em outubro, e o país vendeu menos em todos os principais mercados do mundo. As importações tiveram recuo de 17,9%, motivado pela queda dos preços das commodities mas, sobretudo, pelo emagrecimento da demanda doméstica. Foi a maior queda desde 1993. Depois de reunirem-se por três dias, os líderes comunistas chineses reconheceram que as pressões negativas sobre a economia aumentaram. O pacote de US$ 586 bilhões está a caminho, embora alguns analistas acreditem que ele não será suficiente para impedir que a economia corra a uma velocidade abaixo dos 8%, tida pelo PC chinês como mínima aceitável. A China terá de estimular a demanda interna e isso será muito difícil se não valorizar o yuan. Sem problemas para investir, o país precisa aumentar o consumo e diminuir a poupança, algo que enfrenta oposição da liderança chinesa.

O petróleo fez as delícias e agora está criando os infortúnios da Rússia. Com queda de mais de 60% do preço, o país cresce menos, 6,2%, e não deve atingir a baixa expectativa de 3% de expansão em 2009. Para defender o rublo sob ataque, o BC russo perdeu US$ 150 bilhões dos cerca de US$ 500 bilhões de reservas, e injetou mais de US$ 50 bilhões para salvar grupos econômicos privilegiados e estimular os bancos a emprestar. Desemprego em alta, rebaixamento do rating de sua dívida pelo S&P, fuga de US$ 190 bilhões de investidores e estagnação da produção industrial mostram uma grave crise a caminho. A corrente do endividamento externo, hoje maior do que as reservas, foi quebrada com a crise financeira. Com inflação de 14% e rublo caindo, o BC precisaria elevar os juros, mas isto provocará mais desaceleração e quebradeira de empresas.

O Brasil interrompeu seu maior ciclo de crescimento em 20 anos no terceiro trimestre, quando a taxa de investimento ultrapassou 20% do PIB. O país não tem, como a China, consumo de menos, nem, como a Rússia, dívidas demais. Não enfrenta problemas políticos que infernizam a Rússia e a Índia. Está com a inflação sob controle e tem dívida interna cadente, ao contrário da Índia. É o país que reúne as melhores condições para obter uma desaceleração suave da economia, desde que o governo não cometa nenhuma barbeiragem com suas medidas de estímulo. Investimentos públicos em infra-estrutura têm papel importante a jogar agora que os investimentos privados começaram a cair, e um estímulo fiscal a empresas e consumidores pode manter a economia à tona. Um desaquecimento gradual terá até um efeito positivo em um momento em que o déficit em conta corrente tende a crescer. Garantir um crescimento de 2,5% a 3% até a tormenta passar será uma proeza e tanto - e ela é factível.

 

Vendas de máquinas devem crescer 65%

 

Gazeta Mercantil, 12/12

Depois das demissões e da postergação de investimentos entre as construtoras, os reflexos da crise já podem ser sentidos na base produtiva - as encomendas de máquinas para construção foram as que mais caíram em novembro, entre seis áreas consultadas pelas Associação Brasileira da Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A redução nos pedidos do setor foi de 47%, enquanto a média geral foi de 32%.

Na avaliação das empresas, a redução na carteira de pedidos deve chegar à receita logo nos primeiros meses de 2009, mas a partir do segundo semestre as vendas voltam a se recuperar e o ano pode fechar estável.

É o que prevê a Case, empresa do Grupo Fiat. Na análise da companhia, o mercado pode cair até 15% no início do ano, mas logo começará a ser retomado e em 2010 pode ultrapassar o patamar atual. Em 2008 será comercializado um total de 40 mil unidades na América Latina. A previsão é que em 2010 se chegue a 44 mil, sendo quase a metade disso no Brasil. "O que está acontecendo é esse receio das empresas em comprar, mesmo que tenham dinheiro, para aguardar uma definição no cenário", disse o gerente de marketing da Case na América Latina, Edmar de Paula.

A perspectiva de queda não inibe os projetos de expansão da Case, que investirá US$ 1 milhão para reequipar e reativar sua quarta fábrica no País, localizada em Sorocaba (SP), até 2010. Isso irá dobrar a capacidade de produção, das atuais 7 mil unidades para 15 mil. "O mercado interno cresceu muito nos últimos anos, estamos trabalhando no nosso limite", disse o gerente.

A produção das fábricas - que além dos equipamentos para construção, fazem máquinas agrícolas -, é divida entre a Case e a New Holland, fabricante de máquinas também pertencente ao Grupo Fiat e parceira da Case, embora ambas operem independentemente.

Na New Holland, o crescimento até outubro chegou a 64%. "A indústria foi pega desprevenida no ano passado, tinha pouca máquina para atender a demanda que surgiu", disse o diretor comercial da New Holland, Gino Cucchiari. "O setor antes era muito limitado. A média do mercado nos últimos 15 anos ficava entre 7 mil e 8 mil máquinas ao ano. Em 2007 saltou para 11,5 mil e fechará 2008 com quase 19 mil." A alta é de 65,2%.

Possíveis demissões

Na estimativa da Abimaq, o faturamento das produtoras de máquinas para construção deve crescer entre 30% e 40% neste ano, ainda ileso à queda nas encomendas registrada em novembro. "O tempo entre a fabricante pagar os insumos e recolher os pagamentos de seu produto é de cerca de 60 dias", explicou Carlos Hexsel, coordenador de construção civil da Abimaq. "A partir de janeiro isso vai começar a dar problema de caixa nas empresas. E, se continuar essa retenção, em janeiro já devem começar as demissões."

De acordo com Hexsel, é comum haver queda de encomendas, produção e férias coletivas nesta indústria entre Natal e Carnaval, puxadas tanto pela baixa demanda quanto pelo período de chuvas, que paralisa as obras -, as férias só não foram concedidas na virada de 2007 para 2008, quando o mercado continuou igualmente aquecido. "Só que agora começou um mês mais cedo, e foi mais forte", pontuou. A queda nas encomendas, geralmente, acontece em dezembro, e não passa dos 30%.

Mercado em alta

A redução de 47% que se verificou agora nas encomendas deve levar as vendas a seu ponto mais baixo em março, quando estarão 30% menores que no mesmo mês de 2008, estima Hexsel. Até o final de 2009, no entanto, a indústria de máquinas deve conquistar um crescimento entre 10% e 15%, sustentada por um PIB ainda positivo e pelo impulso deixado pelo setor em 2008 - de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a construção civil foi o segmento que mais cresceu no terceiro trimestre, com alta de 10,1% sobre igual período do ano passado. (Juliana Elias)


 

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